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A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA SOCIEDADE MODERNA

THE IMPORTANCE OF A CONTINUED FORMATION IN THE MODERN SOCIETY

Débora Toniolo Rau 1 Léo Marcelo Plantes Machado 2 Lúcia Burzynski 3 Sérgio Rogério Azevedo Junqueira 4

RESUMO

Este artigo trata da importância formação continuada na sociedade moderna, analisando o discurso e comparando-o à realidade. Busca, a partir de uma fundamentação teórica, uma reflexão que aborde diferentes concepções a respeito do tema ora suscitado. Discute o papel da escola e dos profissionais educadores no processo de formação, bem como apresenta alguns modelos de formação, visando a contribuir para uma escolha que melhor se adapte à realidade de cada educador. Reflete, ainda, sobre a formação continuada e seus enfoques, discutindo sobre o ponto de vista ora centrado no professor ora na escola. Encerra fazendo uma análise das oportunidades de formação continuada e seus pressupostos para o profissional educador, traçando um paralelo entre o discurso e a realidade a partir dos artigos 63 e 67 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Palavras-chave: Educador; Formação continuada; LDB; Formação de professores.

ABSTRACT

This article treats about the importance of a continued formation in the modern society, analising the speech and comparing it with reality. It searchs, from a theory fundamentation, a refletion which approach different conceptions of the subject that was asked before. It discuss about the school and the professional educators functions in the formation process, moreover, it presents some formation models, aiming a better choice which adapts to the reality of every educator. It reflects also, about the continued formation and its approaches, discussing about the point of view sometimes centered on the teacher, sometimes on the school. It ends doing an analysis of the continued formation oportunities and its estimated things to the professional educator, tracing a parallel between the speech and the reality from the articles 63 and 67 of the National Education Bases and Directions’s law. Keywords: Educator; Continued formation; LDB; Teacher’s formation

ocorre em

todas as áreas do conhecimento humano. A redefinição do discurso científico afetou diversas

O século XXI assiste os avanços constantes da ciência e tecnologia que

1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUCPR. Especialista em Didática do Ensino Superior - PUCPR. Professora de pós-graduação do IBPEX, CEBED das Faculdades Facinter do Paraná. Disciplinas: Metodologia da Pesquisa em Educação e Pesquisa Social. Rua:Imaculada Conceição, 790, ap. 10 Curitiba – PR, CEP 80215-030. E-mail: debora.rau@pucpr.br 2 Mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUCPR. Pedagogo pela PUCPR. Rua Raul Obladen, 768, Portal do Sol, São José dos Pinhais – PR, CEP 83020-500.E-mail: leoplantes@aol.com

3 Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Tuiuti do Paraná. Rua Prof. Ignácio A. de Souza Filho, 91 – Pilarzinho – Curitiba – PR, CEP 82110-450.E-mail: lubuz@uol.com.br

4 Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUCPR. Rua Imaculada Conceição, 1155 , Prado Velho, Curitiba –PR, CEP 80215-901. E-mail: srjunq@uol.com.br

áreas do saber, sobretudo no campo da comunicação /expressão do conhecimento humano. As escolas preconizam o fim das certezas, no terreno do ensino/aprendizagem, buscando novos saberes que permitam o enquadramento de seus conteúdos as exigências de mercado. Para tanto sua “força tarefa” formada por educadores deve estar capacitada para atender tais demandas, que a cada ano apresentam diferentes facetas e eclodem com novas exigências. A solução encontrada é o retorno constante dos professores, pedagogos, orientadores educacionais e gestores aos bancos escolares. Primeiramente a escola deve planejar um conjunto de atividades para que os participantes adquiram as novas habilidades e conhecimentos, de maneira a não gerar dispersão e desinteresse por parte dos mesmos. O processo deve se dar em um período de tempo que proporcione a incorporação consistente

das novidades. Os profissionais, de modo geral, estão alheios a essa necessidade, considerando a alta competitividade instalada com a globalização, conseqüência de um sistema de governo neoliberal. O processo de adaptação ao novo perfil do profissional educador, exige rapidez, flexibilidade e boa vontade para enfrentar novos desafios, pois conforme preconiza Tofler (1970) o indivíduo precisará se tornar mais adaptável e capacitado para evitar o impacto das

modificações que virão, porque será preciso compreender e adaptar-se “(

à inovação e à diversidade (

. Considerando as novas perspectivas e exigências de mercado, a escola não é a única responsável, o novo paradigma exige o auto-investimento na carreira, com a busca de novos conhecimentos adquiridos por meio de pesquisa e produção do conhecimento e principalmente com atualizações constantes em cursos de interesse da área, ou seja, uma formação continuada. Nóvoa (2001) observa, que para manter-se atualizado, o educador deve investir em pesquisa de novas tecnologias de ensino, bem como apostar e descobrir em novas práticas pedagógicas permanentemente, centrado em dois pilares, nele mesmo o professor e na escola. O autor ainda adverte que para o processo ser completo, este deve se dar desde a formação do aluno até o mais alto título obtido, de maneira a dar continuidade à renovação de conhecimentos, conforme podemos verificar a seguir:

à transitoriedade,

)

)

dos cenários da sociedade.

Manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino e desenvolver práticas pedagógicas mais eficientes são alguns dos principais desafios da profissão de educador. O aprender contínuo é essencial em nossa profissão. Ele deve se concentrar em dois pilares: a própria pessoa do professor, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente. Sem perder de vista que estamos passando de uma lógica que separava os diferentes tempos de formação, privilegiando claramente a inicial, para outra que percebe esse desenvolvimento

como um processo. Aliás, é assim que deve ser mesmo. A formação é um ciclo que abrange a experiência do docente como aluno (educação de base), como aluno- mestre (graduação), como estagiário (práticas de supervisão), como iniciante (nos primeiros anos da profissão) e como titular (formação continuada). Esses momentos só serão formadores se forem objeto de um esforço de reflexão permanente.

Dentro deste contexto, o papel do professor/educador frente aos novos desafios passa a ser visto sob uma ótica diferente. Há uma reorganização em suas funções dentro do ambiente escolar, envolvendo o trabalho em equipe, reforçando as possibilidades de um caminho com metas de trabalho em conjunto que apontam para uma renovação das práticas e dos saberes. Este novo cenário aponta para um processo no qual o professor passa a ter uma importância maior em sua função e sua responsabilidade também aumenta, bem como pressupõe um esforço por parte das estruturas educacionais vigentes, no sentido de adequar-se às novas exigências do mercado que envolve investimento em formação continuada por parte dos profissionais educadores bem como da escola como ambiente de expansão do conhecimento. Acredita-se que a formação continuada é um dos aspectos importantes para reunir a teoria e a prática no contexto profissional do docente, em que a escola desempenha papel significativo como suporte para que o processo possa ocorrer com harmonia. Dentro deste contexto o papel da escola passa a ser então fundamental como mediador no processo de formação e formas de comunicação entre docente, discente e comunidade, ou seja, a escola pode abrir-se mais para fora, havendo uma dimensão maior na forma de pensar a gestão escolar. Esta pode ser feita mediante um processo coletivo, envolvendo dentro de um projeto político-pedagógico todas as dimensões da escola, bem como currículo, avaliação, novas tecnologias, escola e comunidade que afetem diretamente a sala de aula, pois é dentro desse ambiente que é preciso iniciar as mudanças. Para tanto precisamos nos interar do que seja afinal educação continuada e no que consiste este processo. O que se entende por educação continuada são aquelas atividades realizadas sob a forma de cursos que visam o aprimoramento técnico e científico dos participantes com o intuito de torna-los ávidos as novas tecnologias e saberes. Sendo que estes cursos devem ser freqüentados periodicamente enquanto o indivíduo estiver exercendo sua atividade profissional. Os cursos podem ser ofertados pela própria escola, conselhos, associações, institutos e universidades. A temática pode variar de acordo com a área, bem como sua duração também poderá variar de acordo com o tipo capacitação e titulação desejada.

No que diz respeito

Barilli (1998, p. 44) relacionando-se ao contexto histórico atual,

caracteriza educação continuada como sendo

uma renovação do saber-fazer educativo, tanto no que se refere à atualização em relação aos conhecimentos específicos das disciplinas pelas quais o professor é responsável, como também por uma razão premente, quanto ao que se refere à própria natureza do fazer pedagógico, isto é, o domínio da práxis, que é histórico e inacabado.

A formação continuada na sociedade moderna é imprescindível, e vem deixando de ser entendida apenas como uma complementação da formação inicial do docente, vem contribuir, segundo Porto (2000, p. 32), “para melhorar a escola, reinventando-a, redefinindo e ressignificando-a, em simultâneo, os contornos de uma profissionalidade docente”. Assim sendo, a formação continuada consiste em propostas que visem à qualificação, à capacitação docente para uma melhoria de sua prática, por meio do domínio de conhecimentos e métodos do campo de trabalho em que atua o docente. Os conteúdos a serem desenvolvidos por meio da formação continuada têm como objetivo principal superar problemas ou lacunas na prática docente ou mesmo atualizar o professor, por meio de conhecimentos decorrentes de novos saberes das diferentes áreas do conhecimento. Para Demailly (1992, p. 142) o processo de formação continuada pode ter vários modelos, aos quais o educador pode de certa forma optar por aquela que melhor lhe proporcione um aprendizado e que possa ser colocado na sua prática. O conforme já relacionado anteriormente o sujeito pode adquirir sua formação naturalmente a partir de experiências vividas ou mediante atividades e cursos organizados por instituições especializadas., as formações dividem-se em duas categorias, sendo estas:

Formais: procedimentos de aprendizagem desligados da atividade tal como está socialmente constituída, desligados do ponto de vista do tempo e do lugar, delegados numa instância especializada de organização e estruturados de modo coletivo. ( ) Informais: impregnação, aprendizagem em situação, interiorização de saberes, saber- fazer e saberes comportamentais, adquiridos por imitação, na companhia de um

ou, solicitando conselhos e truques aos seus colegas,

observando-os a trabalhar e imitando-os.

colega ou de um mestre, (

)

Assim Schön (1983) vem corroborar com Demailly quando afirma que a formação continuada pode acontecer de duas formas, mediante sistemas formais e sistemas informais. Os sistemas formais organizam-se por meio de curso de secretarias de educação ou de vínculos com universidades. Esta proposta muitas vezes atrai pela questão de incentivos. Os sistemas informais consideram a prática contextualizada, a reflexão na e da ação. A formação continuada tem função de contribuir para a qualificação dos professores, buscando consolidar a identidade profissional adquirida previamente em sua

formação inicial, e parte da reflexão dos próprios educadores em busca de melhorias na prática educativa. Para Libâneo (2001, p. 66)

A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola, na organização e articulação do currículo, nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica, nas reuniões pedagógicas, nos conselhos de classe etc.

Nesse aspecto, o professor tem que ultrapassar seus conceitos, mudar a si mesmo e estar aberto para o novo, e junto com a instituição, formar um elo em busca de novos saberes. Filipak e Cervi (2000, p. 250) apontam que:

O sentido da formação do professor ao invés de discutir academicamente sobre como proceder uma formação que iluminasse e corrigisse a prática. Seja pela alternância entre a formação e a prática, seja pela aplicação da noção de educação permanente à formação dos professores, a formação deverá ser constantemente o lugar e a ocasião de um afrontamento entre o saber de ontem e a prática de hoje, em função de amanhãs que libertam e que cantam.

E desta forma deve possibilitar uma reflexão mais acentuada da realidade.

Perrenoud (1999, p. 36) lembra que uma prática reflexiva restrita ao senso comum advindo da experiência do indivíduo, não perdura, pois em sua práxis do educador não pode ser inventada, a partir do vazio. E acrescenta o professor melhorará sua reflexão a medida que adquirir nova cultura e conhecimentos advindos das ciências humanas. E mesmo reconhecendo na formação um meio privilegiado de ação na transformação das práticas pedagógicas, também é necessário reconhecer seus alcances e limites. Sendo assim, não se pode atribuir aos professores o papel de responsáveis absolutos por erros e acertos no sistema educativo, pois ao trabalhar com uma política de formação de professores, estamos diante de um desafio, que é o de saber articular leis, poderes, saberes, escola, comunidade, aprendizagem, currículo, entre outros. A partir destas leituras pode-se afirmar que a formação continuada poderá acontecer sobre dois focos: foco no professor – em que a responsabilidade está no professor, muitas políticas educacionais de secretarias vêem na formação continuada uma solução para os

problemas complexos da educação (repetência, etc

A culpa sempre será do professor e a

formação continuada será como o “remédio”, pois precisa melhor “capacitar” o professor; foco na escola – onde a partir da escola, da prática de cada professor se realiza a formação, ou seja, é uma reflexão na ação individual, mas que se torna coletiva.

).

As propostas de formação continuada com foco no professor estão centradas no “modelo escolar”, em que a transposição do conhecimento é o objetivo. Mas há de considerar

o alertar de Demo (2002)

Na prática, os professores fazem alguma coisa de vez em quando, como participar

em semanas pedagógicas, escutar alguma conferência, reunir-se para discutir etc. O

problema não estaria aí. Se fosse contar os canudos que cada professor tem [ problema está na aprendizagem que não comparece.

o

]

Já as propostas, com o foco na escola, estão relacionadas aos saberes docentes, dos quais os saberes da experiência seriam, na visão de Tardif (2002), o núcleo vital do saber docente. Pois os saberes pedagógicos, saberes das disciplinas, saberes curriculares são exteriores à prática docente. Santos (2002, p. 101) confirma este posicionamento à medida que descreve a experiência como sendo um filtro, não somente durante suas atividades profissionais, mais também como instrumento capaz de avaliar e julgar os saberes adquiridos em processos de formação inicial e continuada. Sem perder de vista as recomendações feitas no discurso de Perrenoud (1999, p. 36) quando afirma que a prática reflexiva restrita ao senso comum advindo da experiência do indivíduo, não tem durabilidade. Nóvoa (1992a) lembra que o objetivo central da formação continuada é desenvolver

o educador pesquisador. Não um pesquisador obcecado pela academia ou pela cientificidade, mas um profissional que tem, primeiramente, uma atitude cotidiana de reflexividade da sua prática, que busca compreender os processos de aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos e que vai construindo autonomia na interpretação da realidade e dos saberes presentes no seu fazer pedagógico. Desta forma Nóvoa (1992b, p. 38) adverte educar, formar nesta nova

perspectiva, é considerar a pessoa do professor e sua experiência; a profissão e seus saberes e

a escola e seus projetos. Considerando os artigos 63 e 67 relacionados na LDB 9394/96, buscamos refletir sobre a realidade do profissional educador e como se processa a sua educação continuada e permanente, discutindo sobre os requisitos para que a educação continuada e permanente possa efetivamente ser empreendida por parte dos educadores, bem como qual o papel das instituições e do Estado para que este processo se concretize, podemos verificar a importância dos papéis bem como a responsabilidade de cada sujeito relacionado. O papel do professor e o seu investimento em aperfeiçoamento, em pesquisa, titulação, auto-aprendizagem e inter-relacionamento com as equipes interdisciplinares, levando a uma socialização e multiplicação dos saberes e das práticas pedagógicas, configura- se na realidade no elemento mais importante do processo de educação continuada e

permanente. Isto porque se não houver interesse por parte deste profissional em se reciclar e inovar suas práticas pedagógicas, a fim de em uníssono corresponder à realidade social e cultural do momento histórico vivido, bem como se adequando às políticas educacionais ditadas pelo governo, nada acontecerá. Por outro lado, constata-se que se não houver investimento da parte governamental

e empenho das instituições escolares em se fazer cumprir e executar o que rege a LDB 9394/96 em seus artigos 63 e 67, no que tange a prover tempo para que o profissional educador possa se reciclar, bem como desenvolver pesquisas e estudos, valorizando-o e bem o remunerando, e ainda lhe proporcionando um plano de carreira que legitime seu esforço, também o processo esbarrará nos entraves administrativos e na falta de recursos e, igualmente, como no caso do profissional, nada acontecerá. Assim, a responsabilidade de uma formação continuada não fica restrita apenas ao

bom senso do professor ou da instituição, mas, também, tem incentivo da legislação brasileira

e da instituição em que atua. Porém, as atividades do professor não se limitam ao que foi

escrito na lei, mas essa, no entanto, deve ser entendida como sendo uma conquista desse profissional na área pedagógica em sua caminhada. Nesse sentido, a instituição tem um compromisso a mais com o seu profissional, na participação e compromisso que constituem um incentivo para o professor, abrindo espaço para as exigências de seu desenvolvimento profissional. Para Torres e Bárrios (2002, p. 22), a função do professor e seus papéis dentro da instituição dependerão diretamente das características da própria instituição. Especificamente, referimo-nos à influência direta da cultura organizacional e ao clima institucional como fatores que afetam a atuação do professor na instituição. Dessa forma, um dos pressupostos fundamentais na formação continuada é o desejo e

o esforço não só do docente, mas da instituição nas ações, pois elas devem estar inter- relacionadas diante dos novos conhecimentos e informações, uma vez que só assim realmente esta formação estará contida realmente num alicerce de ações. Segundo Nóvoa:

o espaço pertinente da formação continua já não é o professor individual, mas sim o professor em todas as suas dimensões coletivas profissionais e organizacionais. A formação concebe-se como uma intervenção e é solidária dos desafios de mudanças das escolas e dos professores (1992a, p. 22).

Então, acredita-se que deve haver um envolvimento entre profissional e instituição, no qual ambos, em esforço conjunto, vão em um crescente no sentido de que se faça realizar o

processo de educação continuada e permanente, partindo-se do princípio de que os recursos, tempo (para refletir e produzir pesquisas), têm de ser dados pela instituição e aproveitados pelo educador; recursos materiais e financeiros (tecnologias adequadas e equipamentos, bem como uma remuneração condizente para o profissional), em que este se compromete em retribuir o investimento nele efetuado, devolvendo em forma de uma melhoria na qualidade de ensino e pesquisa aos educandos tudo aquilo que fora investido nele. Entretanto, infelizmente, por vezes, a prática desmente o discurso e os regimentos regulamentados pelo próprio Estado na medida em que verificamos que cada vez mais os recursos destinados à educação tornam-se escassos e que por sua vez o profissional, para sobreviver, despende cada vez mais tempo em sala de aula, não sobrando de verdade tempo para investir em educação continuada. Parecemos, dessa forma, retornar aos primórdios da educação tradicionalista, em que se lia que quem trabalha não estuda e quem estuda não precisa trabalhar. Dessa forma, percebemos que a educação continuada não esta disponível para todos, pois nem todos dispõem dos requisitos mínimos para que o processo se concretize de maneira ideal. No qual recurso financeiro para investimento em curso de especialização e aperfeiçoamento, bem como tempo disponível para executá-lo são escassos, restando para estes, apenas a alternativa de uma auto-reciclagem por meio de leituras e discussão em equipes dentro do próprio ambiente escolar e ou em casa, bibliotecas e um ou outro espaço cultural disponível e acessível.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim para encerrarmos esta reflexão sobre a importância da formação continuada para o profissional educador num contexto da sociedade moderna. Entendemos que complementos à formação inicial são necessários e indispensáveis, no cenário moderno. Sejam estes de cunho técnico ou científico. Seja por meios formais com a freqüência em cursos, ou resultado da sua práxis aliada ao senso comum. A formação continuada é sim um requisito importante e indispensável numa sociedade moderna. Para tanto é preciso, respeitar os professores como pessoas, seres incompletos e eternos aprendizes, que a partir de uma formação contextualizada buscam transformar-se, entender o grupo no qual estão inseridos, e ressignificar suas práticas pedagógicas, pois não se trata de uma simples aquisição de conhecimentos, mas de uma transformação da própria pessoa a partir de uma reflexão. Sendo

necessária uma prática transformadora constituída pela teoria e pela ação, formando uma proposta pedagógica. Neste sentido Libâneo (2001, p.189) alerta que:

a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o

desenvolvimento pessoal, cultural e profissional. É na escola, no contexto de trabalho, que os professores enfrentam e resolvem problemas, elaboram e modificam procedimentos, criam e recriam estratégias de trabalho e, com isso, vão promovendo mudanças pessoais e profissionais.

Assim sendo, a formação continuada consiste em propostas que visem à qualificação, à capacitação docente para uma melhoria de sua prática, por meio do domínio de conhecimentos e métodos do campo de trabalho onde atua. Os conteúdos a serem desenvolvidos por meio da formação continuada têm como objetivo principal superar problemas ou lacunas na prática docente ou mesmo atualizar o professor, por meio de conhecimentos decorrentes de novos saberes das diferentes áreas do conhecimento. Pode-se afirmar que em pleno século XXI busca-se, portanto, uma nova competência pedagógica, surgida a partir da reflexão na e sobre a prática, que em um movimento de ação- reflexão-ação, caminha para uma menor dicotomia teoria/prática, entendendo sempre que entre uma determinada teoria que se quer assumir e a prática que se quer ressignificar existe a teoria do sujeito, a qual se constrói a partir das indagações daquilo que faz. Sem esquecer-se da realidade calcada na falta de recursos destes profissionais educadores em investir em educação continuada. O que se espera é que em um futuro bem próximo, possa ser o acesso à formação continuada um caminho de fácil e para todos, buscando a equidade de igualdades não importando em que canto do Brasil onde estes se encontrem, transformando assim o discurso em realidade,.por meio de medidas que visem a implementação efetiva dos preceitos ditados na LDB 9394/96 em seus artigos 63 e 67 que asseguram de forma teórica, os direitos de atualização e reciclagem dos profissionais da educação, bem como carreiras bem remuneradas como sendo dever do Estado. Para tanto, há que se ter políticas também mais equilibradas e constantes que permitam o acesso a cursos lato senso e stricto senso, oportunizando um número maior de profissionais educadores. Entretanto, precisamos lembrar que a educação continuada no Brasil ainda é muito incipiente, tanto pela falta de conscientização por parte dos professores, quanto à necessidade deste investimento, mais também em relação às instituições públicas, que oferecem vagas gratuitas em número irrisório. Resultado é claro da falta de investimentos públicos em todos os níveis da educação, filhote do neoliberalismo, vivenciado na sociedade moderna. Portanto, entendemos que a responsabilidade pela formação continuada numa

sociedade moderna, não se restringe ao professor, nem somente a escola e nem tão pouco

pode ser transferida para as mãos do poder público, esperando que um milagre se realize.

Cabe a todos os atores deste processo como; escola, professor e governo, cumprir

sua parte neste complexo de operações, que ao final visam o mesmo objetivo. Que é, de uma

escola que possua um corpo docente atualizado permanentemente, capaz de atender as

expectativas do mercado de trabalho e inserido em mundo competitivo, cujas mudanças

ocorrem da noite para o dia.

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Recebido em: 22 de julho de 2004

Aceito em: 07 de outubro de 2004