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Conceito moderno de Estado

Filósofos procuram explicação natural para a origem do poder


Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 - Pedagogia & Comunicação

» Do absolutismo ao liberalismo

Uma nova realidade histórica caracterizou o Renascimento: o desenvolvimento


das cidades, o fortalecimento da burguesia mercantil e a formação das
monarquias nacionais. Esses são aspectos interligados de uma sociedade
diferente daquela da Era medieval, de um mundo novo, que passou a exigir
novos instrumentos teóricos para tornar possível a sua interpretação.

O nome do pensador e político italiano Nicolau Maquiavel destaca-se


Nicolau Maquiavel indiscutivelmente na elaboração de uma moderna concepção de política. Na
verdade, ele é o responsável pela autonomia da ciência política, pois deixou
de lado as preocupações predominantemente filosóficas da política normativa da Antiguidade e, ao
mesmo tempo, desvinculou-as da fé e da moral cristã da Idade Média. Sua obra política, enfim,
trata "das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver".

A reflexão política tradicional, herdada da filosofia grega, buscava descrever, em termos ideais, o
bom governo. Pretendia apresentar as regras a serem obedecidas por um governante ideal para
atingi-lo. Maquiavel constata, com uma objetividade implacável, como os homens governam de
fato. A partir disso, ele reconhece que, na política, prevalece a lógica da força. Portanto, considera
impossível o exercício do poder sem recorrer, em maior ou menor grau, à violência.

Os fins e os meios

Em uma célebre máxima, Maquiavel afirma que "os fins justificam os meios". Ou seja, pouco
importa que - para construir uma sociedade justa - um governante recorra aos métodos mais
criminosos que se possam imaginar. Os resultados dessa mentalidade maquiavélica,
historicamente, só serviram para justificar atrocidades.

Os partidários do líder soviético Josef Stálin, por exemplo, consideravam totalmente justificável o
fato de ele ter condenado à morte centenas de milhares de camponeses que resistiram ao seu
projeto de coletivização da agricultura, na Rússia dos anos 1930. Fazendo eco ao pensador
florentino, eles diziam que a política não se relaciona com as utopias e as
abstrações, mas com a correlação de forças em circunstâncias
concretas. Para vencer e se impor, é preciso esquecer os valores morais.
A moral - que vale para regular as condutas individuais - não se aplica à
ação política, que trata do destino da sociedade.

Na verdade, essa concepção de política que deixa de lado as


considerações morais indica o surgimento de uma nova ordem social.
Essa ordem, agora, é temporal, mundana, a ser administrada pelo
Estado. De fato, naquele momento histórico, o feudalismo desmoronava,
dando lugar às monarquias nacionais. Por isso, era necessária uma
teoria que justificasse o fortalecimento do Estado soberano e secular. Josef Stálin

Fazer leis e recolher impostos

É comum utilizar a palavra Estado para designar as instituições políticas da Antiguidade e Idade
Média, mas, a rigor, trata-se de uma impropriedade. O conceito de Estado - conforme é
compreendido hoje - só começou a ser empregado no Renascimento e na Idade Moderna.
Aproximadamente a partir do século 16, o termo Estado passa a designar uma realidade nova, que
abrange um território cujos habitantes são governados por um poder central. Identifica-se, também,
com a própria organização sociopolítica desse território.

Portanto, cabe ao Estado fazer e aplicar as leis, recolher impostos, manter um exército que proteja
seu território. Trata-se de atribuições que, na Idade Média, estavam pulverizadas nos vários
feudos, onde eram exercidas pelos nobres que eram seus proprietários. Gradativamente, o Estado
monopolizou os serviços essenciais para garantia da ordem em seu interior e exterior. Isso exigiu o
desenvolvimento de uma máquina administrativa, uma burocracia, formada por funcionários ou
servidores públicos.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Conceito moderno de Estado


Do absolutismo ao liberalismo
Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

» Conceito moderno de Estado

Produto da formação das monarquias nacionais, o Estado moderno era muito


intervencionista. Interferia em diversos âmbitos da vida no território sob sua
jurisdição. Procurava também justificar a amplitude do seu poder por meio de
diversas teorias que sustentavam o direito divino e conseqüentemente
absoluto do poder dos reis.

O rei era considerado o representante de Deus na Terra, de onde decorre seu


direito absoluto de mando. É o que defendem pensadores como o inglês
O filósofo Thomas Robert Filmer e o francês Jacques Benigne Bossuet, ambos cristãos
Hobbes fervorosos. Entretanto, estava-se numa época em que o humanismo se
sobrepusera à hegemonia do pensamento religioso. Então, a legitimação do
absolutismo tinha de ser buscada em critérios racionais, conforme propõe Thomas Hobbes. Sua
visão de mundo é materialista e ele buscou justificar de modo natural o absolutismo.

O contrato social

A principal preocupação da filosofia política, nos séculos 17 e 18, era estabelecer o fundamento
racional do poder, para definir sua legitimidade. Por isso, não só Hobbes, mas filósofos de idéias
tão diferentes quanto o inglês John Locke e o suíço Jean-Jacques Rousseau resolveram investigar
a origem do Estado. Queriam descobrir aquilo a partir do que essa entidade se constituiu.

Em geral, eles partiram da hipótese dos homens primitivos, em estado de natureza, antes da
civilização. Esses homens seriam, então, donos exclusivos de si e dos seus poderes, mas optaram
por abandonar o estado de natureza e constituir o Estado, mediante um pacto ou contrato social,
em que a maioria delegou os poderes ao Estado para este lhe garantir a segurança e a paz.

Hobbes considerava que "o homem é o lobo do homem", ou seja, o ser humano, em estado de
natureza, é um predador que vive em guerra com seus semelhantes. Concluiu daí que a única
maneira de garantir a paz necessária à sobrevivência consiste na delegação de um poder absoluto
ao soberano.
Os limites do poder

Ao contrário, Locke critica o absolutismo, em prol do liberalismo. Para ele, devem existir limites ao
poder do soberano. Os homens, embora aceitem o poder do Estado, não podem perder o direito à
insurreição, caso haja necessidade de limitar aquele poder. Além disso, Locke concebe a
necessidade de um Parlamento - um canal legítimo de representação da sociedade, com poder
suficiente para controlar os excessos do Executivo.

O liberalismo se baseia em uma concepção individualista da sociedade. Esta é compreendida


como uma somatória dos indivíduos. O Estado tem por fim garantir que os interesses particulares
de todos eles possam coexistir em harmonia.

O conceito de liberalismo, enquanto teoria política e econômica, surge a partir do século XVII, e
sua aplicação à prática política culmina com as revoluções burguesas:

1) a Revolução Gloriosa, na Inglaterra, em 1688, que representou a transição da Monarquia


absoluta para a Monarquia parlamentar, na qual o rei se submete às decisões do Parlamento
chamou-se gloriosa por ter ocorrido pacificamente, sem derramamento de sangue;

2) a Revolução Francesa, em 1789, que pôs fim à monarquia na França, substituindo-a por
governos provisórios e, posteriormente, por uma República, que terminou com a ascensão de
Napoleão ao poder, em 1799. Entre suas conseqüências, pode ser citado o fim dos governos
absolutos em diversos países da Europa e do mundo.

Pensadores liberais

Não se pode falar no liberalismo como um sistema filosófico único. Na verdade, trata-se de um
conceito que se origina das idéias de vários pensadores e que evoluiu com o desenrolar do tempo.
As idéias liberais aplicam-se não só à política, mas também à economia. Os principais teóricos do
liberalismo econômico são Adam Smith e David Ricardo. Como representantes do liberalismo
político, podem-se apontar, entre outros: Locke, Montesquieu, Kant, Humboldt, Benjamin Constant,
Tocqueville e Stuart Mill.