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A contribuição do emprego do aço para industrialização do canteiro de obras.

Autor: Eduardo Munhoz de Lima Castro, Arquiteto, MS.

Observa-se, principalmente em edificações de caráter residencial, o embasamento do processo construtivo tradicional com forte emprego de técnicas artesanais de construção. Este fato difunde-se devido ao fácil manuseio de uma técnica que não necessariamente emprega mão de obra qualificada, o que vem contribuir para sua freqüente utilização. Processos racionais ainda hoje buscam seu espaço, evidentemente com menor resistência do que no passado, uma vez que se tornaram conhecidos e estudados. O contrário não acontece com processos industrializados para execução de residências, com o estigma de se tornarem construções fabris, enfrentam resistência à implementação de seu uso, principalmente quando o assunto envolve o emprego do aço para fechamento, cobertura e laje. Com o propósito de racionalizar ao máximo as etapas de construção, o processo construtivo seco, a partir de componentes industrializados e metálicos, aponta para uma nova concepção de edificação possibilitando ganhos de qualidade e produtividade. Neste estudo apresentam-se os processos e sistemas construtivos que podem ser empregados nos planos horizontal e vertical da edificação, representados pela laje, cobertura e fechamento, utilizando estruturas leves metálicas, chapas corrugadas, onduladas e painéis compostos, em aço galvanizado sob a forma de produtos específicos.

Palavras chave:

Processo construtivo seco Arquitetura com aço Light steel framing Painéis termoacústicos Steel deck Telhas de aço

De cavidades naturais a estruturas singelas de madeira coberta com peles, seja qual for sua constituição ou formação, o homem sempre procurou por abrigo, que assim convencionou-se a chamar por casa. A história deduz que o homem tenha iniciado a construção de seu refúgio utilizando uma estrutura simples de madeira, coberta com peles. Outro meio encontrado pelo homem para se abrigar ocorreu com a cabana, formada pela união de três troncos de madeira, amarrados na extremidade superior e inclinados uns aos outros, obtendo-se assim uma estrutura cônica, provavelmente coberta com barro. Com o tempo, o homem aperfeiçoa sua moradia e assim surgem várias formas. Apropriando-se da forma retangular e ou quadrada, passa do plano inclinado (cabana) para o vertical formando paredes e para o horizontal, formando a cobertura sustentada por vigas e colunas.

Com as formas arquitetônicas são necessários materiais resistentes e elementos de composição compatíveis com todo o conjunto da obra.

A partir do cenário colonial à contemporaneidade das metrópoles brasileiras, observa- se que alguns métodos construtivos e materiais se estabeleceram com mais intensidade, prevalecendo durante determinado período. Este fato ocorreu-se com o emprego de elementos predominantes como o vidro, ferro e o concreto armado, onde são utilizados até hoje. Em especial o ferro, objeto deste estudo, que durante o século XIX, sendo utilizado como material para construção, propôs significativa transformação na sociedade a ponto de se falar em uma arquitetura própria. O aço (denominação recente ao produto) continuaria em segundo plano até meados do século XX quando as usinas siderúrgicas brasileiras melhoraram seus processos de fabricação, desenvolveram novos produtos e estabeleceram uma melhor relação com o mercado interno, verificando-se o emergente mercado da construção civil.

Conhecer os elementos metálicos que compõem uma edificação independente de sua função e os processos construtivos agregados é premissa de estudo. Na indústria da construção civil a importância do estudo dos materiais de construção e seus sistemas construtivos são um fator relevante para que se possa edificar com

qualidade e racionalidade. Deve-se observar a performance dos materiais especificados uma vez que aplicados em diversas situações podem comprometer o resultado final de todo um planejamento de projeto.

Segundo Agopyan (1995) os materiais empregados em uma edificação, sejam na estrutura, nos fechamentos (vedações), nos planos de lajes ou para coberturas são de vital importância, onde o colapso resulta na falha do material constituinte para execução de determinado serviço. Os materiais apresentam-se em grande variedade e chegam para suprimento da obra em vários estágios. Quanto à utilização do aço, sua principal característica na construção civil é sua pré-fabricação, o que resulta em um processo industrializado. Com a racionalização do processo construtivo permitem-se menos perdas e mais produtividade.

A partir do material fornecido em bobinas de aço galvanizado às empresas de perfilação, vários são os produtos que contribuem para nossas edificações, formando a composição dos planos horizontal e vertical. Esses produtos, usados racionalmente, propiciam rapidez e produtividade na montagem da obra. Destacam-se as telhas simples, compostas (termoacústicas e termoisolantes) assim como painéis para fechamentos e vedações, em chapas perfiladas no formato trapezoidal ou ondulado, para serem aplicadas nos mais diversos tipos de coberturas e fechamentos. Seu emprego está vinculado ao conhecimento da composição por parte do arquiteto ou engenheiro que a partir da escolha dos materiais deverá verificar a compatibilidade com outros elementos não metálicos, a fim de evitar-se erros futuros.

Outro material de grande desempenho é a fôrma metálica agregada ao concreto, que em muitos casos dispensa o uso de escoramentos e re-trabalhos, denominada comercialmente steel deck.

Muito se fala em industrialização do canteiro de obras residenciais, porém seu efeito apresenta-se incipiente. Em uma cidade dinâmica como São Paulo, a realidade da industrialização chega às obras de características comerciais e industriais o que não ocorre com as residenciais, porém, caso ocorra, são iniciativas isoladas. As obras comerciais podem ser vistas em vários pontos da cidade. Cita-se como exemplo os grandes galpões pré-engenheirados, utilizados como centro de distribuição de redes varejistas que em prazos recordes são totalmente erguidos. Isso se dá pela nova tecnologia empregada, o da fast construction ou construção rápida que em composição com elementos metálicos – vigas, colunas (sistema estrutural); fechamentos e coberturas propiciam fluidez ao processo de construir. O aço está para a construção rápida, formada por elementos pré-industrializados, pré-formados fora do local da sua aplicação, em locais apropriados, os quais chegam ao canteiro de obras apenas para serem encaixados ou montados.

Segundo Paulo Bruna (2002) a industrialização de uma construção está relacionada ao grau de mecanização do canteiro de obras. Não há como estabelecer uma relação sem passar primeiro por um processo de organização que permita posteriormente a execução de sua pré-fabricação. O emprego dos elementos de fechamento, laje metálica e cobertura em aço permitem especialização rápida dos operários e equipamentos apropriados, elevando-se o estágio cultural desse tipo de item na obra.

Sem muita dificuldade ou apropriação de tempo, peças são facilmente montadas por modernos equipamentos que podem ser desde uma grua a um elevador pneumático sobre rodas, ou apenas por uma parafusadeira além de outros equipamentos manuais disponíveis aos operários, permitindo um manuseio fácil, seguro e de grande produtividade.

Aparentemente a estandardização de modelos e processos pode levar á sua rotinização porém exerce efeito positivo para realização dos sub-sistemas como o de instalações hidro-sanitárias, cobertura, elétrica, enfim, do processo que muitas vezes encontra-se embutido pela criação arquitetônica do autor de sua obra.

A padronização garante regularidade de processo e manufatura das peças permitindo produtividade, eliminação de acidentes e erros que provavelmente ficariam á mercê de uma solução razoável para sua recuperação.

Interessante notar que os processos construtivos industrializados tema tendência de diminuição de riscos enfrentados para construir uma habitação, diminuindo-se também as diversas interferências que podem ocorrer durante todo o processo. O fato principal está na concepção do projeto. Este tem a condição de eliminar grande parte de qualquer surpresa que possa ocorrer e portanto deve ser efetuado em todos os seus detalhes, o que não é um hábito em padrões brasileiros. Muitas vezes o processo de edificação se inicia enquanto o projeto está sendo detalhado ou ainda por terminar.

Contudo, há muito para se fazer no Brasil a fim de que haja uma mudança nesse cenário, principalmente com relação à cultura e hábitos arraigados de construção concebidos deste o início de nossa colonização e que diante de uma globalização não se apresenta a outro caminho senão a abertura aos novos métodos e processos construtivos. Para um país que possuí características continentais onde a cada região prevalece uma cultura, um hábito, um costume, as preferências apresentam divergências, algumas regiões podem ter hábitos voltados aos padrões coloniais; outras voltadas a padrões importados, europeus ou norte-americanos.

Nas grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte pode-se observar essas diferenças culturais. No caso da cidade São Paulo, hoje uma megalópole que continua em crescimento, voltada para serviços e algumas indústrias, pelo tempo escasso proporcionado ao ritmo de vida paulistano, o processo de construir suas edificações residenciais participa da mesma velocidade. Nesse sentido, para acompanhar essa velocidade de crescimento, o arquiteto pode-se valer de materiais pré-fabricados ou pré-prontos para execução e montagem da edificação. Com a industrialização do canteiro de obras, procura-se manter uma linha de produção que realmente atenda aos cronogramas previamente acertados e através de uma logística eficiente de fornecimento de produtos, os fornecedores de matérias

primas de construção podem ter a certeza de terem encontrado um mercado propício para seu produto, uma vez que o mesmo faça parte da composição da linha de itens relacionados ao sistema de edificação rápida.

Dessa maneira então se forma o cenário para que uma cidade como São Paulo, com suas características, possa envolver-se em tecnologias construtivas para o uso residencial, tal qual é feito nos paises ditos de primeiro mundo. Trata-se de uma questão cultural onde quanto mais houver acesso aos produtos formados nesse esse conceito, o da fast construction ou dry house 1 , maior probabilidade de utilização por parte dos engenheiros e arquitetos. Com a facilidade de consumo e aquisição, sem dúvida, cria-se então um mercado a essa finalidade. Dentro desse mercado onde o produto é a própria edificação, independente de sua classe social, seu surgimento está ligado a crescente demanda habitacional, resultado da urbanização acentuada.

Outro elemento facilitador para o conceito de industrialização do canteiro de obras deve ser a escolha dos materiais que compõem o sistema. Sem dúvida, o projeto de arquitetura e seu partido vão traçar diretrizes para a escolha do partido e sistema a ser adotado, porém deve-se ter em mente os limites construtivos apontados por cada um para que então, somando-se a esses pré-requisitos, possa haver a adoção do sistema que melhor característica apresente-se à obra em questão. É bem verdade que cada caso oferece uma condição de trabalho diferente e portanto devem-se analisar os processos para que eventuais patologias não ocorram no findar da edificação, resultando em valores negativos sobre todo um sistema de construção.

1 Fast construction: termo americanizado que denota o sistema construtivo para rapidez, velocidade; construção rápida. Dry house: sistema de construção a seco para vedações internas, ver capítulo 2.

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