Anda di halaman 1dari 35

UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA

REGIÃO DO PANTANAL-UNIDERP
CURSO DE PEDAGOGIA - INTERATIVA
MÓDULO ALFABETIZAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA
LABORATÓRIO DE PRÁTICAS INTEGRADAS

MARTA ANGÉLICA- RA 118786


SUELEN MARAYA- RA 113898

ESCOLA MUNICIPAL ELINÉA FOLHADELLA: OBSERVAÇÃO DE


ESTRATÉGIAS DE LEITURA E ESCRITA EM UMA SALA DE 1º ANO
E DE 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

MANAUS
2008
MARTA ANGÉLICA- RA 118786
SUELEN MARAYA- RA 113898

ESCOLA MUNICIPAL ELINÉA FOLHADELLA: OBSERVAÇÃO DE


ESTRATÉGIAS DE LEITURA E ESCRITA EM UMA SALA DE 1º ANO
E DE 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Pesquisa para fins de avaliação do Módulo


Alfabetização e Ensino da Língua Portuguesa,
referente às Unidades Temáticas de A função
social da escrita na história dos homens;
Fundamentos Teóricos da alfabetização, do
Letramento e o processo de construção da
escrita pela criança; O Ensino da língua
portuguesa na educação infantil e anos
iniciais do ensino fundamental; A literatura
e o mundo da escrita e da leitura, do curso
de Pedagogia da UNIDERP Interativa, sob
Orientação das professoras Interativas Geise
Cristina Lubas Ricardi, Maria de Fátima
Xavier da Anunciação de Almeida e da
Professora Local Mª Mercy Soares.

MANAUS
2008
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros
desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são
pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode
levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre
têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a
essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não
amam pássaros engaiolados. O que elas amam são
pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros
coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem
fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo
não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
APRESENTAÇÃO

O que constatamos, ao compararmos os Parâmetros Curriculares Nacionais


de Língua Portuguesa e as pesquisas relativamente recentes publicadas sobre o ensino
de Português, incluindo a análise da língua falada, é que nem sempre fica claro, para o
professor de nível fundamental, o que se deve ser priorizado em sala de aula e que tipo
de material deve ser trabalhado.

É fato que comparar diversos gêneros das modalidades oral e escrita,


configura uma abordagem importante, mas ainda é necessário que se proponha uma
espécie de conteúdo programático mínimo, para que não ocorram simplesmente
comentários gerais e superficiais, ou preconceituosos a respeito dos textos, por
exemplo, pode-se trabalhar com textos teatrais, mas não como eles fossem uns
exemplos de fala espontânea, é possível cotejar textos orais e escritos produzidos pela
mesma pessoa, mas não apenas para destacar exemplos de gírias ou algo semelhante.

Também é interessante verificar que muitas vezes a escola menospreza a função


da oralidade na formação da subjetividade e valoriza exageradamente a escrita. Isto
recai num grave erro, afinal, ler não se faz só com os olhos e o cérebro, mas através dos
ouvidos, do corpo, do olfato, da imaginação e do afeto.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO........................................................................................................................ 07
CAPÍTULO 1
CONHECENDO A INSTITUIÇÃO DE ENSINO......................................................... 09
1.1 COMO TUDO COMEÇOU................................................................................................. 10
1.2 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO.............................................................................. 11
1.3 PLANEJAMENTO DE CURRÍCULO............................................................................... 12
1.4 ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL.......................................................... 13
1.5 CONHECENDO A PROPOSTA CURRICULAR DO CICLO BÁSICO E DO 2º
CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL.................................................................................. 13
CAPÍTULO 2
CONHECENDO OS PARÂMETROS E REFERENCIAIS CURRICULARES
NACIONAIS............................................................................................................................. 15
2.1 CONHECENDO CADA PCN DE 1ª A 4ª SÉRIE............................................................ 17
2.2 TRANSVERSALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE............................................ 36
2.3 COMO A INSTITUIÇÃO ENSINA.................................................................................... 38
2.4 OS PROJETOS DA INSTITUIÇÃO.................................................................................. 39
CAPÍTULO 3
RESULTADOS OBTIDOS NA PESQUISA DE CAMPO................................................... 41
3.1 CONHECENDO A EDUCADORA E SEU TRABALHO................................................ 42
3.2 EDUCAÇÃO DA DIFERENÇA (Aulas Práticas em Sala de Aula).................................. 48
CONCLUSÃO ......................................................................................................................... 62
REFERÊNCIAS........................................................................................................... 63

INTRODUÇÃO
O Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa esta voltado a
reflexões sobre o ensino da língua oral e escrita, essa que é fundamental para a
participação social efetiva do individuo no meio em que se encontra inserido, por meio
dela o homem se comunica, tem acesso à informação, se expressa, defende ponto de
vista, constrói visão de mundo e produz conhecimento.

Ao analisarmos a proposta do Parâmetro Curricular Nacional de Língua


Portuguesa para as primeiras séries do ensino fundamental, percebemos que traz a
mesma concepção das autoras como, Ferreiro, Tfouni, Soares, Possari e Neder entre
outras, que tratam a aprendizagem da Língua Portuguesa como um ensino voltado para
as práticas sócio-interacionistas que prioriza a troca interpessoal. Essas linhas de
pensamento servem de referência, como fonte de consulta e de objeto para reflexão e
debate para os profissionais da educação em sua ação em sala de aula.

Observando as colocações que o referencial teórico nos apresenta em


relação à proposta de Alfabetização e Letramento, consideramos que é uma perspectiva
de aprendizagem mais crítica do ensino da língua, apresenta a leitura e a produção de
texto como base para a formação do aluno, mostrando que a língua não é homogênea,
mas um somatório de possibilidades condicionado pelo uso e pela situação discursiva.
Nessas situações discursivas o aluno poderá se constituir como cidadão e exercer seus
direitos como usuário da língua. Falar e escutar, além de ler e escrever, essas ações
permitirá produzir e compreender textos diversos. Portanto, cabe a escola desenvolver a
linguagem oral de seus alunos, mostrando as situações discursivas mais adequadas e
eficientes nas diferentes situações cotidianas.

Seguindo esses subsídios temos o trabalho com a linguagem como um dos


eixos básicos nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, dada a sua importância
para a formação do sujeito, para a interação com outras pessoas, orientação das ações
das crianças, e a construção de muitos conhecimentos, inclusive o desenvolvimento do
pensamento. Quanto mais as crianças puderem falar em situações diferentes, como
contar o que lhes aconteceu em casa, contar história, dar um recado, explicar um jogo
ou pedir uma informação, mais poderá desenvolver suas capacidades comunicativas de
maneira significativa.
A linguagem é representação que os seres humanos fazem no meio em que
esta inserido. Esta representação acontece na vida de todos os indivíduos desde muito
pequenos. A criança ao entrar na escola já possui conhecimentos adquiridos de vários
textos orais e escritos. Como já vimos nas outras áreas do conhecimento estudadas, o
homem é um ser histórico, ao longo de sua vida ele vai construindo conhecimentos,
então o aluno ao iniciar a sua vida escolar já detém conhecimentos prévios, que, no
entanto a escola ainda não considera.

As autoras Possari e Neder (2005, p.17) dizem o seguinte:

“Qualquer que seja a raça, cultura, o espaço que ocupe, o tempo em que vive
o homem esta sempre em contato com outros homens inter - relacionando,
comunicando-se, e essa inter-relação se dão sempre através da linguagem”.

Mediante o trecho acima observamos que os seres humanos estão sempre se


interagindo uns com os outros através da linguagem tanto verbal como não-verbal.
Somos seres de natureza falante, porém, ao entrar na escola, há uma ruptura, a escola
privilegia o ensino da língua que são as normas e regras para se escrever e ler conforme
a norma culta, o ensino do significado prevalece e por muitas vezes atropela os
significados que os alunos já conhecem sobre determinado signo.

Percebemos em nossos estudos, tanto na opinião das autoras Possari e Neder


como nos próprios Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa que a
Linguagem não-verbal, nada mais é a primeira a aprendermos e infelizmente ainda não
esta sendo valorizada no âmbito escolar. Cabe às instituições escolares estarem
ampliando as concepções de ensino da Linguagem, algumas vezes o termo ambiente
alfabetizador vem sendo confundido com a imagem de uma sala com paredes de
cartazes e textos fragmentados que não dão oportunidades para que os alunos
participem e ampliem seus conhecimentos. Dessa maneira alguns lingüísticos
perceberam que havia alguma coisa além da alfabetização, que era mais ampla, e até
determinante desta, que era a oferta de textos variados e de diferentes gêneros voltado
para o ambiente de Letramento.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, pesquisas na área da
Linguagem tendem a reconhecer que o processo de Letramento é (1997, p.23):
“Produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como
sistema simbólico e tecnologia. São práticas discursivas que precisam da
escrita para torná-las significativas. Dessa concepção decorre o
entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas não existe grau zero
de Letramento, pois nelas é impossível não participar de alguma forma, de
alguma dessas práticas”.

Pelo o que compreendemos a respeito dessa citação, a aprendizagem esta


associada tanto na construção do discurso oral como no discurso escrito, ou seja,
considerar os diferentes níveis de conhecimentos prévios que o aluno adquiriu em seu
meio social.

Conforme as leituras realizadas sobre o processo de Alfabetização e


Letramento, encontra-se nas obras de vários outros autores como: Magda Soares,
Teberosky, Tfouni, Possari e Neder, lendo estas percebemos que apresenta em seus
textos à mesma linha de raciocínio dos Parâmetros Curriculares Nacionais. E nos
revelam que pesquisas por todo o Brasil mostram como se pode melhorar a concepção
dos alunos a respeito da própria língua e diminuir o preconceito lingüístico com
atividades simples, que privilegiam o uso, a reflexão no lugar de apenas dividir e
classificar termos e orações etc..

O ensino da Língua Portuguesa, segundo o referencial teórico deve valorizar


todas as possibilidades de produção textual, enfatizando os efeitos de sentido e as
estruturas lingüísticas usadas. No caso da oralidade, sem desprestigiar os textos
elaborados.

É necessário ainda, discutir os Parâmetros Curriculares Nacionais e divulgar


seu conteúdo, motivando os professores a debater as propostas e a sugerir atividades.
Afinal por mais que se questione sua origem e utilidade os Parâmetros Curriculares
Nacionais tem como principal objetivo fazer com que o ensino fundamental forme
cidadãos, e essa é a finalidade primeira de todo o processo educativo.

CAPÍTULO 1
CONHECENDO A INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Nome da Instituição:

Escola Municipal Elinéa Folhadella.

Endereço:

Av. S/N – Alvorada I

Aspecto Legal:

Alto de Criação – Lei 1724/84

Reconhecimento – Parecer nº 024/89

Níveis de Ensino:

Ensino Fundamental

* Ciclos de formação Humana

Entidade Mantenedora:

Prefeitura Municipal de Manaus

* Secretaria Municipal de Educação e Cultura.


1.1 COMO TUDO COMEÇOU

A escola municipal Elinéa Folhadella situada na Av. “F” s/n Alvorada I – Zona
Centro Oeste, tendo como órgão mantenedor a Prefeitura Municipal de Manaus, e
recebendo também ajuda Financeira do FNDE para suprir as necessidades mais urgentes
da escola , foi construída junto com a Feira Coberta do Alvorada, em 1978, sendo
chamada a princípio de Escola Municipal da Feira Coberta.

Em janeiro de 1979, antes de receber o nome atual, foi chamada de Escola


Municipal do Alvorada. Somente em março de 1984 passaria a chamar-se Escola
Municipal Elinéa Folhadella em Homenagem a uma professora da Secretaria Municipal
de Educação e Cultura, então SEMEC e que dedicou parte de sua vida a Administração
e Inspeção Escolar.

Nesta época, a Escola contava com 6 salas de aula (sendo uma turma anexa)
Diretoria, Secretaria, Sala de Leitura, Banheiro, Cozinha e Deposito.

Em 1996 foi ampliada e totalmente reformada- uma obra que estava prevista no
Programa de Expansão e Manutenção da Rede Física Escolar- atendendo à época com
630 alunos distribuídos em seus três turnos de funcionamento (matutino, vespertino e
noturno), com os cursos de Ciclos de Formação Humana e Educação de Jovens e
Adultos (EJA).

Seu prédio, constituído de 6 (seis) salas de aula (com ar condicionado), possui


ainda Gabinete Odontológico com sala de espera, Secretaria, uma pequena biblioteca,
pátio de recreação, depósito para merenda escolar e material didático, cozinha com
refeitório e banheiros masculino e feminino. A Diretoria e Sala dos Pedagogos
funcionam na mesma sala que funciona a Secretaria. Já os professores, no intervalo, se
acomodam em um corredor no 2º lugar, onde foi disponibilizada uma mesa para os
mesmos. O prédio possui instalação elétrica e hidráulica, grades e portão de ferro.

Responde pela atual direção da escola a Gestora Maria de Fátima Portilho


Nascimento, sendo assessorada uma técnica que trabalha no turno matutino. O turno
matutino no momento encontra-se sem pedagoga.

Atualmente, as seis salas de aula com ar condicionado e quadro branco, possuem


capacidade para atender 35 alunos cada. Ao todo entre os turnos matutino e vespertino,
a escola apresenta em seu quadro de lotação um total de 14 professores. A pequena
biblioteca atende os alunos das escolas e adjacências. Para a prática de Educação Física
os alunos dispõem de um pátio que, embora pequeno, serve, entre outras atividades,
para recreação, reunião de pais e hora cívica.

A Escola que atende atualmente um total de 366 alunos está equipada com
apenas duas TVs e um DVD em funcionamento para uso dos alunos e professores.

Esta, conta com uma clientela de moradores do próprio bairro, que possuem
condição sócio-econômica baixa, caracterizada principalmente pelo desemprego. Esta
clientela, formada por crianças e adolescentes, recebe acompanhamento da equipe
técnica da escola.

O desejo desta Instituição de Ensino é que haja uma reforma urgente e que além
das melhoras físicas no ambiente que encontra-se bastante deteriorado, seja construído
um auditório para reuniões pedagógicas e de pais, teatro e festas escolares e
principalmente um laboratório de informática a fim de completar o estudo dos alunos. A
construção de um poço artesiano também é necessário visto os problemas com falta de
água. Vale ressaltar que todas essas dificuldades presentes na escola estão registradas no
seu Projeto Político Pedagógico (PPP).

1.2 CONHECENDO A PROPOSTA CURRICULAR DO CICLO BÁSICO E DO 2º


CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL

A proposta de organização em ciclos dá ênfase ao currículo enquanto processo,


solidificando uma formação básica que procura uma perfeita interação do conhecimento
sistematizado trabalhado na escola com a realidade sócio-cultural de forma crítica e
dinâmica na construção “de um homem integrado, participativo, ousado, reflexivo,
crítico, autônomo, livre de preconceitos, criativo, curioso, investigador, solidário,
cooperativo e construtor de sua realidade”.

Esta Proposta Curricular oferece aos docentes a possibilidade de, ano a ano, no
interior dos Ciclos poder aprofundar os conhecimentos dos conteúdos aqui sugeridos.
Assim, por exemplo: produção de texto deverá ser abordada no 1º ano como uma
construção inicial de palavras, frases simples; no 2º ano a produção de texto será mais
elaborada incluindo outros elementos (períodos mais longos, parágrafos, etc.) e no 3º
ano os alunos terão possibilidade de construir textos mais estruturados e com uma
linguagem mais rica. Essa e outras atividades poderão ser enriquecidas com o uso de
recursos tecnológicos a serem utilizados em todas as áreas de conhecimento que
permeiam o ciclo.

Salienta-se ainda nesta Proposta Curricular estão explicitadas as competências


que os educandos deverão ter ao final de cada ano no interior do Ciclo, como também
ao final de cada Ciclo.

•Objetivos gerais do Currículo:

• “Desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais
independente, com confiança em suas capacidades e percepções de suas
limitações” – (MEC- R.C.N. INFANTIL);
• “Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas
potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de
cuidado com a própria saúde e bem-estar” – (MEC- R.C.N. INFANTIL);
• “Brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e
necessidades.” – (MEC- R.C.N. INFANTIL);
• Adquirir progressivamente o domínio da linguagem a fim de ajudar na
resolução de problemas da vida cotidiana;
• Conhecer, por meio da descoberta, o meio ambiente em que vive;
• Perceber a importância da Matemática, como instrumental necessário para
sua vida no dia a dia;
• Desenvolver o senso crítico, bem como a sua cidadania;
• Vivenciar atividades culturais qua a faça respeitar e valorizar as do outro,
independente do seu credo, sua cor, sua raça e condição social;
• Desenvolver habilidades de leitura e escrita por meio do manuseio de
diferentes tipos de portadores de texto.

Mas para que os objetivos sejam alcançados faz-se necessário selecionar


conteúdos que venham favorecer o desenvolvimento de cada uma das capacidades de
forma harmoniosa.
E o que torna isso possível é proporcionado pela utilização correta dos
Parâmetros e Referenciais Curriculares Nacionais.

CAPÍTULO 2

2.1 CONHECENDO O PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DE LÍNGUA


PORTUGUESA PARA OS CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

LÍNGUA PORTUGUESA

Objetivos de Língua Portuguesa para o primeiro ciclo

As práticas educativas devem ser organizadas de modo a garantir, progressivamente,


que os alunos sejam capazes de:
• compreender o sentido nas mensagens orais e escritas de que é destinatário direto ou
indireto: saber atribuir significado, começando a identificar elementos possivelmente
relevantes segundo os propósitos e intenções do autor;
• ler textos dos gêneros previstos para o ciclo, combinando estratégias de decifração
com estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação;
• utilizar a linguagem oral com eficácia, sabendo adequá-la a intenções e situações
comunicativas que requeiram conversar num grupo, expressar sentimentos e opiniões,
defender pontos de vista, relatar acontecimentos, expor sobre temas estudados;
• participar de diferentes situações de comunicação oral, acolhendo e considerando as
opiniões alheias e respeitando os diferentes modos de falar;
• produzir textos escritos coesos e coerentes, considerando o leitor e o objeto da
mensagem, começando a identificar o gênero e o suporte que melhor atendem à
intenção comunicativa;
• escrever textos dos gêneros previstos para o ciclo, utilizando a escrita alfabética e
preocupando-se com a forma ortográfica;
• considerar a necessidade das várias versões que a produção do texto escrito requer,
empenhando-se em produzi-las com ajuda do professor.

Objetivos de Língua Portuguesa para o segundo ciclo

As práticas educativas devem ser organizadas de maneira a garantir, progressivamente,


que os alunos sejam capazes de:
• compreender o sentido nas mensagens orais e escritas de que é destinatário direto ou
indireto, desenvolvendo sensibilidade para reconhecer a intencionalidade implícita e
conteúdos discriminatórios ou persuasivos, especialmente nas mensagens veiculadas
pelos meios de comunicação;
• ler autonomamente diferentes textos dos gêneros previstos para o ciclo, sabendo
identificar aqueles que respondem às suas necessidades imediatas e selecionar
estratégias adequadas para abordá-los;
• utilizar a linguagem para expressar sentimentos, experiências e idéias, acolhendo,
interpretando e considerando os das outras pessoas e respeitando os diferentes modos de
falar;
• utilizar a linguagem oral com eficácia, começando a adequá-la a intenções e situações
comunicativas que requeiram o domínio de registros formais, o planejamento prévio do
discurso, a coerência na defesa de pontos de vista e na apresentação de argumentos e o
uso de procedimentos de negociação de acordos necessários ou possíveis;
• produzir textos escritos, coesos e coerentes, dentro dos gêneros previstos para o ciclo,
ajustados a objetivos e leitores determinados;
• escrever textos com domínio da separação em palavras, estabilidade de palavras de
ortografia regular e de irregulares mais freqüentes na escrita e utilização de recursos do
sistema de pontuação para dividir o texto em frases;
• revisar seus próprios textos a partir de uma primeira versão e, com ajuda do professor,
redigir as versões necessárias até considerá-lo suficientemente bem escrito para o
momento.

2.2 COMO A INSTITUIÇÃO ENSINA

A Escola Municipal Elinéa Folhadella sempre discute novas tendências


pedagógicas, reformulando seus currículos, alicerçada nas demandas socioculturais do
momento.

Uma dessas demandas é a formação contínua dos educadores. A Prefeitura


Municipal de Manaus investe na atualização de seus profissionais, a partir de
Formações, visando sempre à competência técnica dos profissionais.

Outra demanda é a garantia de espaços de diálogo na Instituição. A escola é


considerada um lugar democrático. Valoriza, sobremaneira, a vivência de pais,
educadores, professores, e todos os saberes que permeiam suas relações.
Propicia ainda aos seus alunos o exercício da capacidade criativa, de liderança e
desenvolvimento de suas potencialidades. Todos são estimulados a participar
ativamente da vida social e histórica.

O Planejamento de Ensino da Escola é muito importante pois evita a rotina e a


improvisação, contribui para a realização dos objetivos visados, promove a eficácia do
ensino e garante a economia de tempo e energia.

O Planejamento de aula é a sistematização de todas as atividades que se


desenvolvem no período de tempo em que o professor e o aluno interagem, numa
dinâmica de ensino-aprendizagem.

O Planejamento da Escola Municipal Elinéa Folhadella é por Projetos o que é de


suma importância para a Escola, pois o trabalho com projetos pode dar conta de alguns
objetivos educacionais com maior profundidade, em particular o desenvolvimento da
autonomia intelectual, o aprender a aprender, o desenvolvimento da organização
individual e coletiva, bem como a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas com o
propósito de realizar pequenos ou grandes projetos pessoais.

“[...] o projeto é a possibilidade eleita. Aquela que está orientada para a


realização, palavra magnífica que deveria reservar-se para a livre ação
humana.” (MARINO, 1995:168).

Na Escola Municipal Elinéa Folhadella os alunos interagem com o saber,


elaborando e realizando projetos. Uma das alternativas hoje para socialização de idéias
e práticas da escola é trabalhar com Projetos.

A estratégia com Projetos requer registro do trabalho, organização das ações e


definição de critérios de avaliação. Valoriza o planejamento de professores e dos seus
objetivos, atribui significado à participação dos alunos que aprendem a pensar
ativamente suas ações na interação com os diversos saberes.

Na elaboração de projetos, o aluno, por exemplo, escolhe o que vai ser


produzido, enquanto forma o processo de produção; elabora o cronograma e as etapas
de trabalho; providencia recursos que serão necessários; identifica os prováveis
conteúdos que deverão ser estudados; avalia seus encaminhamentos e a diferença entre
o que foi imaginado e o que foi concretizado, destacando propostas para aperfeiçoar-se
no futuro.

Faz parte do trabalho do professor considerar o envolvimento prévio e contínuo


do aluno ao longo de seus estudos, e a utilidade dos conhecimentos e das informações
que adquire no processo.

Conforme Freinet (1978),

“A escola tem mais e melhor a fazer que transmitir o saber. Aquilo que é
vasto também não é o saber, nem sequer a descoberta: é a investigação”.
(Freinet, 1978:102)

CAPÍTULO 3

3.1 RESULTADOS OBTIDOS NA PESQUISA DE CAMPO

Nossa experiência na Instituição de Ensino pesquisada foi extremamente


gratificante, pois percebemos que apesar de não possuir laboratórios de informática,
recursos audiovisuais dos mais modernos, nem uma estrutura física mais moderna e
saudável, todo o trabalho é desenvolvido com bastante envolvimento e motivação.
Apesar das dificuldades vivenciadas diariamente, é uma Instituição que prima
pela qualidade do ensino procurando realizar um trabalho de comprometimento com os
alunos, procurando valorizá-los enquanto formadores de opinião.

Afirma Goleman (1995, p 32): “Uma aptidão social chave é a empatia, ou seja, a
compreensão dos sentimentos dos outros e a adoção da perspectiva deles e o respeito às
diferenças no modo como as pessoas encaram as coisas. A capacidade de colocar de
lado nosso foco e impulsos autocêntricos abre o caminho para a empatia, para ouvir de
fato, para adotar a perspectiva de outra pessoa. A empatia leva ao envolvimento e ao
altruísmo. Ver as coisas da perspectiva dos outros quebra estereótipos tendenciosos e,
assim, gera a tolerância e a aceitação das diferenças.”

Argumenta ainda Goleman (1995, p. 44): “as pessoas empáticas estão mais
sintonizadas com os sutis sinais do mundo externo que indicam o que os outros
precisam ou o que querem. Isso as torna bons profissionais no campo assistencial e no
ensino.”

Afinal, profissionais empáticos, que possuem a importante habilidade de


compreender a perspectiva do outro encontram-se em vantagem. A partir do momento
que passam a compreender os alunos, novas idéias surgem, novos caminhos se abrem,
conflitos são resolvidos e soluções são mais facilmente encontradas.

Escolas que procuram estar atentas a uma filosofia de educação coerente, que
reflita e compreenda o processo mental que cada aluno tem, alcançam quase sempre um
sucesso maior com seus educandos. A Escola Municipal Elinéa Folhadella é este tipo
de Instituição de Ensino totalmente comprometida com o SABER.

Propostas, filosofias e objetivos claros, equipe preparada, olhares


individualizados e respeito ao ser humano com o qual estarão interagindo durante boa
parte de suas vidas, estímulo às potencialidades de cada um, e principalmente o
estruturar para uma autonomia plena e saudável, são pontos importantes presentes na
proposta desta Instituição.
3.2 CONHECENDO AS EDUCADORAS E SEUS TRABALHOS

“Atualmente, não há mais um ensino estritamente tradicional. O que


se observa é uma mescla de vários métodos que, ao longo dos anos, o
professor vai incorporando e aproveitando o que há de melhor para
tornar suas aulas mais interessantes e produtivas.” (Professora
Rosália Aguiar- 5 º ANO- E.M. Elinéa Folhadella)

“Não nos desvinculamos do tradicional. Alguns professores têm


passado pela teoria da enunciação ou sociointeracionista, porém
voltam ao tradicional por não encontrarem o respaldo na estrutura
escolar, ou mesmo dos próprios colegas.” (Professora Graça- 1 º
ANO- E.M. Elinéa Folhadella)
Até dá para entender o fato de muitos professores manterem o apego a uma
prática tradicional, o que vemos como um resquício de sua formação conservadora, mas
não compreendemos por que afirmam que a estrutura escolar os leva a isso. Talvez
considerem eles que o geralmente elevado número de alunos nas salas de aula, ou o
espaço quem sabe inapropriado de que dispõem para suas aulas, ou a defasagem do
acervo das bibliotecas, ou outras razões desconhecidas constituam empecilhos para um
trabalho coerente com os pressupostos interacionistas.

Porém, apesar disso, acreditamos na possibilidade de o professor dar a vez e a


voz aos alunos na produção textual oral e escrita, de poder refletir com a turma toda
sobre os textos produzidos em classe, de proporcionar situações de leitura em que os
alunos, de forma compartilhada, apontem pistas que conduzam a significados e
sentidos. Não temos dúvidas de que isso representa um grande desafio para o professor,
dados os obstáculos que se interpõem em seu trabalho, mas nada é impossível a quem é
comprometido com o ensino e a educação.

Por outro lado, é animador o fato de a maioria dos professores reconhecer que,
no atual contexto, a concepção/teoria que mais se presta ao processo de ensino e
aprendizagem da língua é a interacionista.

Percebemos pela colocação das professoras duas visões diferentes do contexto


de trabalho e do ambiente escolar. Uma não acredita ter desvinculado do tradicional e a
outra acredita e pratica diversas teorias que ao ver da mesma, tornam-se estimulantes no
desenvolvimento de sua práxis.

“A sala de aula deve ser lugar de interação, de encontro entre sujeitos;


as atividades de leitura e produção devem ser significativas,
respondendo às questões: por quê? para quê? Importa ensinar o
aluno a usar a língua e não a gramática.” (Professora Rosália
Aguiar- 5 º ANO- E.M. Elinéa Folhadella)

Essa fala evidencia que há professores dispostos a romper com a rotina e hábitos
há muito instituídos, a repensar conceitos e valores educacionais, a ressignificar
caminhos já abertos. Cabe, portanto a estes, reconhecê-los, reinterpretá-los e recriá-los,
dando significado à sua prática, encontrando razões para fazer isso, comprometendo-se
com o que fazem.

Alguns professores afirmam ter insegurança quanto às novas teorias e,


conseqüentemente, quanto a novos procedimentos metodológicos. Dizem não saber
como mudar sua prática. Talvez isso aconteça porque, como afirma Demo (1992), as
universidades não têm sido o lugar onde se discute, se constrói e se efetiva o futuro.
Para o autor, os professores são preparados para apenas transmitir um conhecimento
‘copiado’. A reversão desse quadro também pode estar na formação continuada, desde
que se proporcione aos professores o aprofundamento das temáticas educacionais e de
sua área de atuação, o que lhes servirá de apoio para a devida análise da prática
pedagógica e para um questionamento crítico da intervenção educativa.

Os professores que apontaram a formação em serviço ou continuada como


possibilidade de enriquecimento teórico e prático estão certos, pois a própria Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, reconhece a importância dessa
formação e a vê como um direito dos profissionais da educação, dando destaque, em seu
artigo 61, à associação entre teorias e práticas, mediante a capacitação em serviço. O
artigo remete, pois, à necessidade de os cursos de formação subsidiarem o professor na
relação entre os pressupostos teóricos e práticos, sem a qual não se pode garantir um
processo educativo de qualidade.
3.2.1 1º ANO

“Precisamos urgentemente
de cursos de capacitação
para professores.”

“É necessário que o Estado


se prontifique a abraçar a
causa da CAPACITAÇÃO
CONTINUADA. É nela
que os professores deste
município acreditam estar
a resposta.” (Professora
Graça- 1 º ANO- E.M. Elinéa Folhadella)

A sala de aula é considerada um verdadeiro laboratório, onde muitas coisas podem


acontecer. Mas não basta viver toda essa experiência; é preciso refletir sempre sobre ela.
Entendemos que um dos requisitos para uma ação pedagógica de qualidade é justamente
este: o do professor reflexivo - aquele que reflete ao planejar seu trabalho, ao executar o
que planejou e, de modo especial, ao analisar sua prática, com vistas a reformulá-la,
melhorá-la sempre que for preciso.

Acreditamos que, às vezes, nos falta também compreender o contexto em que


estamos inseridos, ou seja, a sala de aula. Não conseguimos ainda transpor o nível
adequado de leitura desse espaço para efetuar a transformação necessária. O espaço sala
de aula pode ser prazeroso e instigante, uma vez que as possibilidades de
relacionamento e histórias presentes nele são infinitas e inimagináveis. Entretanto,
quando vazio, esse espaço nada representa. Nele devem estar presentes os atores –
professores e alunos – porque sem eles, esse local torna-se um simples cenário sem
ação, sem vida, sem razão de existir, apenas um palco montado, sem espetáculo algum.

Um dos problemas relatados pela professora é o da “incoerência entre as teorias


vigentes e as abordagens contidas nos livros didáticos”. De fato, muitos livros didáticos
se embasam em teorias que não condizem com o atual contexto sócio-educacional, ou
em uma “mistura” teórica que só serve para confundir ainda mais os professores:
convivem, em um mesmo livro, exercícios de cunho tradicional (inclusive, com
cobrança de definições, classificações e regras), exercícios estruturalistas (de seguir
modelos) e, às vezes, alguns “ensaios” de reflexão/análise lingüística.

Todavia, embora poucos existem bons livros didáticos no mercado, inclusive de


autores/professores que vêm pesquisando e produzindo obras sobre o interacionismo, a
enunciação, o discurso/texto etc. para leitura/estudo dos profissionais da área. Portanto,
os professores precisam fazer uso do direito que têm de analisar diversos livros
didáticos, antes de a escola informar ao Ministério da Educação (MEC) a sua escolha.

Foi importante observarmos que a Professora, ao relatar suas experiências


pedagógicas, afirmou basear-se na intuição, expressando o desconhecimento de teorias
sobre sua área de conhecimento. Fez questão ainda de dizer que não gosta de teorias;
prefere atividades práticas, técnicas ou “receitas” que possam reproduzir no trabalho
com seus alunos. Talvez não perceba que, quando realiza sua ação pedagógica, sempre
carrega o sentido dessa ação, tenha ou não consciência disso. Possivelmente, há
necessidade de subsídios para desvelar as concepções que estão “por trás” de seu
trabalho, para poder confirmar ou corrigir sua prática, se necessário.

Tais subsídios podem ser encontrados nos diversos eventos de formação


continuada – encontros de professores, seminários, grupos de estudos, cursos, entre
outros – nos quais os professores podem construir referências teóricas que lhes dêem
condições não só de ampliar seus conhecimentos em relação ao seu objeto de trabalho (a
linguagem, no caso da Língua Portuguesa), como de observar e analisar situações
concretas de ensino-aprendizagem e nelas intervir no momento propício e de forma
adequada.

O confronto teórico-prático permite que os professores construam e/ou


reconstruam metodologias pautadas na articulação entre teoria e prática. Por isso,
concordamos com os professores quanto à sua crença de que a formação continuada
pode ajudá-los a resolver problemas ou dificuldades de sala de aula. À medida que o
professor procura subsidiar sua prática através de estudos e trocas de experiências,
assegurando a vivência do tripé ação/reflexão/ação, certamente os “abismos” de dúvidas
deixam de existir ou, pelo menos, são minimizados.

Outros problemas apresentados pela professora em relação ao seu trabalho


dizem respeito:

a) à ausência das famílias na escola e no acompanhamento dos alunos;


b) à liberação, pela escola, dos professores para cursos de capacitação;
c) ao número excessivo de alunos em sala de aula (mais de 30 alunos);
g) ao desinteresse e indisciplina dos alunos;
h) à presença de alunos que estão na escola por imposição da vida (bolsa família,
conselho tutelar, etc.).

Embora esses e outros problemas apresentados não tenham uma relação direta
com as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental, sabemos que podem
interferir, direta ou indiretamente, no trabalho realizado em sala de aula. A nosso ver,
muitos deles podem ser resolvidos no âmbito da própria escola, numa ação conjunta em
que diretor, equipe pedagógica, professores, pais e alunos reflitam sobre as situações
problemáticas e busquem formas de resolvê-las.

Quanto ao excessivo número de alunos nas turmas, essa é uma situação que só o
Sistema pode resolver. Mas sabemos que a solução não é fácil e imediata, pois demanda
tempo, pesquisa, planejamento, aumento de escolas, salas de aula e número de
professores, entre outras ações.

As reivindicações dos professores são procedentes e podem ser feitas, até como
uma forma de sensibilizar a sociedade e o governo para as necessidades das escolas. Só
que os professores precisam lembrar que o melhor argumento para suas reivindicações
ou sugestões é o seu comprometimento com os alunos e com o processo de ensino e
aprendizagem, com uma educação de qualidade.

Vendo por essa perspectiva, compreendemos a complexidade do espaço da sala


de aula e a importância e necessidade de uma leitura desse local no qual todos os dias
marcamos presença, mas nem sempre o percebemos como fator determinante de nossas
ações.

Portanto, não é a simples ocupação do espaço “sala-de-aula” que o torna local


privilegiado de interação e aprendizado. É necessário um constante diálogo no contexto
escolar, a fim de que por meio da análise dessa relação, possamos evitar que o
autoritarismo e a apatia aí predominem. Um relacionamento saudável e necessário para
a ocorrência da aprendizagem poderá emergir dessa avaliação, descartando desse
ambiente a intolerância e qualquer tipo de preconceito.

O Plano Estadual de Educação (PEE), em processo de construção


coletiva, constitui um importante espaço político de garantia para
melhoria da educação, apontando, inclusive, determinação de um
número máximo de alunos por sala. Contudo, é preciso que a escola e
a sociedade civil tenham conhecimento desse plano e promovam
ações para que as proposições do documento se efetivem na prática.

Neste dia de observação da sala de aula, a professora utilizou duas atividades


diagnósticas: um ditado-mudo para verificar a apropriação do SNA (Sistema de Notação
Alfabética) e ortográfico e a reescrita de uma história para verificar o nível de
textualidade.

A primeira atividade correspondeu a um ditado mudo que envolveu a escrita de


oito palavras: duas monossílabas, duas dissílabas, duas trissílabas e duas polissílabas.
Essa atividade teve por objetivo identificar o nível, como já citado, de compreensão do
SEA e norma ortográfica pelos alunos, com base em Ferreiro e Teberosky (1999) e
Morais (1998, 1999). Foi acordado oralmente o que cada figura representava antes do
início da escrita das palavras pelos alunos. A outra atividade consistiu na reescrita do
texto “Aviso ao Rei Leão”. Inicialmente o texto foi lido pela professora e em seguida os
alunos foram solicitados a produzir por escrito a história ouvida.

A análise da escrita das crianças na atividade do ditado mudo possibilitou


mapear a compreensão que tinham sobre o SEA. As escritas foram categorizadas em
cinco níveis, descritos a seguir, de acordo com as fases da escrita desenvolvidas por
Ferreiro e Teberosky (1999) e com os estudos realizados por Morais (1999).

1- Pré-silábico: as crianças não estabelecem relação entre a escrita e a pauta sonora


das palavras, escrevendo com letras aleatórias ou outros símbolos;

2- Silábico: as crianças escrevem, para cada sílaba da palavra, uma letra (silábico
quantitativo), podendo esta ter correspondência sonora com a sílaba
representada (silábico qualitativo);

3- Silábico alfabético: as escritas das crianças oscilam entre a silábica e a


alfabética;
4- Alfabético com muitas trocas de letras (não domínio das correspondências
regulares diretas): os alunos compreendem que as sílabas são compostas por
unidades menores e conseguem representar os fonemas, embora ainda troquem
muitas letras;

5- Alfabético com razoável domínio das correspondências grafofônicas diretas;


6- Alfabético com razoável domínio das regularidades contextuais e morfo-
gramaticais.

Verificamos que de 32 alunos, 12 já se encontram alfabetizados desempenhando


muito bem as atividades aplicadas, contudo 20 alunos estão entre o nível pré-silábico e
silábico. É perceptível que estes que ainda não estão alfabetizados apresentam
comportamentos bastante diferenciados do outro grupo. Uns apresentam-se agitados,
outros agressivos, outros apáticos e outros desinteressados. A professora relata ainda
que não há assiduidade por parte destes.

3.2.2 5º ANO

“O ensino da Língua
Portuguesa, numa visão
contemporânea, precisa estar
comprometido, tanto na
oralidade quanto na escrita, com
o processo da enunciação e do
discurso, e sua prática deve
estar relacionada a situações
reais de comunicação.” (Professora Rosália Aguiar- 5 º ANO- E.M.
Elinéa Folhadella)

“É preciso disponibilizar condições para uma formação continuada


eficiente (com profissionais competentes e instituições sérias), para
que a proposta sociointeracionista seja efetivamente aplicada em sala
de aula.” (Professora Rosália Aguiar- 5 º ANO- E.M. Elinéa
Folhadella)

A professora realiza um trabalho mais voltado para a epilingüagem, uma vez que
apresenta práticas, em sua maioria, a partir do uso de texto. Destaque para a questão do
letramento, do uso da linguagem em práticas sociais, da comunicação e, neste sentido, a
mesma acredita na gramática como aprendizagem para dar sustentação para essas
práticas. Esta, acredita ainda nas aulas de Língua Portuguesa, no sentido de construção
de concepção de mundo, combatendo o objetivo desta disciplina centrado apenas no
ensino de gramática.

Acreditamos, enquanto observadoras, que professores que possuem pressupostos


ideológicos para planejarem suas atividades, aproximam-se das idéias defendidas por
Leite (2006):

“O conjunto de valores assumidos pelo professor, bem como suas


concepções de homem e de mundo, de sociedade que pretende ajudar
a construir, do papel da escola, da função da escrita na constituição da
cidadania, dos determinantes do fracasso e do sucesso escolar, do seu
próprio papel como professor, da relação trabalho coletivo x trabalho
individual, e de muitas outras crenças e valores, constituem-se como o
conjunto de diretrizes ideológicas, que vão determinar, total ou
parcialmente, as formas como o professor se constitui
profissionalmente e desenvolve suas práticas educacionais.”
(Leite, 2006, no prelo)

Com um trabalho centrado nos alunos, a professora aponta para a necessidade de


o ensino partir da realidade dos alunos para ter significado, trabalhando com a idéia de
partir da realidade destes na questão do que eles já sabem e do que precisam saber em
relação ao conteúdo desenvolvido ou ainda ter como ponto de partida nas aulas os
hábitos culturais que os alunos desenvolvem fora do contexto escolar. Para essa análise,
Leite e Tassoni (2002) apontam que:
“Planejar o ensino a partir do que o aluno já sabe sobre o objeto em
questão, aumenta as possibilidades de se desenvolver uma
aprendizagem significativa, marcada pelo sucesso do aluno em
apropriar-se daquele conhecimento”. (p.15)

Com relação ao uso do livro didático, a professora acredita que muitas vezes
estes são contrários aos objetivos que estabelecem. Ela confessa que complementa o uso
do mesmo com atividades elaboradas por ela, de acordo com a realidade da classe em
que está desenvolvendo as aulas de Língua Portuguesa.

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ROTINEIRAMENTE PELA PROFESSORA:

Reescrita de textos, de narrativas. Esta é uma boa atividade, porque se o aluno


ouviu a historia e tem a possibilidade de recontá-la e depois reescrevê-la ele terá que
escrever, na verdade, uma nova história, pois no recontar e reescrever o aluno apresenta
os aspectos que ele considerou mais importantes na narrativa, e além do mais terá que
ajustar o que se fala, produz, com a escrita. São vários os desafios para um aluno neste
tipo de atividade.

Produção de textos a partir de gravuras. Esta é uma das atividades mais


comuns nas escolas, esta atividade, a pesar de ser tão usada, tem aspectos que
consideramos positivo e outros não. Imagine você receber uma gravura, observá-la e ter
que produzir um texto. Aí começam as dificuldades dos alunos, escrever o quê? Que
historia “inventar” para a professora ler? Não é fácil, como se parece. E isso é tão óbvio
quando se pede para professores realizarem este tipo de atividade, muitos dizem: ”Estou
sem inspiração!”, “Não gostei da gravura!”etc. então pergunto por que cobrar dos
alunos algo que nem os próprios professores gostam de fazer? Em que produzir um
texto sem entusiasmo, e às vezes sem sentido, poderá ajudar na formação de alunos
letrados? Muitas vezes quando pegamos esse tipo de atividade nos deparamos com
pequenas produções de textos, apresentando apenas o óbvio da gravura. Agora quando a
proposta da atividade é a partir de uma seqüência de gravuras, ou uma história em
quadrinhos é melhor, o aluno tem um certo subsidio para escrever. Mas mesmo assim
devemos analisar os seguintes aspectos: tem um interlocutor, qual o objetivo da
atividade, é uma atividade seqüenciada, é um projeto? Precisamos pensar nessas
questões.

Ilustração de histórias. Ilustrar história é importante para o aluno, sem dúvida


nenhuma, mas não pode substituir uma produção de texto. São competências diferentes;
Às vezes o professor por achar que os alunos ainda não escrevem alfabeticamente então
é melhor só solicitar que eles ilustrem as histórias lidas, e acaba perdendo a
oportunidade de recontar e reescrever essas histórias.

Textos com inicio e meio para que os alunos acrescentem o fim. Como nesse
caso os alunos já leram as primeiras partes do texto fica mais fácil brincar de serem
escritores e escreverem o final. Só voltamos a questionar a finalidade do trabalho; o
objetivo didático e social desse texto;

No dia da observação do trabalho da professora, ela estava explanando aos


alunos sobre Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-pau amarelo, aproveitando ainda o texto
do livro de Língua Portuguesa (pág. 267- Texto intitulado: “Emília no País da
Gramática”- conforme anexo). Na lousa foram disponibilizados cartazes diversos1.
Houveram diálogos com a participação ativa dos alunos e depois uma produção de
texto.

Livro de Língua Portuguesa da Editora Ática


com textos, quadros, fotos, ilustrações,
atividades, jogos e brincadeiras.

A TURMA

1
FOTOS TIRADAS PELA ALUNA SUELEN MARAYA
CONCLUSÃO
Acreditamos cada vez mais que, a elaboração de conceitos pela criança irá
depender da diversidade de experiências interacionais que vivenciará nos espaços
institucionais nos quais se encontrar. Na concepção interacionista, a função do adulto
perante a criança não é apenas cuidar e proteger, mas principalmente de torná-la
gradativamente independente, com valores, crenças, hábitos, etc.

Com a intenção de aproximar o aluno da escola e mantê-lo motivado neste


ambiente, devem-se utilizar recursos que diversifiquem a prática pedagógica, buscando
tornar o espaço da sala de aula aconchegante, divertido, descontraído, propiciando o
aprender dentro de uma visão lúdica, criando um vínculo de aproximação/união entre o
professor e o aluno.

Para isso, faz-se necessário que o professor conheça o processo de


desenvolvimento da criança, assim como as etapas que ela deve conquistar. Deve
conhecer, também, como ocorre o processo de aquisição de conhecimento, a partir da
teoria de Vygotsky, que muito contribuiu para que se chegasse à visão que temos hoje a
respeito da importância do brincar no ambiente da sala de aula.

E não se pode esquecer do papel do professor como aquele que media as


estratégias sociais, lingüísticas e cognitivas, num contexto educativo, fornecendo
subsídios para a construção dos conhecimentos que serão adquiridos.

REFERÊNCIAS
BRASIL, Secretária de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:
Língua Portuguesa, volume 2 – Brasília, 1997.

BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais – primeiro e segundo ciclo do


ensino fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental –
Brasília: MEC/SEF, 1998.

_______________ Parâmetros Curriculares Nacionais – terceiro e quarto ciclo do


ensino fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental –
Brasília: MEC/SEF, 1998.

Dicionário Interativo da Educação Brasileira EducaBrasil. São Paulo: Midiamix


Editora, 2002, http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=108, visitado em
1/6/2008.

FERREIRO, Emilia. Reflexão sobre Alfabetização, editora Cortez, São Paulo – 2001.

FERREIRO, Emília. Com Todas as Letras. 12ª edição, editora Cortez , São Paulo –
2004.

FERREIRO, E. e TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita . Porto Alegre:


Artes Médicas, 1999. p. 33,34.

FREINET, Elise. Nascimento de uma pedagogia popular – os métodos Freinet.


Lisboa, Editorial Estampa:1978.

GARCIA, Regina Leite. Múltiplas linguagens na escola, editora DPSA – São Paulo,
2000.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o


que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho
científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório,
publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

LAROSA, Marco Antonio; AYRES, Fernando Arduini. Como produzir uma


monografia passo a passo... siga o mapa da mina. Rio de Janeiro: WAK, 2003.

LEITE, S. A. S. O processo de Alfabetização escolar: revendo algumas questões.


Perspectiva-Revista do Centro de Ciências da Educação / UFSC, Florianópolis, v.24,
n. 2, 449-474, jul/dez, 2006.

LEITE, S. A. S., TASSONI, E. C. M. A afetividade em sala de aula: as condições de


ensino e a mediação do professor in AZZI Roberta Gurgel; SADALLA, Ana Maria
Falcão de Aragão (Org.) Psicologia e formação docente: desafios e conversas. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.

LIBÂNEO, J. C. Tendências pedagógicas na prática escolar. In: Luckesi, C. C.


Filosofia da educação. São Paulo. Cortez, 1994.

MARINO, José Antônio. Teoria da Inteligência Criadora. Lisboa, 1995.

MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos."RCNs (Referenciais


Curriculares Nacionais)" (verbete).

MORAIS, A. G. Ortografia: ensinar e aprender . São Paulo: Ática, 1998.

PILLETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo, 1989.

POSSARI, Maria Helena Vendrúsculo. Neder, Maria Lúcia Cavalli. Fascículos de


Linguagem, UFMT – Cuiabá, 2005.

PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ORGANIZAÇÃO DO ENSINO


FUNDAMENTAL EM CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA. (Prefeitura
Municipal de Manaus)
Revista Nova escola. Edição especial. Parâmetros Curriculares Nacionais: Fáceis de
entender, editora Abril – 2005.

SOARES, Magda B. Alfabetização e Letramento ( Apostila)

TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e Alfabetização, editora Cortez, São Paulo –


2000.