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jogada no campeonato da Russia (1940),

vencido por Lilienthal, empatado com


Bondarewsky, com 13,5 pontos de 19
possiveis, o que da uma ideia de quanto foi
encarnicada a luta (Lilienthal e hungaro,
nacionalizado russo). A esperanca
estoniana, Keres, chegou em quarto. O
Campeao mundial, Botwinnik ficou em
sexto e o 19 posto foi ocupado por um mestre
da forca de Loewenfisch, o que
sugere o poderio dos 20 competidores. Estes
chegaram a final depois de uma
selecao entre meio milhao de enxadristas. E
de fazer notar que nos paises da
antiga Russia se ensina xadrez aos meninos
na escola, como se se tratasse de
uma materia a mais do programa. Dai a enorme
difusao deste jogo e os
conhecimentos surpreendentes dos jogadores
destas nacoes. A pratica tem
demonstrado que o xadrez e uma tecnica e
como tal pode ser ensinada do mesmo
modo que a medicina, engenharia,
arquitetura, etc. E um erro crer que um
jogador chega a ser bom porque tem
"condicoes naturais" para este jogo.
Diriamos melhor que esse jogador, a forca do
estudo e vontade, chegou a
aperfeicoar sua tecnica a tal ponto que se
destaca entre os demais. Porem,
vamos a partida, que nos servira para
demonstrar que O FIANCHETO DA DAMA E
INFERIOR AO DO REI. Brancas: Lilienthal
Negras: Botwinnik}
1... Nf6
{Com Cf6 po
de-se jogar logo um fiancheto de Rei, ou um
fiancheto de dama, ou d6, ou
simplesmente d5. A jogada "usual"(d5) e
menos elastica que Cf6 porque com ela
entramos diretamente numa "Abertura do peao
da dama", sem poder seguir outros
caminhos.}
2. c4 e6
{O branco conti nua desenvolvendo uma
abertura da
dama, com c4, pressiona sobre a casa d5 (que
ja domina com o cavalo)
intentando disputa-la. O negro, com e6,
mantem o controle da mesma casa e
procura abrir um caminho a seu bispo de
rei.}
3. Nf3 b6
{Conhecer abertura
s nao significa reter na memoria uma serie
interminaveis de jogadas para cada
variante ou sub-variante, senao que saber
manter o equilibrio da balanca,
tratando, esta claro, de inclinar o prato a
seu favor. Depois, no meio-jogo,
busca-se as contra-chances. Continuemos a
partida: o negro com 3...b6 indica
que se decide a jogar um "fiancheto de
dama", desenvolvendo seu bispo por b7.
Quando um jogador pretenda um fiancheto de
dama, o melhor e contestar em
seguida com um fiancheto de rei ( Ja
veremos, mais adiante o por que). Porem,
deve-se ter em conta, para isso, que o "peao
do rei" esteja em sua casa
inicial. Do contrario, existira uma
debilidade na casa f3; debilidade que o
adversario pode explorar, ja que da lugar a
combinacoes baseadas nessa
debilidade. Nunca devemos esquecer que os
peoes sao os unicos que, uma vez
avancados, nao podem retroceder e que PEAO
QUE SE MOVE DEIXA UMA OU DUAS CASAS
FRACAS. Porem, nao e possivel manter em toda
a partida os peoes na casa
inicial: para ganhar ha que arriscar algo e,
entao, e claro que devemos
avancar os peoes, mas cuidando sempre das
debilidades que vao deixando atras
de si. O condutor das brancas (Lilienthal),
seguindo as regras acima jogou...}
4. g3 {e a partida continuou assim.} 4...
Bb7 5. Bg2 Be7 6. O-O O-O
{
Agora vemos claramente porque o fiancheto de
rei e melhor do que o fiancheto
de dama. Ao produzir-se o roque, o rei
branco defende seu bispo de g2,
enquanto que o bispo da dama negro esta
indefeso. Isto pode dar lugar a
combinacoes que veremos mais adiante,
baseadas nesta falta de apoio do bispo
dama. E claro que se este bispo cai, tambem
caira imediatamente a torre da
dama do negro e isso e, precisamente, o mais
grave. Poderia-se dizer "porem o
negro pode apoiar seu bispo". Esta certo
mas, para isso, teria de perder um
"tempo" levando sua dama a c8. Esta jogada,
alem de significar perda de um
"tempo" precioso, nao e recomendavel porque
a dama, entao, deixaria de prestar
apoio ao outro bispo e se escravizaria na
defesa de seu bispo de b7. Com o
exposto, ja vemos que nesta abertura o
equilibrio da balanca foi rompido.
Podemos afirmar rotundamente que as brancas
estao melhor. Agora e questao de
saber fazer valer esta superioridade. Em
outras palavras, colocar em jogo esta
pequena vantagem.}
7. Nc3 Ne4
{O negro trata de forcar a troca de cavalos
em e5 para instalar ai seu bispo. O branco,
entao, deve tratar de evitar isso.}
8. Qc2 Nxc3
{Com a dama em c2, ameacava-se duas vezes o
cavalo negro, que
estava defendido somente uma vez, o que
forcou a troca de cavalos. E aqui ja
vemos qual e a combinacao a que da motivo o
indefeso bispo negro de b7.
Suponhamos, por um momento, que nao fosse
possivel ao cavalo negro tomar o
peao de "e" dando xeque. Vejamos o que
sucederia se o cavalo branco saltasse a
g5, ameacando mate com a dama em h7. O negro
estaria obrigado a tomar este
cavalo e, entao, o bispo do fiancheto
capturaria o bispo indefeso das negras,
ganhando imediatamente a torre da dama,
obtendo, com isso, vantagem material.
Porem e necessario, previamente, tomar o
cavalo do negro e deve fazer-se com a
dama para nao dobrar peoes.}
9. Qxc3 d6 10. Qc2
{A dama volta a c2 para
continuar ameacando a combinacao que ja
vimos;combinacao sumamente apreciavel
para o negro, que deve para-la imediatamente
e, para isso joga:}
10... f5 11. Ne1 $5
{E aqui, que Lilienthal nos perdoe, mas nao
cremos que haja jogado o
melhor. Esta classe de posicao e tipica
nestas aberturas e esta comprovado que
era melhor 11.d5 com o que se ganhava
rapidamente. Trazendo o cavalo a e1 se
da a oportunidade ao negro para que obtenha
a igualdade jogando Bxb2, depois
do que o equilibrio haveria voltado, pois
nao existiria a superioridade do
fiancheto do rei sobre o outro. E possivel
que Botvinnik necessitasse ganhar
este ponto para seu escore, pelo que deixou
de procurar empate com Bxb2 e
preferiu forcar com o lance a seguir.} (
11. d5
{Vamos esclarecer que com 11.d5
haveria restado dois caminhos ao negro:
tomar o peao da com seu peao do rei ou
avancar seu peao do rei. Se se toma o peao,
o desastre e imediato porque o
branco joga 12.Cd4, impedindo que o negro
prossiga tomando o outro peao porque
cairia o bispo e a torre, e ameacando levar
o cavalo a e6 para dar o "duplo"na
dama e torre negras. Se o negro prefere
avancar seu peao a e4, seguiria: [11.
d5 e5 12.Nxe5 dxe5 13.d6 Bxg2 14. dxe7 Qxe7
15.Kxg2 com melhor jogo para o
branco.]}
11... e5 12. Nxe5 dxe5 13. d6 Bxg2 14. dxe7
Qxe7 15. Kxg2
{
con mejor juego para el blanco.}) 11... Nc6
12. d5 exd5
{Esta ultima
captura e forcada, do contrario as negras
perdem o peao de "e" (e entra a
combinacao ja explicada) ou o cavalo.}
13. cxd5 (13. Bxd5+
{Para as brancas
era tentadora a jogada 13.Bxd5+. Porem o
lance de Lilienthal e muito melhor
porque leva um peao ao centro, em d5, o qual
dara dois pontos fortes para o
branco: e6 e c6, nos quais, mais adiante,
pode-se instalar um cavalo.})
13... Nb4
{Agora o cavalo negro ameaca a dama e o peao
avancado. Onde as brancas
devem colocar a dama? Observemos que o bispo
da dama do branco (ainda nao
desenvolvido) nao tem nenhum "programa" na
diagonal c1-h6 e deduzimos, entao,
que sera melhor desenvolve-lo por fiancheto,
pressionando diretamente sobre o
roque inimigo. Entao, nao devemos por a dama
em b3. Restam as casas c4 e d2.
Descartamos c4 porque depois de 14...a5
(apoiando o cavalo) o negro
continuaria 15...Ba6 com consequeencias
muito desagradaveis para as brancas.
Preferimos, entao...}
14. Qd2 a5 15. a3 Na6 16. b4 Bf6
{As negras tratam
de se opor ao fiancheto preparado pelo
branco, poremobservemos a diferenca: o
bispo dama branco estara em b2 apoiado pela
dama. As brancas podem jogar
tranqueilamente...}
17. Bb2 Qd7 {
Para avancar o peao da casa c7 a c6 e apoiar
seu bispo da dama.}
18. Bxf6 Rxf6
{Se o branco pudesse instalar um cavalo em
e6, restringiria o jogo negro.
Trata-se, entao, de levar o cavalo a casa
e6...}
19. Nd3 a4 20. Rac1 {
Tomando a coluna.} 20... Qf7 {ameacando o
peao de d5.}
21. Nf4 {
Defendendo o peao de d5.} 21... Bc8
{Retirar o bispo a c8 significa que o
negro reconhece a inferioridade do fiancheto
de dama frente ao fiancheto de
rei, que e o que estamos demonstrando nesta
licao. Bastaria isso para
confirma-lo; porem sigamos com a partida,
pois ainda nao terminou a forte
pressao que exerce o bispo branco de g2.
Agora o branco tratara de dobrar as
torres na coluna "c" para pressionar o peao
de c7 e manter o cavalo preso.}
22. Rc3 Bd7 {Para fazer algo.} 23. Rfc1 h6
{Ao fazer este lance o
negro deixa um ponto fraco em g6, que seria
magnifico para instalar o cavalo.
Impoe-se, entao, garantir este ponto.}
24. h4 Ra7 {Perdendo tempo.} 25. h5 Ra8
{Regresso.} 26. Re3 Kh7
{Depois que o cavalo se instalasse
em g6 seria muito forte por a torre em e7.
Por isso, as brancas levaram a
torre para dita coluna, sem apressar-se em
jogar Cg6. O negro ja esta perdido,
porem o branco recorda que QUANDO A POSICAO
E SUPERIOR NAO HA QUE APRESSAR-SE
EM ATACAR. A FRUTA MADURA CAI DA ARVORE POR
SI SO.}
27. Rcc3 Rb8
{
Para sair da acao do bispo branco, porem
deixa o cavalo sem apoio e o branco
aproveita imediatamente.}
28. Qd3 Ra8 {
Voltando a por-se sob o "fogo" do bispo.}
29. Ng6 Rxg6
{
Este e um sacrificio para se livrar da
pressao, mas nao resolvera.}
30. hxg6+ Kxg6 31. Re6+ Kh7 (31... Bxe6
{Esta claro que nao se pode 31...Bxe6 porque
segue 32.dxe6 atacando a Dama, e entao o
bispo do fiancheto rei ganha
"limpamente" a torre-dama. Uma vez mais se
comprova a forca deste fianchetto.}
32. dxe6
{Atacando la Dama, y entonces el alfil del
fiancheto rey se gana
"limpiamente" la torre-dama. Una vez mas se
comprueba la fuerza de este
fiancheto})
32. g4 c5 {Tratando de liberar-se no flanco
dama.} 33. b5 Nc7 34. gxf5 Nxb5
{Tampouco agora se poderia tomar a torre com
o cavalo
pelas mesmas razoes que ja explicamos.}
35. f6+ Kg8 (35... g6
{Nao se poderia
jogar 35...g6 porque a torre branca entraria
na 7 linha, ganhando a dama.}) (
{
tampoco se podia jugar:} 35... Qg6
{
Tampouco se podia jogar 35...Dg6 devido a
36.Dxg6+ seguido de} 36. Qxg6+
{
seguido de} 36... Kxg6 37. Rg3+ Kh7 (37...
Kh5 38. Bf3+ Kh4 39. Re4+ Bg4
40. Rexg4+ Kh5 41. Rf4#) 38. Rxg7+) 36. Rc4
Re8 {por fim sai da diagonal.}
37. Rg4 g5 38. Rxe8+ Bxe8 39. Re4 Kf8 (39...
Qxf6
{
Nao se pode tomar o peao em f6 39...Dxf6
devido a...} 40. Rxe8+ Kf7 41. Qxb5
{
e o branco fica com uma vantagem
ganhadora.}) 40. Re7 Qg6
{
Tampouco agora se pode tomar o peao de f6.}
41. Be4 Qh5
{O bispo entra
"cortando" por outra diagonal e e ele que
decida as ultimas acoes.}
42. Bf3 Qg6 43. Rxe8+ Qxe8 {forcado.} 44.
Qh7
{E as negras abandonam. A dama branca
ameacava dar mate em g7.Contra isto a unica
jogada seria:}
44... Qf7 45. Qxh6+ Kg8 (45... Ke8 46. Bh5
{ganhando a dama.}) 46. Bh5 Qd7
{
Ou qualquer outra.} 47. f7+
{E e necessario sacrificar a dama negra,
perdendo
rapidamente. CONCLUSAO: Poderiamos trazer
muitos outros exemplos para
reafirmar a conclusao que chegamos: QUE O
FIANCHETO DE DAMA E INFERIOR AO
FIANCHETO DE REI. Porem, com a partida
exposta ha o suficiente para esta licao.
Para terminar, diremos que nao estamos sos
ao fazer esta afirmacao: o grande
campeao do mundo, Dr. Alejandro Alekhine
mantinha a mesma opiniao, se bem que
em seus artigos cuida muito bem em dizer:
Por que o gambito da dama e inferior.
Saudacoes, amigos enxadristas, e ate a
proxima licao. Prof. Erich Gonzalez e -
mail: edgonzal@luz.ve (Traducao: Elias
Muniz)}
1-0

[Event "A INICIATIVA"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 2"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "C44"]
[PlyCount "65"]

1. e4
{LICAO 2 TRANSCRICAO pelo Professor ERICH
GONZALEZ, na cidade de
Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela. LICOES
DO Dr RAFAEL BENSADON EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. LICAO 2 - A INICIATIVA
Estimados amigos leitores desta pagina.
Faco-lhes a entrega da segunda licao.
Pode-se entender por "iniciativa" a forma de
conduzir as pecas de maneira que
signifiquem um ataque constante sobre o
rival, constituindo ameacas, das quais
se deve defender imediatamente, buscando
sempre "ganhar tempos", ainda a custa
de perder peoes e pecas para atingir o
objetivo perseguido. QUANDO UM JOGADOR
CONSEGUE LEVAR UMA INICIATIVA CONTINUA,
CHEGA UM MOMENTO QUE SE ESGOTAM AS
JOGADAS BOAS DO OUTRO. Baseadas neste
conceito, existem muitas partidas (mesmo
entre mestres) em que um dos jogadores se
apodera da iniciativa desde a
abertura e nao a cede, mesmo que deva perder
pecas, fazer sacrificios e buscar
dificeis combinacoes; conseguindo obter a
vitoria se for capaz de manter um
ataque continuo, perdendo lamentavelmente se
o outro consegue encontrar
replicas justas que desbaratem seus planos.
Porque todos os jogadores conhecem
o valor da iniciativa , logicamente, desde a
saida, tratam de se opor a do
rival. Os jogadores sabem perfeitamente que:
AS VEZES, A DESVANTAGEM MATERIAL
ESTA AMPLAMENTE COMPENSADA COM A VANTAGEM DE
"TEMPO" E ESPACO. A partida que
vamos analisar foi jogada em La Habana,
Cuba, em 1892, pelo campeonato do
mundo, entre Steinitz e Tchigorin. E nao e,
por certo, "uma partida modelo",
senao um duelo onde nenhum dos dois quer
ceder a iniciativa e, para isso,
realizam jogadas incompreensiveis para os
profanos. Para compreende-la e
necessario saber que Tchigorin vinha de
varias derrotas seguidas para Steinitz
e transbordava de furia dissimulada. Seu
rival tampouco queria ceder porque
estava em disputa o campeonato do mundo. Em
outras palavras: ambos estavam
dispostos a "tirarse las piezas por la
cabeza" Foi jogada uma abertura de peao
do rei, que ja sabemos, significa "luta a
morte" onde a combinacao ha de
primar sobre o jogo posicional. Em seguida,
derivou a um Gambito Danes aceito
e ja veremos como ambos tratam de tomar a
iniciativa. BRANCAS: Tchigorin
NEGRAS: Steinitz}
1... e5 2. Nf3 Nc6 3. d4 {muito ativa.} 3...
exd4 {
tomando a iniciativa.}
4. Nxd4 Qh4
{As brancas am o Gambito Danes, que
ataca duas vezes o peao do rei negro, com a
evidente intencao de tomar
resolutamente a iniciativa, porem, ante a
resposta do negro - aceitando o
gambito, tambem para se apoderar da
iniciativa - decidiu jogar 4. Cxd4, com o
que cede este direito a seu rival, que
imediatamente jogou 4...Dh4, atacando o
peao do rei para obrigar as brancas a
defende-lo. Vamos esclarecer aqui que,
em nossa opiniao A SAIDA PREMATURA DA DAMA
NA ABERTURA NAO E MUITO
RECOMENDAVEL. Porem, ja dissemos que os
contendores jogavam com "raiva"e nao
se preocupavam muito com debilidades. A
prova esta na seguinte jogada do
branco. A jogada "chata" que fariam a
maioria dos aficcionados seria 5.Cc3,
defendendo o peao do rei. Porem isso da
lugar a que o negro continue com a
iniciativa e ja dissemos que aqui nao se
trata de "andar com elegancia".}
5. Nb5 $1
{Esta e a jogada mais ativa de que dispoe as
brancas. Se bem que perdem
um peao (com xeque), aproveitam esta
circunstancia para desenvolver o bispo
dama e, logo, o negro tera que se defender
da ameaca de "duplo" ao rei e a
torre, do contrario o cavalo tomaria o peao
de c7, com o que reconquistaria a
iniciativa. E, pois, uma luta pela
iniciativa, na qual se trata de acumular
tempos a custa de material.}
5... Qxe4+ 6. Be3 Kd8
{As negras acreditam
que o melhor para sair do xeque e mover o
rei e ao mesmo tempo apoiar o peao
atacado. Resignam-se a jogar sem roque para
evitar perder tempos.} (
6... Bd6 {
Nao era bom} 7. Qxd6 cxd6 8. Nxd6+
{
recuperando a dama e ganhando um bispo e um
peao}) (6... Qe5
{Tampouco servia
6...Qe5 porque, como veremos mais adiante, a
dama esta mal colocada nessa casa.
]})
7. N1c3 Qe5 8. Nd5 $1
{Em que se fundamenta o branco para tomar
tao
resolutamente a iniciativa a custa de
"material"? Fundamenta-se no fato de que
pode chegar a reconquistar o material com
acrescimo se consegue mante-la.}
8... Nf6 9. Nbxc7 Bd6 $1
{Entregando a torre, porem imobilizando esse
cavalo
(se esta toma a torre) porque nao podera
sair mais, e ameacando 9...Cxd5 com o
que compensaria a desvantagem, levando a
iniciativa e ate com ganho de
material porque se poderia dizer que teriam
trocado sua torre imovel por
"dois" cavalos ativos; alem da ameaca que se
faz sobre o bispo de 'e3'. Se o
cavalo branco nao toma a torre, o negro
jogara tranqueilamente Bxc7 com ganho
limpo de material.}
10. f4 $1 Qe4 11. Bd3
{Ganhando "tempo".A dama negra
nao tem retirada na coluna do rei nem nas
diagonais que sao dominadas pelos
bispos. Restam somente duas jogadas: Ir a
casa 'a4' ou tomar o peao de 'g2'.
Jogar 11...Da4 seria inocuo. Opta por..}
11... Qxg2 12. Rg1 Qxh2
{
Steinitz jogou aqui com criterio
"sanchesco". Preferiu pensar: "se morrer
sera
com a barriga cheia", porque do contrario
haveria previsto aseguintecontinuaca
o, onde se perde a dama, porem acaba
compensada amplamente: [12...Nxd5 13.Rxg2
se (13.Nxd5 segue 13...Qxd5) 13...Nxe3
14.Qf3 Nxg2+ 15.Qxg2 Bxc7 e se haveria
trocado a dama e um cavalo, por dois
cavalos, um bispo e uma torre, o que,
como dissemos, e compensacao mais que
suficiente. E claro que o branco
seguiria com a iniciativa e o negro tem
colocadas defeituosamente a maioria de
suas pecas, porem isto seria sempre
preferivel aos apertos que vem depois de12.
..D x h2.]} (
12... Nxd5
{
Isto seria sempre preferivel aos apertos que
vem depois de12...D x h2.}
13. Rxg2 {si} (13. Nxd5 {sigue} 13... Qxd5)
13... Nxe3 14. Qf3 Nxg2+ 15. Qxg2
Bxc7
{e se haveria trocado a dama e um cavalo,
por dois cavalos, um bispo e
uma torre, o que, como dissemos, e
compensacao mais que suficiente. E claro
que o branco seguiria com a iniciativa e o
negro tem colocadas defeituosamente
a maioria de suas pecas, porem isto seria
sempre preferivel aos apertos que
vem depois de12...D x h2.]})
13. Qf3 Nxd5
{O branco ameacava 14.Th1
ganhando a dama, que nao tem retirada. Agora
se se joga 17. Th1 o negro
contestaria Dxh1 e logo Cxd5, trocando a
dama por dois cavalos e torre.}
14. Nxd5 Qh6 15. O-O-O f5
{O negro entrega um peao para evitar
(momentaneamente) o avanco do peao branco de
'f' , o que seria fatal, pois a
dama negra nao teria jogada satisfatoria (se
Dh4 seguiria Bg5 ganhando a dama).
Dito movimento tem o objetivo de ganhar
tempos e preparar a "escapada" da dama.
AQUI SE APRECIA O UTIL E NECESSARIO QUE E
MANTER O "TEMPO", O MATERIAL, ESPACO
E A INICIATIVA.}
16. Bxf5 g6 17. Nf6 $1
{O branco continua disposto a nao
ceder a iniciativa. [se 17...gxf5 18.Rxd6
etc.]}
17... Qf8 {
Defende seu bispo e ameaca o cavalo e o
bispo do contrario.}
18. Bxd7 $1 Qxf6 (18... Bxd7 {nao e possivel
porque segue} 19. Nxd7 Kxd7
20. Bc5 {
ganhando. A ideia do branco e abrir a linha
da dama para sua torre.})
19. Bxc6 Kc7
{Nao era possivel bxc6 devido a Dxc6
ameacando a torre e tomando e o
bispo da casa 'd6'. Aqui o negro joga
tranqueilo e consegue uma posicao
aproximadamente igual. Transcorreram-se
somente 19 lances, sumamente violentos;
presenciamos uma luta de morte pela
iniciativa e se poderia dizer que chegamos
ao '"final" da abertura. Seria este o
momento de fazer um balanco. Vemos que
cada lado conserva quatro peoes, dois
bispos, duas torres e a dama. Ou seja,
"materialmente" estao iguais. Onde esta,
pois, a vantagem do branco, que nao
cedeu a iniciativa e que ainda a conserva?
Resposta: na maior mobilidade de
suas pecas e, sobretudo, na colocacao do
rei. Enquanto o rei negro esta numa
situacao precaria, o rei branco esta a salvo
de possiveis ataques. Trata-se,
pois, de explorar essa diferenca. Dissemos
que a abertura chegou ao "final" e
logo veremos a confirmacao disso, porque as
jogadas que seguem sao mais
"posicionais" (para voltar a engrenar logo a
iniciativa).}
20. Be4 Rf8 21. Rgf1 Bd7 22. Rd3 (22. Bxb7
$5 {Nao era bom, devido a}
22... Rab8 $1
{atuando em uma
coluna aberta e pressionando o peao de 'b2',
que ja esta ameacado pela dama, o
que constitui um serio perigo.})
22... Bc6 23. Bxc6 bxc6 24. Bd2 $1
{A que se p
ropoe este bispo? Dominar a grande diagonal
de casas negras que vai de 'a1' a
'h8' e, se for possivel, colocar-se em 'e5',
apoiando seu peao isolado pela
frente; mas, para isso, "disfarca" seu
proposito com outra jogada que nao
chegara a realizar: ameaca dar xeque ao rei
desde 'a5' a fim de leva-lo as
colunas da ala da dama, onde estaria muito
exposto ao "fogo" das torres e da
dama. O negro prefere se defender deste
xeque e procura levar seu bispo a casa
'b6', tratando de troca-lo ali, com o que
levaria seu peao de 'a7' a 'b6' mais
ao centro, onde ajudaria na protecao de seu
rei.}
24... Bc5 (24... a5 {
talvez fosse melhor.}) 25. Bc3 Qf7 26. Be5+
Kb7 27. Rfd1 (
27. Rb3+
{Em vez de d
obrar suas torres, o branco poderia ter
jogado 27.Tb3+ porem isso favoreceria
ao rival, que cobriria com}
27... Bb6) 27... Qc4
{Nao devemos esquecer que: OS
XEQUES DEVEM SER RESERVADOS. No momento
oportuno se pode "salvar" uma peca
ameacada com um xeque; nao facamos como os
principiantes que "XEQUE QUE VEEM,
XEQUE QUE DAO".} (
27... Qxa2 {porque se expoe a um ataque
perigoso do branco.} 28. Rb3+ Kc8 (
28... Ka6 29. Qxc6+ Bb6 (29... Ka5 30. Qb5#)
30. Ra3+ {
ganhando a dama.})
29. Qxc6#) 28. Rc3 Qb5 29. Rb3 Bb4 30. Rd7+
Kb6 (30... Kc8 31. Rxb4 Qxb4
32. Qxc6#) (30... Ka6 31. Rxb4 Qxb4 32.
Qxc6+ Qb6 33. Qa4+ Qa5 34. Rd6+
{ganhando a Dama.}) 31. Bc7+ Ka6 (31... Kb7
{Nao serve devido a} 32. Rxb4 Qxb4
33. Ba5+ {ganhando a Dama.}) 32. Rxb4 $1 {e
ganham porque se} 32... Qxb4
33. Qxc6+
{RESULTADO: Vimos a enorme importancia que
tem a INICIATIVA;
dai se depreende que nao devemos cede-la
nunca e, se nao a temos, devemos
toma-la. Quando nos atacam um peao, em vez
da defesa "chata", busquemos a
jogada que ataque uma peca contraria; se nos
atacam uma peca menor, ataquemos
o rei ou a dama adversaria; se nos atacam a
dama, busquemos atacar o rei. E
recordemos este axioma: "QUANDO SE PODE
MANTER A INICIATIVA, GANHA-SE" Ate a
proxima licao, amigos leitores. Agradeco-
lhes qualquer correcao e sugestao.
Professor. Erich Gonzaleze - mail:
edgonzal@luz.ve (Traducao: Elias Muniz)}
1-0

[Event "A DEBILIDADE DA CASA 'f7'"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 3 - PRIMEIRA PARTE"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "C23"]
[PlyCount "7"]

1. e4
{LICAO 3 - PRIMEIRA PARTE TRANSCRICAO pelo
Professor ERICH GONZALEZ, na
cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela. LICOES DO Dr RAFAEL BENSADON EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. AULA 3 - PRIMEIRA PARTE A
DEBILIDADE DA CASA 'F7'. Estimados amigos
leitores desta pagina. Entrego-lhes
esta simples e terceira aula. A maioria dos
aficcionados nao conhecem a
importancia da casa 'f7' ('f2' para as
brancas) nem a forma de explorar sua
debilidade. COLOQUEMOS AS PECAS NO TABULEIRO
EM SUA POSICAO INICIAL E
OBSERVAREMOS QUE TODOS OS PEOES ESTAO
DEFENDIDOS, AO MENOS, POR UMA PECA. As
pecas, por sua vez, defendem-se entre si,
com excecao das torres, que estao
isoladas. Porem nao e possivel no inicio do
jogo chegar ate elas e ataca-las.
Feita esta observacao, chegamos a conclusao
que: DE TODOS OS PEOES O MAIS
FRACO E O DA COLUNA 'f', porque unicamente o
rei o defende. Por conseguinte, a
casa 'f7' ('f2' das brancas) e a mais fraca
do tabuleiro e e precisamente
nisso que se baseiam os "mates relampagos",
como sao os conhecidos "Mate
Pastor" e "Mate de Legal". O PONTO 'f7' E
'f2', ESTANDO UNICAMENTE DEFENDIDO
PELO REI, E PERFEITAMENTE POSSIVEL TOMA-LO
COM DUAS PECAS QUE O ATAQUEM e
sobrevem fatais consequeencias, porque
entram com xeque, que pode ser mate e
definir a partida. Nao e demais, aqui,
reproduzir o "Mate do Pastor".}
1... e5 2. Bc4 Nc6 3. Qf3 (3. Qh5 Nf6 4.
Qxf7#) 3... d6 $4 (3... Bc5 $4)
4. Qxf7#
{
Como ja dissemos, o mate se produz ao tomar
a dama a casa 'f7'. Devemos
esclarecer, ainda que todos saibam, que este
mate pode ser dado em um novato
que nao saiba mover as pecas para se
defender ou por um descuido do negro (ou
do branco), pois se as negras houvessem
jogado neste exemplo 3... Cf6 (se a
dama branca estivesse em 'f3') ou 3...g6 (se
estivesse em 'h5') o perigo
estava afastado e as negras ficariam em
melhor posicao.}
1-0

[Event "JOGO POSICIONAL E CONCEITO


COMBINATIVO"]
[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 4"]
[Black "?"]
[Result "0-1"]
[ECO "C00"]
[PlyCount "60"]

1. e4
{LICAO 4 - JOGO POSICIONAL E CONCEITO
COMBINATIVO TRANSCRICAO pelo
Professor ERICH GONZALEZ, na cidade de
Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela.
LICOES DO Dr RAFAEL BENSADON EM APONTAMENTOS
TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. Amigos leitores desta pagina. Uma
vez mais quero fazer chegar ate
voces as licoes do Dr. Rafael Bensandon, as
quais tem o objetivo de ajudar a
melhorar seu jogo. Espero que obtenham o
maximo de proveito. LICAO 4 JOGO
POSICIONAL E CONCEITO COMBINATIVO Em geral,
pode-se dizer que existem duas
classes de jogadores de xadrez. Aqueles que
por seu temperamento preferem o
jogo posicional e os outros, que tambem por
seu temperamento optam pelo jogo
de combinacao. Na realidade, nao existem
jogadores puramente posicionais ou
exclusivamente combinativos. O aficionado
que deseje se destacar deve aprender
uma serie de principios estrategicos que lhe
servira para discernir sobre o
valor intrinseco das pecas e as casas;
principios que desaparecem ao entrar o
jogo combinativo, ja que bem sabemos que ha
situacoes especialissimas em que
um cavalo pode valer mais que a dama, um
bispo mais que a torre, etc. O certo
e que um jogador posicional tambem necessita
de combinar e um jogador
combinativo deve conhecer principios
posicionais. Em outras palavras: o
jogador completo deve possuir ambos
conhecimentos e harmoniza-los em justa
medida. Veremos agora uma partida em que o
conceito posicional existe, porem
tambem entra a combinacao. E sabido que PARA
QUE UMA COMBINACAO CHEGUE A UM
FELIZ TERMO NECESSITA DE CERTOS FATORES.
Tais como a ma situacao do rei, a
falta do roque do adversario; quando esta
rocado, porem desapareceu o cavalo
de 'f3' (para as negras) ou 'f6' (para as
brancas), quando se avancou os peoes
do roque, quando a ala do rei esta ameacada
por forcas superiores, quando as
torres podem entrar na setima ou oitava
linha, quando existem possibilidades
(mediante sacrificios) de dar xeque
descoberto, etc. Porem, enquanto tais
situacoes nao se produzam, o bom jogador
deve se limitar a um jogo de posicao.
Assim, veremos Nimzovitsch, que foi
reconhecido mundialmente como jogador
combinativo, fazer fortes movimentos
posicionais, e Bogoljubov, reconhecido
como posicional, realizar uma longa
combinacao que o leva a vitoria, quando a
situacao lhe permitiu executa-la. Blancas:
NIMZOVITSCH Negras: BOGOLJUBOW
TRANSCRIPCION Defensa Francesa}
1... e6
{O negro opta por uma Defesa Francesa.
Sabemos que esta defesa da um jogo fechado,
permitindo ao branco uma serie de
ataques que nao comentaremos porque seria
demasiado extenso. Porem se as
negras conseguem "parar" esses ataques, saem
em boa posicao da abertura. Mesmo
sempre estando na moda, a Defesa Francesa
nao e melhor nem pior que as outras;
diriamos que e "jogavel".}
2. d4 d5 3. e5
{Com esta jogada entramos na
variante do avanco na Defesa Francesa.
Tampouco e melhor nem pior que as
demais jogadas de que dispoe as brancas. E
feita com a ideia de restringir os
movimentos do cavalo do rei negro e, caso se
consiga manter um peao em 'e5',
as negras estarao muito restringidas. Se se
houvesse trocado os peoes depois
de 3...exd5 o negro esta melhor, ja que
tomam a iniciativa diante de qualquer
movimento das brancas. Pode-se analisar
tranqueilamente a posicao e veremos
que, faca o que fizer o branco, as negras
sempre tem uma jogada em que
conservam a iniciativa. Claro que a
desvantagem de 3.e5 e o enfraquecimento do
peao central ( peao de 'd') sobre o qual
seguirao agora os ataques das negras
e as defesas do branco.}
3... c5 4. Nf3 {Necessaria.} 4... Nc6 {
Novo ataque ao peao de 'd4'.} 5. c3
Qb6
{Esta ultima jogada tambem
pressiona o peao de 'd4', porem aponta para
outro objetivo: impede, no momento,
a saida do bispo dama das brancas, porque
isso deixaria sem defesa o peao de
'b2'; e nao esquecamos que o bispo dama
seria outra peca que poderia defender
o peao de 'd4', colocando-se em 'e3'.}
6. Be2 cxd4 7. cxd4 Nge7 {
Para leva-lo a 'f5', atacando em 'd4'.} 8.
Nc3 Nf5
{Vemos que as maiores
dificuldades do branco consiste em que,
antes de mover seu cavalo do rei,
deveria ter avancado seu peao de 'f' a
quarta casa, apoiando seu peao
adiantado. Agora tratam de defender
indiretamente seus peoes centrais.}
9. Na4 Bb4+
{Jogada intermediaria. Nao servia 9...Qb4+
10.Bd2 e a dama deve se
retirar a "e7".} (
9... Qb4+ 10. Bd2 {e a dama deve se retirar
a "e7".}) 10. Kf1
{Para nao perder tempo.} 10... Qd8 11. a3
Be7 (11... Ba5 {Nao serve devido a}
12. b4 {e o bispo nao tem boa casa para se
colocar.}) 12. b4 O-O
{
Bem, chegamos a posicao que e objeto desta
licao. Ate aqui o jogofoi"posiciona
l". Houve uma serie de escaramucas em torno
do peao branco de "d", que
momentaneamente terminou. Neste momento
anteve a combinacao que ha de leva-lo
a vitoria. QUANDO O REI ESTA NUMA COLUNA
ONDE HA UMA TORRE OU UMA DAMA, HA QUE
TRATAR DE POR O MONARCA EM SEGURANCA. O Rei
branco esta nesta posicao, ainda
que existem varias pecas entre ele e a
torre. A melhor jogada de Nimzovitch
seria 13.Rg1, porem nao a viu ou nao lhe deu
importancia e este unico detalhe
transforma esta partida posicional em
combinativa. Talvez Nimzovitch recordou
o principio enunciado, mas ao inverso, e em
vez de por seu rei em seguranca,
colocou sua torre na mesma coluna do rei
contrario. Porem e o negro que tem a
iniciativa.}
13. Rg1 f6 {Para abrir a coluna.} 14. g4
{O cavalo nao tem
boa retirada, porem isto estava nos planos
de Bogoljubov, que precisa de abrir
a coluna 'f' e aceita trocar seu cavalo por
dois peoes.}
14... Nfxd4 15. Nxd4 Nxd4 16. Qxd4 fxe5 {Ja
se abriu a coluna.} 17. Qd2 (
17. Qxe5 {
Nao serve devido a} 17... Bf6) 17... b6 $3
{Fino detalhe de quem sabe que o
rei branco deve tratar de se colocar em
seguranca, fazendo o que fazem todos
os reis do xadrez ou dos povos. Quando estao
em perigo, escapam. Com o bispo
da dama desenvolvido por fiancheto, sera
cortada a retirada do rei e, por isso,
jogou 17...b6.}
18. g5 {Para bloquear o bispo do rei.} 18...
d4
{
Abre caminho para seu bispo dama.} 19. Bc4
b5 $1
{O bispo branco
colocado na casa 'c4' entorpece os planos do
negro, ja que nao lhe deixara
levar seu bispo dama a casa 'b7'. Bogoljubov
idealiza a forma de retirar este
molesto bispo da diagonal em que se encontra
e, para isso, entrega o peao de
'b5'. Baseia-se neste principio: QUANDO HA
POSSIBILIDADES DE COMBINACAO, NAO
SE DEVE PERDER TEMPO.}
20. Bxb5 Qd5 {Toma a diagonal e ameaca o
bispo.} 21. Qe2 e4 $1
{Com varias ameacas, como e3 ou d3.} 22. Bc4
d3 23. Qa2 (23. Bxd5 dxe2+
24. Kxe2 exd5 {e as negras estao muito
melhor.}) 23... Qd4 24. Rg4
{evita e6 que seria fatal} (24. Bxe6+ {Nao
seria bom devido a} 24... Bxe6
25. Qxe6+ Rf7 {e logo dobrar as torres.})
24... d2
{Observemos que
a Dama branca defende o bispo e o mate. Com
24.- .......d2 se corta a
comunicacao.}
25. Qxd2
{Se 25.Bxd2 Qxf2#. E necessario resignar-se
a perder o
bispo de 'c4', devolvendo a peca.} (
25. Bxd2 Qxf2#
{
E necessario resignar-se a perder o bispo de
'c4', devolvendo a peca.})
25... Qxc4+
{Tambem se podia tomar D x a1, porem seria
menos eficaz porque 26.Db2 e
depois da troca de Damas a partida se
prolonga.}
26. Qe2 Qb3
{Se ameaca t
omar o cavalo branco e com isso se ganha
tempo, pois agora existe outra
combinacao que ja veremos.}
27. Nc5 $2 Bxc5 28. bxc5 Ba6
{
E claro que se 29.Qxa6 tira-se a defesa da
torre branca de g4.} 29. Qxa6
{
E claro que se 29.Qxa6 tira-se a defesa da
torre branca de g4 e entao seguiria}
29... Qd1+ 30. Kg2 Qxg4+
{RESUMO Vimos a transformacao de uma partida
posicional em combinativa e apreciamos como
Bogoljubov, considerado jogador
posicional, realizou uma longa combinacao
ganhadora, baseada na ma situacao do
rei branco, colocado na mesma coluna da
torre inimiga. Isso demonstra que UMA
PARTIDA POSICIONAL PODE SE TRANSFORMAR EM
COMBINATIVA e que UM JOGADOR
COMPLETO DEVE POSSUIR AMBOS CONHECIMENTOS.
Porem nao nos entusiasmemos muito e
recordemos que PARA PODER COMBINAR E
NECESSARIO QUE EXISTAM ALGUNS FATORES. Do
contrario, e conveniente jogar
posicionalmente. AINDA QUE NUNCA SE PODE
JOGAR
UNICAMENTE POSICIONAL. Prezados amigos
leitores. Finalizamos esta quarta licao.
Espero que lhes ajude muito. O xadrez e um
caminho sem fim, no qual, a cada
dia, vemos uma serie de inovacoes que nos
fazem repensar e dizer: QUE GRANDE E
MARAVILHOSO E O XADREZ. Ate a proxima licao.
Professor: Erich Gonzalez. e -
mail: edgonzal@luz.ve Line (Traducao: Elias
Muniz)}
0-1

[Event "A MAQUINA"]


[Date "????.??.??"]
[White "LICAO 5"]
[Result "1-0"]
[ECO "A45"]
[PlyCount "55"]
[Site "?"]
[Round "?"]
[Black "?"]

1. d4
{TRANSCRICAO pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela. LICOES DO Dr RAFAEL BENSADON EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. LICAO 5 A MAQUINA Prezados
leitores. Minhas saudacoes e respeitos. Uma
vez mais, continuemos com as licoes do Dr.
Besandon. Licoes que faco chegar ate voces
com o unico proposito de ajudar a melhorar
seu jogo, ja que e um texto ameno e simples.
As seguintes palavras escritas pelo aluno
Ernesto Carranza, a quem gostaria de apertar
sua mao pela magnifica obra junto ao
excelente professor Rafael Bensadon, sao
significativas. O sistema didatico do Dr.
Bensadon se baseia em preceitos distintos
dos praticados ate agora na maioria dos
livros publicados. Em lugar de sobrecarregar
o aluno com uma serie interminavel de
variantes para cada posicao, das quais nada
retera, o professor Bensadon prefere ditar
regras faceis de recordar, oferecer
conselhos praticos, assinalar teorias,
reiterar conceitos. Em outras palavras, da a
ideia fundamental, que serve nao somente
para a posicao que esta sendo analisada, mas
para qualquer outra similar. Com tudo isso,
o aluno forma sua bagagem de conhecimentos e
sabe a que se ater quando se lhe coloquem
casos analogos, sem necessidade de "acertar"
de memoria a jogada que deve executar,
porque conhece o plano ao qual deve ajustar
seu jogo. Dito com mais brevidade: sabe o
que deve fazer. LICAO 5 A MAQUINA Vamos
tratar de um tema aparentemente simples, que
em nosso meio enxadristico e conhecido por
"MONTAR A MAQUINA". Fazemos notar que PARA
QUE A "MAQUINA" SEJA EFICAZ, E NECESSARIO
QUE O CONTRARIO NAO SE DE CONTA DE QUE
ESTAMOS POR MONTA-LA. Devemos, portanto,
disfarcar nossa intencao com outras ameacas
como veremos mais adiante. "A maquina"
consiste em ameacar mate direto com um bispo
e a dama apontando em diagonal ao roque
inimigo. Parece simples, porem quando haja
desaparecido o cavalo de 'f6' (ou 'f3' das
brancas) do contrario e se consegue "armar a
maquina", muitas vezes resulta suficiente
para ganhar em seguida, ja que nao so
constitui uma ameaca de mate fulminante,
senao que continua sendo uma "ameaca
latente", que para ser destruida pode custar
uma peca ao adversario. Ademais, seja ou nao
infantil, o adversario deve para-la e
resulta dificil se defender, pois quase
sempre debilita seu roque o que da lugar a
outras possibilidades e ate permite ganhar
tempos para o ataque. Como e facil um
jogador nao ver a intencao de "montar a
maquina" ou, ainda que veja, nao lhe de
importancia porque acredita que pode para-la
facilmente, resulta que em muitas partidas
se pode fazer uso da maquina. E desde ja
diremos: EM POSICOES ABERTAS "A MAQUINA" E
MUITO DIFICIL DE PARAR. A partida que
veremos foi jogada no torneio de Folkestone
e, nela, depois de uma serie de jogadas
estrategicas chegamos a uma posicao
( movimento 22) em que o branco se propoe a
"armar a maquina" e o consegue, pois apesar
de o adversario pressentir, deve atender a
outras ameacas. Uma vez que a montou, ganha-
se a partida rapidamente com um correto
sacrificio de torre, que para o aficionado
constitui uma "jogada brilhante". BRANCAS:
OPOCENSKY NEGRAS: MACKENZIE}
1... Nf6
{Ja sabemos que a jogada efetuada pelo negro
e uma das melhores contra as aberturas de
peao dama devido a sua elasticidade, ja que
por enquanto nao "mostram a cara",
reservando-se o direito de jogar a defesa
que mais lhe agrade.}
2. c4 {Mostrando a cara.} 2... e6 3. Nc3 Bb4
{O lance das negras e o inicio da chamada
"DEFESA NIMZOVITSCH", criada pelo mestre do
mesmo nome, um revolucionario do xadrez, de
conceitos um tanto extravagantes, porem
baseados em solidas razoes estrategicas.
Esta defesa consiste em nao deixar o branco
jogar um "vulgar" gambito de dama e, ja
sabemos que E UM BOM PLANO TATICO NAO JOGAR
DE ACORDO COM O GOSTO DO ADVERSARIO.
Entretanto, a Defesa Nimxovitsch nao e
aconselhavel para os aficionados. Para um
bom jogador sim, porque sabera desembaracar-
se dos problemas que surgirem. Porem, para o
iniciante, a abertura e de grande
importancia, pois caso se encontre em
posicao inferior e nao saiba como sair dela
perdera irremediavelmente. A principal razao
pela qual nao aconselho a Defesa Nimzovitsch
e a seguinte: mais adiante o branco jogara
'a3' e ao bispo restara dois caminhos: tomar
o cavalo ou se retirar. Analisemos todas as
possibilidades. Se mata o cavalo, "nao e
negocio" porque sabemos que e mais
conveniente conservar o par de bispos. Caso
se retire a 'a5', o branco segue 'b4'e o
bispo morre sem pena e sem gloria, ja que em
'b6'seria alcancado com 'c5'. E, por ultimo,
se se retira por sua diagonal, deve ir a
'e7', com o que teremos perdido
miseravelmente um tempo e deixamos a
iniciativa nas maos do adversario.}
4. Qc2 O-O $2
{Agora o branco aproveita e leva outro peao
ao centro, dominando a casa 'd5'. (Segundo
as analises que realizou o grande campeao
mundial Jose Raul Capablanca, para as negras
e melhor 4...d5, disputando o centro.)}
5. e4 Bxc3+
{Obrigando a retomar o bispo com o peao de
'b2'. Se 6.Dxc3 segue Cxe4.} 6. bxc3
{As negras pensam que dobrando os peoes
inimigos compensam a diferenca do bispo pelo
cavalo. Desta maneira se desfazem de seu
bispo e nao perdem um tempo. Nao esta mal o
raciocinio, ainda que logo veremos que nao
resultou eficaz.} (
6. Qxc3 {seguiria} 6... Nxe4) 6... h6
{Dando escape a seu cavalo, em caso de
'e5'.} 7. Bd3 d6
{Aqui vemos como e boa a elasticidade de
1...Cf6 em vez de 1...d5. Agora, deve-se
jogar o peao da dama a casa 'd6' por varias
razoes: Para disputar o centro e para tornar
"bom" o "bispo mau". Esclarecamos: ENTENDE-
SE POR BISPO MAU AQUELE QUE NAO TEM
MOBILIDADE devido a colocacao dos proprios
peoes, colocados em casa da mesma cor do
bispo. Porem este qualificativo so vale
quando os peoes ja estao "fixos" e nao
quando o bispo esta por tras de peoes
"moveis" (como seria o presente caso).
Agora, colocando os peoes em casas de cor
distinta a de seu unico bispo, o negro trata
de tornar "bom" seu "bispo mau".}
8. f4 $1 {Levando outro peão ao centro e
obtendo enorme vantagem em espaço.}
8... e5
{Era necessário para não "morrer afogado".
Aparentemente, perde-se um peão, porém logo
se compensa e até se recupera.}
9. Nf3 ({Si} 9. fxe5 dxe5 10. dxe5
{ameaçando o peão dobrado; se o branco
defende com:} 10... Ng4 11. Nf3 Re8
{AOS POUCOS, OS PEÕES DOBRADOS CAEM COMO
FRUTA MADURA (ou, se acharem melhor, como
dentes de velhas).})
9... Nbd7 10. c5
{Vimos que ambos os jogadores puderam trocar
os peões centrais e não o fizeram; isso
significa que nenhum deles está disposto a
tomá-los. Daí porque o branco o "apure".}
10... Qe7 ({Si:} 10... dxc5 11. fxe5 {com
grande domínio do centro.}) 11. cxd6
{Desdobrando-se.} 11... cxd6
{Recordemos o que dissemos no lance 5...
Bxc3+. O branco conseguiu se desembaraçar de
seu peão dobrado, resultando um "mau
negócio" trocar o bispo pelo cavalo.
Acrescente-se que o peão negro de 'd6' é um
ponto fraco, mantido unicamente por uma peça
maior.}
12. O-O exf4 13. Bxf4 Nb6
{Para dar jogo a seu bispo. Se fizermos um
balanço, veremos que existem vantagens
claras para o branco em espaço, tempo e
iniciativa.}
14. Rae1 Be6 {Para fechar um pouco a coluna
do rei.} 15. e5 {(para abrir)}
15... dxe5 {A melhor;} 16. Nxe5
{Haveria sido igualmente bom tomar o peão
com o bispo ou com a torre. QUANDO A POSIÇÃO
É SUPERIOR, QUASE TODAS AS JOGADAS SÃO BOAS.
Façamos outra observação: o negro tinha um
peão fraco em 'd6', do qual se desembaraçou
porque as brancas facilitaram isso. E o que
o branco obteve em compensação? Tem o peão
da dama "passado" (nenhum peão negro pode se
opor à marcha deste peão até a oitava fila)
e pode se transformar em dama com
facilidade.}
16... Rac8 17. c4
{Este é um lance ou, se quisermos, uma
cilada. O peão de 'c4' está agora atacado
por três peças e defendido por três (uma das
quais é a dama), porém não se pode tomar o
peão.}
17... Qb4 {porque se} (17... Nxc4 18. Bxc4
Bxc4 19. Nxc4
{e a torre atua sobre a dama, que deverá se
mover, e o melhor será a 'b4'; então}
19... Qb4 {então} 20. Bd6 {e se} 20... Qxd6
21. Nxd6 Rxc2 {etc.}) 18. Rb1
{Jogada ativa.} 18... Qe7 {(regressa)} 19.
Qe2 Rcd8 {Ataca o peão de 'd4'.}
20. Qf2
{O branco reserva o avanço do peão a 'd5'.
Provavelmente não seria interessante porque
as negras poderiam sacrificar uma peça por
dois peões centrais, entrando em uma série
de possíveis combinações.}
20... Ng4 21. Nxg4 Bxg4 22. d5 {Agora
avança.} 22... Bc8
{O negro viu que seu peão de 'b7' está
defendido somente pela dama, o que a
imobiliza na segunda linha, se mais adiante
deseje jogar seu cavalo, ou se este fosse
desalojado com um possível avanço do peão a
'c5'. Assim se explica 22...Bc8. E já
chegamos ao momento preciso que desejávamos
para esta lição. Ao avançar seu peão a 'd5',
o branco anteviu a idéia que lhe dará a
vitória. E, diante do movimento inofensivo
do negro, decide "montar a máquina".
Observemos que o cavalo negro de "f6'
desapareceu e que a posição é aberta, o que
indica que a maquina será eficaz. Como se
poderia fazer para montá-la? Os lances "saem
por si". Trata-se de por a dama em 'd4' e o
bispo atrás, em 'c3' ou 'b2', tomando a
grande diagonal e apontando ao roque
inimigo. Também é necessário realizar tudo
NO MENOR NÚMERO POSSÍVEL DE JOGADAS E
DISSIMULANDO O PROPÓSITO. As brancas começam
por buscar o caminho para seu bispo dama.}
23. Bd2 {Para colocá-lo em 'c3'.} 23... Qa3
{As negras vislumbraram a combinação e
tratam de impedi-la. Com 23... Da3 evitam
que o bispo se situe em 'c3', ao mesmo tempo
que ameaçam o outro bispo e o peão de 'a2'.
A idéia é boa, porém QUANDO SE DOMINA MUITO
ESPAÇO, SEMPRE HÁ JOGADAS BOAS PARA SE OPOR
AO RIVAL, e é por isso que as brancas darão
uma forte réplica, enquanto continuam com
seu plano. QUANDO OS DOIS BISPOS E A DAMA
APONTAM PARA O ROQUE CONTRÁRIO QUE JÁ NÃO
TEM O CAVALO EM 'F6', DIFICILMENTE O
ADVERSÁRIO PODERÁ SE MANTER. Alem disso, uma
vez que a dama branca vá a 'd4', ameaça-se
ganhar a qualidade com Bb4 e existe a
possibilidade de armar duas máquinas.}
24. Qd4 Rfe8
{As negras devem se opor à montagem das
maquinas. Para isso, levam sua torre de 'f8'
a 'e8' para tomar a coluna 'e', impedindo
uma das máquinas e com a idéia de por sua
dama em 'f8', defendendo o peão de 'g7',
sobre o qual vai se desencadear a tormenta.}
25. Bb4
{Com isso se impede que a dama possa
defender o peão de 'g7'. As brancas poderiam
jogar diretamente Bc3 montando a máquina..}
(
{Si} 25. Bc3 Qf8 {então} 26. Bb4
{ganhando a qualidade, porém sem dar mate. O
lance de Opocensky é mais eficaz.})
25... Qa4 {Tomar o peão de 'a2' não faria
diferença.} 26. Bc3
{Montou a máquina.} 26... f6
{Única para se salvar do mate, porém
debilitando fortemente o roque, o que dá
motivo a que o branco execute uma "jogada
brilhante", que só não é tal porque existe
na posição uma ameaça latente contra o roque
negro e a torre branca domina a coluna 'f'
aberta.}
27. Rxf6 Nxd5 ({No se podia} 27... gxf6
{porque el mate seria inevitable despues de}
28. Qxf6 Rd7 ({o} 28... Qd7
29. Qh8+ Kf7 30. Qg7#) 29. Qh8+ (29. Qg6+
Kf8 (29... Rg7 30. Qxg7#) 30. Rf1+
Ke7 (30... Rf7 31. Qxf7#) 31. Qf6#) 29...
Kf7 30. Qg7#
{Las negras entonces no toman la torre e
idean otra replica para zafarse de la
comprometida situacion.})
28. Rf8+
{Entrega a torre outra vez!. E as negras
abandonam.
A jogada é decisiva. O rei não pode
"escapar". O mate é inevitável com outro
"brillantismo" que não é tal, senão uma
jogada correta que define a partida.} (
28. Qxd5+ {El caballo no puede ser tomado
con la dama a causa de} 28... Rxd5) (
{Ni puede tomarse con el peon porque} 28.
cxd5 Qxd4+ 29. Bxd4 gxf6
{CONCLUSÃO:

"A máquina" é um bom recurso tático quando


se sabe usar e pode dar lugar a partidas
"brilhantes". Porém, não nos entusiasmemos
muito, porque é uma coisa muito simples e
porque A MÁQUINA SÓ É RECOMENDÁVEL QUANDO O
CAVALO DE 'F5' TIVER DESAPARECIDO E EM
POSIÇÕES ABERTAS. Em tais casos, ganha-se de
forma fulminante. Bom, amigos leitores,
finalizamos a quinta lição, esperando que
tenham gostado. Na próxima, tratarei de
outro tema interessante. Até breve.})
1-0

[Event "O PEAO DOBRADO"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 6"]
[Black "?"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "A40"]
[PlyCount "94"]

1. d4
{TRANSCRICAO pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na cidade de Maracaibo,
Estado Zulia, Venezuela. LICOES DO Dr RAFAEL
BENSADON EM APONTAMENTOS TOMADOS
PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA. Licao 6 O peao
dobrado Estimados leitores desta
pagina. Minha gratidao pelo interesse
demonstrado por estas licoes e meu
agradecimentos por sua motivacao de
continuar com as mesmas. LICAO 6 PROS E
CONTRAS DO PEAO DO BISPO DA DAMA DOBRADO.
Vamos tratar, hoje, de um caso muito
comum em muitas partidas: O PEAO DOBRADO.
Ocorre que quem tem o peao dobrado
nao sabe como se desfazer dele e o contrario
nao sabe como fazer valer essa
vantagem conseguida. Porque nao ha duvida de
que e uma desvantagem possuir
peoes dobrados e aquele que os tenha fara
bem se conseguir se livrar deles.
Apressemo-nos em dizer que: A ESTRATEGIA DOS
PEOES E A PARTE MAIS IMPORTANTE
DO XADREZ. E vamos demonstra-lo. Quando
falamos de bispo "mau" e de bispo
"bom", em que nos baseamos? Na posicao dos
peoes sobre o tabuleiro. Quando
falamos de posicoes "fechadas" ou "abertas",
que dao maior ou menor valor ao
cavalo, em que radica a diferenca? Na
colocacao dos peoes. Quando uma torre se
valoriza ao tomar uma coluna aberta, a que
se deve? Ao desaparecimento dos
peoes nesta mesma coluna. Como vemos, o
maior ou menor "valor" das demais
pecas gira em torno da situacao dos peoes no
tabuleiro. O PEAO E O ESQUELETO
DA PARTIDA, O PILAR DA CONSTUCAO. Se este
esqueleto e frouxo, a partida vem
abaixo. Hoje estudaremos o caso mais vulgar:
quando se dobra um peao na linha
do bispo da dama "linha c". E muito comum
que um bispo tome o cavalo
"cravado"na casa "c3"', dando xeque, o que
obriga a retomar com o peao de "b2"
e ja temos a posicao de peoes dobrados na
coluna "c". E evidente que nao so
existe uma vantagem pelo peao dobrado, senao
que em tais casos o peao da
coluna "a" fica isolado e fraco. E ja sao
duas coisas a explorar. Esta e uma
posicao classica, que se repete com muita
frequeencia. Diremos que ainda
quando o peao da dama esteja em sua casa
inicial, se o bispo toma o cavalo em
"c3" quase sempre ha que retomar com o peao
mais afastado do centro. Veremos
agora quando isto e bom e quando e mau. Para
sabe-lo, ha que raciocinar sobre
um pequeno quadrado, dentro do qual estejam
compreendidos esses peoes. Quase
sempre o quadrado mencionado esta formado
pelas casas c2 - c3 - d2 e d3. Se o
peao que esta ao lado dos dobrados (neste
caso, o peao da dama) se encontra
dentro do quadrado, a posicao dos peoes e
forte; nao representa maior
desvantagem (ex. c2 - c3- d3). Porem, quando
um dos peoes tenha saido do
quadrado, a posicao e fraca. E esta
debilidade esta precisamente na casa que
fica adiante do peao dobrado. Com os peoes
dentro do quadrado, vigia-se esta
casa e se impede que uma peca possa se
instalar ali. Se algum peao esta fora
do quadrado e um cavalo contrario se coloca
diante do peao dobrado, resulta
pouco menos que impossivel desaloja-lo, pois
havera que se utilizar do recurso
de troca-lo por um bispo, o que "nao e
negocio". As vezes, pode dar-se o caso
de que o peao da dama esteja fora do
quadrado (por exemplo: em c4), porem
existe a possibilidade de formar o quadrado
mais acima (casas c3 - c4 - d3 e
d4). Conseguindo-se isso, a posicao dos
peoes segue sendo forte. Do mesmo modo,
o quadrado poderia se formar mais adiante,
porem nao esquecamos que QUANTO
MAIS ADIANTADOS ESTEJAM OS PEOES, MAIS
DIFICIL SERA FORMA-LOS "EM QUADRO". Ha
outros casos de peoes dobrados,
especialmente os peoes centrais e o peao do
bispo do rei (peao de f), que estudaremos
outro dia. Quem tem peoes dobrados
deve tratar por todos os meios de desfazer-
se deles, o que nao e facil se o
adversario sabe jogar. QUANDO OS PEOES
DOBRADOS ESTAO ISOLADOS, SUA POSICAO E
SUMAMENTE FRACA E INSUSTENTAVEL. Vamos
reproduzir uma "partida exemplar",
jogada entre dois eternos rivais: Capablanca
e Alekhine, no torneio de Nova
York de 1924. BRANCAS: Capablanca NEGRAS:
Alekine Defesa Francesa, por
transposicao.}
1... e6
{Quase sempre que Alekhine jogava com
Capablanca fazia
este "convite" para jogar uma Defesa
Francesa. E Capablanca o aceitava.}
2. e4 d5 3. Nc3
{Hoje esta mais em moda jogar: 3.Cd2 desde
que Keres a implantou.
Possivelmente, a razao esta em que este
lance permite desenvolver-se mais o
branco e resulta mais eficaz.}
3... Nf6 {Ataca o peao central.} 4. Bg5
{Crava.} 4... Bb4 {Crava tambem.}
5. exd5
{Esta jogada poe a negras em um dilema:
podem
retomar o peao com a dama ou com o peao do
rei. Se o tomam com o peao se
produz uma partida que quase sempre e
empate.} (
5. e5 {
Nao seria bom 5.e5 devido a} 5... h6 {e se}
6. Bh4 g5 7. Bg3 Ne4
8. Qd3 Bxc3+ 9. bxc3 {dobrando o peao.})
5... Qxd5 6. Bxf6
{Nao e muito conveniente "matar"
o cavalo com o bispo, porem a dama negra
ameacava o bispo, que devia se
retirar ou jogar Cf3 dando a iniciativa ao
negro, que jogaria Ce4 ou Cc6, etc.
Capablanca optou por dobrar um peao na
coluna "f", mas as negras tambem podem
fazer o mesmo na coluna "c" e nao se fazem
de rogada.}
6... Bxc3+ 7. bxc3 gxf6
{E ja temos peoes dobrados por ambos os
lados. Uma pergunta: Qual dos
dois tem seus peoes em melhor posicao? O
negro, porque seus peoes estao dentro
do quadrado. Entretanto, observemos que o
branco pode igualar, formando seu
quadro um pouco mais acima, pondo o peao
dobrado em "c4" e o outro em "c3",
com o que fara o quadrado das casas c3 - d3
e d4. E isso sera o que fara
Capablanca, ainda que, por enquanto, nao
tenha pressa e seu primeiro movimento
seja para evitar definitivamente o roque
curto das negras.}
8. Qd2 Nd7
{
O negro trata de levar este cavalo a casa
"b6" para impedir o avanco do peao
dobrado e para se instalar logo em "c4". Por
isso, as brancas dever se
apressar e jogam.}
9. c4 Qe4+ {Para reconquistar o tempo
perdido.} 10. Ne2 Nb6
{A partida gira em torno do peao dobrado
branco. Este foi obrigado a
jogar 10.Ce2, obstruindo a diagonal do
bispo, e agora esta ameacado de perder
o peao de "c4". Capablanca se defende
indiretamente.}
11. f3 Qc6
{
Continua a pressao sobre o peao dobrado
"convidando-o" a avancar. JA SABEMOS
QUE QUANTO MAIS AVANCADOS ESTEJAM OS PEOES,
MAIS DIFICIL SERA FORMA-LOS EM
QUADRADO.}
12. c5 Nd5 13. c4
{Formou o quadrado! Capablanca, conhecedor
da
teoria que estamos expondo, aproveitou a
ultima oportunidade que lhe restava
para formar seu quadrado de casas c4 - c5 -
d4 e d5. Agora seu peao dobrado e
forte e muito mais porque esta bem avancado
em campo inimigo.}
13... Ne7 {
Unica casa disponivel.} 14. Nc3 f5 $5
{O cavalo branco ameacava se
instalar em "e4", atacando o peao dobrado.
Para impedir isso, Alekhine o
avancou a "f5" desfazendo seu quadrado.
Porem, que remedio restava? (Dos males,
o menor). Alem disso, podera formar seu
quadrado um pouco mais acima,
avancando a "f6" o outro peao (casas f6 - f5
- e6- e e5).}
15. Be2
{Era necessa
rio desenvolver o bispo do rei e o melhor
era coloca-lo em "e2", ainda que
talvez jogasse um pouco mais em "d3". Mas
NAS ABERTURAS, NUNCA E CONVENIENTE
COLOCAR UMA PECA QUE CORTE A ACAO DA DAMA
SOBRE O PEAO DA DAMA.}
15... Rg8
{
Pressiona o ponto debil e poe as brancas em
uma encruzilhada. Nao e possivel
rocar grande porque os peoes deste flanco
foram adiantados e o rei estaria
desguarnecido. Resta-lhes rocar curto ou nao
rocar. Se rocam, poem o rei na
mesma coluna da torre e, se nao rocam,
tambem estara o rei muito exposto.
Ainda que seja muito perigoso, Capablanca
opta por rocar, pensando que mais
adiante levara seu rei a "h1".}
16. O-O Bd7 {
Sua acao e muito restringida pela ma
colocacao de seus peoes.}
17. Qe3
{
Para que? Para pressionar o rei negro e
defender o peao dobrado atraves de seu
peao dama. Tambem prepara eventualmente
"d5", forcando a desdobrar seus peoes,
ja que a dama negra nao tem muitas casas de
escape.}
17... b6
{Isto e uma ssao
de inferioridade por parte do negro. Permite
desdobrar os peoes brancos e
demonstra que se sente em apuros. Capablanca
aproveitou para jogar:}
18. Rfd1
{
Entrega um peao, como ja veremos na partida,
porem dobra outros peoes negros e
pressiona fortemente, reconquistando-o.}
18... bxc5 19. d5 Qb6 20. dxe6 Qxe6
{Era evidente que das tres pecas que podiam
tomar o peao branco, a melhor
era peao por peao (desdobrando), porem
Alekhine anteviu o final e deseja
trocar as damas a todo custo. O branco se
opoe, como e logico.}
21. Qxc5
{
Recuperando o peao entregue e deixando o
negro com seus peoes dobrados na
coluna bispo rei. O negro insiste em trocar
as damas.}
21... Qb6 22. Qf2
{
Ja que nao ha mais como evitar a troca de
damas, as brancas preferem que seja
na casa "f2". Ha varias razoes: Primeiro,
que em "b6" se uniriam os peoes
isolados do negro. Segundo, que o rei branco
nao pode escapar da coluna cavalo
rei e poderia sair dali ganhando um tempo.
Terceiro, que em alguns casos "c5"
poderia impedir a troca das damas.}
22... f4 23. Rab1 Qxf2+ 24. Kxf2
{
Facamos um balanco: As negras conseguiram
seu objetivo ao trocar as damas,
porem a quem favorece a posicao? Nao ha
vantagem "material" para nenhum lado.
Entretanto, os peoes dobrados do branco
desapareceram, enquanto o negro tem
dobrados seus peoes na coluna do bispo do
rei e, agora, sem possibilidades de
fazer a formacao em "quadrado" por haver
desaparecido o peao do rei. E ja
dissemos que OS PEOES DOBRADOS CAEM COMO
FRUTA MADURA. E evidente, pois, que
as negras estao em posicao inferior. A que
se deve esta diferenca? A que o
branco jogou seu peao dobrado na formacao
que hoje estamos tratando, enquanto
o negro nao observou esta regra com os seus.
So isso seria suficiente para
deixa claramente estabelecido de que forma
se deve jogar os peoes dobrados.
Porem, continuemos com a partida:}
24... Bc6 25. Rd4 {Ataca o peao dobrado.}
25... Ng6 {Defende.} 26. Bd3
{Ameaca B x g3 e logo T x f4.} 26... Nh4
{
Jogada ativa, que entrega o peao dobrado,
porem ameaca tomar o peao de "g2"
com xeque.}
27. Bf1 {Defendendo o peao em "g2".} 27...
Ng6 {
O branco ganha um tempo.}
28. Ne2 Ke7 29. Re1 Rgb8 {Busca contra-
chances.
} 30. Nxf4+ {Descoberto.}
30... Kf8
{E caiu o peao dobrado! As brancas
obtiveram, pois, vantagem material. Na
realidade, para esta licao a partida
terminou. Os jogadores que conduziam as
pecas, Capablanca e Alekine, sao
daqueles que sabiam o que faziam; de maneira
que a diferenca de material nao
pode ser atribuida a "trapalhadas", senao
que a detalhes estrategicos. AS
BRANCAS JUGARAM O PEAO DOBRADO SEGUINDO A
TEORIA DO QUADRADO, ENQUANTO QUE AS
NEGRAS O FIZERAM APARTANDO-SE DELA. Ficou,
pois, demonstrado como se deve
jogar com o peao do bispo da dama dobrado e,
por contraste, vimos os maus
resultados que traz o afastamento da regra.
Entretanto, como a partida e muito
interessante, seguiremos seu desenvolvimento
sem maiores comentarios.}
31. Nxg6+ $2
{Nao ha duvida de que este e um erro de
Capablanca. Com 31.Cd5
haveria ganho com relativa facilidade. E e
um erro que une dois peoes isolados
do negro, ao mesmo tempo que os centraliza e
elimina seu cavalo, que lhe seria
muito util neste final, onde teria um peao a
mais e o negro quatro peoes,
todos isolados. Capablanca pensou que com o
peao a mais deveria ganhar de
qualquer forma. Por isso decidiu eliminar
pecas e este foi seu erro, porque EM
FINAIS DE TORRES UM, OU MESMO DOIS, PEOES A
MAIS PODEM NAO SER SUFICIENTES
PARA GANHAR}
31... hxg6 {Unindo e centralizando.} 32. Bd3
Rb2+ 33. Re2 Rab8 34. Be4 $2
{
Para trocar, porem e outro erro de
Capablanca, pelo que veremos na continuacao.
}
34... Rxe2+ 35. Kxe2 Bxe4 $1
{
Aqui vemos o outro erro de Capablanca,
explorado por Alekhine .} 36. fxe4
{
Desliga outro peao. Alem disso, NOS FINAIS
DE TORRES, CASO SE DEIXEM OS BISPOS,
TORNAM-SE MUITO DIFICEIS ECONVEMELIMINA-LOS}
(
36. Rxe4 {
Nao serve 36.Txe4 devido a} 36... Rb2+
{
e o negro ganha o peao de "a2" ou o de
"g2".}) 36... Ke7 37. Rd2
{evita xeques.
} 37... Ke6 38. Ke3 f6 {espera} 39. h4 $2
Rh8 40. g3 Rh5
{
Muito bem instalada; corta todo o jogo do
branco.} 41. Rh2 {Pretende "g4".}
41... Ra5 42. Kf4 c6 43. Rc2 Re5 44. c5 $2
{Corta a comunicacao da torre negra;
reduz sua mobilidade, porem escraviza a
torre branca na defesa do peao,
perdendo tambem mobilidade.}
44... Rh5 45. Rc3 {( espera )} 45... a5 {
Nao ha perigo.} 46. Rc2 {( espera )}
46... Re5 47. Rc3 {( espera )} 47... Rh5
{
E depois de varias jogadas, a partida foi
declarada EMPATE. Somente Alekhine
pode salvar a diferenca de material causada
pela ma conducao de seu peao
dobrado. Para isso, viu-se favorecido pelos
erros de Capablanca nos lances 31.
C x C + y 34. Ae4. Depois disso, as brancas
nao puderam forcar porque : OS
FINAIS DE TORRES E PEOES SAO COMPLEXOS E
TRAICOEIROS. Assim mesmo, sempre
conservou um peao a mais. RESUMO: Ja sabemos
como se deve jogar os peoes
dobrados na coluna do bispo dama. Caso se
consiga mante-los numa formacao "em
quadro", nao sao fracos e podem se tornar
fortes e pressionar no flanco dama
do rival. TUDO CONSISTE EM QUE O PEAO DAMA
NAO SAIA DO QUADRADO QUE HOJE
ESTUDAMOS. PORQUE, CASO SAIA, DEIXA MUITO
FRACA A CASA EXISTENTE DIANTE DO
PEAO DOBRADO E SERA MUITO DIFICIL DESALOJAR
QUALQUER PECA ADVERSARIA QUE ALI
SE INSTALE. Bom, amigos leitores, esta foi a
licao de hoje. Ja teremos
oportunidade de ver os casos do peao do
bispo rei dobrado e dos peoes centrais
dobrados. Espero que aprendam muito desta
licao. Ate breve. Profesor. Erich
Gonzalez E - mail: edgonzal@luz.ve
(Traducao: Elias Muniz)}
1/2-1/2

[Event "POSICOES APARENTES"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 7"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "A45"]
[PlyCount "53"]

1. d4
{Posicoes aparentes. Saudacoes, amigos
leitores desta pagina. A licao de
hoje trata de um tema muito interessante.
Isto se apresenta em muitas partidas
e, quando acontece conosco, nos lamentamos e
inventamos uma serie de desculpas
e lamentos quando perdemos a partida. LICAO
7: POSICOES APARENTES Vamos
explicar um caso que para os jogadores novos
resulta dificil compreender; Quer
dizer, dificil de explicar porem facil de
fazer. Esclarecamos: um jogador, em
certo momento da partida ACREDITA QUE CHEGOU
A UMA POSICAO BOA (e pode ser boa)
, O JOGADOR SABE QUE E BOA E NO ENTANTO NAO
JOGA COM A PRECISAO REQUERIDA E
PERDE. Parecia-lhe que "ja estava ganha" e
se jogasse "qualquer coisa" ganhava.
Porem faz uma "capivarada" e perde. Depois
ouviremos suas lamentacoes: "Eu
estava melhor, fiz uma capivarada e perdi".
Outros, mais impacientes, quando
acreditam que estao melhor, lancam-se sobre
as posicoes inimigas e perdem.
Destes ouviremos: "eu estava muito melhor,
fiz um ataque furioso, vi tudo
claramente, mas me equivoquei e perdi". Isto
se chama nao ter tranqueilidade e
se deve a inexperiencia. QUANDO SE ESTA
MELHOR, NAO SE DEVE ACREDITAR QUE COM
"QUALQUER COISA" SE GANHA; deve-se tratar de
conseguir o maximo da posicao,
sabendo que, assim como se obteve a posicao
melhor, deve seguir pensando para
arrematar a partida. Contra essas
"capivaradas" nao se pode dar regras fixas,
porem se pode dar alguns conselhos e estes
surgirao da partida que hoje vamos
analisar. Acontece comumente que o
aficionado que "esta ganho" fique nervoso e
faca uma "capivarada" (ma jogada) . Como se
deve fazer para nao cair nesse
erro? Um dos conselhos seria: NAO PENSAR QUE
"ESTA GANHO" E SEGUIR BUSCANDO A
MELHOR JOGADA. E outro: CALCULAR NAO SO SEUS
PROPRIOS MOVIMENTOS, MAS TAMBEM
OS DO ADVERSARIO. Existem muitas posicoes
"aparentes" nas quais quem
"ACREDITA" que esta melhor nao esta. Ou, se
esta, e tao pouca a diferenca que
nao o autoriza a pensar que "esta ganha". A
partida que veremos mostra uma
dessas "posicoes aparentes" e foi jogada no
torneio de Londres entre os
mestres Bogoljubov e Winter, que era campeao
ingles nesta epoca. O primeiro
era um jogador muito mais acostumado a
grandes torneios, muito mais
"cancheiro" que o campeao ingles, e jogou
toda a partida com tranqueilidade,
pensando que podia supera-lo no momento que
achasse oportuno. BRANCAS:
BOGOLJUBOW NEGRAS: WINTER}
1... Nf6 {A mais elastica.} 2. Nf3 {
Limita as variantes do negro.} 2... e6
3. c4 Bb4+
{Bogoljubow este xeque
como o melhor para as negras. Agora lhe
tocara refutar seus proprios conselhos.
Contra 3......Bb4+ dizia Bogoljubow que o
melhor e 4.Bd2; porem nao o faz,
porque calcula que joga com um rival
inferior e deseja mete-lo em variantes
que talvez nao conheca.}
4. Nbd2
{Isto se faz com a ideia de atacar, mais
adiante, o bispo negro com a3, forcando a
troca pelo cavalo. Se o cavalo
branco tivesse saido por c3, ao se produzir
esta situacao, os peoes seriam
dobrados na coluna do bispo da dama e
Bogoljubow quer evita-lo.}
4... b6
{
O negro prepara um fianchetto de dama, que
neste caso nao e indicado porque o
peao do rei branco ainda nao foi movido e,
entao, as brancas podem opor um
fianchetto de rei, que como ja sabemos e
superior. Porem Bogoljubow nao quer
jogar "o normal" e faz:}
5. a3 Bxd2+
{Evidentemente, se 5...Ba5 6.b4
perdendo peca e 5...Be7 perde um tempo. O
melhor era trocar, tal como havia
previsto Bogoljubow. Com o que se deve tomar
este bispo? Descartemos o rei,
por razoes obvias. Se o capturamos com o
bispo branco 6.Bxd2 Ce4 e teria que
troca-lo pelo cavalo; se 6.Dxd2 Ce4 e
perdemos um tempo.} (
5... Ba5 6. b4 {
perdendo peca.}) (5... Be7 {perde um
tempo.}) 6. Nxd2 (
6. Bxd2 Ne4 {
e teria que troca-lo pelo cavalo.}) (6. Qxd2
Ne4
{e perdemos um tempo.}) 6... Bb7 {evita e4.}
7. Qc2 {Para fazer e4.} 7... d6 (
7... d5 {
o caminho do bispo ficaria fechado.}) 8. b4
{Para fazer o fianchetto.} 8... O-O 9. Bb2
{Natural.} 9... c5
{
Teria sido conveniente primeiro prepara-lo
com 9...Cbd7.} 10. e3 Nbd7
11. dxc5
{O branco toma o peao do bispo com o peao da
dama para abrir a diagonal de seu
bispo e para colocar o negro num dilema.
Nisto demonstra sua tranqueilidade.
SEMPRE QUE SE POSSA COLOCAR O ADVERSARIO EM
UM DILEMA NAO SE DEVE PERDER A
OPORTUNIDADE. Ha que jogar tambem
psicologicamente. Porque se em certo momento
ha varias jogadas ruins e uma so boa,
devemos "obrigar" o adversario a
encontra-la. E se nao a encontra... Ao negro
se lhe coloca este problema: com
o que deve retomar? Descartemos o cavalo.
Restam d6 e b6. Sabemos, como regra
geral, que se deve tomar com o peao mais
distanciado do centro. Porem NO
XADREZ NAO HA REGRA FIXA; NAO SE PODE
REDUZIR O XADREZ A PILULAS, PORQUE ENTAO
SERIA QUESTAO DE SE TOMAR A DOSE INDICADA E
O JOGADOR GANHARIA TODAS SAUS
PARTIDAS. Toda regra tem excecoes e este
caso e a excecao. HA QUE JOGAR SEMPRE
PENSANDO E NAO SUPERESTIMAR NOSSOS
CONHECIMENTOS DE TAL OU QUAL REGRA.}
11... dxc5
{Com esta jogada, restam no flanco da dama 3
peoes contra 3. E agora e ao
branco que se lhe coloca um problema: sua
vantagem esta em que conserva o par
de bispos, porem, em troca, seu rival ja tem
todas as pecas desenvolvidas,
enquanto ao branco falta desenvolver o bispo
rei e rocar. Pode sair este
bispo? Analisando-se um pouco, pode-se ver
que sim.} (
11... bxc5 {
, o peao da casa a7 fica isolado e, com} 12.
b5
{o branco teria 3 peoes contra
2 no flanco dama, o que lhe daria uma
superioridade que logo poderia
aproveitar. Por isso, sempre ha que
analisar.})
12. Bd3 Qc7
{Ameaca o fut
uro roque. Se 12...Bxg2 seguiria 13.Tg1 Bb7
14.Bxh7+ e se 14...Cxh7 15.Txg7+
Rh8 16.Dxh7#.} (
12... Bxg2 {seguiria} 13. Rg1 Bb7 14. Bxh7+
{e se} 14... Nxh7 15. Rxg7+ Kh8
16. Qxh7#) 13. O-O Ne5
{A ninguem se lhe ocorreria trocar
o bispo pelo cavalo, porque o par de bispos
apontando para o roque adversario
e muito forte; nao seria negocio trocar um
forte bispo por um cavalo.
Observemos outra coisa: o roque do negro e
um pouco superior ao do branco,
porque tem seu cavalo em f6 e as brancas
nao.}
14. Ne4 {
Nao convem 14.Cf3 devido a 14...Cxf3+.} (14.
Nf3 {e fraco devido a}
14... Nxf3+) 14... Nfg4 $2
{Estudemos o que viu Winter. Conforme a
resposta das brancas,
seguiria : 15.....Cxh2; 16.Rxh2 Cf3+ 17.Rh1
y Dh2++. Se o rei escapa por h3,
vem tambem 17.Dh2+ e o mate se produz poucas
jogadas depois. Havia tambem
outra combinacao parecida: 15......Cf3+ gxf3
e Dxh2++. Porem Bogoljubow,
jogador "cancheiro" e experimentado, viu
tudo isto, demasiado simples para um
mestre de sua talha e jogou tranquilo:} (
14... Nxd3 {Nao seria bom porque segue
} 15. Nxf6+ gxf6 16. Qxd3
{e as negras ficam com peoes dobrados na
coluna do
bispo rei, enquanto as brancas teriam dama e
bispo apontando para o roque, com
grandes possibilidades de "montar a
maquina".})
15. Ng3 {
Logica. Corta a acao da dama em h2 e destroi
a combinacao,} 15... f5
{
Esta jogada e produto da ma apreciacao. O
negro segue calculando suas proprias
jogadas, porem nao as do adversario. Correto
teria sido Cxd3, porem as negras
nao querem perder seu ataque. Bogoljubow
segue tranqueilo. QUANDO FALTA O
CAVALO DE f3 EXISTE UMA MANEIRA DE
SUBSTITUI-LO DE MANEIRA EFICAZ. (que Lasker
praticou muito), E QUE CONSISTE EM COLOCAR
OUTRO CAVALO EM f1, onde estara
melhor do que em f3 e defendera a casa h2.
Por isso joga sem afobamento.}
16. Rfe1 h5 17. Be2 (17. Nxh5 {Nao e
possivel devido a} 17... Nxd3 18. Qxd3
Qxh2+ 19. Kf1 Bf3 20. gxf3 Qxf2#) 17... h4
{O branco joga tranqueilo, como se
dissesse: "Deixe que venha", enquanto o
negro continua obcecado em ganhar por
mate. Fez h4 pensando: "Vou lhe destrocar!",
porem sem se dar conta de que o
cavalo em f1 estara melhor.}
18. Nf1 h3 {Forcando tudo.} 19. gxh3 Qc6
{A maquina! Esta era a jogada "chave" que se
reservavam as negras;
entregariam o cavalo, mas armariam "a
maquina", com a qual dariam mate em g2 e
h1. Porem as brancas o haviam previsto.}
20. e4 {A unica possivel.} 20... fxe4
{Este e o momento justo em que se rompeu a
maquina e se terminou o ataque.
Winter havia calculado: 21. f3 a o que
seguiria Cxf3, etc. Porem Bogoljubow
respondeu:}
21. b5 $1 {A jogada intermediaria.} 21...
Qd7 {Que remedio?} 22. Bxg4 Nxg4
23. hxg4
{As negras tem uma peca a menos; estao
perdidas. Entretanto,
"tiram um lance da cartola".}
23... Rf3 24. Re3 {Para trocar.} 24... Raf8
25. Rxf3 exf3 {Terminou o ataque.}
26. Rd1 Qe7 {
Ameacando "entrar" por h4.} 27. Qg6
{E as negras abandonam. As negras nao tem
jogada satisfatoria e optam por abandonar,
antes de seguir uma luta desigual.
Onde esta o erro do negro? Pode-se dizer que
"se equivocou" em algum
movimento? Nao. E, no entanto, perdeu. Agora
virao os lamentos "nao sei como
perdi, se eu estava melhor!", dira depois.
Porem, esta certo isso? Dissemos
que nao. A posicao era aparente e o erro
partiu de calcular seus proprios
movimentos, porem nao os do adversario. Nao
estava melhor. Acontecem muitas
posicoes como esta, aparentes. E QUANDO UM
JOGADOR ACREDITA QUE A PARTIDA ESTA
GANHA, NAO E QUESTAO DE SE LANCAR A UM
ATAQUE DESORDENADO, NEM DE JOGAR
"QUALQUER COISA"; HA QUE SEGUIR PENSANDO.
ESTES SAO MEUS CONSELHOS. NO XADREZ,
E MAIS DIFICIL ATACAR DO QUE SE DEFENDER,
porque ha que encontrar sempre a
jogada justa; enquanto que, para se
defender, existem muitas que podem servir.
Entretanto, os aficionados preferem atacar a
se defender; e mais bonito, o
jogador esta de melhor semblante, e mais
alegre. E ao contrario do que ocorre
em outros esportes: NO XADREZ, O MELHOR
ATAQUE E UMA BOA DEFESA. Bom, amigos
leitores, finalizamos esta setima licao,
muito simples, porem de muita
importancia para nos conscientizar de que
quando estamos melhor nao significa
que tenhamos a vitoria garantida. Pense
sempre antes de jogar. Ate breve.
Profesor. Erich Gonzalez E - mail:
edgonzal@luz.ve TRANSCRICAO Pelo Profesor
ERICH GONZALEZ, na Cidade de Maracaibo,
Estado Zulia, Venezuela, das LICOES DO
Dr RAFAEL BENSADON, EM APONTAMENTOS TOMADOS
PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.
(Traducao: Elias Muniz)}
1-0

[Event "O PEAO DO BISPO REI DOBRADO"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO - 8"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "C47"]
[PlyCount "57"]

1. e4
{O peao do bispo rei dobrado e suas
debilidades Minhas saudacoes, amigos
leitores. Uma vez mais com voces e uma nova
licao para que melhorem seu jogo.
Muitissimo obrigado por suas opinioes a
respeito. LICAO 8 - COMO EXPLORAR O
PEAO DO BISPO REI DOBRADO. Vimos em uma das
licoes passadas o caso do peao do
bispo dama dobrado. Hoje veremos o caso do
peao do bispo rei dobrado. Desde ja,
diremos que a coisa e muito mais grave. Qual
e a razao? Quando se dobra o peao
do bispo dama, quase nunca se tera feito o
roque grande, que e menos praticado,
e entao e raro que o rei esteja no flanco
dama. Por outro lado, quando se
dobra o peao do bispo rei e nao se fez o
roque curto, e quase seguro que
devemos renunciar a ele; e se o rei ja esta
rocado nesse flanco, a coisa e
muito pior. Todavia, diremos que a dobrada
do peao do bispo rei e ainda mais
grave quando se produz em uma abertura de
peao rei, porque o mencionado peao
rei tera sido avancado a quarta casa e
resulta dificil formar o quadrado de
que falamos na licao anterior. Quando a
dobrada do peao do bispo rei se produz
em uma abertura de peao dama, apesar de ser
grave, nao o e tanto porque sempre
ha contra-chances: podem formar-se os peoes
"em quadro". Porem, quando o peao
do rei avancou a sua quarta casa, deixou de
controlar a casa quatro bispo rei
e se produz a dobrada de peoes de que
falamos. SE UM CAVALO SE INSTALA DIANTE
DO PEAO DOBRADO, QUASE NUNCA SE PODE
DESALOJA-LO, E ISTO E DECISIVO. Pode-se
afirmar que a partida esta cerca de 90%
perdida e com maior razao quando a
dama, uma torre ou os bispos podem "entrar"
no flanco rei e "assaltar" o roque
curto. Por isso, como diziamos antes, no
flanco dama ha mais defesa do que no
flanco rei. Vejamos: se se produz a dobrada
de peoes na coluna do bispo dama,
fica muito fraco o peao da torre dama e a
casa a3 fica sem controle, porem
isso nao e muito perigoso porque nosso rei
dificilmente estara por "esses
lados". Pelo contrario, ao se produzir a
dobrada do peao do bispo rei, tambem
fica fraco o peao da torre rei e as casas
adjacentes ao roque curto, e isto e
muito importante, dado que em seguida pode-
se tramar uma combinacao direta
sobre nosso rei e a partida termina por
mate. Por isso, devemos evitar que nos
dobrem peoes na coluna do bispo rei. Se isto
acontecer e se um cavalo se
situar na casa f5, o jogo estara
praticamente decidido. A partida que
transcrevemos foi jogada no Torneio de
Ransgate e nos servira para ver como se
explora a debilidade do peao do bispo rei
dobrado, ao mesmo tempo que servira
para nos dar algumas ideias sobre a
"abertura simetrica". Abertura de los
Quatro Cavalos (Simetrica) BRANCAS: MAROCZY
NEGRAS: YATES}
1... e5 2. Nf3 Nc6 3. Nc3 Nf6
{Ja temos caracterizada a Abertura dos
Quatro Cavalos. E
interessante pela simetria que se estabelece
sobre o tabuleiro. A unica
vantagem que o branco conserva e a do inicio
do jogo.}
4. Bb5 {A melhor.} 4... Bb4 5. O-O O-O 6. d3
d6
{Ate agora, o negro respondeu com os mesmos
movimentos do branco. Entretanto, A SIMETRIA
SO PODE SEGUIR ATE UM CERTO
MOMENTO, DADO QUE SE O BRANCO CHEGASSE A DAR
MATE, O NEGRO FICARIA
IMPOSSIBILITADO DE DAR O SEU. Havera pois,
que se desviar da simetria. O
melhor lance que o branco tem agora e 7.Bg5,
porem Maroczy quer romper a
simetria, ja que seu rival parece aferrado a
ela.}
7. Ne2
{(para rompe r
simetria), Con este analisis queda
demostrado lo que deciamos: que la:
SIMETRIA NO PUEDE PROLONGARSE
INDEFINIDAMENTE; dado que llegara un momento
en
que el blanco dara mate, y el negro se queda
sin el turno para dar el suyo; EL
TIEMPO DE VENTAJA EN LA APERTURA ES VITAL.
este fue un comentario al margen,
ya que se presento la oportunidad de hablar
de la aperturasimetrica. Pero
continuemos con la partida} (
7. Bg5
{Diziamos que a simetria so pode ser
mantida ate um certo momento, e o
demonstraremos. Se as brancas jogam este
lance, poderia seguir}
7... Bg4 8. Nd5 Nd4 9. Nxb4 Nxb5 10. Nd5 Nd4
11. Qd2
{
entregando uma peca, porque se} 11... Bxf3
12. gxf3 (12. Bxf6
{
o branco pode jogar 12.Bxf6} 12... gxf6
(12... Qd7
{E melhor para o negro nao
tomar o bispo, senao que responder
simetricamente. 12...Dd7 a que seguiria}
13. Qg5 {amecando mate direto, podendo o
negro responder de duas maneiras:}
13... Qg4 {(simetrica).} (13... g6 {A isto,
segue} 14. Qh6
{
e o mate em g7 nao pode ser evitado.}) 14.
Ne7+ Kh8 {e} 15. Bxg7#) 13. Qh6
{e nao se pode evitar a perda da dama para
evitar o mate.} 13... Bg4 14. Nxf6+
Qxf6 15. Qxf6
{Com esta analise, fica demonstrado o que
diziamos: que a
simetria nao pode se prolongar
indefinidamente, dado que chegara um momento
em
que o branco dara mate e o negro fica sem
tempo para dar o seu. O TEMPO DE
VANTAGEM NA ABERTURA E VITAL. Este foi um
comentario a margem, ja que se
apresentou a oportunidade de falar da
abertura simetrica. Porem continuemos
com a partida.})
12... Nxf3+ {duplo no rei e na dama.}) 7...
Ne7 {
Continua simetrico.} 8. Ng3
c6 9. Ba4 Ng6 10. c3 Ba5
{E estamos outra
vez em uma posicao simetrica. Porem e a
ultima vez que se produzira.}
11. d4 Be6 {Poderia ainda imita-lo porem
prefere romper a simetria.} 12. Bb3
Bxb3 $2
{Ate agora, a simetria deu bom resultado ao
negro. Tem suas
pecas bem desenvolvidas e saiu da abertura
sem gastar tempo no relogio; nao
teve que pensar muito, seguiu os mesmos
planos do adversario. Entretanto, ao
trocar Bxb3 cometeu um erro, pois trocou seu
bispo "bom" pelo bispo "mau" do
branco. Observemos: os peoes do rei estao
fixos no centro e, ainda que sejam
trocados, ali ficariam longo tempo, o que
fara "bom" o bispo dama do branco e
reduzira a mobilidade do bispo que resta ao
negro. Com que peca se deve tomar
este bispo? Recordemos que QUANDO NAO HAJA
UMA RAZAO IMPORTANTE, NAO HA PORQUE
DOBRAR OS PEOES. Ademais, ao tomar com a
dama, se ameaca o peao da casa b7,
ganhando um tempo.}
13. Qxb3 Bb6 $1
{As negras defendem indiretamente
seu peao de b7 e tomam uma diagonal em cujo
extremo esta colocado o rei branco.
Portanto este movimento e muito bom.}
14. dxe5 dxe5 15. Bg5 $1
{
Crava o cavalo. Onde deve ser colocada a
dama negra?} 15... Qe7 (15... Qd6
16. Rad1) (15... Qc7 16. Bxf6 gxf6
{dobrando um peao na coluna bispo rei. E
aqui vem o que diziamos no inicio. Se o
branco instala logo um cavalo em f5, a
partida esta quase ganha.})
16. Rad1 Rad8 {Disputa a coluna.} 17. Nh5
{
Esta jogada e logica: se o cavalo negro de
f6 esta cravado, trata-se de trazer
outra peca que pressione esse cavalo. Porem
ha que ter visto muito para fazer
isso: com as replicas que darao as negras,
perde-se um peao sem compensacao.
Maroczy o tinha previsto depois de uma seria
analise e o faz porque viu mais
alem.}
17... Rxd1 18. Rxd1 Bxf2+ {
A combinacao que diziamos deu seu fruto.}
19. Kf1 (
19. Kxf2 {segue} 19... Nxe4+ 20. Kf1 {e
logo} 20... Nxg5
{
ganhando dois dos peoes e com forte "ataque"
das negras.}) 19... Bb6
20. Bxf6 $1
{Foi melhor tomar com o bispo, pelo que
explicamos: convem conservar os
cavalos para instala-los logo diante do peao
dobrado.}
20... gxf6 21. Rd7 Qc5
{Entretanto, a partida nao esta decidida e o
negro ameaca com a maquina.
Em uma das licoes anteriores dissemos que A
MAQUINA, AINDA QUE SEJA UMA JOGADA
SIMPLES, E FORTE, PORQUE OBRIGA AO CONTRARIO
A SE DEFENDER. Sabemos que a
maquina sempre ameaca dois xeques; na setima
e oitava casas. Neste caso, o
cavalo de f3 defende o xeque em g1, resta
por defender somente a ameaca de
mate em f2.} (
21... Qxd7 {nao era aconselhavel devido a}
22. Nxf6+
{
duplo no rei e na dama.}) 22. Qc2
{Defendendo-se} (22. Nxf6+
{
Neste momento nao e bom para as brancas
porque segue} 22... Kg7 23. Ng4 h5
{e se perde uma peca;}) (22. Nxf6+ {Tampouco
e bom porque segue} 22... Kg7
23. Ne8+ Kh8
{
e fica latente a ameaca da maquina, estando
as pecas brancas esparramadas.})
22... Nf4 {Trata de trocar os cavalos.} 23.
Nxf4 exf4
{Ficou dobrado
outro peao negro na coluna bispo rei. E nao
existe nenhuma possibilidade de
forma-los "em quadro". Se contamos os peoes
que ha sobre o tabuleiro, teremos
7 peoes para o negro e 6 peoes para o
branco. Entretanto, ainda que pareca um
paradoxo, afirmamos que o branco "tem um
peao a mais" A razao esta em que os
peoes dobrados do negro na coluna bispo rei
equivalem a um. Outra observacao:
estamos a um passo de que se produza a
situacao que preconizavamos no comeco:
O cavalo pode saltar a h4 e dali a f5, com o
que definira a partida.}
24. Qe2 Rd8 25. Rxd8+ (25. Rxb7 {nao e bom
porque segue} 25... Rd1+ 26. Qxd1
Qf2#) 25... Bxd8 {Desarmou-se a maquina.}
26. Nh4 $1 {(em marcha)} 26... Qg5
{
Este lance tem o objetivo de impedir um
xeque da dama branca em g4.} (
26... Bb6 {Se as negras voltam a montar a
maquina com 26...Bb6 segue} 27. Qg4+
Kf8 (27... Kh8 28. Qc8+ Kg7 29. Nf5+ Kg6 30.
Qg8+ Kh5 31. Qxh7+ Kg5 32. Qg7+
Kh5 33. Qh6+ Kg4 34. Qh4#) 28. Qc8+ Ke7
(28... Kg7 29. Nf5+ Kg6 30. Qg8+ Kh5
31. Qxf7+ Kg5 (31... Kg4 32. Qg7+ Kh5 33.
Qh6+ Kg4 34. Qh4#) 32. Qg7+ Kh5
33. Qh6+ Kg4 34. Qh4#) 29. Nf5+ {etc.,}) 27.
Nf5 $1
{Ja esta o cavalo na posicao ideal. Para as
negras, a situacao e grave. O cavalo nao
pode ser desalojado ( a menos que se
sacrifique a dama, o que seria um desatino).
Observemos que o unico bispo
negro corre por casas negras, nao
proporcionando nem o recurso de trocar o
bispo pelo cavalo. Neste momento, pode-se
assegurar que o negro esta perdido.
Como nao sabe o que fazer, na iminencia do
desastre, trata de trocar as damas,
e prepara com:}
27... h5 28. Qd2 {Ameaca o bispo.} 28... Bb6
29. h4
{E as negra
s abandonam. Com esta simples jogada 29.h4,
as brancas definem a partida. E
sobram casas para a dama branca. Dado que o
bispo deixou de controlar a casa
e7 e pela colocacao privilegiada do cavalo
branco, a dama negra nao pode ir
nem a g6 devido a Ce7+ duplo, nem a g4
porque Ch6+ tambem com duplo no rei e
dama. Jogada simples e decisiva. Esta
partida e um exemplo pratico de como se
deve utilizar uma casa forte em f5 e de como
se explora o peao dobrado na
coluna bispo rei. Bom, amigos leitores desta
pagina, creio que nao e
necessario acrescentar mais nada. Espero que
esta licao sirva muito em vossa
aprendizagem do xadrez. E meu objetivo e
minha maior satisfacao, em nome desse
grande professor, Dr. Rafael Bensadon e de
seu excelente aluno Ernesto
Carranza. Ate a proxima licao. Prof. Erich
Gonzalez E- mail: edgonzal@luz. ve
(Traducao: Elias Muniz)}
1-0

[Event "AS CASAS CONJUGADAS"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 9"]
[Black "?"]
[Result "0-1"]
[ECO "C49"]
[PlyCount "68"]

1. e4
{Os "holes" (buracos) e as casas conjugadas
dos cavalos. Os cavalos sao
pecas especiais por sua propriedade unica de
saltar por cima das outras. O
cavalo odeia estar na borda do tabuleiro,
onde domina poucas casas, e esta
especialmente bem situado no centro. Esta
colocacao se faz ainda mais poderosa
se consegue se situar em casas do contrario,
que nao podem ser atacadas por
seus peoes:os denominados "holes" ou
buracos, casas desde as quais atacam
pontos importantes da posicao contraria e
das quais nao podem ser desalojados.
(Nota: o artigo usa o termo "casas
conjugadas" para se referir tanto a estas
casas em que os cavalos adquirem um poder
especial, como as casas em que um
cavalo pode saltar em cada novo movimento.
Fazemos notar este ponto para que
nao haja confusao no que diz respeito ao uso
deste termo na teoria dos finais
de peoes) Saudacoes a todos os leitores
desta pagina, meus agradecimentos pelo
interesse demonstrado nestas licoes. Tem
sido para mim um grande motivo de
satisfacao e felicidade o fato de poder
ajudar-lhes a elevar seu nivel de jogo
e espero que tirem o maximo proveito das
mesmas. LICAO 9 - AS CASAS CONJUGADAS
Hoje trataremos de um tema que se refere ao
movimento dos cavalos. Para poder
entender o que e isto de "casas conjugadas"
ou "casas relacionadas" ha que
prestar atencao aos saltos de cavalos.
Trata-se de algo simples: QUANDO UM
CAVALO SAI, NORMALMENTE POR VIA f3, f6, c3 e
c6 imediatamente dispoe de 8
casas principais a seu redor, em qualquer
das quais poderia se instalar.
Existe pois uma vinculacao entre essa casa e
as 8 que rodeiam o cavalo. Quando
o cavalo da um novo salto, existem outras 8
casas as quais pode chegar, com as
quais se estabelecem relacoes, apesar de
que, a primeira vista, nao tenham
conexao entre si. Estas sao as casas
conjugadas. O JOGADOR DEVE PREVER OS
PROXIMOS SALTOS DE CAVALO E DEFENDER POR
ANTECIPACAO AS CASAS CONJUGADAS. Isto
tem grande importancia, porque essas casas
nao sao tao faceis de ver como o
seriam as casas que domina um bispo em uma
diagonal ou uma torre em uma coluna
aberta. Ademais, um cavalo tem a sua
disposicao essas 8 casas e salta por cima
das demais pecas para chegar a elas, razao
pela qual nao se pode interpor
peoes ou pecas que cortem sua acao, tal como
se poderia fazer com os bispos,
as torres e a dama, colocando-lhe obstaculos
no caminho de sua diagonal ou de
sua linha, que restrinjam seus movimentos.
CONTRA O CAVALO E NECESARIO
DEFENDER POR ANTECIPACAO AS CASAS
CONJUGADAS, CASO SE QUEIRA EVITAR SEUS
SALTOS. Ha que levar em conta a rede de
casas que o cavalo domina e
estabelecer quais sao as principais. Em uma
das licoes anteriores voces terao
ouvido dizer muitas vezes que quando se joga
uma abertura de peao de rei e
porque as brancas desejam jogar uma partida
de ataque, a morte. E que quando
se sai com peao dama e porque se deseja
fazer uma partida posicional, onde o
ataque, caso se produza, e acessorio. Agora
volto a ressaltar estes principios.
E por que e assim? Na abertura de peao rei
(depois de 1.e4 e5), as casas
criticas sao as que ficam nas proximidades
do peao contrario; ou seja: f5 e d5.
Se um cavalo se instala fortemente em f5 e o
rei negro esta rocado curto, e
muito perigoso, porque dali o cavalo domina,
entre outras, as casas g7, h6, e7
e d6, que sao de vital importancia, e a
partida pode terminar por mate. E se o
cavalo se coloca na outra casa critica, d5,
teremos um produto que beneficiara
grandemente as brancas, e a partida tambem
pode terminar por mate. Porem,
quando se joga a abertura de peao dama
(depois de 1.d4 d5) as casas criticas
seriam e5 e c5. Se um cavalo se instala em
e5, atacando a casa f7 que
geralmente esta defendida pela torre do
roque curto, pode exercer uma forte
pressao mas nao da muitas possibilidades de
mate; se um cavalo chega a c5,
ainda que seja forte, nao ataca diretamente
as posicoes proximas ao rei
contrario, o que tambem dificulta as
probabilidades de mate. Ademais, nas
aberturas de peao dama, o negro tem quase
sempre um peao em e3, o que impede a
colocacao de um cavalo em f5 para assaltar o
roque. Nisso reside a maior
diferenca entre a abertura de peao rei e a
de peao dama. Que importancia pode
ter isto de casas conjugadas? Veremos na
partida que reproduziremos. Nela se
utiliza a abertura dos quatro cavalos (como
a que vimos na licao anterior),
com a simetria inicial habitual neste tipo
de abertura. Nao e necessario
repetir que a simetria so pode ser seguida
ate determinado momento, porque
chega uma posicao em que o branco da mate e
o negro nao tem tempo para dar o
"seu" mate. Vantagens do tempo da saida. No
xadrez, como no truco, ganha a mao.
Abertura 4 Cavalos (simetrica). BRANCAS:
MILLNER BARRY NEGRAS: STEINER}
1... e5 2. Nf3 Nc6 3. Nc3 Nf6 4. Bb5 Bb4 5.
O-O O-O 6. d3 d6 7. Bg5 Bxc3
{
Vimos na partida da licao anterior que neste
momento Maroczy jogou 7.Ce2 para
sair dos caminhos trilhados, porem Millner
Barry preferiu fazer a melhor (7.
Bg5), que, como vimos, rompe a simetria, ja
que se o negro respondesse com o
mesmo, viria a variante explicada, onde as
brancas dao mate antes de seu rival.
Isso obriga as negras a jogar 7.....Bxc3,
trocando um bispo por um cavalo,
porem dobrando um peao na coluna bispo dama,
que como estudamos, nao e muito
grave se o branco mantem o quadrado de peoes
duplos. Nao ha, pois, compensacao.
}
8. bxc3 Qe7
{O negro anteviu o plano a seguir e joga com
uma ideia.
Para que pos a dama em e7? E um pouco
oculto; nao resulta muito facil ver a
continuacao. Estamos falando das casas
conjugadas. NA ABERTURA DO PEAO REI AS
CASAS CRITICAS SAO AS QUE FICAM AO LADO DO
PEAO REI CONTRARIO: O SEJA, d5 E f5.
Pois bem: o cavalo dama do negro nao tem
nenhum programa em d4, ja que por
razoes obvias ali nao poderia se instalar.
Trata entao de levar esse cavalo a
outra casa critica (f4) por intermedio da
rede de casas conjugadas. Como?
Jogando-o primeiro a d8, logo a e6 e depois
a f5, onde se instalara de forma
tao eficaz que decidira a partida. Como
dissemos, o plano e um pouco oculto, e
tanto e assim que as brancas nao o advertem.
Se neste momento houvessem feito
9. Bxc6, dobraria tambem o peao do bispo
dama e a partida seria possivelmente
empate. As brancas continuam
tranqueilamente:}
9. Re1 Nd8 $1 10. d4 $2 Bg4
{Cravando o cavalo. Depois que o cavalo
negro se retirou a d8, as
brancas advertiram que seu bispo em b5 nao
tinha nada a fazer ali e que
jogaria muito pouco em toda a partida. Por
isso fizeram d4, jogada ruim, que
tira o peao d3 do quadrado de peoes
dobrados, que entao serao fracos, porem
abre um caminho a seu bispo. A unica
possibilidade do branco e que o negro
tome exd4, com o que dobraria os seus e
ficaria muito bem. Porem se subentende
que Steiner nao vai tomar o peao de d4;
deixara as coisas assim no centro (por
agora) e aproveita para desenvolver a unica
peca que faltava: seu bispo dama.
Nao era possivel seguir o plano das casas
conjugadas, porque a 10....Ce6 se
corta a acao da dama sobre seu peao em e5,
que seria perdido.}
11. Kh1 $2 Ne6
{Segue o plano. O branco acreditou que tinha
tempo. Nao "viu" a
continuacao. Alem disso, parece que quer
ficar com seu par de bispos. Ao fazer
Ce6, as negras continuam com seu plano e
ameacam o bispo de g5. As brancas,
para conserva-lo, devem retira-lo. Mas para
onde? Se vai a h4 perde o controle
da casa f4 que e a que interessa seguir
defendendo. Se vai a e3, as negras
seguem Cxe4. Se vai a d2, perde-se o peao de
d4 depois de 11... ..exd4 12.
cxd4. Cxd4 e nao se pode jogar 13.Cxd4
porque o cavalo esta "cravado", o que
poe o branco em serios apertos. Nao resta
outro remedio, que leva-lo a c1,
onde atrapalhara a comunicacao das torres,
porem impedira (por agora) que o
cavalo negro salte a f4. Chegamos a
comprovar, entao, o que dissemos na licao
anterior: QUE O BISPO DAMA JA "JOGA" DESDE
SUA CASA INICIAL E NAO HA
NECESIDADE DE MOVE-LO DALI ATE QUE A POSICAO
"FIQUE CLARA".}
12. Bc1 c5 $1
{Se o branco avanca seu peao a d5, a posicao
seria fechada e entao os
cavalos negros seriam mais valorizados,
enquanto os bispos brancos quase nao
jogariam. E se o branco nao move seus peoes,
as negras ganharao um peao depois
de 13.....cxd4 14.cxd4 e Cxd4 porque o
cavalo branco, ja dissemos, esta
cravado. Se tentam "descravar-se" mediante
13. Dd3, as negras tambem ganham um
peao depois de 13.....Bxf3 14.gxf3? cxd4
15.cxd4 Cxd4. Nao ha mais solucao,
senao que se decidir a trocar o peao de d4
pelo peao contrario, renunciando
para sempre a formar os peoes dobrados "em
quadro" CALCULO PARA TOMAR UMA PECA
ATACADA E DEFENDIDA. Vamos fazer um
comentario a margem. Observo que muitos
aficionados ficam confusos quando se
encontram em situacoes como esta e nao
sabem claramente quando se pode tomar uma
peca e quando nao. Comecam a fazer
deducoes mais ou menos assim. Eu tomo peao
por peao, e, se continuo cavalo por
peao, fara bispo por cavalo ou peao por
cavalo, ou peao por peao, e por ai
perdem o "fio". Nao e necessario engolfar-se
em tais deducoes para saber
quando se pode tomar e quando nao. So basta
fixar-se na quantidade de pecas
que atacam a peca ameacada e na quantidade
de defensores (no caso desta
partida, nao se pode contar como "defensor"
o cavalo cravado). E a regra e
facil: E NECESSARIO QUE HAJA PELO MENOS UM
ATACANTE A MAIS PARA PODER TOMAR. A
UM NUMERO IGUAL DE ATACANTES E DEFENSORES, O
QUE TOMA PRIMEIRO PERDE ALGO.
Neste caso, ha 3 atacantes e somente 2
defensores: pode-se tomar o peao dama.
Sigamos com nossa licao.}
13. dxe5 dxe5
{
Com isto ja podemos dizer que a partida e
sumamente favoravel as negras.}
14. h3 Bh5 15. Qe2
{As brancas tiram sua dama da coluna aberta
e defendem o bispo
de b5. Entretanto, e a situacao deste bispo
o que origina a proxima jogada das
negras.}
15... Qc7
{Aparentemente, esta dama foi posta ai para
prestar apoio a
seu peao em c5 e a seu peao em e5, que
poderiam ser atacados. Porem, seu
objetivo e outro. Agora o negro esta
ameacando jogar: 16....a6 17Ba4 ou Bc5 ou
Bd3 ao que seguiria b5 e c4 ganhando uma
peca. Vemos, pois, a ma situacao
deste bispo, que foge antes que o ataquem.}
16. Bd3 Rac8 {Ameaca c4.} 17. g4 {Ataca o
outro bispo.} 17... c4
{Nao perde tempo em escapar com seu bispo.}
18. gxh5 cxd3 19. cxd3 Nxh5 $1
{As brancas conseguiram desdobrar seu
peao de c2. Nao se podia tomar 19...Dxc3
devido a 20.Bb2 ganhando o peao de e5.
Esse peao nao interessa. E muito mais
importante o peao de h5, porque agora se
ameaca claramente instalar um cavalo na casa
critica f4, defendida pelo outro
cavalo. De maneira que se as brancas
matassem um cavalo com seu bispo dama,
imediatamente se poria ali o outro cavalo e
ja e muito dificil desaloja-lo.
Vemos tambem que na rede de casas conjugadas
entrava a casa h5, para chegar a
f4. A proxima jogada das brancas mostra sua
insuficiencia. Como nao lhes sera
possivel desalojar os cavalos de f4, optam
por cede-la, sem luta, para buscar
contra-chances sobre o peao central do
negro; por isso fazem...} (
19... Qxc3 {
Nao se podia tomar 19...Dxc3 devido a} 20.
Bb2
{ganhando o peao de e5.}) 20. Bb2 Nhf4 $1
{Era logico que haveria que instalar ali o
cavalo mais
distante do centro. E ja o temos firmemente
instalado na casa que as negras se
propuseram dominar desde sua oitava jogada e
a qual sabiam que chegariam por
intermedio da rede de casas conjugadas.
Agora a situacao das brancas se torna
angustiante e seus proximos movimentos serao
quase forcados. O negro toma a
iniciativa decididamente. O cavalo esta
ameacando a dama e o peao de h3; a
jogada que segue e forcada, e nao e boa
porque a dama em f1 estara na mesma
coluna da torre, a qual o negro tratara de
abrir}
21. Qf1 f6
{Apoia-se o
peao rei, para cortar a diagonal do bispo
branco e se ameaca Df7 para "entrar"
por h5, etc.}
22. d4 {Quer abrir a diagonal.} 22... Qf7
{Segue seu plano.} 23. d5 (23. dxe5
{Nao e bom 23.dxe5 devido a} 23... Qh5 {
Dh5 atacando o cavalo e peao de h3.})
23... Qh5 24. Ng1
{O branco se deu conta
de que nao adiantaria tomar 23.dxe5 porque
abriria a coluna bispo rei,
facilitando os planos de seu rival e avancou
o peao a d5 para desalojar o
cavalo de e6; porem as negras nao perdem
tempo e seguem seu plano, ja que se
24.dxe6 Dxf3+ 25.Rh2 ou (25.Rg1 e as negras
teriam a sua disposicao jogadas
ganhadoras.} (
24. dxe6 {Nao servia devido a} 24... Qxf3+
25. Kh2 {ou} (25. Kg1
{e as negras teriam a sua disposicao jogadas
ganhadoras.})) 24... Ng5
{
Ameaca-se tres vezes ao peao de h3, que so
esta defendido por duas pecas. Se
caisse este peao, toda a resistencia do
branco se desmoronaria. Observemos que
o cavalo de f4 e tao forte que obriga as
pecas contrarias a ir "para tras".}
25. Re3 {Defendendo o peao de h5 e o de e4}
25... f5 {Para abrir a coluna.}
26. exf5 {O melhor que tinha.} 26... Nxd5
{As brancas poderiam jogar: 26...Txf5,
porem preferiram tomar com o cavalo o peao
de d5 porque e mais ativa. AS CASAS
CONJUGADAS TEM UMA GRANDE VANTAGEM: A IDA E
A VOLTA. Este cavalo voltara a f4,
a seguir pressionando, com as mesmas
ameacas. E este vai-vem e "torturante"
para o contrario, que esta atado de pes e
mao, e deve seguir lutando,
sabendo-se perdido. E uma verdadeira guerra
de nervos, que termina por
aniquila-lo. O cavalo vai e volta... afrouxa
e oprime... como o gato com o
rato.} (
26... Rxf5
{As brancas poderiam jogar: 26...Txf5, porem
preferiram
tomar com o cavalo o peao de d5 porque e
mais ativa. AS CASAS CONJUGADAS TEM
UMA GRANDE VANTAGEM: A IDA E A VOLTA.})
27. Rxe5 {
Deixa sem defesa o peao de h3.} 27... Nf4
{Volta.} 28. Kh2
{As brancas, ja
desesperadas, tratam de "manter tudo". Se
houvessem trazido sua torre outra
vez a e3, cairia o peao de f5. Entao,
decidiram-se a defender seu peao de h3
com a unica peca de que dispunham: seu
proprio rei... Na realidade, nao
defendem nada. Observemos que, devido a
eficaz acao do cavalo de f4, todas as
pecas brancas estao imoveis e o bispo nao
joga. O negro segue demolindo
lentamente a posicao de seu rival, valendo-
se do cavalo que tem sua "base" em
f4, em movimentos de ida e volta.}
28... Nfxh3 29. Qd1 Qh4
{Diante do des
astre, as brancas tratam de trocar as damas,
porem o negro nao lhe da o gosto,
e segue oprimindo-lhe. As brancas, por fazer
algo, dao um xeque inutil.} (
29... Qxd1
{E evidente que mesmo trocando as damas, o
negro ganhava. Vejamos: 29...
Dxd1 30.Txd1 Cxg1 31.Rxg1 Cf3+ ganhando a
torre de e5. As brancas, por fazer
algo, dao um xeque inutil}
30. Rxd1 Nxg1 31. Kxg1 Nf3+ {
ganhando a torre de e5.}) 30. Qb3+ Kh8 31.
c4
Nf4+ {
Volta a "base" e da xeque descoberto de
dama.} 32. Nh3 {Cobre?}
32... Nfxh3 {
Ida e volta.} 33. Qg3 {Para trocar as
damas.} 33... Nf3+
{Diante da inutilidade
da luta, as brancas abandonam. Claro que nao
se pode tomar o cavalo de f3.}
34. Qxf3 (34. Kh1 {Nao resolve por} 34...
Nxf2+ 35. Kg2 Qxg3+ 36. Kxg3 Nxe5
{
etc,}) (34. Kg2 {Tambem nao serve devido a}
34... Qxg3+ 35. fxg3 (35. Kxg3
Nxe5 36. Bxe5 Rxf5 {ficando sempre com uma
torre limpa de vantagem.})
35... Nxe5) 34... Ng5+
{descoberto ganhando a dama. Ficou
demonstrado o proveito que
pode dar a sabia utilizacao das casas
conjugadas. Os cavalos negros manobraram
por intermedio da rede de casas conjugadas,
ate instalar um deles na casa
critica f4 e, uma vez ali, tomando-a como
"base de operacoes e
reabastecimento", o cavalo fez "das suas" em
viagens de ida e volta, ate
decidir a partida. Essa e a grande vantagem
das casas conjugadas. TEM MAIS
IMPORTANCIA CALCULAR OS SALTOS DO CAVALO DO
QUE OS MOVIMENTOS DO BISPO, TORRE
OU DAMA, PORQUE ESTES SE "VEEM" MAIS
FACILMENTE; OS DE CAVALO SAO MAIS
DIFICEIS E, QUANDO VOCE QUER ACORDAR, O TEM
EM CIMA. Prezados amigos leitores,
finalizamos esta licao. Muitissimo obrigado
por me escreverem. Desde novicos
ate mestres internacionais, agradeco-lhes
suas opinioes e motivacoes para
continuar com as mesmas. Ate a proxima
licao. Prof: Erich Gonzalez E-
mail: edgonzal@luz.ve TRANSCRICAO Pelo
Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade
de Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela, das
LICOES DO Dr RAFAEL BENSADON, EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. (Traducao: Anderson de
Jesus)}
0-1

[Event "PEÃO CENTRAL DOBRADO"]


[Site "?"]
[Date "2001.11.??"]
[Round "?"]
[White "LIÇÃO 10"]
[Black "?"]
[Result "*"]
[ECO "C60"]
[PlyCount "89"]

{ Saudações, amigos leitores desta página.


Hoje trataremos de um tema que não é novo
para nós. Trata-se do peão dobrado.
Recordemos sempre que A ESTRATÉGIA DOS PEÕES
É A MAIS IMPORTANTE DO XADREZ E O ESQULETO
DA PARTIDA.
LIÇÃO 10 - PEÃO CENTRAL DOBRADO
Já nos referimos em outras lições a
existência de peões dobrados nas colunas
bispo dama e bispo rei. Falaremos, hoje, do
peão central dobrado. Pode ser,
indistintamente, o peão rei ou o peão dama.
Desde já, diremos que se trata de uma
situação delicada para os dois jogadores.
Estas situações podem ocorrer de várias
maneiras. Por exemplo: pode-se dobrar um
peão na coluna do rei e ser o peão do bispo
rei ou o peão dama que passou para dita
coluna. Do mesmo modo, o peão dobrado na
coluna da dama pode ser o peão rei ou o peão
bispo dama. Que vantagens e desvantagens há
em se dobrar estes peões? Vale a pena fazê-
lo ou não? É o que veremos nesta lição. As
desvantagens do peão central dobrado são:
Além da debilidade de todo peão dobrado,
entorpecem o jogo de seus próprios bispos,
no principio do jogo ou mais adiante. Suas
vantagens são: podem facilitar o jogo das
torres nas colunas adjacentes e vigiar as
quatro casas centrais. É claro que as
desvantagens costumam ser maiores que suas
vantagens e é raro não ficarem completamente
fracos por falta de sustentação lateral.
Neste caso, serão facilmente atacáveis pelas
torres contrárias e, cedo ou tarde, devem
cair. Isso não é tão grave quando
o contrário tem um peão na mesma coluna, o
que corta o jogo das torres.
OS PEÕES CENTRAIS DOBRADOS SÃO UM PESO MORTO
PARA QUEM OS LEVA. Pode-se ganhar, porém é
uma grave desvantagem.
Fazendo um resumo, diremos: O peão bispo
dama dobrado é uma desvantagem relativa. O
peão bispo rei dobrado é uma desvantagem
grande. E o peão central dobrado tem seus
prós e seus contras, porém os contras
geralmente são maiores. Se for possível
evitar, melhor. A partida de hoje pertence
ao torneio de Nova York e foi jogada pelos
mestres Lasker e Marshal. Sabemos que o
desaparecido mestre Lasker foi campeão
mundial durante largos anos, e que não
jogava só com as peças, mas o fazia
psicologicamente. Esta tática muitas vezes
lhe deu excelentes resultados. Foi jogada
uma abertura Ruy López, uma das mais antigas
e sólidas, a mais analisada de todas, e que
ainda hoje é praticada
por muitos mestres porque dá muita
iniciativa às brancas. Abertura Ruy López
- Torneio de Nova York. BRANCAS: E.
LASKER NEGRAS: MARSHAL}
1. e4 e5 2. Nf3 Nc6 3. Bb5 a6
{(Defesa Morphy) A defesa atribuída a
Morphy
"não agradava" a Lasker, que preferia jogar
suas partidas deixando cravado o cavalo dama
negro. Nesta posição, quase todos os
jogadores retiram o bispo para a4, a fim de
levá-lo (depois de várias jogadas) a c2
porque na Ruy López este é o bispo mais
ativo das brancas. Por tal causa, não é
aconselhável trocá-lo jogando 4. BxCc6.
(Variante da troca). Entretanto,
Lasker o fez. Sabemos que o peão dobrado na
coluna bispo dama não representa maior
desvantagem e, portanto, não compensa a
troca do bispo pelo cavalo.}
4. Bxc6 dxc6 $2
{Era melhor tomar o bispo com o peão de b7.
Pareceria que, nessa situação, perde-se o
peão rei, porém não é assim. Existe uma
infinidade de variantes na Ruy López onde se
demonstra que se recupera esse peão. Não o
faremos aqui por ser demasiado longo. Porém,
nessa época, costumava-se tomar o bispo com
o peão de d7 e a razão era que se poderia
responder com Dd4 a um eventual 5. Cxe5.
Se tomar com o peão dama fosse forçado,
valeria a pena. Caso contrário, não é
conveniente. O principal é que ficam 4 peões
brancos contra 3 negros no flanco dama,
porque o peão dobrado é contado como um só.
E o procedimento para ganhar é trocar
imediatamente o peão dama branco pelo peão
rei negro, com o que se deixa o flanco dama
equilibrado (3 contra "3"), enquanto que no
flanco rei o branco tem um peão a mais, com
o que pode-se ganhar. Talvez mais adiante
falaremos deste tema. Lasker, que conhecia
muito bem esta teoria, coloca-a em prática
sem demora, como veremos}
5. d4 $1 Bg4 {(a lógica);} ({Não convém ao
negro jogar:} 5... exd4 {devido a }
6. Qxd4 Qxd4 7. Nxd4
{
ficando o branco com um peão a mais no
flanco rei; ou seja, o que dissemos acima. É
um final que se pode ganhar matematicamente;
Reti o demonstrou em muitas partidas.
Portanto, Marshal "não entrou" e fez a
jogada lógica 5... Bg4 cravando o cavalo.})
6. dxe5 $1 Qxd1+ 7. Kxd1 O-O-O+
{
O negro rocou. Ganhou um tempo porque o fez
dando xeque e impediu o roque das brancas.
Além disso, em troca do peão dobrado na
coluna do bispo dama, ficou com o par de
bispos e poderia agora dobrar um peão na
coluna bispo rei, fazendo Bxf3. Porém,
Marshal parece decidido a conservar seus
bispos e não o fará. Neste momento, as
negras estão melhor, ainda que tenham 2
peões a menos. Observemos que já se
produziu o dobramento de peões centrais na
coluna do rei. Esses peões vigiam quatro
casas centrais muito importantes e, por
enquanto, não se vê nenhuma debilidade.
Entretanto, a partir deste momento, a
partida gira ao redor dos peões centrais
dobrados. Marshal perdeu esta partida
porque seu adversário "era Lasker" e porque
tinha um peão "a menos" no flanco dama. Mas
as incidências da mesma nos ensinaram como
se deve proceder contra os peões centrais
dobrados, até conseguir sua queda. Nesta
posição, a maioria joga 8.Re2, mas Lasker,
que como dissemos, jogava psicologicamente,
fez Re1, que dá a impressão de ser ruim mas
não é.}
8. Ke1 Bc5 ({Se} 8... Bxf3
{dobra-se mais um peão na coluna bispo rei.
Mas já dissemos que Marshal quer conservar
seus bispos e Lasker, que já adivinhou,
depois de uma análise psicológica, advertiu
que se antes não o fez agora tampouco o
fará.})
9. h3 Bh5 10. Bf4
{
As brancas sustentam de todas as formas o
peão central a mais.} 10... f5
11. Nbd2 ({As negras entregam um novo peão.
Convém tomá-lo? Vejamos: se}
11. exf5 Bxf3 12. gxf3
{e ficam três peões brancos dobrados na
coluna bispo rei. O negro os atacará e
facilmente os irá tomando.}) (
{
Também se pode tomar este peão en pasant,
com o que aparentemente se desdobra.}
11. exf6 Nxf6 12. Nbd2 Rhe8
{Todas as peças do negro estão sobre o rei
branco, que perdeu o roque, e sua posição é
muito ruim. O peão a mais está dando
trabalho e Lasker pensou: para que ganhar
outro peão? E jogou tranqüilamente, tratando
de sustentar tudo.})
11... Ne7
{Mais adiante, as negras levarão uma torre a
e8 para "trabalhar" os peões dobrados.}
12. Bg5 {(Crava o cavalo.)} ({O branco
também pode jogar} 12. exf5
{porém, por que não o faz? Pelas mesmas
razões que antes. Dissemos que a vantagem
dos peões dobrados está em vigiar 4 casas
centrais importantes. Esses peões, por
agora, paralisam o cavalo negro; não lhe
permitem saltar a d5 nem a f5. Tampouco
poderia ir a g6. A lasker, com essa
sagacidade de velho zorro que tinha, se lhe
ocorre: já que a vantagem desses peões está
em tomar suas casas laterais, se os pudesse
conservar e seguir com o peão a mais, é
evidente que o final me seria favorável. E é
por isso que não faz 12.exf5, já que
permitiria Cxf5 ou Cd5, "entrando" o cavalo
e destruindo essa situação dos peões
centrais.})
12... Bxf3 {
(Decidiu-se.) Há que tomar esse bispo com o
peão de g2.} 13. gxf3 (
{se} 13. Nxf3 {segue} 13... fxe4
{etc., e o negro recupera o peão, ficando as
brancas com um peão rei muito fraco.})
13... Rhe8 14. Rd1 {(Defendendo-se.)} 14...
fxe4 15. fxe4
{Poderia jogar CxP, desdobrando-se no
centro, porém sua situação não melhoraria
porque, em seguida, seriam trocadas as
torres e o cavalo negro "entra".
Além disso, continuariam dobrados os peões
da coluna bispo rei. Com 15. fxe4, os peões
continuam sendo fracos, porém a posição o
exige.}
15... h6 16. Bh4 Bd4
{Este bispo ameaça dois peões ao mesmo
tempo: o peão de e5 e o de b2. A
única possível para salvar tudo é 17. Cc4 ao
que seguiria b5, desalojando o cavalo;
porém, Lasker viu que há outra jogada
intermediária:}
17. Nc4 g5 {(Ameaça o bispo.)} 18. c3
{É esta a jogada intermediária de que
falávamos. Se 17.....b5, Lasker salvava
tudo com ela. As negras aproveitam agora
para fazer trabalhar seu cavalo.}
18... Ng6 19. cxd4 Nxh4
{Ao tomar o bispo, as brancas aproveitaram
para formar o quadrado de 4 casas, que dará
força aos peões centrais dobrados. Por
agora, estabiliza o centro de peões. Porém,
apesar de ter um peão a mais, é o branco
quem tem que se defender. As negras ameaçam
Cf3+, ganhando o peão de d4. É CONVENIENTE
ESCAPAR COM O REI ANTES QUE LHE DÊEM O
XEQUE:}
20. Ke2 Rd7
{O negro busca contra-chances: poderá dobrar
as torres na coluna da dama, ou correr ao
flanco rei, segundo convenha. A posição é
favorável às negras.}
21. f3 {(Sustenta.)} 21... Ng6
{Este cavalo quer ir ao melhor lugar onde
poderia estar: a casa f4, e o branco não
pode evitar. Porém, por sua vez, as brancas
podem levar seu cavalo à casa f5:}
22. Ne3 c5 $1
{As negras oferecem outro peão, que é seu
peão dobrado, de maneira que pouco vale.
Porém não convém tomá-lo porque 23.dxc5
Txe5 que se jogará agora ou mais adiante,
tomando um peão central.}
23. dxc5 ({Não serve} 23. d5 {devido a }
23... Rxe5) ({Tampouco é bom} 23. Nc2
{por} 23... cxd4 {E, mais adiante, Txe5 ou
Cxe5}) ({
Tampouco serve} 23. Nd5
{por} 23... Nf4+ {
forçando a troca de cavalos, ficando o
branco inferior.})
{Vemos, pois, que esta posição conglomerada
de peões é fraca e lasker o admite. O dilema
é simplesmente deixá-los entregues a sua
própria sorte! Lasker pensou: ainda que se
percam os dois peões centrais, recém
estaremos iguais de material!! Por isso não
temeu e jogou 23.dxc5. Mas se isso
tivesse ocorrido em uma partida vulgar, onde
os dois lados estivessem iguais, o negro
ficaria com dois peões a mais. E isso é o
que queremos demonstrar: QUE AS DESVANTAGENS
DO PEÃO CENTRAL DOBRADO SÃO MAIORES QUE SUAS
VANTAGENS. }
23... Nf4+ {(Pressiona um pouco mais.)} 24.
Kf2 Rxd1 25. Rxd1 Rxe5
{E CAIU O PEÃO CENTRAL DOBRADO, QUE ERA O
QUE INTERESAVA
MOSTRAR. Claro que, nesta partida, isso tem
pouca importância devido a diferença de
material existente. Porém, como dissemos, se
isso ocorresse em uma partida equilibrada,
seria decisivo. É esta a parte a que
queríamos chegar nesta lição. Não obstante,
vamos continuar desenvolvendo a partida,
que vale a pena. Agora, à custa dos dois
peões que perde, o branco pensa em ficar com
um peão rei passado e com mais mobilidade. O
peão branco de h3 ficou sem defesa. Pouco
importa a Lasker, porque, à sua custa,
conseguirá
imobilizar o cavalo negro. Por enquanto,
trata de cortar o caminho entre a torre
negra e seu peão em c5. }
26. Nd5 Nxh3+ ({Se} 26... c6 27. Nb6+ {
e logo apoiará seu peão de c5.})
27. Kg3 {(Ganha tempo.),} 27... g4 $1 ({
Se as negras tivessem jogado}
27... Nf4 28. Nxf4 gxf4+ 29. Kxf4 Rxc5
{
E o peão passado de e4 começa a avançar e
decide a partida. }) 28. Nf6 (
{Se} 28. Kxg4 Nf2+ {com duplo no rei e na
torre.}) ({E se} 28. fxg4 Ng5
{e cai o peão central com xeque.})
{Vemos que o negro já conseguiu igualar em
material, porém agora as vantagens estão do
lado do branco, porque aproveitou os tempos
que o outro perdeu em tomar os peões para
colocar melhor seu cavalo, sua torre em uma
coluna aberta e seu rei de forma mais ativa
que o rei contrário.}
28... h5 29. f4
{Quando as brancas jogaram 28.Cf6, a idéia
não era tomar o peão de g4, como aparentava,
mas apoiar seu peão de e4, para logo avançar
com f4 e, desta maneira, ter dois peões
passados que começaram a "caminhar" para
chegar à oitava casa.
Assim o fez. À torre negra não resta mais
remédio que tomar o peão em c5, já que
qualquer outro movimento seria inócuo.
Assim, as negras obtém um peão a mais, que
está amplamente compensado com os peões
brancos passados.}
29... Rxc5 ({Uma combinação falsa seria}
29... h4+ {porque} 30. Kxg4
{
e mesmo que siga} 30... Nf2+ 31. Kxh4 Nxd1
{e} 32. fxe5
{
e esses peões centrais são imparáveis.})
{À essa altura da partida, já não importa
ter peões centrais dobrados. O que dissemos
nesta lição vale para a abertura e o meio
jogo, enquanto haja muitas peças no
tabuleiro.}
30. Re1
{Na maioria das vezes, QUANDO SE QUER LEVAR
UM PEÃO À DAMA, O MELHOR É "EMPURRÁ-LO" COM
UMA TORRE POR TRAS. Por isso, Lasker jogou
30.Te1, apesar de que sua torre em d1 estava
muito bem, já que paralisava o rei
contrário. Mas tinha visto a continuação.}
30... Rb5 31. e5 ({Podiam fazer} 31. Nxh5
{Mas não há problema. O peão negro de h5
"espera turno".}) 31... Kd8 32. Nxh5
Ke7 33. f5
{Agora se vê por que se necessitava da torre
atrás do peão rei. Também poderia tomar o
peão de g4, porém Lasker "era Lasker" e
fazia o mais seguro. Vemos que o cavalo
negro continua imobilizado. Marshal se
aborrece de tê-lo inativo e, quando se lhe
apresenta a oportunidade, tira-o dali, ainda
que não esteja bem colocado em g5 e não
possa evitar a perda do peão de g4.}
33... Ng5 34. Kxg4 Nh7 {(Completamente
inofensivo.)} 35. Nf4 Rxb2 36. Nd5+ Kd7
37. e6+ Kd6 38. e7 Kxd5 39. Re6 ({Se agora}
39. e8=Q Nf6+
{capturando a dama e ganhando um peão.})
39... Rg2+ 40. Kf4 Rg8 41. e8=Q Rxe8
42. Rxe8
{O peão rei passado custou a torre. As
brancas tem qualidade de vantagem. As negras
tratam agora de avançar com seus peões.
Porém aqui é onde se vê a tranqüilidade do
mestre Lasker, que "aperta" o contrário até
tirar o máximo jogo da posição.}
42... c5 43. Rd8+ {
e as negras abandonam.} {Se} 43... Kc6 44.
Rh8 {E se}
44... Nf6 $8 45. Rh6
{ganhando o cavalo, porque está cravado.
CONCLUSÕES: Como vêem, Lasker ganhou esta
partida porque "era Lasker" e pela vantagem
obtida nos primeiros movimentos da
abertura, em que obteve vantagens materiais.
O que interessa para esta lição é a primeira
parte do jogo (depois que se dobraram os
peões centrais), onde, se houvesse igualdade
de peças, não teria sido possível às brancas
sacrificar dois peões. O negro levou a
iniciativa durante quase todo o jogo, devido
à má situação dos peões centrais dobrados.
Donde resulta que AS DESVANTAGENS DOS PEÕES
CENTRAIS DOBRADOS SÃO MAIORES QUE SUAS
VANTAGENS. Bem, prezados amigos
leitores, é tudo por enquanto. Obrigado por
suas felicitações, o que me motiva a seguir
com esta meta de ajudar-lhes a elevar seu
nível de jogo. Até a próxima lição.

TRANSCRIÇÃO feita pelo Professor ERICH


GONZALEZ, da Cidade de Maracaibo, estado
Zulia. Venezuela LIÇÕES DO Dr. RAFAEL
BESANDON, BASEADOS EM APONTAMENTOS TOMADOS
PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.
Prof.: Erich Gonzalez e - mail:
edgonzal@luz.ve }
*

[Event "PEÇAS SOBRECARREGADAS"]


[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 11"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. d4
{A peça sobrecarregada
Saudações, amigos leitores desta página.
Desculpem a demora em entregar-lhes esta
lição.
Porém já estou de novo com vocês, desde a
Pátria de nosso Ilustre Libertador Simón
Bolívar.
LIÇÃO 11 - PEÇAS SOBRECARREGADAS
Hoje vamos considerar o caso das peças
sobrecarregadas, coisa muito freqüente no
xadrez.
Chamamos "peça sobrecarregada" àquela que
por necessidades da partida realiza mais de
uma missão ao mesmo tempo. Esta é uma
situação que pode ser explorada com
proveito.
Diremos que quando uma peça cumpre um
objetivo, cumpre uma só missão.
Porém SE TEM QUE ATENDER A DOIS PONTOS AO
MESMO TEMPO, É UMA PEÇA SOBRECARREGADA.
Se um atendente de escritório deve atender
ao telefone, escrever à máquina,
levar os livros, etc., tudo ao mesmo tempo,
é muito fácil que possa se confundir e
cometer algum engano. O mesmo ocorre no
xadrez com uma peça sobrecarregada, porém
aqui
a coisa se complica. E quando o adversário
sabe aproveitar essas circunstâncias, pode
decidir a partida. Há nas partidas detalhes
aparentemente sem importância, que podem dar
lugar ao ganho ou a perda do jogo.
A partida que lhes trago dará uma idéia de
como deve proceder quando existir uma peça
sobrecarregada. Foi jogada entre os mestres
José Raúl Capablanca, ex- campeão do mundo,
e Gilg. Como toda partida moderna, foi
jogado um gambito de dama. Já dissemos em
lições
anteriores e repetimos que ao jogar a
abertura com o peão de d4 é porque as
brancas desejam
um jogo posicional.
GAMBITO DE DAMA
BRANCAS: J. R. CAPABLANCA
NEGRAS: GILG }
1... d5 2. c4
{Este lance tem sido jogado faz muitos anos.
O mesmo fez Capablanca em muitas ocasiões
quando queria jogar o Gambito da Dama. Na
realidade, este lance e 2.Cf3 são os
melhores
de que dispõe o branco. E 2.c4 é lógico e
correto. Porém, em minha opinião pessoal,
deve-se dar preferência a 2.Cf3,
principalmente os menos experientes. A razão
é que
o Gambito da Dama encerra uma série imensa
de detalhes posicionais que os novos
não conhecem. Com 2.Cf3, restringe-se as
jogadas do negro, ao dominar a casa e5.
Desta forma, o negro se vê obrigado a
"entrar" no Gambito da dama.
Façamos uma digressão e vejamos o que
aconteceria se as brancas tivessem jogado:
1. d4 Cf6 2.c4. Aqui as negras podem jogar o
Gambito Budapeste, que não é bom,
porém é necessário conhecê-lo, pois do
contrário pode-se ter surpresas
desagradáveis,
além de ceder a iniciativa às negras. O
Gambito Budapeste consiste em jogar
2...e5 e se 3.dxe5 então 3...Cg4 atacando o
peão e ameaçando uma série de coisas que
requerem muito espaço para explicar.
Já dissemos que o Gambito Budapeste é
inferior, porém aquele que não o conhece
pode perder
facilmente. Se as brancas tivessem jogado
2.Cf3, já não seria possível jogar este
gambito
porque a 2... e5 3.Cxe5. E por que devemos
dar esta oportunidade se podemos evitá-la?
Gilk jogou:}
2... e6 {O correto. } 3. Nf3
{Já vimos como se podem alternar as jogadas
e estar na mesma posição, porém procedendo
de outra maneira se evita entrar em
variantes desconhecidas. Agora também se
pode jogar:
3.Cc3 porém então damos opção às negras para
que elejam uma espécie de Defesa Nimzowitsch
que consiste em 3...Bb4 cravando este
cavalo. Portanto é melhor 3.Cf3, já que se
agora Bb5+
segue-se 4.Bd2, segundo preconizava
Bogoljubow. }
3... Nf6 4. Bg5 Be7 {Saindo da cravada. } 5.
e3 Nbd7
{Onde se deve jogar o cavalo dama branco?
Vemos que até agora Capablanca se reservou o
direito de tira-lo por c3 ou por d2. É um
pouco melhor Cc3 porque dali domina as casas
e4 e d5 que estão em disputa. Com Cd2 se
domina somente o ponto e4, ainda que exista
a possibilidade de retomar em c4 com este
cavalo, caso o negro mais adiante jogue
dxc4. E então sim, os dois cavalos
pressionariam fortemente.
Convenhamos que Cd2 "pode ser jogado" porém
é mais correto Cc3. Capablanca especula com
o fato de Gilg não ser um mestre de relevo e
trata de desorientá-lo. Claro que contra
Alekhine, por exemplo, teria feito 6.Cc3}
6. Nbd2 h6
{As negras "convidam" o bispo de g5 a que se
defina. Aqui só há três jogadas a analisar:
Bxf6, Bh4 ou Bf4. Descartemos a primeira
porque: EM TODAS AS POSIÇÕES EM QUE SE POSSA
CONSERVAR OS BISPOS, NÃO HÁ RAZÃO PARA
TROCÁ-LOS PELOS CAVALOS.
Restam a considerar as outras duas e, para
isso, há uma regra. NA ABERTURA PEÃO DAMA (e
especialmente para esta posição), QUANDO O
BISPO BRANCO COLOCADO EM g5 É "PROVOCADO"
COM O PEÃO EM h6; SE O NEGRO JÁ ESTÁ ROCADO,
DEVE-SE RETIRAR O BISPO A f4 E SE NÃO ESTÁ
DEVE-SE RETIRÁ-LO A h4.
A razão é que, se o negro não está rocado, o
bispo desde h4 continua cravando o cavalo,
já que o negro pode optar por não rocar, ou
pode fazer o roque grande. Entretanto, se as
negras estão rocadas, por exemplo 6...O-O e
logo 7...h6, sabemos que o roque curto está
forte porque existe um cavalo em f6 que
defende a casa h7 e que, caso o bispo tome
este cavalo, o outro se colocaria na mesma
casa (ou mais adiante em f8). Convém nestes
casos jogar o bispo a f4 porque dali
pressiona a casa fraca c7, defendida
unicamente pela dama, que logo se poderá
explorar levando a torre de a1 para c1 e
abrindo a coluna com cxd5. Com 6...h6, o
negro não mostra seu jogo e "obriga" o bispo
a ir para h4. }
7. Bh4 O-O
{Agora sim, rocam as negras. Se as brancas
desejam neste momento tomar a diagonal para
pressionar na casa c7, devem perder um tempo
ao levar seu bispo a g3. }
8. Rc1 c5
{Este movimento é arriscado. Seria melhor
8...c6 defendendo indiretamente a casa c7,
mas este contra-gambito é jogado
regularmente. }
9. cxd5
{E também existe uma espécie de regra fixa.
NO GAMBITO DE DAMA, CONTRA c5 DAS NEGRAS, EM
99% DOS CASOS, O MELHOR É TOMAR O PEÃO DAMA.
Recordem sempre que se lhes apresente esta
situação, o primeiro a considerar é isso. A
razão é que, tomando cxd5, as negras se vêem
quase obrigadas a jogar com um peão central
isolado, diante do qual se pode instalar um
cavalo.
Capablanca o tomou, porém nesta partida,
devido ao fato de que as brancas tem seu
cavalo dama em d2, em lugar de estar em c3,
as negras tem a alternativa de retomar com
cavalo ou com peão. E preferem fazê-lo com o
cavalo para não deixar o peão isolado de que
falamos. Ademais, ameaça duas vezes o bispo
branco de h4. }
9... Nxd5
{A brancas devem optar pela troca de bispos
ou pela retirada. Preferem levá-lo a g3 para
tomar a diagonal que domina a casa c7, que
também estará dominada pela torre de c1,
quando desapareça o peão dessa coluna. }
10. Bg3 b6 {Busca fiancheto de dama. } 11.
Bd3 cxd4
{A negras colocam o mesmo problema: com que
devem as brancas tomar esse peão? O correto
é tomar com cavalo. Porque do contrário
ficará um peão central isolado, diante do
qual já está um cavalo, que pode ser apoiado
pelo outro cavalo desde f6.
Porém Capablanca sabe com quem joga. E sabe
o que representa um peão isolado. Nesta
partida, interessa-lhe mais ter
possibilidades do que ter segurança. Claro
que contra Alekhine (por exemplo) não faria
12 exd4, porém Gilg não é Alekhine. Sabemos
que os peões isolados tem suas vantagem e
suas desvantagens e que, jogando bem, cedo
ou tarde devem cair por falta de um peão
lateral que os sustente. Mas tem a seu favor
o fato de permitirem a atuação forte das
torres nas colunas adjacentes (neste caso,
coluna do rei e do bispo dama); e que
dominam duas casas importantes (que seriam
e5 e c5) Por tais razões Capablanca jogou: }
12. exd4 Bb7 13. O-O N7f6 14. Re1 {Toma a
linha. } 14... Rc8 {Disputa. }
15. Rxc8 Qxc8
{Aparentemente, com isto as negras dominam a
coluna bispo dama, porém não é assim.
Observemos que todas as casas da linha,
menos a de c6, estão dominadas por peças
brancas. Ademais, OS PONTOS MAIS FRACOS DE
UMA COLUNA DOMINADA SÃO AS CASAS SÉTIMA E
OITAVA que, neste caso, estão defendidas
pela dama branca. }
16. Ne5
{Agora as brancas dominam todas as casas da
coluna bispo dama, ao mesmo tempo que ocupam
um dos pontos fortes que o peão isolado
sustenta. As negras compreendem isso e tiram
sua dama dessa coluna, ameaçando também Cb4.
}
16... Qd8 17. a3 {Evita o salto de cavalo. }
17... a6
{Impede 18.Bb5 e trata de fazer b4 e Cb3. }
18. Nb3 Bd6 (18... b5 19. Nc5)
{etc. Observemos que à esta altura o negro
não tem chances, nem planos a realizar, nem
peça ativa. Pouco a pouco, Capablanca irá
amarrando o negro. }
19. Qe2 a5 20. Nd2 {Para entrar por e4 ou
c4.} 20... Qe7
{Este último lance é criticável porque põe a
dama na coluna onde está uma torre e, a
partir de agora, ficará sob sua pressão
indireta. Até aqui, vimos uma série de
jogadas simples por parte do branco, sem
ameaças de mate, sem sacrifícios brilhantes,
sem combinações audazes e, o entanto, as
negras estão completamente restringidas,
enquanto as brancas dispõem de espaço para
mover-se a seu gosto. Essas "simplicidades"
são próprias de Capablanca. Agora começa a
trabalhar. }
21. Bb1
{Para que? Quem lembrar das lições
anteriores o saberá: para montar a máquina.
Já dissemos que a máquina é algo simples,
porém uma arma de dois fios: ofensiva e
defensiva. }
21... Rc8 22. Qd3
{Já está montada a máquina, mas por agora
não há ameaça de mate, porque o cavalo de f6
defende sua casa h7 e, caso se mate este
cavalo, ainda restará o outro. O segredo
consiste, pois, em ir eliminando as defesas
do roque negro. E já vamos chegando ao tema
desta classe. A dama negra tem a dupla
missão de defender o roque e seu bispo de d6
de um ataque de surpresa. Convém, pois,
aliviá-la da dupla tarefa e, por isso,
fazem: }
22... Bb8 23. f4
{Para que? para seguir avançando-o e limpar
a coluna na qual a dama negra sofre a
pressão indireta da torre. }
23... Qf8
{As negras advertem o perigo e retiram sua
dama. De qualquer maneira, já não é
suficiente para defender-se. Chegamos ao
assunto desta classe: as peças
sobrecarregadas. Observemos que o cavalo
negro de f6 tem uma dupla missão: defende o
mate em h7 e a casa d7. Capablanca aproveita
essa situação para fazer: }
24. Nd7
{!
É claro que não se pode jogar 24....Cxd7
porque segue 25.Dh7++. Não resta mais
remédio, a não ser mover a dama. Não faz
muito diferença levá-la a e8, e2 ou d1. }
24... Qe8 {Colocando-se outra vez sob o fogo
da torre branca. } 25. Nxb8 Rxb8
26. f5
{Aproveitando a circunstância de estar a
torre negra na diagonal do bispo de g3 e a
dama negra na coluna da torre, as brancas
avançam seu peão. }
26... Rd8 27. Nf3
{Ameaça-se levar este cavalo a e5. A posição
do negro vai piorando. } 27... Bc8
{Boa, porém tardia; } 28. fxe6 Bxe6 29. Ne5
Qf8
{Novamente a dama negra trata de escapar da
pressão da torre. E outra vez entra o tema
das peças sobrecarregadas: o peão de f7 tem
o duplo fim de apoiar o bispo e defender a
casa g6. Está sobrecarregado. Como não pode
fazer as duas coisas ao mesmo tempo,
Capablanca joga: }
30. Ng6 {Ataca a dama. } 30... Qe8
{Se 30...fxg6, vem 31.Txe6, etc., ficando
muito comprometida a posição negra. E se não
toma, onde vai a dama? Outra vez a colocar-
se sob fogo da torre. }
31. Nf4
{Ameaça Cxe6. Como este cavalo é bastante
molesto, as negras decidem trocá-lo. Vemos
que até aqui as negras se defenderam
sumamente bem, porém não é suficiente porque
QUANDO A POSIÇÃO É TÃO SUPERIOR E SE TEM A
INICIATIVA, SEMPRE HÁ JOGADAS PARA SEGUIR
PRESSIONANDO AO CONTRÁRIO. }
31... Nxf4 32. Bxf4 Qd7
{Por fim a dama escapa da pressão da torre,
ao mesmo tempo que ameaça o peão isolado,
que Capablanca quis ter assim. }
33. Be5
{Defende-se e ameaça Bxf6, entrando logo com
a dama em h7. Não se pode joga 33.....g6,
evitando a entrada, porque segue Bxf6 e as
negras perdem o cavalo. Diante de tal
situação, o que pode fazer o rei negro?
Escapar! Que é o que fazem todos os reis na
guerra. }
33... Kf8 34. h3 {Ar. } 34... Ne8 35. Qh7 f6
{Denota inferioridade. } 36. Qh8+
Ke7
{Seria um pouco melhor colocar o rei em f7.
Como o branco tem tempo, retira seu bispo
ameaçado, para logo fazer Bf5 ou Bh7,
pressionando o bispo e o rei negro. }
37. Bg3 Qd5
{Trata de impedir as ameaças do bispo.
Poderia ter jogado 37...Dxd4+ porém 38.Bf2
era muito forte, podendo fazer cair o peão
de b6. Observemos que o cavalo negro
sustenta a base de toda a defesa: o peão em
g7. Logo, trata-se de eliminá-lo. }
38. Bg6 1-0

[Event "A CENTRALIZAÇÃO DAS PEÇAS"]


[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 12"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. c4
{Lição 12: A centralização
Amigos leitores desta página, continuemos
com as lições, cujo propósito é ajudar-lhes
a conhecer uma série de técnicas aplicáveis
neste maravilhoso jogo.
LIÇÃO 12: A CENTRALIZAÇÃO DAS PEÇAS
Parte A: da dama
A lição de hoje versará sobre a
centralização das peças. É um tema que em
sua época pôs em moda Alekhine. Pelo menos
foi ele quem primeiro falou publicamente
disso, ainda que os bons jogadores já o
conheciam.
SE CENTRALIZAR UMA PEÇA CONSISTISSE SOMENTE
EM COLOCA-LA EM UM LUGAR CENTRAL, SERIA ALGO
MUITO FÁCIL, PORÉM NÃO É ASSIM. Centralizar
uma peça não quer dizer colocá-la no centro
e nada mais. "CENTRALIZAR" EM TERMOS
ENXADRÍSTICOS, É COLOCA-LA NO CENTRO PORÉM
DE FORMA QUE NÃO POSSA SER EXPULSA DALI
PELAS PEÇAS ADVERSÁRIAS.
São pois, dois conceitos completamente
distintos. Por exemplo, nesta abertura: 1.e4
d5 2.exd5 Dxd5
Poderia se dizer que a dama já está
"centralizada" porque está em uma casa
central, porém já sabemos que a saída
prematura da dama nas aberturas é ruim. Por
que? Porque pode ser facilmente expulsa dali
pelas peças contrárias. Isso seria jogar
mal.
JOGAR BEM SERIA LEVAR A DAMA AO CENTRO EM
CERTO MOMENTO E POSIÇÃO QUE NÃO POSSA SER
EXPULSA DALI.
Bem, dirão vocês, e a dama em uma situação
central, que importância tem? É o que
veremos nesta lição. Uma dama nessas
condições pode mover-se em todas as
direções. Quer dizer, TEM OITO CASAS A SUA
DISPOSIÇÃO, O QUE LHE PERMITE IR
IMEDIATAMENTE A TODOS OS LUGARES DO
TABULEIRO.
Uma dama "centralizada" é uma dama móvel,
que em 1, 2 ou 3 movimentos pode dar a volta
no tabuleiro. Repetimos, pois, que uma dama
no centro, que não possa ser expulsa dali, é
muito forte. Parece algo sem importância,
porém isso dá lugar a combinações decisivas,
porque desde ali tem um controle muito
grande, tanto no flanco rei como no flanco
dama. A MELHOR COLOCAÇÃO PARA "CENTRALIZAR"
A DAMA SÃO AS CASAS e4 E d4.
A partida que lhes trago foi jogada no
Torneio das Nações do ano 1927, entre o
desaparecido mestre Reti e o francês
Muffang. Como vocês sabem, Reti foi o
criador da escola hipermoderna e jogou esta
partida de acordo com suas idéias
estratégicas.
Já vimos que na maioria das aberturas se faz
1.e4 ou 1.d4 para dominar em seguida o
centro, colocando ali os peões. A escola
hipermoderna procede de outra maneira. Ao
criar seu sistema, Reti pensou assim "que
necessidade há de colocar uma peça no centro
para dominá-lo se podemos dominar o centro
desde longe?". E nos anos transcorridos até
agora, desde que Reti enunciou sua teoria,
parece que os fatos o tem confirmado.
O sistema Reti consiste em dominar o centro
em três etapas: Primeira: dominá-lo desde
longe. Segunda: ocupá-lo pondo ali os peões;
e Terceira: ir desalojando os peões para
ocupar com as peças as casas que estes
deixam. E, de todas as peças, A DAMA
"CENTRALIZADA" É A QUE MAIS INTERESSA. E SE
NÃO FOR POSSÍVEL, UM CAVALO.
BRANCAS: RETI
NEGRAS: MUFFANG }
1... Nf6 2. Nf3 b6
{De acordo com suas teorias, Reti trata de
dominar as casas centrais, sem ocupá-las
diretamente. Desta teoria de dominar de
longe as casas centrais nasce a idéia dos
fianchetos, e as negras começam a preparar
um fiancheto de dama que, como vocês sabem,
tem seus inconvenientes; o principal dos
quais consiste em que o bispo de b2 ou de b7
estará indefeso e que, se o contrário opõe
um fiancheto de rei, o bispo em g7 ou g2
será defendido por seu próprio rei quando se
faça o roque. ISSO DÁ UMA GRANDE VANTAGEM
PARA QUEM FAZ O FIANCHETO DE REI. E Reti
imediatamente o faz: }
3. g3 Bb7 4. Bg2 e6 5. O-O Be7
{A melhor. O bispo rei das negras não tem
outras casas boas. Não pode ir a c5 por d4,
nem a d6 porque um próximo avanço de peões
pode atacar simultaneamente a este bispo e
ao cavalo de f6. Vemos que as brancas tratam
dominar o centro desde longe e já vamos
entrando na segunda etapa, consistente em
ocupá-lo com os peões. Porém isto deve ser
preparado e as jogadas que seguem tem esse
objetivo. }
6. d3
{Pessoalmente, creio que nesta posição 6. d4
é mais agressivo e, portanto, o que deve ser
feito, em vez do que Réti jogou. Porém 6.d4
é algo mais conhecido e analisado, motivo
pelo qual o adversário sabe a continuação.
Outra era a idéia de Reti (como o veremos) e
por isso não é criticável esse movimento. }
6... O-O 7. e4
{Aqui vemos porque antes as brancas fizeram
d3. Também aqui devo dizer que não sou
partidário de 7.e4, que não me satisfaz.
Porém, a idéia de Reti ao fazer isto é poder
tirar seu cavalo de f3 sem trocar os bispos
dos fianchetos; coisa que não podia ser
evitada se o peão rei estivesse em sua casa
inicial ou em e3. }
7... d6 {Para jogar logo Cbd7. } 8. Nc3 Nbd7
9. Ne1
{Como dissemos, isto não poderia ser feito
sem trocar os bispos se não houvesse jogado
e4. E já estamos na segunda etapa da
partida. O branco trata de dominar as casas
centrais ocupando-as com peões,
"centralizando" os peões, porém também
buscando ter um centro móvel, pois seu
objetivo não é deixar seus peões ali, mas
avançá-los para pôr suas peças nas casas
deixadas pelos peões.
Se o centro fosse fixo, a posição seria
"fechada" e portanto os bispos jogariam
pouco e não se poderia avançar os peões.
Isto não o desejam as brancas. Por agora,
está se criando uma ameaça acessória ao
plano geral: avançar o peão rei, pois se a
10.e5 se seguisse 10....BxB 11.exf6 e um dos
dois bispos negros cai. As negras optam por
se retirar a tempo. }
9... Ne8 10. d4
{Estamos em plena segunda etapa: a ocupação
do centro com peões. Poderia se considerar:
porém as brancas perderam um tempo por haver
movido seu peão dama duas vezes em vez de
fazer diretamente d4 Que necessidade havia
de fazer d3? Não senhores, havia uma
necessidade posicional. Sem d3 não haveria
sido possível e4 e retirar o cavalo a e1,
que formava parte do plano. }
10... g6 {? }
{Isto não pode ser bom, pois sabemos que:
PEÃO QUE AVANÇA DEIXA ATRÁS DE SI UMA OU
DUAS DEBILIDADES. Neste caso, a casa h6; que
rapidamente aproveitará o rival. Ainda
supondo-a necessária, g6 seria ruim. E se
não há nenhuma necessidade peremptória não
devia ser feita. A idéia do negro era fazer
depois f5, tratando de romper o centro de
peões brancos. }
11. Bh6 Ng7 {Forçado. } 12. Nd3
{Agora Reti trata de ir centralizando as
peças. Como dissemos, isto não quer dizer
somente "colocá-las no centro senão de modo
que não possam ser desalojadas. }
12... e5
{Aqui se impõe um conselho de Philidor (que
foi seguido por Reti) Dizia este antigo
mestre: quando temos peões centrais
emparelhados (d4 e c5) e outro peão lateral
contrário o ataca, nunca se deve trocar (é
muito raro que isso seja necessário,
agregaremos), senão que se deve avançar o
peão agredido. Parecerá que agora fica um
centro de peões "fixo", porém o branco
tratará que isso não ocorra. }
13. d5 {!} 13... Nc5 14. Nxc5
{O cavalo branco de d3 ainda não estava
"centralizado" e, por isso, o branco troca
pelo cavalo negro que o ameaçava. Ademais,
dobra-se um peão negro. Se 14. dxc5 ficaria
um peão excêntrico, que é mau e com 15.f4 se
rompe o centro, que será dominado
completamente pelo branco.
E se 14.bxc5, o bispo dama negro não tem
boas casas para jogar, ficará um peão
dobrado, cuja debilidade se fará sentir
porque não se pode formá-lo "em quadro", e
apesar de que o bispo branco de g2 não
jogue, isso está compensado porque o outro
bispo contrário tampouco joga. }
14... bxc5 15. f4 {Continua o plano. } 15...
exf4
{O negro se viu forçado a tomar o peão de f4
porque do contrário seu adversário teria
jogado fxe5 e seria pior.
Vemos aqui como Reti não permite que se faça
um centro de peões "fixo" senão que, de
acordo com seus planos, trata de fazê-lo
"móvel". Bem: com que peça se deve retomar
esse peão? Pode-se fazer com três peças: com
a Torre, com bispo ou com o peão. Com qual é
melhor? Se 16.Txf4 segue Bg5 e força a troca
dos bispos, o que não seria muito bom, dado
que por a colocação do bispo de h6 é melhor
que a do bispo das negras.
Ademais, este é o bispo "bom" das brancas.
Se 16. Bxf4 pode seguir o mesmo Bg5 ou Ch5,
que não á agradável. Então, o melhor é tomar
com peão, para fazer o centro "móvel".
Observemos também que se desaparecesse o
peão dama negro toda sua defesa se
desmoronaria e os peões dobrados na coluna
bispo dama ficariam muito fracos. Ao tomar
16.gxf4 está se ameaçando 17.e5.... }
16. gxf4 Bf6
{Para evitar o avanço do peão rei, as negras
tratam de dominar a casa e5. Porém, com Bf6
conseguem isso? Em seguida, veremos porque
Reti jogou 17.e5 e parece que perde um peão,
porém não é assim, pelo que ocorre na
partida: }
17. e5 dxe5 18. Ne4 {! } {O negro trata
então de conservar o peão e joga: }
18... exf4
{Se as negras jogassem 18...Be7 as brancas
jogariam 19.fxe5 e a partida está ganha
porque o centro de peões brancos é muito
forte. }
19. Nxc5
{Caiu um peão dobrado e o outro (de f4) está
por um fio. Porém não é isto o mais
importante: o bispo negro de b7 não tem
muitas casas boas onde ir e caso se
defendesse: 19....Tb8 se faz 20.Cxb7 Txb7
ficando esta torre sob o fogo do bispo de g2
e mal colocada. As brancas poderiam jogar
21.d6 contra o qual o melhor é c6, dando
jogo à dama negra; pois contra 22.Bxc6
existe a réplica Db6+ ganhado este bispo. }
19... Bc8 20. Bxf4
{Se agora 20.d6 (atacando a torre) 20...c6
21.Bxc6 Tb8 (pressionando o peão de b2) e se
22.d7 Ba6 e recupera tudo, já que a 23.Cxa6
viria 23...Db6+ etc. O branco tem tempo se
reserva essas ameaças. }
20... Nf5
{!
É um bom lance por que domina vários pontos
centrais e se aproxima do centro. Já veremos
a importância deste cavalo nessa casa. }
21. Ne4
{Por um tempo, centraliza o cavalo, porém
isto todavia não é definitivo. Ademais, o
que interessa não é centralizar o cavalo,
mas a dama, que é mais importante. Estamos
em plena terceira etapa: OCUPAÇÃO DO CENTRO,
COLOCANDO PEÇAS NAS CASAS QUE VÃO SENDO
DEIXADAS PELOS PEÕES. }
21... Bd4+ 22. Kh1 Rb8
{Ameaça duas vezes o indefeso peão de b2,
que parece condenado a morrer. Porém as
brancas tem um recurso. Justamente o que
vimos na lição anterior: as peças sobre-
carregadas (No xadrez salta-se rapidamente
de um tema a outro). Observemos que o cavalo
negro de f5 tem, entre outras manobras, que
defender o bispo de d4 e as casas h6 e g7.
Então se aproveita disso para jogar: }
23. Bh6 Bg7
{Se 23...Cxh6 24.Dxd4 e tudo está
defendido.; Se o negro move sua torre, por
exemplo: 23...Te8 24.Txf5 gxf5 25.Dxd4
trocando uma torre por bispo e cavalo, e
dobrando um peão. Se 23...Bxb2 24.Tb1 vindo
uma combinação mais longa, porém
ganhadora. }
24. Bxg7 Kxg7
{Observemos que o negro conserva o cavalo de
f5, que ainda não pode sair dali, e que
estava ameaçando um "duplo" na dama e na
torre em e3. Claro que agora já não se
poderia fazer isso devido ao xeque de dama
em d4, defendendo o peão de b2 e sendo pouco
menos que "indesalojável" dali.
Se as negras em vez de tomar Rxg7 tivessem
feito 24...Ce3 seguiria 25.Dd4 perdendo a
qualidade, porém preparando a máquina por
que se 25...Cxf1 26.Bh8 f6 27.Cxf6+ Txf6
28.Bxf6 Df8 29.Txf1 recuperando a qualidade
com acréscimos. De tudo isso nasce a idéia
de que quando desaparecer o cavalo negro de
f5 (tão bem colocado) a Dama branca se
"centraliza" e já não se poderá ser expulsa
dali. Essa é a idéia que Reti colocará em
prática mais adiante. }
25. Qd2 {Defende o duplo e o peão de b2. }
25... Qe7 {Respiram.} 26. Rae1
{Bom. } 26... Qb4
{Esta dama escapa da pressão da torre e
ameaça duas vezes o peão de b2, ao mesmo
tempo que busca a troca de damas. }
27. Qd3
{Não é bom fazer 27.Dxb4 Txb4 28.b3 por que
com isso colocaríamos todos os peões brancos
em casas brancas e, como o único bispo que o
branco conserva corre por essas casas,
torna-se "mau".
Por isso, e por que já dissemos que as
brancas estão jogando com a idéia de
"centralizar" a dama, não lhes convém fazer
a troca. Porém, caso se troque, como se
defende tudo? A jogada é um pouco indireta e
difícil de ver. Parece que com 27. Dd3 as
brancas entregam o peão de b2, porém não é
assim porque em caso de 27.....Dxb2, 28.Tb1
ganhando a torre negra. Vemos que a dama
branca desde d3 dá apoio a sua torre em b1,
pelo que do contrário o negro poderia optar
por trocar sua dama pelas duas torres. }
27... Bd7 {Comunica as torres e, agora sim,
ameaça Dxb2. } 28. b3
{Não há mais perigo neste flanco. } 28...
Rbe8 29. Re2 Re5
{!
O negro trata de dobrar suas torres na
coluna do rei. E para isso começa por
colocar uma delas em e5, que, havendo
desaparecido o bispo contrario que corria
por diagonais negras, é uma casa débil para
o branco. Vemos também a excelente colocação
do cavalo negro de f5, que impede
centralizar a dama e é por isso que Reti se
decide a eliminá-lo. }
30. Bh3 Rfe8 31. Bxf5
{HÁ QUE PENSAR MUITO BEM ANTES DE TROCAR UM
BISPO POR UM CAVALO. Há que considerar muito
bem o que se faz. Reti viu a continuação: a
"centralização" da dama, que tão só o cavalo
impedia, e por isso o fez. }
31... Bxf5 32. Qd4
{!
E já temos a dama "centralizada" que é o
tema desta lição. Em seguida compreendemos
sua importância. Por enquanto se ameaça o
peão de a7 e se "crava" a torre de e5. }
32... f6
{Para "descravar-se" as negras acreditaram
que isto era o melhor. Porém é ruim, por que
dá lugar a uma combinação que imediatamente
veremos.
O melhor era escapar com o rei, tal vez a
f8, porém isso não seria suficiente por que,
enquanto se movesse a torre de e5, a dama
branca entraria em h8 com xeque, ganhando
fácil.
Vejamos, então a combinação final, baseada
nesta jogada defeituosa, na torre cravada e
na enorme mobilidade da dama "centralizada".
}
33. Nxf6 {!} 33... Kxf6
{Era forçado tomar o cavalo por que estava
ameaçando a torre de e8 e logo até se
poderia ganhar a torre de e5. Este
sacrifício se baseia em que o rei negro fica
na diagonal onde está a dama branca,
cravando a torre. }
34. Rfe1 {Ameaça ganhar uma torre } 34... c5
{Se 34...Dd6 35.c5 Dxd5+ 36.Dxd5 Txd5
37.Txe8 ficando com qualidade a mais;
Tampouco é bom 34...De7 por 35.Txe5 ganha a
dama 35...Dxe5 36.Txe5 Txe5 37.c5 etc. As
negras procuram sair de outra maneira. }
35. Qh4+
{As brancas podiam jogar peão por peão en
pasant, 35.dxc6 porém isso permitiria
35...Db8 defendendo a torre cravada. Agora:
VEREMOS A IMPORTÂNCIA DA DAMA "CENTRALIZADA"
QUE PODE IR A QUALQUER PARTE EM POUCOS
MOVIMENTOS. }
35... g5
{Única boa porque a qualquer outro movimento
de rei, perde-se uma torre. }
36. Qh6+ Bg6 {Cobre. Também é a única boa
pelas mesmas razões que a anterior. }
37. Rxe5 Rxe5 {Forçado. } 38. Qf8+
{E as negras abandonam. Porém se continuamos
a partida veremos por que abandonam. Se as
negras jogassem: }
38... Bf7 {Única. } 39. Qd6+ 1-0

[Event "AS PEÇAS INDEFESAS"]


[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 13"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. d4
{Amigos leitores desta pagina. Novamente com
vocês, com outra lição. Muitíssimo obrigado
por seus comentários sobre as mesmas.
Sudações e um abraço desde minha pátria
Bolivariana, minha querida VENEZUELA.
LIÇÃO 13 AS PEÇAS INDEFESAS
Vamos tratar de um tema que se presta para
muitas manobras e tem aplicação em quase
todas as partidas. Refiro-me às peças
indefesas e às peças mal defendidas. São
dois conceitos parecidos porém não iguais.
Não é necessário dizer que uma peça indefesa
é aquela que não tem apoio de nenhuma outra.
Porém, uma peça mal defendida é a que está
defendida, porém não o suficiente e pode,
portanto, ser atacada e capturada. Por
exemplo: uma peça mal defendida seria a que
estivesse apoiada por um peão ou outra peça
"cravada"; de maneira que, se atacada, essa
peça mal defendida, seu apoio é nulo, desde
que se possa tomar e o adversário não possa
retomar com a "cravada".
A PEÇA INDEFESA SE APRESENTA EM QUASE TODAS
AS PARTIDAS. Nas aberturas, os aficionados
tratam de desenvolver suas peças e se
esquecem que estas podem ficar sem apoio.
Isso só dá tema para combinações do rival.
Há que movê-las harmonicamente, sustentando-
as entre si. E aquele que não o faz, sofrem
com combinações que lhes ganham uma peça.
Depois dirá: "Me equivoquei; se não me
esqueço da peça que estava no ar teria
ganho". Porém, a verdade é que isso não
teria ocorrido se não houvesse deixado a
peça indefesa.
E o que ocorre aos aficionados costuma
passar também com os mestres. Até os mestres
"entram" nestes caminhos. Claro que o que
sabe menos "entrará" mais vezes. A partida
que reproduziremos foi jugada em 1928, no
torneio de Baden-Baden, entre os mestres
Bogoljubow e Thomas, e começou com um
Gambito de dama, que já comentamos em lições
anteriores.
BRANCAS: BOGOLJUBOW
NEGRAS THOMAS }
1... Nf6 2. c4 e6 3. Nf3
{Dissemos, outras vezes, que mover o cavalo
do rei a 'f3' era melhor no segundo lance,
antes de c4, porque limitava as variantes do
negro. Bogoljubow com um procedimento
inverso obtém a mesma posição. Por que move
agora este cavalo e não o cavalo dama a c3?
Por um estudo que ele fez do gambito de dama
e que leva seu nome: "Defesa Bogoljubow": Se
tivesse feito 3.Cc3 as negras poderiam jogar
(se quisesse) 3...Bb4 cravando este cavalo e
entrando na defesa Nimzovitsch, que
comentamos em outra lição. }
3... d5
{Porém ao não ter desenvolvido o cavalo
dama, caso as negras joguem: 3...Bb4+ que
constitui a citada defesa Bogoljubow, a
coisa é diferente porque as brancas podem
eleger entre três jogadas: 4.Bd2, 4.Cbd2 ou
4.Cc3 (não é recomendável 4.Cfd2 porque
perde um tempo). Dessas três possibilidades,
Bogoljubow recomendava 4.Bd2 seguindo Bxd2;
visto que se o bispo negro se retira terá
perdido um tempo.] Entretanto, Thomas não
"entrou" nessa defesa , não dá este "gosto"
a seu adversário, anda que mais não seja,
pelo que dissemos: É BOA TÁCTICA NÃO DAR
"GOSTO" AO RIVAL }
4. Nc3 {Já não há mais defesa Bogoljubow. }
4... c6
{Isto é um pouco tímido, como idéia geral.
Nesta posição, o negro pode escolher entre:
c5, Cbd7 ou Be7. Fez c6 para ver como o
branco respondia, talvez com o propósito de
jogar uma Cambridge-Springs caso seguisse
5.Bg5. Esta defesa consiste em levar a dama
negra à casa a5 e o bispo a b4, pressionando
o cavalo "cravado" para, logo, fazer dxc4 e
há muitas chances de capturar o bispo de g5.
Não podemos nos deter neste estudo. Diremos
somente que a melhor maneira de evitar a
Cambridge-Springs é jogar 5.e3 (como fez
Bogoljubow) e já não há ameaças fortes sobre
o cavalo cravado porque este se descrava
facilmente com Bd2. }
5. e3 Nbd7 {Espera. } 6. Bd3 {Segue o plano
conhecido. } 6... dxc4
{NO GAMBITO DA DAMA, HÁ QUE ESPERAR O
MOMENTO EM QUE AS BRANCAS DESENVOLVEM O
BISPO REI PARA TOMAR O PEÃO DO BISPO DAMA.
COM ISSO, ENQUANTO RETOMAM O PEÃO COM O
BISPO, AS BRANCAS PERDEM UM TEMPO.
Por haver sabido esperar, as negras ganham
um tempo, que nesta abertura é só uma
pequena vantagem, como veremos mais adiante.
}
7. Bxc4 b5
{A VARIANTE DE MERANO. Sabemos que na
abertura de peão dama o bispo dama das
negras não entra em jogo facilmente, devido
ao fato de que suas diagonais estão
interrompidas pelo peão de e6 e pelo peão de
b7. Antigamente, costumava-se jogar 7...b6
para logo desenvolver este bispo por
fiancheto. Porém, no torneio de Merano,
surgiu esta variante (7...b5) com a qual o
bispo dama negro poderá logo desenvolver-se
por fiancheto, enquanto ganha um tempo, já
que aproveita a má situação do bispo rei
branco (depois de tomar Bxc4). Onde pode ir
este bispo? A "b3" ou voltar para onde
estava (Bd3), que é a mais usual, dado que
dali ameaça o ponto h7. }
8. Bd3
{Dizíamos que o branco perdeu outro tempo e,
com este, já são 2 os tempos perdidos, pois
primeiro levou seu bispo rei a d3, logo, com
o mesmo bispo, toma um peão em c4 e agora
volta a d3. Quer dizer que necessitou de 3
tempos para instalar mais ou menos bem seu
bispo rei em d3. Porém, tudo isto é
aparente. Porque o problema das negras ainda
não está resolvido. Se desenvolvem seu bispo
dama a b7, sua ação estará interrompida por
seu próprio peão de c6. Então, terá que
avançar este peão para que o bispo "jogue";
mas se avançam o peão a c5, o peão de b5
fica sem defesa, o que obriga a perder um
tempo em defendê-lo primeiro com a6. É um
tempo que o branco recuperará e que, somado
ao que será usado em avançar o peão bispo
dama, serão dois.
Enfim, seria necessário muito espaço para
ver todas as variantes e, sobretudo, saber a
última novidade, a última moda. Vocês devem
ter observado que as mulheres saem de
repente à rua levando chapéus pontiagudos,
depois achatados, logo, de cores vivas, mais
tarde, de cores opacas, etc. Nós rimos
desses chapéus, porém elas não nos levam em
consideração e os usam Por que? Porque estão
na moda! Bem: NAS VARIANTES ENXADRÍSTICAS HÁ
MAIS MODAS QUE NOS CHAPÉUS FEMININOS. É raro
vocês me ouvirem dizer: "Esta variante é
melhor do que aquela outra". Não. De mim
ouvirão "Esta variante está mais na moda do
que essa outra" o caso que hoje veremos é um
deles. }
8... a6 {Tempo perdido, mas necessário. } 9.
e4
{Antes de se jogar esta partida, estava na
moda fazer 9.0-0 ou até 9.De2, porém, depois
entrou na moda 9.e4, que aparentemente
domina mais casas centrais e ameaça e5,
desenvolvendo o cavalo de f6. Porém o negro
não é "manco" e respondeu: }
9... c5
{As negras perderam outro tempo?
Aparentemente já se equilibraram os tempos
perdidos por cada lado. Agora se ameaça o
peão de d4 branco e, se segue e5, é evidente
que mais adiante o peão de d4 será tomado,
ficando muito fraco o peão rei branco.
Porém, precisamente esta partida deu origem
a uma série interminável de discussões sobre
a força da Variante de Merano porque agora
se produz uma situação interessantíssima. }
10. e5
{!?
Ameaça o cavalo de f6, porém as negras têm
uma série de continuações também violentas,
sobre as quais ainda não se disse a última
palavra. Dissemos que esta partida foi
jogada no torneio de Baden - Baden de 1928
e, desde então, já transcorreram uns quantos
anos. Ainda assim não se sabe se 10.e5 é boa
ou não. As negras replicam: }
10... cxd4
{Por sua vez, estão ameaçando o cavalo
branco de c3. Os teóricos, até o ano 1930,
opinavam que não era bom seguir 11.Cf3xd4
porque as negras fazem Cxe5 e ficam com um
peão a mais. Então seria melhor 11.exf7,
porém as negras também fariam dxc3, e para
retomar este peão seria necessário debilitar
o flanco dama, pois bxc3 deixa dos peões
isolados.
Ou seja, que ficariam igual em material,
porém as brancas com dois peões isolados.
Nessas discussões os "sabios" se perderam 5
anos. Analisando, analisando, houve quem
opinou que melhor era tirar o cavalo branco
a e2 ou a e4, porém então as negras jogariam
11.......Cg4 e se 12.Cxd4, fariam Cg4xe5 ou,
também, pudessem Cd7xe5, apoiando o outro
cavalo.
Enfim, um trabalho bárbaro. De tudo isso,
nasceu outra idéia, que é a última moda, o
último alarido. Dizem "Já que se nos
decidirmos a jogar 11.exf6, devemos nos
resignarmos a perder o cavalo de c3
(debilitando esse flanco), o melhor seria
entregar, desde já, este cavalo, porém a
custa de um peão inimigo e debilitando seu
flanco dama". Assim: }
11. Nxb5
{Aqui também se produzem uma série de sub-
variantes que não podemos nos deter a
analisar. Se os teóricos gastaram 13 anos e
ainda não o resolveram, mal poderíamos
resolvê-los nós em poucos minutos. O certo é
que há posições onde acabam equilibrados (5
peões contra 5) e outras onde o negro fica
com os dois peões centrais, porém as brancas
com dois peões "passados" no flanco dama. }
11... axb5 12. exf6
{O peão em b5 do negro ficou indefeso e aqui
já poderíamos falar de peças indefesas,
ainda quando, ao dizer "peças", não nos
referimos aos peões, senão às outras mais
"gordas" (claro que um peão é uma das 32
peças do jogo e também lhe cabe este
qualificativo). Se cai este peão, restarão 5
peões contra 5, já que o outro peão branco
avançado também cairá. }
12... e5
{Se as negras tivessem jogado, sem pensar,
12...Dxf6, então 13.Bg5 e perdem a dama. }
13. fxg7 Bxg7
{Se agora cai o peão de b5, restam 5 peões
brancos contra 4 negros. Porém isso é uma
cilada. }
14. Qe2
{Se 14.Bxb5 Da5+ e morre esse bispo
indefeso. Quer dizer: ANTES DE POR UMA PEÇA
INDEFESA HÁ QUE VER MUITO BEM O QUE PODE
VIR. Foi dado um apoio ao bispo para o
momento em que tome o peão de b5 e, além
disso, ameaça-se outra coisa: tomar o peão
negro de e5 com o cavalo porque, como o peão
de e5 está cravado, não poderá retomar. É um
caso de "peça mal defendida". O negro trata,
então, de descravar seu peão de e5, com o
qual defende indiretamente seu peão. }
14... Qe7 15. O-O
{Podia tomar o peão de b5, porém isto é mais
seguro. Tira seu rei de trás da dama, por
algum possível ataque e pelo que veremos: }
15... Bb7
{Jogada aparente. O negro desenvolve seu
bispo dama, porém o deixa indefeso. Isso
pode dar lugar a combinações. E se agregamos
que também o bispo rei negro está indefeso,
convenhamos que são detalhes muito
importantes, que não escaparão a um jogador
experimentado, como Bogoljubow. }
16. Re1
{De novo se ameaça ganhar o peão de d4. Por
que? Porque a dama está mal defendida.
Atacam-na (através de e5) duas peças e só
está defendida por uma; seu rei. Mais,
dissemos muitas vezes que é mau ter o rei ou
a dama na mesma coluna na qual, na outra
ponta, está uma torre; e aqui a situação é
mais grave porque estão os dois. Se um sai,
o outro acaba "preso". }
16... Qd6
{Escapando e defendendo. Porém já não é
suficiente. Para a continuação do branco, a
idéia já es fácil de captar. Recordemos o
que dissemos ao falar das casas conjugadas.
Uma casa crítica para o cavalo branco seria
f5, de onde ataca simultaneamente a dama e o
bispo indefeso de g7. Portanto, o lance "sai
por si só": }
17. Nh4 {Para ir a f5. } 17... Kf8
{O rei negro escapa da coluna onde estão
dama e torre inimigas, ao mesmo tempo em que
defende um bispo indefeso. Podia ter rocado,
porém seria fraco porque o cavalo branco
iria a f5 e logo "entram" no flanco rei os
dois bispos, a dama e, até possivelmente uma
torre, destruindo o roque e ganhando por
ataque de mate. Tampouco se pode falar de
roque grande, pois isso seria um suicídio,
já que esse flanco está completamente
desguarnecido. Não se pode impedir: }
18. Nf5 Qf6
{O bispo em g7 acabou bem defendido porém,
agora, estão "no ar" o cavalo de d7 e o
bispo de b7. Então as brancas poderão
especular sobre estas peças indefesas. }
19. Bd2
{A ameaça é 20.Bb4+ e Cd6+ ou Ce7+ (de
acordo com o movimento do rei negro), com
ganhos decisivos. }
19... Re8 20. Qg4
{Não só é um ataque ao flanco rei, senão que
as brancas estão combinando: através de seu
cavalo, estão ameaçando o cavalo negro
indefeso. No momento oportuno podem fazer
Cxg7 e logo Dxd7, trocando uma peça por
duas. }
20... h5 21. Qh3 {Mantém ameaças. } 21...
Bd5
{Aqui "parece" que o negro se equivocou.
Porque poderia vir a jogada que já
explicamos, na qual as brancas ganham uma
peça. "Parece" que não a viu, porém está
tirando um lance; em bom crioulo: "se faz de
burro". QUANDO NOSSO RIVAL NOS FAZ UM
"REGALO" HÁ QUE DESCONFIAR. Devemos olhar
muito bem antes de tomar e não esqueçamos
que o outro jogador também tem dois olhos
para ver e um cérebro para pensar. Somente
deve-se tomar depois de uma longa análise. }
22. Bxb5
{Vejamos: se 22.Cxg7 Dxg7 e a 23.Dxd7 Dxg2#
De maneira que não se pode ganhar uma peça.
Somente se poderia trocar o cavalo de f5
pelo bispo de g7. Porém as brancas optam por
tomar o peão de b5, que há tempo está
indefeso, com o qual também ameaçam o cavalo
negro indefeso. }
22... Be6
{Esta jogada é defensiva e ofensiva, já que
apóia seu cavalo indefeso e ataca duas vezes
o cavalo branco. Se as brancas o defendem,
perdem a iniciativa. E aqui se vê o que é
ter um xeque a disposição; enquanto o rei é
movido, o branco segue com a iniciativa. }
23. Qa3+ Kg8 {Única. } 24. Nd6 {Ameaça a
torre.} 24... Rd8
{A melhor. Defende o cavalo negro, que era a
pedra de toque de todo o ataque branco. }
25. Ne4
{Este cavalo ataca a dama e fica mais ou
menos "centralizado". A dama negra está
defendendo sua torre de d8; caso saia dessa
diagonal, deixará a mesma indefesa e
permitirá a "entrada" com a dama branca em
e7, ameaçando duas vezes o cavalo, que está
defendido só uma vez. }
25... Qg6 {Se 25...Dh4 26.Bg5 e se ganha a
torre. Tem que fugir daí } 26. Qe7
{Entrou a dama na casa que dissemos. A torre
deve escapar e, onde quer que vá, deixa o
cavalo indefeso, que se pode matar com o
bispo. }
26... Ra8
{Se 26...Rh7 segue 27.Cg5+ e se ganha
facilmente. Com 26...Bf6 perde-se um peão e
o negro fica destroçado porque 27.Cxf6+ Dxf6
28.Dxf6 Cxf6 29.Txe5 e o branco terá dois
peões a mais e a possibilidade de tomar
outros.
Não havia mais remédio a não ser mover a
torre, perdendo o cavalo que, POR ESTAR
INDEFESO OU MAL DEFENDIDO, CONSTITUIU A BASE
DE TODAS AS COMBINAÇÕES DO BRANCO. Claro que
as negras estão preparando outro lance, pois
quando venha 27.....BxC farão Bf8, atacando
a dama, que deixaria indefeso o bispo e as
negras poderiam recuperar a peça perdida.
Porém Bogoljubow viu mais além e tomou o
cavalo.}
27. Bxd7 Bf8 28. Qg5 {Com isto se defende
indiretamente o bispo de d7. }
28... Qxg5
{Se 28...Bxd7 29.Dxg6+ fxg6 y 30.Cf6+
retomando o bispo. O mesmo também se pode
ver sem a troca de damas porque a dama negra
está cravada. As negras "tiram" outro lance:
}
29. Bxg5
{Se as brancas se equivocam e fazem 29.Cxg5,
então 29...Bxd7 recuperando sua peça. }
29... Bxd7 30. Nf6+ Kg7 31. Nxd7 1-0

[Event "O CAVALO CENTRALIZADO"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 14"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]

{Amigos leitores desta pagina. Novamente com


vocês, com outra lição. Muitíssimo obrigado
por seus comentários sobre as mesmas.
Sudações e um abraço desde minha pátria
Bolivariana, minha querida VENEZUELA.
LIÇÃO 14: O CAVALO CENTRALIZADO
Vimos, em uma lição passada, o tema da
"centralização" das peças, e especialmente o
caso da dama. Porém, disse-lhes que era
difícil que isto ocorresse porque os
jogadores, por instinto ou por táctica, não
deixam centralizar a dama. Quando muito, se
poderá por a dama no centro, porém
temporariamente, o que não tem nenhum valor,
pois já dissemos que "centralizar" não quer
dizer simplesmente colocar uma peça no
centro do tabuleiro e nada mais, mas colocá-
la ali de tal maneira que não possa ser
desalojada por nenhuma peça contrária.
Centralizar as peças menores já é mais fácil
e, de todas elas, a mais indicada é o
cavalo. Una vez que se haja conseguido
instalar bem um cavalo, que não possa ser
desalojado do centro, pode afirmar-se que há
muitas chances de ganhar a partida. Um
cavalo que tome uma posição central, como
seriam AS CASAS e4, d4, e5 ou d5, e sempre
que os peões das colunas adjacentes não
possam desalojá-lo dali, é uma peça que dá
dores de cabeça ao contrário, que se verá
pressionado a trocá-lo por outro cavalo (se
possível), ou por um bispo (o que é raro),
ou sacrificar qualidade, trocando-o por uma
torre. Em tal caso, se perderá a
"centralização", porém assim estaria
amplamente compensado com a diferença de
qualidade e posição.
Em outras palavras, já se terá obtido
ganhos. A POSIÇÃO DE UM CAVALO CENTRALIZADO
É MAIS FÁCIL DE CONSEGUIR DO QUE A DAMA
PORQUE, GERALMENTE, OS AFICIONADOS NÃO LHE
DÃO IMPORTÂNCIA. Pensam: "O cavalo tem
saltos muito curtos (apenas de 3 passos) e
está longe do rei rocado, de maneira que
isso não tem maior importância" e o deixam
estar, sem advertir que um cavalo
centralizado é uma vantagem muito grande
para quem o consegue.
A partida que hoje veremos foi jogada em
1928 e pertence ao match amistoso que
mantiveram Euwe e Bogoljubow, disputando a
primazia para medir-se com Alekine pelo
campeonato do mundo. Esse match foi ganho
por Bogoljubow pela mínima diferença (5. 1/2
pontos a 4. 1/2), porém, nesta partida, Euwe
se impôs. Servirá para que possamos
compreender a importância de um cavalo
centralizado que as brancas conseguem
instalar nas primeiras jogadas, dominando,
desde essa posição, fortes casas do
tabuleiro e terminando por decidir a
partida. Compreendemos também que se um
mestre da talha de Bogojubow caía nestes
erros e "deixava estar" um cavalo
centralizado, é fácil que também o jogador
menos experto caia em ditos erros.
BRANCAS: MAX EUWE
NEGRAS: BOGOLJUBOW }
1. d4 d5 2. c4 e6
{As negras, sem meter-se em variantes
nebulosas, "entram" diretamente num Gambito
de Dama. E já temos no tabuleiro uma vulgar
abertura de dama, gambito ortodoxo, ao
estilo de 1900. }
3. Nc3 Nf6 4. Bg5
{O fato de cravar o cavalo negro de f6
significa lesionar o peão dama negro. Podem-
se escolher muitas formas de defesa e uma
delas, que se joga regularmente, é:}
4... Nbd7
{Porém o que muitos aficionados não sabem é
que, ao fazer isto, está sendo sacrificado o
peão dama. Há quem o faz "porque já viu
fazer", sem saber que isto constitui uma
cilada elementar do gambito de dama. Já sei
que a maioria de vocês a conhece, porém não
é demais ensiná-la. O cavalo negro de f6
está cravado e o peão de d5 atacado duas
vezes; quer dizer que as brancas poderiam
jogar 5.cxd5 e se 5....exd5 vem Cxd5 e,
aqui, parece que as negras perderam um peão,
já que o cavalo de f6 está cravado; porém
não é assim, já que se joga tranqüilamente
6......Cxd5 e se 7.Bxd8 (creio que não resta
outro remédio) contesta-se 7...Bb4+ e, como
o rei branco está encerrado, deve-se cobrir
o xeque para o que não há nada mais que a
dama. Então é forçado 8. Dd2 e segue
8....Bxd2+ 9.Rxd2. Resultado: as negras
ganharam um cavalo em troca de um peão e a
partida já está decidida.
Isto foi um simples comentário à margem,
porém o fiz porque bem poderia ser que vocês
jogassem o movimento tão vulgar 4...Cbd2 e,
caso ocorresse ao contrário tomar o peão de
d5 negro, poderiam ficar sem saber o que
responder. Esta cilada é uma das razões por
que muitas vezes lhes diga: convém
desenvolver primeiro o cavalo rei, antes do
cavalo dama. Com Cf3 não poderia seguir isso
porque a 7...Bb4+ cobre-se com o cavalo.
Assim, Cf3 É MAIS PREVENTIVO QUE Cc3.
Sigamos a partida: }
5. e3 Be7
{Descrava. Ao fazer e3, as brancas ameaçavam
tomar o peão de d5, já que ao xeque Bb4+ o
rei move a e2. Era necessário defendê-lo e,
para isso, é bom descravar-se. }
6. Nf3 O-O 7. Rc1
{A jogada normal do branco seria desenvolver
o bispo rei, porém já sabemos que, enquanto
o faça, as negras tomarão o peão do gambito
obrigando a retomar e perder um tempo. Por
isso retardam o desenvolvimento do bispo
rei; para ver se as negras se decidem a
tomar o peão. Naturalmente não farão isso. }
7... c6
{É boa por várias razões; entre outras,
porque esse peão na casa c7 é fraco, já que
somente a dama o defende e poderia ser
atacado pela torre de c1 e pelo bispo
colocado em f4. Além disso, assim apóia o
peão de d5, defende a casa b5, corta o
caminho da torre branca, defende
indiretamente a casa c7 e, mais adiante,
quando se tome o peão do gambito e o bispo
rei o retome, servirá de trampolim para
aproveitar essa má situação do bispo e poder
jogar b5, preparando o fiancheto de dama. }
8. Bd3
{Daqui, este bispo ataca o ponto h7 e, por
tanto, está melhor aqui do que em e2. Até
este momento, tudo o jogado é "normal", tão
normal que em 17 partidas do match Alekine-
Capabranca se chegou a esta mesma posição e
poderíamos acrescentar que de 100 partidas
que se jogam hoje em dia, 50 têm esta
posição.
O caminho do negro oferece poucas variações.
A jogada lógica seria: 8...dxc4 para seguir
9.Bxc4, b5. 10.Bd3, etc. Com o que se obtém
uma paridade. Porém Alekhine, sempre que
enfrentou Capablanca, fez: 8...a6, conhecida
por "Variante Heneberger", que tem seus
inconvenientes, porém cuja idéia é ganhar um
tempo quando o negro faça 9.....dxc4
10.Bxc4, b5 (já apoiado) 11.Bd3 e em seguida
c5! Claro que, como agora o lance pertence
ao branco, este se oporá a estes planos. E
para isso existe uma regra: EM TODAS AS
POSIÇÕES DO GAMBITO DE DAMA. QUANDO AS
NEGRAS JOGUEM a6, DEVE-SE TROCAR OS PEÕES
CENTRAIS.
Os inconvenientes que tem 8....a6 são: que
deixa as casas b6 e c4 a disposição do
branco, que com um salto de Ca4 as toma
imediatamente e isso o demonstrou
magistralmente Capablanca. Ou seja, que
8...a6 é uma debilidade; as negras devem
esperar ou tomar o peão do gambito.
Entretanto, Bogoljubow preferiu a variante
Heneberger. }
8... a6 9. cxd5 {Segue a regra. } 9... cxd5
{?
As negras podiam retomar o peão branco com
três peças: o cavalo ou o peão bispo. A
jogada justa era exd5, que é a lógica
porque, através do cavalo de d7, abre a
diagonal de seu bispo dama, já que seu
próprio peão do rei, colocado na terceira
casa, é o obstáculo que o bispo dama negro
tem para se desenvolver nesta abertura.
Nesta partida, Bogoljubow tomou com o peão
bispo; não porque desconhecesse o que
dissemos, mas porque acreditou que seu rival
não saberia a reposta exata que deveria dar.
Porém, equivocou-se grandemente, como o
veremos. Logo observamos que o bispo dama
negro segue encerrado, não pode sair nem por
fiancheto, nem por sua diagonal natural,
devido a que os peões em e6 e b7 cortam seus
movimentos. Bogoljubow intentou libertá-lo,
porém não conseguiu de forma satisfatória. }
10. O-O b5
{Este avanço, a parte de permitir o
desenvolvimento do bispo dama por fiancheto,
tem por objetivo dominar duas vezes a casa
c4, onde seria muito forte instalar um
cavalo.}
11. Ne5
{A que se propõe Euwe ao fazer isto, que tem
a aparência de uma capivarada? Não é
possível crer que não viu a continuação.
Observemos que esse cavalo de e5 está
defendido pelo peão de d4 e ninguém impede
as negras de fazer 11...Cxe5; ao que deve
seguir 12. dxe5, ficando as brancas com um
peão dobrado na coluna do rei, que será
rapidamente atacado com 12..... Cd7. O que
Euwe ganha com isto? É inconcebível que não
haja previsto uma coisa tão fácil.
Tranqüilizem-se. Euwe sabia o que via. No
momento viu que pressionava o cavalo negro
de f6, tirando uma defesa do roque, e o
restante veremos muito mais claro dentro de
duas jogadas. Por enquanto, se as negras não
trocam Cxe5, já se tem um cavalo no centro.
(Porém não "centralizado" porque já sabem
que centralizado é "intocável" ). E se
trocam os cavalos, como ocorreu na
partida... }
11... Nxe5 12. dxe5 Nd7 13. Bf4
{!
Já vão ficando mais claros os planos de
Euwe. Não aceitou a troca de bispos, apesar
de que o seu é o "mau" e o das negras é
"bom", porque necessitava apoiar seu peão
dobrado de e5. E agora se pode ver que, ao
sair o peão da casa d4, deixou esse ponto
para poder colocar ali uma peça, que poderia
ser seu cavalo. Está, pois, jogando com a
firme idéia de centralizar um cavalo que,
caso consiga, estará em d4 perfeitamente
instalado, obrigando o contrário (se quer
tirá-lo), a trocar por seu bispo "bom", o
que será difícil que ocorra porque as negras
trataram de chegar ao final com o par de
bispos. Por tudo isso, "deixaram estar" ali
o cavalo (que não pode ser atacado pelo peão
de d5 travado), ficando toda a partida
irremovível. }
13... Bb7 {Ameaça avançar o peão de d5. }
14. Ne2
{!
Já se vê claro. As brancas buscam a
"centralização" do cavalo, ao mesmo tempo em
que impedem o avanço do peão de d5 do negro.
}
14... Qb8
{?
Evidentemente, esta jogada é fraca porque
põe a a dama na diagonal de um bispo
contrário. Por outra parte, o peão dobrado
não pode ser tomado. }
15. Nd4
{!
E já temos o cavalo centralizado, que é o
tema desta lição. Ali permanecerá
"intocável" porque, como já dissemos, não
pode ser desalijado pelo peão do rei travado
e, caso se troque pelo bispo "bom" das
negras, o branco sairá ganhando na troca.
Além disso, não se pode tomar o peão de e5
dobrado porque a 15......Cxe5 segue Bxh7+,
Rxh7 17.Dh5+ e se ganha o cavalo. Também
pode vir diretamente 16. Dh5, ameaçando dar
mate, pelo qual não é necessário f5, porém
isso não é suficiente porque 17.Ce6 é
decisivo.
Começamos a sentir AS VANTAGENS DE UM CAVALO
CENTRALIZADO. ESTÁ MUITO LONGE DO REI
CONTRÁRIO, PORÉM ATACA E DEFENDE. Desde sua
posição, domina importantes casas do campo
adversário e mesmo em caso de perigo pode ir
a f3, defendendo seu roque. Para dizer mais
claro: é ele que ganha a partida. }
15... g6
{As negras deviam impedir a entrada da dama
em h5 e não encontraram melhor recurso que
este, evidentemente mau porque PEÃO QUE SE
AVANÇA DEIXA UMA OU MAIS CASAS FRACAS. Que
neste caso são h6 e f6. As brancas ganham
tempo jogando: }
16. Bh6 {Atacam a torre. } 16... Rc8 17.
Rxc8+ Qxc8
{Aparentemente o negro domina a coluna c1-
c8, porém não é bem assim, porque qiase
todas as casas, menos a segunda e a quarta,
estão tomadas por peças brancas, e essas
pouca importância tem nesta luta. As negras
podem agora tomar o peão de e5 dobrado; de
maneira que é necessário defendê-lo. }
18. f4 Nc5
{Ameaça tomar Cxd3, porém a posição do
cavalo centralizado é tão forte que permite
despreocupar-se por estas trocas. Há outros
objetivos mais importantes: tomar a casa f5,
que neste caso é a casa crítica. Por isso há
que levar mais peões ao ataque. }
19. g4 Nxd3 20. Qxd3 Qc4
{Não haveria sido bom 20...Bc5 devido a
21.Tc1 cravando o bispo. Bogoljubow trata de
trocar as damas para buscar um final onde
possa fazer valer seu par de bispos.
Todavia, não crê nas moléstias de um cavalo
centralizado. Não há razão para trocar as
damas, pelo que Euwe responde: }
21. Qd2
{Vemos que se permite a entrada do bispo
negro em b4 e que entrega o peão de a2;
porém tudo isto pode ser feito porque f5
romperá o flanco rei das negras e valorizará
suas peças. }
21... Bb4 22. Qf2
{Até nisto vemos a ação do cavalo
centralizado: corta as entrada da dama
rival, ajuda a fazer f5 e está perfeitamente
instalado, já que não há peões laterais que
possam atrapalhá-lo. Ademais, faz o centro
semi-fechado, desvalorizando os bispos
contrários, pois o que está em b7 não faz
nada e o outro trabalha muito pouco. }
22... Qd3 23. f5
{!
Contra tudo e apesar de tudo, as brancas
jogam o peão a f5. Há três defensores contra
quatro atacantes; de maneira que se pode
fazer. Seria mau para as negras trocar ali
os peões porque em seguida há um xeque de
dama em g3 e logo mate em g7. }
23... Qe4 {Ameaça dois peões. } 24. Qg3
{Seria mau fazer 24.fxe6 devido a 24...Dxg4+
e logo 25.Rh1 De4+ etc.., desaparecendo todo
o perigo. Melhor é defender tudo e reservar-
se as ameaças. NO XADREZ HÁ QUE IMOBILIZAR O
OPONENTE ENQUANTO SE POSSA. }
24... exf5 25. gxf5 Bf8
{Há que fazer uma jogada indiferente, e as
negras preferem buscar a troca de bispos. O
branco não se faz de rogado. }
26. Bxf8
{Com que peça se tomará este bispo?
Descartado o rei, porque se coloca na mesma
coluna onde há uma torre contrária (seguiria
fxg6, etc..,) resta somente. }
26... Rxf8 27. f6
{!
Observemos que se o peão de 'd5' negro
desaparecesse ou se avançasse o mesmo, já
estaria "montada a máquina" e as negras
dariam mate rapidamente. Portanto o cavalo
centralizado tem agora a tarefa de impedir
esse avanço, por cuja razão não deve mover-
se de onde está.
As brancas encontraram que a melhor
continuação era 27.f6 ameaçando 28.Dh3 e
ainda Dxe5, entra rapidamente 29.Dh6, para
dar mate inevitável em g7. E se não toma o
peão de e5, seguiria algo assim como 29.e6,
etc. }
27... h5
{Para evitar a entrada da dama branca, as
negras apelam a este recurso, que já não é
suficiente. Para os amantes dos
"brilhantismos", lhes direi que esta partida
se poderia ganhar com 28.e6 e se fxe6 29.Cf5
e não se pode Txf6, devido a 30.Db8+ e em
todas as variantes se ganha. Porém é mais
seguro 28.Dg5 (que é o que fez Euwe) porque
ameaçam Dh6 e mate em g7. }
28. Qg5 Qg4+
{Ante o inevitável desastre, as negras
buscaram a troca de damas, que
indubitavelmente também Euwe o previu. }
29. Qxg4 hxg4 30. e6
{Vemos que tudo vai ser reduzido a um final
em que o branco tem dois peões avançados.
Até aqui, o cavalo branco fez tão só três
movimentos e é o que ganhou a partida. Tanto
é assim que ele imobilizou o bispo das
negras, colaborou em todos os ataques e
combinações e, agora, está valorizando seus
peões avançados, porque a 30....fxe6 vem
31.Cxe6 e se a torre vai a qualquer casa da
primeira linha segue 32.f7+ e em seguida f8=
D, Txf8 e Cxf8, ganhando o final. Porém se
depois de 30.....fxe6 31.Cxe6, a torre vai à
segunda linha Tf7, o cavalo salta 32.Cd8
(duplo) Td7 33.f7+ Rf8 e Ce6+ entrando a
dama. Pelo que foi, dito não se pode fazer
30....fxe6. }
30... Kh7 31. e7 Re8
{É a única possível. Observemos que agora as
peças negras estão imóveis. O rei no
encerrado, a torre impedindo a entrada do
peão e o bispo sem nenhum programa. Poderia
ir a c8, porém o branco termina por cortar-
lhe essa probabilidade com: }
32. Rc1 Kh6 {Espera. } 33. Ne6
{E as negras abandonam. As negras estavam
irremediavelmente perdidas. se 33...fxe6
34.f7 e entra a dama. E se não tomam o
cavalo, seguiria 34.Cc7, tirando a torre de
onde se encontra, o que se aproveitará para
entrar com a dama e ganhar.
COMENTÁRIO: O cavalo centralizado fez
somente quatro movimentos (3.Cc3; 14.Ce2;
Cd4 e 33.Ce6), e é o que ganhou a partida.
Isso quer dizer que: "A UM CAVALO
CENTRALIZADO HÁ QUE VIGIA-LO MUITO E NÃO É
POSSÍVEL "DEIXÁ-LO ESTAR". Do contrário, se
o deixamos centralizar, damos a oportunidade
a que se produza essa lição de jogo que
acabamos de ver.
Bom, amigos leitores, não é necessário
acrescentar nada mais para compreender sua
enorme importância. Até a próxima lição.
Prof. Erich González
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "DEBILIDADE DA DIAGONAL a2 - g8"]


[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 15"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. d4
{Amigos leitores desta pagina. Novamente com
vocês, com outra lição. Muitíssimo obrigado
por seus comentários sobre as mesmas.
Sudações e um abraço desde minha pátria
Bolivariana, minha querida VENEZUELA. LIÇÃO
15 DEBILIDADE DA DIAGONAL a2 - g8 Hoje
vamos ver como se explora a debilidade da
diagonal a2 - g8 (para explorar dos dois
lados), quando, por um defeito da abertura,
se avança o peão do bispo rei ( f6). Na
realidade, AVANÇAR O PEÃO DE f6 DEPOIS DE
HAVER FEITO O ROQUE CURTO QUASE SEMPRE É
MAU, porque dá origem à debilidade da
diagonal antes mencionada. E a partida, por
isso só, está perdida quando o adversário
ainda conserva seu bispo rei, que há de
dominar essa diagonal, por exemplo, desde a
casa c4. De maneira que saber se é bom ou
mau fazer f5, veremos em seguida: se o
adversário tem o bispo que corre pelas
diagonais da mesma cor que a2 - g8 e pode
explorar esta debilidade (porque poderia
acontecer que esse bispo estivesse encerrado
e não pudesse chegar à diagonal mencionada),
é indubitável que essa jogada é ruim. A
jogada f4 ou f5 deve ser muito bem pensada.
Porém, ainda há mais: suponhamos que já
tenha desaparecido o bispo rei do
adversário; Ainda assim, resta a Dama, que
pode substitui-lo! E quando a Dama pode
substituir esse bispo deve-se considerar com
muita cautela para não sofrer as
conseqüências. Muitas partidas foram
perdidas e muitas se perderão unicamente por
esse detalhe. Quando se faz, por exemplo, f4
a idéia é fazer jogar a torre de f1 ou, às
vezes, cortar a ação do bispo rei contrário
contra a casa a2. Porém, então essa diagonal
já não interessa, pois o bispo rei passa à
outra diagonal (a2 - g8). Daí que, quando em
qualquer partida estejamos por jogar f5
(depois do roque curto), devemos levar muito
em conta os detalhes e pensar muito no que
vem. Claro que às vezes é obrigatório fazer
f5 para evitar o mate e não resta outro
remédio. O que vamos fazer! Na partida que
reproduziremos ficará bem claro a debilidade
que hoje estudaremos. E novamente lhes digo:
se até os grandes mestres esquecem desses
detalhes, um aficionado também pode cair e
fazer f5 sem muito analisar. BRANCAS:
SPIELMANN NEGRAS: THOMAS}
1... e6
{A resposta das negras é outra jogada
elástica e significa um convite ao branco
para variar os planos. Efetivamente, quando
as brancas iniciam com e4 e as negras
respondem (como agora) e6, entra na
conhecida Defesa Francesa, cuja idéia é
jogar com um centro atrasado para depois
atacar o peão do rei branco mediante d5. Os
lances que caracterizam esta defesa são: 1.
e4, e6 2. d4, d5, depois do que há várias
estratégias. Aqui as brancas começaram com
1. d4 e a resposta e6 das negras significa
que o convidam a jogar 2. e4, entrando em
uma Defesa Francesa por transposição de
jogadas. Spielman não aceita. Não lhe
agrada, pelo que já disse nas lições
anteriores muitas vezes: É BOA TÁCTICA NÃO
FAZER O GOSTO DO ADVERSÁRIO. DO ADVERSÁRIO
PODEMOS ACEITAR OS CONVITES PARA TOMAR CAFÉ,
JANTAR OU IR AO CINEMA, ETC. PORÉM, NO
TABULEIRO, NÃO DEVEMOS ACEITAR CONVITES. HÁ
QUE RECUSAR.}
2. c4 Nf6
{Vemos que o branco segue obstinado em seu
intento: estabeleceu uma abertura peão dama
e segue com sua idéia de jogar um gambito de
dama. O negro, por sua parte, atrasa o
desenvolvimento de seu peão dama. (Pode-se
fazer).}
3. Nc3 d5
{Agora é o branco que convida a entrar em
uma defesa Nimzovitsch (3.......Bb4), porém
seu adversário não aceitará e entra em um
peão dama normal. Sabemos que nesta abertura
a situação é difícil de desequilibrar para
um ou outro lado, se não houver erros. Aqui,
trata-se de ir dominando casas importantes.
Ao contrário, na abertura de peão rei,
trata-se de ir logo ao flanco rei e atacar
em seguida. Na peão dama, as peças não estão
em lugares agressivos; faz-se o jogo
posicional.}
4. Bg5
{A brancas atrasam o desenvolvimento do
cavalo rei, reservando-se o direito de tirá-
lo pela casa f3 ou por e2. O plano é bom.}
4... Nbd7
{Já comentamos este lance na lição anterior.
Encerra a cilada já demonstrada. Para os
teóricos, a dificuldade está em saber se
deve fazer-se primeiro Be7 ou Cbd7. A moda
de hoje está por Be7. Sua razão é que com
Cbd7 facilita-se o jogo das brancas, que
poderiam seguir 5. e4; coisa que Be7 não
permite. Em troca, Cbd7 tem a vantagem de
que as negras ainda não desenvolveram seu
bispo rei e, portanto, se reservam o direito
de fazer uma Cambridge-Springs, que como
dissemos consiste em levar este bispo a b4 e
a dama a a5, pressionando sobre o cavalo
cravado em c3. Na partida, não acontece
assim; as brancas jogam tranqüilamente:}
5. e3 c6
{Depois disso, pareceria que o negro tem a
idéia de jogar uma Cambrigde-Springs; idéia
discutível nesta posição, já que não está
desenvolvido o cavalo rei branco, que pode
sair por e2 e o plano das negras fracassa.
Porém o branco não quer complicações. Uma
boa maneira de parar a Cambridge-Springs é
fazer:}
6. cxd5 exd5
{Já expliquei que é melhor tomar com o peão
de e6 (peão rei negro) do que com o peão de
c6. A razão é que facilita às negras a saída
de seu bispo dama, que logo jogará
perfeitamente bem.}
7. Bd3 Be7
{As negras renunciam a colocação da
Cambridge-Springs, já que as brancas, com
Cge2, pararão todas as ameaças.}
8. Qc2 O-O
{Aqui existe um plano, que se joga hoje em
dia, para liquidar está situação. O plano
consiste em não fazer o roque, mas jogar:
[ 8...Ch5 ao que poderia seguir 9.Bxe7 Dxe7
10.Bxh7 g6 (encerrando o bispo) 11.Bxg6 fxg6
12.Dxg6+ etc. E, como vemos, o branco trocou
uma peça por três peões do flanco rei.] Não
há, pois, nenhum perigo para o negro em
fazer este plano porque: ENQUANTO NÃO SE
CHEGUE A UM FINAL CLARO, OS TRÊS PEÕES NÃO
COMPENSAM A PEÇA PERDIDA. ESTARIA COMPENSADA
SE AINDA RESTASSEM DEBILIDADES A EXPLORAR,
DO CONTRÁRIO, A PEÇA VALE MAIS. É distinta
a situação quando se chega a um final puro;
por exemplo: um lado com rei e bispo e o
outro com rei e três peões; não há nenhuma
dúvida de que os três peões valem muito mais
do que a peça porque com o bispo somente não
se pode dar mate, enquanto que os peões
podem ser coroados e ganhar a partida. Por
isso, repito, o plano anterior tem certa
vitalidade. Porém sigamos com a partida.}
9. Nce2 Re8
{Observemos que assim se torna forte a
pressão do bispo e da dama brancos sobre a
casa h7, coisa que com o plano se elimina,
para fazer depois g6. Vemos que agora as
negras não podiam tirar seu cavalo de f6,
por que viria Bxh7+. Para poder fazê-lo,
primeiro devem ter movido sua torre a e8 e
depois devem colocar o Cd7 em f8.}
10. O-O-O
{Sabemos que QUANDO SE FAZ O ROQUE GRANDE
TENDO O ADVERSÁRIO O ROQUE PEQUENO,
SIGNIFICA QUE SE VAI ENTRAR EM UM "DUELO DE
MORTE". Os planos do branco são: levar um
ataque de peões no flanco rei para destruir
o roque. Se não fosse por isso, e porque a
posição se presta para tais manobras, o
roque grande não seria recomendável. Aqui é
possível porque o rei negro está mal
colocado e há contra-chances.}
10... Ne4
{Com a idéia de evitar o que dissemos se faz
10.......Ce4; porém, isto é o início de um
plano equivocado. Logo as negras entregam um
peão e trocam seu bom bispo da defesa por
outro bispo que não trabalha.}
11. Bxe4
{Se 11.Bxe7 Dxe7 e o cavalo negro de e4
acabará bem defendido e até ameaça um duplo
às torres, tomando o peão de f2. Isso foi o
que pensou Thomas, porém Spielman não o
fará. A situação é um tanto complicada. Se
11.Cxe4 o indefeso bispo de g4 acaba
protegido, mas só pelo momento porque segue
11...dxe4 e se 12.Bxe4 ( se 12.Bxe7 exd3
13.Dxd3 Dxe7 com ganho de peça para o
segundo jogador.) 12...Bxg5 13.Bxh7+ Rf8 e
as negras trocam dois peões por um bispo.
Tampouco serve 11.h4 porque se perde a
qualidade com 11...Cxf2]}
11... dxe4
{Ao não poder tomar o bispo de g5, as negras
devem conformar-se em matar o outro bispo.
Então, agora é o momento de dar um apoio ao
indefeso bispo de g5 com 12. h4 e se Bxg5
13.hxg5,Dxg5 14. Cxe4 e as brancas conseguem
abrir a coluna h1-h8 (que é o que querem)
para exercer uma forte pressão sobre o roque
com a torre e a dama apontando a h7.}
12. h4 f5
{Chegamos ao momento que desejávamos para
esta lição. As negras, prevendo que depois
da troca de bispos não lhes seria fácil
defender seu peão avançado de e4, analisam
superficialmente a posição e avançam o peão
a f5 para dar-lhe apoio. E já se cometeu o
erro tão comum que escolhi para o tema de
esta lição. Antes de seguir adiante, vamos
fazer outras esclarecimentos sobre esta
partida. Com 12.Bf6 tampouco se defendia o
peão de e4. E se jogassem 12.....h6 as
brancas poderiam estudar a possibilidade de
perder o bispo de g5, para abrir a coluna da
torre, já que isso dá lugar a uma série de
combinações um pouco longas de resumir. De
todo o que, se infere que o salto de
10......Ce4 era mau. Observemos que as
brancas carecem do bispo rei, que poderia
dominar a diagonal de quadros brancos (a2-
g8). Mas tem a dama que pode substitui-lo! O
negro conseguiu defender seu peão de e4,
porém deixou uma enorme debilidade, que
neste caso basta para perder. O negro
acredita poder solucionar estes problemas,
porém não é isso o que acontece, porque logo
vem a dama a tomar essa diagonal e com
xeque, com o que ganha mais tempo para o
ataque. Daqui para frente, o negro deverá
fazer unicamente jogadas defensivas que, não
obstante, serão insuficientes para
equilibrar a luta.}
13. Qb3+ Kh8
{Ao não poder cobrir com nenhuma peça, aonde
poderia ter ido o rei? Talvez em f8 poderia
ter se defendido um pouco mais, já que a
pressão da torre de h1 não seria tão
decisiva. Porém estamos seguros de que 999
jogadores sobre 1000 teriam feito, por
princípios gerais ou por costume Rh8, que
foi o que Thomas jogou, sem advertir que
existe uma força muito grande na coluna h1-
h8, e que a ação da torre, a longo prazo,
dará seus frutos. Agora, trata-se de
explorar ainda mais a má colocação do rei
negro.}
14. Nf4
{Ameaça-se um salto de cavalo a e6, que
seria forte. Porém se agora viesse
14......Bxg5 seguiria 15.Cg6+ (com o que se
dá jogo à torre) porque a: hxg6 e 16.hxg5++
(mate). Donde se demonstra, uma vez mais,
que A MÁ COLOCAÇÃO DO REI PERMITE COMBINAR E
SEMPRE SE ENCONTRARÁ A MANEIRA DE CONTINUAR
O ATAQUE. Observemos que não só o rei está
colocado na mesma coluna onde, na outra
ponta, está uma torre, senão que também a
dama negra está nas mesmas condições, apesar
de que existam peças entre elas, que, como
sabemos, desaparecerão quando o branco se
propuser a isso. Para defender a casa e6 e
reforçar h7, faz:}
14... Nf6 15. h5
{As brancas estão ameaçando mate com
16.Cg6+, hxg6 e 17. hxg6++. A ação da torre
sobre o rei é decisiva, enquanto que a dama
colocada na diagonal a2-g8 vigia o movimento
do rei negro. Não resta mais remédio que não
seja cobrir a diagonal dominada pela dama
branca. E com o único movimento possível;
com o cavalo em d5. No momento, não haverá
mate, porém a posição está perdida.}
15... Nd5
{Como se defende o mate? se joga: 15...h6
que não é bom devido a 16.Df7 hxg5 17.h6
gxf4 18.hxg7# ou qualquer outra combinação
parecida, que ganha rapidamente.}
16. Bxe7 Nxe7
{Não seria bom 16...Dxe7 devido a 17.Cg6+
(duplo) 17...hxg6 18.hxg6+ Rg8 19.Cxd5 etc.
Além disso, as negras acreditam que com o
movimento da partida impedirão, por agora,
17. Cg6+. Mas, apesar de todo.......}
17. Ng6+ Nxg6 18. hxg6 Be6
{Finalmente as negras conseguiram cortar a
ação da dama na diagonal a2-g8, ainda que
demasiado tarde. Com 19.Dxb7 é suficiente
para ganhar, porém não se pode dar mate, que
é ao que Spielman se propõe, em vista de sua
favorável posição. Como não há pressa em
retirar a dama porque existe a pressão da
torre sobre o rei, faz:}
19. Rxh7+ Kg8 {Única.} 20. d5
{É esta a jogada lógica porque, enquanto
interrompe a ação do bispo, limpará a coluna
d1-d8 para que a outra torre logo pressione
sobre a dama negra.}
20... cxd5 21. Rxd5
{E já se conseguiu limpar a coluna d1-d8,
que parecia tão fechada. Porém agora as
negras aproveitam a debilidade do roque
grande, que nesta partida não tem maior
importância, mas em outras é tema para
explorar. }
21... Rc8+ 22. Kb1 Qg5
{A dama se desfaz da pressão da torre,
ameaçando também tomar o peão de g6. Veremos
que isto não resultará suficiente: }
23. Rh1 Qxg6 24. Rh8+ Kf7 {Única. } 25.
Qxb7+
{E as negras abandonam.
RESUMO: Nesta partida, a dama, desde a
décima terceira jogada, (depois que se jogou
12.....f5), exerceu uma forte pressão na
diagonal a2-g8, que também poderia ter
exercido o bispo rei se as brancas o
tivessem; o que foi suficiente para demolir
todas as defesas de seu adversário. Vimos
como, unicamente por esse detalhe, perdeu-se
uma partida que, até então, era mais ou
menos equilibrada.
Repito o que disse muitas vezes: É PERIGOSO
DESCUIDAR DE DETALHES NO AFÃ DE SUSTENTAR
TUDO, PORQUE SE O CONTRÁRIO SABE EXPLORÁ-LOS
(como neste caso) A PARTIDA SE TORNA
INDEFENSÁVEL.
Bom, amigos leitores, é tudo por enquanto.
Façam seus próprios comentários no que se
refere a esta lição. Agradeço-lhes suas
correções. Até breve.
Prof. Erich González
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "DOIS CAVALOS CENTRALIZADOS"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 16"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "A00"]
[PlyCount "93"]

{Os cavalos centralizados


Estimados leitores desta página. Uma
saudação muito cordial, de irmandade,
fraternidade, carinho e respeito em nome da
Revolução Bolivariana que faz de meu País
uma Nação mais próspera e de progresso.
LIÇÃO 16 - DOIS CAVALOS CENTRALIZADOS.
Vamos seguir com variações sobre o tema das
peças centralizadas. Vimos primeiro o caso
de uma dama centralizada, que devido a sua
enorme mobilidade pode dar "a volta ao
tabuleiro" em poucos golpes, ganhando a
partida. Logo vimos um cavalo centralizado,
que tão só realizou 4 movimentos desde sua
saída e, não obstante sua relativa
imobilidade, colaborou no ataque e na
defesa, sendo o principal fator da vitória.
Hoje veremos um caso parecido, onde se
centralizam dois cavalos (um por lado),
porém um deles não fica imóvel em sua casa
central, senão que vai e volta. Trata-se de
uma partida muito interessante, jogada no
torneio das nações em 1939, entre o inglês
Millner Barre e o eslovaco Foltes, na qual
se jogou uma abertura de peão rei que foi
contestada com uma Defesa Siciliana.
Já falamos outras vezes desta Defesa e
dissemos que muitos mestres quando tem que
levar as negras não contestam 1...e5 porque
com isso se entraria em uma abertura de peão
de rei normal e conhecida, senão que
preferem jogar uma defesa irregular, e
dentre elas pode-se escolher a Siciliana.
BRANCAS: MILLNER BARRE
NEGRAS: JAN FOLTES
Defesa Siciliana }
1. e4 c5
{Esta é uma maneira de não estabelecer
contato de peões no centro e de dominar a
casa d4, que o branco disputará em seguida.
A idéia é boa e se apresentará
freqüentemente. }
2. Nf3 Nc6 {Lógica. } 3. d4 cxd4 4. Nxd4
{A casa em disputa ficou em poder do branco.
Não é conveniente 4....Cxd4 por que5. Dxd4 e
apesar de a dama ainda não estar
"centralizada", ocupa já uma posição central
e é difícil desalojá-la dali com as peças
adversárias. É muito melhor atacar o peão
rei branco, que não está defendido }
4... Nf6
{Por que se faz isto e não a jogada lógica,
que seria 4.....d6? Porque em caso de
4....d6 o branco aproveita para dominar a
casa d5 mediante c4. Por outro lado, com
4....Cf6, como se ataca ao peão de e4, é
necessário defendê-lo e o melhor é 5.Cc3,
que impedirá logo o avanço do peão bispo
dama branco. }
5. Nc3 d6
{Agora se fez d6 e vemos que o negro tem a
mesma posição que desejava, porém o branco
não tem o peão em c4, o que seria de suma
importância. }
6. Be2 g6
{As negras vão fazer um fiancheto de rei,
tratando de dominar o centro de longe, com
Bg7. Costuma-se jogar esta variante e também
e6, porém em minha opinião pessoal é melhor
o fiancheto, porque o negro segue com a
idéia de dominar o centro indiretamente. NO
XADREZ, É BOM PERSISTIR EM UMA IDÉIA. HÁ QUE
SE PROPOR A ALGO E TRATAR DE CHEGAR A
CUMPRI-LO. }
7. Be3
{Quando as negras tirarem seu bispo rei a
g7, ameaçarão (através de seu cavalo) o
cavalo de d4. Por isso o branco o refuta por
antecipação com 7.Be3, que tem por base se
opor ao fiancheto. }
7... Bg7 8. Nb3
{Esta é a jogada "da moda". Antigamente se
continuava com 8. 0-0, que tem suas
vantagens e desvantagens. A jogada 8. Cb3
parece um pouco ilógica, porque se a idéia
do branco era sustentar o centro (e para
isso fez 7.Be3), não há razão para afastar-
se desta forma. Entretanto, faz Cb3 porque,
ainda que se abandone em parte o domínio do
centro, permite levar um ataque (hoje muito
em moda), que chegou a colocar em dúvida a
força da Defesa Siciliana, e que consiste em
preparar um assalto de peões no flanco rei
para destruir o roque negro. Eu não critico
a jogada 8.Cb3. Digo simplesmente que não
segue um plano harmônico, porém é boa e tem
sido jogada. }
8... O-O 9. f4
{Começa o "assalto" de que falávamos. Mais
adiante, o branco fará também g4. Este
assalto coloca em perigo a posição do negro
se este não conhece bem a defesa. Também
lhes direi que este ataque de peões é
perigoso e difícil de conduzir. É uma arma
de duplo fio porque, se fracassa, o rei
branco fica muito comprometido. Porém, até
agora, parece que é o mais eficaz que existe
contra a Defesa Siciliana. Tanto é assim que
hoje se duvida da validade dessa Defesa,
precisamente por este ataque. }
9... Be6
{Se o cavalo branco estivesse em d4, não se
poderia jogar isso. Então, por que se fez
8.Cb3? Logo veremos. }
10. O-O Na5
{!
Eis aqui a VARIANTE TARTAKOWER. É esta a
jogada justa do negro. Aparentemente, o
mestre polaco Saviele Tartakower, depois de
muito pensar, encontrou este movimento, que
resolveu a posição das negras.
Pode-se responder de várias maneiras. Por
exemplo: 11.f5, explorando a má situação do
bispo negro. Alekine em um match contra
Botwinnik preferiu fazer 11.g4, e a partida
resultou em empate, porém Botwinnik passou
por sérios apuros. A outra que pode fazer é
Cxa5, porém esta tem suas desvantagens.
Quais são? Fazendo um jogo de palavras,
direi que é difícil de se ver porque é muito
fácil. E também porque a razão não está no
tabuleiro.
Vejamos: o cavalo que o branco tem em b3,
saiu de sua casa inicial e foi a f3, dali
passou a d4 (tomando um peão), depois
retrocedeu a b3 e, se agora faz Cxa5,
resulta que terá utilizado quatro tempos em
fazer todo este percurso. Em troca, o cavalo
negro de a5 saiu de sua casa inicial para ir
a c6 e dali a a5, no que usou dois tempos
somente. A coisa é simples: 4 - 2 = 2; se o
branco toma, terá perdido 2 tempos. Alguns
jogadores fizeram a troca de cavalos,
perdendo os dois tempos, e as negras
obtiveram uma posição cômoda. Então? É
melhor fazer a de Alekine (11.g4) ou seguir
com a vulgar 11.f5, colocando ao negro
difíceis problemas. }
11. f5 Bc4
{Não é bom 11...gxf5 porque se desfaz o
roque. É melhor o movimento do bispo a c4.
Caso se volte atrás, terá perdido um tempo;
então o lógico é combinar, aproveitando a
eventual posição do cavalo em a5. Por tudo
isso, a idéia de Tartakower é interessante e
digna de ser estudada. O branco continua seu
plano de assaltar o flanco rei, com uma
jogada que ameaça muitas coisas. }
12. Nxa5
{Finalmente o branco se decidiu pela troca
de cavalos. Quer dizer que "deixou
escorregar" dois tempos. Porém é aparente.
Onde está pois a compensação? Outra vez a
razão não está no tabuleiro. Vejamos: o
bispo negro, que está na casa c4, saiu de
sua casa inicial para e6, dali passou a c4
e, caso tome o outro bispo, resultará que
terá usado três tempos para todo seu
percurso. Em troca, o bispo branco de e2
realizou um só movimento. Outra vez
empregamos a aritmética: 3 - 1 = 2. Donde
resulta que o branco, ao tomar agora o
cavalo, perde dois tempos, porém ao trocar
os bispos (que é inevitável), ganha dois
tempos. Façamos números: 2 -2 = 0. Os tempos
estão equilibrados. E também resulta que o
avanço de peões no flanco rei tem ampla
compensação, porque se ganhou tempos para o
ataque. }
12... Bxe2 13. Qxe2 Qxa5 14. g4 Nd7
{Vamos nos deter um pouco. Até agora, o que
aconteceu? Os tempos estão iguais, porém os
peões avançados no flanco rei permitem ao
branco certas manobras que evidentemente o
negro não pode realizar. Conseqüência: há
vantagem para o branco.
Façamos a análise posicional: o bispo negro
do fiancheto é "bom", porém o bispo branco
também é "bom". As damas de ambos os lados
tem possibilidades iguais; o cavalo negro
pode ser centralizado em e4, e o cavalo
branco continua dominando a casa d5, que foi
disputada desde a abertura, onde poderia se
instalar. Conseqüência: existe leve vantagem
das brancas, devido aos peões avançados, que
permitem um possível ataque sobre o roque
inimigo.
Façamos a análise táctica: o bispo negro
está dominando a grande diagonal do
fiancheto e, em união com a dama, ataca o
cavalo de c3, que poderia ser capturado,
ganhando um peão. E se o cavalo sai daí,
deixa sem defesa o peão de e4. Não obstante,
o branco prefere levar seu cavalo a d5,
ocupando uma posição central, desde onde
ameaça o peão de e7, que poderia ser tomado
com xeque, com o que ficariam 1 a 1.
Observem que disse "posição central" e não
centralizado, que não é o mesmo, porque em
d5 o cavalo pode ser desalojado pelo peão de
e7 do negro, e "centralizado significa que
não pode ser desalojado (a menos que se
sacrifique qualidade). }
15. Nd5 Rfe8
{Esta parece a jogada lógica e simples para
defender o peão de e7, porém logo veremos
que as negras deviam ter colocado aí a outra
torre. HÁ QUE LER MAIS DO QUE SE VÊ A
PRIMEIRA VISTA E SABER LER NAS ENTRE LINHAS
PARA GANHAR UMA PARTIDA.
Por que era melhor Tae8? Porque a torre
teria a missão de defender o ponto débil f7,
sobre o qual existem ameaças depois da troca
de peões. As brancas aproveitam e levam
outra peça para atuar sobre o ponto f2, que
é muito mais importante. }
16. Qf2 Ne5
{As negras "centralizam" seu cavalo; põe-no
em uma casa ideal, de onde não poderá ser
expulso e, caso se queira trocar, terá que
ser pelo bispo "bom" das brancas. Ademais,
já começam a ficar palpáveis as vantagens de
um cavalo centralizado: defende sua casa de
f7 e ameaça tomar o peão branco de g4. }
17. fxg6
{Abre a coluna. Se 17.Dh4, com intenção de
defender seu peão de g4 e ameaçar 18.f6, o
negro trocaria tudo (18.....dxf6, 19.Cxf6+,
Bxf6; 20.Dxf6 e Cxg4) destruindo todo o
ataque branco e colocando-se evidentemente
em posição superior.
A jogada de Millner Barre é melhor porque
está especulando sobre a peça
sobrecarregada, que neste caso é o cavalo
negro, que deve atender ao mesmo tempo à
defesa do ponto f6 e o ataque do peão de g4.
}
17... hxg6 {Trazendo o peão mais ao
centro. } 18. Bd4
{Aqui vemos o que é a análise quando se tem
um claro conceito da posição. O branco, com
a picardia de quem sabe, trata de trocar seu
bispo bom pelo cavalo centralizado. Não teme
efetuar esta liquidação porque esse cavalo
lhe "dá coceira". Sabemos que um bispo vale
algo mais que um cavalo, porém se o cavalo
está centralizado convém efetuar a troca. O
negro vê a possibilidade de ganhar tempo
utilizando a idéia das peças indefesas (o
bispo branco) e assim o faz. }
18... Nf3+ 19. Qxf3 Bxd4+
{Este xeque permite defender o peão de f7.
Também se poderia tomar o peão de b2, porém
o negro analisa que se toma, entra a dama
branca dando xeque, o que não seria
aconselhável permitir. Depois que se tenha
movido o rei branco (20.Rh1), caso se
fizesse 20...f6 seguiria 21.g5 e logo não se
poderia expulsar o cavalo branco com e6. }
20. Kh1 Rf8
{Não restava mais remédio do que defender o
peão de f7 com a torre, permitindo que o
cavalo tome o peão de e7 com xeque. As
negras estão perdidas. Vemos agora por que
era melhor jogar 15.....Tae8. O branco não
se faz de rogado... }
21. Nxe7+
{As brancas ganharam um peão, porém há algo
mais importante: o cavalo, apesar de não
estar colocado em uma posição central, pode-
se dizer que já está centralizado. Por que
quando volte a d5 não poderá ser desalojado
dali com nada (a menos que se sacrifique a
qualidade). Nem sequer fica o recurso que o
branco acaba de utilizar, trocá-lo pelo
bispo negro, devido ao fato de que este
corre por casas de cor oposta a d5. A única
peça negra que poderia fazê-lo seria o peão
de e7, que acaba de desaparecer. Eis aqui,
pois, um caso de cavalo centralizado (que
vai e volta) e isso que agora não ocupa uma
posição central. }
21... Kg7
{Bem. O branco tem um peão a mais, porém o
ataque é difícil; não se vê a forma de
ganhar a partida. Além disso, para se opor
ao cavalo branco, as negras possuem um
bispo, e como a posição é aberta,
teoricamente o bispo valeria mais do que o
cavalo, em termos gerais. Neste caso não,
porque o cavalo está "centralizado". As
brancas começam por defender seu peão de b2,
que está ameaçado pelo bispo, fazendo uma
jogada ativa: }
22. c3 Be5
{Também o negro centraliza seu bispo, que
não pode ser desalojado dali, salvo que se
troque pelo cavalo ou se sacrifique
qualidade. PORÉM, TEM POUCA IMPORTÂNCIA
CENTRALIZAR UM BISPO. É melhor centralizar o
cavalo ou dama, que são peças que atacam e
defendem simultaneamente. CENTRALIZAR UM
BISPO TEM RELATIVA IMPORTÂNCIA. As brancas
começam por prevenir um futuro ataque ao
peão de h2. }
23. Rf2 Qd8
{A dama negra se encarrega de levar o cavalo
branco a sua posição ideal, no centro. Esta
dama, colocada à margem do tabuleiro, não
fazia nada e, portanto, era necessário
trazê-la ao centro de operações. }
24. Nd5 {!} 24... Qh4
{A dama se meteu em uma excursão arriscada.
Vemos que em união com seu bispo ameaça o
peão de h2, que foi defendido por
antecipação, e portanto não entranha nenhum
perigo. }
25. Raf1 {Triplica. } 25... Rae8 26. Rg2
{As brancas ameaçam uma pequena cilada,
mediante 27.g5, cortando a retirada da dama
negra, para depois de jogar a Tf1 a f2 fazer
29.Tg4 e forçá-la a se retirar a h8 ou h7,
onde pouco fará, para logo entrar com o
cavalo em f6, etc. }
26... Qg5
{A dama sai de seu encerramento, porém
sabemos que esta jogada é ruim porque se
coloca na mesma coluna onde há uma torre.
Além disso, também o rei negro está nessa
coluna, o que agrava a situação.
Façamos uma observação à margem: Vemos aqui
como um mestre de categoria (como era Jan
Foltes) faz jogadas ruins; porém
reconheçamos que É A POSIÇÃO QUE O LEVA A
FAZER JOGADAS RUINS. A dama negra não tinha
outras casas melhores para ocupar.
ALGUÉM JÁ DISSE: QUANDO SE ESGOTAM AS
JOGADAS BOAS NÃO HÁ MAIS REMÉDIO QUE LANÇAR
MÃO DAS RUINS. Dizíamos, há poucos lances
atrás, que mesmo tendo superioridade, não
era fácil para as brancas forçar a partida.
Porém há pequenos detalhes que logo dão o
plano a seguir. Por exemplo: agora estão na
mesma coluna de uma torre branca, o rei e a
dama negra. O plano "sai por si só". Se o
branco colocasse seu cavalo em f5, poderia
continuar o ataque, já que ele não poderá
ser tomado pelo peão porque seguiria gxf5,
ficando a dama e rei sob o fogo da torre
branca. }
27. Ne3 f6
{As negras advertem o plano do cavalo
centralizado e, como não podem evitar que vá
a f5, buscam dar um "escape" a seu rei por
f7. }
28. Nf5+ Kf7
{O rei negro ocupa a casa que havia sido
preparada. Porém agora há outra coisa: a
dama negra ficou encerrada. A próxima jogada
também "sai por si só". E aqui temos uma
partida que há pouco não se podia forçar e
ganhar. }
29. h4 Rh8
{Entretanto, o negro tinha este recurso;
crava o peão de h4 sobre o rei branco,
impedindo, por agora, que possa tomar a
dama. As brancas se "descravam" da melhor
maneira. }
30. Rh2 gxf5
{30...Bxh2 seria respondido com 31.hxg5 sem
temor ao xeque descoberto. Se 30...Txh4
31.Cxh4 ganhando qualidade etc. }
31. hxg5 Rxh2+ 32. Kg1 {Única. } 32... Reh8
{As brancas não temem o xeque em h1 porque o
rei branco sairia por f2 e logo e1. Por isso
fazem: }
33. Qxf5 Rxb2
{Aqui Foltes tenta uma variante de empate
por xeque perpétuo com 34.......Bh2+;
35.Rh1, Be5+ descoberto; Bh2+, etc., ou
mesmo tentar forçar com 35.....Bf4+ seguido
de Be3+. Porém o branco está melhor e não
lhe dá tempo para consumar seus planos. }
34. Qd7+ Kg6 35. Rxf6+ Bxf6
{Era forçado tomar a torre porque, do
contrário, o rei negro só poderia jogar
35...Rxg5 ao que seguiria 36.Dg7+ Rh4
(única) 37.Dxh8+. }
36. Qf5+
{E as negras abandonam. Se: 36...Rg7
[ Tampouco serve 36...Rf7 37.Dxf6+ Re8
( 37...Rg8 38.g6 com mate na próxima
jogada.) 38.Dxh8+] 37.Dxf6+ Rh7 [ Se
37...Rg8 38.g6 e mate na próxima jogada do
branco.] 38.Df7#
Nesta partida, os dois lados centralizaram
suas peças, porém no final primou o bom
critério do branco que: UTILIZOU MELHOR A
CENTRALIZAÇÃO DE SEU CAVALO E NÃO PERMITIU
AO OUTRO QUE TIVESSE CENTRALIZADO O CAVALO
NEGRO, AINDA A CUSTA DE TROCÁ-LO POR SEU
BISPO "BOM". Esses detalhes ganham partidas.
Bom, amigos leitores, é tudo, por agora.
Voltarei logo com a próxima lição, desde
minha pátria da Revolução Bolivariana, minha
querida Venezuela.
Prof. Erich González
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0
[Event "O DOMÍNIO DA COLUNA DE DAMA (d1-
d8)"]
[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 17"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]

{As colunas abertas


Minhas saudações, amigos leitores desta
página. Uma vez mais, com vocês. Até agora,
completamos dezessete lições, pelo que me
sinto muito feliz de estar conseguindo o
objetivo proposto. Obrigado por seus elogios
e lhes agradeço seus conselhos e correções.
LIÇÃO 17 - O DOMÍNIO DA COLUNA DE DAMA (d1-
d8)
Na vez passada, vimos a importância do
domínio da diagonal a2-g8, quando esta se
debilitava ao avançar o peão de f7. Hoje
estudaremos o domínio da coluna da dama
aberta (d1 - d8), que é muito interessante.
Para isso, escolhi uma partida jogada no
Torneio de Mar del Plata entre o mestre
Najdorf e o jogador Juan Iliesco, romeno de
nascimento, porém estabelecido na Argentina.
Essa partida, Najdorf perdeu, e é
interessante assinalar que para perder para
Iliesco, que evidentemente não era um
jogador de sua força, alguma razão havia.
Em primeiro lugar, sua derrota está
relacionada com a enorme confiança que tinha
o mestre ao enfrentar um jogador que sabia
ser inferior a ele. Em bom crioulo diremos:
lhe deu corda, sem acreditar que o outro
saberia aproveitar essas vantagens para
transformá-las em vitória.
Najdorf era um forte mestre, especialista em
partidas simultâneas e portanto muito amigo
de "tirar-se lances". Fez isso nesta
partida, porém Iliesco não era tão míope
como para não ver ditas ciladas, e ao tempo
em que as parou todas, QUANDO SE ABRIU A
COLUNA DA DAMA (d1-d8), APROVEITOU OS TEMPOS
PARA DOMINÁ-LA COM SUAS TORRES, e isso foi
suficiente para conseguir o triunfo sobre o
mestre. Esse domínio será o tema desta
lição.
A partida iniciou com uma abertura
Zuckertort, que as negras replicaram com uma
defesa simétrica. Já sabemos que a simetria
não pode ser seguida indefinidamente porque
chega um momento em que o branco dá mate e
as negras ficam sem dar o seu. Entretanto, é
boa prática para as primeiras três ou quatro
jogadas: dá chances equilibradas e, não
havendo perigo imediato de mate, pode-se
jogar "até certo momento".
BRANCAS: J. ILIESCO
NEGRAS: M. NAJDORF }
1. Nf3 Nf6 2. g3 g6 3. Bg2 Bg7 4. O-O O-O
{Até aqui, as negras responderam com os
mesmos lances que fizeram as brancas. Porém,
a partir do próximo lance se separam da
simetria. Ambos adversários fizeram
fiancheto de rei, que tem por principal
objetivo dominar a casa d5, e controlar o
centro desde longe. }
5. c4 d6 6. d4 Nbd7
{As brancas tentam agora dominar o ponto e5,
porém nada pode impedir que as negras façam
e5. Seria mau seguir 7.Bf4 devido a Ch5,
fazendo perder um tempo ou forçando a troca
do bispo pelo cavalo. Então as brancas
abandonam essa idéia e seguem com o plano
primitivo de dominar a casa d5. }
7. Nc3 e5 8. dxe5 dxe5
{É melhor tomar com o peão do que com o
cavalo porque o peão pode dar um ponto de
apoio para um cavalo em d4, ao mesmo tempo
em que controla o ponto de f4 e até ameaça
para mais adiante e4, desalojando o cavalo
branco de f3 e obstruindo a diagonal do
fiancheto.
Até agora, não há nada incorreto. Também não
há nada da "corda" que disse no início, a
qual virá depois, crendo Najdorf que Iliesco
não saberia explorar as debilidades que se
criava. Entre parênteses, vou esclarecer que
se depois que as negras fizeram e5, as
brancas tivessem recusado a troca de peões e
tivessem feito 8.d5, deixariam um ponto
fraco em c5, que bem poderia utilizar-se
mais adiante para instalar o cavalo dama
negro, para o qual o preparariam com a5 e se
as brancas jogassem a3 para logo fazer b4
(sempre com a idéia de expulsar o cavalo de
c5), até se poderia estudar a forma de
explorar a má situação do cavalo e a torre
branca na diagonal do bispo do fiancheto. Há
outras posições em que as negras até podem
seguir com a4, impedindo definitivamente o
avanço do peão a b4 porque o tomam en
pasant.
Bem, dissemos que as negras tem a intenção
de avançar (mais adiante) seu peão de rei.
Vocês contestarão: "Certo, porém ao jogar 9.
e4, as brancas detém esse avanço". Esse
lance tem suas vantagens, posto que paralisa
o peão rei inimigo e deixa sem o bispo rei
negro sem jogo, mas também fica travado o
peão rei branco e seu bispo rei não joga.
Há no tabuleiro outra coisa mais importante,
que precisamente é o tema de hoje. Ao se
produzir a troca de peões, vemos que ficou
livre a coluna da dama e já sabemos que A
MELHOR FORMA DE APROVEITAR UMA COLUNA ABERTA
É OCUPÁ-LA COM AS TORRES. Então, melhor do
que 9.e4 é jogar o que fez Iliesco 9.Dc2,
que também detém o avanço do peão do rei e
reserva a casa d1 para sua torre do rei. }
9. Qc2
{Teria sido mau 9.Bg5 por 9...h6 que obriga
a uma definição; Tampouco convém 9.Cg5 por
9...h6 10.Cge4 Cxe4 11.Cxe4 e logo o negro
expulsa esse cavalo do centro com seu peão
de 'f', com seu cavalo dama em f6, ou com
seu bispo dama, segundo se desenvolva o
jogo. Na partida, veio o avanço do peão do
rei negro, dando jogo a seu bispo rei, porém
esse peão avançado precisa ser defendido
porque as brancas respondem Cg5 e chega um
momento em que está fraco e mal colocado.
(Assim foi na partida). }
9... c6 {É bom porque controla a casa d5,
porém não pode evitar: } 10. Rd1 Qe7
{"Tira" sua dama e apoiará o peão de e5. }
11. a3 {Prepara o fiancheto. }
11... Nb6 {Ataca o peão de c4.} 12. b3 e4
{Aqui Najdorf se iludiu com a má posição do
cavalo e da torre branca na diagonal de seu
bispo rei e jogou 12....e4 para dar-lhe
jogo. }
13. Nd4
{Não era bom: 13.Cd2 Porque fecha a ação do
bispo dama e vem 13...e3 que ocasiona muitas
complicações. Tampouco serve 13.Cg5 porque o
peão negro de e4 não pode ser tomado devido
ao fato de que o cavalo de c3 do branco está
cravado pelo bispo rei negro. E se: 13...Bf5
14.Cgxe4 Cxe4 15.Bxe4 Bxe4 16.Cxe4 Bxa1
17.Bg5 f6 ganhando. }
13... a6
{Novamente Najdorf se ilude. A jogada
13...a6, é bastante superficial; certamente,
contra um adversário mais forte não a teria
feito e teria procurado algum plano mais
profundo. As negras tomaram a última casa de
escape do cavalo de d4, para fazer logo
14.....c5 e ganhá-lo. Najdorf acredita que o
adversário não a verá; em outras palavras:
acreditava que ganharia com qualquer coisa.
Iliesco, sem pressa, dá a casa e2 para seu
cavalo de d4, jogando: }
14. e3 Bg4
{As negras compreendem que não podem ganhar
o cavalo, porém voltam a jogar "qualquer
coisa", já que, apesar de ameaçarem a torre
de d1, convém ao branco que esta saia daí
porque sua verdadeira intenção é dobrar as
torres na coluna da dama (d1-d8), que está
aberta e que lhe reportará a vitória.
Najdorf está "dando corda" ao adversário,
porém este joga tranqüilo. }
15. Rd2 Bf3
{Agora o negro se dá conta de que seu peão
avançado em e4 é uma debilidade e trata de
liquidar essa situação. Se as brancas
quisessem, já poderiam ganhar um peão com
16.Cxf3,exf3. 17.Bxf3. Ademais, com esse
bispo em f3 controlam todos os saltos do
cavalo rei negro. Iliesco não o tomou porque
pensou que havia outras coisas. Sem se
apressar, fez o fiancheto de dama (com o
bispo apoiado), preparando também (para
depois) trazer a torre a d1. }
16. Bb2 c5
{Que se decida! Najdorf faz outra jogada
psicológica. Pensou: "se antes não tomou
Cxf3, tampouco o fará agora". E não se
equivocou. Talvez Iliesco estivesse um pouco
assustado, porém sua jogada é boa, já que
cortará a ação do bispo negro em d1,
permitindo colocar a outra torre ali. }
17. Nde2 g5
{Para impedir 18.Cf4, porém não era essa a
intenção do branco, senão dobrar suas
torres. }
18. Rad1
{!
E já temos as duas torres muito bem
colocadas na coluna aberta da dama. O negro
continua sem dar-lhe importância porque tem
controle sobre todas as casas dessa coluna,
menos d6. Entretanto, o domínio desta coluna
será decisivo. }
18... Rfe8 {Consolida seu peão de e4. } 19.
Rd6
{As torres começam a atuar. Uma delas vai à
única casa que podia, porém já ameaça o
indefeso cavalo negro de b6. Terá que perder
um tempo para retirá-lo. }
19... Nbd7
{Najdorf continua sem dar importância ao
domínio da coluna da dama (d1-d8) e a seu
adversário. Se tivesse pensado que as torres
lhe molestariam, a jogada lógica teria sido
19....Cc8. Porém, já explicamos que ele
acreditava que Iliesco não saberia
aproveitar isso. Mas aqui é onde seu rival
começa a jogar bem. }
20. Nd5 {!
Parece que entrega uma torre. } 20... Nxd5
{Se tivesse tomado a torre com 20...Dxd6
seguiria 21.Cxf6+ ganhando a dama. O domínio
da coluna já "dá coceira" no mestre, que
trata de destruir essas ameaças. Observemos,
de passagem, que o domínio da casa d5,
principal objetivo desta abertura, ficou em
poder do branco. Então: }
21. R1xd5 Ne5
{Vemos que a situação se torna melhor para o
branco, porém esse cavalo negro ameaça
posicionar-se em pontos fortes. Iliesco não
tem dúvida em trocar um bispo por um cavalo.
A POSIÇÃO É FECHADA E, POR TANTO, OS CAVALOS
VALEM MAIS QUE OS BISPOS. }
22. Bxe5 Bxe5 23. Rd7
{As brancas obtiveram o máximo de suas
aspirações: colocar uma torre na sétima.
QUANDO AS TORRES DOBRADAS DOMINAM UMA COLUNA
E UMA DELAS CONSEGUE ENTRAR NA SÉTIMA LINHA,
SAINDO LOGO PARA UM LADO (SE FOR POSSÍVEL
TOMANDO UM PEÃO) PARA QUE A OUTRA TORRE VÁ
TAMBÉM À SÉTIMA LINHA, É QUASE CERTO QUE
"ESTÁ LIQUIDADA A FATURA". Iliesco conseguiu
grande parte de seu objetivo. }
23... Qe6 24. Nc3
{Com isso, o branco prepara a centralização
de seu cavalo nessa casa, logo depois que
tenha tirado a torre de d5 . As brancas
estão jogando com mais conceito do que as
negras. Ademais estão ameaçando o famoso
peão de e4 do negro. Há que defendê-lo. }
24... f5
{QUANDO SE MOVE ALGUM DOS PEÕES QUE DEFENDEM
O ROQUE, AS TORRES NA SÉTIMA LINHA JOGAM UMA
"BARBARIDADE". A partida (para o negro) é
difícil de sustentar. Pode-se afirmar que
está em posição perdida. Iliesco trata agora
de levar também a outra torre à sétima linha
e faz: }
25. Rxb7 {Ganha um peão. } 25... Rad8
{Najdorf compreende que não pode deixar as
duas torres entrarem na sétima linha e
somente agora trata de disputar o domínio da
coluna da dama (d1-d8). Deu-se conta muito
tarde. O domínio dessa coluna já deu ao
branco clara superioridade. }
26. Qd2 {Mantém a torre e faz uma pequena
cilada. } 26... Rxd5
{Se 26...Bxc3 27.Dxc3 e eis aqui a cilada.
Parece que se perde uma torre com 27...Txd5,
porém segue 28.Dg7#. }
27. Nxd5
{Este cavalo já está centralizado. Somente
isso (já o sabemos) basta para ganhar aqui.
A partida está estrategicamente decidida. Em
vista disso, e para não perder o costume,
Najdorf continua "buscando lances": }
27... f4
{Este lance é um pouco melhor do que os
outros, porém não é suficiente. O que
ameaça? É um pouco difícil de ver, porém
certamente que um jogador como Iliesco o
verá. }
28. exf4
{Por exemplo: se o branco tivesse feito uma
jogada indiferente, como poderia ser 28.Dc2
ou qualquer outra, seguiria: 28...Bxg2
29.Rxg2 f3+ e se 30.Rg1 ( É melhor 30.Rf1
Dh3+ 31.Re1 Dxh2 e o rei escapa e não é
mate, ainda que a situação é comprometida.)
30...Dh3 e mate na outra com Dg2++. }
28... gxf4 29. Nxf4
{Não é bom 29.gxf4 devido a 29...Dg4 e se
30.Rf1 ( porém a 30.Ce3 Dxf4 etc.)
30...Dxg2+ e mate em seguida. O negro joga
com a esperança de que o outro se equivoque
ao tomar. Com tudo isso, as brancas ganharam
dois peões e há um terceiro na mira, que é o
famoso peão avançado de e3. Já desesperado,
Najdorf procura um lance da "cartola".
Apesar de que sua dama está atacada joga: }
29... e3
{Isto é como se atirar na água sem saber
nadar. Perdido por perdido, tenta fazer com
que o outro se equivoque e tenta "pescar em
mar revolto". Com esse peão, que foi um dos
seus problemas, ataca a dama contrária e, ao
mesmo tempo, seu bispo de f3 ataca a torre
branca. }
30. Qxe3
{Se 30.Cxe6 exd2 e logo tratará de coroar.
Porém tudo isso é aparente; tudo está "no
ar" e somente pode acontecer um desastre se
Iliesco se equivocar ao tomar. }
30... Bxf4
{Outra vez busca que seu adversário se
equivoque nas tomadas, porém as brancas
simplificam: }
31. Qxe6+ Rxe6 32. Bxf3
{As brancas podiam escolher um dos dois
bispos. Porém, se tivessem feito 32.gxf4
perdiam irremissivelmente com 32...Tg6
( Outra variante seria 32...Te1+ 33.Bf1 Bxb7
ganhando uma torre limpa.) 33.Rf1 Bxg2+
34.Re2 Bxb7. }
32... Re1+ 33. Kg2 Bc1 {Ataca um peão. } 34.
Ra7 {Ataca outro peão. }
34... Bxa3 35. Rxa6 {Ficam 1 a 1. } 35...
Bb2
{QUANDO SE CHEGA A UM FINAL DE BISPOS DE
CORES OPOSTAS, CONVÉM CONSERVAR AS TORRES
PARA PODER GANHAR. }
36. Ra7 {Para imobilizar o rei. } 36... Bd4
{As negras tentarão "travar" o peão de f2
com este bispo e com sua torre. }
37. Bd5+ Kh8 {Era necessário ir com o rei a
h8 para não perder o peão de h7. }
38. Rf7 {Defende o peão de f2. } 38... Rb1
{?
Tenta ganhar o peão de b3, sem advertir que
coloca mal sua torre, em casa branca, que o
bispo contrário dominará. Iliesco responde
energicamente: }
39. Rxh7+
{e as negras abandonam. É claro que se
continuasse: 39...Rxh7 viria 40.Be4+ Rh6
41.Bxb1 e a vantagem de peões é mais do que
suficiente.
COMENTÁRIO: Vimos como, afinal, o
"aficionado" consegue vencer o "mestre".
Como pode ser isso? Devido à "corda" que lhe
deu o mestre, permitindo que se apoderasse
da coluna da dama aberta, o que motivou uma
superioridade posicional que fui se
materializando em peões de vantagem até
chegar a um final com quatro peões a mais.
Entre jogadores da mesma categoria, caso se
possa ter as torres dobradas na coluna da
dama (aberta), a partida se decide de forma
muito mais fácil. SE UM "AFICIONADO" PODE
VENCER UM MESTRE PELO DOMÍNIO DESSA COLUNA,
COM MAIOR RAZÃO OCORRERÁ ENTRE DOIS DE
FORÇAS EQUILIBRADAS.
Bom, amigos leitores desta pagina,
finalizamos esta interessante lição. Espero
que, a esta altura, seu nível de jogo tenha
melhorado; que é meu objetivo e minha maior
satisfação. Até a próxima lição.
Prof. Erich González
E-mail: edgonzal@luz.ve
<mailto:edgonzal@luz.ve>
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "DEBILIDADE DO ROQUE"]


[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "LICAO 18"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]

{Debilidades do roque
Prezados amigos leitores desta página.
Minhas saudações e respeitos. De novo com
vocês, com a lição 18.
LIÇÃO 18 - DEBILIDADES DO ROQUE
Vamos ver um tema muito importante, que se
vê em todas as partidas: as debilidades que
se produzem no roque.
Levaria muito tempo analisar tudo o que se
refere a este tema. Por isso veremos o "que
se possa". Sabemos que TODO ROQUE (PEQUENO)
É BOM QUANDO TEM SEUS TRÊS PEÕES (PT, PC,
PA) NA CASA INICIAL E UM CAVALO NA CASA f3
OU f6. Esta é a situação ideal, que nem
sempre se pode ter porque as partidas de
xadrez são muito cambiantes.
No início, é possível ter essa situação
ideal, porém, por necessidades da partida,
pode ocorrer que o cavalo seja trocado por
outra peça, ou seja expulso de f3 ou de f6,
ou o levemos a outra casa etc. e então o
roque se debilita. Outras vezes, se avançam
os peões do roque: EM QUALQUER CASO, AINDA
QUE SEJA OBRIGATÓRIO, AVANÇAR OS PEÕES DO
ROQUE É UMA DEBILIDADE. E já veremos como,
por qualquer destas circunstâncias, o roque
perde sua força. Porém, apesar de que
estabeleçamos isto como uma lei, nem sempre
se mantém a posição ideal e há mais: há
jogadores que não sabem explorar essas
debilidades.
Às vezes, os aficionados nem mesmo sabem que
é uma debilidade, nem sabem se existe. Para
eles, o melhor é ver como os grandes mestres
exploram essas posições e acostumar a visão
para captar o plano, que pode ser o plano
ganhador.
A partida que lhes trago foi a sétima
disputada pelo campeonato do mundo entre
Alekhine e Bogoljubow, no ano de 1929. Nesse
match, foram jogadas muitos tipos de
aberturas, porém preferentemente o peão
dama.
BRANCAS: ALEKHINE
NEGRAS: BOGOLJUBOW }
1. d4 Nf6 2. c4 g6
{O negro prepara um fiancheto de rei. Não é
criticável isto, desde o ponto de vista
posicional. Inclusive, é bem jogado hoje em
dia. É bom, sobretudo quando o peão do rei
não tenha sido movido. Porém, de acordo com
o que acabamos de dizer sobre as debilidades
do roque, vemos que há um motivo para
explorar. Claro que nem sempre se pode
aproveitar esta circunstância; é
simplesmente uma idéia que poderia servir.
Às vezes se pode explorar e outras vezes
não.
Porém, atentemos para esse detalhe que
Alekhine nos ensinará nessa partida, como se
deve proceder. Já dissemos que avançar os
peões do roque significa certa debilidade, e
das três possibilidades de avanços de peões,
esta é a situação mais forte. Avançando
qualquer dos outros, o negro estaria em
situação mais inferior do que no caso atual.
}
3. g3
{O branco imita seu rival. Tudo o que
acabamos de dizer também pode ser aplicado
para o branco. }
3... c6
{Caracteriza a Defesa Grunfeld (se 4. Cc3;
d5!), que encerra certo dinamismo para o
negro. Quando Grunfeld criou sua defesa, foi
desconsiderado porque os maestros dessa
época acreditavam que não era suficiente,
porém, hoje, volta a ser avaliada. Kasparov
costuma jogá-la. É bastante boa, porém
conhecendo-a bem. Ademais, ainda que as
brancas não entrem nessa Defesa (como
ocorreu na partida), a jogada 3...c6 é
elástica, já que permite jogar o peão da
dama a d6 ou d5, segundo convenha (e forma
uma muralha de peões contra o fiancheto
branco). }
4. Bg2 d5
{Sabemos que no Gambito de Dama normal as
brancas podem permitir que seu rival tome o
peão de c4 (d5xc4) porque sempre o
recuperam. Porém, estando o bispo rei em g2,
pode-se deixar esse peão sem defender e
recuperá-lo? Sim, e em todos os casos se
recupera. E mais: constitui uma "isca"
porque o negro cairá na tentação de tomá-lo.
Pode ser que não o faça na primeira
oportunidade, porém na segunda ou na
terceira não agüenta mais e o toma. A
próxima jogada das brancas será: }
5. Nf3 Bg7
{Se jogam 5...dxc4 segue 6.Ce5 e as negras
não tem jogada boa para manter esse peão
avançado, dado que a 6...b5 vem 7.Cxc6 com
ameaças à torre em a8. }
6. O-O O-O 7. Nc3 dxc4
{As negras morderam o anzol; não puderam
resistir mais à tentação e tomaram o peão.
Observemos que as negras são conduzidas por
ninguém menos que Bogoljubow, que sabe
perfeitamente tudo o que acabamos de dizer
(e muito mais). Por enquanto não se vê claro
se é possível defender ou não o peão
avançado, por isso o negro tinha alguma
razão, porém não o suficiente. }
8. Ne5 Be6
{Alekhine continuou seu jogo tranqüilamente,
sem se preocupar em recuperar o peão. Vemos
que: TUDO CONSISTE EM SABER VER AS
DEBILIDADES DO CONTRÁRIO, QUE ÀS VEZES NÃO
SE VÊEM PORQUE O JOGADOR NÃO TEM
CONHECIMENTO PARA VÊ-LAS E EXPLORÁ-LAS.
Alekhine pensou: se pudesse levar um peão a
f5 atacaria o bispo mal colocado e ao mesmo
tempo começaria a vulnerar o roque rival,
porque (como já dissemos) o peão de g6 não é
uma debilidade, porém.... poderia chegar a
ser. Com essa idéia jogou previamente: }
9. e4 Nbd7 {Desenvolve.} 10. f4
{A ameaça é 11.f5 e como não é possível
retirar o bispo as negras fazem uma manobra
interessante: cravam o peão dama sobre o
rei, pensando que se vem 11.f5 podem jogar
Cxe5, com igualdade. Aparentemente, toda
réplica tem contra-réplica. }
10... Qb6
{Porém, Alekhine não se assusta e faz não
mais do que havia pensado: } 11. f5
{!
A primeira vista, parece que seu cavalo de
e5 "está no ar" por ficar cravado o peão d4
e porque a 11....Cxe5 segue 12.dxe5, etc.
Nisso pensou Bogoljubow, porém as coisas não
são bem assim. A 11....Cxe5, as brancas
respondem 12.Ca4! atacando a dama, cuja
melhor jogada seria Dc7 e então o branco
ganha uma peça com 13.dxe4, já que há duas
peças negras ameaçadas e não se pode salvar
ambas. Vemos, pois, que o que se queria
evitar (11.f5!) não foi possível. Para
desfazer um pouco esta desagradável posição,
as negras respondem: }
11... gxf5
{E já temos o desaparecimento do peão de g6
do roque negro, abrindo-se a coluna. Ainda
que não seja nada, estes detalhes dão lugar
a uma série de pequenas coisas, até que
chega um momento em que o jogador perde a
partida "e não sabe por que perdeu".
Dissemos que a melhor situação do roque é
com seus três peões na casa inicial e aqui,
apesar de haver desaparecido um deles, não
se vê maior debilidade, por enquanto... }
12. exf5 Bd5
{Não seria bom, neste momento 12...Cxe5
devido a 13.Ca4! ganhando uma peça. O único
lance possível é retirar o bispo. Uma rápida
análise nos diz que a posição nesta partida
tem tendência a ser aberta porque os peões
não se bloqueiam no centro e isso significa
que os bispos valerão muito mais do que os
cavalos. Portanto, Alekhine não perde a
oportunidade de trocar. }
13. Nxd5 cxd5
{Desdobrando. O cavalo negro de f6 está
sobrecarregado, porque sabemos que tem a
missão de defender o roque e, nesta partida,
também defende o outro cavalo de d7 e o peão
de d5. O melhor é, então, desalojá-lo de sua
situação de defensor. Outra debilidade para
o roque. }
14. Nxd7 Nxd7 15. Bxd5
{Bem; já estão iguais em quantidade de
peões, porém as negras ameaçam tomar o peão
central com xeque (em d4). Também as brancas
ameaçam o peão em c4. Nisso e situação é
equilibrada, porém o branco tem o par de
bispos (superior aos cavalos nesta posição)
e o negro possui o roque debilitado. O
branco tampouco tem o seu muito bem, porém
não se vê a forma de explorá-lo. Há que
buscá-la, e nisso se aprecia a garra do
jogador. }
15... Rad8
{Entende que o peão de c4 não poderá ser
defendido e que a torre na mesma coluna da
dama ameaçará uma série de coisas que
obrigará a um jogo cuidadoso. A posição é
difícil e o melhor é escolher o peão que se
deseja perder. Alekhine responde de forma
simples e lógica: a dama contrária lhe
molesta por estar na diagonal de seu rei;
prefere entregar o peão de b2. Se 15...Bxd4+
vem 16.Rh1 Ce5 para defender o peão de c4
17.Dh5 com ataque forte e ganhador 17...Rh8
18.Tf4 h6 19.f6 etc. }
16. Be3 Qxb2 17. Bxc4 Nb6
{Até agora, há 5 peões para cada lado, porém
já esclarecemos que o branco tem vantagens
devido a seus bispos numa posição aberta. Ao
sair o cavalo negro da coluna de dama, seria
conveniente mover a dama branca dali. Porém,
como o bispo de d4 também está ameaçado, não
se pode perder tempo. }
18. Bb3 Rxd4
{!
Aqui se faz sentir a força da torre na mesma
coluna da dama. É boa idéia das negras
porque buscam a troca de peças, com um peão
a mais, que é muito importante porque pode
ganhar a partida. Como isso não convém às
brancas porque no final o peão a mais se
fará sentir, devem complicar as coisas para
ter chances. Como? Explorando a má posição
do roque negro, ao qual falta um peão e não
tem seu cavalo em f6. Aproveitando que a
torre negra de d4 está ameaçada e terá que
perder um tempo em movê-la fazem: }
19. Qh5
{Se 19.Bxd4 segue 19...Bxd4+ e a 20.Rh1 Dxa1
recuperando a qualidade, depois de haver
ganho o peão central 21.Dxa1 Bxa1 22.Txa1.
De passagem, diremos de novo que se o cavalo
negro estivesse em f6 não seria possível
levar a dama a h5. As negras devem mover sua
torre e jogam: }
19... Re4
{As negras consideraram que isto era o
melhor porque, ao tempo em que retiram sua
torre, fazem-no ameaçando o bispo indefeso.
Na verdade, a posição é difícil, porém
Alekhine a resolve por seu conceito da
debilidade do roque. }
20. f6
{Com que idéia? É um pouco oculta: trata-se
de ameaçar o ponto e7, para dar mate,
baseado sempre na debilidade do roque.
Bogoljubow acreditou que a verdade era
outra; e cometeu um erro. }
20... Rxe3
{?
Se 20...exf6, que seria o melhor, as brancas
possivelmente teriam seguido 21.Df5 para
logo "montar a maquina" colocando seu bispo
em c2, e como o negro não domina as casas
brancas, seria muito difícil se defender.
Esta é uma partida pelo Campeonato do mundo
e vemos que até os grandes mestres cometem
erros. Enfim: TODOS COMETEMOS ERROS.
Bogoljubow não estava tão desacertado, porém
não viu a continuação: }
21. Qg5
{Ameaça dar mate ou tomar a torre, ganhando,
pelo menos, a qualidade. Ante tal dilema, já
que vai perder sua torre, Bogoljubow prefere
entregá-la tomando um peão: }
21... Rxg3+ 22. Qxg3 exf6
{Balanço: há qualidade a favor das brancas,
porém o negro tem 5 peões contra 2.
Materialmente a partida está mais ou menos
compensada, porém o bispo negro está
encerrado e seu roque muito debilitado. O
roque branco tampouco está bem, porém é
difícil atacá-lo. }
23. Rad1
{Retira a torre do "assédio" da dama
contrária e prepara um ataque à base de Tf4
e logo Tg4, pressionando sempre sobre o
fraco roque negro. }
23... Kh8
{Este movimento é defensivo e ofensivo
porque tira o rei da pressão da dama e
ameaça levar a torre a g8, em cuja coluna
estão a dama e o rei brancos. É conveniente
escapar a esta pressão. }
24. Kh1 Bh6
{Com isso, o negro prepara 25....Tg8 e, se o
desejam, podem dar "um susto" em g2,
combinando a ação da torre e da dama. Há que
jogar bem. Como? BUSCANDO OS PONTOS FRACOS
DO CONTRÁRIO E "TRABALHANDO-OS". Pelo
momento, o peão de f6 dobrado já é débil e
pode ser atacado. }
25. Qd6 Bg7 {Volta a defender o peão e a
torre; } 26. Qe7
{Agora se exploram outros pontos débeis: o
peão de b7 negro e também (com o B) o peão
de f7. Com isto, se mantém a iniciativa.
Como não se pode defender os dois peões ao
mesmo tempo, as negras buscam a troca de
damas, que Alekhine recusará: }
26... Qe5 27. Qxb7 f5
{Observemos que o cavalo negro tem todos
seus saltos mais importantes tomados pelo
bispo contrário. As negras desistem da
defesa do peão de a7 e tratam de organizar
um ataque à base da "entrada" de seu bispo
(que também está inativo) para ver se em
união com a dama poderia ameaçar a casa h2
do branco.
Porém criaram outro ponto débil: o peão que
acaba de avançar e que por estar em casa
branca não poderá ser sustentado. As brancas
ganham tempo: }
28. Rde1 Qf6 29. Qf3
{O peão negro de f5 esta perdido. Bogoljubow
volta a propor a troca de damas. }
29... Qc3 30. Qxf5 Nc8
{As negras se cansaram de ter inativo seu
cavalo e tratam de fazê-lo entrar em jogo. É
tarde, porque as brancas podem "montar a
máquina" que resultará muito forte, dado que
toma as casas brancas e seu rival só domina
as casas negras. Vemos também como: A MÁ
SITUAÇÃO DO ROQUE DÁ LUGAR A QUE SE PASSE DE
UMA DEBILIDADE A OUTRA , ATÉ QUE A POSIÇÃO
SE FAZ CRÍTICA. }
31. Bc2
{Ameaça mate "seco", e já está montada a
máquina colocando o negro ante o grave
problema: como defende o mate? Observemos
que a única peça que pode fazê-lo é a dama
negra, porém esta não pode, em um só
movimento, "correr" em auxilio à casa h7.
Surge então, com clareza, que a única jogada
possível é dar um xeque com a dama em c6,
para depois levá-la ao flanco rei, em h6 ou
em g6. E assim faz: }
31... Qc6+ 32. Rf3
{Contra o que se esperava, Alekhine não move
seu rei, nem cobre com o bispo, senão que
cobre com uma torre, que logo poderá levar a
h3 e seguir ameaçando o mate. Como não é
possível fazer Dh6 devido a esta ameaça, as
negras a levam a g6, propondo novamente uma
troca de damas. }
32... Qg6
{Existe uma qualidade de vantagem para as
brancas, porém o negro tem três peões contra
dois. A troca de damas convém porque as
negras não poderão retomar com o peão de f7
devido a TxT+ e se BxT, fazem Te8 ganhando
uma das duas peças. E se retomam com o peão
de h7, como ocorreu na partida.... logo
veremos que há algo parecido: }
33. Qxg6 hxg6 34. Bxg6
{Um brilhantismo que tem sua razão de ser.
Se as negras tomam 34....fxg6, vem algo
parecido ao que acabamos de estudar: 35.
TxT+, BxT e 36.Te8, recuperando uma peça e
ficando com qualidade a mais e igualdade de
peões. Para evitar isso, as negras levam seu
rei em defesa da torre, porém não é
suficiente, porque o branco segue
"sacrificando". }
34... Kg8 35. Bxf7+
{E as negras abandonam. É evidente que se
tomam: 35...Txf7 vem 36.Te8+ Tf8 37.Tfxf8+
Bxf8 38.Txc8 e como agora o rei negro deve
se livrar da cravada, viria 38...Rg7 39.Tc7+
rei move e 39...Rg6 40.Txa7 chegando-se a um
final em que o branco tem 2 peões e
qualidade a mais.
Bom, amigo leitores de esta pagina, VIMOS AO
QUE CONDUZEM AS DEBILIDADES DO ROQUE. O
DIFÍCIL ESTÁ EM VER ESSAS DEBILIDADES E
SABER EXPLORÁ-LAS.
Não se pode pretender que um aficionado as
veja em seguida. Dou-lhe um conselho: há que
acostumar o olho e, acostumando a
vista.....pode-se pegar a bala. Bom, é tudo
por enquanto. Até a próxima lição.
Prof. Erich González
E-mail: edgonzal@luz.ve
<mailto:edgonzal@luz.ve>
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "O DOMÍNIO DA COLUNA DO BISPO DAMA"]


[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 19"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. c4
{Estimados amigos enxadristas leitores desta
página. Muito obrigado por seus e-mails.
Continuemos com as lições e obrigado por
suas opiniões sobre Maestro-Aficionado.
LIÇÃO 19: O DOMÍNIO DA COLUNA DO BISPO DAMA.
Vimos em uma lição passada (Lição 17) a
importância que tinha o domínio da coluna da
dama. Hoje seguiremos estudando o domínio,
porém da coluna bispo dama, que é mais
importante, dado que resulta difícil que se
abra a coluna da dama, enquanto que é muito
mais fácil que se possa abrir a coluna bispo
dama (c1 - c8).
Quando a coluna da dama se abre, já sabemos
que o melhor é tomá-la com uma torre, e se
fosse possível, dobrar ali as duas torres.
Para a coluna de bispo dama se procede da
mesma maneira.
Hoje veremos um caso especial. Trata-se de
uma partida do torneio de Barcelona, jogada
entre o ex-campeão mundial José Raúl
Capablanca e o mestre Colle. É uma partida
linda, nítida e precisa, como são a maioria
das partidas de Capablanca. O grande mestre
Cubano tinha essa precisão para escolher,
dentre várias jogadas a realizar, a mais
simples, a mais clara e a que lhe dava maior
vantagem posicional. Estudando suas
partidas, pode-se aprender muitas coisas.
Na partida de hoje, veremos que Capablanca
observa, desde os primeiros movimentos, que
se abrirá a coluna bispo dama (c1 - c8) e a
toma, domina-a, e apenas isso lhe dá a
superioridade que decide a partida com
bastante rapidez e simplicidade.
Nesta partida, foi jogada a Abertura
Inglesa. Antes de seguir adiante, vamos
dizer que essa abertura tem por objeto
transformar a posição em uma espécie de
Defesa Siciliana -porém com as brancas.
Rapidamente compreendemos que se a Defesa
Siciliana é factível de ser jogada com as
negras, com maior razão se poderá jogar com
as brancas, que levam um tempo de vantagem.
Se é boa para as negras, também o será para
as brancas, e muito mais por um detalhe que
em seguida veremos.
A Defesa Siciliana consiste em: 1.e4,c5.
2.Cf3,Cc6. 3.d4,cxd4. 4.Cxd4 e então as
negras estão forçadas a jogar: 4....Cf6, e
não 4...d6 que seria a lógica, porque se
fizessem esta última as brancas
aproveitariam esse tempo para responder
5.c4!, dominado o ponto d5, o que será muito
forte. Como disse, as negras devem jogar
4....Cf6 e as brancas, para defender seu
peão de rei, deverão fazer 5.Cc3 com o que
impedem o avanço do peão do bispo dama, que
seria uma jogada ideal.
Na abertura inglesa, como as brancas levam
um tempo a mais, podem ter suas peças na
mesma posição que as negras na Defesa
Siciliana, porém dando-se ao luxo de ter seu
peão do bispo dama na quarta casa (c4), com
o que controlam o ponto d5. Ademais, com o
primeiro movimento da Abertura Inglesa, as
brancas não mostram seu plano, dado que
podem escolher vários caminhos, e entre
outros podem escolher por jogar um vulgar
Gambito de Dama.
ABERTURA INGLESA
BRANCAS: J. R. CAPABLANCA
NEGRAS: COLLE}
1... Nf6 {Tampouco mostra seu plano.} 2. Nf3
c5 {Escolhe a simetria.} 3. Nc3
Nc6 {Continua a simetria. } 4. d4
{Provoca a troca de peões e ameaça d5. Caso
se troque os peões, se produz o mesmo que na
Siciliana, porém com um tempo a mais. Assim
foi: }
4... cxd4 5. Nxd4
{E já temos a mesma posição que na Defesa
Siciliana, porém com a diferença muito
importante de que as brancas fizeram c5,
jogada de Maroczy. }
5... Nxd4
{Jogada arriscada. Sabemos que nesta mesma
posição da Defesa Siciliana não é
conveniente trocar os cavalos porque as
brancas retomam com a dama e ficam em uma
boa posição central. Observem que não digo
"centralizada" porque pode ser expulsa dali.
Não obstante, a dama permanecerá longo tempo
nessa posição central. Quando existe o
Cavalo Dama negro colocado, a dama contrária
no centro é uma jogada fraca, porém agora
não. Essa dama estará muito bem ali e
permite contra-chances e combinações.
Convenhamos que para tirar esse cavalo do
meio do tabuleiro tampouco teria sido bom:
5...e5 devido a 6.Cdb5 e se 6...a6 7.Cd6+
Bxd6 8.Dxd6. Não vale a pena efetuar esta
troca porque o negro deixará de controlar as
casas negras, o que pode ser devidamente
aproveitado pelo rival, que possui o bispo
dessa cor. Por isso Colle preferiu trocar os
cavalos e logo tentar desalojar a dama do
centro com um fiancheto de rei. }
6. Qxd4 g6 7. e4
{Vemos que o branco domina com 4 peças a
casa d5, pelo que será difícil tirar-lhe
essa posição. Isso, nas mãos de Capablanca
tem que dar seu fruto. }
7... d6
{Era necessário para impedir e5. A abertura
Inglesa leva a uma posição exatamente igual
a da Defesa Siciliana, portanto o plano a
seguir é o mesmo; os movimentos são os
mesmas: }
8. Be3 Bg7
{O cavalo negro poderia saltar (mais
adiante) a g4. Por conseguinte, trata-se de
impedir esse salto com outra jogada que
também se faz na Siciliana: }
9. f3 Qa5 {Crava o cavalo.} 10. Qd2
{Descrava.} 10... a6
{Capablanca se "ganhou saúde" ao tirar sua
dama da ameaça indireta do bispo
fianchetado, ao mesmo tempo em que, com seu
bispo, domina a diagonal que vai até h6, e
caso se veja apurado tratará de trocar os
bispos nessa casa.
Talvez as negras fizessem melhor se tivessem
jogado: 10...0-0 porém preferiram evitar um
possível salto de cavalo a b5, forçando a
trocar as damas, para logo dar um "duplo" no
rei e na torre de c7. }
11. Be2 Be6
{Isto se vê em outras partidas com a Defesa
Siciliana, quando o outro bispo se
desenvolve por fiancheto. }
12. Rc1
{!
Aqui já se vê a idéia de Capablanca, que tem
a intenção de abrir a coluna bispo dama (c1
- c8), e desde já prepara sua ocupação. Por
que razão supõe que se abrirá essa linha?
Vejamos: se o negro roca (e deve ser roque
pequeno somente) como logo o fará (e o
branco imitará), vai deixar um ponto sem
defesa: o peão de e7, e então com um salto
de cavalo a d5 se propõe a troca de damas ao
mesmo tempo em que se ameaça esse peão. Se o
cavalo ou o bispo negro tomam esse cavalo,
retoma-se com o peão de c5, abrindo-se a
coluna e a torre que está em c1 "começa a
funcionar". Por isso, colocar a torre dama
em d1 seria um contra-senso porque essa
coluna permanecerá fechada por um longo
tempo. Ademais, ao mover a torre se sai de
uma possível ameaça do bispo fianchetado. A
idéia de mover a torre não só é preventiva,
senão também curativa. }
12... Rc8 {Ataca o peão de c5 e disputará a
coluna.} 13. b3
{Defende o peão de c5.} 13... Nd7
{Ameaça duplamente o cavalo. O branco joga
tranqüilamente. } 14. O-O O-O
{E já temos a posição que Capablanca havia
previsto, com a debilidade da casa e7. Não
deve perder-se a oportunidade de fazer: }
15. Nd5
{!
E não deve perder-se essa oportunidade por
varias razões: primeiro: Porque colocamos o
cavalo em uma posição central. Segundo:
Porque se apossa de um ponto forte como é a
casa d5. Terceiro: Porque pressiona um ponto
fraco do contrário, que é o peão de e7.
Quarto: Porque se as negras trocam a dama,
ganha-se um peão (15....Dxd2. 16.Cxe7+,Rh7 e
17.Bxd2). Quinto: Porque se a dama se retira
e logo as negras fazem Bxd5, se haverá ganho
na troca, uma vez que se abrirá a coluna
bispo dama, que o branco se propôs a
dominar.
Capablanca, com essa simplicidade
característica, vê a pequena vantagem e
trata de explorá-la. Entre parênteses direi
que, a meu juízo, é a melhor maneira de se
jogar porque não se arrisca nada, o que
significa que, no pior dos casos, pode-se
conseguir o empate. E se o contrário começa
a fazer jogadas duvidosas, então "se lhe
corta a cabeça". A única jogada "possível"
do negro é: }
15... Qd8
{Defende tudo. Vemos também como um ponto
forte (a casa d5 que o branco controla
claramente) obrigou o adversário a perder
dois tempos com a dama. Novamente Capablanca
observa que seu rival tem outro ponto fraco:
o peão de b7, e se lhe ocorre a jogada mais
simples: }
16. Qb4
{Não se pode defender o peão, avançando-o,
porque o branco o ganharia sempre. Tampouco
se pode jogar Tc7 porque o cavalo domina
essa casa. Nem é possível Tb1 por Ba7, etc.
Nem serve Cc5 por Bxc5, etc. E em todas as
variantes as brancas ganham o peão. Não
sendo possível a "defesa direta", há que
fazer uma jogada indireta, como poderia ser
"matar" um dos dois atacantes. }
16... Bxd5 17. cxd5
{Foi aberta a coluna do bispo dama (c1 -
c8), tema desta lição. Veremos como
Capablanca a explora. }
17... Rxc1 18. Rxc1 Qb8
{Por fim as negras podem sustentar seu peão
de b7, enquanto vigiam a casa c7, principal
objetivo da torre branca.
As trocas que acabamos de ver foram
obrigados para poder defender o peão
atacado, porém com isso as brancas
conseguiram dominar a coluna bispo dama (c1
- c8). Em realidade, ainda não a dominam de
todo porque não controlam as casas
principais (sétima e oitava) e porque o
negro está ameaçando 19.Tc8, forçando a
troca de torres. QUANDO JÁ SE TROCOU UMA DAS
TORRES E O CONTRÁRIO AMEAÇA TROCAR A OUTRA,
HÁ UMA FORMA DE EVITÁ-LO E FICAR COM O
DOMÍNIO DA COLUNA ABERTA: COLOCA-SE A DAMA
COMO SE FOSSE OUTRA TORRE. Assim se faz: }
19. Qc4
{A coluna já ficou em poder do branco. O que
se ganha com isso? O domínio da sétima casa,
que seu rival não poderá controlar mais,
pelo que se ameaça: 20.Dc7,Dxc7 e 21.Txc7,
ganhando, no mínimo, um peão e colocando a
torre em sua posição ideal.
Se agora respondessem: 19.....Cc5,
20.Bxc5,dxc5 e 21.Dxc5, com o ganho de um
peão e a mesma ameaça explicada. Restariam
bispos de cores opostas, o que daria ao
negro uma remota possibilidade de empate,
ainda que nem tanta como a gente vulgarmente
acredita.
As negras fazem agora uma jogada inocente,
dessa que jogam os noviços quando não sabem
o que fazer: }
19... Bb2 {Ataca a torre.} 20. Qc2 {Contra-
ataca.} 20... Bf6
{O bispo negro teve que se retirar e
preferiu ir para onde defenderá um de seus
pontos fracos: o peão de e7. Percebe-se que
o negro poderia jogar Ce5, que mesmo não
estando "centralizado", porque logo o peão o
expulsaria, poderia apoderar-se de casas
fortes. O branco lhe tira essa
possibilidade. }
21. f4 Rd8
{As negras não sabem o que fazer. Essa
jogada não tem objetivo. Vemos novamente
como o branco, sem haver ganho nada, sem
haver ameaçado mate, sem fazer sacrifícios,
sem combinações brilhantes, nem nada do
estilo, pouco a pouco vai encurralando seu
adversário. É QUE AS PARTIDAS DE CAPABLANCA
SÃO DE UMA SIMPLICIDADE "APLASTANTE".
Agora buscará a troca de damas, que seu
rival não pode aceitar, porque a torre entra
na sétima linha. }
22. Qc7 Qa8
{Triste posição para uma dama! Havendo no
tabuleiro tantas boas casas para colocar
eficientemente uma dama, esta pobre peça
negra teve que confinar-se em um rincão, sem
esperanças de intervir no curso da luta.
Bem, as negras aparentemente não estão em
tão má posição. Tem tudo defendido, cada uma
de suas peças está apoiada por outra e, em
verdade, resulta difícil continuar o ataque.
O que se poderia fazer? Há que pensar e ser
engenhoso.
Por exemplo: o cavalo negro tem seus saltos
para frente controlados e está defendido só
pela torre e atacado pela dama. Se o
atacássemos outra vez, teria que se retirar
para a casa f8, dando lugar ao avanço e5. E
se dxe5 segue fxd5, o bispo negro sai e cai
o peão de e7, que continua sendo o ponto
vulnerável das negras. A jogada é: }
23. Bg4 Nc5
{O negro se decide. Perde um peão, mas busca
um final com bispos de cores opostas. Pode-
se fazer 24.Bxc5, dxc5 e 25.Dxc5, ganhando
um peão, porém Capablanca não se iludo.
Raciocina: o cavalo está sustentado somente
por seu peão de d7. Quer dizer que se
avançássemos o peão de e4 a e5, este não
poderia ser tomado (porque cai o cavalo) e
então o bispo negro deverá retroceder porque
se vai a h4 pode-se fazer tranqüilamente g3.
Se o bispo vai para trás, perde-se o peão de
e7, que como vemos está condenado a morrer.
E sempre haverá tempo para jogar Bxc5
ganhando outro peão. }
24. e5 Bg7 25. Qxe7
{O negro está atado. Se move a torre,
desaparece a defesa do peão de d6, que
sustenta o cavalo; este pouco pode fazer;
sua dama está confinada em um rincão; seu
bispo não tem lance útil; enfim, suas peças
estão "embotelladas". Diante de tal
situação, trata de ganhar espaço, expulsando
um dos atacantes. }
25... h5
{O bispo poderia se retirar porque a partida
está decidida. Com um peão de vantagem e o
par de bispos, as brancas tem a vitória em
suas mão. Porém ERA ELEGANTE A FORMA COMO
CAPABLANCA ARREMATAVA SUAS PARTIDAS: }
26. e6
{Entrega o bispo, porém calculou toda a
continuação. Porque se as negras tomam o
bispo, abrem a coluna da torre (h1 - h8),
que será de suma importância. E se tomam
26.fxe6, as contestações são claras. Nesse
dilema, o negro se decide a "morrer com a
barriga cheia" e joga. }
26... hxg4 27. exf7+ Kh7 28. Qh4+ Bh6
{Forçado. } 29. f5 g5
{Novamente forçado. Se 29...gxf5 30.Dxh6#.}
30. Bxg5 Kg7 31. Qxh6+
{e as negras abandonam.
Em todas as continuações há mate. Se
31...Rxf7 (única) 32.Dh7+ Re8 [ Se 32...Rf8
33.Bh6+ Re8 34.Te2+ Ce6 35.Txe6#] 33.De7#
EM RESUMO: MANTER O DOMÍNIO DA COLUNA BISPO
DAMA (c1 - c8) É DE SUMA IMPORTÂNCIA. Vimos
claramente as vantagens que se pode obter
sabendo explorar essa coluna.
Muitos leitores desta página me pedem
partidas dos jogadores ativos do momento e
eu lhes mostro partidas de Alekine e de
Capablanca porque, apesar de que agora os
jogadores tem desenvolvida uma alta técnica
enxadrista graças à tecnologia moderna, as
partidas de Capablanca, Nimzovitsch, Euwe,
Bogoljubow, Alekine. etc., ensinam.
Digo-lhes, aquele que sabe desentranhar a
rameira "pesca" coisas muito lindas em suas
partidas. Vocês vêem como seus sistemas são
simples, e isso é o bom e o difícil nas
partidas de xadrez.
Bem, prezados leitores, finalizamos esta
lição. Agora está pendente a segunda partida
Maestro Vs Aficionado. E de novo lhes digo:
viva a Revolução Bolivariana de meu País,
Venezuela. Até breve.
Prof. Erich González
E-mail: edgonzal@luz.ve
<mailto:edgonzal@luz.ve>
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "COMO PROVOCAR DEBILIDADES NO ROQUE


"]
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[Result "1-0"]
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[Annotator "Prof. Erich Gonzalez"]
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{Como provocar debilidades no roque


Prezados amigos, leitores desta pagina. E
uma honra para mim fazer-lhes chegar estas
licoes, em contraposicao ao egoismo
que se aferra em muitos mestres, que temem
revelar os segredos de seu jogo
porque lhe custou muito tempo de dedicacao e
estudo. Sao meus deveres e assim
os entendo, como professor Universitario e
Bolivariano desta grandiosa patria,
minha querida Venezuela. LICAO 20 COMO
PROVOCAR DEBILIDADES NO ROQUE Vamos
continuar com o tema das debilidades do
roque, porem esta vez estudaremos
outro tipo de partida, diferente da que
vimos na licao anterior (Licao 18).
Naquela licao as negras fizeram um
fiancheto de rei, o que ja e um germe de
debilidade (pelo avanco do peao de g7 a g6),
o que foi aproveitado pelo
contrario, que ganhou em grande forma. A
partida desta licao e de outro tipo:
as brancas "PROVOCAM" O DEBILITAMENTO DO
ROQUE CONTRARIO, para logo
aproveita-lo devidamente. E o fazem com uma
ideia que se usa em 99% dos casos:
COM AMEACAS DIRETAS AO ROQUE. Este tema e
importante, e me detenho nele porque
as ideias que agora veremos podem ser usadas
em muitas partidas. Trata-se do
encontro entre Andres Steiner (irmao de
Lajos Steiner) com essa gloria do
xadrez, Savielly Tartakower, no torneio de
Budapest. Essa partida foi vencida
por Steiner e isso so nos faz ver que
Tartakower perdeu para um jogador
evidentemente inferior a ele e tera sido por
alguma. O grande mestre Polaco
nao era homem de cometer erros grosseiros,
nem de fazer coisas raras, nem de
"tirar-se" lances. Entao, repito, se
Tartakower perdeu, tera sido por "algo".
Isso e o que veremos em seguida. Defesa
Francesa BRANCAS: A. STEINER
NEGRAS: S. TARTAKOWER}
1. e4 e6
{Ja esta estabelecida a Defesa Francesa.
Esta linha de jogo e feita com a ideia de
atrasar o peao do rei negro para
logo poder jogar d5. Pessoalmente, nao sou
partidario desta defesa, nao me
agrada. E nao me agrada por varias razoes.
Uma delas e que o negro encerra
voluntariamente seu bispo de c8 por longo
tempo, enquanto as brancas podem
jogar (mais adiante) Bd3, atacando
fortemente o ponto h7, onde estara rocado o
rei negro. A outra razao e que as negras
devem se defender durante as
primeiras "50 jogadas", e se a partida passa
desse numero de movimentos, entao
a posicao e solida. Porem assegurar que uma
partida vai durar mais de 50
jogadas e uma temeridade, e estar 50 jogadas
defendendo-se continuamente e uma
asneira. Tartakower era amante desta
defesa, porem, nesta partida, levou uma
surpresa porque seu rival nao seguiu com a
jogada vulgar 2.d4, senao que fez
outra que pressiona fortemente a casa d5,
onde deve produzir-se a crise. }
2. c4 $1 d5
{Sem se perturbar, Tartakower segue com o
normal, porem tambem o
faz com logica, porque em caso de produzir-
se a troca de peoes no centro (por
exemplo 3.cxd5,exd5; 4.exd5 e Dxd5), as
brancas deverao jogar a partida com
seu peao em d5 isolado. Porem, o que
Tartakower esperava nao se produziu. O
branco trazia uma arma debaixo da manga e em
seguida a esgrimiu:}
3. cxd5 exd5 4. Qa4+ $1
{Diante deste desusado xeque, evidentemente
nao deve mover-se o rei,
senao tapar. Como? pode ser na casa c6 ou em
d7.}
4... Bd7
{Tapando o xeque,
com Bd7, o negro ataca a dama e, portanto,
defende indiretamente seu peao de
d5. Porem, aparentemente, o branco trazia
estas variantes muito bem estudadas.
Fez:} (
{Se} 4... Nc6 {segue} 5. exd5 Qxd5 6. Nc3
{com bom desenvolvimento para
o branco, que ganha um tempo enquanto ataca
a dama.}) (
{Se} 4... c6 {
segue tambem} 5. exd5 Qxd5 6. Nc3
{ou seja, mais o menos o mesmo.}) ({Fazer}
4... Nd7
{seria muito ruim porque obstrui a acao de
sua dama e de seu bispo e
o branco ganha um peao.}) (
{Se} 4... Qd7 {as brancas ganham um tempo
com} 5. Nc3 {e se} ({ou talvez}
5. Qd4 Nc6 6. Qxd5) 5... Nc6 6. Nxd5) 5. Qb3
{
Parece que entrega o peao de e4, porem nao e
assim porque o recupera em
seguida e pode ganhar outro.}
5... Bc6
{Com a jogada 5....Bc6, as negras
preferiram defender-se e ameacam 6....dxe4,
porem o branco nao se assusta, ja
que esse peao nao pode ser tomado devido a
7.Bc4, pressionando em f7 com xeque
e destruindo o roque. Porem, como as negras
poderiam defende-lo com Ch6, as
brancas cortam-lhe essa possibilidade
jogando:} (
{Se} 5... dxe4 6. Bc4 {
com forte ataque sobre o peao de f7 e o de
b7.}) 6. d4
Nf6
{De tudo o que
foi exposto podemos deduzir que nao se pode
tomar o peao branco de e4 e que a
posicao e ruim para o negro, dado que agora
se ameaca com a jogada 7.e5, e
chegamos a conclusao do que expus no inicio:
NA DEFESA FRANCESA, O
DESENVOLVIMENTO DO BISPO DAMA PARA AS NEGRAS
E UM PROBLEMA. Para se
desenvolver e atacar um pouco o peao do rei
branco, Tartakower cometeu outro
erro.} (
{Se} 6... Nh6 {viria} 7. Bxh6 {tirando a
defesa do peao de f7.}) (
{
Em caso de} 6... dxe4 {segue} 7. Bc4 {ao que
se podia jogar unicamente:}
7... Qe7 {vem} ({ou} 7... Qd7) 8. d5 {o
bispo sai} 8... Bd7 ({E muito melhor}
8... Qb4+ 9. Qxb4 Bxb4+ 10. Bd2 Bxd2+ 11.
Nxd2
{e subsiste a ameaca sobre o bispol
negro e sobre o peao avancado de e4, que nao
pode ser mantido, porque a:}
11... Bd7 12. Nxe4
{recuperando, com evidente vantagem de
espaco para o branco, que
tambem ganhou dois tempos, enquanto o negro
tem uma unica peca desenvolvida.})
9. Qxb7 {ameacando a torre e o cavalo.})
({Vejamos esta outra variante}
6... dxe4 7. Bc4 {e agora} 7... Qd7 8. d5
Ba4 9. Qxb7
{
e a torre negra esta perdida
irremissivelmente.}) 7. e5 $1
{Com isto se
expulsa o cavalo dessa casa. Que importancia
tem? Que se tira do futuro roque
negro sua defesa natural, que e um cavalo em
f6. Essas debilidades decidem
partidas, ainda que muitos jogadores (como
agora Tartakower) suponha que isso
nao ha de ser tao mau. Porem, aqui, a
teoria e a pratica se juntam para
demonstra-lo. Nao seria bom levar esse
cavalo para diante, porque a Ce4, vem
f3 e nao tem retirada satisfatoria. Coloca-
lo indefeso em g4 e mais ou menos o
mesmo. Entao: }
7... Nfd7
{E agora. Que figura fazem essas pecas
amontoadas?
Se antes a situacao era ruim para o negro,
agora e pior. Entretanto, o branco
nao pode tirar proveito imediato dessa
posicao porque nao tem pecas menores
desenvolvidas. Nao obstante, faz um
movimento que indica claramente qual e sua
ideia principal, atacar o possivel roque
curto das negras.}
8. Qg3 f6 $2
{
Tartakower ja se sentiu molestado pela
pressao do peao em e5 e tratou de
destrui-lo. Porem, e evidente que essa
jogada e ruim. E e ruim porque o avanco
do peao de f7 a f6 deixa casas fracas e
piora ainda mais o futuro roque negro.
Repetiremos o que dizia um "chusco": quando
se esgotam as jogadas boas, ha
que lancar mao das mas, porque QUANDO A
POSICAO E ASFIXIANTE, CHEGA UM MOMENTO
EM QUE O JOGADOR SABE QUE UMA JOGADA E RUIM,
POREM DEVE FAZE-LA; A POSICAO O
EXIGE. Como o peao de e5 do branco esta bem
defendido, continuadesenvolvendo-se
, sem se perturbar, e atacando a casa h7 do
possivel roque negro.}
9. Bd3
{
EM QUASE TODAS AS PARTIDAS COM DEFESA
FRANCESA O BISPO REI DAS BRANCAS VAI A
CASA d3, PARA ATACAR O PONTO h7. As negras
agora ganham um tempo com xeque:}
9... Bb4+ 10. Nc3 {desenvolve;} 10... O-O
{E pior o remedio que a enfermidade.
Ha coisas que saltam a vista. Esse roque,
sem o cavalo na casa f6 e com o peao
de f7 adiantado a f6, e muito fraco. Ha que
ataca-lo imediatamente e, se for
possivel, provocar mais debilidades. Para
isso, se comeca pelo mais simples:
ameacar uma de suas casas indefesas como a
h7.}
11. Qh3
{"Aponta" para o peao
de h7 e ate ameaca "meter-se" por e6 com
xeque. Que remedio ha? Mover o peao a
h6 ou a g6. Ja veremos essa variante.}
11... g6
{Chegamos outra vez ao que
diziamos: A OBRIGACAO FAZ COM QUE UM BOM
JOGADOR FACA JOGADAS RUINS. Neste
caso, nao ha (como na partida que vimos na
licao anterior) um bispo em g7, por
cuja razao as debilidades sao maiores.
Repetimos, e nao me cansarei de repetir:
PEAO QUE SE AVANCA DEIXA UMA OU MAIS CASAS
FRACAS. Quais sao as casas que
ficaram positivamente fracas pelo avanco do
peao de g7 a g6? As que esse peao
vigiava: h6 e f6, que o contrario tratara de
explorar, e para isso comecara
por aproveitar para colocar em jogo um bispo
que, ate agora nao "trabalhava".
} (
{Se} 11... h6 $2 {a dama se mete pelas casas
brancas, com} 12. Qe6+ Kh8 (
{
e ruim} 12... Rf7) 13. Qf5
{montando o que eu chamo de "a maquina".
Depois do
que a situacao e "de firma". E que figura
fazem esses peoes?})
12. Bh6
{
As duas casas fracas do roque serao, daqui
em diante, a base de todo o ataque.
E QUANDO SE TEM A INICIATIVA E HA PONTOS
PARA EXPLORAR, SAO MUITAS AS JOGADAS
BOAS QUE SE PODEM FAZER. No momento, as
brancas mantiveram o ataque quase sem
pecas.}
12... Re8
{A jogada 12....Te8 do negro nao so e
defensiva, senao que
tambem e ofensiva porque esta se ameacando o
peao e5 do branco, que se nao o
defendem uma vez mais, caira. As brancas
poderiam fazer 13.Cf6, porem e melhor
trazer outro peao ao centro, formando um
baluarte que nao se podera romper.
Por isso jogam:} (
{Nao seria bom jogar} 12... Rf7
{porque as brancas primeiro
rocariam e logo teriam a possibilidade de
avancar o peao de e5 a e6 atacando
simultaneamente a torre e o cavalo. Se as
brancas se apressam e jogam}
13. e6 {
seria mau porque com} 13... Re7 {se crava o
peao e se ameaca o rei.})
13. f4 Nf8
{As negras realizaram o movimento "de
emergencia". E uma maneira de
sustentar-se, porem entranha a falta de
comunicacao do rei com sua torre e sua
dama. Evidentemente, sua situacao e ruim. O
branco tratara agora de rocar,
escapando com seu rei dos fogos da torre e,
de passagem, fortificara o centro.}
14. Nf3 Qd7
{As negras buscam a troca de damas. QUANDO
EXISTE UM FORTE
ATAQUE, O LADO ATACADO DEVE TRATAR DE TROCAR
AS DAMAS PORQUE, SE O CONSEGUE, O
ATAQUE E PARALISADO EM 50%. Por outro lado,
ao atacante nao lhe convem a troca
e, se pode, tratara de evita-la.}
15. Qh4 fxe5
{Ha tres pecas para
retomar este peao. Qualquer das tres e boa.
Se 16.Cxe5 fica um cavalo
centralizado, tao forte que forcara as
negras a sacrificar qualidade (agora ou
mais adiante). Com 16...Txe4, ou seja, uma
troca vantajosa para as brancas,
porem o ataque perde forca e esse cavalo e
necessario para arrematar a partida.
E melhor entao retomar com o peao de f4.
Por que? Porque depois que o branco
roque, a torre estara na casa f1 e, com a
coluna aberta, comecara a
"funcionar" em seguida. }
16. fxe5 Bb5
{As negras advertem o plano e
tratam de impedir o roque. E boa jogada,
porque esse bispo nao fazia nada na
casa c6 e agora esta forcando a troca de
bispos, dado que se o bispo branco de
d3 se movesse ja nao seria possivel realizar
o roque e, quanto ao roque longo
nao ha nem que pensar, porque seria
completamente fraco por obvias razoes.}
17. Bxb5 Qxb5
{As negras conseguiram evitar o roque (por
agora), porem ha
uma serie de detalhes que o branco pode usar
em seu beneficio. Por exemplo: a
debilidade da casa f6 do negro (motivada
pelo avanco do peao de g7 a g6),
ameacando dar mate "seco" em g7.}
18. Qf6
{O bispo e a dama branca tomaram as
duas casas fracas do roque, conseguidas na
"provocacao" de 11.Dh3. Para evitar
o mate, nao ha mais que dois movimentos
factiveis: fazer Dd7, ou jogar Ce6. Se
a dama retrocede, permitem o roque das
brancas e se atrasam em seu
desenvolvimento. Entao jogam:}
18... Ne6
{Aparentemente as negras sustentam
tudo e evitam o roque. Porem, o que
aconteceria se desaparecesse o cavalo de
e6 do negro? Se poderia dar o mate ameacado
em g7. A jogada logica para
destruir essa defesa, base do jogo negro,
e:}
19. Ng5 Qd7
{Era necessario
defender o cavalo e o mate, e nao havia mais
remedio que retroceder com a dama.
Se as negras tivessem pretendido expulsar a
dama branca com 19...Cd7 viria 20.
Df7+ Rh8 21.Dxh7#. Isso significa que o
cavalo branco em g5 ataca outros
pontos do roque que e necessario defender.
Bem, ao retroceder a dama negra,
o que se deve fazer em seguida? O roque.
Dessa maneira, a torre toma a linha
aberta da coluna f e, como esta ameacando o
cavalo negro, poderia existir
alguma combinacao que terminasse em mate.} (
{
Se, no afa de expulsar a dama, as negras
jogam} 19... Nd7 {seguiria}
20. Qf7+ Kh8 21. Qxh7#
{Isso significa que o cavalo de g5 do branco
ataca outros pontos
do roque que e necesario defender.})
20. O-O Nxg5 ({Se} 20... Be7
{
vemos que se corta a comunicacao da dama
negra com as casas f7, g7 e h7, com o
que paralisa sua propria defesa e
poderiavir}
21. Nxd5 ({Se} 21. Qxe6+ Qxe6 22. Nxe6
{ganha uma peca porem perde o ataque
ganhador.}) 21... Bxf6 ({
Nao serve}
21... Qxd5 {devido a} 22. Qf7+ Kh8 23.
Qxh7#) 22. Nxf6+ Kh8 {e
} 23. Nxd7
{
recuperando a dama, ganhando um peao e
ficando numa posicao ganhadora.})
21. Qxg5
{HA QUE OLHAR MUITO BEM. AS VEZES, PERDEM-SE
PARTIDAS "GANHAS" COM ESSES
ENGANOS.} (
{O negro, em sua jogada 20....Cxg5 "tirou um
lance". A primeiras
vista, parecia que se podia tomar esse
cavalo com o bispo. Porem se}
21. Bxg5 {
segue} 21... Rf8
{e a dama branca esta encerrada, nao tem
escapatoria.}) 21... Nc6
{Por fim, saiu esse cavalo e se comunicaram
as torres! POREM, QUANDO
EXISTE UM PEAO NA SETIMA FILA, DEFENDIDO POR
OUTRO NA SEXTA FILA E NAO HA
BISPO OU CAVALO QUE POSSAM, EM SEGUIDA,
DESTRUIR ESSA DEFESA, HA QUE
CONTEMPLAR A POSSIBILIDADE DE DEBILITAR ESSE
BALUARTE DE PEOES QUE DEFENDEM O
ROQUE. COMO? HA UM METODO LENTO, QUE
CONSISTE EM JOGAR h4 E LOGO h5, POREM HA
OUTRA MANEIRA MAIS RAPIDA: FAZER UM
SACRIFICIO. O SACRIFICIO E MAS DIRETO.}
22. Rf6 $1 Nxd4
{Com a jogada 22...Cxd4, Tartakower trata de
meter logo esse
cavalo na casa e6 ou em f5, defendendo sua
casa fraca g7, onde se fazem as
maiores ameacas de mate. Claro que agora nao
seria bom o sacrificio de Txg6+
porque a dama negra defende casa g7. So
seria factivel depois de expulsar essa
dama da setima linha. Por isso o branco joga
tranqueilamente.} (
{
Se respondem com} 22... Be7 $4 {vem o
sacrificio} 23. Rxg6+ hxg6 24. Qxg6+
Kh8 25. Qg7#
{Vemos que nao se deve cortar a comunicacao
da dama negra com as
casas do flanco rei.})
23. Nxd5
{Nao e possivel 23....Dxd5 devido ao
sacrificio explicado. Ademais, ja estamos
vendo que se a dama negra nao se
move de onde esta poderia haver a
possibilidade de dar um duplo no rei e na
dama, com esse cavalo em f6. (Sempre a
famosa debilidade). Tambem, e de
passagem, o cavalo branco esta ameacando
ganhar o bispo de b4, coisa que por
agora nao interessa. As negras optam por
ameacar a dama rival, pensando "no
momento a dama tera de ir, e depois
veremos". Porem se equivocou, porque veio
o sacrificio que Steiner havia previsto:}
23... Ne6 24. Rxg6+ hxg6 ({Nao serve
} 24... Ng7 25. Nf6+ {ganhando facil.})
25. Qxg6+ Kh8 ({Se cobre com} 25... Ng7
{segue} 26. Nf6+
{duplo no rey e na dama ganhando.}) 26. Nf6
{Com isso, alem
de ameacar a dama e a torre, tomam-se todas
as saidas do rei. O negro esta
claramente perdido, porem se defende
desesperadamente, prolongando sua agonia.}
26... Rg8
{. A jogada das negras 26....Tg8 e um pouco
melhor que as outras,
porem se o branco quisesse podia recuperar
sua torre com Cxg8. Mas nao valia a
pena ter sacrificado uma torre para chegar a
isso. As brancas especulam como o
fato de que o rei negro nao pode escapar
porque tem todas as casas adjacentes
tomadas.} (
{Nao era bom} 26... Qe7 {devido a} 27. Qh5
{
ameacando mate rapido con Bg8+, etc.}) 27.
Qh5 Rxg2+ $2
{Em verdade,
para o negro era dificil jogar algo. Comeca
por devolver um pouco do que tem
de mais, tratando de destruir o roque do
rival. As brancas poderiam continuar
28.Rh1, porem isso seria "dar gosto ao
contrario", e, alem disso, NAO CONVEM
ARRISCAR MUITO COM A OBSESSAO DE DAR O MATE
AMEACADO.}
28. Kxg2 Qc6+ 29. Kh3
{
Sai da ameaca e acabaram-se os xeques. A
posicao do negro e desastrosa. Nao
obstante, segue defendendo-se, enquanto
ataca a dama contraria.}
29... Ng7 30. Bxg7+ Kxg7
{QUANDO UM REI PERDEU TODOS OS PEOES QUE
DEVERIA TER DIANTE
DE SI, NAO HA PECAS QUE SUFICIENTES PARA
PROTEGE-LO. Os dos lado estao iguais
em pecas, porem o rei negro e esta em
situacao muito ruim.}
31. Rg1+ Kf8
{Unica. SE AS BRANCAS INSISTEM BUSCANDO O
MATE, E POSSIVEL QUE SAIAM PERDENDO.
Vou lhes dar um conselho para quando se
encontrem em posicoes como esta: SE
EXISTE A POSSIBILIDADE DE DAR UM XEQUE NA
OITAVA LINHA E EM SEGUIDA CAPTURAR
UMA TORRE, NAO HA MAIS NADA QUE PENSAR. NEM
QUEBRAR A CABECA BUSCANDO O MATE.}
32. Rg8+ Ke7 33. Rxa8
{Ja ganhou uma torre e a posicao de mate
subsiste. Quer
dizer que O SEGURO E O MELHOR.}
33... Qe6+
{Com uma torre de vantagem, nao
interessa ao branco buscar um mate imediato,
nem deve ter medo de TROCAR AS
DAMAS. PORQUE SE NOS EMPENHAMOS EM NAO
TROCA-LAS PARA DAR NOSSO MATE, NUMA
DESSAS O CONTRARIO ENCONTRA UM XEQUE
PERPETUO E FICAMOS COM A VONTADE E COM ...
...A RAIVA.}
34. Qg4
{e as negras abandonam. Vimos, nesta
licao, como ao
provocar o avanco do peao negro de g7. O
branco teve o dominio das casas h6 e
f6, que lhe deram a vitoria. Vimos como
entrou um bispo na casa h6, e logo
sucessivamente, a Dama, a Torre e o Cavalo
em f6. Sempre se especulou sobre os
mesmos pontos. Bem amigos, terminamos esta
licao. Espero que gostem e que
aprendam muito com ela. De minha parte, um
forte abraco a todos, em nome de
meu pais e de nossa Revolucao Bolivariana,
que, dia a dia, acaba com a
anarquia e com a oligarquia, que sempre
predominou na Venezuela. Ate breve.
Prof. Erich Gonzalez e - mail:
edgonzal@luz.ve}
1-0

[Event "COMO APROVEITAR O DOMÍNIO DA COLUNA


BISPO DAMA"]
[Date "??.??.??"]
[White "LIÇÃO 21"]
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[Result "1-0"]
[Site "?"]
[Round "?"]

1. e4
{A imortal do zugzwang
Estimados amigos enxadristas leitores desta
página. Muito obrigado por seus e-mails e
por suas opiniões sobre os finais de G. M.
Kasparian. Continuemos com as lições em prol
de difundir o xadrez. Nosso ilustre
libertador Simón Bolívar dizia: "A cultura é
dos povos; mas não somente dos oligarcas
poderosos". E o xadrez é cultura, e é do
povo.
LIÇÃO 21 - COMO APROVEITAR O DOMÍNIO DA
COLUNA BISPO DAMA (c1 - c8)
Em lições passadas (lição 19), estudamos
algumas das vantagens de dominar a coluna
bispo dama (c1-c8), que nos serviu para ver
como se pode entrar com uma torre na sétima
linha e varrer os peões do contrário.
Hoje, veremos outra partida onde toda a ação
se desenvolve na coluna bispo dama e se
decide nessa mesma linha. Aqui, o domínio da
coluna, unicamente por sua ação, dá a
vitória. É uma partida muito interessante,
jogada em San Remo, no ano de 1930, entre os
mestres Alekhine e Nimzowitsch.
Eram dois jogadores de grande força, o que
nos dá a idéia de que tanto o que ataca como
o que se defende "VÊ MUITO". E, por isso
mesmo, as ações no tabuleiro se equilibram e
dão uma luta parelha. É diferente quando se
encontram dois jogadores de forças
desiguais; a partida perde interesse porque
é de supor que o mais fraco não vê tudo o
que o outro vê.
Sendo dois mestres iguais, a luta é mais
interessante. Os dois rivais de hoje são
quase da mesma força; quer dizer que todo o
que Alekhine viu, também o viu Nimzowitsch.
Uma partida assim tem mais importância, e
demonstra que se um deles se impõe é porque
soube aproveitar melhor algum detalhe
estratégico.
Trata-se, como vocês sabem, do domínio da
coluna bispo dama. Alekhine nos mostrará
como se pode aproveitar esse domínio para
obter o triunfo. A partida começou com uma
abertura de peão de rei, que Nimzowitsch,
fiel a seus princípios, replicou com uma
DEFESA FRANCESA porque DIZ QUE COM ISSO SE
MANTÉM A TENSÃO CENTRAL E O DINAMISMO DE
SUAS PEÇAS. ISSO O DIZIA ELE; FALTA SABER SE
É CERTO. Na lição anterior (lição 20),
expressei minha opinião pessoal sobre as
desvantagens desta defesa.

Defesa Francesa
BRANCAS: ALEKHINE
NEGRAS: NIMZOWITSCH}
1... e6 2. d4 d5
{Já temos a posição clássica da Defesa
Francesa, disputando as casas centrais. }
3. Nc3
{Hoje em dia, as brancas possivelmente não
teriam respondido com esta jogada, senão com
Cd2, que nessa época foi popularizada por
Paul Keres e que em minha opinião não é nem
melhor nem pior do que a que fez Alekhine,
senão que, como era pouco jogada, gozava da
vantagem de estar menos analisada. Um de
seus aspectos favoráveis é surpreender o
contrário. Nimzowitsch segue com a jogada de
Maroczy: }
3... Bb4
{Essa posição do bispo que crava o cavalo
sobre o rei tem suas vantagens e suas
desvantagens. As vantagens as estamos vendo
claramente: se ameaça tomar o peão de e4
branco. Porém as desvantagens são que
sabemos que se os peões (do negro) estão
colocados em casas brancas, o bispo que
corre por casas negras é o "bom", por sua
maior mobilidade, (e o bispo-dama é o
"mau"). Porém, se a isso agregamos que em
90% dos casos que se faz Bb4 será quase
necessário trocá-lo pelo cavalo, porque se
retrocede haverá perdido um tempo,
convenhamos que a troca não é muito
aceitável, e que quem sairá ganhando com
isso é o branco.
Vocês vêem como, sem saber aberturas, pode-
se jogar bem por meio de conceitos gerais.
Quem os tenha, ainda que não conheça todas
as variantes de uma abertura, dificilmente
será superado nela porque, ainda que não
responda exatamente a jogada aconselhada em
tal ou qual defesa, tampouco o contrário
pode saber todas as do livro. Estudar a dedo
a teoria de aberturas (todo o mundo acredita
que com isso vai aprender xadrez) não é tão
importante como conhecer conceitos gerais.
Um aficionado, estudando muito, poderá
chegar a saber de memória duas o três
aberturas com suas variantes inteiras, e,
sem embargo, quem saiba nada mais que duas
ou três aberturas não sabe nada de xadrez.
Em troca, o que sabe os conceitos gerais
poderá jogar bem em todas as aberturas.
Bem, diante da jogada de Maroczy, 3.....Bb4,
há várias razões pelas quais a contestação
4.exd5 "nem se pensa". Em primeiro lugar, se
sabemos que o bispo negro da casa b4 vai ter
que ser trocado pelo cavalo, ou seja, que as
negras ficarão unicamente com o bispo dama,
que corre por casas brancas, convém
imobilizar os peões do centro para que esse
bispo continue sendo "mau". Segundo, se na
Defesa Francesa, como já dissemos, o bispo
rei branco irá a d3 para pressionar o ponto
h7 do roque negro, convém então, desde já,
despejar essa diagonal. Não se deve fazer
nunca 4.exd5, como vemos em muitas partidas,
porque isso dá bom jogo ao negro. }
4. e5 c5
{As negras vão minar a base desses peões
centrais; é a jogada lógica. Porém, já vemos
que esse peão em c5 interrompe a diagonal de
seu bispo de b4, que está condenado a ser
trocado pelo cavalo. }
5. Bd2 {Descrava. } 5... Ne7
{Pode-se ver, pois, que as negras necessitam
desse bispo, que trocam, para controlar as
casas negras. Com a jogada 5....Ce7, o negro
escolhe essa via, já que o cavalo não pode
sair pela casa f6 e prepara seu roque. As
brancas aproveitam que tem seu cavalo
descravado e, com a mesma idéia de levá-lo a
d6, dão o xeque e, rompendo o roque
contrário, fazem Cb5, que também serve para
forçar o troca do bispo "bom" das negras
pelo bispo "mau" das brancas.
Busca um troca favorável e explora a má
situação da casa d6, devido ao fato de que o
peão de c7 foi avançado a c5 e já não poderá
expulsar dali o cavalo.
Se 5...cxd4 6.Cb5 com o propósito de
aproveitar a forte casa d6 sustentada pelo
peão avançado. As negras devem responder
6...Bxd2+ e segue 7.Dxd2 atacando duas vezes
o peão dobrado, o que quer dizer que no pior
dos casos se as negras fazem 7...Cc6,
defendendo-o, sempre se recupera e nada pode
impedir que, mais adiante, o cavalo vá à d6,
centralizando-se, o que seria muito forte. }
6. Nb5 Bxd2+
{E o negro pode dar graças por haver trocado
seu bispo por outro bispo e não por um
cavalo, o que seria pior. }
7. Qxd2 O-O
{O negro conseguiu escapar com seu rei antes
que lhe dessem o xeque. Sua posição não
tinha, por agora, mais que um só defeito: a
debilidade da casa d6, já que com nenhuma
peça haveria conseguido evitar, em seguida,
a entrada do cavalo em d6, dando xeque. Era
então melhor rocar antes de tudo.
Porém, depois do roque, as negras ficaram
com outra debilidade: o cavalo em e7. }
8. c3
{Alekhine sustenta seu centro e "tem tempo"
para fazer Cd6. Vocês vêem que não usa essa
casa. Faz isso por uma razão psicológica.
QUANDO SE TEM UMA CASA A EXPLORAR, É MELHOR
"AMEAÇAR" ENTRAR NELA QUE ENTRAR
DIRETAMENTE. Por que? Porque o contrário não
sabe se vamos ocupá-la ou não, se tem que
defendê-la, se temos outro plano ou se há
"algo mais" que não vê. Em troca, se a
ocupamos diretamente, sente um alívio porque
vê que tudo era como ele pensava. }
8... b6
{Prepara a saída de seu bispo dama. É este
um bispo mau porque caso vá a b7 pouco
poderá fazer e, em a6, somente ameaça um
cavalo que está defendido. Já dissemos que
"não é negocio" trocar o bispo pelo
cavalo. }
9. f4
{Esta é a formação clássica de peões na
Defesa Francesa. Porque o peão em e5 é
relativamente fraco e se o deixamos sem mais
apoio, pode cair. Sustentando-o com outro
peão, torna-se mais forte e devemos ter em
conta que depois se poderá jogar Cf3,
reforçando-o, resulta uma cunha que trava o
jogo das negras. }
9... Ba6 {Única de onde este bispo ainda
pode jogar. } 10. Nf3
{Com isso, Nimzowitsch acredita que esse
cavalo já não irá a d6, que era o que estava
ameaçando. Se as brancas jogam 10.Cd6 vem
10...Bxf1 trocando seu bispo mau pelo bispo
bom de Alekhine. }
10... Qd7
{As negras começam a se preocupar com esse
cavalo em b5 e o fustigam para que se
decida, buscando a troca de bispos, que
também deixará sem as brancas sem roque. Por
isso, Alekhine acredita que é melhor manter
ai esse cavalo. }
11. a4 Nbc6
{Saiu o cavalo dama para a única casa que
podia ir e o negro já tem todas suas peças
desenvolvidas. Bem, nesta posição vamos nos
deter um pouco. É interessante observar que
probabilidades tem o negro sobre o jogo do
branco. Se jogássemos com as negras, que
possibilidades teríamos? Aonde poderíamos
ir? Que plano se nos ocorre?
Ao pouco que estudamos, nos damos conta de
que as negras devem permanecer na
expectativa porque não há nenhum plano sério
para poder desenvolver. No máximo haverá
jogadas isoladas. Quais? Cf5, com a intenção
de tomar o peão de d4 branco, vemos que não
é possível porque está defendido quatro
vezes e somente o atacaríamos três vezes.
Nem que fizéssemos Bxb5 para tirar essa
defesa desse peão se poderia tomar, porque
seriam três atacantes e três defensores. Se
o negro fizesse f5 ficaria um peão fraco em
e6, ainda que esse lance seja habitual na
Defesa Francesa porque como o bispo de f1
irá a d3, atacando o ponto h7, há que cerrar
essa diagonal. É difícil, pois, esboçar um
plano para as negras.
Em troca, façamos as mesmas perguntas para
as brancas. Se pode ver claramente que podem
estas levar um bom ataque no flanco de rei;
que também no flanco dama podem levar outro
ataque, abrindo a coluna bispo dama (coluna
c ou c1-c8), e que podem preparar seu roque
com Bd3, o qual, em união com um cavalo em
g5, pode pressionar o roque contrário, etc.
Enfim, o branco dispõe de vários planos a
escolher e o negro de nenhum. Suas
possibilidades são melhores. Sem embargo,
não se vê como se pode ganhar. Nessa
encruzilhada, Alekhine toma uma decisão.
Pensa: "Há um peão em c5, defendido uma só
vez e é o que mantém a tensão central; então
há que atacá-lo duas vezes para ver o que
faz. Que tome ou que avance". E joga }
12. b4
{!
Se toma, abre a coluna do bispo dama e se
poderá utilizar o plano de atacar por ela.
Se avança, fecha completamente o flanco dama
e então se fará o ataque pelo flanco rei.
Mas há outro problema para o negro: se
avança o peão de c5 a c4 inutilizará seu
único bispo, porque este nada poderá fazer
por detrás de sua cadeia de peões fixos.
Como não é possível defender uma vez mais
esse peão, será melhor tomar.
Porém, qual dos dois peões brancos? Se c5xb4
vem 13.c3xb4, com a coluna bispo dama
aberta. E se c5xd4, as brancas podem seguir
13.c3xd4, que daria mais ou menos na mesma
posição, ou escolher entre 13.Cb5xd4 ou
Cf3xd4, que dão posições e continuações
completamente distintas. Isso seria dar
muitas possibilidades ao contrário. }
12... cxb4 13. cxb4
{Já está aberta a coluna bispo dama. Qual
dos dois lados a poderá explorar? O negro
não pode por uma torre em c8 porque logo vem
14.Cd6 e se 14.....a6xc1 15.Cxc8 e, enquanto
o bispo negro se retira 16.Cxe7+, ou se toma
Dxe7 vem 16. Rxc1. O salto de cavalo a d6
continua sendo muito bom. Se o querem matar
com a6xb5, continua 14.c1xb5 cravando o
cavalo negro. Enfim, a coluna bispo dama é
favorável ao branco, que pode dominá-la com
sua torre e, depois de rocado, dobrar ali as
duas. }
13... Bb7
{Põe seu bispo em segurança para poder fazer
a6, expulsando o cavalo de b5, para que,
caso seja possível, levar logo sua torre à
linha aberta. Porém esse bispo está
condenado à morte. À longo prazo, deve ser
trocado pelo cavalo. }
14. Nd6 f5
{Quando não há muitos planos, não se pode
escolher. O avanço deste peão é mau porque,
como dissemos, deixa um ponto fraco em e6,
porém fecha a diagonal na qual se instalará
o bispo branco. Não pode 15.e5xf6 en pasant
porque perde o cavalo de d6. Como Alekhine
pensa atacar pelo flanco dama, trata de
debilitar mais esse flanco: }
15. a5
{A idéia deste lance é um pouco difícil de
explicar. Com ele o branco trata de ganhar
um tempo. Como? É evidente que o cavalo
negro de e7 terá que sair e o Cc6 não terá
mais do que o apoio da dama. Nesse momento
as brancas fazem Cxb7, terá que retomar com
a dama e logo essa dama, para apoiar o
cavalo de c6, não tem mais casas do que b7 e
d7 (porque pô-la em c7 é mau, já que a essa
coluna virão as torres).
O que quer dizer que se depois de DxCb7 o
branco faz a6, tira-se da dama uma das casas
que esta tem para sustentar o cavalo, o qual
é um pouco complicado para os aficionados,
porém ganha um tempo e espaço.
Não teria sido bom 15.b5 pois seguiria
15....Ca5 travando os peões desse flanco e o
único bispo das brancas fica mau porque não
tem por onde jogar. Como o flanco rei já
estaria cerrado e no flanco dama as negras
não ficariam com peças fracas, não teria
forma de ganhar.
As brancas não podem perder sua única
possibilidade que é dominar a coluna bispo
dama. }
15... Nc8
{Obriga a decidir-se. Esse cavalo em d6
incomoda Nimzowitsch. Que se vá ou que tome
o bispo de uma vez! Não seria bom retroceder
com o cavalo e convém trocá-lo pelo bispo
porque se ganha um tempo. Com essa troca,
também se lhe quitará um apoio ao cavalo
negro de c6 e as brancas ficarão com seu
bispo bom para levá-lo onde mais convenha. }
16. Nxb7 Qxb7 17. a6 Qf7
{Se cumpriram as previsões de Alekhine.
Ganhou um tempo, enquanto a dama se foi.
Observemos que o cavalo de c6 não tem nenhum
programa: as únicas casas onde poderia ir
estão dentro de seu próprio campo, e as três
são ruins. Quer dizer que deve permanecer
onde está, e se deve ficar ali, como lógica
conseqüência, haverá que defendê-lo e será
um ponto fraco a ser explorado, que obrigará
a dama a vir mantê-lo. Chegou o momento em
que o branco deve usar seu bispo para
imobilizar o cavalo e seguir pressionando. }
18. Bb5 N8e7 {Defende o outro cavalo; } 19.
O-O {Comunica as torres. } 19... h6
{Se produziu outra debilidade no setor das
negras, porém impedem que seu rival faça
20.Cg5 atacando o peão de e6 e a dama. A
posição se vai ficando aguda. }
20. Rfc1 {Toma a coluna.} 20... Rfc8
{O negro defende uma vez mais seu cavalo de
c6 e disputa a coluna aberta. }
21. Rc2 {Para dobrar torres.} 21... Qe8
{Nimzowitsch se dá conta de que suas peças
vão ficar travadas e trata de se opor com
uma manobra bastante engenhosa. Porém não a
conseguirá, porque sua posição já pode
considerar-se perdida. Prevendo a dobrada de
torres na coluna bispo dama, o negro busca
defender três vezes seu cavalo, e como serão
três os atacantes, não se poderá tomar.
Porém já sabemos que não pode ser bom
colocar a dama na mesma diagonal onde está
um bispo. Não era bom 21...Cxb4 devido a
22.Txc8+ Txc8 23.Dxb4 ganhando uma peça.}
22. Rac1 Rab8
{A idéia deste lance é a seguinte: é
possível que mais adiante as brancas levem
seu bispo a a4 (ou a qualquer outra casa)
para jogar b5, expulsando o cavalo negro de
c6. Então, enquanto saia o bispo de onde
está, as negras fariam b5 e liberariam sua
posição, assim que impedem o desalojamento
do cavalo. Vemos que a luta segue sobre o
mesmo ponto e sobre a mesma coluna. Claro
que como o movimento do bispo branco é
voluntário, Alekhine não o fará até que lhe
convenha.
Se as negras tivessem jogado: 22...Tc7 com a
intenção de dobrar suas torres, (que será o
plano que logo levará a cabo), não seria
muito bom porque essa torre estaria "no ar"
e seria outro ponto a explorar.}
23. Qe3
{Apesar do domínio da coluna bispo dama, o
branco mesmo não sabe como entrar porque seu
rival defendeu tudo. É raro que Alekhine não
tenha encontrado em seguida o plano ganhador
porque é tão simples que quando se lhe vê
executar uma vez já se aprende para toda a
vida. E Alekhine o terá visto fazer muitas
vezes. Tanto é assim que no próximo lance o
porá em prática. Porém sua jogada 23.Ce3
demonstra que não o viu.}
23... Rc7
{Para dobrar. E já se lhe fez a luz à
Alekhine; viu como tem que atacar. QUANDO
TEMOS DUAS TORRES DUPLICADAS EM UMA COLUNA
ABERTA E NÃO HÁ MAIS PEÇAS PARA SEGUIR
ATACANDO, PODEMOS LEVAR A DAMA A ESSA
COLUNA, PORÉM NÃO COLOCÁ-LA DIANTE DAS
TORRES, SENÃO QUE ATRÁS DELAS.
Esse é o simples plano a executar. Trata-se
de "subir" as duas torres um escalão mais e
depois por a dama debaixo (em c1), apontando
com as três e o bispo para o cavalo negro,
que caso se vá deixará indefesa a torre de
c2. Que Alekhine não viu antes este plano, o
demonstra seu lance 23.De3 porque com a dama
em d2, (onde antes estava), também o poderá
realizar.
Enquanto o branco prepara sua maquinaria, o
negro, que se deu conta, prepara seu defesa.
}
24. Rc3 {!} 24... Qd7 25. R1c2 Kf8
{!
Agora a "coisa" está apertando. Há que
trazer todos os elementos à defesa! A
batalha definitiva vai acontecer sobre o
cavalo de c6 ou sobre a torre de c7 e
Nimzowitsch, que o viu, traz a última peça
que pode levar (seu rei) a colaborar na
defesa. Parece que não chegará a tempo,
porém já veremos como calculou os movimentos
com notável precisão. }
26. Qc1
{A dama já está em sua posição ideal para o
assalto: atrás de suas duas torres. Sobre o
famoso cavalo, há quatro atacantes e tão só
três defensores. É necessário apoiá-lo uma
vez mais, pelo menos. }
26... Rbc8
{Agora há quatro contra quatro. Não se pode
tomar o cavalo. Então, como se faz para
ganhar? Caso se pudesse levar o outro cavalo
branco, o problema estaria resolvido, mas
por onde pode entrar essa peça? Por pouco
que estudemos, compreendemos que o cavalo
branco não pode ir atacar o cavalo negro de
c6. Bem, e se não pode ir, para que diabos
Alekhine perdeu tanto tempo em mover as
torres, a dama e planejar este ataque?
Há outra razão: o branco pode esperar e
fazer o plano que quer. De maneira que vai a
empregar outro recurso. Ao sair a torre
negra de b8, Nimzowitsch já não pode jogar
b5 quando o bispo saia de b5. Isso significa
que já é possível tirar esse bispo para logo
jogar b5, ameaçando tomar o famoso cavalo. E
se este se vai, cai a torre de c7, porque
teria três atacantes e só dois defensores.
Porém o notável é que Nimzowitsch também
calculou tudo isto e parece que salvará
tudo. Vejamos: }
27. Ba4 {Para fazer b5.} 27... b5
{!
Demora o temporal. Entrega um peão, é certo,
porém enquanto o bispo branco toma, volte a
retirar-se e, se avança o peão a b5, o rei
negro ganha dois tempos, que são os dois
passos que lhe faltam para chegar a socorrer
sua torre de c7.
É formidável a exatidão do cálculo de
Nimzowitsch desde que começou a mover seu
rei. Significa que havia previsto tudo o que
ocorreu. Claro que há algo que não entrou em
seus cálculos e por isso perdeu. Logo
veremos. }
28. Bxb5 {Ganha um peão, } 28... Ke8 29. Ba4
Kd8
{E chegou justo a tempo para defender a
torre de c7! Já pode vir 30.b5, que retira
seu cavalo de c6 e tudo está defendido.
Fazer agora 30.b5 seria um equívoco; já não
há interesse nisso porque nada se ganharia.
E então, como Alekhine pode ganhar?
Observemos que o negro tem todas suas peças
cravadas. Enquanto mova uma, perde algo.
Vejamos uma por uma: se tira o famoso cavalo
de c6, vem Bxd7. Se move o outro cavalo, cai
o cavalo famoso. Se tira alguma das duas
torres, ou a dama ou o rei, vem b5 e perde-
se uma peça. Isto é o que se chama uma
POSIÇÃO "ZUGZWANG", JOGAR PARA PERDER, TUDO
CRAVADO. Quer dizer, o único que podem fazer
as negras é mover os dois miseráveis
peõezinhos do flanco rei (h6 e g7). E depois
que terminem esses tempos, que fazer? Em
troca, o branco pode perder todos os tempos
que queira. Seu rei pode "passear" em seu
campo, o cavalo tem vários saltos perdendo
tempos, etc. Porém o que corresponde, por
agora, é tirar todas as chances de movimento
do contrário, e para isso faz: }
30. h4
{E já temos a posição clássica de zugzwang,
que foi o que Nimzowitsch não previu, e que
dará a vitória a Alekhine por seu domínio da
coluna bispo dama. As negras poderiam jogar
g6, perdendo outro tempo, porém e
depois?...as brancas responderiam Rh2 e
ficaria também cerrada a posição no flanco
rei. A qualquer coisa, não se pode mover
nada. Por não saber o que fazer. }
30... Qe8 {Deixa indefesa a torre de c7.}
31. b5
{E as negras abandonam 1-0
É evidente que a posição estava perdida. A
partida se decidiu sobre a linha bispo dama
c1-c8. O aproveitamento de seu domínio
obrigou o rival a gastar todas as peças na
defesa e, não obstante, perdeu. Creio que
como demonstração de decidir a luta na
coluna bispo dama não pode haver melhor
partida que esta.
Bem, prezados alunos, leitores desta
excelente pagina de xadrez. Finalizamos esta
lição. Sigamos adiante, que ninguém nos
deterá na difusão do xadrez. Não darei um
passo atrás; só a morte me deterá. E se me
detiver, outro virá, porque devo isso à
Revolução Bolivariana de meu país VENEZUELA,
que quer um processo de mudança pelo bem de
meus compatriotas. Até a próxima lição.
Prof. Erich González
E-mail: edgonzal@luz.ve
<mailto:edgonzal@luz.ve>
TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ,
na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia,
Venezuela, das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN,
EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução: Anderson de Jesus)}
1-0

[Event "DEBILIDADE DO ROQUE, POR FALTA DE UM


CAVALO NA CASA TRES BISPO REI (f3 ou f6)"]
[Date "2002.05.09"]
[Round "?"]
[White "LIÇÃO 22"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "D13"]
[PlyCount "65"]
[EventDate "2002.10.24"]
[Site "?"]

{Prezados amigos enxadristas e nao


enxadristas. Continuamos com as excelentes
licoes do Dr. Bensadon. Porem, antes quero
dar-lhes a conhecer a Biografia e
Pensamentos de Nosso Ilustre Libertador
Simon Bolivar, a qual lhes farei
chegar, de forma continua, em cada uma
destas licoes. Biografia de Simon
Bolivar : "O homem que hoje, com toda
justica, e conhecido no mundo inteiro
como o Libertador nasceu em Caracas, em 24
de julho de 1783. Sua cidade natal,
capital entao da Capitania Geral da
Venezuela, provincia do Imperio Espanhol,
seria em 1810 a matriz do movimento de
independencia hispano-americano. O
recem nascido, quarto "vastago" do
matrimonio formado pelo coronel Juan
Vicente Bolivar Ponte e dona Maria da
Concepcao Palacios Branco, crioulos
ambos, foi batizado na Catedral com os nomes
de Simon Jose Antonio da
Santisima Trinidade. Porem a historia o
chama Simon Bolivar, o Libertador. Seu
exemplo, sua acao, seu pensamento - seu
legado, em suma - estao mais vigentes
que nunca. Pois atuou, sentiu, reflexionou e
escreveu para sua epoca, e tambem
para a posteridade. (Continuara). LICAO 22
DEBILIDADE DO ROQUE, POR FALTA DE
UM CAVALO NA CASA TRES BISPO REI (f3 ou f6).
Seguiremos vendo o assunto das
debilidades do roque, que, como disse, e
muito importante para a estrategia de
todas as partidas. Claro que e facil dar-se
conta de que TODOS OS JOGADORES
CRIAMOS DEBILIDADES EM NOSSO ROQUE, AS VEZES
POR IMPRUDENCIA, OUTRAS POR NAO
PENSAR, E A MAIORIA DAS VEZES PORQUE
QUEREMOS LEVAR ADIANTE TODA NOSSA
"DINAMITE" PARA "ROMPER O CONTRARIO". COM
ISSO DEBILITAMOS O ROQUE E DITAS
FALHAS, A LONGO PRAZO, SERAO SENTIDAS. A
partida que hoje vamos desenvolver
foi a decima primeira do match disputado
pelos mestres Euwe e Keres; match no
qual se impos o segundo por 7,5 pontos a
6,5, em 14 partidas disputadas, todas
elas muito renhidas e de grande qualidade.
Nesta que veremos, a vitoria
correspondeu a Euwe, porem Keres foi um
serio aspirante titulo do campeao de
sua epoca, Dr. Alejandro Alekhine. E escolhi
esta partida porque se adapta
perfeitamente ao tema: a debilidade do roque
pela falta de um cavalo em f3 o
f6. Defesa Eslava dos 4 Cavalos. Brancas:
Euwe Negras: Keres}
1. d4 d5
{
Quando se contesta diretamente 1.......d5,
sem nenhuma das outras jogadas
previas (tais como Cf6 ou e6 ou c6 etc.),
significa que se deseja entrar em
uma defesa Ortodoxa Normal ou em uma Defesa
Eslava. Ja vimos que tanto a
Defesa Ortodoxa como o Gambito de Dama tem
para o negro o inconveniente do
desenvolvimento de seu bispo dama. Na defesa
Eslava se faz 1.. ...d5, e logo
contra 2.c4 se joga 2.....c6, em lugar de
e6, porque assim se deixa essa saida
para o bispo dama, por um momento, para
utiliza-la se for possivel. E UM POUCO
MAIS ELASTICA QUE O GAMBITO DE DAMA, porem
tem o inconveniente de que se ha
jogado muito nos ultimos anos e esta muito
analisada. Os mestres a conhecem
tao bem que resulta dificil tirar vantagem
com ela. Ademais, quem a jogue
devera conhecer as multiplas variantes que
podem produzir-se.}
2. c4 c6 3. Nf3 Nf6 4. cxd5
{Euwe utiliza uma variante fora de uso nesta
abertura. Nao e muito
praticada na Eslava. Com que deve retomar-se
o peao? Descartemos a Dama porque
se colocaria "a tiro" do cavalo dama e se
perderia um tempo; descartemos o
cavalo porque viria 5. e4, expulsando-o, e
nos resta a unica logica:}
4... cxd5
{Se produz uma simetria que da lugar ao que
se chama "Defesa Eslava dos 4
cavalos", porque agora vem:}
5. Nc3 Nc6
{Esta e uma abertura interessante
para quem quer "arrancar um empate", porem
para ganhar com as negras e muito
trabalhoso porque nao ha debilidades
aparentes. Para o branco, ha um pouco
mais de possibilidades devido ao lance
inicial.}
6. Bf4
{Trata de dominar a
casa e5 e prepara, para mais adiante, o
dominio do ponto c7, ja que se abriu a
coluna bispo dama e ali se poderia colocar
uma torre para leva-la a setima
linha (se o deixam). Se o negro se obstinar
em seguir a simetria, pode fazer
Bf5? Aparentemente pareceria que sim, porque
para isso deixou aberto o caminho
ao nao jogar e6. Porem se o fizesse,
seguiria 7.Db3, ameacando o peao de b7,
que ficou debil, e tambem ao peao de d5. O
branco joga primeiro; ha pois uma
razao de prioridade que impede 6.....Bf5
porque se depois de 7.Db3 se quer
sustentar tudo com Db3, trocam-se as damas e
o branco fica melhor. Keres
conhece bem tudo isso e busca outras
possibilidades:}
6... Qa5
{Pressiona a
diagonal onde esta o rei branco e prepara um
possivel salto de cavalo a e4 e
logo Bb4, atacando fortemente no flanco
dama. Essa e a ideia. Porem caso se
analise com o criterio mais elementar tudo o
que temos dito sobre as
debilidades do roque, compreendemos que:
TIRAR O CAVALO DE F6 (cavalo negro)
PARA LEVA-LO A e4, TRARA, COMO
CONSEQUeENCIA, "ALGO" DE DEBILITAMENTO NO
ROQUE
NEGRO. Keres joga "com fogo"; leva um forte
ataque e tem probabilidades no
flanco dama, porem tira o defensor natural
do roque e isso nao pode ser muito
bom. Euwe continua com sua ideia e segue
desenvolvendo, nao faz nada para
evitar o salto de cavalo.}
7. e3 Ne4
{Ataca duas vezes o cavalo branco,
que esta cravado. Ha que defende-lo. Pode-se
jogar Tc1, porem depois da troca
de cavalo o negro poderia ganhar um peao. O
melhor e defende-lo com a dama.
Desde onde? Ruim e Dc1 porque impedira de
levar ate ali a torre. Nao serve Dd3,
porque corta a acao de seu bispo de f1. Se
faz Dc2 vem Bf5, ameacando ganhar
qualidade com Cg3. Entao, o melhor sera Db3:
defende tudo e ameaca o peao de
d5; e a jogada logica.}
8. Qb3 e6
{Keres segue seu plano. Apoia o peao de
d5 e prepara Bb4, continuando o ataque. De
passagem, vemos que fechou a saida
a seu bispo dama, como nas outras defesas.
Quer dizer que, com a Eslava, o
unico que conseguiu foi encerrar mesmo seu
bispo dama. Euwe prepara seu roque
e ataca o cavalo avancado.}
9. Bd3 Bb4 {(Exatamente o que queria.);} 10.
Bxe4
{O melhor. E por que digo que e o melhor se
o branco troca seu bispo
"bom" por um cavalo? A razao e mais oculta
do que parece. 1) Pelo momento
desaparece a pressao das negras, sem perder
tempo. 2) Dobrou-se peoes do
adversario. 3) Se o negro quisesse apoiar
esse peao com f5, ficaria fraco o
peao de e6. 4) O bispo negro de c8 continua
encerrado, e 5) Ficou algo debil o
roque de Keres por haver desaparecido o
cavalo de f6, que nao devia ir a e4,
como fez na setima jogada.}
10... dxe4
{Claro que o negro tem alguma
compensacao: agora expulsa o cavalo de f3.
QUANDO NOS ATACAM O CAVALO DE f3
COM e4, O MELHOR E NAO IR "PARA DIANTE",
SENAO QUE LEVA-LO A d2; E A JOGADA
MAIS DECENTE E MAIS SEGURA. Neste caso,
deve-se acrescentar que "descrava" o
outro cavalo e ataca ao peao de e4.}
11. Nd2 O-O
{O negro "se tira" um
bonito lance. Observemos que as negras sao
conduzidas por Keres, que nao era
nenhum sonso. Sabe bem por que entregou um
peao. Pode-se tomar esse peao com
qualquer dos dois cavalos. Porem a primeira
alternativa a considerar e tomar
com o cavalo menos defendido. Nao obstante,}
12. O-O
{Bem, se o que querem as
negras e evitar o roque das brancas, o
primeiro que ha que fazer, para nao
dar-lhe o gosto, e rocar. Seria muito mau o
roque grande porque poe o rei na
coluna aberta do bispo dama. Com a jogada
12.0-0 do branco, o rei ja esta em
seguranca e fica em "pendente" o peao negro
avancado. Se pretendessem
defende-lo com f5, seria ruim porque
seguiria 13.Cc4 e os dos cavalos comecam
a atuar em combinacao com o bispo e com a
dama, com grandes possibilidades
para o branco. Fazer 12.......f5 traria mais
inconvenientes do que vantagens.
Keres preferiu "tirar-se" outro lance. Porem
e um lance que "ha que ve-lo"} (
{
Se} 12. Ncxe4 {vem} 12... e5 {Porem a} 13.
dxe5 {segue} ({a} 13. Bxe5 Be6)
13... Be6 {expulsando a dama.} 14. Qc2 ({ou}
14. Qd1) 14... Bc4
{
Impedindo o roque do branco e tendo um forte
ataque.}) ({Se} 12. Ndxe4
{
acontece mais ou menos o mesmo,} 12... e5
13. dxe5 Be6 14. Qc2 Bc4
{
Cortando o roque para logo trazer as torres
a coluna aberta da dama, etc. O
negro perde dois peoes em troca de um ataque
violento.})
12... Qf5
{Parece que
nao defendera nada porque o peao de e4 esta
atacado pelos dois cavalos. Com
qual de eles se poderia tomar e por que?}
13. Ndxe4 ({Se} 13. Ncxe4 Bxd2 14. Nxd2 {e}
14... Nxd4
{Recuperando o peaozinho e com melhor jogo.
Se as
brancas nao tomassem 15.exd4, as negras ja
teriam reconquistado "seu" peao.})
13... Bxc3
{Porem, apesar de tudo, ha algo que escapou
a Keres na analise que
deve ter realizado. Euwe ficou com o peao a
mais. Nao obstante a ameaca de
Cxd4, nao escapou com sua dama e "nao
aconteceu nada".}
14. Ng3
{Ameaca a dama
negra. Keres "dancou" com o peao
tranqueilamente. Bem, tem um peao a menos,
porem isso nao e suficiente para ganhar
porque ficaram BISPOS DE CORES OPOSTAS,
E QUANDO ISSO OCORRE HA QUE JOGAR "COMO UM
ANJO" PARA GANHAR COM UM UNICO PEAO
DE VANTAGEM. Nao esta ai a vantagem das
brancas. Observemos que, se bem que
nao tem um cavalo em f3, tem outro em g3 que
tambem defende bastante, alem do
bispo que pode colaborar. Em troca, o negro
ja nao tem seu cavalo em f6 (nem
pode substitui-lo em seguida.) e somente
esse detalhe perda partida.
Comprovaremos agora que a "facanha" da dama
que foi a a5, para fazer logo Ce4
e Bb4, era "pura espuma". Ja veremos como
Euwe decidiu jogo.} (
{Se Euwe jogasse
} 14. Nxc3
{que parece a mais segura, segue a mesma
variante.} 14... Nxd4 15. exd4 Qxf4
{tendo Keres recuperado o peao.}) ({E se as
brancas fizessem} 14. Nd6
{atacando a dama, segue quase o mesmo.}
14... Nxd4 15. Nxf5 ({a} 15. exd4 Qxf4
16. Qxc3 Qxd6 {e ganham as negras.}) 15...
Nxb3 16. axb3 Bxb2
{e as negras estao melhor.}) 14... Qd5 ({Se}
14... Nxd4 15. Qxc3
{
Ficando ameacados o cavalo e a dama negros,
simultaneamente, pelo que "algo se
ganhara".})
15. bxc3 Na5 16. Qb4
{Nem boa nem ruim. Se tivessem trocado as
damas, depois de exd5, as negras poderiam
sair com seu bispo, porem teriam um
peao isolado. Ai sua dama esta a salvo de
possiveis ataques e existe a ameaca
17.e4; como a dama negra e a unica peca que
sustenta o cavalo, seria dificil
encontrar uma continuacao.}
16... b6
{Defende seu cavalo economicamente e
prepara uma saida a seu bispo dama. Alem
disso, tendo a dama em d5, poe-se o
bispo em b7 e fica montada a maquina. Isso
nao seria um perigo para o branco
se tivesse um cavalo em f3; ja veem, pois,
uma vez mais, a importancia desse
defensor. Agora, Euwe deve proceder de outra
maneira.}
17. e4 Qc6 {
Conserva-se na diagonal.} 18. Rfd1 {Ameaca
d5.} 18... Rd8
{Defende. Nessas
condicoes, a esta altura da luta, nao ha
jogadas de grande iniciativa para as
brancas, porem ha bons planos. QUANDO EM UMA
PARTIDA NAO HA JOGADAS DE BOA
INICIATIVA, HA QUE BUSCAR O PONTO FRACO DO
CONTRARIO E AMEACA-LO. No flanco
dama nao ha nada. Pelo contrario, o flanco
rei das negras esta desguarnecido.
Seu roque a fraco, pois tem tao somente tres
miseraveis peoes diante do rei. A
ideia surge em seguida: ha que atacar o
roque. Porem, como a pomos em pratica?
Os ataques se levam com pecas e que pecas se
pode levar a esse flanco? Euwe
pensou que seria melhor levar ali uma de
suas torres.}
19. Rd3 Ba6 {
Ameaca a torre.} 20. Rf3
{Essa torre tem um papel ofensivo e
defensivo. O peao
de c3 era fraco porque somente a dama o
defendia, porem agora tambem a torre o
apoia. Pelo momento "nao se ve nada", porem
em seguida se apreciarao as
vantagens dessa torre no flanco rei.}
20... Rd7
{Prepara a duplicacao de suas
torres na coluna dama e, ao mesmo tempo,
defende seu peao de f7, que poderia
ser atacado pela torre contraria. Este roque
negro ainda parece forte, porem e
fraco pela falta de seu natural defensor em
f6.}
21. Nh5
{Comeca o assedio.
Esta jogada nao seria possivel se o cavalo
negro estivesse em f6. Ameaca 22.
Tg3 e uma serie de coisas. Parece que
deixara sem defesa o peao de e4 e
permitira a entrada do bispo dama negro em
e2. Porem se viesse 21...Dxe4 nao
teria importancia, pois segue 22.Tg3 com
ameaca de 23.Cf6+ triplo, ganhando a
dama ou a torre. Compreendemos que a
situacao desse roque e desastrosa e que
em certas variantes ate permitiria o
sacrificio do cavalo. Ante tal dilema,
Keres jogou:}
21... f6
{Repetimos o que dizia o chusco "Quando se
esgotam as
jogadas boas, nao ha mais remedio que lancar
mao das ruins", e tambem "peao
que se avanca deixa uma ou duas casas
fracas", ou "PEAO DO ROQUE QUE AVANCA E
GERMEN DE DEBILIDADE". Esse roque agora esta
em pior situacao.}
22. Rg3
{
Ha um "duplo" evidente com Cxf6+. E
necessario escapar com o rei. Porem isto
ja e o que nos chamamos: "POSICAO SUSTENTADA
COM ALFINETES. AO PRIMEIRO SOPRO
SE DERRUBA.E em seguida vira:}
22... Kh8 23. Nxg7 Qxe4
{Keres trata pelo
menos de recuperar um de seus peoes. As
negras ja tem seu roque destruido e a
maioria de suas pecas estao no flanco dama,
enquanto que a fumaca esta no
flanco rei.} (
{Se o negro tivesse respondido com:} 23...
Rxg7 {seguiria} 24. Rxg7 Kxg7
25. Qe7+ {e sempre se encontrara a forma de
dar mate.} {
Por exemplo se:}
25... Kg6 26. e5 fxe5 27. dxe5 Kh5 28. Qg5#
{A entrada da
dama branca na setima fila seria decisiva.
Portanto, o cavalo nao pode ser
tomado. O que quer dizer que o negro se
"dancou" com outro peaozinho.})
{
Sem se apressar, Euwe defende tudo.} 24. Nh5
Qf5
{Defende seu peao de f6
e ameaca o cavalo e o bispo, que "poderiam"
cair. Porem: NO XADREZ, CADA
JOGADA VAI TRAZENDO NA MAO A OUTRA . O peao
de f6, que era fraco, e agora
mais fraco que nunca; isso da lugar a uma
combinacao.}
25. Nxf6 {
Ameaca a torre negra.} 25... Rf7
{O que se pode fazer? Escapar com a torre
ameacada e com ela atacar o cavalo. E o
melhor. Alem disso, em caso de
desaparecer o cavalo e o bispo dessa coluna,
o negro teria contra-chances com
Dxf2+, etc} (
{Se} 25... Qxf4 26. Nxd7 {com ganho de
qualidade e um mais peao.}) ({E se}
25... Qxf6 26. Be5 {ganhando a dama.}) 26.
Be5 {O melhor.} 26... Nc6
{
Com esta jogada ataca dama e bispo.} ({Se}
26... Rxf6
{
entra a dama na setima linha com} 27. Qe7
{
depois do que as negras estao perdidas,
ainda que deem o xeque} 27... Qxf2+
28. Kh1 {e nao se pode} 28... Qf1+ {para
responder a} 29. Rxf1
{com Txf1 porque a
torre esta cravada. Alem disso o branco
ameaca 28.Bxf6+ e mate em seguida.})
{
E se nao se toma o cavalo, as brancas podem
dar um descoberto que seria a
morte. Antes de se entregar, Keres fez uma
pequena cilada:}
27. Qd6 ({Se} 27. Nd7+ Nxe5 28. Nxe5 Qxf2+
29. Kh1 Qf1+ 30. Rxf1 Rxf1#
{era o lance
de ultima hora. Claro que Euwe vera isso e
segue mantendo a pressao.})
27... Nxe5 {Nao ha mais remedio.} 28. dxe5
Raf8
{Triplica. Keres trata de se
sustentar ainda. Voces veem que a posicao
agora se "acalmou". Desapareceram as
pecas agressivas e todas as restantes estao
defendidas. Sem embargo, as
brancas tem dois peoes de vantagem e a
partida esta ganha. QUANDO SURGE UM
FINAL DE DAMAS E TORRES, SEMPRE E BOM DAR UM
"AR" AO REI PORQUE, MUITAS VEZES,
NAO SE PODE COMBINAR POR ESSA CAUSA. E UMA
MEDIDA DE PREVENCAO. Por isso, Euwe
serenamente joga:}
29. h3 Bc4 {Continua "sustentando-se".} 30.
Rd1 Bxa2 31. Qd8
{
E as negras abandonam. Porem, sigamos para
ver porque abandonam as negras.}
31... Rxd8 ({E se} 31... h6 32. Rg8+ Rxg8
33. Qxg8#) ({Ou} 31... Rxf6 32. exf6
Rxd8 33. Rxd8#) 32. Rxd8+ Rf8 33. Rxf8#
{Em fim nao havia defesa para evitar o
inevitavel. Voces vem que a debilidade do
roque negro nesta partida, foi
originaria da setima jogada da abertura, por
ter ido o cavalo a e4,
esquecendo-se de um detalhe elementar: E
RUIM TIRAR O CAVALO DAS CASAS f6 OU
f3 que defende o roque. Isso trouxe as
debilidades do roque negro que
permitiram a "entrada" da torre, do cavalo,
do bispo e da dama, etc. com o
resultado que vimos. Bem, amigos,
finalizamos mais esta licao sobre as
debilidades do roque, debilidades muito
comuns em muitas partidas jogadas por
mestres e grandes mestres. Tenho recebido
muitas opinioes a respeito destas
licoes, alguns me dizem que sou um politico-
enxadrista. E que nao devo
misturar a politica com o Xadrez; porem eu
lhes digo que existe a liberdade de
expressao, sem prejuizos para nenhum ser
humano. Nao me detem, nem nada me
detera em fazer o que faco. E se e pelo bem
de meu Pais, VENEZUELA, em nome
das ideias de nosso Ilustre Libertador,
Simon Bolivar, e pelo bem estar de meu
povo, o farei sempre. Porque sou um
REVOLUCIONARIO BOLIVARIANO. Como no xadrez,
nao ha que dar-lhe gosto ao contrario.
Prof. Erich Gonzalez E-mail:
edgonzal@luz.ve TRANSCRICAO Pelo
Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade de
Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela, das
LICOES DO Dr RAFAEL BENSADON, EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA. (Traducao: E. Muniz)
http:www.xadrez21.hpg.com.br }
1-0

[Event "A TROCA DE TORRE E DOIS PEÕES POR


DOIS BISPOS"]
[Site "?"]
[Date "2002.05.30"]
[Round "-"]
[White "LIÇÃO 23"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[EventDate "2002.05.19"]

{Prezados irmãos enxadristas. Minhas


saudações e respeitos a todos. Agradeço-lhes
por seu afeto, carinho e regozijo por estas
lições que transcrevo em prol da aquisição
do conhecimento do xadrez, causas que me
motivam a continuar com as mesmas. LIÇÃO
23 - A TROCA DE TORRE E DOIS PEÕES POR DOIS
BISPOS. Hoje vamos ver um assunto que
muitas vezes vocês se terão perguntado e
quero que o aclaremos definitivamente.
Refiro-se
à troca de uma torre por duas peças menores
(Bispo e Cavalo). Dito estritamente,
TOMAR UMA TORRE A CUSTA DE UM BISPO E DE UM
CAVALO, "NÃO É NEGÓCIO". Porém, a coisa
é mais difícil de saber quando entram em
cena os peões. Já não é uma troca simples
porque os peões podem logo pesar na balança.
Valem mais uma torre e dois peões que
um bispo e um cavalo? Se fizéssemos o
balanço "matemático" que figura em certos
livros
que andam por aí, teríamos (segundo eles): o
cavalo vale 2 e o bispo 3, ou seja 5
pontos, e, como à torre lhe adjudicam outros
5 pontos, pareceria que ficaria igual.
Porém, isto é só aparência. OS NÚMEROS SÃO
RELATIVOS NO XADREZ, NÃO SE PODE APLICÁ-LOS
COM JUSTIÇA. Por exemplo: segundo esses
livros, cada peão vale 1 e com 5 da torre
são 7 pontos; enquanto que bispo e cavalo
somam 5, outros dizem que 6; pelo que
resultaria
um grande negócio para quem entregasse as
duas peças menores. Precisamente, eu tendo
a demonstrar o contrário. Para mim, DOIS
BISPOS OU DOIS CAVALOS SÃO MELHORES QUE
UMA TORRE E DOIS PEÕES. Isto dito sem
números. Veremos tudo isso na partida que
lhes
trago, onde quem entrega as peças menores
(neste caso, dois bispos) acaba com os
dois peões a mais (?) na melhor posição que
se possa pedir: são centrais, estão unidos
e passados! E, entretanto, não compensam a
entrega dessas duas "pecinhas". Foi jogada
entre Spielman, jogador muito "combinador" e
Colle , grande Mestre Belga. Defesa
Nimzowitsch BRANCAS: SPIELMAN NEGRAS:
COLLE }
1. d4 Nf6 2. c4 e6 3. Nc3 Bb4
{Está caracterizada
a defesa Nimzowitsch, que já conhecemos.
Para mim, a jogada Bb4 é relativamente
duvidosa.
Com 4.a3, o branco obrigará a trocar esse
bispo pelo cavalo, o que não é vantajoso.
Também se pode continuar com a jogada de
Capabranca 4.Dc2, ao que as negras
contestariam
d5. Ou se pode fazer como nesta partida:}
4. Qb3
{Com Db3 ameaça o bispo, porém não
obriga a troca pelo cavalo, porque agora
vem:}
4... c5 {( Sustenta o bispo.)} 5. dxc5 Nc6
{Além disso, agora está ameaçando uma cilada
fácil de ver. Trata-se de jogar depois
6....Cd4 e se 7.Dxb4 segue Cc2+ duplo,
ganhando a dama. É conveniente, como medida
de prevenção, proibir esse salto ao cavalo
dama e pode-se jogar 6.e3, porém é mais
elástico Cf3, já que desenvolve uma peça.} (
5... Na6
{com a intenção de logo tomar
esse peão com o cavalo, porém isso não tem
maior importância.})
6. Nf3 Ne4
{Já analisamos
na lição passada esta idéia de levar, nos
primeiros movimentos, o cavalo rei ao
ataque.
Repetiremos que isso debilita o possível
roque curto e, portanto, não pode ser muito
bom. Bem, é necessário diminuir a pressão
que existe sobre o cavalo branco de c3
(que inclusive poderia aumentar com a dama
negra em a5), e para isso não resta mais
remédio que fazer 7.Bd2. Se não o fizesse,
seguiria 6....Cxc3 e depois de 7. bxc3
ficariam três peões brancos dobrados na
mesma coluna, ou seja, 3 peões fracos.}
7. Bd2 Nxd2
{Colle optou pela jogada mais simples: tomar
o bispo porque, do contrário, poderia
seguir Cxe4, etc. Isso era o que se jogava
por aqueles anos, baseado em que o cavalo
vale menos que o bispo e o melhor era fazer
a troca rapidamente. Depois, o mesmo
Nimzovitsch, criador da Defesa, introduziu
uma variante: 7....Cxc5 atacando a dama
e complicando as coisas.}
8. Nxd2 f5
{Sabemos que este avanço é mau, porém a
posição
o exige. Sabemos que debilita o possível
roque das negras, que já está sem seu cavalo
defensor em f6, porém era necessário porque
as brancas teriam podido defender seu
peão de c5 com 9.Ce4, que também desde ali
ameaçaria um xeque em d6, destruindo o
roque. Além disso, o peão em f5 corta a
diagonal para quando o bispo rei branco vá
a d3. Agora as brancas jogam tranqüilas,
preparando seu roque.}
9. e3 Bxc5
{Recupera
seu peão e fica com os dois bispos. Veremos
se isso é suficiente. A propósito de
"ficar com os dois bispos", vamos fazer uma
digressão. Vocês me terão ouvido dizer
muitas vezes que: É CONVENIENTE FICAR COM OS
DOIS BISPOS E NÃO COM OS DOIS CAVALOS.
Porém eu tenho visto caso de aficionados que
ficaram com os dois bispos no tabuleiro
e ficaram dando voltas com eles sem saber o
que fazer, até que o outro lhes pega
com um duplo de cavalo e ganha. HÁ QUE TER
DOIS BISPOS, PORÉM HÁ QUE SABER USÁ-LOS.
Seria o mesmo que dar-lhe uma arma a quem
não sabe manejá-la. FICAR COM OS DOIS BISPOS
INDICA UM POUCO DE SUPERIORIDADE, PORÉM HÁ
QUE SABER USÁ-LOS. Ainda que um jogador
fique com uma torre a mais, se essa peça não
"trabalha", se está travada, pode perder.
Sigamos:}
10. Be2
{A mais lógica. Prepara o roque e talvez
jogue este bispo a f3.
Porém há outra razão mais profunda. Tendo as
negras um peão em d7, outro em e6 e
outro em f5, significa que seu bispo dama
não poderá sair por essa diagonal e, então,
deverá fazê-lo por fiancheto. E quando isto
ocorra, o melhor será opor-lhe o bispo
branco desde f3.}
10... O-O
{O negro " mostrou suas cartas". Há uma
coisa característica
no jogo de Spielman, que colocava em prática
em quase todas suas partidas: Espera
o roque do contrário e, se este faz roque
pequeno, responde em seguida com o roque
grande. A razão é que, dessa maneira, poderá
levar um ataque de peões no flanco rei,
sem expor seu monarca. Era um jogador
combinador e lhe agradava atacar. Por isso
esperava que o rival "mostrasse as cartas"
para começar um ataque onde o outro ponha
o rei. Claro que na posição desta partida é
conveniente o roque grande porque a torre
se coloca na coluna de dama sem perder
tempo, e pressiona a dama negra, que está
na outra ponta. Além disso, todas as peças
"defensivas" estão no flanco dama, enquanto
que as peças "ofensivas" apontam para o rei.
Aqui, logicamente, as brancas devem
rocar grande, porém nem sempre é bom esse
roque. Ainda nesta posição, para um jogador
que queira empatar é melhor o roque curto.}
11. O-O-O $1 b6 {Prepara a saída do bispo
de c8.} 12. Nf3
{Com idéia de levá-lo possivelmente a d4 e,
se as negras não quiseram
trocar Cxd4, seguiria Cxe6, aproveitando que
o peão de d7 está cravado sobre a dama.
As negras tratam de minar o roque grande.}
12... Ba6 {Atacam o peão adiantado.} 13. Rd2
{Prepara para dobrar as torres.}
13... Qe7
{Talvez não seja esta uma boa colocação para
a dama, porém convenhamos que se a levasse a
c7 poderia vir um salto de cavalo a
b5 e teria que sair dali ou trocar Bxb5, com
o que perderia a vantagem de seus dois
bispos.}
14. Rhd1 Rad8 {Defende seu peão de d7.} 15.
a3
{As brancas vislumbraram "algo".
Trata-se de ganhar uma peça. Como?
Aproveitando a má colocação do bispo negro
em
c5, que quase não tem retirada. Suponhamos
que as negras contestassem agora com algo
indiferente, Spielman seguiria 16.Da2, para
logo fazer 17.b4 e se o bispo se retira
a d6 está perdido; porém, ainda supondo que
as negras na jogada anterior tivessem
aberto um caminho a esse bispo movendo sua
dama, todavia ficaria o avanço de 18.b5,
ganhando uma peça. Aqui é quando Colle
começa a acariciar a má idéia de trocar duas
peças menores por uma torre e dois peões.
Qual vale mais? Observemos que o negro
tem uma quantidade muito grande de peças
sobre o rei. Ocorre a Colle valorizar a
coluna bispo rei (f), onde tem uma torre
instalada. Para isso jogará 15....f4,
pensando
que se o branco não toma pode fazer
16....fxe3 e a 17.fxe3 poderia tirar a dama
da
terceira linha com a combinação que já
veremos, para logo jogar Bxe3 cravando a
torre
sobre o rei e ganhando-a. E se as brancas
tomam o peão vem, mais ou menos, o mesmo.
Porém o avanço do peão de f5 a f4 pelo negro
tem pouca importância porque deixa sem
controle uma casa (e4), onde se instalará um
cavalo. Vejamos o que ocorreu.}
15... f4 16. Ne4
{Neste momento, pode-se dizer que esse
cavalo está centralizado porque não poderá
ser expulso com 16....d5, devido a 17.cxd5.
E se exd5 é seguro que este peão cai,
pois encontra-se entre as duas torres e a
dama branca (que está colocada na mesma
diagonal onde se encontra o rei contrário).
De momento, o cavalo em e4 está muito
bem. Bom, ante a ameaça de 17.Da2 para logo
jogar 18.b4 e 19.b5, as negras "entram"
pela má idéia de trocar seus dois bispos por
uma torre e dois peões. Já disse, no
início, que isso "não é negócio" ENTRETANTO,
SE FOSSEM DUAS PEÇAS MENORES POR UMA
TORRE E TRÊS PEÕES PODE SER QUE FOSSE
FAVORÁVEL PARA O NEGRO. É, pois, uma
combinação
falsa a que agora faz Colle.}
16... fxe3 17. fxe3 Bxc4 18. Bxc4 {Se se
responde} (18. Qxc4
{sai essa dama da terceira linha, e então
viria} 18... Bxe3) 18... Na5
{Este era o "golpe"
que as negras se reservavam para conseguir
seu objetivo. Não resta mais que:}
19. Qd3 Nxc4 20. Qxc4 Bxe3 21. Qd3 Bxd2+ 22.
Rxd2
{O negro acredita que, com isto, destruiu
todas as defesas do roque grande e ainda tem
(para quando seja oportuno) Tc8+, etc.
Porém façamos um balanço sereno. Há 4 peões
brancos contra 6 peões negros; os dois
rivais conservam suas damas; o branco tem só
uma torre e o negro duas, porém, em
compensação por isso e pelos dois peões de
diferença, as brancas conservam seus dois
cavalos. Além disso, observemos que esses
dois peões a mais que o negro tem são
centrais,
estão unidos e são "passados" porque não há
outros peões que se lhe possam opor no
caminho de sua coroação. Acrescentemos que o
branco não conserva bispos, senão cavalos,
que em posições abertas (como esta) valem
menos que os bispos. Quero dizer que a
troca foi feita com o máximo de vantagens
que se possa pedir para as negras. E,
entretanto,
tudo isso não compensa as duas peças menores
entregues... Logo comprovaremos esta
verdade. Adiante as brancas estão ameaçando
23.Ce4-g5, para buscar um mate com Dh7++.
É necessário cortar essa ameaça, ainda a
custa de outra debilidade do roque, que
por agora não poderá ser aproveitada.}
22... h6
{E agora? O que o branco pode fazer? Tudo
está mais ou menos bem defendido e não se vê
a forma de ganhar. Nestes casos, há
que começar pelo princípio. Qual é a "arma"
mais valiosa que tem as negras?
Indubitavelmente
seus dois peões centrais, que poderiam
começar a caminhar até chegar à oitava casa.
E o que se pode fazer contra eles, já que
estão bem defendidos? O que Nimzovitsch
chama "o bloqueio". QUANDO O RIVAL TEM UM
BALUARTE DE PEÕES "PASSADOS", O MELHOR
É BLOQUEÁ-LOS, IMPEDIR QUE AVANCEM. Para
isso, deve-se colocar alguma peça diante
desses peões. Assim procedeu Spielman.}
23. Nd6
{Este cavalo está apoiado por Dama
e Torre e nenhum peão pode expulsá-lo dali;
"ninguém toca nele". Além disso, corta
uma diagonal por onde poderia jogar a Dama
negra e impede o xeque com Tc8.}
23... Qf6
{Depois
disso, as brancas estão na obrigação de
atacar para decidir a partida. Porém, quando
se chega a uma posição de bloqueio como
esta, o que se deve buscar antes de qualquer
coisa? A PRÁTICA E A EXPERIÊNCIA ACONSELHAM
QUE QUANDO SE TEM UMA POSIÇÃO GANHADORA,
ANTES DE LANÇARMO-NOS AO ATAQUE, HÁ QUE
COMEÇAR POR COLOCAR NOSSO REI EM SEGURANÇA.
De tanto receber mates, aprende-se estas
coisas. Por enquanto, não há nenhum xeque
em vista (que possa servir para algo), porém
a experiência diz que convém jogar 24.Rb1
e logo Ra2 para estar tranqüilos. Já vi
muitos jogadores que, estando em posição
melhor, pensaram: -- "Já o tenho frito!".
Largaram-se a atacar e, por ali, deram-lhes
um xeque e lhes ganharam.}
24. Kb1 Rb8 {(Coloca a Torre na mesma coluna
do Rei,)} 25. Ka2 Qf4 26. Qb5
{O lance da partida é o início de uma
manobra engenhosa: ataca
o peão de d7 para que Colle tire a torre da
linha aberta do bispo rei , com o objetivo
de levar a dama ao flanco rei. As negras
estão obrigadas a defender esse peão de
d7 porque, se o perdem, já terão perdido
tudo.} (
26. Qg6 {porém as negras teriram
respondido} 26... Rf6
{e, se para mantener a pressão, jogasse} 27.
Qh5 {seguiria} 27... g6
{e
a dama não teria boas retiradas, enquanto
que a torre em f6 serviria magnificamente
para a defesa do roque negro.})
26... Rfd8 27. Qh5
{Esta é uma jogada psicológica porque
as negras poderiam agora retornar com sua
torre para a casa f8. Porém, QUANDO TENHA
MOVIDO UMA PEÇA, É DIFÍCIL QUE O JOGADOR A
FAÇA VOLTAR A SUA POSIÇÃO PORQUE PENSA
QUE PERDE UM TEMPO E PREFERE BUSCAR OUTRA
JOGADA. Colle optou por fazer uma cilada
infantil.}
27... b5
{Parece que entrega esse peão, que está
atacado pelo cavalo e pela
dama.}
28. Rd4
{Trata de levar suas peças ao flanco rei. O
branco tem três peças móveis
e é mais fácil que possa levar um ataque ao
roque contrário e não que as negras tenham
êxito em um ataque ao rei branco.} (
28. Nxb5 Qc4+ {E ganha o cavalo.}) 28... Qf6
{Segue
na defesa; e até poderia continuar o avanço
do peão de b5 para usar a ação combinada
da torre e da dama para pressionar o peão de
b2 branco. As brancas continuam o "bloqueio"
e centralizam outro cavalo, que pode ajudar
a decidir a luta.}
29. Ne5 b4
{A posição
das negras é ruim e está se tornando pior. O
lance que acaba de fazer é o que chamamos
"jogada de desespero". Porque é triste estar
assim, sem poder mover nada. Os dois
cavalos brancos bloqueiam tudo; cada um
deles toma oito casas a seu redor, e já não
resta mais que "tirar-se lances". O de agora
é para o caso de as brancas não tomarem
esse peão e jogarem qualquer coisa; então
viria 30..... bxa3 e a 31.bxa3, Df2+
ganhando
uma torre, etc. As brancas replicaram com o
mais simples: tomaram o peão, com o que
põem outro obstáculo na coluna do cavalo
dama (coluna b).}
30. axb4 Rb6
{Procura um
xeque com a torre em a6, porém é um plano
destinado ao fracasso. Spielman vê que
se pudesse por sua torre na coluna bispo rei
(coluna f) a dama negra não teria boa
saída e que, logo, poderia entrar com cavalo
ou torre na sétima linha, o que seria
decisivo, e o prepara com:}
31. g3 Rf8 {(Defende-se);} 32. Rf4
{Essa ameaça é de mate.
Reconhecendo assim, as negras "tiram o
último lance da temporada". Fazem uma troca
desvantajosa porque entregam a dama por uma
torre e um cavalo.}
32... Qxf4 {E se responde} (32... Qe7
{seguiria} 33. Ng6 {E a} 33... Qxd6
34. Rxf8+ Qxf8 {Se} (34... Kh7 35. Rh8#) 35.
Nxf8 Kxf8 {etc.}) (32... Qd8
{segue} 33. Ndf7 {Se move a dama negra
(suponhamos a c8)} 33... Qc8 {segue}
34. Qg6 {ameaçando 35.Cxh6+ Rh8 etc.}) 33.
gxf4 Rxd6
{Já disse que esta troca
não é vantajosa. Claro que o negro fica com
duas torres, que valem um pouco mais
que a dama, porém o branco tem um cavalo de
"napa". Agora, as brancas continuam
ameaçando
tomar pontos fracos do rival, que seria
efetivo entrando com a dama na casa b7.}
34. Qf3 Rd5
{Corta essa diagonal e, de passagem, "tira
outro lance". Estando a dama
branca na mesma coluna da torre em f8, caso
agora fizessem algo indiferente, poderia-se
jogar 35....Txe5, ganhando o cavalo. É uma
ameaça inocente, a dama branca sai dessa
situação e ameaça diretamente o peão de a7.}
35. Qe3 a6
{Com isso não soluciona nada.
Se a dama entra na casa a7, seguramente um
dos dois peões ameaçados cairá. Spielman
jogou:}
36. Qa7
{E as negras abandonam. Suponhamos que o
negro se resignasse a perder
um desses peões e respondesse..}
36... Rxf4 {Seguiria} 37. Nxd7
{Como as negras não tem
outra coisa a fazer, não lhes resta mais que
o lance de cravar esse cavalo com:}
37... Rf7 {Porém, segue} 38. Qa8+ Kh7
{(Única)} 39. Nf8+
{E, caso não sacrifique a torre,
o rei deve voltar a sua casa (g8 ou h8).
Então 40.Cxe6+ descoberto, com a que se
tira o único apoio da torre de d5, que
poderia ser capturada, perdendo a partida.
CONCLUSÃO: Vocês viram como, apesar dos dois
peões que as negras tomaram junto com
a torre, não ficou compensada a perda das
duas peças menores. Quer dizer que: DOIS
BISPOS OU DOIS CAVALOS, OU UM CAVALO E UM
BISPO, VALEM MAIS DO QUE UMA TORRE E DOIS
PEÕES. Precisamente a pior forma para ganhar
este tipo de partida seria esta que
vimos porque o branco ficou com dois cavalos
em troca por torre e dois peões. Com
mais razão, teriam ganho caso se tivesse
ficado com os dois bispos. Prezados
leitores,
finalizamos esta lição bastante instrutiva.
Espero as correções e recomendações de
parte de vocês. Minhas saudações a todos em
nome de meu país e, como praticante das
idéias de nosso ilustre Libertador, Simon
Bolívar, e da Revolução Bolivariana da
Venezuela, trago-lhes a continuação de sua
Biografia. Os Bolivar-Palacios, famílias
estabelecidas desde várias gerações em solo
americano, pertenciam à elevada e poderosa
classe social dos "mantuanos", que, dentro
da Província, tinham a primazia em tudo,
exceto o pleno poder político. Simon veio ao
mundo "em berço de ouro" e, além disso,
em pouco tempo, um parente seu, Juan Felix
Jerez-Aristiguieta e Bolívar, instituiu
em seu favor um rico patrimônio, chamado
"Vinculo da Concepção". Simon, cuja mãe
não podia amamentá-lo, teve por ama de leite
uma vitalmente robusta e sã escrava
da família, a negra Hipolita. Esta não só
saciou com seu seio o apetite do menino
(substituindo a uma amiga de dona Concepção,
a dama cubana Ines Mancebo de Miyares,
que o alimentou uns dias) senão que se
ocupou logo dele quando já estava mais
crescido,
sobretudo depois da morte do coronel
Bolivar, ocorrida quando Simon tinha apenas
dois anos e meio. Junto com sua veneração
por dona Concepção, sua "boa mãe", e o
carinho a dona Ines, Bolivar guardou sempre
em seu peito um sentimento de afeto,
gratidão e respeito pela escrava que em sua
terna infância lhe serviu de guia e cumpriu
com as funções de um pai, depois de ter sido
sua ama de leite. (Continuará) TRANSCRIÇÃO
pelo Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade de
Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela. LIÇÕES
DO DR. RAFAEL BENSADON E APONTAMENTOS
TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.}
1-0

[Event "DEBILIDADE DO ROQUE DEVIDO AO AVANÇO


DO PEÃO A TRÊS TORRE REI (h3 ou h6)"]
[Site "?"]
[Date "2002.07.14"]
[Round "?"]
[White "LIÇÃO 24"]
[Black "?"]
[Result "*"]
[ECO "D46"]
[PlyCount "59"]
[EventDate "2002.06.28"]
{Prezados amigos do Xadrez. Sigo realizando
este magnífico trabalho de transcrição das
excelentes lições do Dr. Bensadon. Minha
maior felicidade é o amor, a confiança e a
estima que tenho para ajudar meus
semelhantes, com a maior vontade de
estabelecer objetivos positivos, que lhes
permitirão superar-se em todos os aspectos
do xadrez e o desenvolvimento da humanidade;
de uma humanidade livre de problemas; sem
vícios, compreensiva para com os
acontecimentos da vida, com amor por seus
semelhantes e com o desejo de triunfar.
LIÇÃO 24 - DEBILIDADE DO ROQUE DEVIDO AO
AVANÇO DO PEÃO A TRÊS TORRE REI (h3 ou h6).
Hoje vamos nos ocupar de outro tipo de
debilidade do roque: a que se produz ao
jogar o peão a três torre rei (h3 ou h6).
Vocês sabem que os jogadores, seja porque
não sabem o que fazer em certo momento da
abertura, seja para expulsar um bispo
colocado em g5 ou g4, seja para evitar um
salto de cavalo a essa mesma casa, etc.,
jogam comumente o peão a três torre rei (h3
ou h6). Claro que às vezes é necessário.
Porém, quando se faz isso, há que reparar
que, somente por este fato, o roque fica
debilitado.
Por que fica debilitado? A razão principal é
que o bispo dama contrário
desde sua casa inicial pode ser sacrificado
por esse peão da torre, o que
desbarata a posição do rei. Se esse peão não
tivesse avançado, o bispo
dama contrário poderia ir a h6 ou h3, porém
já é diferente porque não "entra"
ganhando um peão, não obriga a uma série de
coisas raras. Entretanto, o lance
h3 ou h6 é feito com muita freqüência,
especialmente quando os aficionados não
sabem o que jogar. Já disse que isso tem que
ser bem pensado, ainda que seja forçado. Na
partida que reproduziremos, produziu-se a
posição com o peão em h6 e já veremos como
se procede em tais casos para ganhar. Os
oponentes foram Kolstanovsky e Price. O
segundo deles não era um mau jogador, porem
Kolstanovsky era o Campeão Mundial de
partidas às cegas em sua época. Era um
mestre nacionalizado Belga, de jogo muito
parecido com o dessa glória do Xadrez, que
foi Najdorf. Era um especialista em
simultâneas e em partidas às cegas.
Defesa Eslava
Brancas: Kolstanovsky.
Negtras: Price.}
1. d4 d5
{Já comentei que quando as negras
contestam diretamente 1...d5, é porque farão
uma Defesa Eslava. Caso se
deseje jogar esta Defesa, a única
possibilidade de alternar seria mover
primeiro 1...c6, porém as brancas, com 2.e4,
podem entrar em uma Car-kann.}
2. c4 c6
{Por que responder isto e não 2...e6? Para
não fechar a diagonal de
seu Bispo Dama (Bc8). Espera um certo
momento e deixa a linha livre
para tirá-lo se lhe convém. PORÉM, RESULTA
QUE CONTRA A ESLAVA O MELHOR QUE
TEM O BRANCO É 3.e3, com o que encerra
voluntariamente seu Bispo Dama
(Bc1). Sabemos que com a abertura de Peão
Dama normal é o negro quem
encerra seu Bispo Dama (ao mover e6). Com a
Eslava ocorre o contrário; é o
branco quem fecha o caminho de seu Bispo
Dama. Quer dizer que, ainda que
agora as negras encerrassem seu Bispo Dama,
estariam iguais. Depois do
que, poderiam entrar em um Gambito de Dama
vulgar, porém com a grande
diferença de que o Bispo Dama branco está
encerrado e não em g5. Até podem
as negras tomar a iniciativa ao desenvolver
seu Bispo Dama a f5, ainda que isso
traga o inconveniente de que as brancas,
respondendo Db3, ameaçam o fraco
peão de b7 e o negro tem de perder tempos
para defendê-lo. Enfim, as negras não
perderam nada ao implantar a Eslava.}
3. e3 Nf6 4. Nc3 e6 {
Price se decidiu a encerrar seu Bispo Dama
(Bc8)} (
{Seria de considerar} 4... Bf5
{É uma jogada possível, porém, como disse,
tem o pequeno inconveniente de}
5. Qb3 {o que obrigaria a} 5... Qc8
{
Nessas condições, perder um peão é de grande
importância.} ({Ou} 5... Qb6))
{
Bem, os rivais tem seus respectivos Bispo
Dama encerrados. Não foi má
técnica jogar a Defesa Eslava para entrar em
uma Ortodoxa.}
5. Nf3 Nbd7 6. Bd3
{A ninguém se lhe ocorreu que agora as
negras podem
levar um ataque como na Cambridge-Springs, a
base de Da5, Bb4 e Cg4? Por
que? Seria ridículo fazer isso devido ao
fato de que o Bispo Dama branco encerrado,
vai a d2 e se acabou o ataque. É um plano
inaceitável.}
6... Be7 7. O-O O-O
{
A abertura se desenvolveu sem vantagens nem
desvantagens para ninguém;
quer dizer que a Eslava pode ser jogada
sobretudo se se conhece esta
variante (porque existem muitas outras, que
é necessário conhecer). Os dois
Bispos Dama ficaram encerrados e não há
razão para ter medo de nada,
tanto por parte das brancas como das negras.
Chegou-se a uma posição
equilibrada. E agora? Com é que segue o
branco? Se pretende dar jogo a seu
Bispo Dama por fiancheto, seria um contra-
senso porque seu peão dama está
fixo em d4 e impede a ação do Bispo desde
b2. A única jogada interessante
é:}
8. e4
{Este avanço foi feito em dos tempos, porém
tem uma razão
psicológica. Eu tenho notado que em 99% dos
casos em que isto se produz
os jogadores tomam 8....dxc4. Não me
explico por que, porém quase todos os
aficionados (e alguns mestres) preferem
tomar o peão de c4 e não o de e4.
É algo psicológico. Vocês poderão dizer que
é para fazer o branco perder outro
tempo quando retome com o Bispo, porém essa
é precisamente a
má jogada. Deve-se tomar o peão de e4; para
mim é uma coisa clara.}
8... dxc4 ({Analisemos se é certo o que lhes
digo} 8... dxe4 {seguiria} 9. Nxe4
Nxe4 10. Bxe4 Nf6
{ganhando as negras um precioso tempo para
mobilizar suas peças,
enquanto o Bispo branco sai, ficando, além
disso , com um cavalo bem
instalado em f6.})
{Na partida, Price tomou ao contrário
(talvez como tivessem tomados vocês) e já
veremos o que acontece:}
9. Bxc4
{E as já negras não poderão evitar que siga
e5, expulsando o cavalo da casa f6. Vemos
que o peão em e4 é
muito mais perigoso do que teria sido o peão
em c4. Tão perigoso é
esse peão de e4 que começará a debilitar o
roque das negras, ao
desaparecer o cavalo de f6.}
9... Re8
{Price segue "o mais tranqüilo"; talvez com
a idéia de por o cavalo de d7 em f8 ( para
defender o peão de h7),
quando seu cavalo de f6 desaparecer. As
brancas já podiam jogar diretamente 10.
e5, porém fizeram algo que, a meu juízo, não
responde a nenhum objetivo, ainda que
talvez responda a idéias posicionais.}
10. Qe2 b5
{Com isso se obriga o branco a
levar seu Bispo Rei para a boa posição em
d3. De passagem, observemos que o
Bispo Dama Branco já saiu de seu "encerro",
pois tem caminho livre. A
posição das brancas vai melhorando por si
só. Logo poderão jogar e5, que seria
de suma importância.}
11. Bd3 a6
{A idéia das negras ao fazer 10....b5, não
era expulsar o bispo de c4, mas de jogar
logo o bispo a b7 e depois levar o
peão a c5, liberando seu jogo. Porém, para
poder avançar esse peão, deve primeiro
apoiar seu peão de b5 e é por isso que
perdeu este tempo em fazer 11.... a6.
Kolstanosky já pode cumprir sua ameaça.}
12. e5 $1 Nd5
{Esse cavalo
estava destinado a sair de f6. As brancas
não o trocariam pelo seu porque
tem um plano melhor.}
13. Ne4
{As brancas poderiam esperar que o outro
trocasse os cavalos, porém é melhor 13.Ce4
porque desde já ameaça várias
coisas: saltar a g5, d6 ou a g3; são vários
planos; todos interessantes, que
serão feitos segundo o que responda o
contrário. O mais importante, por agora, é
que o peão e5 do branco já desalojou o
cavalo de f6. A MANOBRA PRÉVIA
PARA LEVAR UM ATAQUE SOBRE O ROQUE É
DESALOJAR O CAVALO DE f6 OU DE f3.
O negro, entretanto, segue "o mais
tranqüilo". }
13... Bb7 14. Nfg5
{Por que avança com este cavalo e não com o
outro? A razão é que os Cavalos e o
Bispo sozinhos não dão mate ( é muito
difícil). Movendo o Cavalo de f3 se dará uma
passagem à Dama para pressionar o roque.
Vemos que quando saia
o Cavalo Branco de e4 (e a dama tenha
passado) vai se ameaçar o ponto h7
com Cavalo, Bispo e Dama, o que se poderia
defender somente com g6, porém
isso não seria bom porque debilita
enormemente o roque. Por isso, e para
expulsar o cavalo de g5, é quase obrigado
fazer a "famosa" jogada h6. Assim foi:}
14... h6
{As brancas conseguiram o que queriam:
debilitar mais esse roque,
que já estava fraco pela falta do cavalo em
f6. Talvez tivesse sido melhor
14....Cf8, ainda que agora não seria tão
lógica. Com h6 a partida está "quase"
perdida. Como? Esse peão em h6 representa o
perigo de que o Bispo Branco,
desde seu casa inicial ( Bc1), vá
diretamente tomar Bxh6.}
15. Qh5 $1 {
É necessário mais peças que ajudem o
ataque.} 15... Rf8 ({Se}
15... hxg5 {
seguiria} 16. Nxg5 {e o mate seria
inevitável}) ({(Por exemplo:}
15... hxg5 16. Nxg5 Bxg5 17. Bxg5 f6 ({Se}
17... Ne7 18. Qh7+ Kf8 19. Qh8+ Ng8
{
e ganha a Dama.}) 18. Qh7+ {etc.}) (
{E se não toma o Cavalo, as brancas estão
ameaçando o ponto f7 onde entraria a Dama
dando xeque. Se para evitar isso
respondessem}
15... g6 16. Qxh6
{
e a partida está perdida. Não restava mais
remédio que defender o peão de f6.})
{Agora a debilidade
existe no peão h6 e logo virá Bf1xh6. Para
isso, retira seu cavalo de g5
a f3:}
16. Nf3 c5 ({Não serviria} 16... f5 {
Precisamente a raiz da má tomada.}
17. exf6 {
Se ali se tivesse tomado o peão de e5, tudo
isso se teria evitado.})
{
Vocês vêem como UMA SIMPLES TROCA
EQUIVOCADA, QUE A MAIORIA DOS JOGADORES
FAZ, TRAZ GRAVES CONSEQÜÊNCIAS. Já sabem
qual é a troca boa e a ruim. Aqui se vê
claro com lógica pura. As negras buscaram
contra-chances no flanco
dama, porém as brancas seguem com seu
objetivo no flanco Rei:}
17. Bxh6 $1
{
Um brilhantismo para os noviços. Se o negro
toma, está perdido e, se não toma, também
está. Se as negras não tomam o bispo, não
saem desta
situação de "enrascada". Não lhes resta mais
remédio que tomar:}
17... gxh6 18. Qxh6
{Em seguida vemos que quando o cavalo de e4
vá para g5 se
ameaçará mate em h7. Neste amargo transe,
Price já poderia "assinar a planilha"
porque seu Rei está "no ar", sem peões que o
proteja. Não
obstante, tratou de cortar a ação do Bispo
Rei em h7, com:}
18... f5 19. exf6
{Ainda que agora um Cavalo negro volte a f6,
não tem muita importância
porque a Dama Branca já "entrou" e não há
mais peões do roque. São 4 as
peças que podem tomar esse peão branco. Com
qual deve fazê-lo? Descartemos
a torre porque existe um cavalo que pode
retomá-la.}
19... N5xf6 ({
Se toma o peão com:} 19... Bxf6 {Segue} 20.
Neg5
{
e será duro evitar o mate.})
{
Sem dúvida, era melhor tomar o peão com o
cavalo de d5.} 20. Nxf6+ Nxf6
{HAVENDO FICADO O REI NEGRO SEM PEÕES DIANTE
DELE, A ÚNICA COISA QUE PODE OPOR
RESISTÊNCIA SÃO AS PEÇAS E, POR ISSO, AS
TROCAS FAVORECEM À BRANCAS.
} (
{Não se podia tomar} 20... Rxf6 {devido a}
21. Qh7+ Kf8 {(Única.)} 22. Qh8+ Kf7
{(Única.) } 23. Ng5#) ({Havia outra maneira
de dar mate:} 20... Rxf6 21. Bh7+
Kh8 ({Ou a} 21... Kf7 22. Ng5+ Ke8
{(Única.)} 23. Bg6+ Rxg6 24. Qxg6+ Kf8
{(Única.)} 25. Qf7#) 22. Bg6+ {Descoberto.}
22... Kg8 23. Qh7+ Kf8 {
(Única.)}
24. Qh8#)
{Enfim, teria sido fatal tomar 20....Txf6.
Tampouco
convinha 20.....Bxf6 devido ao salto 21.Cg5
ou do mate que se produziria com
a Dama na casa h7. Agora as brancas darão
um xeque de dama com o único
fim de "arrinconar" o rei, já que assim será
mais fácil dar-lhe mate.}
21. Qg6+ Kh8 {
(Única.)} 22. Ng5 Bd5 (
{Se as negras pretendem expulsar a dama com}
22... Rg8 {
Segue} 23. Qh6+ (
{Ou diretamente} 23. Nf7#) 23... Nh7 24. Qxh7#)
{
As brancas continuam o ataque. Ameaçam dar mate em duas jogadas ou
ganhar
a dama, começando por 23.Cxe6 para dar mate com 24.Dg7++, enquanto se
a dama negra se move. Caso se defende do mate, toma-se essa dama. Além
disso, existe um
xeque com Dh6 para fazer voltar o rei a g8, segundo convenha ou não. É
necessário
defender o peão de d5 e, por isso, jogou 22....Bd5.}
23. Rfe1
{Até este
momento, as brancas tinham jogado sem usar suas torres. Isso só indica
a
importância que tem esta classe de debilidades do roque, quando
desaparece
o cavalo de f6, se fez o avanço h6 e entra a dama contrária em h5, ou
qualquer
outra peça. Por enquanto, o branco tem uma peça a menos (que
sacrificou pelo peão de h6), de maneira que, para ganhar, tem que
"romper" o
outro. Assim é que ameaça outro mate com 24.Te3 e 25.Th3++.} (
{
Não teria sido muito bom.} 23. Nh7 {Devido a} 23... Qe8
{
Procurando a troca de damas e, se para evitá-lo, se fizesse} 24. Qh6
Qh5
{
Sacrificando uma qualidade, porém trocando as damas e ficando o negro
com
uma peça a mais.})
{Bem, depois de 23.Te1, há que impedir que essa torre
vá a e3, porque seria de mate. Não resta mais que a jogada simples.}
23... cxd4 ({Se} 23... Qe8 {Perde-se a dama depois de} 24. Qh6+ Kg8
{(Única.)}
25. Bh7+ {Então volta} 25... Kh8 ({Se} 25... Nxh7 26. Qxh7#) 26. Bg6+
{
descoberto, ganhando, pelo menos, a dama.}) 24. Re4 ({A tentadora
jogada}
24. Rxe6
{tem um inconveniente oculto; torna a partida difícil porque as
negras respondem}
24... Ra7
{
defendendo sua segunda linha e se faz problemático o mate, ainda que
venha}
25. Rxf6 Bxf6
{ficam vigiadas as casas da segunda linha com essa torre na casa a7.})
{Não havia necessidade por parte do branco de tomar o peão de
e6 do negro porque a jogada 24. Te4 é melhor. Já que a torre branca de
e1
não pode ir à terceira casa (e3), vai à quarta (e4), e a mesma ameaça
mate em h4.}
24... Bxe4 25. Bxe4 Rc8 {(Tira a torre da ameaça.)} 26. Qh6+ {(O mais
seguro)}
26... Kg8 {(única)} 27. Bh7+ Kh8 ({Se} 27... Nxh7 28. Qxh7#) 28. Bf5+
{(Descoberto.) E as negras abandonam. Ameaçava-se dois
mates.} {Se}
28... Kg8 ({e se} 28... Nh7 29. Qxh7#) 29. Bxe6+ Rf7 {(jogada
forçada.)}
30. Bxf7#
{Não havia, pois, salvação. RESUMO: Por
Haver as negras avançado o peão de torre a h6 perderam esta partida.
Depois de 17. Bxh6, pode-se diz que o branco já estava ganho. E como
estava ganho! Porque isso é dar uma surra e uma "saranda" no
adversário. Depois de uma derrota assim, você não pode dormir durante
toda a noite.
Estimados amigos do xadrez, finalizamos esta lição e quero dizer-
lhes,
em nome de meu país, a República Bolivariana da Venezuela, que os
verdadeiros
bens do homem não são os que crêem a maioria de endinheirados ou
pobres:
edifícios, carros, jóias e o dinheiro acumulado nos bancos. Os bens
verdadeiramente desejáveis que dão e conservam a felicidade são
distintos e mais
preciosos; a verdadeira riqueza é a saúde e a paz de consciência. E
continuemos com a Biografia de Nosso Ilustre Libertador, Simon
Bolivar.
Ao redor de 1790, a senhora Bolivar, com seus filhos Maria Antonia,
Juana, Juan
Vicente, Simon, com outros parentes e amigos, ia de passeio a suas
fazendas,
especialmente a de San Mateo, nos vales de aragua. A serena beleza
da paisagem tropical despertaria então em Simon o amor pela natureza,
que
nunca deixou de sentir, e que expressou mais tarde, já adulto, em seus
decretos
conservacionistas. O encanto se quebrou a 6 de julho de 1792, ao
morrer sua
mãe, provavelmente de tuberculose, em Caracas. Os Bolivar-Palacios
ficaram
órfãos. As duas filhas, ainda que muito jovens, não tardaram em se
casar. O
avô materno, don Feliciano, foi tutor de Simon, que contava 9 anos.
Aquele
mesmo garoto que sentiu em sua alma o frio e o vazio da orfandade -
ainda que
não o abandono nas privações - foi o mesmo que, trinta anos depois,
ditaria um decreto para proteger a infância desvalida: "... uma grande
parte
dos males de que adoece a sociedade provém do abandono em que se criam
muitos indivíduos por haver perdido, em sua infância, o apoio de seus
pais",
Escrevia em Chuquisaca, em 1825. (Continuará)
TRANSCRIÇÃO pelo Professor ERICH GONZALEZ na Cidade de Maracaibo,
estado Zulia, Venezuela. LIÇÕES DO Dr. RAFAEL BENSADON EM
APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.}
*

[Event "A TROCA DE UMA TORRE POR BISPO E CAVALO"]


[Date "2002.09.10"]
[Round "?"]
[White "LIÇÃO 25"]
[Black "?"]
[Result "1-0"]
[ECO "D20"]
[PlyCount "89"]
[EventDate "2002.08.13"]
[Site "?"]

{Minhas saudações e os mais sinceros agradecimentos de todo coração a


todos aqueles que, dia à dia, seguem o desenvolvimento destas
excelentes lições do Dr. Besadon. Vai também meu agradecimento a esta
excelente página, sem a ajuda da qual seria difícil que estas lições
cumprissem seu objetivo. E um pequeno conselho para vocês: Para ter
êxito, há que viver pensando e atuando grande, sem se deixar levar
pela fantasia. Sejamos grandes no Xadrez. Colaboremos com sua difusão.
LIÇÃO 25 - A TROCA DE UMA TORRE POR BISPO E CAVALO. Hoje vamos
considerar um caso distinto do que lhes mostrei na lição 23. Vocês
recordarão que vimos uma partida em que se fazia valer a
vantagem das duas peças a mais, obtidas em troca de uma torre e dois
peões.
Agora veremos um caso parecido, porém não igual. UM BISPO E UM CAVALO
REPRESENTAM UM POUCO MAIS QUE UMA TORRE. O QUE TENHA AS DUAS PEÇAS
DEVE SE IMPOR. E se em vez de ficar com dois cavalos (que foi o que
vimos) ficar-se com bispo e cavalo, é mais fácil ganhar. Eu lhes
mostro partidas de mestres em que estas coisas ocorrem, e isso
significa que o caso se apresenta com freqüência, e que quem entrega
as duas peças "acredita" que poderá sustentar a partida, uma vez que
até mestres pensam assim. Claro que às vezes se faz essa troca pela
obrigação, ou porque não há nada melhor naquele momento. E, repito, o
que tenha as peças menores deve ganhar.
Gambito de Dama Aceito.
Brancas: Marshall - Negras : Janovsky }
1. d4 d5 2. c4 dxc4 $1
{Seguindo seu costume, Janovsky toma o peão do gambito.
Isso não se faz com a idéia de sustentar esse peão, mas de levar o
jogo por caminhos não conhecidos. Como não há pressa em recuperar
esse peão, o branco pode seguir desenvolvendo-se.}
3. Nc3 ({
Sabemos que é fácil tomar em seguida o peão jogando:} 3. Qa4+)
3... e5 $5
{
Janovsky usa um gambito muito interessante, que o tinha muito bem
estudado.
Entrega um peão, porém o faz para sair de caminhos trilhados e entrar
em
variantes que analisou a fundo. Não é necessário dizer que este
gambito não pode ser muito bom, porém tem O VALOR DA SURPRESA, E A
SURPRESA NO XADREZ TEM UM VALOR MUITO IMPORTANTE.}
4. e3 ({Se o branco tomasse:} 4. dxe5 {
seguiria a troca de damas com}
4... Qxd1+ {Caso se retome com} 5. Kxd1 {
o branco perde o roque.
} (
{Se retoma com} 5. Nxd1
{perde um tempo e estão iguais em peões porque, mesmo que as brancas
consigam capturar o peão dobrado de c4, seguramente as negras também
tomarão o peão dobrado de e5.}))
{Depois do que as negras terão seus peões melhor colocados (3 em cada
flanco) e suas peças poderiam sair livremente. Do que se deduz que o
melhor será não tomar o peão de e5. Talvez a melhor jogada seja
avançar 4.d5. Marshall, talvez surpreso, "improvisou" jogando 4. e3,
sustentando o peão dama , porém logo vai ficar com um peão isolado.}
4... exd4 5. exd4
{E as brancas já estão com um peão central isolado, que nessa partida
não se pode ou não se soube aproveitar. Mas, independente disso, O
PEÃO ISOLADO É UMA DESVANTAGEM. Vejamos a posição: as negras ficaram
com 3 peões negros em cada flanco e suas peças em disposição de ir
aonde queiram, enquanto o branco tem 3 peões no flanco rei, 2 peões no
flanco dama e um peão central isolado. Quer dizer que se o gambito
planejado por Janovsky resultasse sempre nesta posição, seria
conveniente jogá-lo; porém já disse que a jogada 4.e3 foi uma
improvisação infeliz. Por enquanto, as negras conseguiram o máximo com
o mínimo de esforço. ÀS VEZES, O GAMBITO DE DAMA ACEITO COSTUMA
RESULTAR PROVEITOSO PORQUE É POUCO JOGADO. ENTÃO, O ADVERSÁRIO NÃO
SABE ONDE SE AGARRAR E PODE SE PERDER. Bem, o negro já tem um
objetivo: começa a atacar o peão isolado:}
5... Nc6 6. Nf3 {
Defende.} 6... Nf6 {(Desenvolve.} 7. Bxc4 Bd6
{
Prepara seu roque.} 8. O-O O-O
{Os dois lados já estão rocados e a posição é equilibrada. Diria que,
em meu conceito, as negras estão um pouquinho melhor porque não têm o
peão central isolado.}
9. Bg5 {
Pressiona a dama.} 9... Bg4 {Imita.} 10. Nd5
{Por que joga 10.Cd5 e não 10. Ce4, que parece mais eficaz? Há uma
razão: fazer 10. Ce4 só tem a idéia de pressionar sobre o cavalo de f6
cravado e, ainda que de passagem ataque o bispo negro de d6, o
adversário pode responder Be7, com o que se descrava.
Com 10. Cd5 também se pressiona o cavalo negro cravado, mas, se
respondem Be7, este bispo se coloca sob fogo do cavalo, que pode tomá-
lo, fazendo uma troca vantajosa. Assim ocorreu.}
10... Be7 11. Nxe7+ Qxe7
{A dama continua pressionada e as brancas ficaram com a vantagem de
seus dois bispos. Para um jogador posicional, isso já seria
suficiente, porém Marshall é um jogador combinativo, de ataque, e não
se contenta com ganhar a longo prazo; quer ganhar material ou dar mate
em seguida. Por isso busca combinações como esta:}
12. Bd5
{Qual é a idéia? Dobrar o peão na coluna bispo dama (coluna c) e logo
colocar sua torre de a1 em c1, "apertá-lo" desde essa coluna aberta.
Dessa maneira, se assegura a vantagem material. Vemos, pois, que não
lhe interessa vantagens posicionais, mas materiais.}
12... Rfd8 ({Se as negras respondem
} 12... Nd8
{defendendo o peão de b7, interrompem o tráfego de suas torres na
oitava linha. Será melhor continuar com uma jogada ativa, que ameace o
bispo, o peão de d4 e a dama branca. Porém as brancas se oporão com
outra "jogada intermediária". Vejamos})
13. Re1 {Ataca a dama.} 13... Qd6 14. Bxc6
{Com isso, parece que se dá oportunidade às negras de retomar com a
dama o bispo branco.
}
14... bxc6 ({Se:} 14... Qxc6 {é mau devido a} 15. Ne5 Bxd1 16. Nxc6
{
Ameaçando a torre. E quando a torre se mover, ganha o bispo. Ou, do
contrário, ganha qualidade ou dobra os peões na coluna bispo dama
(coluna c). Além disso, esse cavalo pode ter um xeque salvador na
sétima linha.
Não convém, portanto, 14....Dxc6, pondo a dama na linha de fogo do
cavalo.})
{Ou seja, as brancas não perderam nada em esperar um pouco para fazer
a troca 14.
Bxc6 porque, de todos os modos, dobraram o peão bispo dama negro, como
se haviam proposto, e isso será um objetivo a explorar.}
15. h3
{Isso cria uma pequena debilidade no roque, porém Marshall o faz para
que o contrário se decida a tomar o cavalo ou sair, aliviando a
pressão sobre a dama para poder jogar Ce5, atacando já o peão
dobrado;}
15... Bh5 {Mantém a pressão.
} ({Se:} 15... Bxf3 16. Qxf3
{Também com ataque sobre o peão dobrado. Certamente Janovsky não vai
dar o gosto e continuará cravando o cavalo dom o bispo desde h5.}
{Porém, se continua com:} 16... Qxd4 17. Bxf6 Qxf6 18. Qxf6 gxf6
{com o que se dobra outro peão das negras e terá desaparecido a única
debilidade das brancas, que era o peão central isolado.})
{Porque, mesmo havendo sobre o tabuleiro um peão negro a mais, as
brancas conservam a iniciativa e não tem nenhum peão dobrado. Por isso
as negras não jogaram 15....Bxf3, mas 15....Bh5.}
16. Rc1 {
Ataca o peão dobrado.} 16... Rab8
{Toma outra coluna aberta e, ao mesmo tempo, ataca o peão de b2 do
branco. Em lugar de defendê-lo ou avançá-lo, Marshall faz uma boa
jogada. Quer dizer, boa para quem tem idéias de ataque. Um jogador
posicional teria feito outra coisa, porém Marshall era homem de ataque
e trata de "empurrar" o bispo que o molesta, para logo centralizar seu
cavalo.}
17. g4 Bg6 18. Ne5 {Ataca duas vezes o peão dobrado.}
{
Por isso, as negras preferem jogar.} 18... c5 (
{Não é possível sustentar-se com:} 18... Rb6 {devido a} 19. Nc4
{dando duplo na dama e na torre.}) ({Se} 18... Qxd4 19. Nxc6
{com triplo na dama e nas torres. Fazer outra jogada indiferente,
tampouco seria bom porque, ao tomar o peão dobrado do bispo dama (peão
de c6), o cavalo ameaça simultaneamente as duas torres.})
19. dxc5 Qa6 ({É evidente que se} 19... Qxd1 20. Rexd1 Rxd1+ 21. Rxd1
{e a}
21... Rxb2 22. Rd8+ {com mate inevitável.})
{Somente agora o negro percebe e por este motivo não "entra" com a
dama. Porém, como faz para recuperar o peão perdido? É evidente que o
negro está um pouco inferior, porém isso não é suficiente para se
entregar. Por isso, Janovsky pensou: se tiro minha dama de d6 e a levo
a a6, fica ameaçada a dama contrária, o peão de b2 e o de a2; ou seja,
enquanto se mova a dama branca, algum peão cairá. Porém, podem as
brancas encontrar alguma jogada ativa que defenda tudo? Vejamos:}
20. Qf3
{Marshall ameaça várias coisas: agora pode dar um duplo nas torres
negras com 21.Cc6. Com isso, também pode cortar a defesa da dama negra
sobre seu cavalo de
f6, etc. Pelo momento, as negras não tem mais remédio que escapar do
duplo e recuperar seu peãozinho.}
20... Rxb2 21. Nc6
{Jogada tranqüila e boa, que põe o negro em um forte dilema. Se a
torre ameaçada se move a qualquer das casas da coluna d, as brancas
podem dar mate.}
21... Be4 ({Se o negro joga:} 21... Rd7 {que seria a melhor, seguiria}
22. Ne7+
{para abrir a diagonal h1-a8 para sua dama; o Rei negro move para a
casa h8 ou f8, não importa... porém suponhamos que mova a:}
22... Kf8 {segue} ({Se} 22... Kh8 {o mate é mais fácil com a mesma
combinação}
23. Qa8+ Ng8 ({
Certamente, tampouco evita o mate jogar:} 23... Rd8 24. Qxd8+
Ng8 25. Qxg8#) 24. Qxg8#) 23. Qa8+ Ne8 24. Nxg6+ fxg6 25. Qxe8#) (
{Bem, se a torre não pode sair da oitava linha e agora está ameaçada,
para onde pode ir? Pouco importa. Se}
21... Rf8 22. Bxf6 gxf6 23. Qxf6
{ameaçando mate com Ce7+ e, como se fosse pouco, até se pode ganhar a
cama negra com esse xeque "descoberto".})
{A posição é grave para o negro. Que lhe resta? Para poder se "safar",
não lhe resta mais que sacrificar duas peças menores por uma torre.
Vemos que aqui é a obrigação que faz realizar a troca, que é o tema
desta lição. Porém, as brancas fazem uma jogada intermediária antes
de executar a
troca.}
22. Ne7+ ({Não é bom jogar da seguinte maneira:} 22. Rxe4 {devido a}
22... Nxe4
{e se} 23. Nxd8 {segue} ({E se} 23. Bxd8 Qxc6) 23... Nxg5
{ficando iguais em peças.}) 22... Kh8 {É o mesmo que Rf8.} 23. Rxe4
Nxe4
24. Qxe4 {
Se efetuou a troca que escolhemos como tema para a lição de hoje.}
{Se observamos neste momento o tabuleiro, veremos que estamos diante
de uma posição curiosa. Do modo que se fez na partida, as brancas
entregaram uma torre por um bispo e um cavalo de maneira que, ainda
que agora venha 24.....Txa2, teria perdido uma torre e um peão, ou
seja, que as brancas estariam em melhor situação (materialmente) que
na partida que vimos na lição 23, onde se entregaram dois peões e a
torre por duas peças menores. Estudemos como Marshall faz para
definir a partida, depois destas trocas, que lhe foram favoráveis.
Porém, agora joga o negro:}
24... Re2 {
Ataca a dama, tratando de buscar combinações.} 25. Be3 ({se}
25. Qf3 {
Segue} 25... f6
{
Ameaçando simultaneamente o cavalo e o bispo, ganhando algo.})
{
Porém, QUANDO SE CHEGA A POSIÇÕES COM CERTAS VANTAGENS MATERIAIS E
TENHAM DESAPARECIDO AS COMBINAÇÕES QUE POSSAM TERMINAR EM MATE, O
MELHOR É
RECOLHER-SE AOS QUARTÉIS DE INVERNO; NÃO ARRISCAR NADA. Referindo-se
a isso,
podemos dizer: QUANDO VOCÊ "ENCHEU BEM A BARRIGA", O MELHOR É IR
DORMIR. Recorde: SE VOCÊ JÁ GANHOU QUALQUER COISA E NÃO HÁ MAIS
PERIGOS PARA O REI, JOGUE "TRANQUILO". Por isso Marshall tirou seu
bispo de g5 para defender seu peão de f2 de algum possível ataque.}
25... Rxa2 26. Nc6
{Ataca uma torre, porém esse cavalo foi posto aí com a idéia de levá-
lo à casa b4, dando duplo na dama e na torre. Claro que esse duplo não
importaria muito porque o cavalo será "cravado" com Da4.}
26... Rg8 27. Qd5
{Ameaça dar o duplo, porém isso é aparente porque as brancas viram que
a posição do rei negro pode dar lugar a um "Mate Philidor" ou algo
parecido. Por enquanto, as negras devem sair do duplo.}
27... Ra4 28. Ne5
{
As brancas estão ameaçando o clássico Mate Philidor em 4 jogadas.}
28... h6 (
{Por exemplo: se as negras querem defender o peão de f7 e fazer:}
28... Rf8
{seguiria} 29. Nxf7+ Kg8 ({Se} 29... Rxf7 30. Qd8+ Rf8 31. Qxf8#) 30.
Nh6+
{
xeque duplo de dama e cavalo;} 30... Kh8 {Única.} 31. Qg8+ Rxg8 32.
Nf7#)
{
A jogada 28....h6 era necessária para dar uma saída ao rei.} 29. Qxf7
Qf6
{Entre a dama e o cavalo branco estavam ameaçando uma série de coisas
e xeques. Por isso, o negro se decide a trocar as damas. ESTANDO AS
BRANCAS COM VANTAGEM MATERIAL, NÃO DEVEM NEM TITUBEAR EM TROCAR AS
DAMAS. Ainda mais que, ao fazê-lo "esparramam" outro peão negro; de
tal modo que os 4 peões que restaram a Janovsky serão fracos por
estarem isolados. Além disso, as brancas podem ganhar outro peão em
seguida, como veremos.}
30. Qxf6 gxf6 31. Nf7+ Kh7 32. Nxh6 Rd8 33. Nf5
{Esse cavalo em f5 está agora "muito bem colocado". As negras tratarão
logo de fazer valer a única vantagem que possuem: seu peão passado de
a7. Começam por fazê-lo caminhar para, caso o permitam, levá-lo a
dama. }
33... a5
{Se desaparecesse o peão negro de c7, o peão branco de c5 poderia
converter-se em dama. Marshall começa a "trabalhá-lo".}
34. c6 Re4 {Abre caminho a seu peão de a5;} 35. Rc5
{
Ameaça o peão negro de a5.} 35... Re5 36. Rc4 ({Se} 36. Rxe5 fxe5
{o branco deve ganhar o final, porém esse peão passado de a5 pode "dar
trabalho".})
{É mais fácil evitar com a torre branca o avanço de dito peão; e
simultaneamente ameaçar Bf4 para ganhar o peão negro de c7.}
36... Re6 {Sai da ameaça.} 37. Bf4
{Vemos que as negras não têm muitas jogadas para defender seu peão de
c7. Observemos, de passagem, a maior mobilidade das duas peças menores
(bispo e cavalo) sobre as torres negras.}
37... Rc8 38. Rd4 Kh8 ({Se} 38... Rxc6 39. Ne7 {
duplo nas torres.}) (
{E até em caso de não querer ganhar qualidade, pode buscar combinações
de mate. Por exemplo:}
38... Rxc6 39. Rd7+ {se} 39... Kg8 ({Se} 39... Kg6 40. Rg7#) ({E se}
39... Kh8
{Acontecerá algo parecido ao que ocorreu na partida, e já veremos. As
negras começam por escapar com seu rei, ainda que não podem evitar
perder a qualidade.})
40. Ne7+ {
Ganhando uma torre limpa.}) 39. Rd7 a4 {("Apura".)} 40. Ne7
{As brancas
podiam escolher esta, entre várias jogadas. A posição permite isso.
Pode-se despachar "ao gosto do consumidor" e segundo o temperamento
de cada um. Este que Marshall escolheu parece que facilitará o avanço
do peão de a4, única esperança do negro.}
40... Rxe7 ({Pareceria que a} 40... a3 {se seguisse com} 41. Nxc8 a2
{e são muitas as probabilidades de coroar.}) ({Porém a} 40... a3 {
seguiria}
41. Ng6+ Kg8 {Única.} 42. Bh6
{
E as brancas darão mate na próxima com 43.Tg7++.})
{A mesma combinação se fará no caso de que a torre negra atacada vá a
b8 ou a8, que são os movimentos que, nas primeiras analises, surgem
como melhores para o negro. Não lhe restou mais remédio que fazer um
sacrifício, sempre com a esperança de coroar esse peão passado. Porém,
isso já não é uma troca ou sacrifício, senão uma jogada desesperada.}
41. Rxe7
{Chegar a isso significa que terminou a luta porque as brancas já têm
uma peça limpa a mais. Janovsky segue adiantando sua única esperança e
faz:}
41... a3 42. Bh6
{Marshall age como se não visse o avanço do peão de a6 e o deixa
seguir; porém outra é sua idéia:}
42... a2 43. Bg7+ Kh7 44. Bxf6+ {Descoberto.} 44... Kg6 45. Bc3
{Já não poderá coroar mais o peão da torre dama negro. Em troca, as
brancas têm um peão na casa c6 que, quando desapareça o peão que tem à
sua frente, estará a dois passos de coroar. Além disso, três peões
unidos e passados no flanco rei, que decidirão a luta facilmente. A
partida seguiu um pouco mais, porém não tem nenhum interesse ver como
terminou. À esta altura, está completamente ganha. RESUMO: Como
vocês vêem, o branco jogou com duas peças menores (bispo e cavalo) em
troca de uma torre e ganhou com facilidade. O branco dominou todo o
tabuleiro e sempre ameaçou mate e coisas raras. Isso quer dizer de
forma determinante que NÃO SE
PODE NEM SE DEVE ENTREGAR DUAS PEÇAS MENORES POR UMA TORRE, POR QUE
NÃO É UMA "TROCA", MAS UM "SACRIFÍCIO".
E quando se faz isso, ainda que seja por obrigação (como neste caso),
não se poderá sustentar a partida. Bem, amigos, finalizamos esta
lição, porém seguirão outras. É minha meta fazer chegar até vocês
estas interessantes e instrutivas lições de xadrez ditadas pelo Dr.
Besadon. E lhes digo o seguinte, como um grande revolucionário
Bolivariano que sou: o processo de aprendizagem é certamente complexo
e permeia todos os aspectos do desenvolvimento: permite ao indivíduo
ir adaptando-se ao ambiente, transformando-o, aproxima-nos das metas
propostas, proporciona satisfação e nos capacita a realizar
consideráveis mudanças sociais, científicas, artísticas e pessoais.
Continuemos com a Biografia de Nosso Ilustre Libertador, Simon
Bolívar. O menino Simon, que havia aprendido a ler, escrever e
contar com vários preceptores, frequentou a Escola Pública, regida
pelo educador venezuelano Simon Rodriguez, homem de originais e
progressistas idéias pedagógicas e sociais, que exerceria logo uma
profunda influência sobre Bolívar. Entretanto, morreu o avô, e a
tutoria recaiu em Carlos Palácios, tio de Simon, com quem este não se
entendia muito bem. Don Carlos, solteiro, passava muito tempo em suas
fazendas e Simon saia a passear, à pé e à cavalo, por Caracas e seus
arredores em companhia de meninos que não eram "de sua classe". Ao
completar 12 anos, o menino, na ausência do tutor, fugiu de sua casa e
foi buscar abrigo na casa de sua irmã, Maria Antonia. Isto suscitou um
pleito, que terminou quando Bolívar, apesar de sua resistência, foi
conduzido, na qualidade de interno, à casa de seu mestre, Simon
Rodriguez. A personalidade daquele "muchacho", que mais tarde haveria
de converter-se no Libertador e ser conhecido por sua firmeza e
constância, se pôs já de manifesto naquele momento. Quando quiseram
levá-lo à força para outra casa, resistiu dizendo que poderiam dispor
de seus bens, porém não de sua pessoa, pois nesta somente ele o
mandava. Outra vez, exclamou que se os escravos tinham direito a
trocar de amo, pelo menos deviam permitir-lhe viver na casa que melhor
o acomodasse. Entretanto, teve que ceder. Nestas circunstâncias,
Rodriguez conseguiu ganhar-lhe a confiança e se converteu, desde
então, em "O Maestro" de Bolívar. Durante esses poucos meses de 1795,
entre eles estreitaram-se os laços de simpatia, que não cessariam
senão com a morte.
A marca afetiva no espírito do jovem pupilo, Rodrigues fez em
Caracas, não com teorias de Rousseau, mas com tato, compreensão,
sensibilidade e firmeza. Incutia-lhe também conhecimentos, porém, mais
que estes, o importante foi como lhe abriu os olhos, a mente e o
coração para as perspectivas de uma vida consagrada a um ideal. Por
isso, Bolívar escrevia a seu antigo mestre em 1824: "Você formou meu
coração para a liberdade, para a
justiça, para o grande, para o belo..."
TRANSCRIÇÃO pelo Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade de Maracaibo,
Estado Zulia, Venezuela. e - mail: edgonzal@luz.ve LIÇOES DO DR.
RAFAEL BESADON, EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.
Tradução: E. Muniz }
1-0

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[Site "www.torre21.cjb.net"]
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{Estimados e queridos amigos. Continuemos com as instrutivas lições do


Dr. Besadon. Desculpem-me a demora, porém, como lhes prometi, meu
objetivo é transcrevê-las todas. Tenham paciência, que promessa é
dívida.
OG MANDINO nos diz em seu livro: "Uma melhor maneirar de viver (Regra
Número 17)" Você deve dar-se conta de que a verdadeira felicidade está
dentro de você mesmo. Não há que desperdiçar tempo nem esforço em
buscar a paz, a alegria e o gozo no mundo externo. Há que ter presente
que não existe felicidade em ter ou obter, mas unicamente em dar.
É necessário dar, compartilhar, sorrir. A felicidade é um perfume que
não se pode
servir aos demais sem que umas quantas gotas caiam em você mesmo.
Bem, vamos à lição. LIÇÃO 26 - INCONVENIENTES DE JOGAR SEM ROQUE.
Vamos continuar com o tema do roque. Vocês já viram em lições
anteriores as debilidades e inconvenientes que pode ter um roque.
Bem, então alguém poderia pensar "se o roque apresenta tanto
benefícios como dificuldades, melhor será prescindir dele e, jogando
sem roque, se solucionaria tudo". Isso é aparente. NÃO ROCAR É PIOR
QUE TER UM ROQUE DEBILITADO. É MELHOR ROCAR DO QUE FICAR COM O REI
"BAILANDO" NO CENTRO DO TABULEIRO. Na partida que hoje lhes trago,
o jogador que conduzia as negras manteve esse "status-quo"; não rocou.
Primeiro porque não deixaram, depois porque não quis, acreditando que
com isso ganhava tempo e espaço. DEVE-SE ROCAR SEMPRE; DO LADO
MELHOR OU DO LADO PIOR; ISSO É PREFERÍVEL A JOGAR SEM ROQUE. SOMENTE
QUANDO AS DAMAS TIVEREM SIDO TROCADAS PODE-SE JOGAR SEM ROQUE, PORQUE
EM TAIS CASOS O REI É NECESSÁRIO COMO PEÇA PARA O FINAL E CONVÉM TÊ-LO
PERTO DOS PONTOS DE COMBATE. PORÉM, ENQUANTO HOUVER DAMAS NO
TABULEIRO, NÃO SE DEVE DEIXAR DE FAZER O ROQUE.
Esta partida que veremos foi jogada no Torneio de Londres de 1940,
durante a guerra. Dita competição foi vencida por Sir George Thomas.
Seu oponente nesta partida foi um jogador novo nestas lides. As
negras elegeram uma Defesa Siciliana. A propósito: há algo que quero
esclarecer a respeito desta Defesa, porque algumas perguntas me tem
sido formuladas. Eu disse em minhas lições que a Defesa Siciliana é
uma das muitas defesas possíveis que se pode opor a 1.e4. Não quer
isso significar que quem a jogue ganhe ou perca a partida; é uma
defesa como
qualquer outra. O que eu disse em certa oportunidade é que "é
jogável". Se o adversário não é um "fenômeno" e sobretudo se não está
"em dia" com as últimas novidades no xadrez. Se bem que hoje existam
variantes em que aparentemente as brancas conseguem mas iniciativa, é
muito difícil conhecer todas essas variantes e, ao jogar a Defesa
Siciliana contra um jogador "frouxo", é possível que não saiba
responder com o lance exato. Defesa Siciliana BRANCAS: G. THOMAS
NEGRAS: R.
MORRIS } 1. e4 c5 2. Nf3 d6 ({O exato seria} 2...
Nc6 {
disputando as casas d4 e e5. Esta é uma das muitas formas de
responder,
em que se renuncia à disputa das casas centrais, buscando outro
plano.}) 3. Bb5+ {A jogada de Thomas é de efeito psicológico. Esse
xeque
compromete seu próprio bispo. O negro pode cobrir com o cavalo ou com
o bispo e o bispo branco deve ser trocado, ou retirado, com o que não
se ganha nada.} ({Agora o exato seria} 3. d4 {
provocando a troca dos peões e entrando na variante vulgar e
conhecida.
}) 3... Bd7 {Não é o correto.} ({Melhor seria} 3... Nc6 {Se as brancas
trocam}
4. Bxc6+ {o negro estaria "encantado da vida". E se não trocam, o
cavalo
negro já dominaria as casas d4 e e5.}) {As brancas responderam com
outra
jogada, que é lógica em relação a que acabam de fazer; preferem
defender
seu bispo desde longe.} 4. Qe2 {
Com esta jogada, o branco mantém a pressão e depois trocará, se
entender necessário.} (
{Claro que se} 4. Bxd7+ {teria seguido} 4... Nxd7 {
desenvolvendo este cavalo.}) 4... Nc6 {Agora o negro fez o que deveria
ter feito antes, devido ao fato de as brancas não terem trocado os
bispos.}
{Alguns de vocês opinariam que teria sido melhor para as brancas
trocar os bispos, porque se trocaria o bispo "bom" das negras pelo
bispo "mau" das brancas. Vamos esclarecer: SOMENTE HÁ "BISPO MAU" e
"BISPO BOM" QUANDO JÁ EXISTEM PEÕES FIXOS. Neste caso, há peões fixos?
Não; podem mover-se. Por enquanto, não há "bispo mau" nem "bom".
Outra coisa: QUANDO O ROQUE ESTÁ PREPARADO, NÃO SE DEVE PERDER TEMPO
ANTES DE EFETUÁ-LO.} 5. O-O 5... g6 {Esta jogada é feita comumente em
outras variantes da Defesa Siciliana.} ({O lógico era} 5... e6 {para
seguir desenvolvendo-se com Be7, Cf6, e fazer o roque pequeno.}) ({Não
teria sido bom} 5...
e5 {por que fixa os peões centrais e, então sim, haveria bispos
maus e bons.}) {As brancas estão com o roque feito, enquanto que o
negro ainda não desenvolveu seu flanco rei, nem efetuou o roque. Como
poderia evitar-se esse desenvolvimento e esse roque?} 6. e5 {Com isso,
crava-se o peão do rei negro e se ameaça 7.exd6.
} 6... d5 {O melhor. Porém, observemos que esse peão foi movido duas
vezes, ou seja, o branco tem um tempo a mais (além da vantagem da
abertura). Quanto ao desenvolvimento, as negras só saíram com duas
peças, enquanto as brancas têm três peças desenvolvidas e o roque
feito. Há, pois, vantagem para o branco.} ({Porem, se as negras
respondessem}
6... dxe5 {viria} 7. Nxe5 Nxe5 8. Qxe5 {ameaçando a torre de h8;} {
Se continuassem com} 8... Nf6 {cai o peão negro de c5.}) ({O mesmo
aconteceria com}
6... Nxe5 {e sempre as brancas ganham um peão.}) 7. d4 $1 {
Sacrifica um peão para ganhar mais tempo.} 7... cxd4 {Ganham um peão,
mas é um peão dobrado que à longo prazo deve cair. Além disso, sempre
existe a possibilidade de tirar-se a defesa desse peão com BxC. Porém,
seguindo sua idéia, Thomas incita o outro a que fique com esse peão de
vantagem:} 8. c4 $1 8... dxc3 9. Nxc3 {Outra peça em jogo, contra o
escasso desenvolvimento das negras. Ataca-se o peão de d5 e as negras
deverão perder outro tempo em sustentá-lo. Em troca pelo peão
perdido, vemos que todas as peças brancas jogam para onde queiram,
enquanto que as do negro estão imobilizadas devido aos tempos perdidos
em tomar peões. Se em qualquer gambito entregam-se peões para
facilitar o desenvolvimento das
peças, e isso costuma dar bom resultado, aqui, com o roque feito, tem
que ser muito melhor. Agora as negras devem defender seu peão de
vantagem contra "ventos e marés".} 9... e6 {Deixa pontos fracos por
onde podem infiltrar-se as peças contrárias. O peão branco de e5 tem
duas fortes casas a sua disposição: f6 e d6. Thomas começa a
aproveitá-las.} 10. Bg5 {Ameaça exatamente a dama. Com que cobrir? Se
põe um cavalo em e7, corta a vigilância que o bispo negro poderá obter
em d6. Será melhor:} 10... Be7 {
Agora, que há peões fixos, existem bispos maus e bons. De passagem,
observemos que o bispo dama negro, que antes supúnhamos "bom", agora é
o "mau", enquanto que o bispo rei, que antes parecia "mau", agora é o
"bom".
Fica demonstrado que NO INÍCIO DA PARTIDA E ENQUANTO NÃO HAJA PEÕES
FIXOS NÃO SE PODE FALAR DE BISPOS MAUS NEM BONS. Bem, sai ganhando o
branco se troca seu bispo mau pelo bom do adversário? Sim. Porém, ÀS
VEZES SE IMPÕE O CONCEITO POSICIONAL AO CONCEITO ESTRATÉGICO; neste
caso, não convém a troca. Se 11.Bxe7, esta se converte em
uma partida estratégica, onde o branco deverá fazer valer essa pequena
vantagem à longo prazo. Aqui, vale muito mais manter o rei negro sem
roque. O branco tem um peão a menos, de maneira que não seria fácil
ganhar. É preferível perder um tempo, mas ter o cavalo de g8
"engarrafado", o que por sua vez impede o roque.} 11. Be3 11... h5 {
Dá um ponto de apoio ao cavalo do rei negro em h6. Com isso, o tempo
de ida e volta do bispo dama branco fica compensado. E com esses peões
avançados do flanco rei rocar por esse lado seria um suicídio.} 12.
Na4 {(para ir a c5.)} 12... Nh6 {(Se possível, para ir a f5.);} 13.
Nc5 13... Bxc5 {
Era necessário trocar. Esse cavalo complicava as coisas e ameaçava
tomar o bispo e o peão de b7. Porém, isso traz o inconveniente de que
as brancas, ao retomar com seu bispo, impedem o roque curto do
contrário.} 14. Bxc5
14... Nf5 {O negro pensa: " Já que não posso rocar, pelo menos me
instalo com um cavalo em f5 e vamos ver como me tiram dali". Busca
outras combinações a base do avanço de peões no flanco rei para
debilitar o roque das brancas. O peão branco de e5 ainda não pode
ser capturado.} ({Se
} 14... Nxe5 {teria seguido} 15. Nxe5 {etc.}) {
Thomas ocupa a linha aberta c1-c8.} 15. Rac1 15... g5 {Ameaça expulsar
o cavalo de f3 com g4 para atuar sobre o roque que, como sabemos, será
fraco quando o cavalo sair.} 16. Bxc6 {Troca um de seus bispos por um
cavalo. Sabemos que isso não é muito conveniente desde o ponto de
vista estratégico. Porém, Thomas não quer ter uma partida estratégica.
Não quer a pequena vantagem do par de bispos, mas deseja ganhar por
combinação. Um
jogador do tipo Jacobo Bolbochan teria preferido manter a vantagem dos
dois bispos; por outro lado, um jogador como Pleci teria procedido
igual a Thomas, para ganhar por combinação. São distintas formas de
jogar e distintos temperamentos.} 16... Bxc6 17. Nd4 {Diante do
próximo avanço do peão g5 negro, expulsando o cavalo, as brancas
pensaram: "antes que me expulsem, me vou". E vai
a uma casa de onde possa ser trocado pelo bispo ou pelo cavalo negro.
Bem, chegamos ao momento que interessa para esta lição. Devem jogar
as negras. Não podem fazer o roque pequeno porque o bispo branco o
impede.
Paciência. Mas poderiam fazer o roque grande! Bastaria levar a dama
à casa d7 e logo jogar 0-0-0.} 17... Kd7 ({
Se no momento em que as negras fizessem} 17... Qd7 {as brancas
respondessem}
18. Nxf5 exf5 {e ficariam três peões unidos no flanco rei,
que incidiriam fortemente sobre o roque branco.}) {Claro que esse
roque não seria muito bom porque o rei negro estaria na coluna "c"
aberta, na qual as brancas já têm uma torre. Diante desse dilema,
seguramente o negro pensou: "se até agora joguei sem roque e o
oponente não pode romper minha defesa, talvez seja possível prescindir
dele." E, por isso, jogou 17...Rd7. E se meteu
em uma dessas posições estilo Nimzovitsch. Voluntariamente, o negro
renuncia ao roque e supõe que seu rei está em posição inexpugnável. A
idéia é que se as brancas continuam 18.Cxf5, segue exf5 e logo o rei
se mete na casa e6, onde parece que estaria salvo. Esse é o projeto.
Logo veremos a realidade.} 18. Nxf5 18... exf5 {As previsões do negro
vão se cumprindo. Porém, agora cabe jogar ao branco. Como impede que o
rei negro entre na casa e6? É um pouco difícil, mas Thomas encontra a
solução sacrificando outro peão.} 19. e6+ 19... fxe6 {As negras
desdobram seu peões.
Mas seu rei já está em posição incômoda; e com os peões de tal forma
que permitem a entrada das peças contrárias. As brancas começam por
centralizar sua dama.} 20. Qe5 {Ameaça dois xeques: um em d6 e outro
em g7. Além disso, o rei negro deve continuar sustentando seu peão de
e6. Podem as negras impedir tudo?} {As negras optam por defender dois
peões com uma só jogada, mas não poderão evitar um dos xeques.} 20...
Qg8 ({Se} 20... Qe8 {segue} 21.
Qg7+ {e logo 22.Dxg5, etc.}) 21. Qd6+ 21... Kc8 {O rei começa a
dançar, e deve colocar-se na mesma coluna onde o branco tem uma
torre.}
({Se tivesse respondido} 21... Ke8 {seguiria mate com} 22. Qe7#)
{Agora, thomas começa a "trabalhar" o peão negro de e6. Observemos que
o branco passeia com suas peças pelo tabuleiro, enquanto o rei negro
está fugindo do mate que se lhe avizinha.} 22. Rfe1 22... Rh6 {
Era a única para defender o peão de e6.} ({Se} 22... Bd7 23. Bb6+ {
xeque descoberto de torre e mate na outra.}) {Bem, e agora? Como se
ganha?
Há 7 peões negros contra 5 peões brancos; bispos de cores opostas e
igualdade nas demais peças. É NECESSÁRIO GANHAR POR ATAQUE. COM UM
JOGO PURAMENTE ESTRATÉGICO SERIA IMPOSSÍVEL GANHAR COM DOIS PEÕES A
MENOS. Thomas encontra a solução:} 23.
Bb6 {Este lance ganha no ato. Ameaça sacrificar duas peças.} 23... Rh7
({Se}
23... axb6 {segue} 24. Rxc6+ 24... bxc6 {(Única.)} 25. Qxc6+ {
Ameaçando a torre de a8.} 25... Kb8 ({Se} 25... Kd8 26. Qxa8+ {
E depois ganha a dama.}) 26. Qxb6+ Kc8 27. Rc1+ {Seguido de mate
porque se}
27... Kd7 28. Rc7+ {A} 28... Kd8 ({E se} 28... Ke8 29. Qc6+ Kf8 30.
Qxa8# ({Ou
} 30. Qd6+ 30... Ke8 31. Qe7#)) 29. Qd6+ Ke8 30. Qe7#) ({
Se não toma o bispo e joga} 23... Qf7 {seguiria} 24. Qd8#) {
Com isso, evita-se momentaneamente o mate.} 24. Rxc6+ 24...
bxc6 25. Qxc6+ 25... Kb8 {O rei negro está encerrado. E neste tipo de
posição, em que a torre de a8 impede que o rei escape, é fácil
encontrar o mate.} 26. Bd4 26... a6 {(Abre uma janela.)} 27. Qb6+ Rb7
({Se} 27... Kc8
28. Rc1+ Rc7 ({Se} 28... Kd7 29. Rc7+ Ke8 30. Qc6+ Kf8 31. Bc5+ Re7
32. Qxa8+
Kf7 33. Rxe7+ Kf6 34. Qxg8 {etc.}) 29. Qxc7#) 28. Be5+ 28... Kc8
{(Única.)} 29.
Rc1+ {E as negras abandonam.} {

A}
29... Kd7 30. Qxb7+ Ke8 31. Qxa8+ Kf7 32. Rc7+ 32... Kg6 33. Qxg8+ Kh6
34. Qg7#
{Conclusão:
Vimos claramente os inconvenientes do plano que nasceu
com 17...Rd7. As brancas sacrificaram peões, tomaram linhas abertas,
deram xeques, fizeram o rei dançar, etc. Com o roque grande, também
teriam perdido, mas não assim. Repito: JOGAR SEM ROQUE É PIOR QUE TER
UM ROQUE MAU. ENQUANTO HAJA DAMAS NO TABULEIRO, É NECESSÁRIO ROCAR.
SOMENTE SE AS DAMAS TENHAM DESAPARECIDO PODE-SE JOGAR SEM ROQUE.
Bem, amigos, finalizamos esta lição. E lamentavelmente meu país segue
convulsionado. Os oligarcas poderosos e neo-liberais não querem
entender que
este governo é do povo e para o povo; que foi quem o elegeu.
Estou e estarei sempre com a Revolução Bolivariana, aconteça o que
acontecer.
Prof. Erich Gonzalez. e-mail: edgonzal@luz.ve} 1-0