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“Devemos aprender a olhar o mundo através

do ponto de vista de uma pessoa com autismo, assim


vamos entender que por trás de atos considerados inexplicáveis,
existe sempre um esforço, uma tentativa
encoberta de comunicação”.
Theo Peeters

I. CONHECER A QUESTÃO DO AUTISMO


a. Definição
b. Histórico
c. Incidência
d. Causas do Autismo
e. Manifestações mais comuns
f. O espectro de manifestações autísticas
g. Diagnóstico
h. Instrumentos de diagnóstico
DSM-IV
CID-10
CHAT

II. SÍNDROME DE ASPERGER

III. TIPOS MAIS USUAIS DE INTERVENÇÃO


a. TEEACH – Tratamento e educação para crianças autistas e com
distúrbios correlatos de comunicação
b. ABA – Análise aplicada do comportamento
c. PECS – Sistema de comunicação através da troca de figuras
d. Outros tratamentos
e. Medicação
f. Inclusão
g. Autista adolescente e adulto
h. Depoimentos
I. CONHECER A QUESTÃO DO AUTISMO
a. Definição

“Autismo pode ser considerado um distúrbio do desenvolvimento caracterizado


por um quadro comportamental peculiar e que envolve sempre as áreas da interação
social, da comunicação e do comportamento em graus variáveis de severidade; este
quadro é, possivelmente, inespecífico e representaria uma forma particular de reação do
sistema nervoso central frente a uma grande variedade de insultos que podem afetar, de
forma similar, determinadas estruturas do sistema nervoso central em períodos precoces
do seu desenvolvimento.”

-Salomão Schwartzman, 1997

“Autismo é um distúrbio específico de aprendizado social diferente de um distúrbio


intelectual genérico ou retardo mental, podendo ocorrer em qualquer nível intelectual,
desde retardo mental severo até QI normal ou supernormal que compartilham
dificuldades nas áreas de interação social, comunicação e imaginação ou repertório de
comportamentos.”

-Inger Nilsson, 2001

“Autismo é uma síndrome (*) definida por alterações presentes desde idades muito
precoces, tipicamente antes dos três anos de idade, e que se caracteriza sempre por
desvios qualitativos na comunicação, interação social e no uso da
imaginação.”

-Ana Maria S. Ros de Mello - AMA, 2001

(*) síndrome - conjunto dos sintomas que caracterizam uma doença

(**) “Autismo é uma desordem do desenvolvimento, uma desordem aguda e não uma
forma de doença mental, que apresenta um atraso ou uma ausência de desenvolvimento
em áreas determinadas.”

Theo Peeters, 1998


b. Histórico

Em 1943, Kanner estudou e descreveu a condição de 11 crianças consideradas especiais.


Nessa época, o termo Esquizofrenia Infantil era considerado sinônimo de Psicose
Infantil mas, as crianças observadas por Kanner tinham características especiais e
diferentes das crianças esquizofrênicas. Elas exibiam uma incomum incapacidade de se
relacionarem com outras pessoas e com os objetos. Concomitantemente, apresentavam
desordens graves no desenvolvimento da linguagem.

Quando discutiu as possíveis causas da desordem, sugeriu que essas crianças, normais
ao nascimento, apresentavam sintomas posteriormente em decorrência de problemas
ambientais, de modo mais específico, maternagem inadequada. A partir destas idéias
originais, criaram-se mitos e verdadeiras fábulas que vêem sendo repetidos, apesar da
total ausência de evidência que os comprovem.

. A partir da década de 60 as psicoses infantis foram divididas em dois tipos, as psicoses


da primeira infância e as psicoses da segunda infância. Dentre as psicoses da primeira
infância foi colocado o Autismo Infantil Precoce. Portanto, foi entendido como um
transtorno primário, diferente das outras formas de transtornos infantil secundários à
lesões cerebrais ou retardamento mental.

Na Europa, notadamente na França, o conceito de Esquizofrenia Infantil foi substituído


pelo conceito de Psicose Infantil, bem onde se enquadra o Autismo. Portanto, também
para os franceses, o Autismo Infantil é uma psicose. Mais precisamente, o termo psicose
infantil precoce se aplica às psicoses que se iniciam na primeira infância, enquanto a
Esquizofrenia Infantil, propriamente dita, ficou reservada aos quadros com início mais
tardios, porém, que surgem depois da criança ter passado por um desenvolvimento
relativamente normal.

Por vários anos a partir das descrições inicias, o conceito de AI foi muito confuso, de tal
modo que o rótulo tinha diferentes significados para diferentes autores. Esse panorama
começou a mudar a partir do surgimento de critérios diagnósticos descritivos, tais como
o Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM) e a
Classificação Internacional das Doenças (CID).
c. Incidência

Os números de incidência do Autismo Infantil divulgados por diversos autores variam


muito, à medida que cada autor obedece e/ou aceita diversos critérios de diagnóstico, de
tal forma que o que para uns é Autismo Infantil, para outros não é. De qualquer forma,
os índices atualmente mais aceitos e divulgados variam dentro de uma faixa de 5 a 15
casos em cada 10.000 indivíduos, dependendo da flexibilidade do autor quanto ao
diagnóstico.

Porém, independentemente de critérios de diagnóstico, é certo que a síndrome atinge


principalmente crianças do sexo masculino. As taxas para o transtorno são quatro a
cinco vezes superiores para o sexo masculino, entretanto, as crianças do sexo feminino
com esse transtorno estão mais propensas a apresentar um Retardo Mental mais severo
que nos meninos.

d. Causas do Autismo

As causas do autismo são desconhecidas. Acredita-se que a origem do autismo esteja


em anormalidades em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva
e, provavelmente, de origem genética.

Apesar de ainda não haver um consenso nas pesquisas feitas, todas apontam de
forma convincente para algum desvio biológico. Porém estes fortes indícios são
variáveis, podendo estar presentes em um grupo de autista e faltar em outros. Não há,
portanto, até hoje nenhum marcador biológico que possa ser considerado específico.

A hipótese de uma origem relacionada à frieza ou rejeição materna já foi descartada,


relegada à categoria de mito a décadas. Porém, a despeito de todos os indícios e da
retratação pública dos primeiros defensores desta teoria, persistem adeptos desta
corrente que ainda a defendem ou defendem teorias aparentemente diferentes, mas
derivadas desta.

e. Espectro da desordem do autismo


Autismo
Autismo com DM
Autismo associado a síndrome neurológicas
Síndrome de Asperger

O autismo não é uma condição de “tudo ou nada”, mas é visto como um


continuum que vai do grau leve ao severo. A definição de autismo adotada para efeito
de intervenção, é que o autismo é um distúrbio do comportamento que consiste em uma
tríade de dificuldades:

1.Comunicação:

Caracterizada pela dificuldade em utilizar com sentido todos os aspectos da


comunicação verbal
e não verbal. Isto inclui gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e
modulação na linguagem verbal.

-atraso ou ausência total do desenvolvimento da linguagem;


-dificuldade em iniciar e manter uma conversação;
-uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
-falta de jogos de imitação social variados e espontâneos.

Outras crianças repetem frases ouvidas há horas, ou até mesmos dias antes; é
chamada ecolalia tardia.

É comum que crianças autistas inteligentes repitam frases ouvidas anteriormente e de


forma perfeitamente adequada ao contexto, embora, geralmente nesses casos, o tom da
voz soe estranho e pedante.

2.Comportamento:

Limitações no repertório de comportamentos – capacidade limitada de imaginar:


caracteriza-se por rigidez e inflexibilidade e se estende às várias áreas do pensamento,
linguagem e comportamento da criança. Isto pode ser exemplificado por
comportamentos obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de
aceitação das mudanças e dificuldades em processo criativo.

-interesses anormais restritos e estereotipados;


-adesão à rotinas ou rituais não funcionais;
-maneirismos motores;
-preocupação insistente com partes de um objeto;

Esta dificuldade pode ser percebida por uma forma de brincar desprovida de
criatividade e pela exploração peculiar de objetos e brinquedos. Uma criança autista
pode passar horas a fio explorando a textura de um brinquedo. Em crianças autistas com
a inteligência mais desenvolvida, pode-se perceber a fixação em determinados assuntos,
na maioria dos casos incomuns em crianças da mesma idade, como calendários ou
animais pré-históricos, o que é confundido, em muitas vezes, com o nível de
inteligência superior.

As mudanças de rotina, como mudança de casa, dos móveis, ou até mesmo de percurso,
costumam perturbar bastante algumas dessas crianças.
Crianças com autismo não desenvolvem variações na habilidade de fingir e imaginar em
seu jogo, que é uma característica de criança normal.

3.Interação Social:

A dificuldade de sociabilização, que faz com que a pessoa autista tenha uma pobre
consciência de outra pessoa, é responsável em muitos casos, pela falta ou diminuição da
capacidade de imitar, que é um dos pré-requisitos cruciais para o aprendizado, e
também pela dificuldade de se colocar no lugar do outro e de compreender os fatos a
partir da perspectiva do outro.

-dificuldade em desenvolver relacionamentos;


-dificuldade em utilizar comportamentos não-verbais;
-falta de espontaneidade em compartilhar interesses;
Muitas vezes a criança com autismo aparenta ser muito afetiva, por
aproximar-se das pessoas abraçando-as e mexendo, por exemplo, em seu
cabelo, ou mesmo beijando-as, quando na verdade ela adota indiscriminadamente
esta postura, sem diferenciar pessoas, lugares ou momentos.
Esta aproximação usualmente segue um padrão repetitivo e não contém
nenhum tipo de troca ou compartilhamento.

Quando crianças com autismo crescem, desenvolvem sua habilidade social em extensão
variada. Algumas permanecem indiferentes, não entendendo muito bem o que se passa
na vida social. Elas se comportam como se as outras pessoas não existissem, olham
através de você como se não estivesse lá e não reagem a alguém que fale com elas ou as
chame pelo nome. Freqüentemente suas faces mostram muito poucas das suas emoções,
exceto se estiverem muito bravas ou excitadas. São indiferentes ou têm medo de seus
colegas e usam as pessoas como utensílios para obter alguma coisa que querem.

f. Manifestações mais comuns

•Estereotipias motoras e vocais;


•Comportamentos agressivos;
•Comportamentos auto-agressivos;
•Objetos de apego exagerado;
•Adesão à rotinas;
•Rituais;
•Interesses obsessivos e limitados;
•Fixações;
•Comportamento hiperativos ou passivo;

ESTEREOTIPIAS:

• auto-estimulação, que traz mais satisfação do que


estímulos auditivos e visuais
• têm inicialmente uma função específica e depois
se tornam automático
• podem representar um sinal de desconforto
• forma de relaxamento
• sinal de alegria
• sinal de confusão
• problema médico
• organização do pensamento
• fuga da realidade.

AGRESSIVIDADE

•Certas formas de auto-agressão, podem acontecer para


escapar de uma outra dor terrível.
•A agressão pode acontecer pela a ação em relação a
algo do ambiente, reação a alguma situação onde está
difícil de entender o que se espera dela, ambiente chato
e sem motivação.

COMPORTAMENTO RITUALISTICO

•Tocar as coisas muitas vezes é para verificar o que


estão vendo ou ouvindo. Aprendem mais por
percepções do que por pensamentos.
•Voltar-se à rituais ou a antigos hábitos pode manter o
medo à distância e sob controle;

OUTRAS EXPLICAÇÕES QUE INTERFEREM


NO COMPORTAMENTO

• Dificuldades na comunicação;
• Possuem um estilo cognitivo diferente, ou seja, o cérebro processa as informações de
um modo diferente. Em geral é inflexível, pois possuem dificuldade em interpretar e
entender o que elas observam;
• Pensamento literal: dificuldade em colocar ou entender a emoção por trás de uma
ação;
• Dificuldade em interpretar emoções e expressões faciais mais abstratas;
• Ausência da brincadeira simbólica. Se convidados a brincar preferem atividades
focalizadas na percepção pura como amontoar objetos ou alinhá- los.
Pensamento da pessoa com autismo
DISFUNÇÃO SENSORIAL
•Conhecemos crianças com autismo que as vezes podem ser
muito sensíveis a um som em particular a um contato, e também
falta de sensibilidade para níveis baixos de dor.
•Cerca de 50% das crianças com autismo tem alguma
anormalidade de sensibilidade sensorial .
•Um ou vários sistemas sensoriais estão afetados de tal forma
que as sensações normais são percebidas com uma intensidade
intolerável. A mera antecipação da experiência pode conduzir a
uma intensa ansiedade ou pânico.
•As sensibilidades mais comuns incluem sons e tato, mais em
alguns casos a sensibilidade se relaciona com o sabor, a luz
intensa, as cores e aromas.
•Ao contrario as pessoas podem expressar uma reação mínima a
níveis de dor e temperatura que poderiam ser insuportáveis para
os outros.
•Diferentes sistemas sensoriais podem estar afetados,
dependendo da pessoa.
•Sons e toque são as sensibilidades mais comuns.

Sensibilidade ao som
Três tipos de ruídos são percebidos
com grande intensidade:
1) ruídos súbitos e inesperados
2) ruídos altos e contínuos
3) sons desconcertantes, complexos e
Múltiplos
Sensibilidade tátil
-Sensibilidade extrema a
uma determinada
intensidade de contato ou ao
tocar certas partes do corpo.
-Partes do corpo mais
sensíveis: cabelo, unhas,
braços, palma da mão.

SENSIBILIDADE VISUAL
•Sensibilidade a determinados níveis de iluminação, cores
ou sombras;

DOR E TEMPERATURA
RESTRIÇÃO ALIMENTAR
CHEIROS

g. Diagnóstico

A literatura indica que o diagnóstico de autismo sejafeito por um profissional com


formação em medicina e experiência clínica de vários anos diagnosticando essa
síndrome.
O diagnóstico de autismo é feito basicamente através da avaliação do quadro clínico.
Não existem testes laboratoriais específicos para a detecção do autismo. Por isso, diz-se
que o autismo não apresenta um marcador biológico.
Normalmente, o médico solicita exames para investigar condições (possíveis doenças)
que têm causas identificáveis e podem apresentar um quadro de autismo infantil, como
a síndrome do X-frágil, fenilcetonúria ou esclerose tuberosa. É importante notar,
contudo, que nenhuma das condições apresenta os sintomas de autismo infantil em
todas as suas ocorrências.
Portanto, embora às vezes surjam indícios bastante fortes de autismo por volta dos
dezoito meses, raramente o diagnóstico é conclusivo antes dos vinte e quatro meses, e a
idade média mais freqüente é superior aos trinta meses.
Para melhor instrumentalizar e uniformizar o diagnóstico, foram criadas escalas,
critérios e questionários. O diagnóstico precoce é importante para poder iniciar a
intervenção educacional especializada o mais rapidamente possível.
SINAIS DE ALERTA!!!
6MESES
• Crianças menos ativa e exigentes que as
normais;
• Uma minoria é extremamente irritável;
• Contato visual pobre;
• Sem respostas sociais antecipatórias;
• Choro de difícil interpretação ou é raro chorar;

8 MESES
• Dificuldade em se acalmar quando está brava;
• Cerca de 1/3 estão extremamente isoladas e podem
rejeitar ativamente qualquer interação;
• Cerca de 1/3 aceitam atenção, mas dão pouca em troca;
• Ausência de imitação de sons, gestos e expressões;
• Atípico balbuciar;
• Movimentos repetitivos;
• Desenvolvem ciclos de insônia;

12 MESES
• A sociabilidade diminui assim que a criança começa a
engatinhar e caminhar;
• Não há sofrimento quando a criança é separada dos pais .
• Podem aparecer as primeiras palavras, mas em geral, não
são usadas com significado apropriado;
• Choro alto frequente e permanecem as
dificuldades para interpretarmos sua razão.

24 MESES
• Geralmente diferencia os pais dos outros, mas expressa pouca afeição;
• Podem abraçar e beijar, como gestos automáticos e quando solicitados;
• É indiferente a outros adultos que não os seus pais;
• Podem desenvolver medos intensos;
• Pouca curiosidades em explorar ambientes;
• Uso atípico de brinquedos que giram e vibram;
• Enfileiram objetos;
• Se a fala está presente o vocabulário se constitui de menos
de 15 palavras;
• Gestos e apontar estão praticamente ausentes.

3 ANOS
• Dificuldade em aceitar adequadamente outras crianças;
• Irritabilidade excessiva;
• Falha em entender o significado de punição;
• Persistência da exploração oral dos objetos;
• Ausência da brincadeira simbólica;
• Persiste em movimentos repetitivos (rodopios, caminhas na ponta
dos pés,..)
• Fixação por objetos faiscantes na luz, sombras,..
• Mostra relativa capacidade para manuseio
de atividades viso-motoras como quebra-cabeças e encaixes;
• A combinação entre palavras é rara;
• Pode estar presente a repetição de frases, mas não o uso criativo da
linguagem;
• Fala com ritmo e tom bizarro;
• Pobre articulação em cerca de 50% ou mais das crianças verbais,
assim como ausência de linguagem significativa;
• Está presente a tendência a se comunicar através
de ação de puxar a mão do adulto para o que deseja.

4 ANOS
• Incapaz de entender regras nos jogos com outras crianças
• Pouca atividade ou nenhuma voltada para bonecos e outros;
• Envolve os outros como instrumentos;
• Brincadeira simbólica se presente, é limitada, simples e repetitivas
• A medida que algumas habilidades mais sofisticadas do brincar se
desenvolvem, mantém-se pouco tempo nelas;
• A combinação entre 2 ou 3 palavras de forma criativa é rara;
• Persiste a fala ecolálica;
• Pode estar presente a mímica para se comunicar;
• Solicita algumas coisas que quer..

5 ANOS
• É orientado mais por adultos que por crianças;
• Frequentemente se torna mais sociável, mas as
interações permanecem ímpares, unilaterais.
• Dificuldade para fazer mímicas;
• Ausência de jogo-sócio dramático;
• Temem locais desconhecidos;
• Preferem objetos à pessoas;
• Não entendem as regras normais sociais;
• Tem risos e gritos ou choros sem motivo;
• Comum comportamento hiperativo ou passivo;
• Apresentam comportamento obsessivos.

h. Instrumentos de diagnóstico

Existem vários sistemas diagnósticos utilizados para a classificação do autismo. Os


mais comuns são a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de
Saúde, ou CID-10, em sua décima versão, e o Manual de Diagnóstico e Estatística de
Doenças Mentais da Academia Americana de Psiquiatria, ou DSM-IV.
No Reino Unido, também é bastante utilizado o CHAT (Checklist de Autismo em
Bebês, desenvolvido por Baron-Cohen, Allen e Gillberg, 1992), que é uma escala de
investigação de autismo aos 18 meses de idade. É um conjunto de nove perguntas a
serem propostas aos pais com respostas tipo sim/não.
DSM-IV

Critérios Diagnósticos Para 299.00 Transtorno Autista

A. O indivíduo autista deve possuir um total de seis (ou mais) itens (1), (2) e (3) abaixo
relacionados. Com pelo menos dois de (1), e um de cada de (2) e (3).

• Desajuste qualitativo na interação social manifestada por pelo menos 2 (dois)


dos itens abaixo:
o Dificuldade marcante na utilização de múltiplos comportamentos não
verbais como por exemplo olhar olho - a - olho, expressão facial, postura
do corpo e gesticulação para regular a interação social.
o Falha no desenvolvimento de relação apropriadas com os seus
semelhantes.
o Incapacidade de emocionar-se com expressões de felicidade em outras
pessoas. Falta de reciprocidade social ou emotiva.
o Falta de reciprocidade social ou emotiva.

• Desajuste qualitativo na comunicação manifestando por pelo menos 1 (um) dos


seguintes itens:
o Retardo ou falta total do desenvolvimento da linguagem oral, sem
ocorrência de tentativas de compensação através de modos alternativos
de comunicação, tais como gestos ou mímicas.
o Desajuste marcante na habilidade de iniciar ou sustentar uma
conversação com outras pessoas (em indivíduos com fala preservada).
o Uso de linguagem estereotipada ou repetitiva ou de linguagem peculiar.
o Falta de jogos ou brincadeiras de imitação social variados e espontâneos
apropriados ao nível de desenvolvimento.

• (3) Padrões de comportamentos restritos, repetitivos ou estereotipados


manifestados por pelo menos 1 (um) dos itens abaixo:
o Obsessão por um ou mais padrões restritos ou estereotipados de interesse
anormal em intensidade ou foco.
o Fidelidade aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos e não
funcionais.
o Hábitos motores estereotipados e repetitivos, por exemplo: agitação ou
torção das mãos ou dedos ou movimentos corporais complexos.
o Preocupação persistente com partes de um objeto.

B. Deve possuir atraso ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes
áreas relacionadas, com início antes dos 3 anos de idade: interação social, linguagem
usada na comunicação social e ação simbólica ou imaginária.

C. Não deverá ser enquadrada como Desordem de Rett, Desordem desintegrativa da


infância ou Síndrome de Asperger.

CID-10

F84.0 Pelo menos 8 dos 16 itens especificados devem ser satisfeitos.

A. LESÃO MARCANTE NA INTERAÇÃO SOCIAL RECÍPROCA,


MANIFESTADA POR PELO MENOS TRÊS DOS PRÓXIMOS CINCO ITENS:

1. dificuldade em usar adequadamente o contato ocular, expressão facial, gestos e


postura corporal para lidar com a interação social.
2. dificuldade no desenvolvimento de relações de companheirismo.
3. raramente procura conforto ou afeição em outras pessoas em tempos de tensão
ou ansiedade, e/ou oferece conforto ou afeição a outras pessoas que apresentem
ansiedade ou infelicidade.
4. ausência de compartilhamento de satisfação com relação a ter prazer com a
felicidade de outras pessoas e/ou de procura espontânea em compartilhar suas
próprias satisfações através de envolvimento com outras pessoas.
5. falta de reciprocidade social e emocional.

B . MARCANTE LESÃO NA COMUNICAÇÃO:

1. ausência de uso social de quaisquer habilidades de linguagem existentes.


2. diminuição de ações imaginativas e de imitação social.
3. pouca sincronia e ausência de reciprocidade em diálogos.
4. pouca flexibilidade na expressão de linguagem e relativa falta de criatividade e
imaginação em processos mentais.
5. ausência de resposta emocional a ações verbais e não-verbais de outras pessoas.
6. pouca utilização das variações na cadência ou ênfase para refletir a modulação
comunicativa.
7. ausência de gestos para enfatizar ou facilitar a compreensão na comunicação
oral.

C. PADRÕES RESTRITOS, REPETITIVOS E ESTEREOTIPADOS DE


COMPORTAMENTO, INTERESSES E ATIVIDADES, MANIFESTADOS POR
PELO MENOS DOIS DOS PRÓXIMOS SEIS ITENS:

1. obsessão por padrões estereotipados e restritos de interesse.


2. apego específico a objetos incomuns.
3. fidelidade aparentemente compulsiva a rotinas ou rituais não funcionais específicos.
4. hábitos motores estereotipados e repetitivos.
5. obsessão por elementos não funcionais ou objetos parciais do material de recreação.
6. ansiedade com relação a mudanças em pequenos detalhes não funcionais do
ambiente.

D. ANORMALIDADES DE DESENVOLVIMENTO DEVEM TER SIDO NOTADAS


NOS PRIMEIROS TRÊS ANOS PARA QUE O DIAGNÓSTICO SEJA FEITO.

CHAT
O CHAT – CHECKLIST FOR AUTISM IN TODDLERS
(Questionário para Verificação de Autismo em Crianças Pequenas) é um
instrumento de triagem que identifica o risco de transtornos na interação
social e comunicação em crianças com dezoito meses de idade.
É um pequeno questionário que é preenchido pelos pais e o pediatra ou
agente de saúde quando a criança está com 18 meses de idade. Seu
objetivo é identificar crianças em risco de transtornos na interação social
e comunicação.
IV. SÍNDROME DE ASPERGER

1.Comunicação:
-linguagem formal e pedante, concreta e literal;
-são hiperverbais

2.Comportamento:
-Interesses restritos: Dinossauros, pokemon, Geografia, história, carros, aviões,
games, mapas, maquetes,..

3.Interação Social:
-interações estranhas ;
-problemas de empatia;

Diferenças entre Autismo e Asperger


• Socialmente lentos e com dificuldades nas relações;
• Ingênuo e incrédulo;
• Sem consciência dos sentimentos dos outros;
• Incapaz de manter uma conversa;
• Dirigem-se somente aos assuntos que lhes interessam;
• Fica nervoso por mudanças de rotina e transições;
• Hipersensível a sons, luzes e cheiros;
• Apego a um tema ou objeto;
• Lentos nos esportes;
• Memória para detalhes;
• Problemas de sono e/ou alimentação;
• Problemas de compreensão/ linguagem literal;
• Linguagem estranha (pedante, tom distinto)
• habilidades para reconhecer letras e números,
• memória mecânica.
• Bons em leituras e cálculos;
• Pouca destreza em escrita;
• Áreas de interesse obsessivo;
• Agradáveis em interações com adultos;
• Relação superficial com crianças
• Mais tolerância para diferenças individuais e
excentricidade;
• Têm bom rendimento acadêmico;
• Área de interesse especial;
• Dificuldades de atenção e organização;
• Dificuldades nas relações dentro e fora da família.

V. TIPOS MAIS USUAIS DE INTERVENÇÃO

Atualmente, a forma mais adequada e promissora de se tratar uma pessoa com autismo
está relacionada à intervenção educacional e comportamental. Até hoje, não houve
nenhuma outra forma de se tratar com eficácia um autista com resultados tão positivos
como estas intervenções.

Porém, a possibilidade de alcançar bons resultados na evolução do autista torna–se


remota, sem uma base educacional especializada e adequada às necessidades de cada
indivíduo.

Os medicamentos só poderão ser utilizados para sintomas extremos que estejam


atrapalhando a vida e a evolução do indivíduo. Não existe medicamento para autismo e
não se recomenda que crianças com autismo tomem qualquer tipo de medicamento.

No entanto, superar a barreira que isola o indivíduo autista do "nosso mundo" não é um
trabalho impossível. Apesar de manter suas dificuldades, o indivíduo autista,
dependendo do grau do comprometimento, pode aprender os padrões "normais" de
comportamento, exercitar sua cidadania, adquirir conhecimento e integrar-se de maneira
bastante satisfatória à sociedade. Entretanto, não podemos ainda, falar em cura para o
autismo.

a. TEEACH – Tratamento e educação para crianças autistas e com


distúrbios correlatos de comunicação
O TEACCH é fundamentado na avaliação individualizada centrada na pessoa com
autismo e no desenvolvimento de um programa de ensino estabelecido a partir de sua
habilidades, interesses (motivação) e necessidades. Adota uma perspectiva holística,
levando em conta as vidas das pessoas com autismo e suas famílias. A parceria com os
pais é vital, assim como desenvolver habilidades de comunicação, de socialização e de
lazer. Outro objetivo principal é generalizar todas as habilidades e atuar de forma mais
independente quanto possível para levar uma vida mais plena. Usa como ponto de
partida o potencial relativamente bom da maioria das pessoas com AI nas habilidades
visuais, no reconhecimento de detalhes e memória.

A abordagem TEACCH usa estratégias que permitem que a pessoa "entenda" (atue)
através da interpretação da informação, delineadas para propiciar o desenvolvimento
cognitivo e reduzir o estresse e a pressão. Usa também estratégias de adaptação do
ambiente para delinear programas que os capacite a atuar na vida cotidiana com estresse
mínimo e também não tendo que depender dos outros para atuar. O programa TEACCH
assume que as pessoas são diferentes. Mudar o comportamento não é um objetivo em si
mesmo, não pensam que o comportamento torna as pessoas diferentes: as diferenças são
fundamentalmente diferenças cognitivas devido a diferenças neurológicas.

b. ABA – Análise aplicada do comportamento

A ABA é a aplicação da ciência chamada Análise do Comportamento. É uma técnica de


intervenção educacional estruturada usada no delineamento de programas de tratamento
individualizados. Consiste do estudo científico do comportamento para aumentar,
diminuir, criar, eliminar ou melhorar comportamentos.As técnicas comportamentais têm
resultados positivos em diversas áreas, incluindo o treinamento de operários e militares
ou a educação de crianças com atrasos no desenvolvimento.

Uma parte crucial do processo é saber o tempo todo onde o indivíduo está (saber o que
ele pode e não pode fazer) e desenvolver estratégias para ensinar novas habilidades
específicas. Existe a concepção de que os déficts no autismo resultariam primariamente
de um bloqueio de "aprendizagem". Os pais são parte importante no ensino de seus
próprios filhos e a generalização das habilidades também é uma parte principal do
ensino.

Os princípios fundamentais do ABA são:criar situações de acerto, isto é, iniciar com


tarefas que o aluno consegue realizar, oferecer apoio em caso de dificuldade, para ir
avançando e retirando o apoio aos poucos. Sempre garantir a resposta correta.
• Fornecer instruções claras e concretas, oferecer apoio e material compatível.
• Sempre reforçar a conduta correta.
• Ignorar, corrigir ou redirecionar a conduta incorreta.
• Motivar sempre.

Talvez as pessoas que trabalham com ABA omitem o ensino da independência,


sendo as vezes difícil evitar que as crianças tornem-se dependentes de dicas.
Trabalhar com a abordagem TEACCH pode fazer com que os profissionais se
concentrem demais na independência e nas tarefas e deixem de trabalhar com
imitação, usando as situações de um para um somente para ensinar a realização
das atividades.

c. PECS – Sistema de comunicação através da troca de figuras

Picture Exchange Communcation System (PECS), ou em português, sistema de


comunicação por troca de figuras, consiste de um método para ensinar pessoas com
autismo e distúrbios de comunicação a utilizarem figuras para se comunicar.
O sistema propicia essencialmente a comunicação expressiva, isto é, dá à criança uma
forma compreensível de expressar suas necessidades, escolhas, vontades.
Bondy e Frost ( criadores do PECS ) queriam encontrar uma maneira de ajudar as
crianças com autismo a se comunicar de uma forma funcionalmente fácil e socialmente
aceitável. Também queriam encontrar uma forma de fazê-lo que fosse fácil para os pais
e outras pessoas aprenderem e entenderem, dando à criança a possibilidade de se tornar
mais integrada socialmente e ao mesmo tempo mais independente.

d. Outros tratamentos
Existem outras formas de tratamento, como tratamentos psicoterapêuticos,
fonoaudiológicos, equoterapia, musicoterapia e outros, que não têm uma linha formal
que os caracterize no tratamento do autismo, e que por outro lado dependem
diretamente da visão, dos objetivos e do bom senso de cada profissional que os aplica.
Aconselhamos os pais que optarem por um tratamento deste tipo a analisarem as
próprias expectativas e as do profissional pelo qual optaram e em que medida o
tratamento os aproxima a estas expectativas, não só no momento da escolha, mas de
forma contínua e permanente.
Muitos pais declaram que não sentiram melhora no filho, mas que a atuação do
profissional foi muito boa e relaxante para eles mesmos.

e. Medicação

Os medicamentos só poderão ser utilizados para sintomas extremos que estejam


atrapalhando a vida e a evolução do indivíduo. Não existe medicamento para autismo e
não se recomenda que crianças com autismo tomem qualquer tipo de medicamento.

Medicação em relação à condições associadas:


Cerca de 20% dos casos de AI apresentam epilepsia utilizando-se então fármacos
anticonvulsivantes (ácido valpróico principalmente).
Pode-se utilizar também neurolépticos para facilitar a interação social, melhorar a
atenção e diminuir as estereotipias.
Cloridrato de piridoxina (vitamina B6) e magnésio podem ser utilizados para
tranqüilizar comportamentos, melhorando as tentativas de comunicação.
Possíveis efeitos benéficos tem sido descobertos com o empregos de altas doses de
ácido ascórbico (vitamina C).

f. Inclusão

“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-
se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais,
assegurando as condições necessárias para educação de qualidade para todos”.
Resolução Nº 2 de 11 de setembro de 2001 Art. 2º
(http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.pdf).

Esta inclusão é feita de preferência em escolas montessorianas, que permitam o


acompanhamento da criança pelo corpo clínico e a colocação de estruturas básicas de
apoio quando necessário. Normalmente é feita com crianças já alfabetizadas e com
domínio da escrita.

Inicialmente, é colocado um profissional acompanhando a criança durante todo o tempo


em que ela está na escola regular. Após a adaptação, a criança passa a freqüentar a
escola sem a presença do acompanhante, que passa a acompanhá-la à distância
observando-a semanalmente e informando-se com o professor e a direção da escola
regular a respeito de evolução.

Segundo Maria Montessori, as crianças absorvem de maneira espontânea, como


“esponjas”, todas as informações necessárias para sua vida diária e seu crescimento. A
proposta dela era a de ajudar a criança a desenvolver todo o seu potencial como ser
humano através dos sentidos, em um ambiente preparado, utilizando a observação
científica de um professor treinado que exerce uma função de guia que potencia e
propõe desafios e mudanças.

g. Autista adolescente e adulto

Dos seis anos à adolescência:


Se a fala não foi adquirida pode haver uma estagnação do desenvolvimento intelectual.
Há uma melhora da resposta a estímulos sensoriais perdendo um pouco de suas
características autistas e se assemelhando mais a um retardo mental. Se a capacidade de
fantasiar é existente, não é possível é difícil distinguir seu produto da realidade.
São relatados casos de depressão nesse período.

Adolescência e idade adulta


Na vida adulta, a deficiência mental, em geral acentua-se, sendo difícil sua
diferenciação do portador de retardo mental. Os autistas que possuem um QI mais
elevado são comumente confundidos com esquizofrênicos, impedindo-os de serem
independentes.

h. Depoimentos

Depoimento de pessoas com autismo sobre suas dificuldades com


estímulos sensoriais

“Eu escuto como se tivesse um controle no ouvido e este estivesse no máximo. E


também como se fosse um microfone que captasse tudo. Eu tenho duas opções: deixá-lo
ligado e ficar atordoada com o som ou desligá-lo e agir como se eu fosse surda. Testes
de audição indicaram que minha audição é normal. Mas eu não consigo modular a
minha audição. Muitos autistas têm problemas em modular as entradas sensoriais”.
Temple Grandin

“Durante toda a minha vida, eu tenho tido tantas dificuldades para entender os sons
como para entender palavras. Eu cheguei a esta conclusão recentemente, que, se eu
continuo amedrontado com tantos sons, obviamente eu não saberei interpretá-los
corretamente. Os sons seguintes me incomodam tanto que eu tenho que tapar os
ouvidos: tiros, lugares barulhentos cheio de gente, toque em polietileno, toque em
balões, carros barulhentos, trens, motos, caminhões e aviões, veículos barulhentos em
locais de construção, martelar e pregar, ferramentas elétricas, o barulho do mar, o
barulho do velcro e giz no quadro, fogos de artifício. Apesar disto, eu posso ler músicas
e cantá-las, e existem algumas músicas que eu adoro. Na verdade quando eu estou bravo
e desesperado, a música é a única coisa que me acalma”.
Therese Joliffe et al.

“Em meu mundo de horror dos sons, o som do metal era uma exceção, eu realmente
gostei. Infelizmente para a minha mãe, a campainha da porta tinha este som e eu
passava o tempo todo obsessivamente a tocando”.
Donna Williams

“Eu amo olhar para luzes, em metais brilhantes e em tudo que faísca.” Donna Williams
fala sobre fascinação hipnotizante de partículas de pó contra luz. Ela também gosta de
piscar seus olhos ou ligar e desligar a luz rapidamente, a fim de ter um efeito de luz
estroboscópica.
Donna Williams