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Revista HISTEDBR On-line Resenha

Resenha de mini-curso:
O TRABALHO COMO PRINCIPIO PEDAGÓGICO EM MARX, LÊNIN E
GRAMSCI E SUA PROBLEMÁTICA NA ATUALIDADE. 1

Mini-curso proferido por Paolo Nosella2 e anotações de Elinilze Guedes Teodoro3

“O trabalho como principio educativo”, tema deste minicurso, é o princípio mais


importante da pedagogia marxista. Preliminarmente, cabe perguntar: se, na história dos
homens, o trabalho foi sempre um fato educativo, em que sentido Marx pode ser
considerado o fundador da pedagogia que elege o trabalho como seu princípio educativo
fundamental? A resposta é a seguinte: a originalidade de Marx consistiu em transformar
esse fato universal em princípio teórico. Com isso, Marx consagrou na ciência pedagógica
a idéia de ser o trabalho produtivo o elemento determinante e fundamental de todo o
processo educativo.
O método do nosso estudo é hermenêutico ou, em outras palavras, histórico-
filológico, pois estuda os textos visando interpretar o sentido das palavras no seu contexto,
a partir das relações e preocupações que os autores tinham no momento que os redigiam.
Este método se distancia totalmente do método escolástico que estuda os sistemas teóricos
a partir das categorias mais abstratas até chegar às categorias mais concretas. O ditado
“nada melhor que um dia após o outro” traduz sugestivamente a idéia do método histórico-
filológico, pois se trata de analisar os textos e suas palavras à luz da semântica utilizada
pelo autor.
Nossa exposição sobre as idéias de Marx, Lênin e Gramsci relativas ao trabalho
como princípio pedagógico se pauta nos estudos de Mario Alighiero Manacorda, sobretudo
no livro “Marx e a pedagogia moderna” (1991), editado pela Cortez Editora de São Paulo.
No livro, o autor organiza os textos desses três grandes marxistas pela seqüência
cronológica e os analisa filologicamente em seu contexto. Com algumas variantes,
analisaremos os mesmos textos.

1º - (1847/48): “Os princípios básicos do comunismo” e o “Manifesto”. Esses textos


redigidos por Engels e Marx lançam as bases de uma nova concepção de sociedade e
trabalho. Neles se recomenda de “combinar educação e trabalho fabril”. O contexto em que
Marx propõe tal princípio evidencia que ele não se referia a qualquer trabalho, mas a um
trabalho fabril, industrial.
O que significava exatamente a articulação da educação com o trabalho fabril?
Diante desta contundente afirmação, é como estarmos diante de um principio “recém-
nascido” no âmbito dos estudos pedagógicos. Com outras palavras, essa primeira
afirmação marxiana diz muito e pouco ao mesmo tempo, pois as concretizações didáticas
desse princípio existem quase somente em potencial. A metáfora do recém nascido enfatiza
o fato de que, nesses primeiros textos, Marx propõe uma discussão pedagógica
revolucionária, mas ainda muito incipiente.

2º- (1866/67): ”Instruções aos delegados” e “O Capital, livro I, cap.13”. Nesses dois textos,
Marx apresenta a idéia de educação politécnica e/ou tecnológica. M. A. Manacorda (1991),
de página 25 a 38, detém-se em esclarecer equívocos de tradução desses textos que
tornaram os conceitos de politecnia e tecnologia semelhantes e por vezes confusos.
Expressam eles, no entanto, na inter-relação escola-trabalho, perspectivas muito

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diferenciadas. De qualquer forma, a referência marxiana à “politecnia e/ou tecnologia”


representa um notável passo adiante no sentido de um esclarecimento de Marx sobre as
formas históricas que a relação trabalho-educação concretamente poderá assumir.

3º - (1875): “Programa de Gotha”. Nesse texto, o trabalho é apresentado por Marx


historicamente determinado e ligado à educação, da qual não pode se separar e vice-versa.
Com efeito, os fatos/conceitos de trabalho e educação têm uma base social comum.
Reafirma-se assim também a historicidade da educação. Por isso, diz Marx, não pode haver
na sociedade burguesa escolas didaticamente iguais para classes desiguais.

4º - (1897) “Perle della Progettomania Populista” (Pérolas da Projetomania Populista);


(1919) “A Revolução de Outubro”; (1920) “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”.
Nesses três textos, Lênin reafirmou que “não se pode conceber o ideal de uma sociedade
futura sem unir ensino a trabalho produtivo das jovens gerações” (Manacorda, 1941,
p.40.). Formulou ainda a opção programática dos bolcheviques para uma escola politécnica
“que faça conhecer, em teoria e na prática, todos os principais ramos da produção,
fundamentada sobre o estreito vínculo entre o ensino e o trabalho produtivo dos alunos”
(Manacorda, 1991, p.40-4). Por meio de tal escola politécnica “se passará à supressão da
divisão do trabalho entre os homens, à educação, ao ensino e à preparação de homens
omnilateralmente aptos, capazes de tudo fazer.” (Manacorda, 1991, p.41).

5º - (1916): Gramsci4 escreve, durante a Primeira Guerra Mundial, vários artigos de jornal,
se posicionando na polêmica entre os adeptos da escola profissionalizante e os defensores
da escola de cultura geral. Nesse primeiro debate, firma ele posição contrária ao ensino
profissionalizante, precoce, interesseiro, imediatista, pragmatista e tecnicista, defendendo a
idéia de que a relação entre escola e trabalho produtivo, assim como o marxismo a entende,
inscreve-se numa concepção de cultura “desinteressada”, de longo alcance, científica,
humanista e moderna. A oportunidade concreta para intervir nesse debate surgiu, no ano de
1916, quando o governo italiano defendera um profissionalismo grosseiro e interesseiro,
simplesmente porque precisava de mão-de-obra jovem para fabricar armas e continuar a
Guerra. Para o socialismo, insiste Gramsci, a escola-do-trabalho é a escola-do-saber-
desinteressado-do-trabalho, isto é, a escola onde se estuda a história, a problemática, os
horizontes técnico-sociais e políticos do mundo do trabalho e não onde os operários
aprendem a operar as máquinas da burguesia. (Nosella, 2004, p.42-50)5

6º - (1920): na década de 20, o projeto escolar de Gramsci relacionava-se à libertação dos


trabalhadores: ”A concepção desenvolvida por Ordine Nuovo girava em torno de uma
idéia, a idéia de liberdade (concretamente, no nível da produção histórica atual e dentro da
hipótese de uma ação autônoma e revolucionária da classe operária)” (Gramsci, in Nosella,
2004, p.68). Ou seja, para ele, naquele momento, o ensino tinha como função efetivar a
aspiração de liberdade existente nos ânimos da classe trabalhadora. É preciso lembrar que a
guerra mundial havia terminado e que, na Itália e no mundo inteiro, vivia-se o clima
ideológico-político característico do assim chamado “biênio vermelho (1919-1921)”.
Durante aqueles dois anos a esperança da Revolução Comunista incendiava corações e
mentes. Então, Gramsci defendia uma escola para a formação de quadros de técnicos
políticos para o funcionamento do “próximo” Estado Socialista.

7º - (1932): no cárcere fascista, esmaecido o horizonte revolucionário socialista, Gramsci


produziu diversos textos (cadernos e cartas) em que sistematizou seus conceitos sobre a
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relação trabalho e educação de forma amadurecida. Destacamos para o nosso estudo dois
textos, que definem o sentido do trabalho como princípio educativo. O Caderno nº 12: “Os
intelectuais e a organização da cultura” (Gramsci, 1975, p.1.511); e o Caderno nº 22:
“Americanismo e Fordismo” (Gramsci, 1975, p.2.137). Nestes cadernos, o autor expõe o
conceito de trabalho e escola unitária. O eixo curricular principal dessa proposta escolar,
isto é, seu conteúdo formativo mais importante, que substituiria o ensino do latim da escola
tradicional, é o estudo do processo da produção e reprodução da vida humana. A escola
unitária não ensina propriamente a trabalhar, mas a estudar o fenômeno do trabalho,
considerando que também o estudo é um trabalho ”muscular nervoso”. A escola unitária
objetiva entender o mundo do trabalho, refletir sobre ele e moldar os hábitos fundamentais
para um cidadão útil à sociedade. Não é a escola do emprego ou da profissionalização
precoce; não é a escola do parasitismo, nem da retórica inútil; não é a escola do
assistencialismo e menos ainda da exploração/agressão irresponsável do planeta. É a escola
que molda os instintos, o corpo, o olhar, a mente, o coração, a vontade, em consonância
com os valores éticos-políticos e os processos científicos do trabalho industrial moderno. A
escola unitária de Gramsci é universal e obrigatória, aproximadamente até aos 18 anos.
Nela ministram-se conteúdos que incluem as artes, o esporte, a ciência, a técnica e a
cultura em geral. É a escola do trabalho desinteressado, isto é, não imediatista e
utilitarista. Depois dessa sólida base escolar, inicia-se para todos a profissionalização mais
específica, nas universidades e ou nas academias (engenharias ou escolas politécnicas).
Obviamente, para Gramsci, essa escola unitária só se desenvolve pari passu com o
desenvolvimento de uma sociedade economicamente unitária.

8º - (1990.......): os desafios da atualidade. O industrialismo produz essencialmente plus


trabalho. Isso é historicamente positivo e essencial, pois representa a possibilidade
objetiva de liberdade para os homens, para todos os homens. O plus trabalho industrial
permite produzir enormes riquezas. No entanto, o capitalismo, depois de impulsionar
beneficamente o plus trabalho industrial, apropriou-se dele gerando a mais valia por meio
da qual se concentram as riquezas e se escravizam e alienam as massas de trabalhadores.
Os modelos sociais de família, escola e emprego instalados nesta sociedade estão
subsumidos pela lógica da mais valia.

Atualmente, vivemos a fase histórica chamada de pós-industrialismo: jamais a


humanidade acumulou tanta riqueza. Entretanto, não efetivamos ainda meios adequados
para realizar mudanças radicais e humanitárias desta sociedade. Mesmo com o enorme
acúmulo de riqueza de que dispomos hoje, ainda seguimos o antigo, mesquinho e injusto
modelo de distribuição da mesma (salários). Esta contradição clama para a necessidade de
concretizarmos uma nova forma de distribuir a riqueza. Para isso, precisamos considerar a
necessidade de remunerarmos não somente o trabalho que produz bens de troca, mas
também o trabalho que produz bens de uso.
Naturalmente, há outros grandes desafios da atualidade. Embora os clássicos do
marxismo não possam responder a todas as dúvidas de nosso tempo, nos mostram uma
direção e uma fórmula metodológica: o trabalho como princípio educativo. Porém, não só
o trabalho vinculado à produção do valor de troca, mas o trabalho no sentido marxiano
mais pleno, isto é, como interação e simbiose positivas do gênero humano consigo e com a
natureza.
Conclusão: Uma preocupação nos acompanhou neste minicurso: muito mais que a
quantidade de informações, foi importante despertar nos ouvintes o interesse genuíno pelo

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método histórico-filológico como possibilidade de melhor compreender os postulados


teóricos dos clássicos do marxismo. Esperamos ter conseguido nosso objetivo.
Referências

GRAMSCI, A. Cronache Torinesi 1913-1917: A cura de Sergio Caprioglio. Editora


Einaudi, 1980.

GRAMSCI, A. Quaderni del cárcere. Volumes I, II, III e IV. Editora Einaudi, 1975.

MANACORDA, M. A. Marx e a Pedagogia Moderna. São Paulo: Cortez, Autores


Associados, 1991.

NOSELLA, Paolo. A Escola de Gramsci. 3ªed. São Paulo: Cortez, 2004.


1
Minicurso ministrado por Paolo Nosella, nos dias 19 e 20 de maio de 2005, no Centro de Educação da
Universidade Federal do Pará (UFPA), como parte da programação da Missão de Trabalho. O texto resultou
das anotações tomadas por Elinilze Guedes Teodoro e reformuladas por Nosella.
2
Professor Titular em Filosofia da Educação, voluntário da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e
integrante do corpo docente do Mestrado em Educação do Centro Universitário Nove de Julho de São Paulo
(UNINOVE). nosellap@terra.com.br
3
Psicóloga do Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará. Mestranda em Educação pela Universidade
Federal do Pará/CAPES, membro do grupo de pesquisa: A institucionalidade da Educação Profissional do
Pará/UFPA. E-mail: elenilze@hotmail.com
4
Para esse tópico, utilizaremos o livro “A escola de Gramsci”, Nosella, 2004. Antonio Gramsci nasceu em
1891, na mais pobre região da Itália, na ilha da Sardenha, onde cresceu num ambiente de agricultura arcaica,
pré-industrial. Em 1911 mudou-se para Turim, onde se inscreveu na Universidade no curso de Letras. Não
conseguiu concluir o curso por razões econômicas e tornou-se um jornalista do Partido Socialista. A cidade
de Turim daquela época, pelo seu grande desenvolvimento e industrialização, pode ser comparada com São
Paulo dos anos 60/70, ponto de convergência para as populações mais pobres do interior brasileiro.
5
Destacamos, sobre o tema, 5 artigos assinados por Gramsci, em 1916, nos jornais socialistas “Il Grido del
Popolo” e “Avanti”: Socialismo e cultura; A escola do trabalho, A escola vai à oficina; Homens ou
máquinas? ; A universidade popular. Gramsci, 1980, p.99; 440; 536; 669; 673.

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