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Proposta ao Conselho Pedagógico e ao Conselho

Executivo
Os professores e educadores do Agrupamento de Escolas D. Miguel de
Almeida, de Abrantes, subscritores deste documento vêm propor ao
Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a suspensão do processo de
avaliação do desempenho em curso nos termos e com os fundamentos
seguintes:

1. O modelo de avaliação do desempenho aprovado pelo Decreto -


Regulamentar 2/2008 não está orientado para a qualificação do
serviço docente, como um dos caminhos a trilhar para a melhoria da
qualidade da Educação, enquanto serviço público;
2. O modelo de avaliação instituído pelo referido Decreto -
Regulamentar destina-se, sobretudo, a institucionalizar uma cadeia
hierárquica dentro das escolas e a dificultar ou, mesmo, impedir a
progressão dos professores na sua carreira;
3. O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas
categorias que, só por si, determinam que mais de 2/3 dos docentes
não chegarão ao topo da carreira, completam a orientação
exclusivamente economicista em que se enquadra o actual estatuto
de carreira docente que inclui o modelo de avaliação decretado pelo
ME;
4. Paradoxalmente, a aplicação do actual modelo de avaliação do
desempenho está a prejudicar o desempenho dos professores e
educadores por via da despropositada carga burocrática e das
inúmeras reuniões que exige;
5. O modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade e é
objecto de leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o
próprio Ministério da Educação consegue explicar devidamente;
6. A instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos
ritmos que é possível encontrar e dificultada ainda pela falta de
informação cabal e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente,
aparecendo;
7. A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser
universalizados. Alguns só se aplicam com um número reduzido de
professores. Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de
um problema estrutural – não existem quadros de referência em
função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação
do desempenho;
8. O desenvolvimento do processo com vista à avaliação do
desempenho não respeita o que determinam os artigos 8º e 14º, do
próprio Dec-Regulamentar 2/2000, uma vez que o Regulamento
Interno, o Projecto Educativo e o Plano Anual de Actividades não se
encontram aprovados por forma a enquadrar os seus princípios,
objectivos, metodologias e prazos;
9. A acrescentar a tudo isto, refira-se que este Agrupamento, se
encontra em regime de instalação. Neste contexto ainda mais
absurdo e despropositado nos parece o investimento do trabalho
docente num processo de avaliação que, independentemente do
modelo, deveria alicerçar-se em documentos validos e efectivos e não
em metas individuais descontextualizadas dos projectos colectivos de
Escola.
10.E com que legitimidade impõe o Ministério da Educação aos
professores um processo de avaliação que lhes consome o tempo e a
alma em reuniões, papéis e relatórios, em prejuízo da sua vida
pessoal, familiar e, sobretudo, profissional? Porque, quer queiramos
quer não, os principais lesados são os alunos.
11.Violação do artigo 37º do CPA - “ no fórum da DGHRE, foi feita a
seguinte pergunta sobre a publicação do despacho de delegação de
competências de avaliação: “ É necessário que o despacho de
delegação de competências de avaliação proferido pelo Presidente do
Conselho Executivo seja publicado em Diário da República para ter
efeito legal, ou um despacho interno será o suficiente? ‘ RE’:
Delegação de Competências by dgrhe – Quarta, 2 Outubro 2008,
05.30 : ‘ Sim, os actos de delegação de poderes estão sujeitos a
publicação no Diário da República, tal como está estipulado no artigo
37º do código de Procedimento Administrativo.’ O que significa que os
actos praticados antes disso são ilegais?!!
12.É evidente um clima de contestação e indignação dos professores e
educadores;
13.O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura
criada pelo ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do
modelo de avaliação do desempenho como a utilização feita pelas
escolas dos instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos
alunos, o abandono escolar ou a observação de aulas, como itens de
avaliação;
14.O Ministério da Educação assumiu com os Sindicatos de Professores a
revisão, este ano lectivo, do modelo instituído pelo Dec-Regulamentar
2/2008;
15.Suspender o processo de avaliação permitirá: (i) recentrar a atenção
dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão –
ensinar; (ii) que os professores se preocupem prioritariamente com
quem devem – os seus alunos; (iii) antecipar em alguns meses a
negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho
docente, quando já estão em circulação outras propostas,
radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical.

Assim, o signatários, renovam a proposta de que o


Conselho Pedagógico e o Conselho Executivo do
Agrupamento de Escolas D. Miguel de Almeida
suspendam todas as iniciativas e actividades
relacionadas com o processo de avaliação em curso,
certos que, desta forma, contribuem para a melhoria do
trabalho dos docentes, das aprendizagens dos nossos
alunos e da qualidade do serviço público de educação.

Os signatários

( proposta a ser incluída na ordem de trabalhos do


próximo CP em Novembro com conhecimento prévio à
CEI deste Agrupamento para votação) ; decorrem ainda
recolha de assinaturas junto de escolas do 1ºCEB / JI/
Ensino Especial)

Enviado por José Carlos Jacinto ( Movimento Escola


Pública)
Agradecemos desde já aos Sindicatos, aos
movimentos independentes de professores e aos
blogues que nos vão incentivando a prosseguir
esta luta, que é de todos, em defesa da escola
pública e do ensino. CONVERGENCIA É PRECISO.
Todos a Lisboa, juntos não somos demais.