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Funções essenciais da Justiça Brasileira

INTRODUÇÃO

De acordo com o modelo de funcionamento da justiça montado no Brasil,


entendeu-se ser indispensável à existência de determinadas funções essenciais à justiça.

Para a garantia dos direitos fundamentais, como o direito à educação, é


necessário que todas as pessoas tenham a oportunidade de exigi-los. Por isso, a
Constituição Federal prevê o direito de acesso à justiça, como um os direitos
fundamentais do cidadão.

A garantia dos direitos constitucionais não teria conseqüências práticas se não


houvesse mecanismos que permitissem acionar o Poder Judiciário no caso de violações.

Essas funções foram materializadas em determinados órgãos que foram criados


meramente para o desempenho das supramencionadas funções, uma inovação instituída
a Carta Magna de 1988, que prevê em seu Capítulo IV, artigos 127 a 135, as Funções
Essenciais a Justiça. É o caso do Ministério Público, da Advocacia Pública, da
Defensoria Pública e da Advocacia Privada.

O presente estudo propõe-se, a apresentar um enfoque individual de cada instituto,


destacando de forma simples e objetiva a sua importância jurídica para a construção do Estado
Democrático de Direito.

1. FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA

O legislador constituinte dedicou um capítulo específico dentro do Título IV da


Constituição Federal do Brasil, que versa sobre a organização dos Poderes, às funções que
considera essenciais à Justiça Pública.

A inovação organizou a Defensoria Pública, criou a Advocacia-Geral da União,


reforçou a autonomia do Ministério Público e atribuiu status privilegiado aos advogados.

MINISTÉRIO PÚBLICO – POSIÇÃO CONSTITUCIONAL

A Constituição dispensa ao Ministério Público tratamento especial, instituindo


princípios, ampliando suas funções e fixando garantias tanto para a instituição como
para seus membros.
O Ministério Público não chega a ser considerado um quarto poder do Estado,
mas a Constituição o coloca a salvo da intervenção de outros Poderes, assegurando aos
seus membros independência no exercício de suas funções. Com efeito, o Ministério
Público é assim conceituado pela Constituição Federal de 1988: “Art. 127. O Ministério
Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.”

Assim, o Ministério Público não promove a defesa dos interesses dos


governantes, de quem se acha desvinculado, mas busca realização dos interesses da
sociedade.

Princípio, autonomia e garantias.

Diz a Constituição em seu art. 127, §1°, que são princípios institucionais do
Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional assegurada
a autonomia funcional e administrativa.

O princípio da unidade quer dizer que os membros do Ministério Público


integram um só órgão sob a direção de um só chefe.

Já o princípio da indivisibilidade “significa que seus membros podem ser


substituídos uns pelos outros, não arbitrariamente, porém sob pena de grande desordem,
mas segundo a forma estabelecida em lei”. [1] Assim, os poderes dos Procuradores-
Gerais encontram limite na própria independência funcional dos membros da
instituição.

A Constituição não fala expressamente em autonomia orçamentária e financeira,


restando, pois, a controvérsia sobre o tema. A constituição dispõe tão somente que o
Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos
na lei de diretrizes orçamentárias – artigo 127, § 3°.

A autonomia financeira do Ministério Público vem consagrada, no entanto pelo


artigo 3° da Lei n. 8.625, de 12 de fevereiro de 1993, que instituiu a Lei Orgânica
Nacional do Ministério Público.

As garantias asseguradas pela Constituição aos membros do Ministério Público


são de acordo com o art. 128, inciso I.

É a eles vedado, de acordo com o art. 128, inciso II, (oriundo em grande parte de
acréscimos da Emenda Constitucional n. 45/2004): receber, a qualquer título e sob
qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; exercer a advocacia;
participar de sociedade comercial, na forma da lei; exercer ainda que em
disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério; exercer
atividade político – partidária; receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou
contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções
previstas em lei, exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de
decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração – a
denominada quarentena.

Funções do Ministério Público

O Ministério Público teve suas funções institucionais ampliadas pela


Constituição Federal de 1988.

Assim, compete ao Ministério Público, as funções descritas no artigo 129 da CF.

De acordo com os dizeres de CARVALHO[2]:

No exercício de suas funções, o Ministério Público atua como


agente ou interveniente, sendo exemplo, no primeiro caso, a
titularidade da ação penal pública, da ação civil pública, dentre
outras, e, no outro, a intervenção em processos onde haja de
atuar como fiscal da lei.
É importante ressaltar que a Constituição vedou ao Ministério Público a
representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas (artigo 129, IX,
parte final), pois de acordo com CARVALHO, “nada justificava o exercício dessa
atribuição, e que agora foi proibida pelo texto constitucional, dentro do princípio de que
os membros do Ministério Público são “partes imparciais” e não advogados de
entidades públicas”.

As funções do Ministério Público só podem ser exercidas, “por integrantes da


carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do
chefe da instituição”, (artigo 129, § 2°).

A Constituição prevê em seu art. 128, as espécies de Ministérios Públicos, os


quais citamos a seguir:

Art. 128. O Ministério Público abrange:


I - o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II - os Ministérios Públicos dos Estados.
Dentro do propósito de fortalecimento da instituição, a Constituição estabeleceu
novos critérios para a indicação do Procurador – Geral da República, Chefe do
Ministério Público da União, que será nomeado pelo Presidente da República dentre os
integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após a aprovação do nome pela maioria
absoluta do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução, sendo
que sua destituição, por iniciativa do Presidente da República, deverá ser precedida de
autorização do Senado Federa, por sua maioria absoluta. Dessa forma, evita-se a tutela
presidencial sobre o Procurador-Geral da República, que assim vê ampliada a sua
independência.

A nomeação e destituição dos Procuradores-Gerais nos Estados, Distrito Federal


e Territórios seguem os parâmetros constitucionais adotados para o Procurador – Geral
da república (artigo 128, §§ 3° e 4°), valendo assinalar que a sua nomeação se faz
mediante lista tríplice elaborada pela respectiva instituição.

ADVOCACIA PÚBLICA

Alexandre de Morais[6] conceitua a Advocacia Pública, como sendo:

(...) a instituição que, diretamente ou através de órgão


vinculado, representa a União, judicial ou extrajudicialmente,
cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser
sobre sua organização, prevendo o ingresso nas classes inicias
das carreiras da instituição mediante concurso público – e
funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento
jurídico do Poder Executivo.

A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de


livre nomeação pelo Presidente da República, entre cidadãos maiores de 35 anos, de
notável saber jurídico reputação ilibada, prevendo necessária relação de confiança entre
representado (Presidente, como Chefe do Executivo Federal) e representante, que
justifique a livre escolha.

Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação


judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas e serão organizados
em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos,
trazendo a Emenda Constitucional n. 19/98 a inovação de que a Ordem dos Advogados
do Brasil – OAB deve atuar em todas as fases do processo.
Aos procuradores é assegurada a estabilidade após o término de três anos de
efetivo exercício do cargo, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos
próprios, após relatório circunstanciado das corregedorias.

A respeito da remuneração, aplica-se a Advocacia Pública, as normas


remuneratórias previstas no art. 39, § 4° e os teto e subteto previstos pelo inciso XI, do
art. 37, com sua redação dada pela EC n. 41/03.

A Advocacia de Estado assume portanto o desafio de defender a execução das


políticas públicas, dentro dos primados do Estado Democrático de Direito,
notabilizando-se como essencial à consecução da Justiça – princípio fundante da
República Federativa do Brasil (art.3º, inciso I, da CF/88).

ADVOCACIA

Ao lado da magistratura e do Ministério Público, a Advocacia, enquanto


instituição foi erigida pelo seu profissional, o advogado, em elemento indispensável à
administração da justiça. O advogado é um profissional habilitado para o exercício do
ius postulandi, ou seja, o direito de postular em juízo.

A Constituição de 1988 tem como princípio constitucional a indispensabilidade


e a imunidade do advogado, prescrevendo em seu art. 133: “O advogado é indispensável
à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício
da profissão, nos limites da lei.” Esta previsão refere-se à necessidade de intervenção e
participação da nobre classe de advogados na vida de um Estado democrático de direito.
Este é o reconhecimento constitucional de uma realidade social.

Com base nela, o Estatuto da Advocacia (Lei n. 8.906/94), o consigna, ao


declarar: “Art. 2º. O advogado é indispensável à administração da justiça. - § 1º. No seu
ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social”.

Walter Ceneviva[7] exalta a importância jurídico-social do profissional da


atividade advocatícia:

O advogado é o porta-voz da sociedade, perante a máquina do


Estado. Ninguém pode requerer em juízo a não ser através de
advogado, salvo umas poucas exceções, como as da Justiça do
Trabalho (em que raramente o processo tem desenvolvimento
sem a participação advocatícia), do habeas corpus, e dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
Cabe aqui destacar, o princípio da inviolabilidade do advogado, prevista no art.
133, da Constituição Federal, não sendo, porém de caráter absoluto. Ao contrário, ele só
ampara em relação a seus atos e manifestações no exercício da profissão, e assim
mesmo, nos termos da lei, não se estendendo a pessoa do profissional de forma
individual. Trata-se na verdade de uma proteção do cliente, que confia a ele documentos
e confissões de esfera íntima, de natureza conflitiva e, não raro, objeto de reivindicação
e até de agressiva cobiça alheia, que precisam ser resguardados e protegidos de maneira
qualificada. [8]

Conclui-se então, que a advocacia conquistou a majestade constitucional, com


postura semelhante a do magistrado e a do membro do Ministério Público e exerce
função de caráter institucional. Ao advogado, coube a competência de representar
judicial ou extrajudicialmente interesses de terceiros, seus constituintes, aqueles que o
constituem como defensor. Seu trabalho se destina tanto a preservar o patrimônio,
quanto à liberdade.

DEFENSORIA PÚBLICA

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 134, prevê ainda, a criação da


Defensoria Pública, como instituição essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus e gratuitamente dos
necessitados, impossibilitados de pagar honorários advocatícios.

O Congresso Nacional, através de Lei Complementar, possui a competência


para organizar a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos territórios e de
prescrever normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira
providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a
seus integrantes a garantia de inamovibilidade, sendo vedado o exercício da Advocacia
fora das atribuições institucionais.

De acordo com o art. 22 do ADCT, o texto constitucional assegurou, de forma


excepcional e taxativa, aos defensores públicos investidos na função até a data de
instalação da Assembléia Nacional Constituinte o direito de opção pela carreira, com
observância das garantias e vedações previstas no art. 134, parágrafo único, da
Constituição. Seus membros portanto, podem ser caracterizados como “ advogados
públicos”.

A Emenda Constitucional n. 45/04 fortaleceu ainda mais o instituto das


Defensorias Públicas Estaduais, assegurando-lhes autonomia funcional e administrativa
e a iniciativa de suas proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias.
Com isso, perecebe-se que a Defensoria Pública é uma instituição pública cuja
função é oferecer serviços jurídicos gratuitos aos cidadãos que não possuem recursos
financeiros para contratar advogados, atuando em diversas áreas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Folheando a Constituição Federal de 1988, com todas as suas emendas, vislumbra-se


que o Título IV, sobre a "Organização dos Poderes", após tratar do Poder Judiciário, enuncia as
Funções Essenciais à Justiça: a Advocacia, a Defensoria Pública e o Ministério Público.

Não houve dúvida, ao tratar do tema, de que na evolução teórica e prática do


constitucionalismo, quis o legislador constituinte de 1988, dar um passo definitivo e,
irreversível, para a preparação do Estado brasileiro, como um Estado de Justiça, com instituição
de novíssima expressão institucional, no que tange às funções essenciais à justiça.

O Constituinte de 1988 deixou claro que a Advocacia Pública é função essencial à


Justiça, inserta no espírito de uma Advocacia de Estado que não se confunde com uma
Advocacia de Governo.

O Ministério Público, por sua vez, é por definição a instituição estatal predestinada ao
zelo do interesse público no processo. O interesse público que o Ministério Público resguarda
não é o puro e simples interesse da sociedade no correto exercício da jurisdição como tal - que
também é uma função pública - porque dessa atenção estão encarregados também os juizes, na
mesma ordem de agentes estatais.

A advocacia privada deteve relevo constitucional com a promulgação da


Constituição de Outubro de 1988, que no artigo 133 elencou os mesmos como
indispensáveis à administração da Justiça, sendo invioláveis por seus atos e
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.
Em se tratando da Defensoria Pública, ou Procuradoria de Assistência
Judiciária, cabe destacar que sua função básica, é orientar juridicamente e defender em
qualquer instância, todo cidadão que não tenha recursos para pagar advogados e
despesas judiciais quando se encontra diante de uma demanda judicial. Sua atuação
deve garantir o princípio fundamental que determina que todos são iguais perante a lei.
As necessidades complexas da sociedade atual, com o desafio de instituir um
Estado Democrático de Direito, pautado no reconhecimento da Ordem Constitucional e
nos Direitos Fundamentais, trouxeram a necessidade de criação de novas instituições,
inexistentes na concepção clássica de Estado. Nesse desiderato, exsurge os órgãos tidos
como essenciais ao exercício da Justiça.
Desta forma, percebeu-se que o legislador constituinte procurou estabelecer a
independência de atuação e autonomia organizacional das funções essenciais ao Estado
Democrático de Direito, com o escopo de possibilitar sua ação independente na defesa
da sociedade (nesse caso, o Ministério Público), do interesse e patrimônio público (em
face, a Advocacia de Estado), dos direitos dos hipossuficientes (Defensorias Públicas),
e a Advocacia Privada, como elemento essencial a administração da justiça, em defesa
aos direitos e interesses da coletividade; sem o risco de sofrer ingerências indevidas de
qualquer um dos demais poderes constitucionalmente estabelecidos.

REFERÊNCIAS

AFONSO DA SILVA, José. Curso de Direito Constitucional Positivo. 24°. ed. São Paulo:
Malheiros Editores, 2005.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de


1988. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 5 de outubro de 1988.

BRASIL. Lei 8.906, de 4 de julho de 1994. Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB). Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília,
DF, 5 de julho de 1994.

CARVALHO, Kildare Gonçalves. Direito Constitucional. Belo Horizonte: Del Rey, 2005.
CENEVIVA, Walter. Direito Constitucional Brasileiro. 2°. ed. ampl. São Paulo: Saraiva, 1991.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 22°. Ed. São Paulo: Atlas, 2007.