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MALINOWSKI VAI AO SEX SHOP: UMA ANÁLISE ETNOGRÁFICA SOBRE A RELAÇÃO

ENTRE OS GÊNEROS E O MERCADO “SUBVERSIVO” DO SEXO

AUTOR: NATHALIA CAVALCANTI DA SILVA

CO-AUTOR: OLÍVIA TEREZA PINHEIRO DE SIQUEIRA

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO - UFRPE Email: nathalia.historia@hotmail.com oliviatereza@hotmail.com

SEX SHOP MALINOWSKI GÊNERO

No início da pesquisa, tivemos um receio quanto ao tema, por conta do preconceito e etnocentrismo que poderia existir entorno do mesmo por membros da universidade, como os colegas de sala e os docentes. Porém, quando decidimos esta temática, que apesar de “constrangedora”, compreendemos que ela é importante, pois, a sociedade moderna repreende as práticas sexuais que não estejam ligadas à reprodução humana, o que acaba por afetar também o mercado do sexo e todos os que usufruem dele. Para Marilena Chauí, pode-se definir como repressão sexual: “O sistema de normas, regras, leis, e valores explícitos que uma sociedade estabelece no tocante às permissões e proibições nas práticas sexuais genitais.” 1 Pois, para a moral vigente atual, todas as formas de sexo que fogem aos “padrões” são consideradas como vícios, como explica Chauí:

“encarados pelo ângulo da moral, as práticas e idéias sexuais que não se conformam aos padrões morais vigentes, são considerados vícios, pois os seus contrários, os padrões são tratados como virtudes.” 2

E até nós mesmos nos deparamos com alguns estigmas pré-estabelecidos, por esses rótulos, que envolvem o local da pesquisa, na qual tínhamos a idéia de que seriam os homoafetivos, os principais consumidores desses produtos, no entanto, o decorrer da pesquisa nos mostrou o contrário, que as mulheres assumem esse posto. Utilizamos o Sex Shop Recife, localizado na Rua do Hospício, para o trabalho de campo. Esta visita ao local foi de extrema importância, pois, ao longo do trabalho, podemos identificar e perceber como as relações de gênero estão englobadas dentro do contexto sexual e cultural. Esta visão errônea de que as mulheres são sempre dependentes e frágeis, tornando-as passivas e dominadas, vem de uma construção sociohistórica, na qual, a sociedade patriarcal mantém este discurso em prol da superioridade do gênero masculino. Este discurso vem desde Antiguidade, em que as instituições vão delineando e construindo a moral vigente daquela sociedade. Entretanto, nos últimos tempos, a mulher vem conquistando o seu espaço,

1 CHAUÍ, Marilena de Souza. Repressão Sexual: essa nossa (des)conhecida. 12º ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

2 Idem.

fazendo com que estes estigmas sejam quebrados, revelando assim uma outra face destas relações, na qual os gêneros se comunicam entre si. Logo, sexualidade humana, no seu âmbito individual e coletivo, também é uma construção psicológica, na qual as fantasias têm uma função importante, em que, no fetiche, instinto sexual e objeto sexual estão unidos. Tais fantasias sexuais têm um significado psicológico e envolve satisfação e necessidades psíquicas: “as fantasias indicam que o sujeito pode desempenhar papéis diferentes – na verdade, pode desempenhar qualquer papel da história dada” 3 (Steele, 1997 p.179), como também questões de poder e percepção. Como foi dito anteriormente, a cultura é o principal fator para que esses estigmas e dogmas sejam estabelecidos. Por isso que, para que possamos fazer uma análise deste assunto, teremos que, primeiramente, conceituar a cultura segundo Malinowski. Ele acredita que, a cultura, seja desenvolvida ou primitiva, tem uma abrangência em vários âmbitos, porém, os seres humanos realizam estas áreas conforme a sua necessidade biológica, para que a espécie seja mantida e perpetuada. Com isso, o homem cria a cultura como um meio secundário, para que dentro desta construção deste ambiente, as realizações das necessidades básicas aconteçam. É dentro desta construção que irá surgir as instituições, que Malinowski vai definir como organizações humanas para atingir um objetivo comum, seja ele religioso, político, econômico ou social. Mesmo que essas instituições derivem de variadas culturas, há o que Malinowski vai chamar de condições da “natureza humana”, que consiste em algumas condições básicas para a sobrevivência do grupo, como comer, respirar e se reproduzir, por exemplo, fazendo com que questões como o sexo estejam inseridas neste contexto. Logo, temos que considerar que tais necessidades, inclusive a do ato sexual, mesmo que sendo componentes essenciais da cultura, estas são modificadas de acordo com os costumes locais. Como o autor exemplifica abaixo:

“Tem-se afirmado que nem mesmo a necessidade mais simples, nem ainda a função fisiológica mais independente de influências ambientes, pode ser considerada completamente intocada pela cultura.” 4

Por isso que, questões sexuais eram vistas somente como reprodução, tendo como ponto de vista a cultura vigente, possibilitando assim que os discursos sobre sexo além deste intuito fossem repreendidos. Isto pode ser exemplificado no decorrer da Idade Moderna, em que os “pecados da carne” eram a fonte de todo o pecado, sendo a mulher, categorizada como a porta destes prazeres mundanos. Com isto, estas foram proibidas de se expressar sexualmente, tendo que submeter-se aos caprichos e desejos do marido, alienando a si própria. Sem contar do grande preconceito construído sobre as relações homoafetivas, fazendo com que estes se escondessem em clubes e tavernas para as suas práticas sexuais. Contudo, a partir do séc. XX esta configuração já começa a ver mudanças, pois, com a construção de espaços em que suas fantasias e seus desejos mais profundos, estejam materializados em forma de objetos e mecanismos para auxiliar ou melhorar

3 Idem. 4 MALINOWSKI, Bronislaw. Uma Teoria Científica da Cultura. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

as relações sexuais entre os casais. Estes espaços, ou Sex Shop’s, ganharam fama a entre as décadas de 1980 e 1990, ampliando-se, fazendo com que o mercado se direcione cada vez mais neste ramo. Além disto, através do diálogo moderno entre os gêneros, esta teoria da necessidade básica, compreendida por Malinowski através do funcionalismo, fez com que várias pessoas tivessem acesso a este “admirável mundo novo”, na qual você pode dar vazão aos seus desejos mais ocultos e íntimos, satisfazendo assim, a necessidade do ato sexual (biológicamente) e a realização dos desejos do id (psicologicamente), contribuindo assim para a formação do ser social.

REFERÊNCIAS

MALINOWSKI, Bronislaw. Uma Teoria Científica da Cultura. 3ª Ed. Rio de Janeiro:

Zahar Editores.

CHAUÍ, Marilena de Souza. Repressão Sexual: essa nossa (des)conhecida. 12º ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

CABRAL, Francisco. DIAS, Margarita. Relações de Gênero. Artigo disponível no site:

Acessado em: 25 de Maio de 2011.

FERREIRA, Maria de Fátima Andrade. Relações de Gênero e Sexualidade: considerações históricas e sociais. Artigo disponível no site:

Acessado em: 25 de Maio de 2011.

SELIGMAN, Airton. SAMBULGARO, Adriano. Relaxe e Goze. Revista Superinteressante, ed. 180. Setembro de 2002.

Site: http://www.recifesexshop.com.br/index.php. Acessado em: 02 de Dezembro de 2010, às 20:40 h.

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