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A obrigação de meios é aquela em que o profissional não se obriga a um

objetivo específico e determinado. O que o contrato impõe ao devedor é


apenas a realização de certa atividade, rumo a um fim, mas sem o
compromisso de atingi-lo. O contratado se obriga a emprestar atenção,
cuidado, diligência, lisura, dedicação e toda a técnica disponível sem garantir
êxito. Nesta modalidade o objeto do contrato é a própria atividade do devedor,
cabendo a este enveredar todos os esforços possíveis, bem como o uso
diligente de todo seu conhecimento técnico para realizar o objeto do contrato,
mas não estaria inserido aí assegurar um resultado que pode estar alheio ou
além do alcance de seus esforços. Em se tratando de obrigação de meios,
independente de ser a responsabilida de de origem delitual ou contratual,
incumbe ao credor provar a culpa do devedor.

Primeiramente, situa-se a obrigação médica. Segundo as lições de Miguel


Kfouri Neto:

"A obrigação contraída pelo médico é espécie do gênero obrigação de fazer,


em regra infungível, que pressupõe atividade do devedor, energia de trabalho,
material ou intelectual, em favor do paciente (credor). Implica diagnóstico,
prognóstico e tratamento: examinar, prescrev er, intervir, aconselhar. A
prestação devida pelo médico é sua própria atividade, consciente, cuidadosa,
valendo-se dos conhecimentos científicos consagrados ± em busca da cura. O
caráter intuiu personae muitas veze s é relativizado pela urgência. [...] A cirurgia
de caráter estritamente estético, na qual o paciente visa a tor nar seu nariz, por
exemplo ± que de modo algum destoa da harmonia de suas feições -, ainda
mais formoso, considerando, por vezes, um modelo ideal de beleza estética.
Neste caso, onde se expõe o paciente a riscos de certa gravidade, o médico se
obriga a um resultado determinado e se submete à presunção de culpa
correspondente e ao ônus da prova para eximir-se da responsabilidade pelo
dano eventualmente decorrente da intervenção (a jurisprudência alienígena
registra caso de cirurgião que, no propósito de corr igir a linha do nariz,
terminou por amputar parte do órgão)".
É fundamental a correta distinção entre a cirurgia plástica estética propriamente
dita e a cirurgia plástica reparadora. A primeira tem seu objetivo limitado ao
resultado puramente estético, visando unicamente aperfeiçoar o aspecto
externo de uma parte do corpo. Neste tipo de cirurgia o paciente busca o
cirurgião sem apresenta qualquer patologia, visa, apenas, o puro
embelezamento. c

A obrigação contraída pelo médico é uma obrigação de meio s, mesmo porque


o objetivo da intervenção cirúrgica é corrigir cicatrizes deixadas por acidentes,
queimaduras, defeitos congênitos.Já na cirurgia plástica reparadora,tem -se
uma divergência doutrinária e aos poucos, inovações jurisprudenciais. A
intervenção cirúrgica, ainda que promova melhoria estética, não tem neste seu
objetivo principal, mas sim a resolução de problemas de natureza médica,
como a correção de defeitos congênitos e outros traumas decorrentes de
acidentes de qualquer natureza.

A corrente liderada basicamente pelos Ministros Rui Rosado Aguiar e Carlos


Alberto Menezes Direito consideram a obrigação de meio para a cirurgia
puramente estética. Argumentam que a cirurgia plástica é um ramo da cirurgia
geral, estando sujeita aos mesmos imprevistos e insucessos daquela, de modo
não ser possível punir mais severamente o cirurgião plástico do que o cirurgião
geral, haja vista pertencerem à mesma álea.

Afirmam que o corpo humano possui características diferenciadas para cada


tipo de pessoa, não sendo possível ao médico comprometer-se a resultados
diante da diversidade de organismos, reações e complexidade da fisiologia
humana. Condenam até mesmo os médicos que prometem resultados aos
pacientes, uma vez que não poderiam ser responsabilizados por estes, po rque
não podem garantir elasticidade da pele, cicatrização, fatores hereditários,
repouso, alimentação, pós-operatório, etc. Aduzem ainda que o que é diferente
na cirurgia estética à  àà é o dever de informação que deve ser exaustivo
e o consentimento informado do paciente que deve ser claramente
manifestado.
Sobre o tema assim se posiciona o Ministro Rui Rosado Aguiar:

"O acerto está, no entanto, com os que atribuem ao cirurgião estético uma
obrigação de meios, embora se diga que os cirurgiões plásticos prometam
corrigir, sem o que ninguém se submeteria, sendo são, a uma intervenção
cirúrgica, pelo que assumiriam eles a obrigação de alcançar o resultado
prometido, a verdade é que a álea está presente em toda intervenção cirurgia,
e imprevisíveis as reações de cada organismo à agressão de ato cirúrgico.
Pode acontecer que algum cirurgião plástico, ou muitos deles assegurem a
obtenção de um certo resultado, mas isso não define a nat ureza da obrigação,
não altera a sua categoria jurídica, que continua sendo sempre a obrigação de
prestar um serviço que traz consigo o risco. É bem verdade que se pode
examinar com maior rigor o elemento culpa, pois mais facilmente se constata a
imprudência na conduta do cirurgião que se aventura à prática da cirurgia
estética, que tinha chances reais, tanto que ocorrente de fracasso. A falta de
uma informação precisa sobre o risco e a não -obtenção de consentimento
plenamente esclarecido conduzirão eventua lmente à responsabilidade do
cirurgião, mas por descumprimento culposo da obrigação de meios. ´

Na cirurgia estética, o dano pode não alcançar o resultado embelezador


pretendido, com frustração da expectativa, ou em agravar os defeitos piorando
as condições do paciente. Na cirurgia reparadora fica mais visível a
imprudência ou a imperícia do médico que prova a deformidade. O insucesso
da operação, nesse último caso, caracteriza indicio sério da culpa do
profissional, à quem incumbe a contraprova de atuação correta.As duas
situações devem ser resolvidas pelos princípios que regem a obrigação de
meios.

Á seguir, veja os acórdãos dos seguintes processos, jurisprudências, sobre


cirurgia plástica embelezadora e cirurgia plástica reparadora.
Número do processo: 1.0479.03.051362-2/002(1)Númeração Única: 0513622-71.2003.8.13.0479

Processos associados: clique para pesquisar

Relator:Des.(a) JOSÉ AMANCIO

Relator do Acórdão:Des.(a) JOSÉ AMANCIO

Data do Julgamento:29/08/2007

Data da Publicação:11/10/2007

Inteiro Teor:

EMENTA: INDENIZATÓRIA - RELAÇÃO DE CONSUMO - REQUISITOS LEGAIS - POSSIBILIDADE DE INVERSÃO


DO ÔNUS DA PROVA. CIRURGIA REPARADORA- OBRIGAÇÃO DE MEIO - RESPONSABILIDADE DO MÉDICO E
DO HOSPITAL - FALTA DE PROVA DA CULPA - UTILIZAÇÃO ADEQUADA DAS TÉCNICAS E MÉTODOS -
IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL.Na ação que versar sobre relação de consumo, inverte-se o
ônus da prova, se caracterizada a hipossuficiência do consumidor ou a verossimilhança das suas alegações.O
cirurgião plástico somente pode ser responsabilizado pelo insucesso da cirurgia reparadora, consubstanciada como
obrigação de meio, caso não se utilize das técnicas e dos métodos indicados para o seu procedimento.O médico
cirurgião ou o nosocômio não agindo com imperícia, com imprudência ou negligentemente, não se sujeitam a indenizar
a paciente não satisfeita com o resultado da cirurgia reparadora, por caracterizar -se como obrigação de meio.

APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0479.03.051362-2/002 - COMARCA DE PASSOS - APELANTE(S): SANTA CASA


MISERICORDIA PASSOS PRIMEIRO(A)(S), SUELY DE LIMA PADUA OLIVEIRA SEGUNDO(A)(S), PAULO
RAIMUNDO DAHER TERCEIRO(A)(S) - APELADO(A)(S): SUELY DE LIMA PADUA OLIVEIRA, PAULO RAIMUNDO
DAHER, SANTA CASA MISERICORDIA PASSOS - RELATOR: EXMO. SR. DES. JOSÉ AMANCIO

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 16ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na
conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO AO
PRIMEIRO RECURSO,PREJUDICADO O SEGUNDO, NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E DAR
PROVIMENTO AO TERCEIRO RECURSO.

Belo Horizonte, 29 de agosto de 2007.

DES. JOSÉ AMANCIO - Relator

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

O SR. DES. JOSÉ AMANCIO:

VOTO

Tratam os autos de três apelações da r. sentença do M.M. Juiz de Direito da 3ª Vara Cível, da Comarca de Passos -
MG, julgando procedente a ação de reparação de danos ajuizada por Suely de Lima Pádua Oliveira, contra a Santa
Casa de Misericórdia de Passos e Paulo Raimundo Daher, condenando-os solidariamente ao pagamento de
indenização equivalente a vinte salários mínimos, a título de danos estéticos, e R$ 3.360,00 (três mil trezentos e
sessenta reais), a título de danos materiais, corrigidos monetariamente a partir do ajuizamento da ação, acrescidos de
juros de mora de 1% (hum por cento) ao mês, a partir da citação e ainda, ao pagamento dos honorários do advogado,
de 20% (vinte por cento), sobre o valor da condenação.

A Santa Casa de Misericórdia de Passos recorre, alegando:

a) estar comprovado tratar-se de cirurgia reparadora, obrigação de meio, tendo obtido melhora no quadro físico da
apelada;

b) não haver concorrido com culpa, para o suposto evento danoso;

c) ser o desleixo da apelada, o causador do resultado insatisfatório do procedimento cirúrgico;

d) necessidade de ajuste na fixação dos honorários da sucumbência, por ter a autora decaído de parte considerável
dos pedidos.
Pugna pela reforma da r. sentença monocrática.

Suely de Lima Pádua Oliveira alega a necessidade de majoração dos danos estéticos, por não atenderem à sua dupla
finalidade, e também o reconhecimento dos danos morais.

Paulo Raimundo Daher recorre, por sua vez, alegando:

a) ter sido a autora submetida a cirurgia reparadora, responsabilizando-se o medico tão-somente pela utilização das
técnicas disponíveis, de forma adequada;

b) falta de provas do pagamento da cirurgia.

Pugna pelo conhecimento do agravo retido, e pela reforma da r. sent ença monocrática.

Contra-razões às fls. 368-378, 382-385 e 389-393.

Conheço dos recursos, presentes os pressupostos de admissibilidade.

Em razão da prejudicialidade entre as alegações expendidas nos apelos, hei por bem em analisá-los conjuntamente.

Agravo retido - fls. 145-148:

Conheço do agravo retido, por tempestivo, haja vista a r. decisão interlocutória de fl. 143, invertendo o ônus da prova, e
o faço para negar-lhe provimento.

Sobre a inversão do ônus da prova, cabe lembrar a doutrina de Nelson Nery Júnior:

"Trata-se de aplicação do princípio constitucional da isonomia, pois o consumidor, como parte reconhecidamente mais
fraca e vulnerável na relação de consumo (CDC art. 4º, I), tem de ser tratado de forma diferente, a fim de que seja
alcançada a igualdade real entre os partícipes da relação de consumo. O inciso comentado amolda-se perfeitamente
ao princípio constitucional da isonomia, na medida em que trata desigualmente os desiguais, desigualdade essa
reconhecida pela própria lei" (NERY JÚNIOR, Nelson, Código de Processo Civil Comentado - Editora Revista dos
Tribunais, 1997, p.1374).

A hipossuficiência decorre do fato de a autora não ser dotada dos mesmos recursos dos requeridos, principalmente no
que diz respeito a questões técnicas, quanto à cirurgia realizada.

É incontroversa a posição de desigualdade em que se encontra a autora em relação aos réus, concluindo-se ser mais
fácil para eles suportarem o ônus da prova da correção do procedimento adotado, e a natureza da obrigação assumida.

Presente a hipótese, torna-se possível a inversão do ônus da prova a favor da consumidora, nos termos do artigo 6º,
inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor.

Quanto ao pagamento dos honorários periciais, não merece maiores digressões, tendo a parte arcado com o seu
pagamento de forma espontânea, pois não era obrigada a produzir prova que não fosse do seu interesse, e, se o fez,
não pode pretender a repetição dos valores.

Nego provimento ao agravo retido.

Mérito:

Tratam os autos de ação de indenização por danos materiais e por danos morais, alegando a autora ter -se submetido a
cirurgia plástica abdominal, tendo o médico laborado em erro, deixando-a com seqüelas físicas, causadoras de enorme
constrangimento.

O cerne da questão deduzida pela autora, condiz com regra legal contida no direito privado, prevendo a
responsabilidade civil dos médicos, pela conjunção dos artigos 159 e 1545 do Código Civil de 1916, que dispõem:

"Aquele que por ação, omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar prejuízo a outrem, fica
obrigado a reparar o dano".

"Os médicos, cirurgiões, farmacêuticos, parteiras, dentistas são obrigados a satisfazer o dano, sempre que por
imprudência, negligência ou imperícia, em atos profissionais, resultar morte, inabilitação de servir ou ferimento".
Segundo nos ensina Aguiar Dias:

"(...) é que o objeto do contrato médico não é a cura, obrigação de resultado, mas a prestação de cuidados
conscienciosos, atentos, e, salvo circunstâncias excepcionais, de acordo com as aquisições da ciência, na fórmula da
Corte Suprema da França". Não o obriga - tivemos oportunidade de consignar à p. 396 de nosso tratado de Direito
Civil, Responsabilidade, vol. III, S. Paulo, Ed. Revista do Tribunais, p. 396, a restituir a saúde ao paciente aos seus
cuidados, mas a conduzir-se com toda a diligência na aplicação dos conhecimentos científicos, para colimar, tanto
quanto possível, àquele objetivo. (José de Aguiar Dias, Da Responsabilidade Civil, Rio, Forense, 8ª ed., 1987, v. I, p.
299).

A obrigação do profissional da medicina, excetuadas as cirurgias meramente estéticas, caracteriza-se como de meio,
obrigando-os a utilizarem-se corretamente das técnicas e dos métodos indicados para o tratamento ou cirurgia, e não
os responsabilizando pelo resultado alcançado.

O reconhecimento da responsabilidade dos réus passa obrigatoriamente pela averiguação da natureza da cirurgia a
que se submeteu a autora, se reparatória ou se meramente estética.

Ao contrário do sustentado pela autora, os elementos de convicção trazidos aos autos são uníssonos no sentido de
apontar para a realização de uma cirurgia de cunho reparatório, consubstanciando uma obrigação de meio.

A cirurgia a qual a autora submeteu-se foi através de convênio médico mantido com a Companhia de Cimento Itaú -
Fundação Itaú de Assistência Social, a qual declarou expressamente que:

"(...) em 14 de outubro de 2001, emitimos uma guia de encaminhamento para a Santa Casa de Misericórdia de Passos,
autorizando o procedimento de cirurgia plástica reparadora (não estética) da paciente Sueli Lima Pádua Oliveira,
classificado na tabela da AMB - Associação Médica Brasileira sob o código 54.14.021-8 (...)" (fl. 55) (grifei).

A perícia oficial confirmou ser a autora portadora de deformidade da parede abdominal, fato que objetivou a ressecção.
Senão vejamos:

"8 - A cirurgia proposta foi reparadora da parede abdominal não estética, conforme atestam os documentos nos autos?

Resposta: Sim"

Induvidosa a existência de uma obrigação de meio, restando-nos apenas perquirir quanto à ocorrência de erro no
procedimento médico-cirúrgico, não sendo possível a análise isolada do resultado obtido.

Neste ponto a perícia oficial é elucidativa, não se vislumbrando qualquer ato negligente, imprudente ou imperito do
esculápio, confirmando, inclusive, a correção do procedimento adotado.

Vejamos:

"A técnica adotada foi correta, mas sem abordar todo o território dermo-gorduroso. Não há indícios de que tenha
ocorrido rotação de retalho. A ressecção certamente melhorou a condição inicial, permanecendo ainda com algum
excesso dermo-gorduroso. A cicatriz mostra-se bem consolidada" (fl. 173).

Embora o perito ressalte a necessidade de complementação do procedimento para que os resultados estéticos sejam
otimizados, não há como imputar-se desídia do esculápio ou do hospital, por inexistir especificação contratual
detalhada sobre os procedimentos a serem realizados, não se podendo exigir que fosse realizada uma lipoaspiração
complementar, se esta não foi autorizada pelo convenio médico ou contratada entre as partes.

Em momento algum restou caracterizada atitude culposa do médico ou do nosocômio, tendo a cirurgia sido executada
corretamente, conforme o combinado.

A propósito:

"AGRAVO REGIMENTAL. RESPONSABILIDADE MÉDICA. OBRIGAÇÃO DE MEIO. REEXAME FÁTICO-


PROBATÓRIO. SÚMULA 07/STJ. INCIDÊNCIA. Segundo doutrina dominante, a relação entre médico e paciente é
contratual e encerra, de modo geral (salvo cirurgias plásticas embelezadoras), obrigação de meio e não de resultado.
Precedente. Afastada pelo acórdão recorrido a responsabilidade civil do médico diante da ausência de culpa e
comprovada a pré-disposição do paciente ao descolamento da retina - fato ocasionador da cegueira - por ser portador
de alta-miopia, a pretensão de modificação do julgado esbarra, inevitavelmente, no óbice da súmula 07/STJ. Agravo
regimental improvido" (STJ - AgRg no REsp 256174 / Distrito Federal, Quarta Turma, rel. Ministro Fernando Gonçalves,
DJU. 22 de novembro de 2004).
"INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - CIRURGIA DE CATARATA - PERDA DA VISÃO - RESPONSABILIDADE CIVIL DO
MÉDICO - OBRIGAÇÃO DE MEIO - NEGLIGÊNCIA IMPRUDÊNCIA E IMPERÍCIA NÃO COMPROVADA -
INDENIZAÇÃO INDEVIDA. A obrigação do médico em relação ao paciente é de diligência, devendo o profissional
dispensar ao seu paciente o tratamento conforme os recursos atuais de que disponha a ciência médica. A
caracterização da responsabilidade civil do médico reclama a comprovação de sua atuação culposa na cirurgia por ele
realizada. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito (CPC, art. 333, I). Se, a tal
mister, ele não se desincumbiu suficientemente, a declaração de improcedência de seus pleitos torna-se inarredável"
(TAMG - Apelação Cível nº 407.470-8, Sétima Câmara Cível, rel. Dom Viçoso Rodrigues, J. 12 de fevereiro de 2004)
(grifei).

Para a caracterização da responsabilidade civil, não basta tenha a autora sofrido danos ou esteja insatisfeita com o
resultado de uma cirurgia de meio, devendo existir prova da ilicitude da conduta do agente, devendo o erro médico ser
cabalmente comprovado em juízo, sob pena de inviabilizar-se o próprio exercício da medicina.

Inexistindo ilicitude na conduta dos requeridos, não restando caracterizada a responsabilidade de indenizar, torna-se
impossível o acolhimento do pedido inaugural.

Prejudicadas as demais alegações recursais.

Conclusão:

Nego provimento ao agravo retido; dou provimento ao primeiro e ao terceiro recursos, reformando a r. sentença
hostilizada, julgando improcedente o pedido inicial e prejudicado o segundo apelo.

Condeno a autora ao pagamento das custas do processo, inclusive do recurso, e dos honorários do advogado, de R$
600,00 (seiscentos reais), para o patrono de cada um dos réus, suspensa a exigibilidade em razão da concessão do
benefício da gratuidade de justiça.

Votaram de acordo com o(a) Relator(a) os Desembargador(es): SEBASTIÃO PEREIRA DE SOUZA e OTÁVIO
PORTES.

SÚMULA : DERAM PROVIMENTO AO PRIMEIRO RECURSO,PREJUDICADO O SEGUNDO, NEGARAM


PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E DERAM PROVIMENTO AO TERCEIRO RECURSO.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0479.03.051362-2/002


Jurisprudência

RESPONSABILIDADE CIVIL POR ERRO MÉDICO - CIRURGIA PLÁSTICA DE NATUREZA ESTÉTICA -


OBRIGAÇÃO MÉDICA DE RESULTADO - A cirurgia plástica de natureza meramente estética objetiva
embelezamento. Em tal hipótese o contrato médico-paciente é de resultado, não de meios. A prestação do serviço
médico há que corresponder ao resultado buscado pelo paciente e assumido pelo profissional da medicina. Em sendo
negativo esse resultado ocorre presunção de culpa do profissional. Presunção só afastada fizer ele prova inequívoca
tenha agido observando estritamente os parâmetros científicos exigidos, decorrendo, o dano, de caso fortuito ou força
maior, ou outra causa exonerativa o tenha causado, mesmo desvinculada possa ser à própria cirurgia ou posterior
tratamento. Forma de indenização correta. Dano moral. Sua correta mensuração. (TJRS - AC 595068842 - 6ª C. Cív. -
Rel. Des. Osvaldo Stefanello - J. 10.10.95)

ERRO MÉDICO - CC, ART. 1.538 - Não confirmado a prova produzida, a pericial e testemunhal, que o mal de que
padece o autor foi fruto de erro médico, não é possível determinar -se o pagamento de indenização por tal motivo. (TRF
4ª R. - AC 91.04.23994-6 - RS - 1ª T. - Rel. Juiz Vladimir Freitas - DJU 24.06.92) (RJ 182/131)

RESPONSABILIDADE CIVIL - ATENDIMENTO MÉDICO - Negligência e imperícia. As pessoas jurídicas respondem


pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, causarem a terceiros (CF, art. 37, § 6º), sendo de naturez a objetiva a
responsabilidade, somente ilidível por prova exclusiva da parte contrária. Comete erro profissional, sob a modalidade
de negligência e imperícia, o médico que, ao atender criança vítima de desastre por queda sobre uma cerca, faz sutura
em sua face sem constatar a presença de estrepe encravado na carne e ainda deixa de ministrar vacina antitetânica,
causando a morte do infante. (TRF 1ª R. - AC 89.01.22648-0 - AM - 3ª T. - Rel. Juiz Vicente Leal - DJU 29.10.90) (RJ
159/148).

RESPONSABILIDADE CIVIL - DIVULGAÇÃO DE RESULTADO DE EXAME PARA IDENTIFICAR O VÍRUS DA SIDA -


CULPA DO MÉDICO E DO HOSPITAL, PELA DIVULGAÇÃO, E DO LABORATÓRIO, QUE NÃO RESSALVOU A
POSSIBILIDADE DE ERRO - 1. O médico e o hospital respondem, solidariamente, pelos danos materiais e morais
causados à paciente pela divulgação do resultado de exame para identificar o vírus da Sida (Síndrome da Imuno-
deficiência Adquirida). Quebra de sigilo indamissível, no local e nas circunstâncias, considerando o óbvio preconceito
contra a doença. Também faltou o médico com o seu dever de informar ao paciente do resultado do exame e de não
exigir confirmação do resultado. E há responsabilidade do laboratório, porque não ressalvou, ao comunicar o resultado,
a possibilidade de o resultado se mostrar equivocado. Dano material bem arbitrado. Dano moral majorado. 2.
Apelações dos réus desprovidas e apelação do autor provido em parte. (TJRS - Ac. 595160250 - 3ª C. - Rel. Des.
Araken de Assis - J. 07.12.95)

RESPONSABILIDADE CIVIL - Erro médico - Complicações resultantes de pós-operatório - Seqüelas irreparáveis que
levaram a autora a ser indenizada pela incapacidade laborativa - Dano moral - Indenização a título de dano moral que
se concede, a ser apurada em liquidação, consoante postulado, com juros e correção monetária a partir do evento
lesivo. (STJ - REsp 25.507.0 - MG - 2ª T. - Rel. Min. Américo Luz - DJU 13.02.95)

RESPONSABILIDADE CIVIL - Erro médico - Deformação de seios, decorrente de mamoplastia - Culpa presumida do
cirurgião - Cabimento - Hipótese de cirurgia plástica estética e não reparadora. Obrigação de resultado. Negligência,
imprudência e imperícia, ademais, caracterizadas. (TJSP - AC 233.608-2 - 9ª C. - Rel. Des. Accioli Freire - J. 09. 06.94)
(RJTJESP 157/105)

ERRO MÉDICO - RESPONSABILIDADE CIVIL - ESTAGIÁRIO - Culpa do médico responsável pelo parto. Convênio.
Responsabilidade objetiva do hospital e do INAMPS. Tendo o médico atribuído ao estagiário, estudante de medicina,
ato privativo seu e sem os necessários cuidados, vindo a causar danos à parturiente, em decorrência do mau uso do
instrumento médico-cirúrgico, configura-se ato culposo, por negligência e falta dos cuidados objetivos ou do zelo
profissional necessário. Sendo o médico e o estagiário integrantes do corpo clínico do hospital e as guias de
internamento hospitalar expedidas pelo INAMPS, em nome e sob a responsabilidade do hospital, este responde
objetivamente pelos danos em decorrência de falta de serviço. Embora seja o médico culpado integrante do hospital e
utilizando-se de seu aparelhamento para a prestação de atendimento aos pacientes, como profissional autônomo, sem
credenciamento, pois quem era credenciado era o hospital, a autarquia previdenciária também é responsável pela má
escolha das entidades de prestação de assistência médica, pois esta seria atribuição primária do próprio INAMPS em
virtude do contrato configurado no seguro de assistência aos contribuintes da Previdência Social. Condenação solidária
do médico, que delegou ato de sua atribuição ao estagiário e estudante de medicina, do hospital, de que eram
integrantes o médico e o estagiário, e do INAMPS, pelos danos que o erro médico causou à parturiente. Os honorários
advocatícios devem ser reduzidos a 15%, por ser a autora beneficiária de assistência judiciária gratuita, conforme lei
específica (Lei 1.060/50, art. 11). (TRF 1ª R. - AC 89.01.221268 - MG - 3ª T. - Rel. Juiz Vicente Leal - DJU 22.10.90)
(RJ 159/149).
ERRO MÉDICO - RESPONSABILIDADE CIVIL - Ressarcimento de prejuízo advindo da aquisição de medicamento
indevidamente receitado. Inadmissibilidade. Conduta culposa do profissional não evidenciada. Remédio ministrado que
era adequado e indispensável à patologia do paciente . Hipótese em que o autor, abandonado o tratamento
recomendado, deu causa a que se esgotasse o prazo de validade do medicamento. (TJSP - EI 147.056-1 - 6ª C. - Rel.
Des. Reis Kuntz - J. 11.06.92) (RJTJESP 138/335) (RJ 188/100)

RESPONSABILIDADE CIVIL - Indenização. Erro médico. Culpa grave. Honorários profissionais. Danos estético e
moral. Em se tratando de pedido de indenização por cirurgia plástica mal sucedida, provada a culpa, fica o profissional
obrigado a restituir ao paciente os honorários, bem como a reparar os danos decorrentes do erro médico. Se em ação
de indenização houve pedido de reparação pecuniária por danos morais e estéticos decorrentes de defeitos da cirurgia
e outro para pagamento de despesas com futura cirurgia corretiva, atendido a este, inadmissível será o deferimento do
primeiro. (TAMG - AC 110.111-3 - 4ª C - Rel. Juiz Mercêdo Moreira) (RJTAMG 46/130).

ERRO MÉDICO - RESPONSABILIDADE CIVIL - REPARAÇÃO DE DANO - I. Pelos erros profissionais respondem
tanto a instituição previdenciária, quanto os profissionais que em seu nome atuam, configurando-se no caso dos autos
litisconsórcio. II. Cogita-se de litisconsórcio facultativo, daí legitimar-se o INSS no pólo passivo da relação processual.
III. A teoria da causalidade, seja ela no contexto da relativa (concausa) ou absoluta; ou a teoria do risco integral, estão
a disciplinar a questão deduzida em juízo e comprovada na 1ª Instância. IV. A decisão monocrática que baseou-se em
laudos periciais e indicam que o autor faz jus às verbas que deferidas foram. (TRF 2ª R. - AC 94.02.17212-2 - RJ - 1ª
T. - Relª. Desª. Julieta L. Lunz - DJU 11.07.95)

INDENIZAÇÃO - Responsabilidade civil. Ato ilícito. Dano estético. Deformidade causado por erro médico em cirurgia
plástica. Condenação do réu no custeio de outra cirurgia reparadora. Escolha do médico e do hospital a critério da
autora. Verba a ser fixada na fase de liquidação, que será por artigos. Sentença confirmada. (TJSP - AC 163.049-1 - 6ª
C - Rel. Des. Melo Júnior - J. 19.12.91) (RJTJESP 137/182)

DANO MORAL- ADV-JURISPRUDÊNCIA- 30.041 - Todo dano é indenizável e dessa regra não se exclui o dano moral,
já que o interesse moral, como está no Código Civil, é poderoso para conceder a ação. O grande argumento em
contrário diz, apenas, respeito à dificuldade de avaliação do dano. Não é preciso que a Lei contenha declaração
explícita acerca da indenização para que esta seja devida. Na expressão dano está incluído o dano moral (TJ - RJ-Ac.
unân. do 2.o Gr. Câms., ref. reg. em 10.07.86 -EAp. 41.284 - Rel. Juiz Carlos Motta.

RESPONSABILIDADE CIVIL - - DANO MORAL E MATERIAL - Além dos danos materiais, deve ser reparado o dano
moral, que no caso se presume, dada a estreita relação de parentesco, na falta de prova em contrário. A reparação do
dano moral é acumulável com o ressarcimento do dano material: se existe mais de um dano, todos reclamam
reparação, sejam ou não da mesma natureza (TJ -RJ - Ac. do IV GR. de Câms. Cívs.,reg.em 26 -10-89 - EAp. 2.705/88 -
Rel. Des. Barbosa Moreira.COAD 47849.

DANO MORAL - ADV-JURISPRUDÊNCIA - 30.560 - Até hoje a jurisprudência e a doutrina de todos os países têm
vacilado ao encarar o dano moral e as codificações se mostram tímidas e lacunosas no seu enfoque. A nossa
jurisprudência vem sedimentando-se, paulatinamente, no reconhecimento do dano moral quando há a perda da vida,
principalmente a infantil, que constitui, nas famílias menos privilegiadas, expectativa futura. Ainda nesse sentido, o
dano moral é reconhecido quando o ato ilícito resulta em aleijão ou deformidade física, que a vítima suportará para o
resto da vida. O dano moral não se apaga, compensa-se. E esse pagamento deve ser em dinheiro, visando diminuir o
patrimônio do ofensor compensando-se a lesão sofrida pela vítima. A simples procedência do pedido serve como uma
reprovação pública ao ato do ofensor (TJ-MS - Ac. unân. da T. Civ., reg. em 12.08.86 - Ap. 636/85 - Rel. Des. Milton
Malulei).

INFECÇÃO HOSPITALAR - SINAIS MENÍNGEOS ANTES DE ALTA HOSPITALAR - Há culpa in vigilando, quando se
dá alta a indivíduo submetido à cirurgia, dentro do período previsto de grande risco. A alta precoce constitui
responsabilidade objetiva do hospital, se o paciente apresenta sinais meníngeos no período pós-operatório. A seqüela
da meningite tardiamente tratada é de responsabilidade do hospital, se o início da incubação se deu no leito hospitalar.
Mantém-se o voto singular que nega provimento ao recurso de apelação, admitindo a responsabilidade objetiva do
estado. (TJDF - EIC/APC 17.549 - DF - Reg. Ac. 63.647 - 1ª C. - Rel. p/o Ac. Des.João Mariosa - DJU 19.05.93) (RJ
190/105)
Bibliografia

Gagliano, Pablo Stolze; Filh o, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil .
Ed. Saraiva. Vol II.