Rua António José de Almeida n.º 2, 3000 - 040 COIMBRA Portugal t (+351) 239 836 679 f (+351) 239 836 476 | teatro@cenalusofona.pt | www.cenalusofona.pt distribuição gratuita
Angola
A dança contemporânea
entrevista com Ana Clara Guerra Marques
Festivais em alta
teatro no mundo lusófono
elo
desejáveis, visando de modo prioritário uma integração mais efectiva do
n o p r espaço cultural lusófono.
setepalcos
Os três parágrafos anteriores foram retirados do Programa para a
Cultura do actual Governo.
número especial No final de 2005, com um primeiro Orçamento autónomo aprovado
sobre a obra de
Ruy Duarte de Carvalho
e no conhecimento das perspectivas para o mandato, será subversivo
nomeá-lo?
ficha técnica Talvez fosse útil, para todos, nesta fase, clarificar/actualizar as in-
tenções programáticas estabelecidas, as suas prioridades e as suas
Director António Augusto Barros
Redacção Augusto Baptista (coordenação e fotografia), António José Silva, Cátia Faísco e Tiago Boavida correspondências orçamentais. É que o sector veio, como diz o
Concepção gráfica Ana Rosa Assunção programa, de uma asfixia económica de três anos (pelo menos!) e
Fotografia na capa Rui Tavares: Companhia de Dança Contemporânea de Angola
é frágil demais para aguentar outro tanto.
ISSN 1645-9873
N.º 5 distribuição gratuita | Tiragem 1500 exemplares | Impressão Tipografia FIG
E, já agora, parece ser tempo de todos percebermos melhor de que
Propriedade
Cena Lusófona . Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral
forma, com que projectos e parcerias, se vão concretizar as boas
Rua António José de Almeida, n.º 2 mas necessariamente vagas intenções programáticas quanto à afir-
3000 - 040 COIMBRA, Portugal
mação da cultura portuguesa no mundo e, no que nos diz respeito,
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Alto patrocínio
António Augusto Barros
cenaberta 2
Angola Dança Contemporânea
Angola
A dança contemporânea
entrevista com Ana Clara Guerra Marques
Augusto Baptista
Ana Clara Guerra Marques
Muito jovem, nos anos em brasa da revolução, recebeu de António Jacinto, poeta-ministro, a missão de criar em Angola
um corpo de dança clássica. Não desiludiu. Aprendeu, ensinou, fez escola. Elaborou coreografias enraizadas na riquíssima
tradição popular da dança angolana, trouxe-as para palcos alternativos, cruzou-as com muitas artes. Engajou o gesto,
deu-lhe cunho interventivo, interrogante, transformador. Politizou o corpo. Contemporanizou a dança. Compreendida
na terra por uns, por outros nem tanto, neste limbo Ana Clara Guerra Marques, coreógrafa e bailarina-fundadora da
Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) passou por Coimbra. Cenaberta foi ouvi-la no Café Santa Cruz,
aquando da apresentação de “Outras frases”, dvd sobre o seu percurso, do realizador Jorge António.
cenaberta (ca) - O que é a dança das danças tradicionais) e tento reinventar pode existir noutra vertente que não apenas oito espectáculos e temos sempre pessoas.
contemporânea angolana? outras formas. na sua forma tradicional. Por outro, acredito Normalmente quando o espectáculo é
Ana Clara Guerra Marques (ACGM)- ca - Acha que os materiais que insere que preparámos um público. Já nos anos 80, transmitido pela televisão chega ao resto
Costumo fugir às definições, mas reconheço nos seus espectáculos dão para com a Escola de Dança, iniciámos o público do país.
que muitas vezes são inevitáveis. A dança perceber um pouco da realidade de angolano à dança teatral que era uma coisa ca - Houve uma conquista de público
contemporânea é o resultado de um trabalho Angola? que não existia. É interessante ver que hoje ao longo dos anos?
de autor, formulado, no meu caso, através de ACGM - Normalmente uso os meus as pessoas falam de dança contemporânea e ACGM - Houve uma conquista e uma
elementos das danças tradicionais angolanas espectáculos para conversar com o público. associam logo ao nosso trabalho… formação. No princípio as pessoas eram
e de outras motivações. A partir deste Acredito que há alguns aspectos que tocam ca - Que tipo de público é que assiste verdadeiramente vândalas dentro da sala
sedimento, tentamos criar o nosso trabalho as pessoas porque podem interpretar e aos seus espectáculos? Existe uma de espectáculo. Não percebiam e, portanto,
em dança, dentro de uma nova estética, novos dar um sentido diferente do que eu pensei. diversidade de estratos sociais? gritavam, tentavam subir para cima do palco,
padrões. Nos espectáculos gosto de mostrar alguma ACGM - Todas as pessoas vão aos nossos chamavam, insultavam. Mas vias crianças
ca - Qual é a grande diferença entre irreverência para me dar a conhecer e também espectáculos. Normalmente o poder não com seis, sete anos em cima do palco que
a CDC e as outras companhias de a vontade de criticar que é uma marca do meu assiste muito. Há muitos estudantes, camadas não reagiam ao que se passava cá fora. Essa
dança contemporânea? trabalho. Se com isto tudo houve algumas jovens que aderem muito. Os ingressos não indiferença de todo o elenco aquietou-os
ACGM - Essa diferença é marcada pelo conquistas, foram muito sofridas. são caros e isso permite que um maior porque viram que não havia um diálogo
material com que trabalhamos, pela minha ca - O que conquistou então com número de pessoas de estratos sociais mais naquele nível e começaram a respeitar.
opção como coreógrafa. Trabalho sobre a todos estes espectáculos? baixos vá. Antigamente estávamos a trabalhar ca - O que é que se perdeu com o fim
realidade de Angola, quer a nível da realidade ACGM - Por um lado, é muito importante um ano para apresentar os espectáculos só da Escola de Dança? A Companhia
económica, quer a nível da dança (a partir termos conseguido mostrar que a dança uma ou duas vezes. Agora podemos fazer veio colmatar essa falha ou continua
cenaberta 3
Angola Dança Contemporânea
a faltar uma escola de dança? do princípio até ao fim. Isso é perfeitamente integrar-se naquilo que está a ver. coreografia. Foi aí que descobri que o público
ACGM - Uma escola de dança falta sempre. detestável. Sou muito tentada pelas coisas que ca - É a sua “teimosia” que mantém a ficava incomodado. Agora fazemos sempre
Quando se esgotar o elenco da Companhia, não gosto… companhia viva? A continuar a fazer algo para os envolver. E o interessante é que
quem vai substituir, não é? Portanto, a formação ca - E aí reside a parte da crítica no espectáculos? ganhamos público com isso.
é sempre importante. Nós assumimos o seu trabalho? ACGM - Acho que sim. Às vezes sou uma ca - Há algum artista com quem
encerramento da escola porque estávamos ACGM - Sou muito obcecada por isso. É pessoa um bocado obstinada. Se não fosse gostaria de trabalhar que ainda não
numa situação completamente insustentável. também a minha forma de mostrar que não assim, as coisas não avançavam. É preciso tenha colaborado com a CDC?
Decidimos juntar os alunos da escola para estou a dormir. Normalmente discuto sempre ter noção, alguma coragem e muita força ACGM - Acho que já trabalhei com aqueles
formar a CDC. Em Angola há aquela ideia (que os trabalhos com os bailarinos. Poderia ser para desenvolver este tipo de trabalho em que mais ambicionava. E não é bem ambicionar,
é errada!) que o africano nasce com a dança chocante estar a fazer uma coisa com a Angola. Mas também é verdade que se não é identificar-me com o trabalho de pessoas
no sangue. Podemos nascer com esse dom, qual eles não concordavam. Mas são jovens contasse com a solidariedade, com a força e como o Manuel Rui e o Frederico Ningi, um
mas se não o trabalharmos, não nos serve. A muito lúcidos e têm uma postura muito a vontade que os bailarinos têm de trabalhar, artista que quase ninguém conhece.
dança e a música, sobretudo, são duas formas consciente. o suporte de uma camada de intelectuais ca - Nunca pensou na internaciona-
culturais muito vivenciadas em Angola. Mas ca - A parte da investigação das que acompanharam e respeitam o meu lização a nível pessoal?
dançar como forma de diversão não é igual a danças tradicionais também entra trabalho, de amigos que temos nos média, ACGM - Não. Habituei-me a gostar do difícil,
dançar profissionalmente. no seu trabalho? nas empresas… se não contasse com essas aos desafios e a que esses fossem um impulso
ca - Onde é que encontra os ACGM - É uma parte muito importante. pessoas todas, o nosso trabalho também não para o meu trabalho. Não gostava de ir para
seus b a i l a ri n o s? F az a u d i ç õ e s Às vezes é preciso para revitalizar certos seria possível. Digamos que sou um motor que um sítio onde tudo fosse perfeito. Seria mais
ou continuam a ser os mesmos aspectos da tradição que podem estar a não funciona sem as peças todas. uma. É bom estarmos a conseguir superar os
bailarinos do início da Companhia? morrer. Fazê-los renascer. Por um lado, ca - A dança pode e deve incorporar obstáculos. Em nenhum outro sítio era capaz
ACGM - São da Escola de Dança. Fui eu que estudo-os e fica o saber. Por outro lado, faço- outras vertentes artísticas como de encontrar o material que encontro ali e
formei todos os meus bailarinos. Os primeiros -os reviver e renascer numa outra linguagem. o teatro, a fotog rafia, as artes de me sentir tão à-vontade. Aquela coisa
vieram da escola comigo desde criança e Sobretudo tenho sempre a preocupação para plásticas? dos artistas não pertencerem ao mundo não
mais tarde integraram a companhia. Depois que não se perca a essência. ACGM - No fundo, a dança tem esse lado é verdade. Eu pertenço a um sítio e estaria
da guerra e das eleições de 1992 houve um ca - Não tem medo que o público não eclético. Recorro frequentemente à palavra. sempre a sangrar dos pés se estivesse noutro
grande desequilíbrio e a companhia ficou compreenda essa mudança? Muitas vezes não temos os meios técnicos qualquer.
com muito menos gente. Nessa altura eu ACGM - Não sei se é egoísmo da minha em Angola para podermos assumir ou fazer ca - Qual é o coreógrafo/a que
abri audições. Tivemos ali um período em parte, mas não tenho medo nenhum. Eu faço um outro tipo de espectáculo em que existe mais admira? Alguém que a tenha
que trabalhávamos com poucas pessoas, até as coisas, ponho-as à disposição do público este tipo de convivência entre as diversas inspirado…
que os novos bailarinos pudessem entrar e depois as pessoas pensem o que quiserem. formas artísticas. Mas em relação à fotografia, ACGM - É, sem dúvida, a Pina Bausch. Ela
nos espectáculos. Tínhamos alguns que eram De qualquer maneira, Angola é um país muito fizemos um trabalho com o Rui Tavares (que é é genial e tenho que reconhecer que os
militares. Eles saíam do quartel e iam a correr particular. Tenho sempre a preocupação de o fotógrafo da Companhia), em que esta era trabalhos dela me inspiraram. Penso que
para os ensaios, mesmo com turnos. E era essa fazer um texto mais ou menos literário em parte integrante do espectáculo. depois dela se tem tentado fazer várias
força que fazia com que as pessoas fizessem que tento integrar as pessoas naquilo que vão ca - Foi o trabalho com esses réplicas, muitas delas sem sucesso. Acho
coisas inacreditáveis. ver. Acredito que uma ajuda é precisa. artistas que a levou a procurar que já era altura das pessoas serem mais
ca - Como é que cria os esquemas ca - Hoje em dia é possível fazer um espaços não convencionais ou uma autónomas.
para os seus espectáculos? espectáculo com um maior nível de maior proximidade com o público ou ca - O que é que a motiva a continuar,
ACGM - Tenho sempre motivações diferentes. codificação? simplesmente vontade de mudar? a ter essa vontade enorme?
O sítio onde trabalho é ao pé da marginal e, ACGM - Sim. ACGM - Sim. Mudança. Penso que estas ACGM - Acho que o meu trabalho em
da minha varanda, vejo passar todos os meus ca - A CDC contribuiu para isso? novas correntes de dança se aproximam Angola ainda não se esgotou. Faltam mais
personagens: na rua, no passeio, de um lado ACGM - A CDC teve um papel muito fisicamente mais do público. E isto aconteceu pessoas que percebam que a nossa cultura
para o outro. Depois é só transportá-los para importante. No entanto, foi a Escola de em simultâneo, ou seja, nós fomos convidados não é só o tradicional. Já que comecei, tenho
o palco: com os sacos, sem os sacos, o andar, a Dança que preparou quase tudo. A dança para fazer um primeiro trabalho para um essa obrigação de continuar.
expressão, e a partir daí construo. Não tenho contemporânea nem sempre é assim tão artista plástico e tínhamos uma parte em
nenhuma coreografia que conte uma história acessível, mas agora o público consegue que o público era obrigado a participar na
Rui Tavares
cenaberta 4
Rui Tavares
Colecção Cena Lusófona
As Virgens Loucas
de António Aurélio Gonçalves, Cabo Verde,
Teatro do Imaginário Angolar
de Fernando de Macedo, São Tomé e Príncipe
Supernova
de Abel Neves, Portugal
As Mortes de Lucas Mateus
de Leite de Vasconcelos, Moçambique
Teatro I e II
obra dramatúrgica de José Mena Abrantes, em dois volumes, Angola
Mar me quer
de Mia Couto e Natália Luiza, Portugal / Moçambique
Teatro
obra completa do dramaturgo brasileiro Naum Alves de Souza (novidade)
Revista Setepalcos
(esgotados números 0, 1 e 2)
N.º 3 – Setepalcos especial sobre Teatro Brasileiro 10,50 euros
N.º 4 – Setepalcos especial sobre Teatro Galego 15,75 euros
N.º 5 – Setepalcos especial sobre Ruy Duarte de Carvalho (no prelo)
Floripes Negra
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Cena Lusófona
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3000-040 COIMBRA, Portugal teatrobr a
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edições.cena
À venda na sede da Cena Lusófona, em Coimbra, ou nas seguintes livrarias:
PORTUGAL FARO BRASIL
Papelaria Livraria Sagres
AVEIRO Rua D. João de Castro, 10 BRASILIA, D. F.
Livraria da Universidade de Aveiro 8000 309 Faro Livraria Cultura
Campus de Santiago Tel.: 289 897 630 Casapark Shopping Center
3810 193 Aveiro Fax: 289 897 639 SGCV Sul, Lote 22 4 – A
Tel.: 234 370 200 Zona Industrial, Guará
Fax: 234 381 693 CEP 71215 100
Palmas, por Favor! (foto de ensaio) GAIA Brasília, DF.
O filme da dança
Livraria Almedina Tel.: (55) 61 3410 4033
Livraria O Navio de Espelhos Arrábida shopping, Loja 158
Rua 31 de Janeiro, 10 Praceta Henrique Moreira PORTO ALEGRE, Rio Grande do Sul
3810 192 Aveiro Afurada Livraria Cultura
Tel.: 234 420 197 4000 475 Gaia Bourbon Shopping Country
Fax: 234 384 741 Tel.: 222 046 070 Avenida Túlio de Rose, 80, Loja 302
CEP 91340 110 Porto Alegre, RS
Tel.: (55) 51 3028 4033
BRAGA LISBOA
Companhia de Teatro de Braga Livraria Almedina RECIFE, Pernambuco
Teatro Circo Centro Comercial Atrium Saldanha Livraria Cultura
Paço Alfândega
“Outras Frases”, Prémio Melhor Documentário para TV no XI Festival Caminhos do Cinema Avenida da Liberdade, 697
4710 251 Braga
Praça Duque de Saldanha, 1
1050 094 Lisboa Rua Madre de Deus, s/n
CEP 50030 110 Recife, PE
Português em 2004, do realizador Jorge António, é um documentário que segue a rota da bailarina Tel.: 253 217 167
Fax: 253 612 174
Tel.: 213 570 428
Tel.: (55) 81 2102 4033
angolana Ana Clara Guerra Marques na afirmação da dança como linguagem artística em Angola, Livraria Barata SÃO PAULO, S.P.
Livraria Cultura
tendo como pano de fundo a história recente do país e Luanda – cidade de contrastes. Livraria Almedina
Campus de Gualtar
Av. de Roma, 11 A
1000 047 Lisboa Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2073
O trabalho do realizador capta de modo preciso um percurso iniciado nos anos 70, tinha então Universidade do Minho
4700 320 Braga
Tel.: 218 428 350
Fax: 218 428 366 CEP 01311 940 São Paulo, SP.
Tel.: (55) 11 3170 4033
Ana Clara oito anos. Era o tempo da Academia de Bailado de Angola, palco dos seus primeiros Tel.: 253 678 822
Livraria Cultura
passos na dança clássica. Com a independência de Angola e a falta de quadros para preencher Livraria Minho
Livraria Buchholz
Rua Duque de Palmela, 4 Shopping Villa Lobos
Avenida das Nações Unidas, 4777
as diversas áreas de um país em formação, a bailarina é convidada aos 16 anos a criar uma Largo da Senhora-a-Branca, 66
4710 443 Braga
1250 098 Lisboa
Tel.: 213 170 580 CEP 05477 000 São Paulo, SP.
Tel.: (55) 11 3024 3599
Escola de Dança, confrontando-se desde logo com a pergunta: “para quê uma escola de dança Tel.: 253 271 152
Fax: 253 267 001
Fax: 213 522 634
cenaberta 5
festivais teatro no mundo lusófono
DR
Perfecte” de Roger Bernat, e “Prolixe”, Imaginarius'05 colectiva.
uma criação de Jean Pierre Larroche, que www.teatrodomontemuro.com
cruza instalação plástica e percurso teatral. VII Festa do Teatro montemuro@mail.telepac.pt
Incluiu ainda “Apresentação informal” de A VII Festa do Teatro decorreu mais uma
Rafael Alvarez e Cristian Rizzo, além de vez em Setúbal entre 27 de Agosto e 10 de FITEI 2005 28 anos de Teatro
“Flatland 1 – Para cima e não para norte”, Setembro em diversos espaços da cidade. O Fundado em 1977 pela Seiva Trupe e pelo
“Flatland 2 – To be is to be seen”, “Flatland evento reuniu espectáculos das companhias Teatro Experimental do Porto, o Festival
3 – Flat Summer or The Zapping beguins”
Teatro ao Largo, ESTE - Estação Teatral da Internacional de Teatro de Expressão
de Patrícia Portela.
Beira Interior, Teatro Praga, O Bando, Mundo Ibérica, FITEI, concretizou em 2005 a sua "O Inspector Geral", Grupo Galpão, Brasil
Nesta 27ª edição o cinema teve também
Perfeito,Teatro dos Aloés, CENDREV, Trigo XXVIII edição. Entre 31 de Maio e 12 de
lugar privilegiado, com sessões ao ar livre:
Limpo Teatro-ACERT e Teatro Estúdio Junho, o Porto foi palco de 16 espectáculos Palmela acolhe sétima edição do
“Stalker”, Andrei Tarkovsky; “A Barreira
Fontenova, entidade organizadora do distintos, num total de 24 representações. FIAR
Invisível”, Terrence Malick; “Underground”,
festival. “Berenice” de Racine, produção do Teatro As ruas, alamedas, varandas e praças de
Emir Kusturica;“A Vila”, M. Night Shyamalan;
Para além dos espectáculos teatrais, a Nacional D. Maria II, abriu o certame no Palmela foram o palco da sétima edição do
“Gerry”, Gus van Sant; e “2001 Odisseia no
Festa apresentou igualmente um conjunto Teatro Nacional S. João; o Grupo Galpão FIAR, Festival Internacional de Artes de Rua,
Espaço”, Stanley Kubrick.
de actividades paralelas como a exposição marcou o encerramento, com “O Inspector de 29 a 31 de Julho, organizada pala Câmara
www.citemor.com
info@citemor.com de fotografia “Palcos”, uma mostra de Geral”, de Gogol. Municipal local e pelo Teatro O Bando.
curtas-metragens, as Conversas de Teatro O FITEI 2005 propôs-se manter o essencial O cartaz incluiu os espectáculos “Cântico
Imaginarius’05 em Santa Maria da e um seminário intitulado “A máscara na das suas características, aberto embora a dos Cânticos” (encenação de João Grosso
Feira representação de uma história”, orientado novas experiências, no campo da música, da numa co-produção Faro – Capital da Cultura,
O programa da edição 2005 do Festival por Nuno Pinto Custódio. À semelhança dança, da performance. A descentralização Culturproject e o FIAR9),“Lembranças”, de
Internacional de Teatro de Rua de Santa das edições anteriores, o Teatro Estúdio dos palcos e a multiplicação das parcerias Madalena Vitorino, e “Fleet Street nº1 A Casa
Maria da Feira, Imaginarius’05, conjugou Fontenova promoveu ainda uma Oficina (com o Teatro Nacional S. João, Museu de de Elisa”, de Eunice Gonçalves.
continuidade e ruptura, complexo paradoxo de Teatro para jovens, durante o mês de Serralves, Festival de Marionetas do Porto) “Pino do Verão” foi a proposta de O
que o Teatro resolveu, de 16 a 19 de Junho, Agosto. foram, para os organizadores, passos na Bando. A partir da poesia de Eugénio de
nos largos, nas ruas, na piscina da cidade. http://teatroesfontenova.no.sapo.pt/ senda do crescimento e da consolidação Andrade, vinte e cinco actores e várias
Provenientes de Portugal, Itália, Brasil, do FITEI. Nesta perspectiva, aduzem, se filarmónicas da região aliaram teatro, canto
Espanha, Argentina, França, Egipto, Irlanda, enquadra também a inclusão este ano e dança numa ode ao Verão. A componente
DR
Alemanha, os animadores apresentaram da Hachioji Kuruma Ningyo, companhia internacional do Festival foi assegurada por
dias, noites de paródia, movimento, cor, japonesa centenária, guardiã da rica tradição Turak, Princesses Peluches e Marieettonio
tiros, desvario. Entre grupos, fogo e nipónica do teatro de marionetas. de França, pelos polacos do Treatr Biuro
delírios, algumas referências às presenças. Vários foram os espectáculos com estreias Podrozy e os brasileiros Mundo ao
Acquaragia Drom, Arcipelago Circo Teatro, absolutas no Festival. Tal foi o caso de Contrário e Teatro Anónimo.
Festa das “Farchie” de Fara Filliorum Petri, “Músicas e Canções de Cena”, criação O FIAR integrou ainda exposições e
Festa dei Gigli di Nola, todos de Itália. surgida na sequência de um convite instalações plásticas, visuais e performativas:
De Portugal, esteve o Teatro Regional da expresso do FITEI a João Lóio, seu autor, PhotoFIAR, uma mostra e concurso
Serra de Montemuro com “Persona”. Aos e de “Ruínas”, co-produção do Teatro fotográfico; Outros Olhares, um ciclo de
Mummers and Bódhrans St Patrick’s Festival, Bruto (Galiza) com o Teatro Nacional de cinema; instalação de fotografia/sonoplastia
vindos da Irlanda, juntaram-se: Chico Simões S. João. A presença portuguesa no certame por Ana Teixeira e Sérgio Milhano. Como
(Brasil), El Gran Maximiliano (Argentina), Les teve outros protagonismos e agentes: “A nas edições anteriores, as noites acabaram
Passagers (França), Osama El-Masry (Egipto), Festa e As Regras da Arte de Bem Viver na nos Bailes do Coreto com Os Amigos das
Tosta Mista O Malabarista (Alemanha). Forte Sociedade Moderna”, dos Artistas Unidos; Lagameças; Lautari e Celina Baião com
presença, a espanhola: La Fura Dels Baus e, “Doze Mulheres e Uma Cadela”, produção Cravo e Ferradura.
ainda, Boni, Falcons de Vilafranca, Leo Bassi, do Teatro da Trindade com direcção de www.juventudeinteractiva.org/fiar
Trabucaires, Los Galindos. São José Lapa. O Teatro O Bando armou fiar_ac@iol.pt
www.imaginarius.pt exposição e apresentou o livro “Máquinas
imaginarius@cm-feira.pt
cenaberta 6
festivais teatro no mundo lusófono
do lusófono
Com o passar dos anos, cada vez mais ocorrem no
mundo da lusofonia os certames que no teatro centram
a festa, sobretudo de Maio a Outubro. Sem pretensões
exaustivas, aqui se dá uma amostra das múltiplas
concretizações do género, palco em diferentes geografias
e integrando programações ricas e muito diversificadas.
22º Festival de Almada Outras propostas internacionais: Centro Jean-Luc Lagarce, encenação de François
DR
Com um cartaz preenchido por mais de Dramatico Gallego (com “Ricardo III”, Berreur, pelos Artistas Unidos) e “Num
três dezenas de espectáculos, exposições, de Shakespeare, direcção de Manuel bairro moderno” (de Cesário Verde, com
colóquios e música, a 22ª edição do Festival Guede), grupo brasileiro Pia Fraus ("Farsa composições de Viana da Mota, Cláudio
de Almada decorreu nesta cidade entre os Quixotesca”, a partir de Cer vantes, Carneiro, Croner de Vasconcelos e outros,
dias 4 e 18 de Julho. encenação de Hugo Possolo), espanhóis Nao pela Companhia de Teatro de Almada,
A estreia em Portugal do Odéon-Théâtre de D’Amores (“Auto dos quatro tempos”, de encenação de Joaquim Benite).
L’Europe com a peça “La Rose et la Hache” Gil Vicente, encenação de Ana Zamora). Destaque ainda para “A Montanha Lilás”
marcou a edição deste ano. O espectáculo Houve quatro estreias absolutas, todas (a partir de texto do escritor angolano
subiu ao palco do Teatro da Trindade, onde criações de companhias portuguesas: “A Pepetela, levado à cena pelo Teatro
se realizou também a apresentação, em Rainha Viva” (a partir de Paul Claudel, Meridional) e para o teatro de rua (“Les
estreia na Europa, da Companhia Ubu- encenação de Suzana Borges), “Os guardas Voluminaires” pelo Teatro Ale-Hope).
Création, de Montreal (Canadá), dirigida do museu de Bagdad” (de José Peixoto, www.ctalmada.pt
por Denis Marleau. pelo Teatro dos Aloés), “Music-hall” (de Festival de Almada 2005
Cristine Rochol
encenação de Peter Brook (Dias Felizes) Para além da restante produção europeia
Porto Alegre produzida e interpretada por alemães e composta por espectáculos de Itália e
A cidade em Cena outra do também alemão Frank Castorf Espanha (Portugal não esteve representado),
«Um festival de teatro cumpre o importante (Endstation of América, a partir de Um o festival convidou mais de três dezenas de
papel de trazer à cidade obras, artistas e Eléctrico Chamado Desejo), entre o lote espectáculos brasileiros, em especial do eixo
encenações que a liguem ao que de mais dos consagrados. Rio de Janeiro – S. Paulo. O músico Tom Zé
estimulante as artes cénicas contemporâneas Mas foi Canibales, uma encenação de esteve na abertura desta edição.
estejam produzindo. Desvinculando das Alberto Rivero, com texto de Georges Dentro das actividades paralelas que o
discutíveis obrigações do mercado, um Tabori, que trouxe o maior “desassossego festival sempre tem organizado realizou-
festival realmente importante é aquele que artístico”. O texto situa a acção nos campos -se um painel sobre revistas de teatro com
aposta nos mais consagrados e nos mais concentracionários nazis e é desempenhado representação brasileira, portuguesa e
emergentes criadores da cena actual, sem por um grande elenco do Teatro Nacional galega, assim como o lançamento da obra
preconceitos e sem concessões». Com de Montevideo. Aliás, a participação de Naum Alves de Souza com a colaboração
estas palavras, Luciano Alabarse abria a uruguaia, com poucos meios e muitos bons da Cena Lusófona e a presença do autor.
décima segunda edição do Porto Alegre em actores surpreendeu ainda com Onneti en Uma oficina de actores dirigida por Alberto
Cena que este ano se realizou na capital el Espejo, encenado por Patrícia Yosi, com Rivero, uma conferência sobre Onneti pelo
gaúcha de 9 a 25 de Setembro, sublinhando Walter Reyno e Paolla Venditto, a partir de crítico uruguaio Jorge Árias e o lançamento
um estilo e um programa com assinatura que entrevistas que Maria Esther Gillio fez ao de um site sobre dramaturgia brasileira, da
fizeram dele um dos principais certames do grande autor uruguaio Juan Carlos Onneti responsabilidade de Maria Helena Khüner,
género no Brasil. Depois de alguns anos de e ainda com Erling, um texto da autora foram outros destaques do programa
"Dias Felizes", encenação Peter Brook, Alemanha
interregno, Alabarse, que é encenador de sueca Christina Herrstrom, dirigido por paralelo.
teatro e também produtor musical, regressa Mário Morgan. Todos os anos em Setembro a cidade
com um modelo de festival que mobiliza a Este lado sul-americano do programa, de Porto Alegre vive um sonho teatral
cidade e disputa os olhares dos principais que incluiu ainda espectáculos do Chile, cosmopolita sob a batuta, o entusiasmo e
órgãos de comunicação social nacionais e Argentina e Colômbia, é um dos interesses as palavras de Luciano Alabarse: Núcleo dos Festivais
dos especialistas do sector dentro e fora maiores do festival e transforma‑o numa das «Há muitas formas de declarar amor por Internacionais de Artes
uma cidade. Talvez a mais bonita seja a Cénicas do Brasil
do país. mais activas plataformas ibero-americanas
A 12.ª edição do Porto Alegre em Cena,
decisão de escolher nela viver sua vida, concretizada em terras gaúchas de 9 a 25 de
fazendo dela cenário protagônico de Setembro, foi momento de ousadia e vertigem e
Ricardo Mota
cenaberta 7
festivais teatro no mundo lusófono
Festival de Teatro de Lages comer o típico barreado do litoral, curtir Festival Universitário de Teatro de para “Gemelos”, peça dos chilenos Laura
(FETEL) um friozinho regado a muita cultura, com Blumenau Pizarro e Juan Carlos Zagal, eleita pelo
A incentivar a produção teatral há 30 anos, espectáculos gratuitos e oficinas artísticas Blumenau é uma pequena cidade do interior Júri Popular de Belo Horizonte como
o Festival de Teatro de Lages, em Santa para todas as idades”. de Santa Catarina, no Brasil, e é também Melhor Espectáculo. Destaque ainda para
Catarina, realizou a sua 29ª edição entre As malhas desta tentação foram urdidas pela o palco consagrado de um importante o espectáculo “A volta ao Mundo em
26 de Setembro e 1 de Outubro, abrindo Universidade Federal do Paraná, entidade festival universitário de teatro, congregando Oitenta Dias” pela companhia mineira
as portas a mais um ano de teatro adulto, organizadora desta 15.ª edição do Festival, anualmente mais de 200 artistas, e milhares Catribum Teatro de Bonecos, realizadora
infantil, de rua e espaços alternativos. palco em Antonina, de 9 a 16 de Julho, e de espectadores. do Festival.
O FETEL, organizado pela Prefeitura com mais de 50 mil pessoas a demandarem A edição de 2005 decorreu de 8 a 16 de Em terras mineiras, na cidade de Diamantina,
Municipal, através da Fundação Cultural de a cidade. Julho, respondendo ao objectivo central também decorreu de 17 a 30 de Julho, o
Lages e da Associação Lageana de Teatro www.cidadelages.com.br/fetel de “estimular a produção e a pesquisa em Festival de Inverno da Universidade Federal
(Alte), integra, além do teatro, oficinas e fetel@iscc.com.br artes cénicas dentro das universidades de Minas Gerais. Sob o tema “Diálogos
palestras, com o objectivo de promover brasileiras, do Conesul e dos países de possíveis”, a 37ª edição integrou acções de
o intercâmbio entre as companhias e o Festival Internacional de Londrina língua portuguesa”. formação, seminários, oficinas e palestras.
público. (FILO) O 19.º Festival, coordenado por Pita Belle
DR
O FETEL, com primeira edição em 1973, Criado em 1968 como um festival de grupos e assessorado por Fernando Peixoto, Paulo
contou este ano com a participação de universitários locais, o Festival de Londrina Vieira e André Carreira, cumpriu objectivos,
cerca de 30 companhias oriundas de ganhou dimensão internacional. A edição não defraudou expectativas: houve
Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, deste ano mostrou uma pluralidade de participadas mostras teatrais, apresentações
Rio Grande do Sul e Santa Catarina. espectáculos procedentes do Brasil, países vídeo, mesas-redondas, palestras, oficinas,
europeus e da América Latina, entre 3 a 19 no Teatro Carlos Gomes, em auditórios e
Festival Nacional de Teatro do de Junho. variados espaços citadinos.
Recife Sob a direcção de Luiz Bertipaglia, o Também em Blumenau decorreu, de 19 a 25
Em Novembro passado, de 17 a 27, decor- Festival Internacional de Londrina (FILO), de Agosto, a 9ª edição do FENATIB - Festival Bonecos na praça, Belo Horizonte
reu a oitava edição do grande festival da organizado pela Ámen – Associação de Nacional de Teatro Infantil, organizado pela
capital de Pernambuco, dirigido uma vez Amigos da Educação e Cultura do Norte Fundação Cultural de Blumenau. Com grupos Festival Internacional de Teatro O
mais por Aimar Labaki. Sob o tema Cultura do Paraná e da UEL – Universidade Estadual originários de seis Estados brasileiros, o Olho do Furacão
e Brasilidade: Homem Comum e Homem de Londrina, comemorou 38 anos de certame divertiu mais de 25 mil crianças, com Entre 15 e 24 de Julho O Olho do Furacão
Político, o festival homenageou o encenador existência. Apontado como um dos mais recurso a artes de teatro de sombras, teatro assolou a cidade de São José de Rio Preto,
Luís Marinho. Inspirado no homenageado, foi importantes pólos de produção e difusão de animação, adaptação de clássicos, drama no Brasil. Houve 43 espectáculos teatrais
desenvolvido o projecto Aprendiz em Cena, de artes cénicas, o FILO integra o Núcleo poético, teatro circo, narração dramatizada a animar 37 diferentes espaços citadinos.
que desde há quatro anos junta actores e de Festivais Internacionais de Artes Cénicas de histórias e a realização de oficinas. Aos grupos brasileiros (290 inscrições!),
encenadores em início de carreira, numa do Brasil. juntaram-se companhias e espectáculos
oficina que termina com a apresentação de Na abertura oficial do evento, e pela oriundos da Itália, da França, do Chile.
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um espectáculo. Para além deste, o festival primeira vez no Brasil, esteve a companhia A estimular turismo rumo a O Olho,
contou ainda com mais 15 espectáculos. En- alemã Volksbühne com a peça de Bernard referência a alguns grupos: Bate Nessa
tre os participantes estiveram a Companhia Marie Koltés “Combat de Négre et des Face Que Eu Te Viro a Outra, São José do
Armazem (Rio de Janeiro), Grupo Galpão Chiens”. A programação incluiu mais de Rio Preto, com “Navalha na Carne”; Grupo
(Belo Horizonte), Grupo Bagaceira (Ceará), 40 grupos entre mostras (local, nacional e Fora do Sério, Ribeirão Preto, com “A Ilha
Companhia Livre (São Paulo), Companhia internacional) e palestras, cursos, workshops do Dr. Moreau”; Ateliê de Criação Teatral,
Teatro Udigrudi (Brasília) e Celso Fratechi e ateliers. Destaque ainda para a companhia Curitiba, com “Daqui a Duzentos Anos”;
(São Paulo). O festival organizou ainda cur- russo-alemã Akhe Group que trabalha na Companhia do Feijão, São Paulo, com “Reis
sos: voz, corpo, encenação, percussão com área do “teatro visual” e levou aos palcos da Fumaça”.
sucata. Foram também ministrados semi- de Londrina “White Cabin”, um espectáculo www.festivalriopreto.com.br
nários: Estética e Procedimentos da Cena que combina teatro, pintura, vídeo, cinema e festivalriopreto@festivalriopreto.com.br
Brasileira Contemporânea, por Edélcio Mos- elementos tecnológicos e naturais.
DR
Político, foi ainda mote para palestras de "A Lua e o Poeta", Companhia da Casa Amarela, Brasil
Maria Rita Khel (psicanalista), Luis Costa
Lima (professor), Edélcio Mostaço (crítico) Festival Internacional de Teatro
e Luis Reis (autor e teórico). de Bonecos
O Festival Internacional de Teatro de
Festival de Inverno no Paraná Bonecos envolveu no mesmo abraço, em
A cidade de Antonina, no Estado do Paraná, Junho deste ano, as cidades mineiras de Belo
Brasil, propôs em 2005 um novo desafio: Horizonte (9 a 15) e de Ipatinga (17 a 21).
“passar oito dias entre o casario antigo, "Combate de Negro e Cães", Volksbühne, Alemanha Na grelha de participações, destaque "Navalha na Carne", Grupo Bate Nessa Face, Brasil
CABO VERDE Companhia de Dentro e a Companhia Livre pela presença exclusiva de grupos de Cabo mindelact@hotmail.com
de Teatro. Nuno Pinto Custódio escreveu Verde. O Mindelact reservou uma parte www.mindelact.com
Mindelact e encenou “Mãe Preta” para a companhia da sua programação a acções formativas:
DR
A companhia francesa Dos à Deux portuguesa ESTE – Estação Teatral da Beira expressão corporal (Companhia Livre de
apresentou “Saudade em Terras D’Água” na que se anunciou em terras cabo-verdianas Teatro), interpretação (Teatro del Encanto
abertura do Mindelact, Festival Internacional no dia 18 de Setembro. O Grupo de Teatro – Espanha), encenação (Eunice Ferreira
de Teatro do Mindelo, que decorreu entre 8 do Centro Cultural Português do Mindelo – EUA/Cabo Verde), adaptação de textos
e 18 de Setembro, em Cabo Verde. estreou no dia 9 de Setembro “Auto da teatrais (Cristina McMahon – EUA),
A celebrar a sua XI edição, o Mindelact Compadecida” de Ariano Suassuna, com manipulação de objectos (Companhia
apostou mais uma vez na diversidade de encenação de João Branco. de Dentro – Brasil) e a máscara na
espectáculos internacionais e locais. O Brasil O espaço Teatrolândia, dedicado ao teatro representação de uma história (Nuno
marcou presença neste certame com a Cartaz do Mindelact 2005
infantil, e o Festival Off foram marcados Pinto Custódio - Portugal).
cenaberta 8
|\||||\ na estante sketches de revista política. O resul- Actores, encenadores, cenógrafos, do escritor isabelino chegou ao As torres milenárias
tado foi o espectáculo “Conferência professores, críticos, consagrados nosso país na versão original, mas Urbano Tavares Rodrigues, Publica-
de Imprensa e outras aldrabices”, ou a estrearem-se na lide teatral, também em versões francesas e
PORTUGAL que estreou em Junho no Teatro contribuíram para esta colectânea italianas, bem como adaptações e
ções Europa-América
Nacional D. Maria II, e, agora, mais editada pela Oficina do Livro. traduções portuguesas. Há ainda um Closer – Quase
um volume da colecção Livrinhos capítulo dedicado ao modo como o Patrick Marber, Relógio D’Água
Bérenice de Teatro, da Cotovia / Artistas A História de William – a pos- trabalho do dramaturgo inglês foi
Jean Racine, Bertrand Unidos. sível infância de Shakespeare recebido pelos jornais e críticos, Filóctetes / Sófocles
Dezasseis sketches fazem deste José Viale Moutinho, Campo das Letras incluindo as reacções de Feliciano Edições 70
Com tradução de Vasco Graça “Conferência de Imprensa e ou- de Castilho, Lopes de Mendonça e
Moura, Bérenice, peça do drama- tras aldrabices” “um espectáculo “Venho falar-vos de um rapazinho Latino Coelho, entre outros. Joaquim de Almeida: um actor
turgo Jean Racine, foi levada à cena grosseiro, mal-educado, bruto, dis- chamado William...” é assim que do Montijo
em 2005 pelo Teatro Nacional D. paratado contra os disparates do começa esta história que José Viale Ubu José Matos Cruz, Publicações
Maria II numa encenação de Carlos mundo” de acordo com os Artistas Moutinho escreveu e José Emídio Alfred Jarry, Campo das Letras D. Quixote
Pimenta. Unidos. A obsessão ocidental com ilustrou. 44 páginas editadas pela
Um dos mais célebres textos do o terrorismo, a descredibilização Campo das Letras sobre uma Ubu reúne as quatro peças escri- Máquinas de Cena
dramaturgo francês Jean Racine, dos políticos e da Justiça, as tortu- infância possível de um dos mais tas por Alfred Jarry sob o signo O Bando, Campo das Letras
aliás a única das suas tragédias que ras feitas por soldados americanos talentosos dramaturgos de sempre. “A Gesta de Ubu”: Rei Ubu, Ubu
não acaba num banho de sangue, a prisioneiros de guerra iraquianos e À sua morte, com cerca de 50 anos, agrilhoado, Ubu cornudo e Ubu O homem sem sombra
Bérenice é uma história de amor afegãos, são alguns dos temas abor- tinha escrito 36 peças e um número no outeiro. Pela primeira vez em (infantil)
impossível em que a rainha da dados nesta obra, onde o humor é elevado de sonetos. língua portuguesa, as quatro peças António Torrado, Editorial Caminho
Palestina é expulsa de Roma pelo uma constante. e textos complementares que as
imperador Titus porque os seus Shakespeare no Romantismo acompanham serviram de território Recepção de um Espectáculo
cidadãos não admitem que ele case Desavergonhadamente Português – Factos, proble- de referência à montagem do espec- Teatral – História de uma
com uma rainha estrangeira. pessoal – O trabalho dos mas, interpretações táculo “UBUs”, no Teatro Nacional experiência
actores Jorge Bastos da Silva, Campo das São João, uma encenação de Ricardo Mário Jacques, Campo das Letras
Conferência de Imprensa e Suzana Borges, Oficina do Livro Letras Pais que estreou em Abril último.
outras aldrabices Os textos de Alfred Jarry foram tra- Sangue no pescoço do gato
Harold Pinter, Cotovia Desavergonhadamente pessoal – O Autor universal, W. Shakespeare duzidos por Luísa Costa Gomes. Rainer Werner Fassbinder, Cotovia
trabalho dos actores é uma colec- foi traduzido, lido, representado
A partir de “Conferência de Impren- tânea de 47 testemunhos reco- e discutido pela intelectualidade A canção de Lisboa Teatro Completo – Vol IV
sa”, um sketch de Harold Pinter, lhidos por Suzana Borges junto portuguesa do século XIX tendo- Filipe la Féria, Publicações Europa- Jaime Salazar Sampaio, Imprensa
dramaturgo inglês recentemente de profissionais do teatro e áreas -se constituído como elemento -América Nacional Casa da Moeda
galardoado com o Prémio Nobel afins. Esta escolha pessoal pre- estruturante da literatura român-
da Literatura, os Artistas Unidos tende ser, segundo a autora, tica do final do século. Shakespeare A origem da tragédia Um marido ideal
convidaram autores nacionais e “uma intervenção e uma reflexão no Romantismo Português – Factos, Friedrich Nietzche, Publicações Óscar Wilde, Publicações Europa-
estrangeiros para escreverem, em sobre a arte e as circunstâncias problemas, interpretações é um es- Europa-América -América
homenagem a Pinter, pequenos do actor” e do fazer teatral. tudo sobre a forma como a obra
Anjo Negro
Estudos sobre o Teatro
Bertolt Brecht, Editora Nova Fronteira
cenaberta 9
edição naum alves de souza
Augusto Baptista
Oficina orientada por Naum Alves de Souza com actores profissionais e amadores de Coimbra
Naum Alves de Souza tem um percurso que cruza a dramaturgia, a encenação, o ensino, as artes plásticas, o
figurinismo, a cenografia, participações em televisão e na imprensa. A propósito da edição em Portugal de seus
textos teatrais, conversámos sobre a carreira e obra de “um dos mais inventivos e versáteis artistas cénicos
do Brasil contemporâneo”, “dramaturgo do Homem”, segundo o crítico Alberto Guzik. Conversámos sobre a
vida, a infância, o cheiro a café torrado de Pirajuí e sobre a distância. A distância que, entre nós, falantes da
mesma língua, “precisa diminuir”. Versão integral da entrevista em www.cenalusofona.pt/cenaberta
Cenaberta (ca) - No seu prefácio variadas – animais exóticos, trapezistas, escrever é muito parecido com cinema. Escrevo a dar aulas numa verdadeira Escola de Arte,
a Teatro, refere-se à infância em acrobatas, cuspidores de fogo, atirador de cenas que sugerem cortes cinematográficos ao na Fundação Armando Álvares Penteado. Foi
Pirajuí, cidade onde nasceu, e onde facões, palhaços, etc. – e a segunda, passada no passar de uma para outra sequência. Quem nesse lugar que comecei a brincar de teatro
teve os primeiros contactos com as palco, apresentava dramalhões ou comédias. leu pela primeira vez No Natal a Gente Vem Te com meus alunos crianças e adolescentes.
artes cénicas. Esta parece ter sido ca - A religião está muito presente Buscar ou mesmo Maratona, achava impossível Quando dali saí em l970, comigo saíram vários
uma época que o marcou a si e à sua na sua obra. Tinha sido já herança da uma montagem em palco. Tudo foi resolvido alunos adolescentes que viriam a constituir o
obra: família, escola, religião... sua infância e adolescência? graças a uma cenografia simples, quase neutra, Grupo Pod Minoga que foi muito expressivo
Naum Alves de Souza (Naum) - De todas Naum - A igreja foi um dos elementos mais e o auxílio da imaginação do espectador. nessa década. Trabalhávamos no esquema
as cidades onde morei, Pirajuí, no interior de importantes de minha formação. Apesar da Eu achava que tudo – índios, cowboys, heróis de criação colectiva, pintando, esculpindo,
São Paulo, foi a que mais me marcou. Nasci em falta de graça do protestantismo, asséptico, espaciais, monstros, vampiros – acontecia de criando espectáculos que obedeciam apenas
1942, em plena guerra, o país governado pelo sem imagens, repressivo, essa variante do verdade atrás daquela imensa tela branca do a um roteiro, com diálogos improvisados.
ditador Getúlio Vargas. Pirajuí estava muito cristianismo serviu para povoar minha Cine São Salvador, o único da cidade. Depois de alguns anos, achei que era hora de
distante da Europa em guerra e de Getúlio mas, imaginação, tanto no aspecto lendário da Bíblia, Quase não tive contacto com o teatro que sair e viver as características da minha idade.
de algum modo, as notícias chegavam lá, pelos de Cristo, dos Apóstolos, da riqueza do Velho viria a conhecer quase adulto quando me Paralelo aos trabalhos no Pod Minoga, minha
jornais da capital, com um dia de atraso, pelos Testamento, quanto no tocante às dúvidas, mudei para São Paulo.Voltando à ideia de que carreira pública já havia começado em 1972
chamados jornais da tela, exibidos no cinema que me acompanharam pela vida toda. Desde um autor nasce em algum lugar, a Pirajuí-ficção, com a produção brasileira de Sesame Street.
e pelas ondas do rádio. Ouvíamos rádio- pequeno senti que nada havia de Cristo dentro onde se passa boa parte de minha obra teatral, No mesmo ano criei os cenários e escrevi
-novelas de todos os tipos. Os dramalhões dos homens que constituíam as congregações modelou meu modo de observar e pensar e então meu primeiro texto, Maratona, que
eram os preferidos por minha mãe, tias, irmãs de todas as igrejas presbiterianas, metodistas, me acompanhou para sempre. excluí da edição.
adolescentes e vizinhas. Eram levados a sério, baptistas que frequentei até meus 18 anos. ca - Aos vinte anos, em São Paulo, ca - Como é isso de rejeitar o nosso
os personagens entravam em suas vidas e Muito pequeno, fazia perguntas que deixavam deu aulas de artes plásticas e em primeiro filho?
provocavam tensão, lágrimas, discussões. os pastores e presbíteros embaraçados. Não 1970 funda, com alguns alunos, Pod Naum - Para um estreante na dramaturgia,
Os rapazes da casa, eu e meus dois irmãos, foi nada fácil ter nascido, crescido e vivido Minoga, a sua primeira companhia. Maratona foi razoavelmente bem aceite por
éramos fãs dos seriados juvenis com imitações protestante, minoria numa sociedade católica Em 1979 escreve a sua 1ª peça, No público e crítica. Muitos escreveram que era
de super-heróis americanos ou de tipos como a brasileira. Ser judeu talvez seja parecido. Natal a Gente Vem Te Buscar. Quando uma peça com metades diferentes e alguns
valentes brasileiros como Jerônimo, o Herói Não podíamos ir a bailes, fumar, beber e, aos se tornou claro que a sua vida ia ser ficaram decepcionados com o segundo acto.
do Sertão. Meu pai fingia preferir os programas domingos, quando todos jogavam futebol, iam o teatro? Como autor novo, tive o ímpeto de contar uma
humorísticos e de notícias mas acompanhava ao cinema, só tínhamos permissão para sair de Naum - Comecei a dar aulas em São Paulo vida numa única peça. Choramos na noite da
os intrincados enredos das novelas, chegando casa para ir à desagradável igreja. A sensação aos vinte anos mas antes passei uma temporada estreia, nossas carreiras pareciam terminadas.
por vezes a derramar lágrimas. de ser diferente foi muito marcante. no litoral. Havia em Ubatuba um serviço Mas depois fui consertando os defeitos e tudo
O circo, talvez a mais forte das manifestações ca - O dramaturgo começou por ser assistencial, eu me ofereci, fui aceite e lá passei melhorou. Pouco tempo depois, comecei a
irmãs do teatro, foi um elemento marcante. cinéfilo? quase dois anos. Depois, em São Paulo, leccionei escrever No Natal a Gente Vem Te Buscar, que
Meu preferido era o género palco e picadeiro, Naum - Chego agora ao cinema, a maior das num colégio protestante chamado Instituto considero meu primeiro texto, e percebi que
a primeira parte constituída de atracções influências, no meu caso. O teatro que vim a Mackenzie. Na mesma época fui convidado todo o primeiro acto era muito parecido com
cenaberta 10
Augusto Baptista
o de Maratona, uma peça que me persegue. milhões de brasileiros...
ca - Nas suas peças, a casa e a família Naum - A pequena Pirajuí alimentou o plano
têm um lugar de relevo tão forte que de minha memória e São Paulo, a terra de meu
se sente o cheiro da cozinha na hora segundo nascimento, a metrópole gigantesca,
das refeições, ou se ouve, na sala do me forneceu dados para o ciclo urbano.
lado, uma conversa que não devíamos Quando cheguei, fiquei muito assustado. Era
ouvir. Ao mesmo tempo existe uma muita gente apressada andando em todas as
crítica crua e impiedosa aos vícios direcções. Mas fui descobrindo encantos, fiz
f a m i l i a re s . A m a rg a n o s t a l g i a ? novos amigos, frequentei os enormes cinemas
Saudade cúmplice? e assisti a peças de teatro como eu nunca tinha
Naum - Talvez o termo “amarga nostalgia” visto. Começaram a surgir caminhos: cinema,
contido na pergunta defina bem a temática teatro, artes plásticas. Fui engolido pela cidade
familiar em minhas peças. Minha crítica pode e me transformando num dos personagens
ser dura mas acho que ela demonstra também que nela habitam. Entre a escrita de Um Beijo,
um carinho e deixa claro que não me excluo. Um Abraço, Um Aperto de Mão, passei por um
Saudade de tudo que passou eu não tenho período de depressão criativa. Não fiquei
mesmo. Não acho nem a infância nem a parado. Dirigi peças teatrais, shows de música
adolescência períodos risonhos. Claro que popular e erudita, óperas e até desfiles de
nem tudo foi um horror e sobrevivi para me moda. Suburbano Coração, minha única peça
sustentar dignamente e criar uma obra. Mas com foco no Rio de Janeiro, aconteceu nesse
minhas lembranças nem sempre são leves. As período chamado de depressão criativa mas
coisas afectam as pessoas de forma diferente. não foi atingida por meus males interiores.
O olfacto é um grande e forte elemento. Ainda está saudável, viva e, de certa forma,
Lembro-me de que nossa sala de visitas tinha é uma das que compõem o ciclo urbano.
cheiro de cera de soalho e de um produto que Água com Açúcar inaugura, para valer, o ciclo
minha mãe passava nos móveis. O banheiro identificado com a cidade de São Paulo. Custei
tinha cheiro de dentífrico e sabonete barato e a admitir que este enorme ajuntamento de
perfumado. Da cozinha vinha o cheiro do alho casas, edifícios, ruas e almas era mítico e dele
frito na panela onde seria feito o arroz e dos eu poderia extrair material para minha arte.
bifes que, quando meu pai matava um porco, ca - Das treze peças agora editadas
colocávamos sobre a chapa quente do fogão pela Cena Lusófona, oito são inéditas,
a lenha. O quintal cheirava a roupa lavada e escritas entre 1991 e 2004. Tem sido
estendida nos varais. Pirajuí tinha cheiro de difícil editar as suas peças? Qual é
café torrado. para si, como autor, a importância
ca - A escrita teatral cruza muitos de ser editado? Existe um público
outros desempenhos. O teatro é leitor de teatro, para além de actores
apenas uma das suas actividades e dramaturgos?
ou é a que aglutina e dá sentido a Naum - É bastante difícil publicar um texto
toda esta variedade e polivalência teatral no Brasil. A Aurora da Minha Vida, a mais
criativa? bem sucedida, teve várias edições. As outras
Naum - Sem nenhuma formação académica duas, Suburbano Coração e Nijinsky, saíram pela
ou cursos especializados, aprendi, com a prática Editora Civilização Brasileira, hoje pertencente
e a observação. Tudo que realizei ou realizo à Bertrand. Acredito que não existe um
tem muito de um ímpeto baseado na intuição. público exclusivamente leitor de literatura
Sem saber desenho técnico, sinto um palco teatral. Quem compra um livro de teatro em
e as necessidades de um espectáculo; tenho geral pertence à profissão ou tem interesse
sensibilidade para criar figurinos adequados de uso do texto em encenações ou para fins
ou fantasiosos; sem saber música, canto ou didácticos em escolas especializadas. É um
dança, trabalhei com naturalidade, bom senso mercado muito irregular e pouco objectivo.
e criatividade em cada uma dessas áreas; sei ca - Que significado tem para si
instruir um iluminador ou um compositor a edição da sua obra completa e
que vá criar a trilha sonora. Mas sinto que, a sua circulação pelos oito países
à medida que os anos passam, começo a me do espaço lusófono? De um modo
concentrar mais na escrita, na direcção e, com geral, que importância poderá ter
algum esforço, na pintura de meus quadros. O a circulação de dramaturgias em
teatro está em tudo. língua portuguesa entre os vários
ca - As suas peças aparecem agrupadas países lusófonos?
em dois ciclos: memorialista e urbano. Naum - É muito grande a importância de tal
O memorialista reúne as peças mais publicação, para mim e para todos. Nós, de
intimistas, autobiog ráficas, e o língua portuguesa, ficamos muito isolados do
urbano centra-se em São Paulo, seu resto do mundo que é dominado sobretudo
palco de eleição, e seus habitantes/ pelo inglês americano, economicamente
actores. Como foi decidida esta agressivo. O mundo tem mudado, Portugal
categorização por ciclos? pertence à União Europeia e o Brasil já
Naum - Acho que não existe uma decisão deu alguns passos. Sendo país novo, imenso,
intencional quando passamos de um a outro complexo, de características absolutamente
assunto. As peças enquadradas no ciclo diferentes devido à formação multi-étnica,
memorialista partem do meu interior, de temos um passado de pouca história, ao
uma necessidade de me explicar coisas que contrário da grande tradição lusa. Quando
são comuns para mim e para muita gente. fui dirigir No Natal a Gente Vem Te Buscar em
Abordo problemas comuns, de pessoas Portugal me dei conta de que era descendente
normais. Não tenho preferência pelo drama de portugueses mas não carregava em mim
ou pela comédia, em geral minhas peças têm todo aquele passado fabuloso. Éramos
as duas coisas. Acho que a vida é assim, o muito parecidos, eu via meu rosto nas faces
que é triste para uns pode ser mortalmente portuguesas, falávamos “quase” a mesma língua,
cómico para outros. mas eu sentia que havia grandes diferenças
ca - De Pirajuí para São Paulo, a e que a distância precisava diminuir. Precisa
ida para a grande cidade comum a diminuir. Naum Alves de Souza
cenaberta 11
e de idçi çããoo
Ecos da edição da dramaturgia toda de Naum Alves de Souza
Foram muitos os ecos da recente edição pela Cena Lusófona da dramaturgia completa sem se acanhar com a sua aldeia. (…) Assim aberto para a Cena lusófona, o que se
de Naum Alves de Souza, um dos mais completos artistas brasileiros da actualidade vê aqui é um recomeço. Vivo para a arte, mais vivo do que nunca, ninguém fecha o
e um autor que, através da escrita teatral e da encenação (duas das suas muitas pano a Naum Alves de Souza".
linguagens artísticas), nos dá um retrato único do Brasil dos últimos cinquenta anos, O crítico teatral aproveita ainda a sua coluna na Folha de S. Paulo para sublinhar a
centrado no Homem, na família, nas questões da fé e da religião, nos contrastes da "cuidadosa apresentação" que Guzik faz da obra de Naum e o facto do autor ser um
geografia urbana. dramaturgo encenador: "[Naum] vê o seu texto antes de tudo como matéria-prima
A imprensa brasileira deu relevo a esta iniciativa editorial da Cena Lusófona e assegurou para a encenação, nunca deixando de advertir os atores contra os perigos do riso
a divulgação e a cobertura das sessões de lançamento do livro,“um tijolo”, na avaliação fácil, em preciosas e precisas indicações para a construção dos personagens".
bem humorada de Naum à jornalista Roberta Oliveira de O Globo, comparando A viagem do livro por terras brasileiras continuou a 13 de Setembro, desta feita na
“Teatro” à Bíblia: “Até o papel é o mesmo, gostoso de se folhear”. capital do estado de Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Integrado na programação
De salientar que, tanto o citado Globo como O Estado de S. Paulo e a Folha de do Porto Alegre em Cena, um dos mais importantes festivais de teatro no Brasil,
S. Paulo, provavelmente os três maiores jornais brasileiros, dedicaram matérias a apresentação decorreu no Teatro Arena. E o périplo brasileiro encerrou em Belo
jornalísticas de grande destaque nas suas páginas de cultura a esta iniciativa da Cena Horizonte, a 28 de Setembro, na Livraria da Travessa.
Lusófona.
“Uma publicação para deleitar os amantes de teatro”, assim se refere Beth Néspoli,
jornalista de O Estado de S. Paulo, à “edição caprichada lançada pela Cena Lusófona” Sessões de lançamento em Portugal
com “o teatro marcante de Naum” e apresentada nas cidades brasileiras de Rio de
Janeiro, S. Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte, em Setembro último. A edição de “Teatro” já tinha animado também em Portugal várias e concorridas ses-
No Rio de Janeiro, a 6 de Setembro, primeira cidade brasileira a assistir à apresentação sões de lançamento, com a presença do autor, durante a primeira quinzena de Junho,
da obra, o espaço escolhido foi o Teatro Poeira, em Botafogo, propriedade das actrizes nas cidades de Coimbra, Braga, Porto e Lisboa.
Marieta Severo e Andrea Beltrão. Durante o lançamento, excertos de algumas peças Em Coimbra, o elenco de A Escola da Noite e actores convidados fizeram uma leitura
de Naum Alves de Souza foram lidos por actores cariocas, tais como a própria Marieta pública de excertos de No Natal a Gente Vem Te Buscar e de Suburbano Coração na
Severo, protagonista de várias peças de Naum, ou Pedro Paulo Rangel. primeira sessão de lançamento de “Teatro” em Portugal (Café Santa Cruz, 2 de Junho).
Dois dias depois, 8 de Setembro, S. Paulo foi também palco de apresentação de No Porto, a sessão (Rivoli, 12 de Junho) integrou a programação do FITEI – Festival
“Teatro”. O auditório da Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos foi pequeno para Internacional de Teatro de Expressão Ibérica. Em Lisboa, a apresentação fez-se na
acolher público e amigos interessados em levar para casa, autografadas pelo autor, as Livraria Almedina (7 de Junho) e em Braga no Espaço Alternativo PT (8 de Junho),
1485 páginas em papel de bíblia que dão corpo ao livro. com leituras encenadas pelo corpo de actores da Companhia de Teatro de Braga.
"O volume impressiona", assim se refere à obra do dramaturgo o crítico teatral Recorde-se que a estadia de Naum Alves de Souza em Portugal proporcionou a con-
Sérgio Salvia Coelho da Folha de S. Paulo, sublinhando a importância do livro: "Chega cretização de uma oficina, em Coimbra, centrada na sua obra e sob sua direcção, na
a acanhar. Estaria o teatro brasileiro tão abandonado que depende de uma editora Oficina Municipal de Teatro, de 22 de Maio a 2 de Junho. Participaram nesta oficina o
portuguesa, a Cena Lusófona, para ter o seu mérito reconhecido? Mas o mal estar elenco residente d’A Escola da Noite – Companhia de Teatro de Coimbra – e actores
logo passa: a importância da obra de Naum Alves de Souza é a de caber no mundo convidados, num total de treze participantes.
Sessão de autógrafos no Teatro Rivoli, Porto Sessão de autógrafos na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, S. Paulo DR
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