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A GESTÃO MODERNA DO

ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA
Lara Cristina de Alencar Selem*

O fenômeno da Globalização, de forma avassaladora, tem


modificado a realidade de consumidores, governos e sobretudo das
empresas, sejam elas pequenas ou grandes, de serviços ou de produtos.
Enquanto fenômeno, trouxe consigo o crescimento dos fluxos de comércio de
bens e serviços e do investimento internacional. Trouxe também a aceleração
dos fluxos de capitais e tecnologias, cujos efeitos atingem a todos,
ocasionando aumento de concorrência e instabilidade econômica.
Por vezes, os efeitos desse fenômeno abrem horizontes para
algumas empresas, porém também fazem com que outras evaporem em meio
à acirrada competição que se instaurou no mercado.
E é neste cenário que se percebe o quanto é difícil e pesada a
responsabilidade dos administradores e executivos na tarefa de gerenciar
suas empresas, superar as adversidades e equilibrar a competitividade.
No caso específico do mercado jurídico brasileiro, um crescimento
significativo no setor foi sentido nos últimos dez anos, ocasionado pela
expansão geográfica das grandes corporações, pelos processos de
privatização, fusão e aquisição de empresas, dentre outros fatores.
Os escritórios de advocacia, por sua vez, perceberam os efeitos do
fenômeno citado através do aumento da demanda por serviços jurídicos mais
especializados, das facilidades e rapidez na comunicação, e das alterações
no perfil da atividade econômica dos clientes, o que, numa análise superficial,
pode significar grandes oportunidades.
Ocorre que, de oportunidades, tais efeitos podem se transformar em
ameaças, caso os recursos humanos e financeiros não sejam otimizados,
caso não se atente ao controle rigoroso na qualidade dos serviços, caso não
se atinja uma alta performance técnica, enfim, caso as ações administrativas
não sejam planejadas.
Nesse ambiente crítico e inseguro, observa-se que muitos escritórios
de advocacia, especialmente os de pequeno e médio porte (que são a grande
maioria da “indústria jurídica”) e os de origem familiar, ainda não praticam o
planejamento de suas atividades com vistas a aproveitar as demandas e
neutralizar as ameaças, nem criam no ambiente interno uma mentalidade
mais aberta a responder às mudanças, sejam elas de que natureza forem.
Será, portanto, altamente recomendável que os escritórios
profissionalizem suas estruturas e sua gestão, como verdadeiras empresas.
Será preciso também que se adaptem às novas necessidades do mercado,
com prudência na seleção de estratégias e implantação de novas formas de
administração.
Esse parece ser, a nosso ver, o grande convite feito aos advogados
para que iniciem um processo de reflexão sobre seu “negócio”, atualizem seu
talento administrativo, e percebam como podem vir a se tornar mais eficientes
no combate ao ambiente instável e turbulento predominante na economia
atual, caso façam uso dos conceitos empresariais em suas atividades
administrativas.
A gestão racional é, por certo, o meio mais eficaz para combater a
crise instaurada, a alta competição, e os reflexos da globalização, bem como
para fazer com que o escritório jurídico ajuste-se aos novos contornos da
atividade econômica e à diversidade de problemas que invocam soluções com
maior nível de especialização técnica.
Através da gestão planejada estrategicamente tornar-se-á possível a
busca pelo desenvolvimento futuro do negócio como um todo, a melhora da
performance administrativa, a otimização dos recursos e do relacionamento
com os clientes.
Uma adequada implantação do Planejamento Estratégico em
escritórios de advocacia deverá, dentre outros: identificar, por meio de
pesquisa, a situação presente e as oportunidades abertas para que
desenvolva suas habilidades e sua base de clientes, para poder responder
com mais precisão às necessidades deles; determinar as áreas de mercado
que oferecem maior oportunidade para desenvolvimento futuro; identificar
áreas de especialização que deveria desenvolver em nível de excelência; e,
identificar as forças atuais e fraquezas à luz das oportunidades de mercado
detectadas e para desenvolver uma solução factível entre sócios e equipe, no
intuito de transformar aspiração em ação efetiva.
Com isso, os objetivos e metas que envolvem a prestação de
serviços dentro de um escritório de advocacia poderão ser alcançados,
permitindo que um forte senso de direção e propósito comum atinja a todos os
elementos humanos que compõem a equipe (sócios, associados, parceiros,
estagiários, apoio administrativo, etc.), agregando valor aos serviços
prestados, permitindo que o escritório se diferencie de seus concorrentes e,
conseqüentemente, supere a crise.
* Lara Cristina de Alencar Selem - Advogada, Consultora Empresarial, Executive MBA pela Baldwin-
Wallace College (Berea, OH, EUA), Especialista em Gestão de Serviços Jurídicos pela FGV/Edesp.
Colaboradora das revistas jurídicas Justilex, Consulex, Consultor Jurídico, e outras. Autora do livro
“Estratégia na Advocacia – Planejamento para Escritórios de Advocacia: uma ferramenta para
competir”, Ed. Juruá. E-mail: laraselem@alencarselem.adv.br.