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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

CURSO SUPERIOR COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS EM DIREITOS HUMANOS

SEMINÁRIO TEMÁTICO DE PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL

CLASSES E REPRESENTAÇÃO SOCIAIS A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA


MARXISTA EM MARCELO RIDENTI

MATEUS TIAGO FÜHR MÜLLER

SÃO LEOPOLDO

2010
Resenha da obra RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed.
São Paulo: Cortez, 2001. 118 p.

Na presente resenha tratar-se-á da obra Classes Sociais e Representação, de autoria de


Marcelo Ridenti. Tal obra “atém-se estritamente à discussão no interior do marxismo sobre a
teoria das classes sociais e sua representação”,1 não tendo a pretensão, portanto, “de ser uma
discussão abrangente sobre as classes sociais”. 2

Contudo, antes de adentrar na análise do texto, cumpre salientar um breve currículo do


autor: Marcelo Siqueira Ridenti é graduado em Ciências Sociais (1982) e em Direito (1983)
na Universidade de São Paulo, onde também se doutorou em Sociologia (1989). Defendeu
tese de livre-docência na Universidade Estadual de Campinas (1999), na qual é Professor
Titular de Sociologia desde 2005. Ingressou na UNICAMP em 1998, foi docente da
Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Araraquara (1990-1998), e da
Universidade Estadual de Londrina (1983-1990). Atualmente, integra a Coordenação de
Ciências Humanas e Sociais na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP). Foi, além disso, Secretário Executivo da Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS, 2004-2008). Atua, por fim, principalmente nos
seguintes temas: cultura; arte e politica; esquerda brasileira; intelectualidade brasileira;
pensamento marxista; ditadura militar brasileira; e anos 1960. É, alem de tudo isso, autor de
diversas publicações na área de sociologia.

A obra, como evidenciado anteriormente, tem o propósito didático de fazer um


mapeamento de autores nacionais e estrangeiros acerca do tema classes sociais. Para tanto,
fora dividida em duas partes, sendo abordado na primeira o próprio tema das classes sociais,
e, na segunda, o da representação de classes. Desse modo, divide a primeira em cinco
capítulos; e a segunda, em quatro.

Na primeira parte, Ridenti trata, primeiramente, sobre o fato de que entre os marxistas
não há uma unidade de conceito do que vem a ser classes sociais, passando, por
conseqüência, à apresentação das diversas conceituações. Salienta, antes de tudo, que nem
sempre Marx utiliza o temo classe em sentidos equivalentes, empregando-o tanto num sentido
genérico-abstrato, quanto num específico-particular. “No primeiro, são realçadas as

1
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 7.
2
Ibid.
determinações comuns e gerais pertencentes a todas as épocas, no segundo o fenômeno
específico „determinado pela produção capitalista moderna‟”. 3 Evidencia, além disso, que
num sentido específico e estrito, caberia falar em classes sociais, na teoria de Marx, tão-
somente nas sociedades industriais capitalistas, ou seja, quando surge a classe burguesa.

Evidencia, além disso, que na realidade, em Marx a teoria das classes está pressuposta,
mas não posta. Além disso, que “a separação entre „classes em si‟ e „classes para si‟ só é posta
para efeitos analíticos”, como também que para ele seriam três as grandes classes: a dos
capitalistas, a dos proprietários fundiários e a dos trabalhadores assalariados. Estas são as
chamadas de classes em sentido pleno, existindo, portanto, outras, denominadas
intermediárias e de transição, mas que não foram contempladas na obra O Capital.

Destarte, “na classe dos trabalhadores assalariados estariam incluídos tanto os


assalariados produtivos [...], quanto os assalariados improdutivos”, 4 contudo, “apenas aqueles
que vendem sua força de trabalho ao capital”. 5 Assim, para Marx, proletário é aquele
trabalhador produtivo não qualificado, ou pouco qualificado; e lumpenproletariado, é a
composição daqueles marginais ao sistema produtivo. Além desses dois grupos, Ridenti,
retomando a Fausto, enumera quatro outros grupos: o primeiro, das classes que são
constituídas a partir das relações da circulação simples; o segundo, daquelas que são
compostas por trabalhadores improdutivos que não são exteriores ao sistema, mas que
pertence à exterioridade no sistema; o terceiro, daquelas compostas por trabalhadores que
fazem parte do processo produtivo, mas que são excluídos da classe dos trabalhadores
assalariados por ultrapassar certos limites de qualificação; e, por fim, o quarto, que são
aquelas compostas pelos profissionais liberais. Depois disso, tratando ainda dos ensinamentos
de Fausto, o autor sustenta que Marx ao tratar das tendências do sistema capitalista, no que se
refere à estrutura das classes, por um lado, sustenta que há uma polarização entre burguesia e
proletariado, e, por outro, “um aumento crescente do número dos improdutivos”. 6

Por outro lado, ensinando que diferente de Fausto, Giannotti ultrapassa o estudo das
classes em si, “ao observar que só a participação nas três grandes formas de rendimento não

3
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 13.
4
Ibid., p. 16.
5
Ibid.
6
Ibid., p. 20.
chega a integrar capitalistas, assalariados e proprietários fundiários em todos conflitantes”, 7
mas que as três classes virtualmente transformam-se em duas. Essas duas últimas, contudo, só
se evidenciam com clareza no momento revolucionário, “quando toda a sociedade se polariza
em torno de seus respectivos projetos”.8 Assim, no momento do em si ao para si, “as classes
fundamentais multiplicam-se em várias, pois a contradição fundamental entre capital e
trabalho seria realizada pelas inúmeras polarizações determinadas pela concorrência”. 9

Desse modo, segue o autor ensinando a partir de Giannotti, que as classes não existem
apenas por um agrupamento de indivíduos, ou seja,

para determinar a existência de uma classe, não basta a inserção na produção de um


conjunto de homens, mesmo daqueles a quem é atribuída uma consciência. Além da
posição no processo produtivo, importa como os agentes sociais constroem sua
própria consciência. Esta não pode ser literalmente trazida „de fora‟ da classe em si
[...], ela deve brotar de dentro da própria classe. 10

Destarte, os rumos para a construção da classe para si se daria a partir da dinâmica da


luta de classes, que, ao fim, implicaria a “ruptura revolucionária com a sociedade de
classes”. 11 Assim, a construção da classe e da consciência não se dá de modo predeterminável,
podendo, contudo, atribuir à classe trabalhadora um fim, que é a ruptura com o modo de
produção capitalista e a conseqüente implantação do comunismo. Este último estágio, então,
pode-se sustentar que depende da associação e da luta dos agentes sociais, que para Lenin se
traduz em uma luta revolucionária conduzida por uma elite de homens esclarecidos.

Após essa tomada geral, Ridenti especifica o debate e focaliza a questão das classes
sociais em três autores: Poulantzas, Thompson e Anderson. Para o primeiro, “as classes
constituem o efeito [...] de certos níveis de estruturas, das quais o Estado faz parte”; 12 para o
segundo, “todo o peso na abordagem das classes está na livre disposição dos homens para agir

7
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 21.
8
Ibid., p. 22.
9
Ibid.
10
Ibid., p. 24.
11
Ibid., p. 26.
12
Ibid., p. 35.
numa dada situação histórica”, 13 ou seja, classe não é nem estrutura, nem categoria, mas fruto
das relações humanas; e, para o terceiro, “as classes são constituídas por modos de produção,
e não vice-versa”,14 ou seja, “o modo de produção capitalista [...] e as classes sociais que o
constituem, estão totalmente imbricados, não como dados estanques e preestbelecidos, mas
como um dar-se em movimento (des)contínuo”.15

Em seguida, restringindo mais ainda a questão do marxismo, das classes e do


individualismo metodológico, o autor trata da obra de Adam Przeworski, sustentando que
para ele “não caberia fazer esse tipo de cisão entre condições objetivas e subjetivas,
entendidas como o econômico por um lado, e o político e o ideológico por outro”.16 Desse
modo, “propõe alternativamente considerar as classes como „efeitos contínuos de lutas
contidas na estrutura das relações econômicas, ideológicas e políticas sobre a organização e a
consciência dos portadores das reações de produção”.17 Assim, classe não constitui um mero
dado da estrutura econômica, mas a agrupação de indivíduos ocupantes de lugares, que
formam a coletividade.

De outra banda, tratando da questão das classes, Ridenti trata do trabalho produtivo, da
classe trabalhadora e das classes médias, sustentando, de início, que “abordar o tema das
classes de uma perspectiva marxista implica a discussão [...] de relação entre classes sociais e
trabalho produtivo”.18 Assim, citando Giannotti, o autor sustenta que “[...] é produtivo o
trabalho que acarreta mais-valia”. 19

Contudo, analisando mais detidamente os postulados marxistas presentes em O


Capital, ensina que “trabalho produtivo não é só aquele que produz bens materiais, podendo
abranger também a produção „não material‟”. 20 Além disso, falando em proletariado, sustenta
que Marx se referia aos trabalhadores despossuídos e produtores de bens fabris, dada a época
em que escrevera sua magnum opus.

13
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 41.
14
Ibid., p. 53.
15
Ibid., p. 54.
16
Ibid., p. 59.
17
Ibid.
18
Ibid., p. 63.
19
Ibid.
20
Ibid., p. 64.
Entretanto, apresentando a visão de Braverman, ensina que ele “desenvolve a idéia de
que no capitalismo de hoje já não haveria sentido em distinguir trabalho produtivo de trabalho
improdutivo”,21 visto que “a massa dos trabalhadores assalariados, nas fábricas ou escritórios,
nos bancos ou no comércio, estaria submetida à lógica do capital”. 22 E assim continua,
sustentando que “Villalobos vê um lugar na produção de riquezas para uma „classe média‟
[...] que exerce trabalho produtivo, fundamental para o modo de produção capitalista, mas
desenvolve „uma racionalidade funcional instrumental para o capital‟”,23 ocupando, portanto,
um sobreposto operativo em relação à classe operária e diferente das antigas classes médias. E
assim, no dizer de Lúcio Kowarick, “essa classe seria responsável pelo trabalho científico e
tecnológico, que é o alicerce do processo de produção de riquezas, e pelas funções técnico-
administrativas, fundamentais para a criação do excedente e para a expansão do
capitalismo”.24

Desse modo, essas novas classes médias estariam estreitamente ligadas ao surgimento
do chamado antivalor, visto que numa concepção marxista, “o valor é „estruturador da
sociabilidade, portanto, produtor também das classes sociais”. 25 Destarte, o

processo de industrialização tem tido como conseqüência o crescimento das


chamadas „classes médias‟, um heterogêneo conjunto de ocupações, qualificações e
níveis de remuneração, cuja única homogeneidade é dada pelo fato de que não estão
diretamente empregados na linha de produção.26

Em fecho à primeira parte, enfim, sustenta-se que “as classes têm um sentido coletivo
próprio, que elas não se confundem com agregados de indivíduos ou de vontades pessoais”. 27
São construídas, portanto, por pessoas “dotadas de vontade e capacidade de ação e
transformação”.28

21
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 70.
22
Ibid.
23
Ibid., p. 70.
24
Ibid., p. 74.
25
Ibid., p. 75.
26
Ibid., p. 81.
27
Ibid., p. 83.
28
Ibid.
Na segunda parte da obra ora resenhada, Ridenti o tema representação de classe,
dando início ao debate falando da representação das relações sociais pela troca de
mercadorias. Para tanto, sustenta que “a representação „não consiste numa duplicação mental
da coisa, pelo contrário, gera-se um relacionamento com outrem em que essa coisa cumpre
uma função mediadora‟”.29

Desse modo, as relações sociais que se travam pelo modo de produção capitalista se
evidenciam sob a forma de relações naturais entre coisas. Assim, a mercadoria passa a
fundamentar as relações sociais, representando, enfim, aquilo que Marx chamou de fetichismo
da mercadoria: as relações sociais no mundo capitalista necessariamente são representadas por
meio da troca de mercadorias, que são medidas pelo dinheiro. Esse tipo de representação
social, portanto, mascara o conflito entre capital e trabalho, aparecendo como forma de
concorrência mercantil, que por si só não é capaz de conciliar os interesses de classe.

Em relação à representação dos cidadãos proprietários no Estado, o autor ensina que o


Estado se apresenta como uma coletividade ilusória, que se põe aparentemente acima dos
interesses particulares e gerais, acima das classes: isso é o que se pode chamar de fetichismo
do Estado. Assim, a representação estatal não se dá pela expressão dos antagonismos sociais,
mas pela representação do conjunto da sociedade. O Estado é, enfim, um mediador político-
jurídico, necessário para manter o jogo mercantil.

Depois disso, escrevendo sobre representação de classe e representação institucional,


Ridenti ensina que “os vários partidos políticos representam interesses conflitantes no interior
de uma sociedade diversificada, que terá sua ordem e unidade garantida pela representação do
conjunto do povo no Estado, defensor do bem comum”. 30 Ou melhor, “a representação dos
cidadãos no Estado é mediada pelos seus representantes políticos”. 31

Contudo, o processo de representação política “não se restringe à participação


institucional das classes dentro da ordem estabelecida, pode implicar ruptura revolucionária

29
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 86.
30
Ibid., p. 93.
31
Ibid.
com ela”. 32 Além disso, “também pode se dar fora do Estado, apesar dele, e mesmo contra ele,
subvertendo-lhe o papel de mediador supostamente neutro dos conflitos sociais”. 33

Destarte, a representação institucional (partidos, sindicatos etc.) “é parte do processo


de vir a ser da classe enquanto tal, „em si‟ e „para si‟”. 34 Desse modo, este tipo de
representação não é totalmente mistificadora: a representação é o canal de mediação da
relação social.

Em suma, Ridenti aborda cinco pontos-chave na condição de conclusão da sua obra,


quais sejam: (1) que na produção de valor na sociedade capitalista não implica sinonimizar
trabalhadores produtivos de mais-valia com a classe trabalhadora; (2) que as classes sociais
não são entidades empíricas; (3) que elas também não são uma coisa, mas uma relação em
construção; (4) que a representação é o canal competente para a mediação do relacionamento
de alguém com outrem; e, por fim, (5), que a ruptura da ordem e da hegemonia burguesas
implica um processo de desenvolvimento do caráter mistificador das mediações por parte dos
trabalhadores em relação aos seus adversos.

Dessa forma, por fim, se meu objetivo com esta resenha chegar próximo de ser
atingido, o leitor terminará agora a leitura destas linhas e buscará a obra original. Certamente
se deleitará com uma narrativa envolvente, e, por fim, poderá compreender o que são e como
se relacionam as classes sociais a partir de uma perspectiva marxista, num texto leve e
didático.

32
RIDENTI, Marcelo Siqueira. Classes sociais e representação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 95.
33
Ibid.
34
Ibid., p. 96.