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 A criança e sua família em situação de dor

OBJETIVOS

 Discutir sobre o cuidado do binômio – criança/família em situação de dor.


Caro aluno, chegamos ao último Núcleo Temático do curso: os cuidados de Enfermagem à

criança e sua família. Iniciaremos com discussões preliminares sobre o cuidado do

binômio criança e família e, nas unidades de estudo seguintes, as medidas farmacológicas

e não farmacológicas para o manejo da dor da criança

Sabemos o quanto é importante o papel da família no cuidado à criança em situação de dor

e estresse. Ela tem sido definida de várias maneiras. Vamos utilizar aqui, a definição de família do

Estatuto da Criança e do Adolescente que diz:

Art. 25 – Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer

deles e seus descendentes.

No campo das Ciências Sociais, costuma-se entender a família como um sistema de

parentesco mais amplo, constituindo-se a partir de arranjo de relações de consanguinidade

(ancestral comum) e alianças (casamento e filiação). (VAITSMAN, 1999)

De fato, não existe uma definição universal de família. Uma família é o que a pessoa

considera ser. Além disso, ela é um sistema interpessoal, formado por pessoas que interagem por

vários motivos, como afetividade e reprodução, num processo histórico de vida, mesmo sem habitar

o mesmo espaço físico. (ELSEN, 1994. HOCKENBERRY; WINKELSTEIN, 2006)

No imaginário social, a família ainda é idealizada a partir do modelo de

família nuclear. Entretanto, faz-se necessário que olhemos a família em seu movimento de

organização e reorganização. Nesse movimento, encontraremos as fragilidades das famílias como

uma diversidade de respostas que os diferentes grupos familiares, dentro de sua cultura,

conseguem dar às suas demandas e projetos. (CARVALHO, 2002)

A partir dessas definições, no Brasil encontramos estudos de Elsen (1989), que identificam

três tipos de abordagem na assistência à criança hospitalizada:

 centrada na patologia da criança;

 centrada na criança;

 centrada na criança e sua família.

Para Hockenberry e Winkelstein (2006), o modelo centrado na criança e sua família

reconhece a família como uma constante na vida da criança. Identifica os sistemas de serviços e o

pessoal de apoio na colaboração entre a família e o profissional, as diversidades culturais, éticas,

raciais, espirituais, sociais, econômicas, educacionais e geográficas. Por isso, é imprescindível

respeitar diferentes métodos de enfrentamento e implementação de políticas e programas que


propiciem apoios educacionais, emocionais e financeiros, em atendimento às variadas necessidades

da família.

Portanto, como enfermeiro, podemos considerar três elementos-chave do cuidado

centrado à família: respeito, colaboração e apoio.

Nesse sentido, os profissionais de saúde baseiam seus cuidados nos pontos fortes e

singulares de cada família, reconhecendo sua habilidade no cuidado ao seu filho no âmbito

domiciliar, hospitalar e da comunidade, apoiando-os na tomada de decisão.

Além disso, caro aluno, na assistência centrada na criança e sua família, três conceitos

básicos são considerados importantes: a capacitação, o empoderamento e a parceria.

Vamos discuti-los?

Os enfermeiros e profissionais de saúde capacitam as famílias, criando oportunidade para

que todos os seus membros revelem suas aptidões e competências e adquiram outras necessárias

para atender às necessidades da família e da criança.

O empoderamento descreve a interação entre o enfermeiro, os profissionais de saúde e as

famílias, de tal modo que elas conservem ou conquistem um sentido de controle sobre suas vidas e

façam mudanças positivas que deem origem a comportamentos de ajuda, estimulando seus próprios

pontos fortes, aptidões e ações. Clique aqui para ler mais.

Além disso, a parceria entre profissionais e pais pressupõe a convicção de que parceiros

são indivíduos capazes de se tornar mais competentes por meio do compartilhamento de habilidades

e recursos a fim de beneficiar todos os participantes.

Enfatizamos que a criança em situação de dor (aguda, recorrente ou crônica) traz para a

família uma série de sentimentos como medo, ansiedade, frustração e regressão.

Por isso, é importante destacar que o nascimento de um bebê prematuro,

malformado ou doente, ou mesmo a hospitalização de uma criança representa um

momento de crise imprevista em qualquer família; os pais experimentam sentimentos de

falha, incompetência e culpa.

Após o primeiro contato com o filho no hospital, ou mesmo frente ao diagnóstico de uma

doença aguda ou crônica, os pais são marcados por diversas reações emocionais, tais como:

choque, negação, tristeza e raiva. No caso de recém-nascidos prematuros, os pais tentam seu

equilíbrio e reorganização familiar pelo luto do bebê imaginário e a adaptação com o bebê real.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002)
Para a família, é importante saber como se dará o relacionamento da criança com doença

crônica (anemia falciforme, câncer, fibrose cística), ou com malformação (hidrocefalia,

mielomeningocele, fenda palatina, lábio leporino) ou com necessidades especiais de saúde (uso de

próteses, ostomias), com seus pares na escola, se terão amigos, se poderão participar das
brincadeiras realizadas pelas outras crianças, como lidarão com suas limitações e como se sentirão

em relação às perguntas feitas pelos colegas sobre sua condição.

A família precisa ter parâmetros para ir preparando a criança para conviver com a

situação de doença, de como será cada crise álgica e o que fazer para minimizar essa

situação.

Nesse sentido, é necessário que o enfermeiro apoie a família da criança durante a

hospitalização e na realização de procedimentos dolorosos. Desde a admissão hospitalar, o

enfermeiro deve prestar uma assistência globalizada à criança e seus familiares, criando um clima

de confiança entre a equipe de enfermagem, a criança e sua família. Essas ações trazem segurança,

diminuem a ansiedade, favorecem a adaptação da criança e família ao ambiente hospitalar, bem

como o tratamento da criança.

Dessa forma, o enfermeiro pode mostrar aos pais e crianças as acomodações pessoais,

áreas destinadas à alimentação, recreação, higienização e orientá-los quanto à rotina da unidade

hospitalar.

E a relação dos pais com o cuidado de Enfermagem?

Destaca-se a importância de encorajar a participação dos pais no cuidado e incentivá-

los a trazer objetos pessoais da criança para minimizar a separação do lar (brinquedos preferidos,

entre outros).

Além disso, devemos realizar uma entrevista com os pais para elaborar o histórico de

enfermagem, reunindo informações referentes aos hábitos, costumes e experiências anteriores à

hospitalização da criança.

Portanto, o enfermeiro e a equipe de enfermagem precisam estar atentos ao

comportamento da família frente à hospitalização de seu filho e, junto com outros profissionais de

saúde, ajudar os pais a superar e a enfrentar as fases da doença.

O Ministério da Saúde (2002) aponta pesquisas no campo da neurociência,

demonstrando que uma ligação forte e segura entre os pais e a equipe de saúde tem uma

função biológica protetora, ficando a criança resguardada dos efeitos adversos do

estresse.

Sabemos que o recém-nascido e a criança, quando internados, são submetidos a

procedimentos dolorosos e estressantes. Nesta situação, os pais de bebês prematuros e

malformados, muitas vezes se veem entre o bebê real e o imaginário. Como vimos na unidade de

estudo anterior, o estresse gerado por uma situação de hospitalização infantil ocasiona o aumento

do nível de cortisol, afetando o cérebro, o metabolismo e o sistema imunológico do neonato.

De acordo com Silva (2008), no caso do RN prematuro, podemos considerar que os pais

também são "pais prematuros" e enfrentam dificuldades ao lidarem com os seguintes aspectos:
EXPECTATIVAS REALIDADE
Bebê robusto e saudável Bebê pequeno e emagrecido
Bebê a termo Bebê prematuro ou de risco
Bebê reativo, responsivo com uma interação
Bebê pouco ou não reativo
ativa com os pais
Contato frequente Separação pais/prematuro
Incubadora/ necessidade de suporte tecnológico para
Berço ao lado da mãe
sobrevivência
Médicos e enfermeiras desconhecidos, mas competentes e
Pais competentes e bastantes
com amplo conhecimento
Mãe = falhou na produção do bebê ideal, diminui a
Mãe = sucesso, aumento da autoestima
autoestima
Fonte: Novo manual de follow up do recém-nascido de alto risco (SOPERJ).
Se quiser saber mais sobre o assunto, acesse o site do “Novo manual de follow up do

recém-nascido de alto risco”, da Sociedade de pediatria do estado do Rio de Janeiro.

Portanto, o enfermeiro deve planejar cuidadosamente sua assistência, a fim de ajudar os

pais e a família a fortalecer a rede social de apoio que eles conhecem e a identificar outras fontes

potenciais.

Nesse sentido, diversas atividades podem ser implementadas para que os pais e

familiares possam se adaptar mais rapidamente, auxiliando na recuperação da criança,

estabelecendo uma melhor interação com seu filho prematuro ou doente, ajudando no

alívio da dor e estresse. Então, vejamos algumas delas:

 Conhecer a composição familiar do neonato e da criança e o sistema de apoio dos pais.

 Promover a comunicação entre pais.

 Incentivar e auxiliar na retirada do leite materno, no caso de bebês prematuros ou malformados,

sem tornar a amamentação uma fonte de frustração ou culpa.

 Possibilitar a discussão dos sentimentos, procurando descobrir sempre o nível de conhecimentos e

informação dos pais (evitando sobrecarga emocional).

 Utilizar material como: álbuns, cartilhas, livros ou mural de fotos com depoimentos das experiências

de outros pais que tiveram seus filhos na UTI.

 Permitir e ajudar na interação dos avós e irmãos nas unidades de internação do neonato e da

criança.

 Estimular a proximidade dos pais com outros membros que eles considerem da família.

 Informar aos pais sobre os grupos de apoio da instituição ou outros locais, sites na internet, etc.

 Promover o treinamento dos pais nos cuidados com o neonato e com a criança (troca de fralda,

banho, alimentação).
 Incentivar e promover o envolvimento dos pais nos cuidados com o desenvolvimento do neonato e

da criança, ajudando a minimizar as limitações físicas ou mentais (trazer brinquedos coloridos,

música, desenhos dos irmãos, visita do animal de estimação, classe escolar).

 Aumentar o nível de bem-estar dos pais e familiares durante o período que permanecerem na

unidade de internação.

 Ajudar os pais e familiares a esquematizarem suas atividades no domicílio.

 Estimular a visita frequente, telefonemas, a fim de fortalecer o vínculo afetivo entre pais e criança.

 Planejar junto com os pais o processo de alta e os cuidados a serem realizados no domicílio, os

possíveis riscos para que eles possam ter habilidade de identificá-los e retornar ao serviço

imediatamente.

 Sensibilizar a equipe da UTI-neonatal para o momento de crise dos pais, fazendo com que a equipe

saiba lidar com eventuais reações de hostilidade, ciúmes, etc.

 Promover o acolhimento (instrumento terapêutico que envolve mobilização de afetos, solidariedade

e compreensão do outro), por meio de um conjunto de ações de apoio, atenção, conforto e

envolvimento voltado ao neonato e à criança, aos pais e à família ampliada durante toda a

hospitalização.

 Respeitar os momentos de tristeza, silêncio e os sentimentos das famílias.

 Encorajar crianças e famílias nos momentos difíceis.

 Esclarecer dúvidas ao longo do processo.

 Refletir com as famílias sobre o impacto da dor e do estresse na vida familiar.

 Incentivar e apoiar as reações assertivas do paciente e família frente à doença.

 Despertar atitudes e práticas que facilitem o processo de adaptação das famílias à doença.

 Apoiar novas estratégias de enfrentamento encontradas pelas famílias.

 Trabalhar no sentido de ressignificar as crenças da família sobre a doença, internação, tratamento.

 Identificar, com as famílias, forças e redes de apoio informal e institucional.

 Realizar o exame físico, com o objetivo de levantar dados para o diagnóstico, o planejamento, a

assistência e a intervenção de enfermagem.

 Na terapia intensiva, a necessidade mais premente dos pais é a informação. Com as necessidades

emocionais da família sanadas, a participação nos cuidados e a permanência dos pais na unidade

devem ser incentivadas.

 Preparar a criança para procedimentos dolorosos: crianças de 2 a 7 anos são as mais vulneráveis

aos efeitos da hospitalização e dor, pois, nessa idade, elas apresentam uma estrutura cognitiva e

psicoemocional em desenvolvimento, o que explica sua incapacidade para entender a realidade e a

recorrência ao mundo da fantasia.

 Explicar o procedimento a ser realizado, utilizando linguagem adequada ao entendimento da criança.


 Intervir com brinquedos, utilizados como instrumentos de comunicação, permitindo que a criança

expresse seus sentimentos, fantasias, medos e conflitos sobre o procedimento.

 Fazer uma demonstração do procedimento no brinquedo, deixando que a criança repita o

procedimento e manipule o material a ser utilizado.

Após essa lista de atividades que podem ser implementadas para que os pais e familiares
se adaptem mais rapidamente, não podemos deixar de destacar que não se pode esperar
que a criança se adapte à situação de hospitalização sem expressar medo, raiva ou
agressividade. Pense nisso!
Agora, caro aluno, você já possui maior conhecimento sobre a importância dos pais e da
família nas situações de dor e de estresse da criança. Por isso, não se esqueça de que a
família é parte essencial para o cuidado de Enfermagem.
Vamos então nos preparar para a próxima Unidade de Estudo

1. (14404) Nas definições abaixo, identifique o conceito de empoderamento:


A)
Parceria entre enfermeiros, profissionais de saúde e família.
B)
Interação entre enfermeiros, profissionais de saúde e família.
C)
Compromisso entre enfermeiros, profissionais de saúde e família.
D)
Relação afetiva entre enfermeiros, profissionais de saúde e família.
14404

2. (14406) Assinale a alternativa que expressa atividades implementadas para que os pais e familiares
possam ajudar o neonato e a criança no alívio da dor.
A)
Promover frequentemente a comunicação entre enfermeiro, equipe e pais.
B)
Utilizar material de apoio com depoimentos de outros pais que tiveram seus filhos internados.
C)
Permitir e ajudar a interação dos avós e irmãos durante a hospitalização da criança.
D)
Todas as opções estão corretas.
14406

3. (14402) Nas opções abaixo, identifique os três elementos-chave do cuidado centrado na família.
A)
Respeito, colaboração e apoio.
B)
Tomada de decisão, responsabilidade, segurança.
C)
Colaboração, organização, segurança.
D)
Responsabilidade, tomada de decisão, respeito.