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Desarticulando
Ideias ouro-pretanas

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Este texto foi revisado, preparado e composto


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©Públio Athayde

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PÚBLIO ATHAYDE

Desarticulando
Ideias ouro-pretanas

2011

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Dedico este livro a


meus amigos de infância,
E à memória dos companheiros
que se foram antes do tempo.

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Não quero de volta nada daquilo de que tenho
saudade, senão terei saudade de novidades.
22/04/11

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Sumário
Anhanhonhacanhuva ............................ 9
Banquete de dona Onça ...................... 14
Bíblia, casamento e Estado ................. 18
Coerção eleitoral ................................ 21
Convivas em Ouro Preto ..................... 23
Diferenças entre historiadores e
jornalistas ......................................... 27
Educação versus instrução .................. 29
Medida Procrastinatória ..................... 36
Memória e imagem ............................. 37
Minha gênese ..................................... 41
O som, o tom e a melodia colonial... .... 44
Opinião de cada um ............................ 46
Ouro-pretano, quem és? ..................... 48
Padre Simões ..................................... 52
Prólogo .............................................. 55
Semana Santa de 2011 em Ouro Preto . 58
Sexo dos anjos ................................... 60

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Texto da memória ............................... 64


Traduzindo a bíblia ............................. 66
Tratando de varal de tripas ................. 68
Um só partido nacional........................ 70

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Prefiro não delegar à fúria dos deuses os julgamentos
de que eu me abstiver.
11/04/11

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Anhanhonhacanhuva
Recorro a uma das mais curiosas expressões do tupi,
que devemos aos bravos goitacás precedentes aos
bandeirantes, para dar uma pálida ideia do que penso
de nosso sistema educacional.

Claro, poucos sabem: Anhanhonhacanhuva significa


água parada que some no buraco da terra, é o antigo
nome indígena da localidade, em Minas Gerais, atual-
mente conhecida pe-
los nomes Fidalgo e
Quinta do Sumidouro
(distritos de Pedro Le-
opoldo, MG), onde si-
tua-se a Lagoa do Su-
midouro (a dita Anha-
nhonhacanhuva), local

sagrado dos cita- Um anhanhonhacanhuva


dos índios e refe-
rencial geográfico central e principal do Parque Esta-
dual do Sumidouro. A ocorrência de sumidouros não é
rara, principalmente em regiões calcárias.

Anhanhonhacanhuva, palavra quase impronunciável –


onde nasalar ou não? É simplesmente um sumidouro.
Sobrou em nossa língua como toponímico, embora res-
tem lembranças de seu significado comum: sumidou-
ro, a espiral que suga as águas e desaparece com elas

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Banquete de dona Onça


No tempo em que lá em casa tinha uma onça, era há-
bito da vizinhança, da redondeza e até de gente mais
distante livrarem-se dos gatos indesejados levando-os
para serem alimentos do bichano maior. O prêmio pela
gentileza era assistir a refeição. Acontecia que o espe-
táculo o abate, clímax do evento, dava-se no início da
cena e era muito rápido (o que não é recomendado
pelos roteiristas), mas as cenas que se seguiam eram
igualmente interessantes.

Primeiramente um bote certeiro, no pescoço; esma-


gamento, perfuração e torção simultâneas; paralisia
imediata da vítima, seguida apenas de espasmos. De-
pois a primeira parte da refeição, o sangue da vítima,
sugado imediatamente, muitas vezes sem mesmo sol-
tar a presa, sugando pelo pescoço, ou abocanhando a
cabeça, colocando-a inteira na boca. Se a onça esti-
vesse relativamente saciada antes do abate, essa pri-
meira parte da refeição, hematofágica, era suficiente
para o momento e o gato ficava de lado até a fome
voltar.

Depois, havendo fome, o aperitivo seriam as orelhas e


as vísceras o prato da segunda refeição, a que se se-
guia o esquartejamento da presa e reserva das peças
para sucessivas e posteriores refeições. Um gato mé-
dio provia umas três a quatro refeições para a onça.

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Bíblia, casamento e Estado


Um dos primeiros argumentos que vêm à tona quando
se discute essa ou aquela forma de casamento é o que
diz a bíblia.

A bíblia não diz nada. Bíblia é livro e livros não dizem,


eles trazem as coisas escritas (não sei se você já viu
algum, mas é assim que eles são). E coisas escritas
cada um lê como quer. Quando o livro é grosso, confu-
so, compilado politicamente, nele se encontra justifica-
tiva para qualquer coisa. Por coisas escritas na bíblia
muita gente foi pra fogueira, muitos foram seviciados,
muita grana foi roubada dos pobres.

Então não me diga que há isso ou que há aquilo na


bíblia, pois aquela mixórdia de textos se presta e sem-
pre se prestou a todo tipo de interesse.

Sim, sim, minha gente – religiões definem e interferem


nas relações afetivas das pessoas, controlando-as. En-
tão vamos dar azo à liberdade religiosa e permitir os
casamentos poligâmicos aos mórmons e islamitas bra-
sileiros, vamos reconhecer o direito (cristão) de "prima
note" aos coronéis nordestinos (não sei se Sarney vai
dar conta, mas gostaria) e vamos entregar crianças a
orgias de algumas ínfimas seitas indianas que não sei
se há por aqui... Pois se religião serve serve para coibir
essa ou aquela prática, também há de servir para libe-
rar alguma.

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O som, o tom e a melodia co-


lonial...
A caverna em que habito fica numa região em que há
muitas outras. Passei nela uma madrugada acordado,
tentando ouvir o silêncio da noite – nem havia estrelas.
As outras pessoas que vivem comigo não produziam
nenhum ruído, provavelmente dormissem...

Mas o que menos pude ouvir foi o silêncio. Não havia


nenhum fogo em minha espelunca, mas várias luzes
penetravam pelas frestas, nenhuma delas natural. Mas
havia ruídos das cavernas adjacentes, de todos os la-
dos, das pessoas transitando entre elas, e dos fogos
sempre acesos em algumas delas, de animais... Nunca
há silêncio, quando há tantas cavernas.

Do silêncio da noite, aquele que nos permite ouvir a


voz das estrelas, só pude ter a saudade de algum dia
bem distante quando estive em lugar bem menos ha-
bitados, lugar em que o fogo mais perto, em linha reta,
teria viajado alguns anos antes de chegar a mim. E os
ruídos eram das folhas, dos insetos, o ar se movimen-
tando... Sons que não se sobrepõem ao éter ou ao atri-
to da atmosfera com o planeta em seu giro diário.

Fiquei imaginando qual seria, há 200 anos, o som da


noite no lugar mesmo em que nasci... Quando ali ha-
veria poucas cavernas e a centésima parte das pesso-

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as dentre as quais eu vivo. E muito poucos lumes e


candeias competiam com a radiação dos astros.

Entendi então que, para ter uma ideia qualquer sobre


a noção de som, a compreensão de tons e a melodia
da música colonial, o ponto de partida seria a aceita-
ção do fato de que os habitantes das cavernas por per-
to de onde eu nasci, 200 anos antes dessa efeméride,
seriam em número muito menor, teriam muito menos
fogos a crepitar pela noite, ficariam muito mais reco-
lhidos depois de o sol se por... E estariam muito mais
propriamente afetados pela calada da noite. E não é
na calada da noite – agora no sentido moderno mesmo
da expressão – que estamos mais afetados pelos me-
dos, pelas melancolias, pelos fantasmas e pelas fés?
Acredito que a centésima parte das pessoas produzam
a centésima parte dos ruídos e tenha motivos para ter
cem vezes mais medos.

Fico imaginando a acuidade auditiva dessas pessoas


acostumadas a perscrutar dentre o mais profundo
abismo sonoro das noites setecentistas os ruídos mais
horripilantes das travas e os mais alentadores hinos
angelicais.

Nesse contexto de outrora e de agora, dois elementos


de análise surgem a se considerar: o som enquanto
fenômeno físico e, simultaneamente, inserido em con-
cepções culturais; e, do outro lado, a música propria-
mente dita, isto é, o som “culturalmente organizado”
pelo homem.

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eternamente, um lugar de respeito e gratidão. Isso


para destacar apenas o mais importante de uma série
de agrados durante toda minha meninice.

Não resisto, vou apontar mais uma coisa que fazia


meu padrinho e que era absolutamente notável: ele
gostava de picolés,
por isso, quantas e
quantas vezes, quan-
do eu estava na casa
dele (a casa paro-
quial), ao passar um
menino vendendo pi-
colé na rua, padre Si-
mões nos comprava
não um ou dois, mas
mais de uma dúzia de
picolés do Crispim
(excelentes!) e chupá-
vamos todos, um após
outro... Pode haver
homem mais fabuloso
que o que nos dá bici-
cleta e compra montes
de picolés? Pe. Simões à época da ordena-
ção
Depois que fiquei
adulto, dei pra ter opiniões diferentes das dele em
muitas coisas: distanciamo-nos – que bobagem. O res-

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Texto da memória
Nenhum texto se faz por partes. Ele é concebido, pro-
jetado e registrado em conjunto, todas as partes ao
mesmo tempo. Trata-se uma recuperação de memória
e seu registro simultâneo, trata-se de dar estrutura
sintática a cada lembrança e explorar semanticamente
cada possibilidade representativa das palavras para
fixar uma memória. Trata o texto de ser de uma ma-
croestrutura representativa estática tentando fixar
uma estrutura hipercomplexa e dinâmica. E o texto
não é todo a um só tempo, mesmo já o sendo. O texto
é a parte dele em que estamos, mesmo sendo o que já
dele conhecemos e o que viremos a conhecer. Assim
como a vida, ou as memórias – que são igualmente
apenas o presente e a afloração do agora, também
sendo o perfeito e o mais-que-perfeito tanto quanto os
devires. E note aqui que saí do campo das metáforas,
não substituindo texto por vida – apenas traçando en-
tre ambos o paralelo material.

O todo sem a parte não é todo,


A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
[…] (Gregório de Matos)

As pesquisas envolvendo busca de memória, princi-


palmente as baseadas na oralidade, têm a fala como
veículo das lembranças e os artifícios metodológicos
(posto que toda metodologia é artificial em busca de

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uma complexidade fática inalcançável) resultam em


procedimentos de elicitação da informação de diversos
sujeitos passivos na pesquisa por um (ou mais) pes-
quisadores ativos.


Fique a autoridade com a família, que educa, o poder e
o império fiquem com o Estado.
12/04/11


Nada é mais presente no passado que a morte.
31/01/11


É muito bacana essa ideia de tombar, desapropriar,
interditar e expropriar. Mas deve-se sempre lembrar
que esses verbos se aplicam sobre a propriedade
privada, coisas adquiridas com esforço, construídas
com despesa, herdadas com orgulho e cuja natureza é
a base de nosso sistema político, econômico e cultural.
22/05/10


Critérios são como nádegas, cada um os tem – mas
são sempre propícios a pancadas corretivas e pouco
danosas.
24/04/11

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Traduzindo a bíblia
Uns dizem que na bíblia há palavras de Deus – em to-
das que vi as palavras foram escolhida por tradutores,
serão eles deuses ou inspirados?

Não existe tradução sem interpretação. Também não


existe inquisição, felizmente – então posso dizer livre-
mente o que penso: tenho séria dúvida de que pessoas
informadas e inteligente tenham mesmo fés. Têm inte-
resses que escondem sob (sob mesmo!) esse nome!
Fé é a improvável crença no impossível. "Interesses ou
necessidades, não importa. Interesse em causa pró-
pria, necessidade quando se pensa no outro" (Adriana
Shnoor).

Até eu mesmo, eventualmente, finjo crer, por pura ur-


banidade: se um idoso ignorante me diz "deus te aju-
de", respondo naturalmente "amém, a nós todos", por
cortesia.

Afinal, se alguém me disser "bom dia" eu não vou res-


ponder que não acredito em augúrios e nem na força
das palavras...

E a coisa, partindo da premissa hipotética de que os


fatos tenham sido segundo a versão bíblica mais cor-
rente que se têm deles, pensando somente nos evan-
jelus (quem duvidar confira, essa forma timorence em
nossa língua unificada), começa interpretativa na fon-
te: o fundador não escreveu bulhufas; seus seguido-

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