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Resumo da disciplina Teoria Geral do Processo

CAPÍTULO I

Sociedade e Direito

Nos primórdios da civilização, o que se tinha como pré-direito era a lei do mais forte,
onde, como o próprio nome diz, aquele que se superasse em relação aos demais tinha as
melhores oportunidades, mulheres, bens etc.

Ubi societas ubi jus (não há sociedade sem o direito)

Relação entre direito e sociedade, porque o homem sentiu a necessidade de se organizar


para viver.

Depois de instituído, o direito se tornou a mais importante e eficaz forma de controle


social.

Conflitos e insatisfações

Os conflitos e insatisfações são fatores anti-sociais, porque são esses fatores que causam
problemas entre os homens e surgem no momento que uma pessoa, querendo um bem
para si, seja bem material ou qualquer direito, não consegue porque:

Aquele que poderia satisfazer sua pretensão, não satisfaz (ex: quando uma pessoa não
entrega um bem que o outro quer);

Quando o próprio direito proíbe a satisfação voluntária dessa satisfação (ex: quando a
pessoa pretende algo defeso pelo Direito);

Formas de Resolução de conflitos

Para a eliminação desses fatores anti-sociais podem existir ações que as resolvam
provenientes de uma das pessoas envolvidas no conflito, ou por ato das duas pessoas
envolvidas, ou por ato de terceiro estranho a relação.

Quando a resolução do problema é realizada, vamos dizer de forma amigável, por ato de
uma das partes ou pelas duas partes, estamos diante da forma chamada de
AUTOCOMPOSICAO.

Quando por ato de uma dessas partes que impõe seu direito sobre o direito da outra
parte estamos diante da forma de resolução de conflitos chamada AUTODEFESA ou
AUTOTUTELA.

Quando a resolução se dá por ato de terceiro estranho a relação, podemos estar diante da
DEFESA DE TERCEIRO, a CONCILIAÇÃO, a MEDIAÇÃO e o PROCESSO.

Da Autotutela à Jurisdição

AUTOTUTELA:
Atualmente quando estamos a frente de um problema, ajuizamos um processo e o
Estado, na pessoa do Juiz, nos dá a solução do conflito.

Contudo primordialmente não existia a presença do Estado na resolução dos conflitos,


porque o Estado não tinha forca imperativa para conseguir impor suas vontades (leis)
sobre os ímpetos das pessoas.

Dessa forma aquele que quisesse fazer valer uma vontade sua teria que fazê-lo pela
forca.

Nessa época, a titulo de exemplo, era permitida inclusive a VINGANÇA PRIVADA.

A esse regime damos o nome de AUTOTUTELA.

Características da AUTOTUTELA:

1 Falta de um juiz imparcial na tomada das decisões;

2 imposição da vontade de uma parte sobre a outra.

AUTOCOMPOSIÇÃO:

Após a AUTOTUTELA surge a AUTOCOMPOSIÇÃO pela qual as partes, mediante


acordo, compunham suas diferenças abrindo mão parcial ou total de seu direito.

3 são as formas de AUTOCOMPOSIÇÃO:

1 desistência (renuncia a pretensão);

2 submissão (renuncia a resistência oferecida a pretensão);

3 transação (concessões recíprocas).

Todas elas dependem da ação de uma ou ambas as partes.

MEDIACÃO OU ARBITRAGEM:

Após esses períodos, a sociedade foi percebendo que a melhor forma de composição de
seus conflitos era confiar a decisão da solução a uma terceira pessoa que era de
confiança de ambos.

A principio as pessoas confiadas eram os sacerdotes que acreditava-se exprimir a


vontade dos deuses ou os anciãos que conheciam os costumes locais do grupo social
onde os interessados viviam.

À medida que o Estado foi tomando as rédias do poder de julgamento as partes


passaram a submeter seus problemas a pessoa do PRETOR, que era a pessoa
encarregada de resolver o problemas posto a sua frente em nome do Estado.
Portanto na época do direito romano o processo de resolução dos problemas da
sociedade seguia 2 caminhos alternativos: ou perante o magistrado ou pretor ou perante
o arbitro ou judex.

Nesse período passava a fase da arbitragem facultativa para a fase da arbitragem


obrigatória.

Para evitar julgamentos arbitrários surge a Lei das XII Tábuas, um marco do direito.

Junto com a Lei das XII Tábuas surge o legislador.

Com a elaboração da Lei das XII Tábuas e da transferência do poder de decidir os


conflitos ao Estado (pretor) encerra-se o período de transição entre a JUSTICA
PRIVADA para a JUSTICA PUBLICA, surge a jurisdição.

Depois disso a resolução dos conflitos passa a ser exclusivamente competência do


Estado, cabendo as partes somente provocar o Estado-Juiz para a resolução do seu
problema.

Surge o PROCESSO que vamos falar depois.

CONCILIACÃO

Durante o surgimento do processo foi-se descobrindo que esse sistema é extremamente


formal e oneroso o que o torna muito demorado e inacessível para certa faixa da
população. Diante disso, as partes começam a utilizar as formas de conciliação e
arbitramento para dirimir seus problemas.

A conciliação, sem duvida é uma das formas mais eficientes de solução dos problemas,
por ela as partes entram em acordo sobre seus problemas pondo fim as suas angústias.
Tanto é verdade que é o meio mais eficiente que até hoje nossas leis adotam de forma
obrigatória a tentativa de conciliação nos processos (Trabalhista Juizado especial etc.).

A mediacão ou arbitramento os interessados utilizam um terceiro, particular, idôneo,


para que este dê a solução às partes.

Diferença entre os dois é que há uma decisão na mediação enquanto na conciliação não
há.

Funções do estado na atuação do processo

Função social: pacificação entre todos, uma vez que se relaciona com o resultado do
exercício da jurisdição perante a sociedade e sobre a vida gregária dos seus membros e
felicidade pessoal de cada um.

Função política: quando visa a preservação do valor liberdade, a oferta de meios de


participação nos destinos da nação e do Estado e a preservação do ordenamento jurídico
e da própria autoridade deste;

Função jurídica: quando assegura a função concreta do direito.


CAPÍTULO II

PROCESSO E DIREITO PROCESSUAL

Legislação e jurisdição

O processo, como vimos, surge a partir do momento em que o Estado passa a ter poder
sobre os particulares na resolução de seus problemas.

O processo, como meio disso, esta ligado ao escopo jurídico do Estado.

É por meio deste instrumento que o Estado, na pessoa do juiz, toma as decisões com
intuito de resolver os conflitos postos as seu julgamento.

Para a solução dos conflitos postos no processo o juiz segue parâmetros para solucionar
os casos de forma mais justa, imparcial e equânime possível.

Esses parâmetros é a legislação, que dita as regras de direito abstrato sobre o lícito e
ilícito, permitido e proibido.

Portanto por meio da legislação o direito tem seus parâmetros de condutas, direitos e
obrigações que serviram de suporte para o juiz decidir seus processos.

Já o ato de aplicar e fazer valer essas normas chamamos de jurisdição, por meio da qual
o juiz utiliza na prática as normas da legislação para impor o dever-ser ditado pelo
Estado.

Direito material e processual

Dentro do processo existem dois tipos de direito ao que recorremos para instruir um
processo.

Pelo direito processual temos os caminhos de trabalho dentro do processo e seu


procedimento, ex o CPC dita normas de como o processo se desenvolve.

Pelo direito material teremos o direito a ser aplicado ao caso concreto, no direito
material é que buscamos os fundamentos que utilizaremos dentro do processo para
ganhar uma ação ex CC, CP.

Portanto pelo direito material usamos a lei para ter o direito e pelo direito processual
usamos a lei para fazer valer a lei material.

Instrumentalidade do processo

Ao mesmo tempo que o processo é o principal escopo jurídico do Estado, ele é o


instrumento a serviço da paz social.

Pelo processo o Estado impõe suas normas e mandamentos utilizando assim do seu
instrumento de atuação para fazer valer as leis.
CAPÍTULO III

DIREITO PROCESSUAL

Divisão e posição

O direito processual, civil, penal, trabalhista, tributário, etc, apesar de servir para a
utilização ou efetivação do direito material, é autônomo como todos os demais ramos do
direito.

Contudo apesar de estar intimamente ligado aos demais ramos do direito, ele se insere
na divisão clássica de direito publico ao invés do privado como os demais.

Isso porque seus ditames estão intimamente ligados e disciplinados pelo direito
constitucional, que é o principal ramo do direito publico como os princípios do
processo, devido processo legal (due processo f law).

Ex: não pode ter uma norma de direito processual contrariando a Constituição Federal.

Divisão do direito processual

Direito processual civil e penal

Apesar de muitos princípios e conceitos serem comuns a ambos os ramos o direito


processual se divide em civil e penal.

Os demais tipos de direitos processuais existentes, trabalhista, tributário, são


decorrência do civil.

Mas a grande divisão existente só diz respeito a civil e penal.

CAPÍTULO IV

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL

PRINCÍPIOS

São aqueles fundamentos que servem para regular as relações entre as pessoas. São
proposições que se colocam na base da Ciência Jurídica Processual e auxiliam na
compreensão do conteúdo e extensão do comando inserido nas normas jurídicas e em
caso de lacuna da norma, servem como fator de integração.

Como dito o direito processual segue parâmetros e ditames do direito constitucional.

Tais parâmetros chamamos de princípios.

Em cada ramo do direito existem seus princípios próprios (trabalho in dúbio pro misero,
penal in dubio pró réu), mas todos os ramos seguem primeiro a princípios comuns a
todos os ramos, princípios gerais.
De acordo com a CF os princípios gerais são:

1)-PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL(ART. 5 , LIC-CF) Este Princípio é


a base de todos os demais Princípios. No Processo, na solução do conflito, o Estado tem
que respeitar o Devido Processo Legal. O Art. 5 , LIC da Constituição federal diz que
ninguém será privado da sua liberdade ou dos seus bens sem o devido processo legal.

Principio da imparcialidade do juiz ou do juiz natural: o processo tem que ser dirigido
por um juiz que não tenha tendência a julgamento. O desenvolvimento do processo
depende da capacidade subjetiva do juiz. Por esse principio podemos ainda ter duas
garantias: só é juiz aquele investido de jurisdição, impede que o legislador (deputados e
senadores) crie leis que lhes dêem poder de julgamento; impede a criação de tribunais
de exceção, ex: tribunal pra julgar negros, estrangeiros.

PARA QUE SEJA PRESERVADA A IMPARCIALIDADE DO JUIZ A CF(ART.95)


LHE GARANTE ALGUNS DIREITOS, E TAMBÉM IMPÕE ALGUMAS
VEDAÇÕES, QUE SÃO:

DIREITOS(ART.95, CF)

a)-Vitaliciedade(após 2 anos) - O juiz não pode ser exonerado do cargo, salvo por
sentença judicial;

b)-Inamovibilidade Em regra, salvo a pedido do próprio juiz, ele não pode ser.
Transferido;

c)-Irredutibilidade de subsídios O juiz não pode ter seus vencimentos reduzidos.

VEDAÇÕES AO JUIZ(ART. 95, ÚNICO, CF)

a)-Exercer outra função, exceto de magistério;

b)-Receber custas ou participações em processos;

c)-Dedicar-se à atividade político-partidária;

d)-Receber auxílio ou contribuição de pessoas físsicas ou jurídicas;

e)-Exercer a advocacia, no local onde foi juiz, antes de completados 3 anos da


aposentadoria ou exoneração.

Principio da igualdade ou isonomia: todos são iguais perante a lei (art. 5 CF) da mesma
forma que merecem a aplicação igual da lei;

Principio do contraditório e da ampla defesa: por ele as partes é assegurado o mais


amplo desenvolvimento dos seus direitos e defesas na solução do caso concreto. Ex.
pode ocorrer de o próprio juiz ou tribunal declarar a falta ao principio da ampla defesa e
do contraditório, existem casos em que o juiz declarou o cerceamento de defesa de
parte.
Principio da ação inquisitivo e acusatório: principio da ação indica a atribuição que tem
a parte de provocar o exercício da atividade jurisdicional.

Isso porque no direito brasileiro o Estado-juiz é inerte e não age se não for procurado
pela parte.

Antigamente existiu o processo inquisitivo pelo qual o próprio juiz instaurava o


processo, produzi as provas e julgava ao final, o que levava a um julgamento parcial.

O processo acusatório adotado no Brasil é mais ou menos o que vivemos atualmente


pelo qual as partes procuram a tutela e disputam a causa em pé de igualdade.

Principio da disponibilidade e da indisponibilidade: a disponibilidade aqui tratada diz


respeito ao poder que o individuo tem de ajuizar ou não a ação e até de desistir da ação.
Ó sofre restrição quando o próprio direito material é indisponível, ex direito civil é
disponível, mas a pensão alimentícia que é civil é indisponível.

Já no processo penal prevalece a indisponibilidade ou obrigatoriedade. A apuração do


crime, regra geral é imperdoável e deve ser processado e julgado não podendo o MP
dispor da ação penal.

Principio dispositivo e principio da livre investigação das provas verdade formal e


verdade real: principio dispositivo segundo o qual o juiz depende da instrução do
processo que é obrigação das partes na produção das provas para fundamentar sua
decisão. Poder de dispor de todos os meios para produzir provas no processo judicial.

Livre investigação dita que o juiz pode valorar as provas produzidas nos autos da forma
que lhe bem aprouver, na busca da verdade formal ou real. Verdade formal, aquela que
é trazida pelas partes no processo, aquilo que o juiz tem nas mãos para analisar o caso.
Verdade real, aquilo que realmente aconteceu e que nem sempre pode ter sido trazido
aos autos pelas partes, ex. um fato que não foi colocado no processo.

Principio do impulso oficial: por ele o juiz é obrigado a mover o processo fase a fase até
o julgamento da causa, lógico depois de provocado pela parte inicialmente.

Principio da oralidade: o procedimento pode ser oral e se reduz a texto somente os atos
mais importantes. Estudaremos mais tarde.

Principio da persuasão racional do juiz: segundo o qual o juiz deve formar livremente
seu convencimento na analise das provas. Os sistemas de apreciação de provas são o da
prova legal pelo qual as provas tem valores fixos e inaterados aplicados mecanicamente.
O segundo sistema é o secundum conscientiam pelo qual o juiz pode julgar mesmo
contra as provas, de acordo com sua consciência, ex tribunal do júri os jurados julgam
de acordo com sua convicção e não de acordo com provas produzidas.

Principio da exigência de motivação das decisões judiciais: a principio a verdadeira


função era a garantia as partes de ter uma decisão fundamentada, até para possibilitar
uma reforma posterior, pois não dá pra recorrer de uma decisão sem saber os motivos
que a levaram ser. Depois passou a se observar que a fundamentação das decisões dos
juizes também deve servir como esteio para a comunidade se pautar sobre aquele caso
posto ao juízo função política das decisões.

Principio da publicidade: garantia ao jurisdicionado. A possibilidade de vistas dos


processos, audiências e todos os atos do processo são a garantia de fiscalização do
processo por parte da sociedade, com exceção dos processos com segredo de justiça.

Principio da lealdade processual: é dever das partes agir de forma leal no processo.
Àquele que usar do processo para obter vantagem indevida por meios ardis há de ser
aplicada as penas da lei. 14 e ss CPC.

Principio da economia e da instrumentalidade das provas: a economia processual prega


a maior instrução processual em busca da solução da lide com o menor emprego
possível de atividades processuais. A instrumentalidade diz que o processo, assim como
as provas são formais, ou seja, dependem de um procedimento para sua produção, sob
pena de nulidade.

Principio do duplo grau de jurisdição: possibilidade de revisão das decisões de primeiro


grau por um colegiado de juízes, desembargadores, por meios dos recursos. Garantia de
revisão de decisão proferida por uma pessoa isolada, juiz, por pessoas de grau
hierarquicamente superior com competência para refazer a decisão.

CAPÍTULO V

DIREITO PROCESSUAL CONSTITUCIONAL

Como dito o processo é matéria de direito publico, regido pela nossa Constituição
Federal.

Isso porque o processo deve assegurar a aplicação dos preceitos constitucionais para
melhor atuar a função pacificadora estatuída na CF.

O direito processual constitucional abrange a tutela constitucional dos princípios


fundamentais da organização judiciária, segundo a qual o sistema processual garante a
aplicação de normas justas de acordo com a CF e rege a jurisdição de acordo com sua
competência e garantias.

Também abrange a jurisdição constitucional, que garante o controle judiciário da


constitucionalidade das leis.

Tudo isso para garantir a devida aplicação do processo justo de acordo com ditames
constitucionais.

Segundo a CF uma dessas garantias é o acesso a justiça, segundo a qual todo problema
posto ao judiciário deve receber a tutela jurisdicional para a solução do caso. CF XXXV
5º A lei não excluirá da apreciação do Poder judiciário lesão ou ameaça a direito

Outra garantia do direito processual constitucional é a aplicação do devido processo


legal pelo qual o processo deve seguir o procedimento instituído de forma a garantir a
utilização dos demais princípios legais, tais como o contraditório e a ampla defesa.
Outros princípios assegurados pelo processo constitucional são a igualdade processual,
publicidade, dever de motivar as decisões judiciais, proibição das provas obtidas por
meio ilícito, inviolabilidade de domicilio, sigilo das comunicações em geral e de dados,
presunção de não culpabilidade ou da inocência, etc.

CAPÍTULO VI

EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO E NO ESPAÇO

EFICÁCIA NO ESPAÇO

A lei processual é regulada pelo princípio da territorialidade por razão de ordem política
e prática.

Política porque a norma processual tem por objeto disciplinar a atividade jurisdicional
que se desenvolve através do processo. A atividade jurisdicional é manifestação do
poder soberano do Estado e por isso não poderia ser regulada por leis estrangeiras sem
inconvenientes para a boa convivência internacional.

Prática porque as dificuldades práticas quase insuperáreis que surgiriam com a


movimentação da maquina judiciária de um Estado soberano mediante atividades
regidas por normas e institutos do direito estrangeiro.

A territorialidade esta insculpida no art. 1º do CPC.

EFICÁCIA NO TEMPO

Nosso direito intertemporal segue algumas regras:

As leis processuais brasileiras estão sujeitas a LICC. Assim salvo disposição em


contrário começam a viger após a VACATIO LEGIS. A lei processual terá validade
imediata e geral respeitando o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido
(LICC 6º) e, via de regra, não terá validade até que outra lei a revogue (2º LICC)

Com relação aos casos já em andamento, para saber se aplicamos a lei anterior ou a
nova, o nosso direito adotou a teoria do isolamento dos atos processuais, pela qual a lei
nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplicam aos
atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais.
Expressa no art. 2º do CPP e 1211 do CPC.

INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL

Interpretar significa descobrir o significado.

Para isso desenvolveu-se métodos de interpretação.

Método gramatical: como as leis são feitas de palavras o interprete deve analisá-las de
acordo com a forma que são escritas.
Método lógico-sistemático: o nosso ordenamento é feito de leis de toda natureza, os
dispositivos legais não são interpretados de forma isolada mas sim de acordo com todo
o ordenamento, ex: inventário 982 do CPC nos diz sobre incapaz que é definido pelo
CC.

Portanto esse método usamos quando analisamos uma lei levando em conta outra lei.

Método histórico: como a lei é criada durante a nossa história, analisamos a lei de
acordo com a vontade do legislador no momento em que criou a lei atendendo aos
anseios da sociedade da época. Ex atualmente as leis criadas sobre a criminalidade
levam em consideração a violência vivenciada pela sociedade.

Método comparativo: os diversos ramos do direito podem enfrentar problemas idênticos


ou analógicos, logo a lei e a decisão a serem aplicados são usadas em comparação para
solucionar o caso concreto.

Método declarativo: é aquele que atribui a lei o exato significado das palavras que a
expressam;

Método extensivo: quando a interpretação da lei leva a aplicação em casos que não
estão expressamente em seu texto.

Método restritivo: é a interpretação que limita o âmbito de aplicação da lei a um circulo


mais estrito de casos do que o indicado pelas suas palavras;

Método ab-rogante: diante de uma incompatibilidade absoluta e irredutível entre dois


preceitos legais ou entre um dispositivo de lei e um princípio geral do ordenamento
jurídico, conclui pela inaplicabilidade da lei interpretada.

INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO

Lei e ordenamento jurídico são coisas diferentes.

Enquanto no ordenamento não existem lacunas, haja vista que sempre em algum ramo
do direito haverá uma norma aplicável ao caso concreto, a Lei não é igual.

Por mais criativo e imaginário que o legislador pudesse ter sido ao criar uma
determinada lei ele não poderia prever todas as situações a que ela teria de disciplinar.

Mas se num caso concreto acontece uma lacuna o que acontece? Fica sem julgamento?
Extingue o processo?

O art. 126 do CPC diz que o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando
lacuna ou obscuridade da lei.

Por isso para preencher as lacunas deixadas pelo legislador o direito processual utiliza a
analogia e os princípios gerais de direito.

Consiste a analogia em resolver um caso não previsto em lei, mediante a utiliza;ao de


regra jurídica relativa a hipótese semelhante. (interpretação comparativa)
Quando a analogia não permite ou não consegue resolver o problema deve-se recorrer
aos princípios gerais de direito, que compreendem não apenas os princípios decorrentes
do próprio ordenamento jurídico, como inda aqueles que o informam e lhe informam e
lhe são anteriores e transcendentes.

JURISDIÇÃO

CONCEITO

É uma das funções do Estado, mediante a qual este se substitui aos titulares dos
interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito que os
envolve, com justiça.

Caráter substitutivo: exercendo a jurisdição o Estado substitui as atividades daqueles


que estão envolvidos no conflito trazido à apreciação.

A única atividade permitida pela lei ao particular quando surge um conflito é provocar o
Estado para resolver o problema, por conta da exclusividade do poder do Estado em
processar e julgar.

Escopo da jurisdição é a busca da realização do direito material.

Características da jurisdição:

Lide: a atuação da jurisdição pressupõe a existência de uma lide. O problema é


apresentado pelo particular para que o Estado atue no processo e julgamento.

Inércia: os órgãos jurisdicionais são inertes. Fica a critério do particular a provocação


do Estado-Juiz ao exercício da função jurisdicional. O titular de uma pretensão vem a
juízo pedir a prolação de um provimento que satisfaça a sua pretensão e com isso
elimine o estado de insatisfação. (2º CPC e 24 do CPP).

Imutabilidade dos atos jurisdicionais: somente os atos judiciais podem ser atingidos pela
imutabilidade. A coisa julgada é a imutabilidade dos efeitos de uma sentença, em
virtude da qual nem as partes podem repropor a mesma demanda em juízo ou
comportar-se de modo diferente daquele preceituado, nem os juízes podem voltar a
decidir a respeito, nem o próprio legislador pode emitir preceitos que contrariem, para
as partes, o que já ficou definitivamente julgado.

PRINCÍPIOS INERENTES A JURISDIÇÃO:

Investidura: a jurisdição só será exercida por quem tenha sido regularmente investido na
autoridade de juiz;

Aderência ao território: as autoridades só tem autoridade nos limites territoriais do


Estado, cada juiz só exerce a sua autoridade nos limites do território sujeito por lei à sua
jurisdição;
Indelegabilidade: é vedado ao juiz delegar atribuições. Não pode juiz algum delegar
funções a outro órgão. Isso porque o Juiz não age em nome próprio e sim como um
agente do Estado;

Inevitabilidade: a autoridade dos órgãos jurisdicionais se impõe, independente da


vontade das partes. A posição de ambas as partes perante o juiz é de sujeição. É
impossível as partes de eximirem a autoridade Estatal na aplicação da jurisdição;

Inafastabilidade: garante a todos o acesso ao judiciário. 5º XXXV. O poder judiciário


não pode deixar de processar e atender alguém a quem venha a juízo deduzir uma
pretensão fundada no direito e pedir solução ao caso concreto;

Juiz natural: ninguém pode ser privado de ser julgado por um juiz imparcial e
independente, indicado pelas normas constitucionais e legais;

Inércia: já visto, o Estado-Juiz é inerte e aguarda a provocação da parte para atuar.

PODERES DA JURISDIÇÃO

O juiz dispõe de 2 poderes:

Poder de jurisdição: poder de aplicar a lei ao caso concreto;

Poder de polícia: é conferido ao juiz para poder atuar o poder de jurisdição.

ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO

Classificações:

Pelo critério do seu objeto, penal e civil;

Pelo critério dos organismos que a exercem, especial e comum;

Pelo critério da posição hierárquica dos órgãos dotados dela, superior ou inferior;

Pelo critério da fonte do direito com base no qual é proferido o julgamento, jurisdição
de direito ou de equidade.

PENAL OU CIVIL

A penal é exercida pelos Juízes Estaduais Comuns, pela Justiça Militar Estadual, pela
Justiça Militar Federal, Justiça Federal e Eleitoral.

A Civil é exercida, em sentido amplo, pela Justiça Estadual, Federal, Trabalhista e


Eleitoral. Em sentido estrito pela Justiça Federal e pela Justiça dos Estados.

RELAÇÃO ENTRE JURISDIÇÃO CIVIL E PENAL

Existe relação entre os ramos porque é impossível analisar um caso sem perceber a
relação civil e penal que envolve o caso.
Por exemplo, um crime de dano, antes e ao mesmo tempo de ser crime é um ilícito civil
indenizável.

Outro ponto de contato é a possibilidade da chamada prova emprestada. A prova pode


ser utilizada em mais de um processo, seja qual for civil ou penal.

Outro exemplo acontece quando se requer incidente de falsidade documental num


processo civil, se constatado acontece o crime de falsidade documental do artigo 310.

Por conta dessa relação seria inviável um juiz ser civil e outro ser penal.

Mais exemplos.

A chamada suspensão prejudicial do processo-crime. Se alguém esta sendo processado


criminalmente e para o julgamento desse processo é relevante o deslinde de uma
questão civil, suspende-se o processo criminal à espera da solução do caso no cível
(CPP 92-94) ex: num caso de falsidade documental, ao mesmo tempo que é crime pode
ser objeto de outro processo civil. O processo criminal depende de comprovação para a
condenação. Se no processo civil tem perícia marcada suspende-se o criminal até a
realização da perícia para depois usar a mesma prova no crime.

Outra relação é o art. 91, I do CP que dá efeito secundário da sentença penal


condenatória tornar certa a obrigação de indenizar o dano resultante do crime .

JURISDIÇÃO ESPECIAL E COMUM

Existem justiças que exercem justiça comum, ex: justiças estaduais e federais.

Existem justiças que exercem justiça especial, ex: justiça militar, eleitoral e trabalhista.

JURISDIÇÃO SUPERIOR E INFERIOR

Como já estudado jurisdição inferior é a 1ª instancia e superior ou 2ª instancia são os


tribunais.

Duplo grau de jurisdição.

JURISDIÇÃO DE DIREITO E DE EQUIDADE

Jurisdição de direito é aquela que segue a lei.

Decidir por equidade significa decidir sem as limitações impostas pela regulamentação
legal.

Afastar se da lei para aplicar um julgamento igual para as partes (CC 127 e 400 1456).
Sua admissibilidade é excepcional.

LIMITES DA JURISDIÇÃO
Limites onde nossa jurisdição não pode atuar. Leis dos Estados que não se aplicam aos
casos.

Existem as limitações internas e internacionais.

Limitações Internacionais são ditadas pelas próprias leis internas de cada Estado em
busca da possibilidade de convivência pacifica entre os países.

As limitações se dão por causa de conveniência e viabilidade.

Como já estudamos as leis brasileiras se regem pelo principio da territorialidade.

Isso porque as próprias leis brasileiras limitam a atuação da jurisdição.

Por isso em matéria civil os conflitos consideram-se ligados ao nosso território: a) o réu
tiver domicilio no Brasil b) versar a pretensão do autor sobre obrigação a ser cumprida
no Brasil c) originar-se de fato aqui ocorrido d) for objeto da pretensão um imóvel
situado no Brasil e) situarem-se no Brasil os bens que constituam objeto de inventário
(88-89).

Limitações Internacionais de caráter pessoal por respeito a soberania de outros Estados


algumas pessoas são imunes a nossa legislação.

Ex: a) os Estados estrangeiros; b) os chefes de Estados estrangeiros; c) os agentes


diplomáticos.

Limites internos

A principio tudo pode ser objeto do crivo judicial. Mas existem casos em que nossa
jurisdição não se aplica a um conflito.

Mas as vezes o Estado-Administração é o único a se manifestar sobre um caso, sem


intervenção do judiciário.

Outro exemplo existe em alguns países a possibilidade de causas de valor ínfimo não
serem julgados pelo judiciário.

JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

Existem atos jurídicos da vida dos particulares que se revestem de importância


transcendentes aos limites da esfera de interesses das pessoas diretamente empenhadas,
passando a interessar também à própria coletividade.

Em vista disso o legislador impõe para a validade desses atos de repercussão na vida
social, a necessária participação de um órgão público.

Quando há essa necessidade ele, Estado, o faz emitindo declaração de vontade,


querendo o ato em si e querendo também o resultado objetivado pelas partes. Lembram-
se quando eu disse que a função jurídica do Estado na atuação do processo é a aplicação
do direito, aqui vemos isso de forma bem clara, o Estado visando a atuação da lei exige
a sua participação para a validade, visando a segurança jurídica. Ex: reconhecimento de
firma para transferir um veículo.

Trata-se de manifesta limitação aos princípios de autonomia e liberdade, limitação


justificada pelo interesse social nesses atos da vida privada.

Quando esses atos, apesar de serem consensuais e amigáveis, exigirem a participação de


um juiz temos a JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA.

Ex: num inventário em que haja consenso entre os herdeiros, o juiz age somente de
forma a conferir e confirma a vontade das partes. Numa separação consensual o juiz
também só participa de forma a conferir o regular processamento do feito.

Ex: na expedição de um alvará judicial para saque de valor existente em conta do pai
falecido o juiz só confere os documentos e expede o alvará.

Ou seja o segredo esta em não existir conflito, é uma exceção a regra da característica
da lide da jurisdição.

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA E VOLUNTÁRIA

- CONTENCIOSA - É aquela em que não há um consenso entre as partes, não


conseguem solução amigável para o conflito.

- VOLUNTÁRIA - É aquela em não há conflito, mas que o Estado precisa intervir


exercendo apenas uma atuação administrativa sobre alguns atos de particulares porque
eles são importantes para o Direito, como, por exemplo, na compra de um imóvel,
abertura de empresa, etc. É uma administração pública de interesses privados.

DIFERENÇA ENTRE JURISDIÇÃO CONTENCIOSA E JURISDIÇÃO


VOLUNTÁRIA

Jurisdição Voluntária o Estado intervém, porque interessa à sociedade, mesmo não


havendo conflito, enquanto na Jurisdição Contenciosa o Estado intervém, porque há
conflito.

EXERCÍCIO DA JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA PELO ESTADO

O Estado exerce a Jurisdição Voluntária da seguinte forma:

a)- ATRAVÉS DE ÓRGÃOS JURISDICIONAIS Como por exemplo, os juízes, os


Tribunais.

b)- POR ÓRGÃOS DE FORO EXTRAJUDICIAIS Como, por exemplo, os Cartórios.

c)- POR ÓRGÃOS NÃO DEPENDENTES DO PODER JUDICIÁRIO Como, por


exemplo, o Ministério Público, a Junta Comercial, etc.

ESPÉCIES DOS ATOS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA


a)- ATOS MERAMENTE RECEPTIVOS O órgão jurisdicional não decide, apenas
recepciona determinado ato e procede conforme a lei determina(ex.:o juiz ao receber o
testamento tem que obrigatoriamente mandar publica-lo no Diário Oficial).

b)- ATOS DE NATUREZA CERTIFICANTES São atos em que osórgãos de jurisdição


vão apenas certificar se os atos estão sendo realizados e acordo com a lei.(ex.: o visto do
juiz nos livros comerciais das empresas).

c)- ATOS DE PRONUNCIAMENTOS JUDICIAIS O órgão de jurisdição(juiz) vai


pronunciar-se judicialmente(ex.: a separação consensual).

CATEGORIAS DOS ATOS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

a)- ATOS DE FORMAÇÃO DE SUJEITOS JURÍDICOS São os atos praticados pelos


órgãos de jurisdição aos quais estão todos submetidos a eles.

b)- ATOS DE INTEGRAÇÃO DE CAPACIDADE É a interferência do órgão de


jurisdição em determinados atos, visando a preservação de direitos(ex.: interdição de
alguém).

c)- ATOS DE PARTICIPAÇÃO NO COMÉRCIO JURÍDICO Significa que as


empresas se submetem ao Estado para a conferência da legalidade dos balanços e dos
livros comerciais.

CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA

JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

Há controvérsia(lide)

Não há controvérsia(lide)

Há coisa julgada

Não há coisa julgada

Há Processo(a solução do conflito é por meio do processo)

Há Procedimento, e não Processo

Há partes(autor e réu)

Há interesses(não há réu, mas sim interessados)

PODER JUDICIÁRIO

DIVISÃO DAS FUNÇÕES DO ESTADO(PODERES DO ESTADO)


- Poder Executivo;

-Poder Legislativo;

- Poder Judiciário.

PODER JUDICIÁRIO (Art. 92 e seguintes, CF)

É quem exerce a função jurisdicional. O Poder Judiciário não pode se afastar dessa
função(Princípio da Inafastabilidade do Juiz), ou seja, o juiz não pode se recusar a
julgar. Resolve o conflito com base no ordenamento jurídico e para isso tem que ter
independência, por isso as garantias concedidas aos juizes para que ele tenha total
isenção, podendo julgar inclusive contra o próprio Estado. O Poder Judiciário Éuno e
nacional(é um só no Brasil).

FUNÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO

Fazer valer o poder jurisdicional do Estado ao resolver conflitos, embora nem sempre o
Poder Judiciário tenha apenas a função de resolver conflitos. Em alguns casos o Poder
Judiciário tem a função de elaborar normas.

INVASÃO DE ATRIBUIÇÃO DE UM PODER NO OUTRO

Acontece nos três poderes. Porém, um poder só pode invadir a esfera de outro, mas
somente quando previsto na legislação, conforme abaixo:

- EXECUTIVO Tem a função administrativa e em alguns casos legisla, como, por


exemplo, através de Medidas Provisórios e Decretos.

- LEGISLATIVO Tem a função principal de legislar, mas em alguns casos profere


julgamentos, como, por exemplo, o julgamento do Presidente, Senadores e Deputados
por crimes de responsabilidade Pelo Senado Federal.

- JUDICIÁRIO Tem a função básica de julgar, mas exerce função normativa em alguns
casos, como, por exemplo, a elaboração dos regimentos internos dos tribunais, são as
chamadas normas de governo internas, que é o próprio poder judiciário se auto-
governando.

ÓRGÃO DO PODER JUDICIÁRIO PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO


FEDERAL(ART.92)

O Art. 92 da Constituição Federal traz um rol dos órgãos do Poder Judiciário. É um rol
taxativo, ou seja, o que não está no Art. 92 não é órgão do Poder Judiciário. São os
seguintes os órgão:

- STF Supremo Tribunal Federal - composto por 11 Ministros indicados pelo Presidente
da República;

- CNJ Conselho Nacional de Justiça tem a função de fiscalizar o poder judiciário;


- STJ Superior Tribunal de Justiça;

- TRF Tribunal Regional Federal e os Juizes Federais;

- Tribunais e Justiça do Trabalho;

- Tribunais e Juizes Eleitorais;

- Tribunais e Juizes Militares;

- Tribunais e Juizes dos estados e Distrito Federal;

- Juizados Especiais fazem parte do poder Judiciário, cada um vinculados às suas


justiças. Se for Federal faz parte da Justiça Federal. Se for Juizado Estadual faz parte da
Justiça dos Estados.

NORMAS DE ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

São normas criadas para organizar a disposição dos órgãos judiciários, disciplinando a
Constituição e atribuições dos juizes e também para os órgãos auxiliares do poder
judiciário. As normas de organização judiciária são chamadas de Regime Legal da
Constituição Orgânica do Poder Judiciário.

COMPETENCIA PARA EDITAR NORMA PROCESSUAL(Art. 22, I, CF)

É competência exclusiva da União legislar sobre matéria processual.

COMPETÊNCIA CONCORRENTE

O Estado tem competência concorrente com a União para editar normas procedimentais,
que são normas de organização da justiça. Cada Estado organiza a sua justiça.

ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO (LEIS ESPECÍFICAS)

O Poder Judiciário é organizado através de algumas leis específicas, que são:

- L.O.M. Lei Orgânica da Magistratura (lei complementar n 35/79). Em 1979, a lei


complementar 35/79 organizou o Poder Judiciário o que também ocorreu na
Constituição Federal de 1988, por isso, algumas normas que estavam previstas na Lei
Orgânica da Magistratura foram novamente disciplinada na Constituição, prevalecendo,
pelo Princípio da Hierarquia das Normas, o que está na Constituição, ou seja, alguns
Artigos da lei 35/79 foram revogados pela Constituição de 1988, porque com ela
conflitavam.

-E.M. Estatuto da Magistratura (Art. 93, CF) A lei Orgânica da Magistratura só vai ser
revogada integralmente quando for criado o Estatuto da Magistratura, previsto no Art.
93, da Constituição Federal e que até hoje não foi criado.

TIPOS DAS NORMAS DE ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA


1)- NORMA QUE CUIDA DA MAGISTRATURA Magistrados são os Juízes de
Direito. O juiz é um funcionário público. Em regra, o ingresso na magistratura somente
ocorre por meio de concurso público, mas há outras formas de ingresso. Portanto, são as
seguintes as formas de ingresso na magistratura:

-Por concurso público é o sistema adotado no Brasil, somente por meio de concurso
público o juiz é escolhido.

-Pela cooptação - Quando os próprios membros do poder judiciário indicam quem vai
ingressar no poder judiciário.

-Indicação do Poder Executivo* O Presidente da república faz a escolha.

-Por eleição por esse sistema o juiz é eleito pelo povo.

FORMAS DE PROMOÇÃO NA CARREIRA DA MAGISTRATURA (ART.93,II, CF)

O juiz inicia a carreira como juiz substituto e só depois passará para entrâncias mais
importantes pelos seguintes critérios:

-Antiguidade.

-Merecimento.

MEMBROS DA MAGISTRATURA POR INDICAÇÃO DO PODER EXECUTIVO

A lei possibilita ao Presidente da república e Governadores indicarem alguns membros


da magistratura.

- Os 11 Ministros do STF - Indicação do Presidente da República.

- 1/5 dos ministros do STJ e STM - Indicação do Presidente da República.

- 1/5 dos juizes do TRE e TRF Indicação do Presidente da República por meio de lista
tríplice.

- 1/5 dos desembargadores do TJ Indicação da OAB e Ministério Público e escolha do


Governador.

2- NORMA QUE CUIDA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO As normas de


organização judiciária criam os Juizes(órgãos de primeira instâncias) e os
Tribunais(órgão de segunda). O juizo é monocrático(um juiz) e os Tribunais são órgãos
colegiados.

3-NORMA QUE CUIDA DA DIVISÃO JUDICIÁRIA São normas judiciárias que


tratam da divisão judiciária.

-Obrigatoriedade de no mínimo uma seção judiciária em cada Estado.

-A justiça Estadual divide-se em Comarcas.


4- NORMA QUE CUIDA DA ÉPOCA DOS TRABALHOS FORENSES São as
normas que determinam em que época vai haver expediente forense.

- O Art. 174 do CPD estabelece que alguns Processos terão trâmite nas férias forenses,
mas os Estados estabeleciam um período de férias forenses. Porém, o Art. 93, XII, da
Constituição Federal, dispõe que os prazos processuais são ininterruptos, portanto
acabando com as férias forenses, ou seja, o Estado não pode mais estabelecer férias
forenses, embora alguns Tribunais ainda continuem estabelecendo período de férias.

- Existem os feriados forenses São os domingos e os dias declarados por lei. Sábado é
dia normal, pode haver expediente forense.

- Não há expediente forense nos dias declarados por Portarias dos Presidentes dos
Tribunais de Justiça.

ÓRGÃOS DA JUSTIÇA BRASILEIRA

S.T.F. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

É o órgão máximo do poder jurisdicional do Brasil, existe desde 1890. Por ser instância
máxima, sua competência seria para julgar apenas matérias de direito e não questões de
fato, porém, acaba o STF se manifestando, em alguns casos, sobre questões de fato, pois
também lhes são atribuídas estas competências, diferentemente do que ocorre em outros
paises, como, Itália, EUA, etc.), onde o tribunal máximo do país aprecia apenas
matérias constitucionais. O STF tem o objetivo primordial(possui outros) de ser o
guardião da Constituição Federal.

CARACTERÍSTICAS DO STF

a)- Tem sede em Brasília.

b)- É a instância máximo do Direito Brasileiro.

c)- É guardião da Constituição Federal a função maior(tem outras) do STF é velar pela
Constituição Federal.

d)- Possui controle concentrado da constitucionalidade O controle difuso é aquele que


qualquer juiz do país pode decidir pela constitucionalidade ou inconstitucionalidade de
um preceito legal, mas sua decisão terá abrangência apenas naquele caso concreto (ex.:
um juiz de Araraquara pode decidir que uma lei municipal é inconstitucional, mas essa
decisão só vale para este caso concreto), enquanto o controle concentrado da
constitucionalidade significa que a partir do momento em que o STF decide pela
constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei, aquela decisão passa a ter
aplicação em todo âmbito nacional e não apenas no caso concreto.

COMPOSIÇÃO DO STF(Art. 101 CF)

O STF é composto por 11 Ministros nomeados pelo Presidente da República após


aprovação do Senado Federal e gozam de todas as garantias e impedimentos da
LOMAN.
REQUITOS PARA OCUPAR A FUNÇÃO DE MINISTRO DO STF

- Estar em pleno gozo dos direitos políticos.

- Ser brasileiro nato(Art. 12, 3 , IV CF).

- Ter entre 35 e 65 anos de idade.

- Possuir notável saber jurídico.

- Possuir reputação ilibada.

COMPETÊNCIA DO STF(Art. 102, CF)

A competência do STF pode ser definida em 4 graus, que são:

a)- COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA Significa que, excepcionalmente, o processo pode


ter origem no STF(ex.: ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade; Ação
Declaratória de Constitucionalidade). Ler Art. 103 da CF para saber quem pode
ingressar com a ADIN e a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade. As hipóteses de
Competência Originária do STF constam do Art. 102 da CF(ler o Art.)

b)- COMPETÊNCIA DE 2 GRAU(Recurso Ordinário) O STF julga recurso ordinário


quando o processo tem origem nos Tribunais Superiores(ex.: origem no STJ, TST, etc).

c)- COMPETÊNCIA DE 3 GRAU(Recurso Extraordinário) - É prevista no Art. 102, III,


CF. O STF julga o recurso extraordinário(ex.: alguém ingressa com ação em Araraquara
alegando inconstitucionalida de uma lei. O juiz não acolheu a ação, por isso houve
recurso ao Tribunal de Justiça(2 grau). O tribunal de Justiça também decidiu
desfavoravelmente, havendo, assim, o Recurso Extraordinário para o STF(3 grau). O
Recurso Extraordinário é complexo, difícil de ser admitido ou até mesmo de ser
interposto, cabendo apenas nos casos constantes do Art. 102, III, Alíneas a , b , c e d ,
da CF.

d)- COMPETÊNCIA DE 4 GRAU(Recurso Extraordinário) - O STF é o único Tribunal


do país que possui o 4 grau de jurisdição, julgando também recursos extraordinários(ex.
uma reclamação trabalhista ingressada na Vara do Trabalho de Araraquara que teve
decisão desfavorável(1 grau). Com a decisão desfavorável de 1 grau, houve recurso ao
Tribunal de 2 grau que também decidiu desfavoravelmente, fazendo com que ocorresse
apelação para o TST(3 grau). Se a decisão do TST ferir a Constituição Federal pode ser
interposto recurso extraordinário ao STF em 4 grau.

SÚMULA VINCULANTE(ART.103-A, CF)

Em recente reforma constitucional foi criada a Súmula Vinculante de decisões do STF,


envolvendo apenas questões constitucionais, ou seja, nenhum outro Tribunal do país
pode editar Súmula Vinculante. A Súmula Vinculante obriga todos os demais órgãos do
poder judiciário seguir aquela decisão da STF para qual foi editada a Súmula. Não é
toda decisão do STF que se torna Súmula Vinculante. Para edição da Súmula o STF se
reúne para essa finalidade específica.
REQUISITOS PARA CRIAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE

a)- Decisões de 2/3 dos membros do STF;

b)- Reiteradas decisões São criadas somente a partir de reiteradas decisões;

c)- Efeito vinculante Vincula todos os demais órgãos jurisdicionais e a administração


pública direta e indireta à súmula editada. O Art. 103-A, 1 , da CF, estabelece as
situações em que pode ser editada a Súmula Vinculante;

d)- Matéria que gera insegurança jurídica O Art. 103-A, 1 , da CF, estabelece sobre que
matéria pode ser editada a Súmula Vinculante(ex.: a questão do pagamento da correção
do FGTS mereceria, por exemplo, uma Súmula Vinculante se na época ela já existisse).

OBS.: Havendo o descumprimento da Súmula Vinculante cabe reclamação ao STF(Art.


103-A, 3 , CF) que, decidindo como procedente a reclamação, anulará o ato
administrativo ou cessará a decisão judicial que descumpriu a Súmula e mandará que
seja cumprida.

STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

É o segundo órgão mais importante na hierarquia do Poder Judiciário Brasileiro,


estando abaixo somente do STF. Foi criado pela Constituição Federal de 1988 como
guardião das leis federais, que promove o controle administrativo financeiro da Justiça
Federal e tendo como competência principal o julgamento de Recurso Especial.

CARACTERÍSTICAS DO STJ

a)- Sede em Brasília;

b)- Criado pela Constituição Federal de 1988;

c)- Guardião das leis federais;

d)- Não tutela direito especial(eleitoral, militar, trabalho);

e)- Não tem ascendência administrativa sobre nenhum tribunal, embora seja superior a
todos os outros, mas tem ascedência sobre a Justiça Federal, fazendo a supervisão
administrativa e orçamentária desta. Exemplo: o juiz federal de araraquara é
subordinado ao STJ;

f)- No STJ não existe Súmula Vinculante.

COMPOSIÇÃO DO STJ

a)- 33 membros chamados de Ministros;

b)- 1/3 são escolhidos entre juizes do TRF(Justiça Federal);

b)- 1/3 são escolhidos entre Desembargadores(Justiça Estadual);


c)- 1/3 são escolhidos entre advogados e membros do Ministério Público.

REQUISITOS PARA SER MEMBRO DO STJ

a)- Pleno gozo dos direitos políticos;

b)- Ter entre 35 e 65 anos;

c)- Ser brasileiro nato ou naturalizado;

d)- Possuir notável saber jurídico;

e)- Possuir reputação ilibada;

COMPETÊNCIA (O QUE JULGA O STJ)

Previsão do Art.105, da CF.

a)- COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA(Art. 105, I, "a") Significa que algumas ações têm
início diretamente no STJ(ex.: processar por crimes comuns os Governadores).

b)- COMPETÊNCIA DE 2 GRAU-RECURSO ORDINÁRIO(Art. 105, II) Significa


que o STJ vai funcionar como órgão revisor de uma decisão(ex. revisar decisão
proferida em Hábeas Corpus pelo TJ).

c)- COMPETÊNCIA DE 3 GRAU(Art. 105, III) Julga o chamado Recurso Especial(o


Recurso Extraordinário é de competência do STF). O Recurso Especial é um recurso
muito difícil de ser impetrado, e é cabível somente nas seguintes hipóteses:

- Quando a decisão contrariar Tratado ou Lei Federal(ex.: um ação em Araraquara é


julgada improcedente. Há o recurso para o Tribunal(2 grau) que também julga
improcedente, aí há a hipótese de ser impetrado o recurso especial se houver
contrariedade da lei federal ou tratado);

- Para julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de lei;

federal(ex.:alguém alega que uma lei do Município de Araraquara fere uma lei federal);

- Quando a lei federal der interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro
tribunal(ex.: suponhamos que o TJ de São Paulo dê interpretação a uma lei federal de
forma diferenciada do que tenha dado o TJ do Amapá. Desde que provada que há
divergências de interpretação, cabe Recurso Especial para o STJ para que venha a ser
pacificada essa divergência jurisprudencial. Portanto, se as leis federais estiverem sendo
interpretadas de forma diferenciada pelos tribunais cabe Recurso Especial ao STJ.

OBS. Em um mesmo processo pode haver Recurso Especial e Recurso Extraordinário,


isto quando a mesma decisão do tribunal envolver questão constitucional(Recurso
Extraordinário) e questão de lei federal(Recurso Especial). Para ser julgado o Recurso
Extraordinário é preciso antes que haja julgamento do Recurso Especial.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA(ART. 103-B, CF)

Órgão criado pela Emenda Constitucional 45/2004, para exercer controle externo do
Poder Judiciário.

CARACTERÍSTICAS DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

1- Órgão do Poder Judiciário;

2- Tem apenas funções administrativas e financeiras(Art. 103-B, 4º, CF), que são as
seguintes:

4- Velar pela autonomia do Poder Judiciário;

5- Recebe e julga reclamações contra membros dos órgãos do Poder Judiciário.

6- Elaborar relatórios estastísticos sobre movimento judiciário, a fim de que este poder
possa ser planejado;

7)- É órgão superior do Poder Judiciário, sediado em Brasília;

CARACTERÍSTICAS DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA(ART.103-B CF)

a)- Composto de 15 membros - Escolhidos da seguinte forma:

- Um Ministro do STF, indicado pelo respectivo tribunal.

- Um Ministro do STJ, indicado pelo respectivo tribunal.

- Um Ministro do TST, indicado pelo respectivo tribunal.

- Um Desembargador de TJ, indicado pelo STF.

- Um Juiz Estadual, indicado pelo STF.

- Um Juiz de TRFindicado pelo Superior Tribunal de Justiça.

- Um Juiz Federal, indicado pelo STJ .

- Um Juiz de TRT, indicado pelo TST.

- Um Juiz do Trabalho, indicado pelo TST.

- Um membro do Ministério Público da união, indicado pelo Procurador Geral da


República.

- Um membro do Ministério Público Estadual, escolhido pelo Procurador Geral da


República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição
estadual.
- Dois advogados, indicados pela OAB.

- Dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, um indicado pela Câmara
dos Deputados e outro indicado pelo Senado Federal.

Requisitos para ser membro:

a)- Pleno gozo dos direitos políticos;

b)- Ter entre 35 e 66 anos(cuidado! Não é 65 anos).

c)- Ser brasileiro nato ou naturalizado;

d)- Possuir notável saber jurídico;

e)- Possuir reputação ilibada;