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IFPE GARANHUNS

DISCIPLINA: Ecologia

PROFESSOR: Francisco GERMANO Leite filho


1 INTRODUÇÃO À ECOLOGIA

A palavra "ecologia" deriva do grego oikos, com o sentido de "casa", e logos, que
significa "estudo". Assim, o estudo do "ambiente da casa" inclui todos os organismos contidos
nela e todos os processos funcionais que a tornam habitável. Literalmente, enfim, a ecologia é
o estudo do "lugar onde se vive", com ênfase sobre "a totalidade ou padrão de relações entre
os organismos e o seu ambiente", citando uma das definições do Webter's Unabridged
Dictionary.
Assim, Ecologia pode ser definida como o estudo das interações dos organismos com
o seu ambiente físico e dos organismos entre si. Como ciência, procura descobrir o modo pelo
qual organismo e ambiente exercem influência mútua e definir como essas interações
determinam os tipos de organismos e sua abundância em certo tempo e lugar.
Já desde muito cedo na história humana, a ecologia era de interesse prático. Para
sobreviver na sociedade primitiva, todos os indivíduos precisavam conhecer o seu ambiente,
ou seja, as forças da natureza e os vegetais e animais em volta deles. De fato, o início da
civilização coincidiu com o uso do fogo e de outros instrumentos para modificar o ambiente.
Devido aos avanços tecnológicos, parece que dependemos menos do ambiente natural para
suprir nossas necessidades diárias; esquecemos que a nossa dependência da natureza continua.
Além disso, os sistemas econômicos de toda e qualquer ideologia política valorizam as coisas
feitas por seres humanos que trazem benefício primariamente para o indivíduo, mas dão
pouco valor aos produtos e “serviços” da natureza que trazem benefício a toda a sociedade.
Usamos estes “serviços e produtos” naturais sem pensar; imaginamos que são ilimitados ou,
de certa forma, substituíveis por inovações tecnológicas, apesar de evidências que indicam o
contrário.
O grande paradoxo é que as nações industrializadas conseguiram o sucesso
desvinculando temporariamente a humanidade da natureza, através da exploração de
combustíveis fósseis, produzidos pela natureza e finitos, que estão sendo esgotados com
rapidez. Contudo, a civilização ainda depende do ambiente natural, não apenas para energia e
materiais, mas também para os processos vitais para a manutenção da vida, tais como os
ciclos do ar e da água. As leis básicas da natureza não foram revogadas, apenas suas feições e
relações quantitativas mudaram, à medida que a população humana mundial e seu prodigioso
consumo de energia aumentaram nossa capacidade de alterar o ambiente. Em conseqüência, a
nossa sobrevivência depende do conhecimento e da ação inteligente para preservar e melhorar
a qualidade ambiental por meio de uma tecnologia harmoniosa e não prejudicial.
A questão central em ecologia é a determinação das causas da distribuição e da
abundância de organismos. Isso pode ser avaliado tanto em nível da comunidade quanto em
nível das populações. Assim, a ecologia pode tambpem ser dividida segundo o objeto central
de estudo:
1. Auto-ecologia: ecologia de populações
2. Sinecologia: ecologia de comunidades
2 HIERARQUIA DE NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO

Talvez a melhor maneira de se delimitar a ecologia moderna seja considerar-se o


conceito de níveis de organização, visualizados como uma forma de “espectro biológico”,
como se observa na Figura 1.

Figura 1. Espectro dos níveis de organização. A ecologia enfoca a parte do lado direito do espectro, ou seja, os
níveis de organização desde os organismos até os ecossistemas.

Comunidade, população, organismo, órgão, célula e gene são termos largamente


empregados para denominar os principais níveis bióticos, mostrados num arranjo hierárquico
do maior até o menor. A interação em cada nível com o ambiente físico (energia e matéria)
produz os sistemas funcionais característicos. Um sistema consiste em “componentes
interdependentes que interagem regularmente e formam um todo unificado”, ou, de um ponto
de vista diferente, “ um conjunto de relações mútuas que constitui uma entidade identificável,
seja real ou postulada”. Os sistemas que contêm componentes vivos (sistemas biológicos ou
biossistemas) podem ser concebidos ou estudados em qualquer nível ilustrado na Figura 1, ou
em qualquer posição intermediária que seja conveniente ou prática para a análise.
A ecologia trata principalmente da parte descrita no lado direito desse espectro, ou
seja, dos níveis de sistema além daquele do organismo.
Uma vez que cada nível no espectro biossistêmico está “integrado” ou interdependente
com os outros níveis, não pode haver linhas divisórias abruptas e rupturas num sentido
funcional, nem mesmo entre organismo e população. O organismo individual, por exemplo,
não consegue sobreviver durante muito tempo sem a sua população, do mesmo modo que o
órgão não poderia sobreviver durante muito tempo como unidade autoperpetuante sem o
organismo. De forma semelhante, a comunidade não consegue existir sem a ciclagem de
materiais e o fluxo de energia do ecossistema.

2.1 Espécie

Conjunto de indivíduos capazes de se reproduzirem, gerando prole fértil (pelo menos


potencialmente)

2.2 Ecótipo (raças ecológicas)

São populações de uma mesma espécie que apresentam grande dispersão geográfica,
mas que estão fisicamente separadas. Seus limites de tolerância ecológica ou de Shelford
(segundo Odum, 1972) variam de acordo com a população considerada. Quando tais
variações têm base genética, as populações são chamadas de raças genéticas; quando a base é
puramente fisiológica, as populações são chamadas de raças fisiológicas (fenômeno da
aclimatação). Por exemplo:
a. As populações da medusa Aurelia aurita no Oceano Atlântico apresentam os
seguintes ecótipos: Aurelia aurita (variedade Halifax ótimo de contração a 14°C) e
Aurelia aurita (variedade Tortugas ótimo de contração a 29°C);
b. A macrófita Typha sp (Taboa) exibe várias raças adaptadas a diferentes regiões
climáticas nos trópicos, subtrópicos e na zona temperada.

2.1 Populações

É definida como o conjunto de indivíduos da mesma espécie (ou seja, seres vivos de
um mesmo grupo que são capazes de se reproduzirem, produzindo descendentes férteis)
vivendo numa mesma região.
As populações reúnem os indivíduos de uma mesma espécie que podem interagir entre
si em um determinado habitat. Suas fronteiras naturais são determinadas principalmente pela
capacidade de dispersão, pelo fluxo de indivíduos, tolerância ecológica e pelas interações com
outros indivíduos da mesma população ou mesmo de outras espécies.
Cada população possui uma estrutura genética, isto é, os genes responsáveis pelas
variações dos diferentes caracteres fenotípicos ocorrem em diferentes freqüências. É sobre a
variabilidade contida na estrutura genética das populações que a seleção natural irá atuar,
fixando na população fenótipos, e com eles seus genótipos correspondentes, cuja expressão
resultem em indivíduos mais aptos, isto é, com melhores chances de sobrevivência e/ou que
sejam capazes de deixar maior número de descendentes. A estrutura genética irá se alterar no
espaço e ao longo do tempo acompanhando mudanças no cenário seletivo. O processo de
fixação dos fenótipos mais aptos dá-se à custa da eliminação dos menos eficientes.
A perda da variabilidade genética, muitas vezes associada à destruição de habitats
naturais, resulta da diminuição dos tamanhos populacionais que leva ao aumento das taxas de
endogamia (cruzamento entre indivíduos aparentados), deixando as populações mais
propensas à extinção. Perda de variabilidade genética é perda de biodiversidade.
Além das diferenças genéticas, os indivíduos que constituem as populações possuem
diferentes “propriedades biológicas” que variam com a idade ou estágio de desenvolvimento
específico.

2.2 Comunidades

É o conjunto de populações coexistindo numa mesma região. Numa comunidade, os


seres vivos interagem, isto é, estabelecem relações entre si. Diz-se que existe uma
interdependência entre os seres vivos. Se, por exemplo, os vegetais desaparecessem, toda a
comunidade ficaria ameaçada, pois os animais não encontrariam mais alimentos e acabariam
morrendo. Outro exemplo: O extermínio de cobras em uma determinada região pode
favorecer um aumento excessivo no número de ratos e outros roedores, que servem de
alimento às cobras. O aumento exagerado das populações de ratos e outros roedores podem
provocar na região uma grande redução na população de gramíneas e vegetais herbáceos, que
servem de alimento a esses animais. Sem a cobertura vegetal, o solo fica exposto à erosão
pelas águas das chuvas e tende a ficar estéril, dificultando o desenvolvimento de plantas nessa
área. Da mesma forma, se os microrganismos decompositores presentes no solo
desaparecessem, não haveria a decomposição dos cadáveres dos animais e dos restos vegetais.
Sendo assim, não haveria também a formação do humo que fertiliza o solo e fornece sais
minerais aos vegetais.
Diferentes populações pertencentes a um conjunto de espécies de plantas e animais
coexistem dentro de determinadas combinações de condições ambientais formam as
Comunidades Ecológicas. Em maior ou menor escala, a performance de cada espécie (que
pode ser inferida pelo tamanho de sua população) influencia e é influenciada, seja direta ou
indiretamente, pela presença das demais espécies. É claro que algumas têm efeitos bem mais
marcantes que outras, sejam devido à sua representatividade que pode ser somada à
importância da função que desempenham. Estas espécies de maior importância, conhecidas
como espécies-chave, são fortes reguladoras do funcionamento e, por conseguinte, da
estrutura e da própria evolução das comunidades. Em função disso, alterações nas
abundâncias das espécies componentes provocam modificações de diferentes magnitudes que
se propagam no espaço e no tempo, alterando o funcionamento e o destino das comunidades a
que pertencem.
Assim, cada população deve se restringir a uma determinada região de um “espaço de
recursos e condições”, que define seu nicho ecológico, e que combina corretamente faixas de
temperatura, disponibilidade de água, nutrientes e luz, de modo a promover o crescimento, a
manutenção e a reprodução dos indivíduos constituintes de suas populações.
As comunidades estruturam-se gradualmente através da colonização, permanência ou
substituição de diferentes espécies de animais e plantas no tempo, no processo conhecido
como sucessão ecológica. A presença ou não de uma determinada espécie será determinada
pela sua capacidade de dispersão, sua tolerância ecológica, habilidade competitiva e
interações com seus predadores, parasitóides e patógenos.

2.3 Ecossistema

Se considerarmos cuidadosamente qualquer parte de qualquer das comunidades – uma


parte de floresta, uma lagoa ou um recife de coral – começaremos a ver que nenhum dos
organismos vivos nessas áreas existe em isolamento; ao contrário, cada um está envolvido em
numerosas relações, com outros organismos e com fatores do ambiente físico. Os pormenores
desse relacionamento variam segundo o lugar. Sempre, entretanto, as interações dos vários
organismos em uma situação natural têm duas conseqüências: (1) um fluxo de energia, através
de autótrofos fotossintetizantes – plantas verdes ou algas – para heterótrofos, que se
alimentam das plantas verdes ou de outros heterótrofos; (2) um ciclo de materiais inorgânicos,
que passam do ambiente físico aos corpos dos organismos vivos e voltam ao ambiente.
Os seres vivos de uma comunidade são os componentes bióticos de um ecossistema.
Os fatores físico-químicos do ambiente (luz, água, calor, gás oxigênio, etc.) são os
componentes abióticos de um ecossistema.
Os organismos vivos e o seu ambiente não-vivo (abiótico) estão inseparavelmente
inter-relacionados e interagem entre si. Chamamos de sistema ecológico ou ecossistema
qualquer unidade (biossistema) que abranja todos os organismos que funcionam em conjunto
(a comunidade biótica) numa dada área, interagindo com o ambiente físico de tal forma que
um fluxo de energia produza estruturas bióticas claramente definidas e uma ciclagem de
materiais entre as partes vivas e não-vivas.
O ecossistema é a unidade funcional básica na ecologia, pois inclui tanto organismos
quanto o ambiente abiótico; cada um destes fatores influencia as propriedades do outro e cada
um é necessário para a manutenção da vida, como a conhecemos, na Terra. Este nível de
organização deve ser nossa primeira preocupação se quisermos que a nossa sociedade inicie a
implementação de soluções holísticas para os problemas que estão aparecendo agora ao nível
do bioma e da biosfera.

3 HABITAT

A parte de um ecossistema na qual viva um certo organismo é chamada de habitat, ou


seja é o “endereço” de uma espécie em um ecossistema
Na natureza, as espécies são encontradas em lugares determinados. É como se fosse
um endereço. Por exemplo: a onça e o gambá vivem na floresta e não no deserto; o camelo e o
rato-canguru vivem no deserto e não em uma floresta; o Curimatá vive no rio e não no mar; a
sardinha vive no mar e não no rio. Esses exemplos mostram que cada espécie está adaptada
para viver em um determinado ambiente: floresta, deserto, água doce, água salgada, etc.
Assim, podemos dizer que o tubarão tem habitat aquático (água salgada) e a onça tem
hábitat terrestre. Dentro da água e sobre a terra, podemos ainda diferenciar inúmeros habitats.
E em um mesmo habitat pode haver diferentes espécies. Assim, dentro de um ecossistema de
lagoa, o habitat de uma ameba seria um milímetro quadrado de vasa; a superfície da lagoa, o
habitat de um gerrídeo e a água aberta o habitat de uma perca.

4 NICHO ECOLÓGICO

É o modo de vida de uma espécie em um ecossistema, ou seja, é o conjunto de


atividades ecológicas desempenhadas por uma espécie no ecossistema. Compreende o que a
espécie faz no meio ambiente: como utiliza a energia circulante; o que come, onde, como e
em que momento do dia isso ocorre; como procede em relação às outras espécies e ao próprio
ambiente; em que horas do dia ou em que estação do ano tem maior atividade; quando e como
se reproduz; de que forma serve de alimento para outros seres ou contribui para que naquele
local se instalem novas espécies.
Como se conhece o nicho ecológico de uma espécie? Para conhecer o nicho ecológico
de determinada espécie, precisamos saber do que ela se alimenta, onde se abriga, como se
reproduz, quais os seus inimigos naturais, etc. Vamos ver alguns exemplos: a cutia e a onça
podem ser encontradas na mata Atlântica; possuem, então, o mesmo hábitat. No entanto, os
nichos ecológicos desses animais são diferentes. A cutia é herbívora, alimentando-se de
frutos, sementes e folhas; abriga-se em tocas ou em tocos de árvores e serve de alimento para
animais diversos, como a própria onça. Já a onça é carnívora, alimenta-se de animais diversos,
como cobras e macacos, e não vive em tocas. Como se vê, cutias e onças têm modos de vida
diferentes, isto é, desempenham diferentes atividades dentro de um mesmo ecossistema.
Logo, o nicho ecológico da cutia é diferente do nicho ecológico da onça. Logo, o nicho
ecológico da cutia é diferente do nicho ecológico da onça.

5 O FLUXO DE ENERGIA
5.1 A fonte de energia

A fonte última de energia para todos os ecossistemas naturais é o Sol. A Terra recebe do Sol
em média, duas calorias de energia radiante por minuto por centímetro quadrado, um total de
13 x 1023 calorias por ano. Cerca da metade dessa energia não chega a alcançar a superfície; é
refletida de volta pelas nuvens e pelo pó da atmosfera.
Parte da energia que alcança a superfície é dissipada na evaporação de água. A maior
parte é absorvida no solo e reirradiada na forma de calor. Somente pequena fração da energia
total provinda do Sol entra em uma cadeia alimentar de organismos vivos. Mesmo quando a
luz caia em área de vegetação abundante, como uma floresta, uma plantação de milho ou um
alagado, somente 1 a 2 por cento dessa energia (calculada em base anual) são utilizados em
fotossíntese.

6 RECICLAGEM DE MATÉRIA

Como é sabido, os seres vivos necessitam de energia para manter sua conatituição
interna, para locomover-se, para crescer, etc. essa energia provém da alimentação realizada
pelos seres vivos, os quais se dividem em dois grandes grupos: os autótrofos e ao
heterótrofos. O grupo dos autótrofos, compreende os seres capazes de sintetizar seu próprio
alimento, sendo, portanto, auto-suficientes. Esse grupo subdivide-se ainda em dois subgrupos:
1) os quimiossintetizantes, cuja fonte de energia é a oxidação de compostos inorgânicos, e 2)
os fotossintetizantes, de grande importância para a vida no planeta, os quais utilizam o sol
como fonte de energia.
Por sua vez, o grupo dos heterótrofos compreende os seres incapazes de sintetizar seu
alimento e que, para a obtenção de energia, utilizam-se doa alimento sintetizado pelos
autótrofos. Entre os heterótrofos existe um grupo de seres com uma função tão vital quanto a
dos autótrofos, que são os decompositores. Os decompositores não ingerem comida, como os
carnívoros ou herbívoros. Sua nutrição ocorre por um processo de absorção, mediante o
lançamento de enzimas sobre a matéria orgânica morta. Parte da matéria orgânica degradada é
absorvida e o restante é devolvido ao meio, na forma de compostos inorgânicos que são
utilizados, pelos autótrofos, para a síntese de mais alimentos.
O fluxo de energia no ecossistema envolve diversos níveis de seres vivos. Os vegetais
fotossintetizantes absorvem a energia solar, armazenando-a como energia potencial, na forma
de compostos químicos altamente energéticos constituintes dos alimentos. Os animais que se
alimentam de vegetais, os herbívoros, absorvem a energia neles contida por meio do processo
respiratório. Esse herbívoro, por sua vez, é devorado por um predador natural, carnívoro, que
absorve, pelo processo respiratório, a energia anteriormente adquirida pela presa. Esse
carnívoro pode ser presa de outro carnívoro, e, assim, a energia vai se deslocando no interior
do ecossistema. Segundo as leis da termodinâmica, à medida que a energia caminha, vai se
tornando menos utilizável. Desse modo, a energia aluminosa absorvida pelos vegetais é, em
parte, perdida no processo de transformação em energia potencial e, ainda, no próprio
metabolismo do vegetal. A seguir, a energia absorvida pelo herbívoro também é reduzida de
uma parcela, a qual, então, é empregado em seu processo metabólico e em suas atividades
diárias. Assim, a energia útil reduz-se a cada passo, tornando-se inteiramente inaproveitável
na forma de calor.
7 NÍVEIS TRÓFICOS

A passagem de energia de um organismo para o outro ocorre ao longo de uma cadeia


alimentar, constituída de níveis tróficos (de alimentação)
A primeira etapa da cadeia é sempre um produtor primário. Em terra, é uma planta
verde. Em um ecossistema aquático é, geralmente, uma alga fotossintetizante. Esses
organismos fotossintetizantes utilizam a energia luminosa para sintetizar carboidratos e outros
compostos que passam a ser fontes de energia química. Os ecologistas falam da
produtividade dos ecossistemas. A produtividade é medida pela quantidade de energia fixada
em compostos químicos ou pelo aumento em biomassa durante certo tempo. (Biomassa é uma
abreviação conveniente para designar matéria orgânica; inclui as partes lenhosas das árvores,
alimento armazenado, carapaças de artrópodes, ossos, etc.) A produtividade líquida
representa a quantidade de energia luminosa convertida em energia química menos a
quantidade dissipada (convertida em energia calorífica) pelas plantas durante a respiração. A
produtividade e a produtividade líquida são medidas de velocidades e devem ser expressas em
termos de unidade de tempo.

7.1 Os Consumidores

A energia entra no mundo animal pela atividade dos herbívoros, animais que comem
plantas (inclusive frutas e outras partes dos vegetais). Cada ecossistema possui seu conjunto
característico de herbívoros. Grande parcela do material consumido pelos herbívoros é
excretada sem digestão. Parte da energia química é transformada em outros tipos de energia –
calorífica e cinética - ou consumida no próprio processo de digestão. Uma parte do material é
convertido em biomassa animal.
O nível seguinte em uma cadeia alimentar, o nível do consumidor secundário, implica
um carnívoro, animal comedor de carne, que devora o herbívoro. O carnívoro pode ser um
leão, um peixe, um pássaro ou uma aranha. Em todos esses casos, somente uma pequena parte
da substância orgânica presente no corpo do herbívoro é incorporada ao corpo do consumidor.
Algumas cadeias têm níveis de consumidores terciários e quartenários, mas cinco elos são
geralmente o limite absoluto, principalmente por causa da perda implicada na passagem de
energia de um nível trófico para outro. Consumidores importantes em uma cadeia alimentar
são também os decompositores e os parasitas.
Em um ecossistema estável, grande parte da energia química fixada pelos produtores
primários é armazenada em biomassa vegetal ou animal ou utilizada na respiração.

8 PIRÂMIDES ECOLÓGICAS

O fluxo de energia por uma cadeia alimentar é frequentemente representada por um


gráfico de relações quantitativas entre os diferentes níveis tróficos. Como são dissipadas
grandes quantidade de energia e de biomassa em cada nível trófico, de tal modo que cada um
conserva quantidade menor que o precedente, esses digramas quase sempre assumem a forma
de pirâmides. A pirâmide ecológica – nome de um diagrama desse tipo - pode ser uma
pirâmide de números, uma pirâmide de biomassa, ou pirâmide de fluxo de energia.
A pirâmide de números mostra o número de organismos individuais presentes em cada
nível.
A pirâmide de biomassa apresenta ou o peso seco total dos organismos em cada nível
ou o número de calorias em cada nível.
Uma pirâmide de fluxo de energia mostra a produtividade dos diferentes níveis
tróficos.
A forma de qualquer pirâmide ecológica é muito informativa sobre o ecossistema que
representa. A Fig. 2a, por exemplo, mostra uma pirâmide de números para um ecossistema
pradaria. Nesse tipo de cadeia alimentar, os produtores primários (nesse caso, o capim) são de
pequeno porte; grande número deles é necessário para sustentar os consumidores primários,
os herbívoros.
Numa cadeia alimentar cujos produtores primários sejam de grande porte (por
exemplo, árvores) um produtor primário pode sustentar muitos herbívoros, como indica a
Fig.2 b.

Figura 2 Pirâmides de números para (a) um ecossistema de pradaria, em que o número de produtores primários
(capins) é grande e (b) uma floresta temperada, em que um único produtor primário, uma árvore, pode sustentar
grande número de herbívoros

Uma pirâmide de biomassa para um ecossistema de pradaria, tal como a pirâmide de


números para o mesmo sistema, assume a forma de uma pirâmide erecta, como mostra a Fig.
3a.
Pirâmides invertidas de biomassa ocorrem somente quando os produtores têm taxas de
reprodução muito altas. Por exemplo, no oceano, a massa atual de fitoplâncton pode ser
menor do que a biomassa do plâncton animal (zooplâncton) que se alimenta daquele (Fig 3b).
Como a taxa de crescimento do fitoplâncton é muito mais alta que a do zooplâncton, pequena
massa do primeiro pode fornecer alimento para grande biomassa do segundo. Como as
pirâmides de números, as pirâmides de biomassa indicam somente a quantidade de material
orgânico presente em um dado momento; não dão a quantidade total de material produzido,
nem, como as pirâmides de energia, a taxa em que esse material é produzido.
Produtividade e biomassa, embora relacionadas, não são a mesma coisa. Pequena
biomassa de fitoplâncton pode sustentar grande biomassa de zooplâncton por causa da maior
produtividade do primeiro. As pirâmides de fluxo de energia, que mostram as relações de
produtividade dos níveis tróficos, têm portanto, a mesma forma geral para cada ecossistema.
Figura 3 Pirâmides de biomassa para (a) um campo na Georgia e (b) o canal da Mancha. Essas pirâmides
refletem a massa presente a qualquer momento, donde a relação aparentemente paradoxal entre fitoplâncton e
zooplâncton.

9 RELAÇÕES ECOLÓGICAS

São interações que ocorrem entre organismos de uma comunidade biológica. Podem
ser classificadas em intra-específicas que são as relações estabelecidas entre indivíduos da
mesma espécie e interespecíficas que se estabelecem entre indivíduos de espécies diferentes.
São classificadas também como harmônicas, que são caracterizadas pelo benefício mútuo de
ambos os seres vivos, ou de apenas um deles, sem o prejuízo do outro; e desarmônicas as
quais são caracterizadas pelo prejuízo de um de seus participantes em benefício do outro.

9.1 Relações intra-específicas harmônicas

• Sociedades - são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados


de um modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Ex: abelhas, cupins e
formigas. Em todas as sociedades sempre observamos a existência de hierarquia, uma
divisão de funções para cada membro participante da sociedade, o que gera indivíduos
especialistas em determinadas funções dentro da sociedade o que aumenta a eficiência
do conjunto e sobrevivência da espécie, a ponto de os animais serem adaptados na
estrutura do corpo às funções que realizam, por exemplo: formigas-soldados são
maiores e possuem mais veneno (mais ácido fórmico) que as formigas-operárias; a
abelha-raínha é grande e põe ovos, enquanto que as abelhas operárias são menores e
não põem ovos.

Colônias - é o agrupamento de indivíduos da mesma espécie ligados anatomicamente uns aos


outros e com interdependência fisiológica. Nas colônias pode ou não ocorrer divisão do
trabalho. Quando as colônias são constituídas por organismos que apresentam a mesma
forma, não ocorre divisão de trabalho, todos os indivíduos são iguais e executam todos eles as
mesmas funções vitais, nesses casos as colônias são denominadas colônias isomorfas como
as colônias de corais. Quando as colônias são constituídas por indivíduos com formas e
funções distintas ocorre uma divisão de trabalhos, então essas colônias são denominadas
colônias heteromorfas. Ex: algas coloniais Volvox, corais e caravelas (Physalia physalis)

Relações interespecíficas harmônicas


• Simbiose ou mutualismo - é uma relação entre indivíduos de espécies
diferentes, onde as duas espécies envolvidas são beneficiadas e a associação é
obrigatória para a sobrevivência de ambas. Ex: cupins e Triconympha. Os cupins, ao
comerem a madeira, não conseguem digerir a celulose, mas em seu intestino vivem os
protozoários, capazes de digeri-la. Os protozoários, ao digerirem a celulose, permitem
que os cupins aproveitem essa substância como alimento. Dessa forma, os cupins
atuam como fonte indireta de alimentos e como “residência” para os protozoários.
Outro exemplo de simbose observa-se nos líquens.

Protocooperação - Nesse tipo de relação, embora as duas espécies envolvidas sejam


beneficiadas, elas podem viver de modo independente, sem que isso as prejudique. Ex:
associação entre anêmona-do-mar e caranguejo-eremita. Este tem o corpo mole e costuma
ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam
instalar-se uma ou mais anêmonas-do-mar (actínias). Dessa união, surge o benefício mútuo: a
anêmona possui células urticantes, que afugentam os predadores do paguro, e este, ao se
deslocar, possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.

Inquilinismo - é um tipo de associação em que apenas um dos participantes se beneficia, sem,


no entanto, causar qualquer prejuízo ao outro. Ex: orquídeas e árvores. Vivendo no alto das
árvores, que lhe servem de suporte, as orquídeas encontram condições ideais de luminosidade
para o seu desenvolvimento, e a árvore não é prejudicada.

• Comensalismo - é um tipo de associação entre indivíduos onde um deles se aproveita


dos restos alimentares do outro sem prejudicá-lo. Ex: rêmora e tubarão. A rêmora ou peixe-
piloto é um peixe ósseo que apresenta a nadadeira dorsal transformada em ventosa, com a
qual se fixa no ventre, próximo à boca do tubarão e é levada com ele. Quando o tubarão
estraçalha a carne de suas presas, muitos pedacinhos de carne se espalham pela água e a
rêmora se alimenta desses restos alimentares produzidos pelas atividades do tubarão

9.2 Relações interespecíficas desarmônicas

• Predatismo ou predação - é uma relação desarmônica em que um ser vivo, o


predador captura e mata um outro ser vivo, a presa, com o fim de se alimentar com a carne
dele. Geralmente é uma relação interespecífica ou seja uma relação que ocorre entre espécies
diferentes. Ex: mamíferos (leão, o lobo, o tigre e a onça); peixes predadores; aves predadoras
(corujas, águias e gaviões); aracnídeos (aranhas, escorpiões); plantas (Sarracenia,
Darlingtonia, Heliamphora).

• Herbivoria - é uma relação desarmônica entre um consumidor primário e um


produtor. Ocorre quando esse consumidor primário, herbívoro, alimenta-se do produtor
Planta. Ex: qualquer consumidor primário que come a planta.

• Parasitismo - é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que


um deles é o parasita que vive dentro ou sobre o corpo do outro que é designado hospedeiro,
do qual retira alimentos.

Quanto à localização no corpo do hospedeiro, os parasitas podem ser classificados em:


o Ectoparasitas - são parasitas que vivem no exterior do corpo dos hospedeiros
como os carrapatos, piolhos, pulgas, mosquitos e outros.
o Endoparasitas - são parasitas que vivem no interior dos hospedeiros como a
maioria das bactérias patogênicas, protozoários, vermes intestinais e outros.
o Parasitas intracelulares - são parasitas microscópicos que vivem e se
reproduzem no interior das células dos hospedeiros, como os vírus e alguns protozoários,
como o Plasmodium vivax causador da malária.

• Esclavagismo - é um tipo de relação ecológica entre seres vivos onde um ser


vivo se aproveita das atividades, do trabalho ou de produtos produzidos por outros
seres vivos.
Existem duas modalidades de esclavagismo:
o Esclavagismo interespecífico - quando esse tipo de relação ocorre entre
indivíduos de diferentes espécies de seres vivos. Os seres humanos praticam o
esclavagismo interespecífico em praticamente todas as atividades agropecuárias e em
todas as áreas da zootecnia porque protegemos e cuidamos de todos os seres vivos a nós
associados. Todas as atividades de domesticação feita pelos humanos são relações de
esclavagismo interespecífico, exemplos: apicultura, aquicultura, avicultura,
bovinocultura, caprinocultura, cunicultura, equinocultura, ovinocultura, sericicultura,
suinocultura.
o Esclavagismo intra-específico – quando esse tipo de relação se desenvolve entre
indivíduos da mesma espécie, exemplos: O leão "macho alfa" do bando é um esclavagista
porque se aproveita do trabalho das leoas. A hiena "matriarca" do bando é uma
esclavagista porque se aproveita do trabalho do bando. O homem é ou já foi esclavagista
se aproveitando do trabalho de escravos humanos.

• Competição interespecífica - é uma relação de competição entre indivíduos de


espécies diferentes, que concorrem pelos mesmos fatores do ambiente, fatores
existentes em quantidades limitadas. Exemplos: Corujas, cobras e gaviões são
predadores que competem entre sí pelas mesmas espécies de presas, principalmente
por pequenos roedores (ratos, preás, coelhos etc...) que são as presas prediletas destes
diferentes predadores, portanto é uma competição por alimento; Árvores de diferentes
espécies crescendo umas muito próximas das outras competem entre sí pelo espaço
para as copas das árvores se desenvolverem e assim obterem mais luz solar para
realizarem a fotossíntese, portanto é uma competição por luz solar; Durante os
períodos de estiagem ou seca prolongada fica sem chover durante meses fazendo com
que a oferta de água potável se reduza drásticamente no ambiente e fazendo com que
animais de diversas espécies diferentes sejam obrigados a competir pela água que
ainda resta em pequenas poças d´água que ainda existem num lugar ou noutro mas que
não são suficientes para matar a sede de todos eles, portanto uma competição por água
potável.

9.3 Relações intra-específicas desarmônicas

• Canibalismo - é uma relação de predatismo intra-específico em que seres de uma


mesma espécie comem outros seres da sua própria espécie. Ex: Muitas espécies de peixes
devoram os alevinos de sua própria espécie, jacarés e crocodilos também devoram filhotes das
suas espécies; a aranha viúva-negra e os insetos louva-a-deus, logo após acasalamento, a
fêmea devora o macho para obter as proteínas de seu organismo, necessárias para desenvolver
os ovos no seu organismo.

• Competição intra-específica - é uma relação de competição entre indivíduos da


mesma espécie, que concorrem pelos mesmos fatores do ambiente, que existem em
quantidade limitada. Ex: Machos de uma mesma espécie precisam competir entre si pelas
fêmeas dessa mesma espécie, fenômeno esse chamado "seleção sexual". Na verdade existe
muito exibicionismo evidente nos comportamentos relacionados à competição que ocorre
durante a seleção sexual nas populações das espécies em geral.

BIBLIOGRAFIA

CURTIS, Helena. Biologia. 2ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1977

ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988