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Processo

CÍVEL

Comarca/Fórum

Fórum Central Civel João Mendes Júnior

Processo Nº

583.00.2009.121483-0

Cartório/Vara

34ª. Vara Cível

Competência

Cível

Nº de Ordem/Controle

647/2009

Grupo Cível

Ação

Procedimento Ordinário (em geral)

Tipo de Distribuição

Livre

Distribuído em

03/03/2009 às 14h 38m 01s

Moeda

Real

Valor da Causa

148.016,02

Qtde. Autor(s) 1

Qtde. Réu(s)

1

19/12/2011

Sentença Proferida

Vistos, MARCOS ANDRES PALMA CERDA promoveu a presente ação de procedimento ordinário, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, em face da BANCOOP COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS, visando prestação jurisdicional que condenasse os réus à devolução das quantias pagas pelo autor no empreendimento identificado na inicial, corrigido monetariamente a partir da data do desembolso e acrescido de juros de mora.

Pediu também condenação no pagamento de valor mensal equivalente a 2% do valor total a ser restituído, a título de aluguel mensal e indenização por danos morais.

Tudo sem prejuízo da condenação no pagamento das verbas de sucumbência.

Fundamentou a pretensão na alegação de que, em data de 30 de junho de 2004, adquiriu da cooperativa ré um imóvel no empreendimento Brooklin Tower Duplex Residence, a ser construído, pelo preço de R$ 148.016,02.

O autor efetivou o pagamento das parcelas respectivas até o mês de outubro de 2007, totalizando a quantia de R$ 136.658,47.

Passados três anos desde a celebração do contrato, as obras ainda não tinham se iniciado, quando o autor foi surpreendido com a notícia de que a ré abandonara o projeto, mas o autor teria que se submeter às regras contratuais para restituição das quantias pagas.

Relata que pretendia a compra do imóvel para seu casamento, sendo certo que os transtornos causados pela ré afetaram seu relacionamento e por isso experimentou dano moral.

Com a inicial vieram os documentos de fls. 08/40. Citada a ré , ofertou contestação .

Aduziu defesa exclusivamente de mérito, em síntese, defendendo a regularidade de seu proceder. Discorreu sobre a natureza jurídica das cooperativas. Nega culpa no atraso da entrega das unidades, considerando a carência de recursos financeiros para término das obras, decorrente do inadimplemento de vários cooperados e transferência de outros. Relata ter celebrado acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo, comprometendo-se à restituição dos valores pagos pelos associados, conforme restou especificado na avença.

Todavia, ante a insurgência do autor, deverá ser submetido aos termos do estatuto. Impugnou

o pedido de indenização por dano moral e o pedido de restituição de valores pagos, afirmando que há regra estatutária aplicável à espécie, a qual deve ser respeitada. Deverá o autor aguardar o ingresso de outro associado e após, decorridos 12 meses de sua eliminação, receberá seus haveres em 36 parcelas, após efetivação dos descontos também previstos no estatuto. Réplica de fls. 178/180.

O autor requereu o julgamento antecipado da lide e a ré, especificou provas e deu notícia de que o empreendimento atualmente se encontra sob a responsabilidade da empresa OAS Empreendimentos .

É o relato do necessário. Decido.

Presentes os pressupostos processuais e as condições da ação, entendida como direito

abstrato, o feito comporta julgamento de mérito, no estado em que se encontra; desnecessária

a colheita de outras provas, pois a matéria é eminentemente de direito e os fatos controversos vieram bem comprovados por documentos, autorizando o julgamento antecipado, em conformidade com a regra do artigo 330, inciso I, do Código de Processo Civil.

Em primeiro lugar, insta deixar consignado que deixei de designar audiência para tentativa de conciliação, pelo manifesto desinteresse de uma das partes.

Também é de ser indeferido o requerimento de fls. 188 e seguintes; tanto no que diz respeito

à produção de provas, quanto à extinção do feito e condenação do autor nas penas pela litigância de má-fé.

O fato de a associação estar legitimada para ajuizar ação representando seus associados não retira do autor o acesso ao Poder Judiciário em nome próprio, nem o obriga a aceitar os termos de composição naqueles autos alcançada.

E se está o autor no exercício regular de seus direitos, não se diga que litiga de má-fé.

Estas as razões pelas quais sequer foi dada vista dos autos à parte contrária, por força deste requerimento, porquanto já estabelecida a convicção do Juízo a respeito do tema, a qual era favorável ao autor.

Ademais, a própria ré (Bancoop) menciona que administrativamente deu a conhecer a todos os compromissários compradores a possibilidade de novo acordo com a OAS.

Tampouco é de se cogitar da produção de provas.

Como inicialmente referi, a questão é de direito e depende de prova exclusivamente documental.

Impende consignar que o pedido é procede em parte, excluindo-se da procedência apenas o pedido de pagamento de alugueres, à míngua de comprovação de desembolso.

Não houve inadimplemento por parte do autor, sendo certo que a ré (Bancoop) não cumpriu sua parte na avença, como confessado.

E aqui não comove o argumento de que a obra é deficitária - em decorrência de retiradas ou

transferências de cooperados - e faltaram os recursos necessários para concluir o

empreendimento.

É evidente que, para empreendimentos desta natureza, a transferência ou retirada de cooperados é hipótese a ser considerada no momento de assumir as obrigações contratuais e, tanto foi, que o instrumento do contrato disciplina estas hipóteses.

Assim, não é válido empregar tal fato como escusa para o inadimplemento.

Logo, o pedido de rescisão do contrato é procedente, por inadimplemento da ré. (Bancoop)

No mais, ressalto que a majoritária jurisprudência já pacificou o entendimento de que a relação contratual de que se trata não é de adesão à cooperativa, mas de verdadeira incorporação imobiliária, que caracteriza relação de consumo.

De qualquer modo, não poderia ser a restituição efetivada em conformidade com as regras do Estatuto, por violarem a lei.

A previsão estatutária constitui flagrante maneira de enriquecer sem causa, o que contraria princípio comezinho de direito.

Abusiva a cláusula que impõe ao cooperado que pretende se retirar o aguardo do ingresso de novo associado e depois disso, mais 12 meses, para ao final de todo esse tempo receber em 36 parcelas.

Ensina a moderna jurisprudência:

Apelação Com Revisão 5365434600 - Relator(a): Vito Guglielmi - Comarca: Ribeirão Preto Órgão julgador: 6ª Câmara de Direito Privado Data do julgamento: 29/11/2007 Data de registro: 06/12/2007

Ementa: COOPERATIVA HABITACIONAL. DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PRETENDIDA DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS ADMISSIBILIDADE INCIDÊNCIA DA LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA POSSIBILIDADE. PORTANTO. DE EXAME DAS CLÁUSULAS ESTATUTÁRIAS SOB O PRISMA DE EVENTUAL ABUSIVIDADE DETERMINADA RESTITUIÇÃO DE 90% DOS VALORES PAGOS. COM DEVOLUÇÃO EM PARCELA ÚNICA ADEQUAÇÃO SENTENÇA MANTIDA RECURSO IMPROVIDO

Apelação Com Revisão 4744504000 Relator(a): Salles Rossi Comarca: Guarulhos Órgão julgador: 8ª Câmara de Direito Privado Data do julgamento: 29/11/2007 Data de registro: 10/12/2007

Ementa: COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA - RESCISÃO CONTRATUAL C.C. RESTITUIÇÃO DE PARCELAS - COOPERATIVA HABITACIONAL - Demanda julgada improcedente - Desistência formalizada pela cooperada - Inexistência de óbice para postular a rescisão do contrato e a devolução dos valores pagos à cooperativa - Hipótese (desistência) prevista no regimento interno - Restituição dos valores pagos - Cabimento - Regimento Interno prevê, no caso de desistência, a devolução de 100% dos valores pagos - Devolução que, não obstante o previsto no regimento interno, deve ser feita em uma única parcela e de imediato - Ausência de justificativa para a devolução após o término do empreendimento e de forma parcelada - Decisão reformada - Recurso provido.

Apelação Com Revisão 2592674700 Relator(a): Natan Zelinschi de Arruda Comarca:

São Paulo Órgão julgador: 7ª Câmara de Direito Privado Data do julgamento:

28/11/2007 Data de registro: 13/12/2007

Ementa: Voto n.° 7.095 Rescisão contratual cumulada com devolução de valores pagos. Retenção de 15% das parcelas pagas configura equilíbrio na relação negocial. Despesas administrativas da ré são supridas pela dedução de parte da devolução. Relação de consumo caracterizada, além do que, foi levado em consideração o afastamento de enriquecimento sem causa aos litigantes. Sucumbência recíproca presente. Recursos desprovidos.

Apelação Com Revisão 5068104000 Relator(a): Salles Rossi Comarca: CotiaÓrgão julgador: 8ª Câmara de Direito Privado Data do julgamento: 08/11/2007 Data de registro: 26/11/2007

Ementa: RESCISÃO DE CONTRATO C.C. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPORTÂNCIAS PAGAS - Ilegitimidade passiva dos co-requeridos que não contrataram com o autor reconhecida - Inexistência de vínculo obrigacional entre as partes - Comprador que ainda não se encontra em mora, mas ajuíza ação para rescindir o contrato com a

devolução das importâncias pagas - Possibilidade - Se a mora dos compromissários compradores não impede a rescisão do instrumento firmado com o requerido e nem a restituição do quanto pagou, cabível a mesma postulação por aquele que ainda se encontra adimplente mas visualiza futura impossibilidade de adimplir com suas obrigações - Pretensão da vendedora de reter o percentual de 50% (previsto no contrato) dos valores pagos como perdas e danos - Descabimento - Abusividade em afronta ao artigo 884 do Código Civil que impede o enriquecimento sem causa de qualquer uma das partes - Cabível a retenção de 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos a título de reembolsos das despesas com a administração do empreendimento e indenização pela frustração do negócio e indisponibilidade temporária do bem - Devolução que deve se operar em uma única vez e de imediato - Sucumbência mínima do autor, além do que o requerido deu causa ao ajuizamento da ação ao resistir ao pedido de rescisão do contrato, o que justifica sua condenação no pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios - Sentença reformada Recursos parcialmente providos.

A propósito, anoto não ter havido impugnação aos valores pleiteados na inicial.

Por todos estes motivos, a restituição dos valores pagos pelo autor é de ser integral e imediata, sem qualquer dedução e com incidência de correção monetária plena.

Nesse aspecto, anoto que não se cogita de dedução da taxa de administração, conforme iterativa jurisprudência, porque sequer foi iniciada a construção.

No que diz respeito aos danos materiais, carece de amparo legal apenas o requerimento de pagamento de alugueres, pois não há comprovação alguma de desembolso de tais quantias após a data prometida para conclusão da obra.

Por outro lado, o Poder Judiciário não dispõe sobre hipóteses ou evento futuro e incerto.

De tudo quanto até aqui se expôs, sobressai a procedência do pedido de indenização por danos morais.

Tratando-se de dano moral, é desnecessária a comprovação dos prejuízos, desde que se encontrem presentes o nexo de causalidade e a culpa, sendo então a verba devida.

A responsabilização do causador do dano moral se opera pela simples força da violação, não havendo que se cogitar da prova do prejuízo (RT 746/183).

De qualquer forma, sublinho evidente a dor moral do autor, que investiu suas economias no sonho da casa própria e tudo resultou em fracasso.

Além disso, foi compelido a ingressar com exaustiva batalha judicial para tentar reaver os recursos já empregados.

Disso resulta incontestável sofrimento e frustração. É entendimento pacífico da doutrina e jurisprudência que a indenização por dano moral poderá ser fixada pelo prudente arbítrio do juiz da causa.

É sabida a impossibilidade de se quantificar o valor da dor, daí porque o assunto provoca tanta celeuma. Contudo, a indenização, nestes casos, tem a feição mais assemelhada a uma compensação, por um prejuízo de fato irreparável.

Atualmente, é amplamente vitoriosa em nossos Tribunais a tese da possibilidade da reparação por dano moral em casos desta natureza, considerando-se que a indenização a ser paga há de ser a mais ampla possível e alcançar todos os danos sofridos.

Em se tratando de pleito indenizatório por dano moral, a avaliação deste não segue o padrão de simples cálculo matemático-econômico, mas deve ser fixado segundo critério justo a ser seguido pelo Juiz (RT 741/357).

Essa a razão pela qual, considerando a necessidade de o Poder Judiciário desestimular a repreensível conduta da ré, considerando o porte da pessoa jurídica que ocupa o polo passivo da ação e evitando que a indenização se revele forma de enriquecimento sem causa, é entendo bastante razoável e quantificar a indenização neste caso em 100 salários mínimos, no valor vigente na data desta sentença.

Ante o exposto e o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e condeno a cooperativa a restituir a totalidade dos valores desembolsados para a aquisição do imóvel referido na inicial.

Sobre os valores a serem pagos pela ré (Bancoop) incidirá correção monetária plena adotando-se os índices da Tabela Prática editada pelo Egrégio Tribunal de Justiça deste Estado incidente a partir do desembolso e juros de mora de 1% ao mês, incidentes a partir da citação.

Condeno ainda a ré (Bancoop) ao pagamento de indenização por danos morais, em valor equivalente a 100 salários mínimos.

Finalmente, condeno a ré (Bancoop)

com honorária que fixo em 10% sobre o valor da condenação, o que faço com fundamento na

ao pagamento das verbas oriundas de sua sucumbência,

regra do artigo 20, § 3º, do Código de Processo Civil.

Extingo o processo, com análise de mérito, o que faço com amparo nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil. P.R.I.

São Paulo, 19 de dezembro de 2011.

Adriana Sachsida Garcia - Juíza de Direito

Processo Nº

583.00.2009.121483-0 - 34ª. Vara Cível