Anda di halaman 1dari 139

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA – ASSESSORIA TÉCNICA

Autoria: José Maria de Souza Martinez Servidor Efetivo da Assembléia Legislativa do Estado do Pará

Lei nº 5.810, de 24 de janeiro de 1994 1

(Republicado no DOE nº 29.871, de 27-1-2003) 2

Dispõe sobre o Regime Jurídico único dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações Públicas do Estado do Pará.

COMENTÁRIOS

Regime Jurídico Único. A Constituição Federal ao entrar em vigor no dia 05 de outubro de 1988 determinou aos seus entes federativos, em seus arts. 39, do corpo permanente e 24, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a instituição de um regime jurídico único aos seus servidores pelo fato de existirem no Brasil, naquela data, pelo menos dois regimes jurídicos de regência do vínculo funcional de seus servidores – o estatutário e o celetista – ensejando discussões de qual deles deveria ser o mais adequado para os entes federativos, chegando alguns doutrinadores a um consenso de que tanto pode ser adotado um regime quanto o outro. Alguns jurisconsultos inclinaram-se pela admissão do regime estatuário para o pessoal permanente, sob a argumentação de que atenderia melhor a necessidade dos entes federativos, mormente no que diz respeito às suas autonomias administrativas e legislativas. A contrário sensu nos ensina Adilson Abreu Dallari (Regime Constitucional dos Servidores, 2ª ed., RT, 1990, p. 48) se o regime a ser escolhido fosse o celetista, o ente federativo que o elege-se como único para o seu pessoal conferiria à União a competência para fixar direitos e deveres dos seus servidores, perdendo completamente o controle sobre seu pessoal, inclusive no que diz respeito a parte financeira. Hoje, com a edição da EC nº 19, de 1998, não é mais exigido um regime jurídico único para regular a relação jurídica de subordinação dos servidores públicos, voltando-se ao status quo ante a promulgação da Carta Política Federal de 1988.[V. Lei 8.026, de 1990 (aplicação da pena de demissão a servidores públicos); Lei 8.027, de 1990 (conduta dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas); Lei 8.112, de 1990 (RJU dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais)]. Esta Lei veio substituir o antigo Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado e dos Municípios (Lei nº 749, de 24 de dezembro de 1953) cujas disposições, naquilo que for compatível com o estudo desta Lei, serão transcritas para efeito de direito comparado.

1 Republicada no DOE, edição nº 30.745 de 14/08/2006, conforme manda a Lei Complementar nº 033, de 4/11/97, com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 5.942, de 15/1/96; 5.995, de 2/9/96; 6.161, de 25/11/98, e Leis Complementares nºs 039, 044, e 051 de 25/01/2006; e pelas Leis nºs. 6.891, de 13/7/2006; 7.071, de 24/12/2007; e 7.084, de 14/01/2008.

2 Publicado originariamente no DOE nº 27.642, de 24-1-94.

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ estatui e eu sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º. Esta lei institui o Regime Jurídico único e define os direitos, deveres, garantias e vantagens dos Servidores Públicos Civis do Estado, das Autarquias e das Fundações Públicas.

Lei 749/53 - (Art. 1°. Esta lei dispõe sobre o regime jurídico dos funcionários civis do Estado e dos Municípios.)

COMENTÁRIOS

Servidores Públicos. A nova técnica legislativa introduzida pela CF/88 com relação à denominação daqueles que prestam serviço à Administração Pública (ao Poder Público) passou a denominá- los servidores públicos, e não mais funcionários públicos, cuja denominação os tutelava constitucionalmente desde a Carta Magna de 1891, que tratou de sua acessibilidade, sistematizando-se na Constituição de 1934, onde se introduziu a garantia da estabilidade (art. 169) e a acessibilidade mediante concurso público de provas e títulos (art. 170, § 2º). De lá para cá, seguindo as Constituições Federais de 1946, 1967 e o Emendão de 69, em razão da disparidade das relações jurídicas estabelecidas entre a Administração Pública e os seus servidores passou a tratar-se, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de questões relativas à estabilização e efetivação de servidores. Ao lado desses servidores do quadro permanente regidos estatutariamente, verifica-se a presença de servidores denominados extranumerários e interinos na Constituição de 1946, tendo os regimes constitucionais de 1967/69, posto fim a essa terminologia, mas introduzindo o regime celetista, e favorecendo a criação de um regime dito especial, inserido no art. 106, do Emendão de 69, para a contratação por tempo determinado de servidores para atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público. Em razão disso, a nova Constituição de 1988 quis superar esse impasse institucional traduzido pela duplicidade de regimes nas relações de trabalho dos servidores da Administração Pública nos entes federativos. Quando entrou em vigor, esta Lei obedecia ao comando inscrito no art. 39, da CF/88, antes da redação que lhe foi dada pela EC nº 19, de 1998, que modificou a epígrafe da Seção II, que tratava dos servidores públicos civis, para tratar simplesmente dos servidores públicos, e o comando original desse artigo, de instituição, por parte dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) no âmbito de suas competências de regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Parágrafo único. As suas disposições aplicam-se aos servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas.

Lei 749/53 – (Art. 2°. As disposições desta lei são aplicáveis subsidiariamente, no que couber, ao Ministério Público, ao Magistério, aos funcionários da Justiça e das autarquias.)

COMENTÁRIOS

Este Parágrafo, a princípio, parece contradizer a ementa da Lei no que diz respeito à sua aplicabilidade. Ora, se a ementa diz que ela regerá os “Servidores Públicos Civis da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações Públicas do Estado do Pará”, é redundante dizer que as suas disposições aplicam-se aos servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas porque estas pessoas jurídicas de direito público fazem parte da administração direta. E as autarquias e fundações públicas? Ficariam elas fora de sua regência porque mantêm em seus quadros servidores regidos pela legislação trabalhista? Estaria este dispositivo contrariando o disposto no art. 24, do ADCT da CF/88, que exige a compatibilização de seus quadros com o regime jurídico único de que trata o art. 39, da Carta Política Federal?

Art. 2º. Para os fins desta lei:

I - servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público;

Lei 749/53 – (Art. 6°. Funcionário público é a pessoa legalmente investida em cargo público.)

COMENTÁRIOS

Servidor Tradicionalmente a doutrina vem denominando servidor público todos aqueles que prestam serviços à Administração Pública de maneira continuada e com vínculo empregatício permanente, diferentemente de agente público, gênero do qual são também espécies o agente político e os particulares em colaboração com o Poder Público que exercem um munus público no exercício de funções relevantes, normalmente gratuitas e de caráter transitório tais como: os mesários, escrutinadores e participantes de júri popular, e dos militares. Ficam fora dessa denominação os empregados públicos regidos pelas leis trabalhistas e os contratados temporariamente para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público que são meros exercentes de funções públicas e não detentores de cargos públicos cujo vínculo empregatício é o do chamado regime especial e contribuintes do RGPS (Regime Geral de Previdência Social) pela redação do §13, do art. 40, da CF/88, dado pela EC nº 20, de 1998 [V. Lei 9.962, de 2000 (Disciplina o regime de emprego público)].

II - cargo público é o criado por lei, com denominação própria, quantitativo e vencimento certos, com o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor;

III - categoria funcional é o conjunto de cargos da mesma natureza de trabalho; IV - grupo ocupacional é o conjunto de categorias funcionais da mesma natureza, escalonadas segundo a escolaridade, o nível de complexidade e o grau de responsabilidade;

Lei 749/53 – (Art. 3°. Cargo público é o criado por lei, com denominação própria, número certo e pago pelos cofres públicos. § 1º. Os cargos são considerados de carreira ou isolados. §2º. Constituem carreira os cargos que se integram em classes de uma mesma profissão ou função, escalonadas segundo os padrões de vencimentos. §3°. Classe é o agrupamento de cargos de uma mesma função ou atividade com o mesmo padrão de vencimento. §4°. Quadro é o conjunto dos cargos de carreira e dos cargos isolados.)

COMENTÁRIOS

Cargo público, categoria funcional e grupo ocupacional são conceituações doutrinárias trazidas para o ordenamento jurídico através do legislador estadual. Celso Antônio Bandeira de Mello [Regime Constitucional dos Servidores da Administração Direta e Indireta, 1ª ed., RT, 1990, p. 16 e ss.] ensina que “cargo é a denominação dada à mais simples unidade de poderes e deveres estatais a serem

Pode-se definir os cargos como as mais simples e

indivisíveis unidades abstratas criadas por lei, com denominação própria e número certo, que sintetizam um centro de competências públicas da alçada da organização central, a serem exercidas por um agente”. Categoria Funcional – carreira - é o conjunto de classes da mesma natureza funcional, escalonadas hierarquicamente segundo a complexidade das atribuições e o grau de conhecimentos necessários ao seu desempenho. Grupo Operacional é o conjunto de categorias funcionais,

expressos por um agente. (

)

agrupadas segundo as correlações e afinidades entre as atividades laborais, a natureza do trabalho e o grau de conhecimento necessário ao exercício das respectivas atribuições.

Parágrafo único. Os cargos públicos serão acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos do Art. 17, desta Lei.

– observadas as condições estabelecidas neste Estatuto e nas leis.)

Lei

749/53

(Art.

9°.

Os

cargos

públicos

são

acessíveis

a

todos

os

brasileiros,

COMENTÁRIOS

Os requisitos do Art. 17 são cumulativos para a posse em cargo público estadual, constituídos do seguinte: 1 - ser brasileiro, nos termos da Constituição; 2 - ter completado 18 anos (no ato da posse, é claro, e não da realização do concurso); 3 - estar em pleno exercício dos direitos políticos; 4 - ser julgado apto em inspeção de saúde realizada em órgão médico oficial do Estado do Pará; 5 - possuir a escolaridade exigida para o exercício do cargo; 6 - não exercer outro cargo ou emprego caracterizante de acumulação proibida; 7 - a quitação com as obrigações eleitorais e militares; 8 - não haver sofrido sanção impeditiva do exercício de cargo público.

Aqui há que se distinguir exercício dos direitos políticos com quitação com as obrigações eleitorais de que tratam os incisos III e VII do art. 17, desta Lei. Uma das vedações do pleno exercício dos direitos políticos encontra-se inscrito no art. 47 do Código Penal, que assim dispõe: “Art. 47- As penas de interdição temporária de direitos são: I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo”; já a quitação com as obrigações eleitorais é o cumprimento do dever de votar nas eleições gerais, plebiscitos e referendos populares. Aparentemente este artigo encontra-se em conflito com o disposto na parte final do inciso I, do art. 37, da CF/88, ao negar acessibilidade aos cargos públicos estaduais a estrangeiros. V. Súmula 685, STF.

vedado

atribuições e responsabilidades diversas das inerentes ao seu cargo, exceto participação assentida em órgão colegiado e em comissões legais.

ao servidor

Art.

3º.

É

cometer

Lei 749/53 – (Art. 6°. “omissis”). “Parágrafo único. É vedado atribuir-se ao funcionário encargos ou serviços diferentes dos próprios do seu cargo. Parágrafo único. É vedado atribuir-se ao funcionário encargos ou serviços diferentes dos próprios do seu cargo, sem prejuízo da existência de função gratificada, prevista no artigo anterior, e do exercício de atribuições peculiares aos membros de órgãos de deliberação coletiva, como o Conselho Estadual do Serviço Social, o Conselho Educacional e outros.” Obs.: Este artigo, após emenda, fiou redigido com dois parágrafos únicos, fugindo à técnica legislativa.

COMENTÁRIOS

Pela participação assentida em órgão colegiado o servidor perceberá a gratificação de que trata o art. 132, III, desta Lei, a ser fixada em regulamento (cf.: art. 136), assim como pela elaboração de trabalho técnico, científico ou de utilidade para o serviço público (cf.: art. 132, IV). O entendimento é de que a gratificação já deverá estar previamente criada em regulamento do órgão onde estiver exercendo suas atividades o servidor, não bastando só a atribuição da gratificação por simples portaria ou ato da autoridade superior. Este entendimento coaduna-se com a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 2000) que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal com ações planejadas e transparentes para que se previnam riscos e se corrijam desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas.

JURISPRUDÊNCIA DESVIO DE FUNÇÃO

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

146605

SERVIDOR PÚBLICO - DESVIO DE FUNÇÃO - EFEITO - A Lei 8.112/90 veda, no seu art. 117, XVII, que sejam conferidas ao servidor público atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias. Não se caracterizando as situações excepcionais suso referidas, o comprovado exercício de fato de atribuições diversas àquelas

inerentes ao cargo do servidor garante-lhe o recebimento das diferenças vencimentais (TRF - 5ª R. - Ac. unân. da 3ª T., julg. em 23-6-94 - Ap. Cív. 46.831-CE - Rel. Juiz Ridalvo Costa)

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL (in ADCOAS 8150883). SERVIDOR PÚBLICO - DESVIO DE FUNÇÃO - ENQUADRAMENTO EM CARGO DIVERSO SEM CONCURSO PÚBLICO - IMPOSSIBILIDADE

- O fato de ocorrer o desvio de função não autoriza o enquadramento do servidor público em cargo

diverso daquele em que foi inicialmente investido, mormente quando não estão compreendidos em uma mesma carreira. O deferimento do pedido formulado, passando o servidor de Motorista Diarista a Detetive até Terceira Classe sem o concurso público, vulnera o inc. II do art. 37 da CF/88 (STF - Ac. unân. da 2ª T. publ. no DJ de 15-3-96, pág. 7.209 - RE 165.128-8-RJ - Rel. Min. Marco Aurélio (Boletim Informatizado ADCOAS Nº 23/96).

83919

FUNCIONALISMO PÚBLICO – ESTÁGIO PROBATÓRIO – DESVIO DE FUNÇÃO

- A avaliação aplicada ao servidor no estágio probatório será sempre no exercício da função ou cargo

para o qual veio a ser nomeado. Uma vez deslocado do cargo efetivo, obtido por concurso, as conclusões do estágio confirmatório sofrem restrições de caráter legal quanto à capacidade do funcionário. (TJ-PR – Ac. Unân. da 4ª Câm. Cív., de 18-3-98 – Reex. Nec. 54.467-6 – Rel. Des. Octávio Valeixo – Sílvio Cesar de Oliveira x Prefeito do Município de Toledo). In Revista Nossos Tribunais 31/98.

64178

FUNCIONALISMO PÚBLICO - SERVENTE QUE PASSA A ENFERMEIRA - DESVIO DE FUNÇÃO - DIFERENÇAS SALARIAIS

- Se a autora ingressou no serviço público, no cargo de servente por concurso público, mas, por ato de

autoridade competente, desde dezembro de 1976, por necessidade de serviço, passou a exercer as funções de auxiliar de enfermagem, sem direitos às diferenças salariais entre os cargos. Os precedentes no sentido de que o exercício de fato de funções diversas das do cargo não dá direito ao recebimento de diferenças de vencimentos, não são o princípio da Justiça, porque legitima o enriquecimento ilícito de administração responsável pela irregularidade, o empobrecimento do servidor e o trabalho gratuito. Provimento negado (STJ - Ac. da 1ª T. publ. em 12-4-93 – REsp. 11560-SP - Rel. Min. Garcia Vieira - Fazenda Estadual x Dalva Silva de Assis Gregório). Nota Adcoas: Os Mins. Demócrito Reinaldo e Cesar Rocha ficaram vencidos, tendo assim se manifestado o primeiro: Temos proclamado, que o Poder Judiciário não tem função legislativa e, por via de conseqüência, não pode conceder vantagens financeiras a servidores públicos, especialmente a título de ressarcimento por enriquecimento ilícito, quando o próprio funcionário sabia que estava designado para o exercício de uma função irregularmente. Os cargos públicos ou são preenchidos mediante concurso público ou através de provimento de livre escolha da autoridade competente, quando em comissão. Essa designação de funcionários de um cargo para o exercício de outro é uma via transversa de provimento de cargo público não prevista em lei e nem por ela definida e que o Poder Judiciário não pode convalidar. Se houve dano à administração ou ilicitude na prática da administração, também houve dolo, ou pelo menos culpa, da parte do funcionário.

profissões

regulamentadas serão providos unicamente por quem satisfizer os requisitos legais respectivos. 3

Art.

4º.

Os

cargos

referentes

a

3 V. art. 241.

COMENTÁRIOS:

Uma das exigências estabelecidas nesta Lei é a do servidor possuir a escolaridade exigida para o exercício do cargo (cf.: art. 17, V), que, se for de nível superior, fará jus à gratificação de escolaridade de que trata o seu art. 140, e o de docência do art. 141, ficando sujeito à fiscalização da autarquia profissional, ou entidade análoga, da qual faça parte a sua profissão, cujo exercício, se suspenso pela autarquia, ficará impedido de desempenhar sua atividade no serviço público (cf.: art. 241, desta Lei). O legislador encerra aqui um vício que se vinha processando na Administração Pública estadual de se atribuir gratificação de nível superior ao exercente de cargo considerado de nível superior, assim como ao diplomado em curso superior. Esse adicional de função (ex facto officii) decorre do caráter técnico da atividade a ser exercida pelo servidor, do qual é exigido conhecimento especializado para realizá-la. O magistério do inolvidável administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito

Administrativo Brasileiro, Malheiros, 20ª ed., 1995, p. 412) é no sentido de “

que

não basta seja o servidor titular de diploma de curso superior para o auferimento da vantagem de nível universitário; é necessário que esteja desempenhando função ou exercendo cargo para o qual se

exige o diploma de que é portador.”

TÍTULO II DO PROVIMENTO, DO EXERCÍCIO, DA CARREIRA E DA VACÂNCIA

CAPÍTULO I Do Provimento

Art. 5º. Os cargos públicos serão providos por:

COMENTÁRIOS:

Os cargos públicos serão providos por ato singular com as indicações constantes do art. 8º, desta Lei, sob pena de nulidade e responsabilidade de quem der a posse (cf.:

arts. 7º e 8º).

I - nomeação; II - promoção;

III - reintegração;

IV - transferência 4 ;

V - reversão 5 ;

VI - aproveitamento 6 ;

VII - readaptação 7 ; VIII - recondução 8 .

4 V. art. 43

5 V. art. 51

6 V. art. 53

7 V. art. 56

Lei 749/53 – (Art. 11. Os cargos públicos são providos por: I – Nomeação; II- Promoção; III – Transferência; IV – Reintegração; V – Readmissão; VI – Reversão; VII – Aproveitamento.)

COMENTÁRIOS

Este artigo cuida das formas de provimento dos cargos públicos no âmbito da Administração Pública estadual, enumerando as oito hipóteses possíveis de seus provimentos. A palavra provimento significa preenchimento, ocupação, que, pelas hipóteses elencadas são possíveis se fazer na Administração estadual, ficando de fora a ascensão, hoje com vedação constitucional e reiteradas decisões do STF de não mais ser possível esse tipo de provimento de cargo público, ante a exigência constitucional do concurso público. Na promoção e na reintegração são as únicas investiduras em cargo público ou função gratificada da esfera estadual em que não se dará a posse, entendida esta como ato de investidura no cargo público ou função gratificada (cf.: art. 16) por tratar-se, no caso de promoção, de progressão funcional do servidor estável a uma posição que lhe assegure maior vencimento base, dentro da mesma categoria funcional, obedecidos os critérios de antiguidade e merecimento, alternadamente (v. art. 35); e na reintegração, por ser o reingresso do servidor na Administração Pública, decorrente de decisão administrativa ou sentença judicial transitada em julgado, com ressarcimento de prejuízos resultantes do afastamento (cf.: art. 40).

CAPÍTULO II Da Nomeação Seção I Das Formas de Nomeação

Art. 6º. A nomeação será feita:

I - em caráter efetivo, quando exigida a prévia habilitação em concurso público, para essa forma de provimento; II - em comissão, para cargo de livre nomeação e exoneração, declarado em lei.

Lei 749/53 – (Art. 12. A nomeação será:

I - vitalícia, somente nos casos previstos no artigo 187 da Constituição Federal; II - efetiva, quando se tratar de cargo isolado ou de carreira;

III - em comissão, para cargo isolado que a lei estabelecer assim deva ser provido;

IV - interina:

a) em substituição, no impedimento do ocupante efetivo de um cargo isolado;

b) em cargo vago da classe inicial de uma carreira ou cargo isolado, para o qual não

haja candidato legalmente habilitado. Parágrafo 1°. O provimento em caráter interino não excederá de dois anos, exceto no caso de substituição em cargo isolado, cujo ocupante esteja afastado por impedimento legal, ou quando abrindo-se concurso para o provimento do cargo, que o interino poderá ocupar até homologação do concurso.

§ 2°. O funcionário interino somente poderá exercer o cargo para o qual tenha sido nomeado.)

COMENTÁRIOS

Nomeação: é o provimento inicial, originário, primário ou autônomo, i. e., independentemente de relações anteriores entre o servidor e a Administração Pública. A nomeação para o cargo público geralmente materializa-se com a publicação do nome do agente no Diário Oficial do Estado para, em prazo determinado e certo, tomar posse, sob pena de desistência. Conforme a natureza do cargo a nomeação poderá ser em caráter efetivo ou em caráter comissionado, sendo a nomeação para os cargos efetivos precedida, obrigatoriamente, de concurso público cuja investidura dar-se-á perante a autoridade competente, prescindindo dessa formalidade os cargos comissionados declarados em lei de livre nomeação e exoneração (CF/88, art. 37, II), vedada a acumulação de mais de um cargo comissionado (cf.: P. ún. do art. 163).

Parágrafo único. A designação para o exercício de função gratificada recairá, exclusivamente, em servidor efetivo.

Lei 749/53 – (Art. 5°. Função gratificada é a instituída em lei para atender a encargos de chefia e outros que não justifiquem a criação de cargo, sendo o seu desempenho atribuído ao funcionário mediante ato expresso. Parágrafo único. A gratificação será percebida cumulativamente com o vencimento do cargo.)

COMENTÁRIOS

Como o exercício de função gratificada irá requerer o pagamento de gratificação por encargo de chefias e outros que a lei determinar (cf.: art. 144), veda-se aqui o exercício dessas funções por servidores contratados temporariamente e/ou celetistas colocados à disposição de outro órgão ou Poder, pois seria uma forma anômala de submissão de servidores efetivos a pessoas que não ocupem cargo e/ou sejam empregados na Administração Pública, sem vínculo permanente.

Art. 7º. Compete aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ao Ministério Público e aos Tribunais de Contas, na área de sua competência, prover, por ato singular, os cargos públicos.

Lei 749/53 – (Art. 10. Compete ao Chefe do Poder Executivo Estadual ou Municipal, conforme o caso, prover por decreto os cargos públicos, salvo as exceções previstas nas Constituições Federal e Estadual.)

COMENTÁRIOS

Mais uma vez aqui se verifica a ausência dos dirigentes das fundações e autarquias na competência para o provimento dos cargos de seus quadros de servidores, em contrariedade com a disposição da ementa desta Lei que dispõe sobre o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações Públicas do Estado do Pará. As competências para dar posse ao servidor estão delineadas no art. 19, desta Lei.

Art. 8º. O ato de provimento conterá, necessariamente, as seguintes indicações, sob pena de nulidade e responsabilidade de quem der a posse:

I - modalidade de provimento e nome completo do interessado; II - denominação do cargo e forma de nomeação; III - fundamento legal.

Lei 749/53 – (Art. 23. “Omissis”. Parágrafo único. A autoridade que der posse deverá verificar, sob pena de ser responsabilizada, se foram satisfeitos os requisitos previstos para a investidura do cargo ou função.)

Seção II Do Concurso

COMENTÁRIOS

A remissão feita aqui ao art. 4º desta Lei diz respeito à habilitação profissional de servidores para cujo exercício seja necessária a regulamentação da profissão. Celso Antônio Bandeira de Mello (Regime Constitucional dos Servidores da Administração Direta e Indireta, RT, 1ª Ed., 2ª tiragem, 1990, p. 34 e ss.) preleciona que: “O primeiro princípio constitucional atinente a generalidade dos servidores da Administração direta, indireta ou fundacional é o da acessibilidade aos cargos, empregos e funções públicas a todos os brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei (art. 37, I), mediante concurso público, de provas ou de provas e títulos, com ressalva das nomeações para cargo em comissão, declarados em lei, de livre nomeação e exoneração (art. 37, lI). A lei em causa será da entidade a que pertença o cargo, uma vez que União, Estados, Distrito Federal e Municípios legislam cada qual para os próprios serviços. Mesmo estes cargos em comissão e as funções de confiança, na conformidade do inciso V, do mesmo artigo, devem ser exercidos, preferencialmente, por servidores ocupantes de cargo de carreira técnica ou profissional, nos termos e condições previstos em lei. Isto é, por agentes que acederam por concurso quando de seu ingresso. Reforça-se nisto o propósito constitucional estampado nos incisos I e lI. Ante o teor do art. 37, "caput", evidencia-se, com luminosa clareza, que também empresas públicas, sociedades de economia mista e mesmo as fundações governamentais de direito privado estão assujeitadas à realização de concurso público para admissão de pessoal.”

Jurisprudência:

143857

SERVIDOR PÚBLICO - CARGO - ACESSO - CONCURSO PÚBLICO Com a promulgação da Carta Política em vigor, diferentemente da ordem anterior, passou-se a exigir o concurso público para investidura em qualquer cargo público - excetuando-se o retorno ao mesmo cargo, a reintegração e progressão funcional por antigüidade ou merecimento e promoção, proibindo-se, em conseqüência, ipso facto, toda e qualquer forma de provimento derivado em cargo diverso daquele no qual o servidor ingressou no serviço público ( STJ - Ac. unân. 2ª Turma, publicado em 28/03/94 - RMS 2.077-0-PR - Rel. Min. José de Jesus Filho).

Art. 9º. A investidura em cargo de provimento efetivo depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, observado o disposto no art. 4º desta lei 9 .

Lei 749/53 – (Art. 13. A primeira investidura em cargo de carreira e nos que a lei assim determinar, efetuar-se-á mediante concurso. Parágrafo único. A nomeação obedecerá a ordem de classificação dos habilitados em concurso.)

Art. 10. A aprovação em concurso público gera o direito à nomeação, respeitada a ordem de classificação dos candidatos habilitados. § 1º. Terá preferência para a ordem de classificação o candidato já pertencente ao serviço público estadual e, persistindo a igualdade, aquele que contar com maior tempo de serviço público ao Estado. § 2º. Se ocorrer empate de candidatos não pertencentes ao serviço público do Estado, decidir-se-á em favor do mais idoso.

Lei 749/53 – (Art. 13. “Omissis”. Parágrafo único. A nomeação obedecerá a ordem de classificação dos habilitados em concurso e deles será previamente exigida a prova hábil de seus antecedentes policiais e criminais.) obs.: Parágrafo com redação dada pelo Decreto-Lei nº 182/70, regulamentado pelo Decreto 7.037, de 08.05.70.

COMENTÁRIOS

Cármem Lúcia Antunes Rocha (Princípios Constitucionais dos Servidores Públicos, SP, Saraiva, 1999, p. 221 e ss.) ensina, ao tratar dos “Direitos e deveres decorrentes da aprovação em con- curso” que: “O concurso público produz efeitos jurídicos tanto para o candidato nele aprovado quanto para a entidade que o realizou. Os principais efeitos para a entidade pública são os limites que lhe advêm para o provimento, quais sejam, o que concerne ao seu irrestrito e obrigatório respeito à ordem de classificação dos aprovados para o provimento e de somente prover na ordem de realização e aprovação em concurso público (art. 37, IV). Questão de significativa importância e constante debate é a que se refere à existência de dever da entidade administrativa em prover o cargo público no prazo do concurso realizado. Ampla e majoritária corrente jurisprudencial impõe-se no sentido negativo daquele dever, argumentando existir para o candidato aprovado mera expectativa de direito 10 . O

9 V. art. 16

10 Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, em consonância com a pacífica jurisprudência dos Tribunais pátrios, vem decidindo que:

"ROMS 10058-MG. - Recurso em Mandado de Segurança. Concurso público. Magistério estadual. Aprovação. Nomeação. 1. Candidato aprovado em concurso público para provimento de cargo toma-se detentor de mera expectativa de direito à nomeação, como no caso, em que inexiste liquidez e certeza do direito. 2. Recurso ordinário a que se nega provimento" (ROMS 10058-MG, 6ª T., rel. Min. Anselmo Santiago, Dj, 7 dez. 1998, p. 113).

direito surgiria apenas quando da decisão administrativa de prover o cargo, oportunidade em que somente poderia ser investido o aprovado e, ainda, segundo a ordem classificatória do resultado homologado 11 . Em primeiro lugar, pondero quanto à noção de expectativa de direito, sobre o que, aliás,

já se enfatizou antes. Expectativa de direito é retórica, não é direito. O direito é ou não é,

existe ou não existe. A espera por alguma coisa com ela não se confunde, nem lhe dota de existência ou de importância no plano da realização concreta.

O que a jurisprudência e, inclusive, parcela ponderável e douta da doutrina jus-

administrativista observam efetivamente sobre a questão é que inexiste direito de candidato aprovado em concurso público a ser provido no cargo e, decorrência própria daí, nele

investido. O mais é discurso a amenizar a decepção e a frustração de candidatos aprovados

e que nunca são convocados para se investirem nos cargos para que se deu o certame,

porque a Administração competente pelo concurso, após a sua realização, decide não

prover os cargos.

O que se há de indagar e de se responder é: há dever da Administração Pública de

prover os cargos públicos quando para tanto tenha realizado concurso público no qual se tenha tido a aprovação de candidatos na forma exigida em lei e no regulamento do evento seletivo?

Para se responder a tal indagação, cumpre, antes, observar em que momento é a Administração Pública obrigada a se decidir pela oportunidade e conveniência objetivas do provimento para o qual se dá a realização do concurso e quais as obrigações e direitos daí nascidos. Dúvida não se põe, pois, quanto à reserva à entidade administrativa competente para averiguar e decidir sobre o momento (oportunidade) e a necessidade ou demanda (conveniência) a suprir pelo provimento do cargo público 12 .

É que o concurso público é meio, não fim; cuida-se ele tão-somente de instrumento

pelo qual a Administração Pública busca e encontra o melhor candidato ao desempenho das funções inerentes ao cargo a ser provido. Logo, o objetivo buscado administrativamente é o provimento.

O concurso faz-se mediante um convite à sociedade (especificamente àqueles de seus

membros que preencham os requisitos previstos em lei) para participar do certame, do qual

"ROMS 9749-MG - Administrativo. Concurso público. Nomeação. Expectativa de direito. Súmula 15 do STF. 1. Nos termos de incontroversa doutrina e jurisprudência, inclusive cristalizada na súmula 15-STF, o candidato aprovado em concurso público tem apenas expectativa de direito à nomeação, porquanto a Administração, em atenção a seu poder discricionário, nomeia quando entender conveniente e oportuno. O que não pode é, burlando a ordem de classificação, nomear candidato pior colocado em detrimento de outro melhor classificado. Precedentes da corte" (ROMS 9749-MG, 6ª T., rel. Min. Fernando Gonçalves, Dj, 19 out. 1998, p. 160). "ROMS 10009-MG Administrativo. Mandado de segurança. Concurso público. Candidatos aprovados. Quadro de magistério do Estado de Minas Gerais. Inexistência de vagas. Ausência de direito líquido e certo. - É incontroverso na doutrina e na jurisprudência o entendimento de que os candidatos aprovados em concurso público são

detentores de mera expectativa de direito, inexistindo qualquer lesão jurídica na hipótese em que, alterando o número de vagas no quadro de magistério estadual por força de reestruturações de competências, a Administração não nomeia nenhum candidato, nem

tampouco promove a realização de novo certame" (ROMS 10009-MG,

11 O Supremo Tribunal Federal sumulou o seu entendimento no sentido de que, "dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem direito à nomeação, quando o cargo for preenchido sem observância de classificação".

12 Note-se que a Administração Pública não tem qualquer dever de prover cargo vago. Nem de prover todos os cargos vagos em determinada carreira por um mesmo concurso. Ao contrário. Vem prevalecendo decisões administrativas que comprovam bem a inexistência daquele dever. Em primeiro lugar, porque compete à entidade administrativa verificar a conveniência de se proverem todos os cargos, vez que, segundo entendimento que vem merecendo acolhida, há uma carência, então, durante muitos anos, de realização de novos concursos que permitam a renovação de quadros com a introdução de pessoas novas no setor. Em segundo lugar, porque é atribuição da entidade igualmente identificar a necessidade do exercício imediato de servidores para todos os cargos vagos, o que pode ser redefinido. Como seria lima situação precária, não se teria hipótese de sua extinção, mas manutenção da vacância durante determinado período. Em terceiro lugar, porque a Administração pública pode não dispor de recursos, por exemplo, para os ônus que adviriam do provimento dos cargos, os quais, sem maiores embaraços sociais, poderiam ser mantidos vagos durante determinado período. Nesse sentido, cf. Decreto n. 2.798, de 8-10-1998.

rel Min. Vicente Leal, DJ. 9 nov. 1998, p. 178).

sairá o que melhor atende às demandas a serem atendidas pelo provimento do cargo posto em disputa. Parece, pois, indubitável que o momento no qual se dá o exercício discricionário da competência administrativa relativa ao provimento do cargo público é aquele no qual se delibera sobre a realização do evento.

A convocação lançada à sociedade mediante edital público vincula a Administração

Pública a seus termos, tal como vinculados a ele ficam os interessados em participar do

certame.

Por isso é que da realização do evento nascem deveres para a Administração Pública, como da aprovação nele obtida nascem deveres e direitos para o administrado. Não se há de imaginar, no limiar do século XXI, que a Administração Pública pode praticar atos absolutamente despojados de vínculos, inclusive jurídicos, com a sociedade e com os seus membros que acorreram a uma convocação pública. Não seria uma Administração de Direito (que é a que corresponde e que há de existir no Estado de Direito) nem seria uma Administração responsável, pois na concepção segundo a qual de seu comportamento não lhe adviria qualquer dever está-se a afirmar que ela poderia praticar atos e vincular administrados a seus intentos, mudar de opinião após o atendimento por eles dos comandos editados com todos os ônus que a eles correspondam, e não ter de responder por isso.

O administrado que acorre ao chamamento da Administração Pública para participar

do concurso fica sujeito a todas as normas que submetem o processo concursivo. Qualquer que seja o procedimento para ele estabelecido, qualquer que seja a obrigação legal nele posta ao cumprimento do candidato, haverá ele de obedecer. O administrado interessado haverá de ser responsável, correto e obediente aos termos das normas referentes ao evento. E a Administração não? Pode ela, então, ser irresponsável com relação aos partícipes? Pode ela decidir-se pelo provimento do cargo posto em disputa mediante concurso, valer-se de sua competência

para deliberar sobre a conveniência e a oportunidade do provimento, deflagrar o processo seletivo que envolve gastos (com pessoal, com material, com publicidade etc.) e que envolve resposta dos interessados que se submetem às provas, que se afastam, muitas vezes, de seus afazeres, quando não de seus trabalhos para se preparar para o certame, e depois singelamente mudar de idéia sem ter de responder por isso?

e,

posteriormente, decidir que não era bem isso o que ela desejava e considerava social e administrativamente necessário e melhor?

A ninguém ocorre que, se sobrevier, após a decisão administrativa relativa ao provimento de cargos públicos que conduzem a pessoa competente a determinar e aperfeiçoar o evento seletivo, fato ou conjunção nova a mudar a substância daquela primeira deliberação, haveria de prevalecer ou sequer que deveriam ser produzidos os efeitos que o concurso produziria em circunstâncias normais e inalteradas. O fundamento, então, para a mudança de direção da Administração Pública está em que o interesse público, superveniente e determinante, objetivamente dado a público (antes e quando da mudança de planos e cometimentos administrativos), não pode sujeitar-se ao interesse de particulares, nem mesmo daqueles que responderão satisfatoriamente à Administração Pública. Logo, o direito da sociedade, que se sobrepõe ao direito ou ao interesse do particular, é que determina a não-prevalência deste quando aquele sobrevier. Todavia, há de haver a superveniência de fatores determinantes da mudança de rumos administrativos para o atendimento do interesse público, pois, se nada houver entre a decisão de estabelecer-se o concurso e a sua realização e homologação, há, parece, o dever da Administração Pública de prover os cargos postos em disputa, ou seja, dar seqüência à sua deliberação encetada pelo processo concursivo.

O mais seria aceitar a Administração Pública irresponsável, quando o que se exige, até

Quer-se

dizer

que

a

Administração

pode

deliberar

sobre

o

provimento

mesmo do administrado, é conseqüência e seriedade no trato da coisa pública e, mesmo, na aspiração de participar de sua gestão na qualidade de servidor. O administrado tem o direito de disputar o cargo ou emprego público, desde que atenda às exigências previstas para cada caso, sendo de assinalar deverem elas ser, pela mesma circunstância de se darem a cumprimento de todos os interessados, claras, precisas e exaustivas, uma vez que, no certame público, tudo que não foi, expressamente, exigido como condição ou requisito não pode ser pleiteado do candidato.”

Art. 11. A instrumentação e execução dos concursos serão centralizadas na Secretaria de Estado de Administração, no âmbito do Poder Executivo, e nos órgãos competentes dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público, e dos Tribunais de Contas. § 1º. O conteúdo programático, para preenchimento de cargo técnico de nível superior poderá ser elaborado pelo órgão solicitante do concurso. § 2º. O concurso público será realizado,

preferencialmente, na sede do Município, ou na região onde

o cargo será provido. § 3º. Fica assegurada a fiscalização do concurso público, em todas as suas fases, pelas entidades sindicais representativas de servidores públicos.

Art. 12. As provas serão avaliadas na escala de zero a dez pontos, e aos títulos, quando afins, serão atribuídos, no máximo, cinco pontos. Parágrafo único. As provas de título, quando constante do Edital, terão caráter meramente classificatório.

Art. 13. O Edital do concurso disciplinará os requisitos para a inscrição, o processo de realização, os

critérios de classificação, o número de vagas, os recursos e

a homologação.

Art. 14. Na realização dos concursos, serão adotadas as seguintes normas gerais:

I - não se publicará edital, na vigência do prazo de validade de concurso anterior, para o mesmo cargo, se ainda houver candidato aprovado e não convocado para a

investidura, ou enquanto houver servidor de igual categoria em disponibilidade; II - poderão inscrever-se candidatos até 69 (sessenta e nove) anos de idade;

COMENTÁRIOS

O inciso II deste artigo contaria expressamente a vedação contida no art. 7º, inciso

XXX, da CF/88, com relação à admissão por motivo de idade, podendo o edital (ou a lei, em casos dessa natureza) fazê-lo de modo razoável, não sendo motivo de exigência etária a admissão para cargos (ou empregos) que não se coadunem com a permanência no serviço público e/ou emprego de que trata o art. 40, §1º, II, e III,

da CF/88, i.é., no mínimo, dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco

anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria. O candidato inscrito, que tenha 69 anos de idade, se aprovado, obterá o direito subjetivo de aposentar-se compulsoriamente aos 70 anos de idade, ou seja, um ano após a sua inscrição, mesmo que não tenha tempo de contribuição previdenciária a outros regimes. [V. Tb. A Lei 9.029, de 1995 (proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização para efeitos admissionais)].

JURISPRUDÊNCIA:

75295

CONCURSO PÚBLICO - LIMITE DE IDADE

- A Constituição veda, expressamente, no inciso XXX, do art. 7º, aplicável aos servidores públicos, ex vi do § 2º do art. 39, toda e qualquer discriminação, em razão da idade, para o ingresso em cargo público da administração direta, autárquica ou fundacional, ressalvadas as exceções por ela própria estabelecidas. (TJ-SC - Ac. unân. da 3ª Câm. Civ. publ., na JC 72/131 - AMS 4.690 - Rel. Des. Wilson Guarany - Impte. Elvira Floriano Guapiano).

RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 184835-9 RELATOR: MIN. CARLOS VELLOSO EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. CONCURSO PÚBLICO. LIMITE DE IDADE. TÉCNICO DO TESOURO NACIONAL. CF., art. 7º, XXX, art. 39, § 2º.

I. - Pode a lei, desde que o faça de modo razoável, estabelecer limites mínimo e máximo de idade para

ingresso em funções, emprego e cargos públicos. Interpretação harmônica dos artigos 7º, XXX, 39, § 2º, 37, I, da

Constituição Federal.

II. - O limite de idade, no caso, para inscrição em concurso público e ingresso na carreira de Auditor Fiscal

do Tesouro Nacional, não se assenta em exigência etária ditada pela natureza das funções do cargo, dado que o

edital excetua da discriminação os ocupantes de cargo ou emprego da Administração Federal Direta e Autarquias. A limitação, portanto, é ofensiva à Constituição, art. 7º, XXX, “ex vi” do art. 39, § 2º.

III. - Precedentes do STF: RMS 21.033-DF, RTJ 135/958; RMS 21.046; RE 156.404-BA; RE 157.863-DF;

RE 175.548-AC; RE 136.237-AC; RE 146.934-PR; RE 156.972-PA.

IV. - RE não conhecido.

63392

CONCURSO PÚBLICO - FISCAL TRIBUTÁRIO - LIMITE DE IDADE

- A lei não pode estabelecer para a investidura em cargo público limite máximo de idade, a não ser de 70 anos e

naqueles casos previstos pela Constituição Federal. Medida Cautelar Procedente (STJ - Ac. unân., da 1ª T., publ. em 16-08-93 - Pet. 267-2-RS - Rel. Min. Garcia Vieira - Ângelo Alberto Vieiro x Estado do Rio Grande do Sul)

63864

CONCURSO PÚBLICO - LIMITAÇÃO DE IDADE

- A lei não pode estabelecer para a investidura em cargo público limite máximo de idade, a não ser de 70 anos e

naqueles casos previstos pela própria Constituição, que não deixou ao legislador ordinário margem de fixar limite

máximo de idade para acesso a cargo público. Pedido procedente (STJ - Ac. unân., da 1ª T. publ., em 21-06-93 - Pet. 269-6-RS - Rel. Min. Garcia Vieira - Laerte Frederico Leucke x Estado do Rio Grande do Sul)

68578

CONCURSO PÚBLICO - MAGISTÉRIO MUNICIPAL - LIMITAÇÃO INCONSTITUCIONAL DE IDADE

- A imposição de limite de idade para inscrição de concurso para ingresso no Serviço Público é inadmissível, por ser incompatível com as disposições contidas na novel Carta Magna. Recurso não conhecido (STJ - Ac unân. da 2ª T., publ. em 28-11-94 - REsp 16.730-0-RS - Rel. Min. José de Jesus - Município de Porto Alegre x Vilma de Almeida Moreira)

68877

CONCURSO PÚBLICO -

ARQUITETO

LIMITE DE IDADE -

FUNÇÃO QUE NÃO EXIGE ESFORÇO -

ADMISSÃO DE

- À evidência, cabe à lei ordinária fixar, em princípio, os limites - mínimo e máximo - para inscrição em cargo público. Essa limitação etária, todavia, deve-se lastrear numa certa razoabilidade de acôrdo com a exigência do serviço, sob pena de resvalar para um autêntico abusus legis , configurando discriminação pela idade, o que é defeso pela Constituição Federal - arts. 7º, XXX, e 37, I. No caso concreto, o cargo de arquiteto não exige grande esforço físico de seu ocupante. Precedentes do STJ. Recurso ordinário conhecido e provido (STJ - Ac. da 6ª T., publ. em 20-2-95

- RMS 2.341-2-RS- Rel. Min. Adhemar Maciel - Vera Lúcia Menezes Soares x Estado do Rio Grande do Sul ) Nota: A impetrante, por ter 44 anos de idade, foi impedida de inscrever-se em concurso público para o cargo de arquiteto: a Lei estadual 7.357, de 1980, fixou como limite máximo a idade de 40 anos.

72086

CONCURSO PÚBLICO - IDADE LIMITE

- Não contraria a Carta de 1988 regra contida em legislação local no sentido de afastar-se o limite de idade quanto àqueles que já sejam servidores públicos. A rigor, por força do disposto no inciso XXX do art. 5º, aplicável aos servidores públicos em virtude da remissão inserta no § 2º do art. 39, ambos da Carta de 1988, descabe, sem justificativa socialmente aceitável, impor o limite, quer se trate de servidor ou mesmo cidadão, que não mantenha qualquer vínculo com o serviço público. (STF - Ac. unân. em Ses. Plen., publ. em 19-10-95 - AG-AI 153.669-2-RS - Rel. Min. Marco Aurélio - Estado do Rio Grande do Sul x Agnis Rich Akui)

CONCURSO PÚBLICO - LIMITE DE IDADE - INCONSTITUCIONALIDADE

- Não é possível limitar-se a inscrição de servidores em concurso público, para preenchimento de cargos da Administração Pública Civil, por motivo de idade.

- As únicas limitações admissíveis, na espécie, são as inseridas na Constituição Federal. (STJ - REsp n. 9.889 - Rel. Min Peçanha Martins - RDA 191:143)

73822

CONCURSO PÚBLICO - IDADE LIMITE

- A teor do disposto no inc. XXX do art. 7º, aplicável aos servidores públicos em razão do § 2º do art. 39, ambos da

Constituição Federal de 1988, descabe impor critério de admissão por motivo de idade. Somente em casos excepcionais em que a exigência decorra das atribuições do próprio cargo é possível cogitar-se da valia do limite de

idade para inscrição no concurso público. (STF - Ac. unân, da 2ª T., publ. em 14-3-96 - AG-RE 141.864-9-RS - Rel. Min. Marco Aurélio - Estado do Rio Grande do Sul x Clair Gonçalves Lopes).

75295

CONCURSO PÚBLICO - LIMITE DE IDADE

- A Constituição veda, expressamente, no inciso XXX, do art. 7º, aplicável aos servidores públicos, ex vi do § 2º do

art. 39, toda e qualquer discriminação, em razão da idade, para o ingresso em cargo público da administração direta, autárquica ou fundacional, ressalvadas as exceções por ela própria estabelecidas. (TJ-SC - Ac. unân. da 3ª

Câm. Civ. publ., na JC 72/131 - AMS 4.690 - Rel. Des. Wilson Guarany - Impte. Elvira Floriano Guapiano).

Lei 749/53 – (Art. 19. Os limites de idade para inscrição em concurso serão fixados no ato que determinar a abertura do mesmo. Parágrafo único. Não estão sujeitos ao limite de idade os ocupantes interinos do cargo submetido a concurso, nem os funcionários efetivos de outros cargos públicos.)

III - Os concursos terão a validade de até dois anos, a contar da publicação da homologação do resultado, no Diário Oficial, prorrogável expressamente uma única vez por igual período.

*Inciso com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

dos

IV

Comprovação,

no

ato

da

-

posse,

requisitos previstos no edital.

* Inciso acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

um representante do

Sindicato dos Trabalhadores ou de Conselho Regional de Classe das categorias afins na comissão organizadora do concurso público ou processo seletivo.

V

participação

de

-

* Inciso acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

§ 1º Será publicada lista geral de classificação contendo todos os candidatos aprovados e, paralela e concomitantemente, lista própria para os candidatos que concorreram às vagas reservadas aos deficientes.

* Parágrafo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

§ 2º Os candidatos com deficiência aprovados e incluídos na lista reservada aos deficientes serão chamados e convocados alternadamente a cada convocação de um dos candidatos chamados da lista geral até preenchimento do percentual reservado às pessoas com deficiência no edital do concurso.

* Parágrafo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

§

Equipe

multiprofissional

avaliará

a

compatibilidade entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato durante o estágio probatório.

* Parágrafo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

IV - comprovação, requisitos previstos no Edital.

no

ato

da

inscrição, dos

JURISPRUDÊNCIA:

68183

CONCURSO PÚBLICO - ANULAÇÃO DO CERTAME - NOMEAÇÃO DOS APROVADOS - DEMISSÃO SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL

- O princípio de que a Administração pode anular ou revogar os seus atos quando eivados de irregularidades não inclui o desfazimento de situações constituídas com aparência de legalidade, sem observância do devido processo legal e ampla defesa. A desconstituição de ato de nomeação de servidor provido mediante a realização de concurso público devidamente homologado pela autoridade competente impõe a formalização de procedimento administrativo, em que se assegure ao funcionário demitido o amplo direito de defesa. O concurso público não pode ser anulado com o conseqüente afastamento de servidores em estágio probatório, com evidente ofensa ao direito adquirido. Recurso ordinário provido (STJ - Ac. unân. da 1ª T., publ. em 14-11-94 - RMS 257-0-MA - Rel. Min. Demócrito Reinaldo - Maria da Conceição Souza Falcão x Estado do Maranhão)

75294

CONCURSO PÚBLICO - PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE - REVOGAÇÃO DO ATO -

IMPOSSIBILIDADE.

- O princípio de que a Administração pode revogar seus próprios atos, por motivo de conveniência ou oportunidade, encontra empeços diante da ocorrência de certas circunstâncias, entre elas a situação jurídica definitivamente constituída e o direito adquirido. A Administração ao prorrogar o prazo de validade de concurso público, no uso de sua faculdade discricionária não mais pode revogar o ato, porquanto transformou em direito a expectativa dos candidatos aprovados. (STJ - Ac. unân. da 3ª Seç., publ. em 24- 6-96 - MS 4.288-DF - Rel. Min. William Patterson - Maria Abadia Alves x Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado). Nota COAD: Miguel Reale (in "Revogação e Anulamento do Ato Administrativo", p. 81/82) ensina que: "Não é dito, porém, que, por tratar-se de revogação ou de reconsideração do ato, possa a discricionariedade converter-se em arbítrio de tal forma que à administração seja lícito, a seu talante e indefinidamente. autorizar, permitir, restringir, condicionar e suspender o exercício de determinados direitos por ela mesmo atribuídos. O eminente Zanobini situa a questão com admirável segurança nestes termos: "A revogação, como meio de autotutela, baseia-se igualmente em uma nova apreciação dos fatos

do

interesse público, mas tal apreciação só vale para justificá-la quando a diferença entre o que foi feito e

o

que teria sido oportuno fazer é tão relevante a ponto de constituir um vício de provimento

(provvedimento). Isto tem a vantagem de excluir que a revogação possa ter uma aplicação indefinida e arbitrária." E acrescenta: "A revogabilidade, embora considerada comumente própria de todos os atos administrativos, encontra uma série de limites, resultantes do dever que, às vezes, incumbe à Administração de respeitar as situações jurídicas que o ato houver constituído a favor de outros sujeitos."

i ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL ÍNTEGRA SERVIDOR PÚBLICO - CONCURSO INTERNO - INCONSTITUCIONALIDADE

145995

Ementa

- A realização de concurso interno viola o disposto no artigo 37, inciso II, da Carta Magna, pois representa uma velada forma de "aproveitamento" de funcionários, sem que necessitem passar pelo crivo do concurso público de provas ou de provas e títulos, a todos franqueados, sem distinção de prerrogativas funcionais. (TJ-GO - Ap. Cív. em MS 32.157-1/188) (Boletim Informatizado ADCOAS Nº 2/95)

Art. 15. A administração proporcionará aos portadores de deficiência condições para a participação em concurso de provas ou de provas e títulos 13 . Parágrafo único. Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de inscrever-se em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras, às quais serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso 14 .

Seção III

Da Posse

Art. 16. Posse é o ato de investidura em cargo público ou função gratificada 15 . Parágrafo único. Não haverá posse nos casos de promoção e reintegração.

Lei 749/53 – (Art. 22. Posse é o ato de investidura em cargo público ou função gratificada. Parágrafo único. Não haverá posse nos casos de promoção e reintegração.)

JURISPRUDÊNCIA:

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

142288

CARGO PÚBLICO - INVESTIDURA - PRESSUPOSTO.

- A norma do art. 37, II, da CF/88 exige a prestação prévia de concurso público para a investidura em

cargo público, exigência que, ressalvados os cargos organizados em classes ou série de classes, bem como os de provimento não efetivo - cargos de confiança -, abrange tanto a primeira investidura, como qualquer outra que vier a determinar a alteração substancial da natureza das atribuições próprias de quem já é detentor de outro cargo público (STJ - Ac. unân. da 2ª T. publ. em 6-9-93 - MS 847-0-RJ - Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro).

Nota ADCOAS: Extrai-se do voto do Relator: "A norma constitucional terminou com as distorções que vinham sendo causadas anteriormente, em virtude dos provimentos de cargos públicos, decorrentes de desvio de função, e, nestas condições, considero que bem andou o acórdão recorrido em denegar a

13 V. art. 18

14 V. art. 18

15 V. art. 20

ordem impetrada, uma vez que os impetrantes - escreventes e detetives da Polícia Civil - não poderiam validamente obter transposição para o cargo de Médico Policial, de atribuições legais completamente distintas, sem a prévia prestação de concurso público, como exigido no art. 37, II, da CF/88."

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

143279

CARGO OU EMPREGO PÚBLICO - INVESTIDURA - READMISSÃO - INADMISSIBILIDADE

Não só a primeira, mas toda e qualquer investidura em cargo ou emprego público depende sempre de concurso público, não sendo mais admitida por meio de readmissão pura e simples, ainda que com os requisitos da legislação local anterior à atual Constituição Federal, ex-vi do art. 37, II, da Carta Magna (TJ-PR - Ac. unân. 2.182 do 1º Gr. de Câms. Cívs. julg. em 19-8-93 - MS 26.803-1-Capital - Rel. Des. Nunes do Nascimento).

Art. 17. São requisitos cumulativos para a posse em cargo público:

I - ser brasileiro, nos termos da Constituição 16 ; II - ter completado 18 (dezoito) anos; III - estar em pleno exercício dos direitos políticos 17 ; IV - ser julgado apto em inspeção de saúde realizada em órgão médico oficial do Estado do Pará; V - possuir a escolaridade exigida para o exercício do cargo 18 ; VI - declarar expressamente o exercício ou não de cargo, emprego ou função pública nos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual, Federal ou Municipal, para fins de verificação do acúmulo de cargos. 19 ;

*Inciso com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

VII - a quitação com as obrigações eleitorais e

militares;

VIII - não haver sofrido sanção impeditiva do exercício de cargo público 20 .

Lei 749/53 – (Art. 23. Só poderá ser empossado em cargo público quem satisfizer os seguintes requisitos:

I - ser brasileiro

16 V. art. 12, CF/88

17 V. art. 14, CF/88

18 V. art. 4

19 V. art. 178, I, VII, VIII e IX

20 cf.: art. 15, V e art. 37, § 4, CF/88

II

- ter completado 18 anos de idade;

III - estar em gozo dos direitos políticos;

IV - estar quite com as obrigações militares;

V - ter bom procedimento;

VI - gozar boa saúde, comprovado em inspeção médica;

VII - possuir aptidão para o exercício da função;

VIII - atender as condições para o provimento do cargo, prescritas em lei, inclusive as condições especiais para determinado cargo ou carreira.

autoridade que der posse deverá verificar, sob pena de ser

responsabilizada, se foram satisfeitos os requisitos previstos para a investidura do cargo ou função.)

Parágrafo

único.

A

A compatibilidade das pessoas

portadoras de deficiência, de que trata o art. 15, parágrafo único, será declarada por junta especial, constituída por

médicos especializados na área da deficiência diagnosticada.

Art.

18.

Parágrafo

único.

Caso

o

candidato

seja

considerado inapto para o exercício do cargo, perde o

direito à nomeação.

* Parágrafo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Art. 19. São competentes para dar posse:

I - No Poder Executivo:

a) o Governador, aos nomeados para cargos de Direção ou Assessoramento que lhe sejam diretamente subordinados; b) os Secretários de Estado e dirigentes de Autarquias e Fundações, ou a quem seja delegada competência, aos nomeados para os respectivos órgãos, inclusive colegiados; II - no Poder Legislativo, no Poder Judiciário, no Ministério Público e nos Tribunais de Contas, conforme dispuser a legislação específica de cada Poder ou órgão.

Art. 24. São competentes para dar posse:

I - O Chefe do Executivo aos Secretários de Estado ou Secretário Municipal, conforme o caso, e aos dirigentes dos órgãos que lhes são diretamente subordinados.

II - O Secretário de Estado do Interior e Justiça, Procurador Geral do Ministério Público e

Auditor da Justiça Militar. lI! - Os Secretários de Estado e os Secretários Municipais aos Diretores dos Departamentos que lhes são subordinados.

IV - o Procurador Geral aos membros do Ministério Público.

V - os Diretores de Departamentos aos Chefes de Serviço que lhes forem subordinados.

VI - os Chefes de Serviço aos demais funcionários.

Art. 20. O ato de posse será transcrito em livro especial, assinado pela autoridade competente e pelo servidor empossado. Parágrafo único. Em casos especiais, a critério da autoridade competente, a posse poderá ser tomada por procuração específica.

Art. 21. A autoridade que der posse verificará, sob pena de responsabilidade, se foram observados os requisitos legais para a investidura no cargo ou função.

Lei 749/53 – (Art. 23. “Omissis”. Parágrafo único. A autoridade que der posse deverá verificar, sob pena de ser responsabilizada, se foram satisfeitos os requisitos previstos para a investidura do cargo ou função.)

Art. 22. A posse ocorrerá no prazo de trinta dias, contados da publicação do ato de provimento no Diário Oficial do Estado. § 1º O prazo para a posse poderá ser prorrogado por mais quinze dias, em existindo necessidade comprovada para o preenchimento dos requisitos para posse, conforme juízo da Administração.

*Parágrafo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Lei 749/53 – (Art. 26. A posse terá lugar no prazo de trinta dias, a contar da publicação do ato no órgão oficial. Parágrafo único. Será tornada sem efeito a nomeação, se a posse não se verificar no prazo estabelecido neste artigo, salvo requerimento do interessado pedindo prorrogação que poderá ser concedida, se justificada, pelo prazo máximo de trinta dias.)

§ 2º. O prazo do servidor em férias, licença, ou afastado por qualquer outro motivo legal, será contado do término do impedimento 21 . § 3º. Se a posse não se concretizar dentro do prazo, o ato de provimento será tornado sem efeito. § 4º. No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituam seu

21 V. arts. 74 e 77

patrimônio, e declaração quanto ao exercício, ou não, de outro cargo, emprego ou função pública 22 .

Art. 22-A. Ao interessado é permitida a renúncia da posse, no prazo legal, sendo-lhe garantida a última colocação dentre os classificados no correspondente concurso público.

* Artigo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Seção IV Do Exercício

Art. 23. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições e responsabilidades do cargo 23 .

Art. 24. Compete ao titular do órgão para onde for nomeado o servidor, dar-lhe exercício.

Art. 25. O exercício do cargo terá início dentro do prazo de trinta dias, contados:

I - da data da posse, no caso de nomeação; II - da data da publicação oficial do ato, nos demais casos. § 1º Os prazos poderão ser prorrogados por mais quinze dias, em existindo necessidade comprovada para o preenchimento dos requisitos para posse, conforme juízo da Administração.

*Parágrafo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

§ 2º. Será exonerado o servidor empossado que não entrar em exercício nos prazos previstos neste artigo 24 .

Lei 749/53 – (Art. 31. O exercício do cargo ou função começará dentro do prazo de trinta dias, a contar da data da posse, nos casos de nomeação, e da data da publicação oficial do ato nos demais casos. §1º. O funcionário transferido, removido ou licenciado, terá trinta dias, a contar do término do impedimento para reentrar no exercício. §2º. O prazo deste artigo poderá ser prorrogado até o máximo de trinta dias, a requerimento do interessado. Art. 32. O funcionário que não entrar no exercício dentro do prazo previsto no artigo

22 V. art. 73

23 V. art. 72

24 V. art. 59, Parágrafo Único, II

anterior será demitido do cargo ou função.)

Art. 26. O servidor poderá ausentar-se do Estado, para estudo, ou missão de qualquer natureza, com ou sem vencimento, mediante prévia autorização ou designação do titular do órgão em que servir 25 .

Art. 27. O servidor autorizado a afastar-se para estudo em área do interesse do serviço público, fora do Estado do Pará, com ônus para os cofres do Estado, deverá, seqüentemente, prestar serviço, por igual período, ao Estado 26 .

Lei 749/53- (Art. 37. Nenhum funcionário poderá ausentar-se do Estado, para estudo ou missão de qualquer natureza, sem autorização ou designação expressa do Chefe do Executivo.)

Art. 28.O afastamento do servidor para participação em congressos e outros eventos culturais, esportivos, técnicos e científicos será estabelecido em regulamento 27 .

Art. 29. O servidor preso em flagrante, pronunciado por crime comum, ou denunciado por crime administrativo, ou condenado por crime inafiançável, será afastado do exercício do cargo, até sentença final transitada em julgado 28 . § 1º Durante o afastamento, o servidor perceberá dois terços da remuneração, excluídas as vantagens devidas em razão do efetivo exercício do cargo, tendo direito à diferença, se absolvido.

*Parágrafo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

§ 2º Em caso de condenação criminal, transitada em julgado, não determinante da demissão, continuará o servidor afastado até o cumprimento total da pena, com direito a um terço do vencimento ou remuneração, excluídas as vantagens devidas em razão do efetivo

25 V. art. 72, VII

26 V. art. 72, VII

27 V. art. 72, X

28 V. arts. 72, VIII; 181, 182 e 190, § 1

exercício do cargo 29 .

*Parágrafo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Lei 749/53 – (Art. 38. Preso preventivamente em flagrante delito, pronunciado em crime comum, ou denunciado por crime funcional ou condenado por crime inafiançável em processo no qual não haja pronúncia, o funcionário será afastado do exercício, até a decisão passada em julgado. § 1º. Durante o afastamento, o funcionário perderá, 1/3 (um terço) do vencimento, tendo direito a diferença se no final, for absolvido. § 2º. No caso de condenação, se esta não for de, natureza que determine a demissão do funcionário. continuará mesmo afastado até o cumprimento total da pena, com direito, apenas, a um terço 1/3) do vencimento.)

Art. 30. Ao servidor da administração direta, das autarquias e das fundações públicas ou dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas, diplomado para o exercício de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, aplica-se o disposto no Título III, Capítulo V, Seção VII, desta lei 30 .

Art. 31. O servidor no exercício de cargo de provimento efetivo, mediante a sua concordância, poderá ser colocado à disposição de qualquer órgão da administração direta ou indireta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com ou sem ônus para o Estado do Pará, desde que observada a reciprocidade 31 .

Lei 749/53 – (Art. 50. O funcionário poderá ser transferido:

I - a pedido, atendida a conveniência do serviço.

II - "ex-offício", no interesse da administração.

Art. 51. A transferência só poderá ser feita:

I - de um cargo de carreira para outro isolado de provimento efetivo, a pedido escrito do funcionário.

II - de um cargo isolado de provimento efetivo para outro da mesma natureza.

III - de uma para outra carreira e denominação diversa. Parágrafo único. Nas hipóteses dos números I o III a transferência fica condicionada à habilitação em concurso, na forma desta lei. Art. 52. A transferência e a remoção ex-offício de funcionários efetivos e estáveis só poderão ser feitas por motivo de conveniência de serviço público declarado no ato. Art. 53. O funcionário transferido ou removido "ex-offício", se julgar improcedente o motivo alegado pelo Poder Público, poderá impugnar o ato e submeter à apreciação do Poder Judiciário. Art. 54. O funcionário transferido ou removido compulsoriamente não poderá perceber remuneração inferior a que percebia, por qualquer título no cargo anterior, Parágrafo único. Não se incluem na remuneração, para os fins previstos neste artigo,

29 V. art., 72, VIII

30 V. arts. 38, § 2; 72, IX; 94, Parágrafo Único e 95

31 V. art. 72, V

quaisquer percentagens pagas a qualquer título ao funcionário. (*) Parágrafo com redação dada pela Lei n. 3.368, de 27.09. 1965. Art. 55. A transferência será obrigatoriamente para cargo de igual vencimento ou remuneração. Art. 56. O interstício para a transferência ou a remoção será de 365 dias na classe ou no cargo isolado. Art. 57. A remoção far-se-á, respeitada a lotação de cada Repartição ou Serviço, a pedido do funcionário ou "ex-offício", e somente:

I - de uma para outra Repartição ou Serviço; II - de uma para outra Secretaria de Estado. Art. 58. É permitida a permuta entre dois funcionários, mediante solicitação escrita de ambos os interessados, a critério do Chefe do Executivo. Art. 59. O funcionário interino não poderá ser removido nem transferido. Art. 60. Compete ao Departamento do Pessoal emitir parecer sobre a transferência, remoção e permuta e submetê-la ao julgamento do Chefe do Poder Executivo.

Lei 749/53 (Art. 6°. “Omissis”. Parágrafo único. É vedado atribuir-se ao funcionário encargos ou serviços diferentes dos próprios do seu cargo. Parágrafo único. É vedado atribuir-se ao funcionário encargos ou serviços diferentes dos próprios do seu cargo, sem prejuízo da existência de função gratificada, prevista no artigo anterior, e do exercício de atribuições peculiares aos membros de órgãos de deliberação coletiva, como o Conselho Estadual do Serviço Social, o Conselho Educacional e outros.

JURISPRUDÊNCIA:

DESVIO DE FUNÇÃO

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

146605

SERVIDOR PÚBLICO - DESVIO DE FUNÇÃO - EFEITO - A Lei 8.112/90 veda, no seu art. 117, XVII, que sejam conferidas ao servidor público atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias. Não se caracterizando as situações excepcionais suso referidas, o comprovado exercício de fato de atribuições diversas àquelas inerentes ao cargo do servidor garante-lhe o recebimento das diferenças vencimentais (TRF - 5ª R. - Ac. unân. da 3ª T., julg. em 23-6-94 - Ap. Cív. 46.831-CE - Rel. Juiz Ridalvo Costa)

Seção V Do Estágio Probatório 32

Art. 32. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para o cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de três anos, durante os quais a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguintes fatores:

*Artigo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

I - assiduidade; II - disciplina;

32 Sobre estágio probatório v. Decreto do Executivo n. 1945, de 13.12.2005, nº 30.59, de 14.12.2005; e sobre estágio probatório na Assembléia Legislativa v. Ato da Mesa nº 81/2007-MD-AL (DOAL n. 1162, de 27/07 a 03/08/2007.

III - capacidade de iniciativa; IV - produtividade; V - responsabilidade. § 1º. Quatro meses antes de findo o período do estágio probatório, será submetida à homologação da autoridade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada de acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento do sistema de carreira, sem prejuízo da continuidade de apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V deste Artigo. § 2º. O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado, observado o devido processo legal 33 .

§ 3º O disposto no “caput” deste artigo não se aplica aos servidores que já tenham entrado em exercício na data de publicação desta Lei, que se sujeitam ao regime anterior.

*Parágrafo acrescido pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Lei 749/53 - (Art. 14. Estágio probatório é o período de dois anos de efetivo exercício do funcionário nomeado por concurso e de cinco anos para os demais casos, findo o qual. o funcionário é considerado estável. §1º. Durante o estágio serão apurados os seguintes requisitos:

a) idoneidade moral

b) assiduidade

c) disciplina

d) eficiência.

§2º O diretor de repartição ou serviço em que sirva o funcionário sujeito ao estágio probatório, noventa dias antes da terminação deste, informará reservadamente ao Departamento do Pessoal e apurado sobre o funcionário. tendo em vista os requisitos enumerados no parágrafo anterior. §3°. O Departamento do Pessoal, em parecer escrito, opinará sobre o mérito do estagiário em relação a cada um dos requisitos. Desse parecer, se contrário ao funcionário, será dado vista ao mesmo pelo prazo de dez dias. §4°. O parecer e a defesa serão julgados pelo Secretário de Estado ou Secretário Municipal. conforme o caso, que, se decidir contrário ao funcionário, proporá ao Chefe do Executivo a exoneração do mesmo. §5°. Se o julgamento for favorável à permanência do funcionário, a confirmação não dependerá de qualquer novo ato. §6°. A apuração dos requisitos será processada em tempo tal que a exoneração possa ser lavrada antes do término do estágio probativo, em caso de decisão adversa ao funcionário.

Art. 33. O término do estágio probatório importa no reconhecimento da estabilidade de ofício 34 .

33 V. art. 59, Parágrafo Único, I

34 cf.: art. 19, ADCT, CF/88

Art. 34. O servidor estável aprovado em outro concurso público fica sujeito a estágio probatório no novo cargo 35 .

Parágrafo único. Ficará dispensado do estágio probatório o servidor que tiver exercido o mesmo cargo público em que já tenha sido avaliado.

*Parágrafo com redação dada pela Lei nº 7.071, de 24 de dezembro de 2007 (DOE nº 31.076, de 28-12-2007).

Lei 749/53 – (Art. 15. Não fica sujeito a novo estágio a pessoa nomeada, quando já for ocupante de cargo público e tiver concluído um estágio probatório, a não ser em cargos idênticos. Art. 16. Para efeito do estágio probatório será contado o tempo de interinidade num mesmo cargo, ou o tempo de serviço prestado em outros cargos de provimento efetivo, desde que não tenha havido solução de continuidade, e que se trate de acesso por promoção ou de cargos isolados de idêntica natureza.)

COMENTÁRIOS:

O Art. 41 e seus §§, da CF/88, c/ redação dada pela EC 19/98 (DOU de 4-6-98), dilatou para três anos a efetividade no cargo após o estágio probatório que permanece sendo de 2 (dois) anos. A redação do artigo ficou assim enunciada:

“Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (cf.: art. 19, do ADCT)

§ 1º. O servidor público estável só perderá o cargo: (v. art. 5º, LV)

I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado; II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; III – mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. § 2º. Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem

direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.

§ 3º. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em

disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.

§ 4º. Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.”

No mesmo sentido a CE/89, em seu art. 40, com o acréscimo do § 5º, com a seguinte

redação:

§ 5º. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.

Não há dissociação do estágio probatório e da efetividade do servidor no cargo para o qual foi admitido e nem da estabilidade no serviço publico.

V. arts. 67 a 69

35 V. art. 57, I

V. inconstitucionalidade frente ao art. 40, § 4, CE/89

Comentando o dispositivo constitucional reescrito pela Emenda 19, de 1998, quase contemporaneamente à sua promulgação, acentuou a Professora ARICIA FERNANDES CORREIA:

“A

reforma administrativa reforça acentuadamente o caráter meritório do estágio

do

servidor público pela obrigatoriedade de sua avaliação especial de desempenho

como premissa inafastável à sua virtual estabilização no serviço público, impondo,

de forma explícita, ao legislador infraconstitucional e ao administrador público

tarefa que, implicitamente, pela própria natureza do instituto do estágio probatório, já se lhe exigia o parlamentar constitucional originário: de que só fosse

confirmado o estagiário se provada, pelo tempo pré-fixado, sua aptidão”. 36

Os três institutos são analisados conjuntamente pelo que dispõe o texto constitucional.

Nesse sentido, também trouxemos à colação lição do Professor Paulo Modesto 37 publicado na Revista Diálogo Jurídico, nº 12, março de 2006, ao discorrer sobre “Estágio Probatório: Questões Controversas”.

Preleciona o citado Mestre:

“CARACTERIZAÇÃO

PROBATÓRIO

E

ALCANCE

DO

CONCEITO

DE

ESTÁGIO

a) Estágio Probatório: situação jurídica funcional e processo administrativo

O estágio probatório não é simples lapso de tempo. Na verdade, o estágio

probatório merece ser caracterizado, por um lado, como um momento da relação jurídica funcional (perspectiva estática) e, por outro, como um específico processo administrativo (perspectiva dinâmica).

O Estado e o servidor são sujeitos de direito na relação jurídica funcional. São

centros de imputação de direitos e deveres. O estágio probatório é uma fase no desenvolvimento dessa relação jurídica funcional, traduzindo um complexo de situações jurídicas distintas, que o particularizam.

O estágio probatório, em primeiro lugar, diz respeito ao momento inicial da

relação jurídica funcional. Somente é possível caracterizá-lo conferindo a sua repercussão no vínculo jurídico que une o servidor ao Estado e confrontando as situações que encerra com as situações jurídicas que o desenvolvimento da relação funcional propicia. Essa repercussão é o verdadeiro centro da reflexão, o objeto a analisar, não o fato do transcurso do tempo. Mas o estágio também pode ser percebido como um específico processo administrativo. Pode ser caracterizado como o processo administrativo de avaliação, adaptação e treinamento em efetivo exercício a que estão submetidos os que ingressam em cargos públicos em virtude de aprovação em concurso público. O ato final do processo de estágio probatório é a confirmação do servidor ou o seu desligamento do serviço.

b) Alcance subjetivo do instituto.

36 CORREIA, Aricia Fernandes. Reforma do estado-administração e instabilidade no serviço público. In: MIRANDA, Antônio César de Araújo et al. A reforma administrativa: uma visão municipal. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Administração,

1998. p. 86.

37 Professor de Direito Administrativo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Salvador (UNIFACS). Coordenador do Curso de Especialização em Direito Público da UNIFACS. Membro do Ministério Público da Bahia, do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA) e do Instituto dos Advogados da Bahia (IAB). Conselheiro Técnico da Sociedade Brasileira de Direito Público (SBDP). Vice-Presidente do Instituto de Direito Administrativo da Bahia (IDAB). Assessor Jurídico-Legislativo do Ministério Público da Bahia. E-mail: paulomodesto@yahoo.com.

Não se cogita de estágio probatório, ao menos com as características desse instituto do direito administrativo, para os agentes contratados para empregos públicos, para os nomeados para cargos em comissão, de livre designação e destituição, e para os nomeados para cargos de provimento condicionado ou desligamento condicionado, designados mediante processos especiais estabelecidos pela lei ou diretamente previstos pela Constituição.

A Constituição da República, comenta o autor:

“dispõe, em seu art. 37, II, o seguinte: ‘a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração’. O dispositivo pode ser interpretado como uma determinação de formas distintas de provimento ou de tipos distintos de cargos públicos, caracterizados pela forma do provimento. São enfoques diferentes para compreensão do mesmo enredo normativo: o primeiro enfatiza o aspecto dinâmico do provimento; o segundo, o elemento estável dos cargos públicos. Na interpretação da disposição a doutrina tem encontrado campo para apenas dois tipos opostos de cargos públicos: de um lado, cargos vocacionados a provimento definitivo e rígido (cargos de provimento efetivo e cargos de provimento vitalício) e, de outro, cargos vocacionados a provimento transitório e flexível (cargos de confiança, de livre designação e exoneração). Lamentavelmente essa classificação tem sido recebida como dogma e é mencionada freqüentemente como se esgotasse as hipóteses possíveis. Mas a Lei Fundamental, em outras disposições, parece ter fugido ao dilema entre cargos em comissão, de livre provimento e exoneração, e cargos de provimento em caráter definitivo, acedidos mediante concurso público. A Constituição encerra diversas hipóteses em que não há livre nomeação e exoneração, mas também não há exigência de concurso público. Na ausência de melhor designação, venho denominando essas hipóteses como de provimento condicionado ou exoneração condicionada, uma vez que, embora prescindam de concurso público, apresentam como peculiaridade negar a livre nomeação, a livre destituição ou as duas decisões discricionárias típicas dos cargos em comissão. Exemplos não faltam: Presidente e diretores do Banco Central (Art. 52, III, d); Governador de Território (art. 52, III, c); Procurador -Geral da República (Art. 52, III, e); titulares de cargos que a lei determinar (art. 52, III, f); Ministros dos Tribunais de Contas, indicados pelo Presidente da República (art. 52, III, b); magistrados escolhidos pelo Poder Executivo, nos casos estabelecidos na Constituição (art. 52, III, a).

O número de cargos de provimento ou desligamento condicionado não cessa de aumentar, tendo em vista a cláusula aberta do art. 52, III, f, que delega à lei prever novas hipóteses de prévia aprovação do Senado Federal para nomeação de agentes públicos. A previsão tem sido aplicada com freqüência para os diretores de Agências Reguladoras, cuja designação tem prescindido de concurso público, exigido a concordância do Senado Federal e conferido ao titular, durante um certo lapso de tempo, garantias semelhantes à estabilidade dos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo (cf., v.g., Lei n. 9.427/96, art. 5o, caput e parágrafo único; Lei n º 9.472/97, art. 8o, §2o, 23 e segs; Lei no. 9478/97, art. 11, §2o e 3o.; Lei n. 9.986/2000, art. 5o. e segs.)

Também não se exigiu estágio probatório aos agentes contemplados com a estabilidade excepcional concedida pelo art. 19 e 53 do ADCT. [ESTABILIDADE EXCEPCIONAL (ADCT, ART. 19) – I – Reconhecida a continuidade dos períodos sucessivos de serviço, não obsta à estabilidade a falta ao trabalho nos dois últimos dias do primeiro: a assiduidade absoluta não foi erigida em requisito essencial de estabilidade do art. 19 das Disposições Transitórias. II – Estabilidade excepcional (Art. 19 do ADCT): não implica efetividade no cargo, dependente de concurso interno. (STF – RE 187.955-6 – SP – 1ª T. – Rel. Min. Sepúlveda Pertence – Unânime – DJU 05.11.1999, p. 27).]

c) Alcance objetivo do instituto

O estágio probatório vincula-se, inexoravelmente, à garantia da estabilidade ou da

vitaliciedade, sendo pressuposto para a aquisição dessas garantias funcionais.”

Continua o administrativista fazendo o seguinte comentário:

“Conquanto não tenha a Emenda Constitucional n. 19 explicitado para as hipóteses de aquisição da vitaliciedade a exigência constante do §4º do art. 41, vale dizer, a indispensável avaliação de desempenho por comissão instituída para essa finalidade, não parece razoável admitir-se como juridicamente legitimadas as concessões de vitaliciedade por mero decurso de prazo. Se a estabilidade é garantia de menor expressão do que a vitaliciedade e, por expressa exigência constitucional (exigência que também sintetiza um valor agasalhado pelo sistema), pressupõe efetiva avaliação de aptidão, parece incongruência admitir-se aquisição de vitaliciedade sem a correspondente avaliação de aptidão. Essa exigência deve ser admitida como implícita ante o novo contexto sistêmico estabelecido a partir da emenda constitucional n. 19.” “Somente é exigível de agentes” – prossegue – “que as possam adquirir de forma permanente, sem vinculação a qualquer mandato temporário, após concurso público. Por isso, objetivamente, o instituto é aplicado apenas para os cargos de provimento efetivo ou vitalício, vocacionados a incorporar agentes de modo definitivo, após vencido o período de prova, adaptação ou avaliação do estágio de confirmação. Nas hipóteses em que a Constituição reconhece as garantias da estabilidade, ou da vitaliciedade, mas dispensa concurso público, não se cogita de estágio probatório. Não há estágio probatório, por exemplo, para os nomeados a cargos de Ministros ou Conselheiros de Tribunais de Contas, Desembargadores, Ministros dos Tribunais Superiores, entre outros agentes a que a Constituição autorizou o provimento originário sem concurso público e atribuiu, ao exercente, as garantias da vitaliciedade ou da estabilidade. Neste diapasão, assentou o Supremo Tribunal Federal:

“Funcionário publico. Cargo isolado. Não se pode falar em estagio probatório quando a nomeação foi feita sem concurso. Não aplicação da sumula 21. Recurso conhecido e provido. (STF, RE 63138, MG, Segunda Turma, Relator: Min. ADAUCTO CARDOSO, data do julgamento 17/04/1969, RTJ VOL-00051-01, PG-00125).

d) Estágio Probatório e Efetivo Exercício.

Questão sensível é saber o que deve ser entendido como efetivo exercício para fins de estágio probatório.

O problema pode ser sintetizado nos seguintes termos: a Constituição Federal

exige, para a aquisição da estabilidade ou vitaliciedade, cumprimento de período de prova em efetivo exercício, a realização de um processo de avaliação durante determinado período de exercício, mas não determina o modo de contagem deste exercício. Tradicionalmente, para fins de aposentadoria, disponibilidade, adicional por tempo de serviço, entre outras hipóteses, a lei ordinária tem reconhecido como de “efetivo exercício” situações funcionais diversas, a exemplo dos períodos transcorridos no gozo de licença- gestante, licença-prêmio, férias, afastamentos para desempenho de mandato classista ou exercício de mandato eletivo. Nestes casos, como é evidente, a lei cria uma ficção, reconhecendo como de exercício efetivo um lapso de tempo em que faltou a prestação real de serviço. Pode a lei também computar um período de tempo de exercício ficto para fins de atendimento da exigência constitucional relativamente ao período de estágio probatório? Se houver impedimento constitucional, esse obstáculo admite exceções? Não sendo possível a contagem de tempo ficto, isto significa que o agente público deve contabilizar no

período de estágio probatório apenas os dias de trabalho na repartição, excluindo os feriados, fins de semana, os períodos de paralisação em razão de greve, os dias de luto e os períodos de férias?

A questão é mais intrigante do que aparenta, pois, se de um lado o diploma

constitucional exige cumprimento de certo período de efetivo exercício para aquisição da estabilidade ou vitaliciedade, por outro reconhece ao agente em estágio probatório

direitos que somente podem ser fruídos com afastamento do exercício efetivo da função. Os exemplos mais singelos são os dias de repouso semanal remunerado (CF, art. 39, §3o, combinado com art. 7o, XV), o período de férias (CF, art. 39, §3o, combinado com art. 7o, XVII), o período de licença à gestante (CF, art. 39, §3o, combinado com art. 7o, XVIII) e os dias de licença-paternidade (CF, art. 39, §3º,combinado com art. 7o, XIX).

Na matéria, observou com acuidade o Prof. CARLOS ARI SUNDFELD, em estudo de mérito [Cf. “Estágio Probatório dos Servidores Públicos”, in Revista Trimestral de Direito Público (RTDP), n. 5, São Paulo, Malheiros, 1994, págs. 179-187.], que a Constituição se contentou em referir apenas o simples exercício, sem adjetivá-lo de efetivo, quando cuidou da aposentadoria por tempo de serviço (art. 40, antes da Emenda Constitucional 20/98), quando desejou computar o tempo de mandato eletivo de vereador não remunerado para fins de aposentadoria (ADCT, art. 8o, §4o) e ao conceder a estabilidade excepcional aos servidores em exercício (art. 19 do ADCT). Essa forma de expressão do constituinte, autêntica opção, permitiu ao legislador a construção de ficções (tempo ficto). Porém, diversamente, quando disciplinou o estágio probatório, a lei fundamental, desde a sua versão original, impunha condicionamento mais exigente, referindo explicitamente a tempo de serviço efetivo e não simplesmente a exercício.

Sem dúvida, a exigência de efetivo exercício, ou exercício real da função, não deve ser ociosa no diploma constitucional. Para precisar os limites de uso do conceito de efetivo exercício, no entanto, deve-se aprofundar a finalidade de sua exigência ante a própria finalidade do estágio probatório.

Neste sentido, após a Emenda Constitucional n. 19/98, a teleologia do período de confirmação parece ainda mais evidente: o estágio probatório destina-se a avaliar, de forma concreta, a adaptação ao serviço e as qualidades do agente aprovado em concurso público, após a sua investidura em cargo de provimento efetivo.

Não fora assim, não teria sentido a exigência, imposta à Administração, de constituir uma comissão com a única finalidade de efetuar a “avaliação especial do desempenho” dos servidores em estágio probatório (CF, art. 41, §4º).

Ora, é evidente o prejuízo para a “avaliação especial de desempenho” de afastamentos, licenças ou outra qualquer modificação da situação funcional dos agentes recém-ingressados que importe, durante o período de prova, em dispensa do desempenho regular da função.

Em princípio, portanto, em uma inicial delimitação do conceito de efetivo exercício, deve-se reputar como inconstitucionais todas as ficções previstas em lei, convertendo artificialmente períodos de afastamento do serviço em períodos de efetivo exercício para fins de integralização do estágio probatório.

O conceito de efetivo exercício é um conceito-realidade, expressão que utilizo recordando figura conhecida do direito do trabalho (contrato-realidade).

Repele ficções, construções artificiais, burlas ao propósito constitucional de realizar a avaliação dos servidores no desempenho concreto da atividade funcional. Mas qual o conteúdo deste conceito? Ele se confunde com a rotina, os dias de expediente nas repartições públicas? Penso que não.

Entendo que a melhor caminho para determinar o conceito de efetivo exercício durante o período de prova é inserir o servidor durante o processo de estágio probatório na atividade regular do Estado.

Neste sentido, será de serviço efetivo o tempo em que o servidor exercita a sua função integrado na atividade normal da Administração, entendendo-se esse exercício tanto o período de dedicação direta às funções do cargo quanto o período no qual o

servidor em estágio probatório permaneça à disposição da administração, à semelhança dos demais servidores, para o desempenho de suas funções”.

E cita a seguinte decisão do STJ:

“STJ: “RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR EM ESTÁGIO PROBATÓRIO APROVADO EM OUTRO CONCURSO PÚBLICO. AFASTAMENTO DO CARGO EFETIVO. PARTICIPAÇÃO NO CURSO DE FORMAÇÃO SEM PREJUÍZO DOS VENCIMENTOS DO CARGO. POSSIBILIDADE. A legislação não dispõe que o estágio probatório se dará num período de 24 meses corrido, e sim, em efetivo exercício em tal período. Por sua vez, a legislação referente ao ingresso no novo cargo, permite ao já ocupante de cargo efetivo, o direito de opção pelo respectivo vencimento durante o curso de formação. Precedente análogo. Recurso desprovido. (STJ, RESP 173580, DF, Data de Decisão: 23/11/1999, QUINTA TURMA, Nome do Ministro Relator: JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, Fonte: DJ DATA:17/12/1999 PG:00391).”

E prossegue:

“O efetivo exercício é o exercício possível nos períodos de atividade regular do serviço e nos marcos do regime normal de trabalho dos servidores em geral.

Tempo de exercício efetivo é o tempo dedicado à administração, tenha ou não esta expediente de trabalho. Havendo expediente, o tempo de efetivo exercício conta-se em serviço, porque há serviço. Não havendo expediente, por determinação legal, que alcance à generalidade dos agentes, há mera disponibilidade para o serviço, o único exercício possível neste contexto para qualquer servidor, inclusive o servidor em estágio. Por isso, deve ser reconhecido como efetivo exercício, para fins de integralização do estágio probatório, o descanso semanal remunerado, os dias de feriado, bem como todos os dias de inatividade que alcancem generalizadamente os servidores da administração.

É freqüente que a lei trate como ficção inclusive esses períodos de inatividade normal da administração. Não importa. Não será ficção, mas efetivo exercício, sem qualquer burla ao texto constitucional.

Não deve ser computado no estágio probatório, porém, o período transcorrido em razão de situações específicas, particulares, que afastem de modo especial (individualizado) o agente do serviço quando há serviço, isto é, quando existe funcionamento normal da administração pública. Exemplos: afastamentos em razão de serviço militar, licença para trato de assunto particular, desempenho de mandato classista, licença gestante, exercício de mandato eletivo, afastamentos em razão de casamento, luto, acidente ou doença.”

Faz citação da lição extraída da Professora Carmem Lúcia Antunes Rocha dizendo

que:

“CARMEM LÚCIA ANTUNES ROCHA adota critério distinto, mais fluido, pois recusa considerar como tempo de exercício efetivo apenas os afastamentos de “período tão prolongado que impeça a avaliação competente” (ob. cit., p.232). No entanto, quando detalha as hipóteses em que o período de contagem do tempo de serviço efetivo deve ser suspenso, refere hipóteses semelhantes às indicadas: “Note-se , de resto, que, às vezes, o servidor é considerado no efetivo exercício, conquanto fisicamente afastado do desempenho das funções que lhe são conferidas, para alguns casos legalmente previstos e não para outros. Assim, por exemplo, as licenças para tratamento de saúde são consideradas de efetivo exercício para a contagem de tempo para aposentadoria, mas não para a aquisição da estabilidade, quando se configurar um período tão prolongado que impeça a avaliação competente e, agora, obrigatória e periódica do desempenho. Mesmo não contribuindo para o seu afastamento e havendo um motivo justo, como é o de

tratamento de saúde, o servidor fica impossibilitado de ser competentemente avaliado em seu desempenho pelo período necessário para a conclusão, que conduzirá, ou não, à estabilização do vínculo com a pessoa pública. Logo, tal afastamento não pode ser computado como estando ele em efetivo exercício para os parâmetros constitucionais referentes à estabilidade” (idem, p. 232). Na União, a Lei 8.112/90, alterada pela Lei 9.527/97, indicou no §5o. do seu art. 20 algumas hipótese de necessária suspensão da contagem do período de exercício no curso do estágio probatório: (a) licença por motivo de doença em pessoa de família (art. 83); (b) licença por motivo de afastamento de cônjuge (art. 84, §1o.); (c) licença para atividade política (art. 86); (d) afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com o qual coopere (art. 96). Entendo que essas hipótese não são exaustivas, podendo ser figuradas outras, com vistas a assegurar a finalidade constitucional de avaliação dos servidores no curso do estágio probatório: (a) designação para cargos de confiança; (b) licença para serviço militar; (c) licença para tratar de interesses particulares; (d) licença para desempenho de mandato classista, entre outras hipóteses.”

E continua o citado mestre:

“O direito a férias anuais constitui situação à parte. O gozo de férias pelo agente em estágio probatório não ocorre em situação de inatividade geral da administração, salvo a hipótese de férias coletivas, mas tampouco caracteriza situação peculiar, particular ou individualizada do agente em período de prova.

As férias constituem direito reconhecido a todos os trabalhadores, ocupantes de cargos ou empregos (CF, art. 7o, XVII, c/c art. 39, §3o.) e que todos devem poder gozar. Trata-se de período que deve também ser considerado como de efetivo exercício, uma vez que o servidor usufrui um direito constitucional reconhecido a todos os agentes públicos, segundo uma programação definida pela própria Administração, e permanece à disposição da administração, sem particularizar a sua situação de afastamento em face dos demais agentes públicos.

Mas, não se deve perder de vista que, conforme vem especificando a jurisprudência, o tempo de exercício efetivo a ser computado é o tempo de exercício em cargo de provimento efetivo específico, não sendo considerado o tempo de serviço prestado em outro cargo, da mesma ou de outra entidade.

Tampouco deve ser considerado no cálculo do tempo de efetivo exercício de agente investido em cargo efetivo o tempo de serviço prestado por ele em outra condição jurídica, como agente temporário, contratado, ocupante de função, ainda que o cargo tenha sofrido posterior transformação em cargo de provimento efetivo.” (sem grifos no original)

Em abono de sua assertiva traz-nos o entendimento do Pretório Excelso sobre o assunto, nos seguintes termos:

A estabilidade é a garantia constitucional de permanência no serviço público

outorgada ao servidor que, nomeado por concurso público em caráter efetivo, tenha transposto o estágio probatório de dois anos (art. 100, EC-01/69; art. 41 da CF/88). O

estágio, pois, é o período de exercício do funcionário durante o qual é observada e apurada pela Administração a conveniência ou não de sua permanência no serviço público, mediante a verificação dos requisitos estabelecidos em lei para a aquisição da estabilidade. Para esse estágio só se conta o tempo de nomeação efetiva na mesma Administração, não sendo computável o tempo de serviço prestado em outra unidade estatal, nem o período de

Disposição de Lei Municipal que

exercício de função pública a título provisório. (

assegura, para fins de estágio probatório, a contagem do tempo de serviço na interinidade,

no mesmo cargo, ou o tempo de serviço prestado em outros cargos de provimento efetivo, desde que não tenha havido solução de continuidade (Estatuto dos Funcionários Públicos Municipais de Congonhal - Lei nº 90, de 26 de novembro de 1958). Autonomia

constitucional das entidades estatais. Norma discrepante com os preceitos inscritos na EC-

01/69, então vigente. (

o instituto da estabilidade, que, a par de um direito, para o

“(

)

)

)

servidor, de permanência no serviço público enquanto bem servir, representa para a Administração a garantia de que nenhum servidor nomeado por concurso poderá subtrair- se ao estágio probatório de dois anos. Por isto, não pode a Administração federal, estadual ou municipal ampliar o prazo fixado pelo Texto Constitucional, porque estaria restringindo direito do servidor público; mas também não pode diminuí-lo ou estendê-lo a outros servidores que não os nomeados por concurso, porquanto estaria renunciando a prerrogativas constitucionais consideradas essenciais na relação Estado-agente administrativo. Não sendo lícito ao ente federado renunciar a

essas prerrogativas, nula e de nenhum efeito disposição estatutária em desacordo com o

preceito constitucional. (

RE 0170665, Segunda Turma, Relator Min. MAURICIO

CORREA, data do julgamento 27/09/1996, publicação DJ DATA-28/11/96 PP-47175).”

(Grifos do autor).

)”(STF,

E dá seqüência à sua explanação:

“Além disso, ainda quando legítima a reintegração, após anulação do ato de demissão que haja colhido agente em estágio probatório, não se conta para fins do estágio probatório o período em que o agente não estava no desempenho de suas funções.

Assim, em resumo, não deve ser computado no estágio probatório: a) licenças, afastamentos e outras hipóteses de ausência ao serviço referenciadas unicamente na situação peculiar dos agentes em estágio, quando houver funcionamento normal da administração pública; b) períodos de tempo ficto, artificialmente construídos por lei ordinária; c) o período de serviço prestado a outra pessoa ou entidade pública, para o mesmo ou outro cargo; d) o período de serviço prestado à mesma pessoa ou entidade pública, relativamente a outro cargo público; e) o período de serviço prestado à mesma pessoa ou entidade pública, relativamente ao mesmo cargo, porém como interino, substituto, prestador de serviços ou ocupante de função de confiança, antes da

transformação da natureza do cargo; f) o período transcorrido entre demissão do serviço e

o

reconhecimento da reintegração, por vício de legalidade no ato sancionador.”

E

levanta uma questão acerca desse entendimento:

“O que fazer, porém, quando o agente, para o mesmo cargo, perante a mesma pessoa jurídica, presta novo concurso público e vem a ser investido em cargo efetivo idêntico ao que já exercita na condição de estável? A hipótese não é absurda: penso em professora primária, ocupante de cargo efetivo em determinado Município, já estabilizada, habilitada pela Constituição a acumular dois cargos de professora e que resolve prestar novo concurso para outro cargo de professora municipal, obtendo aprovação e investindo- se no novo cargo. A rigor, não deveria haver nova avaliação especial de desempenho, desde que efetuada avaliação no cargo anterior com perfeita identidade de função. Mas não é o que tem entendido o Supremo Tribunal Federal, pois o excelso pretório tem recusado

validade a todas as leis estaduais que reduziram ou eliminaram o tempo de estágio ou a exigência da avaliação no estágio em função de agente que já exercia de modo estável cargo idêntico ou semelhante. Exemplo deste entendimento: CONSTITUCIONAL. CUMULACAO DE DOIS CARGOS DE PROFESSOR. LEI ESTADUAL, DE INICIATIVA DE PARLAMENTAR, DISPENSANDO A SUJEIÇÃO DO SERVIDOR

A NOVO ESTAGIO PROBATORIO. Relevância jurídica da tese de inconstitucionalidade

formal e material, por violação, respectivamente, aos arts. 61, PAR. 1., II, C, e 41, da Carta Federal. Configuração do periculum in mora ante a possibilidade de que, independentemente de estágio probatório, sejam estabilizados servidores públicos. Medida liminar deferida. (STF, ADIn 919, PR, TRIBUNAL PLENO, Relator: Min. ILMAR GALVAO, data do julgamento 08/10/1993, publicação DJ DATA-03/12/93 PP-26356, confira também ADIn-89 e ADIn-872.)”

Dando seguimento ao seu artigo, o Professor Paulo Modesto continua discorrendo sobre o instituto do estágio probatório:

“e) Estágio Probatório e Avaliação de Desempenho.

A avaliação de desempenho durante o estágio probatório é especial, obrigatória e

realizada por comissão instituída para essa finalidade.

É especial porque não se confunde com a avaliação normal de desempenho,

realizada periodicamente pela Administração, voltada a aferir a qualidade da atuação de

servidores estáveis. A avaliação no estágio probatório é avaliação global do período de prova, embora não seja obrigatoriamente concentrada num único momento, podendo ser desdobrada em etapas, de modo a captar a evolução do agente ao longo do tempo e suas dificuldades de adaptação.

É obrigatória, pois não pode ser dispensada, nem admite a inércia da Administração, tendo sido eliminada do sistema constitucional a hipótese de aquisição da estabilidade por simples decurso de prazo. O servidor é também interessado na avaliação. Se não efetuada, não há aquisição da estabilidade.

Logo, atualmente a avaliação traduz dever da Administração Pública e direito subjetivo do servidor, exigível inclusive perante o Poder Judiciário.

conceder

estabilidade ao servidor em estágio probatório ante a omissão da Administração, eliminando a utilidade da avaliação especial de desempenho.

Não

pode

o

Judiciário,

porém,

substituindo-se

ao

administrador,

Mas pode condenar a Administração em multa diária, nas situações de atraso injustificado, responsabilizar os agentes faltosos ou o agente faltoso, caso eventualmente sequer tenha sido nomeada comissão de avaliação, ou adotar medida de proteção que antecipe, de forma precária, mas efetiva, alguns efeitos da estabilidade ainda não adquirida.

Esta última hipótese foi pioneiramente sugerida entre nós por JUAREZ FREITAS, em termos genéricos, mas consistentes, em artigo de mérito, nos seguintes termos:

“Transcorrido largo lapso temporal sem atendimento da demanda, lícito até admitir, por exceção, que o Poder Judiciário possa equipará-lo, para vários efeitos, ao estável. Ainda neste caso, no entanto, tratar-se-á de mera equiparação parcial, porque a bem do rigor, não será estável o servidor sem que tenha sido avaliado favoravelmente” [“Emenda Constitucional 19/98 e a Avaliação Especial do Desempenho de Servidor Público em Estágio Probatório”, in: Revista Interesse Público, N. 5, São Paulo, Ed. Notadez, 2000, pág.

44.]

A hipótese não é acadêmica e pode ser explorada a partir de situações práticas.

Pense-se na situação de agentes que, esgotado o prazo constitucional, sem avaliação ou aquisição da estabilidade, são surpreendidos durante a inércia da administração com a extinção de seus cargos ou a declaração da sua desnecessidade (art. 41, §3º). Em tese, como é assente no direito brasileiro, o agente em estágio probatório não está protegido contra a extinção de cargo ou a declaração de sua desnecessidade, sendo trivial admitir como conseqüência dessas medidas a exoneração do agente ainda não estabilizado. Ocorre que na hipótese figurada, em princípio, o agente deveria ter sido avaliado e, ante o fato, eventualmente conquistado a estabilidade, permanecendo então em disponibilidade. Neste caso, diante da violação do direito à avaliação e à conclusão do estágio probatório, por inércia da Administração, deve-se reconhecer aos agentes atingidos a possibilidade de permanecerem em disponibilidade condicional até a conclusão da avaliação do estágio probatório, permanecendo em disponibilidade, após a conclusão do estágio, apenas aqueles que receberem avaliação positiva da Administração.”

Relembra outra hipótese aventada por Juarez Freitas e o autor, dizendo:

“JUAREZ FREITAS, em uma das conversas informais que mantivemos durante as saborosas noites do CONGRESSO BRASILEIRO DE DO ESTADO, formulou outra hipótese de interesse para a matéria: ante a inércia danosa da Administração, violadora do direito à avaliação, o servidor em estágio deveria ser resguardado da exoneração prioritária prevista pelo inciso III do art. 169 da Constituição (hipótese de desligamento por excesso de quadros, ou melhor, excesso de despesa), sendo assimilado aos demais servidores estáveis até a efetiva realização da avaliação exigida para conclusão do estágio probatório. É outra hipótese engenhosa, que não havia cogitado anteriormente, mas que merece igual acolhida como forma de atenuação de eventuais danos provocados pela inércia da administração na matéria.”

E segue:

“A norma constitucional impõe ainda que a avaliação seja feita por comissão, recusando validade à ação fiscalizadora exclusiva do chefe imediato ou superior hierárquico. A comissão deve ser integrada apenas por agentes estáveis. A construção é, aqui, em tudo similar àquela elaborada pela jurisprudência para assegurar a imparcialidade das comissões disciplinares.

Somente agentes estáveis contam com necessária neutralidade para avaliar agentes em estágio probatório.

O curso da avaliação de desempenho pode ser interrompido a qualquer tempo,

antes mesmo do advento dos três anos, quando o servidor houver praticado ato desabonador ou ainda fato previsto como infração administrativa.

O estágio probatório não impede a realização, pela Administração, de processos

disciplinares, nem obriga a Administração, em qualquer caso, a suportar durante três anos o agente faltoso nos seus quadros.

O servidor em estágio probatório pode ser demitido, sempre que pratique ato

previsto como infração funcional. A demissão pode ser modo de terminação abrupta do estágio probatório. Não dever haver, nestes casos, simples exoneração, pois a primeira importa em juízo de censura ausente na simples exoneração. Ademais, conforme a lei regente, em certas hipóteses a demissão importa em impedimento para a investidura em novo cargo público (ex. art. 137 da Lei 8.112/90, que incompatibiliza o servidor demitido para nova investidura em cargo público federal durante 5 anos, desde que infringidas duas proibições que identifica). A simples exoneração não autoriza este efeito.”

JURISPRUDÊNCIA:

sexta-feira, 27 de agosto de 2004 07:49 - Estágio probatório de servidores públicos deve ter duração de dois anos

O estágio probatório dos servidores públicos deve ter duração de dois anos. Com esse entendimento, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu, por unanimidade, mandado de segurança a dois servidores que questionavam portaria da Advocacia-Geral da União (AGU), a qual estabeleceu prazo de três anos para o estágio.

Para a relatora da matéria, ministra Laurita Vaz, a portaria da AGU, de nº 342/03, contraria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), entendimento do Ministério do Planejamento e o artigo 20 da Lei nº 8.112/90, que estabelece em dois anos o período de estágio probatório para os servidores da carreira definitiva.

Em seu voto, a ministra fez uma clara distinção entre estágio probatório e estabilidade. O primeiro, lembrou, está disciplinado pela Lei nº 8.112/90 e tem a finalidade de avaliar a capacidade do servidor para o exercício de cargo público por meio de critérios estabelecidos em lei, como assiduidade, disciplina, produtividade etc. Prevista no artigo 41, parágrafo 4º, da Constituição Federal, a segunda tem o objetivo

de conferir ao servidor o direito à permanência no cargo para o qual foi aprovado e só pode ser alcançada ao final de três anos de exercício efetivo, após avaliação de desempenho, realizada por comissão especial constituída para essa finalidade.

A relatora ressaltou que o dispositivo da Lei nº 8.112/90 não foi revogado pela Emenda Constitucional nº 19/98. Recordou também que a controvérsia sobre os dois institutos – estágio e estabilidade – já foi dirimida pelo Executivo em parecer da Consultoria Jurídica do Ministério do Planejamento, em parte citado em seu relatório: "A estabilidade tem como característica principal o critério objetivo, isto é, o decurso do tempo, enquanto o estágio probatório o critério subjetivo: aferição de aptidão e capacidade do servidor para o cargo".

O ministro Hélio Quaglia, integrante da Terceira Turma que também participou do julgamento, esclareceu não ser possível, por ato infralegal (portaria, no caso), a equiparação dos dois institutos. "Se quiserem fazê-lo, que seja pelo modo próprio, que é a via legislativa", afirmou.

Luiz Gustavo Rabelo

319-8590

Processo: MS 9373

CAPÍTULO III Da Promoção 38

JURISPRUDÊNCIA:

PROMOÇÃO - ASCENSÃO FUNCIONAL

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

143572

SERVIDOR PÚBLICO - ASCENSÃO FUNCIONAL - REQUISITO

A CF/88, ao estabelecer, no art. 37, II, que a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado de lei de livre nomeação e exoneração, não admite o provimento derivado mediante ascensão funcional ( STF - Ac. unânime da 2ª T. publ. em 4/2/94 - RE 129, 943-6-RJ - Rel. Min. Carlos Velloso).

Art. 35. A promoção é a progressão funcional do servidor estável a uma posição que lhe assegure maior vencimento base, dentro da mesma categoria funcional, obedecidos os critérios de antigüidade e merecimento, alternadamente.

Art. 36. A promoção por antigüidade dar-se-á pela progressão à referência imediatamente superior, observado o interstício de 2 (dois) anos de efetivo exercício.

38 V. art. 5, II e 16, Parágrafo Único

Art. 37. A promoção por merecimento dar-se-á pela progressão à referência imediatamente superior, mediante a avaliação do desempenho a cada interstício de 2 (dois) anos de efetivo exercício. Parágrafo único. No critério de merecimento será obedecido o que dispuser a lei do sistema de carreira, considerando-se, em especial, na avaliação do desempenho, os cursos de capacitação profissional realizados e assegurada, no processo, a plena participação das entidades de classe dos servidores.

Art. 38. O servidor que não estiver no exercício do cargo, ressalvadas as hipóteses consideradas como de efetivo exercício, não concorrerá à promoção 39 . § 1º. Não poderá ser promovido o servidor que se encontre cumprindo o estágio probatório. § 2º. O servidor, em exercício de mandato eletivo, somente terá direito a promoção por antigüidade na forma da Constituição, obedecidas as exigências legais e regulamentares 40 .

Art. 39. No âmbito de cada Poder ou órgão, o setor competente de pessoal processará as promoções, que serão efetivadas por atos específicos no prazo de 60 (sessenta) dias, contados da data de abertura da vaga. Parágrafo único. O critério adotado para promoção deverá constar obrigatoriamente do ato que a determinar.

Lei 749/53 – (Art. 39. A promoção obedecerá ao critério de antiguidade na classe e ao de merecimento, na proporção 1/3 (um terço) e 2/3 (dois terços), respectivamente. Art. 40. As promoções serão decretadas obrigatoriamente, dentro do prazo de sessenta (60) dias, contados da data da abertura das vagas. Art. 41. Não poderá ser promovido o funcionário que não conte, pelo menos, 365 dias de interstício no efetivo exercício na classe. Parágrafo único. O funcionário em estágio probatório não poderá ser promovido. Art. 42. A promoção por merecimento à classe intermediária de carreira só poderão concorrer os funcionários colocados, por antiguidade, nos dois primeiros terços da classe imediatamente inferior. Art. 43. O merecimento do funcionário é adquirido na classe. Art. 44. Quando ocorrer empate na classificação por antiguidade, terá preferência o

39 V. art. 72

40 V. arts. 30 e 72, IX

funcionário de maior tempo de serviço público estadual ou municipal, conforme o caso; havendo ainda empate, o de maior prole e o mais idoso, sucessivamente. Art. 45. O funcionário promovido indevidamente, não fica obrigado a restituir o que a mais houver recebido. Parágrafo único. O funcionário a quem cabia a promoção, será indenizado da diferença a que tinha direito pelos cofres públicos, inclusive contagem de tempo para a antiguidade na classe. Art. 46. Na apuração da antiguidade para efeito de promoção, serão computados os dias de efetivo exercício, à vista do registro de freqüência ou da folha de pagamento, inclusive os dias de afastamento previstos no art. 35 e o período de trânsito. Art. 47. O funcionário suspenso poderá ser promovido, mas uma vez verificada a procedência da penalidade aplicada ficará automaticamente sem efeito a promoção. Parágrafo único. Nessa hipótese o funcionário perceberá os vencimentos correspondentes

à nova classe, quando anulada a penalidade apelada, caso em que a promoção produzirá efeitos

a partir da data de sua aplicação. Art. 48. O funcionário em exercício de mandato eletivo só poderá ser promovido por antiguidade. Art. 49. Compete ao Departamento do Pessoal organizar e processar as promoções.)

CAPÍTULO IV Da Reintegração

Art. 40. Reintegração é o reingresso do servidor na administração pública, em decorrência de decisão

administrativa definitiva ou sentença judicial transitada em julgado, com ressarcimento de prejuízos resultantes do afastamento.

cargo

anteriormente ocupado e, se este houver sido transformado, no cargo resultante. § 2º. Encontrando-se regularmente provido o cargo, o seu ocupante será deslocado para cargo

equivalente, ou, se ocupava outro cargo, a este será reconduzido, sem direito a indenização.

Se o cargo houver sido extinto, a

reintegração dar-se-á em cargo equivalente, respeitada a habilitação profissional, ou, não sendo possível, ficará o

reintegrado em disponibilidade no cargo que exercia.

§ 1º.

A

reintegração

será

feita

no

§ 3º.

Art. 41. O ato de reintegração será expedido no prazo máximo de trinta dias do pedido, reportando-se sempre à decisão administrativa definitiva ou à sentença judicial, transitada em julgado.

Art. 42. O servidor reintegrado será submetido a inspeção de saúde na instituição pública competente e aposentado, quando incapaz.

Lei 749/53 – (Art. 61. Reintegração é o reingresso do funcionário no serviço público, com ressarcimento de todas as vantagens ligadas ao cargo, em virtude de decisão administrativa ou judiciária, passada em julgado. Parágrafo único. A reintegração será feita no cargo anteriormente ocupado, se este houver sido transformado, no cargo resultante, e, se extinto, em cargo de vencimentos e natureza compatíveis com o que ocupara, atendida a habilitação profissional. Art. 62. Reintegrado judicialmente um funcionário, quem lhe houver ocupado o lugar será destituído de plano ou será reconduzido ao cargo anterior, sem direito a indenização. Art. 63. Readmissão é o reingresso ao serviço público do funcionário demitido ou exonerado, sem ressarcimento de prejuízos. § 1.0 O readmitido contará o tempo de serviço público anterior apenas para efeito de disponibilidade e aposentadoria. § 2.° A readmissão dependerá de prova de capacidade, mediante inspeção médica. Art. 64. Respeitada a habilitação profissional, a readmissão será feita, de preferência, no cargo anteriormente exercido ou em outro de vencimentos equivalentes. Art. 65. O funcionário reintegrado será submetido a inspeção de saúde e aposentado quando incapaz.)

CAPÍTULO V Da Transferência e da Remoção 41

Art. 43. Transferência é a movimentação do servidor ocupante de cargo de provimento efetivo, para outro cargo de igual denominação e provimento, de outro órgão, mas no mesmo Poder.

Lei 749/53 – (Art. 217. É vedada a transferência ou remoção "ex-offício" num período de seis meses que antecedem e no de três meses que precedem às eleições.)

JURISPRUDÊNCIA:

1. STF - SERVIDOR PÚBLICO - Funcionário estável ex vi do art. 19 do ADCT, redistribuído para a

Assembléia Legislativa e efetivado na carreira por ato da Mesa Legislativa - Inobservância do art. 37, II,

da CF, que exige concurso público - Anulação do ato pela Administração - Legalidade - Inteligência da Súm. 473 do STF.

2. STF - SERVIDOR PÚBLICO - Transferência para quadro de pessoal de outro Poder -

Inconstitucionalidade - Necessidade de concurso público.

3. STF - SERVIDOR PÚBLICO -- Provimento derivado de cargos (transferência e transformação de

cargos) -- Previsão em dispositivos de Constituição estadual objeto de ação direta de inconstitucionalidade -- Ofensa ao postulado do concurso público -- Usurpação do poder de iniciativa constitucionalmente reservado ao chefe do executivo -- Ação procedente.

41 V. art. 5, IV (OBS) Sobre CESSÃO, V. Dec. Fed. n925, de 10/09/93, in col. de Leis, vol. 185, nª 9,set/93,pg 2454

4.

STF - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - Servidor público - Lei Estadual que

permite a sua integração no Quadro Especial do Pessoal do Tribunal de Contas, independentemente de prévia aprovação em concurso público, desde que estivesse à disposição da Corte de Contas em determinado período - Inadmissibilidade - Violação ao postulado constitucional do concurso público - Concedida a medida cautelar para suspender a eficácia da referida norma.

Art. 44. Caberá a transferência:

I - a pedido do servidor;

II - por permuta, a requerimento de ambos os

servidores interessados.

Art. 45.A transferência será processada atendendo a conveniência do servidor, desde que no órgão pretendido exista cargo vago, de igual denominação.

Art. 46. O servidor transferido somente poderá renovar o pedido, após decorridos dois anos de efetivo exercício no cargo.

Art. 47. Não será concedida a transferência:

I - para cargos que tenham candidatos aprovados

em concurso, com prazo de validade não esgotado;

II - para órgãos da administração indireta ou

fundacional cujo regime jurídico não seja o estatutário; III - do servidor em estágio probatório.

Art. 48. A transferência dos membros da Magistratura, Ministério Público, Magistério e da Polícia Civil, será definida no âmbito de cada Poder, por regime próprio.

Art. 49. A remoção é a movimentação do servidor

ocupante de cargo de provimento efetivo, para outro cargo de igual denominação e forma de provimento, no mesmo Poder e no mesmo órgão em que é lotado. * Parágrafo único. A remoção, a pedido, ou "ex- officio", do servidor estável, poderá ser feita:

I - de uma para outra unidade administrativa da

mesma Secretaria, autarquia, fundação ou órgão análogo

dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas.

II - de um para outro setor, na mesma unidade

administrativa.

*Parágrafo com redação do art.50 anterior, dado pela Lei nº 5.942, de 15 de janeiro de 1996 (DOE nº 28.131, de 16-1-1996).

Art. 50. A redistribuição é o deslocamento do servidor, com o respectivo cargo ou função, para o quadro de outro órgão ou entidade do mesmo Poder, sempre no interesse da Administração.

§ 1º. A redistribuição será sempre ex-officio,

ouvidos os respectivos órgãos ou entidades interessados na movimentação.

§ 2º. A redistribuição dar-se-á exclusivamente

para ajustamento do quadro de pessoal às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou entidade.

§ 3º. Nos casos de extinção de órgão ou

entidade, os servidores estáveis que não puderam ser redistribuídos, na forma deste artigo, serão colocados em disponibilidade até seu aproveitamento.

1996

*Artigo com redação dada pela Lei nº 5.942, de 1996.(DOE

de 16-1-

Lei 749/53 – (Art. 50. O funcionário poderá ser transferido:

I - a pedido, atendida a conveniência do serviço. II - "ex-offício", no interesse da administração. Art. 51. A transferência só poderá ser feita:

I - de um cargo de carreira para outro isolado de provimento efetivo, a pedido escrito do funcionário. II - de um cargo isolado de provimento efetivo para outro da mesma natureza. III - de uma para outra carreira e denominação diversa. Parágrafo único. Nas hipóteses dos números I o III a transferência fica condicionada à habilitação em concurso, na forma desta lei. Art. 52. A transferência e a remoção ex-offício de funcionários efetivos e estáveis só poderão ser feitas por motivo de conveniência de serviço público declarado no ato. Art. 53. O funcionário transferido ou removido "ex-offício", se julgar improcedente o motivo alegado pelo Poder Público, poderá impugnar o ato e submeter à apreciação do Poder Judiciário. Art. 54. O funcionário transferido ou removido compulsoriamente não poderá perceber remuneração inferior a que percebia, por qualquer título no cargo anterior, Parágrafo único. Não se incluem na remuneração, para os fins previstos neste artigo, quaisquer percentagens pagas a qualquer título ao funcionário. (*) Parágrafo com redação dada pela Lei n. 3.368, de 27.09. 1965. Art. 55. A transferência será obrigatoriamente para cargo de igual vencimento ou remuneração. Art. 56. O interstício para a transferência ou a remoção será de 365 dias na classe ou no cargo isolado.

Art. 57. A remoção far-se-á, respeitada a lotação de cada Repartição ou Serviço, a pedido do funcionário ou "ex-offício", e somente:

I - de uma para outra Repartição ou Serviço; II - de uma para outra Secretaria de Estado. Art. 58. É permitida a permuta entre dois funcionários, mediante solicitação escrita de ambos os interessados, a critério do Chefe do Executivo. Art. 59. O funcionário interino não poderá ser removido nem transferido. Art. 60. Compete ao Departamento do Pessoal emitir parecer sobre a transferência, remoção e permuta e submetê-la ao julgamento do Chefe do Poder Executivo.

Capítulo VI Da Reversão 42

Art. 51. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado por invalidez, quando, por junta médica oficial, forem declarados insubsistentes os motivos da aposentadoria. § 1º. A reversão, "ex-officio" ou a pedido, dar- se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação. § 2º. A reversão, a pedido, dependerá da existência de cargo vago. § 3º. Não poderá reverter o aposentado que já tiver alcançado o limite da idade para a aposentadoria compulsória 43 .

Art. 52. Será tornada sem efeito a reversão "ex- officio", e cassada a aposentadoria do servidor que não tomar posse e entrar no exercício do cargo 44 .

– aposentado, quando insubsistentes os motivos da aposentadoria. § 1º. A reversão pode ser feita "ex-offício" ou a pedido, e, de preferência, no mesmo cargo, respeitada a lotação. § 2.° Será cassada a aposentadoria do funcionário para o qual foi baixado o ato de reversão, se não tomar posse e entrar no exercício dentro dos prazos legais, salvo caso de doença comprovada.)

Lei

749/53

(Art.

69.

Reversão

é

reingresso

no

serviço

público

do

funcionário

CAPÍTULO VII Do Aproveitamento 45

42 V. art. 5, V

43 V. art. 111

44 V. art. 22

45 V. art. 5, VI

Art. 53. O aproveitamento é o reingresso, no serviço público, do servidor em disponibilidade, em cargo de natureza e padrão de vencimento correspondente ao que ocupava. Art. 54. O aproveitamento será obrigatório

quando:

extinção

decorreu a disponibilidade; -

anteriormente

declarado desnecessário.

I -

II

restabelecido

deva

ser

o

cargo

de

cuja

provido

cargo

o

aproveitamento e cassada a disponibilidade de servidor que, aproveitado, não tomar posse e não entrar em exercício dentro do prazo legal 46 .

Art.

55.

Será

tornado

sem

efeito

Lei 749/53 – (Art. 66. Aproveitamento é a volta ao serviço público de funcionário em

disponibilidade. Parágrafo único. É obrigatório o aproveitamento do funcionário em disponibilidade em cargo de natureza e vencimento compatíveis com o que anteriormente ocupara. Art. 67. O aproveitamento dependerá de prova de capacidade mediante inspeção médica, e, se considerado incapaz será decretada a aposentadoria. Art. 68. Será cassada a disponibilidade e tornado sem efeito o aproveitamento se o funcionário não tomar posse no prazo legal, salvo caso de doença comprovada.)

CAPÍTULO VIII Da Readaptação 47

Art. 56. Readaptação é a forma de provimento, em cargo mais compatível, pelo servidor que tenha sofrido

limitação em sua capacidade física ou mental, verificada em inspeção médica oficial.

§ 1º. A readaptação, "ex-officio" ou a pedido,

será efetivada em cargo vago, de atribuições afins, respeitada a habilitação exigida. § 2º. A readaptação não acarretará diminuição ou aumento da remuneração.

46 V. art. 22

47 V. art. 5, VII

§ 3º. Ressalvada a incapacidade definitiva para o

serviço público, quando será aposentado, é direito do servidor renovar pedido de readaptação.

Lei 749/53 – (Art. 70. Readaptação é o aproveitamento do funcionário em função mais compatível com sua capacidade física ou intelectual e vocação, sempre precedida de inspeção médica. Art. 71. A readaptação não acarretará decréscimo nem aumento de vencimento ou remuneração e será feita mediante transferência ou remoção.)

CAPÍTULO IX Da Recondução 48

Art. 57. Recondução é o retorno do servidor

estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de:

I - inabilitação em estágio probatório relativo a

outro cargo;

II - reintegração do anterior ocupante 49 .

Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado em outro, observado o que dispõe a presente Lei nos casos de disponibilidade e aproveitamento.

CAPÍTULO X Da Vacância

Art. 58. A vacância do cargo decorrerá de:

I - exoneração;

II - demissão 50 ;

III - promoção;

IV - aposentadoria;

V - readaptação;

VI - falecimento;

VII - transferência; VIII - destituição 51 .

Parágrafo único. A vaga ocorrerá na data:

I - do falecimento;

48 V. art. 5, VIII

49 V. art. 40

50 V. arts. 190 a 195

51 V. arts. 192 a 195 e art. 61

II - da publicação do decreto que exonerar, demitir, promover, aposentar, readaptar, transferir, destituir e da posse em outro cargo inacumulável.

Art. 59. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor ou de ofício. Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:

I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo legal. Art. 60.A exoneração de cargo em comissão dar-se-

á 52 :

I - a juízo da autoridade competente; II - a pedido do próprio servidor.

Art. 61. A vacância de função gratificada dar-se- á por dispensa, a pedido ou de ofício, ou por destituição 53 .

Art. 62. Na vacância do cargo de titular de autarquia ou fundação pública, poderá o mesmo ser provido com a nomeação temporária, ressalvado no ato de provimento o disposto no art. 92, XX da Constituição do Estado 54 .

Lei 749/53 – (Art. 74. Haverá vacância do cargo nos seguintes casos:

I – exoneração;

II – demissão;

III – promoção;

IV – transferência;

V – aposentadoria;

VI - posse em outro cargo;

VII – falecimento.

Art. 75. Dar-se-á a exoneração:

I - a pedido;

11 - "ex-offício", nos seguintes casos:

quando se tratar de cargo em comissão; quando não satisfeitas as condições do estágio probatório. Art. 76. O funcionário só poderá ser exonerado a pedido após a conclusão do processo· administrativo a que responder, "desde que reconhecida a sua inocência”. Art. 77. Ocorrendo vaga, considerar-se-ão abertas, na mesma data, as decorrentes de seu preenchimento. Parágrafo único. A vaga ocorrerá na data:

52 V. arts. 192 a 196

53 V. arts. 192 a 195, 58, VIII

54 V. art. 135 , XII, Constituição Estadual/89

I - do falecimento II - da publicação:

a) da lei que criar o cargo e conceder dotação para o seu provimento ou da que determinar esta última medida, se o cargo estiver criado; b) do decreto que promover, transferir, exonerar, demitir ou extinguir cargo excedente cuja dotação permitir o preenchimento de cargo vago. III - da posse em outro cargo. Art. 78. Quando se tratar de função gratificada, dar-se-á a vacância por dispensa, a pedido ou ex-offício, ou por destituição.)

TÍTULO III DOS DIREITOS E VANTAGENS

CAPÍTULO I Da Duração Do Trabalho

Art. 63. A duração da jornada diária de trabalho será de seis horas ininterruptas, salvo as jornadas especiais estabelecidas em lei 55 . § 1º. Nas atividades de atendimento público que exijam jornada superior, serão adotados turnos de revezamento. § 2º. A duração normal da jornada, em caso de comprovada necessidade, poderá ser antecipada ou prorrogada pela administração 56 .

Art. diariamente 57 :

64.

A

freqüência

será

apurada

I - pelo ponto de entrada e saída;

- pela forma determinada quanto aos

servidores cujas atividades sejam permanentemente exercidas externamente, ou que por sua natureza, não possam ser mensuradas por unidade de tempo 58 .

II

Lei 749/53 –(Art. 79. Ponto é o registro pelo qual se verificarão diariamente a entrada e saída dos funcionários. § 1º. No registro de ponto serão lançados todos os elementos necessários à apuração da freqüência. § 2.° Para registro de ponto será usado de preferência meio mecânico.

55 art. 7, XIV e XV, CF/88

V.

V.

Lei n5.378/87 ( art. 2)

V.

arts. 89 e 133, § 2

56 V.

arts. 65 e 133, § 2

57 arts. 71; 72, XVI; 124, I, “a” e seu Parágrafo único

V.

58

V. art. 160, I, “f”.

Art. 80. Salvo os casos expressamente previstos em lei e regulamentos, e, excepcionalmente a critério do Chefe do Poder Executivo, é vedado dispensar o funcionário do registro de ponto.)

Art. 65. Na antecipação ou prorrogação da duração da jornada de trabalho, será também remunerado o trabalho suplementar, na forma prevista neste Estatuto 59 .

Lei 749/53 – (Art. 141. A gratificação por serviço extraordinário não poderá exceder a um terço do vencimento ou remuneração, salvo na hipótese do item IV, do art. 138. Parágrafo único. Tratando-se de serviço extraordinário noturno a gratificação será acrescida de vinte e cinco por cento. Art. 142. A gratificação por serviço extraordinário será paga por hora do trabalho prorrogado ou antecipado, na mesma razão percebida pelo funcionário no período normal.)

Art. 66. O servidor ocupante de cargo comissionado, independentemente de jornada de trabalho, atenderá as convocações decorrentes da necessidade do serviço de interesse da Administração.

Lei 749/53 – (Art. 140. O exercício de cargo de direção ou de função gratificada exclui a gratificação por serviço extraordinário.)

CAPÍTULO II Da Estabilidade

Art. 67. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo, adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anos de efetivo exercício 60 .

Lei 749/53 – (Art. 14. Estágio probatório é o período de dois anos de efetivo exercício do funcionário nomeado por concurso e de cinco anos para os demais casos, findo o qual. o funcionário é considerado estável.) ( ) Art. 88. O funcionário ocupante de cargo de provimento efetivo adquire estabilidade depois de :

I - dois anos de exercício, quando nomeado em virtude de concurso; II - cinco anos de exercício, quando nomeado em caráter efetivo sem concurso; §1º. O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de cargos em comissão. § 2.° A estabilidade diz respeito ao serviço público e não ao cargo.

COMENTÁRIOS

59 V. art. 133, § 2e §§ 1e 3

60 V. arts. 32 a 34

A Constituição Federal, em seu art. 41, com a redação dada pela EC nº 19/ 98, considera a estabilidade no serviço público do servidor nomeado para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público somente após 3 (três) anos de efetivo exercício. No mesmo sentido a CE/89, em seu art. 40, com o acréscimo do § 5º, com a seguinte

redação:

§ 5º. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.

Art. 68. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado, ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa 61 .

Lei 749/53 – (Art. 89. O funcionário público perderá o cargo:

I - quando vitalício, somente em virtude de sentença judiciária; II - quando estável, no caso do número anterior, no de se extinguir o cargo ou no de ser demitido mediante processo administrativo em que se lhe tenha assegurada ampla defesa. Parágrafo único. O funcionário em estágio probatório só perderá o cargo após observância do que dispõe o artigo 16 e seus parágrafos, ou mediante inquérito administrativo antes de concluído o estágio.(obs.: o artigo aqui referido deve ser o 14 e §§)

Art. 69. É vedada a exoneração, a suspensão ou a demissão de servidor sindicalizado, a partir do registro da sua candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave, devidamente apurada em processo administrativo 62 .

Lei 749/53 – (Art. 88. O funcionário ocupante de cargo de provimento efetivo adquire estabilidade depois de :

I - dois anos de exercício, quando nomeado em virtude de concurso;

II - cinco anos de exercício, quando nomeado em caráter efetivo sem concurso; §1º. O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de cargos em comissão.

§ 2.° A estabilidade diz respeito ao serviço público e não ao cargo. Art. 89. O funcionário público perderá o cargo:

I - quando vitalício, somente em virtude de sentença judiciária;

II - quando estável, no caso do número anterior, no de se extinguir o cargo ou no de ser demitido mediante processo administrativo em que se lhe tenha assegurada ampla defesa. Parágrafo único. O funcionário em estágio probat6rio s6 perderá o cargo após observância do que dispõe o artigo 16 e seus parágrafos, ou mediante inquérito administrativo antes de concluído o estágio.

61 V. art. 72, VIII

62 cf.: art. 8, VIII, Constituição Federal/88

CAPÍTULO III Do Tempo de Serviço

Art. 70. Considera-se como tempo de serviço público o exclusivamente prestado a União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias e Fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público 63 . § 1º. Constitui tempo de serviço público, para todos os efeitos legais, salvo para estabilidade, o anteriormente prestado pelo servidor, qualquer que tenha sido a forma de admissão ou de pagamento 64 . § 2º. Para efeito de aposentadoria e disponibilidade é assegurada, ainda, a contagem do tempo de contribuição financeira dos sistemas previdenciários, segundo os critérios estabelecidos em lei 65 .

Lei 749/53 – (Art. 86. Computar-se-á integralmente para efeito de aposentadoria e disponibilidade; I - o tempo de serviço público federal, estadual ou municipal; II - o tempo de serviço ativo nas Forças Armadas, computado em dobro quando em operações de guerra;

III - o tempo de serviço prestado em autarquia;

IV - o tempo em que o funcionário esteve aposentado ou em disponibilidade;

V - o tempo de serviço prestado como extranumerário ou sob qualquer outra forma de admissão, desde que remunerado pelos cofres públicos;

VI - o tempo de serviço prestado a instituição de caráter privado que houver sido

transformada em estabelecimento de serviço público. Art. 87. É vedada a acumulação de tempo de serviço prestado concomitantemente em cargo ou funções dos governos da União, Estados, Territórios e Municípios, das Autarquias e Sociedade de Economia Mista.)

Jurisprudência

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

143382

SERVIDOR PÚBLICO CONTAGEM

-

APOSENTADORIA

-

TEMPO

DE

SERVIÇO

-

ATIVIDADE

PRIVADA

-

O funcionário público tem direito de contar para fins de aposentadoria todo o tempo de serviço público, seja federal, estadual ou municipal, conforme resulta bem claro do disposto no § 3do art. 40 da CF. Porém, o tempo de serviço que pode apurar para idêntica finalidade é o de contribuição para a Previdência Social na atividade privada, com a compensação financeira, segundo critérios estabelecidos em lei - CF art. 202,§ 2(STJ - Ac. unân. da 5ª T. publ. em 8/3/93 - RMS 1.993-7-RS - Rel. Min. Costa Lima).

63

V. art. 247

V. tb. Súmula 567 do STF

64 art. 19, ADCT, CF/88

V.

V. arts. 67 a 69 e 247.

65 cf.: art. 201, § 9, Constituição Federal

Art. 71. A apuração do tempo de serviço será feito em dias.

§ 1º. O número de dias será convertido em anos,

considerados sempre como de trezentos e sessenta e cinco dias.

Para efeito de aposentadoria, feita a

conversão, os dias restantes até 182 não serão computados, arredondando-se para um ano quando excederem a esse número.

* §

2º.

Lei 749/53 – (Art. 84. O tempo de serviço, contado em dias, será convertido em anos de 365 dias; se a fração de dias for inferior a cento e oitenta e dois, será desprezada, e, se superior, arredondada para um ano.)

Art. 72. Considera-se como de efetivo exercício,

para todos os fins, o afastamento decorrente de 66 :

I - férias 67 ;

II - casamento, até 8 (oito) dias;

III - falecimento do cônjuge, companheira ou companheiro, pai, mãe, filhos e irmãos, até 8 (oito) dias;

* Redação dada pela Lei Estadual n. 5.995, de 2-9-96 (DOE n. 28.292, de 4-9-96)

IV - serviços obrigatórios por lei; V - desempenho de cargo ou emprego em órgão da administração direta ou indireta de Municípios, Estados, Distrito Federal e União, quando colocado regularmente à disposição 68 ; VI - missão oficial de qualquer natureza, ainda que sem vencimento, durante o tempo da autorização ou designação; VII - estudo, em área do interesse do serviço público, durante o período da autorização 69 ; VIII - processo administrativo, se declarado inocente 70 ;

* V. ADIn que suspendeu a eficácia de norma semelhante no RJU federal.

66 V.

art. 132, Parágrafo único

V.

tb. Súmula 567 do STF

67 V.

arts. 74 a 76

68 art. 132, Parágrafo único e art. 31

V.

69 V.

arts. 26 e 27

70 V.

arts. 29; 181 e 182

IX - desempenho de mandato eletivo, exceto para promoção por merecimento 71 ; X - participação em congressos ou outros eventos

culturais, esportivos, técnicos, científicos ou sindicais, durante o período autorizado 72 . XI - licença prêmio 73 ;

XII - licença maternidade com a duração de

cento e oitenta dias (NR) 74 ;

COMENTÁRIOS:

Com a Emenda Constitucional nº 44, de 09/03/2009, que deu nova redação ao inciso XII, do art. 31, da Constituição estadual, a licença à gestante, ou à mãe adotiva de criança de até oito meses de idade, passou a ter a duração de cento e oitenta dias sem prejuízo da remuneração e vantagens. Adequando-se a este novo mandamento constitucional, foi promulgada a Lei 7.267, de 5 de maio de 2009, que alterou o inciso XII do art. 72, e o caput do artigo 88 com o acréscimo de mais um parágrafo, o quarto, tratando de medidas transitórias à sua aplicabilidade imediata.

XIII - licença-paternidade 75 ; XIV - licença para tratamento de saúde 76 ; XV - licença por motivo de doença em pessoa da

família;

 

XVI

- faltas abonadas, no máximo de 3 (três) ao

mês 77 ;

XVII - doação de sangue, um dia; XVIII - desempenho de mandato classista 78 .

Lei 749/53 – (Art. 85. São considerados de efetivo exercício os dias em que o funcionário

estiver afastado do serviço em virtude:

I - férias, trinta dias;

II - casamento, oito dias;

III - luto (pais, cônjuge, filho e irmão) oito dias;

IV - exercício de outro cargo em comissão, federal, estadual ou municipal;

V - convocação para o serviço militar;

VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;

VII - desempenho de mandato eletivo, federal, estadual ou municipal; VIII - licença especial;

IX - licença para tratamento de saúde;

X - licença à gestante;

XI - licença por doença em pessoa da família;

XII - faltas ao serviço no máximo de três por mês quando justificadas.

71 V. art. 132, Parágrafo único e art. 30

72 V. art. 28

73 V. arts. 98 a 100

74 Nova redação dada pela Lei 7.267, de 05/05/2009 (DOE nº 31413, de 07/05/2009 (Redação anterior: “XII - licença maternidade

com a duração de 120 (cento e vinte) dias” - V. arts. 88 a 90 desta Lei e art. 31, XII, da CE/89.

75 V. art. 91

76 V. art. 81

77 V. arts. 124, Parágrafo único; 132, Parágrafo único e 160, I, “f”

78 V. arts. 69 e 94

§ 1º. Será contado em dobro o tempo de serviço prestado às Forças Armadas em operações de guerra 79 .

Lei 749/53 – (Art. 86. Computar-se-á integralmente para efeito de aposentadoria e disponibilidade; “( ) II - o tempo de serviço ativo nas Forças Armadas, computado em dobro quando em

operações de guerra; (

)”.

§ 2º. As férias e a licença prêmio serão contadas em dobro para efeito de aposentadoria a partir da expressa renúncia do servidor 80 .

Obs.: A Lei 1.894/60 (dispõe sobre a contagem de férias para efeito de aposentadoria e licença prêmio) dispunha sobre a contagem em dobro do período de férias não gozados, após acumulados dois períodos, tendo o seu art. 1º a seguinte redação:

“Art. 1º. O funcionário público estadual que por necessidade de serviço não gozar férias no tempo devido, contará as mesmas, em dobro, para efeito de aposentadoria e licença prêmio.”

JURISPRUDÊNCIA:

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

143478

SERVIDOR PÚBLICO - LICENÇA-PRÊMIO - TEMPO DE SERVIÇO - PRESCRIÇÃO O servidor público estando em atividade se tiver direito a licença prêmio, ainda que anterior a edição da Lei Complementar Estadual 180/78, poderá gozá-la; se se aposentar antes disso, terá direito a indenização correspondente. Desse modo, negado administrativamente o direito vindicado pelo funcionário, a partir do expresso indeferimento a não da lei que serviu de base ao pedido, começa a fluir o

prazo da prescrição para a ação judicial objetivando alcançar aquela pretensão, uma vez que, então, foi

em 21/2/94 - Rec. Esp.

negado o próprio direito que a consubstanciou ( STJ - Ac. unân. da 1ª T. publ 6.073-o-SP - Rel. Min. Milton Luiz)

Art. 73. É vedada a contagem acumulada de tempo de serviço simultaneamente prestado em mais de um cargo, emprego ou função 81 . Parágrafo único. Em regime de acumulação legal, o Estado não contará o tempo de serviço do outro cargo ou emprego, para o reconhecimento de vantagem pecuniária 82 .

Art. 87. É vedada a acumulação de tempo de serviço prestado concomitantemente em cargo ou funções dos governos da União, Estados, Territórios e Municípios, das Autarquias e Sociedade de Economia Mista.)

79 V. art. 53, ADCT, Constituição Federal / 88

80 V. arts. 74 a 76 e 99 , I, “b”

81 V. arts. 17, VI; 22, § 4e 178, I, VII, VIII e IX

82 V. arts. 162 a 164

JURISPRUDÊNCIA:

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

144707

SERVIDOR PÚBLICO - APOSENTADORIA - PROVENTOS - ACUMULAÇÃO - POSSIBILIDADE No atual regime constitucional, nenhuma vedação existe à acumulação de proventos, vale dizer, a remuneração devida aos aposentados, com vencimentos devidos aos servidores da ativa, inocorrente, bem de ver, cumulação de cargos, já que deixa vago o funcionário, pela aposentadoria, o precedente (TJ- SP - Ac. unân. da 5ª Câm. Civ. julg. em 23/6/94 - Ap. 212.208.1/4 - Capital - Rel. Des. Marco César). NOTA ADCOAS: Hely Lopes Meirelles, citado no acórdão, anota sobre o tema: “Nem se objete com a proibição de acumulação de cargos, uma vez que o aposentado não tem cargo; tem, apenas, a retribuição pecuniária por serviços que já foram prestados - pro labore facto - perfeitamente compatíveis com a remuneração de serviços que estão sendo prestados - pro labore faciendo . Por idêntica razão admite-se a dupla aposentadoria, desde que o funcionário haja prestado, efetivamente, serviço em dois cargos por tempo bastante para adquirir, em cada um deles, o direito a inatividade remunerada. O que não se concebe, e a justiça repele, é a duplicidade de proventos resultantes do exercício de um só cargo sem dupla contribuição previdenciária.”

CAPÍTULO IV Das Férias 83

Art. 74. O servidor, após cada doze meses de exercício, adquire direito a férias anuais, de trinta dias consecutivos 84 .

§ 1º. É vedado levar à conta das férias qualquer falta ao serviço.

§ 2º. As férias somente são interrompidas por

motivo de calamidade pública, comoção interna, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por motivo de superior interesse público; podendo ser acumuladas, pelo prazo máximo de dois anos consecutivos.

Art. 75. As férias serão de:

I - trinta dias consecutivos, anualmente; 85 II - vinte dias consecutivos, semestralmente, para os servidores que operem, direta e permanentemente, com Raios X ou substâncias radioativas.

Art. 76. Durante as férias, o servidor terá direito a todas as vantagens do exercício do cargo.

83 V. art. 22, § 2

84 V. art. 72, § 2

85 V. art. 72, § 2e 92

§ 1º. As férias serão remuneradas com um terço a mais do que a remuneração normal, pagas antecipadamente, independentemente de solicitação.

§ 2º. VETADO

86 § 3º. O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização relativa ao período das férias a que tiver direito e ao incompleto, na proporção de um doze avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a quatorze dias.

87 § 4º A indenização será calculada com base na remuneração do mês em que ocorrer a exoneração.

COMENTÁRIOS:

O Estado do Pará, ao expedir a Lei 7.391/2010, passa a reconhecer para o servidor

público, um direito social previsto constitucionalmente (CF, art. 6º, XVII), cuja proporcionalidade já era assegurada no Direito Privado, ex-vi do Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, com a redação que lhe deu o Decreto-Lei nº 1.535, de 13/04/1977, em seu art. 146, que ficou com a

seguinte redação: Art. 146 – (

Parágrafo único - Na cessação do contrato de trabalho, após 12

(doze) meses de serviço, o empregado, desde que não haja sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, de acordo com o art. 130, na

proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias.

).

De igual modo, já havia previsibilidade legal contida no RJU dos servidores públicos civis,

no plano federal, desde 1991, quando a Lei 8.216, de 13.8.91, deu nova redação ao art. 78, § 3º, da

3 o O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em

Lei 8.112/90, que está assim redigido: “Art. 78. (

).

comissão, perceberá indenização relativa ao período das férias a que tiver direito e ao incompleto, na proporção de um doze avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a quatorze dias”.

Assim, por força de dispositivo constitucional (CF, art. 6º, XVII), ao ser exonerado do cargo efetivo (quer seja a pedido ou ex-officio) o servidor terá direito à proporcionalidade das férias não gozadas, acrescida do 1/3 a mais do que o salário do mês da ocorrência do evento.

Lei 749/53 – (Art. 90. O funcionário gozará, obrigatoriamente, trinta dias consecutivos de férias por ano, de acordo com a escala previamente organizada pelo Diretor ou Chefe de Serviço, baixada em portaria no mês de dezembro do ano anterior.

§ 1º É proibido levar à conta de férias qualquer falta ao serviço.

§ 2º É proibida a acumulação de férias, salvo imperiosa necessidade do Serviço, pelo

máximo de dois anos. § 3° Somente depois de um ano de exercício adquirirá o funcionário direito a férias.

§ 4° O funcionário comunicará ao Chefe da Repartição ou Serviço, ao entrar em férias, o seu endereço eventual. Art. 91. Por nenhum motivo serão interrompidas as férias em gozo.

86 Parágrafo acrescido pela Lei 7.391, de 07/04/2010 (DOE nº 31.642, de 09/04/2010. 87 Parágrafo acrescido pela Lei 7.391, de 07/04/2010 (DOE nº 31.642, de 09/04/2010.

COMENTÁRIOS:

Redação original e razões do veto:

§ 2º - É facultado ao servidor converter 1/3 (um terço) das férias em abono pecuniário, desde que o requeira com pelo menos 60 (sessenta) dias de antecedência, incluído no cálculo o valor do adicional previsto no § 1º”.

RAZÕES DO VETO Embora tenha incluído a vantagem ora vetada na proposição submetida e alterada por Vossas Excelências, entendi que melhor atende o interesse público a manutenção, na Lei, do disposto pelo § 2º do artigo 39, combinado com o artigo 7º - XVII da Constituição Federal e pelo artigo 30 - XI da Constituição Estadual.

CAPÍTULO V Das Licenças

Seção I Das Disposições Gerais

Art. 77. O servidor terá direito a licença:

I - para tratamento de saúde 88 ; II - por motivo de doença em pessoa da

família 89 ; III - maternidade 90 ;

IV - paternidade 91 ;

V - para o serviço militar e outras obrigações

previstas em lei 92 ;

VI - para tratar de interesse particular 93 ;

VII - para atividade política ou classista, na

forma da lei 94 ; VIII - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro 95 ;

IX - a título de prêmio por assiduidade 96 .

88 V. arts. 81 a 84 cf.: § 1deste artigo

89 cf.: § 1deste artigo

90 V. art. 88

91 V. art. 91

92 V. art. 92

93 V. art. 93 cf.: § 2, deste artigo

94 V. arts. 94 e 95 cf.: § 2deste artigo

95 V. arts. 96 e 97

V. arts. 85 a 87 ;

cf.: § 2deste artigo

96 V. arts. 98 a 100

§ 1º. As licenças previstas nos incisos I e II dependerão de inspeção médica, realizada pelo órgão competente. § 2º. Ao servidor ocupante de cargo em comissão não serão concedidas as licenças previstas nos incisos VI, VII e VIII.

§ 3º. A licença - da mesma espécie - concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término da anterior será considerada como prorrogação 97 . § 4º. Expirada a licença, o servidor assumirá o cargo no primeiro dia útil subseqüente. § 5º. O servidor não poderá permanecer em licença da mesma espécie por período superior a 24 (vinte

e

quatro) meses, salvo os casos previstos nos incisos V, VII

e

VIII.

Art. 78. A licença poderá ser prorrogada de ofício ou mediante solicitação. § 1º. O pedido de prorrogação deverá ser apresentado pelo menos 8 (oito) dias antes de findo o prazo.

O disposto neste artigo não se aplica às

licenças previstas no art. 77, incisos III, IV, VI e IX.

§

2º.

79. É vedado o exercício de atividade

remunerada durante o período das licenças previstas nos

incisos I e II do Art. 77.

Art.

Art. 80. O servidor notificado, que se recusar a submeter-se à inspeção médica, quando julgada necessária, terá sua licença cancelada automaticamente.

Lei 749/53 – (Art. 92. O funcionário poderá ser licenciado:

I - para tratamento de saúde;

II - por motivo de doença em pessoa de sua família;

III - para serviço militar obrigatório;

IV - para trato de interesse particular;

V - por motivo do afastamento do cônjuge, civil ou militar;

VI - para repouso à gestante;

VII - em caráter especial.

97 V. art. 86, II a IV e seu Parágrafo único

Art. 93. Não será concedida licença para tratamento de interesse particular ao funcionário interino ou em comissão. Art. 94. A licença para tratamento de saúde prevista nos incisos I e II será concedida pelo prazo indicado pelo laudo ou atestado médico. Parágrafo único. Findo o prazo haverá novo exame de saúde que concluirá pela volta ao serviço, pela prorrogação da licença ou pela aposentadoria, conforme o caso. Art. 95. Finda a licença o funcionário deverá reassumir o exercício do cargo. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo importará na perda total do vencimento ou remuneração, e se a ausência exceder de trinta dias, na demissão por abandono do cargo. Art. 96. O funcionário não poderá permanecer em licença por prazo superior a dois anos, salvo nos casos III e V do art. 92. Art. 97. O funcionário licenciado é obrigado a comunicar ao seu superior hierárquico o lugar onde estará gozando a licença.

Seção II Da Licença Para Tratamento de Saúde

Art. 81. A licença para tratamento de saúde será concedida a pedido ou de ofício, com base em inspeção médica, realizada pelo órgão competente, sem prejuízo da remuneração. Parágrafo único. Sempre que necessário, a inspeção médica será realizada na residência do servidor ou no estabelecimento hospitalar onde se encontrar internado.

Art. 82. A licença superior a 60 (sessenta) dias só poderá ser concedida mediante inspeção realizada por junta médica oficial 98 . § 1º. Em casos excepcionais, a prova da doença poderá ser feita por atestado médico particular se, a juízo da administração for conveniente, ou impossível a ida da junta médica à localidade de residência do servidor. § 2º. Nos casos referidos no § anterior, o atestado só produzirá efeitos depois de homologado pelo serviço médico oficial do Estado. § 3º. Verificando-se, a qualquer tempo, ter ocorrido má-fé na expedição do atestado ou do laudo, a administração promoverá a punição dos responsáveis.

Art. 83. Findo o prazo da licença, o servidor será submetido à nova inspeção médica, que concluirá pela volta

98 V. art. 77, § 1; cf.: § 2deste artigo

ao

aposentadoria 99 .

serviço,

pela

prorrogação

da

licença

ou

pela

Art. 84. O atestado e o laudo da junta médica não se referirão ao nome ou natureza da doença, salvo quando se tratar de lesões produzidas por acidente em serviço e doença profissional 100 .

Lei 749/53 – (Art. 98. A licença para tratamento de saúde poderá ser a pedido ou "ex- offício". Parágrafo único. Num e noutro caso, é indispensável a inspeção médica que deverá realizar-se, quando necessário, na residência do funcionário. Art. 99. Para licença até noventa dias, a inspeção médica será feita pelo serviço oficial do Estado, admitindo-se quando assim não for possível, atestado passado por médico particular com firma reconhecida. Parágrafo único. Verificado em qualquer tempo, dolo ou má fé do atestado, o funcionário será obrigado a reassumir o exercício do cargo nos termos do art. 95, e chamados à responsabilidade os médicos atestantes. Art. 100. A licença superior a noventa dias, só poderá ser concedida mediante inspeção por Junta Médica oficial. Excepcionalmente a prova de doença poderá ser feita por atestado médico particular, se a juízo da administração não for conveniente ou possível a ida de junta médica à localidade de residência do funcionário. Art. 101. O laudo da junta ou atestado médico deverá indicar, minuciosamente, a natureza da doença de que sofra o funcionário.

. Parágrafo único. Verificando a qualquer tempo ter sido gracioso o atestado ou o laudo, o Governo promoverá a punição dos responsáveis. Art. 102. Será integral o vencimento ou remuneração do funcionário licenciado para tratamento de saúde por qualquer tempo. Art. 103. A licença a funcionário atacado de tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna. cegueira, lepra, paralisia ou cardiopatia grave, só será concedida quando a inspeção médica não concluir pela imediata aposentadoria. Art. 104. Considerado apto em inspeção médica, o funcionário reassumirá o exercício sob pena de se apurarem como faltas os dias de ausência. Parágrafo único. No curso da licença poderá o funcionário requerer inspeção médica caso se julgue em condições de reassumir o exercício. Art. 105. O funcionário poderá obter licença por motivo de doença na pessoa de sua família, (cônjuge, pai, mãe, filhos e irmãos), desde que provem ser indispensável a sua assistência pessoal e esta não possa ser prestada simultaneamente com o exercício do cargo. § 1º. Provar-se-á a doença mediante inspeção médica, obedecido o disposto nos arts. 99, 100 e 101. § 2°. A licença de que trata este artigo será concedida com vencimento ou remuneração integral até um ano, e com dois terços no tempo restante. Art. 106. Após doze meses consecutivos de licença para tratamento de saúde, em conseqüência das doenças previstas no art. 103 (E. F.), o funcionário terá direito a um mês de vencimento ou remuneração, a título de auxílio-doença.

Seção III

99 V. art. 22, § 2

100 V. C.I.D ( Código Internacional de Doenças)

Da Licença Por Motivo De Doença Em Pessoa Da Família

Art. 85. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge, companheiro ou companheira, padrasto ou madrasta, ascendente, descendente, enteado, menor sob guarda, tutela ou adoção, e colateral consangüíneo ou afim até o segundo grau civil, mediante comprovação médica 101 . Parágrafo único. Nas hipóteses de tutela, guarda e adoção, deverá o servidor instruir o pedido com documento legal comprobatório de tal condição.

Art. 86. A licença para tratamento de saúde em pessoa da família será concedida:

I - com remuneração integral, no primeiro mês; II - com dois terços da remuneração, quando exceder de um até seis meses 102 ; III - com um terço da remuneração quando exceder a seis meses até doze meses; IV - sem remuneração, a partir do décimo segundo e até o vigésimo quarto mês 103 . Parágrafo único. O órgão oficial poderá opinar pela concessão da licença pelo prazo máximo de 30 (trinta) dias, renováveis por períodos iguais e sucessivos, até o limite de dois anos 104 . Art. 87. Nos mesmos parâmetros do artigo anterior, será concedida licença para o pai, a mãe, ou responsável legal de excepcional em tratamento 105 .

Seção IV Das Licenças Maternidade e Paternidade

101 V. Art. 77, § 1

102 V. Art. 77, § 3

103 V. art. 77, § 43

104 V. art. 77, § 3

105 cf.: art. 31, XVIII, CE/89 ; V. arts. 85 e 90

Art. 88. Será concedida licença à servidora

gestante, por cento e oitenta dias consecutivos, sem prejuízo de remuneração (NR) 106 .

§ 1º. A licença poderá ter início no primeiro dia

do nono mês de gestação, salvo antecipação por prescrição médica.

§ 2º. No caso de nascimento prematuro, a licença terá início a partir do parto.

§ 3º. No caso de aborto, atestado por médico

oficial, a servidora terá direito a 30 (trinta) dias de

repouso remunerado.

§ 4º. O benefício previsto no caput deste

artigo alcançará a servidora que já se encontre no gozo da referida licença. (NR)

COMENTÁRIOS:

Com a Emenda Constitucional nº 44, de 09/03/2009, que deu nova redação ao inciso XII, do art. 31, da Constituição estadual, a licença à gestante, ou à mãe adotiva de criança de até oito meses de idade, passou a ter a duração de cento e oitenta dias sem prejuízo da remuneração e vantagens. Adequando-se a este novo mandamento constitucional, foi promulgada a Lei 7.267, de 5 de maio de 2009, que alterou o inciso XII do art. 72, o caput deste artigo 88 e acresceu-lhe mais um parágrafo, o quarto, tratando de medidas transitórias à sua aplicabilidade imediata.

Art. 89. Para amamentar o próprio filho, até a idade de seis meses, a servidora lactante terá direito, durante a jornada de trabalho, a uma hora de descanso, que poderá ser parcelada em dois períodos de meia hora 107 .

Art. 90. À servidora que adotar ou obtiver a guarda judicial de criança até 1 (um) ano de idade, serão concedidos 90 (noventa) dias de licença remunerada 108 . Parágrafo único. No caso de adoção ou guarda judicial de criança com mais de 1 (um) ano de idade, o prazo de que trata este artigo será de 30 (trinta) dias.

Obs.: Em relação à guarda de menor, a LC nº 039, de 2002, trata em seu art. 3º, com a seguinte redação:

Art. 3º O Regime de Previdência instituído por esta Lei compreende os seguintes benefícios:

106 Nova redação dada pela Lei 7.267, de 05/05/2009 (DOE nº 31413, de 07/05/2009) (Redação anterior: “Art. 88. Será concedida licença à servidora gestante, por 120 (cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da remuneração”) cf.: art. 31, XII,

CE/89.

107 cf.: art. 5, L, CF/89 (como norteador)

108 cf.: Art. 31, XII, CE/89 ; V. arts. 85 e 87

II - Quanto aos dependentes:

§ 2º Os benefícios serão concedidos nos termos das Constituições Federal e Estadual e da legislação infraconstitucional em vigor, observados os regramentos introduzidos por esta Lei.

§ 5º À segurada do Regime de Previdência Estadual que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devido salário- maternidade pelo período de 120 (cento e vinte) dias, se a criança tiver até 1 (um) ano de idade, de 60 (sessenta) dias, se a criança tiver entre 1(um) e 4 (quatro) anos de idade, e de 30 (trinta) dias, se a criança tiver de 4 (quatro) a 8 (oito) anos de idade. (NR)

Lei 749/53 – (Art. 107. À funcionária gestante será concedida, mediante inspeção médica, 90 dias de licença, sendo 30 dias antes da délivrance e 60 depois, com vencimento ou remuneração integral.)

Art. 91. Ao servidor será concedida licença- paternidade de 10 (dez) dias consecutivos, mediante a apresentação do registro civil, retroagindo esta à data do nascimento 109 .

Seção V Da Licença Para o Serviço Militar e Outras Obrigatórias Por Lei

Art. 92. O servidor será licenciado, quando 110 :

a) convocado para o serviço militar, na forma e

condições estabelecidas em lei;

b) requisitado pela Justiça Eleitoral;

c) sorteado para o trabalho do Júri;

d) em outras hipóteses previstas em legislação

federal específica. Parágrafo único. Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 (trinta) dias, sem remuneração, para reassumir o exercício do cargo 111 .

Art. 108. Ao funcionário que for convocado para o serviço militar e outros encargos da segurança nacional, será concedida a licença, sem prejuízo de quaisquer direitos ou vantagens. § 1º. A licença será concedida à vista de documento oficial, que prove a incorporação.

109 cf.: art. 10, § 1, ADCT, CF/88 e art. 31, XIII, da CE/89.

110 V. art. 74, § 2

111 V. arts. 22, § 2e 25

§ 2.° Descontar-se-á do vencimento ou remuneração a importância que perceber como incorporado, salvo se optar pelas vantagens do serviço militar. Art. 109. O funcionário desincorporado reassumirá o exercício sendo-lhe concedido o prazo de trinta dias sem perda do vencimento ou remuneração, findo o qual ser-lhe-á aplicado o disposto no art. 95. Art. 110. Ao funcionário oficial da reserva será também concedida a licença durante os estágios previstos pelos Regulamentos Militares, obedecido o disposto nos arts. anteriores.)

Seção VI Da Licença Para Tratar de Interesses Particulares 112

Art. 93. A critério da administração, poderá ser concedida ao servidor estável, licença para o trato de assuntos particulares, pelo prazo de até 2 (dois) anos consecutivos, sem remuneração. § 1º. A licença poderá ser interrompida, a qualquer tempo, a pedido do servidor ou no interesse do

serviço. § 2º. Não se concederá nova licença antes de decorridos 2 (dois) anos do término da anterior 113 .

Lei 749/53 – (Art. 111. Somente depois de dois anos de efetivo exercício no cargo, poderá o funcionário obter licença, sem vencimento ou remuneração, para tratar de interesse particular, salvo quando inconveniente ao interesse do serviço público. Art. 112. Não será concedida licença a funcionário removido ou transferido antes de assumir o exercício e antes de decorridos noventa dias na nova função. Art. 113. Obtida uma licença somente após dois anos, poderá ser concedida nova. Art. 114. O funcionário poderá em qualquer tempo desistir da licença.)

Seção VII Da Licença Para Atividade Política ou Classista

Art. 94. O servidor terá direito a licença para atividade política, obedecido o disposto na legislação federal específica 114 . Parágrafo único. Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-se as seguintes disposições 115 :

I - tratando-se de mandato federal ou estadual, ficará afastado do cargo ou função;

112 cf.: art. 72 (como exceção) e art. 77, § 2

113 V. art. 77, § 4

114 V. arts. 77, VIII e seu § 2; 150, § 2, “a”

115

cf.: art. 44, CE/89 ;

V. arts. 30 e 72, IX

II

- investido no mandato de Prefeito, será

afastado do cargo ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;

III - investido no mandato de Vereador:

a) havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo. b) não havendo compatibilidade de horários, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.

116 Art. 95. É assegurado ao servidor o direito à licença para desempenho de mandato em confederação,

federação, sindicato representativo da categoria, associação de classe de âmbito local e/ou nacional, sem prejuízo de remuneração do cargo efetivo 117 .

§ 1º Somente poderão ser licenciados os

servidores eleitos para cargos de direção ou representação

nas referidas entidades, até o máximo de quatro por

entidade constituída em conformidade com o art. 5º, inciso LXX, alínea “b”, da Constituição Federal.

§ 2º A licença terá duração igual ao mandato,

podendo ser prorrogada, no caso de reeleição, por uma

única vez.

trata este

artigo será contado para todos os efeitos legais, exceto

para a promoção por merecimento 118 .

§ 3º

O

período de licença de que

Seção VIII Da Licença Para Acompanhar Cônjuge 119

96. Ao servidor estável, será concedida

licença, sem remuneração, quando o cônjuge ou companheiro, servidor civil ou militar:

Art.

116 Artigo com redação dada pela Lei nº 6.891, de 13/7/2006.

117 V. arts. 77, VII e 175

118 cf.: art. 44, IV, CE/89

119 V. art. 77, VIII e seu § 2

I

- assumir mandato conquistado em eleição

majoritária ou proporcional para exercício de cargo em local diverso do da lotação do acompanhante;

II - for designado para servir fora do Estado ou

no exterior 120 .

Art. 97. A licença será concedida pelo prazo da

duração do mandato, ou nos demais casos por prazo indeterminado.

§ 1º. A licença será instruída com a prova da

eleição, posse ou designação.

§ 2º. Na hipótese do deslocamento de que trata

este artigo, o servidor poderá ser lotado, provisoriamente, em repartição da Administração Estadual direta, autárquica ou fundacional, desde que para o exercício de atividade compatível com o seu cargo.

Lei 749/53 – (Art. 115. A funcionária casada terá direito a licença sem vencimento ou remuneração, quando o cônjuge funcionário civil ou militar for mandado servir "ex-offício" fora da sede do domicílio comum ou desta se afaste para desempenho de função eletiva. Parágrafo único. Existindo na nova sede Repartição ou Serviço, a funcionária casada, nele deverá ser lotada.)

Seção IX Da Licença Prêmio

Após cada triênio ininterrupto de

exercício, o servidor fará jus a licença de 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração e outras vantagens 121 .

Art.

98.

Lei 749/53 – (Art. 116. Após cada decênio de exercício será concedida ao funcionário, licença especial de seis meses, com todos os direitos e vantagens de seu cargo efetivo. Parágrafo único. Somente será computado, para efeito do disposto neste artigo, o tempo de serviço público estadual ou municipal, conforme a natureza do funcionário, e o tempo em que estiver afastado do exercício do cargo, no desempenho de função eletiva. Obs.: A Lei 5.099, de 30.11.83, deu nova redação a este artigo. (Art. 116. Após cada cinco anos de exercício será concedida ao funcionário, ou ao servidor do Estado regido pela Consolidação das Leis do Trabalho, licença especial de três me- ses, com todos os direitos e vantagens de seu cargo. Parágrafo único - Somente será computado, para efeito do disposto neste artigo, o tempo de serviço público estadual ou municipal, conforme a natureza do funcionário ou do servidor, e o tempo em que estiver afastado do exercício do cargo, no desempenho de função eletiva.)

120 V. arts. 70, 150, § 2, “b” e § 3

121 V. arts. 70; 100 e 131.

Art. 99. A licença será:

I - a requerimento do servidor:

a) gozada integralmente, ou em duas parcelas de 30 (trinta) dias;

Lei 749/53 – (Art. 119. A licença especial poderá ser gozada de uma vez ou em parcelas de três e dois meses.) obs.: A Lei 5.099, de 30.11.83, deu nova redação a este artigo, parcelando o gozo da licença em períodos mensais. (Art. 119. A licença especial poderá ser gozada de uma vez ou em períodos mensais).

b)

convertida

integralmente

em

serviço, contado em dobro 122 ;

tempo

de

Lei 749/53 – (Art. 118. Para efeito de aposentadoria será contado em dobro o tempo de licença especial a que tenha direito o funcionário se não a houver gozado.)

c) VETADO

COMENTÁRIOS:

Redação original e razões do veto:

I - c) convertida em remuneração aditiva, até a metade do prazo."

RAZÕES DO VETO A faculdade concedida ao servidor para converter a metade da licença prêmio não gozada em vantagem financeira, como remuneração aditiva, (alínea c do inciso I do art. 99 do Projeto), combinado com a contagem do tempo de serviço prevista nos artigos 244 e 247 para os celetistas, provocaria, em 1994, excepcional acréscimo de despesa, incompatível com a realidade do Tesouro Estadual, sobremodo quando estão sendo adotadas medidas drásticas de ajuste fiscal impostas pelo Governo Federal. Cabe lembrar que a situação vigente, que concede esse benefício, com prazo mais dilatado (3 meses a cada 5 anos), não permite a sua conversão em pecúnia. Conseqüentemente, essas normas contrariam o interesse público e, potencialmente, representariam inconstitucionalidade, desde que as despesas com pessoal, seguramente, excederiam o limite de 65% (sessenta e cinco por cento) previsto no artigo 38 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal.

II - convertida, obrigatoriamente, em remuneração adicional, na aposentadoria ou falecimento, sempre que a fração de tempo for igual ou superior a 1/3 (um terço) do período exigido para o gozo da licença prêmio 123 .

122 V. art. 72, § 2

123 V. arts. 31, § 1; 110 e 160, II, “d".

Jurisprudência

ADMINISTRATIVA E CONSTITUCIONAL

143859

SERVIDOR PÚBLICO - LICENÇA ESPECIAL - CONVERSÃO EM PECÚNIA INDENIZATÓRIA Pode o constituinte estadual dispor sobre os princípios que devem reger a Administração Pública, alcançando regras gerais sobre o regime dos servidores públicos, particularmente no que concerne aos direitos e deveres dos funcionários públicos, desde que sem ofensa aos limites impostos pela Constituição Federal. Se a norma constitucional estabelece que o servidor poderá gozar de licença especial e férias na forma da lei ou de ambas dispor, a legislação ordinária integrativa é indispensável para a eficácia plena que autoriza a sua imediata aplicação. Havendo legislação ordinária regulando o direito ao gozo de licença especial e de férias, sem, todavia, estabelecer a forma mediante a qual o servidor poderá de ambas dispor para a conversão daquelas não gozadas em pecúnia indenizatória, não é possível deferir o pedido do servidor para esse fim (TJ-RJ - Ac. do 1Gr. de Câms. Civs. reg. em 16/11/93 - Embs. 186/92 na Ap. 423/92 - Rel. Des. Carlos Alberto Menezes Direito). NOTA ADCOAS: ‘é necessário enfrentar a alegação do Estado de que a regra da Constituição do Estado é de eficácia contida. Como doutrina José Afonso da Silva, as normas de eficácia contida solicitam a intervenção do legislador ordinário, fazendo expressa remissão a uma legislação futura, mas o apelo ao legislador ordinário visa restringir-lhes a plenitude da eficácia, regulamentando os direitos subjetivos que delas decorrem para os cidadãos, indivíduos ou grupos. Enquanto o legislador ordinário não expedir a normação restritiva, sua eficácia será plena, sendo de aplicabilidade direta e imediata, visto que o legislador constituinte deu normatividade suficiente aos interesses vinculados a matéria de que cogitam. (Aplicabilidade das Normas Constitucionais, RT, São Paulo, 1968. pag. 96). Assim, neste patamar doutrinário, a conceituação do Estado sobre a natureza da regra constitucional sob exame não lhe beneficia.”

O Tribunal de Contas do Estado do Pará fez editar a Resolução nº 14.930 (Processo nº 96/53888- 3) sobre a matéria, com redação transcrita em nota ao fim ii

Parágrafo único. Decorridos 30 (trinta) dias do pedido de licença, não havendo manifestação expressa do Poder Público, é permitido ao servidor iniciar o gozo de sua licença. *

Art. 100. Para os efeitos da assiduidade, não se consideram interrupção do exercício os afastamentos enumerados no art. 72.

Lei 749/53 – (Art. 116 – “Omissis”.

Parágrafo único. Somente será computado, para efeito do disposto neste artigo, o tempo de serviço público estadual ou municipal, conforme a natureza do funcionário, e o tempo em que estiver afastado do exercício do cargo, no desempenho de função eletiva.

Art. 117. Não será concedida a licença ao funcionário que houver no decênio gozado:

I - licença para tratamento de saúde por prazo superior a 180 dias consecutivos ou não; II - licença por motivo de doença em pessoa da família por mais de 120 dias consecutivos ou não;

III - licença para tratar de interesse particular por qualquer tempo.)

CAPÍTULO VI Do Direito de Petição

Art. 101.