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A propósito deste tema lembrei-me de um artigo que li há algum tempo na revista Públic

a do Expresso do Dr. Daniel Sampaio. O artigo iniciava com uma pequena resenha a
outro artigo "Os 25 mitos da Pediatria" no qual também se podia ler algumas inovações
para pais e professores, mas Daniel Sampaio quis acrescentar a profunda mudança o
corrida nestes últimos anos e intitula o seu artigo como: A MORTE DO PATO DONALD
Depois de alguma procura consegui encontrar o artigo e transcrevo aqui alguns it
ems que me parecem fulcrais para o assunto em questão.
"O quotidiano da criança mudou. Hoje vão cedo para a creche e não brincam na rua, o pe
luche caiu em desuso e o Pato Donald morreu. Um menino dos nossos dias que apren
deu a ler não se entretém com uma revista de quadradinhos do Tio Patinhas, como acon
tecia com os seus pais, até porque só com dificuldade a encontrará nas bancas. Mickey
e Minnie, Donald e Margarida, Pateta e Clarabela são "casais" do passado, seres as
sexuados que só tinham sobrinhos (quem seriam os pais) e se entretinham com estórias
que hoje nos parecem inverosímeis. O mundo de hoje é outro: telemóvel e computador, G
ame-Boy e Play-Station são utilizados com grande à-vontade por crianças pequenas...Tud
o está diferente...Morreu o Pato Donald, viva o Pokémon!
A verdade é que nunca, como agora, se tornou tão importante o papel dos adultos junt
o dos mais novos: com tanta informação rápida, com as imagens a entrarem nas nossas ca
sas deixando dúvidas sobre o que é real e virtual, com o mundo tão imprevisível e por ve
zes perigoso, apalavra dos familiares é cada vez mais relevante. Pela simples razão
que é única e insubstituível: jamais um jogo eléctrónico ou uma pesquisa na internet subst
ituirá a afectividade da narrativa do avô ou a palavra afectuosa de um pai...As cria
nças precisam de estimular a imaginação e de encontrar segurança na sua relação com os adul
os mais importantes, os seus familiares. As famílias já não são três gerações à volta de um
eira, mas continuam a ser o espaço emocional mais importante para os mais novos."
Ora na relação que se estabelece entre criança-adulto-livro aparecem laços afectivos mui
to fortes e a cumplicidade da leitura permite-nos viver a experiência de compartil
har os sentimentos e as emoções que os livros nos proporcionam.
A emoção age principalmente na segurança das crianças, base de todo o desenvolvimento e é
preciso dar e criar oportunidades para a expressão das emoções e sentimentos, para que
a criança os reconheça e elabora, ora os livros, as narrativas, proporcionam tudo i
sto, já que são poderosos clarificadores de significados, permitem organizar o real
e conceitos como bem/mal; bonito/feio; justo/injusto.
Plãtão refere que o valor educativo das histórias exerce um fascínio sobre a mente das c
rianças e Betelheim afirma que estas têm uma forte influência e reconstroem as dimensões
mais profundas do sentir e do pensar.

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