Anda di halaman 1dari 3

Alemães enfrentam novos desafios 60 anos depois do fim da

Segunda Guerra Mundial


A incorporação do leste e a construção da UE suplantam os traumas

Stefan Aust
Editor-chefe

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, em 1945, a maior parte da Europa estava em
ruínas. A Alemanha era considerada um pária na comunidade internacional, responsável por
milhões de mortes e danos materiais incalculáveis.

Em um editorial escrito para sua primeira edição especial em inglês --"Os alemães"--, a
SPIEGEL faz um balanço da Alemanha 60 anos depois da guerra, explorando a evolução de
sua política, economia e cultura e avaliando os desafios do país num mundo em rápida
mutação.

Às 11:01 da noite de 8 de maio de 1945 os canhões se calaram. O alto comando da


Wehrmacht alemã havia se rendido incondicionalmente. O jogo de Adolf Hitler tinha
terminado. A Europa estava em ruínas.

Depois de 12 anos de regime nazista, incluindo 2.077 dias sangrentos de guerra, 60 milhões
de mortos haviam sido contados. Milhões de pessoas tinham perdido suas casas ou estavam
vagando, deslocadas e desorientadas.

A Alemanha não tinha se tornado uma potência mundial; as outras potências mundiais o
haviam evitado. Agora ela "deixaria de existir" --segundo a profecia de Hitler--, uma
conseqüência inevitável de ter perdido a guerra?

Isso quase parecia possível. Assim como a guerra, a derrota fora total.

As coordenadas do poder mundial haviam mudado: o Império Britânico tinha encolhido; a


França fora deixada com uma mera lembrança de sua antiga grandeza. As superpotências
globais agora eram os Estados Unidos e a União Soviética, duas nações que se confrontavam
com crescente animosidade. Em pouco tempo uma cortina de ferro desceu sobre a Europa.

A fronteira fortemente armada entre o leste e o oeste passava pelo centro da Alemanha. Os
dois estados provisórios, a República Federal da Alemanha (ocidental) e a República
Democrática Alemã (oriental), tornaram-se quase completamente integradas a seus
respectivos campos --até 11 de novembro de 1989, quando o Muro de Berlim caiu.

Somente então, 44 anos depois da rendição, essa ordem arbitrária do pós-guerra expirou e a
guerra mundial terminou realmente para os alemães. Eles puderam se reunir.

Mas isso também marcou o fim da era do pós-guerra --Berlim, a antiga capital, tornou-se
novamente a sede do governo central alemão, eleito democraticamente. A solução provisória
de sucesso --a República Federal e o posto avançado soviético, na Alemanha Oriental--
fundiram-se em um único país que continuou a se chamar República Federal. No dia-a-dia,
ela logo se tornou simplesmente Alemanha.

O fato de o país ser novamente a Alemanha, porém, não eliminou os fardos do passado. Pelo
contrário, deu-lhes um foco mais claro. O Parlamento manteve o nome de Bundestag, mas o
prédio em que ele residia continuou a ser chamado de Reichstag.

O chanceler [primeiro-ministro] mudou-se para uma nova construção moderna, cujo projeto
parece uma enorme máquina de lavar, mas vários de seus ministros governam em instalações
restauradas do Reich: o ministro das Finanças no antigo Ministério da Aviação; o ministro das
Relações Exteriores no prédio do Reichsbank; o Bundesrat, o Senado Alemão que representa
os Estados federais, na antiga Herrenhaus prussiana.

Ao mudar-se novamente de Bonn para Berlim, o Parlamento alemão estava retornando a seu
passado.

Isso não foi apenas emocionalmente perturbador; também custou caro. As repercussões em
longo prazo da guerra e da divisão do país, chegando ao presente com um atraso de meio
século, custaram muito mais de um trilhão de euros. Esse dinheiro fluiu do Ocidente para o
Oriente.

O antigo oásis da República Federal, o país do milagre econômico governado de Bonn, a


Alemanha cuja produtividade e contrato social a tornaram um líder mundial, enfrentou
desafios totalmente novos em Berlim.

Um monte de destroços industriais chamado Alemanha Oriental precisou ser reabilitado e


reintegrado. Incorporar os antigos cidadãos da República Democrática ao esquema de
previdência social foi a ruína dos fundos de pensão da República Federal, que já estavam
sobrecarregados.

Os cidadãos do leste, nos quais 40 anos de assistencialismo, vigilância e paternalismo tinham


deixado sua marca, viram-se obrigados a adaptar sua mentalidade o melhor que puderam ao
novo hábitat capitalista. Hoje sabemos que essa será uma tarefa para várias gerações.

A culpa moral pelo holocausto e os horrores da guerra continuaram pesando muito sobre a
Alemanha reunificada. Mas em 1990 mais de 60% de todos os cidadãos alemães tinham
nascido depois de 8 de maio de 1945. No entanto, quer o governo e os governados gostassem
ou não, a República Federal era agora a herdeira legal do Reich alemão.

Isso significa um novo tipo de normalidade?

Inicialmente, em vista da nova coalizão dos social-democratas e verdes em Berlim, a vasta


maioria dos alemães havia feito as pazes com o passado nazista -- ou pelo menos o reprimia
com êxito. Logo, porém, os representantes da geração do pós-guerra foram obrigados a
admitir que o peso de Hitler tinha crescido, e não encolhido.

Um comentário marcante de Gerhard Schröder, de que o novo memorial do holocausto em


Berlim deveria ser um lugar "que as pessoas gostarão de visitar", só poderia ter escapado
muito no início de seu mandato.

O chanceler alemão logo teve de enfrentar a história de seu país, especialmente no exterior.
Os vizinhos não tinham esquecido nada. Além disso, a expansão da União Européia para leste
não significava que Berlim, a antiga capital do Reich e atual capital da Alemanha reunificada,
estava novamente no coração da Europa?

A República Federal da Alemanha era um Estado soberano. Embora integrada à Otan e à


União Européia, tinha responsabilidade política independente pelas decisões referentes às
relações com antigos inimigos e novos amigos, a importância das alianças, as operações
militares e missões de paz. A política sem dúvida tornou-se um terreno mais difícil de
percorrer desde que a República Federal tornou-se novamente a "Alemanha".

Então veio a globalização. De repente, produtos de qualidade que demonstravam uma


capacidade técnica de primeira classe, que um dia pareceram ser unicamente alemães,
estavam sendo fabricados por custo muito menor na República Checa e na China, na Coréia e
na Malásia.

Carros feitos na Alemanha continham uma série de componentes internacionais fornecidos


por dezenas de países. Trabalhadores imigrantes legais e ilegais inundaram o mercado interno,
com salários constantemente inferiores ao da média dos alemães.

Apesar de o presente não ter comparação histórica com os anos da depressão da República de
Weimar, o número de mais de 5 milhões de desempregados era alarmante. A última vez que
tantas pessoas ficaram sem emprego remunerado na Alemanha foi antes de 1933.

Sem dúvida, 60 anos após o fim da Segunda Guerra, o país está enfrentando mudanças
tremendas. A população da República Federal sempre teve menos confiança em si mesma do
que seus vizinhos. Apesar de sua desconfiança latente da Alemanha, estes não tinham mais
medo do colosso no centro da Europa. Além disso, os políticos estão exagerando a dificuldade
das novas realidades.

Na ausência de uma crise aguda, o âmbito para mudanças parecia amplo --e a necessidade de
reformas, não suficientemente urgente. Hoje a realidade torna as reformas inevitáveis, mas
muitas oportunidades já foram desperdiçadas por causa de hesitação, do desejo de evitar
riscos e uma fidelidade ao status quo.

Em uma comparação internacional, o país perdeu o barco. Existe a crescente percepção de


que ser um campeão das exportações mundiais um dia não é garantia para toda a vida. Mas a
crise está superando essas percepções.