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Faculdade cathedral

Disciplina: Psicologia aplicada ao Direito


Profa. MSc. Mariana de Souza Cruz
Aluno:
2º. Bimestre

1- Por que a Alienação parental é considerada uma síndrome e que danos


psicológicos são causados a quem sofre esta síndrome?
2- Explique a Síndrome de Munchausen.
3- Você concorda com a adoção por homossexuais?(opinião pessoal)
4- Explique a síndrome de Burnout.
5- Explique: A criança e a violência tanto do ponto de vista jurídico quanto
psicológico.
Obs: Entregar o trabalho no dia da prova
Por favor! Não é permitida transcrição e sim seu entendimento.
Tem material na Xerox
A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também
chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo
psicanalista nova-iorquino, Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos
anos 1970.

A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de


Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de
desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-
estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com
satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio,
necessidade de se afirmar, o desejo de realização profissional se transforma em
obstinação e compulsão.

A síndrome de burnout, identificada na década de 1970, caracteriza-se por uma


tríade de dimensões (exaustão emocional, despersonalização e redução da
realização pessoal) e é uma condição relacionada à organização do trabalho.

Estágios
São doze os estágios de Burnout:

• Necessidade de se afirmar
• Dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo
sozinho;
• Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos
começam a perder o sentido;
• Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não
enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
• Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha
valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima
é o trabalho;
• Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados
e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão
são os sinais mais evidentes;
• Recolhimento;
• Mudanças evidentes de comportamento;
• Despersonalização;
• Vazio interior;
• Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o
sentido;
• E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que
corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de
emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.[1]

Sintomas
Os sintomas são variados: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta
de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração,
problemas digestivos. Segundo Dr. Jürgen Staedt, diretor da clínica de
psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, parte dos
pacientes que o procuram com depressão são diagnosticados com a síndrome do
esgotamento profissional. O professor de psicologia do comportamento Manfred
Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), registra o
crescimento de ocorrência de "Burnout" em ambientes profissionais, apesar da
dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de
forma muito variada: "Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra
reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade
de forma explícita", e acrescenta que já foram descritos mais de 130 sintomas do
esgotamento profissional.[1]

Burnout é geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço


excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação.
Pesquisadores parecem discordar sobre a natureza desta síndrome. Enquanto
diversos estudiosos defendem que burnout refere-se exclusivamente a uma
síndrome relacionada à exaustão e ausência de personalização no trabalho,
outros percebem-na como um caso especial da depressão clínica mais geral ou
apenas uma forma de fadiga extrema (portanto omitindo o componente de
despersonalização).

Trabalhadores da área de saúde são freqüentemente propensos ao burnout.


Cordes e Doherty (1993), em seu estudo sobre esses profissionais, encontraram
que aqueles que tem freqüentes interações intensas ou emocionalmente
carregadas com outros estão mais suscetíveis.

Os estudantes são também propensos ao burnout nos anos finais da


escolarização básica (ensino médio) e no ensino superior; curiosamente, este não
é um tipo de burnout relacionado com o trabalho, mas com o estudo intenso
continuado com privação do lazer, de actividades lúdicas, ou de outro
equivalente de fruição hedónica. Talvez isto seja melhor compreendido como
uma forma de depressão. Os trabalhos com altos níveis de stress ou consumição,
podem ser mais propensos a causar burnout do que trabalhos em níveis normais
de stress ou esforço. Taxistas, bancários, controladores de tráfego aéreo,
engenheiros, músicos, professores e artistas parecem ter mais tendência ao
burnout do que outros profissionais. Os médicos parecem ter a proporção mais
elevada de casos de burnout (de acordo com um estudo recente no
Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos
níveis de burnout)

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das
conseqüências mais marcantes do estresse ou desgaste profissional, e se
caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, O termo
Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que
a pessoa com depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até
como defesa emocional). esse tipo de estresse consome-se física e
emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e
irritadiço.

Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com


predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com
outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda
(médicos, enfermeiros, professores).

Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do


estresse genérico. de modo geral, esse quadro é considerado de apatia extrema e
desinteresse, não como sinônimo de algum tipo de estresse, mas como uma de
suas conseqüências bastante sérias.

De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões


predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais
como médicos, psicólogos, carcereiros, assistentes sociais, comerciários,
professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento
pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se
estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que
cuidam ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem técnicas e
métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à
avaliações.
Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato
direto, excessivo e desgastante ou estressante com o trabalho, essa doença faz
com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o
trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço
pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de


Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de
relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou
clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta
de cooperação da equipe.

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A síndrome de munchausen é uma doença psiquiátrica em que o
paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca
ou simula sintomas de doenças, sem que haja uma vantagem óbvia
para tal atitude que não seja a de obter cuidados médicos e de
enfermagem.

A síndrome de munchausen by proxi (por procuração) ocorre quando


um parente, quase sempre a mãe, de forma persistente produz
(fabrica, simula, inventa), de forma intencional, sintomas em seu
filho, fazendo que este seja considerado doente, ou provocando
ativamente a doença, colocando-a em risco e numa situação que
requeira investigação e tratamento.

Às vezes existe por parte da mãe o objetivo de obter alguma


vantagem para ela, por exemplo, conseguir atenção do marido para
ela e a criança ou se afastar de uma casa conturbada pela violência.
Nas formas clássicas, entretanto, a atitude de simular/produzir a
doença não tem nenhum objetivo lógico, parecendo ser uma
necessidade intrínseca ou compulsiva de assumir o papel de doente
(no by self) ou da pessoa que cuida de um doente (by proxy). O
comportamento é considerado como compulsivos, no sentido de que
a pessoa é incapaz de abster-se desse comportamento mesmo
quando conhecedora ou advertida de seus riscos. Apesar de
compulsivos os atos são voluntários, conscientes, intencionais e
premeditados. O comportamento que é voluntário seria utilizado para
se conseguir um objetivo que é involuntário e compulsivo. A doença é
considerada uma grave perturbação da personalidade, de tratamento
difícil e prognóstico reservado. Estes atos são descritos nos tratados
de psiquiatria como distúrbios factícios.

A síndrome de Münchausen por procuração é uma forma de abuso


infantil. Além da forma clássica em que uma ou mais doenças são
simuladas, existem duas outras formas de Munchausen: as formas
toxicológicas e as por asfixia em que o filho é repetidamente
intoxicado com alguma substância (medicamentos, plantas etc) ou
asfixiado até quase a morte.

Frequentemente, quando o caso é diagnosticado ou suspeitado,


descobre-se que havia uma história com anos de evolução e os
eventos, apesar de grosseiros, não foram considerados quanto a
possibilidade de abuso infantil. Quando existem outros filhos, em 42%
dos casos um outro filho também já sofreu o abuso (McCLURE et al,
1996). É importante não confundir simulação (como a doença
simulada para se obter afastamento do trabalho, aposentar-se por
invalidez, receber um seguro ou não se engajar no serviço militar).
Alguns adolescentes apresentam quadro de Munchausen by self
muito similares aos apresentados por adultos.

A doença pode ser considerada uma forma de abuso infantil e pode


haver superposição com outras formas de abuso infantil. À medida
que a criança se torna maior há uma tendência de que ela passe a
participar da fraude e a partir da adolescência se tornarem
portadores da síndrome de Münchausen clássica típica em que os
sintomas são inventados, simulados ou produzidos nela mesma. Ao
contrário do abuso e violência clássica contra crianças as mães
portadoras da síndrome de Münchausen by proxy não são violentas
nem negligentes com os filhos.

SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL

X Por François Podevyn (04/04/2001) ( francoispodevyn@yahoo.fr )


http://users.skynet.be/paulwil/pas.htm
Traduzido para o Espanhol por Paul Wilekens (09/06/2001)
(paul.willekens@chello.be)
Tradução para Português: Apase – Associação de Pais e Mães Separados
(08/08/2001)
Colaboração: Associação Pais para Sempre:
http://www.paisparasemprebrasil.org X

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Texto Original em Francês


X

PREFÁCIO
Há seis meses, ignorava tudo sobre Síndrome de Alienação Parental.
Depois que me separei da mãe de meus 3 filhos, vejo-os afastarem-se de
mim cada vez mais, apesar de todos os meus esforços. Graças à Internet
encontrei – como outros – uma abundante literatura sobre este assunto.

O objetivo deste documento é oferecer um resumo para os


advogados, juizes, promotores e outros especialistas dos tribunais que
resolvem estes tipos de casos. Também o dedico às mães e aos pais vítimas
desta Síndrome, e insisto na necessidade de providências imediatas.

Não inventei uma única linha deste documento. Tudo é proveniente de


leituras traduzidas e resumos de artigos da Internet. Está longe de ser
exaustivo e também longe de ser perfeito. Não sou jurista, nem médico,
nem tradutor. Não sou mais que um pai que tenta compreender. Todos
vossos comentários serão bem vindos.
1)- Que é Síndrome de Alienação Parental?

1.1)- Definição

A Alienação Parental é um processo que consiste em programar uma


criança para que odeie um de seus genitores sem justificativa. Quando a
Síndrome está presente, a criança dá sua própria contribuição na campanha
para desmoralizar o genitor alienado (GARDNER2 y GARDNER3, §1).

1.2)- Histórico

1.2.1)- A tradição considera que a mulher, como mãe, é mais apta


que o homem para ocupar-se com os filhos.

1.2.2)- Desde os anos 60, as mães buscam mais e mais os estudos e


uma carreira profissional enquanto os pais se envolvem com vantagem nas
atividades caseiras e nos cuidados com as crianças.

1.2.3)- No início dos anos 70, uma lei permitindo o divórcio “sem
culpa” provocou nos Estados Unidos uma quantidade de divórcios sem
precedente.

1.2.4)- Alguns anos depois uma nova Lei instituiu a “Guarda


Compartilhada”, impossível até então sem acordo com a mãe.

1.2.5)- A idéia de que o interesse dos filhos é primordial e que o


melhor genitor são ambos os pais, têm um efeito perverso: se os pais não
se entendem, o conflito é levado aos tribunais e se degenera numa guerra
onde cada um procura demonstrar que o outro é um mau genitor.

1.2.6)- Nos anos 80 se observa uma escalada de conflitos e, em casos


extremos, o desvio do afeto das crianças para um de seus genitores em
detrimento do outro. O primeiro a dar um nome para este fenômeno é o
psiquiatra Richard Gardner: a “Síndrome de Alienação Parental” (MAJOR, §6
a 11).

1.2.7)- A Síndrome se manifesta, em geral, no ambiente da mãe das


crianças, notadamente porque sua instalação necessita muito tempo e
porque é ela que tem a guarda na maior parte das vezes. Todavia pode se
apresentar em ambientes de pais instáveis, ou em culturas onde
tradicionalmente a mulher não tem nenhum direito concreto (MAJOR, §31 y
33).

1.02.8)- Desde o final dos anos 90, o pai passa cada vez mais tempo
com seus filhos nas hipóteses de guarda compartilhada. A proporção de
homens e mulheres que induzem este distúrbio psicológico nos filhos,
atualmente tende ao equilíbrio. (GARDNER_ADDENDUM2, §6).

1.2.9)- Nos Estados Unidos e no Canadá, cada vez mais os tribunais


reconhecem a existência de danos causados aos filhos vítimas da Síndrome
da Alienação Parental, e consideram isto nos seus julgamentos.
(GARDNER_ADDENDUM2, §17).

1.3)- Origens

Em caso de separação é natural preocupar-se quando os filhos vão


visitar pelas primeiras vezes o outro genitor. No início os desvios são
freqüentes, como dizer “Avise-me quando chegar”, “Avise-me se ficares
com medo, irei te buscar”. etc. Se o genitor é psicologicamente frágil, a
ansiedade pode aumentar em vez de diminuir, e desencadear um processo
de alienação (MAJOR, §35 y 36).

O genitor alienador muitas vezes é uma pessoa super protetora. Pode


ficar cego por sua raiva ou pode animar-se por um espírito de vingança
provocado pela inveja ou pela cólera (GARDNER2, §14 a 17).

Se vê como vítima, injustamente e cruelmente tratado pelo outro


genitor, do qual procura se vingar fazendo crer aos filhos que o outro
genitor tem todos os defeitos (LOWENSTEIN1, §15).

Nas famílias que apresentam muitas disfunções, o fenômeno implica


várias gerações. O genitor alienador é muitas vezes é apoiado pelos
familiares, o que reforça seu sentimento de estar com a verdade (MAJOR,
§53).

1.4) – As conseqüências para os filhos

A criança é levada a odiar e a rejeitar um genitor que a ama e do qual


necessita (FAMILYCOURTS, §3).

O vínculo entre a criança e o genitor alienado será irremediavelmente


destruído (GARDNER3, §66). Com efeito, não se pode reconstruir o vínculo
entre a criança e o genitor alienado, se houver um hiato de alguns anos
(GARDNER_ADDENDUM2, §2)

O genitor alienado torna-se um forasteiro para a criança. O modelo


principal das crianças será o genitor patológico, mal adaptado e possuidor
de disfunção. Muitas dessas crianças desenvolvem sérios transtornos
psiquiátricos (MAJOR, §57).

Induzir uma Síndrome de Alienação Parental em uma criança é uma


forma de abuso. Em casos de abusos sexuais ou físicos, as vítimas chegam
um dia a superar os traumas e as humilhações que sofreram. Ao contrário,
um abuso emocional irá rapidamente repercutir em conseqüências
psicológicas e pode provocar problemas psiquiátricos para o resto da vida
(GARDNER_ADDENDUM2, §2).

Os efeitos nas crianças vítimas da Síndrome de Alienação Parental


podem ser uma depressão crônica, incapacidade de adaptação em
ambiente psico-social normal, transtornos de identidade e de imagem,
desespero, sentimento incontrolável de culpa, sentimento de isolamento,
comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade e às vezes
suicídio. Estudos têm mostrado que, quando adultas, as vítimas da
Alienação tem inclinação ao álcool e às drogas, e apresentam outros
sintomas de profundo mal estar .(FAMILYCOURTS,§19).

O sentimento incontrolável de culpa se deve ao fato de que a criança,


quando adulta, constata que foi cúmplice inconsciente de uma grande
injustiça ao genitor alienado (LOWENSTEIN1, §13) .

O filho alienado tende a reproduzir a mesma patologia psicológica que


o genitor alienador (GARDNER3, §66).

1.5)- Como reagir?

1.5.1)- Identificar a Síndrome

O fenômeno, que consiste em um genitor usar seus filhos contra o


outro genitor, é uma idéia fácil de compreender. Todavia, historicamente, o
processo foi de difícil identificação. Foi seguido de intermináveis
procedimentos, saturados de muitas queixas e confusos em detalhes que,
por vezes, ao final se evaporaram por eles mesmos. (BONE-WALSH, §1).

É importante, antes de diagnosticar isto, estar seguro que o genitor


alienado não mereça, de forma nenhuma, ser rejeitado e odiado por
comportamentos realmente depreciáveis (LAMONTAGNE, page 81).

Deve-se confiar a tarefa a um profissional da saúde mental que


conheça ou que tenha estudado este tipo de enfermidade. É preciso que os
genitores passem por uma série de testes psicológicos, e que se formulem
recomendações (MAJOR, §65).

Nos manuais para pais e profissionais, onde se mostra pioneiro,


Gardner apresentou uma descrição detalhada do fenômeno identificando
uma gama de comportamentos das crianças e dos genitores (LAMONTAGNE,
page 179 §3)

1.5.2)- Tentar a mediação.


Uma mediação procurando encontrar uma forma de
entendimento e uma maneira de viver, é preferível à uma ação na
justiça que venha a deteriorar de maneira dramática a relação entre
os genitores por um grande período (LOWENSTEIN2, §1).
Os profissionais da saúde, conhecedores da Síndrome da Alienação
Parental, de suas origens e de seus efeitos, devem intervir o mais
rapidamente possível para impedir que os danos causados pela Alienação se
tornem irreversíveis (LOWENSTEIN1, §42).

Os genitores devem ser avaliados separadamente. Uma vez


constatado que nenhum dos genitores representa perigo para os filhos, o
trabalho de mediação pode começar. Um dos seus efeitos será de evitar a
alienação das crianças por um de seus genitores. Se esta primeira fase
falhar, deve-se adotar uma atitude mais rígida e recorrer ao sistema judicial
(LOWENSTEIN1, §43).

1.5.3)- Recorrer à justiça

Se o processo se identifica – mesmo que não tenha conseguido


resultado – deve ser considerado pelos profissionais como uma violação
direta e intencional de uma das obrigações mais fundamentais de um
genitor, que á a de promover e estimular uma relação positiva e harmoniosa
entre a criança e seu outro genitor (BONE-WALSH, §1 y 25).

O genitor que induz seus filhos a ignorar os direitos de visita, deve ser
punido pelo tribunal para cumprir a ordem (GARDNER_ADDENDUM §11).

Não se pode admitir que um genitor estável e capaz seja privado do


direito de assumir seu papel de pai ou mãe (LOWENSTEIN1, §57).

Sem ameaça de multas severas, de prisão, ou da perda total da


guarda, o genitor alienador tem poucas chances de mudar (MAJOR, §69).

Outra aplicação destas ameaças é dar aos filhos alienados a desculpa


que eles necessitam para visitar o genitor alienado e ao mesmo tempo não
decepcionar o genitor alienador: “O odeio verdadeiramente, vou somente
para evitar que te mandem para a cadeia” (GARDNER_ADDENDUM2, §14).

Sem intervenção externa e sem ajuda psicológica, é provável que o


filho nunca se aperceba do que se passou (MAJOR, §58).

Pode-se cuidar dos filhos com uma terapia apropriada, somente na


condição de que a ação nefasta do genitor alienador seja neutralizada
(MAJOR, §74).

1.5.4) – Erros que se deve evitar


As crianças observadas parecem adaptadas à
escola, a integração social aparenta normalidade
e, à primeira vista, não apresentam sintomas de
1 - Considerar psicopatologia. Todavia, todos, em diversos graus,
unicamente a reclamam da cessação dos contatos com o outro
opinião dos genitor. Então se argumenta que, por interesse
filhos. dos filhos, é preciso suspender as visitas por
serem “traumatizantes....e não se deve obrigar o
filho...” . E tudo seria como que dizer
repentinamente que o filho não tem seus direitos,
não necessita mais do que um genitor
(LAMONTAGNE, pág. 179, §2).

Isso é ignorar a amplitude do problema. De um


2 - Determinar lado é necessário deixar de acreditar na boa
que ambos vontade do alienador e do outro lado deve-se parar
genitores sua ação nefasta utilizando o único poder que tem
decidam juntos a sociedade, ou seja, recorrer a uma “terceira
o bem estar função” (recorrer a uma força externa aos
dos filhos genitores, o tribunal, por exemplo) .
(LAMONTAGNE, pág. 197, §1)

Determinar uma terapia tradicional não faz


efeito. Os genitores que induzem uma Síndrome de
Alienação Parental não são candidatos a uma
terapia. Um candidato a uma terapia deve ter
consciência que tem um problema psicológico e
deve querer curar-se. Quanto aos filhos, mesmo
3 - Determinar
com uma sessão de terapia diária, o resto do
uma terapia
tempo seria utilizado para continuar a doutriná-los.
familiar
Pode-se comparar um genitor alienador com um
tradicional
guru de uma seita. Para que uma desprogramação
tenha êxito, a criança deve ser afastada de todo
contato com o autor da doutrina. Finalmente,
determinar uma terapia tradicional dá ao genitor
alienador uma vantagem, pois o tempo joga em
seu favor(GARDNER_ADDENDUM2, §7 y 8)

2)- Como identificar a Síndrome de


Alienação Parental

2.1)- Como identificar um genitor alienador

Em seu livro “Protegendo seus filhos da alienação parental (Protecting


your children from parental alienation) ” o Dr. Douglas Darnall descreve o
genitor alienador como produto de um sistema ilusório, onde todo seu sêr
se orienta para a destruição da relação dos filhos com o outro genitor
(MAJOR, §28).

Para o genitor alienador, ter o controle total de seus filhos é uma


questão de vida ou de morte. Não é capaz de individualizar (de reconhecer
em seus filhos seres humanos separados de si) (MAJOR, §38 y 39).

O genitor alienador não respeita regras e não tem o costume de


obedecer as sentenças dos tribunais. Presume que tudo lhe é devido e que
as regras são para os outros (MAJOR, §38 y 40).

O genitor alienador é, às vezes, sociopata e sem consciência moral. É


incapaz de ver a situação de outro ângulo que não o seu, especialmente sob
ângulo dos filhos. Não distingue a diferença entre dizer a verdade e mentir
(MAJOR, §41).

O genitor alienador busca desesperadamente controlar o emprego do


tempo dos filhos quando estão com o outro genitor. Deixar ir seus filhos é
como arrancar uma parte do seu corpo (MAJOR, §45 y 46).

O genitor alienador é muito convincente na sua ilusão de desamparo e


nas suas descrições. Ele consegue, muitas vezes, fazer as pessoas
envolvidas acreditarem nele (funcionários policiais, assistentes sociais,
advogados, e mesmo psicólogos) (MAJOR, §60).

O genitor alienador finge de maneira hipócrita seu esforço de querer


mandar os filhos para as visitas com o outro genitor (GARDNER2, §22).

O genitor alienador não é cooperativo e oferece uma grande


resistência para ser examinado por um especialista independente, o qual
poderia descobrir suas manipulações (GARDNER1, §39 a 41).

Durante uma avaliação, o genitor alienador pode cometer falhas em


seu raciocínio. O que fala é baseado em mentiras e ilusões, e às vezes
chega ao absurdo e ao inacreditável (GARDNER1, §43 a 45)

O genitor alienador ampara os filhos com suas próprias alegações sem


observar a inverossímil degradação deles (GARDNER1, §48 y 49).

Mesmo quando a presença da paranóia é detectada, a vítima do


sistema se limita ao genitor alienado. Durante os litígios, a paranóia se
estende àqueles que defendem o genitor alienado (pais, advogados)
(GARDNER1, §91 y 92).

2.1.1)- Comportamentos clássicos de um genitor alienador

Se observa freqüentemente os mesmos comportamentos no genitor


alienador que sabota a relação entre os filhos e o outro genitor
(CHILDALIENATION, §2).
a)-Recusar de passar as chamadas telefônicas aos filhos;

b)-Organizar várias atividades com os filhos durante o período que o


outro genitor deve normalmente exercer o direito de visitas.

c)-Apresentar o novo cônjuge aos filhos como sua nova mãe ou seu
novo pai.

d)-Interceptar as cartas e os pacotes mandados aos filhos.

e)-Desvalorizar e insultar o outro genitor na presença dos filhos.

f)-Recusar informações ao outro genitor sobre as atividades em que os


filhos estão envolvidos (esportes, atividades escolares, grupos teatrais,
escotismo, etc.).

g)-Falar de maneira descortês do novo conjugue do outro genitor.

h)-Impedir o outro genitor de exercer seu direito de visita.

i)-“Esquecer” de avisar o outro genitor de compromissos importantes


(dentistas, médicos, psicólogos).

j)-Envolver pessoas próximas (sua mãe, seu novo conjugue, etc.) na


lavagem cerebral de seus filhos.

k)-Tomar decisões importantes a respeito dos filhos sem consultar o


outro genitor (escolha da religião, escolha da escola, etc.).

l)-Trocar (ou tentar trocar) seus nome e sobrenomes.

m)Impedir o outro genitor de ter acesso às informações escolares e/ou


médicas dos filhos.

n)Sair de férias sem os filhos e deixá-los com outras pessoas que não
o outro genitor, ainda que este esteja disponível e queira ocupar-se dos
filhos.

o)-Falar aos filhos que a roupa que o outro genitor comprou é feia, e
proibi-los de usá-las.

p)-Ameaçar punir os filhos se eles telefonarem, escreverem, ou a se


comunicarem com o outro genitor de qualquer maneira.

q)-Culpar o outro genitor pelo mau comportamento dos filhos.

2.1.2)- Critérios de Identificação

Examinando 700 casos de separações conflituosas durante os últimos


12 anos, se pode observar a presença de quatro critérios, que permitem de
maneira razoável predizer que o processo de alienação está ocorrendo
(BONE-WALSH, §1 y 24).

2.1.2.1)- Obstrução a todo contato (BONE-WALSH, §6 y 7).

A razão mais utilizada é o fato de que o outro genitor não seria capaz
de ocupar-se dos filhos e que estes não se sentem bem quando voltam das
visitas. A última razão é a acusação de abuso (ver critério seguinte). Outro
argumento é o fato de que ver o outro genitor não é conveniente para os
filhos e que estes necessitam de um tempo para adaptar-se.

A mensagem dirigida aos filhos é que o outro genitor não é mais um


membro-chave da família e está relegado a um estado deplorável, e que é
desagradável ir vê-lo.

Esta apresentação dos fatos corrói seriamente a relação entre os filhos


e o genitor ausente. Tanto mais que, neste contexto, a menor alteração nos
planos de visitas é pretexto para anulá-la.

O objetivo é excluir o outro genitor da vida dos filhos. O genitor


alienador se coloca erroneamente como protetor do filho, violando o
princípio de que cada genitor deve favorecer o desenvolvimento positivo da
relação entre os filhos e o outro genitor.

2.1.2.2)- Denúncias falsas de abuso (BONE-WALSH, §9 a 12).

O abuso mais grave que se invoca é o abuso sexual. Ocorre na


metade dos casos de separação problemática, especialmente se os filhos
são pequenos e mais manipuláveis. As acusações de outras formas de
abuso - as que deixam marcas – são menos freqüentes.

O abuso invocado mais freqüentemente é o abuso emocional. Um


genitor acusa o outro, por exemplo, de mandar os filhos dormirem
demasiado tarde. Na realidade, as diferenças de juízo moral e de opinião
entre os genitores, são qualificadas por um como abusivas do outro. Um
genitor pode mandar o filho fazer uma coisa, que ele sabe que o outro
genitor vai reprovar, com o objetivo de acusá-lo de abuso emocional.

O genitor alienador utiliza as diferenças entre os genitores como


sendo falhas do outro genitor, em vez de apresentá-las como fonte de
riqueza. O clima emocional que se cria é claramente alienador para o filho.

2.1.2.3)- Deterioração da relação após a separação.

É o critério mais decisivo.


É importante que o estudo da relação anterior à separação seja
minucioso e com muitos detalhes. É aconselhável que o especialista
designado se satisfaça com a descrição que as crianças fazem da situação
atual, sem se preocupar de qual natureza era a relação deles antes da
separação.

2.1.2.4)- Reação de medo da parte dos filhos (BONE-WALSH,


§19 a 22).

O filho pode mostrar uma reação de medo de desagradar, ou de estar


em desacordo, com o genitor alienador. A mensagem dele é clara: “é
preciso “me” escolher”. Se o filho desobedece a esta diretiva,
especialmente expressando aprovação ao genitor ausente, o filho aprenderá
logo a pagar o preço. É normal que o genitor alienador ameace o filho de
abandoná-lo ou de mandá-lo viver com o outro genitor. O filho se põe numa
situação de dependência e fica submetido regularmente a provas de
lealdade.

Este procedimento atua sobre a emoção mais fundamental do ser


humano: o medo de ser abandonado.

O filho é constrangido a ter que escolher entre seus genitores, o que


está em total oposição com o desenvolvimento harmonioso do seu bem
estar emocional.

Nestas circunstâncias, o filho desenvolve uma assiduidade particular


de não desagradar o genitor alienador. Este pode até permitir-se dar a
impressão de se surpreender pela atitude de seus filhos quando manifestam
oposição ao genitor ausente.

Para sobreviver, estes filhos aprendem a manipular. Tornam-se


prematuramente espertos para decifrar o ambiente emocional; para falar
apenas uma parte da verdade; e por fim, enredar-se nas mentiras e
exprimir emoções falsas.

2.2)- Como identificar uma criança alienada?

O genitor alienador confidencia a seu filho, com riqueza de detalhes,


seus sentimentos negativos e as más experiências vividas com o genitor
ausente. O filho absorve a negatividade do genitor e chega a ser de alguma
maneira seu terapeuta. Se sente no dever de proteger o genitor alienador
(MAJOR, §55).

O filho alienado sente que deve eleger o ambiente do genitor


alienador. É ele quem tem o poder e a sobrevivência do filho dependente.
Não se atreve a reconciliar-se com o genitor alienado. Somente contará o
que não lhe foi aprazível durante a visita. Um detalhe ou um incidente
isolado se mostra apropriado para o genitor alienador reforçar no filho a
idéia que ele não é mais amado pelo outro genitor (MAJOR, §48 y 50).

Os filhos alienados absorvem as mesmas ilusões que o genitor


alienador no procedimento psiquiátrico chamado “loucura a dois”
(GARDNER1, §91 y 92).

2.2.1)- Critérios de Identificação

Sintoma Explicação
(GARDNER3, §3 a 11) (MAJOR, §16 a 26)

1. Campanha de Esta campanha se manifesta


descrédito verbalmente e nas atitudes.

O filho dá pretextos fúteis, com pouca


2. Justificativas fúteis credibilidade ou absurdos, para justificar
a atitude.
O filho está absolutamente seguro de si,
3. Ausência de e seu sentimento exprimido pelo genitor
ambivalência alienado é maquinal e sem equívoco: é o
ódio.

4. Fenômeno de O filho afirma que ninguém o influenciou


independência e que chegou sozinho a esta conclusão.

5. Sustentação O filho adota, de uma forma racional, a


deliberada. defesa do genitor alienador no conflito.

O filho não sente nenhuma culpa por


6. Ausência de culpa
denegrir ou explorar o genitor alienado.

O filho conta casos que


7. Situações fingidas manifestadamente não viveu, ou que ouviu
contar.

8. Generalização à
O filho estende sua animosidade para a
outros membros da
família e amigos do genitor alienado.
família do alienado.

2.2.2)- Os três estágios da enfermidade do filho


Neste estágio normalmente as visitas se
apresentam calmas, com um pouco de dificuldades
na hora da troca de genitor. Enquanto o filho está
Estágio I
com o genitor alienado, as manifestações da
Leve campanha de desmoralização desaparecem ou são
discretas e raras. A motivação principal do filho é
conservar um laço sólido com o genitor alienador
(GARDNER3, §20).
O genitor alienador utiliza uma grande variedade de
táticas para excluir o outro genitor. No momento de troca
de genitor, os filhos, que sabem o que genitor alienador
quer escutar, intensificam sua campanha de
desmoralização.
Estágio II
Médio Os argumentos utilizados são os mais numerosos, os
mais frívolos e os mais absurdos. O genitor alienado é
completamente mau e o outro completamente bom.
Apesar disto, aceitam ir com o genitor alienado, e uma
vez afastados do outro genitor tornam a ser mais
cooperativos (GARDNER3, §27 y 28).

Os filhos em geral estão perturbados e


freqüentemente fanáticos.

Compartilham os mesmos fantasmas paranóicos que o


genitor alienador tem em relação ao outro genitor.

Podem ficar em pânico apenas com a idéia de ter que


visitar o outro genitor. Seus gritos, seu estado de pânico
e suas explosões de violência podem ser tais que ir
visitar o outro genitor é impossível.
Estágio
III Grave Se, apesar disto vão com o genitor alienado, podem
fugir, paralisar-se por um medo mórbido, ou manter-se
continuamente tão provocadores e destruidores, que
devem necessariamente retornar ao outro genitor.

Mesmo afastados do ambiente do genitor alienador


durante um período significativo, é impossível reduzir
seus medos e suas cóleras. Todos estes sintomas ainda
reforçam o laço patológico que têm com o genitor
alienador (GARDNER3, §38).

2.2.3)- Como identificar o estágio da enfermidade em função


dos critérios:
É primordial estabelecer um diagnóstico correto antes de escolher o
tratamento a ser seguido. Um erro de diagnóstico pode levar a erros
dolorosos causando traumas psicológicos significativos em todas as partes
envolvidas. Os estágios da doença não dependem dos esforços feitos pelo
genitor alienador, e sim do grau de êxito com o filho.

Sintomas Estágio
Estágio Leve Estágio Médio
Grave
Campanha de
mínimo médio Forte
desmoralização

múltiplas e
Justificativas fúteis mínimas moderadas
absurdas.

Ausência de ambivalência nenhuma nenhuma


ambivalência normal ambivalência ambivalência

Fenômeno de geralmente
presente presente
independência ausente

Sustentação
mínima presente presente
deliberada

pouca ou nenhuma
Ausência de culpa culpa normal
nenhuma culpa culpa

Situações fingidas pouco presente presente

Generalização à
enorme e
família do mínima presente
fanática
alienado

Outros
Estagio
Critérios Estagio Leve Estágio Médio
Grave
Dificuldades no
enormes, ou
momento de geralmente
medias visitas
exercer o direito ausentes
impossíveis
de visitas

destruidor,
Comportamento hostil e algumas sempre
bom
durante a visita vezes provocador provocador, ou
nenhuma visita

Laços com o forte e sadio forte e gravemente


genitor alienador ligeiramente a patológico,
medianamente
freqüentemente
patológico
paranóico

forte, sadio, ou forte, sadio ou


Laço com o forte, sadio ou um
um pouco um pouco
genitor alienado pouco patológico
patológico patológico

2.3)- Como diferenciar uma Síndrome de Alienação Parental de


um caso de abuso ou de descuido.

Quando os filhos manifestam animosidade contra um de seus


genitores, acontece algumas vezes do outro genitor acusa-lo de abusar
deles (fisicamente ou sexualmente) ou de não se ocupar deles
normalmente, enquanto o genitor alienado acusa o genitor alienador de
haver programado os filhos contra ele. É importante observar a diferença
entre os dois casos. Na presença de abuso ou descuido grave, o diagnóstico
da alienação parental não se aplica (GARDNER1, §4).

Critérios Caso de abuso o Caso de síndrome de


de descuido Alienação
O filho programado não
viveu realmente o que o
genitor alienador afirma.
Necessita mais ajuda para
O filho abusado se “recordar-se” dos
recorda muito bem do acontecimentos. Além disso,
que se passou com ele. seus cenários têm menos
1. As
recordações Uma palavra basta para credibilidade. Quando
dos filhos ativar muitas interrogados separadamente,
informações freqüentemente os filhos dão
detalhadas. versões diferentes. Quando
interrogados juntos, se
constata mais olhares entre
eles do que em vítimas de
abuso. (GARDNER1, §50 y 51)

2. A O genitor de um filho O genitor alienador não


lucidez do abusado identifica os percebe
genitor efeitos desastrosos
provocados pela (GARDNER1, §59).
destruição progressiva
dos laços entre os filhos
e o outro genitor, e fará
tudo para reduzir os
abusos e salvaguardar
a relação com o genitor
que abusa (ou
descuida) do filho.

Em caso de
comportamentos
psicopatológicos, um O genitor alienador se
3. A
genitor que abusa de mantém são nos outros
patologia do
seus filhos apresenta setores da vida (GARDNER1,
genitor
iguais comportamentos §65 a 67).
em outros setores da
vida.

Um genitor que programa


seus filhos contra o outro
Um genitor que
geralmente se queixa
acusa o outro de abuso
4. As somente do dano que o
com seus filhos,
vítimas do genitor alienado faz aos filhos
geralmente também o
abuso – ainda que a reprovação
acusa de abuso contra
contra ele não deve faltar, já
si próprio.
que houve separação
(GARDNER1, §71).

A campanha de
5. O As queixas de abuso desmoralização contra o
momento do se referem a muito genitor alienado começa
abuso antes da separação. depois da separação
(GARDNER1, §74 y 75).

3)- Como tratar a Síndrome de Alienação


Parental
A intervenção psicoterapeuta deve ser sempre amparada em um
procedimento legal e deve contar com o apoio judicial.

3.1)- Medidas legais e terapêuticas

Medidas
Está
Medidas Legais Terapêutica
s
I-
Nenhum Nenhum
Leve
1)- O terapeuta
1)- Deixar a guarda principal com o responsável pelo
genitor alienador. controle das
visitas, deve
2)- Nomear um terapeuta para servir conhecer a
de intermediário nas visitas e para Síndrome de
comunicar as falhas ao tribunal. Alienação
3)- Estabelecer penalidades para a Parental.
supressão de visitas. 2)- Deve
II- a) uma penalidade financeira aplicar um
Médio (redução da pensão alimentícia). programa
terapêutico
b) o pagamento de uma multa preciso.
proporcional ao tempo das visitas
suprimidas. 3)- Deve
relatar as falhas
c) uma breve reclusão ao cárcere. diretamente aos
juizes
4)- Em caso de desobediência
constante e reincidência, além da prisão, 4)- O tribunal
passar a guarda para o outro genitor. executar as
sanções previstas

1)- Transferir a guarda principal para o


genitor alienado.

2)- Nomear um psicoterapeuta para Mesmo


III-
intermediar um programa de transição da enfoque que o
Grave
guarda do filho. estágio médio.

3)- Eventualmente ordenar um local de


transição.

3.1.1)- Tratar a enfermidade no Estágio Leve

Em geral a simples confirmação da patologia pelo tribunal que


concedeu a guarda faz cessar a campanha de descrédito do genitor
alienador (GARDNER3, §22).

3.1.2)- Tratar a enfermidade em Estágio Médio.

Geralmente o filho cria um vínculo mais forte com o genitor que


ganhou guarda. Então é conveniente não lhe tirar a guarda do filho.

Todavia, a ameaça de ter que pagar uma multa, ou de ir para a


cadeia, pode bastar para o genitor alienador voltar ao caminho correto, e ao
mesmo tempo proporcionar uma desculpa aos filhos, lhes permitindo a
justificativa de não trair o genitor alienador (GARDNER3, §29 a 31).

3.1.3)- Tratar a enfermidade em Estado Grave.

A única salvação para o filho é a troca da guarda. O caráter definitivo


desta medida depende do comportamento do genitor alienador. Esta
medida deve ser acompanhada de um tratamento psicológico de
complexidade equivalente ao nível da falta de cooperação do filho.
(GARDNER3, §40).

Esta falta de cooperação parece tornar impossível a substituição da


guarda, e a crença muito lembrada de que é melhor não se tirar um filho da
mãe – no caso dela ser o genitor alienador – não importa o grau de loucura,
justificam as precauções dos tribunais em tomar tal medida (GARDNER3,
§41).

Se a transferência direta dos filhos para o genitor alienado se revela


impossível, pode-se optar pela passagem por um lugar de transição. O
programa de transição deve ser acompanhado por um terapeuta nomeado
pela justiça, o qual deve ter acesso direto à qualquer ajuda judicial, e para a
emissão de mandados necessários para o êxito do plano (GARDNER3, §43).

3.2)- Terapia familiar do estágio médio

(Resumo do artigo “Terapia Familiar do Tipo Moderado de Síndrome


de Alienação Parental” – Family Therapy of the Moderate Type of Parental
Alienation Syndrome - de Richard A. GARDNER, 1999).

3.2.1)- Bases da terapia

A terapia deve ficar a cargo de um só terapeuta. Este deve entrevistar


e tratar todos os membros da família para estabelecer as ligações entre o
que cada um diz (GARDNER2, §3).

O tratamento deve ser ordenado pelo tribunal com o qual o terapeuta


deve estar em comunicação direta (através de um advogado especializado,
por exemplo). O genitor alienador deve ser informado de que todas as
obstruções ao tratamento, e o desrespeito ao direito das visitas, serão
imediatamente informadas ao Juiz pelo terapeuta. O tribunal deve aplicar
todas as sanções previstas sem restrições(GARDNER2, §4).

O terapeuta deve familiarizar-se com todos os métodos impositivos e


constrangedores. Além disso, neste tipo de tratamento, o sigilo tradicional
deve ser modificado. Em situações especiais e com a devida discrição, pode
revelar a terceiros toda informação obtida durante o tratamento, tais como
o Juiz e os advogados das partes (GARDNER2, §5).
3.2.2)- As penalidades.

Todas as penalidades devem estar previstas nas sentenças. É


importante que o terapeuta nomeado pelo tribunal conheça exatamente as
ameaças que poderá utilizar no tratamento. Estas sanções devem ser
aplicadas sem dificuldades para preservar a credibilidade do terapeuta
(GARDNER2, §7).

Segundo a importância, estas são as sanções possíveis (GARDNER2, §8


y 9):

1. uma comunicação desfavorável do terapeuta dirigida ao tribunal

2. uma redução da pensão alimentícia

3. uma obrigação

4. uma ameaça de transferir a guarda para o outro genitor

5. uma ordem de prisão temporária

3.2.3)- Sugestões para o tratamento do genitor alienador.

Este genitor muitas vezes já está seguindo uma terapia. Em geral esta
terapia tem por objetivo apoiar-se num terapeuta para lhe sustentar
totalmente em sua causa, e com o qual freqüentemente desenvolve uma
relação patológica do tipo “loucura a dois”. O tribunal não deve proibir este
tratamento, mas determinar que siga paralelamente o tratamento
obrigatório da sentença (GARDNER2, §11).

Tipicamente o genitor alienado se recusará aceitar uma terapia


imposta pelo tribunal, ou ao contrário, mostrará um grande interesse, no
entanto não será cooperativo e fará todo possível para sabotá-lo
(GARDNER2, §12) .

O terapeuta deve fazer o possível para encontrar um aliado interno:


um membro próximo da família do genitor alienador que identifica o
exagero deste. A mãe do genitor alienador é uma excelente aliada se o
terapeuta conseguir convencê-la. Ela pode convencer o genitor alienador a
recuar mostrando que suas manobras são prejudiciais aos filhos. Tal aliada
é difícil de encontrar, pois todos têm medo de se transformar no alvo do
genitor alienador (GARDNER2, §13).

MOTIVOS DO GENITOR
ALIENADOR RESPOSTAS
Ao nível mais superficial se tenta
fazê-los entender a importância do
papel do outro genitor na educação
1. Certos genitores
dos filhos e no fato de que a
alienadores ficam cegos por
campanha de desmoralização ao
sua raiva.
outro genitor, também contribui para
desenvolver patologias nos filhos
(GARDNER2, §14).

Certos genitores alienadores


utilizam a campanha de
desmoralização para continuar
2. Certos genitores
mantendo a relação com o outro
alienadores são ciumentos ao
genitor. Esta campanha necessita de
constatar que o outro está
tempo e interfere continuamente na
numa nova relação amorosa e
vida do outro genitor. O melhor que
ele não. Privá-lo de seus filhos
se pode fazer é induzir o genitor
equivale a tirar-lhe o que tem
alienador a retomar sua própria vida,
de mais precioso no mundo.
a encontrar outros interesses, e a
investir em uma nova relação
(GARDNER2, §15).

Se o terapeuta observa que


tem boas razões para pensar que
as decisões a respeito da parte
financeira não são justas e
3. A cólera pode ser
contribuem para a cólera do
provocada por fatores genitor alienador, deve
econômicos comunicar ao Juiz. De nenhuma
maneira ele deve concluir sobre
esta matéria e deve deixar esta
solução a cargo de especialistas
(GARDNER2, §16).
4. O aspecto maternal
(paternal) superprotetor do
genitor alienador é um fator Este sintoma só pode ser tratado
que freqüentemente explica a pela terapia. Todas as fontes de
alienação dos filhos. O mundo cólera, em relação ou não ao outro
é visto como perigoso, e o genitor, devem ser investigadas
outro genitor particularmente (GARDNER2, §17).
representa um fator potencial
de perigo.

5. Às vezes o genitor O terapeuta deve tentar descobrir


alienador decide se não se trata simplesmente de
repentinamente mudar-se, mais outra manobra para excluir os
trocar de cidade ou de país. filhos da vida do outro genitor e, se
Pode usar como pretexto um for o caso, comunicar o Juiz. De
encontro amoroso ou uma todas formas terá que reconhecer
oportunidade de trabalho. que é do interesse dos filhos que
eles fiquem em seu local atual, na
guarda do outro genitor (GARDNER2,
§18).

3.2.4)- Sugestões para o tratamento dos filhos

Motivação dos filhos Respostas


Levar a sério estas alegações é prestar
um mau e antiterapêutico serviço. O que
os filhos dizem querer, nem sempre é o
melhor para eles. O terapeuta deve
considerar esta animosidade como
superficial e fabricada para obter boas
1. Os filhos afirmam graças do genitor alienador. Um bom
freqüentemente que enfoque é dizer-lhes: “Vamos, estas
serão maltratados se coisas não ocorreram, falemos sobretudo
forem com o genitor da realidade, como por exemplo da sua
alienado
próxima visita ao seu pai (mãe)”. Deve-se
lembrar aos filhos que antes da separação
tinham uma boa e profunda relação com o
genitor alienado

(GARDNER2, §20 y 21).

2. Os filhos não querem Os filhos necessitam uma desculpa


ir com o genitor alienado, para ir com o genitor alienado sem
ou vão justificando sua perder a afeição do genitor alienador.
decisão por diversas Necessitam da possibilidade de dizer
razões destinadas a que odeiam o outro genitor, e que vão
contentar o genitor unicamente para evitar as sanções do
alienador: “Vou tribunal. Eles argumentam que são
unicamente pelo seu forçados com ameaças progressivas
dinheiro”, ou “Se eu não de penalidades. O terapeuta deve
for ele não nos dará mais adotar este papel, que implica em
constrange-los e manipula-los
dinheiro e morreremos
cruelmente. O ideal é que estejam
de fome”.
convencidos de que o tribunal está
decidido a aplicar realmente as
ameaças de sanções financeiras ou
penais declaradas pelo terapeuta.
O filho tem somente uma vaga idéia
do “porquê” não quer ir com o genitor
alienado. Se não tem uma razão
precisa para ir, prefere assumir esta
restrição “draconiana” (GARDNER2,
§22 à 33).
A separação reduz as oportunidades do
genitor alienador atingir o outro genitor.
Programar os filhos para que sejam
desrespeitosos, desobedientes ou
turbulentos durante as visitas, é um meio
3. Ocorre eficaz de descarregar seu ódio.
freqüentemente que os
filhos maiores tomam o Se o genitor alienado foi descrito como
encargo da programação incompetente, o maior acredita que deve
dos filhos mais jovens assumir seu papel. Se foi descrito como
durante as visitas com o perigoso, o maior acredita que deve
genitor alienado, “no proteger os irmãos mais novos. O
campo inimigo”. Os primogênito pode relevar o discurso
maiores são os primeiros difamante do genitor alienador, ou
a manifestar os sintomas incentivar os outros a roubar ou a destruir
da SAP. É normal que o os objetos do genitor alienado.
maior esteja no estágio
grave, o segundo no O melhor enfoque consiste em
estágio médio, e o organizar as visitas de maneira que os
terceiro no estágio leve. filhos as façam separadamente, até o
momento em que cada um tenha a
experiência de que as terríveis
conseqüências previstas ao irem sozinhos
com o genitor alienado, não se realizaram
(GARDNER2, §34 a 36).

Um bom lugar para efetuar esta


4. O momento de
transição é o consultório do terapeuta. O
passar de um genitor ao
genitor alienador traz os filhos e fica por
outro é particularmente
algum tempo com o terapeuta. Depois os
doloroso para o filho
filhos ficam um pouco de tempo sozinhos
vítima da SAP. O conflito
com o terapeuta. O outro genitor chega
de lealdade ainda é
finalmente, fica um pouco de tempo com
exacerbado se os pais
os filhos e o terapeuta, antes de sair com
estão presentes.
eles (GARDNER2, §37).

5. Ocorre que os filhos O terapeuta deve dissuadir os filhos de


mentem, exageram, querer agradar cada um de seus
disfarçam a verdade ou genitores, lhes dizendo exatamente o que
tentam manipular o eles pensam e o que eles querem escutar
interlocutor. no momento.

O terapeuta deve fazer tudo para


dissipar a mentira.

Deve mostrar-se bastante incrédulo


diante das alegações dos filhos sobre o
genitor alienado.

Uma vez refutado o argumento do


filho, deve passar rapidamente para outro
assunto.

Na próxima vez, deve insistir que a


previsão argumentada anteriormente não
se concretizou na última visita (GARDNER2,
§44)

Em certos casos é necessário modificar o tempo das visitas. O


terapeuta deveria ter a inteira liberdade de tomar as decisões sobre a
extensão e a freqüência das visitas. Com efeito, é impraticável recorrer ao
tribunal cada vez que a duração das visitas deve ser revista (GARDNER2,
§39).

O terapeuta deve focalizar o tratamento como uma desinformação e


desprogramação. Deve ajudar o filho a se conscientizar de que foi vítima de
uma lavagem cerebral (o que é mais fácil de ser entendido pelos filhos
maiores). A técnica consiste em falar neste sentido: “Não te peço para
utilizar minhas palavras. Quero que faças suas próprias observações. Quero
que reflitas no que se passou durante a última visita com teu pai (mãe) e
que tu te perguntes se as coisas que tua mãe (pai) te disse que
aconteceriam, realmente aconteceram ou não. Durante tua próxima visita,
quero que observes e preste atenção, e que chegues à tua própria
conclusão sobre a existência de tal perigo ou de tal fato. Dizes que és
bastante grande e bastante inteligente para formar tua própria opinião.
Estou de acordo contigo. As pessoas inteligentes formam sua opinião
baseando-se em suas próprias observações, e não sobre as observações de
outras pessoas, quaisquer que sejam. Exatamente como te pedi para me
provar no que acreditas baseado naquilo que observou no passado, te peço
que me prove, na próxima vez, depois da sua próxima visita, baseado
naquilo que verás e sentirás por ti mesmo” (GARDNER2, §40 y 41).

Ocorre que uma família se divide em duas depois de uma separação


acompanhada, de uma campanha de desmoralização que teve êxito
somente com uma parte dos filhos (ou acompanhada de campanhas de
desmoralização simultaneamente cruzadas). As visitas desviam-se para um
jogo de chantagens:. Os filhos que vivem com um genitor vão visitar o outro
na condição de que os filhos que vivem com este outro genitor visitem o
primeiro genitor. Tais visitas (“swap”) valem mais que nenhuma visita
(GARDNER2, §42).

Enquanto a guarda não está decidida, a relação com o genitor mais


próximo psicologicamente está ameaçada. Uma vez proclamada a sentença,
o filho pode parar sua campanha de desmoralização e aproveitar com
serenidade os momentos que passa com o genitor alienado (GARDNER2,
§45).

3.2.5)- Sugestões para o tratamento do genitor alienado

O genitor, vítima da Síndrome de Alienação Parental, freqüentemente


se perde diante do que se passa com ele e com sua família. O terapeuta
deve explicar a ele os mecanismos pelos quais se desenvolve, e do
procedimento da SAP. Quanto melhor conhecer este procedimento, mais
preparado estará para combatê-lo (GARDNER2, §47).

O genitor alienado deve aprender que o


inverso do amor não é o ódio, mas a
indiferença.
O filho manifesta
ódio a seu A campanha de desmoralização dos filhos
respeito esconde sua afeição reprimida, por mais
estranho que isto possa parecer ao genitor
alienado (GARDNER2, §48).

O genitor alienado deve aprender a não dar


muita importância às alegações dos filhos à seu
respeito, e a tolerar a animosidade deles no
momento da transição.

Às vezes esta animosidade dura todo o


tempo da visita.

O filho não é O genitor não deve perder a coragem e deve


cooperativo ver esta animosidade como nada mais que o
resultado da programação do genitor alienador.

Deve considerar o fato de que, não obstante


os protestos, as visitas acontecerão, o que
significa que existe vontade. Se realmente não
quisessem – o que é o caso com filhos em
estágio grave – não iriam às visitas (GARDNER2,
§49).

Ocorre Este episódio deve ser visto como uma


freqüentemente representação beneficiando o programador e
que o filho, que é que ele será devidamente informado disto. Este
bom e amigável episódio será considerado como extensão da
durante a visita, visita inteira, e nenhuma menção se fará aos 95
tenha em certo % dos bons momentos restantes. Às vezes esta
momento uma crise crise provém da cólera gerada pela confusão do
de cólera ou raiva. filho no meio do conflito entre os pais
(GARDNER2, §50).

O genitor alienador necessita ajuda para não


se utilizar do filho para suas provocações hostis
até que se alcance relações mais sadias, e não
insistir em saber se uma alegação é verídica ou
O filho o acusa de
falsa. Uma resposta simples e breve basta.
falsas alegações.
Pode-se corrigir uma alegação do genitor
alienador perguntando se o filho realmente a
viveu. O melhor antídoto contra as ilusões
criadas pelo genitor alienador é uma sadia
experiência vivida (GARDNER2, §51).

Falar dos bons tempos vividos, multiplicar as


atividades e os intercâmbios, entreter-se com
brincadeiras “secretas” entendidas somente
O vínculo parece
quebrado para quem as decifra (códigos de palavras,
canções preferidas...) (GARDNER2, §52).

Fazer-se acompanhar pela polícia pode


Dificuldades no ajudar a legitimar o momento da tomada do
momento de buscar filho, lhe fornecendo uma desculpa para
o filho. justificar para o genitor alienador (GARDNER2,
§53).

O genitor alienado não deve esquecer que uma relação baseada no


amor verdadeiro é mais sólida que uma relação baseada no medo. Deve-se
proporcionar ao filho um ambiente no qual ele sinta que pode manifestar
todas as suas impressões e sensações, positivas e negativas, com relação a
seus dois genitores. Um ambiente oposto ao do genitor alienador...
(GARDNER2, §54).

3.3)- O programa de transição do terceiro estágio (grave).

3.3.1)- O lugar da transição

Segundo as possibilidades se considera um dos três lugares de


transição a seguir:

1. A casa de um amigo ou A casa de um parente se deve


conhecido, ou um centro de evitar. Esse amigo ou conhecido
acolhimento acolhedor deve ter ótima relação
com a criança. Deve estar
consciente da gravidade da
patologia do genitor alienador.
Deve ter condição para proibir
todo contato telefônico deste
genitor com o filho, e deve relatar
ao tribunal toda falta de
obediência às sentenças
(GARDNER3, §47).

É onde se alojam os pequenos


delinqüentes, as crianças
abandonadas ou abusadas. A
vigilância é mais organizada e o
2. Uma residência coletiva de controle do comportamento do
crianças. filho será mais fácil (GARDNER3,
§50). Longe de ser o ser ideal, este
lugar, às vezes, tem a vantagem
de motivar um filho a ser mais
cooperativo (GARDNER3, §63).

O agente de saúde deve estar


familiarizado com estes casos e
3. Um hospital psiquiátrico
em contato com o tribunal
(GARDNER3, §52).

3.3.2)- As fases de transição

O objetivo é dar ao filho a possibilidade de viver a experiência real que


o genitor alienado não é pessoa perigosa ou ignóbil que lhe tenham descrito
(GARDNER3, §54).

Fase 1 Coloca-se o filho numa casa de transição e se corta todo


contato com o genitor alienador. Gradualmente coloca-se o
filho em contato com o genitor alienado por meio de visitas
mais e mais longas e freqüentes, conforme vai se
acostumando.

Fase 2 Sempre sem nenhum contato com o genitor alienador, o


filho passa a fazer visitas mais e mais longas na casa do
genitor alienado, até que se possa considerar de viver ali
permanentemente.

Fase 3 O filho passa a viver com o genitor alienado. Todo contato


com o genitor alienador deverá ser proibido, e à menor
tentativa deste em comunicar-se será punido severamente
(obrigações, prisão, hospitalização...).

Fase 4 O genitor alienador volta gradualmente a ter contato


telefônico vigiado com o filho, na condição de que controle
sua obsessão em manipulá-lo.

Fase 5 O genitor alienador passa a visitar o filho, sob vigilância,


na casa do genitor alienado, na condição de controlar sua
animosidade para com este.

Fase 6 Se todas as manifestações da reprogramação


desaparecerem, podem ser tentadas visitas breves e
controladas do filho na casa do genitor alienador.

4)- Os aspectos jurídicos e legais

4.1)- Contexto legal nos Estados Unidos

O Código Penal do Estado da Califórnia estipula que “Toda pessoa que


guarda, aloja, detém, suprime ou esconde uma criança, e impede com a
intenção maliciosa o genitor possuidor da guarda legal de exercer este
direito, ou impede uma pessoa do direito de visita, será castigado com
prisão máxima de um ano, de uma multa máxima de US$ 1,000.00, ou dos
dois..." (GARDNER_ADDENDUM2, §13).

Na Pensilvânia este comportamento está sujeito a seis meses de


prisão com “sursis”, de multa de US$ 500,00 ou suspensão ou a supressão
da carteira de motorista (GARDNER_ADDENDUM2 §11).

No Texas se pode ser inquirido pelo tribunal por haver provocado


intencionalmente um desequilíbrio emocional. Os elementos que o
caracterizam são:

a) o acusado procedeu intencionalmente ou de maneira imprudente;

b) o comportamento é extremista e ultrajante;

c) a aflição sofrida pelo queixoso é resultado das ações do acusado;

d) a aflição sofrida pelo queixoso é grave (GARDNER_ADDENDUM2,


§17).

4.2)- O Código Civil alemão

O artigo 1626, § l tem a seguinte redação: “O pai e a mãe têm o


direito e o dever de exercer a autoridade parental (elterliche Sorge) sobre
seus filhos menores. A autoridade parental compreende a guarda
(Personensorge), e a administração dos bens (Vermögenssorge) do filho”.

Segundo o artigo 1626, § l do Código Civil, em sua versão emendada,


os pais de um filho menor de idade nascido fora do matrimônio, exercem de
maneira conjunta a guarda do filho se fizerem uma declaração neste sentido
(declaração sobre a guarda compartilhada), ou se eles se casarem.

Segundo o artigo 1684, em sua versão emendada, um filho tem direito


de ver seus dois pais, que têm cada um a obrigação de manter contatos
com o filho e o direito de visitá-lo. Ademais, os pais têm que renunciar
qualquer ato que seja danoso para as relações entre o filho e o outro
genitor, ou que prejudique seriamente sua educação. Os tribunais de família
podem fixar as formas do direito de visitas, e também modos mais precisos
do exercício deste direito, também para visitas de terceiros. Também
podem obrigar os genitores a cumprir suas obrigações em relação aos
filhos. (ELSHOLZ, §21 y 22)

4.3)- As Cortes européias

Em 1992 os tribunais alemães recusaram conceder a um pai o direito


de visita a um filho nascido fora do matrimônio, e de ordenar um estudo
pericial psicológico do filho e de sua mãe. Depois de esgotar todos os
recursos possíveis, o pai se dirigiu às Cortes Européias dos Direitos
Humanos para pedir justiça e reparação contra o Estado Alemão.

Invocou que a Alemanha não respeitou o artigo 8 da Convenção,


segundo a qual

a) Toda pessoa tem direito ao respeito de sua vida (...) familiar (...);

b) Não pode haver ingerência de uma autoridade pública no


exercício deste direito, mesmo que esta ingerência seja prevista por Lei e
que constitua uma medida que, em uma sociedade democrática, seja
necessária (...) para a proteção da saúde, da moral ou da proteção dos
direitos e liberdade dos outros.

Na sentença ELSHOLZ de 13 de julho de 2000, a Corte Européia lhe


deu razão e condenou a Alemanha a pagar 47.600 DEM por danos morais.
Esta sentença mostra que, quaisquer que sejam as leis nacionais, o
interesse superior da criança se encontra no direito fundamental de ter
acesso a seus dois genitores. (ELSHOLZ, §9 a 19, 29, 54 a 61, 68 a 75)

5)- Os pais que tiveram êxito


a) tinham condições acima da média para ser pais;
b) eram equilibrados e controlavam suas emoções;

c) não os abandonaram nunca, apesar da vontade de fazê-lo e do


desânimo que os acometia;

d) queriam (e eram capazes) de suportar os gastos necessários;

e) tinham um advogado que conhecia a Síndrome de Alienação


Parental e tinham conhecimento das Leis e do funcionamento dos tribunais;

f) solicitaram estudo de perícia médico-legal, que diagnosticou a


SAP e recomendaram a troca de guarda;

g) tinham um plano de ação para a educação dos filhos e mostraram


que eram racionais e razoáveis;

h) buscaram a paz e as soluções, mais que complicar a situação,


apiedando-se do mal que fizeram;

i) elaboraram relatos das sucessões dos acontecimentos, úteis para


convencer os tribunais;

j) respeitaram sempre os direitos de visitas mesmo se os filhos não


estavam em casa, e conseguiram provar que eram assíduos,
contrariamente ao que o outro genitor dizia;

k) durante as visitas dos filhos, não pensaram mais do que em


divertir-se, e não lhes mostraram nunca as sentenças ou outros documentos
“sensíveis”;

l) respeitaram sempre a Lei ao pé da letra (sempre pagaram a


pensão alimentícia, por exemplo);

m) eram pessoas decentes, tinham princípios e amavam os filhos.


(MAJOR, §77).

O procedimento chamado “Vicarius Deprogramming” (descrito no


"Therapeutic Intervention for Children with PAS") explica como o genitor
alienado pode influenciar o filho sem que o terapeuta tenha acesso ao
genitor alienador, nem os filhos (GARDNER_ADDENDUM2 §9).

6)- Referências

LAMONTAGNE Hubert Van Gijseghem,


"Us et Abus – de la mise en mots en matière d’abus
sexuel", Meridien 1998
Capítulo 9: "Syndrome d’aliénation parentale:
contexte et pièges de l’intervention" par Paule
Lamontagne

GARDNER Richard A. GARDNER,


"The Parental Alienation Syndrome", 1992, Second
Edition 1998

GARDNER1 Richard A. GARDNER,


"Differentiating between the parental alienation
syndrome and bona fide abuse/neglect",
http://rgardner.com/refs/ar1.html

GARDNER2 Richard A. GARDNER,


"Family therapy of the moderate type of parental
alienation syndrome", 1999,
http://rgardner.com/refs/ar2.html

GARDNER3 Richard A. GARDNER,


"Recommendations for dealing with parents who
induce a parental alienation syndrome in their

children", 1998,
http://rgardner.com/refs/ar3.html

GARDNER_ADDENDU Richard A. GARDNER,


M2 "March 2000 addendum",
http://rgardner.com/refs/addendum2.html

LOWENSTEIN L. F. LOWENSTEIN
"Parental alienation and the judiciary", 1999,
http://www.fact.on.ca/Info/pas/lowen99a.htm

LOWENSTEIN1 L. F. LOWENSTEIN
"Parent alienation syndrome, a two step approach
toward a solution", 1998,

http://www.fact.on.ca/Info/pas/lowen98.htm

LOWENSTEIN2 L. F. LOWENSTEIN,
"Parental alienation syndrome (PAS)", 1999,
http://www.fact.on.ca/Info/pas/lowen99.htm

MAJOR Jayne A. MAJOR,


"Parents who have successfully fought parental
alienaiton syndrome",
http://www.livingmedia2000.com/pas.htm

BONE-WALSH J. Michael Bone and Michael R. Walsh,


"Parental Alienation Syndrome: How to Detect It
and What to Do About It", 1999,
http://www.fact.on.ca/Info/pas/walsh99.htm

CHILDALIENATION “Brainwashing children against fathers”,


http://childalienation.com

FAMILYCOURTS “Parental Alienation Syndrome, A severe


emotional and psychological disorder in children
brought

on by highly contested custody battles in our


Family Court System.”,
http://www.familycourts.com/pas.htm

ELSHOLLZ "Arret ELSHOLZ du 13 juillet 2000",


http://www.isonet.fr/stop/cour_europeenne2.htm

7)- Autores
Richard A. Gardner, M.D. is Clinical Professor of Child
Psychiatry, Columbia University, College of Physicians & Surgeons,
New York City.
L.F. Lowenstein, Ph.D., is a consultant psychologist at the
Centre for the Diagnosis and Treatment of Emotional-Behavioural
Problems, Allington Manor School and Therapeutic Centre, Allington
Lane, Fair Oak, Eastleigh, Hampshire, UK 5050 7DE
J. Michael Bone, Ph.D., is a sole practice psychotherapist and
certified family law mediator in Maitland. He concentrates in divorce
and post-divorce issues involving minor children, and has a special
interest in PAS. He has served as on expert witness on these and
related topics and has been appointed by the court to make
recommendations involving PAS and families.
Michael R. Walsh is a sole practitioner in Orlando. He is a
board certified marital and family law lawyer, certified mediator and
arbitrator, and a fellow of the American Academy of Matrimonial
Lawyers. For more than 20 years, he has been a frequent lecturer and
author for The Florida Bar.
Creating a Successful Parenting Plan: A Step-by-Step Guide For the
Care of Children of Divided Families by Dr. A. Jayne Major has been used by
many parents to decide on the best strategies to use. The book includes
ideas for preparing for a psychological evaluation and shows how to design
a parenting plan to present to professionals.

Síndrome da Alienação Parental


Qui, 01 de Julho de 2010 09:48 Opinião


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Após a separação dos pais, os filhos são vítimas de abuso


psicológico. Marcas que podem ficar para sempre na vida de muitas crianças.

A economista Fabiana Souza, casada por três anos, juntamente com sua filha viveram
essa situação após dolorosa separação. Ela ficou com a guarda da criança e o pai se fez
ausente por alguns anos. Quando o pai resolveu aparecer foi uma surpresa desagradável,
começava então uma grande discussão em como compartilhar o convívio com a criança
de forma com que as mágoas não fossem evidenciadas.

O pai passava os finais de semana com a filha e aproveitava para contar mentiras sobre
a mãe, fazendo com que a criança sentisse raiva, ficando ansiosa e agressiva com ela.
“Foram momentos difíceis onde minha filha ficava revoltava comigo. Ela acreditava
que a culpa do final do relacionamento era minha, pois o pai fazia o absurdo em dizer
que não estávamos juntos porque eu não queria. E o motivo pela ausência dele era que
eu o havia afastado da filha”, relata Fabiana, que só superou a situação com a filha com
a ajuda de terapia e depois que resolveram na justiça pela guarda compartilhada. “Com
o tempo e a terapia pudemos superar e conviver melhor com meu ex-marido, ele tomou
consciência do que estava fazendo e hoje vivemos sem conflitos”, afirma.

Esse problema tem nome: Síndrome da Alienação Parental (SAP), também conhecida
pela sigla em inglês (PAS), termo usado pelo psiquiatra americano Richard Gardner,
que desde 1985 conceitua a situação em que a mãe ou pai instiga a criança para romper
os laços afetivos com o outro genitor.

Na vontade intensa de atingir a outra parte, no caso de quem está com a guarda do filho,
criam-se várias situações para afetar de maneira negativa a imagem do cônjuge
afastado, fazendo com que a criança acredite que um dos pais não se importa com ela.

Danos psicológicos
Para todos os envolvidos na situação é doloroso, especialmente para os filhos. Mas, o
sofrimento não é maior quando um dos pais que fica com a guarda usa a criança para se
vingar do ex-companheiro. E constroi uma imagem negativa do pai ou da mãe para
afastá-lo do convívio. Nesses casos, os filhos são usados como instrumento para
externar toda a insatisfação com o fim do relacionamento.
Todo esse processo de alienação causa um enorme prejuízo psicológico para a criança.
A psicóloga Graziela Jansen faz um alerta para os danos causados. “Já é difícil para a
criança a separação em si, e o que torna mais grave é o terrorismo que um dos pais ou
até os dois fazem com os filhos, as consequências podem ser uma criança se tornar
agressiva e até desenvolver uma depressão”. A criança fica perdida sem saber a quem
agradar, às vezes vem a sua memória lembranças de momentos felizes ao lado de um
dos pais atingido, deixando-a confusa, porque as informações não são compatíveis com
o que o alienador quer que ela acredite.

Isonomia de direitos
O advogado e vice-presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB, Charles
Roberto de Lima Júnior explica que a Síndrome da Alienação Parental pode começar já
no processo de separação. “Há casos em que as pessoas procuram o advogado com o
objetivo claro de se vingar do ‘ex cônjuge’ ou denegrir a imagem do outro, desejando
uma verdadeira batalha judicial”, relata. Nesses processos, muitas vezes os filhos são
usados como “armas” para atingir a outra parte. A postura do advogado nessa hora é
importante. “É preciso aconselhar o casal de que uma tentativa de acordo visa à
proteção dos cônjuges e, principalmente, do menor”, completa Lima Júnior.

No Código Civil Brasileiro não existe norma específica para tratar o caso. Um projeto
de lei aprovado na Câmara e que aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça
do Senado (CCJ) estabelece punição para esses casos, que variam desde a perda da
guarda da criança à prisão de até dois anos.

Apesar de ainda não existir dispositivo legal que discipline especificamente esta
situação, o cônjuge prejudicado poderá se valer do Código Civil vigente, que determina
o dever de indenizar por conta de quaisquer danos sofridos. “Assim, se um dos o
genitores do menor, através da Síndrome da Alienação Parental, causar dano, seja
moral, físico ou psicológico ao seu antigo par poderá responder na justiça, com os
rigores da responsabilidade civil”, acrescenta o advogado Lima Júnior.

A opção da guarda compartilhada pode ser uma solução para se evitar a Síndrome.
Prevista no novo Código Civil, estabelece que ambos os pais tenham direitos e
obrigações iguais em relação aos filhos. O importante é que juízes, advogados,
psicólogos, conselho tutelar, e assistente social, interfiram nesta atitude de pais, mães e
até de avós para que as crianças sejam amparadas e protegidas dos responsáveis
alienadores.

A psicóloga Graziela Jansen acredita que uma das melhores formas de combater a
Alienação Parental é a guarda compartilhada, quando o pai e a mãe dividem os direitos
e as obrigações sobre a criança.

RESUMO
Este trabalho visa fazer uma análise da Lei n.12.318, de agosto de 2010 e seus
principais avanços e sua aplicação no Direito de Família brasileiro.

ABSTRACT
This paper aims to analyze the Law n.12.318, August 2010 and its main achievements
and its Family Law enforcement in Brazil.

INTRODUÇÃO

A expressão alienação parental (Parental Alienation) foi introduzida pela primeira vez
pelo americano o Dr. ALAN RICHARD GARDNER, em 1985 ao perceber esta prática
nos Tribunais norte-americanos, em que se percebia a manipulação de pais ou mães para
induzir a criança a romper os laços familiares definitivamente com um dos cônjuges. O
vocábulo "alienação parental" significa "criar antipatia paterna".

Esta é uma realidade bastante comum no cotidiano dos casais que se separam: tendo em
vista que um deles, com psicológico bastante deturpado em função do divórcio, e com a
presença dos ex-cônjuge na vida dos filhos do casal, procura elimina-lo da vida dos
filhos, criando uma imagem deturpada na mente das crianças para que esta não sinta
mais nenhuma relação afetiva por parte do outro genitor.

APLICAÇÃO DA LEI NO DIREITO DE FAMÍLIA

Conforme dispõe a nova lei sobre alienação parental no seu art. 2º que conceitua de
forma, exemplificativa, esta matéria e as suas hipóteses de ocorrência, in verbis,

"Art. 2o Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica


da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós
ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância
para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de
vínculos com este.

Parágrafo único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos
assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com
auxílio de terceiros:

I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da


paternidade ou maternidade;

II - dificultar o exercício da autoridade parental;

III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;

IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;


V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou
adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;

VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós,
para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;

VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a
convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou
com avós."

Com efeito, "a lei em apreço deixou claro o que caracteriza a alienação parental,
transcrevendo uma série de condutas que se enquadram na referida síndrome, sem,
todavia, considera taxativo o rol apresentado. Faculta, assim, o reconhecimento,
igualmente, atos assim considerados pelo magistrado ou constatado pela perícia.
Estendeu ela seus efeitos não apenas aos pais, mas também aos avós e quaisquer outras
pessoas que tenham a guarda ou a vigilância (guarda momentânea) do incapaz.
Esclareceu, também, como o Judiciário pode agir para reverter a situação. O juiz pode,
por exemplo, afastar o filho do convívio da mãe ou pai, mudar a guarda e o direito de
visita e até impedir a visita. Como última solução, pode ainda destituir ou suspender o
poder parental" (GONÇALVES, 2011, p.306).

No que tange ao direito fundamental à convivência familiar a referida lei trouxe a


seguinte inovação, regulamentando no capitulo III do Estatuto da Criança e do
Adolescente, e que visa garantir à criança a convivência com ambos os pais, conforme
previsto no art. 4º o procedimento a ser aplicado:

"Art. 4o Declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de ofício, em


qualquer momento processual, em ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá
tramitação prioritária, e o juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público,
as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da
criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou
viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso.

Parágrafo único. Assegurar-se-á à criança ou adolescente e ao genitor garantia mínima


de visitação assistida, ressalvados os casos em que há iminente risco de prejuízo à
integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente, atestado por profissional
eventualmente designado pelo juiz para acompanhamento das visitas.".

Havendo, qualquer indicio de alienação parental o juiz determinara que seja realizado
pericia por profissional habilitado a diagnosticar esta pratica no caso concreto por um
dos genitores, sendo de 90 dias o prazo para apresentação do laudo.

Preceitua o art.6º a sanção a serem aplicadas ao genitor alienador depois de confirmada


mediante a prova pericial desta pratica em juízo, vejamos:

"Art. 6o Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que


dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação autônoma ou
incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo da decorrente
responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais
aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a gravidade do caso:
I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;

II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;

III - estipular multa ao alienador;

IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;

V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão;

VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;

VII - declarar a suspensão da autoridade parental.

Parágrafo único. Caracterizado mudança abusiva de endereço, inviabilização ou


obstrução à convivência familiar, o juiz também poderá inverter a obrigação de levar
para ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor, por ocasião das
alternâncias dos períodos de convivência familiar".

Optou o legislador com a mensagem do Presidente da Republica, as razões do veto no


que tange a sanção de natureza penal, argumentado que o próprio ECA., já apresenta
formas de sanção suficientes para se evitar a prisão:

"O Estatuto da Criança e do Adolescente já contempla mecanismos de punição


suficientes para inibir os efeitos da alienação parental, como a inversão da guarda, multa
e até mesmo a suspensão da autoridade parental. Assim, não se mostra necessária a
inclusão de sanção de natureza penal, cujos efeitos poderão ser prejudiciais à criança ou
ao adolescente, detentores dos direitos que se pretende assegurar com o projeto." ·.

Nesse sentido preleciona o renomado doutrinador da Pontifícia Universidade Católica


de São Paulo, "Também o art. 10 da mencionada lei, que previa pena de detenção de
seis meses a dois anos para o parente que apresentasse relato falso a uma autoridade
judicial ou membro do conselho tutelar que ‘ensejar restrição à convivência da criança
com o genitor', recebeu o veto presidencial, sob o argumento e que a inversão da guarda
ou suspenção da autoridade parental já são punições suficientes" (GONÇALVES, 2011,
p.306 e 307).

CONCLUSÃO

Esse tema é muito recente no Brasil e dada a sua amplitude que abrange outras áreas do
saber como o serviço social, a medicina a psicologia e o Direito.

Diante disso entendemos que precisamos ampliar o debate acerca desse tema para que
possamos aprofundar junto com as outras áreas do saber e nos operadores do direito,
possamos estar atentos à realidade a fim de que possamos combater esta prática na vida
de muitas famílias.

REFERÊNCIAS
SILVA, Denise Maria Perissini da. Guarda Compartilhada e síndrome de alienação
parental: o que é isso. Campinas, SP: Armazém do Ipê, 2009. (coleção armazém de
bolso).

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
v.6.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de família. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
(coleção sinopses jurídicas; v.2).