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“Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna”

Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes

INTRODUÇÃO

Esse

trabalho

apresenta

algumas

considerações,

sobre

as

referências

subjetivas para uma criança tornar-se sujeito, apesar da escolha de sua mãe biológica. A

partir do conceito de desejo freudiano, analisam-se os aspectos relevantes para o

processo de assujeitamento de um bebê, aliado a contribuição lacaniana do Outro e das

instâncias psíquicas que sinalizam as questões relevantes para a sobrevivência subjetiva.

Tal referência apresenta a violência simbólica como etapa para as conquistas

psicológicas de cada ser humano, porém com base na entrada da lei e da necessidade de

frustração, intervenções que favorecem a vida em sociedade através do equilíbrio

instável no controle do desejo. De outro modo, a violência simbólica que se faz recorte

trata de uma negação da representação de filho por parte da mulher que o gerou, que

embora passe pelo fenômeno biológico não insere o rebento no campo do simbólico.

Disso resulta que a criança necessita de algumas parcerias para nortear seu

percurso, saindo do lugar subjetivo de objeto de desejo do Outro para a de sujeito

desejante. E, é daí que parecem surgir algumas possibilidades de sobrevivência, através

do encontro com outros parceiros, doadores de novos significados e que possam fazer

da estrutura física, significantes que viabilizem o aparecimento de alguns lugares

subjetivos.

METODOLOGIA

O estudo trata de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, de referencial

psicanalítico, com leitura em Freud e Lacan, bem como autores contemporâneos que

dialoguem sobre a temática recortada. Uma vez realizado o levantamento bibliográfico,

os conceitos foram analisados como fonte de dados, e algumas idéias foram apreciadas

como importantes contribuições para a reflexão proposta.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A compreensão psicanalítica para a constituição do sujeito apresenta como

ponto essencial para o sucesso nessa empreitada, a parceria entre aquele que faria a

maternagem, o Outro lacaniano (1956/57), e o rebento, recém chegado ao mundo e nele

inserido pelo desejo desse Outro. Diante dessa afirmação pode-se pensar que é um

fenômeno natural, a pessoa ideal para fazer a maternagem ser a mãe biológica, uma vez

que cuidaria de um investimento afetivo aliado aos cuidados físicos (alimentação e

higiene) próprios da sobrevivência do ser gerado. Acontece que a instância responsável

pela harmonia nesse par, mãe e filho, é da ordem do desejo, conceito inaugurado por

Freud (1915), e que modifica completamente a avaliação do que seja fundamental para a

sobrevivência de um recém-nascido.

Segundo Vorcaro (1997):

“ A intervenção do agente da função materna é, portanto, a

condição de possibilidade de seu vir-a-ser. O ato de suprimento das

necessidades vitais do organismo neonato implica a estrutura desejante do

único sujeito aí presente: o que faz função de agente que suporta

a

linguagem. O infans – em seu puro real orgânico, é investido pelo agente,

no lugar de signo de seu desejo”.

Dessa forma, a primeira preocupação para a saúde psíquica de um bebê trata

do desejo materno em fazer deste o seu objeto de amor, o qual dedicaria seu olhar e sua

atenção, além das questões práticas imediatas. Daí, pensar na mãe biológica significa: 1.

retomar o percurso subjetivo que funciona como fonte de mobilizações, 2. analisar que

significados são atribuídos ao objeto de desejo e, nesse estudo, 3. Refletir sobre a

preferência pelo parceiro como objeto de amor. Porém, se existe a negativa sobre o

desejo pelo rebento retoma-se a problemática do que resta ao bebê para tornar-se

sujeito.

Para a criança é essencial que haja uma acolhida que possibilite uma

alienação inicial, através da captura pelo olhar de quem a investe. Este momento

designado por Lacan como instância do imaginário, é parte de um processo que levará o

ser a uma diferenciação do seu corpo com o exterior – estádio de espelho e a uma

vivência subjetiva relevante para a inserção no campo da cultura, através da linguagem,

inicialmente desenvolvida pelo Outro que da criança fala, instância do simbólico. Além

dessas, a instância do real também é um atravessamento que ressalta o encontro com a

angústia, resultante da falta inaugurada por um além da necessidade, o tamponar de um

vazio que deflagra o desejo e marca a criança, tornando-a sujeito.

Segundo Levin (2001):

“A mãe imaginária será quem se reconhecer no corpo de

seu filho e no seu funcionamento maternal (cuidados, ajuda, apoio,

decodificação, etc. (

)

Na mãe simbólica, o que está em jogo em

princípio não é o “desejo do filho”, mas o desejo de ser mãe que

funda a posição terceira dando acesso ao dizer paterno. Entre ela e

o

filho

se

localiza

o

pai,

intercedendo

e

mediando

nesse

posicionamento materno, situa-se como mulher causada pelo desejo

do homem, do qual o filho não participa, apenas assinala o limite e o

testemunho do encontro falho.”

Em função dessas instâncias psíquicas o sujeito é compelido a vivenciar

inúmeras perdas, que evidenciam encontros com o real, e denotam uma violência

simbólica.

A

partir

do

Outro,

a

criança

experimenta

frustrações

que

causam

mobilizações importantes para a inserção na cultura. Desde a descoberta de que não é o

único objeto de desejo do Outro, com a entrada da lei, através do Nome-do-pai, conceito

lacaniano (1963), a criança se descobre frustrada em seus anseios, e cada atualização

dessa

sensação

caracteriza-se

pela

angústia,

violência

simbólica

tamponada

principalmente pela linguagem, e fundamental para a entrada no mundo civilizado.

CONCLUSÃO

A partir do exposto, observa-se que o essencial é que o bebê disponha de um

Outro, e para assumir tal posição o sujeito da maternagem precisa desejar esta criança,

doando-a o significado de objeto de amor, possibilitando que a inserção no campo do

simbólico venha através do que é dito durante os seus momentos com a criança.

É fundamental que a parceria leve ao caminho do sujeito desejante através

das mobilizações que inspiram a maternagem a possibilitar um lugar subjetivo para esse

novo ser. De outro modo, a criança corre sérios riscos de uma existência em pobreza

emocional, passando por privações afetivas, em constantes situações de violência

simbólica pela negativa materna ou, de morte, senão física, provavelmente subjetiva, em

função da ausência de uma estrutura desejante, ou de um lugar construído a partir da

intervenção do Outro, que também marcaria sua humanidade e sua inserção no campo

do simbólico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENHAIM, Michele. Amor e ódio: a ambivalência da mãe. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2007; FREUD, Sigmund. (1905) Três Ensaios Sobre Sexualidade. Vol. VII. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1915) Os Instintos e suas Vicissitudes. Vol XIV. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1915) O Inconsciente. Vol. XIV. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1920) Além do Princípio do Prazer. Vol XVIII. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1924). A Dissolução do Complexo de Édipo. Vol XIX. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1931) A Sexualidade Feminina. Vol.XXI. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; (1933) A Feminilidade. Vol. XXII. Ed. Standart brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1996; LACAN, Jacques. (1949) O estádio do espelho como formador da função do eu in Escritos. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1998; (1958) A significação do falo in Escritos. Rio de Janeiro: Ed. Jorge

Zahar, 1998;

(1960) Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano in Escritos. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1998; (1963) Os Nomes do Pai. Porto Alegre: Cooperativa Cultural Jacques

Lacan, 1986;

(1956/57).

Jorge Zahar, 1995;

Seminário 4 – A Relação de Objeto. Rio de Janeiro: Ed.

(1962/63). Seminário 10 – A Angústia. Rio de Janeiro: Ed. Jorge

Zahar, 1992;

(1964) Seminário 11 – Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998;

Zahar, 1985;

(1973/74).

Seminário 20 – Mais Ainda. Rio de Janeiro: Ed. Jorge

(1938) Os Complexos Familiares na formação do indivíduo: ensaio de análise de uma função em psicologia. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2002; LEVIN, Esteban. A função do filho: espelhos e labirintos da infância. Petrópolis:

Vozes, 2001; VORCARO, Ângela M.R. A Criança na Clínica Psicanalítica. Rio de Janeiro:

Companhia de Freud, 1997.