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COMPLEXO JURÍDICO DAMÁSIO DE

JESUS

PRÁTICA PENAL
OAB 2ª FASE

Coordenação
Prof. Marcelo Tadeu Cometti

Professor
Flávio Cardoso de Oliveira

Colaboradores
Luciano Casaroti
Denise Guirado

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SUMÁRIO

1. Instruções preliminares...........................................................................................................4

2. Regras de competência
2.1. Competência.....................................................................................................................10
2.2. Critérios............................................................................................................................10
2.3. Conexão e continência......................................................................................................13
2.4. Foro prevalente.................................................................................................................14
2.5. Separação de processos.....................................................................................................14

3. Exemplos de endereçamento....................................................................................................16

4. Ação penal
4.1. Conceito..............................................................................................................................18
4.2. Classificação.......................................................................................................................18

5. Ritos processuais
5.1. Procedimento comum..........................................................................................................21
5.1.1. Rito ordinário....................................................................................................................21
5.1.2. Rito sumário......................................................................................................................21
5.1.3. Rito sumaríssimo..............................................................................................................22
5.2. Procedimentos especiais......................................................................................................22
5.2.1. Júri.................................................................................................................................22
5.2.2. Drogas...........................................................................................................................23
5.2.3. Crimes funcionais.........................................................................................................23
5.2.4. Crimes contra a honra...................................................................................................24
5.2.5. Crimes contra a propriedade imaterial..........................................................................24

6. Peças
6.1. Modelos gerais.....................................................................................................................25
6.1.1. Modelo geral de peça simples........................................................................................26
6.1.2. Modelo geral de peça composta.....................................................................................27

6.2. Peças em espécie..................................................................................................................29


6.2.1. Relaxamento da prisão em flagrante..............................................................................29
6.2.2. Liberdade provisória (com e sem fiança).......................................................................33
6.2.3. Revogação da prisão preventiva ou temporária.............................................................38
6.2.4. Representação do ofendido............................................................................................41
6.2.5. Queixa-crime..................................................................................................................44
6.2.6. Resposta à acusação.......................................................................................................47
6.2.7. Memoriais......................................................................................................................50
6.2.8. Recurso em sentido estrito.............................................................................................53
6.2.9. Apelação........................................................................................................................58
6.2.10. Embargos infringentes e de nulidade...........................................................................65
6.2.11. Embargos de declaração..............................................................................................68
6.2.12. Carta testemunhável.....................................................................................................71
6.2.13. Correição parcial..........................................................................................................74
6.2.14. Recurso ordinário constitucional.................................................................................77
6.2.15. Recurso extraordinário.................................................................................................81
6.2.16. Recurso especial...........................................................................................................85

2
6.2.17. Reclamação..................................................................................................................89
6.2.18. Habeas corpus.............................................................................................................91
6.2.19. Mandado de Segurança................................................................................................94
6.2.20. Revisão criminal..........................................................................................................97
6.2.21. Livramento condicional.............................................................................................100
6.2.22. Agravo em execução..................................................................................................102

7. Problemas – Peças Profissionais..............................................................................................106

8. Gabarito - Peças Profissionais.................................................................................................131

9. Módulo avançado – peças diversas..........................................................................................152

10. Gabarito – Módulo avançado.................................................................................................161

11. Questões práticas...................................................................................................................171

12. Gabarito – Questões Práticas.................................................................................................179

3
1. INSTRUÇÕES PRELIMINARES:

Prezado candidato, seja bem vindo ao curso de prática penal, preparatório para a
segunda fase do Exame da OAB! Antes que possamos nos dedicar diretamente ao estudo,
convém trocarmos algumas palavras a respeito da prova e, principalmente, da “nova” prova, após
o advento do Provimento nº 136/2009, que trouxe significativas modificações para a prova.

Muitas indagações surgiram a respeito da prova de segunda fase do Exame de Ordem


na área penal, em razão das modificações introduzidas pelo Provimento 136/2009 do Conselho
Federal da OAB.

Vedada a consulta à doutrina e à jurisprudência, bem como à legislação comentada ou


anotada, como deve o candidato se preparar para enfrentar o Exame em sua segunda fase?

Sempre orientamos nossos alunos candidatos a estudar teoria em sua preparação para
a prova. Inevitavelmente enfrentamos questionamentos: mas não se trata de prova de prática?
Não devemos, então, estudar prática? Ainda quando era permitida a consulta integral aos textos
legais e doutrinários, insistíamos que a melhor forma de preparação era a conjugação da redação
de peças e resolução de exercícios práticos com o estudo doutrinário das disciplinas Direito
Penal e Direito Processual Penal. A razão nos parece muito lógica: com tal estudo, a solução se
mostra mais fácil por força do maior domínio da disciplina.

Agora com muito mais razão orientamos o candidato a programar seu estudo de modo
a cuidar – e muito - da parte teórica, sem descuidar do estudo da prática. Como se sabe, um dos
grandes pilares da aprovação em qualquer concurso público é o planejamento e, nele, deve o
candidato à habilitação nos quadros da OAB delimitar que tempo dedicará ao estudo doutrinário
e que tempo dedicará ao estudo da prática.

Tanto melhor se o candidato tiver a disponibilidade para estudar as disciplinas Direito


Penal e Direito Processual Penal diretamente nos manuais e tratados respectivos; caso não tenha,
o que acontece com freqüência, uma vez que a vida moderna nos impõe uma série de
responsabilidades, deve se dedicar ao estudo incessante de sinopses ou resumos de cada
disciplina, de modo a abranger toda a matéria. Lembremo-nos que a consulta se restringe à
legislação não comentada ou anotada, assim, se o candidato não possuir o mínimo domínio das
matérias pertinentes à área penal, encontrará dificuldades. É bem verdade que a prova, a partir de
agora, não deve cobrar em seus enunciados questões de profunda discussão doutrinária, porém,
sempre é possível que se indague a respeito de classificação ou nomenclatura que deriva da
doutrina e não consta do texto legal, como, por exemplo, “tentativa branca” ou “flagrante
impróprio”.

Repita-se, o estudo doutrinário não só é importante para a solução da “nova” prova de


segunda fase, como também é importantíssimo para auxiliar no próprio estudo da parte prática.
Como se sabe, a prova de segunda fase é composta pela redação de uma peça profissional e pela
resposta a cinco questões, denominadas prático-profissionais.

O estudo da peça deve ser feito com a resolução de enunciados e a redação de tantas
peças quantas forem necessárias para a fixação de suas formalidades e para o desenvolvimento
da argumentação. Temos visto que a maior preocupação dos candidatos na área penal é a
identificação da peça. Não temos receio em afirmar, no entanto, que esse é o aspecto que o
candidato menos deve temer, pois com o seu preparo e com as indicações que o próprio

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enunciado do problema fornece, terá tranqüilidade para saber qual a peça adequada para a
solução que se exige.

Deve o candidato, sem dúvida, focar-se no conteúdo da peça, ou seja, na


argumentação referente à tese que será defendida, escrevendo com propriedade. O examinador
está muito mais interessado em encontrar na peça uma argumentação convincente do que uma
peça formalmente perfeita, mas pobre de conteúdo. Basta lançar os olhos sobre a pontuação
atribuída a cada item nos exames anteriores para se provar o que temos aqui sustentado - a maior
pontuação decorre do desenvolvimento da peça e não dos seus aspectos puramente formais.
Portanto, recomenda-se muito treino!

Deve o candidato, também, procurar responder às questões prático-profissionais


formuladas em Exames passados, a fim de treinar para o Exame que se aproxima. Tais questões,
via de regra, apresentam ao examinando problemas para que ele tipifique a conduta ali descrita
ou que apresente a solução, como a peça cabível, a competência, o prazo para adoção da medida.
Devem elas ser respondidas de maneira objetiva, atendendo, porém, a todos os itens cobrados
pelo examinador.

Sabemos que toda essa dedicação não é fácil, mas chegar à segunda fase do Exame de
Ordem significa ultrapassar a maior parte do caminho. Portanto, é a hora de agarrar o estudo com
afinco, para coroar não só os cinco anos de curso, mas todo o estudo voltado para a almejada
habilitação.

Transcrevemos a seguir, na íntegra, o Provimento nº 136/2009, do Conselho Federal


da OAB.

Bons estudos e sucesso!

5
Provimento No. 136/2009

Estabelece normas e diretrizes do Exame de Ordem.

O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, no uso das


atribuições que lhe são conferidas pelos arts. 8º, § 1º, e 54, V, da Lei n.º 8.906, de 4 de julho de
1994 - Estatuto da Advocacia e da OAB, e tendo em vista o decidido nos autos da Proposição n.º
2008.19.03859-01, RESOLVE:

CAPÍTULO I
DO EXAME DE ORDEM

Art. 1º A aprovação em Exame de Ordem constitui requisito para admissão do bacharel em


Direito no quadro de advogados (Lei n.º 8.906/1994, art. 8º, IV).
Parágrafo único. Ficam dispensados do Exame de Ordem os bacharéis alcançados pelo art. 7º da
Resolução n.º 02/1994 da Diretoria do Conselho Federal.

Art. 2º O Exame de Ordem é prestado pelo bacharel em Direito, formado em instituição


credenciada pelo MEC, na Seccional do estado onde concluiu seu curso de graduação em Direito
ou na sede de seu domicílio eleitoral.
§ 1º O bacharel em Direito que concluiu o curso em estado cuja Seccional integra o Exame de
Ordem Unificado tem a faculdade de escolher, dentre as Seccionais participantes do Unificado,
em qual delas se inscreverá para fazer o Exame de Ordem.
§ 2º Poderá prestar o Exame de Ordem aquele que concluiu o curso de Direito reconhecido pelo
MEC, pendente apenas a colação de grau, desde que devidamente comprovada a aprovação
mediante certidão expedida pela instituição de ensino jurídico.
§ 3º É facultado aos bacharéis em Direito que exercerem cargos ou funções incompatíveis com a
advocacia prestar Exame de Ordem, mesmo estando vedada sua inscrição na OAB.

Art. 3º Compete à Primeira Câmara do Conselho Federal expedir resoluções regulamentando o


Exame de Ordem, para garantir sua eficiência e padronização nacional, ouvida a Comissão
Nacional de Exame de Ordem.

Art. 4º Compete à Comissão Nacional de Exame de Ordem definir diretrizes gerais e de


padronização básica da qualidade do Exame de Ordem, cabendo ao Conselho Seccional realizá-
lo, em sua jurisdição territorial, observados os requisitos deste Provimento, podendo delegar,
total ou parcialmente, a execução das provas, sob seu controle, às Subseções ou às
Coordenadorias Regionais criadas para esse fim.

Art. 5º O Exame de Ordem ocorrerá 03 (três) vezes por ano, em calendário fixado pela Diretoria
do Conselho Federal da OAB, realizado na mesma data e horário oficial de Brasília, em todo o
território nacional, devendo o edital respectivo ser publicado com o prazo mínimo de 30 (trinta)
dias de antecedência da data fixada para realização da prova objetiva. Parágrafo único. O edital a
que se refere este artigo deverá expressamente prever as condições de acessibilidade aos
candidatos com deficiência, nos termos da legislação vigente.

Art. 6º O Exame de Ordem abrange 02 (duas) provas, compreendendo os conteúdos previstos


nos Eixos de Formação Fundamental e de Formação Profissional do curso de graduação em
Direito, conforme as diretrizes curriculares instituídas pelo Conselho Nacional de Educação, bem
assim Direitos Humanos, Estatuto da Advocacia e da OAB, Regulamento Geral e Código de
Ética e Disciplina, além de outras matérias jurídicas, desde que previstas no edital, a saber:

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I - prova objetiva, sem consulta, de caráter eliminatório;
II - prova prático-profissional, permitida, exclusivamente, a consulta à legislação sem qualquer
anotação ou comentário, na área de opção do examinando, composta de 02 (duas) partes
distintas:
a) redação de peça profissional;
b) 05 (cinco) questões práticas, sob a forma de situações-problema.
§ 1º A prova objetiva conterá 100 (cem) questões de múltipla escolha, com 04 (quatro) opções
cada, devendo conter, no mínimo, 15% (quinze por cento) de questões sobre Direitos Humanos,
Estatuto da Advocacia e da OAB, Regulamento Geral e Código de Ética e Disciplina, exigido o
mínimo de 50% (cinqüenta por cento) de acertos para habilitação à prova práticoprofissional.
§ 2º A prova prático-profissional, elaborada conforme o programa constante do edital, observará
os seguintes critérios: a) a peça profissional valerá 05 (cinco) pontos e cada uma das questões, 01
(um) ponto; b) será considerado aprovado o examinando que obtiver nota igual ou superior a 06
(seis) inteiros, vedado o arredondamento; c) é nula a prova prático-profissional que contiver
qualquer forma de identificação do examinando.
§ 3º Na prova prático-profissional, os examinadores avaliarão o raciocínio jurídico, a
fundamentação e sua consistência, a capacidade de interpretação e exposição, a correção
gramatical e a técnica profissional demonstrada.
§ 4º O examinando reprovado pode repetir o Exame de Ordem, vedado o aproveitamento de
resultado anterior.

Art. 7º O certificado de aprovação tem eficácia por tempo indeterminado e será expedido pelo
Conselho Seccional onde o bacharel prestou o Exame de Ordem.

Art. 8º Concluído o Exame de Ordem, o resultado será remetido à Comissão Nacional de Ensino
Jurídico da OAB, indicando o percentual e a média de aprovados e reprovados por instituições de
ensino jurídico e as respectivas áreas de opção.

Art. 9º É criado o Cadastro Nacional do Exame de Ordem.

CAPÍTULO II
DO EXAME DE ORDEM PELAS SECCIONAIS

Art. 10. As Seccionais que optarem pela realização do Exame de Ordem de forma autônoma
observarão, além das normas gerais acima mencionadas, as seguintes disposições:
I - A elaboração e correção das provas do Exame de Ordem serão realizadas por banca
examinadora designada pelo Presidente do Conselho Seccional, composta de no mínimo 03 (três)
advogados, no efetivo exercício da profissão, com pelo menos 05 (cinco) anos de inscrição na
OAB e que tenham notório saber jurídico, preferencialmente escolhidos entre os que possuam
experiência didática.
II - Do resultado da prova objetiva ou da prova prático-profissional cabe recurso fundamentado à
Comissão de Estágio e de Exame de Ordem, interposto no prazo de 03 (três) dias ininterruptos,
contados a partir da divulgação.
III - Os recursos serão apreciados por banca revisora constituída segundo os critérios do inciso I
deste artigo, vedada a participação daqueles que integraram a banca examinadora, sendo a
decisão da banca revisora irrecorrível.
IV - A divulgação dos resultados das provas do Exame de Ordem será efetuada após
homologação pela Comissão de Estágio e de Exame de Ordem da Seccional, vedada a
divulgação dos nomes dos examinandos não aprovados.

CAPÍTULO III

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DO EXAME DE ORDEM UNIFICADO

Art. 11. O Exame de Ordem Unificado será realizado pelas Seccionais que a ele aderirem,
mediante celebração de convênio.

Art. 12. O Exame de Ordem Unificado será executado pelo Conselho Federal, facultando-se a
contratação de pessoa jurídica idônea e reconhecida nacionalmente para a aplicação, indicada
pela Diretoria do Conselho Federal, após a manifestação da Comissão Nacional de Exame de
Ordem.

Art. 13. Os Presidentes das Comissões de Exame de Ordem das Seccionais que aderirem ao
Exame Unificado integrarão a Coordenação Nacional de Exame de Ordem, que será dirigida pelo
Presidente da Comissão Nacional de Exame de Ordem ou por quem o Presidente do Conselho
Federal indicar.

Art. 14. Compete à Coordenação:


I - acompanhar a realização do Exame de Ordem Unificado, atuando em harmonia com a
Comissão Nacional de Exame de Ordem;
II - elaborar as regras do edital do Exame Unificado;
III - apreciar, deliberar e homologar decisões referentes a nulidades de questões;
IV - deliberar sobre as demais matérias relacionadas à aplicação e à avaliação do Exame
Unificado.

Art. 15. As provas serão elaboradas por uma banca examinadora designada pelo Presidente do
Conselho Federal.
§1º A banca examinadora será composta por advogados, no efetivo exercício da profissão, com
pelo menos 05 (cinco) anos de inscrição na OAB, que tenham notório saber jurídico,
preferencialmente escolhidos entre os que possuam experiência didática e indicados pelas
Seccionais que aderirem à Unificação.
§ 2º A banca examinadora atuará em parceria com a pessoa jurídica contratada para a execução
do respectivo Exame de Ordem.

Art. 16. Do resultado da prova objetiva ou da prova prático-profissional cabe recurso


fundamentado à Coordenação Nacional de Exame de Ordem, na forma do edital, interposto no
prazo de 03 (três) dias ininterruptos, contados a partir da divulgação. Parágrafo único. Os
recursos serão apreciados por uma banca revisora constituída segundo os critérios do artigo
anterior, vedada a participação daqueles que integraram a banca examinadora, sendo a decisão da
Comissão Revisora irrecorrível.

Art. 17. A Comissão Nacional de Exame de Ordem designará um representante para atuar junto
às bancas examinadora e revisora, visando ao aprimoramento e à qualidade das provas.

Art. 18. A divulgação dos resultados das provas do Exame de Ordem será efetuada após
homologação pela Coordenação Nacional de Exame de Ordem, vedada a divulgação dos nomes
dos examinados não aprovados.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

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Art. 19. As alterações concernentes ao conteúdo programático de que trata o art. 6º somente
serão adotadas um ano após a publicação deste Provimento, vigorando, até então, as normas do
Provimento n.º 109/2005 relativas à matéria.

Art. 20. Ficam revogadas as disposições em contrário do Provimento n.º 109, de 5 de dezembro
de 2005.

Art. 21. Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 19 de outubro de 2009.

Cezar Britto, Presidente.


Maria Avelina Imbiriba Hesketh, Conselheira Relatora.

(DJ, 10.11.2009, p. 219)

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2. REGRAS DE COMPETÊNCIA

2.1 Competência

Competência é a medida e o limite da jurisdição, é a porção de jurisdição que cabe


a cada órgão do Poder Judiciário, na atividade de aplicar o Direito ao caso concreto.

2.2. Critérios para a fixação de competência

Pode-se estabelecer e fixar as regras de competência a partir de três aspectos:


a) em razão da matéria ou natureza da infração penal (ratione materiae);
b) em razão do cargo ou função do acusado (ratione personae);
c) em razão do local do crime ou da residência do acusado (ratione loci).

2.2.1. Competência em razão da matéria ou natureza da infração

Define se a infração penal é julgada por justiça especializada ou pela justiça


comum.
São justiças especiais:

1) Justiça Eleitoral (arts. 118 a 121 da CF e Lei n. 4.737/65), competente para


julgar infrações penais eleitorais e as conexas a elas, exceto no caso de conexão com crimes
dolosos contra a vida.

2) Justiça Militar (art. 124 da CF), competente para julgar crimes militares, assim
definidos em lei, mais precisamente no art. 9º do Código Penal Militar (Decreto-Lei n. 1.001/69).
Não julga ela os crimes conexos.

São justiças comuns:

1) Justiça Federal (art. 109, IV, da CF), competente para julgar:

Crimes políticos.
Sustenta-se que estão descritos na Lei de Segurança Nacional (Lei n. 7.170/83);

Infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da


União, suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções.
Se o crime for praticado em detrimento de Sociedade de Economia Mista, a
competência será da Justiça Estadual, pois a Constituição da República não se referiu a ela. É
esse o entendimento expresso na Súmula 42 do STJ. A prática de crime contra a Petrobras e o
Banco do Brasil, por exemplo, deve ser julgada pela Justiça Comum Estadual.
Ressalte-se que as contravenções penais também não são julgadas pela Justiça
Federal, por expressa ressalva da Constituição da República. Destarte, se uma contravenção for
praticada de modo a se justificar a competência da Justiça Federal, a regra não irá se concretizar,
restando o julgamento à Justiça Estadual, nos termos da Súmula 38 do STJ.

Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a


execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente.
São os chamados crimes a distância, cuja ação ou omissão se dá em um país e o
resultado em outro, ou devesse se dar em outro. Se a previsão estiver em tratado ou convenção
em que o Brasil seja parte, a competência é da Justiça Federal.

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Casos de grave violação de direitos humanos, se houver necessidade de
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais sobre direitos
humanos dos quais o Brasil faça parte.
Se o procedimento foi iniciado na Justiça Estadual, o procurador-geral da
República deverá suscitar o deslocamento de competência ao Superior Tribunal de Justiça.

Crimes contra a organização do trabalho.


Entende-se que, para fixar a competência da Justiça Federal neste caso, os crimes
devem ser contra a organização geral do trabalho ou os direitos dos trabalhadores, coletivamente
considerados.

Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, quando


determinados em lei.
Não basta que sejam crimes dessa natureza; é preciso que exista previsão legal, no
sentido de estabelecer a competência da Justiça Federal.

Crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da


Justiça Militar.
Subsiste a competência mesmo que a aeronave esteja pousada ou o navio atracado

Crimes de ingresso e permanência irregular de estrangeiro.


Tais crimes estão definidos no art. 125 da Lei n. 6.815/80.

A Justiça Federal de primeira instância tem sua divisão em Subseções Judiciárias.


Em segunda instância, divide-se em Tribunais Regionais Federais que, ao contrário do que
ocorre na Justiça Estadual, não existem em todos os estados brasileiros; na verdade, existem
apenas 05 (cinco) Tribunais Regionais Federais, cuja abrangência é assim distribuída:

Tribunal Regional Federal da 1ª Região: Distrito Federal, Acre, Amazonas,


Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Goiás, Bahia e
Minas Gerais.
Tribunal Regional Federal da 2ª Região: Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Tribunal Regional Federal da 3ª Região: São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná.
Tribunal Regional Federal da 5ª Região: Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco,
Rio Grande do Norte e Sergipe.

2) Justiça Estadual (art. 125 da CF), competente para julgar tudo que não for da
competência das jurisdições especiais e da comum federal. Sua competência é residual. Em
primeira instância divide-se em Comarcas, na segunda instância o órgão julgador é o Tribunal de
Justiça respectivo de cada Estado da Federação.

2.2.2 Competência em razão do cargo ou função do acusado

Justifica-se tal regra pela relevância do cargo ou função, que eleva o julgamento
das infrações penais às instâncias superiores, retirando-o da esfera de competência dos juízes de
primeiro grau.
A divisão de competência sob esse critério, então, dá-se da seguinte forma:

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Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, b e c, da CF): presidente da República,
vice-presidente, deputados federais, senadores, seus próprios ministros, procurador-geral da
República, advogado-geral da União, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas,
ministros dos Tribunais Superiores, membros do Tribunal de Contas da União, chefes de missão
diplomática de caráter permanente;
Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, a, da CF): governadores dos Estados e do
Distrito Federal, desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal,
membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, membros do Tribunal
Regional Federal, membros dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, membros dos
Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, membros do Ministério Público da União que
oficiem perante os Tribunais;
Superior Tribunal Militar (art. 6º, I, a, da Lei n. 8.457/92): nos crimes militares,
os oficiais generais das Forças Armadas;
Tribunais Regionais Federais (art. 108, I, da CF): juízes federais, juízes do
Trabalho, juízes auditores da Justiça Militar, membros do Ministério Público Federal que
oficiem em Primeira Instância;
Tribunais Regionais Eleitorais (art. 29, I, d, da Lei n. 4.737/65): nos crimes
eleitorais e a eles conexos, juízes e promotores de justiça eleitorais;
Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal (art. 29, X; art. 96, III, da
CF): prefeitos, juízes estaduais, membros do Ministério Público Estadual.
Em relação aos prefeitos, cumpre esclarecer que, muito embora a Constituição da
República se refira ao Tribunal de Justiça como órgão competente para seu julgamento, eles
poderão ser julgados por outros Tribunais, desde que respeitadas a Instância e a matéria. É o que
estabelece a Súmula 702 do STF.
Por força de autorização concedida pelo art. 125, § 1º, da Constituição da
República, as Constituições dos Estados podem determinar a competência para processar e julgar
perante os respectivos Tribunais de Justiça outros cargos, observando-se os princípios
constitucionais, notadamente a simetria entre os cargos ou funções, como pode acontecer com
secretários de estado e vereadores.

2.2.3 Competência em razão do lugar


Após verificar as regras de competência que levam em conta a natureza da
infração e a qualidade do cargo que determinadas pessoas ocupam, cumpre estabelecer como se
fixa o foro competente para julgamento, levando em consideração o lugar em que se deu o crime
ou em que reside o acusado.

2.2.3.1 Lugar do crime


As regras estampadas no art. 70 do Código de Processo Penal estabelecem que a
competência será fixada:

Pelo lugar em que se consumar a infração (art. 70, caput, primeira parte, do
CPP).
No caso de tentativa, será o local onde se praticou o último ato de execução (art.
70, caput, segunda parte, do CPP).
Em caso de crime iniciado no Brasil e consumado fora dele, será competente o
local onde foi praticado o último ato de execução, dentro do território nacional (art. 70, § 1º, do
CPP).
Caso o último ato de execução tenha sido realizado fora do Brasil, será
competente o foro do local em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou deveria
produzir seu resultado (art. 70, § 2º, do CPP).

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Pode ser necessário, diante do caso que se apresenta, estabelecer qual comarca é a
competente para julgar a infração, tendo em vista que duas ou mais se mostram, em princípio,
como competentes. Utiliza-se, então, o instituto da prevenção, que, nos termos do art. 83 do
Código de Processo Penal, ocorre “toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente
competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de
algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da
denúncia ou da queixa”.
Fixa-se a competência pela prevenção quando:
a) o crime ocorrer na divisa entre comarcas ou se for incerto o limite entre elas
(art. 70, § 3º, do CPP);
b) em caso de crime continuado ou permanente, eles atravessem duas ou mais
jurisdições (art. 71 do CPP).

2.2.3.2 Lugar do domicílio do acusado


Não sendo conhecido o lugar da infração, competente será o lugar do domicílio do
réu (art. 72, caput, do CPP). Note-se que tal regra tem lugar apenas quando não se consegue
apurar onde o crime aconteceu. Se o réu tiver mais de um domicílio, será fixada a competência
pela prevenção (art. 72, § 1º, do CPP). Se não tiver residência certa ou for ignorado seu
paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato (art. 72, § 2º, do
CPP).

2.3 Conexão e continência


São causas de alteração da competência, em virtude da relação existente entre
duas condutas, que fazem que estas sejam reunidas em um só processo perante um só Juízo,
chamado de Juízo prevalente.

2.3.1 Conexão
Para haver conexão, deve existir um vínculo entre duas ou mais infrações penais.
Ocorre quando duas ou mais infrações entrelaçadas apresentam nexo entre si. São espécies de
conexão:

I - Conexão intersubjetiva (art. 76, I, do CPP): as infrações encontram-se unidas


pelos sujeitos, isto é, por terem sido praticadas por duas ou mais pessoas. Pode ser:
a) por simultaneidade: duas ou mais infrações são praticadas ao mesmo tempo,
por várias pessoas reunidas ocasionalmente.
b) por concurso: duas ou mais infrações são praticadas por pessoas em concurso
(com liame subjetivo), ainda que em tempos e locais diversos.
c) por reciprocidade: duas ou mais infrações são praticadas por agentes uns
contra os outros.

II - Conexão objetiva (art. 76, II, do CPP): as infrações encontram-se unidas


objetivamente, ou seja, pela própria ligação existente entre uma e outra, e não em razão dos
sujeitos que as praticam. Pode ser:
a) teleológica: uma infração penal é praticada para assegurar a execução de outra.
b) seqüencial: uma infração é praticada para assegurar a:
ocultação de outra.
impunidade de outra.
vantagem de outra.

13
III - Conexão probatória/instrumental (art. 76, III, do CPP): ocorre quando a
prova de uma infração influi na prova de outra.

2.3.2 Continência (art. 77 do CPP)

Dá-se quando uma causa está contida na outra, de tal forma que não se pode
separá-las. Pode ser:
a) por cumulação subjetiva (art. 77, I, do CPP): ocorre quando duas ou mais
pessoas praticam em concurso uma mesma in-fração. É a co-autoria ou participação em um
único crime.
b) por cumulação objetiva (art. 77, II, do CPP): ocorre em todas as hipóteses de
concurso formal (art. 70 do CP), incluindo aberratio ictus (art. 70 do CP) e aberratio criminis
(art. 74 do CP).

2.4 Foro prevalente


Quando houver alteração de competência em razão da conexão ou continência,
como dito, as causas serão reunidas em um só processo. Será preciso, então, saber qual é o foro
competente para julgá-lo. O Código de Processo Penal traz as regras em seu art. 78:

a) no concurso entre Júri e outro órgão da jurisdição comum, prevalece a


competência do Júri.
b) no concurso entre jurisdições da mesma categoria, prevalece:
- a do lugar da infração de pena mais grave.
- se de igual gravidade, a do lugar em que houver ocorrido o maior número de
infrações.
- a prevenção, se penas idênticas e em igual número. Exemplo: um único furto e
uma única receptação.
c) no concurso entre jurisdições de categorias diversas, prevalece a de maior
graduação, como já estudado anteriormente.
d) no concurso entre jurisdição comum e especial, prevalece a especial.
e) no concurso entre Justiça Federal e Justiça Estadual, prevalece a Justiça
Federal, regra esta estabelecida não por disposição do Código de Processo Penal, e sim por força
da Súmula 122, do STJ.

Estabelece o art. 82 do Código de Processo Penal que, se por qualquer motivo


estiverem correndo dois processos diferentes, onde deveria haver reunião por conexão ou
continência, o juiz do foro prevalente deverá avocar o outro processo (art. 82 do CPP), ou seja,
chamar para a sua jurisdição.

2.5 Separação de processos


Mesmo sendo hipótese de conexão ou continência, o Código prevê casos em que
se deva dar a separação dos processos, por impossibilidade de ocorrer a reunião ou por
conveniência, a critério do legislador. Essa separação pode ser obrigatória ou facultativa.

I - Obrigatória (art. 79 do CPP):


a) no concurso entre as jurisdições comum e militar;
b) no concurso entre as jurisdições comum e da infância e juventude;
c) no caso de superveniência de doença mental a um dos co-réus;
d) no caso de haver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia. Exemplo:
suspensão do processo nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal;

14
e) se houver coincidência na escolha de jurados, no caso de dois ou mais réus com
defensores diversos, no plenário do júri (art. 469 do CPP).

II - Facultativa (art. 80 do CPP):


a) quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou
lugar diferentes, desde que tal fato possa prejudicar o andamento da ação;
b) em razão do número excessivo de réus;
c) para não prolongar a prisão provisória de qualquer um dos réus;
d) por qualquer outro motivo relevante.

Cumpre anotar ainda que, havendo reunião por conexão ou continência, se o juiz
ou tribunal proferir sentença absolutória ou desclassificar a infração para outra que não seja de
sua competência, continuará competente para os demais processos (art. 81 do CPP). É o que se
denomina perpetuatio jurisdictionis. Anote-se que no caso de conexão entre infração de menor
potencial ofensivo e infração grave, a competência para julgamento é do Juízo Criminal Comum,
que deve aplicar as regras da transação e da composição civil àquela infração, nos termos do art.
60, parágrafo único, da Lei n. 9.099/95.

15
3. EXEMPLOS DE ENDEREÇAMENTO

Delegacia de Polícia

Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia da Delegacia de Polícia de ________.

Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia Federal da Delegacia de Polícia Federal de


__________.

Juízo – Primeira Instância

Justiça Estadual

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca _________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Júri da Comarca _________.


(primeira fase do rito do júri)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Presidente do Tribunal do Júri da Comarca _________.


(segunda fase do rito do júri)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca
_________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca


__________.

Justiça Federal

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da _____ Vara Criminal Federal da Subseção
Judiciária de _________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal do Júri da Subseção Judiciária de
_________.
(primeira fase do rito do júri)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal Presidente do Tribunal do Júri Federal da Subseção
Judiciária de _________.
(segunda fase do rito do júri)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal das Execuções Criminais da
Subseção Judiciária de _________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal do Juizado Especial Criminal Federal da Subseção
Judiciária de __________.

Segunda Instância

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado _______.

16
Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional
Federal da ______ Região.

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator do (recurso nº) ___________ da ____


Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado _________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Relator do (recurso nº)_________ da


____ Turma Criminal do Egrégio Tribunal Regional Federal da _____Região.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Presidente do Egrégio Colégio Recursal de ________.


(Juizado Especial Criminal)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal Presidente do Egrégio Colégio Recursal de


________.
(Juizado Especial Criminal)

Tribunais Superiores

Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Egrégio Superior Tribunal de Justiça.

Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Colendo Supremo Tribunal Federal.

17
4. AÇÃO PENAL

4.1 Conceito

Podemos conceituar ação penal como o poder de movimentar o aparelho


jurisdicional estatal, a fim de satisfazer uma pretensão punitiva.

4.2 Classificação

Podemos distinguir duas qualidades de ação penal: a pública, de titularidade do


Ministério Público, e a privada, de titularidade do ofendido ou de seu representante legal. Ambas
vão comportar ainda a subdivisão em espécies: aquela pode ser incondicionada ou condicionada
à representação do ofendido ou à requisição do ministro da justiça; esta pode ser propriamente
dita (ou exclusiva), personalíssima ou subsidiária da pública.

4.2.1 Ação penal pública

4.2.1.1 Ação penal pública incondicionada

É aquela em que o Ministério Público não se sujeita a qualquer condição


específica para o exercício de seu direito de ação, além das condições gerais da ação penal, ou
seja, presentes os elementos para a propositura da ação, ele está livre para agir. A ação penal
pública é a regra em nosso sistema processual, e, dentro dessa modalidade de ação, por sua vez, a
regra é ser ela incondicionada.

4.2.1.2 Ação penal pública condicionada

É aquela cujo exercício se subordina a uma condição específica, qual seja, à


representação do ofendido ou à requisição do ministro da justiça. Antes da verificação dessa
condição, não pode o titular do direito de ação agir.

4.2.1.2.1 Condicionada à representação

Representação é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante


legal, no sentido de ser instaurada a ação penal. O prazo para oferecimento da representação é de
seis meses a contar da data em que o ofendido vier a saber quem é o autor da infração penal,
conforme o art. 38 do Código de Processo Penal. O não oferecimento da representação dentro do
prazo acarreta a extinção da punibilidade pela decadência (art. 107, IV, do CP).

A titularidade do direito de representação é:


a) do ofendido, em regra;
b) do representante legal, se o ofendido tiver menos de 18 anos ou for doente
mental;
c) do cônjuge, ascendente, descendente ou irmãos (CADI), se o ofendido for
morto ou declarado ausente;
d) de um curador especial, no caso dos interesses do ofendido e do representante
colidirem ou se não houver representante. Na hipótese de nomeação de curador, ele não está
obrigado a representar; deve avaliar o interesse do assistido.
A representação poderá ser dirigida ao juiz, ao representante do Ministério
Público e à autoridade policial, nos termos do art. 39, caput. Uma vez oferecida a representação,

18
é possível voltar atrás, ou seja, retratar-se? Sim, desde que a retratação seja realizada antes do
oferecimento da denúncia, como estampado no art. 25 do Código de Processo Penal.

4.2.1.2.2 Condicionada à requisição do ministro da justiça

O Código de Processo Penal silencia a respeito do prazo para a requisição.


Entende-se, então, que não há limite temporal para a referida requisição, desde que, obviamente,
ela seja oferecida antes do prazo prescricional do crime, pois, após este momento, está extinta a
punibilidade do agente, faltando, assim, condição para o exercício da ação penal. No que diz
respeito à retratação da requisição oferecida, divide-se a doutrina quanto à sua admissibilidade.

4.2.2 Ação penal privada

É a espécie de ação penal cuja titularidade pertence ao ofendido ou seu


representante legal, conforme o caso. A titularidade do direito de queixa é a mesma para o
exercício do direito de representação. É ela:
a) do ofendido, em regra;
b) do representante legal, se o ofendido tiver menos de 18 anos ou for doente
mental;
c) do cônjuge, ascendente, descendente ou irmãos (CADI), se o ofendido for
morto ou declarado ausente;
d) de um curador especial, no caso dos interesses do ofendido e do representante
colidirem ou se não houver representante.
O prazo para oferecimento da queixa é, regra geral, de seis meses, a contar da data
em que o ofendido vier a saber quem é o autor da infração penal.

4.2.2.1 Ação penal privada propriamente dita (ou exclusiva)

É aquela em que se aplica tudo quanto foi dito até agora a respeito da ação penal
privada, sem nenhuma particularidade. É a regra dentre as modalidades de ação penal privada.
As especificidades ficam reservadas para as outras espécies, como veremos a seguir.

4.2.2.2 Ação penal privada personalíssima

É modalidade de ação penal que só pode ser proposta pelo ofendido e ninguém
mais. Não admite a propositura pelo representante legal, nem por sucessores no caso de morte ou
ausência. Em nosso ordenamento, ocorre referida hipótese em relação ao crime descrito no art.
236 do Código Penal – induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento. Seu parágrafo
único estipula que apenas o contraente enganado pode intentar a queixa.

4.2.2.3 Ação penal privada subsidiária da pública

É a proposta pelo ofendido ou por seu representante legal, em crimes de ação


pública, quando o Ministério Público deixar de oferecer a denúncia no prazo legal (art. 5º, LIX,
da CF e art. 29 do CPP). Note-se que esta ação só tem lugar no caso de inércia do Ministério
Público, jamais em caso de arquivamento dos autos de inquérito. Nesta modalidade de ação, o
Ministério Público apenas atuará como fiscal da lei e não como parte, intervindo em todos os
atos do processo, lançando seu parecer. Ele poderá, nessa função, aditar a queixa, se for o caso
de reputá-la incompleta, ou, até mesmo, repudiar a queixa inepta, oferecendo denúncia
substitutiva. A decisão, em todos os casos, cabe ao magistrado.

19
Como o Ministério Público era o titular do direito de ação e o perdeu para o ofendido,
qualquer ato de negligência processual deste fará que o processo seja retomado por aquele. Se
não comparecer a alguma audiência ou não atender a algum despacho, por exemplo, o ofendido
ensejará a retomada da ação pelo seu titular originário.

20
5. RITOS PROCESSUAIS

Rito ou procedimento é uma seqüência de atos organizados entre si, dirigidos a


uma sentença. No processo penal, o procedimento se divide em comum e especial (art. 394 do
CPP).
O procedimento comum divide-se em:
a) ordinário, aplicável a crimes cuja pena máxima prevista seja igual ou superior a
quatro anos de privação de liberdade;
b) sumário, aplicável a crimes cuja pena máxima prevista seja inferior a quatro
anos de privação de liberdade;
c) sumaríssimo, aplicável às infrações de menor potencial ofensivo (conforme Lei
n. 9.099/95).
Nosso ordenamento contempla vários procedimentos especiais, dentro e fora do
Código de Processo Penal, como o rito do júri.

5.1. Procedimento comum.

5.1.1. Rito Ordinário (art. 396 e seguintes, CPP)

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) resposta à acusação, no prazo de dez dias;
e) absolvição sumária ou designação de audiência;
f) audiência de instrução e julgamento (no prazo de 60 dias):
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas
- interrogatório
- requerimento de diligências
- alegações finais (ou conversão em memoriais – prazo sucessivo de cinco dias)
- sentença

5.1.2. Rito sumário (art. 531 e seguintes, CPP)

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) resposta à acusação, no prazo de dez dias;
e) absolvição sumária ou designação de audiência;
f) audiência de instrução e julgamento (no prazo de 30 dias):
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas

21
- interrogatório
- alegações finais
- sentença

5.1.3. Rito sumaríssimo (Lei nº 9.099/95 - Infrações de menor potencial ofensivo, isto é,
contravenções e crimes cuja pena máxima não seja superior a dois anos)

Fase preliminar:
a) lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência;
b) audiência preliminar: composição civil dos danos, transação penal e denúncia oral;

Rito sumaríssimo:
c) audiência de instrução e julgamento:
- defesa preliminar;
- recebimento da denúncia ou queixa;
- proposta de suspensão condicional do processo;
- oitiva da vítima, das testemunhas de acusação e de defesa;
- interrogatório do acusado;
- debates orais;
- sentença.

5.2. Ritos especiais

5.2.1. Júri (art. 406 e seguintes, CPP - Crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados)

Instrução preliminar:
a) oferecimento da denúncia ou queixa;
b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) resposta à acusação, no prazo de dez dias;
e) manifestação do MP ou querelante, no prazo de cinco dias;
f) audiência de instrução e julgamento:
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas
- interrogatório
- alegações finais
- decisão

O juiz poderá proferir, ao final da 1ª fase, as seguintes decisões:


a) Pronúncia (art. 413, CPP): prova de materialidade e indícios de autoria, é a decisão que
remete o réu ao julgamento pelo tribunal do Júri;
b) Impronúncia (art. 414, CPP): faltam os elementos mínimos para que o réu vá ao Plenário: não
existem indícios suficientes da autoria ou prova de materialidade;
c) Absolvição sumária (art. 415, CPP): quando houver uma excludente de ilicitude ou
culpabilidade, exceto inimputabilidade, a não ser que seja a única tese da defesa, quando estiver

22
provada a inexistência do fato, quando estiver provado não ser o réu o autor ou partícipe do fato
ou quando estiver provado não constituir o fato infração penal, deve o juiz absolver desde logo o
réu.
d) Desclassificação (art. 419, CPP): o crime imputado ao réu não é da competência do Júri;

Juízo da causa:
a) Prazo para requerimento de diligências, juntada de documentos e rol de testemunhas em cinco
dias;
b) despacho (com designação de data para plenário) e relatório do processo
c) Plenário:
- instalação da sessão (mínimo de 15 jurados);
- sorteio dos 7 jurados que vão integrar o conselho de sentença (3 recusas para cada parte);
- compromisso dos jurados (exortação);
- declarações do ofendido;
- testemunhas de acusação;
- testemunhas de defesa;
- acareações, reconhecimento de pessoas e coisas, esclarecimentos dos peritos e leitura de
peças;
- interrogatório
- debates orais: acusação fala em primeiro lugar pelo período de uma hora e meia (ou duas
horas e meia, se forem dois ou mais réus); defesa na seqüência, pelo mesmo prazo;
- réplica: acusação poderá falar novamente pelo período de mais uma hora (duas horas se
forem dois ou mais réus);
- tréplica: somente se a acusação fez a réplica, a defesa terá direito à tréplica, pelo mesmo
prazo;
- elaboração e leitura dos quesitos
- votação dos quesitos na sala secreta: os jurados respondem aos quesitos formulados com
cédulas definidas com “sim” e “não”;
- sentença – após a votação o juiz presidente do Júri profere a sentença.

5.2.2. Drogas (Crimes relacionados ao consumo ou uso de entorpecentes – Lei nº 11.343/06)

• Crimes relacionados ao uso de drogas para consumo pessoal: segue o rito sumaríssimo, com a
ressalva de que a transação penal apenas pode versar sobre uma das penas previstas na legislação
(advertência; prestação de serviços à comunidade e obrigação de freqüência a casa de
recuperação).

• Crimes relacionados ao tráfico de drogas:


a) laudo de constatação preliminar (suficiente para início do Inquérito Policial e/ou prisão em
flagrante);
b) oferecimento da denúncia;
c) defesa preliminar;
d) recebimento ou rejeição da denúncia, ou determinação de diligência para saneamento de
eventuais pontos obscuros;
e) audiência de instrução e julgamento.

5.2.3. Crimes funcionais (art. 513 e seguintes, CPP - Crimes praticados por funcionários
públicos)

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) resposta preliminar, no prazo de 15 dias;

23
c) recebimento pelo juiz;
a partir daqui segue-se o rito ordinário

5.2.4. Crimes contra a honra (art. 519 e seguintes, CPP)

a) oferecimento da queixa;
b) audiência de conciliação;
c) recebimento da queixa pelo juiz;
a partir daqui segue-se o rito ordinário

5.2.5. Rito dos crimes contra a propriedade imaterial (arts. 524 a 530, I, do CPP)

Providências nos crimes de ação penal privada


a) ofendido requer busca e apreensão;
b) laudo apresentado e homologado pelo juiz, aguarda-se queixa no prazo de 30 dias;
a partir daí, segue-se no rito ordinário

Providências nos crimes de ação penal pública


a) autoridade promove a apreensão dos objetos, lavrando-se termo assinado por duas
testemunhas;
b) perícia;
a partir daqui segue-se o rito ordinário

24
6. PEÇAS PROFISSIONAIS

6.1. Modelos gerais de peça


No processo penal, regra geral, existem apenas dois tipos de peças diferentes, isto é, a
estrutura de qualquer peça sempre deverá obedecer a dois pré-definidos modelos, um destinado
aos requerimentos em geral e outro aos recursos, como veremos a seguir.

25
6.1.1. Modelo geral de peça simples

Este modelo de peça é utilizado para todos os requerimentos, habeas corpus, revisão
criminal, alegações finais, etc. Consiste em uma peça única, com endereçamento, qualificação, a
descrição dos fatos, do direito e o pedido.

Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº_____.

(Pulam-se aproximadamente 10 linhas do endereçamento até o preâmbulo,


com a epígrafe no meio do espaço)

FULANO DE TAL, já qualificado, nos autos da AÇÃO PENAL que lhe


move a JUSTIÇA PÚBLICA, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem,
respeitosamente perante Vossa Excelência, requerer _____________________, com fundamento
no art. ..........., pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
(Aqui o candidato vai relatar os fatos que envolvem o problema
formulado. Deve se ater ao que foi exposto na prova, sem, contudo, fazer cópia literal do
problema).

2) DO DIREITO.
(Esta é a parte onde o candidato vai apresentar sua argumentação, visando
o resultado pretendido. Tudo o que for argumento para amparar a tese sustentada deve ser
exposto, na busca do convencimento do julgador)

3) PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja...................., por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/ data).

(nome e assinatura do advogado/ nº da OAB)

26
6.1.2. Modelo geral de peça composta

Este modelo de peça é utilizado para a maioria dos recursos, tais como RESE,
Apelação, Agravo etc. Consiste em duas peças: uma de interposição (ou juntada) e outra de
razões (ou contra-razões).

Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº_____.

(Pulam-se aproximadamente 10 linhas do endereçamento até o preâmbulo,


com a epígrafe no meio do espaço)

FULANO DE TAL, já qualificado, nos autos da AÇÃO PENAL que lhe


move a JUSTIÇA PÚBLICA, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem,
respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor RECURSO, com fundamento no art.........,
do Código de Processo Penal.

Requer seja recebido o presente e encaminhado ao Egrégio Tribunal de


Justiça do Estado de ..............., com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/ data).

(nome e assinatura do advogado/ nº da OAB)

27
RAZÕES DE RECURSO
RECORRENTE: ...............................
RECORRIDA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da respeitável sentença (ou decisão) pelas razões fáticas e de direito que
passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Aqui o candidato vai relatar os fatos que envolvem o problema
formulado. Deve se ater ao que foi exposto na prova, sem, contudo, fazer cópia literal do
problema).

2) DO DIREITO.
(Esta é a parte onde o candidato vai apresentar sua argumentação, visando
o resultado pretendido. Tudo o que for argumento para amparar a tese sustentada deve ser
exposto, na busca do convencimento do julgador)

3) PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja...................., por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(nome e assinatura do advogado/nº OAB)

28
6.2. PEÇAS (ESPÉCIES)

6.2.1. RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE

O pedido de relaxamento da prisão em flagrante deverá ser formulado se, pela


formulação do problema, for possível identificar que a prisão ocorreu fora das hipóteses legais
ou que há vício na elaboração do Auto de Prisão em Flagrante. Analisemos as duas hipóteses.

PRISÃO EM FLAGRANTE

É a prisão que ocorre durante a prática de uma infração penal ou momentos após; é a
prisão que tem lugar ainda no calor dos acontecimentos. Segundo disposição do nosso Código de
Processo Penal (art. 301) os agentes e as autoridades policiais devem e qualquer pessoa do povo
pode prender quem se encontre em estado de flagrância.

A prisão em flagrante é a única modalidade de prisão cautelar que dispensa a


apresentação de mandado, justamente por ser imposta no momento da prática delitiva. Por essa
razão, deve-se observar se ela foi realizada dentro dos limites legais.

Hipóteses legais:

1) Flagrante próprio ou real (art. 302, I e II, CPP): ocorre quando alguém é
surpreendido cometendo uma infração penal ou quando acaba de cometê-la. É a hipóteses
clássica de flagrante.

2) Flagrante impróprio ou quase-flagrante (art. 302, III, CPP): ocorre quando


alguém é perseguido logo após a prática de uma infração penal, em situação que faça presumir
ser ele o seu autor.

3) Flagrante ficto ou presumido (art. 302, IV, CPP): ocorre quando alguém é
encontrado logo depois da prática de uma infração penal, com instrumentos, armas, objetos ou
papéis que façam presumir ser ele o seu autor.

4) Flagrante retardado ou diferido (art. 2º, I, da Lei nº 9.034/95): ocorre quando, nos
crimes praticados por organizações criminosas, os agentes policiais deixam de prender os
suspeitos no momento em que se deparam com a prática criminosa, aguardando momento mais
oportuno para fazê-lo, do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações.
Há dispositivo semelhante no art. 53, II, da Lei nº 11.343/06.

Hipóteses ilegais.

A doutrina aponta, ainda, algumas hipóteses nitidamente ilegais de flagrante:

1) flagrante preparado ou provocado (delito de ensaio): alguém induz o autor à


prática do crime, viciando sua vontade, e, em seguida, o prende em flagrante. Como a infração
não foi praticada espontaneamente pelo agente, não pode existir crime, caracterizando, na
hipótese, crime impossível (Súmula 145 do STF).

2) flagrante forjado: policiais ou terceiros criam, forjam, provas de um crime que


sequer existe.

29
Flagrante de acordo com o crime:

1) crimes permanentes: enquanto não cessar a permanência, o agente encontra-se em


situação de flagrância, como por exemplo ocorre no crime de seqüestro (art. 148, CP).

2) crimes habituais: em tese não se admite, pois o crime só se caracteriza com a


reiteração da conduta, o que não se pode verificar num ato isolado. Há, contudo, doutrinadores
que admitem tal hipótese, desde que haja investigação anterior e provas da habitualidade.

3) crimes de ação penal privada: neles, o ofendido, se não for o autor da prisão,
deverá ratificá-la no prazo de entrega da nota de culpa, ou seja, em 24 horas, sob pena de
relaxamento.

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Efetuada a prisão em flagrante, ela precisa ser formalizada, documentada, o que se faz
através do respectivo auto. Isso porque, como dito, ela independe de mandado e, assim, a
verificação de sua legalidade será feita posteriormente pelo juiz, através da análise do documento
em questão.

A autoridade competente para a lavratura do auto é a da circunscrição onde foi


efetuada a prisão. Se ela foi realizada em local distinto daquele onde se consumou a infração,
posteriormente os autos de inquérito seguirão para a autoridade policial respectiva.

Apresentado o preso à autoridade, a elaboração do autos seguirá as seguintes etapas:

1) Antes da lavratura, comunicação da prisão à família do preso ou a quem ele indicar


(art. 5º, LXIII, CF);

2) Oitiva do condutor, colheita de sua assinatura e entrega do recibo de entrega de


preso;

3) Oitiva de pelo menos 2 testemunhas que tenham acompanhado o condutor e


colheita de suas assinaturas. Se não houver, devem assinar o auto 2 testemunhas que tenham
presenciado a apresentação do preso à autoridade.

4) Se estiver presente, oitiva da vítima;

5) Oitiva do preso, alertando-o de seu direito ao silêncio e observando-se, no que


couber, os dispositivos do interrogatório judicial. Se o preso não souber, não puder ou se recusar
a assinar, 2 testemunhas assinarão após a leitura, em sua presença.

6) Encerrada a lavratura, cópia do auto será encaminhada ao juiz no prazo de 24


horas, a contar da prisão. No mesmo prazo deve ser enviada cópia à Defensoria Pública, se o
preso não tiver declinado possuir advogado.

Nota de culpa.

No prazo de até 24 horas após a prisão, deverá ser entregue a nota de culpa ao preso
(art. 306, § 2º, CPP), que indicará o motivo da prisão, o nome do condutor e das testemunhas. A
falta de entrega no prazo estipulado pode trazer o relaxamento da prisão.

30
MODELO DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara do Júri da Comarca


_____________

Autos nº _______

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do RG nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), no Auto de Prisão em
Flagrante em epígrafe, por seu advogado infra-assinado (procuração em anexo), vem perante
Vossa Excelência, requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, com
fundamento no artigo 5º, LXV, da Constituição Federal, pelas razões que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi preso em flagrante, pois teria infringido o art. 121,
caput, do Código Penal, ao efetuar 10 disparos de arma de fogo contra “B”.

Encontra-se detido na Cadeia Pública local desde a data de 20 de maio.

2) DO DIREITO.
Excelência, não há motivos para a manutenção da prisão do Requerente.

Com efeito, a prisão em flagrante imposta não atendeu às exigências


legais. Sabe-se que referida modalidade de prisão cautelar só pode ser imposta dias das hipóteses
previstas no art. 302 do Código de Processo Penal.

Pode-se verificar que, no caso em tela, o Requerente não foi preso durante
a prática do delito, nem quando ele tinha acabado de ser cometido. Também não foi perseguido
em circunstâncias que fizessem presumir ser ele o autor da prática delitiva, muito menos foi
encontrado, logo depois da prática do crime, com objetos ou armas que o ligassem a tal prática.

O Requerente foi detido dois dias depois do delito ter sido cometido, em
plena Universidade, quando assistia à aula de Direito Penal. Não há nexo nenhum entre o
momento da prisão e a prática do delito. Note-se que, ainda que se pudesse presumir ser ele o
autor do crime, em razão de algum objeto encontrado em seu poder – o que não é o caso – a
prisão não foi efetuada logo depois da prática do crime. O requisito temporal, portanto, está
afastado.

A melhor solução, portanto, é o relaxamento da prisão.

3) DO PEDIDO.

31
Diante do exposto, requer o relaxamento da prisão imposta ao Requerente,
expedindo-se o competente alvará de soltura em seu favor, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

32
6.2.2. LIBERDADE PROVISÓRIA (art. 321 e seguintes, CPP).
É o instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar o curso do
processo em liberdade.

Não é admitida a liberdade provisória nos crimes de lavagem de dinheiro (Lei nº


9.613/98), de tráfico de drogas (Lei nº 11.343/06) e assemelhados e nos ligados a organizações
criminosas (Lei nº 9.034/95). Anote-se que a proibição que existia em relação aos crimes
hediondos não mais persiste, em razão da alteração da Lei nº 8.072/90, promovida pela Lei nº
11.464/07. Da mesma forma, a proibição de liberdade provisória aos crimes de porte ilegal de
arma de fogo de uso proibido, comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de
fogo, foi afastada por decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Adin 3.112-1.

No Exame de Ordem, basicamente vamos trabalhar com duas modalidades de


liberdade provisória – sem o arbitramento de fiança e com o arbitramento de fiança, podendo-se
cumular o pedido, conforme o caso que se apresente.

Pode o pedido ser formulado durante a fase de inquérito policial ou durante o curso
da ação penal, antes do trânsito em julgado.

Liberdade provisória sem fiança (art. 310, CPP).

O juiz deve conceder a liberdade provisória independente do pagamento de fiança


quando:

a) verificar que o acusado agiu amparado por causa excludente de ilicitude (art. 310,
caput);

b) verificar que não se encontram presentes os motivos autorizadores da prisão


preventiva (art. 310, parágrafo único, CPP).

Aqui pouco importa se a infração é afiançável ou inafiançável, o que importa é a


verificação dos requisitos legais. A liberdade provisória sem fiança, como adiantado, só pode ser
concedida pelo juiz, após oitiva do Ministério Público. Caso concedida, o acusado ficará
vinculado ao juízo através da assinatura de termo de comparecimento aos atos processuais, sob
pena de revogação.

Quando se tratar de crime contra a economia popular ou de sonegação fiscal, o juiz


somente poderá conceder a liberdade provisória mediante fiança, por expressa disposição contida
no art. 325, § 2º, do CPP.

Liberdade provisória com fiança (art. 323 e segs., CPP).

Fiança é uma caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais


pelo réu. Seu mecanismo consiste em depositar determinada quantia como garantia da liberdade
do acusado durante o processo.

A fiança poderá ser feita através de depósito (dinheiro, pedras preciosas, títulos da
dívida pública) ou através de hipoteca (art. 330, CPP).

O Código de Processo Penal traz as hipóteses em que não deverá ser concedida
fiança, ou seja, trata da inafiançabilidade. Se a infração não se encaixar nas hipóteses

33
relacionadas, ela é afiançável.

Não se concederá fiança:


a) em crimes punidos com reclusão, cuja pena mínima seja superior a 2 anos;

b) na contravenção penal de vadiagem (art. 59, Dec. Lei 3688/41);

c) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade, se o réu já tiver sido
condenado por outro crime doloso, com trânsito em julgado;

d) se houver prova de ser o réu vadio;

e) nos crimes punidos com reclusão que provoquem clamor público ou que tenham
sido cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa;

f) a quem tiver quebrado fiança ou desrespeitado obrigação no mesmo processo;

g) em caso de prisão civil, disciplinar, administrativa ou militar;

h) a quem estiver no período de prova de sursis ou livramento condicional, salvo de o


novo processo for por crime culposo ou contravenção penal;

i) quando presentes os motivos que autorizem a decretação da prisão preventiva.

São também inafiançáveis os crimes de racismo, hediondos, tráfico ilícito de


entorpecentes, terrorismo, tortura, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, por
disposição constitucional.

A autoridade policial pode conceder fiança nos casos de crimes apenado com
detenção e prisão simples (art. 322), lembrando que, em princípio, a maior parte dessas infrações
são de menor potencial ofensivo, o que leva à aplicação dos institutos previstos na Lei nº
9.099/95.

Observação:

Note-se que, em suma, no pedido de liberdade provisória deve-se procurar


demonstrar que não estão presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva ou então
que a fiança (que é direito subjetivo do indiciado ou réu) é admitida na hipótese. Assim, trabalha-
se com o mérito subjetivo do preso e com as circunstâncias da infração para pleitear a soltura e
não se ataca a legalidade da medida, como se faz no pedido de relaxamento da prisão em
flagrante.

34
MODELO DE LIBERDADE PROVISÓRIA

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___ Vara Criminal da Comarca ________.

Autos nº _______

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do RG nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), no Auto de Prisão em
Flagrante em epígrafe, por seu advogado infra-assinado (procuração em anexo), vem perante
Vossa Excelência requerer LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA, com fundamento no
artigo 5º, LXVI, da Constituição Federal e art. 310, parágrafo único, do Código de Processo
Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi preso em flagrante delito, no último dia 20 de maio, pois
teria subtraído mediante grave ameaça a bolsa da transeunte “B”, na Rua das Flores, nesta
cidade.

Encontra-se ainda detido na Cadeia Pública local.

2) DO DIREITO.
Excelência, a liberdade provisória deve ser concedida.

De fato, não estão presentes, no caso em tela, os requisitos autorizadores


da prisão preventiva. Como se pode verificar, não há que se falar em garantia da ordem pública,
uma vez que o Requerente não denota periculosidade, pois é primário e ostenta bons
antecedentes (doc. ___). Não há fundado motivo para se acreditar que vá colocar em risco a
ordem social através da prática de novos delitos.

Da mesma forma, não há que se dizer que o Indiciado solto possa oferecer
qualquer obstáculo à produção da prova, pois não apresenta, como já dito, o perfil de pessoa
perigosa, assim, não está presente o requisito da conveniência da instrução criminal. Muito
menos razão existe para se acreditar que o Requerente apresente risco iminente de fuga, o que
justificaria a decretação da custódia pelo fundamento da garantia de aplicação da lei penal, pois
o Requerente é comerciante estabelecido há 10 anos no mesmo local (doc. ___), tem família
constituída, residência fixa (doc. ___), não apresentando qualquer indício de que possa se furtar à
aplicação da lei.

Assim, não estando presentes os requisitos da custódia preventiva, não há


que se falar em manutenção da prisão em flagrante, consoante redação do art. 310, parágrafo
único, do Código de Processo Penal.

35
A melhor solução para o caso presente, então, é a soltura do Requerente,
mediante a assinatura do termo de comparecimento aos atos processuais.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer, após oitiva do digno representante do
Ministério Público, a concessão da liberdade provisória ao Requerente, mediante assinatura do
termo de comparecimento, expedindo-se o alvará de soltura em seu favor, por ser medida de
JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

36
37
6.2.3. PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA OU TEMPORÁRIA.

Como visto, se a prisão em flagrante for ilegal, ou por ter sido imposta fora das
hipóteses previstas em lei, ou por conter o auto de prisão em flagrante algum vício de
formalidade, deve referida prisão ser relaxada.

Caso ela seja legal, mas o preso, em razão de suas condições pessoais, não apresente
risco ao processo nem à sociedade, autoriza-se a concessão da liberdade provisória, que pode
acontecer mediante o arbitramento de fiança ou não, conforme o caso.

Já se foi imposta uma prisão preventiva ou uma prisão temporária, muito embora
possa eventualmente se falar em relaxamento (no caso de excesso de prazo), não há que se falar
em liberdade provisória, mas sim em sua revogação. De fato, a liberdade provisória é um
instituto que permite ao réu responder aos termos do processo em liberdade, diante de uma prisão
em flagrante legal. É um benefício concedido ao indiciado/acusado. A prisão preventiva e a
temporária são impostas por ordem do juiz e se elas foram decretadas sem que se atenda ao
critério da necessidade, sem fundamento ou sem observância dos critérios legais, deve ela ser
revogada, ou seja, cancelada.

Assim, tendo em vista o Exame de Ordem, se um problema for apresentado,


constando uma prisão preventiva ou temporária imposta abusivamente, caberá ao candidato
redigir o pedido de revogação, que em termos de modelo não foge nada ao que já foi estudado
(relaxamento e liberdade provisória).

38
MODELO DE PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA OU
TEMPORÁRIA

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


_____________

Autos nº ______.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do RG nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), nos autos da Ação Penal que
lhe move a Justiça Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado (procuração
em anexo), vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, requerer a REVOGAÇÃO DA
PRISÃO PREVENTIVA, com fundamento no art. 316 do Código de Processo Penal, pelas
razões que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi denunciado por suposta infração ao art. 171, caput, do
Código Penal, pois teria obtido vantagem ilícita em prejuízo alheio, ao empregar o denominado
“golpe do bilhete premiado” em via pública desta cidade.

A denúncia foi recebida por Vossa Excelência, momento em que foi


decretada a prisão preventiva do Acusado, sob o fundamento de que seus antecedentes apontam
que se ele continuasse em liberdade, continuaria a praticar crime, portanto, necessária a custódia
cautelar. O mandado foi cumprido e o Réu encontra-se detido no Centro de Detenção Provisória
local.

2) DO DIREITO.
Excelência, a prisão preventiva imposta ao Acusado deve ser revogada.

De fato, não há motivos para a decretação, uma vez que o Acusado, por
suas condições subjetivas, não dá indícios de que pode praticar crimes se em liberdade. Não há
que se falar que seus antecedentes autorizam a medida, pois assim se estaria violando o
consagrado princípio constitucional da presunção de inocência.

Admitir a prisão por eventuais antecedentes é presumir a culpabilidade no


caso presente e não a inocência, o que é inaceitável. Note-se que o Acusado é tecnicamente
primário, tem residência fixa e trabalho honesto, nada indicando que seja dado a práticas
delitivas.

O motivo autorizador da prisão preventiva para garantia da ordem pública


está intimamente ligado à periculosidade do agente, que está totalmente afastada no caso

39
concreto. Como se sabe, a prisão em nosso sistema processual é medida de exceção e só deve ser
imposta em casos extremos, naqueles casos em que se denota que o Acusado não tem condições
de conviver em sociedade, pois colocará em risco a paz social.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja revogada a prisão imposta ao Acusado,
expedindo-se o competente alvará de soltura em seu favor, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

40
6.2.4. REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO

Representação é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal,


no sentido de ser instaurada a ação penal. Exemplos de crimes que exigem representação no
Código Penal: art. 129, caput (este por força do art. 88 da Lei nº 9.099/95); art. 130; art. 147.

A natureza jurídica da representação é de condição de procedibilidade, ou seja, é


condição para que o Ministério Público possa intentar a ação penal, possa proceder à ação, caso
contrário, não poderá agir. Ela é verdadeira autorização para que o órgão ministerial possa
propor a ação penal.

Note-se que a representação oferecida pela vítima ou seu representante legal, não
vincula o Ministério Público a oferecer denúncia. O promotor ou procurador deverá analisar se
estão presentes os requisitos para propor a ação. A vontade do ofendido importa apenas para
autorizar o Ministério Público a analisar as condições da ação.

O prazo para oferecimento da representação é de 6 meses, a contar da data em que o


ofendido vier a saber quem é o autor da infração penal, conforme art. 38, CPP. O não
oferecimento da representação dentro do prazo acarreta a extinção da punibilidade pela
decadência (art. 107, IV, CP). Assim, o prazo para representação é decadencial: não oferecida no
prazo, terá o ofendido decaído de seu direito.

Quanto à forma, não se exige nenhum rigor formal, basta a inequívoca manifestação
de vontade do ofendido, no sentido de ver o autor do fato processado. O art. 39 do CPP, porém,
indica que ela deve conter todas as informações que possam servir à apuração do fato e da
autoria.

Ressalte-se que se o ofendido representar apenas um, dos vários autores, o Ministério
Público poderá denunciar todos eles. Isso é o que se chama de eficácia objetiva da representação.

A titularidade do direito de representação é:

a) do ofendido, em regra;

b) do representante legal, se o ofendido tiver menos de 18 anos ou for doente mental;

c) do cônjuge, ascendente, descendente ou irmãos (CADI), se o ofendido for morto ou


declarado ausente;

d) de um curador especial, no caso dos interesses do ofendido e do representante


colidirem ou se não houver representante. Na hipótese de nomeação de curador, ele não está
obrigado a representar, deve avaliar o interesse do assistido.

No caso de ser pessoa jurídica a que deva oferecer representação, esta deve ser feita
através da pessoa indicada no respectivo contrato social ou por seus diretores e sócios gerentes.

A representação poderá ser dirigida ao juiz, ao representante do Ministério Público e


à autoridade policial, nos termos do art. 39, caput. São os destinatários da representação.

Uma vez oferecida a representação, é possível voltar atrás, ou seja, retratar-se? Sim,
desde que a retratação seja realizada antes do oferecimento da denúncia, como estampado no art.

41
25, CPP. Não é possível após esse momento, pois a partir daí o Ministério Público já conta com a
autorização de que necessitava e não pode dispor da ação, como visto anteriormente. Nunca é
demais lembrar que se trata de ação pública, de titularidade do Ministério Público.

42
MODELO DE REPRESENTAÇÃO

Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia da ____ Delegacia de Polícia de


_____________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do RG nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração com poderes especiais em anexo), vem, respeitosamente perante Vossa
Senhoria, oferecer REPRESENTAÇÃO contra “B”, (qualificação), com fundamento no artigo
39 do Código de Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi vítima, no último dia 20 de maio, de ameaça proferida
por “B”, diante de seus familiares. “B”, sem pudores, disse ao Requerente, em alto e bom som,
que ria matá-lo com um tiro na cabeça na primeira oportunidade, pois conhecia todos os passos
do Requerente.

2) DO DIREITO.
Tendo em vista os fatos acima narrados, torna-se evidente que, assim
agindo, o ofensor praticou a conduta descrita no art. 147 do Código Penal, pois ameaçou o
Requerente, por meio de palavras, de causar-lhe mal injusto e grave.

Note-se que a ameaça revestiu-se de seriedade, foi proferida de forma


serena pelo ofensor, não havendo qualquer discussão no momento da conduta. Ressalte-se ainda
que o Requerente, de fato, sentiu-se atemorizado, pois não há dúvidas de que poderia
efetivamente sofrer mal injusto e grave.

Como tal infração exige a condição de procedibilidade da representação,


oferece esta para que possa ter curso o competente persecução penal, com a instauração do
devido Termo Circunstanciado e demais providências legais.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja recebida a presente Representação,
lavrando-se o competente Termo Circunstanciado e prosseguindo-se nos demais termos legais.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

43
6.2.5. QUEIXA-CRIME

Queixa-crime ou simplesmente queixa é a petição inicial da ação penal privada,


modalidade de ação penal já estudada anteriormente. Como toda petição inicial a queixa-crime
deve preencher os requisitos enumerados pela lei para que possa ser recebida, possibilitando o
regular desenvolvimento do processo.

Requisitos (art. 41, CPP):

a) Descrição do fato em todas as suas circunstâncias.


A descrição na peça inicial deve ser exata, de modo a possibilitar a perfeita
identificação da acusação para que seja exercido o direito de defesa. Deve-se narrar tudo o que se
passou e na forma em que se passou, de modo que o julgador possa vislumbrar a possibilidade de
ter existido crime, bem como a possibilidade de ser o querelado seu autor.

b) Qualificação ou identificação do querelado.


Se não for possível qualificar o querelado, isto é, apontar sua completa
individualização, deve-se indicar os dados que possibilitem sua identificação. Tratam-se aqui de
dados físicos, que permitam ao menos saber quem ele é, muito embora não se saiba sua
qualificação, pois não se pode imputar vagamente a prática de um crime a alguém de quem não
se tem a mínima certeza de quem seja. Caso não seja possível colher o menor elemento
identificador, deve-se rejeitar a peça.

c) Classificação jurídica do fato.


É necessário apontar qual a previsão legal para a conduta que é narrada na inicial.
Isso porque não se admite o recebimento da queixa de fato que não é considerado crime pela lei
penal. Assim, ainda que não seja uma classificação imodificável, o correspondente abstrato ao
fato concreto deve ser trazido na peça inicial.

d) Rol de testemunhas.
A apresentação do rol de testemunhas aparece como requisito, mas é óbvio que ele só
será exigido se houver testemunha a ser inquirida. Havendo, este é o momento de arrolar, sob
pena de preclusão.

Note-se que para a queixa, outros requisitos ainda são exigidos, no que diz respeito à
procuração outorgada ao advogado, nos termos do art. 44 do CPP. Deve o instrumento de
mandato conter poderes especiais para promover a ação, além de fazer menção ao fato criminoso
e indicar o nome do querelado (há erro de redação no CPP, que traz, erroneamente, a palavra
querelante).

O prazo para o oferecimento da queixa é de 6 meses, a contar da data do


conhecimento da autoria do delito, ou do término do prazo do Ministério Público, dependendo da
modalidade de ação.

44
MODELO DE QUEIXA-CRIME

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


______________.

Ref. IP nº ______

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portadora do RG nº


__________, inscrita no CPF sob nº_________, (endereço), por seu advogado infra-assinado
(procuração com poderes especiais em anexo), vem, respeitosamente perante Vossa Excelência,
oferecer QUEIXA-CRIME contra “B”, (qualificação), com fundamento no artigo 30 do Código
de Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
Na data de 20 de abril, a Querelante estava em uma festa quando foi
ofendida pelo Querelado, que a chamou de “vaca”. Note-se que o Querelado é ex-marido da
Querelante e não aceita o término da relação conjugal.

Foi instaurado o competente Inquérito Policial, que colheu todos os


elementos necessários à propositura da ação penal e que segue em anexo.

2) DO DIREITO.
De acordo com os fatos apurados na peça investigatória, não resta dúvida
que o Querelado infringiu o art. 140 do Código Penal.

De fato, a ofensa contra a honra, cuja prova se encontra estampada nos


depoimentos colhidos na fase de inquérito e que serão corroborados em juízo, foi praticada sem
que a Querelante tivesse dado qualquer motivo para tal. Como dito anteriormente, a Querelante
foi casada com o Querelado, que não aceita, até hoje, a separação do casal. Tal fato, contudo, não
dá o direito ao Querelado de ofender a Querelante.

A conduta praticada pelo Querelado é grave e trouxe conseqüências


humilhantes à Querelante, não podendo restar impune. Como se sabe, tal crime se processa, em
regra, mediante ação penal de iniciativa privada e, por essa razão, oferece a presente queixa..

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja recebida a presente queixa-crime,
prosseguindo-se nos termos do art. 72 e seguintes da Lei nº 9.099/95, até final condenação do
Querelado, na pena do art. 140 do Código Penal.

45
Requer ainda sejam ouvidas as testemunhas constante do rol abaixo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

Rol de testemunhas:

1)_____________, (qualificação e endereço);


2)_____________, (qualificação e endereço);
3)_____________, (qualificação e endereço).

46
6.2.6. RESPOSTA À ACUSAÇÃO (art. 396-A, CPP)

Peça destinada ao oferecimento da primeira defesa por escrito do réu no processo.


Nela, pode-se:

a) discutir o mérito da imputação;

b) argüir preliminares e opor exceções que verificar existirem;

c) requerer as diligências que entender necessárias;

e) juntar documentos e especificar provas que pretende produzir ;

f) arrolar testemunhas.

O prazo para apresentação é de 10 dias, a contar da citação do Acusado.

47
MODELO DE RESPOSTA À ACUSAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____Vara Criminal da Comarca _________.

Autos nº _____

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, com fundamento no artigo 396-A do Código de Processo Penal, apresentar
sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO, expondo e requerendo o seguinte:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 213 do Código Penal, pois teria submetido “B” à prática de conjunção carnal mediante
grave ameaça.

2) DO DIREITO.
A acusação dirigida ao Réu é infundada, devendo ele ser absolvido
sumariamente, pois mais do que evidente pelos documentos já juntados aos autos que a relação
sexual foi consentida.

O Acusado e “B” mantêm longo relacionamento amoroso e a presente


persecução só foi instaurada porque, após uma briga do casal, “B” resolveu dizer em sede de
Boletim de Ocorrência, que havia sido estuprada pelo Acusado.

Como se nota de suas próprias declarações em sede de inquérito, ela


admitiu a farsa e afirmou que a relação dói mesmo consentida. Assim, não há que se falar em
crime.

(OBS: Nesta peça, a defesa já deve discutir matéria de mérito que possa
levar à absolvição sumária, se houver, além de fazer eventuais requerimentos e arrolar as
testemunhas que quer sejam ouvidas).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja o Acusado absolvido sumariamente, nos
termos do art. 397, III, do Código de Processo Penal, por ser medida de JUSTIÇA!

Caso assim não entenda Vossa Excelência, e o feito atinja a fase de


instrução, requer sejam ouvidas as testemunhas constantes do rol abaixo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

48
(local/data)

(advogado e nº da OAB)

Rol de testemunhas:

1)_____________, (qualificação e endereço);


2)_____________, (qualificação e endereço);
3)_____________, (qualificação e endereço).

49
6.2.7. MEMORIAIS (ALEGAÇÕES FINAIS)

Momento para exposição da acusação e da defesa, propriamente ditas, discutindo-se e


analisando-se a prova produzida nos autos, tecendo as considerações devidas. Aqui devem ser
alegadas todas as matérias preliminares, isto é, aquelas cujo acolhimento impede a análise do
mérito, e a matéria de mérito propriamente dita.

Dessa forma, comumente se faz a argüição em preliminar de causas extintivas da


punibilidade e de nulidades, pois, se acolhidas, aquelas põem fim ao processo enquanto estas
implicam na renovação dos atos processuais viciados.

A apresentação das alegações finais é obrigatória, tanto para a acusação, que não
pode indispor da ação penal, quanto para a defesa, em atendimento aos princípios do
contraditório e da ampla defesa. Vigora ainda, nesta peça, o denominado princípio da
eventualidade, que permite às partes aduzirem toda a matéria que julgarem pertinente, sob a
forma de pedidos subsidiários, conforme o caso.

Devem ser feitas em audiência, havendo previsão de sua apresentação por escrito, em
forma de memoriais, no prazo de 5 dias (art. 403, § 3º, e, art. 404, parágrafo único, do CPP).

50
MODELO DE ALEGAÇÕES FINAIS (MEMORIAIS)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº _____

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, com fundamento no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, apresentar
seus MEMORIAIS, apoiados nas seguintes razões:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 157, § 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído
um automóvel em via pública.

Em suas alegações finais, o ilustre representante do Ministério Público


pugnou pela condenação do Réu, nos exatos termos da denúncia.

2) DO DIREITO.
Excelência, o Réu deve ser absolvido.

De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova


colhida, nenhuma aponta com segurança para o acusado, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Acusado negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Acusado no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Réu ocorreu em
sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o acusado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, a única solução
para o presente caso é a absolvição do Acusado.

51
Muito embora esteja demonstrada a inexistência de elementos
comprobatórios da autoria delitiva, caso Vossa Excelência entenda deva condenar o acusado,
subsidiariamente requer seja afastada a causa de aumento de pena do emprego de arma.

Com efeito, já é pacífico o entendimento de que a simulação de arma não


pode autorizar o aumento em questão, pois não foi efetivamente empregada uma arma, no
sentido técnico.

Se a simulação pode servir para caracterizar a grave ameaça, o mesmo não


se pode dizer em relação à causa de aumento de pena. Se nesse sentido for admitida, teremos
violação ao princípio da legalidade, pois não há previsão legal para o aumento pela simulação.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado: causas extintivas da punibilidade,
nulidades e mérito propriamente dito).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja absolvido o acusado, com fundamento no
art. 386, IV, do Código de Processo Penal. Caso não seja esse o entendimento de Vossa
Excelência, subsidiariamente, requer seja afastada a causa de aumento de pena descrita no Art.
157, § 2º, I, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

52
6.2.8. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

É o que se destina a possibilitar o reexame das matérias previstas no art. 581 do


Código de Processo Penal. A posição majoritária da doutrina aponta para a taxatividade do rol,
apesar de opiniões em contrário. De qualquer forma, estabelece referido artigo que caberá
recurso em sentido estrito:

a) da decisão que rejeitar a denúncia ou a queixa.


Há exceções na legislação processual, quanto a essa decisão nos crimes de imprensa e
nas infrações de menor potencial ofensivo, em que é desafiada por apelação.

b) da decisão que concluir pela incompetência do juízo.


Trata-se da decisão que reconhece a incompetência de ofício e não através de exceção
oferecida pelas partes.

c) da decisão que julgar procedente exceção, salvo a de suspeição.


Como visto anteriormente, no caso da exceção de suspeição não cabe o recurso
porque ela é julgada pela segunda instância.

d) da decisão que pronunciar o réu.


Hipótese em que podem recorrer o Ministério Público, o assistente de acusação e o
acusado. Inclusive, pode o acusado recorrer da impronúncia, para sustentar que deva ser
absolvido sumariamente, por exemplo (situação mais favorável a ele).

e) da decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança,


indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou
relaxar a prisão em flagrante.

f) da decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido seu valor.

g) da decisão que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a


punibilidade.
A decisão, portanto, que declara extinta a punibilidade do acusado, apesar de ser
definitiva, é atacada por recurso em sentido estrito e não por apelação.

h) da decisão que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra


causa extintiva da punibilidade.
A diferença em relação à previsão anterior é que aqui foi feito requerimento pela
parte, para a declaração de extinção da punibilidade, enquanto no outro a decisão era de ofício.

i) da decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus.


Refere-se à decisão proferida por juiz, em primeira instância. Esta decisão também se
sujeita, como visto, ao reexame necessário.

j) da decisão que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte.

k) da decisão que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir.


Cuida a hipótese da lista anual que contém o nome dos jurados selecionados para
trabalharem nas sessões do Júri. Esta lista pode ser impugnada no prazo de 20 dias, dirigindo-se
o recurso diretamente ao Presidente do Tribunal de Justiça.

53
l) da decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta.
Trata-se de juízo de admissibilidade do recurso de apelação.

m) da decisão que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão


prejudicial.

n) da decisão que julgar o incidente de falsidade.


Trata-se do incidente de falsidade documental.

As demais hipóteses contidas no art. 581 perderam a aplicação em razão de tratar de


matéria de execução penal, que passou a ser disciplinada pela Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução
Penal. São eles: incisos XI, XII, XVII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII, XXIV.

O recurso em sentido estrito possibilita ao próprio juiz recorrido uma nova apreciação
da questão, antes da remessa dos autos à Segunda Instância – o que se denomina juízo de
retratação.

O prazo para sua interposição é de 5 dias. As razões devem ser apresentadas em 2


dias (art. 588, CPP). Lembre-se da hipótese que impugna lista geral de jurados, onde o prazo é de
20 dias e recurso endereçado ao Presidente do Tribunal de Justiça.

54
MODELO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Júri da Comarca


___________________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com fundamento no artigo
581, IV, do Código de Processo Penal.

Requer seja recebido o presente recurso e, caso Vossa Excelência


entenda deva manter a r. decisão, seja ele encaminhado ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado
__________, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

55
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Processo nº ______, da _____ Vara do Júri da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi denunciado e processado por suposta infração ao art.
121, caput, do Código Penal, pois teria efetuado disparos de arma de fogo que levaram “B” à
morte.

Restou pronunciado nos termos da denúncia, sob o fundamento de que


estão presentes no caso, indícios veementes de autoria e prova da materialidade do crime.

2) DO DIREITO.
Excelências, o Recorrente deve ser despronunciado.

De fato, não há indícios de autoria a autorizar a pronúncia. Observa-se,


pela análise do que foi produzido nos presentes autos, que nenhuma das pessoas ouvidas liga o
Recorrente ao crime. Seu nome só é mencionado porque as testemunhas “ouviram dizer” que
seria ele o autor do delito.

Ora, como se sabe, prova de “ouvir dizer” não é prova suficiente para
submeter o Recorrente a julgamento perante o Tribunal Popular. Ainda que se exija apenas
indícios de autoria, esses indícios devem ser, no mínimo, razoáveis, o que não acontece no caso
em tela.

Não se argumente, também, que na fase da pronúncia vigora o princípio


“in dubio pro societate”. Como se sabe, em qualquer fase processual, a dúvida deve beneficiar o
acusado. Seria temeroso submeter o Recorrente a julgamento pelo Júri, se não existem ao menos
indícios razoáveis de autoria.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.

56
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para despronunciar o Recorrente, com fundamento no art. 409, do Código de Processo Penal, por
ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

57
6.2.9. APELAÇÃO

É o recurso interposto das sentenças definitivas de condenação ou absolvição e das


sentenças definitivas ou com força de definitiva, quando não caiba recurso em sentido estrito.

No rito do júri, em razão da garantia de soberania dos veredictos, o cabimento da


apelação não é completamente amplo, ditado pelo mero inconformismo do apelante, mas sim
está ele restrito às hipóteses previstas no Código. Nos termos do art. 593, III, caberá apelação das
decisões proferidas pelo Tribunal do Júri quando:

a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia. O julgamento é anulado e o réu submetido


a outro;

b) a sentença do juiz presidente for contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados.
O tribunal reforma e retifica a sentença, já que não se trata da decisão do conselho de sentença,
não havendo, portanto, novo julgamento;

c) houver erro ou injustiça na aplicação da pena. O tribunal retifica a dosagem da


pena, não havendo necessidade de novo julgamento;

d) decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos. Realiza-se
novo julgamento. A apelação por este fundamento só é cabível uma única vez.

Na apelação, não se pode formular novo pedido, até então inexistente nos autos. Só se
procede ao reexame de matéria já discutida em primeira instância. Assim, de acordo com a
matéria que será discutida, pode ser ampla ou limitada, ou seja, pode-se apelar da decisão por
inteiro ou de parte dela. Desta forma, o Tribunal estará preso aos limites do apelo, adotando-se o
princípio tantum devolutum quantum apellatum. O limite do apelo é fixado na interposição do
mesmo e não quando da apresentação das razões. Comporta também a apelação, a veiculação de
matérias preliminares.

Quanto à legitimidade, pode apelar o réu, mesmo que a sentença seja absolutória,
desde que seja visando alterar o fundamento da absolvição, para fundamento que melhor lhe
aproveite. O Ministério Público não pode apelar de sentença absolutória na ação penal privada.
Em caso de sentença condenatória, pode ele apelar em favor do réu, seja ação pública ou privada,
na função de custos legis.

O assistente de acusação tem legitimidade supletiva, ou seja, poderá apelar se o


Ministério Público não o fizer. Quanto à possibilidade de apelar para aumentar a pena, a posição
não admite tal hipótese, pois se coloca ao lado do entendimento de que seu interesse é a
condenação para a formação do título executivo judicial, apenas. Poderá o assistente, contudo,
arrazoar o recurso interposto pelo Ministério Público.

O prazo para interposição da apelação é de 5 dias e para a apresentação das razões 8


dias. No caso da apelação supletiva, terá o assistente de acusação os mesmo 5 dias para interpor
a apelação, se já estiver habilitado nos autos, e 15 dias se não estiver. O art. 600, § 4º, CPP,
faculta ao apelante apresentar as razões em Segunda Instância, desde que declare na interposição
do recurso.

Na Lei nº 9.099/95 o prazo é de 10 dias, com razões já inclusas.

58
MODELO DE PETIÇÃO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO DE APELAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, inconformado com a r. sentença de fls., interpor APELAÇÃO, com
fundamento no artigo 593, I, do Código de Processo Penal.

Requer seja recebido o presente recurso e encaminhado ao Egrégio


Tribunal de Justiça do Estado __________, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

59
MODELO DE RAZÕES DE APELAÇÃO

RAZÕES DE APELAÇÃO
APELANTE: “A”
APELADA: Justiça Pública
Processo nº ______, da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. sentença pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Apelante foi denunciado e processado por suposta infração ao art. 157,
§ 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído um
automóvel em via pública.

Restou condenado às penas de 5 anos e 4 meses de reclusão, em regime


inicial semi-aberto, e ao pagamento de 13 dias-multa, no mínimo legal.

2) DO DIREITO.

Preliminarmente.
Antes que seja enfrentado o mérito da presente causa, se faz necessária a
análise de matéria preliminar, qual seja, a nulidade do processo.

De fato, pode-se observar que o Acusado não foi citado, muito embora
estivesse preso. Não há justificativa para a inexistência do referido ato, pois há nos autos, desde
o início, notícia do local onde se encontra recolhido.

Por muito tempo nosso ordenamento aceitou que em relação ao réu preso,
bastava a requisição para sua apresentação em juízo, dispensando-se, assim, a citação. A nova
redação do art. 360, contudo, impõe a necessidade do ato citatório ao réu preso, atendendo à
idéia de que a citação não é mero chamamento ao processo, mas ato pelo qual o acusado deve
tomar plena ciência da imputação.

Não tendo havido a citação, impossibilitou-se a ampla defesa, garantia


constitucional dos acusado em geral. Desta forma, ocorreu nulidade absoluta, o que traz como
conseqüência a anulação do processo, desde o seu início.

Mérito.
Caso seja ultrapassada a matéria preliminarmente argüida, no mérito o
Apelante deve ser absolvido.

60
De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova
colhida, nenhuma aponta com segurança para o Apelante, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Apelante negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Apelante no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Apelante
ocorreu em sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o acusado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, a única solução
para o presente caso é a reforma da r. decisão com a conseqüente absolvição do Apelante.

Muito embora esteja demonstrada a inexistência de elementos


comprobatórios da autoria delitiva, caso Vossas Excelências entendam devam manter a
condenação do Apelante, subsidiariamente requer seja afastada a causa de aumento de pena do
emprego de arma.

Com efeito, já é pacífico o entendimento de que a simulação de arma não


pode autorizar o aumento em questão, pois não foi efetivamente empregada uma arma, no
sentido técnico.

Se a simulação pode servir para caracterizar a grave ameaça, o mesmo não


se pode dizer em relação à causa de aumento de pena. Se nesse sentido for admitida, teremos
violação ao princípio da legalidade, pois não há previsão legal para o aumento pela simulação.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para declarar a nulidade desde o início do processo, nos termos do art. 564, III, e, do Código de
Processo Penal. Caso seja ultrapassada a matéria preliminarmente argüida, no mérito requer a
absolvição do Apelante, com fundamento no art. 386, IV, do Código de Processo Penal, ou,
subsidiariamente, seja afastada a causa de aumento de pena prevista no art. 157, § 2º, I, do
Código de Penal, por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

61
MODELO DE APRESENTAÇÃO DE CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____ Vara Criminal da Comarca


_________________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente à
presença de Vossa Excelência, apresentar suas CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO, com
fundamento no artigo 600 do Código de Processo Penal.

Requer seja a presente juntada aos autos, encaminhando-se ao Egrégio


Tribunal de Justiça do Estado ___________.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

62
MODELO DE CONTRA-RAZOES DE APELAÇÃO

CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO
APELANTE: Justiça Pública
APELADO: “A”
Processo nº ______, da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o inconformismo do ilustre representante do Ministério


Público, impõe-se a manutenção da r. sentença pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Apelante foi denunciado e processado por suposta infração ao art. 157,
§ 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído um
automóvel em via pública.

Ao final, foi absolvido pelo MM. Juiz, com fundamento no art. 386, IV,
do Código de Processo Penal. Inconformado, o ilustre representante do Ministério Público
recorreu da r. decisão.

2) DO DIREITO.
Não há motivos para a reforma da r. decisão.

De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova


colhida, nenhuma aponta com segurança para o Apelado, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Apelado negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Apelante no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Apelado
ocorreu em sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o Apelado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, agiu
acertadamente o Magistrado ao proferir sentença absolutória.

63
(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, ressaltando o acerto da decisão do
Magistrado e contrariando as razões do MP).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja negado provimento ao recurso, para manter
a absolvição do Apelado, com fundamento no art. 386, IV, do Código de Processo Penal, por ser
medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

64
6.2.10. EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

São recursos exclusivos da defesa, cabíveis quando não for unânime a decisão de
Segunda Instância - prejudicial ao acusado -, no julgamento de recurso em sentido estrito e
apelação (e agravo em execução, para alguns).

Diferenciam-se os recursos apenas pela matéria neles veiculadas. Os infringentes


versam sobre matéria de mérito e os de nulidade, sobre questão processual, ou, como o próprio
nome diz, nulidades.

Só pode ser objeto de discussão nos embargos a matéria divergente, desfavorável ao


acusado. Assim, as razões do recurso estão adstritas a tecer argumentação sobre o voto vencido.

O prazo para oposição é de 10 dias.

65
MODELO DE PETIÇÃO PARA OPOSIÇÃO DOS EMBARGOS INFRINGENTES E DE
NULIDADE

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator da Apelação nº ______, da _____


Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de _______.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, opor EMBARGOS
INFRINGENTES (OU DE NULIDADE), contra o v. acórdão de fls., com fundamento no
artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal.

Requer seja o presente recebido e seja ordenado o seu processamento,


com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

66
MODELO DE RAZÕES DE EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

RAZÕES DE EMBARGOS INFRINGENTES (OU DE NULIDADE)


EMBARGANTE: “A”
EMBARGADA: Justiça Pública
Recurso nº __________, da ______ Câmara do Tribunal de Justiça do Estado _______.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do nobre Turma Julgadora, impõe-se


a reforma do v. acórdão, pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Embargante foi processado e condenado à pena de 8 anos de reclusão,
em regime inicial aberto, por infração ao art. 213 do Código Penal.

Recorreu e seu recurso foi improvido por maioria de votos, sustentando o


voto vencido que a pena deveria ser reduzida ao patamar mínimo – 6 anos – uma vez que o
Acusado é primário e ostenta bons antecedentes.

2) DO DIREITO.
Excelências, a pena deve ser reduzida.

Como muito bem observado pelo ilustre Desembargador Revisor, ainda


que a condenação seja mantida, não se justifica o aumento realizado pelo MM. Juiz a quo. Não
há nos autos nenhum elemento que autorize o referido aumento de pena.

Note-se que o Embargante é primário e não possui nenhuma anotação


criminal. Além disso, as demais circunstâncias judiciais lhe são favoráveis, o que ampara a
solução encontrada pelo ilustre Desembargador vencido.

Assim, o voto vencido é quem deve prevalecer no novo julgamento a ser


realizado perante essa Colenda Câmara.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar a respeito do voto vencido, a


matéria que foi nele ventilada é o objeto de sustentação).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer sejam conhecidos e acolhidos os embargos
opostos, para reduzir a pena imposta ao Embargante, nos termos do r. voto vencido, por ser
medida de JUSTIÇA!

(local/data)

67
(advogado e nº da OAB)

68
6.2.11. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

É o recurso endereçado ao próprio prolator da decisão, seja juiz ou tribunal, a fim de


declarar, isto é, esclarecer, completar a decisão que contenha obscuridade, ambigüidade,
contradição ou omissão.

No Código de Processo Penal, o prazo para interposição é de 2 dias, tendo como


efeito a interrupção do prazo dos demais recursos. Já na Lei 9.099/95, o prazo é de 5 dias, tendo
como efeito a suspensão do prazo dos demais recursos.

69
MODELO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___ Vara Criminal da Comarca ___________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, com fundamento no artigo 382 do Código de Processo Penal, opor
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO à r. sentença de fls., pelas razões a seguir expostas:

1) DOS FATOS.
O Embargante foi processado e condenado à pena de 12 anos de reclusão,
por infração ao art. 213 do Código Penal, por duas vezes.

Em sua r. decisão, contudo, o MM. Juiz deixou de analisar tese relevante


sustentada pela defesa, qual seja, a aplicação da regra do crime continuado.

2) DO DIREITO.
Não obstante o brilho do ilustre Magistrado, deixou ele de apreciar tese de
extrema importância, sustentada pela defesa.

De fato, a imputação dirigida ao Embargante prevê a prática de duas


condutas em concurso material, o que foi acolhido pelo MM. Juiz. Porém, a defesa,
fundamentadamente, pleiteou, caso fosse o Embargante condenado, que fosse reconhecida e
aplicada a regra contido no art. 71 do Código Penal, ou seja, regra do crime continuado, tese não
apreciada pelo Magistrado.

Se acolhido o pleito subsidiário, a pena aplicada poderia ter sido bem


menor, o que demonstra o prejuízo ao Embargante, pela não apreciação da tese ventilada nas
alegações finais da defesa.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar de modo a apontar o defeito


contido na decisão).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer sejam acolhidos os presentes embargos, para
que seja suprida a omissão na r. sentença de fls., por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,

70
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

71
6.2.12. CARTA TESTEMUNHÁVEL

Recurso cabível da decisão que não recebe ou nega seguimento ao recurso em sentido
estrito (e, para alguns, do agravo em execução).

Deve ser requerida no prazo de 48 horas ao Escrivão Diretor do Cartório Judicial,


com apresentação de razões em 2 dias. Também conta com o juízo de retratação por parte do
magistrado.

72
MODELO DE CARTA TESTEMUNHÁVEL

Ilustríssimo Senhor Escrivão Diretor do Cartório do ______ Ofício Criminal da Comarca


______________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
Vossa Senhoria, interpor CARTA TESTEMUNHÁVEL, com fundamento no artigo 639 do
Código de Processo Penal.

Caso o MM. Juiz entenda deva manter a r. decisão, requer seja o


presente recebido e encaminhado ao Egrégio Tribunal _______________, com as seguintes
peças trasladadas:
1) ____________
2) ____________
3) ____________.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

73
MODELO DE RAZÕES DE CARTA TESTEMUNHÁVEL

RAZÕES DE CARTA TESTEMUNHÁVEL


TESTEMUNHANTE: “A”
TESTEMUNHADA: Justiça Pública
Processo nº _____, da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Descrição do fato narrado no problema).

2) DO DIREITO.
(Nesta peça deve-se argumentar sobre o não recebimento ou não
seguimento do recurso interposto).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para que seja recebido/seja dado seguimento ao recurso interposto, por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

74
6.2.13. CORREIÇÃO PARCIAL

É um recurso de caráter administrativo-judiciário, que visa corrigir despachos que


impliquem em inversão tumultuária do processo. Tem cabimento subsidiário, ou seja, só deve ser
utilizado quando não há recurso específico para a hipótese.

Ocorre divergência na doutrina, a respeito do processamento da correição parcial.


Alguns entendem que tal recurso deve seguir o rito do agravo de instrumento, como dispõem as
leis de organização judiciária de alguns Estados da Federação. Outros entendem que deve a
correição seguir o mesmo processamento do recurso em sentido estrito, recurso de cabimento
semelhante. Adotamos para nosso modelo, aqui, a segunda posição.

75
MODELO DE CORREIÇÃO PARCIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____Vara Criminal da Comarca


___________.

Autos nº ______

Tício, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante
de Vossa Excelência, interpor CORREIÇÃO PARCIAL, com fundamento no artigo ____, da
Lei nº __________.

Requer seja recebido o presente recurso e, caso Vossa Excelência


entenda deva manter a r. decisão, seja ele encaminhado ao Egrégio Tribunal _______________,
com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

76
MODELO DE RAZÕES DE CORREIÇÃO PARCIAL

RAZÕES DE CORREIÇÃO PARCIAL


CORRIGENTE: Tício
CORRIGIDO: Juízo da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Descrição do fato narrado no problema).

2) DO DIREITO.
(Nesta peça deve-se apontar qual o erro do juiz que cause inversão
tumultuária dos atos do processo).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para __________, com fundamento no art. _____, do Código de Processo Penal, (conforme a
tese ventilada no problema) por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

77
6.2.14. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

Trata-se de recurso previsto na Constituição da República, assim disciplinado:

No STJ, o recurso ordinário é cabível de:

a) habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais


Federais ou pelos tribunais dos Estados e do Distrito Federal, quando a decisão for denegatória;
b) mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais
Federais ou pelos tribunais dos Estados e do Distrito Federal, quando denegatória a decisão.

No STF, caberá o recurso ordinário de:

a) habeas corpus e mandado de segurança decididos em única instância pelos


Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
b) o crime político.

O prazo para interposição é de 5 dias no caso de habeas corpus e 15 dias, no caso de


mandado de segurança, ambos com as razões já inclusas.

78
MODELO DE PETIÇÃO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ORDINÁRIO
CONSTITUICIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº _______

“A”, já qualificado, nos autos do Habeas Corpus em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor RECURSO
ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com fundamento no artigo 105, II, “a”, da Constituição
Federal e artigos 30 e seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e encaminhado ao Egrégio Superior


Tribunal de Justiça, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

79
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Habeas Corpus nº _____ do Tribunal de Justiça do Estado __________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 159, caput, do Código Penal, pois teria privado de liberdade “B”, exigindo de seus
parentes, quantia a título de resgate. Encontra-se preso desde o flagrante.

O processo encontra-se em fase de instrução e já conta com 2 anos de


andamento, o que motivou a impetração de ordem de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça,
que indeferiu-a, através de sua 1ª Câmara Criminal.

2) DO DIREITO.
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, não há justificativas para a demora no andamento do processo e


muito menos para a manutenção do Recorrente na prisão. Como se sabe, o processo penal deve
ser encerrado em prazo razoável e, aqui, estamos longe de qualquer razoabilidade.

Já se passaram 2 anos sem que a defesa tivesse concorrido para isso, já


que o momento processual é o da colheita de provas da acusação.

Assim, inadmissível que o Recorrente suporte no cárcere a morosidade do


Poder Judiciário, impondo-se, de imediato o relaxamento de sua prisão, pelo gritante excesso de
prazo na formação da culpa.

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o acórdão que denegou a ordem,


apresentando argumentos que possibilitem sua reforma).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para relaxar a prisão imposta ao Recorrente, expedindo-se o competente alvará de soltura em seu
favor, por ser medida de JUSTIÇA!

80
(local/data)

(advogado e nº da OAB)

81
6.2.15. RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Recurso constitucional de competência exclusiva do STF, destinado a discutir matéria


de direito e jamais reexame da matéria fática, cabível das decisões que:

a) contrariar dispositivo da Constituição da República;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição da


República;

d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Deve ele ser interposto perante o tribunal recorrido, ficando aí sujeito ao exame de
admissibilidade. Além da verificação de seu cabimento, só será admitido se houver esgotamento
das vias recursais e houver também prequestionamento da matéria Exige-se ainda, para admissão
do recurso extraordinário a demonstração de repercussão geral, isto é, deve o recorrente
demonstrar que a matéria é relevante, do interesse geral. Segundo manifestação recente do STF,
a repercussão geral deve vir alegada em sede de preliminar, para que seja analisada como uma
verdadeira condição de admissibilidade deste recurso.

O prazo para interposição é de 15 dias, com as razões inclusas. Caso seja negado
seguimento pelo tribunal recorrido, caberá agravo de instrumento (ou agravo de despacho
denegatório de recurso especial) no prazo de 5 dias.

82
MODELO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº ______

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor RECURSO
EXTRAORDINÁRIO, com fundamento no artigo 102, III, a, da Constituição Federal e nos
artigos 26 e seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e encaminhado ao Colendo Supremo


Tribunal Federal, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

83
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO


RECORRENTE: “A”.
RECORRIDA: Justiça Pública
Apelação nº _____ do Tribunal ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

COLENDO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi processado e ao final condenado à pena de 1 ano de
reclusão e 10 dias-multa, por suposta infração ao art. 171, caput, do Código Penal, pois teria
aplicado o denominado “golpe do bilhete premiado” em “B”.

Durante o processo, requereu a oitiva de testemunhas de quem teve


conhecimento durante a fase de instrução. O MM. Juiz indeferiu o pleito, sob o argumento de
que as provas seriam protelatórias apenas. Em sede de apelação o pedido foi renovado e também
afastado pelo Egrégio Tribunal de Justiça. Sob o mesmo fundamento.

2) DO CABIMENTO.
Quanto ao cabimento, o presente recurso atende às exigências da
Constituição da República. De fato, é evidente à ofensa ao art. 5º, LV, da Carta Magna, uma vez
que a ampla defesa do Recorrente no processo não foi observada.

Houve esgotamento das vias recursais, já que a decisão no Tribunal de


Justiça foi unânime e não apresentou vícios que motivassem sua declaração, o que afasta a
possibilidade de oposição de embargos.

Nessa esteira, a matéria foi devidamente prequestionada, pois, como se


pode notar, o acórdão afastou explicitamente a pretensão do Recorrente.

(OBS: Aqui, deve-se demonstrar que estão atendidos todos os


pressupostos específicos de admissibilidade do recurso, tais como a ofensa à Constituição, o
esgotamento das vias recursais, o prequestionamento).

3) DO DIREITO.
Preliminarmente
Cumpre apontar que a presente questão é de repercussão geral. Com
efeito, a ofensa à ampla defesa do acusado não diz respeito somente a ela, mas é matéria de
ordem pública, uma vez que integrante dos direitos fundamentais da Constituição da República.

84
O resultado de um processo onde não se observou a ampla defesa
repercute em toda a coletividade, pois não é interesse dos membros da sociedade um processo
ilegítimo. Assim, aguarda o conhecimento e julgamento do presente recurso, em razão da
relevância do assunto ora tratado.

Mérito
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, a Constituição Federal aponta como garantia individual o


exercício da ampla defesa no processo. Garantir a ampla defesa é permitir ao acusado que se
utilize de todos os meios lícitos e legítimos para enfrentar a pretensão estatal.

Ao impedir que o Recorrente produzisse novas provas, o Magistrado, bem


como o Tribunal a quo, violaram o art. 5‫ٹ‬, LV, da Carta Constitucional, trazendo evidente
cerceamento de defesa ao processo.

Havendo ofensa à ampla defesa, há nulidade absoluta do processo, o que


espera seja declarada por essa Colenda Corte.

4) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para anular o processo desde a decisão que indeferiu a produção de provas, renovando-se os atos
processuais, por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

85
6.2.16. RECURSO ESPECIAL

O recurso especial, também de previsão constitucional, é dirigido a discussão de


matéria de direito, não se admitindo reexame dos fatos. A competência para julgamento é
exclusiva do STJ e caberá da decisão proferida pelos Tribunais Estaduais ou Tribunais Regionais
Federais quando:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

O recurso especial deve ser interposto perante o tribunal recorrido e estará sujeito a
rigoroso exame de admissibilidade. Além da verificação de seu cabimento, só será admitido se
houver esgotamento das vias recursais e houver também prequestionamento da matéria.

O prazo para interposição é de 15 dias, com as razões inclusas. Caso seja negado
seguimento pelo tribunal recorrido, caberá agravo de instrumento (ou agravo de despacho
denegatório de recurso especial) no prazo de 5 dias.

86
MODELO DE RECURSO ESPECIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº _______

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor RECURSO
ESPECIAL, com fundamento no artigo 105, III, a, da Constituição Federal e nos artigos 26 e
seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e encaminhado ao Egrégio Superior


Tribunal de Justiça, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

87
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL

RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Apelação nº _____ do Tribunal de Justiça do Estado _______.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi processado e condenado à pena de 8 anos de reclusão,
por infração ao art. 214 do Código Penal.

No cálculo da pena, o MM. Juiz desconsiderou as circunstâncias judiciais


do art. 59 do Código Penal, majorando a pena base em razão da postura do Recorrente durante a
instrução processual, pois confessara friamente a prática do delito. Na apelação interposta pelo
Recorrente, o Egrégio Tribunal de Justiça manteve o mesmo entendimento manifestado pelo
julgado de Primeiro Grau.

2) DO CABIMENTO.
Quanto ao cabimento, o presente recurso atende às exigências da
Constituição da República. De fato, é evidente à ofensa ao art. 68 do Código Penal, uma vez que
não foram observadas as circunstâncias judiciais para a fixação da pena-base.

Houve esgotamento das vias recursais, já que a decisão no Tribunal de


Justiça foi unânime e não apresentou vícios que motivassem sua declaração, o que afasta a
possibilidade de oposição de embargos.

Nessa esteira, a matéria foi devidamente prequestionada, pois, como se


pode notar, o acórdão afastou explicitamente a pretensão do Recorrente.

(OBS: Aqui, deve-se demonstrar que estão atendidos todos os


pressupostos específicos de admissibilidade do recurso, tais como a ofensa a Lei Federal, o
esgotamento das vias recursais, o prequestionamento).

3) DO DIREITO.
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, ao deixar de observar as exigências legais, o MM. Juiz trouxe


enorme prejuízo ao Recorrente, exasperando sua pena sem razão para tanto. O órgão julgador de
Segunda Instância não fez por menos e ratificou tal decisão.

88
Resta então ao Recorrente, utilizar a via recursal especial, para sanar a
patente ilegalidade.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para reduzir a pena imposta ao Recorrente, por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

89
6.2.17. RECLAMAÇÃO

A Reclamação cabe quando as decisões ou súmulas vinculantes deixam de ser


cumpridas pelas instâncias inferiores. Tem ela a finalidade de manter a autoridade dos tribunais
que proferiram a decisão ou das referidas súmulas vinculantes.

Não há prazo para sua apresentação, porém, deve-se lembrar que ela não será
admitida quando já tiver transitado em julgado o ato a que se imputa desrespeitar a decisão da
instância superior, nos termos da Súmula 734 do STF.

Sua previsão encontra-se nos artigos 13 e seguintes da Lei nº 8.038/90 e também nos
regimentos internos dos tribunais:
- arts. 659 a 666 do TJSP
- arts. 187 a 192 do STJ
- arts. 156 a 162 do STF

Deve ela ser dirigida ao presidente do tribunal que tem sua decisão não cumprida e,
no caso das súmulas vinculantes, ao presidente do STF. Recebida pelo presidente, ele requisitará
as informações da autoridade a quem se imputa a prática do ato impugnado, que as prestará no
prazo de 10 dias. Se necessário, o presidente ordenará a suspensão do processo ou do ato
impugnado. Se a reclamação não foi formulada pelo MP, ele será ouvido no prazo de 5 dias.
Julgando procedente a reclamação, o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou
determinará a medida adequada à preservação de sua competência.

90
MODELO DE RECLAMAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Colendo Supremo Tribunal Federal.

“A”, brasileiro, casado, comerciante, portador do RG nº ____ e inscrito no


CPF sob nº _____, residente da Rua Hum, 123, Vila Velha, em São Paulo-SP, por seu advogado
infra-assinado (procuração em anexo), vem, respeitosamente perante Vossa Excelência,
apresentar RECLAMAÇÃO, com fundamento nos artigos 13 e seguintes da Lei nº 8.038/90 e
artigos 156 e seguintes do RISTF, contra r. decisão do MM. Juiz da 1ª Vara Criminal da
Comarca da Capital-SP, nos autos do Inquérito Policial nº ____, pelos motivos a seguir expostos:

1. Dos fatos.
O Reclamante está sendo investigado por suposta infração ao art. 159,
caput, do CP. No curso do inquérito policial, foi determinada a interceptação telefônica de linha
telefônica pertencente ao Reclamante, devidamente transcrita e juntada aos referidos autos.

O defensor devidamente constituído pelo Reclamante teve negado pelo


MM. Juiz Reclamado pedido de vista do inquérito, sob o fundamento de que os autos correm em
sigilo, tendo em vista referida interceptação.

2. Do direito.
Assim agindo, o Magistrado negou vigência à recém editada Súmula
Vinculante nº 14, desse Colenda Corte.

De fato, através de referida súmula, fica assegurado ao investigado, por intermédio de


seu defensor, ter pleno acesso ao que já foi produzido em inquérito policial, não devendo
prevalecer a alegação de sigilo.

3. Do pedido.
Diante do exposto, requer que, após requisitadas as informações da
autoridade reclamada e ouvido o ilustre representante do MP, seja julgada procedente a
reclamação, para cassar a r. decisão impugnada, como medida de Justiça!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado/OAB)

91
6.2.18. HABEAS CORPUS

Da mesma forma que a revisão criminal, a despeito de haver recebido tratamento de


recurso pelo Código de Processo Penal, não é o habeas corpus recurso. É ação de impugnação,
destinada a fazer cessar coação ou ameaça de coação a direito de locomoção da pessoa, por
ilegalidade ou abuso de poder (ou seja, constrangimento ilegal).

Daí derivam duas espécies de habeas corpus:

a) liberatório: destinado a fazer cessar constrangimento ilegal já existente;

b) preventivo: destinado a impedir que constrangimento ilegal se efetive.

O Código traz enumeração do que se entende por constrangimento ilegal (art. 648):

a) quando houver falta de justa causa (para a ação, pisão ou inquérito policial);

b) quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;

c) quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

d) houver cessado o motivo que autorizou a coação;

e) quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei autoriza;

f) quando o processo for manifestamente nulo;

g) quando estiver extinta a punibilidade.

Qualquer pessoa poderá impetrar ordem de habeas corpus em seu favor ou em favor
de outrem, podendo até mesmo ser analfabeto, sendo denominado impetrante. Aquele em favor
de quem se impetra a ordem, ou seja, quem sofre a coação ilegal, é denominado paciente, que
deve ser sempre pessoa física. Quem pratica o constrangimento ilegal é chamado de autoridade
coatora, ou até mesmo coator. É posição majoritária a que admite possa figurar como coator um
particular.

Não há prazo estabelecido para impetração de habeas corpus.

92
MODELO DE HABEAS CORPUS

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional


Federal da _____ Região.

______________, advogado, inscrito na OAB/SP sob o nº ________,


com escritório na Rua _____________________, nº ___, cidade de ______________, Estado de
______________, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, com fundamento no artigo 5º
LXVIII, da Constituição Federal, e art. 647 e seguintes do Código de Processo Penal, impetrar
ordem de HABEAS CORPUS em favor de “A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador
do RG nº __________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), que sofre
constrangimento ilegal por parte do MM. Juiz Federal da 1ª Vara Criminal da Seção Judiciária de
__________ , no processo nº _____ , pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Paciente foi denunciado como incurso no art. 121, caput, do Código
Penal, pois teria tirado a vida de “B” com emprego de faca, a bordo de uma aeronave.

Ao receber a denúncia o MM. Juiz proferiu o seguinte despacho; “recebo a


denúncia, designo o interrogatório para o dia 15 e decreto a prisão preventiva do réu”

O Paciente foi preso em razão da decisão referida, encontrando-se


recolhido desde então.

2) DO DIREITO.
A presente ordem deve ser concedida.

De fato, a prisão imposta ao Paciente é completamente ilegal, uma vez que


o despacho que a decretou carece de fundamentação. Como se sabe, a motivação de decisões
judiciais é preceito constitucional, estampado no art. 93, IX, além de constar também em nosso
Diploma Processual, mais especificamente no art. 315, concernente à decretação da prisão
preventiva.

O nobre Magistrado, como se vê, não observou tais dispositivos. Como a


prisão é medida extrema, exceção ao direito de liberdade, é mister que sua imposição se dê
respeitando estritamente as determinações legais.

93
Não se pode tolerar que alguém seja levado ao cárcere, ainda que
provisoriamente, sem que a autoridade judiciária indique mais são os motivos e os fundamentos
para a adoção da medida extrema.

Portanto, a melhor solução é a concessão da ordem para que o Paciente


possa responder aos termos do processo em liberdade.

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o ato da autoridade coatora,


demonstrando sua ilegalidade e o conseqüente constrangimento a que está submetido o
paciente).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer que, após requisitadas as informações da ilustre
autoridade coatora e ouvido o digno representante do Ministério Público, seja concedida a
presente ordem, para revogar a prisão imposta ao Paciente, expedindo-se o competente alvará de
soltura em seu favor, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

94
6.2.19. MANDADO DE SEGURANÇA

É a ação destinada a proteger direito liquído e certo não amparado por habeas corpus
e habeas data, quando houver ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública ou particular
no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXXIX, CF).

O mandado de segurança tem cabimento bastante reduzido na esfera penal, uma vez
que boa parte dos atos ilegais são impugnados por habeas corpus. Seu processamento segue o
determinado pela Lei nº 12.016/09, impondo-se como prazo para impetração 120 dias a contar da
ciência do ato praticado pela autoridade coatora.

95
MODELO DE MANDADO DE SEGURANÇA

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado de ____________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do RG nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração em anexo), vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, com
fundamento no artigo 5º, LXIX, da Constituição Federal e Lei nº 12.016/09, impetrar
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR, contra ato do meritíssimo
Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca ____________, no processo nº _______, pelos
motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Impetrante foi vítima de roubo na data ______, tendo sido subtraído seu
veículo, não mais localizado. Após registro da ocorrência, foi formalizado o competente
inquérito policial, identificando-se o autor do delito – “B”.

“B” foi denunciado e está sendo processado. O processo encontra-se


aguardando audiência para oitiva das testemunhas de acusação. O Impetrante requereu, então,
sua habilitação nos autos, como assistente de acusação, o que foi indeferido pelo MM. Juiz, sob o
fundamento de que não é o momento processual adequado para tanto.

2) DO DIREITO.
Excelências, a segurança deve ser concedida.

De fato, o Impetrante preenche todos os requisitos para figurar nos autos


como assistente do Ministério Público. Como se sabe, basta que o ofendido faça prova de sua
identidade e que o processo ainda não tenha transitado em julgado para que seja admitido como
assistente, conforme redação dos artigos 286 e 269 do Código de Processo Penal.

Não há que se falar, então, em indeferimento do pedido, pois se trata de


direito líquido e certo do Impetrante.

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o ato da autoridade coatora,


demonstrando sua ilegalidade e a ofensa a direito líquido e certo do impetrante).

3) DA MEDIDA LIMINAR.

96
Estão presentes, no presente caso, os dois requisitos que autorizam a
concessão liminar da segurança. Com efeito, há fumus boni iuris, pois o direito líquido e certo
invocado e patente, bem como sua violação, demonstrando, assim, a verossimilhança do alegado.

Quanto ao periculum in mora, se a medida liminar não for concedida,


haverá prejuízo para o Impetrante, pois estará impedido de acompanhar a fase probatória do
processo, onde poderá colaborar sobremaneira com o Ministério Público.

(OBS: Neste item deve ser demonstrada a presença dos dois requisitos
que autorizam a concessão de medida liminar: fumus boni iuris e periculum in mora).

4) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja concedida a medida liminar para habilitar,
de plano, o Impetrante como assistente de acusação nos autos.

Após, requisitadas as informações da ilustre autoridade coatora e ouvido o


digno representante do Ministério Público, requer seja concedida definitivamente a segurança,
para o mesmo fim, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

97
6.2.20. REVISÃO CRIMINAL

Ação penal de caráter rescisório, dirigida contra sentença condenatória transitada em


julgado. Muito embora esteja elencada no Código de Processo Penal entre os recursos, vigora o
entendimento de que se trata realmente de ação.

É admitida nas seguintes hipóteses:

a) sentença contra texto expresso de lei ou contra a evidência dos autos;

b) sentença fundada em provas falsas;

c) quando surgirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que


autorize a redução da pena.

A revisão criminal, como dito, só pode ser proposta para rescindir sentença
condenatória, nunca contra sentença absolutória, ou seja, não é ela admitida pro societate.

Têm legitimidade para figurar no pólo ativo o próprio sentenciado ou procurador


habilitado. Se for ele falecido, poderão ingressar o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão
(CADI).

Nota-se, então, que não há prazo para propositura da revisão criminal, podendo
ocorrer o ingresso até mesmo após a morte do sentenciado.

Acolhido o pedido revisional, o Tribunal poderá absolver o sentenciado, reduzir sua


pena ou declarar a nulidade do processo.

98
MODELO DE REVISÃO CRIMINAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado de __________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração em anexo), inconformado com a r. sentença já transitada em julgado,
conforme certidão em anexo (doc. ___), proferida no processo nº _____, da ____ Vara Criminal
da Comarca __________, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, promover pedido de
REVISÃO CRIMINAL com fundamento no artigo 621, III, do Código de Processo Penal, pelos
motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Peticionário foi denunciado, processado e ao final condenado à pena de
6 anos de reclusão, por infração ao art. 213 do Código Penal, pois teria constrangido “B” à
conjunção carnal.

Após o trânsito em julgado da r. sentença, descobriu-se documento onde a


suposta vítima admitia que não houve constrangimento e sim uma relação sexual consentida.

2) DO DIREITO.
Excelências, o presente pedido deve ser deferido.

De fato, o Peticionário foi condenado injustamente, conforme documento


descoberto posteriormente à sua condenação e ora anexado para apreciação dessa Colenda
Câmara. Nele, encontra-se relato de “B”, onde admite que não foi forçada em nenhum momento
e que a relação sexual foi consentida. A acusação de estupro se deu em razão de vingança contra
o Peticionário.

Ora, tal situação não pode prevalecer. Impõe-se a imediata revisão do


processo e da condenação, para que o Peticionário possa resgatar sua condição de inocente, da
qual nunca deveria ter sido privado.

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, como nulidades e mérito propriamente
dito. Mesmo já tendo havido trânsito em julgado, busca-se contrariar a sentença ou o acórdão).

3) DO PEDIDO.

99
Diante do exposto, requer seja conhecido e julgado procedente o presente
pedido revisional, para absolver o Peticionário, com fundamento no art. 626 do Código de
Processo Penal, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

100
6.2.21. LIVRAMENTO CONDICIONAL

É a concessão, pelo Poder Judiciário, da liberdade antecipada ao condenado,


atendidos os pressupostos e condicionada a determinadas exigências durante o restante da pena
que deveria cumprir preso.

Os pressupostos para concessão são:

1) Objetivos:

a) condenação a pena privativa de liberdade não superior a dois anos;

b) ter o sentenciado cumprido:


- mais de 1/3 da pena, se não for reincidente em crime doloso;
- mais de ½ da pena se for reincidente em crime doloso;
- mais de 2/3 da pena se a condenação for por crime hediondo, desde que não seja
reincidente específico.

2) Subjetivos:

a) comportamento satisfatório do sentenciado durante a execução da pena;

b) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;

c) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;

d) para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, constatação de condições pessoais que façam presumir que não voltará a delinqüir;

e) reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo.

Para a concessão do livramento, devem ser ouvidos o Ministério Público e o


Conselho Penitenciário. Se deferido o pedido, o juiz especificará as condições a que o liberado
ficará sujeito e determinará a expedição da carta de livramento, que conterá cópia integral da
sentença.

101
MODELO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca
___________________.

Autos nº _______

“A”, já qualificado, nos autos da Execução em epígrafe, por seu


defensor infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, requerer
LIVRAMENTO CONDICIONAL, com fundamento no artigo 131 da Lei nº 7.210/84 e art. 83
do Código Penal, pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi processado e condenado à pena de 6 anos de reclusão,
por infração ao art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06.

Encontra-se preso há 4 anos e 2 meses.

2) DO DIREITO.
O Requerente está recluso há 4 anos e 2 meses, ou seja, já ultrapassou o
período exigido pela Lei para a concessão do livramento, ou seja, 2/3 de sua pena.

É primário, possuidor de bons antecedentes, como atestam as certidões em


anexo (doc. ____).

Além disso, aprendeu ofício enquanto encarcerado, com excelente


aproveitamento (doc. ____), o que lhe possibilita exercer trabalho honesto estando em liberdade.
Inclusive, já conta com proposta para tal (doc. _____).

Portanto, estão presentes os pressupostos subjetivos e objetivos contidos


no art. 83 do Código Penal, fazendo jus, então, o Sentenciado, à concessão da medida.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer que, após parecer do Conselho Penitenciário e
manifestação do ilustre representante do Ministério Público, seja concedido o livramento
condicional ao Requerente, por ser medida de JUSTIÇA!

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

102
6.2.22. AGRAVO EM EXECUÇÃO

É o recurso cabível de todas as decisões proferidas pelo Juízo das Execuções


Criminais, conforme dispõe o art. 197 da Lei nº 7.210/84 (Lei de Execução Penal), tais como:
unificação de penas, progressão de regime, saída temporária, livramento condicional, entre
outras. Pode ser utilizado tanto pela defesa como pelo Ministério Público.

Por falta de previsão legal, segue o mesmo procedimento do RESE, incluindo o prazo
de 5 dias para interposição e 2 dias para apresentação de razões, admitindo-se, também, o juízo
de retratação.

103
MODELO DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca


___________________.

Autos nº _______

“A”, já qualificado, nos autos da Execução em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor AGRAVO
EM EXECUÇÃO, com fundamento no artigo 197 da Lei nº 7.210/84.

Requer seja recebido o presente recurso e, caso Vossa Excelência


entenda deva manter a r. decisão, seja ele encaminhado ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado
___________, com as razões em anexo.

Termos em que,
Pede Deferimento.

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

104
MODELO DE RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO

RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO


AGRAVANTE: “A”
AGRAVADA: Justiça Pública
Processo nº ______, da _____ Vara das Execuções Criminais da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão de fls., pelas razões que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Agravante foi processado e condenado por infração ao art. 213 do
Código Penal, à pena de 6 anos de reclusão, em regime inicial fechado. Recorreu e seu recurso
foi improvido.

Encontra-se recolhido na Penitenciária do Estado há 3 anos, com bom


comportamento. Requereu progressão para o regime semi-aberto, o que foi indeferido pelo
Magistrado, sob o fundamento de que o crime pelo qual foi condenado é de extrema gravidade.

2) DO DIREITO.
Excelências, o recurso deve ser provido.

De fato, a r. decisão de fls. carece de fundamento legal, pois negou o


direito do Agravante de progredir de regime prisional, sob o argumento de que o crime praticado
é de extrema gravidade.

Ora, os dispositivos legais que disciplinam a progressão de regime – art.


122, da Lei nº 7.209/84 e art. 2º, § 2º, – estabelecem apenas dois requisitos para a concessão do
benefício: bom comportamento e cumprimento de mais de 2/5 da pena.

No caso presente, o Agravante tem seu bom comportamento demonstrado


no atestado emitido pelo diretor do estabelecimento prisional (fls. ).

Quanto ao lapso temporal, cumpre pena há 3 anos, o que supera a fração


de 2/5 exigida pela Lei.

Portanto, não há motivos para o indeferimento do pleito. A Lei não impõe


como restrição a gravidade do delito; pautar-se por ela, com todo o respeito, é inovação
legislativa, tarefa que não cabe ao Poder Judiciário.

105
(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para conceder a progressão de regime prisional para o semi-aberto ao Agravante, por ser medida
de JUSTIÇA!

(local/data)

(advogado e nº da OAB)

106
7. PROBLEMAS – PEÇA PROFISSIONAL.

RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

PROBLEMA 1
Na data de ontem, por volta das 22 horas, Romualdo encontrava-se no interior de sua residência
quando ouviu um barulho no quintal. Munido de um revólver, abriu a janela de sua casa e
percebeu que uma pessoa, que não pôde identificar devido à escuridão, caminhava dentro dos
limites de sua propriedade. Considerando tratar-se de um ladrão, desferiu três tiros que acabaram
atingindo a vítima em região letal, causando sua morte. Ao sair do interior de sua residência,
Romualdo constatou que havia matado um adolescente que lá havia entrado por motivos que
fogem ao seu conhecimento. Imediatamente, Romualdo dirigiu-se à Delegacia de Polícia mais
próxima onde comunicou o ocorrido. O Delegado Plantonista, após ouvir os fatos, prendeu-o em
flagrante pelo crime de homicídio.
QUESTÃO: Elaborar a medida cabível visando a libertação de Romualdo.

PROBLEMA 2
Peter Perfeito era apaixonado por Penélope Charmosa e não era correspondido. Certo dia, não
mais suportando a dor da rejeição, aguardou-a defronte sua casa e desferiu 6 disparos de arma de
fogo, que lhe causaram a morte. Transtornado, Peter refugiou-se na casa de um amigo, onde
permaneceu por 1 semana até que, através de denúncia anônima, policiais surpreenderam-no,
prendendo-o em flagrante, pelo crime de homicídio.
QUESTÃO: como advogado de Peter, adote a medida cabível.

PROBLEMA 3 (OAB UNIFICADO–2006.3 - ADAPTADO)


Maria José, indiciada por tráfico de drogas, apontou, em seu interrogatório extrajudicial,
realizado em 3 de novembro, Thiago, seu ex-namorado, brasileiro, solteiro, bancário, residente
na rua Machado de Assis, n.º 167, no Rio de Janeiro–RJ, como a pessoa que lhe fornecia
entorpecentes. No dia 4 de novembro, cientes da assertiva de Maria José, policiais foram ao local
em que Thiago trabalhava e o prenderam, por suposta prática do crime de tráfico de drogas.
Nessa oportunidade, não foi encontrado com Thiago qualquer objeto ou substância que o ligasse
ao tráfico de entorpecentes, mas a autoridade policial entendeu que, na hipótese, haveria
flagrante impróprio, ou quase-flagrante, porquanto se tratava de crime permanente. Apresentado
à autoridade competente, Thiago afirmou que nunca teve qualquer envolvimento com drogas e
muito menos passagem pela polícia. Disse, ainda, que sempre trabalhou em toda a sua vida,
apresentou a sua carteira de trabalho e declarou possuir residência fixa. Mesmo assim, lavrou-se
o auto de prisão em flagrante, sendo dada a Thiago a nota de culpa, e, em seguida, fizeram-se as
comunicações de praxe.
Com base na situação hipotética descrita acima, e considerando que Thiago está sob custódia
decorrente de prisão em flagrante, redija a peça processual, privativa de advogado, pertinente à
defesa de Thiago.

LIBERDADE PROVISÓRIA

PROBLEMA 1
José, sabendo que sua filha Manuela está grávida de dois meses e que seu namorado é casado,
decide fazer com que a filha pratique o aborto. Em contato com uma clínica, José marca a
realização do aborto para dali a dois dias. Contrária à prática, Manuela comparece ao Distrito
Policial do bairro onde se localiza a clínica e relata à autoridade de plantão tudo o que irá ocorrer
no dia seguinte. Quando Manuela se encontrava na clínica, iniciada a manobra abortiva, os
policiais, comandados pelo delegado, invadem o local e prendem em flagrante José e o médico

107
Alfredo. A acusação é de tentativa de aborto. Manuela, juntamente com seu namorado, no auto
de prisão em flagrante, acusa José e o médico Alfredo da intenção de praticarem o crime. Ambos
são primários e não registram nenhum antecedente criminal.
QUESTÃO: Na condição de advogado (a) do médico Alfredo, preso no 1º DP, elaborar a medida
cabível que melhor atenda a seus interesses, no sentido de ser libertado da forma mais rápida.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 135)


Daniel, conhecido empresário de São Paulo – SP, brasileiro, casado, residente e domiciliado na
rua Xangai, n.º 27, bairro Paulista, foi preso em flagrante pela suposta prática do delito tipificado
no artigo 3.º da Lei n.º 1.521/1951: “destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização
legal, com o fim de determinar alta de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-
primas ou produtos necessários ao consumo do povo”. Diante desse fato, Geiza, esposa de
Daniel, procurou um advogado e lhe informou que Daniel era primário e possuía residência fixa.
Aduziu que a empresa do marido, Feijão Paulistano S.A., já atuava no mercado havia mais de 8
anos. Ressaltou que Daniel sempre fora pessoa honesta e voltada para o trabalho. Além disso,
Geiza narrou que Daniel era pai de uma criança de tenra idade, Júlia, que necessitava
urgentemente do retorno do pai às atividades laborais para manter-lhe o sustento. Por fim,
informou que estava grávida e não trabalhava fora. Geiza apresentou ao advogado os seguintes
documentos: CPF e RG de Daniel, comprovante de residência, cartão da gestante expedido pela
Secretaria de Saúde de SP, certidão de nascimento da filha do casal, Júlia, auto de prisão em
flagrante, nota de culpa e folha de antecedentes penais do indiciado, sem qualquer incidência.
Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de advogado(a) contratado(a)
por Daniel, a peça — diversa de habeas corpus — que deve ser apresentada no processo.

PROBLEMA 3 (OAB/MG 2005 - ADAPTADO)


Antônio Sérgio, brasileiro, casado, economista, residente na rua das Acácias, nº 847, Bairro
Pampulha, Belo Horizonte, é administrador da empresa Euro-Dolar S/A, instituição financeira
sediada em Belo Horizonte, Minas Gerais, foi autuado em flagrante como incurso nas sanções do
art. 4º da Lei nº 7.492/86. O respectivo auto de prisão está corretamente lavrado, com
observância de todas as formalidades legais. Antônio é primário, de bons antecedentes, casado,
pai de 2 filhos menores.
Considerando que você foi constituído (a), tendo inclusive acompanhado a autuação na delegacia
competente, elabore a petição visando obter a liberdade de seu constituinte, com o devido e
completo encaminhamento e os dispositivos legais aplicáveis à espécie.

REVOGAÇÃO DE PRISÃO

PROBLEMA (OAB/SP 137)


Foi instaurado contra Mariano, brasileiro, solteiro, nascido em 23/1/1960, em Prado – CE,
comerciante, residente na rua Monsenhor Andrade, n.º 12, Itaim, São Paulo – SP, inquérito
policial a fim de apurar a prática do delito de fabricação de moeda falsa. Intimado a comparecer
à delegacia, Mariano, acompanhado de advogado, confessou o crime, inclusive, indicando o
local onde falsificava as moedas. Alegou, porém, que não as havia colocado em circulação. As
testemunhas foram ouvidas e declararam que não sofreram qualquer ameaça da parte do
indiciado. O delegado relatou o inquérito e requisitou a decretação da prisão preventiva de
Mariano, fundamentando o pedido na garantia da instrução criminal. Foi oferecida denúncia
contra o acusado pelo crime de fabricação de moeda falsa. O juiz competente para julgamento do
feito decretou a custódia cautelar do réu, a fim de garantir a instrução criminal.
Em face dessa situação hipotética e considerando que as cédulas falsificadas eram quase
idênticas às cédulas autênticas e, ainda, que Mariano é residente na cidade de São Paulo há mais

108
de 20 anos, não tem antecedentes criminais e possui ocupação lícita, redija, em favor do réu,
peça privativa de advogado e diversa de habeas corpus, para tentar reverter a decisão judicial.

QUEIXA-CRIME

PROBLEMA 1 (OAB/SP 117 - ADAPTADO)


No dia 1o de julho, por volta das 12 horas, na confluência das ruas Maria Paula e Genebra, Maria
da Luz teve seu relógio subtraído por João da Paz, que se utilizou de violência e grave ameaça,
exercida com uma faca. Descoberta a autoria e formalizado o inquérito policial com prova
robusta de materialidade e autoria, os autos permanecem com o Ministério Público há mais de
trinta dias, sem qualquer manifestação.
QUESTÃO: Como advogado de Maria da Luz, atue em prol da constituinte.

PROBLEMA 2 (OAB/MG 2008)


Fernando Gregório, Promotor de Vendas, residente na Rua Haiti, nº 42 em Belo Horizonte/MG,
estava bebendo com amigos no bar Cruzeiro, no bairro PTB em Betim, quando chegou Alfredo
Mota, Auxiliar de Enfermagem, ex-noivo de Acácia, atual namorada de Fernando. Alfredo, que
não admitia ter sido trocado por outro, passou a esbravejar que Fernando era “chifrudo”,
“impotente” e “mau-caráter”. Tais ofensas foram ouvidas por todos que se achavam naquele
recinto, especialmente por César Silva e Natália de Alencar, ambos residentes em Belo
Horizonte.
Procurado por Fernando para tomar as medidas judiciais cabíveis, elabore a petição para
instauração da ação penal.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

PROBLEMA (OAB UNIFICADO 2008.3 – ADAPTADO)


Alessandro, de 22 anos de idade, foi denunciado pelo Ministério Público como incurso nas penas
previstas no art. 213, caput, c.c. art. 234-A, III, ambos do Código Penal, por crime praticado
contra Geisa, de 20 anos de idade. Na peça acusatória, a conduta delitiva atribuída ao acusado foi
narrada nos seguintes termos: "Há 2 meses, em dia não determinado, Alessandro dirigiu-se à
residência de Geisa, ora vítima, para assistir, pela televisão, a um jogo de futebol. Naquela
ocasião, aproveitando-se do fato de estar a sós com Geisa, o denunciado constrangeu-a a manter
com ele conjunção carnal, fato que ocasionou a gravidez da vítima, atestada em laudo de exame
de corpo de delito. Certo é que, valendo-se de grave ameaça para constranger a vítima a com ele
manter conjunção carnal, o denunciando aproveitou-se do fato de Geisa estar só em casa para
atingir seus propósitos libidinosos." Nos autos, havia somente a peça inicial acusatória, os
depoimentos prestados na fase do inquérito e a folha de antecedentes penais do acusado. O juiz
da 2.ª Vara Criminal do Estado XX recebeu a denúncia e determinou a citação do réu para se
defender no prazo legal, tendo sido a citação efetivada no dia último dia 18. Alessandro
procurou, no mesmo dia, a ajuda de um profissional e outorgou-lhe procuração ad juditia com a
finalidade específica de ver-se defendido na ação penal em apreço. Disse, então, a seu advogado
que não constrangeu a vítima, que já a namorava havia algum tempo, que sua avó materna,
Romilda, e sua mãe, Geralda, que moram com ele, sabiam do namoro e que todas as relações que
manteve com a vítima eram consentidas. Disse, ainda, que nem a vítima nem a família dela
quiseram dar ensejo à ação penal, tendo o promotor, segundo o réu, agido por conta própria. Por
fim, Alessandro informou que não havia qualquer prova da relação não consentida.
Em face da situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado(a) constituído(a)
pelo acusado, a peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa de seu cliente. Em
seu texto, não crie fatos novos, inclua a fundamentação legal e jurídica, explore as teses
defensivas e date o documento no último dia do prazo para protocolo.

109
MEMORIAIS (ALEGAÇÕES FINAIS)

PROBLEMA 1 (OAB/SP 106)


"A" está sendo processado segundo denúncia que lhe imputa violação do artigo 121, parágrafo
2o., inciso III, 1a. parte, combinado com o artigo 14, II do Código Penal, porque teria tentado
matar "B", mediante aplicação de injeção venenosa. O laudo do Instituto Médico Legal é
taxativo, concluindo que a substância ministrada não tinha potencialidade lesiva, ou seja, era
inócua. O Ministério Público apresentou alegações finais, postulando a pronúncia de "A", nos
termos da denúncia.
QUESTÃO:- Como advogado de "A", pratique o ato processual adequado ao rito processual.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 109)


Policiais Militares, em razão de denúncia sobre tráfico de entorpecentes, efetuaram diligência na
residência de "A", encontrando em determinado armário apenas uma cédula de identidade falsa,
com a foto de "A". Em razão desse fato, "A" foi denunciado por uso de documento falso. "A"
sempre negou a prática delituosa. Responde o processo em liberdade, sendo certo que a instrução
já foi concluída e, em alegações finais, o Ministério Público postulou a procedência da ação e
condenação de "A" como incurso nas penas do artigo 304, do Código Penal. A ação penal tem
curso perante a 12a Vara Criminal da Capital.
QUESTÃO: Como advogado de "A" elabore a peça processual pertinente.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 116)


João da Silva foi preso em flagrante delito, pois no dia 10 de janeiro do corrente ano, por volta
das 10:00 horas, fazendo uso de uma arma de fogo, tentou efetuar disparos contra seu vizinho
Antônio Miranda. Foi denunciado pelo representante do Ministério Público como incurso nas
sanções do artigo 121 caput, c.c. o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal, porque teria
agido com “animus necandi”. Segundo o apurado na instrução criminal, uma semana antes dos
fatos o acusado, planejando matar Antônio, pediu emprestada a um colega de trabalho uma arma
de fogo e quantidade de balas suficiente para abastecê-la completamente, guardando-a
eficazmente municiada. Seu filho, a quem confidenciara seu plano, sem que o acusado
percebesse retirou todas as balas do tambor do revólver. No dia seguinte, conforme já esperava,
João encontrou Antônio em um ponto de ônibus e, sacando da arma, acionou o gatilho diversas
vezes, não atingindo a vítima, em face de ter sido a arma desmuniciada anteriormente. Dos autos
consta o laudo pericial da arma apreendida, a confissão do acusado e as declarações da vítima e
do filho do acusado. Por ser primário, o Juiz de primeiro grau concedeu ao acusado o direito de
defender-se solto. As alegações finais de acusação foram oferecidas pelo representante do
Ministério Público, requerendo a condenação do acusado nos exatos termos da denúncia.
QUESTÃO: Como advogado de João da Silva, elabore a peça profissional pertinente.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 118)


Agostinho registra grande número de condenações por crimes contra o patrimônio e já cumpriu
parte em regime fechado. Estava em gozo de livramento condicional, veio a ser autuado em
flagrante e foi denunciado por roubo simples. Encerrada a instrução probatória, em fase
oportuna, o Ministério Público pleiteia a condenação de Agostinho, sustentando que a prova é
suficiente para tanto, especialmente pelos maus antecedentes. Permanece preso. Consta dos autos
que tem trâmite na 1a Vara Criminal da Capital, que Agostinho ingressou na farmácia de
Thomás, que desconfiou "daquele mal encarado" e avançou contra este imobilizando-o até a
chegada da polícia. Agostinho, sempre alegou que fora comprar remédio.
QUESTÃO: Como advogado de Agostinho, desenvolva a medida judicial pertinente.

110
PROBLEMA 5 (OAB/SP 133 - ADAPTADO)
Pedro foi acusado de roubo qualificado por denúncia do Promotor de Justiça da comarca no dia 1
de julho do último ano. Dela constou que ele subtraiu importância em dinheiro de Antônio,
utilizando-se de um revólver de brinquedo. Arrolou, para serem ouvidos, a vítima e dois policiais
militares. O Juiz ouviu-o no dia 5 de agosto do mesmo ano, sem a presença de defensor, ocasião
em que ele confessou, com detalhes, a prática delituosa, descrevendo a vítima e afirmando que o
dinheiro fora utilizado na compra de drogas. Afirmou, ainda, que havia sido internado várias
vezes para tratamento. O defensor nomeado arrolou três testemunhas na defesa prévia. A vítima,
ao ser ouvida, confirmou o fato e afirmou que não viu o rosto do autor do crime porque estava
encoberto e, por isso, não tinha condições de reconhecê-lo. Os dois policiais afirmaram que
ouviram a vítima gritando que havia sido roubada, mas nada encontraram; contudo, no dia
seguinte, houve, no mesmo local, outro roubo, sendo o acusado preso quando estava fugindo e,
por isso, ligaram o fato com o do dia anterior; o acusado, por estar visivelmente “drogado”, não
teve condições de esclarecer o fato. As testemunhas de defesa nada disseram sobre o fato;
confirmaram que o acusado tinha problemas com drogas e, por isso, era sempre internado. Na
fase do 402 CPP, nada foi requerido pelas partes. O Promotor de Justiça pediu a condenação,
alegando que a materialidade estava provada e que a confissão do acusado, pelos informes que
continha, mostrava ser ele o autor do crime. Quanto às penas, entendeu que poderiam ser
aplicadas nos patamares mínimos. Intimado o acusado para os fins do artigo 403, §3º, do CPP,
seus pais resolveram contratar um advogado para defendê-lo.
QUESTÃO: Como Advogado, apresente a peça adequada, com todos os argumentos e pedidos
cabíveis na defesa do acusado.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 134 - ADAPTADO)


Em 3/1/2008, quando caminhava na beira de uma estrada, saindo de uma festa, Vilma percebeu
dois rapazes se aproximarem pelas suas costas, os quais, dizendo portar uma arma de fogo,
encostaram algo em suas costas e lhe ordenaram que continuasse andando, olhando apenas para
frente, e lhes entregasse a bolsa. Vilma obedeceu à ordem, sem ver os dois rapazes, e, cerca de
vinte minutos depois, voltou à festa, pediu auxílio a um segurança e ambos saíram, em um carro,
para procurar os autores da subtração. Encontraram a bolsa, logo em seguida, a cerca de 100
metros do local do fato, e Vilma verificou que faltavam R$ 50,00, em uma nota de R$ 20,00,
duas de R$ 10,00 e duas de R$ 5,00, um relógio e um celular. Caminhando a cerca de 200 metros
do mesmo local, estavam dois rapazes, Luís e Antônio. O segurança os deteve e ligou para a
polícia, que compareceu ao local e os revistou. Com Luís foi encontrada a importância de R$
50,00, em duas notas de R$ 20,00 e uma de R$ 10,00; com Antônio, o total de R$ 15,00, em uma
nota de R$ 10,00 e uma de R$ 5,00. Não portavam celulares, nem relógio.
Em seguida, os policiais os conduziram para a delegacia, onde foi lavrado o auto de flagrante.
Em 11/1/2008, Luís e Antônio foram denunciados como incursos na prática do crime previsto no
artigo 157, §2.º, I e IV, c.c. art. 29, todos do Código Penal. A denúncia foi recebida em
14/1/2008. Ambos, primários, com residência fixa e com bons antecedentes, foram liberados
pelo juiz. Constituíram advogados distintos. No interrogatório, realizado em 21/1/2008, com a
presença de seu advogado, e diante da ausência do advogado de Luís, não intimado para o ato,
Antônio acusou Luís de ter cometido o roubo, dizendo, na ocasião, que não portavam qualquer
arma, tendo sido encostado um dedo nas costas de Vilma. No dia seguinte, no interrogatório de
Luís, com participação do seu advogado somente, o acusado negou que ele ou Antônio tivessem
realizado o roubo. A vítima foi ouvida e, também, como testemunhas de acusação, foram
ouvidos o segurança e os dois policiais que realizaram a condução, os quais confirmaram o roubo
e o encontro do dinheiro com os acusados, afirmando que ambos haviam permanecido em
silêncio. Foram ouvidas testemunhas de defesa que atestaram o bom comportamento dos dois
acusados. Na fase prevista no artigo 402 CPP, nada foi requerido pelas partes. Na seqüência, o

111
Ministério Público manifestou-se pedindo a condenação de Luís e Antônio pela prática do crime
previsto no artigo 157, §2.º, I e IV, c.c art. 29, todos do Código Penal. O advogado de Luís foi
intimado para manifestar-se nos autos.
Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de advogado contratado por
Luís, a peça a ser apresentada no processo.

PROBLEMA 7 (OAB UNIFICADO - 2007.3 - ADAPTADO)


O Ministério Público ofereceu denúncia contra Alexandre Silva, brasileiro, casado, taxista,
nascido em 21/01/1986, pela prática de infração prevista no art. 121, caput, do CP.
Consta na denúncia que, no dia 10/10/2006, aproximadamente às 21 horas, em via pública da
cidade de Brasília – DF, o acusado teria efetuado um disparo contra a pessoa de Filipe Santos,
que, em razão dos ferimentos, veio a óbito.
No laudo de exame cadavérico acostado aos autos, os peritos do Instituto Médico Legal
registraram a seguinte conclusão: “morte decorrente de anemia aguda, devido a hemorragia
interna determinada por transfixação do pulmão por ação de instrumento perfurocontundente
(projétil de arma de fogo)”.
Consta da folha de antecedentes penais de Alexandre, um inquérito policial por crime de porte de
arma, anterior à data dos fatos e ainda em apuração.
No interrogatório judicial, o acusado afirmou que, no horário dos fatos, encontrava-se em casa
com sua esposa e dois filhos; que só saiu por volta das 22 horas para comprar refrigerante,
oportunidade em que foi preso quando adentrava no bar; que conhecia a vítima apenas de vista;
que não responde a nenhum processo.
Na instrução criminal, Paulo Costa, testemunha arrolada pelo Ministério Público, em certo trecho
do seu depoimento, disse que era amigo de Filipe, que aparentemente a vítima não tinha
inimigos; que deve ter sido um assalto; que estava a aproximadamente cinqüenta metros de
distância e não viu o rosto da pessoa que atirou em Filipe, mas que certamente era alto e forte, da
mesma compleição física do acusado; que não tem condições de reconhecer com certeza o ora
acusado.
André Gomes, também arrolado pela acusação, disse que a noite estava muito escura e o local
não tinha iluminação pública; que estava próximo da vítima, mas havia bebido; que hoje não tem
condições de reconhecer o autor dos disparos, mas tem a impressão de que o acusado tinha o
mesmo porte físico do assassino.
Breno Oliveira, policial militar, testemunha comum, afirmou que prendeu o acusado porque ele
estava próximo ao local dos fatos e suas características físicas correspondiam à descrição dada
pelas pessoas que teriam presenciado os fatos; que, pela descrição, o autor do disparo era alto,
forte, moreno claro, vestia calça jeans e camiseta branca; que o céu estava encoberto, o que
deixava a rua muito escura, principalmente porque não havia iluminação pública; que, na
delegacia, o acusado permaneceu em silêncio; que a arma do crime não foi encontrada.
Maíra Silva, esposa de Alexandre, arrolada pela defesa, confirmou, em seu depoimento, que o
marido permanecera em casa a noite toda, só tendo saído para comprar refrigerante,
oportunidade em que foi preso e não mais voltou para casa; que só tomou conhecimento da
acusação na delegacia e, de imediato, disse ao delegado que aquilo não era possível, mas este
não acreditou; que o acusado vestia calça e camiseta clara no dia dos fatos; que Alexandre é um
bom marido, trabalhador e excelente pai.
Após a audiência, o juiz abriu vista dos autos ao Ministério Público, que requereu a pronúncia do
réu nos termos da denúncia.
Com base na situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado de Alexandre, a
peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa do réu; inclua a fundamentação legal
e jurídica e explore a tese defensiva cabível nesse momento processual.

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

112
PROBLEMA 1 (OAB/SP 115)
"A" e "B" eram amigos de infância. Resolveram excursionar por lugar extremamente perigoso,
hostil, deserto e com algumas cavernas, localizado no município de São Paulo. Ficaram perdidos
durante 2 meses. Finalmente, os bombeiros alcançaram o lugar onde eles estavam. "A" havia
tirado a vida de "B" e os homens viram "A" sentado ao lado de uma fogueira, tranqüilamente
assando a coxa da perna esquerda de "B". Os bombeiros ficaram horrorizados e "A" foi preso em
flagrante. Processado no Juízo competente, por homicídio doloso simples, alcançou a liberdade
provisória. Acabou pronunciado pelo magistrado, por sentença de pronúncia prolatada há 2 dias.
QUESTÃO: Elabore a peça processual conveniente, em favor de "A" destinando-a à autoridade
judiciária competente.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 117)


Os indivíduos Felício e Roberval, após uma partida de tênis, começaram a discutir. Felício que
estava com a raquete na mão, atingiu de lado e sem muita força a cabeça de Roberval, de
estrutura física inferior à do agressor e mãos desprovidas de qualquer objeto. Roberval
desequilibrou-se e, ao cair ao solo, bateu com a cabeça na guia, vindo a falecer. Felício foi
processado em liberdade perante a 1ª Vara do Júri, por homicídio simples – art. 121, "caput", do
C.P. e pronunciado pelo magistrado, ao entendimento de que houve dolo eventual, pois o
acusado teria assumido o risco de produzir o resultado, ao golpear Roberval com a raquete. A
sentença de pronúncia foi prolatada há dois dias.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Felício, elabore a peça adequada à sua defesa.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 123 - ADAPTADO)


João Alves dos Santos, vítima de estelionato, atuara no processo por seu advogado, como
assistente do Ministério Público e apelou de sentença condenatória que, em 05.12.2008,
condenara Antonio Aparecido Almeida às penas mínimas de 1 (um) ano de reclusão e dez dias-
multa, pleiteando aumento da pena porque o condenado era reincidente. O juiz não admitiu a
apelação porque, no seu entendimento, não pode o ofendido apelar de sentença condenatória para
pleitear aumento de pena.
QUESTÃO: Verifique a medida cabível e, de forma fundamentada, apresente a peça adequada,
postulando, como advogado, o que for de interesse de João Alves dos Santos.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 125)


João foi acusado pelo Ministério Público de praticar homicídio qualificado por motivo fútil
porque disparou tiros que atingiram Pedro, seu amigo, e causaram-lhe a morte, assim agindo
porque este cuspira, em brincadeira, no seu rosto. Na decisão de pronúncia, o juiz, além de
admitir a qualificadora do motivo fútil, acrescentou, ainda, a qualificadora da traição porque,
segundo a prova colhida, João mentira para Pedro, convidando-o para almoçar em sua casa e,
aproveitando-se de momento em que ele estava sentado à mesa, atingiu-o pelas costas.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 127 - ADAPTADO)


João, em 5.1.2008, foi denunciado pelo crime de homicídio duplamente qualificado: por motivo
fútil (discussão anterior por dívida de jogo) e por uso de recurso que impossibilitou a defesa (a
surpresa com que agiu). Procurado para ser citado, João não foi encontrado, realizando-se a sua
citação por edital e sendo declarada a sua revelia. Foi-lhe nomeado Defensor Dativo, que
apresentou a defesa prévia. Durante a instrução foram ouvidas duas testemunhas. A primeira,
arrolada pela acusação, afirmou ter visto quando João, por ela reconhecido fotograficamente na
audiência, surgiu de repente e logo desferiu disparos em direção à vitima Antonio, causando-lhe

113
a morte, tendo sabido pela esposa da vítima que o motivo era discussão anterior em virtude de
dívida. A segunda testemunha, arrolada pela defesa, afirmou que conhecia João há muito tempo,
sabendo que, na data do fato, ele não estava no Brasil e, por isso, não podia ser o autor dos
disparos. Oferecidas as alegações pelas partes, João foi pronunciado por homicídio duplamente
qualificado, nos termos da denúncia, sob o fundamento de que o depoimento da testemunha da
acusação, por ser ela presencial, merece crédito, além do que, em caso de dúvida, deve o acusado
ser pronunciado, já que, nessa fase processual, vigora o princípio in dubio pro societate. João,
intimado da decisão, deu ciência ao seu advogado.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 131 - ADAPTADO)


João foi denunciado criminalmente por, supostamente, ter causado a morte de Josefa, funcionária
da OAB/SP. Segundo a denúncia, o acusado, em atividade típica de grupo de extermínio, após
diversas discussões e ameaças à funcionária, a qual, segundo consta, não o teria tratado
adequadamente, aguardou a saída de Josefa de seu local de trabalho para outro prédio da OAB,
onde iria despachar outros processos, momento em que lhe deferiu disparos de arma de fogo que
a levaram a óbito. Recebida a denúncia, o réu alegou que não se encontrava, no dia dos fatos, em
São Paulo. Alegou, também, que uma simples discussão não seria motivo para um homicídio.
Mesmo apresentando testemunhas que o teriam visto em outro local, naquela hora, e mesmo não
tendo sido encontrada a arma do crime, o réu foi pronunciado como incurso no art.121, §2.º, II,
IV, CP, já que, pelo princípio in dubio pro societate, deveria caber aos jurados a avaliação
quanto à culpa ou inocência de João.
QUESTÃO: Como defensor de João, redija a peça mais adequada para sua defesa.

PROBLEMA 7 (OAB/SP 132)


Luiz, no período do Carnaval, decide ir com seus amigos a seu sítio perto de Itu, com o intuito de
descansar do “stress” da cidade. Na quarta-feira de cinzas, Luiz decide ir até a cidade de Itu a fim
de comprar cerveja, vez que realizariam pescaria no período da tarde. No trajeto até a cidade,
Luiz, por meio de veículo automotor, realiza ultrapassagem em veículo que transitava no mesmo
sentido, conduzindo o veículo em velocidade compatível com o local. Entretanto, Luiz não havia
ligado a seta no instante da ultrapassagem, momento em que veio a colidir com um motociclista
que, sem capacete, vinha conduzindo em alta velocidade, no sentido oposto, vindo o condutor da
motocicleta a falecer, em virtude da colisão com o carro de Luiz. Instaurado o Inquérito Policial
por crime de homicídio culposo, decide o Promotor de Justiça denunciar Luiz por homicídio
doloso na modalidade de dolo eventual, argumentando que ele, por não ter dado a seta para a
ultrapassagem, assumiu o risco do resultado da morte do motociclista. Após a instrução
probatória, o Juiz decidiu pronunciar Luiz por crime doloso na modalidade eventual,
encaminhando os autos para a Vara do Júri de Itu para o respectivo julgamento, já tendo sido
expedida a intimação da decisão de pronúncia ao defensor de Luiz.
QUESTÃO: Como advogado de Luiz, interponha a peça pertinente.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 133)


João e Mário, juntos, ingressaram, no dia 20 de janeiro de 2007, na residência de Pedro, com a
intenção de subtrair coisas que nela encontrassem. Os dois eram empregados de Pedro e este não
estava efetuando os pagamentos de seus salários. Pretendiam, assim, com o que subtraíssem,
receber o que lhes era devido. Quando estavam no interior da casa, antes que tivessem começado
a subtrair qualquer coisa, Pedro, com um revólver, desferiu disparos contra os dois, vindo a
atingi-los e causar-lhes a morte. Os dois não traziam consigo nenhuma arma. Ele próprio chamou
a polícia e solicitou uma ambulância. Chegou a ser preso, mas foi liberado. Foi acusado, por
denúncia do Ministério Público, de duplo homicídio qualificado pela surpresa, recurso que
impossibilitou a defesa das vítimas, e, por motivo torpe, vingança, porque as vítimas queriam

114
subtrair bens como forma de receberem seus salários e, ainda, por guardar em sua residência
arma não registrada e sem autorização regular. Ouvido, confessou o crime, mas disse que não
sabia que as vítimas eram seus empregados, pois, se soubesse, não as teria atingido. Quanto à
arma, disse que, como já havia sido vítima de três roubos anteriormente, a havia adquirido
recentemente e ainda não tivera tempo de registrá-la. As testemunhas de acusação ouvidas foram
os policiais que atenderam a ocorrência. As testemunhas de defesa afirmaram que as vítimas
eram boas pessoas e nunca haviam cometido qualquer crime. O Promotor pediu a pronúncia do
acusado nos termos da denúncia. O advogado apresentou alegações. O Juiz, afirmando que,
nesse momento, prevalece o princípio in dubio pro societate, pronunciou o acusado, acolhendo
integralmente a denúncia. O acusado foi intimado no dia 5 de setembro de 2007 e manifestou
interesse em recorrer.
QUESTÃO: Como Advogado, apresente a peça mais adequada para a defesa do acusado, com os
fundamentos e pedidos.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 110 - ADAPTADO)


Aurélio, Promotor de Justiça, oferece denúncia contra Agripino, empresário, descrevendo
infração penal tipificada como receptação ocorrida em outubro de 1997. Contudo, esquece-se de
apresentar o rol de testemunhas na peça inicial, além de narrar fato equivocado, fazendo inserir
circunstâncias totalmente divorciadas da realidade, não oferecendo, outrossim, a qualificação do
indiciado. O Magistrado, ao tomar conhecimento do teor da denúncia, rejeita-a, expondo os
motivos para tal. O Promotor de Justiça recorre de tal decisão, expondo os motivos de seu
inconformismo, reiterando que a ação penal deve ser recebida para, ao final da instrução
probatória, ser o réu condenado pelo crime que cometeu. Você, como advogado de Agripino, é
intimado para tomar ciência da decisão do Juiz, bem como do recurso interposto pelo Promotor
de Justiça.
Assim, proponha a peça processual que julgar correta para a defesa de Agripino, justificando
fundamentadamente os argumentos que nela desenvolverá.

PROBLEMA 10 (OAB/MG - 2006)


No curso de ação penal de iniciativa privada ajuizada por João Henrique contra Edmar Benson,
na Comarca de Perdões/MG, pela prática dos delitos previstos nos artigos 138, 139 e 140 do CP,
o querelante foi devidamente intimado para constituir novo patrono por ter o anterior renunciado
aos poderes que lhe foram outorgados, deixando, no entanto, o querelante de fazê-lo por mais de
trinta dias seguidos.
O advogado do querelado requereu a decretação da perempção e o juiz indeferiu a pretensão ao
argumento de que a suposta omissão não poderia ser caracterizada como inércia ou desídia, pois
independente de ser iniciativa privada, toda ação penal tem interesse público e deve seguir o seu
trâmite até o final com o julgamento do mérito. Em face de tal decisão, atuando como advogado
do querelado, elabore a petição de interposição do recurso e as razões que o acompanha com o
devido e completo encaminhamento.

PROBLEMA 11
Cristiano foi denunciado pela prática do crime previsto no art. 121, § 2.º, incisos III e IV, do
Código Penal, nos seguintes termos:
No dia 8/5/2008, no período compreendido entre 19 h e 19 h 30 min, nas proximidades da rua
Paulo Chaves, casa 32, no bairro Aricanduva, São Paulo – SP, o denunciado, Cristiano,
brasileiro, solteiro, ajudante de pintor, residente na rua Paulo Chaves, casa 32, no bairro
Aricanduva, São Paulo – SP, imbuído de inequívoco animus necandi, utilizando-se de um facão,
golpeou João cinco vezes, causando-lhe a lesão descrita no laudo de exame de corpo de delito, a
qual foi a causa eficiente de sua morte. O delito foi cometido mediante meio cruel, causando
intenso e desnecessário sofrimento à vitima. O crime foi, ainda, praticado de surpresa, recurso

115
que dificultou a defesa da vítima. A denúncia foi recebida, em 20/8/2008, pelo juiz da primeira
vara do júri da capital, que ordenou a citação do acusado para responder à acusação, por escrito,
no prazo de 10 dias. Na resposta, o acusado alegou que havia agido para se defender, juntou
comprovante de residência e sua folha penal bem como arrolou uma testemunha, qualificando-a
e requerendo sua intimação. O Ministério Público não se opôs à juntada dos documentos e, no
dia e hora marcados, procedeu-se à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela
defesa, nesta ordem. A acusação arrolou Pedro, que informou que conhecia Cristiano havia 5
anos e que o acusado tinha o hábito de beber, comumente se embriagando e causando confusão
nos bares da cidade. A defesa arrolou Francisco, irmão do réu e único a presenciar o fato, o qual
foi ouvido com a concordância da acusação e sem o compromisso legal, tendo afirmado em
juízo: que presenciou o fato ocorrido no dia 8/5/2008, aproximadamente às 19 h, no interior da
casa; que avisou Cristiano de que havia uma pessoa subtraindo madeira e telhas de sua
residência. Diante disso, Cristiano dirigiu-se ao local onde o larápio estava. Chegando lá,
Cristiano, de posse de um facão, mandou que o ladrão parasse com o que estava fazendo, tendo o
ladrão o desafiado e, de posse de um pé-de-cabra, caminhado em sua direção. Imediatamente,
Cristiano tentou desferir alguns golpes no ladrão, que, ao ser atingido, tombou ao solo. Por fim,
Cristiano, ao ser interrogado em juízo, disse que a acusação não era verdadeira, porque havia
atuado para se defender da iminente agressão por parte da vítima. Disse, ainda, que, apesar de ter
tentado desferir cinco golpes na vítima, somente a atingiu no quinto golpe, momento em que a
vítima caiu. Ressalta-se que o laudo cadavérico indicou a existência de apenas uma lesão no
corpo da vítima, na altura do peito, e apontou como causa mortis hemorragia no pulmão, em
consequência de ação perfurocortante. Apresentadas as alegações finais orais, o juiz entendeu
que o feito havia tramitado regularmente, sem nulidades. Outrossim, entendeu haver indícios de
autoria e estar configurada a materialidade do crime, comprovada por meio do laudo de exame
de corpo de delito (cadavérico), bem como pelos depoimentos colhidos no curso da instrução, e
pronunciou o acusado, na própria audiência, pelo crime previsto no art. 121, § 2.º, incisos III e
IV, do Código Penal, a fim de que fosse submetido a julgamento pelo júri popular. Por fim,
determinou o magistrado que o réu deveria permanecer em liberdade, já que esteve solto durante
toda a instrução, haja vista a ausência dos requisitos para a prisão preventiva, além de ser
primário e possuir bons antecedentes.
Considerando a situação hipotética apresentada, redija, em favor de Cristiano, a peça
profissional, diversa de habeas corpus, cabível à espécie.

PROBLEMA 12 (OAB UNIFICADO 2009.1)


Agnaldo, que reside com sua esposa, Ângela, e seus dois filhos na cidade de Porto Alegre – RS,
pretendendo fazer uma reforma na casa onde mora com a família, dirigiu-se a uma loja de
material de construção para verificar as opções de crédito existentes. Entre as opções que o
vendedor da loja apresentou, a mais adequada ao seu orçamento familiar era a emissão de
cheques pré-datados como garantia da dívida.
Como não possui conta-corrente em agência bancária, Agnaldo pediu a seu cunhado e vizinho,
Firmino, que lhe emprestasse seis cheques para a aquisição do referido material, pedido
prontamente atendido. Com o empréstimo, retornou ao estabelecimento comercial e realizou a
compra, deixando como garantia da dívida os seis cheques assinados pelo cunhado.
Dias depois, Firmino, que tivera seu talonário de cheques furtado, sustou todos os cheques que
havia emitido, entre eles, os emprestados a Agnaldo. Diante da sustação, o empresário, na
delegacia de polícia mais próxima, alegou que havia sido fraudado em uma transação comercial,
uma vez que Firmino frustrara o pagamento dos cheques pré-datados.
Diante das alegações, o delegado de polícia instaurou inquérito policial para apurar o caso,
indiciando Firmino, por entender que havia indícios de ele ter cometido o crime previsto no
inciso VI do § 2.º do art. 171 do Código Penal.
Inconformado, Firmino impetrou habeas corpus perante a 1.ª Vara Criminal da Comarca de Porto

116
Alegre, tendo o juiz denegado a ordem.
Considerando essa situação hipotética, na condição de advogado(a) contratado(a) por Firmino,
interponha a peça judicial cabível, privativa de advogado, em favor de seu cliente.

APELAÇÃO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 108)


Gaio foi denunciado como incurso no art. 121, § 2º, inciso II, c.c. o art. 29, todos do Código
Penal. Em Plenário, sustentou a Defesa, dentre outras, a tese da ausência do “animus necandi”.
Os Jurados, por significativa maioria de votos, rejeitaram todas, sendo certo que não foi
formulado quesito acerca da referida tese defensiva, fato que não foi objeto de reclamação na
oportunidade. A sentença, proferida no julgamento realizado há três dias, condenou Gaio a
cumprir a pena de 12 anos de reclusão, em regime fechado.
QUESTÃO: Como advogado de Gaio, ajuíze a providência judicial adequada, justificando-a.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 114)


"A" foi condenado a pena de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa pelo Juízo da 1ª Vara
Criminal da Capital, que o considerou incurso no artigo 333, do Código Penal. Não havia aceito
a aplicação da Lei Federal 9.099/95 e persiste no mesmo sentido, daí ter o juiz concedido o
"sursis". No qüinqüídio legal, o Ministério Púbico não recorreu e a defesa de "A", sim. Consta da
sentença condenatória que "...embora o réu apenas tenha aquiescido ao insistente pedido do
funcionário público e lhe dado R$ 100,00 (cem reais) para retardar ato de ofício, a condenação
seria de rigor em razão da crescente onda de corrupção que não é tolerada pela sociedade.
Mesmo que o réu tenha se sentido coagido, o que ficou bem demonstrado nos autos, o fato é que
se viu favorecido, o que também justificava a condenação."
QUESTÃO: Como advogado constituído por "A" e hoje intimado, dê continuidade ao recurso
interposto.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 121)


Xisto e Peter combinaram entre si a prática de furto qualificado, consistente na subtração,
mediante arrombamento, do toca-fitas de veículo estacionado na via pública. Ao iniciarem o
furto, aparece o dono do veículo. Xisto sai correndo, enquanto Peter enfrenta a vítima e, usando
de uma arma de fogo que portava, o que não era do conhecimento de Xisto, vem a matar a
vítima. A sentença condenatória do MM. Juiz de Direito da 5.ª Vara Criminal da Capital aplicou
a pena de 20 anos a cada um dos acusados. Os advogados foram intimados da decisão há dois
dias.
QUESTÃO: Na qualidade de defensor de Xisto, apresentar a peça jurídica competente.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 124- ADAPTADO)


João foi condenado porque ele e Pedro, no dia 01.02.2008 ingressaram na residência de Antônio,
com a intenção de subtrair bens a este pertencentes, e, em virtude da resistência do morador,
desferiram-lhe tiros que vieram a causar lhe a morte. Um dos tiros atingiu o comparsa, Pedro,
que faleceu. João, temeroso, fugiu sem nada subtrair. O juiz, em razão dos fatos, condenou João,
como incurso duas vezes em concurso material, às penas do art. 157, § 3. °, segunda parte, do
Código Penal, num total de 40 (quarenta) anos de pena privativa de liberdade e 20 (vinte) dias
multa, fixadas no mínimo legal, e ao regime integralmente fechado, para o seu cumprimento.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa

PROBLEMA 5 (OAB/SP 125)

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João foi acusado de ter subtraído, no dia 5 de janeiro de 2008, vinte mil dólares de seu pai,
Fábio, com cinqüenta e oito anos de idade. Houve proposta de suspensão condicional do
processo, não aceita pelo acusado. Ouvidas duas testemunhas de acusação, disseram que,
realmente, houve a subtração, por elas presenciada. O pai, vítima, confirmou o fato e a
propriedade dos dólares. Por outro lado, o acusado e duas testemunhas de defesa afirmaram que
os dólares não pertenciam ao pai do acusado, mas à sua mãe, que, antes de falecer, os dera para o
filho. Não foi juntada prova documental a respeito da propriedade do dinheiro. O juiz, no dia 4
de janeiro de 2005, condenou João pelo crime de furto simples às penas de 1 (um) ano de
reclusão e 10 dias-multa, no valor mínimo, substituindo a pena de reclusão pela restritiva de
direitos consistente em prestação de serviços à comunidade.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 126 - ADAPTADO)


João foi condenado por crime de roubo qualificado pelo emprego de arma às penas de 5 (cinco)
anos e 4 (quatro) meses de reclusão e multa, fixada em seus patamares mínimos. Levou o juiz em
conta na aplicação da pena mínima, entre outras circunstâncias, a atenuante da menoridade
prevista no art. 65, I, do Código Penal, bem como o fato de o prejuízo sofrido pela vítima ter sido
de pequena monta. O processo foi anulado em sede de revisão criminal por vício de citação.
Renovada a instrução, apurou-se que o acusado era, na verdade, maior de 21 (vinte e um) anos à
época do fato e que o prejuízo da vítima era bem mais elevado do que o inicialmente apurado. O
juiz proferiu sentença condenando João às penas de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão e
10 dias-multa, sendo o valor de cada dia-multa fixado em um trigésimo do salário mínimo
vigente. O juiz fixou a pena privativa de liberdade acima do mínimo, em uma única operação,
em face das conseqüências graves do crime e, ainda, porque se provou ser o réu reincidente e não
lhe beneficiar nenhuma atenuante.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 7 (OAB/SP 128 - ADAPTADO)


José foi denunciado como incurso no art. 155, § 4o, incisos I e II, do Código Penal. Segundo a
acusação, José, em 5 de agosto de 2007, por volta das 22 horas, invadiu casa localizada na rua
Coronel Pereira Vaz, no 85, São Paulo – Capital, de propriedade e residência de Armando
Paixão, mediante a transposição de um muro de 80 centímetros de altura. Na garagem,
percebendo que o portão estava apenas encostado, sem estar trancado, segundo a denúncia, José
resolveu furtar o veículo de Armando ali estacionado. Para tanto, quebrou o vidro lateral do
veículo e ingressou em seu interior, evadindo-se do local com o carro. O veículo foi encontrado,
no dia seguinte, na garagem do prédio em que José reside. Em juízo, José negou o crime em seu
interrogatório, afirmando que, a pedido de um conhecido, de nome Pedrinho, deixou que este
estacionasse o veículo em sua vaga de garagem, pois esta estava disponível, nada tendo a ver
com a subtração. Que, após este dia, não encontrou mais Pedrinho. A vítima, ao ser ouvida,
confirmou a subtração. Carlos, vizinho da vítima, confirmando reconhecimento feito durante o
inquérito policial, afirmou que José foi visto por ele, saindo com o veículo. Em suas alegações
finais, a defesa sustentou que José apenas consentiu que Pedrinho guardasse o carro. Quanto ao
reconhecimento feito pelo vizinho, alegou que José é pessoa de fisionomia bastante comum e
que, certamente, fora confundido. Afirmou, ainda, que o fato ocorreu à noite, o que dificultava a
visualização do condutor do veículo.
O MM. Juiz da 23a Vara Criminal da comarca da Capital julgou procedente a acusação e
condenou José pelo crime de furto duplamente qualificado (escalada e rompimento de
obstáculo). Quanto à aplicação da pena, na primeira fase, o juiz, com base no art. 59 do Código
Penal, fixou a pena em 3 (três) anos de reclusão, acima do mínimo legal, porque eram duas as
qualificadoras do furto, fato que demonstraria dolo intenso do agente. A pena de multa foi fixada

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no mínimo legal. Para o cumprimento da pena, determinou o regime aberto, substituindo a pena
privativa de liberdade por duas restritivas de direito, consistentes em prestação de serviços à
comunidade e multa. José foi intimado da sentença no dia 16 de fevereiro e o advogado foi
intimado no dia 17 de fevereiro de 2008.
QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 130)


João foi processado e condenado por homicídio duplamente qualificado à pena de 19 (dezenove)
anos de reclusão. Conforme a denúncia e a pronúncia, houve motivo fútil porque o crime foi
praticado em razão de uma simples desavença em virtude de uma dívida de jogo no valor de R$
200,00 (duzentos reais) e, também, houve utilização de recurso que impossibilitou a defesa
consistente em surpresa porque os tiros foram desferidos logo após rápida discussão sobre a
dívida, quando a vítima, Antonio, chegou na casa de João, chamada por este. Não houve
testemunhas presenciais. A denúncia foi baseada em depoimento de Maria, namorada de
Antonio, a qual afirmou que conversou com a vítima sobre a desavença antes de sua morte.
Contudo, Maria desapareceu e não foi ouvida na fase processual. João negou a autoria na polícia
e em juízo. Foram ouvidos no processo dois policiais militares que afirmaram terem atendido à
vítima e visto quando ela conversava com a namorada, Maria, mas disseram que não chegaram a
conversar com a vítima ou com sua namorada. A arma não foi encontrada. A morte foi
demonstrada por laudo pericial. Indagados, os jurados responderam: a) por quatro votos a três,
que João desferiu os tiros na vítima Antonio, causando-lhe ferimentos; b) por cinco votos a dois,
que os ferimentos resultantes dos tiros causaram a morte de Antonio; c) por seis votos a um, que
João agiu por motivo fútil; d) por seis votos a um, que João usou de recurso que impossibilitou a
defesa de Antonio; e) por sete votos a zero, que inexistia circunstância atenuante em favor de
João. O advogado impugnou os quesitos sobre as qualificadoras, argumentando que foram
redigidos de forma singela, sem especificação do motivo fútil ou do recurso que impossibilitou a
defesa, não sendo a impugnação aceita pelo juiz. O Promotor de Justiça não apresentou a réplica.
O advogado, com base no princípio constitucional da plenitude da defesa, quis apresentar a
tréplica, sendo impedido pelo magistrado, o qual entendeu que não há tréplica sem réplica. A
sentença condenatória foi lida em plenário. No dia seguinte, 15.09.2006, o advogado recorreu.
QUESTÃO: Como advogado, indique os fundamentos do recurso e apresente as suas razões.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 131)


João foi processado perante a ____ Vara Criminal da Capital por, supostamente, em 10.02.06,
ter, mediante violência, levado para sua casa, Maria, dançarina da casa noturna “Noites de
Prazer”, com fins libidinosos. Em seu interrogatório, afirmou, primeiramente, não ser Maria
pessoa honesta. Por outro lado, asseverou ter convidado a moça para sua casa, no que esta teria
concordado, mediante remuneração pecuniária. Alegou, ainda, que, em momento posterior,
ambos discutiram sobre o valor a ser pago, tendo, Maria, saído revoltada e dizendo que iria se
vingar. Testemunhas foram apresentadas, asseverando terem se encontrado, na mesma noite e na
mesma casa noturna, com Maria, após sua saída com João. Em 20.01.07, João foi condenado a
uma pena de 2 anos de reclusão, sob a alegação de que teria ele, de qualquer forma, retido, com
fins libidinosos, Maria, contra a vontade desta.
QUESTÃO: Como advogado de João, escolha o melhor meio para sua defesa. Redija a peça.

PROBLEMA 10 (OAB/SP 134)


Em 1.º/3/2001, quando tinha dezenove anos de idade, Renato foi denunciado por roubo com
emprego de arma (art. 157, §2.º, I, do Código Penal). A denúncia foi recebida em 4/3/2002 e
Renato foi interrogado no dia 11/3/2002, tendo, no dia 12/3/2002, apresentado defesa prévia, na
qual foram arroladas cinco testemunhas suas e três que constavam da denúncia. Na audiência de
oitiva de testemunhas da acusação, foram ouvidas sete delas, tendo o Ministério Público

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desistido de uma, também arrolada pela defesa. Cinco das testemunhas ouvidas afirmaram que
souberam do roubo, mas não o presenciaram, nem conheciam o acusado. Duas outras disseram
ter visto uma pessoa semelhante a Renato cometer o crime. A vítima o reconheceu. Foram
ouvidas cinco das testemunhas arroladas pela defesa, tendo todas elas somente feito referência à
boa personalidade e ao bom comportamento de Renato. O juiz dispensou as últimas testemunhas
da defesa, duas que já haviam sido ouvidas como testemunhas da acusação e uma que não mais
deveria ser ouvida ante a desistência do Ministério Público e, ainda, em razão de não ter
comparecido, tendo ficado clara a intenção da defesa em procrastinar o encerramento do
processo. Na audiência, o advogado manifestou sua inconformidade, solicitando a inquirição da
testemunha e se comprometendo a levá-la, independentemente de intimação. O juiz não atendeu
ao seu pleito. Na fase prevista no art. 402 do Código de Processo Penal, o Ministério Público
nada requereu, enquanto a defesa insistiu na oitiva da testemunha, afirmando ser importante para
a prova, contudo o juiz indeferiu o pedido e reiterou o seu entendimento. Em alegações finais, o
Ministério Público pleiteou a condenação, ao passo que a defesa, em preliminar, novamente
postulou a oitiva da testemunha e, no mérito, pediu absolvição. Na sentença, publicada em
10/8/2007, o juiz rejeitou a preliminar da defesa e condenou Renato, fixando, respectivamente, a
pena-base no mínimo legal — 4 anos de reclusão e 10 dias-multa —, e cada dia-multa, em um
trigésimo do salário mínimo, tendo acrescentado 1/3 pela causa de aumento, o que resultou na
pena de 5 anos e 4 meses de reclusão e 13 dias-multa. O acusado e seu advogado foram
intimados da decisão em 5 de março de 2008.
Considerando a situação hipotética descrita, atue na defesa de Renato, como se seu advogado
fosse.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 111)


O Promotor de Justiça, quando da apresentação de alegações finais, em ação penal pública
incondicionada, conclui pela inocência do réu, e postula a sua absolvição. O Magistrado, ao
analisar os autos, profere sentença absolutória, acolhendo o pleito ministerial. Na ocasião da
intimação da sentença, em virtude de férias do subscritor das alegações finais, outro membro do
Ministério Público entende diferentemente do seu colega e do Juiz, considerando que a sentença
deve ser reformada. Assim, interpõe recurso, alegando ter independência funcional consagrada
na Carta Magna, afirmando que, por ser ação penal pública incondicionada, o Promotor que o
antecedeu, jamais poderia ter pleiteado a absolvição, mas tão-somente a condenação. Pugna,
outrossim, pela condenação do acusado nos termos do art. 171 do Código Penal (estelionato
consumado), aduzindo a presença de todos os elementos do tipo penal na conduta descrita na
denúncia, e o réu teria agido com culpa presumida, ainda que não tivesse obtido a vantagem
ilícita em prejuízo alheio.
QUESTÃO: Como advogado(a) do réu, formule a peça processual que julgar oportuna

PROBLEMA 12 (OAB/MG – Dezembro 2006)


Pafúncio Augusto foi preso em flagrante delito. Consta da denúncia que o co-réu (Confúcio
Henrique) invadiu uma Agência da Caixa Econômica Federal (CEF) no Bairro do Santo
Agostinho (em Belo Horizonte – MG), após o expediente bancário. Com o uso de uma arma de
fogo (de numeração raspada e sem registro adequado), ele ameaçou o gerente e os seguranças da
instituição. Subtraiu R$ 50.000,00 de dentro do cofre da agência.
Consta, ainda, que Pafúncio Augusto teria ficado dentro do seu veículo, ao lado do local do
crime, de forma a oferecer ao co-réu um meio seguro de fuga. Os Policiais Militares, convocados
para a diligência, perseguiram os dois acusados, conseguindo efetivar a prisão em flagrante de
ambos minutos depois de uma perseguição ininterrupta.
Foram pegos com os dois acusados a arma usada por Confúcio Henrique e todos os valores
subtraídos da Agência da CEF.

120
O Ministério Público ajuizou ação penal em desfavor dos dois co-réus. De acordo com os termos
da denúncia oferecida, eles teriam infringido as normas penais anotadas nos arts. 157, § 1°, I e II,
do Código Penal, e 16 da Lei 10.826/03.
Denúncia recebida pelo Juiz Competente. Em seu Interrogatório, Pafúncio Augusto negou a
prática dos delitos a ele imputados na inicial acusatória. Afirmou que Confúncio Henrique, um
conhecido antigo, apenas lhe pedira uma carona para depositar determinados valores no caixa
automático da CEF. Anunciou, ainda, que não sabia da intenção delituosa do co-réu, somente
tomando consciência do crime quando, por vontade própria, deu fuga àquele outro. Tomou
ciência da arma de fogo, também, apenas durante a fuga.
Defesa Prévia apresentada. Audiência de Instrução realizada, na qual foram ouvidas as
testemunhas arroladas pelas partes. Como as testemunhas (gerente e seguranças) não saíram de
dentro da CEF, não conseguiram reconhecer Pafúncio Augusto como sendo o autor do delito.
Apenas os Policiais Militares o reconheceram como sendo a pessoa presa na perseguição
realizada.
Na fase do art. 402 CPP, o MP requereu a juntada da CAC e da FAC dos acusados. Pafúncio
Augusto era primário e de bons antecedentes. A defesa, a seu turno nada requereu. Não foi
juntada, nos autos, a perícia oficial, com o exame de perfeito funcionamento da arma de fogo
apreendida.
Alegações Finais do Ministério Público e da Defesa foram apresentadas devidamente.
A sentença foi publicada. Não houve prescrição, entendendo o Magistrado por condenar os co-
réus de acordo com a denúncia apresentada: arts. 157, § 1°, I e II, do Código Penal, e 16 da Lei
10.826/03. Como Pafúncio Augusto era primário e de bons antecedentes, a pena foi fixada no
mínimo legal: 5 anos e 4 meses para o roubo com as majorantes e 3 anos para o porte ilegal de
arma. Totalizou-se 8 anos e 4 meses de reclusão, em pena a ser inicialmente cumprida em regime
fechado, além do pagamento do valor equivalente a 15 (quinze) dias-multa, fixados a unidade de
1/30 (um trigésimo) do salário mínimo.
Não se conformando com a decisão do Magistrado, Pafúncio Augusto recorreu tempestivamente
da sentença, constituindo-o para elaborar as razões recursais. Assim, elabore-as, com o devido e
completo encaminhamento, arguindo toda a matéria pertinente.

PROBLEMA 13 (OAB/SP 112)


Cleóbulo, soldado da Polícia Militar, após cumprir seu turno de trabalho, dirigindo-se para o
ponto de ônibus, deparou-se com um estranho grupo de pessoas em volta de um veículo,
percebendo que ali ocorria um roubo e que um dos elementos mantinha uma senhora sob a mira
de um revólver. Aproximando-se por trás do meliante, sem ser notado, desferiu-lhe quatro tiros
com sua arma particular, vindo este a falecer no local. Os outros dois elementos que
participavam do roubo evadiram-se.
Cleóbulo foi processado e, a final, absolvido sumariamente em primeiro grau, pois a r. decisão
judicial reconheceu que o policial agira no cumprimento do dever de polícia (artigo 23, inciso
III, 1ª parte, Código Penal).
Inconformado, o Ministério Público recorreu pleiteando a reforma da r. decisão. Para tanto alega,
em síntese, que o policial estava fora de serviço e que houve excesso no revide, eis que Cleóbulo,
disparando quatro tiros do seu revólver, praticamente descarregou-o, pois a arma possuía, ao
todo, seis balas.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Cleóbulo, apresente a peça pertinente.

PROBLEMA 14 (OAB/SP 135)


Luciano foi denunciado por ter, no dia 5 de junho de 2006, por volta das 00 h 30 min, em frente
à Igreja São Judas Tadeu, no bairro Moema, São Paulo – SP, desferido, com intenção de matar,
disparos de arma de fogo contra Eduardo, os quais, por sua natureza e sede, foram a causa
eficiente da morte deste, razão pela qual Luciano estaria incurso nas penas do art. 121, caput, do

121
Código Penal (CP). Após regular trâmite, sobreveio a decisão de pronúncia, determinando que
Luciano fosse submetido a júri popular, segundo a capitulação da denúncia. No dia do
julgamento, terminada a inquirição das testemunhas, o promotor de justiça deu início à produção
da acusação. Durante sua explanação perante o conselho de sentença, com o fito de influenciar o
ânimo dos julgadores quanto à conduta pretérita de Luciano, o promotor mostrou aos jurados,
sem a concordância da defesa, documentos relativos a outro processo, no qual o réu Luciano era
acusado de crime de homicídio qualificado praticado em 2/5/2005. Salientou, ainda, o órgão
ministerial que os jurados deveriam “pensar o que quisessem” acerca da recusa, pela defesa, da
produção da nova prova. Finda a acusação, foi dada a palavra ao defensor, que pediu ao
magistrado o registro, em ata, de que o promotor de justiça havia mostrado aos jurados
documentos relativos a outro processo a que respondia o réu, a despeito da discordância da
defesa. O pleito defensivo foi deferido. Ademais, tratou a defesa das questões de mérito, bem
como advertiu os jurados acerca da primariedade do réu. Por fim, Luciano foi condenado, pelo
Tribunal do Júri de São Paulo/SP, como incurso no art. 121, caput, do CP, à pena de 7 anos de
reclusão, que deveria ser cumprida em regime inicialmente fechado. Considerando a situação
hipotética descrita, formule, na condição de advogado(a) contratado(a) por Luciano, a peça —
diversa de habeas corpus — que deve ser apresentada no processo.

PROBLEMA 15 (OAB/MG 2007)


Frank Henrique, brasileiro, casado, empresário estabelecido na cidade de Betim MG, foi
indiciado pelo suposto delito de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens ou valores (Lei n.
9.613/98), em procedimento que se acha em curso sem que tenha havido o oferecimento da
denúncia. Por ocasião do cumprimento de decisão judicial, foi apreendido um veículo Audi A-3
Turbo e um Jeep Ford Willys ano 1970. A medida, efetivada em janeiro de 2007, bloqueou ainda
todos os seus ativos financeiros e imobiliários, situação que permanece até a presente data,
embora a correspondente ação penal não tenha sido intentada.
Em agosto do ano em curso, você requereu o levantamento da referida medida assecuratória,
oportunidade em que o magistrado, justificando a necessidade de sua permanência, indeferiu o
pedido, determinando a publicação do ato, o que ocorreu na quinta-feira última.
Pede-se: Elaborar a petição de interposição e as razões recursais, com o devido e completo
encaminhamento.

EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

PROBLEMA 1 (OAB/SP 111)


Teodósio, nascido em 20 de setembro de 1980, subtraiu para si, de um supermercado, um queijo
importado, duas latas de refrigerante e um tablete de chocolate, avaliados em R$ 25,00 (vinte e
cinco reais). Denunciado pelo Ministério Público e após regular instrução criminal foi, a final,
condenado à pena de 01 (um) ano de reclusão, sendo-lhe concedido o benefício do sursis por 02
(dois) anos. Inconformado, o acusado recorreu. Julgado o recurso pelo Tribunal competente, a
sentença foi mantida por maioria de votos, sendo que o Magistrado vencido, embora mantivesse
a condenação, reduzia a reprimenda para 08 (oito) meses de detenção em razão do privilégio
disposto no próprio tipo penal, convertendo a pena corporal em restritiva de direitos, em face do
artigo 44 do C. P. O acórdão foi publicado há três dias.
QUESTÃO: Como advogado(a) de Teodósio, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 120)


"A", com 21 anos de idade, dirigia seu automóvel em São Paulo, Capital, quando parou para
abastecer o seu veículo. Dois adolescentes, que estavam nas proximidades, começaram a
importuná-lo, proferindo palavras ofensivas e desrespeitosas. "A", pegando no porta-luvas do
carro seu revólver devidamente registrado, com a concessão do porte inclusive, deu um tiro para

122
cima, com a intenção de assustar os adolescentes. Contudo, o projétil, chocando-se com o poste,
ricocheteou, e veio a atingir um dos menores, matando-o. "A" foi denunciado e processado
perante a 1.ª Vara do Júri da Capital, por homicídio simples – art. 121, caput, do Código Penal. O
magistrado proferiu sentença desclassificatória, decidindo que o homicídio ocorreu na forma
culposa, por imprudência, e não na forma dolosa. O Ministério Público recorreu em sentido
estrito, e a 1.ª Câmara do Tribunal competente reformou a decisão por maioria de votos,
entendendo que o crime deveria ser capitulado conforme a denúncia, devendo "A" ser enviado ao
Tribunal do Povo. O voto vencido seguiu o entendimento da r. sentença de 1.º grau, ou seja,
homicídio culposo. O V. acórdão foi publicado há sete dias.
QUESTÃO: Como advogado de "A", elabore a peça adequada.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

PROBLEMA (OAB/SP 124)


O juiz, ao proferir sentença condenando João por furto qualificado, admitiu, expressamente, na
fundamentação, que se tratava de caso de aplicação do privilégio previsto no parágrafo segundo,
do art. 155 do Código Penal, porque o prejuízo da vítima era de R$ 100,00 (cem reais), devendo,
em face de sua primariedade e bons antecedentes, ser condenado à pena mínima. Na parte
dispositiva, fixou como pena a de reclusão de 2 (dois) anos, substituindo-a por uma pena
restritiva de direito e multa, fixando regime inicial aberto.
QUESTÃO: Diante do inconformismo de João com essa condenação, como seu advogado, tome
as providências cabíveis para a sua defesa e redija a peça processual adequada.

HABEAS CORPUS

PROBLEMA 1 (OAB/SP 112)


Protágoras encontra-se preso há 18 dias em virtude de auto da prisão em flagrante, lavrado por
infração ao artigo 250, parágrafo 1º, inciso I, do Código Penal. O laudo do instituto de
criminalística ainda não foi elaborado, estando o inquérito policial aguardando a sua feitura. O
juízo competente, que se encontra na posse da cópia do auto da prisão em flagrante, indeferiu o
pedido de relaxamento desta, por excesso de prazo, sob o fundamento de que a gravidade do fato
impõe a segregação de Protágoras.
QUESTÃO: Com o objetivo de conseguir a liberdade de Protágoras, elabore a peça profissional
condizente.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 113 - ADAPTADO)


"A" é titular da empresa ABC Produtos Veterinários, que atua na distribuição de medicamentos
na cidade de São Paulo. Seus vendedores "B" e "C", contrariando normas da empresa e sem o
conhecimento de "A", mediante o uso de notas fiscais falsas, efetuaram vendas de produtos para
"D", "E" e "F", recebendo os valores e não entregando as mercadorias. Após regular inquérito
policial, o Promotor de Justiça em exercício na 1ª Vara Criminal da Capital denunciou somente
"A" por estelionato na forma continuada, porque seria o proprietário da empresa, requerendo o
arquivamento em relação a "B" e "C". O Meritíssimo Juiz recebeu a denúncia, estando designado
o dia 03 de julho de 2008 para interrogatório. "A" não preenche os requisitos para beneficiar-se
da Lei Federal 9.099/95.
QUESTÃO: Adotar a medida judicial cabível em favor de "A", justificando.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 116 - ADAPTADO)


José da Silva foi condenado por violação do artigo 33, caput, da Lei Federal no 11.343/06, à
pena de 5 anos de reclusão. Tendo ocorrido o trânsito em julgado, eis que não apelou da decisão
de primeiro grau. Está recolhido na Penitenciária local. Compulsando-se os autos, verifica-se que

123
a materialidade do delito está demonstrada pelo auto de constatação que instruiu o auto de prisão
em flagrante delito, conforme, aliás, frisado pelo MM. Juiz sentenciante da 1a Vara Criminal da
Capital. A substância entorpecente já foi incinerada.
QUESTÃO: Como advogado de José da Silva, busque sua libertação.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 118)


Antonio é presidente de um grande clube local, com mais de três mil sócios, onde existem
piscinas, salão de festas, campo de futebol, etc. O clube é freqüentado por muitos jovens da
localidade. No mês de dezembro de 2001, o garoto Cipriano, sem perceber que o nível da água
de uma das piscinas estava baixo, lá jogou-se para brincar. Ao mergulhar, Cipriano bateu a
cabeça no fundo da piscina e veio a falecer. O presidente do clube, Antonio, agora, está sendo
processado criminalmente perante a 1 a Vara Criminal da Capital, em razão da aceitação da
denúncia formulada pelo Ministério Público, acusando-o da prática da figura prevista no artigo
121, parágrafo 3º , do Código Penal. Antonio não aceitou a suspensão processual, que lhe foi
proposta pelo Órgão Ministerial. A ação penal está tramitando.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Antonio, atue em favor do constituinte.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 120)


O cidadão "A" viajava de avião de carreira do Rio de Janeiro para São Paulo no mês de agosto de
2005 quando, na aproximação da Capital, passou a importunar a passageira "B", chegando a
praticar vias de fato. Em virtude destes fatos, "A", ao desembarcar, foi indiciado em inquérito,
como incurso no artigo 21 da Lei das Contravenções Penais – "vias de fato". Os fatos ocorreram
a bordo de aeronave, e assim entendeu-se de processar "A" perante a Justiça Federal, tendo este
sido condenado pela 1.ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária da Capital, à pena de 15 dias
de prisão simples, com concessão de sursis. O acusado não aceitou nenhum benefício legal
durante o processo. A r. sentença condenatória já transitou em julgado.
QUESTÃO: Elabore a peça cabível em favor de "A".

PROBLEMA 6 (OAB/SP 124)


Policial civil ingressou, sem mandado judicial, na residência de João, e nela apreendeu
documento público que, submetido à perícia, constatou-se ser falso, vindo por isso João a ser
denunciado como incurso no artigo 297, caput, do Código Penal. A denúncia foi recebida pelo
juiz.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual de sua defesa.

PROBLEMA 7 (OAB/SP 125)


O Ministério Público pleiteou a colocação de A, que cumpre pena pelo crime de seqüestro, no
regime disciplinar diferenciado, com base no artigo 52 da Lei de Execução Penal, pelo período
máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias. O juiz indeferiu o pedido porque, no seu
entendimento, o regime disciplinar diferenciado, na forma em que foi definido, fere princípios
constitucionais. Intimado da decisão, o Ministério Público interpôs agravo, juntando suas razões,
após ter decorrido o prazo de oito (dias), requerendo que fosse seguido o rito do agravo de
instrumento do Código de Processo Civil. Processado o recurso, o Tribunal de Justiça deu
provimento ao agravo e determinou a inclusão do preso no regime diferenciado.
QUESTÃO: Como advogado de A, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 127)


João, definitivamente condenado, estava cumprindo pena privativa de liberdade em regime
aberto. Foi acusado, em novo processo, ainda não sentenciado, de roubo qualificado pelo
emprego de arma e concurso de agentes. Chegando ao conhecimento do Juiz das Execuções

124
Criminais a existência deste processo, ele revogou imediatamente, de ofício, o regime aberto e
determinou a regressão de João para regime fechado. João foi intimado da decisão e deu ciência
ao seu advogado.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 127)


O Delegado de Polícia representou ao Juiz de Direito a fim de que fosse decretada a prisão
temporária de João, alegando que ele estava sendo investigado por crimes de estelionato e furto e
se tratava de pessoa sem residência fixa, sendo a sua prisão imprescindível para as investigações.
O juiz, após ouvir o Ministério Público, decretou a prisão temporária por 5 (cinco) dias,
autorizando, desde logo, a prorrogação da prisão por mais 5 (cinco) dias, se persistissem os
motivos que levaram à sua decretação. Foi expedido mandado de prisão. Sem ser preso, João
soube da decisão e procurou um advogado para defendê-lo.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 10 (OAB/SP 128)


José, advogado, foi denunciado como incurso no artigo 288, parágrafo único, c.c. artigo 157, §
2o, incisos I e II, todos do Código Penal, porque estaria associado com A, B e C para a prática de
crimes de roubo de veículos com a utilização de armas. Pela denúncia, a sua participação
consistia em estimular os autores materiais dos crimes à prática dos delitos, garantindo-lhes que,
com sua atuação profissional, conseguiria livrá-los de eventual prisão e condenação. Oferecida a
denúncia, o Promotor de Justiça requereu a sua prisão preventiva para garantia da ordem pública,
argumentando que os crimes de roubo, na atualidade, causam grande insegurança social e que o
acusado, na sua condição de advogado, não poderia agir de forma a incentivar a prática de tais
delitos. O juiz, apenas repetindo os argumentos expostos pelo membro do Ministério Público,
decretou a prisão preventiva. José foi preso e colocado em cela comum, com outros presos
provisórios, apesar de, em petição, sustentar perante o juiz que isso não podia ocorrer em face de
sua condição de advogado.
QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 129)


João, sócio da firma “Antenados”, revendedora de componentes eletrônicos, foi denunciado,
nesta capital, em 05 de dezembro de 2005, por crime previsto no artigo 1.°, inciso II, da Lei n.o
8.137/90, acusado de ter fraudado a fiscalização tributária, omitindo operação de compra e venda
em livro contábil. O MM. Juiz da _Vara Criminal da Comarca da Capital recebeu a denúncia.
Em seu interrogatório, João alegou que a operação inexistiu e que o débito fiscal era objeto de
impugnação em recurso administrativo, ainda pendente de julgamento, interposto perante o
Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo, comprovando tal alegação com certidão
emitida pelo referido Tribunal.
QUESTÃO: Como advogado de João, escolha o melhor meio para a sua defesa. Redija a peça.

MANDADO DE SEGURANÇA

PROBLEMA 1 (OAB/SP 119)


Antenor teve seu veículo subtraído e posteriormente localizado e apreendido em auto próprio,
instaurando a autoridade policial regular inquérito, já que estabelecida a autoria. Requereu a
liberação do veículo, indiscutivelmente de sua propriedade, o que foi indeferido pelo delegado de
polícia civil local, a afirmação de que só será possível a restituição depois do processo penal
transitar em julgado, conforme despacho cuja cópia está em seu poder.
QUESTÃO: Como advogado de Antenor, agir no seu interesse.

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PROBLEMA 2 (OAB/SP 123 - ADAPTADO)
João Alves dos Santos, por estar indiciado pela prática de crime de roubo, procurou advogado
para atuar em sua defesa. Este dirigiu-se à Delegacia de Polícia na data de ontem e solicitou os
autos de inquérito para exame. O Delegado de Polícia, todavia, não lhe permitiu o acesso aos
autos porque a investigação era sigilosa.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique a medida cabível e de forma fundamentada
postule o que for adequado ao caso.

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

PROBLEMA 1 (OAB/SP 110)


Ésquines foi denunciado e está sendo processado por infração ao artigo 159 do Código Penal
porque, mediante grave ameaça exercida com arma de fogo, seqüestrou Demóstenes, empresário,
exigindo de sua família, como condição para sua libertação, a importância de R$ 100.000,00
(cem mil reais). Foi autuado em flagrante delito no momento em que pegava o dinheiro deixado
em local previamente combinado e a vítima foi encontrada ilesa.
O acusado encontra-se preso, por força da flagrância delitiva, há mais de 180 (cento e oitenta
dias) e ainda não se encerrou a instrução criminal, uma vez que o representante do Ministério
Público insiste na oitiva de duas testemunhas que devem ser ouvidas através de Carta Precatória,
por residirem em outro Estado.
Requerido o relaxamento do flagrante ao Juízo processante, foi o mesmo indeferido, ensejando
interposição de ordem de Habeas Corpus ao Tribunal competente. O Tribunal denegou a ordem
requerida fundamentando o V. acórdão no fato de que a gravidade da infração se sobrepõe ao
eventual excesso de prazo, desconfigurando o alegado constrangimento ilegal.
Como advogado de Ésquines, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 114)


João, investigador de polícia, está preso no Presídio Especial da Polícia Civil de São Paulo, por
força de auto de prisão em flagrante delito, e denunciado por violação do artigo 316, do Código
Penal, sendo certo que teve concedida a fase do artigo 514, do Código de Processo Penal, e os
prazos legais estão sendo observados. É primário, tem residência fixa e exerce atividade lícita. O
Meritíssimo Juiz de primeira instância negou a liberdade provisória com fiança, alegando apenas
e tão-somente "ser o crime muito grave", enquanto a Egrégia 1a Câmara do Tribunal de Justiça
de São Paulo, por maioria de votos, denegou a ordem de habeas corpus que fora impetrada,
usando do mesmo argumento, conforme consta do Venerando Acórdão hoje publicado.
QUESTÃO: Como advogado de João, adotar a medida judicial cabível.

PROBLEMA 3 (OAB/MT 2007.1 - ADAPTADO)


João Silva, brasileiro, taxista, residente na Rua Madre Tereza n.º 167, Brasília – DF, foi
denunciado em 2 de fevereiro de 2007 pela prática de estelionato. Foi interrogado em juízo em
14 de março de 2007, sem que o ato fosse presenciado por qualquer pessoa habilitada a exercer a
denominada defesa técnica. O representante do Ministério Público também estava ausente.
Consta do termo de audiência que o acusado dispensou a entrevista prévia com o defensor
nomeado.
Durante a instrução processual, João Silva foi regularmente assistido por profissional habilitado
na OAB.
João Silva foi condenado a 3 anos de reclusão.
Interposto o recurso de apelação para o TJDFT, restou improvido.
Impetrado habeas corpus para o mesmo tribunal, requerendo-se a concessão da ordem para que o
processo fosse anulado desde o interrogatório, inclusive, foi a ordem denegada por acórdão
assim ementado:

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Processo Penal. Habeas corpus. Interrogatório do réu. Defensor ausente por haver sido
dispensado pelo próprio réu. Feito sentenciado. Possível nulidade não alegada na defesa prévia,
nas alegações finais nem nas razões do recurso de apelação.
1. Mesmo considerando que, no processo penal, o princípio do contraditório tenha natureza
efetiva, real, não se verifica, no caso concreto, vício insanável a macular de forma grave e
irreversível o ato processual realizado em descompasso com a exigência legal.
2. Por outro lado, foi o próprio paciente quem dispensou a entrevista com o defensor nomeado,
não lhe sendo possível, posteriormente, argüir possível nulidade de ato a que deu causa, como
preceitua o art. 565 do Código de Processo Penal.
3. De mais a mais, rememore-se que tal possível nulidade não foi agitada no momento processual
oportuno — as alegações finais, art. 403, §3º, do CPP —, como exige o art. 571, inciso II, do
mesmo Código de Processo Penal.
4. Por último: estando sentenciado o processo, resta superada a alegação de nulidade, sobretudo
porque não utilizadas as fases que a lei reserva para esse fim.
5. Ordem de habeas corpus denegada.
Diante da denegação da ordem de habeas corpus, na qualidade de advogado, interponha o
recurso cabível em favor de João Silva, tendo em conta os fatos narrados e a legislação
pertinente.

RECURSO ESPECIAL

PROBLEMA (OAB/MG 1998)


Levado Joaquim da Silva Xavier, brasileiro, casado, comerciante, residente e domiciliado nesta
cidade, a julgamento pelo Tribunal do Júri por crime de homicídio simples (art. 121 do CP)
contra Salim Al Fayed, o MM. Juiz-Presidente, concluídos os debates, indeferiu o pedido de
esclarecimentos sobre matéria fático-probatória solicitados por um dos jurados, ao entendimento
de que os mesmos eram desnecessários.
Ao final, o réu, seu cliente, restou condenado à pena de sete (7) anos de reclusão.
Em sede de apelo, argüiu você tão somente a nulidade do julgamento, visto não ter o juiz dado
ou mandado dar os esclarecimentos solicitados pelo jurado em questão.
A turma julgadora do Tribunal de Justiça do Estado negou provimento ao recurso, mantendo,
pois o decisum de primeiro grau, porquanto entendeu que tais esclarecimentos se
consubstanciam em prerrogativa do juiz, faculdade dele, cabendo-lhe, portanto, decidir de sua
necessidade ou não.
Opostos embargos declaratórios, com vistas apenas a reforço do imprescindível
prequestionamento, viram-se os mesmos rejeitados.
Maneje, agora, o recurso que achar pertinente, redigindo a peça profissional

RECURSO EXTRAORDINÁRIO

PROBLEMA
Zé Ninja foi processado por infração ao art. 121, § 2º, II e IV, do CP perante o 1º Tribunal do
Júri, restando absolvido da imputação. Inconformado, o Promotor de Justiça recorreu e a 3ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso por unanimidade de votos,
afirmando que os jurados decidiram manifestamente contrária à prova dos autos. É certo que a
prova é amplamente favorável a Zé Ninja. A matéria foi prequestionada em embargos de
declaração.
QUESTÃO: Como advogado de Zé Ninja, adote o recurso cabível.

REVISÃO CRIMINAL

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PROBLEMA 1 (OAB/SP 109)
João da Silva foi condenado, por sentença transitada em julgado, a cumprir 06 (seis) anos de
reclusão em regime prisional fechado, como incurso nas sanções do artigo 213 caput do Código
Penal, eis que teria constrangido Maria Soares à conjunção carnal mediante grave ameaça.
Decorrido 01 (um) ano do trânsito em julgado e encontrando-se João em cumprimento de pena,
Maria confidenciou à sua amiga Joana Gonçalves que antes dos fatos, já namorava João e que
com ele havia mantido relacionamento sexual por sua própria vontade. Relatou também, que o
acusou de crime, porque João rompera definitivamente com o namoro. Joana Gonçalves
imediatamente procurou os familiares de João transmitindo-lhes os fatos que integram a
justificação criminal já realizada.
QUESTÃO: Como advogado de João da Silva tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 121)


José, funcionário público com 38 anos de idade, casado, pai de três filhos, estava trabalhando em
presídio da Capital, quando inesperadamente ocorreu uma rebelião. Alguns detentos estavam
muito agitados, e por ordem de um superior, José imobilizou dois deles, com ataduras de pano,
fazendo-o com o devido cuidado para não os machucar. Após hora e meia, José soltou os
detentos, pois estes se mostravam calmos, e foram levados para a realização de exame de corpo
de delito, que apurou lesões bem leves, causadas pela própria movimentação dos presos. Mesmo
assim, ambos os detentos disseram que foram torturados por José. Diante desses fatos, José foi
processado e acabou sendo condenado pelo crime de tortura, previsto na Lei 9.455, de 7 de abril
de 1997, artigo 1.º, inciso II, parágrafo 4.º, inciso I, à pena de três anos de reclusão, mais a perda
de função pública. José está preso e a r. sentença já transitou em julgado. Agora, um dos
condenados foi colocado em liberdade e procurou a família de José, dizendo que foi obrigado
pelo outro preso a dizer que tinha sido torturado, mas a verdade é que José inclusive fez de tudo
para não os ferir. Como o outro detento não gostava de José, havia inventado toda a estória,
obrigando-o a mentir. Esta declaração foi colhida numa justificação criminal.
QUESTÃO: Como novo advogado de José, produzir a peça cabível que atenda o seu interesse.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 122)


Mário, após violenta discussão com Antônio, agride-o com um cano, causando-lhe ferimentos,
ato presenciado por duas testemunhas. Durante o inquérito policial, depois do primeiro exame
em Antônio, realizado 15 (quinze) dias após o fato, ele foi intimado para comparecer após 90
(noventa) dias, tendo os peritos, com base em informes do ofendido e de registros hospitalares,
pois desaparecidos os vestígios, afirmado a incapacidade para as ocupações habituais por mais de
30 (trinta) dias. Concluído o inquérito, Mário foi denunciado e condenado nas penas do artigo
129, parágrafo 1.º, n.º I, do Código Penal. O acusado Mário e seu advogado deixaram escoar o
prazo para impugnação da sentença.
QUESTÃO: Como novo advogado, o que faria em favor de Mário? Redija a peça.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 128)


José, funcionário do Banco do Brasil, moveu ação contra o banco, em razão de descontos ilegais
efetuados pela instituição em sua folha de pagamento, no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos
reais). A ação foi julgada procedente. A sentença transitou em julgado no dia 10 de março de
2005. Já na fase de execução, após dois meses, no dia 11 de maio do mesmo ano, José, em
virtude de sua atividade no Banco do Brasil, recebera a quantia de R$ 2.500,00 (dois mil e
quinhentos reais) para o pagamento de serviços de manutenção do prédio onde o banco estava
instalado. Em posse do numerário, resolveu ficar com parte do dinheiro, no valor exato de seu
crédito, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), utilizando o restante, R$ 1.000,00 (mil reais), para
parcial pagamento dos referidos serviços. Em 15 de junho de 2005, José foi denunciado como
incurso no artigo 312, “caput”, do Código Penal. A denúncia, sem que José fosse notificado para

128
eventual resposta, foi recebida em 20 de junho de 2005. Na instrução criminal, ouvido José, este
confirmou o fato, dizendo, contudo, que somente queria receber seu crédito para cobrir despesas
pessoais e familiares. Foram ouvidos, também, funcionários do banco que confirmaram o fato.
Superadas as fases dos artigos 402 e 403 do CPP, o MM. Juiz da 23a Vara Criminal da comarca
da Capital condenou José pelo crime de peculato, fixando a pena privativa de liberdade em 2
(dois) anos de reclusão, a ser cumprida em regime aberto, e a de multa em 10 dias-multa, no
valor de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo cada. A pena privativa de liberdade foi
substituída por duas penas restritivas de direitos (prestação de serviços à comunidade e multa).
As partes, Ministério Público e acusado, não apelaram. A decisão transitou em julgado no dia 20
de janeiro de 2006. Intimado para o cumprimento das penas, José procurou um novo advogado
para examinar sua situação e saber o que poderia ser feito.
QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 132) João foi processado e condenado à pena de 2 anos de


reclusão, cumprida em regime aberto, com o respectivo trânsito em julgado, pela prática de
estelionato majorado, previsto no artigo 171, § 3.º, do Código Penal, em face de um golpe
financeiro que teria, mediante ardil, induzido em erro e gerado prejuízos a entidade de direito
público localizada no centro da cidade de São Paulo. Passados dois meses após o trânsito em
julgado da decisão condenatória, surgem novas provas reconhecendo que, na realidade, a
entidade de direito público não teve qualquer prejuízo econômico em face da conduta de João.
QUESTÃO: Como advogado de João, ajuíze a peça pertinente.

AGRAVO EM EXECUÇÃO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 115)


"A", com 35 anos de idade, professor de natação, convidou uma de suas alunas de nome "B", de
23 anos, moça de posses, para tomar um suco após a aula. Quando se dirigiam ao barzinho,
passaram por um bosque e "A", usando de violência, estuprou "B". Neste momento, policiais
militares que passavam por ali ouviram os gritos de "B" e efetuaram a prisão em flagrante de
"A". "A" foi processado pelo artigo 213 do Código Penal, sendo que "B" moveu uma ação
privada contra "A". Durante o processo, "A" não expressou humildade e até disse que "a vítima
na verdade gostou". "A" está cumprindo pena, já tendo descontado mais de 2/3 da reprimenda
carcerária. Agora, após tantos anos na cadeia, indenizou a vítima, tem ótimo comportamento
prisional, boa laborterapia e inclusive subsiste do seu trabalho, tendo recebido elogios do Diretor
da Unidade Prisional. Requereu o seu livramento condicional, sendo o exame criminológico
favorável, o mesmo ocorrendo com o parecer do Conselho Penitenciário. Porém, o Juiz da Vara
competente, impressionado com a gravidade do caso e ainda influenciado pela frase que a vítima
na verdade teria gostado, dita por "A" na época do processo, entendeu prematuro o benefício e
indeferiu a postulação. A r. decisão que indeferiu o benefício foi prolatada hoje.
QUESTÃO: Produzir a peça cabível na espécie, em favor de "A", direcionada ao Órgão
Judiciário ad quem.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 119)


Tertuliano da Silva foi definitivamente condenado à pena de 6 anos de reclusão, em regime
inicial fechado, por infração ao artigo 157 do Código Penal, praticada em 29 de janeiro de 2000.
Acha-se condenado, também, em outros dois processos, com trânsito em julgado, às penas de 5
anos e 4 meses e 6 anos e 2 meses de reclusão, de igual modo por infração ao artigo 157 do
Código Penal, cujos fatos ocorreram, respectivamente, em 10 de janeiro e 15 de fevereiro de
2000, no mesmo bairro. Requereu junto ao Juiz da Vara das Execuções a unificação de penas,
que foi indeferida, ao fundamento de que o sentenciado agiu reiteradamente de forma criminosa.
A decisão foi publicada no Diário Oficial há dois dias e o condenado foi intimado ontem.

129
QUESTÃO: Como advogado de Tertuliano da Silva, cometa a ação pertinente.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 130)


João, condenado definitivamente por vários crimes de homicídio qualificado, roubo, latrocínio e
seqüestro, a 156 (cento e cinqüenta e seis) anos de reclusão, iniciou o cumprimento de sua pena
no dia 01.09.2006. Sob o argumento de que ele pertenceria a organização criminosa, o Ministério
Público, no dia 04.09.2006, requereu sua colocação em regime disciplinar diferenciado pelo
prazo de três anos. O juiz, no dia 05.09.2006, sem ouvir o sentenciado, acatou o pedido, e
determinou o encaminhamento de João para penitenciária destinada ao cumprimento da pena no
regime disciplinar diferenciado.

PROBLEMA 4 (OAB/MG 2003)


EUSTÁQUIO DA SILVA foi condenado a 5 anos de reclusão, em regime fechado, pela prática
do crime de tráfico de entorpecentes. Desde então, vem ele cumprindo pena na Penitenciária
Nélson Hungria, localizada na cidade de Contagem-MG. Faltando 8 meses para se concretizar o
prazo legal estabelecido para a obtenção de liberdade condicional, o condenado tomou
conhecimento de que poderia “descontar”, da pena restante, 180 dias trabalhados na faxina
interna daquela Instituição, devidamente comprovados pela respectiva certidão, o que foi
pleiteado ao Juízo da Execução Criminal de Contagem. No entanto seu pleito foi-lhe negado sob
o fundamento de que a remição seria impossível em face de o condenado ter sido punido por
falta grave. Observe-se, porém, que tal sanção disciplinar lhe fora imposta sem que se ouvisse o
condenado a respeito da indisciplina a ele imputada. No mesmo dia em que foi intimado da
sentença que indeferiu o pleito da remissão, o condenado entrou em contato com sua mãe, a fim
de que esta providenciasse um advogado para avaliar aquela decisão.
Suponha que você seja procurado pela genitora do condenado.
Em face do exposto, INTERPONHA a medida processual cabível para rever a dita decisão,
apresentando as razões recursais.

PROGRESSÃO DE REGIME

PROBLEMA (OAB/SP 132)


Carlos foi processado e condenado com trânsito em julgado pela prática de homicídio simples
(artigo 121, caput) praticado na cidade de Avaré, no ano de 2001, tendo sido condenado pelo
Juiz de Avaré à pena de 6 anos de reclusão a ser cumprida em regime fechado, em face de sua
condição de reincidente. Iniciada a execução de sua pena na Penitenciária de Avaré, passaram-se
exatos 2 anos desde o início do cumprimento da sua pena no regime fechado, ainda não
pleiteando Carlos qualquer benefício no âmbito da execução penal, não obstante o seu bom
comportamento na prisão e a existência da Vara de Execução na cidade de Avaré.
QUESTÃO: Como advogado de Carlos, faça a peça adequada.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

PROBLEMA (OAB/SP 109)


Manoel de Sassoferrato está condenado por homicídio qualificado a 12 (doze) anos de reclusão,
e encontra-se recolhido na Penitenciária do Estado de São Paulo. Não é reincidente. Em ação
própria na esfera cível reparou o dano. Já cumpriu mais de 2/3 (dois terços) da pena imposta,
sempre com excelente comportamento carcerário, aprendeu ofício e já tem emprego certo para
quando estiver em liberdade.
QUESTÃO: Como advogado de Manoel de Sassoferrato lance mão da medida cabível visando
sua libertação.

130
SEQUESTRO

PROBLEMA
Nos autos do inquérito policial, ainda vinculado ao juízo do Departamento de Inquéritos Policiais
da Capital de SP– DIPO –, ficou evidenciado que Graciliano, o autor do furto, logo após a sua
prática, adquiriu imóvel cujo valor coincide com o do numerário subtraído conforme escritura
lavrada em Cartório e registrada no serviço imobiliário competente.
QUESTÃO: Como advogado da vítima "B", atuar no escopo de obter o ressarcimento.

131
8. GABARITO.

RELAXAMENTO DE FLAGRANTE

PROBLEMA 1
Relaxamento da prisão em flagrante dirigido ao juiz da Vara do Júri, em razão da apresentação
espontânea (art. 317, CPP), que afasta o estado de flagrância.

PROBLEMA 2
Pedido de relaxamento da prisão em flagrante dirigido ao juiz de direito da Vara do Júri,
sustentando a ilegalidade da prisão, uma vez que a situação descrita não se encontra nas
hipóteses elencadas no art. 302, CPP, já que o preso foi encontrado uma semana após o crime,
sem que tenha, ao menos, sido perseguido.

PROBLEMA 3
Pedido de relaxamento da prisão em flagrante (art. 5º, LXV, da CF), formulado perante o Juízo
da ___ Vara Criminal da Comarca ________. Deve-se sustentar que o crime de tráfico de drogas,
na forma “fornecer”, é um crime instantâneo (e não permanente, como entendeu o delegado).
Sendo assim, não houve o flagrante impróprio ou quase-flagrante (art. 302, III, do CPP), vez que
NÃO houve perseguição logo após a prática da infração (os policiais prenderam o Requerente no
seu local de trabalho, no dia seguinte ao da acusação feita), NEM presunção de autoria do delito
(já que não foi encontrado nenhum objeto ou substância que o ligasse ao tráfico de drogas). Deve
ser pedido o relaxamento da prisão, com a expedição do alvará de soltura em favor do
requerente.

LIBERDADE PROVISÓRIA

PROBLEMA 1
Liberdade provisória com fiança, tendo em vista que o aborto tentado possui pena mínima de 2
anos em abstrato, se considerada a redução de 1/3 pela tentativa. Pode-se também, fazer o pedido
cumulado, pedindo a liberdade provisória sem fiança, apoiando-se no mérito pessoal do preso,
médico estabelecido que não vai oferecer risco para o processo e, subsidiariamente o
arbitramento da fiança.

PROBLEMA 2
O candidato deve fazer um pedido de liberdade provisória em favor de Daniel. Sabidamente,
ninguém deverá ser recolhido à prisão senão após o trânsito em julgado de sentença
condenatória. A custódia cautelar, desta forma, apenas é prevista nas hipóteses de absoluta
necessidade, conforme se depreende do artigo 5.º da Constituição Federal (incisos LXVI –
“ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com
ou sem fiança;” e LVII – “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória.”). Assim sendo, houve a necessidade de estabelecer institutos com
a finalidade de assegurar o regular desenvolvimento do processo, sem que ocorresse qualquer
prejuízo à liberdade do acusado. Na nossa legislação pátria, esse instituto é a liberdade
provisória. Para o deferimento da liberdade provisória, exige o estatuto processual a inocorrência
das hipóteses previstas nos seus artigos 311 e 312. Atualmente, somente se admite a
continuidade da segregação caso resulte demonstrada a sua necessidade diante da análise dos
requisitos objetivos e subjetivos que autorizam a prisão preventiva. No caso em análise, não
estão presentes os requisitos da prisão preventiva pois o requerente é primário e possui residência
fixa, nada indicando que, em liberdade, venha a ausentar-se do distrito da culpa, dificultando a
aplicação da lei penal, nem que venha a causar perturbações durante a instrução criminal,

132
dificultando a prova. Deve ser ressaltada, na resposta, a natureza do delito, pois não se trata de
crime no qual se tenha utilizado de violência ou grave ameaça. Por fim, deve ser requerida a
concessão de liberdade provisória mediante fiança, já que se trata de crime contra a economia
popular, e, nos termos do art. 325, § 2.º, nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime
contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal, não se aplica o disposto no art. 310 e
parágrafo único do Código de Processo Penal. Assim, a liberdade provisória somente poderá ser
concedida mediante fiança, por decisão do juiz competente e após a lavratura do auto de prisão
em flagrante. Ressalte-se que não incide na hipótese o art. 350 do CPP, pois não se trata de
requerente comprovadamente pobre.
Lei n.º 1.521, de 26 de dezembro de 1951
Art. 1.º - Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes e as contravenções contra a economia
popular. Esta Lei regulará o seu julgamento.
Art. 3.º - São também crimes desta natureza:
I - destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização legal, com o fim de determinar alta
de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-primas ou produtos necessários ao
consumo do povo;
CPP, Art. 325 - O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes
limites:
a) de 1 (um) a 5 (cinco) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida, no
grau máximo, com pena privativa da liberdade, até 2 (dois) anos;
b) de 5 (cinco) a 20 (vinte) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida
com pena privativa da liberdade, no grau máximo, até 4 (quatro) anos;
c) de 20 (vinte) a 100 (cem) salários mínimos de referência, quando o máximo da pena cominada
for superior a 4 (quatro) anos.
§ 1º - Se assim o recomendar a situação econômica do réu, a fiança poderá ser:
I - reduzida até o máximo de dois terços;
II - aumentada, pelo juiz, até o décuplo.
§ 2º - Nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime contra a economia popular ou de
crime de sonegação fiscal, não se aplica o disposto no Art. 310 e parágrafo único deste Código,
devendo ser observados os seguintes procedimentos:
I - a liberdade provisória somente poderá ser concedida mediante fiança, por decisão do juiz
competente e após a lavratura do auto de prisão em flagrante;
II - o valor de fiança será fixado pelo juiz que a conceder, nos limites de dez mil a cem mil vezes
o valor do Bônus do Tesouro Nacional – BTN, da data da prática do crime;
III - se assim o recomendar a situação econômica do réu, o limite mínimo ou máximo do valor da
fiança poderá ser reduzido em até nove décimos ou aumentado até o décuplo.
Ressalte-se que o candidato que propuser habeas corpus (peça não privativa de advogado), ou
qualquer outra peça, deve obter a nota zero no quesito raciocínio jurídico.

PROBLEMA 3
Deve ser elaborado pedido de liberdade provisória sem fiança, pois se trata de crime
inafiançável, dirigido ao juiz de uma das Varas Criminais Federais da Subseção Judiciária de
Belo Horizonte-MG, sustentando que em razão do mérito do preso não há motivo para
manutenção da prisão cautelar e pleiteando a concessão da liberdade provisória e a expedição do
competente alvará de soltura.

REVOGAÇÃO DE PRISÃO

PROBLEMA 1
Deve ser redigida uma petição de revogação de prisão preventiva. O candidato que fizer
liberdade provisória não deverá obter a pontuação máxima, por não ser esta medida a mais

133
correta tecnicamente. Observa-se que, na prática, é comum a confusão entre revogação da
preventiva e liberdade provisória, razão pela qual esta última será aceita, mas com a restrição
acima. Para FREDERICO MARQUES, a liberdade provisória é disciplinada pelo Código de
Processo Penal como "(...) medida de caráter cautelar em prol da liberdade pessoal do réu ou do
indiciado, no curso do procedimento, (...) para fazer cessar prisão legal do acusado ou para
impedir a detenção deste em casos em que o cacer ad custodiam é permitido". MIRABETE,
usando a expressão "custódia atual ou iminente", também ressalta a possibilidade do instituto em
estudo impedir a prisão. Segundo ele, a liberdade provisória "(...) substitui a custódia provisória,
atual ou iminente, com ou sem fiança, nas hipóteses de flagrante (arts. 301 a 310), em
decorrência da pronúncia (art. 408, § 1 º) e da sentença condenatória recorrível (art. 594) (...)" Já
TORNAGHI apresenta um conceito bem peculiar: "a liberdade provisória é uma situação do
acusado; situação paradoxal em que ele é, ao mesmo tempo, livre e vinculado. Livre de
locomover-se, mas vinculado a certas obrigações que o prendem ao processo, ao juízo e,
eventualmente, a um lugar predeterminado pelo juiz". Alguns autores, no entanto, dão uma maior
abrangência à liberdade provisória, entendendo que este instituto se identifica com a liberdade do
indivíduo contra qualquer prisão cautelar. Dentre eles está JOÃO JOSÉ LEAL, defensor de que a
liberdade provisória "(...)está relacionada com sua face repressiva, que é a prisão provisória ou
prisão cautelar e suas espécies: a prisão em flagrante, a prisão preventiva, a prisão temporária, a
prisão decorrente de sentença de pronúncia e a de sentença condenatória recorrível". Como
observa TORNAGHI, "(...) em relação à prisão preventiva, a lei brasileira se portou da seguinte
forma: se a prisão é absolutamente necessária, ela é permitida ou mesmo imposta e não pode ser
substituída pela liberdade provisória; se, ao contrário, a prisão não é de todo imprescindível, a
decretação dela constituiria abuso de poder. Não há que falar em substituí-la, pois seria substituir
uma coisa que não deve existir (...)". Assim, decretada a custódia preventiva, "(...) a
possibilidade de libertação do agente não se verificará através de liberdade provisória, mas de
revogação da medida cautelar de prisão preventiva (...)" . TOURINHO explica, na prática, essa
incompatibilidade: "(...) a preventiva é decretada para assegurar a aplicação da lei penal, por
conveniência da instrução criminal, da ordem econômica e como garantia da ordem pública
(CPP, art. 312). Assim, não teria sentido permitir-se-lhe a liberdade provisória mediante fiança,
mesmo ciente o Juiz de que o réu , ou indiciado, está preparando para fugir. Se o réu está
afugentando as testemunhas que devam depor contra ele, se está tentando subornar testemunhas
ou peritos, e o juiz lhe decreta a medida extrema, teria sentido pudesse ele lograr a liberdade
provisória mediante fiança?"(...). Em suma, em se tratando de prisão preventiva, ou é ela
revogada, desaparecendo a situação coercitiva (pressuposto básico da liberdade provisória), ou é
ela mantida. O delito de moeda falsa é previsto no Art. 289 do CP: Falsificar, fabricando-a ou
alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena -
reclusão, de 3 a 12 anos, e multa. Trata-se de crime formal, não sendo necessário que a moeda
seja colocada em circulação ou que venha a 2/7 causar dano a outrem. Para a caracterização do
crime em tela, é imprescindível a imitatio veritatis (imitação da verdade), ou seja, exige-se que a
cédula falsa tenha a eficácia de enganar o homem médio, induzindo a engano número
indeterminado de pessoas. Note-se que não se exige perfeição na imitatio veri, mas, é realmente
necessário que a coisa falsificada contemple as mesmas características exteriores da moeda
verdadeira. E, em não sendo preenchida tal exigência, fica afastado o crime em questão, abrindo-
se espaço para a tentativa de estelionato. A análise de todas essas circunstâncias tem como foco
principal determinar a competência para o processo e julgamento da infração. Ficando
configurado o crime do artigo 289 do CP, a competência cabe à Justiça Federal, em razão do
interesse da União. Por outro lado, diante da caracterização do estelionato, a competência será da
Justiça Estadual. Trata-se de disposição expressa, que se extrai da súmula 73 do STJ "A
utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato,
da competência da Justiça Estadual". Foi exatamente esse o entendimento firmado pelo STJ no
caso concreto objeto de estudo. De acordo com a Min. Relatora, como as cédulas eram aptas a

134
enganar o homem médio, não resta dúvidas que o crime é o do artigo 289 do CP, o que revela,
automaticamente, a competência da Justiça Federal para processá-lo e julgá-lo: 'Discute-se se a
falsificação de papel moeda é grosseira (Súm. n. 73-STJ) ou se o produto é capaz de passar por
cédulas autênticas, a fim de determinar a competência para processar e julgar o feito. Sob o
ponto de vista técnico, as cédulas são de baixa qualidade, mas capazes de passar por cédulas
autênticas, a depender do local e momento em que forem utilizadas. Para a min. Relatora, diante
dos elementos de convicção até então colhidos nos autos, apesar do parecer técnico, em tese, há a
configuração de delito definido no art. 289, § 1º, do CP, que, por lesar os interesses da União, é
de competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da CF/1988). Diante do exposto, a seção
declarou competente o juízo Federal. CC 79.889-PE, rel. Min. Jane Silva (desembargadora
convocada do TJ-MG), julgado em 23/6/2008. (Informativo 361 do STJ). Cabe ainda adentrar ao
mérito da medida decretada: não estão presentes os requisitos do art. 312 do CP. Na espécie,
efetivamente, não restou comprovada a indispensabilidade da medida cautelar para que os fins
processo sejam atingidos. A prisão de Mariano não demonstra-se como dado essencial para que a
prestação jurisdicional não se frustre quando da prolação da eventual sentença penal
condenatória. É ressabido que para externar-se a decretação da custódia preventiva devem
concorrer duas ordens de pressupostos: os denominados pressupostos proibitórios (o fumus
commisi delicti representado no nosso direito processual pela prova da materialidade do delito e
pelos indícios suficientes da autoria) e os pressupostos cautelares (o periculum libertatis,
representado na legislação brasileira pelas nominadas finalidades da prisão preventiva, trazidas
na parte inicial do art. 312 do estatuto processual penal). Para se ver decretada a medida coativa,
deve revelar-se no caso concreto uma das três finalidades expressas pela lei: a conveniência da
instrução criminal, o asseguramento da ordem pública ou a garantia da ordem pública. Na
espécie sequer um de tais pressupostos se encontra evidenciado.Vejamos: Com relação à
conveniência da instrução criminal, saliente-se que, tão logo teve notícia do procedimento
investigado contra si instaurado, o requerente compareceu ao órgão policial, onde ofereceu sua
versão sobre o caso, confessando o crime. Ademais, as testemunhas foram ouvidas e declararam
que não sofreram qualquer ameaça por parte do indiciado. Com referência ao asseguramento da
aplicação da lei penal, o requerente, em momento algum, buscou fugir à eventual
responsabilidade criminal, apresentando-se inclusive para depor sobre os fatos ocorridos, sendo
de salientar-se não ter qualquer pretensão de furtar-se aos ulteriores termos do processo. Lembra-
se que Mariano reside na capital há 20 anos. Também não está presente o requisito da garantia da
ordem pública, eis que se trata de réu primário e de bons antecedentes.. Não tem ele qualquer
passagem criminal anterior, em momento algum evidencia-se periculosidade na ação delitiva lhe
imputada, sendo de salientar-se ainda que não é possível vislumbrar-se a periculosidade do
acusado apenas pelo ato anti-social por ele praticado desde que unitariamente vislumbrado, não
podendo a custódia preventiva ser decretada tendo em linha de conta somente as conseqüências
do fato. Assim, em face do exposto, deve-se requerer a revogação da medida cautelar,
comprometendo-se Mariano a comparecer a todos os atos do processo.

QUEIXA-CRIME

PROBLEMA 1
Oferecimento de queixa-crime, com estrita observância do artigo 41 do CPP. Trata-se de ação
penal privada subsidiária da pública, em conformidade com o artigo 100 § 3º do CP em virtude
da inércia do Ministério Público em oferecer denúncia no prazo legal (requerimento endereçado
ao juízo de uma das Varas Criminais da Capital).

PROBLEMA 2
Deve ser redigida a queixa-crime, por ter Alfredo cometido o crime descrito no artigo 140, c.c.
art. 141, III, ambos do Código Penal (Injúria com aumento de pena). A inicial deve ser

135
endereçada ao Juiz do Juizado Especial Criminal de Betim, com procuração com poderes
especiais. O candidato deverá requerer seja o querelado processado e condenado como incurso
nas sanções do artigo 140, c.c. art. 141, III, ambos do Código Penal. Por fim, deve-se apresentar
o rol de testemunhas.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

PROBLEMA 1
Deve ser redigida Resposta à Acusação, com fundamento no art. 396-A do Código de Processo
Penal, endereçada ao MM. da 2ª Vara Criminal. Quanto às teses, deve ser levantada
preliminarmente a ilegitimidade de parte, pois o Ministério Público ofereceu denúncia sem a
devida representação da ofendida, já que se trata de crime de ação penal pública condicionada.
No mérito, sustentar que o fato narrado evidentemente não constitui crime, pois ausente qualquer
prova do constrangimento por grave ameaça, o que torna o fato atípico. O pedido deve ser de
anulação do processo e, no mérito, de absolvição sumária, com base no art. 397, III, do CPP.

MEMORIAIS (ALEGAÇÕES FINAIS)

PROBLEMA 1
Alegações finais sob a forma de memoriais, apresentadas perante o Juízo do Júri, invocando o
titulado crime impossível (artigo 17 do Código Penal); pois, houve ineficácia absoluta do meio
empregado.

PROBLEMA 2
Alegações Finais, com base no artigo 403, §3º, do CPP.
Endereçamento: Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 12ª Vara Criminal da Capital.
Conteúdo da peça: Abordar que o Ministério Público não tem razão, já que o crime é de uso de
documento falso. No caso, o acusado não estava portando o documento que também não foi
exibido (daí não haver uso). Como o documento foi "encontrado no armário", a conduta de "A" é
atípica.
Requerer: A improcedência da ação penal nos termos do artigo 386, III, do CPP.

PROBLEMA 3
Peça profissional adequada: Alegações finais de defesa.
Competência: Juiz de Direito da Vara do Júri
Argumento: Crime impossível, artigo 17 do Código Penal. Arma desmuniciada configura
ineficácia absoluta do meio. O fato não é punido, sequer, a título de tentativa. Pedido:
impronúncia por inexistência de crime, salientando que o Ministério Público equivocadamente
requereu a condenação, quando o correto seria a pronúncia.

PROBLEMA 4
Deverá ser cumprida a fase do artigo 403, §3º, do CPP, com a apresentação de alegações finais
perante o Juízo da 1ª Vara Criminal da Capital.
A postulação é de absolvição com fulcro no inciso I, do artigo 386, do CPP ("estar provada a
inexistência do fato"), expedindo-se alvará de soltura.
A prova reunida no processo não evidencia ter o réu ingressado em atos de execução, nos moldes
do tipo penal que lhe foi imputado (art. 157, "caput", do C.P.). O fato de contar com antecedentes
insalubres não tem o condão de conduzir o juiz para um decreto de reprovação.
A postulação ministerial vem firmada em suposição, que viola o princípio da presunção legal de
inocência.

136
PROBLEMA 5
Peça: alegações finais (art. 403, §3º, CPP). Dirigida ao juiz do processo.
Alegações possíveis:
a) nulidade do interrogatório em virtude da ausência do defensor;
b) requerimento para instauração de exame de dependência toxicológica;
c) absolvição – não basta a confissão, não foi reconhecido pela vítima, testemunhas não imputam
a ele o fato.

PROBLEMA 6
Alegações finais. Dirigida ao juiz de direito.
Fundamentos: pedido de absolvição, de nulidade e de afastamento da qualificadora do inciso I.
Absolvição - falta de provas suficientes para a condenação, observando-se que os testemunhos
são indiretos, não presenciais, não sendo suficiente a palavra do co-réu e o encontro do dinheiro;
nulidade pela realização do interrogatório de Antônio sem a presença do advogado de Luís e
ofensa ao contraditório. Afastamento das qualificadoras – não há prova de uso da arma e de que
os dois cometeram os crimes.

PROBLEMA 7
A peça consiste na apresentação dos memoriais de defesa, endereçados ao Juiz de Direito da
Vara do Júri da Comarca __________. A tese a ser sustentada é a ausência de indícios
suficientes de autoria, pleiteando-se a impronúncia do acusado, nos termos do art. 414, do CPP.

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

PROBLEMA 1
Trata-se de Recurso em Sentido Estrito em duas petições. A primeira de interposição endereçada
ao Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara do Júri da Capital, fundamentada no artigo 581,
inciso IV do Código de Processo Penal, sendo que nesta petição deverá constar o juízo de
retratabilidade. A segunda petição deverá ser endereçada ao Egrégio Tribunal de Justiça, sendo
que "A" agiu em estado de necessidade, nos exatos termos do artigo 24 do Código Penal,
podendo também ser suscitado o artigo 23, inciso I do Código Penal. Ao final o candidato deverá
postular a absolvição sumária com base no artigo 415 do Código de Processo Penal.

PROBLEMA 2
Trata-se de um recurso em sentido estrito, que deverá ser elaborado em duas petições:
A primeira, de interposição, no prazo de cinco dias, ao Juiz de Direito da 1ª Vara do Júri, com
fundamento no art. 581, IV do C.P.P. O juízo de retratação deverá ser observado pelo candidato.
A segunda, de razões em recurso de sentido estrito, deverá ser endereçada ao Tribunal de Justiça,
postulando-se a desclassificação para o crime de lesões corporais seguidas de morte – art. 129
parágrafo 3º do C.P. - para que o réu seja julgado perante uma vara singular.
Não houve dolo eventual no caso em tela, que autorizasse a imputação de homicídio doloso.
O recurso deverá ser fundamentado ao final, com o disposto no artigo 419 do C.P.P.

PROBLEMA 3
Peça – Recurso em sentido estrito.
Endereçamento –Tribunal de Justiça
Pedido – Alteração pelo juiz. Se mantida, reforma pelo tribunal. Finalidade: recebimento da
apelação e seu processamento.

137
Fundamento – Segundo forte corrente doutrinária e jurisprudencial, o assistente pode recorrer
para pleitear agravamento da pena. Ele atua como auxiliar do Ministério Público e não defende,
exclusivamente, interesse próprio de natureza civil.

PROBLEMA 4
Peça – Recurso em sentido estrito (art. 581, IV)
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – Afastamento das qualificadoras. Afastamento da qualificadora do motivo
fútil porque cuspir no rosto de outra pessoa pode configurar, até mesmo, crime de injúria, e não é
insignificante. Afastamento da qualificadora da traição porque não fora incluída na denúncia,
havendo necessidade de aditamento. Pode-se, também, pleitear a nulidade da pronúncia pela
inclusão da segunda qualificadora.

PROBLEMA 5
Recurso em sentido estrito
Habeas corpus (só para a declaração de nulidade)
Fundamento – Havia necessidade de suspensão do processo conforme dispõe o artigo 366 do
Código de Processo Penal. No mérito, há dúvida razoável sobre a autoria. O reconhecimento
fotográfico, apesar de admitido, não se prestaria à comprovação da autoria. A prova testemunhal
é controvertida, pois, enquanto uma afirma que o acusado era o autor dos disparos, outra
assevera que ele estava fora do país. Não é correto afirmar que, na decisão de pronúncia, vigora o
princípio “in dubio pro societate”, pois a dúvida razoável, em virtude do princípio do favor rei,
beneficia o acusado, mesmo em relação a essa espécie de decisão.

Pedido no Recurso em sentido estrito:


Preliminar - declaração de nulidade;
Mérito - impronúncia.

Pedido no habeas corpus: declaração da nulidade.

PROBLEMA 6
PEÇA: Recurso em Sentido Estrito
ENDEREÇAMENTO: Tribunal Regional Federal da 3ª Região
PEDIDO: Impronúncia de João pela não existência de indícios suficientes de que seja o réu o seu
autor, art.414, CPP.

PROBLEMA 7
A peça pertinente constitui na interposição do Recurso em Sentido Estrito perante o Tribunal de
Justiça de São Paulo, tendo como fundamento o artigo 581, inciso IV, do CPP, contrariando a
decisão de pronúncia proferida pelo juiz de Itu, vez que os fatos não configuram infração dolosa
já que não houve assunção do risco com indiferença quanto ao resultado, não sendo suficiente
para a caracterização do dolo a presença da assunção do risco, vez que obrigatória também a
indiferença quanto ao resultado, podendo o candidato alegar no recurso em sentido estrito pela
desclassificação por conduta culposa, negando o dolo eventual, destacando que o recurso em
sentido estrito é o recurso apropriado, já que não há informação de que o pronunciado está preso,
sendo admissível subsidiariamente o habeas corpus, caso o candidato considere que o
pronunciado esteja preso, sendo, entretanto, mais apropriado o recurso em sentido estrito.

PROBLEMA 8
Recurso em sentido estrito contra a decisão de pronúncia.
Dirigido ao juiz e ao tribunal.

138
Pedidos: absolvição sumária porque agiu em legítima defesa de sua propriedade, com remessa
dos autos ao juiz competente para o exame do crime conexo; afastamento das qualificadoras: não
agiu por motivo torpe, pois não sabia quem eram as pessoas que invadiram a sua casa; não houve
surpresa, pois é possível que o dono de uma residência reaja ao ingresso de pessoa estranha em
sua casa. Não se pode invocar mais, segundo doutrina atual, o princípio do in dubio pro societate
na pronúncia.

PROBLEMA 9
Tribunal competente – Tribunal de Justiça
Peça adequada – Contra-Razões de Recurso em Sentido Estrito (art. 581, I e 588 do C.P.P.)
Pontos a serem abordados – inépcia da inicial por falta do rol de testemunhas, por falta de
qualificação do indiciado e por fazer inserir circunstâncias totalmente divorciadas da realidade
(art. 41 e 395 do C.P.P.)
Crime prescrito – art. 109 + 107 C.P.

PROBLEMA 10
Trata-se de um Recurso em Sentido Estrito, com fundamento no art. art. 581, IX, do CPP,
dirigido ao Juiz da Vara Criminal de _________, com as razões direcionadas ao Tribunal de
Justiça. A tese a ser ventilada é a da extinção da punibilidade pela perempção (art. 60, I, do CPP
c/c art. 107, IV, do CP).

PROBLEMA 11
Deve ser interposto recurso em sentido estrito, conforme art.581, IV, do CPP, pelo advogado de
Cristiano, em face da sentença que o pronunciou como incurso nas penas do art. 121, § 2º, inciso
IV do CP. O recurso deve ser interposto para o próprio juiz sentenciante, que poderá retratar-se
da decisão de pronúncia ( ou poderá ser interposto diretamente no TJSP). As razões devem ser
dirigidas ao TJSP. O procedimento narrado no enunciado está de acordo com a Lei n.º
11.689/2008. A Lei n.º 11.689, publicada no Diário Oficial do dia 10 de junho do ano de 2008,
por certo marca o início de novos tempos para o processo penal, que deverá se adequar ao
disposto no inciso LXXVIII do artigo 5.º da Constituição da República de 1988, in verbis: "A
todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os
meios que garantam a celeridade de sua tramitação". De acordo com a novel legislação, o
magistrado, ao receber a denúncia ou a queixa (em caso de ação penal privada subsidiária),
deverá citar o acusado para apresentação de uma defesa escrita. Após apresentada a defesa do
acusado por seu procurador, constituído ou nomeado, e colhida a manifestação do Ministério
Público ou querelante acerca das preliminares e documentos juntados pelo réu, o magistrado, no
prazo de 10 dias, determinará a oitiva das testemunhas arroladas e a realização de demais
diligências pleiteadas pelas partes. Na audiência de instrução e julgamento serão colhidas as
declarações do ofendido, depoimentos das testemunhas de acusação e defesa, esclarecimentos de
peritos, e, somente por fim, será interrogado o réu, o que lhe garantirá maior possibilidade de
exercer em plenitude sua autodefesa uma vez que se pronunciará já ciente das demais provas
colhidas. A lei dispõe que encerrada a instrução, e ainda durante a audiência, se o magistrado se
convencer sobre a existência de elementares de crime não descrito na denúncia, promoverá a
mutatio libelli; se não for este o caso, colherá as alegações finais das partes de forma oral.
Colhidas as alegações, o magistrado deverá pronunciar, impronunciar, absolver o réu ou
desclassificar a conduta por ele praticada. No mérito, deve-se alegar ter o réu agido em legítima
defesa, repelindo agressão tida como injusta. É certo que a materialidade do crime se comprovou
por meio do laudo de exame de corpo de delito. Por outro lado, pelos depoimentos colhidos no
curso da instrução, verifica-se que o réu atuou amparado pela excludente de ilicitude da legítima
defesa. Com efeito, ao ser interrogado em juízo, o acusado narrou que havia atuado para se
defender da iminente agressão por parte da vítima. Disse, ainda, que apesar de ter desferido cinco

139
golpes na vítima, somente a atingiu no quinto golpe, momento em que ela caiu. Como se vê,
existe comprovação nos autos de apenas uma versão para os fatos, narrando haver o acusado
agido em legítima defesa. Para que se possa acenar com a legítima defesa, há de restar
demonstrada a presença concomitante de todos os pressupostos legalmente exigidos para sua
caracterização: a presença de injusta agressão, atual ou iminente, a um bem juridicamente
tutelado; a necessidade dos meios empregados na repulsa à suposta agressão; e a moderação com
que esses meios foram empregados, sem que se verifique excesso. E mais: esses elementos hão
de despontar, de forma inconteste, do arcabouço probatório. Assim sendo, no caso presente, a
legítima defesa restou evidenciada com a certeza exigida para seu acolhimento nesta fase
preambular.
Assim, dispõe o art. 23 do Código Penal:
"Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato:
(...)
II - em legítima defesa;
E, ainda, dispõe o art. 25 do Código Penal:
"Art. 25. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários,
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem".
Consoante se infere dos elementos probatórios colhidos nos autos, o denunciado efetuou cinco
golpes na vítimas, mas apenas um a atingiu, tão somente para se defender de uma agressão
injusta e iminente. Dessa forma, sequer se pode falar em crueldade ou em excesso de legítima
defesa. Observa-se que o irmão do denunciado, ainda que tenha sido ouvido em juízo sem prestar
o compromisso legal, descreveu com riqueza de detalhes a dinâmica dos fatos, por ser a única
pessoa que presenciou os fatos, razão pela qual deve ser valorado o seu depoimento. Outrossim,
a única testemunha de acusação não presenciou os fatos e apenas informou que conhecia o
acusado havia 5 anos, que o acusado tinha o hábito de beber, comumente se embriagando e
causando confusão nos bares da cidade. Havendo certeza quanto à ocorrência de legítima defesa,
deve o réu ser absolvido sumariamente, nos termos do art. 411 do CPP. Deve-se, ainda, caso não
atendido o pleito de absolvição sumária, na hipótese de o TJSP manter a sentença de pronúncia,
requerer a exclusão da qualificadora do meio cruel e do recurso que dificultou a defesa da vítima,
visto que estão em total descompasso com a prova coligida. Os Tribunais têm se manifestado no
sentido de prestigiar as qualificadoras dispostas na denúncia, as quais não devem ser extirpadas
na decisão de pronúncia, exceto quando em caráter raro e excepcional, comparecem
manifestamente improcedentes, numa flagrante demonstração de excesso de acusação, até
porque cabe ao Colendo Tribunal Popular do Júri, que é o juiz natural das causas criminais
contra a vida, de maneira sábia e soberana, decidir acerca da qualificadora ofertada na denúncia,
verificando a sua incidência, nos termos do art. 5º, XXXVIII, da Constituição Federal. No caso
em tela, porém, há fortes indicativos de que a vítima estava prestes a agredir o réu, daí porque
não se pode falar que a mesma fora atingida de surpresa, sem chances ou com grande dificuldade
para se defender do ataque. Do elenco probatório, produzido sob o crivo do contraditório, não se
colhe nenhum indício de traição, dissimulação, surpresa ou recurso similar, razão pela qual deve
ser afastada a respectiva qualificadora, a qual, se admitida, evidenciaria excesso de acusação.
Acrescenta-se que a vítima estava armada. Assim, a qualificadora arrolada pelo Ministério
Público está em manifesta e evidente contrariedade com as provas dos autos. Portanto, não deve
incidir a qualificadora do meio cruel, pois esta se baseia única e exclusivamente na reiteração de
golpes, restando certo que o réu não teve o propósito deliberado de causar sofrimento adicional à
vítima.

PROBLEMA 12
Deve ser interposto Recurso em Sentido Estrito perante o juiz perante o juízo da 1ª Vara
Criminal da Comarca de Porto Alegre, requerendo a retratação do magistrado. As razões devem
ser endereçadas ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, sustentando a atipicidade da

140
conduta, pois a emissão de cheques pré-datados descaracteriza a natureza de pagamento à vista,
inexistindo, portanto, fraude na sustação, que se deu por motivo justo, aliás. Se os cheques são
dados apenas como garantia de dívida, não se caracteriza a conduta descrita no art. 171, § 2º, VI,
do CP. O pedido deve ser para o trancamento do inquérito policial.

APELAÇÃO

PROBLEMA 1
Interposição e razões de recurso de apelação - competência do Tribunal de Justiça
Pedido de anulação do julgamento por deficiência dos quesitos.
Vício insanável do questionário, que independe de reclamação oportuna. (art. 564, parágrafo
único, do CPP).
A impetração de habeas-corpus deverá ser considerada errada e suficiente para a reprovação do
candidato.

PROBLEMA 2
Deverá ser apresentada, em 8 (oito) dias, nos termos do artigo 600, do Código de Processo Penal,
as razões de apelação. As razões são apresentadas no juízo "a quo", sendo que o arrazoado é
direcionado aos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Deverá ser requerida a reforma da sentença (ou provimento do recurso) para os fins de absolver o
apelante, nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal, já que atípica a
conduta de "A". O apelante não realizou as condutas núcleo do tipo que são "oferecer" ou
"prometer" vantagem indevida, mas deu a importância por imposição do funcionário, o que,
segundo Delmanto, "não há corrupção ativa, mas concussão praticada pelo funcionário".

PROBLEMA 3
A solução é a interposição do recurso de apelação perante o juízo de primeira instância, seguido
das razões endereçadas ao Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo.
Nas razões postular de forma mais ampla a absolvição do apelante, enquanto que
subsidiariamente (tese principal) pleitear a desclassificação do crime com base no artigo 29, § 2º,
1ª parte do Código Penal, pela participação idealizada em delito de menor gravidade.

PROBLEMA 4
Peça – Apelação
Endereçamento – Tribunal de Justiça.
Pedidos: crime único, desclassificação para tentativa de latrocínio e inconstitucionalidade do
regime integralmente fechado.
Fundamentos:
Crime único – Existe forte entendimento no sentido de que a morte do co-autor não serve para
afirmar a existência de concurso material, por ser ele sujeito ativo e não passivo do crime.
Desclassificação para tentativa de latrocínio – Embora haja súmula do Supremo Tribunal Federal
no sentido de que “há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize
o agente a subtração de bens da vítima” (Súmula 610), poderia ser sustentada a tese de tentativa
de latrocínio, aceita em alguns acórdãos, porque não houve a subtração.
Inconstitucionalidade do regime integralmente fechado – Há posicionamento no sentido de que a
fixação de regime integralmente fechado fere a garantia constitucional de individualização da
pena. Cuida-se de posição que, no momento, está sendo objeto de especial atenção do Supremo
Tribunal Federal, em sua nova composição.

PROBLEMA 5

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Peça – Apelação, com pedido de absolvição, com fundamento no art. 386, VI do Código de
Processo Penal e no art. 181, II, do Código Penal.
OUTRA ALTERNATIVA
Peça - Habeas corpus.
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – pedindo anulação da sentença, porque é isento de pena o filho que
comete crime contra pai, com menos de sessenta anos de idade (artigos 181, II e 183, III, do
Código Penal).

PROBLEMA 6
Apelação. Habeas corpus.
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – Redução da pena em face da impossibilidade de agravamento, o que
representou reformatio in pejus indireta.

PROBLEMA 7
Apelação
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Pedidos e fundamentos - No mérito, deveria sustentar a absolvição do acusado com base em
negativa de autoria, bem como em razão da dúvida ocasionada pelas condições em que a
testemunha de acusação o teria reconhecido (reconhecimento em período noturno; localização do
acusado no momento do reconhecimento - interior do veículo; tipo físico comum).
Subsidiariamente, deveria requerer o afastamento das qualificadoras. Quanto à qualificadora do
rompimento de obstáculo (art. 155, inciso I, do Código Penal), deveria argumentar que o
rompimento, para qualificar o crime de furto, deve ser efetuado contra o obstáculo que dificulta a
subtração da coisa e não contra a própria coisa. Quanto à qualificadora da escalada (art. 155,
inciso II, do Código Penal), deveria argumentar que a escalada somente se caracteriza com o
emprego de meio instrumental, como, por exemplo, uma escada, ou de esforço incomum, o que
não se vislumbra em razão da pequena altura do muro transposto. Ainda, quanto à aplicação da
pena, deveria indicar o equívoco do juiz ao exasperar a pena-base, acima do mínimo legal, com
base tão-somente no dolo intenso do agente, aspecto subjetivo que não se denota da simples
qualificação do crime, apartando-se dos elementos previstos no art. 59 do Código Penal e
norteadores da fixação da pena-base.

PROBLEMA 8
Peça: Apelação
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: decretação de nulidade ou realização de novo julgamento (artigo 593, III, “a” e “d” do
Código de Processo Penal). Fundamentos:
I – nulidade:
a. existência de contrariedade na votação dos quesitos por parte dos jurados, principalmente entre
os quesitos referentes à autoria e o evento morte;
b. existência de erro por parte do Magistrado na formulação dos quesitos referentes às
qualificadoras;
c. indeferimento da tréplica pelo Magistrado.
II – decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos;

PROBLEMA 9
PEÇA: Apelação Criminal
ENDEREÇAMENTO: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

142
PEDIDO: Absolvição de João do crime previsto no art.148, §1º, V, do Código Penal por não
haver prova da existência do fato (art.386, II, CPP) ou por não existir prova suficiente para a
condenação (art.386, VII, CPP).

PROBLEMA 10
Peça: Apelação. Órgão competente Tribunal de Justiça.
Pedidos – absolvição – insuficiência de prova
Nulidade do processo (é o pedido principal, no caso) - cerceamento de defesa e pedido de
reconhecimento de prescrição, pela proibição da reformatio in pejus indireta. Denúncia recebida
em 04.03.2002 – Prescrição – 12 anos (art. 109, III) – Redução pela metade – menoridade (art.
115) – tempo 6 anos – Tempo decorrido até agora.

PROBLEMA 11
a) Contra-Razões de Apelação.
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça
c) Preliminar: Apesar de gozar o Promotor de Justiça de independência funcional, o Ministério
Público é uno e indivisível. Assim, o pleito ministerial não pode ser alterado em sede recursal.
Além disso, só pode recorrer quem foi vencido no pedido (sucumbência), o que não ocorreu no
caso em tela.
d) Mérito: Pode o Promotor de Justiça pleitear a absolvição do réu se concluir por sua inocência,
eis que não está vinculado à denúncia. Não é obrigatório o pleito condenatório. Pode requerer a
condenação, a absolvição ou o acolhimento parcial da denúncia.
Não pode ser estelionato consumado se inexistiram todos os elementos do tipo penal (não houve
a vantagem ilícita, nem o prejuízo alheio). Se crime existiu, foi ele tentando e nunca consumado.
Ainda, não há estelionato culposo; o estelionato só é púnivel a título de dolo, que consiste na
vontade de enganar a vítima, dela obtendo vantagem ilícita, em prejuízo alheio, empregando
artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.

PROBLEMA 12
PEÇA: Razões de apelação
COMPETÊNCIA: Tribunal Regional Federal da 1ª Região
TESE: Absolvição pela ausência de provas de que tenha contribuído para a prática do crime de
roubo e, subsidiariamente, a diminuição pela participação de menor importância. Quanto ao
crime de porte ilegal de arma, a atipicidade da conduta, pois não praticou nenhum dos verbos do
tipo penal.
PEDIDO: Os mesmos das teses ventiladas

PROBLEMA 13
a) CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO;
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 593 do Código de Processo Penal.
Deve-se requerer improvimento ao recurso ministerial e a conseqüente manutenção, em inteiro
teor, da R. decisão de 1º grau. A argumentação pode fundamentar-se, entre outras, na prova,
alegando-se que o acusado, mesmo sem farda e fora de serviço, está investido na condição de
policial, treinado para a proteção da sociedade.

PROBLEMA 14
O candidato deve interpor recurso de apelação com fundamento no art. 593, III, a, do CPP.
CPP, Art. 593 - Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular;

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II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos
não previstos no Capítulo anterior;
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia;
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
Deverá sustentar a nulidade do julgado, ante a violação ao art. 479 do CPP, visto que o
representante do Ministério Público, sem a concordância da defesa, exibiu documentos relativos
a outro processo a que responde o réu com o fito de influenciar o ânimo dos julgadores no que
concerne às condutas pretéritas do Apelante. A proibição contida no dispositivo em comento tem
por escopo evitar que, em plenário, sejam as partes – uma ou outra – surpreendidas com a
produção ou leitura de documentos novos, sem a oportunidade de contraditá-los. Sobre o tema
leciona Aury Lopes Júnior:
“Situação bastante problemática e que acabou se tornando comum na atualidade é a seguinte: no
curso do júri, quando dos debates, uma das partes postula ao juiz a utilização de um determinado
documento que – pelos mais variados motivos – não pode ser juntado com a antecedência legal
de 3 dias. O que fazem os juízes, na sua maioria? Questionam a outra parte se concordam com a
produção. Pronto, está criado o problema. Errou o juiz. Nesse momento, a parte adversa fica
numa situação dificílima, que pode – definitivamente – comprometer o julgamento. Se aceitar a
produção, estará em situação de desvantagem pela surpresa gerada, e, conforme o conteúdo do
documento, será impossível contradizê-lo. Está perdido o júri e uma grave injustiça pode ser
produzida. Por outro lado, se não aceitar a produção, o estrago é ainda maior. Basta que o
adversário saiba explorar a curiosidade dos jurados, fazendo-os deslizar no imaginário, para
extrair de lá (do imaginário, lugar do logro, portanto) a decisão que pretende. É até mais útil
explorar o imaginário em torno do que foi mostrado (agravado pela recusa da outra parte, logo,
se recusou é porque algo tinha para esconder...), do que trabalhar com a realidade do documento.
Isso é elementar, basta saber lidar com a situação. Daí porque das duas uma: ou o juiz veda
categoricamente a produção do documento (sem questionar a outra parte para não comprometê-la
frente aos jurados) e não permite qualquer menção a ele no julgamento; ou, verificando sua
relevância, dissolve o conselho de sentença, determina a juntada do documento, assegurando o
necessário contraditório, e, após, marca novo júri (...). Assim, relevante a proibição do art. 475
(pois é uma garantia revestida de forma), e firmeza devem demonstrar os juízes na sua aplicação,
evitando comprometimento da outra parte com o ingênuo questionamento ‘concorda com a
leitura do documento’? Tal prática, muitas vezes fundamentada na (pseudo) garantia do
contraditório, causa danos irreparáveis ao julgamento.” (In: Direito Processual e sua
Conformidade Constitucional. Ed. Lumen Juris. Rio de Janeiro. 2007, p. 649/650). Hermínio
Alberto Marques Porto anota, na obra Júri – Procedimentos e aspectos do julgamento (11.ª ed.,
Editora Saraiva, página 133), que: “Constitui prova nova o documento que, mesmo não lido em
Plenário, tem seu conteúdo transmitido aos jurados”. Ora, pode ser que este fato não tenha sido
aquele que levou o conselho de sentença a decidir como decidiu. Entretanto, também não é
possível afastar a conclusão de que o nobre promotor de justiça surpreendeu a defesa. É que, ao
fazer uso do direito que lhe confere o art. 479 do CPP, restou prejudicada, mormente porque o
órgão ministerial instigou os senhores jurados a que “pensassem o que quisessem” acerca da
recusa, pela defesa, na produção da nova prova. Assim, o candidato deve pedir ao magistrado
que acolha a argüição de nulidade suscitada, para determinar seja o acusado submetido a novo
julgamento.
Subsidiariamente, o candidato deve pleitear a reforma da r. sentença, de modo que se estabeleça
regime mais ameno para o cumprimento da pena, qual seja, o semi-aberto, de acordo com o art.
33 do CP. Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou
aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a

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regime fechado. (...) § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as
hipóteses de transferência a regime mais rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde
o início, cumpri-la em regime aberto.
Nesse sentido:TJDFT
Órgão: Segunda Turma Criminal
Classe: APR - Apelação Criminal
Num. Proc.: 2004 09 1 004111-7
Apelante: JÚLIO CÉSAR SOUZA
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Relator: DESEMBARGADOR ROMÃO C. OLIVEIRA
Revisor: DESEMBARGADOR VAZ DE MELLO

PROBLEMA 15
Deve ser interposto recurso de apelação, com fundamento no art. 593, II, do CPP. A interposição
deve ser endereçada ao juiz da Comarca de Betim-MG e as razões dirigidas ao TJMG. Deve-se
sustentar que o seqüestro deve ser levantado, pois a ação penal não foi proposta dentro de prazo
de 60 dias a contar do aperfeiçoamento da medida (art. 131, I, CPP), pedindo-se o provimento do
recurso para esse fim.

EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: EMBARGOS INFRINGENTES restritos à matéria divergente:
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: Parágrafo único do artigo 609, C.P.P.;
d) Requisito de admissibilidade: decisão não unânime do Tribunal;
e) Prazo para interposição: 10 (dez) dias.
O recurso deverá, de forma fundamentada, sustentar a tese contida no voto vencido.

PROBLEMA 2
Trata-se da interposição do Recurso de Embargos Infringentes e de Nulidade para o Tribunal de
Justiça, em petição que deverá conter, anexas, as razões do inconformismo.
A petição deverá ser endereçada ao Desembargador Relator do Recurso em sentido estrito, com
base no art. 609, parágrafo único do CPP.
Nas razões, o candidato deverá postular a reforma do V. Acórdão, para que prevaleça o voto
vencido, no sentido de ser "A" processado por homicídio culposo e não por homicídio doloso,
pois sua conduta não passou dos limites da imprudência.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

PROBLEMA
1ª OPÇÃO:
Peça – Embargos de Declaração
Endereçamento – Juiz de Direito
Pedido – Aplicação do §2º do artigo 155 do CP.

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Fundamentos: Há contrariedade entre a parte dispositiva e a fundamentação. O juiz deve ajustar
a parte dispositiva à fundamentação, aplicando o §2° do art. 155 do Código Penal. Embora, com
isso, a pena venha a ser alterada, boa parte da doutrina admite, nos casos de contrariedade, essa
possibilidade. Ainda que haja entendimento contrário à admissibilidade de privilégio no furto
qualificado, há também orientação diversa, e, no caso, de qualquer forma, o juiz havia admitido a
aplicação do artigo 155, §2º, do Código Penal na fundamentação.

2ª OPÇÃO:
Peça – Apelação
Endereçamento – Petição de interposição ao Juiz de Direito e Razões ao Tribunal de Justiça
Pedido – Aplicação do §2º do artigo 155 do CP.
Fundamentos: Embora não fosse o remédio mais expedito e indicado, poderia ser admitida a
apelação, principalmente porque, segundo entendimento diverso do exposto na primeira opção,
não poderia haver alteração de pena por meio de embargos de declaração. Como já referido na 1ª
opção, ainda que haja entendimento contrário à admissibilidade de privilégio no furto
qualificado, há também orientação diversa, e, no caso, de qualquer forma, o juiz já havia
admitido a aplicação do artigo 155, §2º, do Código Penal na fundamentação.

HABEAS CORPUS

PROBLEMA 1
Habeas Corpus ao Tribunal de Justiça, uma vez que sofre coação ilegal por desrespeito ao artigo
10 do Código de Processo Penal em evidente excesso de prazo.

PROBLEMA 2
Deverá ser impetrada uma Ordem de "Habeas Corpus" (art. 5º, inciso LXVIII, da C.F. c.c. 647 e
648, inciso I, do C.P.P.) visando o trancamento da ação penal, visto que da forma como foi
elaborada a denúncia, "A" está sendo responsabilizado objetivamente, o que não é admitido em
direito penal (art. 13, do C.P.), já que somente responde quem desenvolver ação ou omissão.
Nessas condições, a conduta é atípica e o Juiz não poderia ter recebido a denúncia (art. 41 e 395
do C.P.P.). O Tribunal de Justiça é o competente para o julgamento do "Habeas Corpus",
devendo ser requerida a concessão de liminar para sustar o processo até final julgamento do
"writ".

PROBLEMA 3
O laudo de constatação é uma perícia preliminar e não definitiva. Serve apenas para a autuação
em flagrante e oferecimento da denúncia. A prova da materialidade da infração somente pode ser
comprovada pelo laudo de exame químico toxicológico, que tem caráter definitivo. Desse modo,
a sentença é nula eis que não demonstrada a materialidade do delito. Deverá ser impetrada uma
ordem de "habeas corpus", com fundamento no artigo 5º, inciso LXVIII, da Constituição
Federal, c.c. 648, inciso VI, do C.P.P., dirigida ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

PROBLEMA 4
Trata-se de um "Habeas Corpus" endereçado ao Tribunal de Justiça, com base no artigo 648,
inciso I, do Código de Processo Penal, pois não há justa causa para o processo.
O processo foi instaurado com fundamento na teoria da responsabilidade objetiva, que não é
admissível em Direito Penal, que só reconhece a responsabilidade subjetiva, que não ocorreu no
presente caso.

PROBLEMA 5

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Trata-se de um Habeas Corpus, endereçado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com
base no art. 648, VI do CPP, em virtude da total incompetência do Juízo, com fulcro no art. 564,
inciso I, 1ª figura do CPP, visto que segundo o art. 109, inciso IV, da Constituição Federal, e a
Súmula 38 do STJ, a Justiça Federal não é competente para julgar as contravenções, mas sim a
Justiça Estadual comum. Deverá ser postulada a anulação do processo desde o início, e a remessa
dos autos ao Juízo competente para a sua renovação.

PROBLEMA 6
Peça – Habeas Corpus
Endereçamento – Tribunal de Justiça
Pedido – Trancamento da ação penal.
Fundamentos:
Ilicitude da prova colhida em virtude do ingresso na residência sem mandado judicial. No caso, a
ilicitude não permitia a acusação porque dizia respeito ao próprio ato de apreensão de documento
falso e, portanto, à própria configuração da materialidade do crime.

PROBLEMA 7
Peça – Habeas corpus – Superior Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – O rito adequado para o recurso do Ministério Público era o recurso em
sentido estrito, e, por isso, o agravo do Ministério Público foi intempestivo, não podendo, assim,
ser conhecido pelo Tribunal. Além disso, poderia acentuar os argumentos de
inconstitucionalidade, por violação do princípio da dignidade humana (art. 1 º, III), por ofensa à
integridade física e moral dos detentos (art. 5 º, XLIX), por contrariar o princípio de
individualização da pena (art. 5 º, XLVI).

PROBLEMA 8
Habeas corpus
Agravo de execução
Fundamento – A decisão de regressão para regime fechado deve ser precedida de oitiva do
condenado (art. 118, § 2°, da Lei 7.210/84 – Lei de Execução Penal) e de oportunidade de
defesa, com participação de advogado (art. 5°, inciso LV, da CF).
Pedido: declaração de nulidade da decisão.

PROBLEMA 9
Habeas corpus
Fundamento – A prisão temporária só é possível em relação aos crimes expressamente previstos
no inciso III do artigo 1.º da Lei 7.960, de 21.12.1989. Além disso, a prorrogação do prazo só é
possível em caso de extrema e comprovada necessidade (art. 2º., caput, parte final, da Lei 7960,
de 21.12.1989), não podendo ser autorizada, desde logo.
Pedido – concessão de habeas corpus para que seja revogada a prisão temporária, expedindo-se
contramandado de prisão.

PROBLEMA 10
Habeas Corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Pedidos e fundamentos: pedido de trancamento da ação penal por ausência de justa causa para a
ação penal em razão da inconsistência dos argumentos acusatórios (estímulo à prática de delitos
e garantia de impunidade). Subsidiariamente, pedido de nulidade da decisão que impôs a prisão
preventiva, haja vista a ausência do requisito da garantia da ordem pública. Deveria apontar,
ainda, a ilegalidade da colocação do acusado em cela comum, uma vez que o advogado, nos

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termos do art. 7°, inciso V, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), tem direito à prisão especial
antes de eventual sentença condenatória transitada em julgado.

PROBLEMA 11
Peça: Habeas Corpus.
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: trancamento da ação penal por falta de justa causa.
Fundamentos: sem decisão administrativa definitiva não se pode falar em débito fiscal e,
conseqüentemente, em justa causa para o oferecimento da denúncia; orientação do Supremo
Tribunal Federal.

MANDADO DE SEGURANÇA

PROBLEMA 1
Impetrar junto ao Juízo de Direito de 1.ª Instância da Justiça Comum Estadual, com base no art.
5.º inciso LXIX, da Constituição Federal, combinado com os arts. 1.º e seguintes da Lei n.º
1533/51, Mandado de Segurança com pedido de liminar. Fundamentar no sentido de que o
indeferimento da pleiteada restituição fere direito líquido e certo do impetrante, já que é o
legítimo proprietário do veículo, não havendo necessidade de o mesmo permanecer à disposição
da justiça por falta de interesse ao processo, conforme preconizado nos arts. 118, 119 e 120 do
CPP. Apresentar fundamentação diante do "fumus boni iuris" e o "periculum in mora" para a
obtenção da liminar, sendo que ao final a segurança deverá ser concedida definitivamente.

PROBLEMA 2
Peça – Mandado de segurança
Endereçamento –Juiz de primeiro grau.
Pedido – Determinação à autoridade coatora para que garanta a vista dos autos.
Fundamento – O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei 8906, de 4.7.94), em seu
artigo 7º, XIV, garante ao advogado o direito de examinar, na repartição policial, os autos do
inquérito policial. O sigilo não pode prevalecer em relação ao advogado.

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL;
b) Órgão competente: Superior Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: Artigo 105, inciso II, alínea "a" da Constituição Federal e Lei nº. 8038/90,
artigos 30 a 32;
d) Prazo: 05 (cinco) dias.
Trata-se de decisão denegatória de Habeas Corpus. O único recurso cabível é o Recurso
Ordinário Constitucional, cuja competência para conhecimento e julgamento é do Superior
Tribunal de Justiça. O recurso deverá, portanto, ser interposto ao Tribunal de Justiça, no prazo de
05 dias, juntamente com as razões endereçadas ao Superior Tribunal de Justiça. A autoridade
coatora é o Tribunal de Justiça. O pedido de relaxamento do flagrante com a expedição de
Alvará de Soltura poderá enfocar o excesso de prazo para o término da instrução criminal por
motivos aos quais o acusado não deu causa; a configuração do constrangimento ilegal pela
manutenção do acusado sob custódia por mais tempo do que o admitido pela jurisprudência dos
Tribunais.
e) Aceitável, também, a impetração de Habeas Corpus, substitutivo ao Recurso Ordinário
Constitucional, dirigido diretamente ao STJ, no sentido de cessar o constrangimento ilegal que o
réu sofre, em virtude do excesso de prazo, para a formação da culpa.

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PROBLEMA 2
Deverá ser interposto Recurso Ordinário Constitucional para o Superior Tribunal de Justiça, com
base no artigo 105, inciso II, alínea A, da Constituição Federal.
O endereçamento da interposição é para o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo que encaminhará os autos para o STJ. As razões apresentadas junto com a interposição do
recurso referindo-se e buscando convencer os Ministros daquela Corte.
Indiscutivelmente a infração é afiançável, tanto que é concedido o prazo do artigo 154, do
Código de Processo Penal. Outrossim, a simples gravidade do fato não é motivo para não
conceder a fiança, aliás, direito subjetivo do réu consagrado na Constituição Federal.
Portanto, além de não estar o despacho e a decisão de segunda instância devidamente
fundamentados, foi eleito motivo que a lei não prescreve como impeditivo, persistindo o
constrangimento ilegal.
Buscar seja provido o recurso.

PROBLEMA 3
Recurso Ordinário Constitucional (art. 105, II, “a”, da CF e Lei 8.038/90), endereçado ao
Desembargador Presidente do TJDFT e razões para o STJ. O recorrente deverá, no ROC,
reproduzir a argumentação veiculada no “habeas corpus” denegado e requerer aquela mesma
providência que deveria ser concedida e não foi, no caso em tela, a ausência de defensor e do
próprio MP, no interrogatório do réu, viola os princípios constitucionais do contraditório e da
ampla defesa, acarretando a nulidade absoluta do ato processual. A nulidade absoluta pode ser
alegada a qualquer tempo, inclusive declarada de ofício pelo juiz.

RECURSO ESPECIAL

PROBLEMA
Deve ser interposto recurso especial perante o TJMG, com as razões dirigidas ao STJ. Nele,
sustentar que houve ofensa a lei federal, pois o CPP, em seu art. 480, determina que o juiz
esclareça dúvidas dos jurados. Deve-se pedir o conhecimento e o provimento do recurso para
anular o julgamento, designando-se nova sessão plenária.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO

PROBLEMA
Recurso Extraordinário dirigido ao Supremo Tribunal Federal, sustentando ofensa à Constituição
da República, pois o Tribunal de Justiça, quando deu provimento ao apelo do Ministério Público,
violou a soberania dos veredictos que vigora no júri, já que os jurados apoiaram-se em prova
favorável ao acusado.

REVISÃO CRIMINAL

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: REVISÃO CRIMINAL;
b) Orgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 621, inciso III do C. P. P.;
d) Requisito de admissibilidade: juntada da sentença transitada em julgado;
e) Prazo para interposição: não há prazo.

PROBLEMA 2

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Trata-se de Revisão Criminal, endereçada ao Egrégio Tribunal de Justiça, com base no art. 621,
inciso III do C.P.P., visto que surgiu uma prova nova, com a juntada da justificação criminal,
onde foi ouvido o ex-detento, que comprovou a ocorrência de um enorme erro judiciário, pois
José não cometeu o crime de tortura que lhe foi imputado, sendo inocente portanto. O candidato
deverá postular seja conhecida a revisão e julgada procedente (artigo 626, 2ª parte do CPP) para
o fim de absolver José com base no art. 386, inciso III do C.P.P., requerendo o competente alvará
de soltura clausulado.

PROBLEMA 3
Revisão Criminal ou habeas corpus, pedindo a desclassificação para lesões leves e,
eventualmente, a anulação por falta de representação ou a aplicação da Lei 9.099/95.

PROBLEMA 4
Revisão criminal
Habeas corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Fundamentos: pedido de nulidade em razão da não concessão de prazo para defesa preliminar
(art. 514 do CPP). No mérito, desclassificação do crime para o de exercício arbitrário das
próprias razões (art. 345, caput, do CP), haja vista a retenção do dinheiro com vista a
ressarcimento de dinheiro devido pelo banco ao acusado, e conseqüente extinção da punibilidade
em virtude da decadência do direito de queixa do ofendido (art. 38, caput, do Código de Processo
Penal combinado com os artigos 107, inciso IV, e 345, parágrafo único, ambos do Código
Penal). Ainda, em relação ao crime de apropriação indébita, referência à teoria restritiva que não
enquadra o funcionário de sociedade de economia mista como funcionário público.
Pedido na Revisão criminal:
Preliminar - nulidade.
Mérito - desclassificação e extinção da punibilidade.
Pedido no Habeas Corpus - nulidade da decisão.

PROBLEMA 5
A peça pertinente consiste na interposição da revisão criminal ajuizada perante o Tribunal de
Justiça de São Paulo, prevista a revisão criminal com fulcro no artigo 621, inciso III do CPP, em
face da descoberta de novas provas ter ocorrido após o trânsito em julgado da sentença
condenatória, destacando que no mérito deverá o candidato pleitear a desconstituição da sentença
condenatória e a absolvição do seu cliente em face da atipicidade da conduta, vez que segundo o
problema, as novas provas corroboram que não houve prejuízo econômico para a entidade de
direito público, destacando que, por ser o estelionato um crime contra o patrimônio, torna-se
atípica a conduta, não havendo ofensa ao patrimônio. Destaque que a impetração de habeas
corpus não é a medida tecnicamente mais correta, vez que não há ninguém preso, sendo por isso
a medida mais adequada a revisão criminal, podendo, entretanto, subsidiariamente, ser aceita a
impetração de habeas corpus perante o Tribunal de Justiça, sob alegação de estar havendo
constrangimento ilegal em face de condenação, sendo que o problema do habeas corpus se
restringirá à possibilidade ou não da analise da prova, sendo por isso a revisão criminal a medida
tecnicamente mais adequada.

AGRAVO EM EXECUÇÃO

PROBLEMA 1
Trata-se de um Agravo em Execução, composto por duas petições. A primeira de interposição
endereçada ao Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Capital,

150
fundamentada no artigo 197 da Lei de Execução Penal, no prazo de 5 dias, sendo que nesta
petição deverá constar o juízo de retratabilidade.
A segunda petição de Razões de Agravo de Execução, deverá ser endereçada ao Egrégio
Tribunal de Justiça.
O agravante tem direito ao benefício uma vez que já cumpriu todos os requisitos, quer objetivo
(tempo), quer subjetivo (desenvolvimento perante a terapêutica Penal), previstos no artigo 83,
incisos III, IV, V e parágrafo único, do Código Penal, cc com o artigo 131 da Lei 7210/84,
devendo o recurso ao final ser fundamentado com o artigo 66, inciso III, letra "e" da Lei de
Execução Penal e também no artigo 83, inciso III, IV, V e parágrafo único do Código Penal,
postulando a expedição de carta de livramento, com base no artigo 136 da Lei 7210/84.

PROBLEMA 2
O candidato deverá formular recurso de agravo ao TJ, com fundamento no artigo 197 da Lei de
Execuções Penais, peça essa consistente em petição de interposição e razões anexas. Deverá
sustentar que se trata de crime continuado.

PROBLEMA 3
Peça: Agravo em Execução.
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: revogação da decretação do Regime Disciplinar Diferenciado.
Fundamentos:
I – inconstitucionalidade do Regime Disciplinar Diferenciado, por ofensa aos princípios da
dignidade da pessoa humana e da proibição de tratamento cruel e, principalmente, sua
inconstitucionalidade na modalidade pretendida, pois, logo após ingressar, foi o preso colocado
nesse regime, sem que tivesse cometido qualquer falta disciplinar;
II – o prazo para a decretação do Regime Disciplinar Diferenciado é de no máximo trezentos e
sessenta dias, sendo que sua prorrogação dependeria de nova avaliação após o transcurso do
prazo.

PROBLEMA 4
A peça correta é o Agravo em Execução, que deve ser interposto perante a Vara das Execuções
Criminais de Contagem-MG, com as razões dirigidas ao TJMG. Sustentar preliminarmente a
nulidade da decisão que impôs a sanção em virtude de falta grave, pois não foi possibilitada a
ampla defesa do sentenciado. No mérito, apontar que a falta grave não impede a remição pelo
trabalho, a qual deve ser reconhecida, possibilitando, assim, a concessão do almejado livramento.

PROGRESSÃO DE REGIME

PROBLEMA
A Peça adequada é a interposição de um Pedido de Progressão de Regime, interposto perante o
juiz da Vara de Execuções Criminais de Avaré, tendo como fundamento o artigo 112, da Lei de
Execuções Penais, vez que cumprido o requisito objetivo, qual seja, ficou na prisão ao menos 1/6
da pena de 6 anos, no caso já tendo cumprido 2 anos, estando preenchido também o requisito
subjetivo, vez que o problema confirma que o condenado teve bom comportamento durante os 2
anos no cárcere, a ensejar a solicitação ao juiz para passar ao regime semi-aberto, vez que ele foi
condenado no regime fechado porquanto era reincidente. Destaque-se não ser cabível a
interposição do livramento condicional porquanto ainda não preencheu o requisito objetivo que
consiste em cumprir mais de 1/3 da pena – vez que não cumpriu ainda mais de 1/3 da pena, mas
sim exatos 1/3 da pena, não preenchendo também o artigo 83, inciso I, do Código Penal,
porquanto se trata de cliente que não ostenta bons antecedentes, tanto que reincidente, sendo
cabível apenas o livramento condicional, caso tivesse cumprido mais de metade da pena, o que

151
não ocorreu, a corroborar ser a medida adequada o pedido de progressão de regime ao Juiz de
Execução de Avaré, já que o problema confirma que há Vara de Execução Criminal em Avaré.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

PROBLEMA
Manoel reúne os requisitos do artigo 83, inciso V do Código Penal, de maneira que poderá
requerer a concessão do Livramento Condicional. O pedido deverá ser endereçado ao Juiz da
Vara das Execuções Criminais, com a exposição do preenchimento dos requisitos legais e o
requerimento no sentido de que seja ouvido o Conselho Penitenciário, para, ao final, ser
concedido o livramento condicional com expedição de carteira. Obs. Nada impede que o pedido
seja dirigido diretamente ao Conselho Penitenciário, mas a decisão será do Juiz da Vara de
Execuções Criminais.

SEQUESTRO

PROBLEMA
Requerer junto ao DIPO o seqüestro do bem, autuando-se em apartado, operando-se a inscrição
no Registro de Imóveis, tudo com base nos artigos 125, 126, 128 e 129 todos do Código de
Processo Penal. Na fundamentação deverá demonstrar que a aquisição do imóvel se deu com os
proventos do delito, havendo o pressuposto dos indícios veementes de sua proveniência. O
requerimento deverá estar instruído com cópias das peças do inquérito que demonstrem a autoria
do delito e sua materialidade, juntando-se também a certidão do Cartório onde o imóvel foi
registrado.

152
9. MÓDULO AVANÇADO (PROBLEMAS DIVERSOS)

PROBLEMA 01 (CESPE NACIONAL 2008.2)


Odilon Coutinho, brasileiro, com 71 anos de idade, residente e domiciliado em Rio Preto da Eva
– AM, foi denunciado pelo Ministério Público, nos seguintes termos: “No dia 17 de setembro de
2007, por volta das 19 h 30 min, na cidade e comarca de Manaus – AM, o denunciado, Odilon
Coutinho, juntamente com outro não identificado, imbuídos do propósito de assenhoreamento
definitivo, quebraram a janela do prédio onde funciona agência dos Correios e de lá subtraíram
quatro computadores da marca Lunation, no valor de R$ 5.980,00; 120 caixas de encomenda do
tipo 3, no valor de R$ 540,00; e 200 caixas de encomenda do tipo 4, no valor de R$ 1.240,00 (cf.
auto de avaliação indireta às fls.).
Assim agindo, incorreu o denunciado na prática do art. 155, §§ 1.º e 4.º, incs. I e IV, do Código
Penal (CP), combinado com os arts. 29 e 69, todos do CP, motivo pelo qual é oferecida a
presente denúncia, requerendo-se o processamento até final julgamento.”
O magistrado recebeu a exordial em 1.º de outubro de 2007, acolhendo a imputação em seus
termos. Após o interrogatório e a confissão de Odilon Coutinho, ocorridos em 7 de dezembro de
2007, na presença de advogado ad hoc, embora já houvesse advogado constituído não intimado
para o ato, a instrução seguiu, fase em que o magistrado, alegando que o fato já estava
suficientemente esclarecido, não permitiu a oitiva de uma testemunha arrolada, tempestivamente,
pela defesa. O policial Jediel Soares, responsável pelo monitoramento das conversas telefônicas
de Odilon, foi inquirido em juízo, tendo esclarecido que, inicialmente, a escuta telefônica fora
realizada “por conta”, segundo ele, porque havia diversas denúncias anônimas, na região de
Manaus, acerca de um sujeito conhecido como Vovô, que invadia agências dos Correios com o
propósito de subtrair caixas e embalagens para usá-las no tráfico de animais silvestres. Jediel e
seu colega Nestor, nas diligências por eles efetuadas, suspeitaram da pessoa de Odilon, senhor de
“longa barba branca”, e decidiram realizar a escuta telefônica.
Superada a fase de alegações finais, apresentadas pelas partes em fevereiro de 2008, os autos
foram conclusos para sentença, em março de 2008, tendo o magistrado, com base em toda a
prova colhida, condenado o réu, de acordo com o art. 155, §§ 1.º e 4.º, incs. I e IV, do CP, à pena
privativa de liberdade de 8 anos de reclusão (a pena-base foi fixada em 5 anos de reclusão),
cumulada com 30 dias-multa, no valor de 1/30 do salário mínimo, cada dia. Fixou, ainda, para
Odilon Coutinho, réu primário, o regime fechado de cumprimento de pena.
O Ministério Público não interpôs recurso.
Em face da situação hipotética acima apresentada, na qualidade de advogado(a) constituído(a) de
Odilon Coutinho, e supondo que, intimado(a) da sentença condenatória, você tenha manifestado
seu desacordo em relação aos termos da referida decisão e que, em 13 de outubro de 2008, tenha
sido intimado(a) a apresentar as razões de seu inconformismo, elabore a peça processual cabível,
endereçando-a ao juízo competente, enfrentando todas as matérias pertinentes e datando o
documento no último dia do prazo para apresentação.

PROBLEMA 02 (CESPE NACIONAL 2008.1)


Mariano Pereira, brasileiro, solteiro, nascido em 20/1/1987, foi denunciado pela prática de
infração prevista no art. 157, § 2.º, incisos I e II, do Código Penal, porque, no dia 19/2/2007, por
volta das 17 h 40 min, em conjunto com outras duas pessoas, ainda não identificadas, teria
subtraído, mediante o emprego de arma de fogo, a quantia de aproximadamente R$ 20.000,00 de
agência do banco Zeta, localizada em Brasília – DF.

153
Consta na denúncia que, no dia dos fatos, os autores se dirigiram até o local e convenceram o
vigia a permitir sua entrada na agência após o horário de encerramento do atendimento ao
público, oportunidade em que anunciaram o assalto.
Além do vigia, apenas uma bancária, Maria Santos, encontrava-se no local e entregou o dinheiro
que estava disponível, enquanto Mariano, o único que estava armado, apontava sua arma para o
vigia. Fugiram em seguida pela entrada da agência.
Durante o inquérito, o vigia, Manoel Alves, foi ouvido e declarou: que abriu a porta porque um
dos ladrões disse que era irmão da funcionária; que, após destravar a porta e o primeiro ladrão
entrar, os outros apareceram e não conseguiu mais travar a porta; que apenas um estava armado e
ficou apontando a arma o tempo todo para ele; que nenhum disparo foi efetuado nem sofreram
qualquer violência; que levaram muito dinheiro; que a agência estava sendo desativada e não
havia muito movimento no local.
O vigia fez retrato falado dos ladrões, que foi divulgado pela imprensa, e, por intermédio de uma
denúncia anônima, a polícia conseguiu chegar até Mariano. O vigia Manoel reconheceu o
indiciado na delegacia e faleceu antes de ser ouvido em juízo.
Regularmente denunciado e citado, em seu interrogatório judicial, acompanhado pelo advogado,
Mariano negou a autoria do delito. A defesa não apresentou alegações preliminares.
Durante a instrução criminal, a bancária Maria Santos afirmou: que não consegue reconhecer o
réu; que ficou muito nervosa durante o assalto porque tem depressão; que o assalto não demorou
nem 5 minutos; que não houve violência nem viu a arma; que o Sr. Manoel faleceu poucos meses
após o fato; que ele fez o retrato falado e reconheceu o acusado; que o sistema de vigilância da
agência estava com defeito e por isso não houve filmagem; que o sistema não foi consertado
porque a agência estava sendo desativada; que o Sr. Manoel era meio distraído e ela acredita que
ele deixou o primeiro ladrão entrar por boa fé; que sempre ficava até mais tarde no banco e um
de seus 5 irmãos ia buscá-la após as 18 h; que, por ficar até mais tarde, muitas vezes fechava o
caixa dos colegas, conferia malotes etc.; que a quantia levada foi de quase vinte mil reais.
O policial Pedro Domingos também prestou o seguinte depoimento em juízo: que o retrato falado
foi feito pelo vigia e muito divulgado na imprensa; que, por uma denúncia anônima, chegaram
até Mariano e ele foi reconhecido; que o réu negou participação no roubo, mas não explicou
como comprou uma moto nova à vista já que está desempregado; que os assaltantes
provavelmente vigiaram a agência e notaram a pouca segurança, os horários e hábitos dos
empregados do banco Zeta; que não recuperaram o dinheiro; que nenhuma arma foi apreendida
em poder de Mariano; que os outros autores não foram identificados; que, pela sua experiência,
tem plena convicção da participação do acusado no roubo.
Na fase de requerimento de diligências, a folha de antecedentes penais do réu foi juntada e
consta um inquérito em curso pela prática de crime contra o patrimônio. Na fase seguinte, a
acusação pediu a condenação nos termos da denúncia.
Em face da situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado(a) de Mariano, a
peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa do acusado. Inclua, em seu texto, a
fundamentação legal e jurídica, explore as teses defensivas possíveis e date no último dia do
prazo para protocolo, considerando que a intimação tenha ocorrido no dia 23/6/2008, segunda-
feira.

PROBLEMA 03
Firmino dos Santos, brasileiro, casado, ferramenteiro, residente na Rua dos Florais, 200, Vila
Bach, em Santo André-SP, foi preso por dois policiais militares em flagrante delito, sob a
acusação de, no dia 22 de janeiro de 2009, por volta das 19h15, na Avenida das Arvores,
defronte ao número 100, em Santo André-SP, ter subtraído, mediante grave ameaça exercida
com emprego de arma de fogo, um veículo VW/Gol, placas SSS-0171, pertencente à vítima
Andrade Neto. O Acusado, na fase policial, informou que somente praticou o delito porque foi
ameaçado de morte pelo seu colega, conhecido como “Ge”, uma vez que com este possui dívida

154
de droga. Afirmou ainda que “Ge” ameaçou matar sua filha, se ele não roubasse referido veículo,
para que pudesse convertê-lo em dinheiro. A arma foi devidamente apreendida e o veículo
entregue à vítima. O Inquérito Policial foi relatado e encaminhado ao Fórum de Santo André. O
Magistrado abriu vista ao Ministério Público e este ofereceu a denúncia. O MM. Juiz,
fundamentadamente, recebeu a exordial acusatória e prolatou o seguinte despacho: “1)Tendo em
vista os indícios de autoria criminosa, o preenchimento dos requisitos do artigo 41 do CPP e a
não verificação dos óbices apontados pelo artigo 395 do mesmo diploma legal, recebo a
denúncia em face de Firmino dos Santos, dando-lhe início ao processo criminal e; 2) Nos termos
do artigo 396 do Código de Processo Penal, cite-se o acusado, para responder a acusação, por
escrito, no prazo de 10 (dez) dias”. O acusado encontra-se detido no Centro de Detenção
Provisória da mesma Comarca e até a presente data está aguardando a presença do Oficial de
Justiça para ser citado. Ocorre que sua mãe, dona Florinda, desesperada, dirigiu-se à Ordem dos
Advogados do Brasil e informou que seu filho não possui as mínimas condições para contratar
um advogado e requereu que seu filho fosse assistido por um patrono nomeado. Sendo assim, a
OAB encaminhou indicação ao MM. Juiz da 1ª Vara Criminal de Santo André. O magistrado
aceitou a indicação e determinou o prosseguimento do feito, dispensando a citação do Acusado,
tendo em vista o comparecimento espontâneo de sua mãe à OAB, buscando a nomeação de
defensor. Considerando a situação hipotética narrada e tendo sido intimado para manifestar-se no
processo, como defensor dativo do Acusado, adote a medida cabível, diversa do habeas corpus.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 136)


Pedro Paulo e Marconi estavam sendo investigados pela autoridade policial de distrito policial da
comarca de São Paulo em razão da prática do delito de tentativa de furto qualificado pelo
concurso de pessoas, ocorrido no dia 9/6/2008, por volta das 22 h. O inquérito policial foi
autuado e tramitava perante a 2.a vara criminal da capital. Ao registrar ocorrência policial, a
vítima, Maria Helena, narrou ter visto dois indivíduos de estatura mediana, com cabelos escuros
e utilizando bonés, no estacionamento do shopping Iguatemi, tentando subtrair o veículo
Corsa/GM, de cor verde, placa IFU 6643/SP, que lhe pertencia. Disse, ainda, que eles só não
alcançaram êxito na empreitada criminosa por motivos alheios às suas vontades, visto que foram
impedidos de concluí-la pelos policiais militares que estavam em patrulhamento na região. No
dia 30/6/2008, Pedro Paulo foi convidado para que se fizesse presente naquela delegacia de
polícia e assim o fez, imediata e espontaneamente, a fim de se submeter a reconhecimento
formal. Na ocasião, negou a autoria do delito, relatando que, no horário do crime, estava em
casa, dormindo. A vítima Maria Helena, e a testemunha Agnes, que, no dia do crime, iria pegar
uma carona com a vítima não reconheceram, inicialmente, Pedro Paulo como autor do delito.
Em seguida, Pedro Paulo foi posto em uma sala, junto com Marconi, para reconhecimento,
havendo insistência, por parte dos policiais, para que a vítima confirmasse que os indiciados
eram os autores do crime. Então, a vítima assinou o auto de reconhecimento, declarando que
Pedro Paulo era a pessoa que, no dia 9/6/2008, havia tentado furtar o seu veículo, conforme
orientação dos agentes de polícia. Diante disso, o delegado autuou Pedro Paulo em flagrante
delito e recolheu-o à prisão. Foi entregue a Pedro Paulo a nota de culpa, e, em seguida, foram
feitas as comunicações de praxe. Pedro Paulo não é primário, porém possui residência e emprego
fixos. Considerando a situação hipotética apresentada, redija, em favor de Pedro Paulo, a peça
jurídica, diversa de habeas corpus, cabível à espécie.

PROBLEMA 05
Candido Alegria foi preso em flagrante nas imediações de local onde vítima noticiou o roubo de
seu carro, mediante grave ameaça exercida com emprego de arma, logo após a ocorrência do
delito. Na delegacia, diante do reconhecimento pela vítima do roubo, foi autuado por infração ao
art. 157, § 2º, I, do CP. O auto de prisão em flagrante foi realizado regularmente, tendo sido
encaminhado ao juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca no prazo legal, bem como a nota de culpa

155
foi-lhe entregue também dentro do mesmo prazo. Conforme documentação apresentada pela
esposa de Candido, consta que ele é primário, tem bons antecedentes, trabalha como comerciante
estabelecido na cidade há 15 anos, cidade, aliás, em que nasceu e sempre morou.
Considerando a situação hipotética acima descrita, e tendo sido constituído advogado de
Candido, adote medida em seu favor, diversa do habeas corpus.
QUESTÃO: Como advogado de Candido, redigir a peça adequada para obter sua libertação.

PROBLEMA 06 (OAB/SP 134)


Em 1.º/2/2008, Mário foi acusado de ter contratado, em 3/1/2008, André para matar Vítor, que
era amante de sua esposa. André foi acusado de ter instalado, em 15/1/2008, uma bomba no
carro de Vítor, para que ela explodisse quando a ignição do veículo fosse ligada. De fato, quando
Vítor acionou o motor do carro, houve uma explosão que o matou. Mário e André foram
apontados como incursos no art. 121, §2.º, I – mediante paga; II – motivo fútil consistente em
ciúmes; III – emprego de explosivo; IV – recurso que impossibilitou a defesa da vítima; c.c. art.
29, caput, do Código Penal. Em 12/2/2008, André faleceu, tendo sido, então, declarada extinta a
sua punibilidade, não tendo ele chegado a ser ouvido, visto que, na fase policial, permanecera em
silêncio. Em interrogatório realizado em 14/2/2008,
Mário negou a contratação e disse viver bem com a esposa.
Foram ouvidos em juízo: o médico legista, que confirmou a morte por explosão; dois policiais
que afirmaram que, como André já era procurado pela polícia, uma interceptação telefônica
autorizada para desvendar outro crime captara, casualmente, conversa entre ele e outra pessoa,
não identificada, supostamente Mário, na qual este negociava com André a morte de uma pessoa,
cujo nome não foi mencionado, tendo sido, na ocasião, marcado encontro entre os dois; e um
perito, o qual declarou que, conforme perícia juntada aos autos, a voz da conversa interceptada
era semelhante à de Mário, embora não fosse possível uma afirmação conclusiva. Da gravação
nada constava sobre a forma de execução do crime. Duas testemunhas, amigos de Vítor,
afirmaram que ele era amante da esposa de Mário. Como testemunhas de defesa foram ouvidos
dois amigos de Mário, que disseram ser este pessoa calma e dedicado pai de família, incapaz de
causar mal a qualquer um, e sua esposa, que negou ter relações com a vítima. Finda a instrução,
as partes apresentaram suas alegações e, em 3/3/2008, o juiz pronunciou Mário pelo art. 121,
§2.º, I, II, III, IV, c.c art. 29, caput, todos do Código Penal, assentando-se na gravação e nos
depoimentos das testemunhas de acusação e afirmando que, na pronúncia, prevalece o princípio
in dubio pro societate. O acusado e seu advogado foram intimados da decisão em 5 de março de
2008.
Considerando a situação hipotética descrita, atue na defesa de Mário, como se seu advogado
fosse.

PROBLEMA 07 (OAB/SP 113)


João da Silva foi denunciado pelo Ministério Público porque teria causado em Antonio de Souza,
mediante uso de uma barra de ferro, as lesões corporais que o levaram à morte. Durante a
instrução criminal, o juiz, de ofício, determinou a instauração do Incidente de Sanidade Mental
do acusado. A perícia concluiu ser este portador de esquizofrenia grave. Duas testemunhas
presenciais arroladas pela defesa afirmaram, categoricamente, que no dia dos fatos Antonio de
Souza, após provocar o acusado injustamente, com palavras de baixo calão, passou a desferir-lhe
socos e pontapés. Levantando-se com dificuldade, João alcançou uma barra de ferro que se
encontrava nas proximidades e golpeou Antonio por várias vezes, até que cessasse a agressão
que sofria. Encerrada a primeira fase processual, o Magistrado, acatando o Laudo Pericial,
absolveu sumariamente João da Silva, aplicando-lhe Medida de Segurança, consistente em
internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, pelo prazo mínimo de 02 (dois)
anos. A decisão judicial foi publicada há dois dias.
QUESTÃO: Na condição de advogado de João da Silva, tome a providência judicial cabível.

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PROBLEMA 08 (OAB/SP 116)
Onesto de Abreu, agente de polícia federal, foi denunciado pelo Ministério Público Federal como
incurso no art. 317 do Código Penal, porque teria aceitado de Inocêncio da Silva, a quantia de R$
5.000,00 (cinco mil reais) a fim de não autuá-lo em flagrante delito por porte de substância
entorpecente. Inocêncio da Silva, por sua vez, também foi denunciado, nos mesmos autos, como
incurso no art. 333 do Código Penal, por ter pago a Onesto de Abreu a quantia já referida. Desde
a fase de inquérito policial, ambos os acusados negam a autoria que lhes foi imputada pela
acusação, mantendo a negativa no interrogatório judicial. Na instrução criminal, duas
testemunhas arroladas pela Promotoria, que se encontravam no dia dos fatos no Departamento de
Polícia, alegaram que ouviram os acusados conversando sobre um possível acordo, sem,
contudo, presenciarem a efetiva transação. Nenhuma outra prova foi produzida pelo Ministério
Público. A defesa, por sua vez, provou que Onesto tem incólume vida profissional.
Concomitantemente à ação penal, Onesto de Abreu respondeu a um procedimento administrativo
que resultou em sua demissão do serviço público. Encerrada a instrução, Onesto de Abreu foi
absolvido com fundamento no artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal.
QUESTÃO: Na condição de Advogado de Onesto de Abreu, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 09 (OAB/MG 2000)


Colombino de Almeida, brasileiro, solteiro, atualmente desempregado, residente na Comarca de
Ferros/MG, na Rua Maria Quitéria, 33, bairro da Natividade, viu decretada sua prisão preventiva
pelo MM. Juiz da Vara Única da Comarca, no despacho que recebeu a denúncia, a pedido do i.
representante do Ministério Público, em processo-crime a que responde como incurso nas lides
dos arts. 155, §§ 1° e 5° c/c 29 do Diploma Penal pátrio.
Com efeito, após mencionar o nome do denunciado, sua qualificação, bem como os dispositivos
penais que, segundo a exordial acusatória, teria infringido, diz o decreto de prisão o seguinte:
“Pelo que se vê, trata-se de uma quadrilha organizada, da qual o denunciado ao que tudo indica,
é o líder, que vem agindo nesta Comarca há bastante tempo, tirando o sossego dos habitantes
com uma série de furtos de veículos, via de regra estacionados nas ruas durante a noite, e
conforme se extrai dos autos do inquisitório, transportando-os posteriormente para outros
Estados da Federação, com certeza para “desmanche”. Em face disso, percebo a inicial do MP de
fls. 02 a 05 contra os elementos nela qualificados e, para garantia da ordem pública, por
conveniência da instrução criminal e mesmo para assegurar a aplicação da lei penal, hei por bem
decretar a custódia preventiva do primeiro denunciado, Colombino de Almeida, como dito, ao
que tudo está a indicar o líder da mencionada quadrilha, tudo de conformidade com o art. 311 e
seguintes do Código de Processo Penal. Expedir o competente mandado de prisão.”
Viu-se a ordem de prisão provisória cumprida, estando o custodiado recolhido em péssimas
condições na cela da Delegacia de Polícia da Comarca.
Procurado por familiares do “preso”, você após Ter acesso aos autos e, sobretudo ao decreto de
custódia cautelar, entende ser possível medida com vistas à liberdade do agora seu cliente.
Redija a peça pertinente ao caso, fundamentando as questões de natureza processual existentes.

PROBLEMA 10 (OAB/SP 136)


No dia 30 de agosto de 2007, Vânia Pereira, brasileira, casada, residente na Rua José Portela nº
67, em Franco da Rocha – SP, foi presa, em flagrante, na posse de 11,5 g da substância
entorpecente causadora de dependência química e física, conhecida como cocaína, na forma de
uma única porção, trazida consigo, no interior de estabelecimento prisional. Vânia foi
denunciada por tráfico de drogas, de acordo com o art. 33, c/c art. 40, III, ambos da Lei n.º
11.343/2006. As testemunhas de acusação, agentes penitenciários, confirmaram que, na data dos
fatos, a ré fora surpreendida, dentro da Penitenciária III de Franco da Rocha, na posse da

157
substância entorpecente — escondida no interior do solado de um tênis —, destinada à entrega e
consumo do preso José Pereira da Silva, seu marido. Relataram, também, que somente após a
perfuração da sola do tênis, com um facão, puderam verificar a existência da droga. Informaram,
por fim, que a abordagem da ré ocorrera de modo aleatório, tendo ela passado calmamente pela
guarita policial, sem demonstrar nervosismo ou medo. As testemunhas de defesa disseram que a
ré fora instigada por um tal de João a levar o par de tênis, de modo que ela não tinha como saber
que estava levando drogas para o seu marido. Ademais, Vânia levava-lhe, semanalmente,
mantimentos e roupas. Em seu interrogatório em juízo, Vânia refutou a imputação, contando a
mesma versão dos fatos que narrara na delegacia. Afirmou que, na noite anterior aos fatos, um
indivíduo de prenome João fora até sua residência e pedira-lhe que entregasse um par de tênis a
seu marido, preso na Penitenciária III de Franco da Rocha, o que foi aceito. Declarou, ainda, que
“não sabia que havia droga dentro da sola do tênis” e que, por isso, decidira levar o calçado para
seu marido, ocasião em que foi detida. Há, nos autos, os laudos de constatação prévia e de exame
químico-toxicológico, que confirmam não apenas a quantidade da droga apreendida, mas
também a forma de acondicionamento apresentada, típica da atividade de tráfico. Constam,
ainda, nos autos, documentos que comprovam que Vânia é primária, tem bons antecedentes, não
se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. Ao final, Vânia foi
condenada pelo juiz da 1.a vara criminal da comarca de Franco da Rocha nas penas de seis anos
de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de sessenta e seis dias-multa, no valor
unitário mínimo, como incursa no art. 33, c/c art. 40, III, ambos da Lei n.º 11.343/2006. A defesa
tomou ciência da decisão.
Considerando a situação hipotética apresentada, redija, em favor de Vânia Pereira, a peça
jurídica, diversa de habeas corpus, cabível à espécie.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 108)


Octaviano, funcionário público, foi condenado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça,
por maioria de votos. O relator, vencido, entendeu ser nulo o processo porque suprimida a fase
das alegações preliminares. O v. acórdão foi publicado há dois dias.
QUESTÃO: Como advogado de Octaviano, pratique o ato judicial pertinente, justificando-o.

PROBLEMA 12 (OAB/SP 122 - ADAPTADO)


Lúcio, com 19 (dezenove) anos à época do fato, encontra-se condenado pela 27.ª Vara Criminal
desta Comarca ao cumprimento da pena de 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, pela
prática do crime de furto qualificado na modalidade continuada (artigos 155, parágrafo 4.º, n.º I,
e 71, do Código Penal), conforme sentença que transitou em julgado, para a acusação no dia
05.01.2007 e, para a defesa, no dia 20.02.2007. Lúcio, que estava foragido, veio a ser preso no
dia 28.01.2009.
QUESTÃO: Como advogado de Lúcio, qual a medida cabível em sua defesa? Redija a peça.

PROBLEMA 13 (OAB/SP 136)


Rodrigo Malta, brasileiro, solteiro, nascido em 4/5/1976, em São Paulo – SP, residente na rua
Pedro Afonso n.o 12, Moema, São Paulo – SP, foi preso em flagrante delito, em 2/8/2008. Em
9/9/2008, foi denunciado como incurso nas sanções previstas no art. 14, caput, e no art. 16,
parágrafo único, IV, ambos da Lei n.º 10.826/2003 (porte de arma de fogo de uso permitido e
posse de arma de fogo de uso restrito, com a numeração raspada), de acordo com o que dispõe o
art. 69 do Código Penal brasileiro. O advogado de Rodrigo pleiteou a liberdade provisória de seu
cliente, entretanto o pleito foi indeferido pelo juiz a quo, que assim se manifestou: “Após
analisar os autos, entendo que o pedido de liberdade provisória formulado não merece acolhida.
Com efeito, os crimes imputados ao acusado são sobremaneira graves, indicando a prova
indiciária, até o momento, que o acusado é provavelmente soldado do tráfico, o que só será
dirimido, com exatidão, durante a instrução. De outro lado, a primariedade e os bons

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antecedentes não são pressupostos a impor a liberdade de forma incontinente, destacando-se que,
em casos como o presente, melhor razão está com a bem pautada promoção do Ministério
Público, que oficiou contrariamente à liberdade provisória. Isto posto, indefiro o pedido de
liberdade.” A defesa, então, impetrou habeas corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo, objetivando a concessão de liberdade provisória, sob o argumento de que o decreto de
prisão cautelar não explicitara a necessidade da medida nem indicara os motivos que a tornariam
indispensável, entre os elencados no art. 312 do Código de Processo Penal.
A ordem, contudo, restou denegada, confirmando-se a decisão do juiz a quo, em razão do
disposto no art. 21 da Lei n.º 10.826/2003, que proíbe a liberdade provisória no caso dos crimes
de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Registre-se que Rodrigo Malta é
primário, possui bons antecedentes e compareceu à delegacia e ao juízo todas as vezes em que
foi intimado. Outrossim, não demonstrou qualquer intenção de fuga. Considerando a situação
hipotética apresentada, na condição de advogado(a) contratado(a) por Rodrigo Malta, interponha
a peça jurídica cabível, diversa de habeas corpus, em favor de seu cliente, diante da denegação
da ordem.

PROBLEMA 14 (OAB/SP 110)


Petrônio cumpria pena na Penitenciária do Forte quando, em 08 de fevereiro de 1993, conseguiu
evadir-se do presídio. Já na rua, roubou um veículo Opala, ameaçando de morte o seu
proprietário, fazendo gesto de que estava armado, para tanto colocando a mão sob a camisa, e
utilizando-se do veículo na fuga. Como o pneu do veículo estourasse, Petrônio o abandonou e,
novamente colocando as mãos sob a camisa, ameaçou Maria de morte, roubando seu veículo
Monza. Vinte minutos depois, quando trafegava pela rodovia, prosseguindo em sua fuga, foi
preso por policiais militares. Petrônio, então transferido para a Penitenciária de Jacaré, foi
denunciado como incurso nas penas do artigo 157, parágrafo 2º, inciso I, do Código Penal, por
duas vezes, c/c artigo 69 "caput", também do Código Penal. Na audiência para a oitiva das
vítimas e testemunhas de acusação, Petrônio não foi apresentado, em virtude de falta de viaturas
para conduzi-lo à cidade do Forte, tendo o seu defensor dativo dispensado a sua presença. Ao
final do processo, foi condenado à pena de treze anos e quatro meses de reclusão, além da pena
de multa, sendo aquela assim fixada: quatro anos, acrescidos de 1/4 pela reincidência, mais 1/3
pela qualificadora para cada um dos crimes, tendo o Juiz considerado, para fins de reincidência,
um crime de homicídio noticiado apenas em sua Folha de Antecedentes, desacompanhado da
certidão cartorária . A sentença transitou em julgado, ante a ausência de recurso da defesa. Anos
após, e ainda estando Petrônio preso, você é nomeado pelo Juiz da Comarca do Forte para
arrazoar pedido feito pelo réu para que fosse revista sua condenação.
Como advogado de Petrônio, apresente a peça processual cabível.

PROBLEMA 15 (OAB/SP 115)


João foi processado por infração ao art. 157, parágrafo segundo, I e II, do Código Penal,
recebendo pena de 21 anos de reclusão, sem fundamentação judicial no tocante à majoração da
pena. Apresentou Recurso de Apelação, sendo certo que o Tribunal reconheceu a tese por ele
apresentada por dois votos a um, diminuindo a pena para 7 anos de reclusão. O Ministério
Público aforou Recurso Extraordinário, baseado no voto divergente desta decisão, o que
culminou por exasperar a pena para 12 anos de reclusão. O STF aduziu, apenas, que o Juiz
sentenciante equivocou-se materialmente, e onde se lê 21 anos, leia-se 12 anos, mantendo, no
mais, a r. sentença de primeiro grau jurisdicional, verificando-se o trânsito em julgado.
QUESTÃO: Como advogado de João, elabore a peça processual em prol de seu interesse,
fundamentando-a.

PROBLEMA 16 (OAB/SP 135)

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Márcio, brasileiro, solteiro, pedreiro, atualmente recluso no Centro de Readaptação Penitenciária
de Presidente Bernardes – SP, foi condenado, pelo juiz da 2.a Vara Criminal de São Paulo – SP,
a 8 anos de reclusão, em regime fechado, pela prática do crime previsto no art. 157, § 2.º, incisos
I e II. Recentemente, progrediu ao regime semi-aberto, razão pela qual ainda não faz jus à
progressão ao regime aberto. Márcio, que já cumpriu 5 anos do total da pena, tem profissão certa
e definida e está trabalhando, com carteira assinada, como pedreiro, demonstra intenção de fixar
residência na Colônia Agrícola Águas Lindas, lote 1, Guará – DF, em companhia de seus pais,
bem como de constituir uma família tão logo seja colocado em liberdade. Em razão disso, por
meio da defensoria pública, pleiteou ao juízo competente a concessão do livramento condicional.
O juiz indeferiu o pedido de livramento condicional, visto que, no relatório carcerário expedido
pelo diretor daquele estabelecimento prisional, consta uma tentativa de fuga em 22/4/2006, na
qual Márcio estivera envolvido. Entretanto, no mesmo relatório, a autoridade carcerária informa
que, atualmente, o detento, não reincidente em crime doloso, ostenta bom comportamento e
exerce trabalho externo. Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de
advogado(a) contratado(a) por Márcio, a peça — diversa de habeas corpus — que deve ser
apresentada no processo.

PROBLEMA 17 (OAB UNIFICADO 2009.2)


José de Tal, brasileiro, divorciado, primário e portador de bons antecedentes, ajudante de
pedreiro, nascido em Juazeiro – BA, em 7/9/1938, residente e domiciliado em Planaltina – DF,
foi denunciado pelo Ministério Público como incurso nas penas previstas no art. 244, caput, c/c
art. 61, inciso II, "e", ambos do Código Penal. Na exordial acusatória, a conduta delitiva
atribuída ao acusado foi narrada nos seguintes termos:
Desde janeiro de 2005 até, pelo menos, 4/4/2008, em Planaltina – DF, o denunciado José de Tal,
livre e conscientemente, deixou, em diversas ocasiões e por períodos prolongados, sem justa
causa, de prover a subsistência de seu filho Jorge de Tal, menor de 18 anos, não lhe
proporcionando os recursos necessários para sua subsistência e faltando ao pagamento de pensão
alimentícia fixada nos autos n.º 001/2005 – 5.ª Vara de Família de Planaltina – DF (ação de
alimentos) e executada nos autos do processo n.º 002/2006 do mesmo juízo. Arrola como
testemunha Maria de Tal, genitora e representante legal da vítima.
A denúncia foi recebida em 3/11/2008, tendo o réu sido citado e apresentado, no prazo legal, de
próprio punho — visto que não tinha condições de contratar advogado sem prejuízo de seu
sustento próprio e do de sua família — resposta à acusação, arrolando as testemunhas Margarida
e Clodoaldo.
A audiência de instrução e julgamento foi designada e José compareceu desacompanhado de
advogado. Na oportunidade, o juiz não nomeou defensor ao réu, aduzindo que o Ministério
Público estaria presente e que isso seria suficiente.
No curso da instrução criminal, presidida pelo juiz de direito da 9.ª Vara Criminal de Planaltina –
DF, Maria de Tal confirmou que José atrasava o pagamento da pensão alimentícia, mas que
sempre efetuava o depósito parcelado dos valores devidos. Disse que estava aborrecida porque
José constituíra nova família e, atualmente, morava com outra mulher, desempregada, e seus 6
outros filhos menores de idade.
As testemunhas Margarida e Clodoaldo, conhecidos de José há mais de 30 anos, afirmaram que
ele é ajudante de pedreiro e ganha 1 salário mínimo por mês, quantia que é utilizada para manter
seus outros filhos menores e sua mulher, desempregada, e para pagar pensão alimentícia a Jorge,
filho que teve com Maria de Tal. Disseram, ainda, que, todas as vezes que conversam com José,
ele sempre diz que está tentando encontrar mais um emprego, pois não consegue sustentar a si
próprio nem a seus filhos, bem como que está atrasando os pagamentos da pensão alimentícia, o
que o preocupa muito, visto que deseja contribuir com a subsistência, também, desse filho, mas
não consegue. Informaram que José sofre de problemas cardíacos e gasta boa parte de seu salário
na compra de remédios indispensáveis à sua sobrevivência.

160
Após a oitiva das testemunhas, José disse que gostaria de ser ouvido para contar sua versão dos
fatos, mas o juiz recusou-se a interrogá-lo, sob o argumento de que as provas produzidas eram
suficientes ao julgamento da causa.
Na fase processual prevista no art. 402 do Código de Processo Penal, as partes nada requereram.
Em manifestação escrita, o Ministério Público pugnou pela condenação do réu nos exatos termos
da denúncia, tendo o réu, então, constituído advogado, o qual foi intimado, em 15/6/2009,
segunda-feira, para apresentação da peça processual cabível.
Considerando a situação hipotética acima apresentada, redija, na qualidade de advogado(a)
constituído(a) por José, a peça processual pertinente, privativa de advogado, adequada à defesa
de seu cliente. Em seu texto, não crie fatos novos, inclua a fundamentação que embase seu(s)
pedido(s) e explore as teses jurídicas cabíveis, endereçando o documento à autoridade
competente e datando-o no último dia do prazo para protocolo.

PROBLEMA 18
Em 17/1/2010, Rodolfo T., brasileiro, divorciado, com 57 anos de idade, administrador de
empresas, importante dirigente do clube esportivo LX F.C., contratou profissional da advocacia
para que adotasse as providências judiciais em face de conhecido jornalista e comentarista
esportivo, Clóvis V., brasileiro, solteiro, com 38 anos de idade, que, a pretexto de criticar o fraco
desempenho do time de futebol do LX F.C. no campeonato nacional em matéria esportiva
divulgada por meio impresso e apresentada em programa televisivo, bem como no próprio blog
pessoal do jornalista na Internet, passou, em diversas ocasiões, juntamente com Teodoro S.,
brasileiro, de 60 anos de idade, casado, jornalista, desafeto de Rodolfo T., a praticar reiteradas
condutas com o firme propósito de ofender a honra do dirigente do clube. Foram ambos
interpelados judicialmente e se recusaram a dar explicações acerca das ofensas, mantendo-se
inertes.
Por três vezes afirmou, em meios de comunicação distintos, o comentarista Clóvis V., sabendo
não serem verdadeiras as afirmações, que o dirigente "havia 'roubado' o clube LX F.C. e os
torcedores, pois tinha se apropriado, indevidamente, de R$ 5 milhões pertencentes ao LX F.C.,
na condição de seu diretor-geral, quando da venda do jogador Y, ocorrida em 20/12/2008" e que
"já teria gasto parte da fortuna 'roubada', com festas, bebidas, drogas e prostitutas". Tal afirmação
foi proferida durante o programa de televisão Futebol da Hora, em 7/1/2010, às 21 h 30 m, no
canal de televisão VX e publicado no blog do comentarista esportivo, na Internet, em 8/1/2010,
no endereço eletrônico www.clovisv.futebol.xx. Tais declarações foram igualmente publicadas
no jornal impresso Notícias do Futebol, de circulação nacional, na edição de 8/1/2010. Destaque-
se que o canal de televisão VX e o jornal Notícias do Futebol pertencem ao mesmo grupo
econômico e têm como diretor-geral e redator-chefe Teodoro S., desafeto do dirigente Rodolfo
T. Sabe-se que todas as notícias foram veiculadas por ordem direta e expressa de Teodoro S.
Prosseguindo a empreitada ofensiva, o jornalista Clóvis V. disse, em 13/1/2010, em seu blog
pessoal na Internet, que o dirigente não teria condições de gerir o clube porque seria "um burro,
de capacidade intelectual inferior à de uma barata" e, por isso, "tinha levado o clube à falência",
porém estava "com os bolsos cheios de dinheiro do clube e dos torcedores". Como se não
bastasse, na última edição do blog, em 15/1/2010, afirmou que "o dirigente do clube está tão
decadente que passou a sair com homens", por isso "a mulher o deixou".
Entre os documentos coletados pelo cliente e pelo escritório encontram-se a gravação, em DVD,
do programa de televisão, com o dia e horário em que foi veiculado, bem como a edição do
jornal impresso em que foi difundida a matéria sobre o assunto, além de cópias de páginas e
registros extraídos da Internet, com as ofensas perpetradas pelo jornalista Clóvis V.
Rodolfo T. tomou conhecimento da autoria e dos fatos no dia 15/1/2010, tendo todos eles
ocorrido na cidade de São Paulo – SP, sede da emissora e da editora, além de domicílio de todos
os envolvidos.

161
Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado(a) contratado(a) por Rodolfo T.,
redija a peça processual que atenda aos interesses de seu cliente, considerando recebida a pasta
de atendimento do cliente devidamente instruída, com todos os documentos pertinentes,
suficientes e necessários, procuração com poderes especiais e testemunhas.

PROBLEMA 19 (OAB UNIFICADO 2010.1)


Leila, de quatorze anos de idade, inconformada com o fato de ter engravidado de seu namorado,
Joel, de vinte e oito anos de idade, resolveu procurar sua amiga Fátima, de vinte anos de idade,
para que esta lhe provocasse um aborto. Utilizando seus conhecimentos de estudante de
enfermagem, Fátima fez que Leila ingerisse um remédio para úlcera. Após alguns dias, na
véspera da comemoração da entrada do ano de 2005, Leila abortou e disse ao namorado que
havia menstruado, alegando que não estivera, de fato, grávida. Desconfiado, Joel vasculhou as
gavetas da namorada e encontrou, além de um envelope com o resultado positivo do exame de
gravidez de Leila, o frasco de remédio para úlcera embrulhado em um papel com um bilhete de
Fátima a Leila, no qual ela prescrevia as doses do remédio. Munido do resultado do exame e do
bilhete escrito por Fátima, Joel narrou o fato à autoridade policial, razão pela qual Fátima foi
indiciada por aborto. Tanto na delegacia quanto em juízo, Fátima negou a prática do aborto,
tendo confirmado que fornecera o remédio a Leila, acreditando que a amiga sofria de úlcera.
Leila foi encaminhada para perícia no Instituto Médico Legal de São Paulo, onde se confirmou a
existência de resquícios de saco gestacional, compatível com gravidez, mas sem elementos
suficientes para a confirmação de aborto espontâneo ou provocado.
Leila não foi ouvida durante o inquérito policial porque, após o exame, mudou-se para Brasília e,
apesar dos esforços da autoridade policial, não foi localizada. Em 30/1/2010, Fátima foi
denunciada pela prática de aborto. Regularmente processada a ação penal, o juiz, no momento
dos debates orais da audiência de instrução, permitiu, com a anuência das partes, a manifestação
por escrito, no prazo sucessivo de cinco dias.
A acusação sustentou a comprovação da autoria, tanto pelo depoimento de Joel na fase policial e
ratificação em juízo, quanto pela confirmação da ré de que teria fornecido remédio abortivo.
Sustentou, ainda, a materialidade do fato, por meio do exame de laboratório e da conclusão da
perícia pela existência da gravidez. A defesa teve vista dos autos em 12/7/2010.
Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado(a) constituído(a) por Fátima, redija
a peça processual adequada à defesa de sua cliente, alegando toda a matéria de direito processual
e material aplicável ao caso. Date o documento no último dia do prazo para protocolo.

10. GABARITO – MÓDULO AVANÇADO

PROBLEMA 01
Peça: Apelação (petição de juntada e razões)
Endereçamento: petição de juntada dirigida à Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de
Manaus e razões dirigidas ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região
Teses:
Preliminar: Nulidade consistente no cerceamento de defesa (ausência de intimação do advogado
regularmente constituído; na não oitiva da testemunha arrolada tempestivamente e na ilicitude da
prova, consistente na não observância da lei de interceptação).
Mérito: Não há incidência da causa de aumento de pena do repouso noturno (crime às 19h30);
pena base foi excessivamente majorada, não foram observadas as circunstâncias atenuantes da
idade e da confissão e a fixação do regime mais gravoso que o necessário.

PROBLEMA 02
Peça: Memoriais (Art. 403, § 3º, CPP)
Endereçamento: Juiz de direito da Vara Criminal de Brasília-DF

162
Teses:
Provas insuficientes para a condenação. As provas existentes são exclusivas da fase inquisitiva
(pré-processual), não sendo suficientes para amparar um édito condenatório, uma vez que não
foram corroboradas em juízo, sob o crivo do contraditório. Subsidiarimente, o afastamento da
qualificadora do emprego de arma e reconhecimento da atenuante relativa à menoridade do
agente.
Pedido: Absolvição com fundamento no artigo 386, VII e, subsidiariamente, afastamento da
qualificadora e reconhecimento da atenuante.

PROBLEMA 03
Peça: Resposta à Acusação
Fundamentação: Art. 396-A, do CPP.
Competência: Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Santo André-SP.
Tese: Preliminar de nulidade, ausência de citação pessoal. No mérito, sustentar excludente de
culpabilidade – coação moral irresistível (art. 22 do CP).
Pedido: Absolvição com fundamento no art. 397, II, CPP.

PROBLEMA 04
No caso em comento, a peça processual cabível é o relaxamento de prisão, em face do art. 5.º,
LXV, da Constituição Federal, que determina que “a prisão ilegal será imediatamente relaxada
pela autoridade judiciária”.
[O examinando que fizer habeas corpus (peça não privativa de advogado) deve obter a nota zero
no quesito raciocínio jurídico. Frise-se que, devido a ilegalidade no flagrante, não é a liberdade
provisória o meio tecnicamente correto para obter-se a soltura de Pedro Paulo e, sim, o
relaxamento de prisão. Na prática, porém, é comum que os advogados cumulem o pedido de
relaxamento de prisão com o de liberdade provisória, o que poderá ser aceito. Aqueles que se
limitarem à liberdade provisória, deverão perder ponto no quesito domínio do raciocínio jurídico.
Prender em flagrante é capturar alguém no momento em que comete um crime. O que é flagrante
é o delito; a flagrância é uma qualidade da infração: o sujeito é preso ao perpetrar o crime, preso
em (a comissão de) um crime flagrante, isto é, atual. É o delito que está se consumando. Prisão
em flagrante delito é a prisão daquele que é surpreendido cometendo uma infração penal. Não
obstante seja esse o seu preciso significado, o certo é que as legislações alargaram um pouco esse
conceito, estendendo-o a outras situações.
Daí dizer o art. 302 do CPP que se considera em flagrante delito quem:
I está cometendo a infração penal; II) acaba de cometê-la; III) é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido, ou por qualquer pessoa, em qualquer situação que faça presumir ser o
autor da infração; IV) é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis,
que façam presumir ser ele o autor da infração.
As duas primeiras modalidades são consideradas flagrante próprio, a terceira, flagrante
impróprio ou quase flagrante e, finalmente, a última, flagrante presumido. Ora, das três
modalidades acima expostas, nenhuma destas ocorreu no caso em tela, conforme pode-se
observar da situação narrada. Com efeito, no momento em que foi detido pela polícia, Pedro
Paulo não estava cometendo a infração penal, nem havia acabado de cometê-la (flagrante
próprio); não foi perseguido pela polícia ou por qualquer pessoa, logo após, em situação que faça
presumir ser ele o autor da infração (flagrante impróprio), nem foi encontrado, logo depois, com
nenhum objeto que faça presumir ser ele autor da infração que lhe foi imputada. Se há indícios,
ou não, de seu envolvimento no crime de furto qualificado, isso terá que ser apurado durante a
instrução criminal, com obediência aos princípios da ampla defesa e do contraditório, não
podendo, todavia, os fatos apurados sustentar uma prisão em flagrante. Ressalte-se que não
houve flagrante nenhum com relação a Pedro Paulo, uma vez que o mesmo, conforme se verifica

163
do auto de prisão em flagrante, “foi convidado para que se fizesse presente naquela delegacia de
polícia, o que o fez, imediata e espontaneamente”.
Está, assim, Pedro Paulo sofrendo coação por parte da Autoridade Policial, uma vez que o
mesmo não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 302 do Código de Processo Penal.
De tal entendimento não discrepam nossos tribunais, senão vejamos:
“Prisão em flagrante — Inocorrência — Agente que não foi surpreendido cometendo a infração
penal, nem tampouco perseguido imediatamente após sua prática, não sendo encontrado,
ademais, em situação que autorizasse presunção de ser o seu autor.” (TJSP - Câm. Crim. h.c. n.º
128.260, RJTJESP 39/256)
“Prisão em flagrante — Inocorrência — Inteligência dos arts. 302 e 317 do CPP — O caráter de
flagrante não se coaduna com a apresentação espontânea do acusado à autoridade policial.
Inexiste prisão em tais circunstâncias.” (TJSP Câm. Crim. h.c. n.º 126.351, RT 82/296)
Em verdade, a apresentação espontânea do requerente desfigura, por imprópria, a lavratura do
auto de prisão em flagrante. Nesse sentido, a doutrina de Magalhães Noronha nos ensina que:
“apresentando-se o acusado, nem por isso a autoridade poderá prendê-lo: deverá mandar lavrar o
auto de apresentação, ouvi-lo-á e representará ao juiz quanto à necessidade de decretar a custódia
preventiva. Inexiste prisão por apresentação” (in Curso de Direito Processual Penal).
Assim, por todo o exposto, deve-se requerer o relaxamento da prisão em flagrante delito levada a
efeito, uma vez ser esta totalmente nula, o que constitui prisão ilegal.
Não obstante ser necessária, para a prisão cautelar, apenas a existência da materialidade do crime
e indícios da autoria, não se pode, por outro lado, desconsiderar que a autoria deve vir ao menos
comprovada com o mínimo de prova — leiam-se aí indícios idôneos — pois, em caso contrário,
o jus libertatis estaria seriamente comprometido, e, reflexamente, o Estado Democrático de
Direito. Por fim, a reincidência não poderá prejudicar o pedido de relaxamento de prisão, com
base na periculosidade presumida do indiciado, segundo jurisprudência do STJ:
A Suprema Corte tem reiteradamente reconhecido como ilegais as prisões preventivas
decretadas, por exemplo, com base na gravidade abstrata do delito (HC 90.858/SP, Primeira
Turma, Rel. min. Sepúlveda Pertence, DJU de 21/06/2007; HC 90.162/RJ, Primeira Turma, Rel.
min. Carlos Britto, DJU de 28/06/2007); na periculosidade presumida do agente (HC 90.471/PA,
Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de 13/09/2007); no clamor social decorrente da
prática da conduta delituosa (HC 84.311/SP, Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de
06/06/2007) ou, ainda, na afirmação genérica de que a prisão é necessária para acautelar o meio
social (HC 86.748/RJ, Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de 06/06/2007). Em
resumo, nos casos de presunção “juris tantum” da desnecessidade da custódia cautelar, quais
sejam, de réu solto, primário e de bons antecedentes, como na Lei, ou de réu que responde, solto,
ao processo da ação penal, ainda que de maus antecedentes e reincidente, como na jurisprudência
deste Superior Tribunal de Justiça, a sua prisão, até o trânsito em julgado de sua condenação,
somente será legal e conforme a Constituição da República, se demonstrada a sua necessidade
pelo Juiz.(AgRg na MC 6576 / PR Agravo regimental na medida cautelar 2003/0105593-0) A
privação cautelar da liberdade individual reveste-se de caráter excepcional (HC 90.753/RJ,
Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJU de 22/11/2007), sendo exceção à regra (HC
90.398/SP, Primeira Turma. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJU de 17/05/2007). Assim, é
inadmissível que a finalidade da custódia cautelar, qualquer que seja a modalidade (prisão em
flagrante, prisão temporária, prisão preventiva, prisão decorrente de decisão de pronúncia ou
prisão em razão de sentença penal condenatória recorrível) seja deturpada a ponto de configurar
uma antecipação do cumprimento de pena (HC 90.464/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, DJU de 04/05/2007). O princípio constitucional da não-culpabilidade se por um
lado não resta malferido diante da previsão no nosso ordenamento jurídico das prisões cautelares
(Súmula n.º 09/STJ), por outro não permite que o Estado trate como culpado aquele que não
sofreu condenação penal transitada em julgado (HC 89501/GO, Segunda Turma, Rel. Min. Celso
de Mello, DJU de 16/03/2007). Desse modo, a constrição cautelar desse direito fundamental (art.

164
5.º, inciso XV, da Carta Magna) deve ter base empírica e concreta (HC 91.729/SP, Primeira
Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJU de 11/10/2007).
Assim, a prisão preventiva se justifica desde que demonstrada a sua real necessidade (HC
90.862/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Eros Grau, DJU de 27/04/2007) com a satisfação dos
pressupostos a que se refere o art. 312 do Código de Processo Penal, não bastando, frise-se, a
mera explicitação textual de tais requisitos (HC 92.069/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar
Mendes, DJU de 09/11/2007). Não se exige, contudo, fundamentação exaustiva, sendo suficiente
que o decreto constritivo, ainda que de forma sucinta, concisa, analise a presença, no caso, dos
requisitos legais ensejadores da prisão preventiva (RHC 89.972/GO, Primeira Turma, Rel.ª Min.ª
Cármen Lúcia, DJU de 29/06/2007). Desse modo, deve ser expedido em favor de Pedro Paulo o
competente alvará de soltura.

PROBLEMA 05
Liberdade provisória sem fiança, tendo em vista as condições subjetivas favoráveis ao preso e,
por conseguinte, ausência dos requisitos para a prisão preventiva. Fundamento: art. 310,
parágrafo único do CPP.

PROBLEMA 06
Peça - Recurso em sentido estrito. Órgão competente - Tribunal de Justiça. Juiz de direito – juízo
de retratação.
Pedidos: impronúncia e afastamento das qualificadoras.
Fundamentos: Impronúncia: falta de prova, inaplicabilidade do princípio “in dubio pro
societate”; prova ilícita (interceptação se destinava à descoberta de outro crime, tendo havido
encontro casual). Afastamento da qualificadora do inciso I, porque em nenhum momento houve
referência a pagamento feito por Mário, do inciso II, porque ciúme não configura motivo fútil;
III e IV porque não se comunicariam, no caso, não sendo previsível o uso de explosivo e de
recurso que impossibilitaria a defesa.

PROBLEMA 07
a) Recurso cabível: Apelação;
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 593, II do C.P.P.;
d) Prazo para interposição: 05 (cinco) dias.
Deve-se interpor Apelação ao Juiz da Vara do Júri. As razões do recurso deverão ser dirigidas ao
Tribunal de Justiça. A argumentação e a fundamentação deverão invocar a legítima defesa como
excludente de ilicitude, requerendo a reforma em inteiro teor da decisão de primeiro grau, a fim
de que o acusado seja absolvido sumariamente (art. 415 do C.P.P.), com fundamento no artigo 25
do Código Penal, revogando-se a Medida de Segurança.
Aceitar-se-ia para a solução do problema a interposição de um pedido de HC endereçado ao
Tribunal de Justiça desde que o mesmo esteja fundamentado na modificação de absolvição
sumária para que os julgadores acatem a legítima defesa como excludente de ilicitude de
conformidade com o artigo 25 do Código Penal; pleiteando-se ainda a revogação da medida de
segurança.

PROBLEMA 08
a) Peça adequada: RECURSO DE APELAÇÃO;
b) Interposição: a uma das Varas Federais Criminais;
c) Competência: Tribunal Regional Federal 3ª Região.;
d) Fundamento: art. 593, inciso I do C.P.P.
Argumento: Deve-se interpor recurso de apelação a qualquer Vara Criminal Federal. As razões
do recurso devem ser dirigidas ao Tribunal Regional Federal. Há interesse em apelar da sentença

165
absolutória pois houve um prejuízo na esfera administrativa que poderá ser revisto se o Tribunal
reconhecer a inexistência do fato.
Assim, a fundamentação deve ser deduzida neste sentido, requerendo-se a absolvição, com
fundamento no artigo 386, inciso I do C.P.P..

PROBLEMA 09
Deve ser pedida a revogação da prisão preventiva decretada pelo juiz, pois carente de
fundamentação, uma vez que a prisão cautelar, por ser medida excepcional, exige a
demonstração de sua necessidade concretamente. O pedido deve ser dirigido ao juiz da Vara
Criminal da Comarca de Ferros-MG, pleiteando a revogação da prisão e a expedição do
competente alvará de soltura.

PROBLEMA 10
Deve-se interpor recurso de apelação, com fundamento no art. 593, I, do CPP, para o TJSP.
Com efeito, o artigo 33 da Lei n.° 11.343/06 prevê: “Importar, exportar, remeter, preparar,
produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer
consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 ( mil
e quinhentos) dias-multa.”
“§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1.o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de
um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente
seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre
organização criminosa.”
E o artigo 40, III, da Lei n° 11.343/06 prescreve:
“As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:
III a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos
prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais,
recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se
realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em
transportes públicos.”
No caso, deve-se alegar que houve, por parte de Vânia, o erro de tipo determinado por terceiro
(artigo 20, § 2.o, do Código Penal).
Segundo Damásio E. de Jesus, em Código Penal Anotado, em hipóteses como essa, o terceiro
que provocou o erro responde pelo crime a título de dolo ou de culpa. Já a pessoa que foi
provocada, tratando-se de erro invencível, não responde pelo crime cometido, quer a título de
dolo ou culpa; tratando-se de provocação de erro vencível (aquele que poderia ser evitado pelo
homem médio, naquelas circunstâncias), não responde pelo crime a título de dolo, subsistindo a
modalidade culposa, se prevista em lei.
Restou comprovado nos autos, especialmente diante dos depoimentos das testemunhas, que a
acusada não tinha consciência do seu proceder. Até mesmo as testemunhas arroladas pela
acusação relataram que, somente após a perfuração da sola do tênis, com um facão, puderam
verificar a existência da droga. Informaram, por fim, que a abordagem da ré se deu de modo
aleatório, visto que Vânia passou caminhando calmamente pela guarita policial, sem demonstrar
nervosismo ou medo. Ademais, a acusada, durante toda a persecução criminal, afirmou uma
única versão para os fatos. O quadro probatório, portanto, contém elementos de convicção, de
molde a não deixar dúvidas sobre a inocência da ré quanto ao delito de tráfico de entorpecentes,
razão pela qual se deve requerer o conhecimento e provimento do recurso de apelação,
reformando-se a sentença condenatória integralmente, de modo que a ré seja absolvida da
imputação constante na denúncia.

166
Subsidiariamente, em caso de o TJSP negar provimento à apelação, deve-se requerer o
reconhecimento da causa de diminuição do artigo 33, § 4.o, da nova lei de combate às drogas, e a
fixação de regime inicial menos severo, haja vista que Vânia é primária, de bons antecedentes,
não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. Frise-se que a
inconstitucionalidade do regime integralmente fechado declarada pelo Supremo Tribunal Federal
no leading case HC 82.959/SP e, em seguida, a Lei n.º 11.464/07 (Nova Lei dos Crimes
Hediondos) possibilitaram a progressão de regime no cumprimento da pena e afastaram o óbice
legal para permitir o regime inicial aberto ou substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos, mediante minuciosa análise das peculiaridades de cada caso.

PROBLEMA 11
Interposição de embargos infringentes com base no voto minoritário dirigida ao Desembargador
Relator - 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
Pedido de nulidade do processo "ab initio", por desrespeito ao disposto no art. 514 o CPP.
A impetração de habeas-corpus deverá ser considerada errada e suficiente para a reprovação do
candidato.

PROBLEMA 12
Habeas Corpus por prescrição da pretensão executória, contando-se o prazo a partir do trânsito
em julgado para a acusação. A prescrição seria 4 anos, desconsiderando a continuidade, cai pela
metade pela idade, ficando apenas 2 anos.

PROBLEMA 13
Deve-se interpor recurso ordinário em habeas corpus (RHC), para o STJ (CF, art. 104, II, alínea
“a”), tecendo-se os seguintes argumentos. A exigência de fundamentação do decreto judicial de
prisão cautelar, seja temporária ou preventiva, tem atualmente o inegável respaldo da doutrina
jurídica mais autorizada e da jurisprudência dos tribunais do país, sendo, em regra, inaceitável
que a só gravidade do crime imputada à pessoa seja suficiente para justificar a sua segregação,
antes de a decisão condenatória penal transitar em julgado, em face do princípio da presunção de
inocência. Por conseguinte, é fora de dúvida que o decreto de prisão cautelar há de explicitar a
necessidade dessa medida vexatória, indicando os motivos que a tornam indispensável, entre os
elencados no art. 312 do CPP, como, aliás, impõe o art. 315 do mesmo Código. Como se verifica
da decisão que determinou a prisão cautelar, confirmada pela corte estadual, manteve-se a
segregação do acusado sob o argumento de que, provavelmente, o acusado seria soldado do
tráfico, fato que justificaria a custódia. Tal fundamento, no entanto, afastado de qualquer
circunstância concreta diversa da relativa ao fato delituoso, como se vislumbra in casu, não basta
para, isoladamente, justificar a prisão cautelar. Como é cediço, a prisão cautelar é medida
excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais,
em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência ou da não-culpabilidade,
sob pena de antecipar a reprimenda a ser cumprida quando da condenação. A mera alusão a
requisito legal da segregação cautelar, sem apresentação de fato concreto determinante, não pode
servir de motivação à custódia, segundo jurisprudência pacífica do STJ e do STF. A propósito:
HC – Competência originária. Não pode o STF conhecer originariamente de questões suscitadas
pelo impetrante que, sequer submetidas ao STJ, ao qual, por conseguinte, não se pode atribuir a
alegada coação. II. Prisão preventiva: fundamentação: inidoneidade. Não constituem
fundamentos idôneos à prisão preventiva a invocação da gravidade do crime imputado, definido
ou não como hediondo, nem os apelos à repercussão dos delitos e à necessidade de acautelar a
credibilidade das instituições judiciárias: precedentes. III. Prisão preventiva: ausência de dados
concretos que justifiquem a afirmação de que o paciente não se sente inibido à prática de delitos.
IV. Decisão judicial: a falta ou inidoneidade da sua fundamentação não pode ser suprida pela
decisão do órgão judicial de grau superior ao negar habeas corpus ou desprover recurso:

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precedentes. (STF, HC 85.020/RJ, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU 25.02.2005). Processual
penal. Habeas corpus. Homicídio tentado por duas vezes. Prisão preventiva decretada com base
na gravidade do delito. Ausência dos pressupostos e fundamentos legais que autorizam a prisão
preventiva. Necessidade concreta da medida restritiva de liberdade não demonstrada.
Constrangimento ilegal. Ordem concedida. O decreto prisional cautelar exarado em desfavor dos
pacientes bem como o acórdão que manteve referida decisão não demonstram de forma
consistente a presença dos pressupostos e fundamentos que autorizam a custódia preventiva
(CPP, art. 312), limitando-se a fazer referência à gravidade do delito imputado na denúncia
contra eles ofertada, circunstância que não se mostra suficiente, por si só, para a decretação da
referida medida restritiva de liberdade antecipada, que deve reger-se sempre pela demonstração
da efetiva necessidade no caso em concreto.
2. A simples reprodução das expressões ou dos termos legais expostos na norma de regência,
divorciada dos fatos concretos ou baseada em meras suposições ou pressentimentos, não é
suficiente para atrair a incidência do art. 312 do Código de Processo Penal, tendo em vista que o
referido dispositivo legal não admite conjecturas.
3. Considerando que a denúncia não foi precedida de inquérito policial, mas apenas de
procedimento administrativo instaurado no âmbito do Ministério Público Estadual, e que nem
mesmo a expedição da precatória destinada à citação dos acusados — para responder à
respectiva ação penal iniciada no mesmo instante em que decretada a preventiva — foi efetivada,
é prematuro decretar a custódia cautelar fundada na conveniência da instrução criminal e para
assegurar a aplicação da lei penal, quando ausentes quaisquer fatos concretos que justifiquem tal
medida preventiva, como fuga ou escusa no atendimento a chamado policial ou judicial.
4. Não se pode acolher sob o manto da ordem pública, que tem sentido muito amplo por estar
voltada para a preservação de bens jurídicos essenciais à convivência social, eventual sentimento
de vingança ou revolta por interesses ilegítimos contrariados.
5. Ordem concedida para revogar o decreto de prisão preventiva, ressalvada a possibilidade de
decretação de nova custódia cautelar por motivo superveniente, caso fique demonstrada
concretamente a necessidade da referida medida. (HC 38.397/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves
Lima, DJU 21.03.2005).
Anote-se, ainda, que, por ocasião do julgamento da ADIN 3.112-1/DF, do STF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, considerou-se inconstitucional o disposto no art. 21 da Lei 10.826/2003,
que proibia a liberdade provisória no caso dos crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de fogo.
A questão foi retirada da jurisprudência do STJ:
Recurso em habeas corpus nº 23.344 – RJ (2008/0071349-8)
Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho
Recurso ordinário em habeas corpus. Prisão em flagrante. Posse ilegal de arma de fogo de uso
permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, com a numeração raspada.
Indeferimento do pedido de liberdade provisória. Ausência de justificativa idônea amparada em
fatos concretos. Constrangimento ilegal evidenciado.
Precedentes do STJ e do STF. Recurso provido. É fora de dúvida que o decreto de prisão
cautelar, assim entendida aquela que antecede a condenação transitada em julgado, há de
explicitar a necessidade da medida, indicando os motivos que a tornam indispensável, dentre os
elencados no art. 312 do CPP, como, aliás, impõe o art. 315 do mesmo Código.
Como se verifica da decisão que indeferiu o pedido de liberdade provisória do paciente,
confirmada pela corte estadual, manteve-se a segregação do acusado sob o argumento de que,
provavelmente, os acusados são soldados do tráfico, fato que justificaria a custódia; todavia, tal
fundamento, afastado de qualquer circunstância concreta diversa da relativa ao fato delituoso, é
insuficiente para, isoladamente, justificar a segregação provisória.
Anote-se, ainda, que, por ocasião do julgamento da ADIN 3.112-1/DF, do STF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, considerou-se inconstitucional o disposto no art. 21 da Lei 10.826/2003,

168
que proibia a liberdade provisória no caso dos crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de fogo. Recurso
provido, mas apenas e somente para deferir o pedido de liberdade provisória ao paciente, se por
outro motivo não estiver preso, sem prejuízo de nova decretação, com base em fundamentação
concreta, em consonância com o parecer do MPF.

PROBLEMA 14
Razões de Revisão Criminal, dirigida ao Tribunal de Justiça. Nas razões, alegar:
preliminarmente, nulidade do processo em vista da ausência do réu, ora requerente, na audiência,
sendo que o defensor dativo não pode dispensar a presença do acusado – segundo entendimento
do STF. No mérito, pleitear absolvição em vista de não haver dolo de roubo, mas apenas
intenção de fugir. Subsidiariamente, pedir afastamento da reincidência ( não comprovada através
de certidão cartorária ), afastamento da circunstância qualificadora ( ele não se encontrava
armado ) e reconhecimento do crime continuado ( em lugar do concurso material de crimes ).
Pode-se, também, impetrar Habeas Corpus em vista da nulidade apontada.

PROBLEMA 15
Foro competente: Supremo Tribunal Federal;
Peça processual: Revisão Criminal;
Fundamentação: O Recurso Extraordinário apresentado pela Procuradora Geral de Justiça foi
dirigido ao Supremo Tribunal Federal. Portanto, o foro competente é o STF, consoante dispõe o
art. 624, I do C.P.P.. Assim, compete ao STF rever, em benefício dos condenados, as decisões
criminais em processos findos, quando por ele proferidas, ainda que através da via recursal.
A peça processual deve ser a Revisão Criminal, visto que a decisão transitou em julgado para o
réu.
A fundamentação da defesa deve se basear na nulidade da sentença que não fundamentou a
exasperação da pena (todas as sentenças devem ser fundamentadas, posto que o réu deve saber
por quais motivos foi condenado). Além disso, o STF não apreciou os argumentos apresentados
pela Defesa, apenas aduzindo, laconicamente, que houve erro material, transmudando a pena de
21 para 12 anos, o que não pode prosperar.
Admite-se a impetração de "Habeas Corpus" com a finalidade de reconhecer a ausência da
fundamentação e ajustando-se a pena. Competência STF.

PROBLEMA 16
Com fundamento no artigo 197 da Lei n.º 7.210/1994, deve-se interpor agravo em execução da
decisão do juiz da Vara de Execuções Criminais de São Paulo/SP.
No mérito, com fulcro no art. 83, inciso II, do Código Penal, e art. 131 da LEP, deve-se requerer
a concessão do benefício do LIVRAMENTO CONDICIONAL, comprometendo-se Márcio,
desde já, a cumprir todas às condições que forem impostas e submeter-se a elas. Para a concessão
do livramento condicional, é necessário que o sentenciado preencha requisitos objetivos e
subjetivos. Márcio já cumpriu 5 anos do total da pena, possui profissão certa e definida, e está
trabalhando, como pedreiro, com carteira assinada. Ademais, no relatório carcerário, expedido
pelo diretor do estabelecimento prisional, consta que a última punição de Márcio ocorreu há mais
de dois anos, em razão de tentativa de fuga. A autoridade carcerária informou que, atualmente, o
detento ostenta bom comportamento e encontra-se exercendo trabalho externo. O artigo 131 da
LEP deixa bem clara a necessidade da observância dos requisitos elencados no art. 83 do CP.
“Art. 131. O livramento condicional poderá ser concedido pelo juiz da execução, presentes os
requisitos do art. 83, incisos e parágrafo único do Código Penal, ouvidos o Ministério Público e o
Conselho Penitenciário”.
O referido art. 83 do CP assim dispõe:

169
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de
liberdade igual ou superior a
2 (dois) anos, desde que:
I - cumprido mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e
tiver bons antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho
honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática
da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for
reincidente específico em crimes dessa natureza.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça
à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições
pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir.
A existência de registro de transgressão disciplinar ocorrida há mais de dois anos não tem o
condão de exigir que ele permaneça encarcerado até a final de sua expiação, mormente diante do
relatório atualizado da autoridade carcerária informando seu bom comportamento.
Com efeito, o relatório favorável da autoridade carcerária, por si só, denota que se houve, no
passado, alguma intenção deliberada do detento em frustrar a execução da pena, esta não mais
subsiste, porquanto há dois anos não se registra qualquer fato desabonador à sua conduta, pelo
contrário. Bem a propósito, destaque-se o que preleciona o mestre Júlio Fabrini Mirabete, in
execução penal, 8.ª edição, pág. 302: “Ainda que nos artigos 83 do CP e 132 da LEP se afirme
que o juiz ‘poderá’ conceder o livramento condicional e que a doutrina se tenha posicionado no
sentido de considerá-lo como uma faculdade do juiz, hoje se admite que se trata de um direito do
sentenciado. Embora atribuído em caráter excepcional, Frederico Marques lembra que pelo
benefício é ampliado o ‘status libertatis’, tornando-se este um direito público subjetivo de
liberdade, de modo que, preenchidos os seus pressupostos, o juiz é obrigado a concedê-lo.”

PROBLEMA 17
1. Memoriais (art. 403, §3.º, do CPP) endereçados ao juiz de direito da 9.ª Vara Criminal de
Planaltina – DF.
2. Preliminar de nulidade por ausência de nomeação de defensor ao réu que não constituiu
advogado para apresentar resposta à acusação (art. 396-A, § 2.º, do CPP).
3. Preliminar de nulidade por falta de nomeação de defensor ao réu presente que não o tiver,
segundo art. 564, III, “c” do CPP: “a nulidade ocorrerá nos seguintes casos: III – por falta das
fórmulas ou dos termos seguintes: c – a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver,
ou ao ausente, e de curador ao menor de 21 anos”. Súmula n.o 523 do STF: “no processo penal, a
falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de
prejuízo para o réu.” O art. 261 do CPP prevê que “nenhum acusado, ainda que ausente ou
foragido, será processado ou julgado sem defensor”. Nucci afirma que a não nomeação de
defensor ad hoc é causa de nulidade absoluta: se o defensor constituído, ou dativo, do acusado
não comparecer à audiência de instrução, é fundamental que o magistrado nomeie defensor ad
hoc (para o ato). Se o ato processual se realizar, ausente a defesa, constitui prejuízo presumido,
logo, nulidade absoluta. Cf STJ: HC 40.673-AL, 5.ª T., rel. Gilson Dipp, 26-04-2005, v.u.,
Boletim AASP n. 2437, set. 2005. Guilherme de Souza Nucci. Código de processo penal
comentado. 6.ª edição, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, pp. 866-7.
4. Preliminar de nulidade por falta de interrogatório do réu presente. Art. 564, III, “e” do CPP: “a
nulidade ocorrerá nos seguintes casos: III – por falta das fórmulas ou dos termos seguintes: e – a
citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando presente, e os prazos

170
concedidos à acusação e à defesa”. Estando o réu presente e desejando defender-se por
intermédio de seu interrogatório, não pode o juiz recusar-se a interrogá-lo, sob pena de
cerceamento de defesa e nulidade.
5. Absolvição por atipicidade da conduta de José, visto que o fato não constitui infração penal
em face da presença de justa causa (elemento normativo do tipo) para o atraso nos pagamentos
(ou não pagamento), conforme art. 386, III, do CPP. José ganha apenas 1 salário mínimo, gasta
boa parte de seu salário para comprar remédios indispensáveis à sua sobrevivência, visto que
sofre de problemas cardíacos, e constituiu nova família, composta por uma mulher desempregada
e 6 outros filhos menores. Não há dolo na conduta de José, sendo que a falta de pagamento da
pensão alimentícia se deve à sua absoluta impossibilidade pessoal de fazê-lo. Ao comentar o art.
244, caput, do CP, Damásio afirma que o elemento normativo do tipo está contido na expressão
“sem justa causa”, sendo que não há tipicidade se o sujeito não presta às pessoas os recursos
necessários por carência, ou por não ganhar o suficiente. (Damásio E. de Jesus. Código Penal
anotado. 17.ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 817-18).
Em caso de condenação e pelo princípio da eventualidade:
6. Pugnar pela fixação da pena no mínimo legal de 1 ano de detenção, arbitrando a multa no
mínimo legal. Sustentar que José é primário e portador de bons antecedentes.
7. Sustentar o afastamento da agravante prevista no art. 61, inciso II, “e”, do CP, para evitar o bis
in idem, visto que o fato de a vítima ser descendente do réu (filho) é elemento constitutivo do
tipo previsto no art. 244, caput, do CP. Nesse sentido, o art. 61, caput, do CP dispõe que “são
circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime”.
8. Pleitear o reconhecimento da circunstância atenuante prevista no art. 65, inciso I, do CP, visto
que José será maior de 70 anos na data da sentença (nasceu em 7/9/1938, tendo a defesa sido
intimada para a apresentação dos memoriais em 15/6/2009).
9. Requerer a fixação do regime aberto para cumprimento da pena, conforme previsão do art. 33,
§2.º, “c”, do CP, e a substituição da pena privativa de liberdade por pena de multa ou por uma
pena restritiva de direitos, na forma prevista no art. 44, §2.º, do CP, com a possibilidade de José
aguardar em liberdade o trânsito em julgado da sentença (apelar em liberdade) em face de sua
primariedade, bons antecedentes, residência fixa no distrito da culpa e ausência dos requisitos
que autorizariam sua prisão preventiva.
10. Último dia de protocolo da peça: 22/6/2009 (segunda-feira). O art. 403, §3.º, do CPP prevê
que “o juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às
partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memorais”. Assim, haja
vista que a defesa foi intimada em 15/6/2009 (segunda-feira), o último dia do prazo para oferecer
os memoriais será o dia 22 (segunda-feira). Nesse sentido, importante registrar que, apesar de os
5 dias terminarem em um sábado, o art. 798 do CPP dispõe que “todos os prazos correrão em
cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia
feriado”, e o §3.º do citado artigo dispõe que “o prazo que terminar em domingo ou dia feriado
considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato”.

PROBLEMA 18
Petição inicial: Queixa-crime.
Endereçamento: Vara Criminal da Comarca de São Paulo – SP. Vara criminal comum, visto que
as penas máximas abstratas, somadas, ultrapassam dois anos. Como a imputação diz que os
crimes ocorreram em concurso material (art. 69 do CP), fica afastada a competência do Juizado
Especial Criminal. Nesse sentido, posição sedimentada no HC 66.312/RS do STJ.
Partes: querelante: Rodolfo T. e querelados: Clóvis V. e Teodoro S.
Requisitos da peça inicial acusatória: relato dos fatos delituosos, com todas as suas
circunstâncias, agravantes e causas de aumento de pena, se existir, bem como atender a todos os
elementos descritos no art. 41 do CPP, que dispõe o seguinte: “A denúncia ou queixa conterá a
exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou

171
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário,
o rol das testemunhas.”
A fundamentação correta deve ser feita com base no Código Penal e no Código de Processo
Penal, e não mais a Lei 5.250/67, em face da ADPF 130, de 30/4/2009, julgada pelo STF, que
declarou toda a norma não recepcionada pela Constituição Federal.
Adequada tipificação das condutas imputadas aos querelados:
• Réu Clóvis V.: art. 138, caput, por duas vezes; art. 139, caput, por duas vezes e art. 140, por
duas vezes, tudo em concurso material (art. 69), cumulado com a causa de aumento de pena
prevista no art. 141, inciso III, todos do Código Penal brasileiro.
• Réu Teodoro S.: art. 138, § 1.º, por duas vezes, em concurso material, conforme art. 69, e com
a causa de aumento de pena prevista no art. 141, inciso III, todos do Código Penal brasileiro.
Pedido expresso: citação dos querelados e, ao final, a total procedência dos pedidos, com sua
consequente condenação pela prática dos crimes narrados na inicial, sendo o querelado Clóvis
V.: art. 138 caput, por duas vezes; art. 139, caput, por duas vezes e art. 140 por duas vezes, tudo
em concurso material (art. 69), cumulado com a causa de aumento de pena prevista no art. 141,
inciso III, todos do CP. Para o querelado Teodoro S.: art. 138, § 1.º , por duas vezes, em
concurso material, conforme art. 69, e com a causa de aumento de pena prevista no art. 141,
inciso III, todos do Código Penal brasileiro.
Fixação do valor mínimo de indenização pelo juiz sentenciante (art. 387, IV, do CPP). Em
conformidade com o disposto no art. 387, a seguir transcrito: “O juiz, ao proferir sentença
condenatória (...) IV – fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.”
Condenação dos querelados nas custas e demais despesas do processo.
Rol de testemunhas.

PROBLEMA 19
Deve-se redigir memorial ao juiz do tribunal do júri. Embora não haja previsão legal expressa
quanto à apresentação de memorial na audiência de instrução do procedimento do júri, é possível
a substituição dos debates orais pelos memoriais, por analogia ao art. 403, § 3.º, do Código de
Processo Penal e em face da anuência das partes.
Prazo estabelecido pelo juiz: 19/7/2010.
Preliminar: prescrição da pretensão punitiva, visto que da data do fato (dezembro de 2005) até a
denúncia (janeiro de 2010) passaram-se mais de quatro anos. Como para o crime de aborto,
previsto no art. 126 do Código Penal, é prevista pena de um a quatro anos, o crime prescreverá
em oito anos. Entretanto, tratando-se de menor de vinte e um anos, a prescrição corre pela
metade, estando o crime prescrito (CP, arts. 109, IV, 115 e 126)
Mérito: impronúncia por falta de comprovação da materialidade (laudo pericial inconclusivo);
inexistência de indícios suficientes de autoria (falta das declarações da menor) e ausência da
comprovação do dolo (a ré afirma que não sabia da gravidez da amiga e forneceu-lhe remédio
com objetivo de curar úlcera).
Pedido: reconhecimento da preliminar e extinção da punibilidade; impronúncia nos termos do
art. 414 do Código de Processo Penal. Admite-se o pedido de absolvição sumária (CPP, art. 415)
em atenção ao princípio da ampla defesa.

11. QUESTÕES PRÁTICAS.

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1. (OAB/SP – 106) O que é reabilitação?

2. (OAB/SP – 106) O que é perdão?

3. (OAB/SP – 106) Em que peça processual são trazidas aos autos as lesões sofridas pela vítima
em processo-crime por infração ao artigo 129, "caput" do Código Penal?

4. (OAB/SP – 107) Cite três crimes considerados hediondos.

5. (OAB/SP – 107) Estabeleça a diferença entre a concussão e a corrupção passiva.

6. (OAB/SP – 107) Defina as notas características do instituto da perempção.

7. (OAB/SP – 107) Indique os elementos do fato típico.

8. (OAB/SP – 112) Quando da dosimetria da pena, por ocasião da prolação da sentença, o


Magistrado fixou a pena-base do acusado acima do mínimo legal em decorrência de maus
antecedentes, por existir condenação anterior (CP, art. 59). Após isso, aumentou a reprimenda
fixada em virtude da agravante da reincidência, por ostentar o réu aquela condenação anterior
(CP, art. 61, I). Está correto tal procedimento? Fundamente.

9. (OAB/SP – 112) Manoel chega em casa, após o dia de trabalho, e sua mãe diz que policiais
estiveram à sua procura, aduzindo ser ele a pessoa que roubou Maria. Imediatamente, Manoel
dirige-se à Delegacia, com vistas a elucidar não ser ele o verdadeiro autor do delito. Neste
momento, o Delegado de Polícia efetua sua prisão em flagrante delito para garantia da ordem
pública. Quais os argumentos que podem ser invocados a favor de Manoel? Justifique.

10. (OAB/SP – 112) Em que crime estará incurso o agente que, propositalmente, interrompe
fornecimento de força e luz em escola pública, com o intento de não serem realizadas na data
prevista os exames finais do ano letivo?

11. (OAB/SP – 113) Maria das Flores foi a uma clínica clandestina, acompanhada de seu
namorado Ulisses Gabriel, submetendo-se a intervenção de abortamento, pago por ele. Neste
caso, se Maria e Ulisses cometeram crime, classifique juridicamente suas condutas, justificando.

12. (OAB/SP – 113) Quais os requisitos para o deferimento da reabilitação?

13. (OAB/SP – 114) Em Direito Penal, qual a diferença entre remição e detração?

14. (OAB/SP – 114) É possível a manutenção do averiguado em custódia, após o esgotamento


do prazo legal da prisão temporária já prorrogado?

15. (OAB/SP – 114) João Antônio, casado e pai de uma criança de seis meses de idade, na
véspera de completar dezoito anos dispara dois tiros com arma de fogo contra José Pedro, com o
objetivo de matá-lo. José Pedro, ferido, é socorrido por populares, porém, morre três dias depois,
quando João Antônio completara dezoito anos. João Antônio é considerado imputável e poderá
ser processado criminalmente? Justifique.

16. (OAB/SP – 114) Antônio de Souza, durante a madrugada e mediante escalada, entra em uma
fábrica de cigarros com o fim de subtrair tantos pacotes quantos pudesse carregar. Quando se

173
encontrava já no interior do edifício, foi surpreendido por um segurança da empresa que, armado
de revólver, lhe deu voz de prisão. Antônio, então, envolveu-se em luta corporal com o
segurança e com uma barra de ferro desferiu-lhe vários golpes, produzindo-lhe lesões que
resultaram perigo de vida. Em seguida, fugiu do local, sem nada levar. Classifique juridicamente
a conduta pela qual Antônio deverá ser responsabilizado.

17. (OAB/SP – 115) O artigo 14, em seu inciso II, aduz que "diz-se o crime: tentado, quando,
iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente". Ainda, o
parágrafo único deste artigo afirma que "salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a
pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços". Pergunta-se: Qual o
critério adotado para a diminuição entre um a dois terços? Justifique.

18. (OAB/SP – 116) Pode o Ministério Público impetrar Habeas Corpus? Explique.

19. (OAB/SP – 116) José participou como jurado no julgamento de Américo, acusado de crime
de homicídio simples. Proferida sentença absolutória, dias após constatou-se que José e outros
três jurados receberam, cada um, a importância de R$1.000,00 (um mil reais) para votarem
favoravelmente ao acusado. José e seus companheiros do Conselho de Sentença cometeram
crime? Justifique fundamentadamente a resposta.

20. (OAB/SP – 116) Ana induziu a gestante Maria a provocar aborto em si mesma, e ela o
provocou. Em outra hipótese, Geralda executou aborto em Clementina, gestante, com o seu
consentimento. Tipifique, juridicamente, as condutas de Ana, Maria, Geralda e Clementina.

21. (OAB/SP – 117) Maria das Dores, chefe das enfermeiras de hospital municipal, presenciou
outra funcionária, Madalena, enfermeira a ela subordinada, furtando comprimidos para dor de
cabeça do almoxarifado. Sabedora de que Madalena encontrava-se em precária situação
financeira, deixou de responsabilizá-la pelo fato. Estaria Maria das Dores incursa em alguma
figura típica? Responda e justifique.

22. (OAB/SP – 117) O julgamento do crime de furto, de alguma forma, pode submeter-se à
competência do Tribunal Popular do Júri? Dê sua posição, motivando-a.

23. (OAB/SP – 117) Pitaco, sentenciado por furto, teve extinta a punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva estatal. Dias após, cometeu novo furto. Deverá ser considerado reincidente?
Explicite e justifique.

24. (OAB/SP – 118) Eliseu compareceu ao Fórum da Capital e notou afixado no local de
costume o edital de citação em seu nome, vindo a dilacerá-lo. Não satisfeito, foi até o cartório
onde tramita a ação penal e, tendo o serventuário se descuidado, arrancou do livro de registro de
distribuições a folha que continha os seus dados, destruindo-a. Cometeu algum delito? Oferte
resposta motivada e fundamentada.

25. (OAB/SP – 118) "A revisão criminal, em regra, é ação com dúplice pedido, podendo, ainda,
cumular um terceiro: a indenização pelo erro judiciário". É correta a afirmativa? Por quê?

26. (OAB/SP – 119) Dê as notas características do instituto da representação.

27. (OAB/SP – 119) Agente que, com mais de cinco pessoas, participa de reuniões periódicas,
sob o compromisso de ocultar das autoridades a existência, o objetivo e a finalidade da

174
organização ou administração da associação, poderá estar incorrendo em algum ilícito penal
previsto na legislação própria?

28. (OAB/SP – 120) Qual é o momento processual adequado para que se contradite testemunha
da acusação?

29. (OAB/SP – 120) Arrole os direitos do inimputável sujeito à internação por força de medida
de segurança.

30. (OAB/SP – 120) É possível a tentativa de contravenção?

31. (OAB/SP – 121) Explique, dando o dispositivo legal, o que são normas penais permissivas,
também conhecidas como autorizantes.

32. (OAB/SP – 121) O indivíduo "A", em estado de embriaguez, promove atos escandalosos no
interior de freqüentado restaurante. "A", visivelmente embriagado, é retirado do ambiente por
seu amigo "B" e conduzido até o bar anexo, onde "B" e o garçom "C" lhe servem uísque.
Justifique, dando os dispositivos legais, se ocorreu ilícito penal.

33. (OAB/SP – 121) Particular pode ser co-autor de peculato? Explicite.

34. (OAB/SP – 121) O crime de roubo qualificado, art. 157, parágrafo 2.º, incisos I, II, III, IV e
V do C.P., é considerado crime hediondo?

35. (OAB/SP – 122) Qual é, atualmente, o conceito de infração de menor potencial ofensivo?
Justifique e fundamente a resposta.

36. (OAB/SP – 122) Que justiça é competente para julgar civil que, em co-autoria com policial
militar estadual em serviço, subtrai bem pertencente a uma Secretaria de Estado? Justifique e
fundamente a resposta.

37. (OAB/SP – 123) Qual o procedimento a ser seguido em relação ao recurso interposto da
decisão do juiz da execução penal que indefere o livramento condicional? Fundamentar.

38. (OAB/SP – 123) João atira em determinada pessoa, mas erra o alvo, atingindo apenas outra
pessoa que vem a falecer. Como deve ser responsabilizado?

39. (OAB/SP – 123) O que pode suceder se foi recebida queixa apresentada por advogado sem
estar acompanhada de procuração que faça menção ao fato criminoso?

40. (OAB/SP – 124) Corrija a seguinte frase, apontado os seus erros e justificando a correção:
“A coação moral, como causa excludente da tipicidade, ocasiona sempre a absolvição do coato,
só sendo punível o coator”.

41. (OAB/SP – 125) Como o artigo 5o, XLII, da Constituição Federal, considera, entre outros,
crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia o terrorismo, tem sido questionada pela
doutrina a previsão do crime de terrorismo entre nós.
Pergunta-se: a) que artigo de lei se refere ao terrorismo como prática criminosa? b) essa
disposição permite afirmar que existe, entre nós, o crime de terrorismo?

175
42. (OAB/SP – 125) Pedro, não funcionário, ingressou na repartição pública em que João,
funcionário público, seu amigo, trabalha e subtraiu o computador que João, conforme
previamente combinado, deixara sobre a sua mesa. O ingresso se deu no período noturno, com
uso de chave cedida por João.
Pergunta-se: que crimes cometeram Pedro e João? Justifique.

43. (OAB/SP – 126) O Promotor de Justiça requereu arquivamento do inquérito policial porque,
em face das circunstâncias objetivas e subjetivas ligadas ao fato e ao agente, a pena aplicável
levaria à prescrição retroativa.
Como deve o juiz agir em face do requerimento formulado? Indique, se for o caso, as alternativas
possíveis para o juiz em face das orientações divergentes a respeito do assunto.

44. (OAB/SP – 126) O Brasil adotava o sistema do duplo binário.


O que significa a adoção desse sistema? Qual sistema o substituiu e qual o seu significado?

45. (OAB/SP – 127) No que consiste a teoria da actio libera in causa? É adotada no direito
brasileiro? Fundamentar legalmente.

46. (OAB/SP – 127) João e Maria convivem, sem serem casados, há vinte anos, na mesma casa e
tiveram três filhos. João foi condenado por crime de roubo qualificado. Maria e o pai de João, de
nome Pedro, escondem-no em um sítio de propriedade de um amigo, chamado Antonio, dando a
este conhecimento do fato de João estar condenado. Que crimes cometem Maria, Pedro e
Antonio? Justifique.

47. (OAB/SP – 127) Que justiça e órgão julgam juiz de direito do Estado de São Paulo acusado
de homicídio doloso ocorrido na cidade de Campo Grande – MS?

48. (OAB/SP – 128) Tem-se admitido que o Tribunal de Justiça, em revisão criminal, possa
absolver pessoa condenada pelo Tribunal do Júri. Como conciliar tal orientação com o princípio
constitucional da soberania dos veredictos (art. 5o, inciso XXXVIII, alínea c, da Constituição
Federal)?

49. (OAB/SP – 128) Para a regressão de regime de cumprimento de pena pela prática de fato
definido como crime doloso, conforme disposto no art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal,
há necessidade de sentença condenatória transitada em julgado em relação a este crime?
Fundamentar.

50. (OAB/SP – 128) Que é flagrante diferido ou retardado? É possível a sua realização? Aplica-
se a todas as espécies de crimes?

51. (OAB/SP – 129) Que são escusas absolutórias? Fundamente e indique as suas
conseqüências.

52. (OAB/SP – 129) Que é competência por prerrogativa de função? Em relação ao co-autor
particular, estende-se a ele essa competência? Fundamente.

53. (OAB/SP – 129) Se alguém, para matar, fere a vítima, segundo a doutrina ele só será punido
pelo crime de homicídio. Neste caso, que tipo de conflito existe e qual o critério utilizado para
resolvê-lo?

54. (OAB/SP – 129) O acusado apelou de uma condenação pelo Tribunal do Júri, alegando que

176
se tratava de decisão manifestamente contrária à prova dos autos. No dia seguinte, ainda dentro
do prazo, ingressa com nova apelação, sustentando que a decisão, além de manifestamente
contrária à prova dos autos, era nula. É admissível essa segunda apelação? Por quê?

55. (OAB/SP – 130) A e B, sem estarem previamente combinados, atiram, ao mesmo tempo, em
C, que faleceu em virtude de ser atingido por somente um dos projéteis. Como a doutrina
denomina essa situação? A e B responderiam por algum crime? Justifique.

56. (OAB/SP – 130) Foi expedido mandado de busca e apreensão para ingresso na residência de
A, cujo objeto era a busca e apreensão de coisas que serviriam como fontes de prova em
investigação sobre homicídio que teria sido cometido por A. No interior da residência nada foi
encontrado sobre o homicídio, mas os policiais acharam, fortuitamente, um famoso quadro que
fora subtraído de um museu. Pode ser o quadro apreendido? Explique, indicando as diversas
posições.

57. (OAB/SP – 130) O Ministério Público pode apelar de sentença absolutória proferida em
processo iniciado por queixa? Fundamente a resposta.

58. (OAB/SP – 130) O tempo de prisão provisória em um processo pode, sempre, ser computado
em pena privativa de liberdade imposta em outro processo? Fundamentar.

59. (OAB/SP – 131) Quais os requisitos de admissibilidade da prisão temporária? Eles são
alternativos ou cumulativos?

60. (OAB/SP – 131) Todos os crimes da lei de drogas (Lei n.° 11.343/06) autorizam a prisão
preventiva? Por que razão?

61. (OAB/SP – 132) O que significa a expressão “detração penal”?

62. (OAB/SP – 132) Qual a diferença entre perdão judicial e perdão tácito?

63. (OAB/SP – 132) O que é a reforma in pejus indireta?

64. (OAB/SP – 132) O que significa a expressão “despronúncia”?

65. (OAB/SP – 132) É possível a incidência da escusa absolutória no crime de roubo?

66. (OAB/SP – 133) A Constituição Federal, em seu artigo 5.º, LVI, declara a inadmissibilidade
de provas obtidas por meios ilícitos. Houve, na doutrina e na jurisprudência, entendimento de
que, com a aplicação de determinado princípio, permite-se utilização de prova obtida com ofensa
às inviolabilidades constitucionais. Qual é esse princípio? Quando poderá ser aplicado?

67. (OAB/SP – 133) O que é tipo misto alternativo? Indique, na legislação brasileira, tipos desse
teor.

68. (OAB/SP – 133) Comete crime quem coloca pontas de lança no muro de sua residência para
protegê-la e causa, por isso, lesões corporais graves em uma criança de 9 (nove) anos que tentou
pular o referido muro para colher frutas no quintal daquela residência? Explique.

177
69. (OAB/SP – 133) Um Promotor de Justiça foi intimado de decisão do Juiz das execuções
criminais e interpôs agravo no sétimo dia útil após a sua intimação. O recurso interposto é o
adequado? Foi tempestivo?

70. (OAB/SP 134) Distinga crime habitual de crime continuado, indicando o critério de
distinção.
QUE
71. (OAB/SP 134) Que é absolvição imprópria? Ela impede o ajuizamento da ação civil ex
delicto?
QUESTÃO
72. (OAB/SP 134) Considere-se que, em homicídio culposo decorrente de acidente de trânsito, a
acusação tenha atribuído ao acusado conduta imprudente, consistente em direção em excesso de
velocidade. Considere-se, ainda, que, durante a instrução, as provas demonstraram ter ocorrido,
na realidade, negligência na conservação do veículo, causa da falha no funcionamento do freio.
Considere-se, por fim, que, encerrada a instrução, após ouvidas as partes, o juiz tenha proferido
decisão condenatória por homicídio culposo, à pena mínima, fundando-se na negligência
provada.
Nessa situação, agiu corretamente o juiz? Justifique a sua resposta com base na legislação
pertinente.
QUESTÃ
73. (OAB/SP 134) Carlos, em sua casa, desferiu tapas e socos em sua esposa, Sônia, causando-
lhe ferimentos leves. Ela se dirigiu à delegacia de polícia, manifestando interesse em que seu
marido fosse processado, porque, segundo ela, ele já a havia agredido outras vezes. O promotor
de justiça ofereceu denúncia contra Carlos por infração ao art. 129, caput, do Código Penal.
Depois disso, Sônia compareceu ao gabinete do promotor e disse que não queria mais a
instauração do processo contra o marido, pois ela e Carlos haviam se reconciliado e estavam
vivendo em harmonia.
Discorra sobre o que pode ou deve ser feito em face da situação apresentada.

74. (OAB UNIFICADO 2008.2) Pietro, acusado de ter atropelado fatalmente Júlia, esposa de
Maurício, foi absolvido, após o regular trâmite processual, por falta de provas da autoria.
Inconformado, Maurício continuou a investigar o fato e, cerca de um ano após o trânsito em
julgado da decisão, conseguiu reunir novas provas da autoria de Pietro.
Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) consultado(a) por
Maurício, elabore parecer acerca da possibilidade de Maurício se habilitar como assistente da
acusação e de Pietro ser novamente processado.

75. (OAB UNIFICADO 2008.2) José, policial militar responsável pelo controle do trânsito,
abordou Gonçalo, pedindo-lhe que retirasse o veículo da via por este estar mal estacionado,
oportunidade em que Gonçalo retrucou-lhe: “Quero ver o militarzinho borra-botas que é homem
para me fazer tirar o carro!”. José conduziu Gonçalo até a delegacia mais próxima, onde a
autoridade efetuou os procedimentos cabíveis e encaminhou as partes para o juízo criminal
competente. Na audiência preliminar, Gonçalo confirmou as ofensas proferidas e pediu
desculpas a José, que as aceitou, ocorrendo a conciliação nos termos previstos em lei.
Em face da situação hipotética apresentada e considerando que Gonçalo não tenha antecedentes
criminais, responda, de forma fundamentada, às perguntas a seguir.
Que crime Gonçalo praticou?
Em face do crime praticado, o representante do Ministério Público tem legitimidade para tomar
alguma providência legal?

178
76. (OAB UNIFICADO 2008.2) Penélope, grávida de 6 meses, foi atingida por disparo de arma
de fogo efetuado por Teobaldo, cuja intenção era matar a gestante e o feto. Socorrida por
populares, a vítima foi levada ao hospital e, em decorrência das lesões sofridas, perdeu o rim
direito. O produto da concepção veio ao mundo e, alguns dias depois, em virtude dessas
circunstâncias, morreu.
Considerando a situação hipotética apresentada, tipifique a(s) conduta(s) de Teobaldo.

77. (OAB UNIFICADO – 2008.3) João praticou crime de lesão corporal contra sua progenitora,
com quem residia havia 4 anos, tendo sido regularmente processado por tal fato. Ao final, João
foi condenado a detenção de 2 anos, tendo o magistrado feito incidir, sobre a pena, a agravante
do parentesco (art. 61, II, e, do Código Penal) e a referente às relações domésticas (art. 61, II, f,
do Código Penal).
Considerando a situação hipotética apresentada, responda, de forma fundamentada, se agiu
corretamente o magistrado ao aplicar a pena bem como se é possível a suspensão condicional do
processo.

78. (OAB UNIFICADO – 2009.1) Bruno foi condenado a três anos de reclusão e ao pagamento
de cem dias-multa por portar cédulas falsas — Código Penal (CP), art. 289, § 1.º. O
requerimento feito pela defesa, que pretendia converter a pena privativa de liberdade em
restritiva de direitos, foi denegado pelo magistrado de primeiro grau, em virtude da existência de
condenação anterior, já transitada em julgado, pelo crime de estelionato (CP, art. 171).
Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, se é cabível, em tese, a
pretendida substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.

79. (OAB UNIFICADO – 2009.1) Félix, réu primário, foi condenado a 10 meses de detenção e
a trinta dias-multa pela prática do delito previsto no art. 29, caput, da Lei n.º 9.605/1998.
Durante a instrução do feito, comprovou-se que as circunstâncias descritas no art. 44, III, do
Código Penal eram favoráveis a Félix. Nesse contexto, o juiz sentenciante converteu a pena
privativa de liberdade em pena restritiva de direitos, consistente na prestação de serviços à
comunidade, por igual prazo. O advogado contratado pelo réu apresentou o recurso apropriado,
pleiteando a conversão da pena privativa de
liberdade em multa, uma vez que a prestação de serviços à comunidade era medida mais gravosa
ao seu cliente.
Nessa situação hipotética, é plausível a pretensão recursal da defesa de Félix? Fundamente sua
resposta.

80. (OAB UNIFICADO – 2009.1) Suponha que Ismael seja secretário de segurança do estado
de Minas Gerais e, nessa condição, tenha cometido delito de homicídio doloso contra Ricardo.
Nessa situação hipotética, dado que a Constituição mineira assegura prerrogativa de foro aos
secretários estaduais, de quem é a competência para processar e julgar Ismael? Justifique sua
resposta com base no Código de Processo Penal e na jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal.

81. (OAB UNIFICADO – 2009.2) Edson, condenado à pena de 8 anos de reclusão pela prática
do crime de atentado violento ao pudor contra sua genitora, e seu defensor foram intimados da
sentença em 8/5/2009, sexta-feira. Inconformada com a sentença, a defesa interpôs recurso de
apelação em 15/5/2009, antes do final do expediente forense. O juiz, contudo, alegando
intempestividade do apelo, não recebeu o recurso, tendo sido essa decisão publicada em
1/6/2009, segunda-feira, data em que Edson e seu advogado compareceram em juízo e tomaram
ciência da denegação.

179
Considerando a situação hipotética apresentada, esclareça, de forma fundamentada, com a
indicação dos dispositivos legais pertinentes, se o juiz agiu corretamente ao denegar a apelação e
se o Código de Processo Penal prevê algum recurso contra a decisão proferida.
Em caso afirmativo, indique o recurso cabível e o último dia do prazo para sua interposição.

82. (OAB UNIFICADO – 2009.2) Pedrosa foi condenado, definitivamente, perante a 1.ª, a 3.ª, a
5.ª e a 2.ª Vara Criminal da Comarca A, respectivamente, por ter subtraído, em cada um dos dias
11/1/2007, 12/1/2007, 13/1/2007 e 14/1/2007, aparelho de som automotivo do interior de veículo
estacionado, mediante arrombamento do vidro traseiro.
Nessa situação hipotética, havendo o início da execução de todas as penas privativas de liberdade
e tendo o juiz da execução negado a unificação das penas, que medida judicial privativa de
advogado é cabível para beneficiar o condenado? Sob que fundamentos jurídicos de direito
material e processual? A que órgão compete o julgamento?

83. (OAB UNIFICADO – 2009.2) Divino foi condenado definitivamente à pena privativa de
liberdade de 1 ano de detenção, pela prática do delito previsto no art. 16 da Lei n.º 6.368/1976
(uso de substância entorpecente). Antes de se iniciar o cumprimento da pena, foi publicada a Lei
n.º 11.343/2006 (nova lei de drogas), na qual não está prevista pena privativa de liberdade para
condutas análogas à praticada por Divino, mas, tão somente, as medidas previstas no art. 28.
Nessa situação hipotética, que argumento jurídico o(a) advogado(a) de Divino poderia utilizar
para pleitear a aplicação da nova lei?
Qual seria o juízo competente para decidir sobre a referida aplicação? Fundamente ambas as
respostas.

84. (OAB UNIFICADO – 2009.2) O empresário João foi denunciado pela suposta prática de
crime de sonegação fiscal, previsto no artigo 1.º da Lei 8.137/1990. A denúncia foi recebida, não
tendo havido o esgotamento da via administrativa na apuração do tributo devido.
Em face dessa situação hipotética, apresente o fundamento jurídico para evitar o curso da ação
penal.

85. (OAB UNIFICADO - 2009.3)


Em processo criminal que tramitou perante a justiça federal comum, foi apurada a prática de
crime de extorsão mediante sequestro. O juiz da causa ordenou, no curso da instrução do
processo, que se expedisse carta rogatória para a oitiva da vítima e se colhesse depoimento de
uma testemunha arrolada, na denúncia, pelo Ministério Público. Foi encerrada a instrução do
processo, sem o retorno das sobreditas cartas, tendo o juiz proferido sentença na qual condenou
os réus, entre os quais, Jair K. Os réus apelaram e a condenação foi mantida pelo tribunal
regional federal, por unanimidade. O acórdão condenatório transitou em julgado em 20/3/2010.
Após essa data, as cartas rogatórias regressaram, e o juiz originário do feito mandou juntá-las aos
autos. O conteúdo das cartas afastou, de forma manifesta e cabal, a participação de Jair K. nos
fatos apurados, tendo ele constituído advogado, em 26/3/2010.
Em face dessa situação hipotética, indique, com a devida fundamentação legal, a medida judicial
a ser adotada em favor de Jair K. bem como o órgão competente para julgá-la, o fundamento
legal da medida, o prazo para o ajuizamento, o mérito da questão e seus pedidos e efeitos.

86. (OAB UNIFICADO – 2009.3)


O juiz criminal responsável pelo processamento de determinada ação penal instaurada para a
apuração de crime contra o patrimônio, cometido em janeiro de 2010, determinou a realização de
importante perícia por apenas um perito oficial, tendo sido a prova pericial fundamental para
justificar a condenação do réu.

180
Considerando essa situação hipotética, esclareça, com a devida fundamentação legal, a
viabilidade jurídica de se alegar eventual nulidade em favor do réu, em razão de a perícia ter sido
realizada por apenas um perito.

87. (OAB UNIFICADO – 2009.3)


Júlio foi denunciado pela prática do delito de furto cometido em fevereiro de 2010. Encerrada a
instrução probatória, constatou-se, pelas provas testemunhais produzidas pela acusação, que
Júlio praticara roubo, dado o emprego de grave ameaça contra a vítima.
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
a) Dada a nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pela autoridade
judicial, sem que se fira o princípio da ampla defesa?
b) O princípio da correlação é aplicável ao caso concreto?
c) Caso Júlio tivesse cometido crime de ação penal exclusivamente privada, dada a nova
definição jurídica do fato narrado na queixa após o fim da instrução probatória, seria aplicável o
instituto da mutatio libelli?

88. (OAB UNIFICADO – 2009.3)


Tomé responde a ação penal submetida ao procedimento ordinário pela suposta prática do delito
de estelionato, na modalidade de fraude no pagamento por meio de cheque (CP, art. 171, VI).
Condenado o réu em primeira instância, o juiz sentenciante fixou a pena em dois anos de
reclusão e vinte dias-multa, omitindo-se quanto à substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos. A sentença condenatória foi publicada em 8/3/2010, segunda-feira, mesmo
dia da intimação pessoal de Tomé e de seu advogado. Durante a instrução processual, restou
comprovado que Tomé é réu reincidente, constando em sua folha de antecedentes criminais
condenação anterior, transitada em julgado, pela prática de delito de furto (CP, art. 155, caput).
As outras circunstâncias judiciais, no entanto, lhe são plenamente favoráveis.
Em face dessa situação hipotética, indique, com a devida fundamentação, a medida judicial
adequada para sanar a referida omissão e o prazo final para sua apresentação, bem como
esclareça se Tomé faz jus à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.

89. (OAB UNIFICADO – 2009.3)


Ricardo, depois de descobrir que vinha sendo traído por sua namorada, Marta, aproveitando-se
do momento em que ela dormia, asfixiou-a até a morte e esquartejou o corpo. O crime chocou
toda a população da comarca de Cabo Frio – RJ, que passou a clamar por justiça e a exigir
punição exemplar para Ricardo. A denúncia foi recebida, a fase de prelibação transcorreu de
forma regular e Ricardo foi pronunciado. Durante o curso de toda a instrução preliminar, tanto a
família de Ricardo quanto o juiz presidente da vara do tribunal do júri foram, por diversas vezes,
alertados, por intermédio de cartas, bilhetes e mensagens eletrônicas, de que os jurados que
poderiam vir a compor o conselho de sentença não seriam isentos para julgar o caso, sob a
alegação de que vários deles integravam grupo de extermínio que havia decidido dar cabo à vida
de Ricardo no dia designado para a realização do julgamento em plenário. Todas as mensagens
foram devidamente juntadas aos autos, tendo sido os fatos amplamente divulgados pela
imprensa. Houve uma tentativa de linchamento de Ricardo por populares, após a qual a imprensa
veiculou imagens da delegacia de polícia local, oportunidade em que alguns jurados alistados
foram identificados nas fotos.
Considerando a situação hipotética apresentada, indique, com base nos dispositivos legais
pertinentes, a providência jurídica a ser adotada para garantir a imparcialidade do julgamento e a
autoridade judiciária competente para apreciar o pedido a ser feito.

90 (OAB UNIFICADO 2010.1)

181
Em 27/8/2009, na cidade de Goiânia – GO, o servidor público federal Lucas, motorista do
Ministério da Saúde, no exercício de suas funções e no horário de expediente, atropelou e matou
Almir, na faixa de pedestres. Instaurado e concluído o inquérito policial, com regular tramitação,
foi o servidor denunciado pela prática do crime de homicídio culposo. Após recebimento da
denúncia, o feito transcorreu em perfeita obediência aos comandos legais e resultou na
condenação de Lucas. O magistrado, ao proferir a sentença penal condenatória, fixou, desde
logo, o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração, considerando os
prejuízos sofridos pelo ofendido e devidamente comprovados no processo, nos expressos termos
do art. 387, inciso IV, do Código de Processo Penal (CPP). Inconformado, Lucas apelou,
encontrando-se o recurso pendente de julgamento.
Em face dessa situação hipotética, responda, com fundamento no atual disciplinamento do CPP,
às seguintes indagações.
a) O valor fixado pelo juiz na sentença penal condenatória poderá ser objeto imediato de
execução?
b) O valor fixado pelo juiz.

Resposta: Trata-se de ação civil ex-delicto, prevista no art. 63 e seguintes do Código de


Processo Penal. O montante deverá ser fixado pelo juiz na sentença penal condenatória,
conforme disposto no art.
387, inciso IV, do CPP:
“Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
(...)
IV – fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os
prejuízos sofridos pelo ofendido;”
(...).”
O valor fixado somente poderá ser objeto da ação executória após o trânsito em julgado, nos
exatos termos do art. 63 do CPP:
“Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo
cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus
herdeiros.”
No que diz respeito ao valor mínimo fixado pelo juiz criminal na sentença penal condenatória,
nada obsta que os herdeiros de Almir promovam a liquidação do julgado no juízo cível para a
apuração do valor do dano efetivamente sofrido, nos exatos termos do preceito contido no
parágrafo único do já mencionado art. 63:
“Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor
fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação
para a apuração do dano efetivamente sofrido.”

91. (OAB UNIFICADO 2010.1)


Na zona rural de determinado município, foram encontrados vinte e sete trabalhadores rurais,
entre os quais seis adolescentes e uma criança com dez anos de idade, que, contratados para
trabalhar na lavoura, eram submetidos ao regime diário de quinze horas de trabalho, em local
insalubre, sem instalações sanitárias, alojados em galpão sem ventilação. Todos estavam, havia
três meses, proibidos de deixar a fazenda, sob grave ameaça, em face de dívidas contraídas com
o arrendatário das terras, decorrentes do deslocamento de cidade do interior do estado para o
local de trabalho, bem como pela aquisição de produtos alimentícios, remédios e ferramentas no
armazém existente na sede da fazenda, de propriedade do empregador. Os documentos pessoais
dessas pessoas foram retidos pelo gerente da fazenda, permanecendo elas, todo o tempo, sob
forte vigilância de seis agentes de segurança, que, sem o devido licenciamento de porte de arma,
ostentavam armas de grosso calibre, algumas de uso restrito das Forças Armadas. Dois

182
empregados que tentaram fugir foram brutalmente agredidos por todos os agentes de segurança e
sofreram lesões de natureza gravíssima, ficando incapacitados definitivamente para o trabalho.
Nessa situação hipotética, que crime(s) praticaram o arrendatário da fazenda, o gerente e os
seguranças do imóvel rural? Fundamente sua resposta.

Resposta: Todos irão responder pelo crime de sujeição a trabalho escravo, previsto no art. 149,
§ 1.º, incisos I e II, e § 2.º, inciso I, do Código Penal.
“Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou
a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo,
por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou
preposto.
Pena – reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1.º Nas mesmas penas incorre quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador com o fim de retê-lo
no local de trabalho;
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2.º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I – contra criança ou adolescente;
(...)”
Na doutrina, conferir o posicionamento de José Henrique Pierangeli. Manual de direito penal
brasileiro. V.2 – Parte especial. 2 ed., São Paulo: RT, 2007, p. 156-161.
Os seguranças praticaram, ainda, o crime previsto no art. 16 da Lei 10.826/2006, além do crime
de lesão corporal grave (CP, art. 129, § 2.º). Na doutrina, confira-se o posicionamento de José
Henrique Pierangeli. Op. cit., p. 77-80.
Na hipótese, como houve associação de mais de três pessoas para a prática de delitos, poderá
ser
imputada a todos os agentes a prática do crime formação de quadrilha ou bando, nos expressos
termos do art. 288 do Código Penal.

92. (OAB UNIFICADO 2010.1)


A autoridade policial titular da delegacia de combate aos delitos contra o patrimônio de
determinado município instaurou inquérito para a apuração da prática de crime contra certo
comerciante local, que teve seu estabelecimento furtado há quase oito anos. As investigações
desenvolvem-se de forma lenta, pois várias diligências foram efetuadas em outras circunscrições
policiais da mesma comarca, razão pela qual o delegado responsável pelo caso constantemente
vale-se da expedição de cartas precatórias e requisições para as autoridades policiais dessas
unidades, a fim de cumprir os atos necessários ao esclarecimento do delito. Em uma dessas
diligências, houve demora de mais de um ano para promover a oitiva de apenas uma testemunha.
Apesar do tempo transcorrido, a polícia ainda não dispõe de elementos capazes de identificar a
autoria do delito. O comerciante não mantinha, em seu estabelecimento, sistema de segurança
pessoal nem sistema eletrônico de segurança, não dispondo, assim, de nenhuma prova da autoria
dos fatos. Dada a iminência do fim do prazo prescricional, o referido comerciante solicitou
orientação a profissional da advocacia, no intuito de tomar alguma providência para a punição
dos criminosos.
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, aos seguintes
questionamentos.
a) Diante da necessidade de cumprir diligências em outra circunscrição, a autoridade policial
poderia ordená-las diretamente sem a expedição de carta precatória ou de requisições?
b) Seria viável, na hipótese, intentar ação penal privada subsidiária da pública?

183
Resposta: A resposta é afirmativa. Nos termos do art. 22 do Código de Processo Penal:
“No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a
autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar
diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem
assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que
ocorra em sua presença, noutra circunscrição.”
A atribuição da autoridade policial é determinada, de modo geral, de acordo com o lugar onde
se consumou a infração (CPP, art. 4.º). Entretanto, a fim de evitar que a burocracia atrase as
investigações, permite-se que a autoridade policial proceda a diligências em qualquer outra
circunscrição da comarca, independentemente de precatórias ou requisições.
O CPP autoriza, ainda, que uma autoridade policial, mesmo fora de sua circunscrição, pratique
diligências necessárias a respeito de fato que ocorra em sua presença até a chegada da
autoridade competente. Não se impede, por outro lado, que as investigações encetadas por
determinada delegacia possam ser avocadas e realizadas por outra. Por fim, o inquérito não
está abrangido pela norma constitucional que trata da regra de competência das autoridades
judiciais (CF, art. 5.º, LIII).
Apesar de ser, em tese, possível intentar ação penal privada subsidiária da pública (CPP, art.
29), esta não seria viável, na medida em que a autoria do delito não foi esclarecida pelas
autoridades policiais, além de o próprio comerciante não dispor de elementos de prova nesse
sentido. Assim, não estariam completamente atendidos os requisitos previstos no art. 41 do
CPP:
“A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias,
a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação
do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.”

93. (OAB UNIFICADO 2010.1)


Jânio foi denunciado pela prática de roubo tentado (Código Penal, art. 157, caput, c/c art. 14, II),
cometido em dezembro de 2009, tendo sido demonstrado, durante a instrução processual, que o
réu praticara, de fato, delito de dano (Código Penal, art. 163, caput).
Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes
indagações.
a) Em face da nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pelo juiz?
b) Caso a nova capitulação jurídica do fato fosse verificada apenas em segunda instância, seria
possível a aplicação do instituto da emendatio libelli?

Resposta: Leia-se o que prescreve o art. 383 do Código de Processo Penal:


“O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe
definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave.
(...)
§ 2.º Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão encaminhados os
autos.”
No caso, o juiz deverá remeter os autos para o juizado especial competente. Isso porque o delito
de dano (CP, art. 163, caput) é considerado de menor potencial ofensivo (Lei n.º 9.099/1995,
art. 61), razão pela qual é aplicável, então, o comando do § 2.º do art. 383 do CPP.
Não existe qualquer impedimento legal para a aplicação do instituto da emendatio libelli em
segunda instância (CPP, art. 383), pois não há que se falar em surpresa para as partes, na
medida em que não há alteração do contexto fático narrado na inicial acusatória (Nesse
sentido: Fernando Capez. Curso de processo penal. 16 ed., São Paulo: Saraiva, p. 466).

94 (OAB UNIFICADO 2010.1)

184
Tadeu foi preso em flagrante e denunciado pela prática do crime de abandono de incapaz (art.
133 do Código Penal), para o qual é prevista a pena de detenção de seis meses a três anos.
Considerando a situação hipotética apresentada, indique, com a devida fundamentação, o
procedimento a ser adotado no curso da instrução criminal (comum ou especial; ordinário,
sumário ou sumaríssimo), o número máximo de testemunhas que poderão ser arroladas pela
defesa e o prazo, incluída eventual possibilidade de prorrogação, para a defesa apresentar suas
alegações finais orais.

Resposta: Considerando que a pena máxima cominada ao crime de abandono de incapaz é


inferior a quatro anos, o procedimento a ser adotado será o comum sumário, nos termos do art.
394, § 1.º, II, do Código de Processo Penal:
“O procedimento será comum ou especial.
§ 1.º O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:
(...)
II – sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4
(quatro) anos de pena privativa de liberdade;
(...).”
Tratando-se de ação penal que seguirá o procedimento comum sumário, a defesa poderá arrolar
até cinco testemunhas, de acordo com o que dispõe o art. 532 do CPP:
“Na instrução, poderão ser inquiridas até 5 (cinco) testemunhas arroladas pela acusação e 5
(cinco) pela defesa.”
A defesa terá o prazo de vinte minutos, prorrogáveis por mais dez, para apresentar suas
alegações finais orais, nos termos do art. 534 do CPP:
“As alegações finais serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à
defesa, pelo prazo de 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a
seguir, sentença.”

185
12. GABARITO – QUESTÕES PRÁTICAS.

1. É a restituição de qualidades e atribuições que o condenado havia perdido.

2. É uma causa extintiva da punibilidade e ocorre quando, uma vez instaurada a ação penal
privada, o ofendido ou seu representante legal desiste de prossegui-la.

3. No laudo de exame de corpo de delito.

4. Considerar o disposto na Lei 8.072/90

5. A diferença está no núcleo do tipo. Na concussão o agente "exige" a vantagem indevida,


enquanto que na corrupção passiva o agente "solicita" ou "recebe" a vantagem indevida.

6. É causa extintiva da punibilidade, que se verifica quando o querelante por inércia deixa de
providenciar o andamento da ação penal privada, acarretando a perda do direito de nela
prosseguir.

7. Conduta/ resultado/ relação de causalidade/ tipicidade

8. O fato que serve para justificar a agravante da reincidência (CP, art. 61, I) não pode ser levado
à conta de maus antecedentes para fundamentar a fixação da pena-base acima do mínimo legal
(CP, art. 59). Reconhecendo a ocorrência de "bis in idem", deve-se excluir da pena-base o
aumento decorrente da circunstância judicial desfavorável.

9. A manutenção da prisão em flagrante só se justifica quando presentes os requisitos


ensejadores da prisão preventiva, nos termos do art. 310, parágrafo único do C.P.P.. O
fundamento invocado de garantia da ordem pública, sem qualquer outra demonstração de real
necessidade, nem tampouco da presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva, não
justifica a manutenção do flagrante.

10. Artigo 265 C.P..

11. Maria das Flores comete o crime de auto-aborto (artigo 124 do Código Penal) e Ulisses
Gabriel também responde pelo mesmo crime, na condição de co-autor (artigo 29, caput, do
Código Penal).

12. Arts. 93 a 95 CP.


- decurso de dois anos, a partir da data em que foi extinta, de qualquer modo, a pena imposta;
- tenha tido domicílio no País no prazo acima referido;
- tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento
público e privado;
- tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstrada a absoluta impossibilidade de o
fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove renúncia da vítima ou novação da
dívida.

13. Detração é o cômputo, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, do tempo de


prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e internação em hospital
de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à sua falta, a outro estabelecimento adequado (Artigo
42, C.P.)

186
Remição: é instituto pelo qual o condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto
poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo da execução da pena. A contagem do tempo é feita a
razão de um dia de pena por três de trabalho (artigo 126 e § 1º da LEP).

14. É possível desde que, havendo prova do crime e indício suficiente de autoria, seja decretada a
prisão preventiva pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante
representação da autoridade policial.

15. João Antonio não poderá ser processado criminalmente pois era inimputável à época do fato,
ficando sujeito às normas estabelecidas na legislação especial (artigo 27 do C.P.). A
circunstância de ser casado não lhe confere maioridade penal, mas tão-somente a civil.

16. Antonio deverá ser responsabilizado por tentativa de furto qualificado (mediante escalada)
em concurso material com lesão corporal de natureza grave (Artigo 155, § 4º, inciso II e artigo
129, § 1º, inciso II, c.c. o artigo 69, todos do Código Penal).

17. O Código Penal adotou a teoria objetiva, sendo certo que o quantum da redução da pena deve
ser encontrado em função das circunstâncias da própria tentativa. Vale dizer: quanto mais o
agente aproximou-se da consumação do crime, menor deve ser a redução da pena; quanto mais
distante ficou da consumação, maior deve ser a redução da pena.

18. O artigo 654 do Código de Processo Penal confere ao Ministério Público legitimidade para
impetrar Habeas Corpus. Demais, a Constituição Federal, em seu artigo 127, caput, atribui-lhe a
incumbência da "defesa da ordem jurídica, no regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis". Porém, só estará apto a agir em nome do Ministério Público o
promotor que, em razão do exercício de suas funções e nos limites de suas atribuições, tiver
conhecimento da ocorrência do constrangimento ou ameaça à liberdade.

19. José e os demais jurados envolvidos cometeram Crime Contra a Administração Pública, pois
sendo considerados funcionários públicos para fins penais (art.327 caput do CP) receberam
vantagem indevida. Incorreram, assim, nas sanções do artigo 317 do Código Penal - Corrupção
Passiva.

20. Ana: é partícipe no crime de auto-aborto (artigo 124, c.c. o artigo 29, ambos do Código
Penal); Maria: responde por auto-aborto (artigo 124 caput do Código Penal);
Geralda: responde por crime de aborto praticado com o consentimento da gestante (artigo 126 do
Código Penal); Clementina: responde por aborto consentido (artigo 124 do Código Penal).

21. A conduta de Maria das Dores se acomoda ao tipo penal do artigo 320, ou seja, assim
descrita:- "deixar o funcionário por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu
infração no exercício do cargo ou quando lhe falte competência, levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente".

22. Em princípio o Tribunal do Júri detém a competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida, tentados e consumados, enquanto que, se houver outro delito conexo, esse fato
atrairá a competência, fazendo a exceção, que é referida no Código de Processo Penal em seu
artigo 78, inciso I.

187
23. O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, também chamada de retroativa ou da
ação penal, faz desaparecer a sentença condenatória e, portanto, seus efeitos. Como
conseqüência, não tem como influir para os fins de se reconhecer a reincidência.

24. O comportamento de "A" configura dois delitos, que estão previstos nos artigos 336 ("Rasgar
ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário
público...") e 337 ("Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial... confiado à
custódia de funcionário..."), ambos do Código Penal.

25. Sim. Com a RC é instaurada uma nova relação processual, visando a desconstituir a sentença
e substituí-la por outra. Assim, a sentença na RC rescinde a sentença anterior e determina uma
das 3 primeiras hipóteses do 626, caput, do CPP. Conforme o 630, CPP, é possível, ainda,
cumular o pedido de indenização.

26. Representação é um meio que visa provocar iniciativa do Ministério Público, a fim de que
este ofereça a denúncia, que é a peça inicial da ação penal pública. É considerada condição de
procedibilidade.

27. Sim, conforme artigo 39 da lei de Contravenções Penais.

28. A contradita deverá ser argüida após a qualificação e antes da oitiva da testemunha,
conforme artigo 214, do Código de Processo Penal.

29. Os direitos do internado estão previstos no artigo 99, do Código Penal, que estabelece o
recolhimento a estabelecimento dotado de características hospitalares e recebimento de
tratamento.

30. Não, pois o art. 4º da Lei das Contravenções Penais declara a impunibilidade da tentativa
dessa espécie de ato ilícito.

31. São aquelas que permitem a prática de um fato típico, excluindo-lhe a ilicitude. São,
portanto, as causas de exclusão da ilicitude, art. 23 do Código Penal.

32. Sim. "A" cometeu a contravenção penal de embriaguez (art. 62), e os indivíduos "B" e "C", a
contravenção penal de servir bebida alcoólica a quem já se encontre embriagado, art. 63, II,
todos da L.C.P..

33. Sim, conforme o art. 30 do C.P., pois é circunstância elementar do delito, a condição de
servidor público, que se comunica ao particular, quando este conhecia a condição do mencionado
funcionário.

34. Não, em virtude da relação dos crimes hediondos, mencionados na Lei 8072 de 25/07/90, não
ter incluido o crime de roubo no elenco dos delitos considerados como tal.

35. O conceito originário da Lei 9.099/95 foi ampliado pela dos Juizados Especiais Federais (Lei
nº 10.259/2001) de modo que atualmente abrange toda infração penal cuja pena máxima não
seja superior a 2 anos, sujeita ou não a procedimento especial.

36. Justiça Estadual Comum porque, pela Constituição Federal (art. 125, parágrafo 4º ), a Justiça
Militar só julga policial militar e bombeiro, não tendo, assim, competência para julgar processo

188
de civil. Ainda, pelo artigo 79 – I, a continência, no caso, não importa em unidade de processo e
julgamento.

37. O recurso é o agravo previsto no artigo 197 da Lei de Execução Penal. Embora houvesse
anteriormente divergência doutrinária e jurisprudencial quanto ao rito a ser seguido para esse
recurso, ora se afirmando que deveria ser o procedimento do agravo do Código de Processo
Civil, ora se sustentando que deveria ser o procedimento do recurso em sentido estrito,
atualmente, em virtude de orientação consolidada no Supremo Tribunal Federal, deve ser
adotado o rito do recurso em sentido estrito.

38. Cuida-se de hipótese de erro na execução do crime. Assim, aplica-se ao caso o artigo 73 do
Código Penal, ou seja, o agente responde como se tivesse praticado o crime contra a pessoa que
pretendia ofender, atendendo-se o disposto no §. 3 º, do artigo 20, do Código Penal.

39. O juiz não deveria ter recebido a queixa. Assim, se a falha for descoberta posteriormente,
deve o juiz anular o processo e, se for o caso, declarar extinta a punibilidade em virtude da
decadência. Ainda, se o juiz determinar que a procuração seja regularizada ou se o próprio
querelante perceber a falha, tem-se entendido, com base no artigo 568, do Código de Processo
Penal, ser possível a regularização desde que não tenha havido decadência.

40. A frase correta, de acordo com o artigo 22 do Código Penal, aplicável ao caso, seria: “A
coação moral irresistível, como causa excludente da culpabilidade, ocasiona, sempre, a
absolvição do coato, só sendo punível o coator”.
A coação moral pode ser irresistível ou resistível.
Quando irresistível, a coação moral exclui a culpabilidade em relação ao coato, sendo punido
apenas o coator. Neste caso, como há um resquício de vontade na conduta do coato, o crime
subsiste. Existindo crime, não há que se falar em exclusão da tipicidade. Trata-se, como dito, de
causa excludente da culpabilidade.
A coação resistível, por sua vez, não causa a exclusão da culpabilidade, sendo o coato punido.
Neste caso, a coação serve apenas como atenuante genérica prevista no art. 65, inciso III, c,
primeira parte, do Código Penal.

41. O artigo 20 da Lei 7.170, de 14.12.83, considera crime “... praticar... atos de terrorismo”.
Parte da doutrina, contudo, sustenta que, ante a generalidade da disposição, inexiste, na
realidade, definido entre nós o crime de terrorismo. Considera que há ofensa ao princípio da
legalidade.

42. Peculato-subtração (artigo 312, §1º). Comunica-se a condição de funcionário público, porque
elementar do crime (art. 30 do Código Penal).

43. Primeira alternativa – Encaminhar ao Procurador-Geral de Justiça (art. 28 do CPP),


sustentando o não cabimento do arquivamento em face de provável prescrição pela pena em
concreto, porque esta depende da sentença e não está prevista no direito brasileiro.
Segunda alternativa – Determina o arquivamento do inquérito policial, admitindo falta de
interesse de agir pela provável prescrição da pena em concreto.

44. Segundo o sistema do duplo binário, vigente antes da Reforma Penal de 1984, o juiz podia
aplicar pena e medida de segurança. O sistema que o substituiu foi o vicariante, o qual veda a
aplicação conjunta de pena e de medida de segurança.

189
45. Conforme consta da Exposição de Motivos do Código, foi adotada, com o artigo 28 do
Código Penal, a teoria da “actio libera in causa”. Por essa teoria, “não deixa de ser imputável
quem se pôs em estado de inconsciência ou de incapacidade de autocontrole dolosa ou
culposamente (em relação ao fato que constitui o delito), e nessa situação comete o crime”
(Mirabete, 5.7.2). Esclarece o autor citado: “A explicação é válida para os casos de embriaguez
preordenada ou mesmo da voluntária ou culposa quando o agente assumiu o risco de,
embriagado, cometer o crime ou, pelo menos, quando a prática do delito era previsível, mas não
nas hipóteses em o agente não quer ou não prevê que vá cometer o fato ilícito”.

46. O crime seria o previsto no artigo 348 do Código Penal. O pai, Pedro, não responde pelo
crime porque, segundo o § 2º, fica isento de pena o ascendente. O amigo, Antonio, poderá ser
punido pelo delito, porque a ele não se aplica o referido parágrafo. Quanto a Maria, duas
interpretações são possíveis. Por uma orientação mais rígida, ela responderia porque o parágrafo
só isenta de pena o cônjuge. Por outra, mais afinada com a vigente Constituição Federal, a
companheira deve ser equiparada à mulher casada (art. 226, § 3°).

47. O juiz de direito é julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

48. A soberania dos veredictos, princípio constitucional, "é preceito estabelecido como garantia
do acusado, podendo ceder diante de norma que visa exatamente a garantir os direitos de defesa
e a própria liberdade. Portanto, é juridicamente possível o pedido de revisão dos veredictos do
Júri" (Grinover, Magalhães e Scarance, Recursos no Processo Penal, Ed. Revista dos Tribunais,
4ª ed., tópico 212).

49. Não há necessidade de que o fato definido como crime doloso seja objeto de sentença
condenatória transitada em julgado para possibilitar a regressão do condenado a regime mais
gravoso, nos termos do art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84). Como
ensina Mirabete, "... quando a lei exige a condenação ou o trânsito em julgado da sentença é ela
expressa a respeito dessa circunstância, como, aliás, o faz no inciso II do artigo 118. Ademais, a
prática de crime doloso é também falta grave (art. 52 da LEP) e, se no inciso I desse artigo, se
menciona também a infração disciplinar como causa de regressão, entendimento diverso levaria
à conclusão final de que essa menção é superabundante, o que não se coaduna com as regras de
interpretação da lei. Deve-se entender, portanto, que, em se tratando da prática de falta grave ou
crime doloso, a revogação independe da condenação ou aplicação da sanção disciplinar"
(Execução Penal, ed. Atlas, 8ª edição, tópico 5.37).

50. O flagrante diferido, também conhecido como retardado ou prorrogado, "é a possibilidade
que a polícia possui de retardar a realização da prisão em flagrante, para obter maiores dados e
informações a respeito do funcionamento, componentes e atuação de uma organização
criminosa" (Guilherme de Souza Nucci, Código de Processo Penal Comentado, Ed. Revista dos
Tribunais, 2ª edição, comentário ao art. 302, n. 18). É possível a sua realização quando o
flagrante referir-se a alguns crimes. Aplica-se às investigações referentes a ilícitos decorrentes de
ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer
tipo (art. 1° da Lei 9.034/95). Nos termos do art. 2°, inciso II, da referida lei, "em qualquer fase
de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes
procedimentos de investigação e formação de provas: II - a ação controlada, que consiste em
retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela
vinculado, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se
concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de
informações". Aplica-se o instituto, também, aos procedimentos investigatórios relativos aos
crimes de tóxicos, nos termos do artigo 33, inciso II, da Lei n° 10.409/02. O dispositivo

190
possibilita, mediante autorização judicial, "a não-atuação policial sobre os portadores de
produtos, substâncias ou drogas ilícitas que entrem no território brasileiro, dele saiam ou nele
transitem, com a finalidade de, em colaboração ou não com outros países, identificar e
responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo
da ação penal cabível".

51. As escusas absolutórias, também conhecidas como imunidades absolutas, são circunstâncias
de caráter pessoal, referentes a laços familiares ou afetivos entre os envolvidos, que, por razões
de política criminal, o legislador houve por bem afastar a punibilidade. Trata-se de condição
negativa de punibilidade ou causa de exclusão de pena. Estão previstas nos arts. 181, incisos I e
II, e 348, § 2.°, do Código Penal.

52. É a competência determinada em razão da função ou cargo exercido por determinadas


pessoas. Tal determinação é feita tendo em vista a dignidade de alguns cargos e funções públicas
e não das pessoas que os ocupam.
Segundo a doutrina a competência por prerrogativa de função abrange também as pessoas que
não gozam de foro especial, sempre que houver concurso de pessoas (arts. 77, I, e 78, III). É
também o entendimento da jurisprudência. Entretanto, rejeitada a denúncia contra a pessoa que
goza de foro privilegiado, a competência para o julgamento dos demais retorna para o 1° grau de
jurisdição.
Em alguns casos, não se observa a regra de extensão da competência por estarem envolvidas
normas constitucionais, hierarquicamente superiores às regras sobre conexão do Código de
Processo Penal.

53. Trata-se de conflito aparente de normas, resolvido pelo princípio da consunção, pois ocorre a
relação consuntiva, ou de absorção, quando um fato definido por uma norma incriminadora é
meio necessário ou normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem como quando
constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida com a mesma finalidade prática
atinente àquele crime, a exemplo do que ocorre no denominado crime progressivo, como é o
caso do crime de homicídio, o qual pressupõe a lesão corporal como resultado anterior.

54. O fundamento utilizado pelo juiz para não receber a apelação no caso aventado poderia ser o
da ocorrência de preclusão consumativa, alegando a perda da faculdade processual em
decorrência do seu exercício com o ingresso da primeira apelação.
Contudo, entende a doutrina que tal decisão não seria acertada, pois a regra da preclusão
consumativa não se aplica ao caso, visto se tratar de simples suplementação do recurso
interposto, realizada tempestivamente.

55. A doutrina denomina de autoria colateral (ou co-autoria lateral ou imprópria). “Caso duas
pessoas, ao mesmo tempo, sem conhecerem a intenção uma da outra, dispararem sobre a vítima,
responderão cada uma por um crime se os disparos de amas forem causas da morte. Se a vítima
morreu apenas em decorrência da conduta de uma, a outra responde por tentativa de homicídio.
Havendo dúvida insanável sobre a autoria, a solução deverá obedecer ao princípio do in dubio
pro reo, punindo-se ambos por tentativa de homicídio” (MIRABETE, Julio Fabbrini. “Manual de
Direito Penal – Parte Geral”. Vol 1. São Paulo: Atlas, 1997, p. 230).

56. Existem duas posições principais: a primeira entende que, estando a busca e apreensão
autorizada por mandado do juiz competente, a entrada na casa seria lícita, por isso tudo o que
fosse encontrado na casa poderia ser apreendido; a segunda defende que a diligência deve ser
relacionada apenas ao conteúdo do mandado e ao que está autorizado por este, só admitindo,
parte da doutrina, apreensão do que estivesse relacionado com o objeto do mandado

191
57. Depende. Em se tratando de ação penal pública de iniciativa exclusivamente privada, o
Ministério Público não poderá interpor o recurso de apelação, uma vez que nesta ação vigora o
princípio da disponibilidade. Já na ação penal privada subsidiária da pública poderá o Ministério
Público apelar, segundo disposição expressa do artigo 29 do Código de Processo Penal.

58. Existem duas orientações. A primeira mais restrita entende que somente é computável na
pena de prisão aquela prisão cautelar relativa ao objeto da condenação. Uma segunda posição
mais liberal entende que é possível a “detração da pena ocorrida por outro processo, desde que o
crime pelo qual o sentenciado cumpre pena tenha sido praticado anteriormente à sua prisão. Seria
uma hipótese de fungibilidade da prisão” (MIRABETE, Julio Fabbrini. “Manual de Direito Penal
– Parte Geral”. Vol 1. São Paulo: Atlas, 1997, p. 262).

59. Os requisitos são dados pelo art.1º, da Lei nº 7.960/89, quais sejam: I.quando imprescindível
para as investigações do inquérito policial; II.quando o indiciado não tiver residência fixa ou não
fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III.quando houver fundadas
razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do
indiciado nos seguintes crimes: homicídio doloso (art.121 caput e seu §2º); seqüestro e cárcere
privado (art.148, caput, e seus §§1º e 2º); roubo (art.157, caput, e seus §§1º e 2º); extorsão
(art.158, caput e seus §§1º e 2º); extorsão mediante seqüestro (art.159, caput e seus §§1º e 2º);
estupro (art.213 caput e sua combinação com o art.223, caput e parágrafo único); atentado
violento ao pudor (art.214, caput e sua combinação com o art.223, caput e parágrafo único),
epidemia com resultado morte (art.267, §1º); envenenamento de água potável ou substância
alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art.279, caput, cc art.285); quadrilha ou bando
(art.288, todos do Código Penal); genocídio (art.1º, 2º, 3º da Lei nº 2.889/56), tráfico de drogas
(art.12 da Lei nº 6.368/76); crimes contra o sistema financeiro (Lei nº 7.492/86). Existe posição
que entende serem eles alternativos, bastando a presença de um deles para a possibilidade de
prisão temporária, e outra, que os entende cumulativos, sendo necessária a presença do item I ou
do item II, em conjunto com o item III.

60. Não. Segundo o art. 48, §2° da Lei n° 11.343/06, “tratando-se da conduta prevista no art.28
desta Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, n falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer,
lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias
necessárias”. Isso se explica pelo fato do crime disposto no art.28 não prever penas privativas de
liberdade, não devendo, tampouco, ser submetido a prisão processual.

61. A detração penal é um instituto de direito penal que abate o tempo de segregação provisória
cumprida pelo condenado, tendo como fundamento o artigo 42 do Código Penal que enuncia que
se computam, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão
provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer
dos estabelecimentos referidos no artigo 41 do Código Penal.

62. O perdão tácito é uma causa extintiva de punibilidade prevista no artigo 107, inciso V, do
Código Penal, configurando-se na ação penal exclusivamente privada, em face de um ato do
querelante para com o querelado, denotando incompatibilidade e continuar o processo-crime, vez
que o ato da vítima denota que perdoou o querelado, existindo apenas quando já recebida a
queixa-crime por parte do juiz, não devendo ser confundida com a renuncia tácita que é sempre
antes de iniciar o processo, devendo o perdão tácito para extinguir a punibilidade ser aceito por
parte do querelado, porquanto o perdão é sempre bilateral.
Já o perdão judicial constitui providência exclusivamente do Poder Jurisdicional derivada de

192
medida de Política Criminal, havendo previsão expressa em situações de homicídio culposo e
outras culposas expressas em lei, quando as conseqüências da infração atingirem o próprio
agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária, destacando que o artigo 120
do Código Penal é expresso ao afirmar a natureza declaratória do instituto do perdão judicial ao
afirmar que “a sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de
reincidência”.

63. A reforma in pejus indireta consiste na situação em que anulada sentença condenatória em
recurso exclusivo da defesa, não pode ser prolatada nova decisão mais gravosa do que a anulada.
Trata-se assim de conseqüência negativa ao réu que exclusivamente apelou, não podendo por
isso o Tribunal piorar indiretamente a sua situação do réu. Exemplo: O réu condenado a 2 anos
de reclusão apela e obtém a nulidade da sentença. A nova decisão poderá impor-lhe, no máximo,
a pena de dois anos, pois do contrario o réu estaria sendo prejudicado indiretamente pelo seu
recurso.

64. A despronúncia é a reconsideração da própria decisão de pronúncia ou a não aceitação da


pronúncia por parte do Tribunal de Justiça, em face do Recurso em Sentido Estrito interposto
pelo pronunciado. A despronúncia, assim, pode ocorrer em duas hipóteses: 1) se o juiz, em face
do recurso em sentido estrito, interposto contra a sentença de pronuncia, reconsiderar a decisão,
revogando-a; se mantida a pronúncia, em primeira instância, vier o Tribunal a revogá-la. A
despronúncia é, portanto, a revogação ou desconstituição da pronúncia anteriormente decretada,
seja por parte do juízo de primeira instância, em sede de reconsideração, seja por parte do
Tribunal de Justiça que, apreciando recurso do réu, reforma a sentença de pronúncia para
impronunciá-lo. A distinção entre impronúncia e despronúncia está em que a primeira é
decretada pelo juízo “a quo” em juízo de valor que afirma, desde logo, a inexistência do crime ou
de indícios suficientes de autoria, enquanto a segunda pressupõe a existência de uma sentença de
pronúncia e o reconhecimento desses pressupostos por parte do juízo de origem, mas que vem a
ser reformada em sede de reexame pela instância “ad quem”.

65. Conforme o artigo 183 inciso I do Código Penal não é cabível a incidência da escusa
absolutória no crime de roubo.

66. É o princípio da proporcionalidade. Admite-se, amplamente, a sua aplicação em favor do


acusado, discutindo-se sobre a sua utilização para admitir prova em favor da acusação. Apontam-
se, ainda, alguns requisitos para sua aplicação: necessidade, adequação e proporcionalidade em
sentido estrito.

67. Tipo misto alternativo é o composto por várias ações, sendo que, configurada qualquer uma
delas, o crime se realiza. Exemplos desse tipo são o do crime de tráfico de drogas e o de
instigação ao suicídio (art. 122, CP).

68. O caso é de uso de ofendículo. A doutrina entende que a pessoa age em exercício regular de
direito ou em legítima defesa predisposta ou preordenada. Normalmente, entende-se que não há
excesso na colocação de pontas de lança.

69. O recurso interposto é o adequado, conforme artigo 197, da Lei das Execuções Penais. Deve
ele, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal, seguir o rito do recurso em sentido estrito.
Assim, o prazo é de cinco dias. Portanto, foi intempestivo.

70. A distinção entre crime habitual e crime continuado está assentada na natureza diversa das
ações que os constituem. No crime continuado, “as ações que o compõem, por si mesmas,

193
constituem crimes. (...) No crime habitual, ao contrário, as ações que o integram, consideradas
em separado, não são delitos.” (Damásio, Cap. XVIII, 36, p. 212).

71. A absolvição imprópria se verifica quando o autor do fato havido como infração penal for
inimputável, e consiste na “sentença que permite a aplicação da medida de segurança, (...), tendo
em vista que, a despeito de considerar que o réu não cometeu delito, logo, não é criminoso,
merece uma sanção penal (medida de segurança)”. (Guilherme de Souza Nucci, Código Penal
comentado, art.97, nota 6-A). A decisão absolutória imprópria não impede a propositura da ação
cível, pois não exclui a ilicitude do fato imputado, apenas isenta o acusado de pena.

72. O juiz agiu incorretamente. Apesar de a pena ter sido fixada no mínimo e não ter havido
alteração no tipo penal, houve mudança do fato imputado, uma vez que o acusado foi denunciado
por uma modalidade de culpa e condenado por outra. Ada Pellegrini Grinover, Antonio
Magalhães Gomes Filho e Antonio Scarance Fernandes (As nulidades no processo penal, Cap.
XI, 10) salientam que “não pode o juiz, sob pena de nulidade, condenar o réu, com base nessas
novas circunstâncias, por negligencia, sem tomar as providências do art. 384, caput, ou sem que
tenha havido prévio aditamento. Não se cuida de mera adequação do fato. Esse é diferente
daquele historiado na denúncia.”

73. Pela Lei de Violência Doméstica, a desistência da representação deve ser feita em audiência
com o juiz e com a presença do Ministério Público e pode ser refeita após a denúncia e antes de
seu recebimento (art. 16 da Lei 11.340). Pode-se, ainda, considerar que, para alguns autores, a
ação é pública incondicionada, e, assim, nada mais poderia ser feito.

74. Não há possibilidade de Maurício se habilitar como assistente de acusação. Primeiramente


porque, nos termos do art. 269, do CPP, o assistente só poderá ser admitido enquanto a sentença
não transitar em julgado. Além disso, a coisa julgada em favor do acusado, ainda que ele tenha
sido absolvido por falta de provas, jamais pode ser rescindida. Resta a Maurício, com as provas
que colheu, buscar providência judicial na esfera cível, no que toca à reparação dos danos
causado pelo ato ilícito.

75. Gonçalo praticou o crime de desacato, previsto no art. 331 do CP. Tendo em vista tratar-se de
crime de ação penal pública incondicionada, o Ministério Público tem legitimidade para oferecer
a transação penal (art. 76 da Lei nº 9.099/95), presentes os requisitos legais.

76. Como a intenção de Teobaldo era matar tanto a gestante, como o feto, ele praticou o crime de
tentativa de homicídio (art. 121, do CP) e o crime de aborto sem o consentimento da gestante
(art. 125, do CP), em concurso formal impróprio (art. 70, parte final, do CP).

77. Não agiu corretamente o magistrado ao aplicar a pena, pois as circunstâncias agravantes que
levou em consideração – parentesco e relações domésticas – já fazem parte do tipo penal do
crime denominado de violência doméstica, art. 129, § 9º, do CP. Se tal postura for admitida,
estaremos diante de dupla punição, isto é, bis in idem. Quanto à suspensão condicional do
processo, é ela possível uma vez que a pena mínima cominada ao crime é de 3 meses de
detenção, desde que presentes os demais requisitos legais (art. 89 da Lei n. 9.099/95).

78. A pretendida substituição é cabível, em tese, pois, nos termos do art. 44, § 3º, do CP, a
reincidência não impede a aplicação de pena restritiva de direitos, desde que a medida seja
socialmente recomendável e a reincidência não tenha ocorrido em virtude da prática do mesmo
crime. Como se nota, a condenação anterior foi por crime diverso, operando-se, então, o que se
chama de reincidência genérica, o que não afasta a possibilidade de conversão.

194
79. Não é plausível a pretensão recursal da defesa de Félix, pois o preceito secundário do art. 29,
caput, da Lei n. 9.605/98, prevê a aplicação de pena de detenção cumulada com pena de multa.
Assim, de acordo com a Súmula 171 do STJ, quando em lei especial existe tal cumulação, não se
pode substituir a prisão por multa.

80. A competência para julgar Ismael é do Tribunal do Júri, ao qual compete o julgamento dos
crimes dolosos contra a vida, nos termos do art. 74, § 1º e art. 406 e seguintes, do CPP. É bem
verdade que Ismael detém prerrogativa de foro, nos termos da Constituição do Estado de Minas
Gerais, porém, estabelece a Súmula 721 do STF que a competência do Tribunal do Júri prevalece
sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente em Constituição Estadual,
como é o caso presente.

81. O juiz não agiu corretamente ao denegar a apelação visto que o recurso era tempestivo. O art.
593 do CPP dispõe que “caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I – das sentenças definitivas
de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular”. Por seu turno, o art. 798 do CPP
prevê que “todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se
interrompendo por férias, domingo ou dia feriado”. O §1.º do citado artigo dispõe que “não se
computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento”.
Ao comentar o referido artigo, o professor Nucci exemplifica: “aquele que for intimado no dia
14, sexta-feira, para cumprir um ato processual em três dias, terá até o dia 19 (quarta-feira) para
tanto. Não se inicia o prazo no sábado, quando não há expediente e, sim, na segunda-feira”
(Guilherme de Souza Nucci. Código de Processo Penal comentado. 6.ª ed., São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2007).
Desse modo, intimados da sentença em 8/5/2009, sexta-feira, o prazo para apelação começaria a
contar na segunda-feira seguinte, 11/5/2009, e se encerraria em 15/5/2009, sexta-feira.
É previsto recurso em sentido estrito. O Código de Processo Penal, no artigo 581 prevê que
“caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: XV – que denegar a
apelação ou a julgar deserta”.
Sendo cabível o recurso em sentido estrito (art. 581, XV, do CPP), o prazo de interposição será
de 5 dias, nos termos do art. 586 do CPP (“o recurso voluntário poderá ser interposto no prazo de
5 (cinco) dias”).
“O prazo para interposição de recurso em sentido estrito é de cinco dias, conforme o disposto no
artigo 586 do Código de Processo Penal, contado até a data do protocolo” (STJ – HC 36.744/SP,
Rel. Ministro Hélio Quaglia Barbosa, Sexta Turma, julgado em 04/11/2004, DJ 22/11/2004 p.
391). No mesmo sentido: “No processo penal, o prazo para a interposição de recurso em sentido
estrito em face de decisão, despacho ou sentença é de cinco dias, nos termos do art. 586 do
Código de Processo Penal” (STJ – REsp 332.644/SP, Rel. Ministro Vicente Leal, Sexta Turma,
julgado em 21/02/2002, DJ 18/03/2002 p. 309).
Assim, tendo sido o sentenciado e sua defesa intimados da decisão que denegou a apelação no
dia 1.o de junho de 2009 (segunda-feira), o último dia do prazo para a interposição do recurso
seria 8 de junho de 2009 (segunda-feira). Importante registrar que, apesar de os 5 dias
terminarem em um sábado, o art. 798 do CPP dispõe que “todos os prazos correrão em cartório e
serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado”. O
§3.º do citado artigo dispõe que “o prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-
á prorrogado até o dia útil imediato”.

82. A medida cabível em benefício do condenado é o recurso de agravo de execução, que deverá
ser interposto com base no art. 197 da Lei 7.210/84 – Lei de Execução Penal (LEP). A
fundamentação de direito material é a unificação das penas com base na continuidade delitiva,
prevista no art. 71 do CP. A competência é do tribunal de justiça do estado.

195
De acordo com o art. 66 da LEP, compete ao juiz da execução:
“I – aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;
II – declarar extinta a punibilidade;
III – decidir sobre:
a) soma ou unificação de penas;
Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.”

83. A nova lei deverá retroagir, pois se trata de novatio legis in mellius. Assim, caberá ao juízo
das execuções penais (Súmula 611/ STF) determinar a substituição da pena privativa de
liberdade imposta pelas medidas previstas no art. 28 da nova lei de drogas. Nesse sentido, já
decidiu o STJ: “A Turma deu provimento ao recurso para que o juízo da execução criminal
substitua a pena privativa de liberdade imposta pela prática do crime do art. 16 da Lei n.
6.368/1976 pelas medidas previstas no art. 28 da Lei n.o 11.343/2006, nos termos do art. 27 da
nova Lei de Tóxicos. Para a Min. Relatora, o art. 28 da Lei n.º 11.343/2006 deve retroagir para
beneficiar o condenado pela prática do crime previsto no art. 16 da Lei n.º 6.368/1976, por ser a
nova legislação mais benéfica (CP, art. 2.º, parágrafo único). Nos termos do art. 66, I, da LEP,
bem como da Súm. n.º 611-STF, compete ao juízo da execução criminal, após o trânsito em
julgado da condenação, aplicar lei penal mais benigna. REsp 1.025.228-RS, Rel. Min. Laurita
Vaz, julgado em 6/11/2008.

84. Não há justa causa para a ação penal, haja vista a ausência de decisão definitiva sobre a
exigência fiscal do crédito tributário, inexistindo, portanto, lançamento pelo Fisco. O
esgotamento da via administrativa é condição objetiva de punibilidade, conforme entendimento
pacificado na jurisprudência, especialmente no STF (orientação fixada desde o julgamento do
HC 81.611).

85. A medida judicial a ser intentada é a ação de revisão criminal, prevista no art. 621 e seguintes
do CPP. Isso porque, nos termos do referido artigo, este é o instrumento judicial apto a rescindir
sentença condenatória com trânsito em julgado. O fundamento da ação deve ser feito com base
no art. 621:
“A revisão dos processos findos será admitida:
(...)
III – quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de
circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.”
Tem por objetivo a revisão dos atos judiciais quando restarem comprovados a injustiça, o erro ou
o equívoco da decisão judicial, de modo a tutelar o direito fundamental à liberdade (art. 5.º,
LXXV, e art. 5.º, § 2.º, da CF).
O órgão competente para conhecer, processar e julgar a ação de revisão criminal é o TRF
respectivo, consoante competência firmada no art. 108 da Constituição Federal: “Compete aos
Tribunais Regionais Federais: I – processar e julgar, originariamente: (...) b) as revisões
criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região;”
Quanto ao prazo, poderá ser intentada a qualquer tempo, antes de extinto o cumprimento da pena
ou mesmo depois desta nos exatos termos do art. 622 do CPP, que prescreve o seguinte, in
verbis:
“A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, antes da extinção da pena ou após.
Parágrafo único. Não será admissível a reiteração do pedido, salvo se fundado em novas provas.”
No mérito, deve-se alegar que a atuação do juiz originário não foi ilegal, visto que o CPP assim o
autoriza nos termos dos artigos 222 e 222-A, ad litteram:
“Art. 222. A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de
sua residência, expedindo-se, para esse fim, carta precatória, com prazo razoável, intimadas as
partes.

196
§ 1.º A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal.
§ 2.º Findo o prazo marcado, poderá realizar-se o julgamento, mas, a todo tempo, a precatória,
uma vez devolvida, será junta aos autos.
§ 3.º Na hipótese prevista no caput deste artigo, a oitiva de testemunha poderá ser realizada por
meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em
tempo real, permitida a presença do defensor e podendo ser realizada, inclusive, durante a
realização da audiência de instrução e julgamento.”
“Art. 222-A. As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a sua
imprescindibilidade, arcando a parte requerente com os custos de envio. Parágrafo único. Aplica-
se às cartas rogatórias o disposto nos §§ 1.º e 2.º do art. 222 deste Código.”
Entretanto, surgiram provas novas que conduzem à absolvição do condenado (art.621, inciso III
do CPP).
No que se refere aos pedidos, deve-se requerer o conhecimento da ação de revisão criminal,
julgando-a procedente com a finalidade de rescindir o julgado e absolver o condenado porque a
decisão não apreciou as provas (novas provas de inocência do condenado) que chegaram ao
conhecimento após o trânsito em julgado do acórdão e que ensejam a absolvição do condenado.
Quanto aos efeitos, deve-se mencionar que a medida, julgada procedente, poderá alterar a
classificação do crime, absolver o condenado, modificar a pena, anular o processo. No caso
hipotético terá como objetivo a absolvição do condenado, conforme art. 626:
“Julgando procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o
réu, modificar a pena ou anular o processo.
Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão
revista.”
Uma vez absolvido, restabelecerá os direitos atingidos pela condenação, conforme dispõe o art.
627:

86. Não há nulidade no caso. Com o advento da Lei n.º 11.690/2008, que alterou dispositivos do
Código de Processo Penal, o artigo 159 passou a ter a seguinte redação:
“O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de
diploma de curso superior.
§ 1.º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por duas pessoas idôneas, portadoras de
diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação
técnica relacionada com a natureza do exame.”
A inovação legislativa dispensou a antiga exigência de dois peritos no mínimo para a produção
do laudo pericial, pois, com a alteração na redação do art. 159, caput, basta agora que a perícia
seja realizada por "perito oficial". Tendo sido a expressão empregada no singular, resta clara a
intenção do legislador de se contentar, de agora em diante, com a perícia realizada por apenas um
perito. Nesse contexto, passa a ser regra o que era exceção.

87. A primeira indagação deve ser respondida com base no art. 384 do CPP, que assim dispõe:
“Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em
consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não
contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5
(cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública,
reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente.
(...)
§ 4.º Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5
(cinco)
dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento.”(Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008)
Dessa forma, deverá o juiz dar aplicabilidade ao comando do art. 384, e parágrafos, do CPP, para

197
encaminhar os autos ao Ministério Público, a fim de que haja o aditamento da denúncia,
propiciando ao réu a oportunidade de se defender da nova capitulação do fato.
No que se refere à segunda indagação, deve-se responder que, segundo o princípio da correlação,
deve haver uma correlação entre o fato descrito na denúncia ou queixa e o fato pelo qual o réu é
o condenado. Aplica-se no processo em questão para explicar que o acusado não se defende da
capitulação legal dada ao crime na denúncia, mas sim dos fatos narrados na referida peça
acusatória. (Nesse sentido: Fernando Capez. Curso de processo penal.16 ed., São Paulo: Saraiva,
p. 465).
A resposta à terceira indagação deve ser negativa. O procedimento previsto no art. 384 do
Código de Processo Penal somente se aplica na hipótese de ação penal pública e ação penal
privada subsidiária da pública, sendo inadmissível o juiz determinar abertura de vista para o
Ministério Público aditar a queixa e ampliar a imputação, na ação penal exclusivamente privada,
conforme clara redação do dispositivo:
“(...) o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em
virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública (...).”

88. A peça processual adequada são os embargos de declaração, conforme art. 382 do CPP:
“Qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz que declare a sentença,
sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade, contradição ou omissão.”
No caso, o prazo final será 10/3/2010, pois a parte interessada dispõe de dois dias para apresentá-
la. Tomé faz jus à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. Isso
porque preenche os requisitos especificados no art. 44 do CP, a saber:
“I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa;
II – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem
como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
(...)
§ 3.º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha
operado em virtude da prática do mesmo crime.
Assim, apesar de Tomé ser reincidente, não se trata de reincidência específica, de forma que a
vedação prevista no referido § 3.º não se aplica no caso.

89. O advogado de Ricardo deve requerer o desaforamento do julgamento para outra comarca, de
acordo com o art. 427 do CPP, que assim dispõe:
“Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou
a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do Ministério Público, do assistente,
do querelante ou do acusado, ou mediante representação do juiz competente, poderá determinar o
desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles
motivos, preferindo-se as mais próximas.”
O desaforamento deve ser requerido ao Tribunal de Justiça.
Conforme Nucci, a competência para avaliar a conveniência do desaforamento é sempre da
instância superior e nunca do juiz que conduz o feito. Entretanto, a provocação pode originar-se
tanto do magistrado de primeiro grau quanto das partes, como regra. (Guilherme de Souza Nucci.
Manual de processo penal e execução penal. 5. ed. rev., atual. e ampl., São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2008, p.759).
EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. JÚRI. DESAFORAMENTO. PREFEITO
MUNICIPAL. INFLUÊNCIA SOBRE OS JURADOS. 1. Pedido de desaforamento fundado na
possibilidade de o paciente, ex-prefeito municipal, influenciar jurados admitidos em caráter
efetivo na gestão de um dos acusados. Influência não restrita aos jurados, alcançando, também,
toda a sociedade da Comarca de Serra – ES. 2. Não é necessária, ao desaforamento, a afirmação

198
da certeza da imparcialidade dos jurados, bastando o fundado receio de que reste comprometida.
Precedente. Ordem denegada. (STF – HC 96785, Relator(a): Min. Eros Grau, Segunda Turma,
julgado em 25/11/2008, DJe-094 DIVULG 21-05-2009 PUBLIC 22-05-2009 EMENT VOL-
02361-04 PP-00792).
EMENTA: DESAFORAMENTO: DÚVIDA FUNDADA SOBRE A PARCIALIDADE DOS
JURADOS. MANIFESTAÇÃO FAVORÁVEL DE AMBAS AS PARTES E DO JUÍZO
LOCAL NO SENTIDO DO DESAFORAMENTO, COM INDICAÇÃO DE FATO
CONCRETO INDICATIVO DA PARCIALIDADE DOS JURADOS. ORDEM CONCEDIDA.
1. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal, a definição dos fatos indicativos da
necessidade de deslocamento para a realização do júri — desaforamento — dá-se segundo a
apuração feita pelos que vivem no local. Não se faz mister a certeza da parcialidade que pode
submeter os jurados, mas tão somente fundada dúvida quanto a tal ocorrência. 2. A circunstância
de as partes e o Juízo local se manifestarem favoráveis ao desaforamento, apontando-se fato
"notório" na comunidade local, apto a configurar dúvida fundada sobre a parcialidade dos
jurados, justifica o desaforamento do processo (Código de Processo Penal, art. 424). 3. Ordem
parcialmente concedida para determinar ao Tribunal de Justiça pernambucano a definição da
Comarca para onde o processo deverá ser desaforado. (HC 93871, Relator(a): Min. Cármen
Lúcia, Primeira Turma, julgado em 10/06/2008, DJe-142 DIVULG 31-07-2008 PUBLIC 01-08-
2008 EMENT VOL-02326-05 PP-00900 RT v. 97, n. 877, 2008, p. 520-523).

90 (OAB UNIFICADO 2010.1)


Trata-se de ação civil ex-delicto, prevista no art. 63 e seguintes do Código de Processo Penal. O
montante deverá ser fixado pelo juiz na sentença penal condenatória, conforme disposto no art.
387, inciso IV, do CPP:
“Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
(...)
IV – fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os
prejuízos sofridos pelo ofendido;”
(...).”
O valor fixado somente poderá ser objeto da ação executória após o trânsito em julgado, nos
exatos termos do art. 63 do CPP:
“Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo
cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.”
No que diz respeito ao valor mínimo fixado pelo juiz criminal na sentença penal condenatória,
nada obsta que os herdeiros de Almir promovam a liquidação do julgado no juízo cível para a
apuração do valor do dano efetivamente sofrido, nos exatos termos do preceito contido no
parágrafo único do já mencionado art. 63:
“Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor
fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação
para a apuração do dano efetivamente sofrido.”

91. (OAB UNIFICADO 2010.1)


Todos irão responder pelo crime de sujeição a trabalho escravo, previsto no art. 149, § 1.º,
incisos I e II, e § 2.º, inciso I, do Código Penal.
“Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por
qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.
Pena – reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1.º Nas mesmas penas incorre quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador com o fim de retê-lo no
local de trabalho;

199
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2.º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I – contra criança ou adolescente;
(...)”
Na doutrina, conferir o posicionamento de José Henrique Pierangeli. Manual de direito penal
brasileiro. V.2 – Parte especial. 2 ed., São Paulo: RT, 2007, p. 156-161.
Os seguranças praticaram, ainda, o crime previsto no art. 16 da Lei 10.826/2006, além do crime
de lesão corporal grave (CP, art. 129, § 2.º). Na doutrina, confira-se o posicionamento de José
Henrique Pierangeli. Op. cit., p. 77-80.
Na hipótese, como houve associação de mais de três pessoas para a prática de delitos, poderá ser
imputada a todos os agentes a prática do crime formação de quadrilha ou bando, nos expressos
termos do art. 288 do Código Penal.

92. (OAB UNIFICADO 2010.1)


A resposta é afirmativa. Nos termos do art. 22 do Código de Processo Penal:
“No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a
autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar
diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem
assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra
em sua presença, noutra circunscrição.”
A atribuição da autoridade policial é determinada, de modo geral, de acordo com o lugar onde se
consumou a infração (CPP, art. 4.º). Entretanto, a fim de evitar que a burocracia atrase as
investigações, permite-se que a autoridade policial proceda a diligências em qualquer outra
circunscrição da comarca, independentemente de precatórias ou requisições.
O CPP autoriza, ainda, que uma autoridade policial, mesmo fora de sua circunscrição, pratique
diligências necessárias a respeito de fato que ocorra em sua presença até a chegada da autoridade
competente. Não se impede, por outro lado, que as investigações encetadas por determinada
delegacia possam ser avocadas e realizadas por outra. Por fim, o inquérito não está abrangido
pela norma constitucional que trata da regra de competência das autoridades judiciais (CF, art.
5.º, LIII).
Apesar de ser, em tese, possível intentar ação penal privada subsidiária da pública (CPP, art. 29),
esta não seria viável, na medida em que a autoria do delito não foi esclarecida pelas autoridades
policiais, além de o próprio comerciante não dispor de elementos de prova nesse sentido. Assim,
não estariam completamente atendidos os requisitos previstos no art. 41 do CPP:
“A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias,
a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação
do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.”

93. (OAB UNIFICADO 2010.1)


Leia-se o que prescreve o art. 383 do Código de Processo Penal:
“O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe
definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave.
(...)
§ 2.º Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão encaminhados os
autos.”
No caso, o juiz deverá remeter os autos para o juizado especial competente. Isso porque o delito
de dano (CP, art. 163, caput) é considerado de menor potencial ofensivo (Lei n.º 9.099/1995, art.
61), razão pela qual é aplicável, então, o comando do § 2.º do art. 383 do CPP.
Não existe qualquer impedimento legal para a aplicação do instituto da emendatio libelli em
segunda instância (CPP, art. 383), pois não há que se falar em surpresa para as partes, na medida

200
em que não há alteração do contexto fático narrado na inicial acusatória (Nesse sentido:
Fernando Capez. Curso de processo penal. 16 ed., São Paulo: Saraiva, p. 466).

94 (OAB UNIFICADO 2010.1)


Considerando que a pena máxima cominada ao crime de abandono de incapaz é inferior a quatro
anos, o procedimento a ser adotado será o comum sumário, nos termos do art. 394, § 1.º, II, do
Código de Processo Penal:
“O procedimento será comum ou especial.
§ 1.º O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:
(...)
II – sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4
(quatro) anos de pena privativa de liberdade;
(...).”
Tratando-se de ação penal que seguirá o procedimento comum sumário, a defesa poderá arrolar
até cinco testemunhas, de acordo com o que dispõe o art. 532 do CPP:
“Na instrução, poderão ser inquiridas até 5 (cinco) testemunhas arroladas pela acusação e 5
(cinco) pela defesa.”
A defesa terá o prazo de vinte minutos, prorrogáveis por mais dez, para apresentar suas
alegações finais orais, nos termos do art. 534 do CPP:
“As alegações finais serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à
defesa, pelo prazo de 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a
seguir, sentença.”

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