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ECONOMIA AGRÁRIA

RETALHOS DO AFUNDAMENTO DE UM SECTOR ECONÓMICO


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Centro Nacional de Formação Técnica


Pavilhões desventrados de equipamentos pedagógicos da mais alta qualidade, operacionalidade e utilidade

CAPÍTULO I – AÇÃO REDUTORA DO ACESSO AO CONHECIMENTO,


FOMENTO DA DESERTIFICAÇÃO E RUÍNA DO SECTOR COOPERATIVO

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A ruína consentida – talvez o fatalismo de um povo – tem como pano de fundo a escola que não prepara
para a vida, nem para o bem social. É a imagem de um Estado Europeu que não cultiva a inteligência para a
liberdade, para a autonomia económica, para o sustento e para uma cultura abrangente.

1 – NÍVEIS DE INSTRUÇÃO DE QUEM TRABALHA A TERRA

Há meio século, o analfabetismo era uma realidade não encoberta. Constituía argumento para humilhação
vinda do exterior, depressão e estorvo para todo um povo.

A quarta classe, tirada com inegável rigor, era, e continua a ser para alguns, a mola real dos alfabetizados que
não iam mais além.

Apesar dos condicionalismos de acesso ao ensino, o sector agrário promovia a realização de cursos com
elevados padrões de qualidade relativamente ao desenvolvimento dos conteúdos temáticos e rigor das
avaliações.

Desde os bancos da escola primária e secundária, aos cursos técnicos e superiores sob tutela do Ministério da
Educação e cursos profissionais de curta duração dirigidos a trabalhadores agrícolas e a técnicos, então
promovidos pelo Ministério das Corporações, Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, Direção Geral dos
Serviços Pecuários, e Junta de Colonização Interna, a transmissão do conhecimento disponível era uma
realidade, ainda assim, muito insuficiente face às necessidades.
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Aluno, não identificado, do ensino agrícola que em meados do século vinte preparava, com competências adequadas, pessoas
para a vida profissional assim como para um quotidiano de cidadania

Passou-se do “oito” quando muita gente não ia à escola, para o “oitenta” com
muita gente a sair da escola, sem escola
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Passadas quatro décadas de uma democracia apostada em resolver
deficiências do saber, vejamos o que tenho observado junto de quem
protege com pesticidas e aduba, os vegetais que comemos:

Os aplicadores de produtos fitofarmacêuticos, à semelhança da grande maioria dos profissionais que realizam
tarefas agrárias, são excelentes executores daquilo que lhes é bem ensinado, assim como das habilidades ou
engenhos que criam ou aperfeiçoam. No entanto, é confrangedora a falta de saberes básicos que deviam vir
consolidados da escola. Uma realidade resultante de programas inadequados e de pedagogias que não acertam
com respostas face a necessidades sentidas por quem precisa de aprender.

Esforços no sentido da correção de deficiências do saber, através de determinadas ações de ensino ou de


certificação de competências de adultos, são inconsequentes face a necessidades sentidas:

• Agricultores certificados com o 12º ano das “Novas Oportunidades”, não conhecem regras da
proporcionalidade para a resolução de operações de cálculo;

• Agricultores com o 9º ano da mesma modalidade de certificação, não resolvem questões básicas de escrita e
leitura.

A atitude de fomentar aquele modo de “ensino” ou de certificação pode configurar apenas o interesse, sem
interesse, de apresentar dados para a estatística.

De acordo com dados que vou recolhendo no decurso da minha actividade profissional, a situação indicia que
a esmagadora maioria dos ativos do sector agrário, enquanto aplicadores de produtos fitofarmacêuticos e de
fertilizantes, não tem bases para a resolução das operações de cálculo sobre doses dos referidos produtos. De
facto, a situação em Portugal talvez seja a seguinte:

• ± 92%, não resolvem acertadamente operações de cálculo, uma vez que desconhecem a regra básica de três
simples pelo modo direto;

• ± 98%, não sabem aplicar a mesma regra de cálculo, pelo modo inverso.

(Valores médios resultantes do que tenho observado durante o desenvolvimento de cursos de formação profissional, em 12 locais
distribuídos por três Direções Regionais de Agricultura e Pescas, nos anos 2009 a 2011).

Nas referidas ações de formação, em complemento dos conteúdos temáticos de cada programa, as entidades
formadoras esforçam-se de modo muito positivo no sentido da atenuação de deficiências dos formandos
relativamente à leitura e interpretação de rótulos e execução de operações de cálculo. Contudo, justifica-se a
ideia de que, após a formação, aquela aprendizagem que deveria vir consolidada da escola, na maioria dos
casos irá esfumar-se.

No universo de aplicadores de produtos fitofarmacêuticos, os resultados das preparações de caldas


pesticidas talvez sejam os seguintes:

• ± 10%, preparam doses corretas ou aceitáveis;

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• ± 20%, preparam, para cada aplicação, caldas com doses superiores às recomendadas, desvirtuando e
invalidando os intervalos de segurança. Deste modo, propiciando condições para perturbações alimentares do
consumidor, alterações e desordens na flora e na fauna;

• Dos ± 70% que preparam para cada tratamento doses inferiores às recomendadas, cerca de 50% preparam
metade das doses e 20% apenas uma terça parte.

Nota: Estes indicadores (pág. 3 e 4) resultam das minhas intervenções de formador em grupos de agricultores aplicadores de
produtos fitofarmacêuticos. Não devem ser entendidos como dados estatísticos, mas tão só, como recolhas informais realizadas
por um profissional do sector agrário. Por razões óbvias, é admissível que existam valores diferentes.

Neste “sem rei nem roque” do uso de pesticidas, reduzir as doses de cada preparação / aplicação,
também tem consequências negativas. Ora vejamos:

• Prejuízos económicos na área da produção;

• Realização de mais tratamentos / cultura / ano. Assim sendo, para além de custos de produção mais elevados,
pode representar um aumento de resíduos perigosos / hectare;

• Aumento das resistências naturais das pragas e doenças não debeladas depois de sujeitas ao ambiente
adverso, mas brando, dos produtos fitofarmacêuticos. Deste modo, por força da baralhação de estudos e de
conclusões da investigação, cai por terra a eficácia das doses prescritas.

As perturbações na área da escolaridade mínima figuram-se como sendo de natureza política. Um


acumulado de iniciativas que, em vez de gerarem competências, conduzem à certificação do vazio, sem
rigor nem dignidade. Continuamos, portanto, a “escrever na água” como diria o cronista.

Relativamente à formação profissional prestada, perpetua-se, para a grande maioria das ações, a lacuna da não
avaliação do impacte. Assim, não é possível qualificar e quantificar o efeito do esforço dispendido, nem
avaliar quanto às necessidades sentidas ou verificadas a posteriori.

É justo reconhecer que no Ministério da Agricultura (Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural e
Direções Regionais de Agricultura e Pescas) existe a atitude meritória de dirigentes e técnicos que, no âmbito
da qualificação profissional, apesar das limitações de meios e de desarmonias de natureza política, elaboram
programas bem estruturados quanto ao essencial (vínculo agrário e certificação escolar dos formandos;
currículos e certificação dos formadores; conteúdos temáticos; cargas horárias; acompanhamento; avaliação,
etc.) e realizam com acerto e rigor, ações de acompanhamento e de avaliação final da formação.

2 – PERDA DE SABERES E DE VONTADES

Os corredores dos centros de emprego, casas de família e outros espaços, não multiplicam riqueza. Estão
repletos de gente triste e a envelhecer de braços caídos. Isto, num país onde desde há 37 anos, muitos cidadãos
vão dizendo “abaixo” e “nunca mais”, sem inspiração ou engenho para a alternativas.

É urgente promover ações que se traduzam em coisas bem conseguidas. Precisamos, pois, de estudar, de
trabalhar com organização e de glorificar práticas sãs, de democracia e de honestidade.

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2 – AÇÃO REDUTORA DO ACESSO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL
E FOMENTO DA DESERTIFICAÇÃO

É estranho que, por motivos não explicados mas que deveriam ser averiguados, se tenha encerrado a ações
de formação e aperfeiçoamento de técnicos do sector agrário, as instalações do Centro Nacional de Formação
Técnica do Gil Vaz.

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Estrada de Taipadas para Canha, do lado esquerdo ao km 2: pavilhões em ruína


(a partir da E.N. 10, no sentido de Vila Franca de Xira / Pegões).

Instalações e equipamentos que custaram “suor” dos nossos esforços, num país onde faz imensa falta o
aperfeiçoamento e actualização de técnicos que contactam diretamente com agricultores carenciados de
formação e acompanhamento profissional.

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Img. 5 e 5.1

Pavilhões em ruínas e abandono, desventrados de equipamentos pedagógicos da mais alta qualidade, operacionalidade e
utilidade, adquiridos através de acordos de cooperação Luso – Alemã.

Grande parte daquele equipamento pedagógico desapareceu destes pavilhões do Centro Nacional de Formação Técnica de Gil
Vaz, devido? Diz-se que a deficiências de segurança. Pensa-se que resta uma pequena parte, inoperacional ou sem utilização
enquadrável nos objectivos que determinaram a sua existência, talvez, em instalações do Ministério da Agricultura situadas na
Tapada da Ajuda, em Lisboa.

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3 – Fecham-se as portas á investigação e à divulgação de
resultados da experimentação e fomenta-se a desertificação:

Imagens de resquícios da extinta Estação de Citricultura situada na Quinta da Várzea, em Setúbal.


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Instituições do Estado transferiram parte das suas competências para organizações de agricultores. Em
muitos casos verifica-se a melhoria ou a preservação do nível de serviços prestados ao agricultor. No
entanto, também acontece o desvirtuar de boas intenções:

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Mato espontâneo constituído por sargaços, num terreno da Cooperativa Agrícola de Palmela, é o que resta de um campo de
ensaio, de ensino e de produção de enxertos para apoio aos fruticultores interessados na exploração e valorização de uma
variedade de macieira regional.

De acordo com informações de funcionários da referida unidade cooperativa que propôs e gere a marca com
denominação de origem “MAÇÃ RISCADINHA”, aquele suposto campo de ensaio, de ensino e multiplicador
de enxertos, foi instalado e sustentado com fundos públicos atribuídos através da Câmara Municipal de
Palmela. O resultado está à vista, nunca houve fornecimento de qualquer enxerto ou prestação de
ensinamentos.

Como fruticultor na área daquela variedade regional, para além da função de produtor, estou também, obrigado
ao esforço suplementar de investigar e experimentar sobre matérias para as quais todos nós, contribuintes, já
pagamos ou estamos a pagar mais um “buraco” do nosso afundamento.

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4 – Despreza-se a natureza e a paisagem rural tradicional,
atenta-se contra a inteligência dos nossos mais novos e
fomenta-se a desertificação:

A Bio - Exploração do projeto IDEIAS (iniciativa comunitária de que são parceiros o Ministério da
Agricultura e a Câmara Municipal de Palmela) foi palco, num dia da árvore, para a plantação de árvores e
arbustos, por crianças e professores de escolas da região.

O objetivo tinha que ver, como é óbvio, com a criação ou consolidação de hábitos de conservação da Natureza.

Os nossos herdeiros, sempre prontos para bons exemplos, dali não herdam nada. As pobres plantas morreram
com falta dos cuidados de manutenção indispensáveis a seres que não vivem sem água.

Img. 9 Extraído de um “Boletim IDEIAS”

Uma infraestrutura descaracterizadora da paisagem rural tradicional, quando foi instalada.

Local: Concelho de Palmela, na estrada de Lagoa do Calvo para Forninho, do lado esquerdo (caminho
municipal 1032 - km 1,7).

Hoje, aquela infraestrutura, em estado de abandono e sob o sufoco de silvas e de outro mato, é o que resta da
Bio-exploração do projeto IDEIAS, de que são parceiros o Ministério da Agricultura e a Câmara Municipal de
Palmela, organismos muito envolvidos, empenhados e preocupados com o combate à desertificação,
manutenção da paisagem rural tradicional, agricultura de qualidade, etc.

Trata-se de mais uma experiência de “carácter inovador”, isto no contexto da classificação atribuída pela
Secretaria de Estado do Emprego e Formação Profissional / Ministério do Trabalho. Faz parte da imensa
mancha nacional que serve, ano após ano, de rastilho e de pasto para as chamas que reduzem a cinza milhares
de hectares do espaço campestre que devia ser o nosso “prato”.
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5 – Fomenta-se a ruína do sector cooperativo e a desertificação
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Na Cooperativa Agrícola de Palmela, em data não muito distante, num evento de política agrária e de farto
repasto, com presença de dirigentes políticos, enquanto se elogiava o centro de uma gestão ruinosa,
“entalando” membros de uma direção em dificuldades e cooperadores aflitos, na área da respectiva actividade
passava-se o seguinte:
• Funcionários, tristes e com crianças para sustentar e educar, perseverantes no posto de trabalho, esperavam
por três meses de salários em atraso. Situação que se agravou para 4 meses;
• Cooperadores e credores esperavam pelo pagamento de dívidas, num valor global de centenas de milhar de
euros, com anos de atraso. No meu caso 5 anos, presentemente 6.
Na referida unidade cooperativa, resta-nos a esperança da forte vontade e iniciativa de um grupo que inclui os
membros da assembleia geral, da direção e os cooperadores principais fornecedores de hortofrutícolas – de
entre os quais jovens produtores – para quem as perspectivas de futuro são as incertezas resultantes de políticas
inadequadas.
Espera-se da parte de entidades da administração central e autárquica, o rigor de diligências que promovam
intervenções técnicas nas áreas do cooperativismo, da gestão, da experimentação, da expansão hortofrutícola e
da difusão do conhecimento sobre a planta e fruto da pomífera regional “RISCADINHA”. Afinal, trata-se do
principal centro cooperativo de receção e expedição de hortofrutícolas da Península de Setúbal.

António Mendes, agricultor e técnico agrícola


Contactos: 966 730 722; 931 190 958; mendesacc@hotmail.com

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