Fontes
http://www.infoescola.com/artes-cenicas/figurino/
Roteiro de Cinema
Por Fernando Rebouças
O roteiro de cinema organiza e conta a história de um filme, a história é o argumento,
conteúdo da obra cinematográfica. Segundo o Diccionário Del Guión Audiovisual,
roteiro é “texto que desenvolve um argumento e que indica como deve realizar-se
qualquer tipo de obra audiovisual”.
Na sétima arte industrial, o roteiro é visto como ferramenta, um discurso verbal e escrito
que permite que o filme seja visualizado pela equipe. Antes desta visualização, há a
imaginação e pesquisa seguida da vivência dos roteiristas.
O QUE É UM ROTEIRO
A grande maioria das pessoas nunca segurou um roteiro nas mãos, mas se questionadas sobre o que é um,
poucas não tentariam responder. Muitos acertariam a resposta, poucos conseguiriam se aprofundar na
definição.
Alguns se equivocariam, na crença que o roteiro é a história de um filme. O roteiro conta a história de um
filme, mas não é a própria história. A história contada em um filme pode ser a definição de Argumento, mas
isso também, já é outra história.
Uma ida a prateleira de livros pode clarear bem as idéias. Dicionários sempre são uma boa ferramenta para
autodidatas:
"Roteiro: Documento que contem o texto de filme cinematográfico, vídeo, programa de rádio, etc." -
Dicionário Novo Aurélio
Definição perfeita. O "etc" é uma bela sacada, pois se exime da responsabilidade pelo que ficou de fora.
Vamos tentar fazer justiça aos não discriminados e pensar nos variados meios que se utilizam deste
documento chamado de roteiro: cinema, vídeo, televisão, rádio, quadrinhos, hipermídia (interativos como
hipertexto, games e cd-roms), e por que não, teatro, apresentações, eventos, shows, e para não passarmos
vexame: etc
Na prática, alguns assaltos, assassinatos e atos terroristas também se utilizam de um roteiro, mas melhor
deixar isso de lado, pois este manual se propõe a ser sobre Roteiro Audiovisual:
"Roteiro: Texto que desenvolve um argumento e que indica como deve realizar-se qualquer tipo de obra
audiovisual." - Diccionário del Guión Audiovisual.
Certo, mas agora temos que voltar a prateleira para saber o que é Audiovisual. Para nos poupar disto,
ofereço uma definição mais completa:
"O Roteiro Audiovisual é um documento escrito que desenvolve uma história e indica como deve realizar-se
uma obra para um meio que transmite mensagens através de som e imagem, como o cinema e a televisão." -
Fernando Marés de Souza, usando um par de dicionários e um pouco lógica aristotélica.
Devidamente alçado ao panteão dos criadores de definições, vamos ver o que os teóricos sobre o assunto
podem nos contar:
"O Roteiro é a forma escrita de qualquer audiovisual. É uma forma literária efêmera, pois só existe durante o
tempo que leva para ser convertido em um produto audiovisual. No entanto, sem material escrito não se
pode dizer nada, por isso um bom roteiro não é garantia de um bom filme, mas sem um roteiro não existe
um bom filme". - Doc Comparato
Interessante esta história de efêmero. Já ouvi dizer que o destino do roteiro é a lata de lixo depois de ser
utilizado, mas será verdade? Ainda não é o momento de responder. Mas saiba que a maioria pensa assim:
"O roteiro representa um estado transitório, uma forma passageira destinada a desaparecer, como a larva ao
se transformar em borboleta. Quando o filme existe, da larva resta apenas uma pele seca, de agora em diante
inútil, estritamente condenada à poeira. (...) Pois o roteiro significa a primeira forma de um filme. E quanto
mais o próprio filme estiver presente no texto escrito, incrustado, preciso, entrelaçado, pronto para o vôo
como a borboleta, que já possui todos os órgãos e todas as cores sob a aparência de larva, mais a aliança
secreta (...) entre o escrito e o filme terá chances de se mostrar forte e viva." - Jean-Claude Carrière
Lindo e poético, mas muito metafórico para um roteirista. A indústria exige algo mais simples e direto:
"Roteiro é uma história contada em imagens, diálogo e descrição, localizada no contexto da estrutura
dramática." - Syd Field
Estrutura dramática. Este autor gasta uma página e introduz uma dúzia de novos conceitos para explicar o
que é isto. Será que alguém consegue sintetizar? Sempre existe alguém disposto a tentar:
"O Roteiro é uma história contada com imagens, expressas dramaticamente em uma estrutura definida, com
início, meio e fim, não necessariamente nessa ordem." - Chris Rodrigues
Bem melhor. Começo, meio e fim. Isto me lembra que a lista de definições pode ser interminável, sendo que
a semelhança entre elas é aparente.
"Os americanos chamam-no screenplay, uma peça para a tela, de maneira a distinguí-la da simples play,
destinada ao placo. Os franceses o chamam de scenario, para designá-lo como um conjunto de cenas. E nós
o chamamos de roteiro. E não é uma má palavra para o caso. Roteiro é uma rota não apenas determinada,
mas "decupada", dividida, através da discriminação de seus diferentes estágios. Roteiro significa que saímos
de um lugar, passamos por vários outros, para atingir um objetivo final. Ou seja: o roteiro tem começo, meio
e fim - conforme Aristóteles observou na tragédia grega como uma necessidade essencial da expressão
dramática." - Luiz Carlos Maciel
Depois de tantas definições, você pode usar um pouco de lógica aristotélica e construir a sua.
Cinema é arte, sem dúvida, a sétima arte. Mas segundo Giba Assis Brasil, cinema é também indústria. É
indústria pois precisa de meios de produção, acumulação de capital e divisão especializada do trabalho. E é a
serviço desta indústria, que o roteiro exerce sua principal função.
"O roteiro é a ferramenta básica da indústria de cinema e televisão." - Cole & Haag
O roteiro será o documento chave, onde todos os outros profissionais envolvidos com a realização de um
produto audiovisual basearão seu trabalho.
"Roteiro é (...) um discurso verbal, escrito de forma a permitir a pré-visualização do filme por parte do
diretor, dos atores, dos técnicos e dos possíveis financiadores. Um instrumento de trabalho e de
convencimento. (...) Uma utopia criativa a serviço de um objetivo fundamentalmente econômico: uma boa
definição não só de roteiro, mas da própria essência do cinema." - Giba Assis Brasil
"Desde uma perspectiva comercial, um roteiro é uma proposta para o lançamento de um produto. Os
aspectos artísticos podem ser decisivos 'a priori', mas sempre se impõe as possibilidades econômicas na hora
de aprovar um projeto. (...) Em função de um roteiro literário, a produtora pode estimar o custo de um filme
e elaborar um estudo de mercado que assegure sua acolhida como produto. (...) E quando buscam o
financiamento necessário para o futuro filme, só podem oferecer uma coisa: a história" - António Sanchez-
Escalonilla
O roteirista audiovisual tem sua origem nos dramaturgos do teatro clássico dos gregos, como Aristóteles,
Ésquilo e Sófocles, entre outros. Mas também guarda a herança dos primeiros contadores de história,
criadores de mitos de tempos imemoriais.
“No Século XX, uma nova forma de contar histórias foi inventada. Através de uma engenhosa combinação
de pequenas peças de metais, fitas de celulóide, vidro em forma de lentes, fiação elétrica, uma inovação
tecnológica foi alcançada e destinada a ter um tremendo efeito na mente de milhões de pessoas” - Eugene
Vale
Com a popularização do cinema, através da sala escura dos irmãos Lumière, uma nova profissão começa a se
formar.
“Antes de 1926, ao menos julgando pelos créditos oficiais, não haviam roteiristas de cinema. (...) Havia sub-
espécies como: gag-writers, continuity writers, treatmenten writers, scenarists, adaptors, titlists, etc.” -
Patrick Mcgillian
Este pessoal era formado geralmente por ex-atores de vaudeville, que bolavam situações engraçadas para a
câmera.
“Tudo isso mudou com o advento do filme sonoro, nos anos 20. Repentinamente, atores precisavam de algo
para falar. Escritores pipocavam em Hollywood, vindos da Broadway e dos mundos da literatura e do
jornalismo. Por um curto período nos anos 30, alguns dos mais famosos escritores escreveram roteiros para
Hollywood: William Faulkner, F. Scott Fitzgerald, Bertolt Brecht, e Thomas Mann.”- Learner.org
A profissão de Roteirista passa a ganhar forma, e o roteiro, começa a ser a peça chave da indústria.
“Na nova indústria (...) o roteiro de filmagem se torna a necessidade central no produção de filmes em um
estúdio durante os anos 30. Não somente se podia 'decupadar' a história e sistematizar a continuidade, mas
também indicava 'como' e 'o que' deveria ser filmado.” - Patrick Mcgillian
Mas apesar da importância de seu trabalho, o roteirista era marginalizado. Dinheiro e prestígio não eram
coisas comuns entre a maioria. Sem conhecimento um do outro, vários roteiristas trabalhavam em múltiplas
versões do mesmo roteiro, créditos eram outorgados para parentes ou amantes, jornadas abusivas de
trabalho eram requisitadas. A tendência então era se organizar.
O Screen Writers Guild é criado em 1933 em Hollywood. Roteiristas buscam melhores condições de trabalho
e uma fatia maior dos lucros. Em 1941, um histórico acordo com as companhias produtoras garantiu um
piso salarial, e a concessão de créditos passou para a jurisdição da Associação.
No final dos anos quarenta a sombra da caças as bruxas paira sobre a Califórnia. O House Un-American
Activities Committee (HUAC) começou a apontar os dedos contra os ativistas do Guild os acusando de
Comunistas. Muitos profissionais tiveram de voltar para seus países, trabalhar com nomes falsos ou fazer
parcerias com roteiristas de fachada.
Em 1954, o Screen Writers Guild se funde ao Radio Writers Guild e ao Television Writers Guild. A nova
associação passa a se chamar Writers Guild of America.
A profissão de Roteirista é regulamentada no Brasil em 1978, com a publicação da Lei Nº 6.533 e do Decreto
Nº 82.385, que dispõe sobre a regulamentação das profissões de artista e de técnico em espetáculos de
diversões, e define a profissão do roteirista cinematográfico que: "cria, a partir de uma idéia, texto ou obra
literária, sob a forma de argumento ou roteiro cinematográfico, narrativa com seqüências de ação, com ou
sem diálogos, a partir da qual se realiza o filme." Em 79, a Lei 6.615 e seu decreto 84.134/79 regulamentam a
profissão do roteirista de televisão e de rádio, que: "escreve originais ou roteiros para a realização de
programas. Adapta originais de terceiros transformando-os em programas." A Nova CBO - Classificação
Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, publicada em 1994, tem como Família 2615 os
Profissionais da escrita, que por sua vez tem como subdivisão o item "2615-05 - Autor-roteirista", que tem
como sinônimos "Adaptador de obras para teatro, cinema e televisão, Argumentista-roteirista de história em
quadrinhos, Autor-roteirista de cinema, Autor-roteirista de rádio, Autor-roteirista de teatro, Autor-roteirista
de televisão, Autor-roteirista multimídia, Dramaturgista"
http://www.roteirodecinema.com.br/manuais/documentochamadoroteiro.htm
Imagem cedida pela Paramount Pictures / Credit: Industrial Light & Magic© 2007
Dreamworks LLC. and Paramount Pictures. All Rights Reserved.
Parte do cenário construído para a filmagem do filme "Transformers"
Em vez disso, o filme abre com uma tomada ampla mostrando Paris no fim do século 19. A
seguir, vemos o exterior de um precário prédio de apartamentos no agitado distrito de
Montmartre. A próxima tomada mostra um apartamento escuro e bagunçado, mobiliado
apenas com um colchão descoberto e iluminado por velas enfiadas em garrafas de absinto
vazias. Vemos livros de arte abertos, garrafas de vinho abandonadas e ossos de galinha
espalhados no piso de madeira todo manchado de tinta. Vemos dúzias de pequenas telas
semi-acabadas empilhadas nas paredes.
Mesmo antes de encontrarmos Vincent, sabemos que ele vive nesse apartamento. O
cineasta estabeleceu um local e uma atmosfera palpável por meio de pesquisa cuidadosa,
construção de cenário meticulosa e decoração criativa.
Exatamente como um cineasta planeja e projeta todos os cenários usados em um filme? O
quanto ele precisa construir a partir do rascunho e o quanto é recriado com a ajuda de
computadores? Quantas pessoas trabalham na construção do cenário e quais são todas
as suas diferentes responsabilidades? Continue lendo para saber.
Jack English/Lionsgate
A construção de cenários inclui a reconstituição de época,
como no filme "Efeito Dominó", que se passa nos anos 70
Depois que um diretor é escolhido para o filme, ele começa a conversar sobre a melhor
forma de representar visualmente as locações presentes no roteiro. Um gerente de
locação é contratado para procurar locações internas e externas para determinados
cenários. O restante deverá ser construído a partir do rascunho em um estúdio, num palco
sonoro ou num terreno.
A pesquisa é uma parte importante do estágio inicial do planejamento da construção de
cenários, principalmente para filmes que se passam no passado ou no futuro. Os grandes
estúdios usam pesquisadores em tempo integral para encontrar desenhos de arquitetura,
fotografias de arquivo e desenhos artísticos de prédios e locais históricos. Se um filme é
ambientado em um futuro distante, os pesquisadores podem consultar especialistas em
tecnologia e futurólogos que podem trabalhar junto a desenhistas conceituais a fim de
delinear os arranha-céus e as estradas supersônicas do século 25.
A produção trabalha com o diretor e o cinegrafista para estabelecer paletas de cores,
texturas, iluminação e composição que ajuda a narrar visualmente a história. Se você
pintar o cenário com cores brilhantes, por exemplo, isso implica uma atmosfera leve e
alegre. Cores planas e cinzentas criam uma atmosfera estéril e sem vida.
A pesquisa e as decisões de cores são usadas para finalizar desenhos conceituais,
esboços e até modelos em miniatura para cada cenário que precise ser construídos.
Nesse ponto, o designer trabalha junto ao produtor do filme (em inglês) a fim de manter
tudo dentro do orçamento. O tempo também é algo que deve ser considerado. O designer
deve garantir que tudo seja completado dentro do prazo com a quantidade prevista de
funcionários.
Quando esboços, desenhos e modelos são aprovados, eles são entregues ao diretor de
arte, que supervisiona uma equipe de desenhistas que trabalham como arquitetos dos
cenários. Eles usam software CAD (computer-aided drafting - desenho assistido por
computador) para criar plantas detalhadas e tridimensionais das estruturas finais.
Na fase de planejamento, o diretor de arte precisa solicitar os acessórios mais difíceis de
encontrar (como, por exemplo, réplicas de aviões), contratar escultores e outros artistas
para criar obras de arte originais e fechar contrato com empresas de efeitos especiais que
criem pinturas digitais e utilizem efeitos gerados por computador para complementar o
cenário construído.
Com as plantas em mãos, agora é hora de o gerente de construção começar a contratar
carpinteiros, pintores, gesseiros, equipe de arames, modelistas, artistas cênicos e
ajudantes de cena, que irão construir fisicamente o cenário da filmagem. O objetivo é
completar o projeto todo dentro do prazo, seguindo o orçamento e de acordo com a visão
específica do diretor.
Agora veremos os diferentes aspectos do projeto e da construção do cenário.
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