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AUTOREGULAMENTAÇÃO SINDICAL

A autonomia sindical é uma espécie da liberdade sindical é liberdade


potencializada, é poder ser livre. Autonomia é liberdade frente ao Estado, mas aí, não
como poder concorrente e sim como direito de não se subordinar a seu comando,
ficando a salvo, pois de qualquer ingerência em sua administração ou intervenção capaz
de comprometer suas atividades.

Não se pode admitir o sindicato preso ao Estado. A autonomia sindical é


brilhantemente conceituada por Arouca: “é a liberdade que tem a associação sindical de
agir interna e externamente, sem qualquer ingerência ou intervenção de terceiros,
inclusive do Estado, vinculado a sua auto-regulamentação (estatuto), ao comando
democrático de seus associados (assembléia) e à legislação (hetero-regulamentação).”

As limitações impostas pela Constituição Federal/88 à organização sindical


foram de encontro às tendências mundiais de consagrar uma liberdade sindical ampla.
Senão, veja o artigo oitavo da Constituição e seus incisos:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato,


ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e
a intervenção na organização sindical;

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau,


representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que
será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser
inferior à área de um Município;

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais


da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;

IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria


profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da
representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei;

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;


VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de
trabalho;

VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações
sindicais;

VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da


candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que
suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos
da lei.

Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de


sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei
estabelecer".

A leitura do inciso I supratranscrito revela a adoção, pela Carta Magna de 1988,


do princípio da autonomia sindical.

Como destaca Maurício Godinho Delgado:

“Tal princípio sustenta a garantia de autogestão às organizações associativas e


sindicais dos trabalhadores, sem interferências empresariais ou do Estado. Trata ele,
portanto, da livre estruturação interna do sindicato, sua livre atuação externa, sua
sustentação econômico-financeira e sua desvinculação de controles administrativos
estatais ou em face do empregador ”.

A par, contudo, desse relevante princípio, a Constituição da República de 1988


manteve, de forma bastante contraditória, a unicidade sindical e a representação sindical
por categoria, características próprias do sistema corporativista extinto pela atual Carta
Magna.

Muito embora haja a aludida LIBERDADE SINDICAL, a própria Constituição


Federal de 1988 delimitou alguns parâmetros de regulamentação, como o princípio de
UNICIDADE SINDICAL, estatuído no artigo 8º, inciso II.
O PRINCÍPIO DA LIBERDADE SINDICAL, estatuído no artigo 8º, da Carta
Magna, que dispõem ser "livre a associação profissional ou sindical", não tem AMPLA
e ILIMITADA aplicação, posto que, o inciso II, do referido artigo 8º, da Carta Política,
estabelece "ser vedada a criação de mais de uma organização, na mesma base territorial,
que será definida pelos trabalhadores.”

É inegável que as entidades sindicais passaram a ter participação mais atuante,


não obstante a autonomia continue sofrendo restrições impostas pela unicidade e por
outros traços corporativistas mantidos no ordenamento jurídico. É inaceitável apreciar a
liberdade sindical, do inciso I, frente à limitação da unicidade do inciso II.

Liberdade Sindical
Histórico
A liberdade sindical é um dos postulados básicos da OIT, como se pode
perceber, já que desde a Constituição da OIT de 1919 já havia previsão deste princípio.
Desde 1927 sentia-se falta da elaboração de um texto com regras gerais sobre a
liberdade sindical. Contudo, naquela época, era impossível se chegar à liberdade
sindical, o que só foi possível após a Segunda Guerra Mundial em 1948.
Foi na Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho, ocorrida
em 09/07/1948, na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, que se criou a
Convenção de nº 87, denominada de Convenção sobre Liberdade Sindical e a Proteção
do Direito Sindical. A citada norma internacional traça os parâmetros principais acerca
da liberdade sindical, contudo, infelizmente, não foi ratificada pelo Brasil, em razão da
atual Constituição apresentar posições incompatíveis com ela, como a contribuição
sindical determinada por lei e a existência de um sindicato único.
O direito a liberdade sindical é presente na Declaração Universal dos Direitos do
Homem, no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos Sociais e Culturais de 1966,
além de estar elencando no rol dos direitos humanos.

Conceito
O princípio da Liberdade Sindical é a espinha dorsal do Direito Coletivo
representado por um Estado Social e democrático de direito. É um direito subjetivo
público que veda a intervenção do Estado na criação ou funcionamento do sindicato. É
o direito de os trabalhadores e empregadores se organizarem e constituírem livremente
as agremiações que desejarem, no número por eles idealizado, sem que sofram qualquer
interferência ou intervenção do Estado, nem uns em relação aos outros, visando a
promoção de seus interesses ou dos grupos que irão representar. Essa liberdade sindical
também engloba o direito de ingressar e retirar-se dos sindicatos.
Segundo Amauri Mascaro Nascimento, a expressão liberdade sindical como
conceito se desdobra em liberdade de organização e liberdade de atuação. Na esfera
conceitual, a liberdade sindical expressa os níveis através dos quais se concretiza a
liberdade coletiva, que é a dos grupos formalizados ou informalizados, a liberdade
individual, que é a das pessoas e o seu direito de filiar-se ou se desfiliar de um sindicato,
e a relacional, no sentido de uma liberdade exercida perante o Estado, o empregador e,
até mesmo, outras entidades sindicais.
Refere-se também à liberdade interna de auto-organização sindical que leva à
autonomia da sua administração. Significa, ainda, a liberdade conferida a cada pessoa
de ingressar num sindicato ou dele sair, sem discriminações injustificáveis. Por fim,
corresponde ao livre exercício dos direitos sindicais no tocante à posição do Estado
perante o sindicalismo.

GARANTIAS

A Convenção n. 87, da OIT traz quatro garantias básicas que caracterizam a


liberdade sindical: o direito de fundar sindicatos, o direito de administrar sindicatos, o
direito de atuação dos sindicatos e o direito de filiação e desfiliação de um sindicato. A
Convenção n. 98, também da OIT, ratificada pelo Brasil através do Decreto Legislativo
nº 49, de 27/08/1952, complementa o quadro de garantias ao declarar que os
trabalhadores deverão gozar de adequada proteção contra todo ato de discriminação
tendente a diminuir a liberdade sindical em seu emprego.
Algumas garantias já estão normatizadas no Brasil. A principal delas é a vedação
à dispensa sem justa causa do dirigente sindical, desde a data de sua inscrição eleitoral
até um ano após o término do correspondente mandato (art. 8º, VIII, CF/88). Essa
garantia conta, inclusive, com medida judicial eficaz do Juiz do Trabalho, mediante a
qual se pode determinar, liminarmente, a reintegração obreira em contextos de
afastamento, suspensão ou dispensa pelo empregador (art. 659, X, CLT, conforme Lei
n. 9.270/1996).
Conexa à presente garantia existe a intrasferibilidade do dirigente sindical para
fora da base territorial de seu sindicato (art. 543, CLT).
Destaque-se por último a Convenção 135 (vigente no país desde 18.3.1991) que
trata da “proteção de representantes de trabalhadores”.

CLASSIFICAÇÃO
A liberdade sindical possui duas faces: a individual e a coletiva.
A liberdade individual deve ser positiva ou negativa. A liberdade individual
positiva corresponde a liberdade de se filiar ao sindicato, já a negativa é a liberdade de
não se filiar ao sindicato, incluindo também a desfiliação.
A liberdade coletiva é a liberdade de o grupo constituir o sindicato de sua
escolha, com a estrutura e funcionamento que desejar, com ampla autonomia.

SISTEMAS DE LIBERDADE SINDICAL

Segundo Sérgio Pinto Martins, são três os sistemas relativos à liberdade sindical.
O primeiro é o intervencionista, no qual o Estado ordena as relações relativas ao
sindicato. O sistema intervencionista é destacado nos países que adotavam o regime
corporativo, como na Itália, de Mussolini; na Espanha, de Franco; em Portugal, de
Salazar, e até hoje no Brasil. O segundo é o desregulamentado, em que o Estado se
abstém de regular a atividade sindical, como no Uruguai, em que não há lei sindical,
nem para tratar da organização sindical, muito menos da atividade sindical, tendo o país
ratificado a Convenção nº 87 da OIT, cumprindo seus dispositivos; o sindicato adquire
personalidade gremial com seu registro, como o de qualquer pessoa jurídica. O terceiro
sistema é o intervencionista socialista, em que o Estado ordena e regula a atividade do
sindicato, segundo as metas estabelecidas pelo primeiro, como ocorre em Cuba.
Liberdade sindical, quer dizer, contudo, autonomia sindical, não se confundindo
com soberania; esta é inerente ao Estado, decorrente de seu poder de império. Tem,
pois, o Estado um poder superior aos demais. O mesmo não ocorre com o sindicato,
com sua autonomia sindical, dependente inclusive do que determina a legislação
baixada pelo Estado. A soberania é um dos fundamentos da República Federativa do
Brasil (art. 1º, I, da CF). A liberdade sindical não impõe qualquer determinação de
vontade à pessoa de se associar ou não ao sindicato, favorecendo seu desenvolvimento
espontâneo. É o sistema que mais se adapta às regras da OIT.
De outra banda, Amauri Mascaro Nascimento ensina que a liberdade sindical é
“método de conhecimento do direito sindical quando é ponto de partida para a
classificação dos sistemas, comparadas as características de cada ordenamento interno
nacional com as garantias que o princípio da liberdade sindical oferece, caso em que
esses sistemas podem ser classificados como de liberdade plena, relativa ou sem
liberdade sindical, podendo ser situado o brasileiro no segundo grupo”.

CLÁUSULAS DE SINDICALIZAÇÃO FORÇADA


Há sistemáticas que têm por fim incentivar a sindicalização, as chamadas
cláusulas de segurança sindical ou de sindicalização forçada, contudo há controvérsias
quanto a sua compatibilidade com a liberdade sindical. Dentre elas, têm-se:
- closed shop (empresa fechada): exige a filiação a determinado sindicato como
condição ao empregado, portanto, veda o acesso de trabalhadores não sindicalizados por
determinado sindicato. Nos EUA tal dispositivo foi considerado ilegal pela Lei Taft-
Hartley de 1947.
- union shop (empresa sindicalizada): impõe a filiação como condição à
continuidade do emprego; o empregado compromete-se a se sindicalizar após certo
tempo de admissão, sob pena de ser demitido. Não se obstrui o ingresso de trabalhador
não sindicalizado, mas inviabiliza-se sua continuidade no emprego caso não proceda,
em certo período, à sua filiação sindical.
- preferencial shop (empresa preferencial): preferência pelos sindicalizados na
admissão. Segundo Vólia Bomfim Cassar, o Brasil adotou essa cláusula – art. 544, I, da
CLT c/c OJ n° 20 da SDC.
- maintenence of membership (manutenção de filiação): cláusula que obriga o
empregado a preservar sua filiação a determinado sindicato durante o prazo de vigência
da respectiva convenção coletiva, sob pena de perda do emprego.
Tais dispositivos colocam em confronto a liberdade individual e o
fortalecimento sindical. No Brasil, tem prevalecido o entendimento denegatório de
validade às citadas cláusulas de sindicalização forçada.

PRÁTICAS ANTI-SINDICAIS
Há práticas que desestimulam a sindicalização e causam desgaste à atuação dos
sindicatos, entrando em claro conflito com o princípio da liberdade sindical. São elas:
- yellow dog contracts (contratos de cães amarelos): o empregado compromete-
se a não se filiar a nenhum sindicato depois que for admitido pela empresa.
- company unions (“Sindicatos de Empresa” ou “Sindicatos Fantasmas”): o
próprio empregador estimula e controla – mesmo que indiretamente – o sindicato
profissional.
- Mise à l’index: Lista negra de não associados. As empresas divulgam os nomes
dos trabalhadores com atuação sindical significativa para excluí-los do mercado de
trabalho.
- open shop: a empresa fica aberta a não filiados.
Tais práticas são inválidas por agredirem o princípio da liberdade sindical,
constitucionalmente consagrado.

A LIBERDADE SINDICAL NO BRASIL

A Constituição Federal de 1988 em seu art. 8°, inciso I, assegura a autonomia


dos sindicatos em relação ao Estado.
Por outro lado, veda a “criação de mais de uma organização sindical, em
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base
territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não
podendo ser inferior à área de um Município” (art. 8°, II, CF/88).
Verifica-se uma contradição com a manutenção do princípio da unicidade
sindical e do monopólio da representação de cada categoria pelo sindicato oficial.
Portanto, no Brasil, a liberdade sindical não alcança a liberdade constitutiva, estando
restrita à liberdade relativa de filiação, pois não é permitido ao interessado a filiação ao
ente sindical de sua livre eleição, mas apenas ao sindicato oficial. Ademais, ainda que
não seja filiado ao sindicato oficial, o membro da categoria é atingido por seus atos na
negociação coletiva. O princípio da unicidade sindical é herança da CLT que é fundada
nos princípios do corporativismo.
Não é permitido sindicato por unidade produtiva ou empresa ao declarar que a
base mínima territorial do sindicato é a de um município.
Atribui-se ao sindicato “a defesa dos direitos e interesses coletivos ou
individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”.
Dispõe que “a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de
categoria profissional, será descontada em folha, para custeio de sistema confederativo
da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em
lei”, mantendo a contribuição sindical devida por todo membro da categoria ao
sindicato e criando uma segunda contribuição, a igual extensão, a ser fixada pela
assembleia.
Assegura a liberdade sindical individual e considera “obrigatória a participação
dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho”.
Dá a garantia de estabilidade ao dirigente sindical.
Determina que “nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a
eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o
entendimento direto com os empregadores” (art. 11), bem como “é assegurada a
participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em
que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e
deliberação.” (art. 10), porém não fica definido se essa representação é sindical, o que
colidiria com a limitação territorial acima referida, ou se não é sindical.

Categorias Profissionais

No regime anterior ao da Constituição Federal de 1988, as entidades sindicais,


tanto as profissionais (trabalhadores) como as econômicas (empregadores), que são os
representantes da relação capital/trabalho, só poderiam ser criadas se já existisse
categoria profissional ou econômica definida pelo Estado.

O conceito legal de categoria profissional está previsto no § 2º, do artigo 511 da


CLT, vejamos: "A similitude de condições de vida oriunda da profissão ou trabalho em
comum, em situação de emprego na mesma atividade econômica ou em atividades
econômicas similares ou conexas, compõe a expressão social elementar compreendida
como categoria profissional".

Prevê ainda a Consolidação das Leis do Trabalho, no § 3º, do aludido artigo 511,
que "categoria diferenciada é a que se forma dos empregados que exerçam profissões
ou funções diferenciadas por força de estatuto profissional especial ou em
conseqüência de condições de vida singular".
Vê-se pela leitura dos dois dispositivos legais, a existência de duas espécies de
categorias profissionais, sendo que a primeira caracteriza-se pela similitude de
condições em situação de emprego na mesma atividade econômica, entendendo
Eduardo Gabriel Saad (3) que: "do exercício do mesmo ofício ou da mesma atividade
num ramo econômico surge a similitude de condições de vida. Temos, aí, as linhas
mestra de uma categoria profissional".

Verifica-se que o termo é de difícil definição, contudo, a necessidade de se


constatar o exercício do trabalho em uma mesma atividade econômica, ou mesmo
similar ou conexa, se faz necessário para a caracterização de uma categoria profissional.
Constatando-se assim, que a categoria profissional está diretamente vinculada a
atividade econômica do empregador.

É a atividade da empregadora que caracteriza a similitude de condições de


trabalho, assim sendo, a categoria dos trabalhadores será determinada pela atividade
principal do empregador e não pelos atos praticados por estes em suas atividades
diárias.

Já as chamadas categorias diferenciadas, se caracterizam em sua individualidade


por força de estatuto profissional ou em conseqüência de condições de vida singular,
independentemente da atividade econômica em que se exerça o trabalho.

(4)
São os ensinamentos de Eduardo Gabriel Saad ¸ quanto as categorias
diferenciadas: "Categoria diferenciada é aquela cujos membros estão submetidos a
estatuto profissional próprio ou que realizam um trabalho que os distingue
completamente de todos os outros da mesma empresa".

Enquanto a maioria dos trabalhadores pertence a uma categoria identificada pela


atividade do empregador, a categoria diferenciada não tem qualquer ligação com a
atividade, mas tão somente à profissão em si.

Autonomia privada coletiva


A compreensão da ideia de autonomia encontra sua mais exata resposta na raiz
etimológica do termo. A palavra vem do grego autos – pro si + nomos – lei. O
significado disto, no nível da acepção de relevância jurídica, assenta-se na possibilidade
de conotação normativa do fato pelos sujeitos cuja relação jurídica a regra visa a
disciplinar, diferentemente do que se dá com a lei, em sentido formal – heterônoma (do
grego heteros – outors + diferente + nomos – lei), que é editada por um agente político
externo – o legislador – que conota e valora o fato para o fim especial de geração de
efeito jurídico.

Dentre muitos doutrinadores que sentem-se à vontade em discorrer sobre o tema do


presente trabalho, estão Quesada, que adere-se a ideia de autonomia coletiva como
“poder que ostentam tais sujeitos, portadores de interesses contrapostos, para a auto-
regulamentação dos mesmos” (Quesada, 1994, pag. 118), e Plá Rodrigues, que, por seu
turno, aduz que “em todo o direito do trabalho há um ponto de partida: a união dos
trabalhadores e um ponto de chagada: a melhoria das condições dos trabalhadores.
Direito individual e direito coletivo do trabalhão são simplesmente distintas maneiras de
percorrer o mesmo itinerário.” (Plá Rodrigues, Américo. “Los principios Del derecho
Del trabajo. Coimbra, 1995, pag. 27)

A autonomia coletiva expressa-se na manifestação da vontade de edição de uma norma


de conduta destinada a disciplinar as relações dos sujeitos-pólos da relação de emprego,
com conotação jurídica e âmbito predefinido de eficácia e de validade. Não é esta uma
vontade psíquica restrita ao sujeito ou latente, como nos preceitos morais, em que a
consciência é, concomitantemente, o legislador que fixa a sanção em que incidir o
sujeito, por sua conduta, e o juiz que a aplica a si próprio e segundo seus critérios
pessoais. Na autonomia coletiva, com seu colorido e relevância jurídicos, como diz
Kelsen (Kelsen, 1943, pag. 15) a vontade como ato psíquico no interior do sujeito não
basta. É necessário “que a vontade das pessoas se manifeste, pois é essencial que ela
possa ser comprovada pelas instâncias competentes para aplicar o direito”

A vontade exterioriza-se na norma jurídica, cuja característica de exigibilidade envolve-


se também da compulsoriedade com que seu cumprimento pode ser imposto à parte
inadimplente, aqui sim, por um agente externo que é o Poder Judiciário, distinguindo-se
na substância, da norma ética ou moral.
Por isto, a convenção coletiva, por meio de que a ordem jurídica permite também ao
trabalhador, representado pelo sindicato, a expressão de sua vontade jurídica, pode ser
assimilada como a expressão do exercício de “um direito autônomo”, no sentido
conceitual básico do termo.
O alcance da ideia de autonomia coletiva tem por premissa, como já se indicou no
direito brasileiro, a previsão constitucional de vedação da interferência ou intervenção
do Poder Público na organização sindical. Portanto quer se considere a autonomia
coletiva, em si, que se considere a participação do Estado como órgão tutelar, ficará
sempre uma sombra de hesitação quanto ao modo como se instala o exercício desta
autonomia e principalmente sobre a maneira como os interesses em seu círculo de
captação.

A não intervenção estatal no curso da negociação coletiva constitui, induvidosamente,


um dos mais preciosos requisitos para a plena evolução e para a culminação do
desenvolvimento da autonomia coletiva. Fazendo-se uma abordagem sociológica da
implantação da convenção coletiva este é um dado a ser sempre ressaltado

A apreensão do alcance da autonomia tem seu ponto crítico na saturação do papel


tutelar do Estado – como ordem-jurídica e como sujeito-de-direito (aqui,
residualmente, no papel de fiscalizador). A ideia de que o Estado vem em socorro dos
mais fracos, claramente vislumbrada no princípio do século, tem hoje sua contraposição
ou sua maior oposição na certeza de que o gigantismo fez dele um ente que se move
com lerdeza e, por conseguinte, não consegue atingir o desiderato de plena proteção dos
que dela necessitam. A própria noção de fraqueza, de hipossuficiência ganha novos
contornos com o primado da autonomia sindical.

A garantia do interesse coletivo dos grupos fundamenta-se no princípio da autonomia


coletiva dos particulares.
A autonomia privada individual é uma fonte de instaura ação de vínculos de
atributividade que se expressam por meio da atividade negocial dos particulares.

Entre a autonomia individual e a autonomia pública, como ensina Mazozoni, há uma


outra forma, a autonomia coletiva, que é a autonomia dos grupos intermediários entre o
individua e o Estado.

Reconhecendo os grupos intermediários e o direito de associação, o Estado reconhece


também o direito dos grupos de regular os próprios interesses, do mesmo modo que o
reconhece quanto aos indivíduos.

A autonomia coletiva não é o mesmo que soberania, pois esta pertence ao Estado.

Em linhas amplas, a autonomia coletiva compreende a autonomia organizativa, da qual


resulta o direito dos sindicatos de elaborar os próprios estatutos; a autonomia negocial,
que permite aos sindicatos fazer convenções coletivas de trabalho; a autonomia
administrativa da qual resulta o direito do sindicato de eleger a sua diretoria e exercer a
própria administração, e a autotutela, que é o reconhecimento de que o sindicato deve
ter meios de luta, previstos nos termos da lei, para a solução dos conflitos trabalhistas,
dentre os quais a greve, o lockout e o direito a um arbitramento de suas disputas

O termo traz a ideia de regras próprias. “Privada” porque não envolve o Estado,
não é de natureza pública, mas da própria categoria, do grupo, e coletiva porque não é
individual. Assim nos referimos à categoria. A categoria é o agrupamento de pessoas
que realiza atividades idênticas, similares ou conexas.

Pois bem. Essa autonomia privada coletiva é o que habilita a categoria a estruturar
o sindicato, definir a base territorial onde ele atuará, como se organizará, estabelecer o
estatuto... Se houver convenção coletiva, a autonomia privada coletiva habilita as partes
a transacionarem. Temos o direito mínimo, a transação e renúncia, que já vimos; fora
disso temos a autonomia privada coletiva.

Em uma concepção restrita, trata-se do poder conferido aos


representantes dos sindicatos de criarem regras específicas para a categoria através de
negociação coletiva. Nesta concepção, refere-se à criação de ordenamento jurídico não
estatal e sim contratual através de normas coletivas como fonte heterônoma que
integram a hierarquia das normas legais aplicáveis aos dissídios individuais, criando-se
ordenamento jurídico não estatal; contratual.

A negociação coletiva se concretiza pelos acordos coletivos e convenções


coletivas, que devem ser respeitados, consoante norma constitucional (art. 7º XXVI).

Em concepção ampla, a autonomia coletiva dos particulares alcança, além da


elaboração de normas coletivas, a liberdade sindical e a auto tutela dos trabalhadores.
Isso inclui a elaboração das normas coletivas pelo exercício do poder normativo; a
liberdade sindical no tocante à constituição e organização de entidades sindicais,
incluindo a liberdade de ingressar e sair delas sem qualquer autorização ou interferência
do Estado; e a prática de atos de autodefesa de seus interesses: in casu a greve.

Essa é uma visão importante a ser fixada para o entendimento dos conflitos
coletivos e formas de solução.

A ) PRINCÍPIOS

O Direito do Trabalho é único. Todavia subdivide-se em Direito Individual do


Trabalho e Direito Coletivo do Trabalho como modalidades de direcionamentos de
estudo, pois o primeiro trata das relações individuais de trabalho, enfatizando o
empregado e o empregador, considerando, insofismavelmente o Contrato de Trabalho
como objeto específico desta relação; por seu turno, o segundo cuida das relações
coletivas, isto é, dos grupos, das categorias funcionais e patronais. Sendo assim, resta
inequívoca a sua autonomia ante a análise dogmática do tema. É, portanto, com base
neste entendimento que se fala em princípios específicos do ramo coletivo do Direito do
Trabalho:
a) O Princípio da Liberdade Associativa e Sindical postula, em primeiro
plano, pela ampla prerrogativa obreira de associação e, conseqüentemente, de
sindicalização.1
b) O Princípio da Autonomia Sindical é aquele respaldado na Constituição
Federal, em seu art. 8º, I, que prevê o direito de organização sindical, sem interferência
do Poder Público, o que significa um reconhecimento do ente coletivo e seu
representante – o sindicato.
c) O Princípio da Interveniência Sindical na Normatização Coletiva propõe
que a validade do processo negocial coletivo se submeta à necessária intervenção
sindical profissional, que é o ser coletivo institucionalizado obreiro.
d) O Princípio da Criatividade Jurídica na Negociação Coletiva é, no
entendimento de Maurício Godinho Delgado2, a tradução da noção de que os processos
negociais coletivos e seus instrumentos (Contrato Coletivo, Acordo Coletivo e
Convenção Coletiva de Trabalho) têm real poder de criar norma jurídica.

E ) natureza jurídica:

O sindicato, haja vista sua autonomia, é pessoa jurídica de direito privado. Para
a sua formação, faz-se necessária a realização da primeira Assembléia, a formalização
da sua ata e a criação do Estatuto do sindicato. Com tais documentos, pode-se fazer o
cadastro no Cartório de Pessoas Jurídicas, bem como o registro na Secretaria de
Relações do Trabalho ou no Ministério do Trabalho, para efeito de cadastro. O Cadastro
Nacional de Entidades Sindicais – CNES averigua a “unicidade sindical”.

A autonomia privada coletiva complementa o princípio da liberdade sindical. É a


manifestação de um poder de criar normas jurídicas, diversas das previstas mesmo para
complementá-las.
Sobre a autonomia coletiva, esclarece Sérgio Pinto Martins, diz o seguinte:
“A natureza jurídica da autonomia privada é analisada sob dois ângulos: público
e privado.

1
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 2ª ed. São Paulo, Ltr, 2003, p. 1294.
2
DELGADO, Maurício Godinho, Introdução ao direito do trabalho. 3ª ed.: São Paulo: Ltr, 2001, p.
195.
A autonomia coletiva terá natureza pública nos regimes em que o Estado controla
totalmente o sindicato ou então este exerce atividade delegada de interesse público,
como os regimes corporativistas e, no Brasil, até a vigência da Emenda Constitucional
nº 1, de 1969.
Nos verdadeiros regimes democráticos e pluralistas, a autonomia coletiva é
privada.
No Brasil a autonomia coletiva também é privada a partir da Constituição de 1988,
pois o Estado não interfere ou intervém no sindicato e este não mais exerce atividade
estatal delegada de interesse público, embora ainda exista a unicidade sindical.”
A respeito, Maurício Godinho Delgado, ao discorrer sobre o tema, esclarece que o
princípio da autonomia sindical sempre sofreu graves restrições na história jurídica e
política brasileira, culminando por informar que somente a partir da Carta Magna de
1988 é que teria sentido sustentar-se que o princípio autonomista ganhou corpo na
ordem jurídica do País, já que a nova Constituição eliminou o controle político-
administrativo do Estado sobre a estrutura dos sindicatos, quer quanto à sua criação,
quer quanto à sua gestão (art. 8º, I), além de haver alargado as prerrogativas de atuação
dessas entidades, seja na negociação coletiva (art. 8º, VI, e 7º, XXVI), como também
pela amplitude assegurada pelo direito de greve (art. 9º).
Na verdade, mais do que isso: direito de pleitear, administrativamente e
judicialmente, a observância dos direitos de seus associados. Esta liberdade sindical,
hoje conferida aos entes sindicais, é traduzida em autonomia privada, que pode ser
individual ou coletiva. A primeira (individual) se refere às regras jurídicas aplicadas às
próprias partes interessadas, como acontece no contrato de trabalho. A segunda
(coletiva) pode ser regida pelos contratos, convenções e acordos coletivos, que incidirão
sobre os contratos de trabalho, buscando, assim, o interesse do grupo, sendo o titular da
autonomia o sindicato.
Portanto, o direito do trabalho admite o chamado princípio da autonomia
coletiva, já que reconhece como legítimas as normas jurídicas elaboradas pelos
trabalhadores, empregadores e suas entidades sindicais. Normas, essas, que emanam das
negociações coletivas, em cujo fim é formalizado um documento escrito, chamado de
acordo coletivo de trabalho, em caso de empresa; ou convenção coletiva de trabalho, em
caso de categoria; ou contrato coletivo de trabalho, se for de âmbito nacional ou
interprofissional.
A restrição a estas normas se dará apenas quando as referidas convenções e
acordos coletivos contrariarem a Lei.
O sindicato, como se sabe, é pessoa jurídica de direito privado, possuindo, como
prerrogativas básicas, a representação da categoria, o desenvolvimento de negociação, a
arrecadação das contribuições, a prestação de assistência de natureza jurídica e a
possibilidade de demandar em juízo em nome de seus representados.

Sobre a autonomia privada coletiva, proclama, ainda, Sergio Pinto Martins, o


seguinte:

“Prevê o art. 444 da CLT que as relações contratuais de trabalho podem ser objeto
de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às
disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e
às decisões das autoridades competentes. Isso significa que existem limites à autonomia
privada individual na contratação, isto é, os ajustes entre empregado e empregador estão
limitados pela norma coletiva, pela autonomia privada coletiva.”
E, mais adiante:

“Na autonomia privada coletiva, o sindicato não vai criar direito estatal, mas
normas jurídicas decorrentes de sua autonomia, que dirão respeito, por exemplo, a
condições de trabalho aplicáveis à categoria de empregados e empregadores envolvida,
a normas previstas no estatuto regulando o funcionamento do sindicato e a conduta dos
associados.
Na maioria das vezes são criadas normas não previstas em lei, que acabam
complementando as segundas.
A autonomia privada coletiva tem dois aspectos: o objetivo e o subjetivo. Do
ponto de vista subjetivo, a autonomia privada coletiva diz respeito a uma coletividade
de pessoas, que têm um mesmo interesse a ser defendido. O aspecto objetivo da
autonomia privada coletiva é o próprio ordenamento sindical ou a particularidade desse
ordenamento, que começa com o estatuto do sindicato, que é um ordenamento
diferenciado em relação a outras entidades de fato, em que são fixadas as normas para a
vida associativa.”
Portanto, se determinada categoria pactuou, mediante instrumentos normativos,
sem a existência de lei que a proíba, não há como desconsiderar tal pacto.
Diz-nos a Carta Magna:

“Art. 7º. São direitos dos trabalhadores, urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
..........................................................................................................................................
VI – irredutibilidade de salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
..........................................................................................................................................
XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo
ou convenção coletiva de trabalho;
..........................................................................................................................................
XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de
revezamento,
salvo negociação coletiva;
.........................................................................................................................................
XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho.”
Desse modo, vemos que são várias as hipóteses que dão prioridade à autonomia de
vontade, autorizando, assim, que, mediante instrumentos normativos, as partes
convenentes estabeleçam condições específicas de trabalho.

E ) Natureza jurídica da autonomia privada coletiva

A autonomia privada coletiva, no campo do direito coletivo do trabalho,


enquanto poder dos sindicatos de auto-regulação, de criação de regras de conduta, está
disposta expressamente na Constituição da República Federativa do Brasil como
direitos fundamentais sociais.
Segundo o autor Norberto Bobbio, os direitos fundamentais (humanos) são
direitos reconhecidos pelo Estado, um leque de direitos que historicamente, após
conquistas e lutas, vão sendo modificados e reconhecidos e incluídos no rol dos direitos
humanos positivados. É o que se constata da seguinte passagem:
[...] partimos do pressuposto de que os direitos humanos são
coisas desejáveis, isto é, fins que merecem ser perseguidos, e de
que, apesar de sua desejabilidade, não foram ainda todos eles
(por toda a parte e em igual medida) reconhecidos; e estamos
convencidos de que lhes encontrar um fundamento, ou seja,
aduzir motivos para justificar a escolha que fizemos e que
gostaríamos fosse feita também pelos outros, é um meio
adequado para obter para eles um mais amplo reconhecimento.3

Portanto, a autonomia coletiva é um fato social construído historicamente, que


foi obtendo força e importância, e que posteriormente vem a ser reconhecido pelo
Estado, ante a imperiosa necessidade de assim fazê-lo, uma vez que a autonomia
coletiva resulta em fato social de alcance global, mormente nos países ocidentais de
cultura capitalista.
Corrobora com o exposto o autor Ronaldo Lima dos Santos, ao asseverar que:

A própria história do desenvolvimento do sindicalismo e,


consequentemente, da autonomia privada coletiva dos
trabalhadores, demonstra a sua natureza de ordenamento
originário, uma vez que, até o seu reconhecimento, foi ela
primeiramente proibida, depois tolerada e, por fim, reconhecida
pelo Estado. No período de proibição, a realidade social dos
trabalhadores e as doutrinas que vigoravam impediram seu
sufocamento pelo Estado e determinaram a sua sobrevivência
ainda que não reconhecida pelo ordenamento jurídico estatal.4

Complementa então o autor afirmando que a autonomia coletiva, enquanto realidade


social, é “anterior ao surgimento do Estado, pois já existia em muitas sociedades pré-

3
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. P. 16.
4
SANTOS, Ronaldo Limas dos. Teoria das normas coletivas. 2. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 144
estatais. Com o reconhecimento pelo Estado, a autonomia privada coletiva apenas
ganhou objetividade, como instituto jurídico, e maior expressão jurídico-formal”5.
Diante disso, resta coerente a concepção da autonomia privada não como um
poder derivado do Estado exercido por meio de um processo de delegação, mas a de um
poder originário, até mesmo antecedente ao Estado, que o reconhece e aos seus efeitos
jurídicos.
Destarte, entendida a autonomia privada coletiva como fato social que surge e se
desenvolve historicamente, até atingir o ponto de importância que motiva o seu
reconhecimento pelo Estado como a possibilidade de entidade social criar normas de
obediência obrigatória pelos membros dessa coletividade, cumpre então adentrar no
instrumento principal de concretização da autonomia privada coletiva, qual seja, a
Convenção Coletiva de Trabalho.

H )Legitimação e legitimidade ( Teoria do mandato)

Segundo a teoria do mandato, quando os associados ingressam no sindicato e


aderem ao seu estatuto, haveria uma outorga tácita de poderes para que a entidade
sindical atue em seu nome e interesse, de maneira que o sindicato passa a atuar como
mandatário dos associados, ou seja, como representante dos interesses individuais.
Portanto, quando da formalização da convenção coletiva de trabalho estar-se-ia
diante de uma representação dos interesses individuais dos associados. Contudo,
verificou-se alhures que a autonomia coletiva do sindicato, que resulta na concretização
da convenção coletiva, é exatamente a busca dos interesses coletivos da categoria e não
o interesse individual dos associados, fato que rechaça a adoção dessa teoria como
fundamento contratualista da natureza jurídica da convenção coletiva de trabalho.
Com efeito, o fato de o sindicato, ao celebrar convenção coletiva de trabalho,
agir no interesse da coletividade, categoria ou do grupo de trabalhadores e não na tutela
de interesses individuais dos associados impede a adoção da teoria do mandato.
Ademais, a doutrina aponta como crítica, igualmente, o fato de que a teoria do
mandato seria inapropriada para justificar a eficácia ultracrontraente da convenção
coletiva de trabalho em relação aos não-associados, que, em razão dessa condição, não
teriam outorgado poderes ao sindicato, pois não teriam aderido ao seu estatuto.
5
Ibid, p. 144
Esse acréscimo, de acordo com a previsão constitucional pode vir através de
negociação coletiva, processo no qual o empregado é representado
pelo sindicato, estando, pois em condição de igualdade para negociar melhores
condições de trabalho.
Assim, a Constituição da República consagrou o princípio da autonomia
privada coletiva, consistente no poder de auto-regulamentação das relaçõesde trabalho
que conferiu, através dos sindicatos, a empregados e empregadores para defesa de seus
interesses.
Esse poder auto-regulamentador concretiza-se através da negociação coletiva
que, atualmente, tem um papel fundamental na nova ordem democrática brasileira, na
perspectiva de que patrões e empregadores contribuam como parceiros no
desenvolvimento econômico do país.
O Estado confere poder normativo a empregadores e empregados, por meio de
sindicatos, para que aqueles, sem esquecer os princípios protecionistas mínimos,
possam amortecer o choque de interesses existentes na relação jurídica laboral,
procurando atender as reivindicações dos trabalhadores.
Através do procedimento da negociação coletiva, as classes patronais e laborais,
representadas pelos seus respectivos sindicatos, irão compor os
seus conflitos, fixando condições de trabalho aplicáveis a toda a categoria em questão.

i )AUTO REGULAMENTAÇÃO SINDICAL

Autonomia privada significa o poder de dar-se um ordenamento, um poder de dar-


se normas, que deve ser entendido não somente como uma expressão de liberdade,
masntambém expressando uma conotação política, pois esse poder cria um ordenamento
jurídico privado, um ordenamento subordinado e reconhecido pelo Estado.
Portanto, a autonomia pressupõe o poder de auto-regulamentação dos própriosn
interesses, poder este conferido pelo Estado, sendo fruto da sociedade democrática e
pluralista.
Conferido pelo Estado, esse poder é derivado, limitado pelo próprio poder estatal.
O poder reconhecido às entidades sindicais de se organizarem, de se auto
regularem, de negociarem regras abstratas aplicáveis às relações de trabalho de seus
representados, de representarem os interesses individuais e coletivos dos componentes
do grupo e de defenderem esses interesses através de ações diretas.