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Emanuel Kant (1724-1804) é considerado o maior filósofo da época moderna, tendo


suas Críticas encaminhado a meditação filosófica num sentido novo e original.

Em 1781 kant publica a primeira edição da Kritik der Reinen Vernunft (Crítica da
Razão Pura), sendo a segunda edição publica em 1787. No intervalo das duas edições,
em 1783, publicou Prolegomena zu Einer Jeden Künftigen Metaphysik die als
Wiessenschaft wird Auftreten Könen (Prolegômenos a Toda Metafísica Futura, que
Queira Apresentar-se como Ciência). Nesta fase também publicou Grundlegung zur
Metaphysik der Sitten (Fundação da Metafísica dos Costumes, 1785). Após a segunda
edição referida, em 1788, kant publicou Kritik der Praktischen Vernunft (Crítica da
Razão Prática), dedicada à investigação da questão moral. Logo em seguida, em 1790,
publicou sua terceira crítica, a Kritik der Urteilskraft (Crítica do Juízo), onde examina o
problema do finalismo na natureza e o problema estético. Em 1797 edita Die
Metaphysik der Sitten (Metafísica dos Costumes), obra onde mais se adensa seu
pensamento político e jurídico, conforme veremos a serguir.

Kant não escreveu um tratado de política ou jurídico. Todavia, sua obra interessa à
reflexão sobre o Estado de uma dupla maneira: diretamente, por um lado, na medida em
que suas análises que incidem sobre a moral, os costumes, o direito e a história, definem
conceitos que têm implicação política; indireta e talvez mais profundamente, por outro
lado, na medida em que sua concepção filosófica do conhecimento e do saber, da prática
e dos fins últimos do homem influem no pensamento político moderno, tanto pelas
perspectivas metodológicas que abriu como pelos resultados que permitiu adquirir.

Diversas são as questões submetidas ao crivo da análise kantiana. A primeira delas diz
respeito ao conhecimento, suas possibilidades e seus limites. A segunda questão
analisada foi o problema da ação humana, que envolve problemas morais e jurídicos
(filosofia prática). Como deve o homem agir na ordem moral e jurídica ? É aqui que se
situam os textos políticos e jurídicos mais importantes do pensamento kantiano.
Para uma adequada compreensão do pensamento político e jurídico de Kant, é
fundamental uma leitura atenta da sua Metafísica dos Costumes (1797), dividida em
duas partes, "Doutrina do direito" e "Doutrina da virtude", das quais a primeira
apresenta maior significação para nosso estudo. Por pensamento político-jurídico
entendemos aqui as principais idéias deste filósofo moderno sobre Poder, Estado,
Direito, Liberdade e Justiça.

Atentando, pois, para este "pano de fundo" da concepção político-jurídica de Kant,


daremos destaque em nossa exposição a determinadas passagens da Metafísica dos
Costumes. Convém esclarecer que, para Kant, "costumes" designa toda o conjunto de
leis (em sentido amplo) ou regras de conduta que normatizam a ação humana. Kant
propõe-se, assim, a elaboração de uma matafísica da conduta do homem enquanto ser
livre, entendendo-se "metafísica" como um conhecimento racional não empírico. Numa
linguagem tipicamente kantiana, pode-se dizer que Metafísica dos Costumes designa
um saber "a priori" ou puro (não contaminado pela empiria) das leis que regulam a
conduta humana. Kant refere-se uma "Filosofia moral pura, completamente livre de
tudo aquilo que é empírico e que pertence à antropologia".

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Analisando a faculdade de conhecer, na Crítica da Razão Pura, Kant distingue duas


formas de conhecimento: o empírico ou a posteriori, e o puro ou a priori. O
conhecimento empírico refere-se aos dados fornecidos pelas experiências sensíveis.
Exemplo: "A janela está aberta". Tal proposição vincula-se a dados captados pelos
sentidos. O conhecimento puro ou a priori, pelo contrário, não depende de qualquer
experiência sensível. Exemplo: "A linha reta é a distância mais curta entre dois pontos".
O primeiro tipo de conhecimento, ao contrário do segundo, produz juízos necessários e
universais.

Ao lado desta primeira distinção, Kant introduz outra. Refere-se aos juízos analíticos e
aos juízos sintéticos. Nos primeiros, o predicado já está contido do sujeito. Exemplo:
"Os corpos são extensos". Nos sintéticos, pelo contrário, o predicado acresce algo de
novo ao sujeito. Exemplo: "Os corpos se movimentam". Para Kant, os juízos sintéticos
são os únicos que "enriquecem" o conhecimento.
Feitas estas distinções iniciais, Kant classifica os juízos em três tipos: analíticos,
sintéticos a priori e sintéticos a posteriori. Para kant, os juízos analíticos não teriam
maior interesse para a ciência, pois embora universais e necessários, não representam
qualquer enriquecimento do saber. Por outro lado, os juízos sintéticos a posteriori,
também carecem de importância posto que são todos contingentes e particulares,
referindo-se a experiências que se esgotam em si mesmas. Portanto, o terreno próprio da
ciência deverá ser preenchido pelos juízos sintéticos a priori, os quais são ao mesmo
tempo universais e necessários, fazendo avançar o conhecimento.

A razão, aplicada à crítica do conhecimento, também volta-se, em Kant, para análise do


universo da moralidade.

Diz Kant: "Permita-nos aduzir que, a menos que se queira negar toda verdade ao
conceito de moralidade, e toda relação entre ele e um objeto possível qualquer, não se
pode negar que sua lei lei é de tal abrangência que ela vigora não apenas para seres
humanos, mas para todo ser racional em geral; e não apenas sob condições contingentes
e com exceções, mas de maneira absolutamente necessária. É claro que nenhuma
experiência poderia nos dar sequer ocasião de inferir a possibilidade de tais leis
apodíticas. Pois com que direito podemos tornar alguma coisa um objeto de ilimitado
respeito, com uma prescrição universal para toda natureza racional, se ela talvez
pudesse ser válida unicamente sob as condições contingentes da humanidade ? E por
que leis de determinação de nossa vontade deveriam ser tomadas por leis determinação
da vontade do ser racional em geral, se tais leis fossem empíricas, ao invés de ter sua
origem inteiramente a priori da razão pura, embora prática" (Fundamentos da Metafísica
dos Costumes).

Para Kant, a moralidade parece ter um valor em si mesma. Ela expressa um dever puro.
Tem sua origem a priori na razão, e não a posteriori. Indica um dever de forma
categórica. Ou seja, ordena categoricamente, e não hipoteticamente. Neste sentido, Kant
afirma que "todos os imperativos ordenam hipotética ou categoricamente... Se a ação for
boa simplesmente como um meio para alguma outra coisa, então o imperativo é
hipotético; mas se a ação é representada como boa em si mesma e, portanto, como um
princípio necessário para uma vontade que, em si mesma, está em conformidade com a
razão, então o imperativo é categórico" (Fundamentação da Metafísica dos Costumes).
Imperativo aqui quer dizer ordem, mais precisamente "ordens da razão". O imperativo
categórico nos mostra o que é racional em si mesmo. Por outro lado, o imperativo
hipotético revela uma ação que é um meio para consecução de determinado fim.

Para Kant, o imperativo categórico pode formulado da seguinte forma: "Age


unicamente segundo uma máxima tal que ao mesmo tempo possas querer que ela se
torne uma lei universal". E ainda: "Age de tal maneira que trates a humanidade, em tua
própria pessoa e na pessoa de cada outro ser humano, jamais como um meio, porém
sempre ao mesmo tempo com um fim." (Metafísica... )

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Kant denomina "leis da liberdade" aquelas que regulam a conduta humana, e "leis da
necessidade" aquelas que regulam a natureza, ou os eventos naturais. As leis da conduta
humana (objeto da metafísica dos costumes) são ordem, diferentemente das leis
naturais. Enquanto estas regulam fenômenos naturais de forma necessária (leis da
necessidade), aquelas se referem ao homem, que, diferentemente dos seres naturais, é
livre (daí falar-se em leis da liberdade). As leis da necessidade descrevem, enquanto as
leis da liberdade prescrevem. As leis da liberdade são, portanto, preceitos.

Kant distingue dois tipos de preceitos: os categóricos e os hipotéticos. Os que


prescrevem uma ação boa por si mesma são categóricos: "Não deves furtar". Os que
prescrevem uma ação boa tendo em vista um certo fim são ditos hipotéticos : "Se você
não quiser ser preso, não deve furtar".

No que se refere às "leis da liberdade", importa distinguir a legislação moral da


legislação jurídica, ambas referenciadas à conduta humana.

        

Para Kant, "As leis da liberdade chamam-se morais para distinguir-se das leis da
natureza. Enquanto se referem somente às ações externas e à conformidade à lei
chamam-se jurídicas; se, porém exigem ser consideradas em si mesmas, como
princípios que determinam as ações, então são éticas; dá-se o nome de legalidade à
conformidade das ações com as primeiras, e de moralidade à conformidade com as
demais". A ação moral é, pois cumprida, não em virtude de um fim, mas tão somente
pela máxima que a determina. É posta em movimento por uma inclinação interior
(imperativo categórico). Assim, "a legislação que erige uma ação como dever, e o dever
ao mesmo tempo como impulso, é moral. Aquela, pelo contrário, que não compreende
esta última esta última condição na lei, e que, consequentemente, admite também um
impulso diferente da idéia do próprio dever, é jurídica". E ainda: "A legislação ética é a
que não pode ser externa, a legislação jurídica é a que pode ser também externa. Assim,
é dever externo manter as próprias promessas em conformidade com o contrato, mas o
imperativo de fazê-lo unicamente porque é dever, sem levar em conta qualquer outro
impulso, pertence somente à legislação interna". Temos, pois, em conformidade com a
perspectiva adotada por Kant, que a distinção entre moralidade e juridicidade é
puramente formal. Diz respeito à forma de obrigar-se, e não ao objeto das ações.

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Em compasso com sua ótica "metafísica", Kant intenta proceder uma justificação do
direito e de seus principais institutos jurídicos a partir de princípios puramente
racionais. Trata-se de uma ilação "transcendental". Kant, não elabora um doutrina
empírica do direito, mas uma doutrina metafísica, ou seja, uma doutrina racional do
direito.

Segundo kant, "o conceito de direito, enquanto este se refere a uma obrigação
correspondente (...) diz respeito em primeiro lugar somente à relação externa, e
absolutamente prática, de uma pessoa com relação à outra, enquanto as ações próprias
podem ter como base influências recíprocas". O direito situa-se, assim, no mundo das
relações externas entre os homens.

E mais. O conceito de direito "não significa uma relação do arbítrio com o desejo dos
outros, como acontece nos atos de beneficência ou de crueldade, mas refere-se
exclusivamente às relações com o arbítrio dos outros". O direito refere-se, pois, a uma
relação externa entre dois arbítrios. Isto quer dizer que somente temos o "direito"
quando nos defrontamos com um encontro não de dois desejos, ou de um arbítrio com
um desejo, mas de dois arbítrios, que dizer, de duas capacidades conscientes do poder
do poder que cada uma tem de alcançar o objeto do desejo.
Neste contexto, "o direito é o conjunto das condições por meio das quais o arbítrio de
um pode estar de acordo com o arbítrio de um outro, segundo uma lei universal da
liberdade". Com base nesta concepção, Kant apresenta algumas determinações da
categoria direito, senão vejamos.

Primeiramente, o direito, como categoria autônoma, refere-se em primeiro lugar


somente à relações externas e práticas de um sujeito em relação a outro, situando-se
assim no campo das relações intersubjetivas. Como o mundo das relações
intersubjetivas é mais amplo que o campo do direito, faz-se mister determinações mais
específicas do direito. Aprofundando sua análise, Kant afirma que, "em segundo lugar,
o conceito de direito não significa uma relação do arbítrio com o desejo dos outros",
como ocorre no terreno na moralidade, "mas refere-se exclusivamente às relações com o
arbítrio dos outros". Assim, para que exista uma relação verdadeiramente jurídica, é
necessário que o meu arbítrio esteja relacionado com o arbítrio dos outros, e não
somente com o desejo dos outros. Resta, claro, na ótica kantiana, que o arbítrio se
distingue do mero desejo pela consciência da sua capacidade de produzir um objeto
determinado, em conformidade com a relação jurídica em questão. Por fim, arremata
Kant, "nesta relação recíproca de um arbítrio com o outro, não se considera
absolutamente a matéria do arbítrio, ou seja, o fim que uma pessoa se propõe por um
objeto que ela quer (...) mas somente a forma da relação dos dois arbítrios, enquanto
esses são considerados absolutamente como livres". Tal derradeira e última
caracterização do fenômeno jurídico, coloca Kant no limiar do formalismo jurídico
ocidental. Nesta perspectiva, o direito fornece apenas a forma universal de coordenação
e convivência dos diversos arbítrios.

Da conceituação kantiana de direito, e de todas as determinações acima expostas, deriva


a lei universal do direito, assim formulada por kant: "Atua externamente de maneira que
o uso livre de teu arbítrio possa estar de acordo com a liberdade de qualquer outro
segundo uma lei universal". Do exposto resta claro que sua concepção jurídica é
tipicamente liberal, ou seja, centrada da liberdade individual, e formalista, ou seja,
desvinculada de fins ou valores.

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Em conformidade com sua ótica epistemológica, a distinção entre direito privado e
direito público não é uma distinção empírica, mas fundamentalmente uma distinção
racional. Sendo racional, a única forma de fundamentá-las é voltando-se para as
chamadas "fontes", das quais os diversos direitos se originam. Assim, qualquer direito
que derive do Estado é direito público, mesmo aquele que os juristas costumam
denominar direito privado. Todo direito estatal é necessariamente um direito público.
Um direito privado, para kant, portanto, somente seria possível fora do âmbito do
Estado. Tal seria possível ?

Para Kant, que é um jusnaturalista, tal é possível. O direito fora do estado, e, portanto,
não público, seria o direito natural, aquele que regula as relações entre os homens no
estado de natureza. O direito privado seria assim o direito próprio do estado de natureza,
próprio de uma estado pré-estatal. Desta forma, o problema da distinção entre direito
privado e direito público em Kant muda para a distinção entre direito natural e direito
positivo, ou seja, entre o direito a que se visa no estado de natureza e o direito a que se
visa no estado civil. Direito privado e direito público correspondem, portanto, na teoria
kantiana, a uma distinção de status: o primeiro é próprio do estado de natureza, no qual
as relações jurídicas atuam entre indivíduos isolados, independentemente de uma
autoridade superior; o segundo é próprio do estado civil, no qual as relações jurídicas
são reguladas por uma autoridade superior aos indivíduos, que é, neste caso, a
autoridade superior do Estado.

Observe-se, contudo, que, em Kant, o direito privado não desaparece no interior do


direito público, devendo, no estado civil, gozar das garantias não presentes no estado de
natureza. O estado civil não deve importar numa anulação do direito natural, do direito
privado, para possibilitar seu pleno florescimento e desenvolvimento através da
atividade coercitiva do Estado. Direito público e direito não se encontram, pois, numa
relação de antítese, mas de integração.
Kant, na ³Metafísica dos Costumes´, conceitua o Estado como ³ a reunião de muitas
pessoas, vivendo sob a égide do direito´. Conceito este, pelo seu formalismo, recebeu
severas críticas de Shopenhauer, para quem a Teoria do Estado teria sido a parte mais
vulnerável da obra de Kant. No conceito de Bordeau, parece existir maior validade,
quando ele afirma que o Estado resulta da institucionalização jurídica do poder, dentro
da sociedade. Tal institucionalização se afirmaria no poder que se transfere de um
indivíduo para uma instituição. A essência do poder repousaria, assim, na instituição e
não na pessoa. Essa despersonalização do poder é o que caracterizaria o Estado.
A passagem da concepção jusnaturalista à positivista, que dominou todo o século
passado e que domina em grande parte até agora, sua origem, está ligada à formação do
Estado moderno que surge com a dissolução da sociedade medieval.

A sociedade medieval era uma sociedade pluralista, posto ser constituída por uma
pluralidade de agrupamentos sociais cada um dos quais dispondo de um ordenamento
jurídico próprio: o direito aí se apresentava como um fenômeno social, produzido não
pelo Estado, mas pela sociedade civil. Com a formação do Estado moderno, ao
contrario, a sociedade assume uma estrutura monista, no sentido de que o Estado
concentra em si todos os poderes, em primeiro lugar aquele de criar o direito: não se
contenta em concorrer para esta criação, mas quer ser o único a estabelecer o direito, ou
diretamente através da lei, ou indiretamente através do reconhecimento e controle das
normas de formação consuetudinária. Assiste-se, assim, àquilo que em outro curso
chamamos de 
     
    

A esta passagem no modo de formação do direito corresponde uma mudança no modo


de conceber as categorias do próprio direito, tendo em, vista que estamos atualmente tão
habituados a considerar Direito e Estado como a mesma coisa que temos uma certa
dificuldade em conceber o direito posto não pelo Estado mas pela sociedade civil.

Os jusnaturalistas admitiam a existência de um estado de natureza, isto é, uma


sociedade em que existiam apenas relações intersubjetivas entre os homens, sem um
poder político organizado. Nesse estado, que teria precedido a instauração da sociedade
política (ou Estado), admitiam a existência de um direito que era, exatamente, o direito
natural. Segundo os jusnaturalistas a intervenção do Estado limita-se a tornar estáveis
tais relações jurídicas.