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Figurino

Por Professor Lindomar


Desde os primórdios da humanidade o ser humano enfeita-se para a realização de
diferentes rituais, utilizando elementos retirados diretamente da natureza ou materiais
confeccionados a partir dela. São roupas e acessórios produzidos com ramagens, tecidos
com fibras de madeira, couros de animais, etc. Máscaras são utilizadas para retratar os
mitos, ou simplesmente para cobrir o rosto e esconder a real identidade do sujeito
protagonista do ritual. A utilização de indumentárias foi sempre um ato de liberdade,
porém vem ao longo do tempo acompanhando as mudanças socioculturais.

Os registros de indumentárias utilizadas em épocas longínquas ficaram marcados nas


pinturas rupestres da pré-história, nos murais egípcios, nos vasos gregos e nas esculturas
greco-romanas, que chegaram até nós. As iluminuras dos manuscritos medievais e as
pinturas assinadas por artistas a partir do Renascimento, também servem de referência
para nos situar a respeito dos “costumes” daquelas épocas. O figurino também pode ser
denominado indumentária, costume, ou vestuário.

Com o surgimento do teatro, na Grécia do século VI a.C., os atores passam a utilizar


máscaras que caracterizavam os personagens e permitiam ampliar as vozes dos atores.
O figurino, composto de coturnos com saltos altos e túnicas gregas alongadas, faziam
dos atores que interpretavam as tragédias e comédias figuras escultóricas. Neste mesmo
período os personagens do teatro latino utilizavam togas romanas, pálios, trabeas, entre
outras indumentárias da época, e os personagens mais humildes eram representados por
trajes de taberneiros. Na Idade média, pelo domínio da igreja católica, os figurinos
utilizados em encenações eram os relacionados a anjos, senhores e magistrados, não
fugindo à alegoria de dragões e outros mitos que representavam o mundo pagão.

No século XVII há um retorno à cultura greco-romana e as cenas teatrais mostram


soldados romanos estilizados, com plumas em seus capacetes, porém é neste período
que as artes cênicas buscam maior verossimilhança na indumentária e noutros
elementos estéticos. Em 1777 e 1783, Moreau le Jeune publicou em jornal de moda,
desta época, respectivamente a estes anos, duas séries do documentário “O Monumento
do Costume”, sendo de grande valia para estudos atuais. Os atores que encarnavam os
personagens da Commedia dell’Art vestiam-se com figurinos convencionais, marcando
as características específicas do personagem que normalmente interpretava. A exemplo
do Arlequim, que possuía máscara com desenhos geométricos e ornamentações com
motivos florais, cujos desenhos e ornamentos se estendiam a uma malha colante com
manchas coloridas.

Com o período do naturalismo teatral o figurino passa a caracterizar o personagem que


representa o cidadão comum, com seus sonhos, alegrias e angústias, buscando a
identificação entre o espectador e o personagem. É neste período que a arte de
caracterização pela vestimenta passa a correr o risco do exagero, pois a veracidade
histórica precisa de uma medida certa na adequação do traje, de forma a não deixar de
servir a arte de interpretar do ator, com a técnica da “verdade cênica” do método
Stanislavski, e ao propósito geral da encenação.
O primeiro responsável pela criação do figurino é o autor e o figurinista, porém há uma
complexidade de idéias em sua construção, dentro de uma montagem teatral. É certo
que os trajes serão utilizados pelos atores, mas cabe ao figurinista ou ao cenógrafo o
desenho dos mesmos. O diretor precisa aprovar o conceito dos figurinos para então
garantir a sua confecção. Quando a peça a ser apresentada precisa ser ambientada numa
época diferente da atual, é preciso que haja um empenho de pesquisa em fontes
específicas e criatividade da equipe para melhor caracterização do personagem. Um
grande aliado à arte do figurino é a “Maquiagem de cena”, pela possibilidade de
transfiguração do ator.

Fontes

http://www.infoescola.com/artes-cenicas/figurino/

Roteiro de Cinema
Por Fernando Rebouças
O roteiro de cinema organiza e conta a história de um filme, a história é o argumento,
conteúdo da obra cinematográfica. Segundo o Diccionário Del Guión Audiovisual,
roteiro é “texto que desenvolve um argumento e que indica como deve realizar-se
qualquer tipo de obra audiovisual”.

O audiovisual precisa se guiar de uma forma escrita, efêmera e controvertida em


produto audiovisual. Sem um bom roteiro não há um bom filme, sobretudo para ser um
bom filme, o mesmo necessita de outros elementos de qualidade.

O roteiro perde a sua importância escrita literária quando transportado na concretização


visual do filme. É a primeira forma do filme, dá vida às falas e atitudes dos personagens
e visão da obra cinematográfica.

Os americanos o chamam de “screenplay” e o franceses de “scenario”, respectivamente


peça para a tela e conjunto de cenas. Na nossa língua portuguesa a palavra roteiro
designa uma via em rota a ser seguida até o seu objetivo final.

Na sétima arte industrial, o roteiro é visto como ferramenta, um discurso verbal e escrito
que permite que o filme seja visualizado pela equipe. Antes desta visualização, há a
imaginação e pesquisa seguida da vivência dos roteiristas.

O roteiro permite minimizar os riscos de perdas de investimentos e enredo, dando uma


perspectiva ao diretor do quê e como pode ser filmado. Através do roteiro escrito há a
possibilidade de calcular quantos atores, cenários, equipamentos e estúdios serão
necessários e o financiamento para todos estes elementos.

Muitas obras da literatura são adaptadas para o cinema, exigindo profundo


conhecimento da obra por parte do roteirista. Há outros casos de situações verídicas que
tornam-se em filmes, indiferente de ambos os casos, o cinema consegue transformas
muitas mentiras numa única verdade.
http://www.infoescola.com/cinema/roteiro-de-cinema/

UM DOCUMENTO CHAMADO ROTEIRO


Fernando Marés de Souza

"Porque o roteiro é o sonho de um filme"


Jean-Claude Carrière

O QUE É UM ROTEIRO

A grande maioria das pessoas nunca segurou um roteiro nas mãos, mas se questionadas sobre o que é um,
poucas não tentariam responder. Muitos acertariam a resposta, poucos conseguiriam se aprofundar na
definição.

Alguns se equivocariam, na crença que o roteiro é a história de um filme. O roteiro conta a história de um
filme, mas não é a própria história. A história contada em um filme pode ser a definição de Argumento, mas
isso também, já é outra história.

Uma ida a prateleira de livros pode clarear bem as idéias. Dicionários sempre são uma boa ferramenta para
autodidatas:

"Roteiro: Documento que contem o texto de filme cinematográfico, vídeo, programa de rádio, etc." -
Dicionário Novo Aurélio

Definição perfeita. O "etc" é uma bela sacada, pois se exime da responsabilidade pelo que ficou de fora.
Vamos tentar fazer justiça aos não discriminados e pensar nos variados meios que se utilizam deste
documento chamado de roteiro: cinema, vídeo, televisão, rádio, quadrinhos, hipermídia (interativos como
hipertexto, games e cd-roms), e por que não, teatro, apresentações, eventos, shows, e para não passarmos
vexame: etc

Na prática, alguns assaltos, assassinatos e atos terroristas também se utilizam de um roteiro, mas melhor
deixar isso de lado, pois este manual se propõe a ser sobre Roteiro Audiovisual:

"Roteiro: Texto que desenvolve um argumento e que indica como deve realizar-se qualquer tipo de obra
audiovisual." - Diccionário del Guión Audiovisual.

Certo, mas agora temos que voltar a prateleira para saber o que é Audiovisual. Para nos poupar disto,
ofereço uma definição mais completa:

"O Roteiro Audiovisual é um documento escrito que desenvolve uma história e indica como deve realizar-se
uma obra para um meio que transmite mensagens através de som e imagem, como o cinema e a televisão." -
Fernando Marés de Souza, usando um par de dicionários e um pouco lógica aristotélica.

Devidamente alçado ao panteão dos criadores de definições, vamos ver o que os teóricos sobre o assunto
podem nos contar:

"O Roteiro é a forma escrita de qualquer audiovisual. É uma forma literária efêmera, pois só existe durante o
tempo que leva para ser convertido em um produto audiovisual. No entanto, sem material escrito não se
pode dizer nada, por isso um bom roteiro não é garantia de um bom filme, mas sem um roteiro não existe
um bom filme". - Doc Comparato

Interessante esta história de efêmero. Já ouvi dizer que o destino do roteiro é a lata de lixo depois de ser
utilizado, mas será verdade? Ainda não é o momento de responder. Mas saiba que a maioria pensa assim:

"O roteiro representa um estado transitório, uma forma passageira destinada a desaparecer, como a larva ao
se transformar em borboleta. Quando o filme existe, da larva resta apenas uma pele seca, de agora em diante
inútil, estritamente condenada à poeira. (...) Pois o roteiro significa a primeira forma de um filme. E quanto
mais o próprio filme estiver presente no texto escrito, incrustado, preciso, entrelaçado, pronto para o vôo
como a borboleta, que já possui todos os órgãos e todas as cores sob a aparência de larva, mais a aliança
secreta (...) entre o escrito e o filme terá chances de se mostrar forte e viva." - Jean-Claude Carrière

Lindo e poético, mas muito metafórico para um roteirista. A indústria exige algo mais simples e direto:

"Roteiro é uma história contada em imagens, diálogo e descrição, localizada no contexto da estrutura
dramática." - Syd Field

Estrutura dramática. Este autor gasta uma página e introduz uma dúzia de novos conceitos para explicar o
que é isto. Será que alguém consegue sintetizar? Sempre existe alguém disposto a tentar:

"O Roteiro é uma história contada com imagens, expressas dramaticamente em uma estrutura definida, com
início, meio e fim, não necessariamente nessa ordem." - Chris Rodrigues

Bem melhor. Começo, meio e fim. Isto me lembra que a lista de definições pode ser interminável, sendo que
a semelhança entre elas é aparente.

"Os americanos chamam-no screenplay, uma peça para a tela, de maneira a distinguí-la da simples play,
destinada ao placo. Os franceses o chamam de scenario, para designá-lo como um conjunto de cenas. E nós
o chamamos de roteiro. E não é uma má palavra para o caso. Roteiro é uma rota não apenas determinada,
mas "decupada", dividida, através da discriminação de seus diferentes estágios. Roteiro significa que saímos
de um lugar, passamos por vários outros, para atingir um objetivo final. Ou seja: o roteiro tem começo, meio
e fim - conforme Aristóteles observou na tragédia grega como uma necessidade essencial da expressão
dramática." - Luiz Carlos Maciel

Depois de tantas definições, você pode usar um pouco de lógica aristotélica e construir a sua.

PARA QUE SERVE UM ROTEIRO

Cinema é arte, sem dúvida, a sétima arte. Mas segundo Giba Assis Brasil, cinema é também indústria. É
indústria pois precisa de meios de produção, acumulação de capital e divisão especializada do trabalho. E é a
serviço desta indústria, que o roteiro exerce sua principal função.

"O roteiro é a ferramenta básica da indústria de cinema e televisão." - Cole & Haag

O roteiro será o documento chave, onde todos os outros profissionais envolvidos com a realização de um
produto audiovisual basearão seu trabalho.

"Roteiro é (...) um discurso verbal, escrito de forma a permitir a pré-visualização do filme por parte do
diretor, dos atores, dos técnicos e dos possíveis financiadores. Um instrumento de trabalho e de
convencimento. (...) Uma utopia criativa a serviço de um objetivo fundamentalmente econômico: uma boa
definição não só de roteiro, mas da própria essência do cinema." - Giba Assis Brasil

A realização de um produto audiovisual demanda um investimento de capital muito alto. O roteiro é a


maneira de pré-visualizar este produto, e minimizar os riscos de investimento.

"Desde uma perspectiva comercial, um roteiro é uma proposta para o lançamento de um produto. Os
aspectos artísticos podem ser decisivos 'a priori', mas sempre se impõe as possibilidades econômicas na hora
de aprovar um projeto. (...) Em função de um roteiro literário, a produtora pode estimar o custo de um filme
e elaborar um estudo de mercado que assegure sua acolhida como produto. (...) E quando buscam o
financiamento necessário para o futuro filme, só podem oferecer uma coisa: a história" - António Sanchez-
Escalonilla

O roteiro serve então, como uma simulação de um produto audiovisual sonhado.

BREVE HISTÓRIA DA PROFISSÃO

O roteirista audiovisual tem sua origem nos dramaturgos do teatro clássico dos gregos, como Aristóteles,
Ésquilo e Sófocles, entre outros. Mas também guarda a herança dos primeiros contadores de história,
criadores de mitos de tempos imemoriais.

“No Século XX, uma nova forma de contar histórias foi inventada. Através de uma engenhosa combinação
de pequenas peças de metais, fitas de celulóide, vidro em forma de lentes, fiação elétrica, uma inovação
tecnológica foi alcançada e destinada a ter um tremendo efeito na mente de milhões de pessoas” - Eugene
Vale

Com a popularização do cinema, através da sala escura dos irmãos Lumière, uma nova profissão começa a se
formar.

“Antes de 1926, ao menos julgando pelos créditos oficiais, não haviam roteiristas de cinema. (...) Havia sub-
espécies como: gag-writers, continuity writers, treatmenten writers, scenarists, adaptors, titlists, etc.” -
Patrick Mcgillian

Este pessoal era formado geralmente por ex-atores de vaudeville, que bolavam situações engraçadas para a
câmera.

“Tudo isso mudou com o advento do filme sonoro, nos anos 20. Repentinamente, atores precisavam de algo
para falar. Escritores pipocavam em Hollywood, vindos da Broadway e dos mundos da literatura e do
jornalismo. Por um curto período nos anos 30, alguns dos mais famosos escritores escreveram roteiros para
Hollywood: William Faulkner, F. Scott Fitzgerald, Bertolt Brecht, e Thomas Mann.”- Learner.org

A profissão de Roteirista passa a ganhar forma, e o roteiro, começa a ser a peça chave da indústria.

“Na nova indústria (...) o roteiro de filmagem se torna a necessidade central no produção de filmes em um
estúdio durante os anos 30. Não somente se podia 'decupadar' a história e sistematizar a continuidade, mas
também indicava 'como' e 'o que' deveria ser filmado.” - Patrick Mcgillian
Mas apesar da importância de seu trabalho, o roteirista era marginalizado. Dinheiro e prestígio não eram
coisas comuns entre a maioria. Sem conhecimento um do outro, vários roteiristas trabalhavam em múltiplas
versões do mesmo roteiro, créditos eram outorgados para parentes ou amantes, jornadas abusivas de
trabalho eram requisitadas. A tendência então era se organizar.

O Screen Writers Guild é criado em 1933 em Hollywood. Roteiristas buscam melhores condições de trabalho
e uma fatia maior dos lucros. Em 1941, um histórico acordo com as companhias produtoras garantiu um
piso salarial, e a concessão de créditos passou para a jurisdição da Associação.

No final dos anos quarenta a sombra da caças as bruxas paira sobre a Califórnia. O House Un-American
Activities Committee (HUAC) começou a apontar os dedos contra os ativistas do Guild os acusando de
Comunistas. Muitos profissionais tiveram de voltar para seus países, trabalhar com nomes falsos ou fazer
parcerias com roteiristas de fachada.

Em 1954, o Screen Writers Guild se funde ao Radio Writers Guild e ao Television Writers Guild. A nova
associação passa a se chamar Writers Guild of America.

A profissão de Roteirista é regulamentada no Brasil em 1978, com a publicação da Lei Nº 6.533 e do Decreto
Nº 82.385, que dispõe sobre a regulamentação das profissões de artista e de técnico em espetáculos de
diversões, e define a profissão do roteirista cinematográfico que: "cria, a partir de uma idéia, texto ou obra
literária, sob a forma de argumento ou roteiro cinematográfico, narrativa com seqüências de ação, com ou
sem diálogos, a partir da qual se realiza o filme." Em 79, a Lei 6.615 e seu decreto 84.134/79 regulamentam a
profissão do roteirista de televisão e de rádio, que: "escreve originais ou roteiros para a realização de
programas. Adapta originais de terceiros transformando-os em programas." A Nova CBO - Classificação
Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, publicada em 1994, tem como Família 2615 os
Profissionais da escrita, que por sua vez tem como subdivisão o item "2615-05 - Autor-roteirista", que tem
como sinônimos "Adaptador de obras para teatro, cinema e televisão, Argumentista-roteirista de história em
quadrinhos, Autor-roteirista de cinema, Autor-roteirista de rádio, Autor-roteirista de teatro, Autor-roteirista
de televisão, Autor-roteirista multimídia, Dramaturgista"

Em 26 de julho de 2000, no teatro do Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, com a presença de 73


roteiristas, é fundada a ARTV – Associação de Roteiristas de Televisão, Cinema e outras mídias. Em 2006,
visando melhorar a identificação com roteiristas de todas as mídias, a Associação muda a sigla para AR.

Em Agosto de 2006 é fundada a Associação de Autores de Cinema, com o objetivo principal de


profissionalizar a atividade e assegurar a boa qualidade dos projetos e, por conseqüência, o crescimento da
indústria cinematográfica no Brasil.

http://www.roteirodecinema.com.br/manuais/documentochamadoroteiro.htm

Introdução à construção de cenários de filmes


A produção de um filme é um misto de arte e ilusão. O
objetivo do cineasta é fazer a audiência acreditar no universo
criado por ele. Que pode ser muito parecido com o nosso
próprio, ou uma terra cheia de fantasia e imaginação. Mas
todos os elementos dessa ficção - dos prédios até os carros, construção de
cenários
passando pelo conteúdo da geladeira do personagem principal - devem funcionar em
conjunto para contar uma história.
Como a filmagem é um meio predominantemente visual, tudo o que aparece na tela tem
um papel importante em nos mostrar exatamente quem os personagens são e como é o
mundo deles. O cérebro humano processa pistas visuais mais rápido do que informação
verbal, portanto, se um cineasta quer dizer ao público que o personagem principal é um
artista batalhador, ele não precisa abrir o filme com uma voz dizendo: "Meu nome é
Vincent e eu sou um artista batalhador".

Imagem cedida pela Paramount Pictures / Credit: Industrial Light & Magic© 2007
Dreamworks LLC. and Paramount Pictures. All Rights Reserved.
Parte do cenário construído para a filmagem do filme "Transformers"

Em vez disso, o filme abre com uma tomada ampla mostrando Paris no fim do século 19. A
seguir, vemos o exterior de um precário prédio de apartamentos no agitado distrito de
Montmartre. A próxima tomada mostra um apartamento escuro e bagunçado, mobiliado
apenas com um colchão descoberto e iluminado por velas enfiadas em garrafas de absinto
vazias. Vemos livros de arte abertos, garrafas de vinho abandonadas e ossos de galinha
espalhados no piso de madeira todo manchado de tinta. Vemos dúzias de pequenas telas
semi-acabadas empilhadas nas paredes.
Mesmo antes de encontrarmos Vincent, sabemos que ele vive nesse apartamento. O
cineasta estabeleceu um local e uma atmosfera palpável por meio de pesquisa cuidadosa,
construção de cenário meticulosa e decoração criativa.
Exatamente como um cineasta planeja e projeta todos os cenários usados em um filme? O
quanto ele precisa construir a partir do rascunho e o quanto é recriado com a ajuda de
computadores? Quantas pessoas trabalham na construção do cenário e quais são todas
as suas diferentes responsabilidades? Continue lendo para saber.

Planejando a construção do cenário do filme


O planejamento para a construção de cenários de filmes começa meses ou mesmo anos
antes de um filme entrar em produção (em inglês). Tudo começa com o roteiro, que inclui
descrições de todos os cenários e locações que serão usados no filme. Essas descrições
podem ser generalizadas ou altamente detalhadas, dependendo do roteirista.
Freqüentemente uma das primeiras pessoas a ler o roteiro é o profissional responsável
pelo planejamento do filme, que usa as descrições de cenas do roteirista para dar uma
estimativa de quanto os cenários completos custarão. Ele também irá procurar partes do
roteiro em que efeito gerados por computador (em inglês) serão mais viáveis do que a
construção de cenários inteiros. Com base nessas informações, os produtores (em inglês)
podem criar um orçamento e procurar patrocínio.

Jack English/Lionsgate
A construção de cenários inclui a reconstituição de época,
como no filme "Efeito Dominó", que se passa nos anos 70

Depois que um diretor é escolhido para o filme, ele começa a conversar sobre a melhor
forma de representar visualmente as locações presentes no roteiro. Um gerente de
locação é contratado para procurar locações internas e externas para determinados
cenários. O restante deverá ser construído a partir do rascunho em um estúdio, num palco
sonoro ou num terreno.
A pesquisa é uma parte importante do estágio inicial do planejamento da construção de
cenários, principalmente para filmes que se passam no passado ou no futuro. Os grandes
estúdios usam pesquisadores em tempo integral para encontrar desenhos de arquitetura,
fotografias de arquivo e desenhos artísticos de prédios e locais históricos. Se um filme é
ambientado em um futuro distante, os pesquisadores podem consultar especialistas em
tecnologia e futurólogos que podem trabalhar junto a desenhistas conceituais a fim de
delinear os arranha-céus e as estradas supersônicas do século 25.
A produção trabalha com o diretor e o cinegrafista para estabelecer paletas de cores,
texturas, iluminação e composição que ajuda a narrar visualmente a história. Se você
pintar o cenário com cores brilhantes, por exemplo, isso implica uma atmosfera leve e
alegre. Cores planas e cinzentas criam uma atmosfera estéril e sem vida.
A pesquisa e as decisões de cores são usadas para finalizar desenhos conceituais,
esboços e até modelos em miniatura para cada cenário que precise ser construídos.
Nesse ponto, o designer trabalha junto ao produtor do filme (em inglês) a fim de manter
tudo dentro do orçamento. O tempo também é algo que deve ser considerado. O designer
deve garantir que tudo seja completado dentro do prazo com a quantidade prevista de
funcionários.
Quando esboços, desenhos e modelos são aprovados, eles são entregues ao diretor de
arte, que supervisiona uma equipe de desenhistas que trabalham como arquitetos dos
cenários. Eles usam software CAD (computer-aided drafting - desenho assistido por
computador) para criar plantas detalhadas e tridimensionais das estruturas finais.
Na fase de planejamento, o diretor de arte precisa solicitar os acessórios mais difíceis de
encontrar (como, por exemplo, réplicas de aviões), contratar escultores e outros artistas
para criar obras de arte originais e fechar contrato com empresas de efeitos especiais que
criem pinturas digitais e utilizem efeitos gerados por computador para complementar o
cenário construído.
Com as plantas em mãos, agora é hora de o gerente de construção começar a contratar
carpinteiros, pintores, gesseiros, equipe de arames, modelistas, artistas cênicos e
ajudantes de cena, que irão construir fisicamente o cenário da filmagem. O objetivo é
completar o projeto todo dentro do prazo, seguindo o orçamento e de acordo com a visão
específica do diretor.
Agora veremos os diferentes aspectos do projeto e da construção do cenário.

Aspectos da construção de cenários


A construção do cenário é responsabilidade do departamento de arte, que é normalmente
o maior departamento trabalhando em um filme [fonte: Skillset.org (em inglês)].
O departamento de arte supervisiona tudo o que aparece na tela além dos próprio atores.
As responsabilidades do departamento de arte vão muito além da construção de cenários,
pois envolvem a criação de um mundo "real" e detalhado.
Após a estrutura básica de um cenário ser construída, ele precisa ser vestido. O
montador de cenário ou decorador de cenário é responsável pela mobília, papel de
parede, tapetes, utensílios, pinturas penduradas na parede, o piano no canto - ou seja,
cada objeto no cenário. Os montadores de cenários devem ter talento para moda e design
de interiores, mas também a capacidade de encontrar objetos que digam algo sobre um
personagem e que contribuam para a história.
Mestres de cena são responsáveis por todos os objetos manuseados pelos atores ou que
interagem com os atores. Em produções maiores, o mestre de cena pode trabalhar com
mestres de armas ou treinadores de animais que são especializados nessas áreas.
Alguns acessórios são tão essenciais para o personagem ou a história - como o falcão em
"O Falcão Maltês" ou o chicote de Indiana Jones, que várias versões do acessório são
feitas ou compradas para casos de emergências.
A produção de um filme é um negócio. Cada filme tem um orçamento e o tamanho desse
orçamento determina as decisões mais importantes relacionadas à construção do cenário.
O planejador de produção e o diretor precisam encontrar a melhor maneira de alcançar
seus objetivos artísticos com o dinheiro disponível.
Um filme de baixo orçamento pode recriar uma aldeia japonesa da virada do século
filmando dentro de uma cabana de lenha adaptada. Já um filme com um grande
orçamento, pode construir a aldeia inteira a partir do zero, com detalhes arquitetônicos
historicamente apurados, como gado vivo e um rio artificial correndo pelo centro da cidade.
O orçamento também influencia na quantidade de efeitos especiais usados em um filme.
Na nova trilogia de "Star Wars", por exemplo, a produção decidiu que seria mais barato - e
mais impressionante visualmente - construir modelos em escala de alguns dos mundos
alienígenas em vez de criá-los inteiramente com computadores.
No filme "O Último Samurai", por outro lado, o roteiro incluía uma cena em que o
personagem principal saia de um bar e caminhava pelas ruas de San Francisco do século
19. A produção sabia que seria muito caro construir uma réplica em larga escala do
panorama da San Francisco histórica, então a filmagem da cena foi feita com uma tela
verde e o plano de fundo foi criado com uma pintura digital.
Agora vamos ver alguns dos títulos de empregos específicos e responsabilidades
relacionadas à construção dos cenários de filmes.
http://lazer.hsw.uol.com.br/cenario-de-filme2.htm