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FUNDAÇÃO ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO

DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – FESMP/RN

DIREITO PROCESSUAL PENAL


INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
PROFESSOR MANUEL SABINO PONTES

PROGRAMA DA DISCIPLINA
I – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL AO LONGO DO TEMPO.
II – CONCEITO DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.
III – TITULARIDADE DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.
1. Universalidade da Investigação Criminal. 2. O Ministério Público e sua legitimidade
para investigar. 2.1. Uma parte imparcial. 2.2. Dispensabilidade do Inquérito Policial. 2.3.
Previsão constitucional e legal.
IV - INQUÉRITO POLICIAL.
1. Conceito e Generalidades. 2. Características. 3. Titularidade. 4. Formas de
Instauração. 5. Notitia Criminis. 5.1. Possibilidade de se iniciar investigação criminal com
base em notitia criminis anônima (delação apócrifa). 6. Procedimento. 7. Indiciamento. 8.
Prazo. 9. Incomunicabilidade. 10. Encerramento. 11. Arquivamento. 11.1. Arquivamento
indireto. 11.2. Conflito de atribuições. 12. Valor Probatório. 13. Vícios.
VI – BIBLIOGRAFIA.

I – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL AO LONGO DO TEMPO


Desde as mais antigas civilizações, verifica-se a existência de pessoas que detinham
uma função de cunho investigatório com a precípua finalidade de apurar detalhadamente con-
dutas tidas por delituosas e, conseqüentemente, sua autoria.
No Egito, em 4.000 a.C., um funcionário real do faraó denominado magiaí possuía inú-
meras funções investigatórias.
Havia na Grécia um denunciante de delitos chamado temósteta ou temosteta. Este era
incumbido de investigar a ocorrência de delitos afim de que, posteriormente fosse designado
outrem para promover a acusação. O temósteta não acusava ninguém, mas tão somente pro-
movia a investigação do delito e de suas circunstâncias, em muito se assemelhando à ativida-
de policial desenvolvida nos dias de hoje.
Em Roma, embora a incumbência de realizar todo o trabalho de investigação ficasse à
cargo da vítima, passou pelas mãos do pretor em determinada fase.
Com efeito, com o surgimento do jus puniendi (poder de punir) do Estado, a competên-
cia para apuração das infrações penais saiu das mãos do ofendido e foi para o poder estatal.
Adilson Mehmeri (1994, p. 3), justifica esta relevante modificação:

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“É que o Estado, sem querer abrir mão desse direito de punir, admitiu, contudo, a ne-
cessidade de autocontrole, isto é, um meio pelo qual esse poder repressivo encontrasse limi-
tes. Nascia assim o reconhecimento, segundo o qual a pena só poderia ser aplicada depois de
submetido o indiciado a um procedimento, mais ou menos formal, para apuração dos fatos”.
Na Idade Média, nasceu um sistema que investigava e perseguia rigorosamente pessoas
tidas por hereges que eram consideradas pelos inquisitores como infratores ou de alta ameaça
à fé católica e aos princípios da santa igreja. Esse Tribunal se manifestava a respeito de maté-
rias espirituais, eclesiásticas, cíveis e criminais, se valendo da prática de tortura e das penas
corpóreas.
Acerca deste momento histórico da inquisição, José Geraldo da Silva (2000, p. 29), en-
sina que:
“Historicamente falando, o termo refere-se a uma instituição estabelecida no seio da
Igreja Católica Romana com o propósito de eliminar a heresia, isto é, toda e qualquer oposi-
ção religiosa. Essa atividade mostrou-se mais ativa e destruidora durante um período de
mais de quatrocentos anos, embora, como instituição, tivesse perdurado por muito mais tem-
po ainda”.
No sistema inquisitorial, a investigação, a acusação, o julgamento e a punição passaram
às mãos do Estado. O juiz secular ou eclesiástico era responsável por todos estes aspectos.
Com o surgimento do sistema acusatório, a função de acusar e julgar foram separadas.
II – CONCEITO DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.
Atualmente, em nosso ordenamento processual penal, a investigação criminal é realiza-
da e desenvolvida por agentes públicos, sobretudo pela polícia judiciária. Valter Foleto Santin
(2001, p. 31), em um conceito amplo, diz o que representa a investigação criminal nos dias
atuais:
“Investigação criminal é a atividade destinada a apurar as infrações penais, com a i-
dentificação da autoria, documentação a materialidade e esclarecimento dos motivos, cir-
cunstâncias, causas e conseqüências do delito, para proporcionar elementos probatórios ne-
cessários à formação da opinio delicti do Ministério Público e embasamento da ação penal.
Representa a primeira fase da persecução penal estatal; a ação penal corresponde à segunda
fase da persecução”.
Neste diapasão, vale dizer que, para a efetivação de seu objetivo, a investigação crimi-
nal é conduzida por certos instrumentos. Nesta categoria encontramos o inquérito policial.
III – TITULARIDADE DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.
1. Universalidade da Investigação Criminal.
Não há dúvida de que o inquérito policial deve ser conduzido pela polícia. Tal fato é de
uma obviedade de fazer corar. No entanto, isto não significa que toda e qualquer investigação
criminal só possa ser conduzida pela polícia, como querem alguns. Investigação criminal é o
objeto do inquérito policial e este é um instrumento, um dos meios através dos quais se é
possível investigar crimes.
Afirma-se que o art. 144, § 1º, IV, da Constituição Federal estabelece um monopólio
investigativo em prol da Polícia Federal. Diz o dispositivo legal que “A polícia federal,
instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em

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carreira, destina-se a: (...) IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária


da União”.
A Constituição, ao se referir à exclusividade da Polícia Federal para exercer funções de
polícia judiciária da União, tão-somente delimitou as atribuições entre as diversas polícias
(federal, rodoviária, ferroviária, civil e militar), razão pela qual reservou, para cada uma delas,
um parágrafo dentro do mesmo art. 144. Daí porque, tudo que se pode concluir por este
dispositivo é que não cabe, por exemplo, à Polícia Civil “apurar infrações penais contra a
ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas” (art. 144, 1º, I), pois que tal atribuição está
reservada à Polícia Federal.
Acaso concluíssemos distintamente, ou seja, no sentido do monopólio investigativo da
Polícia, seriam ilegais todas as diligências investigatórias imprimidas pelos demais órgãos da
Administração (Poder Executivo), os quais, embora não ostentem finalidade dirigida à
persecução penal, possuem interesse e acabam por influir nela. Da mesma forma, seriam
insubsistentes as investigações criminais – que existem em pluralidade – levadas a efeito no
âmbito dos Poderes Legislativo e Judiciário.
Há um enorme rol de órgãos distintos da polícia judiciária que realizam investigações,
as quais, muitas vezes, terão conseqüências penais. Mirabete (2001, p. 76) lista alguns casos:
“As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) têm poderes de investigação próprios
das autoridades judiciais (art. 58, § 3º, da CF), tendo sua atuação regulamentada atualmente
pela Lei nº 1.579, de 18 de março de 1952, que disciplina o inquérito parlamentar. O Código
de Processo Penal Militar prevê o inquérito policial militar (IPM). Prevê-se a possibilidade
de inquérito em determinadas infrações ocorridas nas áreas alfandegárias (art. 33, b, da Lei
nº 4.771, de 15-9-1965)”.
Podemos citar, ainda, a hipótese prevista no na Súmula 397 do STF, que trata do poder
de polícia da Câmara e do Senado; os arts. 143 a 173 da Lei n 8.112./90; a apuração dos
delitos contra a ordem econômica pelo CADE (arts. 30 a 51 da Lei n 8.884/94); os crimes
contra as telecomunicações (Lei n 9.472/97); os delitos lesivos ao mercado de títulos e valores
mobiliários, apurados pela CVM (Lei n 6.385/76); as infrações ambientais e alfandegárias;
entre tantas outras investigações levadas a cabo longe da participação das autoridades
policiais.
Por outro lado, se investigar é colher provas, qualquer um do povo pode o fazer. A título
de exemplo, se alguém é jurado de morte e consegue gravar a ameaça em seu celular, seria
justo rejeitar a gravação apenas pelo fato dela não ter sido efetuada pela polícia? 1 Se o
acusado possui um bom advogado que sai à cata de documentos e testemunhas para provar a
sua inocência é óbvio que se trata de uma investigação do crime, mas não é coerente rejeitar
as eventuais provas colhidas sob a alegação de monopólio da polícia.
Segundo VALTAN FURTADO (2004, p. 10/11), “a regra histórica do nosso direito (...) é
a universalidade da investigação, que pode ser pública (...), ou privada (...), direta ou
incidental (...), não havendo sentido em se retirar justamente do titular privativo da ação
penal pública a faculdade de colher elementos para formar sua convicção”(grifamos). No
mesmo sentido, VICENTE GRECO FILHO (1993, p. 82) registra que “o princípio que rege a

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A doutrina e a jurisprudência são unânimes em admitir que a gravação telefônica, realizada por um dos
interlocutores, é prova lícita. Mas como se não foi produzida pela polícia?
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atividade policial é o da não-exclusividade, ou seja, admite-se que mais de um órgão apure


infrações penais, o que, ademais, é do interesse público”.
Como se pode ver, não há que se falar em monopólio da investigação criminal quando a
própria Carta Magna atribui poderes investigatórios a outros órgãos que não à polícia, como
se viu acima. Além disso, a Constituição impõe a todos os Poderes a manutenção de controle
interno (art. 74 CF) que, com sua atividade perscrutatória, pode chegar à apuração de crimes.
Este é o caso, aliás, do já notório processo de Remi Trinta, que foi descoberto desviando
dinheiro do Sistema Único de Saúde pelo próprio Ministério da Saúde (o deputado foi
denunciado e se defendia com a tese do monopólio da investigação criminal pela polícia no
Inquérito 1.968-DF do STF) 2 .
2. O Ministério Público e sua legitimidade para investigar.
2.1. Uma parte imparcial.
A sociedade precisava de um órgão estatal capacitado para promover a acusação de
forma eficiente, desprovido de qualquer sentimento que não seja o de Justiça e independente
funcionalmente. Esta missão foi dada ao Ministério Público.
Neste ponto, devem ser relembradas as palavras de MALATESTA (2003, p. 11), segundo
as quais, “assim como o código das penas deve ser a espada infalível para golpear os
delinqüentes, assim o código dos ritos, inspirado na teoria da lógica sã, sendo o braço que
guia com segurança aquela espada contra o peito dos réus, deve também ser o escudo
inviolável da inocência”. Corroborando com este entendimento, PAULO RANGEL (2004, p. 5-
6) explica que o Processo Penal possui duas funções: é meio para se aplicar o Direito penal,
mas também é instrumento para se efetivar os direitos e garantias individuais.
Neste sentido, o cidadão acusado de um crime tem o direito de ser acusado por um
órgão independente, objetivo, técnico. O Direito Processual Penal garante ao infrator a
observância de todos os direitos previstos na Constituição, sendo a pena aplicada apenas em
último caso, diante de provas contundentes de sua culpa, após um processo justo.
Por outro lado, embora o Ministério Público seja obrigado a propor a ação penal
pública, não deve esta obrigatoriedade ser confundida com a necessidade de proposição, a
qualquer custo, da ação penal. A obrigatoriedade surge apenas diante da presença de um fato
típico, ilícito e culpável, significando então que, havendo elementos que viabilizem o
exercício da ação penal, não tem o Ministério Público discricionariedade para oferecer
denúncia ou não. Tem que fazê-lo.
Por vezes, mesmo havendo o lastro probatório mínimo quando da propositura da ação
penal, ao final da instrução criminal, resta convencido o promotor da insuficiência de provas
ou mesmo da inocência do acusado. Embora seja vetado ao promotor desistir da ação penal,
no uso de sua independência funcional lhe é permitido pronunciar-se pela absolvição do réu.
Dizendo melhor, pela sua inafastável característica de fiscal da lei, nessas situações, é cogente
que o membro do Ministério Público manifeste-se pela improcedência da ação penal, o que
acontece em inúmeras oportunidades.
Da mesma forma, na busca do cumprimento da lei, é atribuição ministerial recorrer de
sentença em benefício do condenado quando, por exemplo, acreditar que o juiz falhou na

2
O Inquérito estava com vistas para o Ministro Cezar Peluso desde 01/09/2004. Com o fim do mandado de
deputado federal de Remi Trinta, em 16/02/2007, o relator Ministro Marco Aurélio, decidiu enviar o processo
para a Justiça Federal do Maranhão, tendo havido baixa definitiva em 13/03/2007.
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dosimetria da pena. Neste mesmo sentido, se o promotor tiver acesso a uma prova
exculpatória, não pode se furtar a trazê-la ao processo, devendo, aliás, lutar para que seja ela
apreciada.
Não se trata, pois, de uma parte propriamente dita, mas de uma parte imparcial,
objetiva, técnica. Parte propriamente dita defende um interesse próprio, enquanto que o
Ministério Público age como substituto processual da sociedade, desejando unicamente que
seja feita a Justiça. E Justiça, no campo do Processo Penal, é condenar o culpado e absolver o
inocente. A visão do Ministério Público como mero órgão acusador não condiz com a
moderna feição da instituição dada pela Constituição Cidadã. É visão ultrapassada.
O promotor não deve ser imaginado com os dentes cerrados, buscando a condenação a
qualquer custo, mas lutando incansável e serenamente para que a lei seja aplicada e, acima de
tudo, para que a Justiça seja alcançada. Trata-se, afinal, de promotor de JUSTIÇA, não de
promotor da LEI, muito menos de promotor de CONDENAÇÃO.
Assim, impróprio considerar o Ministério Público meramente um “órgão investido de
funções nitidamente persecutórias”, como já o fez FREDERICO MARQUES (1998, p. 213). Da
mesma forma, não assiste razão à TOURINHO FILHO (1998, p. 351), quando afirma que o
Ministério Público “não pode ficar eqüidistante das partes”, pois se funda no falso
pressuposto de aquela instituição é parte no sentido ordinário da palavra.
2.2. Dispensabilidade do Inquérito Policial.
No Brasil, a apuração dos fatos criminosos é responsabilidade da polícia, que é
subordinada ao Poder Executivo, entretanto, a dispensabilidade do inquérito policial para o
oferecimento da denúncia pelo Ministério Público é questão pacífica na doutrina, desde que
ele possua outros elementos para formar a sua opinio delicti. Sobre o tema, TOURINHO FILHO:
“O inquérito policial é peça meramente informativa. Nele se apuram a infração penal
com todas as suas circunstâncias e a respectiva autoria. Tais informações têm por finalidade
permitir que o titular da ação penal, seja o Ministério Público, seja o ofendido, possa exercer
o jus persequendi in judicio, isto é, possa iniciar a ação penal”.
“Se essa é a finalidade do inquérito, desde que o titular da ação penal (Ministério
Público ou ofendido) tenham em mãos as informações necessárias, isto é, os elementos
imprescindíveis ao oferecimento de denúncia ou queixa, é evidente que o inquérito será
perfeitamente dispensável” (TOURINHO FILHO, 1997, p. 196).
2.3. Previsão constitucional e legal.
Há quem diga que o Ministério Público não pode investigar pela ausência de previsão
expressa da Constituição. É que, de modo inverso do que ocorre com o particular, ao Estado é
vetado fazer tudo aquilo que a lei não permite.
Em uma primeira reflexão, é de se destacar que não existe direito sem garantia de sua
efetivação. De nada adiantaria, por exemplo, se conceder o direito de ir e vir a cada cidadão,
se não se estabelecesse o Habeas Corpus como garantia deste direito. Assim, se a
Constituição reconhece o Ministério Público como instituição essencial à função jurisdicional,
incumbindo-o de defender a ordem jurídica e lhe conferindo a titularidade da ação penal
pública (direito-dever), forçoso reconhecer-lhe a possibilidade de reunir as provas necessárias
a seu mister (garantia de efetivação).
Colocando de outra forma, a sociedade tem interesse de ver suas normas de convivência
respeitadas e o Estado incumbiu o Ministério Público de zelar por este respeito. Assim,
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necessário garantir ao órgão ministerial os meios de realizar sua função. Afinal, não se forma
opinião (opinio delicti) com base em nada.
Esta é, em linhas gerais, a justificativa da teoria dos poderes implícitos.
Previsão constitucional e legal expressa, entretanto, existe.
Pode-se destacar a própria Constituição Federal, quando autoriza o Ministério Público a
requisitar informações e documentos dentro de suas atribuições (art. 129, VI CF), bem como a
exercer outras funções compatíveis com sua finalidade (art. 129, IX CF).
No entanto, mesmo que previsão constitucional expressa não existisse, ainda assim seria
lícito ao Ministério Público investigar. É que as atribuições e poderes ministeriais previstos
expressamente na Carta Magna (art. 129) 3 não são um rol exaustivo 4 , sendo que diversos
diplomas legais ordinários vieram a os ampliar. Como exemplo, pode-se citar o Código de
Defesa do Consumidor (Lei nº. 8.079/90), que incluiu os interesses individuais homogêneos
sob a proteção do Ministério Público (art. 82, I c/c art. 81, parágrafo único, III). 5 6
Nesta esteira, deve-se lembrar o Estatuto do Ministério Público da União (Lei
Complementar n.º 75/93), que estabelece, com clareza cristalina, que, para o exercício de suas
atribuições, o Ministério Público da União poderá, nos procedimentos de sua competência,
“realizar inspeções e diligências investigatórias” (art. 8.º, V LC 7/93). Já a Lei Orgânica
Nacional do Ministério Público (Lei n.º 8625/93), dispõe expressamente:
“Art. 26 - No exercício de suas funções, o Ministério Público poderá: I - instaurar
inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes e, para instruí-
los: a) expedir notificações para colher depoimento ou esclarecimentos e, em caso de não
comparecimento injustificado, requisitar condução coercitiva, inclusive pela Polícia Civil ou
Militar, ressalvadas as prerrogativas previstas em lei; b) requisitar informações, exames
periciais e documentos de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como dos órgãos
e entidades da administração direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; c) promover inspeções e
diligências investigatórias junto às autoridades, órgãos e entidades a que se refere a alínea

3
Art. 129 - São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública,
na forma da lei; II - zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o
inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de
outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de
intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os
direitos e interesses das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de
sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar
respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no
artigo anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas,
desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de
entidades públicas.
4
“Importante ressaltar, novamente, que o rol (do art. 129) constitucional é exemplificativo, possibilitando ao
Ministério público exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade
constitucional, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”
(MORAES, 2000, pág. 460).
5
Art. 82 - Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: I - o Ministério Público;
6
Art. 81 - A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo
individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único - A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: (...)
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
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anterior; II - requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir


procedimentos ou processo em que oficie;”
Por óbvio, quando a Lei Orgânica permite ao Ministério Público instaurar “outros
procedimentos administrativos pertinentes”, aí estão incluídos os procedimentos
investigatórios criminais, justamente por pertinentes às suas finalidades. Além disso, se o
legislador não excluiu os procedimentos criminais, não cabe ao intérprete o fazer.
IV - INQUÉRITO POLICIAL
1. Conceito e Generalidades
Inquérito policial é o procedimento investigatório de caráter administrativo que visa
apurar a existência de um delito (materialidade) e sua provável autoria (porque somente se
admite ação penal com o mínimo de lastro probatório, sob pena de rejeição da denúncia).
Para o STF, “o Inquérito, que constitui instrumento de investigação penal, qualifica-se
em procedimento administrativo destinado a subsidiar a atuação persecutória do MP, que é –
enquanto ‘dominus litis’ – o verdadeiro destinatário das diligências executada pela polícia
judiciária” (STF – HC 73271-2 – Rel. Celso de Mello).
Para Pacelli, trata-se de “procedimento tendente ao cabal e completo esclarecimento do
caso penal, destinado, pois, à formação do convencimento (opinio delicti) do responsable
pela acusação”.
Os crimes de menor potencial ofensivo não são apurados por inquérito policial, o que
não significa que não haverá investigação policial. A polícia deve realizar uma apuração
sumária dos fatos e encaminhar à Justiça um Termo Circunstanciado, o que não se confunde
com um mero boletim de ocorrência (art. 69, Lei 9.099/95). Esta regra, de acordo com a nova
Lei 11.343/2006 (art. 48), também se aplica ao crime de uso de substância entorpecente 7 .
O destinatário do inquérito é o Ministério Público (ação penal pública) ou ofendido
(ação penal privada). O inquérito policial, no entanto, não é indispensável ao oferecimento da
denúncia ou da queixa:
“O Inquérito Policial não é imprescindível ao início da Ação Penal quando a peça
acusatória se sustenta – como, no caso, ocorre, tratando-se ele crime de opinião, praticado
conforme a queixa-crime, oralmente, na presença de testemunha – pela descrição de conduta
que, em tese, configura crime contra a honra do querelante, com o arrolamento de
testemunha do fato imputado” (STF – HC 74713-2 – Rel.Moreira Alves).
A formação do convencimento do encarregado da acusação pode ocorrer também de
atividades desenvolvidas em procedimentos administrativos levados a cabo por outras
autoridades administrativas e até mesmo por atuação do particular, isto é, pelo
encaminhamento de documentação ou informação suficiente. O CPP, genericamente, dá o
nome de peças de informações a todo e qualquer conjunto indiciário resultante das atividades
desenvolvidas fora do inquérito policial.
2. Características

7
Vale lembrar que tratamos aqui do crime de uso – não de tráfico. Ademais, recentemente, o STF decidiu que o
uso de substância entorpecente, na nova Lei 11.343/2006, continua sendo crime, embora não mais seja prevista
pena privativa de liberdade (STF, 1º Turma, RE 430105 QO/RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 13.2.2007.
Informativo n. 456. Brasília, 12 a 23 de fevereiro de 2007).
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I. Discricionário (art. 14, CPP). Cabe à autoridade policial determinar, consoante o caso
posto e seu entendimento, as diligências mais eficientes para a apuração dos fatos, podendo
deferir ou não os pedidos de prova feitos pelo indiciado ou ofendido, somente estando
obrigado a atender as requisições do juiz ou do membro do MP.
II. Escrito (art. 9°, CPP). O rigor formal do Inquérito é exigido para a documentação dos
fatos que serão usados pelo MP e o Judiciário.
III. Obrigatório. Embora o inquérito não seja indispensável à propositura da ação penal,
a autoridade policial não pode optar entre iniciá-lo ou não. Na Ação Penal Pública, a abertura
do Inquérito Policial é obrigatória, devendo a autoridade policial instaurá-lo de ofício, assim
que tenha notícia da prática da infração.
IV. Oficial. Deve ser presidido pelo Estado.
V. Indisponível (art. 17, CPP). A autoridade policial não pode mandar arquivar autos do
inquérito, o que só pode ser feito pelo juiz, mediante promoção do MP.
VI. Possui natureza de procedimento administrativo informativo. Não é, pois, processo.
VII. Inquisitivo. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são inexigíveis no
inquérito policial – trata-se de procedimento de natureza inquisitiva. Este é, pelo menos, o
entendimento clássico.
Após a Constituição de 1988, no entanto, parte da doutrina passou a considerar
exigíveis no inquérito policial o contraditório e a ampla defesa em razão do artigo 5º, LV:
“LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;”
Porém, se analisarmos o inciso, veremos que o Legislador Constituinte garante o
contraditório e a ampla defesa apenas aos litigantes e aos acusados em Geral, em processo
judicial ou administrativo. Ora, em inquérito policial não existem acusados ou litigantes. A
investigação criminal visa apurar fatos. Não há pólo passivo, não há acusação, não há litígio.
Além disso, inquérito policial não é processo. Por esta ótica, estas garantias não seriam
aplicáveis à investigação criminal.
Uma decisão interessante, no sentido da aplicação de um contraditório, mesmo que
mitigado, ao inquérito policial, foi proferida pelo TJ/SP, no notório caso da morte do Prefeito
Celso Daniel, de Santo André/SP. No caso, o indiciado queria ser ouvido no inquérito policial
e autoridade policial se recusou a isso. Eis a decisão:
"Na origem do habeas corpus, no ato do direito anglo-saxônico que o instituiu, já havia
a exigência de se ouvir alguém para validar a prisão e antes de denunciá-lo. Este é um
direito de raiz, medular, enfronhado no direito do Estado da persecutio, que deve ser
respeitado mesmo antes da instauração do processo-crime em juízo. Não por outra razão o
legislador processual penal estatuiu ser dever da autoridade policial ouvir o indiciado
(artigo 6°, V, do Código de Processo Penal)". (HC 394.322.3/0, Relator Desembargador
Walter de Almeida Guilherme).
VIII. Sigiloso (art. 20, CPP). O IP deve ser dotado do sigilo necessário para completa
elucidação do fato, precipuamente evitando que o investigado ou terceiros coloquem
empecilhos à colheita de informações. O sigilo não se estende ao Ministério Público, que
pode acompanhar todos os atos investigatórios, inclusive em cumprimento ao mandamento
constitucional de fiscalização da atividade policial. Também não se estende ao Judiciário.

DIREITO PROCESSUAL PENAL – PRINCÍPIOS 8


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O Estatuto da OAB diz que o advogado pode manusear e consultar qualquer IP, mesmo
sem procuração (art. 7º, XIII e XIV, do Estatuto da OAB), exceto quando houver nele quebras
de sigilos, quando a procuração seria necessária. Para o STJ, no entanto, o advogado só pode
ter acesso aos autos quando legitimado. Além disto, é possível a decretação de sigilo para o
advogado (total ou para determinados atos), desde que seu conhecimento possa frustrar a
diligência.
Assim, “em face do preceito constitucional que assegura a plenitude do direito de
defesa, não há como negar-se ao advogado, no patrocínio dos interesses defensivos que lhe
são confiados, o direito de estender o exercício de suas atividades até mesmo ao Inquérito
Policial” (TJSP – HC – Rel.Cavalcanti Silva – RT 444/330). Todavia, importante salientar
que “O direito que tem o advogado de examinar autos de Inquérito Policial deve ser exercido
de forma a não obstar o normal andamento do inquérito, posto que, do contrário, estar-se-ia,
inclusive, a sobrepor o interesse particular ao da coletividade, e que seria até desarrazoado”
(TACrim-SP – AP – Rel.Nigro Conceição – RT 505/372).
Sobre o tema, já decidiu o STF:
“EMENTA: I. Habeas corpus: cabimento: cerceamento de defesa no inquérito policial.
1. O cerceamento da atuação permitida à defesa do indiciado no inquérito policial poderá
refletir-se em prejuízo de sua defesa no processo e, em tese, redundar em condenação a pena
privativa de liberdade ou na mensuração desta: a circunstância é bastante para admitir-se o
habeas corpus a fim de fazer respeitar as prerrogativas da defesa e, indiretamente, obviar
prejuízo que, do cerceamento delas, possa advir indevidamente à liberdade de locomoção do
paciente. 2. Não importa que, neste caso, a impetração se dirija contra decisões que
denegaram mandado de segurança requerido, com a mesma pretensão, não em favor do
paciente, mas dos seus advogados constituídos: o mesmo constrangimento ao exercício da
defesa pode substantivar violação à prerrogativa profissional do advogado - como tal,
questionável mediante mandado de segurança - e ameaça, posto que mediata, à liberdade do
indiciado - por isso legitimado a figurar como paciente no habeas corpus voltado a fazer
cessar a restrição à atividade dos seus defensores. II. Inquérito policial: inoponibilidade ao
advogado do indiciado do direito de vista dos autos do inquérito policial. 1. Inaplicabilidade
da garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa ao inquérito policial, que não
é processo, porque não destinado a decidir litígio algum, ainda que na esfera
administrativa; existência, não obstante, de direitos fundamentais do indiciado no curso do
inquérito, entre os quais o de fazer-se assistir por advogado, o de não se incriminar e o de
manter-se em silêncio. 2. Do plexo de direitos dos quais é titular o indiciado - interessado
primário no procedimento administrativo do inquérito policial -, é corolário e instrumento a
prerrogativa do advogado de acesso aos autos respectivos, explicitamente outorgada pelo
Estatuto da Advocacia (L. 8906/94, art. 7º, XIV), da qual - ao contrário do que previu em
hipóteses assemelhadas - não se excluíram os inquéritos que correm em sigilo: a irrestrita
amplitude do preceito legal resolve em favor da prerrogativa do defensor o eventual conflito
dela com os interesses do sigilo das investigações, de modo a fazer impertinente o apelo ao
princípio da proporcionalidade. 3. A oponibilidade ao defensor constituído esvaziaria uma
garantia constitucional do indiciado (CF, art. 5º, LXIII), que lhe assegura, quando preso, e
pelo menos lhe faculta, quando solto, a assistência técnica do advogado, que este não lhe
poderá prestar se lhe é sonegado o acesso aos autos do inquérito sobre o objeto do qual haja
o investigado de prestar declarações. 4. O direito do indiciado, por seu advogado, tem por
objeto as informações já introduzidas nos autos do inquérito, não as relativas à decretação
e às vicissitudes da execução de diligências em curso (cf. L. 9296, atinente às interceptações

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telefônicas, de possível extensão a outras diligências); dispõe, em conseqüência a


autoridade policial de meios legítimos para obviar inconvenientes que o conhecimento pelo
indiciado e seu defensor dos autos do inquérito policial possa acarretar à eficácia do
procedimento investigatório. 5. Habeas corpus deferido para que aos advogados constituídos
pelo paciente se faculte a consulta aos autos do inquérito policial, antes da data designada
para a sua inquirição” (grifamos, HC 82.354, Min Sepúlveda Pertence).
3. Titularidade
A competência para presidir o inquérito policial é deferida aos delegados de polícia
civil, estadual ou federal, conforme a competência. Em regra, o delegado responsável é aquele
com atribuição na área de consumação do delito, entretanto, como a divisão é feita puramente
em prol da conveniência do próprio serviço, não há qualquer problema na realização por outro
delegado de polícia (não existe o princípio do “delegado natural”). Neste sentido:
“A autoridade policial, no exercício da função de polícia judiciária, não exerce
jurisdição, não lhe sendo vedado lavrar auto de prisão em flagrante relativamente à infração
penal ocorrida em local diverso de sua sede funcional” (STJ – RHC5735 – Rel.Vicente
Leal).
“Ao expressar que a polícia judiciária é exercida pelas autoridades policiais no
território de suas respectivas jurisdições (rectius: circunscrição), o art.4º do CPP não
impede que a autoridade policial de uma circunscrição (estado ou município) investigue os
fatos criminosos que, praticados noutra, hajam repercutido na de sua competência” (STF –
HC – Rel. Antônio Néder – RT 489/393).
Exceções à regra:
• Pela Lei 8.625/93, artigo 41, se o indiciado for membro do Ministério Público, o
inquérito policial será presidido pelo Procurador Geral da República;
• A Lei Complementar 35/79, artigo 33 – Lei Magistratura – se o indiciado for Juiz de
Direito, o Inquérito Policial será presidido por um Desembargador;
• Tratando-se de crime militar, o inquérito será conduzido pela Polícia Militar;
• Nos casos de foro privilegiado por prerrogativa de função, quando o Desembargador
ou Ministro preside a investigação. Neste sentido:
“Se o MP, a quem se destinam precipuamente os elementos instrutórios do inquérito,
fornecendo-lhe a base fática para a formação da ‘opinio delicti’, divisa indícios de
envolvimento nos fatos em apuração de pessoas sujeitas à jurisdição criminal do STJ
(art.105, I, “a”, CF), reputando necessário o aprofundamento das investigações em relação
a essas pessoas, o inquérito deve ter curso no foro que lhes é constitucionalmente reservado
por prerrogativa de função” (STJ – RC – Rel. Costa Leite – RSTJ 50/66).
“Gozando os Deputados Federais de prerrogativa de função, não pode o procedimento
investigatório tramitar perante juízo de 1º grau” (STF - 2ªT – HC76672-0 – Rel.Carlos
Velloso).
4. Formas de Instauração
I. De ofício. Sabendo do crime por qualquer meio, a autoridade policial deve instaurar o
IP de ofício, desde que se trate de crime de ação penal pública incondicionada. Dá-se por
portaria.

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II. Mediante requisição do MP. Nos crimes de ação penal pública incondicionada,
condicionada ou privada (nestes dois últimos casos, desde que a requisição acompanhe a
representação da vítima ou de seu representante legal/requisição do Ministro da Justiça). O
delegado está obrigado a instaurar o IP, sob pena de cometer crime de prevaricação. É feita
por portaria.
III. Mediante requerimento (notitia crimines) da vítima, nos crimes de ação penal
privada, ou de qualquer do povo, nos crimes de ação pública incondicionada. A portaria é o
ato material de instauração. Pode ser indeferido e cabe recurso para o chefe de polícia ou
secretário de segurança pública.
IV. Representação da vítima de ação penal pública condicionada à representação.
Também por portaria.
No caso de ação de ação pública condicionada o inquérito só pode ser instaurado
mediante representação da vítima ou requisição do Ministro da Justiça (art. 5º, §4º do CPP).
Constitui-se a representação numa declaração escrita ou oral, que não exige fórmula
sacramental, mas que deve conter as informações que possam servir à apuração do fato e da
autoria (arts. 5º, §1º e 39, §1º). A representação oral ou sem assinatura autenticada deve ser
reduzida a termo (art. 39, §1º, CPP).
V. Mediante requisição do juiz.
O art. 5.°, II, do CPP autoriza o juiz a requisitar inquérito policial. No entanto, este
dispositivo deixou de ter sentido quando o magistrado deixou de ter iniciativa da ação penal
(conforme o revogado art. 531 CPP). Hoje, com a afirmação da privatividade da ação penal
pública para o MP, passou a ser inadmissível a requisição de inquérito pelo juiz (Posição de
Pacelli).
No mesmo sentido, Pacelli, ao comentar a possibilidade do juiz mandar produzir provas,
diferencia iniciativa acusatória de iniciativa probatória. Para o autor, o juiz não pode fazer
nada cujo ônus a lei tenha legado à acusação (iniciativa acusatória), como a instauração de IP,
por exemplo. O juiz, por seu turno, pode determinar a produção de prova para dirimir dúvida
surgida do conteúdo probatório já presente no caderno processual (iniciativa probatória),
como determinar uma nova perícia, por exemplo.
No entanto, a doutrina majoritária, inclusive Damásio de Jesus, entende que a requisição
pelo juiz ainda é aplicável.
No caso de ação privada ou condicionada, necessário que a determinação judicial
contenha a representação ou requisição respectiva.
O delegado está obrigado a instaurar o IP, o que se dará por portaria.
VI. Pelo auto de prisão em flagrante. É o próprio auto de prisão em flagrante o ato
material que instaura o IP.
5. Notitia Criminis
Notitia criminis é o conhecimento, espontâneo ou provocado, pela autoridade policial de
um fato aparentemente criminoso. Modalidades de notitia criminis:
I. Notitia criminis de cognição espontânea, direta, imediata ou inqualificada – a
autoridade policial fica sabendo do crime por outros meios, sem ter havido a comunicação por
outra pessoa identificada. Inclui a denúncia anônima (delação apócrifa).

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II. Notitia criminis de cognição provocada, indireta, mediata ou qualificada - alguém


que se identifica e faz a comunicação. Pode ser feita pela vítima, qualquer do povo ou pelas
autoridades.
III. Notitia criminis de cognição coercitiva – prisão em flagrante.
Nos termos do Código de Processo Penal, a notícia do crime pode ser dirigida à
autoridade policial (art. 5º, II, §3º e §5º), ao Ministério Público (arts. 27, 39 e 40) ou,
excepcionalmente, ao juiz (art. 39).
5.1. Possibilidade de se iniciar investigação criminal com base em notitia criminis
anônima (delação apócrifa).
Ao apreciar o Inquérito nº 1.957-PR, em sessão realizada no dia 11 de maio de 2005 e
em manifestação preliminar levantada pelo eminente Ministro Marco Aurélio Mello acerca do
valor jurídico da denúncia anônima, o plenário do STF assentou entendimento no sentido de
que o anonimato é postura afrontosa ao Estado de Direito, indigna de acolhimento ou defesa,
desprovida inclusive da qualidade jurídica documental que eventualmente pretenda ter (quan-
do escrita ou reduzida a termo), todavia, apta à deflagrar procedimento de mera averiguação
da verossimilhança, se portadora de informação dotada de um mínimo de idoneidade.
A questão relevante acerca da denúncia anônima reside na natureza jurídica do instru-
mento de denunciação. Será ele documento jurídico dotado de aptidão para deflagrar proce-
dimento formal especialmente de natureza criminal?
O plenário do STF firmou tese no sentido de que a delação de autoria desconhecida não
é instrumento dotado de juridicidade, pois se constitui num desvalor em face do próprio orde-
namento jurídico que o repudia. A despeito desse desvalor, caso a denúncia anônima releve
indícios confiáveis dos fatos por ela encaminhados, não pode o aparelho estatal que recebe a
informação simplesmente ignorar a notitia. Eis que é razoável, ante a mínima idoneidade dos
fatos narrados, instaurar-se procedimento de simples averiguação para buscar a consistência
jurídica necessária indicativa de justa causa para a instauração de procedimento formal de
natureza policial (inquérito policial).
Assim, embora a DENÚNCIA ANÔNIMA, por si só, não possa levar à punição de
quem quer que seja, o fato de uma irregularidade ter sido denunciada de forma ANÔNIMA
também NÃO IMPEDE que sejam feitas as investigações e apurações necessárias a verificar
se a denúncia é procedente.
A denúncia anônima, desde que corroborada minimamente, é um instrumento
indispensável à persecução criminal. O denunciante, por vezes, conhece do delito pela
proximidade do denunciado, tendo razões para temer por represálias. Exatamente por isto, nos
dias de hoje, é comum a existência dos chamados “disque-denúncia”, números telefônicos
para onde se pode ligar e denunciar, anonimamente, algum crime. No entanto, não é possível
se iniciar procedimento formal de investigação apenas com base em carta apócrifa. É
necessário um mínimo de corroboração por provas ou indícios.
6. Procedimento.
Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá
(art. 6° CPP):
I. dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das
coisas, até a chegada dos peritos criminais;

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II. apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais;
III. colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias;
IV. averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e
durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento caráter.
A colheita de provas pela autoridade policial, que sirvam ao esclarecimento do fato e de
suas circunstâncias, deve ser feita dentro de um respeito aos direitos e garantias individuais
(Paulo Rangel).
Observe-se que “a busca e apreensão feita pela autoridade policial no local do fato é
conseqüência de sua atuação, de ofício, e, portanto, não necessita de autorização judicial.
Trata-se de ato administrativo que goza do atributo da auto-executoriedade”. (Paulo Rangel)
O artigo 260 CPP permite que o juiz mande conduzir coercitivamente o interrogado.
Pode o Delegado fazê-lo também, uma vez que o CPP determina que ele ouvirá o investigado
nos moldes que o juiz o faz? Existem duas correntes. Primeira – Pode. Corrente legalista
(artigo 185 e seguintes e 260). Segunda – Não pode. O artigo 260 é destinado expressamente
ao juiz, não se podendo interpretar extensivamente uma norma coercitiva. Ponderação: Se a
CF permite o silêncio, qual o proveito processual de se conduzir coercitivamente o
interrogado?
Não pode o sujeito ser obrigado a participar da reconstituição do crime porque ninguém
pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo (o que está incluído no direito ao
silêncio, pois se pode se calar, também pode não produzir prova contra si mesmo). O
indiciado não está obrigado a comparecer para a reprodução simulada do crime (STF, RT
624/372 e RTJ 127/461).
7. Indiciamento
É o ato pelo qual a autoridade policial entendendo que há indícios suficientes de autoria,
interroga, colhe dados da vida pregressa e qualifica o suspeito, que passa a ser indiciado.
É neste momento que pode ocorrer a identificação criminal (fotográfica e datiloscópica).
O art. 5.°, LVIII da CF, estabelece que “o civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. Por sua vez, a lei 10.054/2000
dividiu os indiciados em três grupos:
a) os civilmente não-identificados, que devem sempre ser submetidos a identificação
criminal;
b) os casos de dúvida, ou quando a identificação civil não é legível, também devem ser
submetidos à identificação criminal; e
c) os civilmente identificados que, em regra, não se submetem a identificação criminal,
exceto se houverem cometido algum destes crimes:
c.1) homicídio doloso;
c.2) crimes violentos contar o patrimônio;
c.3) receptação qualificada;
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c.4) crimes contra a liberdade sexual;


c.5) falsificação de documento público.
O art. 5° da Lei do Crime Organizado previa a identificação criminal também para os
envolvidos neste tipo de atividade, entretanto, o STJ considerou este artigo revogado pela Lei
10.054/2000.
Por sua vez, no ECA: “Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será
submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo
para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada”.
8. Prazo
Observe-se, inicialmente, que o prazo de conclusão do inquérito só possui relevância em
se tratando de indiciado preso. Se ele estiver solto, o prazo pode ser dilatado indefinidamente.
A regra geral é a de que o IP deve encerrar-se em 10 dias se o indiciado estiver preso ou
em 30 dias, se solto (art. 10 CPP). A prorrogação do prazo deve ser requerida ao juiz, ouvido
o MP. No caso de indiciado preso, o prazo só pode ser prorrogado mediante a soltura do
acusado.
Na Justiça Federal, o prazo para conclusão do inquérito quando o indiciado está preso é
de 15 dias prorrogáveis por mais quinze, independentemente da soltura do indiciado (Lei
5.010/66). No caso de indiciado solto, segue-se a regra geral (30 dias).
Nos Crimes contra a Economia Popular (Lei 1.521/51), o prazo para a conclusão do
inquérito será de 10 dias, indistintamente se indiciado estiver preso ou solto.
Na antiga Lei de tóxicos, de n° 6.368/1976, o prazo era de 5 ou 30 dias (art. 21 c/c art.
35, parágrafo único da Lei 6368/76), duplicáveis se fosse hediondo o crime (arts. 12, 13, 14
da Lei 6368/76).
A Lei 10.409/2002, que modificou o procedimento no caso de crimes envolvendo
entorpecentes 8 , previa o prazo de 15 dias, quando preso o indiciado, ou 30 dias, quando solto.
Estes prazos, no entanto, podiam ser duplicados (artigo 29 da Lei 10.409/02), independente da
soltura do indiciado (posição majoritária).
A nova Lei 11343/2006, que revogou as duas últimas, modificou os prazos para 30 ou
90 dias, duplicáveis, independentemente da soltura do indiciado (art. 51).
A contagem do prazo para conclusão do IP com indiciado preso em flagrante delito
exclui o dia do início, por se tratar de prazo processual. Existe, entretanto, entendimento
minoritário de Luiz Flávio Gomes e Paulo Rangel de que seria prazo material porque atinge o
direito de liberdade, computando-se o dia do início.
9. Incomunicabilidade
Diz o art. 21 do CPP:
“Art. 21 - A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos
e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação
o exigir. Parágrafo único - A incomunicabilidade, que não excederá de 3 (três) dias, será
decretada por despacho fundamentado do juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do

8
Apesar de Paulo Rangel defender que a lei nunca entrou em vigor (mais detalhes no ponto 1 de Direito Civil).
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órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no art. 89, III, do
Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei nº 4.215, de 27 de abril de 1963)”.
Estatuto da OAB, Lei 8.906/94, em seu artigo 7º, inciso número III, define que:
“Art. 7º São direitos do advogado: (...) III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e
reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou reco-
lhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;”
Com a regra acima, ninguém ficará incomunicável em hipótese alguma, vista a sempre
possibilidade de comunicação com o advogado. O tema, no entanto comporta uma maior
discussão.
As divergências se iniciam pela interpretação do artigo 136, § 3º, inciso número IV da
Constituição Federal:
“Art. 136 - O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente
restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas
por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes
proporções na natureza. (...) § 3º - Na vigência do estado de defesa: (...) IV - é vedada a
incomunicabilidade do preso”.
1ª Corrente: Tourinho/Mirabete: O artigo 21 do Código de Processo Penal não foi
recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Se o Legislador Constituinte proibiu a
incomunicabilidade durante o estado de defesa, quando algumas garantias constitucionais são
suprimidas, com muito mais razão, deve-se entender vedada a incomunicabilidade durante o
estado de direito.
2ª Corrente: Vicente Grecco Filho: Se o Constituinte proibiu a incomunicabilidade
durante o estado de defesa, implicitamente a permitiu durante a vigência do estado de direito
e, portanto, foi recepcionado o artigo 21 do Código de Processo Penal.
3ª Corrente: Damásio E. de Jesus: O artigo 136, § 3º trata dos chamados crimes contra o
estado, portanto a vedação relativa à incomunicabilidade só diz respeito aos crimes desta
natureza. Portanto, foi recepcionado o artigo 21 do Código de Processo Penal.
Para Pacelli, o artigo 21 do CPP foi revogado pela nova Constituição Federal, filiando-
se o autor à primeira corrente. É o entendimento majoritário.
10. Encerramento
Concluídas as investigações, a autoridade policial deve fazer minuncioso relatório do
que tiver sido apurado no inquérito policial (art. 10, §1º, 1º parte). Nele, poderá indicar
testemunhas que não tiveram sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser
encontradas (art. 10, §2º).
Não cabe a autoridade na sua exposição emitir qualquer juízo de valor, expender
opiniões ou julgamentos, mas apenas prestar todas as informações colhidas durante as
investigações e as diligências realizadas. A falta de relatório não anula a ação penal (RJTJSP
122/554). Na novíssima lei de drogas, ao contrário, exige-se a classificação do delito pela
autoridade policial.
Encerrado o IP, o MP pode: denunciar, se entender que a materialidade e a autoria estão
devidamente demonstradas; requerer novas diligências, se necessárias; ou promover o
arquivamento, se for o caso (falaremos mais sobre o arquivamento a seguir).
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Embora se fale em “requerimento” de novas diligências, a terminologia correta seria


“requisição”, já que o juiz não pode indeferir o pedido. Caso venha a ser indeferido o
requerimento de novas diligências, caberá correição parcial.
11. Arquivamento
Ainda que provada a inexistência do fato ou que não se tenha apurado a autoria do
ilícito penal, a autoridade policial não pode mandar arquivar o inquérito (art. 17 CPP). Tal
providência cabe ao juiz, a requerimento do órgão do Ministério Público. Sendo este último
destinatário do inquérito policial, deve formular um juízo de valor sobre o seu conteúdo, para
avaliar a existência, ou não, de elementos suficientes para fundamentar a acusação (certeza da
materialidade e probabilidade da autoria). Se não encontrar esses elementos, cumpre-lhe
requerer ao juiz o arquivamento do inquérito. Tal requerimento deve ser fundamentado e, se o
juiz concordar com a promoção, dá-se o arquivamento direto.
Pode ocorrer, porém, um pedido implícito de arquivamento, como, por exemplo, na
manifestação de que a prova coligida não autoriza estabelecer a participação de um indiciado
na prática do crime, ou de que considera o juiz incompetente, recusando-se a oferecer a
denúncia (Mirabete).
Quando o Promotor deixa de incluir na denúncia algum fato típico ou omite o nome de
algum agente, sem expressa declaração das razões pelas quais assim procede, também se
trataria de arquivamento implícito. Nestes casos, tem-se dito que o despacho do juiz
recebendo a denúncia, acarreta a preclusão processual, impedindo o aditamento da denúncia
sem novas provas. Mirabete entende que a preclusão só existe quando houver pedido
expresso de arquivamento ou quando for proferida a sentença sem que a tenha aditado o seu
prolator até a decisão. O entendimento majoritário é no sentido da não admissão do
arquivamento implícito.
Se o juiz não concordar com a promoção de arquivamento, entendendo que seria caso
de denúncia, ele pode, nos termos do artigo 28, do CPP, remeter o inquérito ou peça de
informação ao Procurador-Geral, que decidirá finalmente sobre o assunto.
Concordando com o juiz, o Procurador-geral pode denunciar ele próprio ou nomear
outro promotor para fazê-lo, haja vista que é necessário se respeitar a independência funcional
do promotor natural, que já se manifestou sobre o caso. O promotor designado atua como
longa manus 9 , representando o Procurador-geral de Justiça e não a sua própria convicção.
Assim, não pode se negar a cumprir a determinação do PGJ alegando independência funcional
(há alguma discussão, mas esta é a posição majoritária).
Se o PGJ, no entanto, concorda com a promoção de arquivamento, o juiz é obrigado a
arquivar.
O arquivamento direto tem eficácia preclusiva típica de coisa julgada formal 10 , na
medida em que impede, diante daquele conjunto probatório, a rediscussão ou novas investidas

9
Usa-se desta locução latina num sentido moderno que nada tem a ver com a traditio longa manus (V. tradição
longa manu) do direito romano. Tradução literal: mão longa, comprida, longa mão. Indica que alguém age
movido por outrem que não aparece publicamente: sócio ostensivo escondendo a existência do sócio oculto, o
testa de ferro ocultando a existência do verdadeiro dono do negócio, a interposta pessoa obumbrando o
verdadeiro adquirente da coisa. Todas estas figuras não representam mais que um alongamento da mão do
interessado direto que se deixa eclipsar. Outro Exemplo: o autor mediato em relação ao autor imediato (V.
autoria mediata). Pessoa que serve de instrumento passivo da vontade alheia.
10
Há alguma discussão sobre a natureza jurídica da decisão de arquivamento. Uns entendem que se trata de mero
despacho (já que o juiz não pode decidir não homologar), outros entendem que se trata de verdadeira decisão
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sobre os fatos. Assim, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas (Súmula 524,
STF).
De acordo com o STF, constitui constrangimento ilegal o desarquivamento de inquérito
policial e conseqüente oferecimento de denúncia e seu recebimento sem provas novas.
Entende-se por novas provas “aquelas que produzem alteração no panorama probatório
dento do qual fora concedido e acolhido o requerimento de arquivamento” (STF).
“Por novas provas entendemos as que já existiam e não foram produzidas no momento
oportuno, ou provas que surgiram após o encerramento do inquérito policial” (Paulo Rangel,
p. 195).
É irrecorrível o despacho que determina o arquivamento ou o desarquivamento do
inquérito policial (RT 422/316).
É inadmissível a instauração da ação penal em inquérito policial arquivado a pedido do
MP, mediante ação privada subsidiária.
Nos crimes de competência originária dos tribunais a promoção de arquivamento do
procurador pode ser recusada? De acordo com o STF, o pedido de arquivamento nestes casos
é irrecusável. Porém, existe como reverter essa situação. A Lei 8.625/93, em seu artigo 12,
XI, o estipula que o legítimo interessado (a vítima, por exemplo), pode requerer no prazo de
cinco dias ao Colégio de Procuradores de Justiça que reexamine a decisão do Procurador
Geral. Caso julgue procedente este pedido, pela maioria absoluta de seus membros, o Colégio
de Procuradores enviará os autos ao substituto legal do Procurador Geral de Justiça para o
oferecimento da denúncia.
Arquivamento faz coisa julgada material, segundo o STF, nos seguintes casos:
1. quando o arquivamento se fundar numa excludente de ilicitude;
2. quando se fundar na atipicidade do fato;
3. quando se funda na extinção da punibilidade.
11.1. Arquivamento indireto
A terminologia é confusa porque não se trata de verdadeiro arquivamento. A
jurisprudência costuma chama isso de conflito de jurisdição sui generis.
Imaginemos que o membro do MP manifeste-se no sentido da incompetência do juízo
perante o qual ele oficia, recusando, por isso, atribuição para a apreciação do fato investigado.
É o caso, por exemplo, do procurador da república entender que o crime apurado é da
competência da justiça estadual.
Nestes casos, deverá o MP recusar a atribuição, requerendo ao juiz que sejam os autos
encaminhados à Justiça competente.

judicial, sujeita à coisa julgada. O importante neste debate é entender que o arquivamento gera direito subjetivo
ao investigado, em face do Estado, na medida em que a reabertura das investigações está condicionada à
descoberta de novas provas (Pacelli).
Segundo Paulo Rangel, “Tratando-se de ato que requer a manifestação de vontade de dois órgãos principais,
sem um dos quais o ato não se perfaz em toda a sua inteireza, quais sejam: O Ministério Público e Judiciário, e
sendo ato ligado à função executiva, podemos afirmar que a sua natureza é de um ato administrativo
complexo”.
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Se o juiz concordar com a manifestação do MP, não há qualquer problema. No entanto,


se o juiz discordar, afirmando ser ele o competente para a apreciação do fato, surge uma
questão de certa complexidade.
Para solucionar o problema, seguindo parecer de Cláudio Fonteles, o STF construiu a
teoria do arquivamento indireto. Pelo raciocínio, o juiz, diante do não oferecimento de
denúncia pelo MP, ainda que fundada na incompetência do juízo, deveria receber tal
manifestação como se fosse uma promoção de arquivamento. Assim, o conflito poderia ser
solucionado pela aplicação do art. 28 do CPP.
11.2. Conflito de atribuições.
É interessante lembrar a controvérsia sobre o conflito de atribuições entre membros do
MPF e do MPE.
Para o antigo Procurador Geral da República Cláudio Fonteles, quem decide este tipo de
conflito de atribuições é o PGR, chefe maior de todo o Ministério Público. No passado, o STF
havia decidido que a competência seria do STJ, decisão esta modificada posteriormente. O
atual entendimento é que o STF é que teria ele competência para dirimir o conflito, por se
tratar de competência residual (PET 3528/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, 28/09/2005).
Lembremos que, no caso de conflito entre dois membros do mesmo MP, o conflito será
dirimido pelo Procurador Geral ou pelo Conselho, conforme cada Lei Orgânica. Por fim, no
caso de conflito entre membro do MPF e membro do MPE/DF, seria função do PGR dirimir a
questão, já que o MPE/DF faz parte do MPF.
Observe-se, ainda, que o conflito de atribuições não afeta os fatos apurados no IP, que
poderão ser utilizados por qualquer membro do MP.
12. Valor Probatório.
De acordo com o STF, a decisão condenatória, apoiada exclusivamente no inquérito
policial, contraria o princípio constitucional do contraditório (RTJ 67/74). Em outra
oportunidade o Pretório Excelso decidiu que o inquérito policial não pode ser sede de
sentença condenatória porquanto a prova testemunhal que nele se acolhe só adquire valor
jurídico por intermédio de sua jurisdicionalização, que só acontece no sumário.
A prova testemunhal (assim como o interrogatório), como se sabe, tem a característica
da judicialidade, só se aperfeiçoando com o crivo do contraditório, com sua repetição em
juízo.
Com relação às perícias realizadas no IP, elas não precisam ser repetidas (muitas vezes,
inclusive, os vestígios já desapareceram). Nestes casos, o contraditório é diferido, ou seja,
fica adiado para o eventual julgamento.
Vale ressaltar, ainda, que tramita projeto no Congresso Nacional no sentido de
desobrigar a repetição dos interrogatórios e testemunhos em juízo.
13. Vícios.
Não afetam a Ação Penal, podendo, no máximo, acarretar a ineficácia do ato em si.
Neste sentido, “é pacífico no STF o entendimento segundo o qual irregularidades ocorridas
no Inquérito Policial não repercutem na validade do processo penal quando a condenação se
apóia em elementos de prova colhidos em juízo, como no caso” (STF – HC – Rel.Sydney
Sanches – RT 669/384). Conjugando do mesmo entendimento, o STJ já decidiu que, “tendo o

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inquérito policial caráter meramente informativo, vícios formais que contenha não se
estendem ao processo de maneira a torná-lo nulo” (5ªT – RHC6491 – Rel. José Arnaldo).
Segundo Paulo Rangel, “não se deve falar em contaminação da açào penal (processo
judicial) em face de ter ocorrido vício de legalidade no curso do inquérito policial, pois
tratam-se de fases distintas da persecuçào penal com disciplinas próprias. O professor
Frederico Marques,com a clareza que lhe é peculiar, professa de forma indiscutível: a
nulidade, porém, só atingirá os efeitos coercitivos da medida cautelar, e nunca o valor
informativo dos elementos colhidos no auto de flagrante”.
Em razão da natureza inquisitiva do IP, nem mesmo a suspeição ou o impedimento da
autoridade policial vicia o ato. Neste sentido: “A autoridade policial não tem função
judicante, podendo, por isso mesmo, prender e presidir os atos de inquérito em que figura
também como vítima” (TAMG – HC – Rel. Fiúza Campos – RT 542/407).
A falta de curador ao investigado menor de 21 anos, outrossim, não é causa para
repercussão de vício para o processo penal, pois “O inquérito apenas recolhe dados
informativos para a edição da denúncia. A nomeação de curador na Ação Penal legitima o
do inquérito” (STJ – RHC – Rel.Edson Vidigal – RT 698/422). Também para o STF, “A falta
de nomeação de curador a réu menor ao ensejo do inquérito anula apenas a confissão que
ele tiver feito, e não o processo, pois se trata apenas de um instrumento de esclarecimento do
Ministério Público para a apresentação da denúncia” (HC – Rel.Cordeiro Guerra – RT
597/412).
Vale ressaltar, à propósito, que, com o “novo” Código Civil, a figura do curador para o
menor de 21 anos, tanto no IP como judicialmente, deixou de fazer sentido.

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