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Ano VI / No 26 - 09 de setembro de 2004

EDITORIAL
O Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais apresenta a 26ª edição de seu periódico “Âncoras e Fuzis” e
ressalta a importância de sua ampla veiculação em todos os círculos hierárquicos das OM de Fuzileiros Navais. Este
instrumento de divulgação de conhecimentos além de conter uma variada gama de informações de interesse de todo
o profissional da Guerra Anfíbia serve, também, para estimular o estudo de temas de interesse e fomentar o treinamento
de habilidades táticas e a prática de processos decisórios sumários.
Nessa edição, são apresentados artigos sobre o emprego de mísseis de alta tecnologia por insurgentes no Iraque,
o conceito de Guerra Centrada em Redes, as principais características do Corpo de Infantaria de Marinha Colombiano
e as influências do ambiente amazônico sobre o comportamento do militar quando realizando operações ribeirinhas.
Além desses, publica-se, também, novos artigos sobre o Atlântico Sul, guerra de manobra e soluções das colunas
Pense e Decida.
A coluna Palavras do Comandante-Geral destaca a importância do estudo de outros idiomas por parte dos oficiais
e praças do CFN.
Relembra-se que idéias originais não podem ser compradas ou treinadas; elas requerem terreno fértil onde crescer
e desenvolver-se. O “Âncoras e Fuzis” propõe-se a ser esse terreno. Fertilizá-lo, entretanto, cabe aos nossos
colaboradores. Pense, escreva e participe sem receio.
As colaborações poderão ser feitas da seguinte forma: respondendo às situações descritas na coluna Decida;
enviando sua interpretação sobre o tema sugerido na coluna Pense; ou enviando pequenos artigos sobre temas
técnicos ou táticos que sejam de interesse do combatente anfíbio. Envie sua contribuição diretamente ao Departamento
de Pesquisa e Doutrina do Comando-Geral do CFN pelo MBMail (30@comcfn), Lótus Notes (cgcfn-30/comcfn/
mar), internet (internet@cgcfn.mar.mil.br) ou pelo Serviço Postal da Marinha. ADSUMUS!

Palavras do Comandante-Geral
“Estudo de Outros Idiomas”
Nesta edição, torno a enfatizar a importância do estudo de outros idiomas. O Corpo de Fuzileiros Navais tem
estado cada vez mais presente em comissões além das fronteiras do nosso País. Essa participação no exterior assume
grande importância pois a visibilidade dos Fuzileiros Navais, nessas situações, é bastante ampliada. Assim sendo, é
natural que se busque enviar os militares - oficiais e praças - que mais tenham se destacado entre seus pares, com o
intuito não apenas de premiá-los por suas dedicações ao serviço, mas, também, para que se assegure que o CFN esteja
sendo bem representado.
A maioria das funções no estrangeiro exige que o militar possua um razoável nível de conhecimento do idioma
local. Primeiro, porque isso facilita o cumprimento da missão. Segundo, por possibilitar a troca de experiência e o
intercâmbio de conhecimentos com militares de outros países, o que, sem dúvida, contribui para o nosso aprimoramento
profissional.
Tem-se percebido, no entanto, pelos graus alcançados nos Testes de Suficiência de Idiomas (TSI) da DEnsM, que
excelentes militares perdem boas oportunidades por não alcançarem a proficiência exigida. Sendo assim, recomendo
a todos os Fuzileiros Navais, mais uma vez, que busquem o estudo de um idioma, preferencialmente o inglês e o
espanhol, de forma a estarem adequadamente qualificados para o desempenho dessas funções.
As Praças do CFN, atualmente, podem ser designadas para as seguintes comissões: Destacamentos de Segurança
de Embaixadas do Brasil no Paraguai e no Haiti, envolvendo todas as graduações; participação em operações de
desminagem no Equador (MARMINAS) e na América Central (MARMINCA), envolvendo oficiais, 1º e 2º SG-EG;
instrutoria no Instituto para Cooperação de Segurança do Hemisfério Ocidental (antiga Escola das Américas), envolvendo
1ºSG, preferencialmente de OpEsp; e Auxiliares dos Adidos Navais na Espanha, Bolívia, Paraguai e na Comissão Naval
Brasileira em Washington, para SO.

Prêmio Âncoras e Fuzis


Publica-se abaixo a atual classificação do prêmio “Âncoras e Fuzis” nas categorias individual e por OM. Relembra-se que
esta é apenas uma apuração parcial de pontos. Participe, contamos com você!
INDIVIDUAL OM
1º - CT(FN) Rossini (GptFNBe) ......................... 19 PONTOS 1º - 2ºBtlInfFuzNav ............ 753 PONTOS
2º - CF(FN) Aquino (CPesFN) ........................... 18 PONTOS 2º - Escola Naval ................. 181 PONTOS
3º - CF(FN) Gagliano (CPesFN) ......................... 13 PONTOS 3º - CIASC ............................ 53 PONTOS
4º - CT(FN) Vannei (2ºBtlInfFuzNav) ................. 12 PONTOS 4º - CPesFN .......................... 38 PONTOS
5º - 2ºTen(FN) Sérgio Luiz (2ºBtlInfFuzNav) ...... 09 PONTOS 5º - BtlOpRib ........................ 36 PONTOS

1
ATLÂNTICO SUL
Abordaremos aspectos de interesse
relacionados ao Arquipélago de São
Pedro e São Paulo. Conforme veiculado
na última edição , é de suma importância
que os Fuzileiros Navais mantenham-se atualizados acerca dos temas de
destaque afetos ao Atlântico Sul.
Esse arquipélago é constituído por um grupo de ilhas distantes 1.000 km de
Natal (RN). Ele é formado por onze ilhotas, que perfazem um total de 17.000 m². A maior delas, Belmonte, possui uma área de 200 x
100 m, com altitude máxima de 19m, e apresenta a melhor condição de habitabilidade. Nela a MB construiu algumas benfeitorias
como a Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ECASPSP), um píer e um farolete. A ilha é habitada durante
o ano inteiro por grupos de quatro pesquisadores, que desenvolvem pesquisas nas áreas de geologia, biologia, pesca, psicologia,
arquitetura e oceanografia.
Os historiadores não apresentam um consenso sobre a descoberta do arquipélago. Algumas fontes apontam para o Capitão
Manuel de Castro Alcoforado, em 1511, enquanto outras consideram Juan da Nova de Castello, em 1513. Em 1832, Charles Darwin
ali esteve com o “Beagle Ship” em sua famosa expedição científica. Durante a Segunda Guerra Mundial o arquipélago serviu como
ponto de reunião para os submarinos alemães, devido à profundidade de suas águas.
A ECASPSP comemorou, no dia 25 de junho de 2004, seis anos de existência. O Programa Arquipélago (PROARQUIPÉLAGO),
dedicado à execução sistemática e contínua de atividades científicas, consolidou para
o Brasil a ocupação permanente do único conjunto de ilhas oceânicas brasileiras localizadas
no hemisfério norte.
A relevância das atividades desenvolvidas nesse importante espaço marítimo sob
o enfoque estratégico, científico, econômico e social, possibilitou que o Presidente da
República Luís Inácio Lula da Silva aprovasse, em fevereiro de 2004, a proposta de
estabelecimento da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e Plataforma Continental de 200
milhas, em torno do Arquipélago, o que representa um acréscimo de cerca de 450.000
km2 à ZEE brasileira, ou seja, uma área equivalente à do estado da Bahia.

Influências do ambiente amazônico sobre o comportamento do militar quando


realizando Operações Ribeirinhas
O ambiente operacional influencia demasiadamente o comportamento do militar. No ambiente amazônico, isto torna-se mais
visível, por ser bastante hostil para tropa não adestrada neste cenário. Em virtude disto e baseado nas experiências práticas dos
alunos do Estágio de Pré-Comissão em Operações Ribeirinhas ministrado pelo GptFNBe e do Curso de Operações na Selva
ministrado pelo CIGS, bem como em exercícios de operações ribeirinhas dessa OM, o cenário amazônico apresenta os fatores
abaixo relacionados, que poderão influenciar sobremaneira o comportamento do militar quando estiver realizando uma operação
ribeirinha:
1. A dificuldade de coordenação e controle ocasiona indisciplina, dúvida no planejamento do escalão superior, sensação de
isolamento e dificuldade nas ligações rádio (levando à perda de confiança no equipamento, falta de cuidado com o mesmo e
sentimento de inutilidade de seu transporte).
2. Os deslocamentos lentos e prolongados ocasionam dúvida no planejamento do escalão superior e, também, o relaxamento
das medidas de segurança.
3. A dificuldade do apoio logístico constante ocasiona o transporte adicional de equipamentos e itens logísticos, levando o
militar ao desejo de abandoná-los ou transportar menos carga.
4. As chuvas e o calor intensos ocasionam indisciplina nas medidas de segurança (varal para secar roupas e banhos em
horários impróprios).
5. O deslocamento sem ponto de referência ocasiona falsa noção da distância percorrida, perda de confiança na bússola e
nos cálculos obtidos para a distância percorrida (contagem dos passos aferidos).
6. A dificuldade na evacuação de feridos ocasiona o medo de ser ferido para não ser abandonado ou trazer sobrecarga aos
demais companheiros.
7. A observação reduzida ocasiona sintomas de claustrofobia, relaxamento das medidas de segurança e medo de extraviar-se.
8. A monotonia de paisagens e ausência de ruídos ocasionam irritabilidade, sensação de isolamento e relaxamento das
medidas de segurança.
9. A existência de animais e insetos peçonhentos ocasiona medo e excesso de segurança individual.
10. As doenças tropicais ocasionam medo e excesso de zelo.
11. As péssimas condições de higiene ocasionam o relaxamento dessas medidas.
12. O terreno de difícil progressão ocasiona desânimo em progredir e relaxamento das medidas de segurança.
Dessa forma, é de vital importância para MB, em particular o CFN, adestrar-se cada vez mais no cenário amazônico, em virtude
da importância estratégica dessa região para o Brasil. O adestramento adequado neste cenário trará uma adaptação e um
conhecimento maior a nossos militares, o que anulará ou reduzirá consideravelmente os fatores supracitados, direcionando-os
para o cumprimento de suas missões. – Colaboração do CT(FN) Márcio Rossini Batista Barreira, GptFNBe.
2
FUZILEIROS NAVAIS
DA COLÔMBIA
O Corpo de Infantaria de Marinha
Colombiano, criado em 22 de julho de
1822, desenvolve operações nos litorais
do Mar do Caribe e do Oceano Pacífico,
assim como no território insular e rios
da Colômbia. Sua missão é recrutar, controle de seus principais rios e Adestramento e um Batalhão de Forças
adestrar e preparar os infantes águas territoriais. Essa Especiais, conforme o apresentado no
de marinha para a execução reestruturação buscou organograma abaixo. A primeira Brigada
de operações anfíbias, ter- ampliar sua capacidade de de Infantes de Marinha, situada em
restres, ribeirinhas e especiais, combater as guerrilhas das Cartagena, tem como área de atuação
assim como de defesa de Forças Armadas Revo- o litoral do Caribe. A segunda Brigada
costa, a fim de manter a lucionárias da Colômbia e de Infantes de Marinha, localizada em
soberania nacional e o do Exército de Libertação Buenaventura, tem como área de
controle da ordem pública, prover Nacional, o tráfico de drogas e o atuação o Litoral do Pacífico. A Brigada
segurança às bases e instalações navais contrabando de armas. Fluvial, situada em Puerto Leguizamo,
e contribuir para que a Marinha atinja Atualmente, este Corpo possui um Rio Putumayo, atua em todos os rios
seus objetivos institucionais. efetivo de cerca de 13.800 militares, da Colômbia. A Brigada de Instrução e
O Governo Colombiano reorga- distribuídos em duas Brigadas de Adestramento está situada em Car-
nizou, recentemente, seu Corpo de In- Infantaria de Marinha, uma Brigada tagena, enquanto o Batalhão de Forças
fantaria de Marinha para aumentar o Fluvial, uma Brigada de Instrução e Especiais tem sua base em Bogotá.
Emprego de Mísseis de alta tecnologia por insurgentes no Iraque
O Pentágono investiga o desconhecimento da mais nova e mortal versão de míssel que pode estar sendo empregado
pelos insurgentes iraquianos. Este míssel possibilita atacar helcópteros e ameaça outras aeronaves, de acordo com recentes
baixas sofridas pelas Forças de Coalizão.
As forças americanas julgavam estar bem preparadas para a variedade de mísseis utilizados pelas forças de Saddam
Hussein, principalmente os de fabricação soviética no período da Guerra Fria. Durante anos a inteligência americana juntou
informações técnicas sobre uma variedade de mísseis russos – incluindo os SA-7, SA-14, SA-16, e SA-18 – ao invés de
desenvolver contramedidas, como equipamento de bloqueio eletrônico e decodificador de sinais.
Entretanto, os componentes desses mísseis e outros sitemas de armas desconhecidos pelas forças americanas no
Iraque têm acirrado suspeitas de que os insurgentes podem ter obtido armas mais modernas, não previamente conhecidas.
Estas armas podem confundir as defesas eletrônicas dos helicópteros ou alterar suas rotas de aproximação, enviando-os
para outro destino.
Nos últimos meses nove helicópteros foram abatidos por mísseis inimigos, lançadores de granada e pequenas armas de
fogo. Vários aviões que se dirigiram para o Aeroporto Internacional de Bagdá também foram alvos desses mísseis, porém
conseguiram ser conduzidos para o pouso.
A inteligência americana está trabalhando no sentido de juntar partes desses mísseis e identificar porque eles estão
sobrepondo as contramedidas eletrônicas. A intenção, também, é utilizar suas emissões e transformá-los em alvos.
Permanece um conceito de que deveria ser aplicado um programa de bilhões de dólares para encontrar novos meios de
proteção para a série “Comanche” (Army). Da mesma forma estão os helicópteros empregados pelas Guarda Nacional e
Reserva, os quais não possuem o mesmo nível de proteção que as forças da ativa, porém estão sendo largamente empregados
no Iraque e no Afeganistão.
Existe um pensamento de que os insurgentes estejam utilizando novas versões de dois mortais mísseis russos: SA-16
Gimlet e o SA-18 Grouse, ambos portáteis superfície-ar, similares ao Stinger (míssel americano). Esta obtenção pode ter
sido através de contratos de venda de armamento pela Rússia a países que tenham possibilitado sua entrada no mercado
negro e dessa forma ter chegado ao Iraque.
No começo da Guerra no Iraque os Estados
Unidos acreditavam que as forças iraquianas
possuíam milhares de mísseis SA-7 superfície-ar,
uma velha e menos sofisticada versão de tiro.
Contudo, especialistas americanos ficaram
frustrados com a existência dessa tecnologia contra
seus helicópteros.
Recentemente, o Exército Americano incrementou
medidas defensivas para seus helicópteros, como vôos em variadas altitudes e diferentes padões. Entretanto se o piloto
executa um vôo a baixa altitude para evitar mísseis modelo “SA”, o qual é desenvolvido para atingir aeronaves em altas
altitudes, eles se tornam mais vulneráveis à baixa tecnologia dos lançadores de granada – estes são responsáveis por algumas
perdas de helicópteros. – Colaboração do CF(FN) Léo Pereira Santos, Oficial de Intercâmbio com o USMC.
3
Guerra Centrada em do campo de batalha. Como é mais mais, interligados em termos de
barato o fluxo de informações do que informática. A forma como o mundo
Redes o movimento de tropas, haverá uma civil adquire, processa, distribui e
tendência à utilização maior do princípio protege seus ativos de conhecimento,
da concentração ou massa seguindo os passa a afetar o cumprimento das
resultados fornecidos pelo CAI. tarefas das forças armadas.
A natureza dos combatentes em um
determinado espaço de batalha sofreu
alterações consideráveis. Em operações
de busca de informações, os “com-
batentes” podem ser todos civis.
O termo campo de batalha vem Operações de Manutenção da Paz
sendo substituído por espaço de envolvem civis e militares. O terrorismo
batalha, de forma a expressar a idéia é um tipo de ameaça que pode atacar
de que o ambiente do combate abrange quase em qualquer lugar contra civis e
mais do que áreas contíguas. Na busca militares. Assim, civis e militares estarão
de simplificação, pode-se dizer que a atuando em conjunto.
Era da Informação e os avanços em A chamada Guerra do Golfo chegou
tecnologia introduzem três mudanças em 1991 nos céus noturnos e nas areias
fundamentais que explicam esta do deserto do Oriente Médio. Desde o
substituição. A primeira envolve a noção início dos combates ficou evidenciada
de que o campo de batalha não está a importância da informação e das
limitado a um espaço físico contíguo, armas inteligentes. Esta guerra foi
mas pode envolver áreas geogra- classificada como a primeira guerra da
ficamente distantes. A segunda diz Era da Informação. Foi o primeiro A terceira característica do espaço
respeito à natureza dos combatentes, e conflito em que forças de combate de batalha reside no fato de que a
a terceira versa sobre a perda de foram posicionadas, mantidas, co- transmissão de informações em tempo
isolamento e redução das distâncias. mandadas e controladas, em grande real deixou de ser prerrogativa do
A teoria da Guerra Centrada em parte, por meio de comunicações via governo. A Cable News Network
Redes (GCR) permite o estabele- satélite. (CNN), por exemplo, utilizando-se da
cimento de objetivos diferentes Os Estados Unidos da América Internet, transmite para mundo, ao
daqueles a que estamos acostumados. (EUA) enviaram para o Golfo 365.000 vivo, o que ocorre. Mesmo as nações
Por exemplo, o ataque cibernético a soldados, mas a guerra foi ganha por mais pobres ou os atores não estatais
instalações de Tecnologia da In- apenas 2.000 deles, sendo que o apoio têm acesso aos acontecimentos. O
formação (TI) do inimigo por meio de logístico chegou a incluir progra- campo de batalha deixou de ser isolado
um vírus, de forma a degradar o seu madores de compu-
sistema de Comando e Controle (C2) tador situados no in-
ou o bombardeio de instalações de C2, terior de seu território,
conforme aconteceu na última guerra alguns dos quais tra-
do Iraque. O uso de sofisticados balhando em suas pró-
sistemas de armas combinados com prias casas.
sensores e um Centro de Análise de Isto foi possível
Inteligência (CAI) vão gerar o esta- graças à criação da
belecimento de objetivos com- “estrada eletrônica”,
pensadores. Com o uso de satélites e uma infra-estrutura
da Internet, o processamento das essencial para as guer-
informações e o controle das Operações ras nos dias atuais. Este fato demonstra ou remoto. – Colaboração do CF(FN)
de Apoio Logístico podem estar fora que o soldado e o civil estão, cada vez Tomas de Aquino Tinoco Botelho, do CpesFN.

PENSE
“Entretanto, há uma outra Amazônia, cuja existência é, ainda, tão ignorada por
boa parte dos brasileiros quanto o foi aquela [Amazônia Verde] por muitos séculos.
Trata-se da Amazônia Azul que, maior do que a verde, é inimaginavelmente rica.
Seria, por todas as razões, conveniente que dela cuidássemos antes de perceber-lhe as
ameaças.” - Extrato do texto de autoria do Almirante-de-Esquadra Roberto de
Guimarães Carvalho, Comandante da Marinha.
4
Guerra de Manobra
Uma boa definição para tática, segundo o enfoque da Guerra de Manobra, seria: “Um processo que combina dois
elementos, técnica e educação, através de três filtros mentais – descentralização, foco do esforço e busca das superfícies
e brechas inimigas – com o objetivo de produzir uma abordagem única para um determinado inimigo, tempo e lugar.”
Uma atenta observação dessa definição permite que se obtenha algumas conclusões importantes:
 Tática é um processo, especificamente um processo mental. Representa um modo de se fazer as coisas. Não é
apenas um tipo específico de ataque ou de defesa e sim a razão pela qual se deve escolher determinado tipo de ataque
ou de defesa. Tática não é apenas uma decisão do comando, ela é o modo como se chega à decisão – o método.
 A definição diz que o objetivo do processo é estabelecer uma abordagem única e, portanto, diferente de tudo que o
inimigo já tenha visto ou possa esperar.
 Deve-se considerar o inimigo, o tempo e o espaço específicos de determinada situação. E cada situação é única na
combinação desses elementos. Um inimigo age diferente do outro. Assim, os sírios combatem diferentemente dos
iranianos. Uma companhia iraniana combate diferente de outra companhia também iraniana. E a mesma companhia
que combateu numa terça-feira irá combater diferente na quinta-feira. Um comandante deve levar tudo isso em
conta. O que funciona em um dia pode não funcionar no outro.
 Tática combina dois elementos básicos, técnica e instrução. As técnicas são ações que podem ser executadas por
fórmulas. Elas incluem, dentre outros, como atirar com um fuzil, montar uma metralhadora, transmitir uma ordem,
estabelecer comunicações e pedir apoio de fogo. Excelência em técnica é muito importante na Guerra de Manobra.
Técnicas deficientes diminuem o ritmo do ciclo OODA e tornam as ações militares ineficazes.
 Mas boa técnica não é suficiente. O processo tático inclui a arte de selecionar dentre as técnicas disponíveis, aquelas
que propiciarão uma abordagem única do inimigo, tempo e lugar. E a instrução é a base para isso – instrução não
para o que fazer, mas em como pensar. O estudo de História Militar, a condução de jogos de guerra, estudos de
situações táticas no terreno, jogos de decisão tática e outros instrumentos educacionais ajudam a desenvolver este
aspecto da formação militar. É apenas por meio da combinação de técnica e instrução que se pode executar a tática.
Instrução sem excelência em técnica significa que as ações serão inoportunas e ineficazes. Técnica sem
instrução significa que as táticas serão rígidas e previsíveis.
 A definição menciona três filtros mentais – descentralização, foco do esforço e busca das superfícies e brechas
inimigas – que já foram objetos de artigos anteriores nessa coluna. Eles servem como pontos de referência e devem
modelar e guiar a condução de todo e qualquer raciocínio tático.
Referência: Maneuver Warfare Handbook, William S. Lind.

Resposta do “Pense” anterior – “Âncoras e Fuzis nº 25”


“Prudência é o verdadeiro espírito da defesa, coragem e audácia o verdadeiro espírito do ataque.”
Clausewitz, Livro 7, Cap 15.
Na edição de nº 25, essa coluna atribuiu ao Asp(FN) 3092 Suzart a autoria do texto de maior destaque. Na realidade,
o aspirante que enviou o pensamento publicado foi o Asp(FN) 3095 Gustavo e é, portanto, por dever de justiça que fazemos essa
correção, aproveitando para parabenizá-lo pela qualidade do texto enviado.
Com relação ao “Pense” da última edição, pode-se constatar que a frase de Clausewitz suscitou grande interesse
entre os leitores desse periódico, o que permitiu que se alcançasse a marca de 357 contribuições. Dentre essas se destacaram
as seguintes:
Escola Naval: Asp (FN) 4016 Prince, Asp (FN) 4026 Sena, Asp (FN) 4043 Sorosini, Asp (FN) 4045 Muniz Junior, Asp
(FN) 4052 Thiago Vaz, Asp (FN) 4073 Korte Camp, Asp (FN) 3030 Godinho, Asp (FN) 3042 Motta, Asp (FN) 3080
Aguiar, Asp (FN) 3095 Gustavo, Asp (FN) 3097 César Silva, Asp 2091 Monteiro Santos, Asp 2183 Lucena, Asp 1002
Sampaio, Asp 1015 Leonardo Gomes, Asp 1026 Danilo Cunha, Asp 1033 Alves Júnior, Asp 1038 Pires, Asp 1057 Alvarez,
Asp 1069 Felipe Barbosa, Asp 1093 Araújo, Asp 1110 Feres;
CIAB: 1ºSG-FN-EG Araújo;
BFNRM: 2ºTen (AFN) Alexandro; e
2ºBtlInfFuzNav: CT (FN) Vanei, 1ºTen (FN) Espiúca, 2ºTen (FN) Sérgio Luiz, 3ºSG-FN-IF J.J.Palácio, CB-FN-IF
A.Reis, CB-FN-IF F.B.Azevedo, CB-FN-IF R.V.Massad, CB-FN-IF T.J.S.Júnior, CB-FN-IF T.M.Araújo, CB-FN-IF
M.A.G.Conceição, CB-FN-IF F.A.S.Silva, CB-FN-IF C.Gilson, CB-FN-IF S.Potyilho, SD-FN R.M.Rocha e SD-FN
T.R.Santos.
Essa coluna destaca, novamente, a participação expressiva dos aspirantes da Escola Naval. Ao todo, somaram 124
contribuições. Em particular ressaltamos nosso entusiasmo para com os “sentinelas dos mares” do 1º ano que enviaram 45
textos, todos de alta qualidade, demonstrando já serem possuidores, desde cedo, da vocação e do pendor para o estudo dos
assuntos afetos à Teoria da Guerra.

(Continua)

5
Nessa edição, este Comando-Geral escolheu publicar o texto do CT(AFN) ROBSON Oberdan Bispo de Souza, do
CPesFN, que destacou-se pela riqueza de informações e de conceitos utilizados para traduzir a idéia central do tema
proposto.
Pensamento do CT(AFN) Robson:
“Prudência, coragem e audácia são qualidades intrínsecas do êxito numa campanha bélica. Prudência nos remete a
pensar na virtude que capacita o combatente a evitar as inconveniências e os perigos, ou seja a ter cautela, precaução,
a rechaçar as ameaças. Coragem e audácia, em contrapartida, são atributos morais com os quais se superam os
obstáculos e afrontam-se os perigos, são o destemor e a intrepidez, são os impulsos da alma que conduzem o soldado,
no fragor da batalha, a desencadear ações extraordinárias. Por essas razões, assevera Carl Von Clausewitz, nestes
atributos repousa o espírito do ataque e naquela virtude o da defesa.
O perigo é a característica fundamental da guerra e é inerente ao emprego de tropas, reconhecê-lo e saber enfrentá-
lo significa compreender os modos vantajosos de bem utilizar o poder combatente. Dessa forma, na defensiva é
necessário ser prudente para compreender esse perigo, no ataque requer-se coragem e audácia para não desistir diante
das adversidades, dos obstáculos, daquilo que é aparentemente impossível, visto que a impossibilidade é uma condição
momentânea e quem sabe disto não desiste. Uma defesa bem postada no terreno possui a prudência das serpentes,
responde simultaneamente, ataca com a cabeça quando golpeada na cauda, ataca com cabeça e calda quando golpeada
no centro. A defesa é, portanto, um escudo construído por reações bem direcionadas. Por sua vez, sobre o ataque
repousam a força para superar o medo - a coragem; e um dos elementos multiplicadores do poder de combate - a
audácia. A audácia é um fator moral essencial no líder. Conforme registrado no clássico “Da Guerra”, de Clausewitz,
“uma ação audaciosa de um comandante pode provar ser um erro. Contudo é um erro louvável e não deve ser
considerado como os outros. Afortunado o exército onde inoportuna ousadia acontece frequentemente; é erva
daninha viçosa, mas indica a riqueza do solo”.
Prudência, coragem e audácia são, sem contestação, fatores morais imensuráveis que num ambiente de fricção e
incerteza devem se fazer presentes em ambas as partes conflitantes. Quando alcançado aquilo que Clausewitz denomina
“ponto culminante” do combate, a força de ataque necessita de prudência para minimizar as vulnerabilidades advindas
da impossibilidade de manutenção da conduta ofensiva por mais tempo e, na defensiva, requer-se coragem e audácia
para bem utilizar o elemento ofensivo da defesa: o contra-ataque. Diante dessas considerações, é aceitável fixarmos
um corolário ao pensamento de Sun Tzu e afirmar que a invencibilidade repousa na defesa prudente e a possibilidade
de vitória no ataque audacioso e empreendido com coragem.”

Resposta do Decida nº25


Essa coluna recebeu 80 sugestões de solução para o problema enfrentado pelo comandante da 3ªCiaFuzNav que teve
um de seus pelotões emboscado na Cidade dos Aflitos. A decisão a ser tomada não era simples pois havia uma grande
premência de tempo, uma forte ameaça vinda do Norte, além do fato da cidade ter se transformado num objetivo para o
Batalhão, junte-se a isso tudo, ainda, o aspecto moral de se saber que parcela da tropa emboscada estava ferida ou morta.
Todas essas facetas da situação devem ter pesado na busca de uma solução. No entanto, percebeu-se que algumas
contribuições não consideraram todos esses aspectos ao conduzir seu processo decisório, o que nos leva a reiterar a
importância de que a solução seja
buscada em grupo, pois a troca de
idéias entre militares com diferentes
experiências profissionais permite que
se chegue a soluções mais completas.
Um excelente exemplo de como esse
estudo deve ser conduzido pode ser
observado na foto abaixo, na qual os
integrantes do BtlOpRib estão
conduzindo o estudo do DECIDA
valendo-se do uso de um caixão de
areia, que é, com certeza, uma
ferramenta de grande valor para esse
tipo de atividade. BRAVO ZULU
BtlOpRib.

BtlOpRib: soluções para o


DECIDA no caixão de areia

6
Os seguintes militares destacaram-se na formulação de suas decisões:
Escola Naval: Asp (FN) 4013 Teixeira, Asp (FN) 4035 Sorasso, Asp (FN) 4043 Sorosini, Asp( FN) 4058 Noronha,
Asp (FN) 4075 Vinicius Maia, Asp (FN) 4088 Evandro Cardoso, Asp (FN) 4096 Sheneider e Asp (FN) 4106 Fernando
Lima;
Diretoria de Engenharia Naval: 1ºTen (EN) C.G. Mota;
CIASC: CT (FN) Lourenço, CT (FN) Veras, CT (FN) Lendro Santos, CT (FN) Gláucio, CT (FN) Luciano Oliveira,
CT (FN) Fábio Roberto e TN (IMARA) Diaz;
GptFNBe: 1ºTen (FN) Lopes;
1ºBtlInfFuzNav: CT (FN) Raphael; 2ºTen (FN) Rubin; e
2ºBtlInfFuzNav: CT (FN) Vanei, 1ºTen (FN) Espiúca, 3ºSG-FN-IF J.J.Palácio, 3ºSG-FN-IF Gilson C.F., 3ºSG-FN-
IF A.T. Nascimento, 3ºSG-FN-IF J.H.Sousa, 3ºSG-FN-IF L.M. Nunes, 3ºSG-FN-IF A. Gomes.
.................................................................................................................................................................
A partir desta edição essa coluna passará a apresentar o enunciado proposto no decida anterior, para que os
leitores possam relembrar a situação a que se refere a solução apresentada. Os DECIDA passarão a ser numerados
conforme a edição do periódico. A seguir apresentamos o enunciado do DECIDA Nº 25:

O SEGUNDO COMBATE DA CIDADE DOS AFLITOS

O Sr. é o comandante da 3ªCiaFuzNav do 3ºBtlInfFuzNav. Sua CiaFuzNav está toda embarcada em CLAnf, sendo apoiada
por um PelCC, uma SeçMAC e um GpPion. A BAnf vem se deslocando na direção geral norte.
Um batalhão inimigo de natureza mecanizada está se deslocando para o sul pela rodovia 1 para reforçar as tropas na
cidade dos Aflitos, com previsão de chegada para o início da segunda metade desta jornada.
A 3ªCiaFuzNav recebeu a tarefa de reconhecer a estrada 6, a fim de levantar a natureza e o dispositivo inimigo na região.
Sua companhia está realizando o esforço principal do 3ºBtlInfFuzNav e possui, portanto, a prioridade de fogos da Artilharia,
do Morteiro 81mm, bem como do Apoio Aéreo Aproximado.
Por volta das 0805P, o Sr. avançou até cerca de dois quilômetros
da rodovia 1 e posicionou o 2º PelFuzNav(Ref) na elevação a sua
direita para proteger este flanco. Às 0825P, o 1ºPelFuzNav(Ref), sua
fração de vanguarda, informou pelo rádio o deslocamento de uma
seção Recon do Btl inimigo pela ponte, em direção à cidade, que
aparentava estar vazia. Neste momento, o 2º PelFuzNav(Ref)
informou a presença de seis VBTP e dois CC deslocando-se em direção
à ponte pela estrada do rio, a uns cinco quilômetros a leste da cidade.
O Sr., numa clara demonstração de coragem, audácia e iniciativa,
características inerentes aos líderes militares de todos os escalões,
decidiu por explorar a oportunidade que ora se apresentava.
Ordenou que o 2ºPelFuzNav(Ref), reforçado pela SeçMAC, engajasse
o inimigo. O 1ºPelFuzNav(Ref), reforçado pelo GpPion, deveria
atacar e conquistar a Cidade dos Aflitos. O 3ºPelFuzNav(Ref) e o
PelCC deveriam permanecer em reserva na Elevação do
Entroncamento.
O 1ºPelFuzNav(Ref) cruzou a ponte e avançou pela cidade,
aparentemente sem encontrar resistência. O 2ºPelFuzNav(Ref) obteve
êxito em sua ação contra o inimigo, que após ter dois de seus VBTP
fora de combate, retraiu para NE. Neste momento, o comandante do
3ºBtlInfFuzNav chamou-o à fonia: “É imperativo que o Sr. conquiste
e mantenha a Cidade dos Aflitos até que o batalhão possa te
reforçar.”.
Logo a seguir a Elevação do Entroncamento começou a receber fogos de artilharia e o Sr. pôde ouvir os sons de explosões
e de combate vindos da cidade. O Sr. perdeu o contato fonia com o 1ºPelFuzNav(Ref), mas pôde perceber que o pelotão havia
caído em uma emboscada. Após longos minutos de tensão e suspense, uma voz à fonia, provavelmente vinda do 1ºPelFuzNav(Ref),
informou: “Estamos cercados..., o tenente morreu..., muitos morreram..., outros estão feridos..., eles estão por toda a parte..., nos
prédios e casas..., envie reforços...”
São 0900P, até dez minutos atrás o 3ºBtlInfFuzNav não tinha nenhum novo informe sobre o batalhão inimigo ao norte. O
QUE O SR VAI FAZER DESTA VEZ, CAPITÃO?
.................................................................................................................................................................
A seguir apresentamos a solução enviada pelo CT(FN) Márcio ROSSINI Batista Barreira, do GptFNBe. Essa decisão
contém os seguintes aspectos positivos: utilização do conceito de foco do esforço com a concentração do máximo poder
de combate para solucionar a difícil situação em que se encontra o pelotão emboscado, para tanto constituiu-se uma
reserva temporária e deixou-se para segundo plano qualquer ação que não estivesse focada na cidade; tendo em vista o
insucesso do ataque anterior desencadeado pela ponte, esta solução prevê o emprego de uma nova via de acesso que
pretende surpreender o inimigo com um ataque partindo de uma direção inesperada; a solução enfatizou a rapidez das
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ações; e, além disso tudo, ela contém grande dose de ousadia e coragem, que traduzem o espírito que deve reinar em todas
as ações ofensivas.

Exame da situação

A situação está quase definida, ao identificar provavelmente a ponta do Btl Ini, com o recebimento de fogos de Art na
Elevação ENTROCAMENTO. É lícito supor que o valor da tropa Ini que está defendendo a localidade dos AFLITOS seja
de até um PelInf. Como a 3ªCiaFuzNav é o esforço principal do 3ºBtlInfFuzNav, será solicitado pelo Cmt da referida SU o
ApAeAprx e o planejamento de fogos de Art ao longo das penetrantes que chegam à localidade dos AFLITOS, para
neutralizar o reforço Ini pelos eixos em questão. É fundamental a rapidez nas ações para:
- atender a determinação do Cmt do Btl;
- aliviar a pressão do Ini sobre o 1ºPelFuzNav(Ref), que se encontra em situação crítica; e
- fazer frente à PI de reforçar, no início da segunda metade dessa jornada, a tropa que se encontra na localidade.

Decisão

Esta CiaFuzNav solicitará ao Cmt do Btl, para que o mesmo solicite à BAnf que estabeleça a localidade dos AFLITOS
como uma Área de Fogo Proibido. Será solicitado também o Recon aéreo armado ao longo das penetrantes que chegam
à localidade, bem como o planejamento de fogos de Art nestes eixos para neutralizar e/ou destruir alvos Ini identificados
positivamente. Serão planejados fogos de Mrt 81mm para neutralizar e/ou destruir tropa de Inf Ini confirmada ao longo
das penetrantes supracitadas.
Desde já, a 3ªCiaFuzNav (Ref), menos o 1ºPelFuzNav (Ref), estabelecerá um PV/PO na elevação a E da elevação
ENTROCAMENTO e deslocar-se-á, em formação coluna, pela VA valorizada pela Estrada-6 e RV-1 até a encosta S da
elevação a W da RV-1, onde estabelecerá uma ZReu. O deslocamento supracitado será realizado pela encosta S da
Elevação ENTROCAMENTO.
Ao chegar na ZReu, um GC do 3ºPelFuzNav (Ref) embarcado em um CLAnf reconhecerá pontos de passagem para
transpor o rio dos AFLITOS, a 4 Km a SW da referida localidade, e o PelCC realizará o reconhecimento da Estrada-6.
A Cia deverá, a qualquer custo, fazer ligação rádio com elementos remanescentes do 1ºPelFuzNav para se exfiltrarem
da cidade, na direção S, estabelecendo posição na macega a E da elevação ENTROCAMENTO, antes do Atq. Caso não
tenha êxito neste contato, envidará esforços para evitar o fratricídio.
Após reconhecimentos supracitados, a 3ªCiaFuzNav(-)(Ref) irá transpor o rio dos AFLITOS, guiado pelo 1ºGC/
3ºPelFuzNav, pelos pontos de passagem e o PelCC retornará à macega a E da elevação ENTROCAMENTO, onde
passará para reserva. Após a transposição do rio supracitado, a 3ªCiaFuzNav(-)(Ref) deslocar-se-á pela estrada a N
desse curso d’água para atacar, na direção SW-NE, conquistar e manter a localidade dos AFLITOS até a chegada de
reforços do 3ºBtlInfFuzNav.
Estabelecerá PBloq, nas penetrantes que chegam à localidade para mantê-la, as quais deverão ser apoiadas por
armas/munições AC e CC, priorizando a ponte da RV-1 sobre o rio.
Manterá uma reserva temporária com o PelCC, elementos do Pel Petrechos e da SeçCmdo da Cia, embarcados em
um CLAnf.

Ordem aos elementos subordinados:

a. 1ºPelFuzNav(Ref)
(1) Exfiltrar-se da localidade dos AFLITOS na direção S.
(2) Estabelecer posição na macega a E da elevação ENTROCAMENTO, passando para reserva.

b. 2ºPelFuzNav(Ref)
(1) Deslocar-se por VA valorizada pela Estrada-6 e RV-1.
(2) Após transposição do rio, atacar, na direção NW-NE, a S da Estrada paralela ao curso d’água, para conquistar
a localidade dos AFLITOS.
(3) Destruir ou neutralizar o Ini remanescente em seu eixo de deslocamento.
(4) Estabelecer PBloq, para manter a localidade até chegada de reforços do 3ºBtlInfFuzNav, nas penetrantes que
chegam à mesma por E e S.

c. 3ºPelFuzNav(Ref)
(1) Deslocar-se por VA valorizada pela Estrada-6 e RV-1.
(2) Reconhecer pontos de passagem de transposição de VtrAnf nas margens do rio dos AFLITOS, a 4 Km a SW
da referida localidade, com um GC embarcado em CLAnf.
(3) Após transposição do rio, atacar, na direção NW-NE, a N da Estrada paralela ao curso d’água, para conquistar
a localidade dos AFLITOS.
(4) Destruir ou neutralizar o Ini remanescente em seu eixo de deslocamento.
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(5) Estabelecer PBloq, para manter a localidade até chegada de reforços do 3ºBtlInfFuzNav, nas penetrantes que
chegam à mesma por W e N.

d. Pel Ptr
(1) ApCj à Cia, com prioridade de fogos para 3ºPelFuzNav(Ref).

e. SeçMAC
(1) ApCj à Cia, com prioridade de fogos para 2ºPelFuzNav(Ref).

f. Reserva
PelCC, ElmPelPtr e SeçCmdoCia
(1) Estabelecer PO/PV na elevação a E da elevação ENTROCAMENTO
(2) Assumir posição de espera na macega E da elevação ENTROCAMENTO, ECD apoiar pelo fogo qualquer
tentativa de reforço Ini à localidade dos AFLITOS.”

LIÇÕES APRENDIDAS
1. Emprego da RESERVA: a Reserva é uma ferramenta que confere flexibilidade ao Comando. O seu
emprego deve ser previsto em todo planejamento, particularmente nas situações críticas de combate, como
são as apresentadas nessa coluna. A Reserva não deve ser poupada para um possível emprego futuro
quando a situação atual já se encontrar deteriorada. No entanto, ao se empregar em primeiro escalão a peça
de manobra inicialmente prevista como Reserva, deve o Comandante prever a sua substituição. Para tanto
ele dispõe de dois artifícios: a Reserva Temporária ou a Reserva Hipotecada. A Reserva Temporária é
constituída por elementos de apoio ao combate e de apoio de serviços ao combate. A Reserva Hipotecada,
por sua vez, é constituída por elemento(s) da(s) peça(s) de manobra(s) em primeiro escalão, a quem são
impostas restrições ao seu emprego. No caso de uma CiaFuzNav, a Reserva Temporária poderia ser formada
com elementos da Seção de Comando, do Pelotão de Petrechos e outros apoios. Já a Reserva Hipotecada
seria constituída condicionando o emprego de um ou mais GC dos PelFuzNav empenhados em primeiro
escalão.

2. Concentrar poder de combate: o comandante deve desenvolver todos os esforços no sentido de cumprir
sua missão, evitando ações que não contribuam para tal. Para atingir seu intento, deve concentrar rapidamente
seu poder de combate, de modo a obter superioridade no local e momento oportunos. Assim, todo comandante
deve planejar o emprego de todos os meios disponíveis, tendo o cuidado de observar as características
próprias de cada meio para empregá-lo adequadamente.

3. Surpreender o oponente: a surpresa é um dos fatores decisivos no combate e deve ser sempre buscada
na ofensiva. Nessa situação talvez fosse conveniente atacar a cidade por uma Via de Acesso inesperada
para o inimigo, uma vez que o 1ºPelFuzNav já havia incidido pela ponte.

4. Explorar deficiências do inimigo: a força que realizou a emboscada estava localizada no interior da
cidade, o atacante que lograsse isolar a cidade conseguiria impedir a chegada de reforços, o que facilitaria
a ação de conquista da cidade.

5. Manter a impulsão do ataque: a impulsão é obtida e mantida pela aplicação de poder de combate superior
e pela conservação da iniciativa, no desencadeamento de ataque rápido e agressivo. O comandante não
deve prejudicar a impulsão de seu ataque procurando preservar o dispositivo dos seus elementos de combate
ou para cumprir a manobra planejada; ele imprime continuidade às ações fazendo os elementos progredirem
rapidamente pelos locais que ofereçam menor resistência.

6. Agir com rapidez: a rapidez nas ações é essencial ao sucesso pois favorece a surpresa, contribui para a
segurança, torna a força atacante um alvo difícil de ser atingido e mantém pressão sobre o inimigo, dificultando
sua reação ao ataque.

7. Apoio de Artilharia: os fogos desencadeados para prover proteção à tropa atacante após a conquista
de seu objetivo, de modo a dificultar a reação e/ou o contra-ataque inimigo, são denominados “fogos
durante a consolidação e reorganização”. As barragens são utilizadas na defensiva com o propósito de
interromper o assalto inimigo.

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DECIDA No 26
COMBATE URBANO
O Sr. é o comandante do 1ºPelFuzNav
da 3ªCiaFuzNav do GDB-3. O seu
batalhão é o núcleo do CCT de uma UAnf
que tem a missão de conquistar a Ilha de
Tridente a fim de contribuir com a
segurança das comunicações marítimas
no Oceano Azul.
São 0700P do Dia-D, o desembarque
ocorreu conforme o previsto e sua
CiaFuzNav está se reorganizando em
uma ZReu a dois quilômetros ao Sul da
localidade de Netuno, capital da ilha.
Além do apoio de seu pelotão de pe-
trechos, a 3ªCiaFuzNav conta com os
reforços de uma seção de Mrt81mm,
do 3ºPelCLAnf, de um GpPol/
CiaPolBtlNav, de dois intérpretes e de
uma seção de MtrP. A 3ªBiaO105mm
encontra-se em posição e em condições
de prestar apoio de fogo, apesar da
prioridade de seus fogos estar para a
1ªCiaFuzNav. O Componente de Com-
bate Aéreo (CteCA) está em condições
de prover Apoio Aéreo Aproximado, a
partir de bordo, e sua prioridade de guarnece o porto e o outro o aeroporto
fogos está com a 3ªCiaFuzNav. (não representados no croqui). Sua
A sua companhia recebeu a tarefa mobilidade é restrita ao uso de dois
de conquistar a localidade de Netuno. caminhões e o apoio de fogo é prestado
O Cmt3ªCiafuzNav atribuiu ao por um PelMrt82mm (2B9). O Co-
1ºPelFuzNav a tarefa de conquistar o mando da Cia, com os reforços de um
objetivo “a”, na orla anterior da GC, um GpPol e uma seção de
localidade, até as 1000P. Essa conquis- Mrt82mm, encontra-se na capital.
O Sr., então, decidiu enviar duas Localidade de Netuno
ta proporcionaria segurança à apro-
ximação das demais peças de manobra patrulhas à frente para reconhecer o Às 0930P, a segunda patrulha conse-
da CiaFuzNav, retirando do defensor a objetivo “a”. Uma delas informou, às guiu contato e reportou ter identificado
capacidade de observar ou executar 0830P: a presença de um PCTran valor o que deveria ser o PC da Companhia
tiros diretos sobre a via de acesso que ET na entrada SE da localidade; a inimiga localizado na escola. Essa iden-
chega à cidade por SE. Seu comandante estação de força e o hospital estavam tificação foi possível devido aos seguin-
de companhia confia bastante no seu desguarnecidos; havia presença de civis tes indícios: efetivo de um GpPol(-)
desempenho profissional, a ponto de nas ruas e nas edificações em geral. A guarnecendo sua entrada; excessiva
conferir-lhe liberdade de ação para outra patrulha, até o momento do início movimentação de militares, incluindo
planejar seu ataque e para organizar seu do seu deslocamento, não havia alguns oficiais; existência de várias
pelotão para o combate, reforçando-o, estabelecido comunicações. antenas em cima do prédio.
a seu critério, com qualquer dos apoios O oficial de operações do CCT Comandante, organize a composição
disponibilizados para a 3ªCiaFuzNav. informou que as outras CiaFuzNav do do seu pelotão, decida por uma idéia de
Esses laços de confiança mútua entre o GDB-3 estavam enfrentando forte manobra e envie sua solução. Não se
Sr. e seu CmtCia certamente foram es- resistência para a tomada do porto e do esqueça de considerar as observações
treitados no decorrer dos incontáveis aeroporto, principalmente devido à contidas na coluna “Lições Aprendidas”,
dias de adestramentos no campo e eficiente condução do comando e assim como os conceitos de guerra de
consolidados por meio do aprendizado controle das ações e do apoio de fogo, manobra, particularmente os referentes
conjunto, fruto do estudo de Batalhas por parte do CmdoCia inimiga. a vulnerabilidades e oportunidades
Históricas e dos debates, no âmbito da Existe uma Regra de Comportamento (AncFuz nº25) e lembre-se: coragem e
companhia, acerca dos temas pro- Operativo, emanada do ComForTarAnf, audácia são o espírito do ataque.
postos nas colunas Pense e Decida do determinando que os danos à população
periódico Âncoras e Fuzis. civil e suas propriedades sejam As contribuições devem ser encaminhadas
reduzidos ao mínimo necessário ao ao Comando-Geral até o dia 6 de outubro,
O inimigo na ilha é de valor Com-
devendo conter: exame da situação, a decisão
panhia, a dois pelotões, sendo que um cumprimento da missão.
e as ordens aos elementos subordinados.
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