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Briefing 1

O desafio da inclusão
digital em Moçambique
Um aluno da Escola Primária FPLM usa da palavra durante as
As tecnologias de informação e comunicação (TIC) discussões na Presidência da República em Maputo sobre
educação nos países em desenvolvimento. Políticas
estão a assumir uma importância crescente na governamentais sobre informação e comunicação devem
realização dos objectivos de desenvolvimento e na responder às necessidades das futuras gerações.
DAVID ROSE | PANOS PICTURES
promoção da participação do cidadão. Moçambique foi
um dos primeiros países africanos a ter uma política O foco principal é a ‘inclusão digital’. A inclusão
nacional destinada a maximizar a sua contribuição. digital não é apenas garantir que as pessoas
O presente texto resuma uma análise feita dos tenham acesso às TIC através de computadores
sucessos e dos pontos fracos da política, e faz nas suas comunidades ou sendo ensinadas a
considerações sobre os passos seguintes necessários utilizar o ‘software’ do computador. A inclusão
para satisfazer as necessidades de informação e digital significa também capacitar as pessoas na
utilização das TIC para melhorarem a sua vida
comunicação da próxima geração.
quotidiana através de conteúdo relevante e local
Moçambique foi um dos primeiros países em disponível em formatos apropriados. Desta
África a ter uma política global de tecnologias forma, as TIC podem contribuir para reduzir o
de informação e comunicação (TIC) e a fosso entre áreas urbanas e rurais e promover a
sua contribuição para o desenvolvimento. igualdade de acesso à informação, educação,
Desde a sua conclusão em 2002, a Política bens e serviços.
de Informática e respectiva Estratégia de A experiência de Moçambique oferece
Implementação têm fornecido o quadro para indicadores para outros governos e organizações
as iniciativas de TIC no país, visando alcançar africanas, que queiram maximizar o valor das TIC
resultados de desenvolvimento. Nem todos no desenvolvimento.
os objectivos foram atingidos, mas graças
ao comprometimento do governo nesta área
Este briefing apresenta uma revisão crítica da experiência
registaram-se resultados positivos de Moçambique no domínio de TIC para Desenvolvimento
significativos. (TIC4D) – Inclusão Digital em Moçambique: Um desafio
para todos. O estudo foi realizado pelo Centro de Informática
O estudo: da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM), como parte
de um projecto intitulado Fórum Regional de Discussão
analisa os êxitos e as fragilidades da política sobre TIC, coordenado pela Sangonet e financiado pela
e da implementação até à data ‘Open Society Initiative for Southern Africa’ e pela Embaixada
da Finlândia na África do Sul. O projecto visa proporcionar
examina os desafios, oportunidades um conjunto de experiências e um quadro para a discussão
de futuras políticas de TIC na região da África Austral.
e prioridades para as TIC4D em Moçambique O relatório completo pode ser visto em
hoje, e www.caicc.org.mz/images/stories/documentos/
finalmozambiquereport_portugues_100709.pdf
faz sugestões e recomendações para Esta publicação faz parte de uma série de briefings sobre
a actualização da política e estratégia para políticas produzida pelo Panos-Londres, com base no trabalho
responder às actuais circunstâncias e às do projecto Fórum Regional.
necessidades de amanhã.

Promovendo o diálogo, o debate e a mudança


2 O desafio da inclusão digital em Moçambique

O contexto de Moçambique
Moçambique, na África Austral, enfrenta
grandes desafios de desenvolvimento. Ocupa
o lugar 172° de entre 177 países no Índice
de Desenvolvimento Humano da ONU.
Setenta por cento dos seus 21 milhões de
habitantes vive nas áreas rurais e menos de
10 por cento trabalha na economia formal.
Agricultura de subsistência e trabalho informal
são as principais fontes de subsistência para
a maioria. Menos de metade da população
sabe ler e escrever.
Há também uma significativa desigualdade.
Embora os números estejam a melhorar,
as mulheres têm um nível mais baixo de
alfabetização, escolaridade e de renda que Centro de Saúde com equipamento informático.
os homens. O crescimento económico está Computadores continuam a ser relativamente escassos
em Moçambique.
fortemente dependente de um pequeno número FRED HOOGERVORST | PANOS PICTURES
de mega-projectos industriais, que têm pouco
impacto sobre o interior rural. Nas zonas rurais A rádio é também vibrante e está generalizada.
as infra-estruturas de transporte e de energia Dados recentes não estão disponíveis,
são muito limitadas, e são também vulneráveis mas em 2002–03 mais de 50 por cento dos
a calamidades naturais como inundações, lares dispunha de rádio, incluindo mais de
ciclones e secas. 40 por cento de agregados familiares nas áreas
rurais. Aí sobretudo, a rádio é o principal canal
As políticas do governo – resultado de uma
de informação sobre questões de importância
ampla consulta – definem uma visão nacional e
regional ou nacional. Como resultado da
um programa para o desenvolvimento a
desregulamentação e da legislação sobre a
médio prazo. As TIC desempenham um papel
liberdade de imprensa, existe uma considerável
importante dentro desta visão.
pluralidade de media, incluindo cerca de
As TIC em Moçambique 60 estações de rádio comunitárias.

A difusão das TIC em Moçambique é limitada A disseminação das TIC mais complexas
pela infra-estrutura precária e pela pobreza. é limitada. As televisões são caras e precisam
Grandes áreas remotas do país não têm de energia que não está prontamente disponível
energia nem comunicações por telefone fixo. nas áreas rurais. Computadores e a Internet
são ainda menos comuns. Havia uma estimativa
Como em toda a África, a grande história de 100.000 usuários de computadores em
de sucesso das TIC tem sido os telefones todo o país em 2007 – na sua maioria homens
celulares. Até 2008, havia mais de quatro de renda mais alta, nas áreas urbanas. No
milhões de assinantes de telefonia móvel no entanto, havia apenas uma estimativa de
país, o equivalente a 21 por cento da população, 24.000 usuários de Internet nesse ano, e este
e o seu número foi crescendo cerca de 50 por número estava ainda mais concentrado nos
cento ao ano. Pessoas de todos os grupos grupos de maior estatuto social. Embora esses
sociais, incluindo os pobres, viram o valor dos números estejam a aumentar, a falta de acesso
telefones celulares nas comunicações com a computadores e à Internet coloca desafios
a família e de negócios, e na redução dos importantes para a sua utilização em iniciativas
custos de transacção e de viagens – e estavam de desenvolvimento.
dispostos a pagar por estes benefícios.

Metodologia de pesquisa
O estudo utilizou três métodos de trabalho: uma pesquisa
documental, entrevistas com actores-chave e discussão
de grupo e análise. Como tem havido uma série de estudos
recentes sobre as TIC em Moçambique, foi dada prioridade
à pesquisa documental. Entrevistas abertas foram realizadas
com pessoas-chave no sector de TIC em Moçambique,
e com utilizadores representando ONG moçambicanas.
3

Política das TIC e TIC4D O recenseamento eleitoral


O Governo de Moçambique foi um O recenseamento eleitoral foi
dos primeiros em África a reconhecer totalmente informatizado pela
o potencial das TIC e a tentar integrá-las primeira vez em 2008. Kits
no desenvolvimento nacional. compactos de computador com
acessórios, do tamanho de uma
Já em 1998, criou uma Comissão para
pasta grande, foram adquiridos
a Política de Informática, demonstrando
e distribuídos a cada um dos
compromisso ao mais alto nível, de
128 distritos do país. Brigadas
priorizar e explorar as TIC para os objectivos
de registo foram recrutadas
práticos de desenvolvimento. O trabalho
localmente para tornar a
da Comissão levou à adopção em 2000,
registrar o nome e detalhes
de uma Política de Informática com os
de cada eleitor, e produzir um
objectivos de:
cartão de eleitor com fotografia
contribuir para a luta contra a pobreza a cores e impressões digitais.
e melhorar a qualidade de vida dos Uma mulher tira a sua impressão
Este processo fez com que, digital durante o recenseamento
moçambicanos
pela primeira vez, a utilização eleitoral em 2008.
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aumentar o acesso do cidadão ao de ferramentas TIC fosse
conhecimento demonstrada, na prática, em todos os cantos de Moçambique.
Significou também que qualquer pessoa com alguma
melhorar a eficiência e eficácia dos
experiência de computador teve a oportunidade de ganhar
serviços públicos
alguma receita, como membro de uma brigada eleitoral,
tornar Moçambique num produtor em vez incluindo aqueles que vivem nas zonas rurais.
de um mero consumidor de TIC, e
Apesar das múltiplas dificuldades com avarias de equipamento,
tornar Moçambique, em tempo, num escassez de materiais, cortes de energia, falta de combustível
actor competitivo na sociedade da para os geradores e assim por diante, as brigadas conseguiram
informação global. registrar quase 10 milhões de eleitores maiores de 18 anos, de
uma população total de cerca de 20 milhões.
Estes eram objectivos ambiciosos. A política
centrava-se em planos nacionais em seis
áreas principais: educação, desenvolvimento
de recursos humanos (ou capacitação), A Banca
saúde, acesso universal, infra-estrutura Um dos frutos mais visíveis das TIC, que traz benefícios
e governação. Atenção especial foi dada práticos para um grande número de cidadãos, é a informatização
também a alguns sectores, como agricultura dos sistemas bancários e a utilização de tecnologias de
e turismo, e grupos, tais como mulheres transmissão de dados.
e jovens.
Há ainda uma grave carência de agências bancárias a nível
A Política foi concretizada numa Estratégia dos distritos, embora as pressões do governo sobre os
de Implementação, publicada em 2002, bancos privados para melhorarem os seus serviços, estar
e destinada a ser implementada nos dois a começar a ter resultados. No entanto, um crescente número
a cinco anos seguintes. Esta também de ATMs permite às pessoas com contas bancárias em diversas
tinha metas ambiciosas, com 37 projectos partes do país (e todos os funcionários públicos são agora
separados e um orçamento de mais de pagos por transferência bancária ou cheque) verificarem
USD 280 milhões – incluindo uma rede se os pagamentos foram feitos, verificar o seu saldo, levantar
nacional de transmissão que custaria mais dinheiro, pagar contas ou transferir fundos para os membros
de USD 100 milhões. da família em tempo real.
A ênfase do governo nas TIC tem sido Infelizmente os bancos cobram pelas transacções nas ATM,
reflectida, até certo ponto, noutras penalizando assim, os seus clientes mais pobres em particular.
estratégias de desenvolvimento incluindo No entanto esta situação pode mudar com a chegada de mais
a Agenda 2025, o Plano de Acção Nacional serviços bancários móveis.
para a Redução de Pobreza Absoluta
(PARPA), a Estratégia de Ciência, Tecnologia
e Inovação (ECTIM), e a Estratégia de
Desenvolvimento Rural aprovada em 2007.
A Política de Informática e a Estratégia
de Implementação também têm influenciado
os planos e estratégias nos diferentes
sectores sociais e económicos.
4 O desafio da inclusão digital em Moçambique

O que aconteceu? Governo electrónico e governação:


A estratégia visa melhorar a eficiência
A Política de Informática e a sua Estratégia de
e transparência do governo e permitir uma
Implementação tinham grandes aspirações. Para
maior participação dos cidadãos. Uma rede
além de iniciativas específicas desenvolvidas
electrónica do governo liga agora as agências
por agências do governo, também tiveram como
governamentais nacionais e provinciais. Um
objectivo estabelecer um ambiente favorável
sistema de administração financeira do Estado
às iniciativas desenvolvidas por outros no
e um portal do governo foram introduzidos.
sector privado e na sociedade civil. O estudo
está claro, que avanços significativos Desenvolvimento de negócios: Tem havido
foram feitos, mas também identifica lacunas algum crescimento no sector de serviços
e fragilidades que minaram a estratégia de TIC, especialmente na capital, e uma
e atrasaram os ganhos que poderiam ter sido incubadora apoiada pelo governo já formou
obtidos. Além disso, a mudança tecnológica cinco pequenas empresas de TIC. Uma lei
torna necessária a actualização da estratégia de transacções electrónicas está em discussão.
para o ambiente das comunicações de hoje.
Pontos Fracos
Realizações
Estas são conquistas significativas. Apesar
Estas são algumas das realizações que podem delas, no entanto, oito anos após a aprovação
ser identificadas até ao momento. da política de TIC, o estudo considera que
Infraestrutura: Uma espinha dorsal Moçambique está ainda muito longe de
(backbone) nacional de banda larga liga as conseguir uma utilização generalizada e eficaz
capitais provinciais e deverá abranger todos das TIC. Sugere uma série de razões estruturais
os distritos até 2011. A nova infra-estrutura para isto, que pode também ter relevância
é apoiada por melhorias na rede de energia em outros países.
nacional. Desenvolvimentos fora da estratégia 1 Pode ter havido excesso de optimismo
também têm sido importantes. Redes de na política e estratégia de implementação
telefonia móvel chegam agora a todo o país das TIC – incluindo uma subestimação
e são utilizadas por muitos cidadãos. A ligação do tempo necessário para planear, organizar,
por cabo submarino concluída em 2009–10, mobilizar e formar pessoas antes e durante
irá aumentar a capacidade e reduzir os custos a implementação.
para os utentes.
2 A unidade de implementação criada para gerir
Acesso: O Fundo Nacional de Acesso a estratégia centrou-se nos grandes projectos
Universal tem implementado projectos-piloto e tinha poucos recursos para se dedicar
para comunicações de voz e Internet em à coordenação. Como resultado, a estratégia
algumas áreas. Preços mais baixos de acesso global não foi bem integrada com aquelas
à Internet via dialup foram introduzidos pela de áreas sócio-económicas individuais.
operadora de telefonia fixa estatal. Cerca
de 20 centros multimedia comunitários 3 Um Fórum Consultivo Nacional sobre as TIC,
(CMCs) foram estabelecidos, e um programa previsto em 2002, nunca foi implementado.
nacional de expansão iniciará a partir deste Como resultado, houve uma consulta limitada
ano. Existem hoje cerca de 60 estações de à comunidade, e muitas decisões importantes
rádio comunitárias. que afectam a vida das pessoas foram tomadas
por um número reduzido de funcionários.
Capacidade humana: A estratégia de
implementação visa tanto permitir aos 4 O financiamento externo não tem acompanhado
cidadãos o uso das TIC, como preparar as esperanças e metas da política e estratégia.
a próxima geração de profissionais
Além disso, algumas iniciativas têm sido mal
de TIC. Iniciativas oficiais – como o programa
orientadas para as necessidades. Cursos
SchoolNet para equipar escolas secundárias
superiores de TIC, por exemplo, têm sido muito
com computadores, um piloto de um
teóricos, não se centrando suficientemente
currículo de TIC no ensino secundário,
naquilo que o sector de negócios de facto
e ensino à distância de nível universitário –
necessita. Além disso, tem sido difícil ajustar
ocorreram em paralelo com o crescimento
uma estratégia desenvolvida em 2002 para
no sector privado de cursos e actividades
explorar mercados de telecomunicações em
de informática afins.
mudança, ou as oportunidades oferecidas
por novas tecnologias e serviços melhores.
5

Como resultado, o relatório conclui que


a implementação da estratégia até à data,
tem sido muito focada na tecnologia e
serviços públicos e pouco centrada naqueles
cujas necessidades a tecnologia deve servir.
Sugere-se uma nova forma de pensar nas
TIC4D, centrada numa compreensão mais
ampla do sentido de acesso e de engajamento,
a que se chama de inclusão digital.

‘ Inclusão digital’:
repensando as TIC4D
Muito do pensamento sobre as TIC4D em África
tem enfatizado o acesso às infra-estruturas.
Isto, obviamente, é importante: sem infra- Construção da nova ponte sobre o Rio Zambeze perto de Caia.
Infra-estruturas físicas melhoradas são importantes para a
estruturas, as TIC podem oferecer muito pouco, inclusão digital, mas a capacidade de fazer uso da tecnologia
por isso deve ser dada grande prioridade. Mas e de pagar por ela também o é.
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as infra-estruturas por si só, não são suficientes
para trazer o desenvolvimento. As pessoas
promover acesso mais igual e melhor
precisam ter acesso para que possam fazer
utilização de informação, educação, formação,
uso das TIC, e o acesso é muito mais do
negócios, entretenimento e possibilidades
que simplesmente redes e cabos. Acesso,
de participação
neste estudo, tem três elementos principais:
ajudar a reduzir as divisões entre as áreas
acesso à infra-estrutura física, incluindo
urbana e rural e, deste modo,
melhores transportes e energia eléctrica
contribuir para o desenvolvimento social
a capacidade de fazer uso delas –
e económico do país como um todo.
as habilidades, experiência e confiança
dos usuários O governo de Moçambique poderia fazer
mais para encorajar esta apropriação
a capacidade financeira de pagar pela utilização;
democrática das TIC na vida das pessoas,
melhores infra-estruturas e competências não
envolvendo mais os cidadãos na concepção
terão grande significado se as pessoas não
e implementação da estratégia e das políticas
tiverem acesso por falta de fundos.
de TIC. As organizações da sociedade civil
Sem estes três elementos estabelecidos, também poderiam fazer mais uso das TIC
a melhor das redes terá apenas um impacto e desempenhar um papel mais dinâmico
limitado na vida das pessoas. Contudo, na defesa das necessidades dos cidadãos
o acesso por si só, também é insuficiente. aquando do processo de tomada de decisões.
O que é necessário é a inclusão digital.
A inclusão digital é muito mais do que As ONG e as TIC
‘alfabetizar’ as pessoas em TIC, ou garantir
Entrevistas com quatro organizações da sociedade civil
que elas tenham acesso a preços acessíveis
mostraram que, embora a sua utilização das TIC tenha
às redes, serviços e dispositivos de TIC
aumentado, ainda estavam longe de usá-las em todo
(capacidade e acessibilidade). Para que
o seu pleno potencial. As ONG fazem uso de e-mail para
as TIC contribuam plenamente para o
se comunicarem com os parceiros e doadores, e a Internet
desenvolvimento, deverão ser vistas não
para pesquisar informação relevante. No entanto, alguns
apenas como veículos para uma melhor
constataram que sua conexão de banda larga não era fiável
governação ou melhores serviços de negócios,
(‘é como o vento, hoje vem, amanhã vai’), enquanto outros
mas como bens que são apropriados pelos
consideraram que, se enviam e-mail ‘também temos de
indivíduos e comunidades que os utilizam,
telefonar, uma vez que as pessoas não verificam o seu e-mail
a seu próprio modo, para ajudá-los a
ou consultam a Internet regularmente’.
satisfazer as suas necessidades diárias.
Os entrevistados identificaram os maiores obstáculos para
Ao se apropriar da tecnologia, desta forma,
uma melhor utilização das TIC como sua própria ignorância
as comunidades podem seleccionar e
sobre o que as TIC podem fazer, falta de habilidades, falta
transformar as TIC e os conteúdos de que
de recursos e falta de fiabilidade. Todos sentiram que era
necessitam, resultando ao longo do tempo
importante que o governo estendesse o direito de comunicar
em novos padrões de comportamento,
e de estar informado aos grupos mais desfavorecidos para
maior escolha individual e liberdade, e novas
que eles não fossem excluídos.
oportunidades para o desenvolvimento.
Desta forma, as comunidades irão:
6 O desafio da inclusão digital em Moçambique

Olhando para o futuro Conclusões e recomendações –


rumo à inclusão digital
Embora ainda existam muitos desafios com
que se defrontam as TIC4D em Moçambique, As coisas mudam rápido no mundo das TIC.
há sinais claros de que o país pode alcançar Novas tecnologias surgem constantemente,
uma maior inclusão digital num futuro próximo. oferecendo maneiras novas e mais baratas
de atingir objectivos e criando oportunidades
O relatório considera o presente como uma
para fazer coisas que anteriormente não
fase de transição. A Política de Informática
eram possíveis. Em todos os países, incluindo
e a Estratégia de Implementação introduziram
Moçambique, na última década ocorreram
um período de preparação e sensibilização.
mudanças enormes em tecnologias, serviços
Deu os primeiros passos no sentido de maior
e uso das TIC – especialmente o rápido
acesso à informação, mas agora precisa de
crescimento da telefonia móvel e a grande
um enfoque mais estratégico e de investimento
gama de serviços que oferece. O custo
para garantir que todos os cidadãos podem
do fornecimento de acesso ao computador
utilizar, bem como aceder às novas tecnologias.
e à Internet está a cair rapidamente, e novas
Nos próximos 10 anos deverá haver muito formas de utilização das TIC e da Internet
maior implantação e utilização das TIC. Novas estão constantemente a ser introduzidas.
infra-estruturas serão instaladas, garantindo Todos no mundo das TIC precisam de rever
serviços confiáveis de alta velocidade permanentemente o que fazem, e como
e resolvendo muitas das dificuldades actuais. fazem. A Política de Informática de 2000
Comunicações de dados, voz e de imagem e a Estratégia de Implementação de 2002
estarão disponíveis, mesmo nas áreas mais forneceram uma base sólida na altura, mas
remotas. O desenvolvimento de tecnologias estão agora desactualizadas.
sem fio irá promover um maior acesso a nível
Moçambique tem conseguido ganhos
local. Mais experiência e melhor qualidade
significativos desde a introdução da sua
de serviços irão aumentar a confiança das
política de TIC, mas uma nova abordagem
comunidades nas novas TIC. Novas formas de
é necessária para a prestação daquilo
armazenamento e gestão de dados irão facilitar
que os moçambicanos hoje necessitam,
o acesso e utilização, ao mesmo tempo que
centrada na inclusão digital do cidadão. As
os direitos dos cidadãos serão protegidos em
recomendações chave do estudo que a seguir
termos de segurança dos dados, privacidade
se apresentam, destinam-se a contribuir
e liberdade de expressão. Os preços vão baixar
para a implementação da fase seguinte,
significativamente e as pessoas vão adquirir as
ajudando a garantir que Moçambique vai
habilidades e competências para desenvolver,
passar das realizações dos seus primeiros
manter e inovar a utilização das TIC.
10 anos de Política de Informática para
A mais longo prazo, isto vai trazer uma um futuro de inclusão digital genuína.
sociedade da informação inclusiva. Os
moçambicanos vão ultrapassar estas fases Os cidadãos necessitam de fóruns e espaços para discutir
de que forma as políticas de TIC podem ajudar a trazer
de sensibilização e adopção para uma nova soluções para os seus problemas.
fase em que as TIC estejam plenamente GIACOMO PIROZZI | PANOS PICTURES

integradas na sociedade e economia. Esta


integração implicará mudanças culturais nas
atitudes e comportamentos em relação às
tecnologias, trabalho, sociedade e governação.
São necessárias mudanças na política
do governo para acelerar a transição
da sensibilização para a inclusão digital.
A secção final do estudo recomenda mudanças
no enfoque e na estrutura da política de
informática, que poderão ajudar a conseguir
este objectivo.
7

Renovando as políticas e estratégias para Aprovar legislação para garantir maior acesso
inclusão digital à informação a todos os níveis do governo,
e facilitar o livre acesso à informação pública
Rever e actualizar a política e estratégia
‘online’ do governo, Parlamento, da justiça
de TIC, adoptando uma abordagem centrada
e de outros sectores, bem como de redes
no cidadão
de pesquisa.
Melhorar a integração das abordagens
de inclusão digital nas estratégias de Capacitação de recursos humanos
desenvolvimento, assegurando a coordenação Utilizar o sistema nacional de educação como
por parte do governo das políticas nacionais factor-chave da inclusão digital das novas
e sectoriais de TIC e respectivos investimentos, gerações através da formação de professores,
e financiamento adequado equipando as escolas e adaptando os curricula
Estabelecer um sector TIC, e reestruturar Formar um novo tipo de técnico de
os órgãos reguladores à luz da convergência TIC polivalente e actualizar cursos para os
tecnológica electricistas e outros, em escolas técnicas e
Criar fóruns consultivos e espaços para institutos, Centros Provinciais de Recursos
a participação do público e das organizações Digitais (CPRD) e centros de formação privados
da sociedade civil na preparação das em todo o país
políticas de TIC Investir na capacitação massiva para a
Expandir o mandato do Fundo de Acesso utilização das TIC, incluindo no uso de software
Universal para apoiar iniciativas significativas livre (FOSS), para os pobres e mulheres
na área de conteúdos e comunicação Adaptar os currículos das TIC a nível
comunitários, assegurando uma participação universitário às necessidades de inclusão
e governação multi-sectorial digital e do mercado
Envolver as organizações da sociedade Promover software padronizado em Português,
civil na elaboração de estratégias de e conteúdo em línguas locais.
digitalização da rádio e TV que irão minimizar
os custos para o público, e nas campanhas Produzir mais e melhores serviços
de educação pública.
Expandir os serviços electrónicos do governo e
Aumentar a participação dos cidadãos do sector privado para o público, e implementar
as necessárias mudanças organizacionais
Desenvolver a capacidade das organizações e comportamentais nos organismos públicos
da sociedade civil para que possam
usar as TIC e para que possam ganhar Introduzir informação e outros serviços
sensibilização sobre as questões de políticas de apoio à agricultura, comércio, pequena
de TIC, permitindo-lhes que desempenhem um indústria, exportação e ao sector social
papel preponderante na promoção da inclusão Desenvolver plataformas especializadas para
digital, defendendo os direitos do consumidor a gestão de conhecimentos
e monitorando as decisões sobre políticas
Facilitar a produção e alojamento de websites
Promover o envolvimento dos media na locais e da comunidade, e o uso de serviços
promoção de debates e educação do público da Web 2.0.
sobre as implicações para a sociedade
de questões tecnológicas, tais como Melhorar a utilização das
a convergência, neutralidade tecnológica infra-estruturas planeadas
e protecção dos dados dos cidadãos
Planear a capacidade, tendo em conta as
Garantir o acesso a serviços providenciados políticas de inclusão digital e as novas
por via de TIC a preços acessíveis, tecnologias que irão aumentar as necessidades
especialmente para as áreas rurais e pobres,
Assegurar o acesso equitativo através de
através de políticas para a redução de custos
apoio aos centros multimedia comunitários
de investimento e funcionamento, subsídios
e a outras iniciativas
‘inteligentes’ e a produção doméstica de
equipamento barato Implementar e regulamentar uma política de
partilha de infra-estruturas e esforço conjunto
Reconhecer e apoiar o papel dos meios
para diminuir os custos e ampliar o alcance
de comunicação comunitários e de acesso
às TIC na promoção da livre circulação Melhorar a qualidade e reduzir os custos
de informação multilingue, e na expansão para todos os usuários das redes ampliadas
das capacidades dos cidadãos de energia e de telecomunicações.
8 O desafio da inclusão digital em Moçambique

Outra informação
Polly Gaster
Chefe do Gabinete de TIC4D
CIUEM
Campus Universitário
Av Julius Nyerere
Maputo
Mozambique
Tel/fax: +258 21 485779
Rede de telefonia movel: +258 82 3264540
Email: polly.gaster@uem.mz
www.caicc.org.mz
Projecto Fórum Regional de Discussão sobre
TIC coordenado por

Usando o computador para


conferir resultados de testes na Texto elaborado por David Souter e traduzido por
Unidade de Pesquisa de Malária Lisete Costa.
(CISM), Hospital da Manhiça.
ANDY JOHNSTONE | PANOS PICTURES
O relatório completo, Inclusão Digital em
Moçambique: Um Desafio para Todos está Centro de Informática da Universidade
disponível para se fazer o ‘download’ a partir de Eduardo Mondlane (CIUEM)
www.caicc.org.mz/images/stories/documentos/ Campus Universitário
finalmozambiquereport_portugues_100709.pdf Av Julius Nyerere
(Versão portuguesa) e C. P. 257
www.caicc.org.mz/images/stories/documentos/ Maputo
final_report_mozambique.pdf Mozambique
(Versão inglesa) Tel: +258 21 492601
Fax: +258 21 494755
O relatório de pesquisa foi elaborado por Polly Gaster, www.ciuem.mz
Carlos Cumbana, Gertrudes Macueve, L. Neves Cabral
Domingos e Francisco Mabila, Centro de Informática
da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM).
Tina James editou e coordenou este relatório em
nome da SANGONeT, e fez a revisão em conjunto com
Murali Shanmugavelan, ‘Panos London Information
Society Programme’. Southern African NGO Network (SANGONeT)
PO Box 31392
A pesquisa foi realizada no âmbito do projecto Fórum 2017 Braamfontein
Regional de Discussão sobre TIC, coordenado pela South Africa
Sangonet e financiado pela ‘Open Society Initiative for
Southern Africa’ e a Embaixada da Finlândia na África Tel: +27 11 403 4935
do Sul. O Projecto visa proporcionar um conjunto de Fax: +27 11 403 0130
experiências e um quadro para a discussão da futura Email: info@sangonet.org.za
política de TIC na região da África Austral. www.sangonet.org.za

Este briefing foi produzido pelo ‘Panos London


Information Society Programme’.

O texto desta publicação está sujeito a um


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