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1 INTRODUÇÃO

O desemprego, contemporaneamente, apresenta-se como um problema


social que atinge a maioria das economias de mercado. O relatório Tendências
Mundiais de Emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de janeiro de
2009 assinala que o desemprego no mundo poderá chegar a 7,1% em 2009, o que
equivaleria um aumento de 50 milhões de desempregados em relação a 2007, ano
em que a taxa de desemprego mundial registrada foi de 5,7%. Tendo em vista essa
disfunção do sistema econômico, torna-se necessário estabelecer um debate
macroeconômico referente à determinação do volume de emprego, para
posteriormente identificar políticas econômicas capazes de melhorar a
operacionalidade do mercado de trabalho.
Segundo OCIO (1995, p. 4), a geração de emprego consiste um meio de
promover a inserção dos indivíduos à dinâmica capitalista. Isso porque, ao ofertar
seus serviços em mão-de-obra, os trabalhadores recebem uma remuneração
(salário), permitindo-lhes apresentar-se ao mercado de bens e serviços como
demandantes de utilidade. É a partir do acesso ao mercado de trabalho que os
agentes são introduzidos nas relações sociais.
Dada a importância da criação de novos postos de trabalho para assegurar o
bem-estar social, vários economistas ao longo do desenvolvimento da ciência
econômica, realizaram pesquisas referentes a determinação do equilíbrio no
mercado de mão-de-obra. Essas investigações teóricas culminaram em um
ambiente de controvérsias, caracterizado pela existência de inúmeras correntes do
pensamento econômico.
Segundo Blanchard (2004), essas correntes dividem-se em dois grandes
grupos: aquele que desenvolve análises enfatizando o curto prazo e aquele que
constrói idéias abrangendo o longo período. No primeiro caso, o nível de emprego
(variável dependente) é determinado por fatores que condicionam a demanda
agregada, como eficiência marginal do capital, preferência pela liquidez, propensão
marginal a consumir e expectativas (variáveis explicativas). No segundo, o nível de
emprego é explicado por variáveis reais, como estoque de capital, preferências dos
agentes econômicos, mudanças populacionais e alteração no nível tecnológico da
sociedade.
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Assim, faz-se neste trabalho uma exposição de três teorias ou interpretações


sobre a determinação do volume de emprego. Nesta perspectiva, um dos objetivos
do trabalho consiste em realizar um estudo sobre a determinação do volume de
emprego de equilíbrio, dando ênfase principal às visões (neo)clássica, keynesiana e
da síntese neoclássica. Outros objetivos consistem em identificar as características
inerentes à operacionalidade do mercado de trabalho segundo a abordagem
(neo)clássica; descrever os aspectos gerais da Revolução Keynesiana,
compreendendo os elementos básicos que compõem a macroeconomia moderna,
quais sejam, o multiplicador, preferência pela liquidez, relevância das expectativas;
analisar o contra-ataque realizado pela Síntese Neoclássica e investigar a relação
existente entre desemprego involuntário e rigidez à baixa do salário nominal.
O trabalho é apresentado em três capítulos além desta introdução e da
conclusão. No primeiro (tópico 2), desenvolve-se uma investigação sobre os
determinantes do volume de emprego de equilíbrio segundo a abordagem
(neo)clássica. Nesta parte, expõem-se os fatores condicionantes da demanda por
mão-de-obra e da oferta de mão-de-obra, buscando identificar os postulados e
hipóteses que explicam a operacionalidade do mercado de trabalho segundo os
economistas da teoria convencional. Além disso, busca-se evidenciar os postulados
da macroeconomia (neo)clássica e o conceito de desemprego voluntário.
O segundo capítulo (tópico 3) está dividido em três seções. Na primeira, faz-
se uma exposição referente à Revolução keynesiana, destacando as principais
contribuições de John Maynard Keynes à ciência econômica, como: a
sistematização do princípio da demanda efetiva, a elaboração de uma nova
metodologia de investigação dos fatos econômicos, a ênfase dada à importância da
moeda como reserva de valor, o papel das expectativas e da incerteza em uma
economia monetária da produção. Além disso, realiza-se um resumo referente à
causalidade entre o salário real e o volume de emprego tendo por base o trabalho de
Edward J. Amadeo. Na segunda seção, é feito a apresentação da teoria do emprego
de Keynes e, por fim, na terceira seção, desenvolve-se uma exposição sobre as
prescrições de políticas econômicas, ou seja, sintetiza, na visão de Keynes, os
impactos das políticas fiscal e monetária sobre o volume de emprego de equilíbrio.
No terceiro e último capítulo (tópico 4), apresenta-se o “contra-ataque”
realizado pelos economistas de tradição ortodoxa à teoria de Keynes sobre o
emprego, isto é, expõem-se as contribuições dos economistas da síntese
13

neoclássica. Nesta parte, é evidenciado o processo de neoclassização da teoria de


Keynes, com destaque às contribuições de John Hicks, Franco Modigliani e Don
Patinkin. Assim, propõe-se identificar as forças responsáveis pela convergência da
economia à posição de equilíbrio macroeconômico de pleno emprego.
14

2 A DETERMINAÇÃO DO EMPREGO NA TEORIA (NEO)CLÁSSICA

2.1 OS PILARES DA MACROECONOMIA (NEO)CLÁSSICA

A teoria (neo)clássica desenvolvida entre meados do século XIX e início do


século XX, de cunho microeconômico e individualista, alicerçava-se na crença de
que os mercados, por si só, alcançariam o equilíbrio de pleno emprego dos fatores
de produção. Os economistas “clássicos” acreditavam no sistema de preços livre, ou
seja, nos mecanismos automáticos de equilíbrio. Segundo essa abordagem, os
períodos de desaceleração do nível de atividade econômica apresentavam-se como
uma anomalia transitória do sistema econômico.
WEINTRAUB (2002, p.1) descreve a economia (neo)clássica como um
sistema teórico que incorpora as seguintes hipóteses:
a) pessoas racionais preferem entre resultados;
b) indivíduos maximizam utilidade e firmas maximizam lucro;
c) pessoas agem racionalmente com base em toda informação relevante.
Dentro deste arcabouço teórico, a Lei dos Mercados de Say constitui a
verdadeira lei que relaciona as funções de demanda e oferta agregadas. Essa lei
descreve uma economia de troca livre, assim, todo o rendimento gerado no
processo de produção, na forma de rendimentos pagos aos fatores, é canalizado
para a aquisição de bens e serviços, desta forma, toda oferta criaria sua própria
procura. Na economia de Say não há possibilidade de ocorrências de crises de
superprodução ou de subemprego, o pleno emprego é automaticamente atingido.

O que constitui os meios de pagamento das mercadorias são as


próprias mercadorias. Os meios de que cada indivíduo dispõe para
pagar a produção alheia são os produtos que ele mesmo possui.
Todos os vendedores são, no próprio sentido da palavra,
compradores. Se pudéssemos duplicar repentinamente as forças
produtoras de um país, poderíamos duplicar a oferta de mercadorias
em todos os mercados, mas ao mesmo tempo duplicaríamos o poder
aquisitivo. Todo o mundo duplicaria simultaneamente a procura e a
oferta; todos poderiam comprar o dobro, pois teriam duas vezes mais
para oferecer em troca (STUART MILL apud KEYNES, 1982, p. 34).

Para Moreira (2005), “uma economia regida pela Lei de Say pode ser vista
como uma economia ‘neutra’, no sentido de que sempre será satisfeita a seguinte
igualdade: gastos corrente = produto corrente = renda corrente”. Nesta economia
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todo excedente de renda sobre o nível de consumo é, primordialmente, convertido


em investimentos. Isso ocorre devido à hipótese da ergodicidade1 e da concepção
de que a moeda constitui apenas um meio de troca.

Nos lugares que produzem muito, cria-se a única substância com a


qual se pode comprar: refiro-me ao valor. O dinheiro representa
apenas um ofício passageiro nesta troca dupla; e, terminadas as
trocas, verifica-se sempre: produtos foram pagos com produtos (SAY
apud MOREIRA, 2005, p. 4, grifo nosso).

Como os mercados, por si só, alcançavam o pleno emprego dos fatores de


produção, os teóricos do classicismo prescreviam medidas não-intervencionistas,
isto é, o Estado deveria exercer funções como: manter a segurança nacional,
oferecer à sociedade justiça, saúde e educação de qualidade. Neste sentido,
exaltavam a doutrina do laissez-faire, laissez-passer2.
Para Simonsen e Cysne (2007, p. 222), a macroeconomia (neo)clássica
pode ser sintetizada em três idéias fundamentais:
a) as forças de mercado tendem a equilibrar a economia a pleno emprego,
isto é, no ponto em que se igualem a oferta e a procura de mão-de-obra
(pressuposto da perfeita flexibilidade de preços e salários);
b) as variáveis reais da economia e os preços relativos seguem trajetórias
independentes da política monetária. A demanda agregada não exerce

1
Oriundo da matemática, o termo ergodic foi inicialmente transposto pelo Aurélio como ergódigo,
com g (cf. A. Buarque de Holanda Ferreira, Novo dicionário de língua portuguesa. Rio de Janeiro,
Nova Fronteira, 2.ed., 1986), embora fosse mais comum o uso do termo “ergódico”, que, finalmente,
veio a prevalecer como forma dicionarizada. No campo da economia a condição ergódica constitui
uma hipótese fundamental da teoria macroeconômica pré-keynesiana, constituindo, por isso mesmo,
um dos alvos a serem necessariamente atacados pela sublevação desencadeada por Lorde Keynes
(DAVIDSON, 2003, p. 5). Essa hipótese “implica a possibilidade de conhecimento dos eventos
futuros, mediante estimação estatística, a partir das informações passadas e presentes, coletadas via
sistema de preços (DAVIDSON apud MOREIRA, 2005)”. Em um mundo ergódico, as observações
de uma especificação de determinada série temporal, isto é, dados históricos, são informações úteis
sobre a distribuição de probabilidades do processo estocástico que gerou essa especificação
particular. Essas mesmas observações também fornecem informação sobre a distribuição de
probabilidades de um universo de especificações que existe em qualquer ponto do tempo, como hoje;
e esses dados são, ainda, informações úteis sobre a futura distribuição de probabilidades dos eventos.
Consequentemente, ao estudar cientificamente o passado como se tivesse sido gerado em condições
ergódicas, os eventos presentes e futuros podem ser previstos em termos de probabilidade estatística
(DAVIDSON, 2003, p. 22)
2
Essa expressão, creditada a Vicent de Gournay (1712-1759), na realidade, significa “deixe as pessoas
fazerem o que quiserem sem a interferência do governo”. Os governos nunca deveriam estender sua
interferência nos assuntos econômicos além do mínimo absolutamente essencial para proteger a vida
e a propriedade e para manter a liberdade de adquirir (BRUE, 2006, p. 35).
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influência sobre o nível de produto e o volume de emprego (é válida a Lei


de Say);
c) a quantidade de moeda afeta apenas o nível geral de preços
(pressuposto da neutralidade da moeda).
Essas idéias constituem os axiomas básicos do sistema walrasiano de
equilíbrio geral numa economia monetária. Esse sistema desenvolve uma análise
dicotômica entre variáveis reais e variáveis nominais, ou seja, uma investigação
onde alterações em variáveis monetárias, como quantidade de moeda, não influem
sobre as variáveis reais, como o produto e o emprego.

2.2 A DEMANDA POR TRABALHO

A hipótese principal da abordagem (neo)clássica da determinação do nível


de emprego de equilíbrio afirma que o mercado de trabalho funciona
apropriadamente, isto é, a oferta de trabalho e a demanda por trabalho se
encontram, determinando o volume de emprego e o salário real. Nesta concepção, o
salário nominal apresenta-se como uma variável completamente flexível, cujos
movimentos são responsáveis pela preservação do equilíbrio nos moldes da
condição de pleno emprego.
PERES NUNES E COSTA NUNES (1997, p. 108) observam a condição de
equilíbrio de pleno emprego como:

[...] compatível apenas com o desemprego friccional – decorrente de


pequenas imperfeições ou desajustes temporários entre oferta e
demanda de trabalho porque encontrar emprego leva algum tempo –
e com o desemprego voluntário – decorrente do fato da desutilidade
do trabalho ser maior que a utilidade do salário que se poderia
receber. Todos os que desejam trabalhar aos salários vigentes no
mercado encontrariam emprego.

Segundo OCIO (1995, p. 11), “a teoria (neo)clássica considerava o trabalho


um fator de produção homogêneo e escasso, ofertado pelas unidades familiares e
demandado pelas firmas”. Neste contexto, as firmas e os trabalhadores apresentam-
se como agentes racionais perfeitamente informados, seguidores da filosofia
hedonista, segundo a qual, o objetivo de todo agente é obter o máximo de prazer
minimizando a dor. “Assim, a visão neoclássica envolve ‘agentes econômicos’,
17

sejam eles firmas ou famílias, que otimizam (fazendo o melhor que podem) sujeitos
a todas as restrições relevantes (WEINTRAUB, 2002, p. 1)”.
Detalhando este sistema, observa-se que as firmas estão organizadas em
um mercado perfeitamente competitivo3, e suas decisões são orientadas pelo
objetivo único de maximização de lucro. Como as unidades produtivas representam
uma parcela pequena do mercado, suas escolhas não afetam os preços do produto
e dos fatores de produção, de tal forma que as firmas são tomadoras de preço.
Como os preços constituem uma variável dada, as firmas se preocupam apenas com
a quantidade de mercadorias a ser produzida e com a quantidade a ser contratada
de trabalhadores.
A curto prazo, a organização, o estoque de capital e a técnica são
considerados fixos, portanto, o nível de produção só pode ser alterado via mudanças
na utilização do fator trabalho, “de modo que a escolha do nível de produção e a
quantidade de trabalho constituem uma única decisão (FROYEN, 1999, p. 49)”. A
relação entre produção e utilização da força de trabalho pode ser explicitada pela
função de produção:
Y = F (Kc, N, T) (1)
Onde,
Y = Produção total.
Kc = Estoque de capital, suposto constante.
N = Força de trabalho, suposta homogênea.
T = Nível tecnológico, suposto constante.
LOPES e VASCONCELLOS (2008), afirmam que a função de produção
agregada está moldada em relação a três hipóteses fundamentais. A primeira
mostra que a produção total está diretamente relacionada com o estoque de capital,
o volume de emprego e com o nível de tecnologia, ou seja, um aumento na
utilização do estoque de capital, por exemplo, levará a um aumento do nível de
produção agregada. A segunda hipótese diz que para um dado nível tecnológico, a
função de produção agregada apresenta retornos constantes de escala. Se os

3
Conforme PINDYCK e RUBINFELD (2006, p. 222-223), o mercado em concorrência perfeita pode ser
definido como aquele onde há muitos vendedores e muitos compradores. As suposições implícitas a essa
estrutura de mercado são: aceitação de preços; homogeneidade de produtos (os produtos são substitutos
perfeitos entre si); livre entrada e saída (não existem custos especiais que tornam difícil para uma nova
empresa entrar em um setor e produzir ou sair dele se não conseguir obter lucros). Para SIMONSEN e CYSNE
(2007, p. 296) “uma economia competitiva deve reunir um amplo conjunto de empresas atomizadas, cada qual
tratando de maximizar o lucro”.
18

fatores de produção forem multiplicados por “z” o nível de produção também será
multiplicado por “z” [zY = F (zKc, zN)]. Por fim, ao considerar um dos fatores de
produção fixo, a função de produção agregada apresentará rendimentos marginais
decrescentes.
A figura 1 mostra a relação existente entre o nível de produção (eixo
vertical) e o volume de emprego (eixo horizontal), considerando-se constante o
estoque de capital (planta e equipamentos).

Fonte: FROYEN (1999, p. 48).


Figura 1 – Curva de função produção.

.Como o trabalho constitui o único fator de produção variável, a inclinação da


função produção agregada será equivalente ao produto marginal do trabalho
(PMgN). Para MANKIW (2008, p.38), esse termo pode ser definido como “a
quantidade adicional de produção que a empresa obtém a partir de uma unidade
adicional de mão-de-obra, mantendo-se fixa a quantidade de capital”. Em termos de
álgebra, tem-se:
PMgN = F (Kc, N + 1) – F (Kc, N) ou (2)
PMgN = ΔY/ΔN (3)
Onde,
PMgN = Produtividade marginal da mão-de-obra.
19

Fonte: FROYEN (1999, p. 48).


Figura 2 – Curva de produto marginal do trabalho.

A relação exposta pelas figuras 1 e 2, mostra que à medida que o volume de


emprego aumenta, a produção total se eleva, mas a taxas decrescentes. Isso ocorre
devido à lei dos rendimentos marginais decrescentes:

Princípio segundo o qual, conforme a utilização de um insumo


aumenta, com outros insumos mantidos constantes, a produção
adicional a partir de determinado ponto decresce. Quando o insumo
trabalho é pequeno (e o capital é fixo), pequenos incrementos de
insumo trabalho geram substanciais aumentos no volume de
produção [...]. Quando houver funcionários em demasia, alguns se
tornarão ineficientes, e o produto marginal do insumo trabalho
apresentará uma queda. A lei dos rendimentos marginais
decrescentes geralmente aplica-se ao curto prazo, quando pelo
menos um dos insumos permanece inalterado. [...] essa lei é
aplicada a uma tecnologia de produção específica. Ao longo do
tempo, entretanto, as invenções e outros avanços tecnológicos
podem vir a permitir que toda a curva do produto total seja deslocada
para cima, de tal maneira que um maior volume possa ser produzido
com os mesmos insumos (PINDYCK e RUBINFELD, 2006, p. 165)”.

OCIO (1995, p. 19), mostra que David Ricardo ao propor a teoria dos
rendimentos decrescentes, partiu da suposição de que, no curto prazo, o estoque de
capital e a terra, eram fixos e utilizados em sua plenitude. Assim, incrementos na
quantidade de trabalho gerariam adições no produto cada vez menores.
Como, no curto período, grande proporção do nível de produção agregada é
explicada pela utilização do fator trabalho, o custo marginal de uma unidade de
produção adicional corresponde ao custo marginal do trabalho. FROYEN (1999, p.
20

49), afirma que “o custo marginal do trabalho é igual ao salário monetário dividido
pelo número de unidades produzidas por unidade adicional de mão-de-obra”. Ora, o
número de unidades produzidas por unidade adicional de mão-de-obra equivale ao
conceito de produto marginal do trabalho, assim:
CMgN = W/PMgN (4)
Onde,
CMgN = Custo marginal do trabalho.
A condição de maximização de lucro da firma perfeitamente competitiva é:
RMg = P = CMg (5)
CMg = W/PMgN
RMg = P = W/PMgN (6)
P = W/PMgN (7)
W/P = PMgN (8)
A última igualdade (8) constitui uma maneira alternativa de descrever o
equilíbrio da firma em concorrência perfeita. Indica que as firmas contratarão mão-
de-obra até o ponto onde o salário real (W/P) se igualar com o produto marginal do
trabalho (PMgN). Essa igualdade constitui um postulado fundamental da teoria
(neo)clássica. Segundo esse postulado, qualquer meio utilizado para elevar o
volume de emprego, provocará uma redução do produto marginal do trabalho e,
consequentemente, do nível de salário real.

Este é, simplesmente, o reverso da proposição, já bastante


conhecida, segundo a qual a indústria trabalha normalmente sujeita a
rendimentos decrescentes a curto prazo, durante o qual se supõe
que permaneçam constantes o equipamento etc., de modo que o
produto marginal das indústrias de bens de consumo assalariado
necessariamente se reduz à medida que o emprego aumenta
(KEYNES apud MIRANDA, 1991, p. 50, grifo nosso).

A curva de produtividade marginal do trabalho é a curva de demanda por


mão-de-obra. Como a curva do produto marginal do trabalho é negativamente
inclinada, o salário real e a demanda de mão-de-obra estão inversamente
relacionados. Desta forma, quanto maior for o salário real, menor será a demanda
da firma por trabalho, e vice-versa. A função de demanda agregada por trabalho
será:
Nd = g (W/P) (9)
21

A figura 3 mostra a curva de demanda por mão-de-obra, ou seja, uma


relação inversa entre o salário real e o volume de emprego.

Fonte: FROYEN (1999, p. 51).


Figura 3 – Curva de demanda por trabalho de uma firma.

As firmas sob concorrência perfeita demandarão fator trabalho até o ponto


de igualdade entre o salário real e a produtividade marginal do trabalho (ponto A).
Neste ponto, as unidades produtivas conseguem obter o lucro máximo. Com uma
quantidade menor de trabalho, ponto B, o produto marginal do trabalho excede o
salário real, e as firmas podem aumentar seus lucros contratando mais
trabalhadores. O ato de contratar um volume maior de mão-de-obra reduz a
produtividade marginal do trabalho, e o equilíbrio tende a ser restaurado. No ponto
C, o produto marginal do trabalho está aquém do salário real, desta forma, a firma
aumentará os lucros reduzindo o número de trabalhadores. A redução no número de
trabalhadores provocará uma elevação do produto marginal do trabalho, assim,
haverá uma tendência para a retomada do equilíbrio da firma. A exposição acima
indica que um aumento no salário real provocará uma redução na demanda por
trabalho.
A posição da curva de demanda por trabalho dependerá das variáveis que
afetam a posição da função de produção agregada:

A demanda de trabalho refletindo a PMgN é obtida com base na


função de produção. Desse modo, as mesmas variáveis que afetam
a posição da função de produção determinarão a posição da curva
de demanda por trabalho, ou seja, aumentos no estoque de capital
ou melhorias tecnológicas, por exemplo, deslocarão a demanda de
trabalho para a direita, significando que as empresas estarão
22

dispostas a contratar as mesmas quantidades de trabalho a um


salário real mais elevado (LOPES e VASCONCELLOS, 2008, p.
110).

2.3 A OFERTA DE TRABALHO

A dedução da curva de oferta de mão-de-obra constitui uma etapa


fundamental no processo de construção do modelo (neo)clássico para o mercado de
trabalho. Neste processo, o trabalhador apresenta-se como agente econômico
racional que oferta serviços de mão-de-obra para as firmas. Sendo um sujeito
econômico com comportamento racional, o trabalhador toma decisões com base no
objetivo de maximização de utilidade. Conforme OCIO (1995, p. 13), o nível de
utilidade depende tanto do rendimento real, que proporciona ao trabalhador poder
aquisitivo sobre bens e serviços, quanto do lazer. Esta relação de dependência pode
ser representada pela seguinte função utilidade:
U = f (Y, Lz) (10)
Onde,
U = Utilidade total.
Y = Renda real.
Lz = Lazer.
Observando a função utilidade do trabalhador, identifica-se um trade-
off4entre renda e lazer. Essa escolha compensatória ocorre porque o rendimento que
o trabalhador obtém está associado à capacidade que ele possui em ofertar seus
serviços em mão-de-obra. Desta forma, a busca de poder de compra sobre bens e
serviços, implica redução do número de horas que o trabalhador teria para desfrutar
dos benefícios gerados pelo lazer (redução do tempo de descanso, restrições às
possibilidades de novas viagens, limitação do tempo dedicado à família). Dada essa
realidade caracterizada pela escassez e escolhas, “cada trabalhador individualmente
terá que decidir de acordo com suas preferências pessoais, a distribuição de seu
tempo entre trabalho e lazer (OCIO, 1995, p. 13)”.
As preferências do trabalhador podem ser representadas por curvas de
indiferença. Neste caso, as curvas de indiferença mostram as “combinações de
renda e lazer que geram um mesmo nível de satisfação para o trabalhador; portanto,

4
STIGLITZ e WALSH (2003, p. 10) definem o termo Trade-off como uma realidade onde “ter mais de uma
coisa implica ter menos de outra coisa”. Afirmam que o Trade-off é conseqüência da escassez.
23

numa curva especificamente considerada, ele é indiferente às combinações renda-


lazer apresentadas (FROYEN, 1999, p. 52)”. A inclinação da curva de indiferença
fornece a taxa marginal de substituição (TMS) entre lazer e renda (TMS = ΔLz/ΔY).
Essa taxa mostra o montante adicional de renda que o trabalhador teria que receber
para renunciar a uma unidade de lazer, de tal forma que o manteria na mesma curva
de indiferença. “Cada ponto de uma curva de indiferença indica, através da
inclinação da curva neste ponto, a relação de substituição de uma unidade de
tempo, uma hora, por exemplo, pela remuneração exigida – salário/hora requerido –
(OCIO, 1995, p. 13)”.
A figura 4 mostra a escolha que o trabalhador faz entre renda e lazer de
modo a obter o máximo de satisfação, ou seja, ilustra o problema de maximização
de utilidade. O eixo horizontal representa as horas diárias de trabalho. As horas de
trabalho são medidas da direita para a esquerda, começando no ponto zero, até o
máximo de vinte e quatro horas. No eixo vertical está representada a renda real,
obtida pela multiplicação do salário real pela quantidade de horas trabalhadas. As
linhas U1, U2 e U3 são as curvas de indiferença. A restrição orçamentária
enfrentada pelo trabalhador é mostrada pelas retas que originam no ponto zero
(ponto onde o trabalhador dedica-se todo o tempo disponível ao lazer). A inclinação
da linha orçamentária é o salário real. “Quanto mais alto o salário real, mais
inclinada será a linha orçamentária, o que reflete o fato de que, a um salário real
maior, se aumentarmos a jornada de trabalho em uma unidade, obteremos um
acréscimo maior à renda do que teríamos a um salário real menor (FROYEN, 1999,
p. 53)”.

Fonte: FROYEN (1999, p. 53).


Figura 4 – O trade-off renda-lazer.
24

O objetivo do trabalhador é escolher uma combinação entre renda e lazer


localizada na curva de indiferença mais alta possível, pois quanto mais elevada for a
curva de indiferença maior será o nível de satisfação. Entretanto, o trabalhador
enfrenta uma restrição, representada pelas linhas orçamentárias. Desta forma, para
maximizar a utilidade, o indivíduo terá que optar pelo ponto de tangência entre a
curva de indiferença e a linha orçamentária.

Cada ponto de tangência das linhas de orçamento com as curvas de


indiferença tem a propriedade de definir a melhor distribuição
possível do tempo disponível de cada trabalhador para cada
montante de salário real, poderíamos dizer que neste ponto de
tangência, o salário desejado para abrir mão do lazer é exatamente o
de mercado, e a projeção do mesmo sobre o eixo das abscissas
determinará a quantidade de trabalho em horas/dia [...]. Portanto,
dado o salário real de mercado, determinado endogenamente pela
oferta e demanda de trabalho, cada trabalhador fará sua escolha
entre trabalho e lazer, optando pela quantidade de horas/dia de
trabalho que lhe permita atingir a curva de indiferença mais elevada
(OCIO, 1995, p. 14).

A um salário real de 2,0 o trabalhador estará em melhor situação no ponto A,


onde a TMS é exatamente igual ao salário real, isto é, a inclinação da curva de
indiferença U1 é igual à inclinação da linha orçamentária correspondente ao salário
real igual a 2,0. No ponto A, o trabalhador ofertará seis horas/dia de serviços de
mão-de-obra e terá uma renda real igual a doze. Nesta combinação, dedicará
dezoito horas/dia ao lazer. Ao salário real igual a 3,0 o trabalhador estaria disposto a
abrir mão de duas horas de lazer, ou seja, passaria a trabalhar oito horas/dia. Ao
salário real igual a 4,0 o trabalhador estará adquirindo satisfação máxima se decidir
pela combinação representada no ponto C. Nesta combinação, o indivíduo
trabalhará nove horas/dia e obterá uma renda de trinta e seis, porém terá seu tempo
de lazer reduzido para quinze horas/dia.
Verifica-se que a oferta de trabalho está diretamente relacionada com o
salário real, ou seja, quanto maior o salário real maior a disposição do trabalhador
de substituir tempo de lazer por horas adicionais de trabalho. Esse comportamento
do trabalhador “reflete o princípio da desutilidade marginal do trabalho crescente,
isto é, o trabalhador padrão somente estará disposto a trocar tempo de lazer por
trabalho, se as unidades adicionais de tempo de trabalho aferecerem remuneração
crescente (OCIO, 1995, p. 13)”. A relação positiva entre a oferta de trabalho
individual e o salário real fornece a função oferta de mão-de-obra individual. A
25

agregação das ofertas de trabalho individuais para cada valor do salário real resulta
na função oferta agregada de mão-de-obra:
Ns = g (W/P) (11)
Onde,
Ns = Oferta de trabalho.
W/P = Salário real.
A figura 5 retrata a curva de oferta de trabalho. Segundo PERES NUNES e
COSTA NUNES (1997, p. 106-107), a curva de oferta de trabalho baseia-se “no
segundo postulado5, de acordo com o qual os trabalhadores ofertariam seu trabalho
até o ponto em que a utilidade do lazer fosse igual à utilidade marginal
proporcionada pelo salário. Assim, os pontos ao longo da curva indicariam, para
cada salário, o máximo de horas destinadas ao trabalho”. Os pontos A, B e C da
curva refletem as condições de satisfação máxima mostradas no gráfico 5, ou seja,
salários reais maiores, implicam maior oferta de trabalho.
A curva de oferta de trabalho possui inclinação positiva; supõe-se que uma
elevação do salário real, aumenta o custo de oportunidade do tempo dedicado ao
lazer. Quanto maior esse custo, maior será o desejo do trabalhador de ofertar seus
serviços de mão-de-obra. Esse contexto é equivalente ao conceito de efeito
substituição da microeconomia. Além do efeito substituição, o aumento do salário
real gera também um outro efeito, denominado de efeito renda. Segundo esse efeito,
a níveis elevados de salário real, “o lazer pode se tornar mais desejável
comparativamente a novos aumentos na renda (FROYEN, 1999, p. 54)”. “Assim, a
inclinação da oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos é predominante,
pois uma elevação do salário real tende pelo efeito substituição a ampliar a oferta de
trabalho, mas pelo efeito renda tende a diminuir (LOPES e VASCONCELLOS, 2008,
p. 111)”.
A partir de determinado ponto o trabalhador decidirá trabalhar um número
menor de horas/dia, priorizando o tempo direcionado ao lazer. Neste ponto, o efeito
renda supera o efeito substituição. Neste sentido, a curva de oferta de trabalho
adquire uma inclinação negativa, ou seja, “curva-se para trás, na direção do eixo
vertical (FROYEN, 1999, p. 55)”.

5
Keynes no capítulo dois do Livro Primeiro da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda descreve o
segundo postulado fundamental da teoria (neo)clássica da seguinte forma: “A utilidade do salário, quando se
emprega determinado volume de trabalho, é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego
(KEYNES, 1982, p. 25)”.
26

Fonte: FROYEN (1999, p. 53).


Figura 5 – Curva de oferta de trabalho.

2.4 O EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO

Nos tópicos anteriores foram deduzidas as seguintes relações de


dependência:
1. Y = F (Kc, N, T) – Função de produção agregada.
2. Nd = g (W/P) – Função demanda agregada por mão-de-obra.
3. Ns = g (W/P) – Função oferta agregada de mão-de-obra.
Essas relações, em conjunto, determinam o equilíbrio no mercado de
trabalho. Em equilíbrio a oferta de trabalho iguala-se com a demanda por trabalho
(salário real igual à desutilidade marginal do trabalho), determinando o volume ótimo
de emprego e o salário real de equilíbrio6. Assim, o salário real e o volume de
emprego apresentam-se como variáveis endógenas7 ao modelo. Para OCIO (1995,
p. 51), “os princípios que regulam o mercado de trabalho e garantem seu equilíbrio
são: a perfeita flexibilidade de preços e salários, a total mobilidade da mão-de-obra e
o acesso imediato dos agentes às informações relevantes”.

6
“Ao salário real de equilíbrio todos que estejam dispostos a trabalhar obterão emprego (LOPES e
VASCONCELLOS, 2008, p. 113)”.
7
Segundo MANKIW (2008, p. 6), variáveis endógenas podem ser conceituadas como aquelas “variáveis que o
modelo tenta explicar”.
27

A figura 6 mostra que a interseção das curvas de oferta agregada de


trabalho e demanda agregada por trabalho, determinam o volume de emprego e o
salário real compatíveis com o equilíbrio no mercado de trabalho.

Fonte: FROYEN (1999, p. 56)


Figura 6 – Equilíbrio no mercado de trabalho.

Para FROYEN (1999, p. 56) qualquer valor do salário real superior ao de


equilíbrio (W/P)* gerará um excesso de oferta de trabalho (desemprego). O
desequilíbrio entre demanda e oferta de mão-de-obra será de caráter transitório,
pois o excesso de oferta de trabalho provocará pressões no mercado, de tal forma,
que o salário real tenderá a ser reduzido ao nível do salário real de equilíbrio,
restaurando, assim, o pleno emprego da mão-de-obra. Para níveis salariais menores
que o salário real de equilíbrio, haverá um excesso de demanda por mão-de-obra
(superemprego). Como a demanda excede a oferta de trabalho, o salário real
tenderá a ser elevado ao nível do salário de equilíbrio, eliminando o distúrbio no
mercado de trabalho. “Portanto, a flexibilidade de preços e salários, ao igualar a
produtividade marginal do trabalho, a desutilidade marginal do mesmo e o salário
real, permite obter o pleno emprego (OCIO, 1995, p. 15)”.
28

2.4.1 O Desemprego Clássico

O equilíbrio macroeconômico alcançado através dos postulados


(neo)clássicos é equivalente ao equilíbrio de pleno emprego. Neste equilíbrio, o
desemprego registrado pode ser classificado como desemprego friccional e /ou
desemprego voluntário. O desemprego friccional decorre da baixa flexibilidade da
mão-de-obra. MANKIW (2008, p. 121) define desemprego friccional como “o tempo
necessário para que os trabalhadores procurem um emprego”. Segundo o autor, o
desemprego friccional é inevitável em uma economia dinâmica, sendo agravado por
algumas políticas públicas como é o caso do seguro-desemprego.

Sob a égide desse programa, trabalhadores desempregados podem


continuar recebendo uma fração de seus salários por um
determinado período depois de terem perdido seus empregos. Por
amenizar as dificuldades econômicas do desemprego, o seguro-
desemprego aumenta a quantidade de desemprego friccional e eleva
a taxa natural. O desempregado que recebe os benefícios do seguro-
desemprego é menos pressionado a procurar um novo emprego, e
tem mais probabilidade de rejeitar ofertas de emprego que não sejam
muito atraentes (MANKIW, 2008, p. 121).

O desemprego voluntário ocorre quando algumas unidades de mão-de-obra


recusam ofertar trabalho ao salário equivalente à produtividade marginal do trabalho.
Isso ocorre “em decorrência da legislação ou dos costumes sociais, ou de um
entendimento para contrato coletivo de trabalho, ou, ainda, da lentidão em adaptar-
se às mudanças ou, simplesmente, e, conseqüência da obstinação humana
(KEYNES, 1982, p. 25)”.
29

3 TEORIA DE KEYNES SOBRE O EMPREGO

3.1 A REVOLUÇÃO KEYNESIANA: CRÍTICA AOS POSTULADOS “CLÁSSICOS”

Ao publicar A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda em 1936,


endereçando-a a seus “colegas economistas”, Keynes inaugurou uma série de
debates e polêmicas que culminaram no que se convencionou chamar de revolução
keynesiana. Essa revolução aconteceu, pois Keynes objetivou descrever uma
economia monetária da produção, enfatizando aspectos desprezados pelo
pensamento econômico convencional, como: incerteza, o tempo histórico,
expectativas e a moeda como reserva de valor. Neste sentido, concebe o sistema
econômico como intrinsecamente instável e, posteriormente, esforça-se na direção
de identificar a causa dessa instabilidade.

A teoria almejada por mim trataria [...] de uma economia na qual a


moeda tem um papel próprio, afeta os motivos e decisões e é, em
suma, um fator operante na situação (econômica), de modo que o
curso dos eventos não pode ser previsto, nem no longo período nem
no curto, sem um conhecimento do comportamento da moeda, do
estágio inicial ao final. É isso que queremos dizer quando falamos
em economia monetária (KEYNES apud DAVIDSON, 2003, p. 19).

Além de promover uma revolta no pensamento econômico incorporando em


seu arcabouço teórico-analítico elementos desprezados pela abordagem
convencional, Keynes também fomentou a ruptura do paradigma (neo)clássico
visando descrever os fatos econômicos não explicados por esse paradigma. Assim,
“desenvolveu um modelo teórico condizente com o contexto histórico-econômico do
período entre as duas Grandes Guerras (BARRÉRE, 1961, p. 35)”. Ou seja,
espelhava-se nas características do capitalismo contemporâneo.
O sistema econômico capitalista da primeira metade do século XX foi
marcado pela emergência de “sistemas de regulamentação e coação, de alterações
monetárias, monopólios, competições de grupos e de fechamento de mercados
(BARRÉRE, 1961, p. 28)”. O capitalismo, neste período, apresentou-se como um
capitalismo evoluído, distinto daquele que prevaleceu durante o século XIX, sobre o
qual raciocinavam os economistas (neo)clássicos. Assim, o mercado de
concorrência perfeita fora substituído por mercados de concorrência imperfeita
30

(oligopólios, concorrência monopolista) e a liberdade econômica perdeu sua


intensidade.
Para BARRÉRE (1961), Keynes observando o cenário econômico do
capitalismo transformado, modelou o seguinte finalismo para sua teoria: desenvolver
um instrumental teórico-analítico que representasse o sistema econômico capitalista
da primeira metade do século XX, objetivando preservar o individualismo liberal e
“salvaguardar o futuro do capitalismo (BARRÉRE, 1961, p. 34)”. Neste sentido,
Keynes ressalta a necessidade de promover uma revisão da teoria (neo)clássica,
substituindo alguns elementos não passíveis de serem utilizados para explicar os
fatos da experiência.
Tal finalismo concretizou-se em sua principal obra, onde as idéias expostas
apresentaram-se como elementos contestadores do paradigma (neo)clássico, pois
buscavam legitimar a substituição dos postulados e a rejeição dos princípios então
dominantes. A revolução keynesiana “forneceu os fundamentos lógicos de um
modelo que negava a lei de Say e se relacionava mais de perto com o mundo real
em que vivemos (DAVIDSON, 2003, p. 4)”.
Segundo VIEIRA e FERNÁNDEZ (2006) a revolução keynesiana se encaixa
na estrutura kuhniana de evolução da ciência econômica, ou seja, representa o
surgimento de um novo paradigma substituidor do paradigma (neo)clássico. Para os
autores, a ruptura com os dogmas clássicos ocorreu a partir da
reformulação/refutação dos seguintes elementos: rompe-se com a lei de Say; o
papel da moeda é completamente revisto; rompe-se com a dicotomia clássica; o
mecanismo de correção automática de mercado não funcionaria; há um papel para o
governo como garantidor da procura efetiva; rompe-se a crença de que a melhor
forma de gerir a política pública seja buscar o equilíbrio orçamentário.
Vale ressaltar que Keynes contestou a lei de Say por intermédio do Princípio
da Demanda Efetiva, “definido pelo ponto onde a procura global é igual à oferta
global (MISSIO e OREIRO, 2007, p. 2-3)”, enfatizando a importância da demanda
agregada na determinação das variáveis econômicas reais como o produto e
emprego. Na visão keynesiana, o desemprego generalizado do decênio 1930 foi
conseqüência do nível inadequado de demanda efetiva. Como a demanda do setor
privado (consumo dos domicílios e investimento das firmas) não conseguia absorver
a produção total, o Estado deveria intervir através de políticas econômicas
expansionistas para estimular a economia.
31

Visando promover a total refutação do paradigma vigente até então, Keynes


denominou sua teoria de “análise geral”, contrastando seus argumentos e
conclusões com os da teoria (neo)clássica. Além disso, Keynes chama a atenção
para o aspecto metodológico empregado na Teoria Geral: “desejo explicitar que
minha principal preocupação é com o sistema econômico como um todo – com
rendas agregadas, lucros agregados, produto agregado, emprego agregado,
investimento agregado e poupança agregada (KEYNES apud HARCOURT, 1989, p.
48)”.

A aspiração de Keynes à generalidade no título da Teoria Geral e


seu desejo maior no sentido de revolucionar o assunto baseiam-se
na capacidade de sua teoria para explicar o emprego e o
desemprego, enquanto a teoria pré-keynesiana é compatível apenas
com posições nas quais todos os trabalhadores que querem
trabalhar estão empregados (CHICK, 1989, p. 35).

Para KEYNES (1982, p. 32-33) “os teóricos da escola clássica são


comparáveis aos geômetras euclidianos em um mundo não euclidiano, os quais,
descobrindo que, na realidade, as linhas aparentemente paralelas se encontram
com muita freqüência, as criticam por não se conservarem retas”. Nesta passagem,
Keynes ressalta que o arcabouço (neo)clássico é compatível somente com o
equilíbrio de pleno emprego, condição na qual o desemprego registrado é de
natureza voluntária e/ou friccional e as curvas de oferta agregada e de demanda
agregada são coincidentes. Assim, o autor mostra que a ciência econômica reclama
uma medida na qual se desenvolveria teorias que rejeitassem o postulado de
ajustamento automático, elaborando, assim, uma “geometria não euclidiana”.
Neste sentido, o autor reduz o arsenal teórico dos economistas partidários
da Lei de Say à um caso especial, ou seja, a condição de equilíbrio macroeconômico
de pleno emprego. Desta forma, Keynes propunha uma teoria capaz de descrever a
economia tanto na condição de plena utilização dos fatores de produção quanto na
condição de subemprego dos fatores. Argumentando que

os postulados da teoria clássica se aplicam apenas a um caso


especial e não ao caso geral, pois a situação que ela supõe acha-se
no limite das possíveis situações de equilíbrio. Ademais, as
características desse caso especial não são as da sociedade
econômica em que realmente vivemos, de modo que os
ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se
tentássemos aplicar as suas conclusões aos fatos da experiência
(KEYNES, 1982, p.23).
32

BARRÉRE (1961, p. 36) reforça esse argumento expondo dois objetivos


visados por Keynes:
a) em primeiro lugar, criticar o sistema teórico tradicional, sublinhando suas
duas insuficiências capitais: sua incapacidade para explicar a formação
do equilíbrio, quando o pleno emprego da mão-de-obra disponível não se
realiza;
b) seu segundo objetivo estava, assim, delineado: reconstruir o esquema
interpretativo dos clássicos, apresentando uma teoria “geral” e, além
disso, integrar a ação da moeda e do tempo na determinação do
equilíbrio econômico.
DAVIDSON (2003, p. 5) ressalta três axiomas rejeitados por Keynes, quais
sejam: axioma da substituição bruta, axioma dos reais e axioma do mundo
econômico ergódico. O axioma da substituição bruta é a suposição de que um bem
qualquer pode ser substituído por outro. Por exemplo, se o preço do bem x aumenta,
a demanda será deslocada para o bem substituto y. O axioma dos reais ressalta a
neutralidade da moeda, ou seja, implica que a moeda afeta unicamente as
magnitudes nominais, como o nível de preços e os salários monetários. Por fim, o
axioma do mundo econômico ergódico “implica a possibilidade de conhecimento dos
eventos futuros, mediante estimação estatística, a partir das informações passadas
e presentes coletadas via sistema de preços (DAVIDSON apud MOREIRA, 2005, p.
6)”.
Para DAVIDSON (2003, p. 6), Keynes após rejeitar os princípios
fundamentais do arcabouço teórico (neo)clássico, evidenciou as seguintes
características do mundo real, ou seja, de uma economia monetária da produção:
a) a moeda importa nos prazos curto e longo, isto é, não é neutra – ela
afeta a tomada de decisões relativas às variáveis reais;
Para Keynes todos os ativos líquidos não produzíveis, incluindo a moeda,
possuem duas propriedades essenciais: elasticidade de produção nula e
elasticidade de substituição entre todos os ativos líquidos em relação aos bens
produzíveis igual a zero. A não-produzibilidade dos ativos líquidos decorre do fato de
que a moeda, por exemplo, não pode ser produzida pelo uso do fator trabalho no
setor privado. A segunda propriedade implica que não há substituição bruta
significativa entre ativos líquidos não produzíveis e os produtos da indústria.
33

As características fundamentais da moeda permitem fazer a seguinte


analogia. Suponha que os agentes econômicos dão maior preferência pela liquidez
(aumento na demanda por moeda) devido à maior predominância de incerteza em
relação ao futuro. O aumento na demanda por moeda, resultará em elevação dos
preços dos ativos líquidos não produzíveis. Como a elasticidade de substituição
entre ativos líquidos e não líquidos é nula, a demanda por liquidez não será
desviada para a demanda por bens e serviços. Além disso, o aumento na demanda
por moeda não estimulará a produção da moeda mediante maior utilização do fator
trabalho no setor privado, ou seja, a elasticidade de produção da moeda é nula.
Assim pode-se afirmar que “enquanto os proprietários de riqueza desejarem reservar
valor em ativos líquidos cujas elasticidades de produção e de substituição podem ser
muito baixas, o equilíbrio com desemprego é possível, independente do grau de
flexibilidade de preços no sistema (DAVIDSON, 1999, p. 55)”.
b) o sistema econômico move-se, ao longo do tempo, de um passado
irrevogável para um futuro incerto; as especificações de importantes
séries históricas de variáveis monetárias são geradas por circunstâncias
não-ergódicas; por isso, os agentes econômicos sabem que o futuro não
é necessariamente previsível em nenhum sentido probabilístico;
c) contratos futuros expressos em termos monetários são uma instituição
humana desenvolvida para organizar eficientemente processos de
produção e de troca, os quais têm uma dimensão temporal. O contrato
salário-monetário é o mais universal desses contratos regidos pelas leis
da eficiência econômica; as economias modernas são, pois, um sistema
baseado em contratos de salário-monetário;
d) o desemprego, mais do que o emprego, é uma situação comum numa
economia monetária orientada pelas leis de mercado.
Na busca de uma explicação consistente para as altas taxas de desemprego
registradas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América na primeira metade
do decênio 19308, Keynes realiza uma crítica interna aos postulados da teoria
tradicional. Para atingir esse fim, o autor aceita alguns elementos intrínsecos à

8
A taxa de desemprego subiu de 3,2% da força de trabalho, em 1929, para 25,2% da força de trabalho, em 1933,
o ponto mais baixo da atividade econômica durante a Depressão. O desemprego permaneceu acima de 10%
durante toda a década. A taxa de desemprego na Grã-Bretanha já era de 10% em 1923 e, exceto por uma breve
redução para 9,8%, permaneceu acima de 10% até 1936, ano em que A Teoria Geral foi publicada (FROYEN,
1999, p. 88).
34

análise (neo)clássica, tais como: concorrência perfeita, função de produção


(neo)clássica, lei dos rendimentos marginais decrescentes. “Se, de um lado, isto
pode ser empiricamente criticável, do outro era necessário provar que mesmo
mantendo as hipóteses da teoria ‘clássica’ não era possível aceitar suas conclusões
(PERES NUNES e COSTA NUNES, 1997, p. 110)”.
No capítulo segundo da Teoria Geral, Keynes denominou a teoria
(neo)clássica de análise “simples e óbvia”, admitindo que a mesma baseia-se nos
dois postulados fundamentais que se seguem: o salário é igual ao produto marginal
do trabalho e a utilidade do salário, quando se emprega determinado volume de
trabalho, é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego.
Observa-se que Keynes coloca em evidência os postulados da economia ‘clássica’
referentes às taxas salariais. Para HANSEN (1987, p. 35-36), Keynes age dessa
maneira, pois “na análise (neo)clássica o ajuste da taxa salarial constituía um
mecanismo essencial através do qual se supunha que funcionasse a lei de Say”.
O primeiro postulado do sistema teórico (neo)clássico, na visão de Keynes,
corresponde à teoria dos salários pela produtividade marginal. Sabe-se que,
supondo como constantes a organização, o equipamento e a técnica, o produto
marginal do fator trabalho relaciona-se inversamente com o volume de emprego, isto
é, com o aumento no volume de emprego o produto marginal do trabalho diminui.
Esse resultado é conseqüência da lei dos rendimentos marginais decrescentes.
Como o salário real é determinado pela produtividade marginal do trabalho, um
aumento no volume de emprego, em condições de equilíbrio, diminui o produto
adicional por unidade extra de mão-de-obra e, consequentemente, reduz o salário
real.
Keynes aceita como válido o primeiro postulado, ou seja, a igualdade entre o
salário real e a produtividade marginal do trabalho, definindo-o através do seguinte
contexto:

[...] o salário de uma pessoa empregada é igual ao valor que se


perderia se o emprego fosse reduzido de uma unidade (após a
dedução de quaisquer outros custos que essa redução evitaria), com
a restrição de que a igualdade pode ser afetada, de acordo com
certos princípios, pela imperfeição da concorrência e dos mercados
(KEYNES, 1982, p. 25).

O segundo postulado, ou seja, a igualdade entre o salário real e a


desutilidade marginal do trabalho, condição de fundamentação da curva de oferta de
35

trabalho, é contestado por Keynes. Segundo esse postulado, os trabalhadores


recusariam ofertar seus serviços em mão-de-obra todas as vezes que o salário real
fosse inferior ao salário real corrente (utilidade do salário menor que a desutilidade
marginal do trabalho, ou seja, desprazer do trabalho).

Esse postulado é compatível com o que se pode chamar


desemprego “friccional”, pois uma interpretação realista do mesmo
permite, com plena justificação, conciliar certa imperfeições de
ajustamento que impedem um estado contínuo de pleno emprego,
como, por exemplo, o desemprego em razão de uma temporária
desproporção dos recursos especializados, resultante de cálculos
errados ou da procura intermitente, ou de atrasos decorrentes de
mudanças imprevistas, ou, ainda, do fato de que a transferência de
um emprego para outro não se realiza sem certa demora, de modo
que, numa sociedade não estática, sempre existe certa proporção de
recursos não empregados “entre um trabalho e outro”. Além do
desemprego “friccional”, o postulado é ainda compatível com o
desemprego “voluntário”, em razão da recusa ou incapacidade de
determinada unidade de mão-de-obra em aceitar uma remuneração
equivalente à sua produtividade marginal, em decorrência da
legislação ou dos costumes sociais, da lentidão em adaptar-se às
mudanças ou, simplesmente, em conseqüência da obstinação
humana. Os postulados clássicos não admitem a possibilidade de
uma terceira categoria de desemprego [...] o desemprego
“involuntário” (KEYNES, 1982, p. 25, grifo nosso).

O segundo postulado da economia “clássica” pressupõe a existência de


uma correlação positiva entre o salário real e o salário nominal. Isso significa que
quando o salário nominal aumenta, o salário real cresce e quando o salário nominal
diminui, o salário real decresce. Além disso, postula que o salário real seja
determinado mediante negociações salariais entre trabalhadores e empregadores.
Desta forma, assinala que a mão-de-obra possui capacidade de promover
alterações no salário real a partir da aceitação de alterações na magnitude do
salário nominal.
Keynes levanta duas objeções contra o segundo postulado da teoria
(neo)clássica. A primeira refere-se ao comportamento efetivo do trabalhador.
Segundo KEYNES (1982, p. 30) “uma redução dos salários reais, devida a uma alta
de preços, não acompanhada da elevação dos salários nominais, não determina,
por via de regra, uma diminuição da oferta de mão-de-obra”. A segunda objeção
decorre da refutação do contexto no qual a mão-de-obra possui capacidade de
atingir o salário real, ou seja, de que o salário real é determinado mediante
negociações salariais entre trabalhadores e empregadores. Para Keynes, nas
36

negociações entre mão-de-obra e capitalistas determina-se o salário nominal, não o


real e, além disso, o autor ressalta que os trabalhadores resistem a reduções no
salário nominal.

Embora se julgue, frequentemente, que a luta entre indivíduos e


grupos pelos salários nominais determina o nível geral dos salários
reais, na realidade essa luta tem um objetivo diferente. Uma vez que
a mobilidade do trabalho é imperfeita e os salários não tendem a
estabelecer uma exata igualdade de vantagens líquidas para as
diferentes ocupações, qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos que
consinta numa redução dos seus salários nominais em relação a
outros sofre uma redução relativa do salário real, o que é suficiente
para justificar a sua resistência (KEYNES, 1982, p. 31).

DATHEIN (2000, p. 108) mostra seis argumentos utilizados por Keynes para
contrapor ao segundo postulado “clássico”:
a) segundo a teoria neoclássica, se a DMgN (desutilidade marginal do
trabalho) fosse superior à UMgN (utilidade marginal do trabalho) haveria
desemprego voluntário. Os trabalhadores desempregados estariam tendo
um prazer com seu lazer superior ao desprazer do trabalho ao salário
real vigente. Keynes argumenta que, se isto fosse verdade, os
trabalhadores não estariam reclamando da situação, como de fato
acontece. Ou seja, no mundo real, os desempregados estão sofrendo,
não tendo prazer. Eles querem trabalhar, mas não têm controle sobre o
salário real;
b) para a teoria (neo)clássica, o salário real determina o nível de emprego, o
que envolve um raciocínio circular, segundo Keynes, pois os salários
reais dependem dos preços, e estes dependem de custos que são uma
função do emprego (dados rendimentos decrescentes);
c) segundo a visão (neo)clássica, os trabalhadores aceitariam reduções de
salários nominais, o que também não corresponderia à realidade, pois
ocorre resistência a estas reduções, apesar de que pequenos aumentos
de preços são assimilados, sendo que um objetivo normalmente buscado
é o de manutenção de salários reais relativos constantes;
d) Keynes também argumenta que, se ocorrer aumento de emprego por
queda de salários reais (com salários nominais constantes e preços
maiores), isto estaria a indicar que antes havia desemprego involuntário.
Se este desemprego fosse voluntário, a queda dos salários reais não
37

poderia ter elevado o emprego, segundo a teoria (neo)clássica. De outra


parte, a afirmação de que uma queda de salários reais levaria ao
abandono de empregos não é razoável em situações de desemprego;
e) um quinto argumento é de que não são os trabalhadores que controlam
seus salários reais e, portanto, eles não conseguem fazer a sua DMgN
se igualar à UmgN. Os salários reais dependem do nível do custo de
vida, o qual é determinado por fatores exógenos ao mercado de trabalho.
Os salários nominais, por outro lado, são fixados ou pelas empresas, ou
são determinados em negociações coletivas. De outra parte, os
trabalhadores empregados não têm interesse em baixar seus salários
reais para aumentar o emprego, enquanto os desempregados não
possuem poder para isto.
f) por fim, Keynes argumenta que reduções de salários nominais levam a
conflitos que não interessam às empresas, além de implicarem custos de
demissão, contratação e treinamento para o caso de troca de
empregados.

3.1.1 Causalidade entre Salários Reais e Nível de Emprego: Um Estudo de Edward


J. Amadeo

Segundo AMADEO (1986), a visão de que existe uma correlação entre o


salário real e o nível de emprego tornou-se ponto consensual entre as escolas do
pensamento econômico. Entretanto, no que diz respeito à causalidade da relação
identifica-se um absoluto desacordo.
Na análise realizada pelos economistas de tradição “clássica”, observa-se
que o sentido da causalidade vai do salário real para o volume de emprego. Ou seja,
pressupõe que os trabalhadores possuem capacidade de determinar o salário real,
assim, por exemplo, se objetivassem reduzir o salário real, bastava aceitarem uma
queda no salário nominal, uma vez que, para a economia (neo)clássica existe
sincronização perfeita entre o salário real e o salário nominal. A redução do salário
real mediante queda do salário nominal resultar-se-ia em um aumento do volume de
emprego. “São os salários reais que, ao serem determinados no mercado de
trabalho, estabelecem as condições de otimização (equilíbrio) de trabalhadores e
firmas, definindo o nível de emprego (AMADEO, 1986, p. 137)”.
38

Por outro lado, na Teoria Geral, Keynes argumenta que a demanda efetiva
determina o volume de emprego, que, por sua vez, determina o salário real. Assim,
qualquer meio utilizado para elevar o nível de demanda efetiva, conduzirá a um
aumento no volume de emprego. Como o volume de emprego está inversamente
relacionado com a produtividade marginal do trabalho, um aumento em sua
magnitude resultará em queda na quantidade de unidades adicionais de produto por
unidade extra de mão-de-obra. Sabe-se que o salário real é determinado pelo
produto marginal do trabalho, desta forma, um aumento no volume de emprego,
diminui a produtividade marginal do trabalho, reduzindo o salário real. Observa-se
“que a correlação, segundo Keynes, vai do nível de emprego para os salários reais
(AMADEO, 1986, p.133)”.
AMADEO (1986) ressalta que para Keynes o salário nominal é definido no
processo de negociação entre trabalhadores e empresas. Mas o salário real
depende tanto do salário nominal quanto do nível de preços da cesta de consumo
dos trabalhadores. E esse depende, segundo Keynes, do custo primário marginal,
cujos determinantes são o preço unitário dos fatores variáveis (força de trabalho,
matérias-primas e energia) e a produtividade dos fatores.
Em sua análise, AMADEO (1986), supõe como único fator variável a força
de trabalho. Neste sentido, o nível de preços da cesta de consumo dos
trabalhadores passa a depender da taxa de salário nominal e da produtividade do
trabalho. Para explicar a causalidade existente entre o salário real e o nível de
emprego segundo os argumentos de Keynes, AMADEO (1986), faz a seguinte
esquematização:

(1) (2)
A O P
(3) W/P
W
Fonte: AMADEO (1986, p. 135).

Onde,
A = Gastos autônomos;
O = Produto;
39

W = Salário Nominal;
P = Nível de preços;
(1) = Corresponde ao funcionamento do multiplicador;
(2) = Corresponde ao efeito do nível de produto sobre o nível de preço de acordo
com a hipótese de rendimentos marginais;
(3) = Corresponde ao eventual efeito do nível de produção sobre a demanda de
trabalho e fixação do salário nominal.
A esquematização acima indica que um aumento nos gastos autônomos (A)
provoca uma elevação no produto (O) e, consequentemente, no volume de
emprego. O aumento no volume de emprego resulta em uma queda na
produtividade marginal do trabalho, devido à lei dos rendimentos marginais
decrescentes. A redução no produto marginal do trabalho conduz a uma diminuição
do salário real.

3.2 UMA NOVA TEORIA DO EMPREGO

Ao elaborar a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, Keynes


demonstrou que o nível geral de emprego não era determinado no mercado de
trabalho e, que, portanto, o desemprego não era conseqüência do excesso de
salário real sobre a produtividade marginal do trabalho. Para Keynes o volume de
emprego era definido no mercado de bens e serviços, especificamente, no ponto de
interseção das funções de demanda agregada e oferta agregada. Neste sentido, o
desemprego, de natureza involuntária, era resultado de uma insuficiência de
demanda efetiva. BARRÉRE (1961, p. 158) mostra que a procura efetiva insuficiente
gera um equilíbrio com subemprego, onde:

[...] o volume do emprego é inferior à oferta de trabalho, [...], ou seja,


a presença, no mercado de trabalho, de indivíduos que desejam em
vão trabalhar por um salário igual ou inferior ao corrente, porque este
é superior à desutilidade marginal do volume de equilíbrio do
emprego.

Para demonstrar o equilíbrio no mercado de bens e serviços ou,


equivalentemente, o volume de emprego de equilíbrio, Keynes lança mão de duas
funções fundamentais: a função de oferta agregada e a função de demanda
agregada. A primeira função “relaciona as receitas de vendas esperadas pelos
40

empresários com o volume de emprego a ser contratado por eles para cada volume
esperado de receitas de vendas (DAVIDSON, 2003, p. 7)”. A segunda função
“relaciona os fluxos de gastos desejados pelos consumidores para cada nível
observado de emprego (DEVIDSON, 2003, p. 7)”.
Essas relações funcionais podem ser expressas da seguinte forma:
1. Z = Φ (N) (12)
Onde,
Z = Oferta agregada.
N = Volume de emprego.
Na figura 7 a função de oferta agregada é traçada com inclinação
ascendente, indicando uma correlação positiva entre a receita esperada de vendas e
o volume de emprego. Ou seja, quanto melhores forem as previsões dos
empresários relativas às receitas de vendas – quanto maiores forem os lucros
esperados – maior será a propensão desses empresários a contratar quantidades
adicionais de trabalho (maior será o volume de emprego).

Fonte: DAVIDSON (2003, p. 8)


Figura 7 – Função de Oferta Agregada

2. D = f (N) (13)
Onde,
D = Demanda agregada.
41

N = Volume de Emprego.
A figura 8 mostra a função de demanda agregada. Essa função, com
inclinação positiva, indica que quanto maior o volume de emprego, maior a
propensão dos consumidores a gastar com bens e serviços ofertados pelas
unidades produtivas. Para BARRÉRE (1961, p. 257), “a curva deve inclinar-se para
a direita, pois à medida em que a produção global aumenta, a satisfação das
necessidades tende à saturação, ocasionando, pois, flexão relativa das receitas”.

Fonte DAVIDSON (2003, p. 8).


Figura 8 – Função de Demanda Agregada.

As funções de oferta e de demanda agregadas podem ser plotadas em um


mesmo sistema cartesiano para determinar a posição de equilíbrio do mercado de
trabalho. Na figura 9 está representada a estrutura básica da teoria de Keynes sobre
o emprego. Nesta estrutura é válido o princípio da procura efetiva, segundo o qual a
demanda agregada constitui o determinante do volume de emprego. “O princípio da
demanda efetiva afirma que o emprego é determinado não no mercado de trabalho,
mas pelos custos de produção (incluindo os salários), expressos na função Z, e pela
demanda esperada pelos produtos, expressa na função D (CHICK apud DATHEIN,
2000, p. 105)".
Observa-se que as curvas não são coincidentes, indicando que a Lei de Say
não constitui a verdadeira lei que relaciona as funções de oferta agregada e de
demanda agregada e, que, portanto, o pleno emprego não pode ser
42

automaticamente alcançado. “Ademais, a evidência prova que o pleno emprego, ou


mesmo o aproximadamente pleno, é uma situação tão rara quanto efêmera
(KEYNES, 1987, p, 194)”.

Nada garante que as funções Z e D sejam coincidentes, como


determina a lei de Say. A oferta agregada é função do emprego e
dos salários nominais. A demanda agregada possui duas partes,
sendo o consumo dependente dos mesmos fatores que Z, mas a
segunda parte, o investimento, é dependente de expectativas em um
contexto de incerteza, e não simplesmente do emprego ou da renda.
Desta forma, Z e D são funções distintas, não havendo motivos para
serem coincidentes a não ser como um caso especial (DATHEIN,
2000, p. 105).

Como a figura expressa relações funcionais em um mundo não-euclidiano, o


equilíbrio é identificado em um único ponto (ponto E). Esse ponto, denominado de
demanda efetiva, é o de interseção das duas funções. Sua posição dependerá “dos
fatores que determinam as funções Z e D, quais sejam: a eficiência marginal do
capital, a preferência pela liquidez e a propensão marginal a consumir (PERES
NUNES e COSTA NUNES, 1997, p. 111)”. “Neste ponto as expectativas de lucro dos
empresários são maximizadas (KEYNES, 1982, p. 38)”. Neste contexto, o termo
demanda efetiva designa um estado de previsões das despesas de consumo e das
despesas de investimento. Vale ressaltar, que o ponto de demanda efetiva não é
estável. Ele está sujeito a variações contínuas, provocadas pelo estado de
expectativas de curto prazo.

Fonte: DAVIDSON (2003, p. 9).


Figura 9 – Equilíbrio no mercado de bens.
43

Se a demanda agregada (D) exceder a oferta Agregada (Z) haverá um


incentivo que leva os empresários a contratar um volume maior de emprego. Isso
ocorre porque os empresários percebem uma possibilidade de expandir suas
receitas de vendas (ampliar margem de lucratividade), uma vez que os
consumidores estão desejosos de adquirir bens e serviços. Por outro lado, se a
oferta agregada exceder a demanda agregada (insuficiência de demanda efetiva) o
volume de emprego será contraído, pois os empresários projetam cenários
pessimistas, ou seja, de redução da margem de lucratividade. Neste momento, será
registrado desemprego involuntário.
Assim, na esquematização teórica realizada por Keynes, a “demanda
efetiva, em vez de ter um único valor de equilíbrio, comporta uma série infinita de
valores todos igualmente admissíveis (KEYNES, 1982, p. 39)”. Vale ressaltar, que o
ponto de demanda efetiva de pleno emprego constitui um caso especial, não a
condição normal de funcionamento do sistema econômico.

A demanda efetiva associada ao pleno emprego é um caso especial


que só se verifica quando a propensão a consumir e o incentivo para
investir se encontram associados entre si numa determinada forma.
Esta relação particular, que corresponde às hipóteses da teoria
clássica, é, em certo sentido, uma relação ótima. Mas ela só se
verifica quando, por acidente ou desígnio, o investimento corrente
proporciona um volume de demanda justamente igual ao excedente
do preço da oferta agregada da produção resultante do pleno
emprego sobre o que a comunidade decida gastar em consumo
quando se encontre em estado de pleno emprego (KEYNES, 1982,
p. 40).

Antes de promover a investigação das forças determinantes do volume de


emprego de equilíbrio, Keynes coloca em evidência alguns conceitos fundamentais,
expostos no Livro Segundo9 da Teoria Geral denominado “Definições e Idéias”. O
arcabouço de definições abrange a conceituação dos seguintes termos: oferta
global, preço da oferta global, procura global e preço da procura global. Por oferta
global entende-se a totalidade da produção resultante do emprego de certo volume
de trabalho e capital. Por outro lado, o termo procura global representa a totalidade
de compras feitas aos empresários. Os termos preço de oferta global e preço de
procura global envolvem previsões e expectativas, ou seja, o primeiro abrange um

9
Para HANSEN (1987, p. 53) “o Livro II da Teoria Geral é uma digressão. O raciocínio iniciado no Livro I é
interrompido e retomado no Livro III. Os capítulos intermediários, os de 4 a 7, são dedicados a definições e
conceitos preliminares que logicamente poderiam ter sido melhor tratados no começo do volume”.
44

conjunto de estimativas feito pelos empresários referente ao valor esperado da


produção e o segundo indica as previsões das despesas que se farão para adquirir a
oferta global, ou seja, são variáveis ex ante.
Após as definições dos termos fundamentais utilizados ao longo do
desenvolvimento da Teoria Geral, Keynes dedica-se a investigar os determinantes
da função de demanda agregada. Desta forma, divide a demanda agregada em dois
componentes, a saber, o consumo e o investimento para, posteriormente, identificar
as forças que regem esses dois componentes e, em seguida, evidenciar os fatores
responsáveis pelas flutuações do volume de emprego.
DA = C + I (14)
Onde,
DA = Demanda Agregada.
C = Propensão a consumir.
I = Montante de investimento.
Para HANSEN (1987) a análise da função de demanda agregada exige uma
investigação sobre os fatores que condicionam os gastos em consumo e em
investimento, ou seja, uma investigação dos determinantes da função consumo e da
função investimento. Esta investigação teórica é realizada por Keynes nos Livros III
e IV da Teoria Geral. O objetivo de Keynes ao propor o Livro Terceiro foi identificar
“os fatores que determinam a soma que se gastará em consumo quando o emprego
se acha em determinado nível (KEYNES, 1982, p. 83)”. No Livro Quarto Keynes
sintetiza os determinantes do nível de investimento, além de elaborar sua Teoria
Geral da Taxa de Juros.
A função-consumo elaborada por Keynes pode ser expressa como se segue:
C = χ (Y) (15)
Ou,
C = σ + β (Y) – Relação linear. (16)
Onde,
C = Consumo.
σ = Consumo autônomo (consumo que independe do nível de renda).
β = Propensão marginal a consumir.
Y = Renda disponível (renda menos imposto).
Graficamente, tem-se:
45

Fonte: MANKIW (2008, p. 337).


Figura 10: Função-Consumo.

A figura 10 mostra a relação entre o montante de consumo e o nível de


renda. Indica que o volume de consumo aumenta à medida que o nível de renda se
eleva. A figura resume o que Keynes denomina de lei psicológica fundamental:

A lei psicológica fundamental em que podemos basear-nos com


inteira confiança, tanto, a priori, partindo do nosso conhecimento da
natureza humana, como a partir dos detalhes dos ensinamentos da
experiência, consiste em que os homens estão dispostos, de modo
geral e em média, a aumentar o seu consumo à medida que a sua
renda cresce, embora não em quantia igual ao aumento de sua
renda (KEYNES, 1982, p. 88).

Na passagem anterior Keynes afirma que a propensão marginal a consumir


é positiva, porém inferior à unidade. Por propensão marginal a consumir (PMgC)
entende-se a elevação do consumo como conseqüência do aumento de uma
unidade adicional da renda disponível. Assim, um aumento no nível de renda
provoca um aumento no volume de consumo, porém em proporção inferior. A
propensão marginal a consumir apresenta-se como a inclinação da função-consumo.
PMgC = ΔC/ΔY (17)
PMgC > 0 ; PMgC < 1.
Depois de demonstrar que a renda constitui o principal determinante do nível
de consumo, Keynes expõe outros fatores que influem sobre a propensão a
consumir. Ele divide esses fatores em dois grupos: fatores subjetivos e fatores
46

objetivos. Os fatores subjetivos ou endógenos são responsáveis pela determinação


da inclinação e posição da função-consumo. Podem-se identificar três desses
fatores: características psicológicas da natureza humana, costumes e instituições
sociais.

Os fatores subjetivos, ainda que não inalteráveis, não estão sujeitos


a sofrer uma mudança material durante um curto período, exceto em
circunstâncias anormais ou revolucionárias. Tendo raízes fundas em
padrões de comportamento estabelecidos, tendem a ser bastante
estáveis. Estes fatores, de lenta mutação, determinam
fundamentalmente a inclinação e a posição da função-consumo e
atuam no sentido de lhe emprestar um grau de estabilidade bastante
alto (HANSEN, 1987, p. 84).

Os fatores objetivos são de natureza exógena e, portanto, responsáveis


pelos deslocamentos da função-consumo. HANSEN (1987, p. 96-97) identifica
quatro fatores objetivos considerados por Keynes:
a) Ganhos e prejuízos fortuitos;
b) Mudanças em política fiscal;
c) Mudanças de expectativas;
d) Mudanças substanciais na taxa de juros.
O primeiro fator pode ser ilustrado tendo por base as flutuações nas
cotações das ações. Suponha que as cotações das ações nas bolsas de valores
proporcionem rendimentos significativos aos acionistas, neste sentido, tal ganho
impactará positivamente a função-consumo, isto é, a função-consumo será
deslocada positivamente. Se o inverso ocorrer, ou seja, se as ações sofrerem uma
desvalorização, a função-consumo deslocar-se-á para a esquerda. O segundo fator
– política fiscal – constitui um fundamental determinante dos deslocamentos da
função-consumo. Suponha que o governo decida conduzir uma política fiscal
expansionista (redução das alíquotas de impostos). Esse tipo de política expande a
renda disponível, promovendo deslocamentos positivos da função-consumo.
O fator mudanças de expectativas corresponde a um dos pontos de
inovação introduzidos por Keynes à análise econômica. Indica que eventos
vindouros, ainda não conhecidos, influenciam os fatos que caracterizam o presente.
Neste sentido, sendo a realidade não-ergódica, os consumidores formam
expectativas sobre as condições econômicas futuras. Desta forma, suponha que os
consumidores esperam uma contração do nível de atividade econômica e,
47

consequentemente, uma redução na oferta de bens e serviços. Essas expectativas


levarão os consumidores a aumentar a quantidade de consumo corrente, de tal
forma que a função-consumo corrente desloca-se para a direita.
No que diz respeito ao quarto fator, HANSEN (1987, p. 98) explica que:

Embora não se acredite que mudanças moderadas na taxa de juros


causem deslocamentos importantes na função-consumo, Keynes tem
o cuidado de observar que tais mudanças podem afetar
substancialmente o montante realmente poupado. Contudo, o efeito
é o oposto daquilo que geralmente se pensa ocorrer. E a razão é a
seguinte, um aumento na taxa de juros, pode diminuir o investimento,
o que terá o efeito de reduzir a renda. Mas se a renda cai, o
montante poupado diminuirá.

Keynes indica que o montante de poupança é função do nível de renda e


não da taxa de juros como afirmavam os economistas (neo)clássicos. “A poupança é
um resíduo, ou, no caso, diferença entre renda global e despesa global de consumo,
cresce com o aumento da renda e mais depressa do que o consumo (BARRÉRE,
1961, p. 154)”.

Nesta análise, a poupança (S) não é determinante ou pré-requisito


para os investimentos (I), sendo uma variável residual determinada
pelas decisões de consumir e investir. A poupança é uma função da
renda e a renda é uma função dos investimentos sendo estes
inversamente proporcionais à taxa de juros. Desta forma, são os
investimentos que aparecem como determinantes da poupança.
Existe uma desigualdade potencial entre S e I, uma vez que as
decisões sobre poupar e investir são tomadas por pessoas
diferentes, de modo que não se pode considerar a poupança fluindo
automaticamente para o investimento (DATHEIN, 2000, p. 103).

A função-poupança pode ser representada como se segue:


S = s (Y) (18)
Ou,
S = - σ + (1 – β)Y – Relação linear. (19)
Onde,
S = Poupança.
- σ = Nível negativo de poupança.
(1 – β) = Propensão marginal a poupar.
Y = Nível de renda.
A figura 11 evidencia a relação entre o nível de renda e o montante de
poupança, isto é, mostra a função-poupança. Observa-se que à medida que a renda
48

aumenta, o montante de poupança se eleva. Isso ocorre porque a inclinação da


função, denominada de propensão marginal a poupar (PMgS = ΔS/ΔY), é positiva.
Note-se que a poupança não se relaciona com a taxa de juros como acontece no
sistema clássico.

Fonte: FROYEN (1999, p. 100.).


Figura 11: Função-Poupança.

Um outro determinante da demanda agregada ou, equivalentemente,


determinante do volume de emprego de equilíbrio corresponde aos incentivos a
investir. A análise dos fatores responsáveis pela determinação do incentivo a investir
constitui parte fundamental da Teoria Geral. Keynes demonstra que o nível de
investimento depende da relação entre a taxa de juros e a eficiência marginal do
capital, dado o nível de renda. Por eficiência marginal do capital entende-se o
rendimento esperado de um determinado projeto de investimento ou, nas palavras
de Keynes:

A relação entre a renda esperada de um bem de capital e seu preço


de oferta ou custo de reposição, isto é, a relação entre a renda
esperada de uma unidade adicional daquele tipo de capital e seu
49

custo de produção, dá-nos a eficiência marginal do capital desse tipo.


Mais precisamente, defino a eficiência marginal do capital como
sendo a taxa de desconto que tornaria o valor presente do fluxo de
anuidades das rendas esperadas desse capital, durante toda a sua
existência, exatamente igual ao seu preço de oferta (KEYNES, 1982,
p. 115).

Para BRESSER PEREIRA (1973), a eficiência marginal do capital pode ser


definida como a taxa de lucro prevista. Neste sentido, quanto maior a eficiência
marginal do capital, isto é, quanto maior a taxa de lucro prevista pelos empresários,
maior o nível de investimento. Assim, identifica-se uma correlação positiva entre os
incentivos a investir e a eficiência marginal do capital. Além da eficiência marginal do
capital, o nível de investimento está relacionado com a taxa de juros do mercado. A
taxa de juros apresenta-se como o custo do investimento, desta forma, está
inversamente correlacionada com os incentivos a investir. Portanto, quanto menor a
taxa de juros, maior os investimentos. A função investimento pode ser apresentada
da seguinte forma:
I = f (r, j) (20)
Onde,
I = Investimento.
r = Eficiência marginal do capital.
j = Taxa de juros do mercado.

A figura 12 evidencia a relação entre a eficiência marginal do capital e a taxa


de juros com o nível de investimento. Observa-se que a função investimento possui
inclinação decrescente, indicando que quanto maior a taxa de juros, menor o nível
de investimento. Indica também, que à medida que o nível de investimento aumenta,
a eficiência marginal do capital diminui. Neste sentido, o nível de investimento
aumentar-se-á até o ponto de igualdade entre a taxa de juros e a eficiência marginal
do capital, ou seja, os projetos de investimentos só serão viabilizados se a eficiência
marginal do capital exceder a taxa de juros. “O empresário é incitado enquanto o
primeiro for superior ao segundo (BARRÉRE, 1961, p. 271)”. Assim, dada a
eficiência marginal do capital, uma redução da taxa de juros tenderá a provocar uma
expansão do investimento e, consequentemente, uma elevação do volume de
emprego.
50

Fonte: BRESSER PEREIRA (1973, p. 4).


Figura 12: Função-Investimento.

No parágrafo anterior, identificou-se uma relação inversa entre o montante


de investimento e a eficiência marginal do capital, isto é, quanto maior o nível de
investimento, menor a eficiência marginal do capital. Keynes, observando essa
relação, identificou duas razões que explicam tal correlação negativa:

Keynes, por exemplo, cita duas causas. Afirma algo vagamente que
“se houver um aumento do investimento de qualquer tipo de capital,
durante um certo período de tempo, a eficiência marginal desse
capital decrescerá à medida em que o investimento aumente, em
parte porque as perspectivas de lucro cairão à medida em que a
oferta do capital é aumentada e, em parte porque, em regra geral,
uma pressão sobre as fábricas destinadas à produção desse tipo do
capital farão seu preço de oferta crescer (KEYNES apud BRESSER
PEREIRA, 1973, p. 4).

Keynes ao desenvolver o Livro IV da Teoria Geral, afirma que os “homens


de negócio” possuem um conhecimento restrito a respeito dos fatores que regulam
os rendimentos futuros de um determinado investimento, ou seja, tomam decisões,
tendo por base, um futuro incerto. “O nosso conhecimento dos fatores que regularão
a renda de um investimento alguns anos mais tarde é, em geral, muito limitado e,
frequentemente, desprezível (KEYNES apud MOREIRA, 2005, p. 10)”.
O conceito de incerteza utilizado por Keynes não equivale à definição de
risco probabilístico, ou seja, não é passível de ser estimado estatisticamente. Na
51

literatura econômica, podem-se identificar dois tipos de incerteza: a incerteza fraca e


a incerteza forte. O termo incerteza fraca (equivalente ao risco probabilístico) sugere
que os agentes econômicos, mediante utilização dos instrumentos estatísticos, são
capazes de definir uma distribuição de probabilidade referente aos eventos futuros.
Por outro lado, o termo incerteza forte, mostra uma realidade na qual os agentes
econômicos não conseguem estabelecer uma distribuição de probabilidade sobre os
eventos futuros, pois as informações sobre o comportamento futuro da economia
são limitadas. O termo incerteza forte está “associado à falta de evidência e à não-
confiabilidade do conhecimento (DEQUECH, 1999, p. 89)”.

Nas situações em que os agentes podem definir uma distribuição de


probabilidade para todos os eventos possíveis, há risco (incerteza
fraca). A incerteza forte estaria associada às situações nas quais é
impossível formar, de maneira confiável probabilidades numéricas
para os eventos futuros. Neste caso, faltam evidências ou
informações necessárias para tal tarefa. A incerteza que povoa a
natureza econômica é causada não pela simples incapacidade de os
agentes coletarem e processarem todas as informações disponíveis,
mas pelo fato de que as informações necessárias não existem no
momento da tomada de decisão: tal informação existirá apenas no
futuro, que, por sua vez, ainda será criado pelos agentes (DEQUECH
apud MOREIRA, 2005, p. 10).

Destarte, incerteza forte significa que o futuro é, a rigor, impossível


de ser conhecido (FEIJÓ apud MOREIRA, 2005, p. 10).

Em outras palavras, Keynes enfatizava um ambiente econômico não-


ergódico. Neste contexto, as decisões a investir dependerão do estado de
expectativa a longo prazo. O estado de expectativa a longo prazo, denominado por
Keynes de “estado de confiança”, é formado pelos empresários com base nos fatos
da experiência, ou seja, por fatos que caracterizam a conjuntura econômica no
momento em que as decisões de investir são tomadas. Vale ressaltar, que Keynes
faz uma distinção entre expectativas de curto prazo e expectativas a longo prazo.
Para o autor as expectativas de curto prazo são responsáveis pela determinação do
volume de produção. Enquanto que as expectativas a longo prazo, determinam o
nível de investimento.

Tais expectativas classificam-se em dois grupos. O primeiro deles


está relacionado com o produtor e abrange as chamadas
“expectativas a curto prazo”. O segundo grupo de expectativas está
relacionado com os rendimentos em perspectiva que podem ser
antevistos de um ativo durável a longo prazo, e abrange as
52

chamadas “expectativas a longo prazo”. As primeiras ligam-se à


perspectiva de vendas; as segundas, ao investimento em capital fixo
(HANSEN, 1987, p. 65).

O “estado de confiança” afeta o nível de investimento por intermédio da


escala de eficiência marginal do capital. “O estado de confiança é relevante pelo fato
de ser um dos principais fatores que determinam essa escala, a qual é idêntica à
curva da demanda de investimento (KEYNES, 1987, p. 124)”. Assim, se os
empresários formarem um estado de expectativa a longo prazo otimista, a eficiência
marginal do capital se elevará. Se o aumento da eficiência marginal do capital for
superior à taxa de juros, o nível de investimento será expandido e, como
conseqüência da expansão do investimento, o volume de emprego será ampliado.
Se o inverso ocorrer, ou seja, se os empresários formarem um estado de expectativa
a longo prazo pessimista, a eficiência marginal do capital será reduzida provocando
contração do nível de investimento e do volume de emprego.
A figura 13 parte A, mostra o impacto sobre o volume de emprego de um
aumento na escala de eficiência marginal do capital. A elevação da eficiência
marginal do capital foi provocada pela formação de um estado de expectativa a
longo prazo otimista pelos empresários. Observa-se que o aumento da eficiência
marginal do capital afetou positivamente a curva de gastos desejados (demanda
agregada) deslocando-a para cima. Com o deslocamento, a economia moveu-se do
ponto E0 para o ponto E1, isto é, o volume de emprego aumentou de N0 para N1.
Esse movimento ocorreu devido à influência que o “estado de confiança” exerce
sobre a eficiência marginal do capital, que, por sua vez, determina o nível de
investimento.
A parte B do gráfico, mostra os efeitos da formação de um estado de
expectativa a longo prazo pessimista. O “estado de confiança” pessimista reduz a
escala de eficiência marginal do capital. A redução da taxa de lucro prevista
impactará negativamente o nível de investimento e, consequentemente, a curva de
gastos desejados (demanda agregada). Neste sentido, a curva de demanda
agregada – curva D – desloca-se para baixo, de E0 para E1. O volume de emprego,
por sua vez, é reduzido de N0 para N1.
53

Fonte: DAVIDSON (2003, p. 9).


Figura 13 – Mudanças no ponto de demanda efetiva.

Diante dos argumentos expostos anteriormente, pode-se dizer que Keynes


elaborou um modelo de determinação do volume de emprego de equilíbrio composto
por variáveis dependentes e independentes. As variáveis dependentes são o volume
de emprego e o nível de produção e as variáveis independentes são a eficiência
marginal do capital, a propensão a consumir e a taxa de juros. Ou seja, para Keynes
o volume de emprego de equilíbrio depende das leis psicológicas fundamentais que,
por sua vez, são determinantes da propensão a consumir e do incentivo a investir.
Esses últimos correspondem aos componentes da demanda agregada, desta forma,
deduz-se, que a teoria de Keynes sobre o emprego resulta em um contexto onde o
princípio da demanda efetiva constitui a verdadeira lei que relaciona as funções de
oferta e demanda agregada.

Assim, podemos em alguns casos considerar como variáveis


independentes finais (1) os três fatores psicológicos fundamentais, a
saber, a propensão psicológica a consumir, a atitude psicológica
relativa à liquidez e a expectativa psicológica do rendimento futuro
dos bens de capital; (2) a unidade de salários, tal como é
determinada pelos acordos celebrados entre patrões e operários; e
(3) a quantidade de moeda tal como é determinada pela ação do
banco central, de maneira que, se tomarmos como dados os fatores
antes antecipados (quantidade de mão-de-obra, quantidade de
equipamento disponível, o estado da técnica, o grau de concorrência,
os gostos, os hábitos dos consumidores a estrutura social), estas
variáveis determinam a renda e o volume de emprego (KEYNES,
1987, p. 192).

BARRÉRE (1961, p. 279) salienta que:


54

Os fatores determinantes do equilíbrio não são mais, portanto, os


componentes do preço, mas as três variáveis fundamentais:
propensão a consumir, eficácia marginal do capital e taxa de juros,
as quais, governando o volume do investimento e do consumo,
permitem à procura atingir o volume previsto pelos empresários e ao
emprego dilatar-se até o volume necessário para movimentar a
produção correspondente. Assim se estabelece a posição de
equilíbrio do emprego em que nada mais incita os empresários a
contraí-lo, nem a desenvolver o volume de mão-de-obra utilizado, e,
como a propensão a consumir se mostra estável, é o volume do
investimento que assume o caráter de fator determinante desse
equilíbrio.

3.3 PRESCRIÇÕES DE POLÍTICAS ECONÔMICAS

Nos tópicos anteriores, identificou-se que no sistema keynesiano o


equilíbrio macroeconômico pode ocorrer em qualquer nível, ou seja, ser compatível
com a posição de equilíbrio de pleno emprego (máxima utilização dos fatores de
produção, trabalho e capital) ou se estabelecer num nível aquém da posição de
equilíbrio de pleno emprego, situação na qual os fatores de produção são
subutilizados. Verificou-se também, que o desemprego involuntário é conseqüência
de insuficiência de demanda efetiva. Neste sentido, torna-se válido questionar:
Como elevar a demanda agregada ao nível de equilíbrio de pleno emprego? Quais
meios utilizar para expandir o volume de emprego?
A teoria keynesiana, além de instrumental teórico, consiste em um
arcabouço de análise empírica, com ênfase no processo de formulação e condução
de políticas econômicas. “A teoria keynesiana deságua numa política econômica
destinada a obter regularmente elevado volume da renda nacional e do emprego
(BARRÉRE, 1961, p. 281)”. Desta forma, observa-se que Keynes defendeu a
utilização dos instrumentos de política macroeconômica como meio de promover a
expansão do volume de emprego.

Sua política do emprego se baseia em três meios essenciais: o


estímulo ao investimento privado, o desenvolvimento de investimento
público e a elevação da propensão a consumir. Estes três métodos
fazem nascer outras tantas políticas particulares ordenadas em uma
política geral do emprego (BARRÉRE, 1961, p. 287).

Sabe-se que o nível de investimento depende da relação entre a eficiência


marginal do capital e a taxa de juros, isto é, o nível de investimento expandir-se-á
enquanto a eficiência marginal do capital estiver excedendo a taxa de juros. Desta
55

forma, identificam-se duas maneiras de estimular o desenvolvimento dos


investimentos, através do aumento da eficiência marginal do capital ou mediante
redução da taxa de juros. “A elevação da eficácia marginal do capital é muito difícil
obter-se; assim, Keynes se dirige para a segunda solução (BARRÉRE, 1961, p.
287)”. A alteração da taxa de juros (aumento ou redução) é promovida por
intermédio da política monetária.
Supõe-se que uma determinada economia esteja passando por uma
recessão, ou seja, baixo crescimento econômico e altas taxas de desemprego. Um
meio de promover a recuperação consiste em estimular a demanda agregada
através do incentivo ao investimento. Esse incentivo pode ser realizado por
intermédio da redução da taxa de juros. Assim, o governo (autoridade monetária)
poderá conduzir uma política monetária expansionista, isto é, ampliar a base
monetária da economia. O aumento da oferta de moeda reduz a taxa de juros. Se a
taxa de juros, após a condução da política monetária, for fixada em um nível inferior
a escala de eficiência marginal do capital, o nível de investimento será expandido. O
aumento dos investimentos fomentar-se-á a demanda agregada. Como, no sistema
teórico desenvolvido por Keynes a demanda agregada determina o emprego e a
renda, o volume de emprego e o nível de produto são aumentados, ou seja, o
desemprego involuntário é reduzido.
Constata-se que um aumento no nível de investimento promove expansões
no volume de emprego e no nível de renda. A expansão da renda ocorre através de
um processo de multiplicação (multiplicador de gastos10). O tamanho do
multiplicador está diretamente relacionado com a propensão marginal a consumir,
desta forma, quanto maior a propensão marginal a consumir, maior o multiplicador
de gastos. LOPES e VASCONCELLOS (2008, p. 152), sintetizam a seguinte
seqüência:
Y=C+I (21)
C = C0 + cY (22)
I = I0 (23)
Y = C0 + cY + I0 (24)
10
A variação inicial na despesa (investimento) tem um impacto imediato e direto sobre a renda daqueles que são
beneficiários desses gastos. Ao receber esta renda, os indivíduos ampliarão seu consumo de acordo com a
propensão marginal a consumir, levando à nova ampliação da renda. Os agentes que forem beneficiados por
esta nova ampliação da renda também ampliarão seu consumo, gerando novo acréscimo de renda, e assim
sucessivamente. Dessa forma, os acréscimos de consumo induzidos pelo gasto inicial fazem com que a renda
cresça mais que a variação da despesa (investimento) inicial (LOPES e VASCONCELLOS, 2008, p. 152).
56

Ye = 1/1 – c(C0 + I0) (25)


Onde,
Io = Investimento autônomo.
Co = Consumo autônomo.
1/1 – c = Multiplicador de gastos.
Sabe-se que à medida que o nível de investimento aumenta, a eficiência
marginal do capital diminui. Desta forma, com o desenvolvimento dos investimentos,
torna-se necessário uma redução cada vez maior da taxa de juros para estimular
novos investimentos. Entretanto, a política monetária pode apresentar-se
ineficiente, no sentido de promover grandes reduções na taxa de juros devido à
preferência pela liquidez. Isto é, a partir de determinado nível de taxa de juros a
preferência pela liquidez torna-se generalizada, de forma que qualquer aumento na
oferta de moeda será absorvido pela demanda por moeda. Assim, o efeito da
política monetária sobre a taxa de juros será nulo.

A explicação parece encontrar-se alhures. Sacrificando-se à tradição


teórica, segundo a qual se deve dar atenção ao juro, Keynes, na
realidade, reduziu ao mínimo seu papel prático. Teoricamente,
contribuiu para a determinação da procura por capital; praticamente,
desempenhou esse papel determinante no passado. Mas em razão
da baixa da eficácia marginal do capital, tem hoje apenas um papel
secundário: o de freio que detém o desenvolvimento do investimento
privado. A preferência pela liquidez vem, então, a propósito, para
explicar que seria vão prosseguir numa política que tende a combinar
a taxa de juro com a baixa eficácia marginal do capital: o “alçapão de
moeda” (absorção pelos encaixes de toda quantidade adicional de
moeda, quando a taxa é muito baixa) explica a inutilidade de se
prosseguir numa política monetária impossível. Esta se mantém
válida enquanto a taxa for bastante elevada; mas, desde que
começar a baixar, aquela ficará logo limitada (BARRÉRE, 1961, p.
290-291).

Vê-se que o investimento não pode ser levado ao nível compatível com o
equilíbrio de pleno emprego. Assim, haverá um hiato entre a produção total e a
demanda agregada, isto é, o investimento privado será insuficiente para suprir a
lacuna existente entre a produção e o consumo, resultando em desemprego
involuntário. Neste sentido, Keynes propõe a intervenção estatal, através do
investimento público, para manter um nível de investimento global que assegure a
igualdade entre oferta agregada e demanda agregada. Para Keynes a intervenção
do Estado na economia deve se dar no sentido de complementação do setor
57

privado, ou seja, o Estado não deve estabelecer uma concorrência com a iniciativa
privada e nem buscar legitimar um regime planificador. Para Keynes, o investimento
público deveria ser expandido em momentos de recessão e depressão econômica e
reduzido nos períodos de expansões econômicas. Assim, “em nome do
individualismo, Keynes abandona o liberalismo ortodoxo (BARRÉRE, 1961, p. 30)”.

Não se trata de vir o Estado a substituir a iniciativa privada, nem de


dirigir ele a totalidade do investimento, pois isto significaria entrar
num regime planificador que Keynes pretende justamente evitar.
Bastar-lhe-á proceder a um investimento público para cobrir a
margem deixada pela insuficiência do investimento privado. A ação
do Estado é, pois, simplesmente supletiva (BARRÉRE, 1961, p. 291).

Em momentos de baixo desempenho econômico, o Estado deve intervir na


economia através do investimento público, ou seja, investindo em áreas
complementares ao setor privado, como: construção de estradas, portos,
aeroportos, pontes, escolas, hospitais, viadutos e ferrovias. Esses investimentos
gerariam um efeito multiplicação sobre o nível de renda da sociedade, pois a renda
gerada elevaria o volume de consumo, que, por sua vez, estimularia o investimento
privado. O aumento do investimento privado geraria uma renda adicional, que, mais
uma vez, impactaria positivamente o consumo e, assim, sucessivamente. Esse
efeito multiplicação acabaria por promover a recuperação econômica, isto é,
ampliação do volume de emprego e do total da produção.
KEYNES (1982, p. 112) associa a eficiência do investimento público em
fomentar a economia à construção de pirâmides no Egito e de catedrais na Idade
Média:

O antigo Egito tinha vantagem, que sem dúvida explica a sua


fabulosa riqueza, de possuir duas espécies de atividades: a
construção de pirâmides e a extração de metais preciosos, cujos
frutos, pelo fato de não servirem às necessidades do homem pelo
seu consumo, não se aviltavam por serem abundantes. A Idade
Média edificou catedrais e entoou cânticos. Duas pirâmides, duas
missas de réquiem valem duas vezes mais que uma – o que, porém,
não é verdade tratando-se de duas estradas de ferro que ligam
Londres a York. Destarte, assim nos mostramos tão razoáveis e nos
educamos de modo tão semelhante aos financistas prudentes,
meditando bem antes de aumentar as cargas “financeiras” das
futuras gerações pela edificação das casas, onde se pode viver que
já nos não é tão fácil escapar aos inconvenientes do desemprego.
Temos que aceitar esse fato como o resultado inevitável de aplicar à
conduta do Estado as máximas concebidas para “enriquecer” um
indivíduo, permitindo-lhe acumular direitos a satisfações que ele
58

tenciona exercer em qualquer época determinada.

Além do investimento público, o Estado pode intervir na economia através


da política tributária, ou seja, alterando as alíquotas de impostos. Anteriormente,
observou-se que o consumo agregado depende da renda disponível e, que a renda
disponível é igual à renda total deduzida dos impostos líquidos. Assim, o governo
poderá fomentar a economia ou, equivalentemente, ampliar o volume de emprego,
mediante estímulos à propensão a consumir. Desta forma, supõe-se que o governo
decida conduzir uma política fiscal expansionista, isto é, decida promover uma
redução dos impostos. Essa política expandirá o nível de renda disponível e,
consequentemente, o montante de consumo. O aumento do consumo ampliará a
demanda agregada que, por sua vez, provocará um aumento no volume de
emprego.
Vê-se que além de instrumental teórico, a Teoria Geral apresenta-se,
também, como um arcabouço de investigação empírica, com ênfase no processo de
formulação e condução de políticas econômicas. Dada essa característica da teoria
de Keynes sobre o emprego, após a segunda metade do decênio 1930, um grupo
de economistas promoveram um processo de neoclassização da teoria de Keynes,
ressaltando que uma das grandes contribuições da Teoria Geral restringe-se à
implementação de políticas econômicas num contexto econômico marcado por
imperfeições de mercado. Os argumentos desse grupo de economistas será objeto
de estudo do próximo tópico.
59

4 OS DETERMINANTES DO EQUILÍBRIO NO LONGO PRAZO: A SÍNTESE


NEOCLÁSSICA.

4.1 O CONTEÚDO BÁSICO DA SÍNTESE NEOCLÁSSICA.

A Síntese Neoclássica, elaborada por economistas como John Hicks, Alvin


Hansen, Paul Samuelson, Franco Modigliani, Robert Solow e Don Patinkin,
constituiu um processo de neoclassização da Teoria Geral do Emprego, do Juro e
da Moeda. Esse processo correspondeu à tentativa de interpretação da teoria
macroeconômica através da utilização conjunta das contribuições teóricas de
Keynes e dos economistas pré-keynesianos (economistas da abordagem
convencional). Os teóricos da Síntese Neoclássica “procuraram microfundamentar a
macroeconomia de Keynes (DAVIDSON apud LIMA, 2003, p. 395)”. Vale ressaltar,
que a Síntese Neoclássica “foi e ainda é uma das mais influentes interpretações da
teoria de Keynes, sendo inclusive utilizada como o padrão keynesiano na maioria
dos livros-textos de macroeconomia (BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 4)”.
A Síntese Neoclássica apresentou-se como primeiro contra-ataque da teoria
tradicional à teoria de Keynes sobre o emprego. Os economistas que promoveram
esse “contra-ataque” concebiam o arcabouço teórico keynesiano como um caso
especial da teoria clássica, considerada o caso geral. “A análise de Keynes nada
mais seria do que um caso particular da teoria clássica em que existe rigidez no
mercado de trabalho (DAINEZ, 2002, p. 94)”. Desta forma, segundo o
“keynesianismo” neoclássico, a principal contribuição de Keynes situou-se no terreno
da política econômica, isto é, a legitimação do uso de instrumentos fiscais e/ou
monetários para ampliar o volume de emprego em situações de inflexibilidade do
mercado de trabalho.

Keynes demonstrou que o sistema não se auto-equilibrava com


rapidez e que, portanto, havia um papel a ser desempenhado pela
intervenção governamental: ou seja, havia espaço para políticas de
estabilização tanto monetária quanto fiscais [...], assim, [...] uma
parte essencial desse novo paradigma (o keynesiano) foi a conclusão
de que as políticas de estabilização eram necessárias. Como o
sistema se ajustará lentamente, na melhor das hipóteses, quando se
deixar que isso ocorra por si mesmo, há necessidade de uma política
que aumente a eficiência do sistema (MODIGLIANI apud BUSATO e
COSTA PINTO, 2008, p. 14-15).
60

[...] a contribuição maior de Keynes não foi ter produzido uma síntese
adequada e consistente entre as teorias do valor e da moeda numa
teoria da produção como um todo, da forma que ele supunha, mas
sim ter meramente chamado a atenção para os fatores que impedem
o equilíbrio a pleno emprego no curto prazo. Longe de romper com o
modelo clássico, Keynes teria, portanto, tão-somente inaugurado
uma série de desenvolvimentos dentro dele (SAMUELSON apud
LIMA, 2003, p. 393).

Para BUSATO e COSTA PINTO (2008), o “keynesianismo” neoclássico


buscou comprovar que o maior legado deixado por Keynes não foi a elaboração do
princípio da demanda efetiva, da doutrina da preferência pela liquidez e da ênfase
dada à influência da incerteza não-probabilística sobre o nível de produto e o volume
de emprego, mas sim, ter evidenciado os mecanismos que obstaculizam o alcance
do equilíbrio de pleno emprego no curto prazo, como a rigidez dos salários nominais
à baixa. Assim, a analogia feita por Keynes seria válida apenas para situações de
rigidez salarial e de preços. Para LIMA (2003, p. 393), “essa vertente interpretativa
acabou reduzindo o escopo da economia keynesiana ao mero estudo de alguns
estados patológicos do modelo walrasiano que ainda não haviam sido devidamente
analisados”.
A essência da argumentação da Síntese Neoclássica corresponde ao
contexto no qual a teoria do emprego desenvolvida por Keynes consiste na
afirmação de que o desemprego involuntário é conseqüência da rigidez do salário
nominal. Segundo esta visão, um excesso de oferta de trabalho sobre a demanda
não provocaria redução do salário nominal por razão histórico-institucional, como a
existência de legislação trabalhista e poder de barganha dos sindicatos. Segundo
OCIO (1995), se prevalecesse a hipótese de flexibilidade salarial, hipótese defendida
pelos economistas da Síntese Neoclássica, o excesso de oferta de mão-de-obra
resultaria em redução do salário nominal. Mantido o nível de preços constante, a
redução do salário nominal promoveria reduções do salário real. Se o salário real
fosse estabelecido em um nível inferior à produtividade marginal do capital, as firmas
maximizadoras de lucro expandiriam o nível de produção, ampliando, assim, o
volume de emprego. O volume de emprego aumentaria até a posição de equilíbrio
de pleno emprego.
Segundo esta vertente teórica, se a hipótese de flexibilidade completa dos
salários nominais prevalecesse, “as equações clássicas do mercado de trabalho
determinariam um salário real capaz de promover o market clearing nesse mercado,
61

detonando, assim, o mecanismo de ajuste automático rumo ao equilíbrio a pleno


emprego da mão-de-obra disponível (LIMA, 2003, p. 394)”. Neste sentido, a Síntese
Neoclássica promoveu um retorno aos princípios do neoclassicismo, isto é, elaborou
um modelo teórico enfatizando as principais características da economia “clássica”,
como: flexibilidade de preços e salários, mobilidade completa dos fatores de
produção e ênfase nos aspectos microeconômicos (individualismo, maximização e
racionalidade). Para LIMA (2003, p. 416-417) “a síntese neoclássica se constitui de
uma mera reconstrução da ortodoxia tão criticada por Keynes, porém adornada com
alguns ornamentos keynesianos”.

O desemprego involuntário resultaria do fato de a taxa de salários


nominais se encontrar demasiadamente elevada em relação ao nível
geral de preços, com o que as unidades produtivas seriam incapazes
de contratar todo o volume de trabalhadores pelo nível de salário real
vigente (LIMA, 2003, p. 394).

JOHNSON apud LIMA (2003, p. 394) enfatiza que:

O equilíbrio abaixo do pleno emprego postulado por Keynes é


concebido como uma conseqüência da rigidez salarial, com o
desemprego involuntário sendo uma mera fase transitória de
desequilíbrio resultante da lentidão dos ajustamentos
dinâmicos de mercado.

Assim, os economistas da Síntese Neoclássica adotaram o princípio de que


no longo prazo, onde todos os preços e salários possuem plena flexibilidade, a
economia converge à condição de pleno emprego, onde o desemprego existente
seria friccional e/ou voluntário. “Os autores da síntese neoclássica continuaram a
acreditar que o equilíbrio com pleno emprego seria o estado normal de uma
economia de mercado (BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 5)”.
Segundo BUSATO e COSTA PINTO (2008, p. 5-6), os economistas do
“keynesianismo” neoclássico particularizaram a teoria keynesiana para as situações
nas quais:
a) a economia estivesse na armadilha da liquidez;
b) a demanda por investimento fosse insensível à taxa de juros (evitando a
igualdade entre poupança e investimento ao nível de renda de pleno
emprego);
62

c) vigorasse algum tipo de obstáculo que impedisse que o salário e/ou


preços caísse para a economia alcançar o pleno emprego.
MISSIO e OREIRO (2007, p. 01) ressaltam que as interpretações referentes
à Teoria Geral realizadas pelos economistas da Síntese Neoclássica dividem-se em
dois grupos: o primeiro se reporta à questão da existência ou não do equilíbrio
macroeconômico com desemprego involuntário; o segundo refere-se à questão de
convergência para o equilíbrio de pleno emprego dos fatores de produção. Em
relação ao primeiro grupo de interpretação os autores ressaltam que:

[...] Hicks (1937) foi o primeiro autor a propor esta idéia, mostrando
através do modelo IS/LM que a hipótese da existência desse
equilíbrio com desemprego involuntário só era válida em um caso
especial, ou seja, quando a economia estivesse operando sob a
armadilha da liquidez; posteriormente, Modigliani (1944) mostrou
através de um modelo matemático que a existência desse equilíbrio
dependia da hipótese de imperfeições de mercado (leia-se rigidez de
preços).

Em relação ao segundo grupo de interpretação os autores enfatizam que:

[...] Keynes defendeu de que não havia mecanismos que garantiam


que após um choque a economia pudesse retornar ao seu ponto
inicial, enquanto que os autores da Síntese defendiam o contrário, ou
seja, de que essa era uma tendência natural de uma economia de
mercado. Destacam-se como defensores desta idéia Arthur Pigou e
Don Patinkin que a partir da inclusão do efeito riqueza real na função
consumo dos agentes demonstraram que estes mecanismos
endógenos existem e que, portanto, garantem a convergência da
economia a este equilíbrio.

4.2 FLEXIBILIDADE SALARIAL, EFEITO KEYNES, EFEITO PIGOU E TENDÊNCIA AO PLENO


EMPREGO.

Os formuladores da Síntese Neoclássica acreditavam que após choques de


demanda ou de oferta, que provocassem desvios do produto real em relação ao
produto potencial11, a economia convergiria à posição de equilíbrio de pleno
emprego (PIB real igual ao PIB potencial). Neste sentido, economistas como Franco
Modigliani e Don Patinkin, elaboraram, respectivamente, os efeitos Keynes e Pigou,
objetivando sistematizar os mecanismos de ajustamento automáticos. Desta forma,

11
Para STIGLITZ e WALSH (2003, p. 95) “o PIB real mede o quanto a economia produz de fato, enquanto o
PIB potencial mostra o que a economia poderia ofertar se o trabalho fosse plenamente empregado a níveis
normais de horas extras, e as instalações e máquinas fossem utilizadas a taxas normais”.
63

tais efeitos representam forças endógenas às economias de mercado.

Os autores da síntese neoclássica defendem que a plena


flexibilidade de preços e salários, no longo prazo, garante que as
forças endógenas do sistema - movimento da oferta e da demanda –
seriam capazes de levar a economia para um equilíbrio de pleno
emprego (BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 20).

Segundo BUSATO e COSTA PINTO (2008), Modigliani (1944), ao propor o


efeito Keynes, desenvolveu um modelo teórico referente ao funcionamento do
mercado de trabalho incorporando os postulados (neo)clássicos, como: perfeita
flexibilidade do salário nominal e dos preços, completa mobilidade da mão-de-obra
e informação perfeita. Assim, “o produto da economia é determinado, dado estoque
de capital e a tecnologia, pelo trabalho, e o volume de emprego é determinado, por
sua vez, pela igualdade entre oferta e demanda de mão-de-obra dependentes do
salário real (BUSATO e COSTA SILVA, 2008, p. 13)”.
Partindo de uma situação de equilíbrio macroeconômico com desemprego
involuntário, ou seja, um contexto no qual se observa um excesso de oferta de mão-
de-obra em relação à demanda por mão-de-obra ao salário vigente. E, além disso,
admitindo a hipótese de flexibilidade perfeita do salário nominal, pode-se
desenvolver a seguinte análise: o excesso de oferta de mão-de-obra gerará
pressões no mercado de trabalho, como conseqüência o salário nominal será
reduzido. A redução do salário nominal promoverá “uma redução proporcional no
nível de preços, uma vez que o trabalho constitui-se de um dos insumos de
produção (BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 13)”. Essa deflação resultará em
queda do nível de renda nominal. Como a demanda por moeda para fins
transacionais12 depende positivamente do nível de renda nominal, após a redução
da mesma, a demanda por moeda será diminuída. A redução do nível de preços
também resultará em “expansão da oferta de moeda em termos reais (BUSATO e
COSTA PINTO, 2008, p. 13)”. Tanto as reduções da demanda por moeda, quanto a
ampliação dos encaixes monetários reais provocam uma redução na taxa de juros,
que, por sua vez, estimula o nível de investimento. A elevação dos investimentos
provocará, por meio do efeito multiplicador, um aumento mais que proporcional no

12
“Na Teoria Geral, são admitidos três motivos de demanda de moeda: o transacional, que se refere ao dinheiro
necessário para fazer frente ao intervalo entre o momento do recebimento das receitas e o da efetivação das
despesas; o precaucional, baseado no atendimento a despesas inesperadas; e o especulativo, requerido para
fazer frente às incertezas com relação ao valor futuro da riqueza (TORRES FILHO, 1991, p. 33)”.
64

nível de produto total e no volume de emprego. “Em conseqüência, os preços e


salários continuariam a cair, enquanto permanece o desemprego (OLIVEIRA LIMA,
1989, p. 44)”.

Segundo ele (Modigliani), uma situação de equilíbrio com


desemprego seria insustentável, pois os salários monetários
acabariam por cair, provocando igual movimento na demanda de
moeda e na taxa de juros. Dada uma oferta monetária fixa, a
repercussão sobre a taxa de juros dos salários nominais declinantes
seria a mesma que a repercussão, com salários constantes, de um
aumento na quantidade de moeda (LIMA, 2003, p. 414).

Segundo SERRANO e RIBEIRO apud BUSATO et al. (2008, p.15) “o efeito


Keynes pode ser sinteticamente expresso a partir da seguinte encadeamento de
mudanças nas variáveis”:
↓ W→ ↓ P → ↑ M/P → ↓ i → ↑ I → ↑ Y → ↑ L
Onde,
W = Salário nominal
P = Nível de preços
M/P = Encaixes monetários reais
i = Taxa de juros
I = Investimento
Y = Produto
L = Nível de emprego.
A figura 14 evidencia o efeito Keynes. Mostra que a redução do nível de
preços, provocada pela queda dos salários nominais, gera um aumento na oferta
monetária em termos reais. O aumento dos encaixes monetários reais desloca a
curva LM13 para baixo, de LMo para LM1. Esse deslocamento promove redução na
taxa de juros que, por sua vez, eleva o nível de investimento. Como conseqüência
do aumento dos investimentos, o nível de produto, que antes do deslocamento da
curva LM localizava-se numa posição aquém do equilíbrio de pleno emprego (Y0),
amplia-se até Yf, isto é, um nível de produto compatível com o pleno emprego.
Equivalentemente, pode-se dizer que ao nível de produto de pleno emprego (Yf), o
volume de mão-de-obra também esteja sendo plenamente empregado.

13
“A curva LM representa a relação positiva entre a taxa de juros e o nível de renda que surge a partir do
equilíbrio no mercado de encaixes monetários reais (MANKIW, 2008, p. 240)”. “A curva LM representa o
‘lado monetário’ da economia (HELLER, 2007, p. 422)”.
65

Fonte: BLANCHARD (2006, p. 466).


Figura 14: Efeito Keynes.

O mecanismo de ajustamento automático descrito anteriormente


corresponde ao efeito Keynes. Segundo WELLS apud LIMA (2003, p. 415) a
ocorrência desse efeito pressupõe a satisfação de um conjunto bastante amplo de
pressupostos, quais sejam:
a) a oferta nominal de moeda deve permanecer constante ou cair em
proporção menor do que a queda nos preços;
b) a função consumo, medida em unidades de salário, deve permanecer
constante ou cair em proporção menor do que o aumento do
investimento;
c) a preferência pela liquidez, medida em termos reais, deve permanecer
constante ou aumentar em proporção menor do que a suposta elevação
da oferta monetária real;
d) qualquer mudança adversa na eficiência marginal do investimento deve
ser mais que compensada pela suposta queda na taxa de juros.
Um mecanismo alternativo de convergência da economia à condição de
equilíbrio macroeconômico de pleno emprego denomina-se efeito Pigou ou efeito
encaixes reais. Esse efeito “procura demonstrar que em uma economia capitalista
funcionando de maneira adequada, isto é, sem rigidez ou fricções, o sistema
66

retornaria automaticamente ao pleno emprego após um distúrbio inicial (LIMA, 2003,


p. 410)”. Assim, Don Patinkin, formulador do efeito Pigou, vem enfatizar a
capacidade dos mercados, por si só, atingirem a plena utilização dos fatores
produtivos.
Para BUSATO e COSTA PINTO (2008), Patinkin ao propor o efeito Pigou
realizou algumas modificações na estrutura da função-consumo exposta por Keynes
no Livro Terceiro da Teoria Geral14. Conforme os autores, Patinkin apresentou a
função-consumo como uma relação matemática entre o nível de consumo, o nível de
renda disponível e a riqueza financeira dos agentes econômicos. O termo riqueza
financeira é representado pelos encaixes monetários reais (M/P). Assim, o consumo
além de depender positivamente da renda disponível, passou a depender também
da riqueza financeira. Desta forma, um aumento no nível de riqueza financeira
resulta em ampliação do consumo agregado.
C = χ (Y, M/P) (26)
Onde,
C = Consumo agregado.
Y = Nível de renda disponível.
M/P = Encaixes monetários reais.
Neste sentido, supondo uma situação caracterizada por um excesso de
oferta de mão-de-obra (desemprego involuntário) e admitindo a hipótese de perfeita
flexibilidade do salário nominal e dos preços, pode-se sintetizar o seguinte
mecanismo: “numa dada situação de equilíbrio com excesso de mão-de-obra, os
trabalhadores aceitariam uma redução em suas remunerações nominais, o que
provocaria uma redução proporcional no nível de preços (BUSATO e COSTA
PINTO, 2008, p. 17)”. A redução do nível de preços, considerando a oferta nominal
de moeda constante, provocaria um aumento no nível dos encaixes monetários
reais, isto é, um aumento na riqueza financeira dos agentes econômicos. Com a
elevação da riqueza financeira, o nível de consumo agregado aumentaria. “Com o
aumento deste, verificar-se-ia uma elevação, por meio do efeito multiplicador, do
nível de produto e do emprego até que o excesso de trabalho fosse eliminado
(BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 17)”.

Pigou postulou que, por meio do estoque real de riqueza, uma queda

14
No tópico 3.2 deste trabalho, observou-se que para Keynes o consumo depende positivamente do nível de
renda disponível.
67

nos preços, como contrapartida de uma queda nos salários, induziria


os agentes econômicos a expandir seus gastos de consumo e,
consequentemente, o nível de renda, restaurando, com isso, o pleno
emprego (LIMA, 2003, p. 410).

A figura 15 sintetiza o mecanismo de convergência da economia à condição


de pleno emprego segundo o efeito Pigou. Observa-se, que o aumento do consumo
agregado, ocorrido como conseqüência do aumento dos encaixes monetários reais
ou riqueza financeira, desloca a curva IS15 para cima, de IS0 para IS1. Esse
deslocamento resulta em aumento da taxa de juros e do nível de produto ou,
equivalentemente, do volume de emprego. Após o deslocamento da curva IS, a
economia repousa em condição de equilíbrio de pleno emprego (Yf ).

Fonte: BLANCHARD (2006, p. 466).


Figura 15: Efeito Pigou.

Esse mecanismo de ajuste pode ser representado como se segue:


↓ W→ ↓ P → ↑ M/P → ↑ C → ↑ Y → ↑ N
15
“A curva IS representa a relação negativa entre a taxa de juros e o nível de renda que surge a partir
do equilíbrio no mercado de bens e serviços (MANKIW, 2008, p. 240)”. “A curva IS representa o
lado real da economia (HELLER, 2007, p. 422)”.
68

Onde,
W = Salário nominal.
P = Nível de preços.
M/P = Riqueza financeira.
C = Consumo.
Y = Nível de produto.
N = Volume de emprego.
Observa-se que para os economistas da síntese neoclássica, especificamente,
para Hicks, Modigliani e Patinkin, a grande contribuição da teoria do emprego de
Keynes restringe-se à ênfase dada ao equilíbrio macroeconômico com desemprego
involuntário, tendo por base a rigidez de preços e salários e outras imperfeições de
mercado.
69

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho de pesquisa abordou três correntes do pensamento


econômico: neoclássica, keynesiana e da síntese neoclássica, visando estabelecer
uma sistematização, segundo as vertentes teóricas citadas, dos principais fatores
determinantes do nível de emprego de equilíbrio. Essa investigação teórica se
justificou pelo fato de a redução da taxa de desemprego apresentar-se como um
dos principais objetivos da macroeconomia. Assim, tal pesquisa elaborou-se no
sentido de estabelecer um debate referente ao processo de formulação de políticas
econômicas destinadas a melhorar a operacionalidade do mercado de trabalho.
Entendendo por melhoria da operacionalidade do mercado de trabalho a geração de
novos postos de trabalho.
Segundo a abordagem (neo)clássica do mercado de trabalho, o volume de
emprego é determinado no ponto de interseção entre as curvas de demanda e
oferta de mão-de-obra. Neste ponto, o salário real iguala-se à desutilidade marginal
do trabalho. O volume de emprego, nesta perspectiva, é determinado por fatores
reais, ou seja, fatores associados à oferta, como: progresso tecnológico, tamanho
da população, estoque de capital e preferências dos agentes ofertantes e
demandantes de mão-de-obra. Identificou-se também, conforme essa abordagem,
que a operacionalidade do mercado de trabalho caracteriza-se pelas seguintes
premissas: perfeita flexibilidade dos salários e preços, completa mobilidade do fator
trabalho, informação perfeita e racionalidade dos agentes econômicos participantes
desse mercado.
Constatou-se que para os economistas (neo)clássicos, variações na
demanda agregada não alteram as variáveis reais como o produto total e volume de
emprego. Essa variação afetará somente as variáveis de magnitude nominal como
o nível geral de preços. Isso acontece, pois os teóricos da corrente convencional
raciocinavam admitindo a condição de pleno emprego dos fatores de produção
como a única possibilidade de equilíbrio macroeconômico. Desta forma, o
desemprego registrado, segundo esta vertente, é de caráter voluntário e/ou
friccional.
Conforme a teoria tradicional, um excesso de oferta de mão-de-obra
apresenta-se como uma condição transitória do mercado de trabalho, pois, o
excesso de oferta de mão-de-obra provoca pressões em tal mercado. Tais pressões
70

agem no sentido de redução do salário real. A redução do salário real é


conseqüência da redução do salário nominal, mantido o nível de preços constante.
Neste sentido, os economistas da abordagem (neo)clássica defendiam a redução do
salário nominal para promover a ampliação do emprego e, consequentemente, o
pleno emprego do fator trabalho.
Ao publicar A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda em 1936,
endereçando-a a seus “colegas economistas”, Keynes inaugurou uma série de
debates e polêmicas que culminaram no que se convencionou chamar de revolução
keynesiana. Essa revolução aconteceu, pois Keynes objetivou descrever uma
economia monetária da produção, enfatizando aspectos desprezados pelo
pensamento econômico convencional, como: incerteza, o tempo histórico,
expectativas e a moeda como reserva de valor.
Keynes, identificando que a abordagem (neo)clássica não estava condizente
com os “fatos da experiência”, esforçou-se no sentido de contestá-la e,
posteriormente, elaborar uma nova teoria do emprego. Para atingir este fim, o autor
desenvolveu o princípio da demanda efetiva, ressaltando a determinação das
variáveis reais da economia pela demanda agregada (entendendo por demanda
agregada a soma dos dispêndios em consumo e investimento). Constatou-se,
segundo a abordagem keynesiana, que o volume de emprego é determinado no
mercado de bens e serviços, especificamente, no ponto de demanda efetiva, ponto
de interseção entre as funções de demanda agregada e oferta agregada. Assim, a
determinação do volume de emprego ficou a cargo das forças condicionantes da
demanda agregada, como: eficiência marginal do capital, propensão a consumir e
preferência pela liquidez.
Neste sentido, no sistema keynesiano, o equilíbrio macroeconômico pode
ocorrer em qualquer nível, ou seja, ser compatível com a posição de equilíbrio de
pleno emprego (máxima utilização dos fatores de produção, trabalho e capital) ou se
estabelecer num nível aquém da posição de equilíbrio de pleno emprego, situação
na qual os fatores de produção são subutilizados. Verificou-se também, que o
desemprego involuntário é conseqüência de insuficiência de demanda efetiva.
Assim, Keynes defendeu a utilização de políticas econômicas, monetária e fiscal,
para fomentar a demanda agregada e, consequentemente, o volume de emprego.
Desta forma, por exemplo, em períodos caracterizados por investimento privado
71

insuficiente, o Estado deve intervir na economia mediante uso dos instrumentos de


políticas econômicas para reduzir o desemprego involuntário.
Após a publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, surgiu
o que se convencionou denominar Síntese Neoclássica. Esta síntese apresentou-se
como um primeiro “contra-ataque” dos economistas da teoria ortodoxa à teoria de
Keynes sobre o emprego. Neste sentido, a síntese neoclássica desenvolveu um
processo de neoclassização da estrutura teórica exposta por Keynes. Desta forma,
segundo o “keynesianismo” neoclássico, a principal contribuição de Keynes situou-
se no terreno da política econômica, isto é, a legitimação do uso de instrumentos
fiscais e/ou monetários para ampliar o volume de emprego em situações de
inflexibilidade do mercado de trabalho.
A essência da argumentação da Síntese Neoclássica corresponde ao
contexto no qual a teoria do emprego desenvolvida por Keynes consiste na
afirmação de que o desemprego involuntário é conseqüência da rigidez do salário
nominal. Segundo esta visão, um excesso de oferta de trabalho sobre a demanda
não provocaria redução do salário nominal por razão histórico-institucional, como a
existência de legislação trabalhista e poder de barganha dos sindicatos. Segundo
OCIO (1995), se prevalecesse a hipótese de flexibilidade salarial, hipótese defendida
pelos economistas da Síntese Neoclássica, o excesso de oferta de mão-de-obra
resultaria em redução do salário nominal. Mantido o nível de preços constante, a
redução do salário nominal promoveria reduções do salário real. Se o salário real
fosse estabelecido em um nível inferior à produtividade marginal do capital, as firmas
maximizadoras de lucro expandiriam o nível de produção, ampliando, assim, o
volume de emprego. O volume de emprego aumentaria até a posição de equilíbrio
de pleno emprego. Assim, os economistas da Síntese Neoclássica adotaram o
princípio de que no longo prazo, onde todos os preços e salários possuem plena
flexibilidade, a economia converge à condição de pleno emprego, onde o
desemprego existente seria friccional e/ou voluntário.
Observou-se que os formuladores da Síntese Neoclássica acreditavam que
após choques de demanda ou de oferta, que provocassem desvios do produto real
em relação ao produto potencial, a economia convergiria à posição de equilíbrio de
pleno emprego (PIB real igual ao PIB potencial). Neste sentido, economistas como
Franco Modigliani e Don Patinkin, elaboraram, respectivamente, os efeitos Keynes e
Pigou, objetivando sistematizar os mecanismos de ajustamento automáticos. Desta
72

forma, tais efeitos representam forças endógenas às economias de mercado.


Assim, a síntese neoclássica constituiu um retorno às velhas hipóteses
neoclássicas referentes à operacionalidade do mercado de trabalho.
73

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