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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS FACULDADE DE ESTUDOS SOCIAIS PRODERE – PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL

CIDADANIA CORPORATIVA, ESTRATÉGIAS BEM-SUCEDIDAS PARA EMPRESAS RESPONSÁVEIS: UM ESTUDO DE CASO – FUNDAÇÃO BRADESCO (MANAUS - AM)

CARLOS ALBERTO BATISTA BASTOS

Manaus

2003

CARLOS ALBERTO BATISTA BASTOS

CIDADANIA CORPORATIVA, ESTRATÉGIAS BEM-SUCEDIDAS PARA EMPRESAS RESPONSÁVEIS: UM ESTUDO DE CASO – FUNDAÇÃO BRADESCO (MANAUS - AM)

Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Regional. Área de concentração: População e Desen- volvimento Regional.

Orientador: Prof. Doutor Hailton Luiz Siqueira da Igreja.

CARLOS ALBERTO BATISTA BASTOS

CIDADANIA CORPORATIVA, ESTRATÉGIAS BEM-SUCEDIDAS PARA EMPRESAS RESPONSÁVEIS: UM ESTUDO DE CASO – FUNDAÇÃO BRADESCO (MANAUS - AM)

Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Regional. Área de concentração: População e Desen- volvimento Regional.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Doutor Hailton Luiz Siqueira da Igreja – Orientador:

Universidade Federal do Amazonas

Prof. Doutor Ivan de Azevedo Tribuzy. Universidade Federal do Amazonas

Prof. Doutor Lucas Araújo Carvalho. Universidade Federal do Acre

Manaus

2003

DIGITALIZAÇÃO DE IMAGENS

Fundação Bradesco

ILUSTRAÇÕES E DESENHOS

Carlos Alberto Batista Bastos

FOTOGRAFIAS

Fundação Bradesco

B327c

Bastos, Carlos Alberto Batista Cidadania corporativa, estratégias bem-sucedidas para empresas responsáveis: um estudo de caso – Fundação Bradesco (Manaus-Am) / Carlos Alberto Batista Bastos. – Manaus:

Universidade Federal do Amazonas, 2003. 108p. il.

Bibliografia

1. Administração – Empresas. 2. Cidadania. 3. Responsabilidade

Social. 4. Fundação Bradesco – História. 5. Aguiar, Amador – Biografia

6. Dissertação I. Título

CDD – 658.913676

Ficha catalográfica elaborada por: Odimar Porto - CRB-Am. 496

Ficha catalográfica elaborada por: Odimar Porto - CRB-Am. 496

Dedicatória

Aos meus pais:

Antônio Moreira Bastos (in memoriam)

e Noêmia de Paula Batista Bastos

à minha “tia”:

Waldenora da Silva Lima (in memoriam)

ao

grande empreendedor, idealizador das Organizações e Fundação Bradesco:

Sr. Amador Aguiar

e

Àquele que é a principal razão deste trabalho:

Deus.

Dedico este trabalho.

Agradecimentos

Na trajetória da minha vida conheci muitas pessoas que, independentemente de suas características, todas – à sua maneira – deixou-me algumas marcas. Algumas, superficiais, é verdade. Outras, no entanto, profundas. Todas, entretanto, participaram direta ou indiretamente da minha formação quer como pessoa, quer como cidadão, quer como profissional. Nesta oportunidade, ao tentar mencionar todas estas pessoas, irei, com certeza, cometer algumas injustiças por falha de memória. Por isso, desde já, peço a todas, sinceras desculpas. Mas, mesmo assim, não poderei deixar de agradecer:

Aos meus pais, pelos anos de lutas, sacrifícios e, sobretudo, por acreditar nos meus sonhos;

À “tia” Waldenora que me “adotou” com sua atenção e ajuda no momento tão importante da minha vida, saudades eternas;

Aos meus amigos, pelas palavras de estímulos;

A todos os meus mestres. Dos anos mais tenros, até os dias atuais.

Sobretudo, a todos os meus professores do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal do Amazonas, que não mediram esforços para tornar realidade este momento tão importante para mim !

De uma forma particular, desejo agradecer ao prof. Dr. Hailton Luiz Siqueira da Igreja que, mesmo sem conhecer–me melhor, aceitou o desafio de orientar a minha Dissertação de Mestrado, contribuindo de

todas

forma bastante significativa com suas sugestões e críticas

sempre bem-vindas;

Desejo, também, agradecer aos professores:

José Alberto da Costa Machado, Doutor; a quem coube a honra de, juntamente com a professora Maria Hélia, traçar as primeiras diretrizes deste Curso de Mestrado e, principalmente, Coordenar a Conferência Internacional de Desenvolvimento Sustentável na Amazônia 1 , que muito contribuiu para minha informação e formação;

Rosalvo Machado Bentes, Mestre; M.D. Diretor da Faculdade de Estudos Sociais e idealizador deste Curso de Mestrado;

1 Realizada no período de 24 a 27 de outubro de 2001, no parque do Mindú, na cidade de Manaus, Amazonas.

Maria Hélia Francisca León Kan-Changs, Doutora; (in memoriam), primeira Coordenadora do Mestrado;

Ivan de Azevedo Tribuzy, Doutor; Francisco Mendes Rodrigues, Doutor, e Lucas Araújo Carvalho, Doutor, pelas suas sugestões, críticas e palavras amigas e participação na Banca Examinadora;

Ao Eng. Nivaldo Marcuso, gerente do Departamento de Tecnologia da Fundação Bradesco, aos Senhores Fabrício Laurenti, Jefferson Romon que, sendo pessoas bastante ocupadas, conseguiram na sua agenda um espaço para intermediar minha solicitação quanto aos balancetes referentes ao período de 1982 a 2002, sem os quais não teria o almejado sucesso;

Aos senhores Augusto de Jesus Ferreira e Cláudio Henrique Neves, do Departamento Administrativo e Financeiro e Relações Institucionais das Organizações Bradesco, responsáveis diretos pelo fornecimento das fotocópias publicadas nos jornais e, todas, referentes aos balancetes do período supracitado, minha gratidão;

Aos funcionários da Fundação Bradesco, escola de Manaus, que não mediram esforços para ajudar-me nas pesquisas bibliográficas e levantamento de outros dados, de suma importância para a realização e concretização desta Dissertação de Mestrado. Em particular, a Aninha, bibliotecária; a Elenilde, Cecília e equipe da secretaria da escola; à Cristiane, professora de informática, diretamente responsável pelo sucesso do Curso de Visual Vision, ministrado aos deficientes visuais e, finalmente, à Vice-diretora, Professora Ana Maria e o Diretor, Professor Carlos Zacarias de Paula Neto que, com paciência, também ajudaram com fotos e outras dados para compor esta Dissertação de Mestrado;

Ao ex-aluno, Sr. João Mário Braga, hoje empreendedor de sucesso na área de informática, por ter “salvado” a minha Dissertação de Mestrado, por ocasião de uma “virose”, minha gratidão;

Agradeço, também, a minha maior incentivadora e anjo da guarda, Rosely de Carvalho Duarte, pelas palavras ditam, sobretudo, nas horas certas quando, muitas vezes, diante das dificuldades, faltava coragem para prosseguir este trabalho;

E a Deus, por ter-me permitido que este trabalho chegasse ao fim.

às

pessoas. Eu quero ver pelo menos uma escola nossa em cada estado brasileiro".

"Temos

de

pagar

dividendos

sociais

Amador Aguiar Fundador do Bradesco

"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito."

Resumo

Através desta Dissertação de Mestrado procura-se realizar um estudo de caso sobre o trabalho, socialmente responsável, desenvolvido pelas Organizações Bradesco ao longo dos seus anos. Particularmente, o trabalho desenvolvido por meio das escolas da Fundação Bradesco. O período estudado está compreendido entre os anos de 1982 ao ano de 2002. No primeiro momento, após um breve resumo histórico das primeiras atividades sociais no Brasil, destaca-se o trabalho pioneiro desenvolvido pelo Sr. Amador Aguiar, fundador das Organizações Bradesco e principal mentor da Fundação Bradesco, numa época em que não existia ainda a palavra “desenvolvimento socialmente sustentável” ou “cidadania corporativa”. Apresenta-se, também, o trabalho social desenvolvido pela escola da Fundação Bradesco em Manaus, capital do Estado do Amazonas, desde a sua inauguração em 1985 até 2002 e os seus reflexos na vida local. Estuda-se os principais indicadores financeiros, tais como: lucro líquido, patrimônio líquido, capital social e investimentos realizados nas escolas da Fundação Bradesco em todo o país, no citado período. Verifica-se os recursos humanos, materiais e, principalmente, os reconhecimentos à pessoa do Sr. Amador Aguiar e, sobretudo, ao trabalho desenvolvido pelas escolas da Fundação Bradesco.

Palavras-Chaves

Responsabilidade Social, Cidadania Corporativa, Fundação Bradesco, Amador Aguiar, Indicadores Sociais, Manaus, Amazonas.

Abstract

In this dissertation of master graduation is accomplished a study of case about the work, socially responsable, developed by Organizações Bradesco during years. Particularly the work done by means of Fundação Bradesco. The period studied is from 1982 to 2002. In the beginnings after a brief historic résumé of the first social activities in Brazil, is emphasized the pioneer work developed by Mr. Amador Aguiar, founder to Organizações Bradesco and principal creator of Fundação Bradesco in a time which the expressions “ Socially Sustainable Development or ”Corporative Citizenship” were not used. It’s also showed the social work developed by Fundação Bradesco School in Manaus, since its inauguration in 1985 until 2002, and its effects in the local routine. It’s studied the principal financial indicatives like: net profit, net patrimony, social capital and investments in Fundação Bradesco schools all over the country from 1982 thought 2002. It’s checked the human and material resources and mainly the recognition to Mr. Amador Aguiar and above all the work developed by Fundação Bradesco.

Social

Key Words

Responsability,

Corporative

Citizenships,

Aguiar, Social Indicatives, Manaus, Amazonas.

Fundação

Bradesco,

Amador

LISTAS DAS ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS.

ADCE

- Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas

Bradesco

- Banco Brasileiro de Descontos

Uniapac

- União Cristã de Dirigentes de Empresas

Consultec

- Empresa de Consultoria Técnica

BNDE

- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico

FIDES

- Fundação Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social 2

RSE

- Responsabilidade Social das Empresas

ONG’s

- Organizações Não Governamentais

BCN

- Banco de Crédito Nacional

BANEB

- Banco do Estado da Bahia

IAP

- Instituto Ambiental do Paraná

UNESCO

- United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization

CONEN

- Conselho Estadual de Entorpecentes

IBRE

- Instituto Brasileiro de Economia - FGV

FGV

- Fundação Getúlio Vargas

2 Nos anos 80 era denominado de IDE – Instituto de Desenvolvimento Empresarial.

Lista das Figuras

Figuras

Página

Figura

1

2

Foto de Amador Aguiar. Fundador Emérito da Fundação Bradesco

10

Figura

Foto da Agência de Marília, São Paulo, nos anos

11

Figura

3

Foto da Construção do “Prédio Azul” na Cidade de Deus, em Osasco, São Paulo –

13

1958

Figura

4

5

6

Foto da inauguração da primeira Unidade Escolar da Fundação

15

Figura

Foto da visita do Exmo. Sr. Ministro da Educação e Desporto, Prof. Paulo Renato Souza, na Unidade I em Osasco, São Paulo – 1997.

16

Figura

Foto da compra do primeiro computador adquirido pelo Bradesco (1961)

17

Tabela 2.1

Inflação Anual relativo ao período: 1980 a

20

Tabela 2.2

Crescimento populacional Manaus x Amazonas (período de 1970–1991)

1

7

8

9

14

2

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Tabela 2.3

Tabela 2.4

Censos de Manaus e do Estado do Amazonas (período de 1890– 2000). Receita Total de Manaus no período de 1981 –

21

21

Gráfico

Crescimento das Populações de Manaus e do Estado do Amazonas no período de 1890– 2000.

22

Figura

Foto aérea da construção da Escola da Fundação Bradesco em Manaus no bairro do Alvorada. (1985)

23

Figura

Foto da Escola de Manaus (Fundação Bradesco)

24

Figura

Vista parcial do mapa urbanístico de Manaus onde está instalada a Escola da

24

Figura 10

Figura 11

Fundação Bradesco onde se verifica extensa rede hidrográfica. Foto do refeitório da Escola Bradesco de Manaus no momento da merenda escolar – 1985. Foto da Secretaria da Escola de

25

26

Figura 12

Foto do Laboratório de Ciências da Escola de

26

Figura 13

Figura

Foto da Cozinha da Escola Bradesco de Foto de uma sala de aula da Escola Bradesco –

26

26

Figura 15

Foto do Gabinete Odontológico da Escola Bradesco –

26

Figura 16

Foto do Parque Infantil da Escola de

26

Figura 17

Foto das crianças brincando no Parque

27

Figura 18

Foto do Laboratório de Informática da Escola Manaus – Fundação

27

Figura 19

Foto de uma sala de aula de jovens da Escola de Manaus – Fundação Bradesco.

27

Figura 20

Gráfico

Foto de um momento cultural – a dança dos Bois Bumbás na Escola de Manaus da Fundação Bradesco. Porcentagem de alunos por segmento

27

28

Gráfico

3

4

5

. Perfil do aluno da Fundação Bradesco – Escola de Manaus,

29

Gráfico

Taxas de Evasão Escolar da Escola de Manaus (período 1991– 2001)

30

Gráfico

Alunos atendidos nos Cursos de Informática da Escola de Manaus (período 1996 a

31

2002)

Gráfico

6

7

8

Total de alunos que concluíram os Cursos de Capacitação na Escola da Fundação

Curso Visual Vision – Sexo

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Tabela 2.5

Bradesco em Manaus – (Período 1992 – 2002) Total de alunos que concluíram os Cursos de Capacitação (1992– 2002)

33

Tabela 2.6

Gráfico

Gráfico

Relação dos Cursos de Capacitação oferecidos pela Escola de Manaus Fundação Bradesco (período 1992– 2002) Curso Visual Vision – Idade dos Alunos .

34

37

37

Gráfico

9

. Curso Visual Vision – Grau de Instrução dos Alunos

38

Tabela 2.7

Funcionários da Escola de Manaus com curso superior (março de 2003)

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Tabela 2.8

Grau de Instrução dos funcionários da Escola de Manaus (março de 2003)

39

Gráfico 10

Recursos aplicados em Educação (período 1996 – 2001)

40,45

Tabela 3.1

Número de alunos atendidos no ano de 2001

41

Gráfico 11

Porcentagem de alunos por segmento (2001)

42

Gráfico 12

Gráfico 13

Índice de aprovação escolar (2001) Perfil do aluno da Fundação Bradesco (2001)

42

43

Tabela 3.2

Perfil do aluno da Fundação Bradesco – 2001

43

Gráfico 14

Alunos formados até o ano de 2001

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Tabela 3.3

Alunos formados até o ano de 2001

44

Tabela 3.4

Número de alunos (período 1982 – 2002)

46

Gráfico 15

Evolução do número de alunos (período 1982 – 2002)

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Gráfico 16

Lucro Líquido x Patrimônio Líquido (período 1982 – 2002)

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49, 53

Tabela 3.5

Tabela 3.6

Lucro Líquido e Investimentos nas escolas da Fundação Bradesco (1982– 2002)

Variação funcional (período 1982 a 2002)

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49, 54

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Gráfico 17

. Variação do número de funcionários (período 1982– 2002)

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Gráfico 18

Investimentos per capita – alunos (período 1982– 2002)

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Gráfico 19

Gráfico 20

. Perfil dos alunos atendidos em 2001 (segundo a região)

Índice de evasão escolar.

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Investimentos em treinamento – 2001 .

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Gráfico 21

Perfil dos funcionários do Bradesco– 2001 (sexo)

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Gráfico 22

Gráfico 23

Perfil dos funcionários do Bradesco– 2001 (faixa etária)

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Gráfico 24

. Quantidade de funcionários em cursos – 2001

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Gráfico 25

Gráfico 26

Financiamento para funcionários – 2001 (milhões)

Perfil dos funcionários Bradesco – 2001 (segundo tempo de casa)

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Gráfico 27

Perfil dos funcionários Bradesco – 2001 (segundo grau de instrução)

 

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Figura 21

Tabela 3.7

. Evolução do número de clientes e transações na internet (período: 1997– 2002)

Foto do Hospital e Maternidade Amador

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Tabela 3.8

Principais indicadores de 2002 (1ª parte) (período 1997– 2002)

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Tabela 3.9

Tabela 3.10

Gráfico 28

. Principais indicadores de 2002 (2ª parte) (período 1997– 2002)

Total de depósitos (período: 1997– 2002)

. Crescimento das agências do banco Bradesco (período: 1982–2002)

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Gráfico 29

Número de contas correntes em milhões (período: 1997 – 2002)

 

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80

Tabela 3.11

91

Tabela 3.12

Tabela 3.13

Principais fatos históricos na linha do tempo (período 1943– 2002) Relação das Escolas da Fundação Bradesco por

. Núcleos de Formação – Ed. Prof. Básica Área Rural: Cursos de Inseminação

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93

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Artificial.

Agradecimentos Citação Resumo Abstract Lista das Figuras

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

 

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01

Localização e aspectos gerais da área de pesquisa .

 

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03

Justificativa e objetivo da pesquisa .

 

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03

Metodologia

 

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1. UM TRABALHO PIONEIRO

 

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1.1 Cidadania Corporativa: Conceitos, origens e evolução

 

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05

1.2 Amador Aguiar, trabalho com responsabilidade social

 

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10

1.3 A Primeira Escola.

 

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15

2. O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO EM MANAUS E SEUS REFLEXOS

2.1 A Cidade de Manaus.

 

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19

2.2 A Escola de Manaus.

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23

2.3 Os números da FB Manaus.

 

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3.

O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO NO PAÍS

 

3.1 Os números da Fundação Bradesco.

 

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40

3.2 Os números dos funcionários.

 

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3.3 Reconhecimentos.

 

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3.4 Principais Indicadores de 2002.

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Conclusões

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BIBLIOGRAFIA.

 

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86

ANEXOS .

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90

1

INTRODUÇÃO

Vive-se hoje num mundo caracterizado pelo aumento sistemático da concentração de renda, pelo crescimento da degradação ambiental e, também, pelo aumento

significativo da violência, que atingiu, nos últimos anos, níveis alarmantes, sobretudo, nas grandes metrópoles. Em recente pesquisa, divulgada pelo jornal em 27 de setembro do corrente ano, verificamos que “nada menos que 24,73 milhões de brasileiros” (OLIVEIRA, in: O Globo), encontravam-se na miséria nos últimos meses do ano passado, isto é, a quantidade de pessoas que sobrevivem com menos de R$ 55,00 por mês. Ou seja, 15% da população do Brasil vivem com menos de R$ 2,00 por dia. Enquanto 33,64% da população em 2001 viviam na pobreza. No total, temos aproximadamente 56,7 milhões de

pessoas. Estas estatísticas mostram muito mais que números

impotência, a quase falência do Estado que é o principal responsável pelas ações sociais. Conseqüentemente, diante da ausência ou da ineficácia de políticas públicas mais efetivas, a participação do setor privado na área social tem crescido bastante, criando ou contribuindo com um grande número de Organizações Não Governamentais - ONG’s., Fundações ou Entidades Filantrópicas. Sabe-se que, estas Fundações, Entidades Filantrópicas e ONG’s, na sua maioria, cuidam de parte dos meninos de rua, dos drogados e alcoólatras, também dos carentes, idosos, órfãos e mães solteiras; ajudam a preservar o meio ambiente, participam na educação de jovens, velhos e adultos; doam sangue, livros, sopão e merenda; ensinam

Elas revelam a

esportes; dão suporte aos desamparados; criam creches; reabilitam vítimas da poliomielite; cuidam dos cegos, surdos e mudos; ou seja, promovem o direito humano e a cidadania, independente de classe social, cor ou religião. Ao longo das suas existências, as empresas privadas têm procurado se adequar, através das normas internacionais, ao competitivo mercado de trabalho, por exemplo, com as normas das gestões administrativas, (a ISO 9000), para garantia do controle da

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qualidade, (a ISO 14000), para os sistemas de gestão ambiental e, por fim, com a AS 8000 (A Social Accountability) ou normas que gerem a Responsabilidade Social das empresas. No decorrer dos últimos 10 anos, observa-se um crescente interesse pelo tema da responsabilidade social das empresas 3 . De fato, em grande parte, esse interesse é devido à importância e adequação do comércio internacional e dos investimentos na concepção das prioridades de instituições e de governos nacionais. Em 1992, quando foram realizados, na cidade do Rio de Janeiro, dois eventos – ambos posteriormente denominados de ECO-92 – de grande importância para toda a humanidade:

O primeiro, a Conferência Cúpula da Terra, conhecida como Rio-92, onde estiveram presentes 102 chefes de estados, atraindo mais de 15.000 pessoas;

e, o segundo, realizado simultaneamente ao anterior, o Fórum Global das ONG’s, que reuniu aproximadamente 4.000 entidades da sociedade civil do mundo todo.

Com a conclusão da Conferência Cúpula da Terra foi divulgado um texto denominado de "Declaração do Rio de Janeiro sobre meio ambiente e desenvolvimento" constando os 27 princípios que visam orientar a formulação de políticas e de acordos internacionais que respeitem o interesse de todos, o desenvolvimento global e, sobretudo, a integridade do meio ambiente. Dentre os 27 princípios, destacamos:

"Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como um requisito imprescindível do desenvolvimento sustentável, de modo a reduzir as disparidades nos níveis de vida e atender melhor às necessidades da maioria da população mundial". (in: BARBIERE,

2000).

Diante da repercussão que estes eventos tiveram, poderemos até afirmar que a ECO-92 foi o grande "divisor das águas" pois, em relação ao nosso país, a partir de então, uma nova postura econômica surgiu entre e dentro das Empresas: a preocupação com o social, sobretudo, com as comunidades em que atuam, tentando dessa forma, além de identificar-se com as pessoas carentes, mostrar o lado solidário das mesmas.

3 Em outras palavras, trata-se do papel que as corporações podem ter na promoção da saúde e segurança de seus funcionários, proteção do meio ambiente, luta contra a corrupção, apoio em casos de desastres naturais e respeito aos direitos humanos nas comunidades em que operam.

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Se existe, por um lado, o reconhecimento geral de que o comércio internacional e os investimentos são os motores do crescimento econômico, por outro, evidencia-se também o interesse do público pela responsabilidade social das empresas. As empresas estão cada vez mais cientes de que um comportamento exemplar (ou seja, exercer a cidadania) é um bom negócio para elas. As companhias que adquiriram uma reputação positiva junto aos consumidores e clientes, graças a um sólido desempenho social e ambiental, têm acumulado diversos benefícios. Estas companhias têm atraído pessoas de boa qualificação – estas mesmas pessoas que buscam companhias com responsabilidade social, que uma vez nelas admitidos, permanecem trabalhando ao longo de suas carreiras profissionais. Estas empresas têm menor volatilidade no valor de suas ações e, conseqüentemente, reduzem os custos jurídicos e ambientais, além de formar uma clientela bastante fiel. Nestes últimos anos, várias empresas têm despertado para a importância do seu papel social. A cada dia que passa, mais e mais empresas ingressam nessa nova modalidade de Marketing Social: a "Cidadania Corporativa". Quer como colaboradores com alguma instituição filantrópica, quer desenvolvendo e mantendo projetos próprios junto às comunidades onde atuam (ou não), elas têm surgido em todos os lugares do país.

LOCALIZAÇÃO E ASPECTOS GERAIS DA ÁREA DE PESQUISA

Esta dissertação de mestrado está direcionada para uma empresa em particular que, comprovadamente, antecipando-se a todos estes eventos, se destacou pela sua visão cidadã e, principalmente, pelo seu pioneirismo nessa área. Pois, a mais de 44 anos, numa época que ainda não se falava em “Responsabilidade Social”, esta empresa, preocupada com o futuro de pessoas que não tinham acesso a educação formal fundou àquela que seria considerada a maior instituição nessa área: a Fundação Bradesco.

JUSTIFICATIVA E OBJETIVO DA PESQUISA

Segundo GONÇALVES (1980), nos anos 60 surgiram os primeiros ventos de mudança na mentalidade empresarial brasileira. A “Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas”, publicada em 1965 é um referencial histórico indiscutível. Mesmo assim, a idéia – responsabilidade social – começou a ser discutida na metade dos anos setenta para, a partir de então, difundir-se amplamente. No final dos anos 70, com a abertura política ocorrida e consolidada nos anos 80, no período da “redemocratização” ocorreu, também, a falência do modelo intervencionista estatal.

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“Os anos 80, para DINIZ (1993), foram marcados pelo esgotamento do modelo de desenvolvimento instaurado no pós-guerra cujo desdobramento ao longo de quatro décadas – dos anos 40 aos anos 70 – se deu sob a égide de um Estado altamente intervencionista”. As Organizações Não Governamentais – ONG’s, surgiram neste período e se consolidaram e, juntamente com os sindicatos, se fortaleceram. A sociedade viveu grandes momentos de participação, organização e de efetiva atuação. Isto é, através das greves do ABC, da Constituição de 1988, das diretas já, etc. além das conquistas sociais das mulheres, as lutas éticas e raciais e dos debates ambientalistas. Dessa forma, a sociedade atravessou um período de grandes transformações. Esta dissertação de mestrado justifica-se – não só por se tratar de um exemplo pioneiro – sobretudo, pela brilhante iniciativa do Sr. Amador Aguiar quando, nos idos dos anos 50, criou aquela que seria considerada na atualidade como o maior investimento brasileiro, privado, na área social, conhecida por todos como FUNDAÇÃO BRADESCO. O principal objetivo da mesma é de analisar o trabalho desenvolvido pelas escolas da Fundação Bradesco, que atendeu 102.762 alunos em 2001, (Relatório Anual, 2001) e, também, de avaliar o impacto social e econômico desse trabalho no Estado do Amazonas.

METODOLOGIA

Na elaboração desta dissertação de mestrado foi empregado o levantamento de dados secundários, particularmente, os dados relativos ao período compreendido entre 1982 a 2002. Esta pesquisa, sobre a Fundação Bradesco, será descritiva documental, através de relatórios divulgados pelo Banco Bradesco aos acionistas, relatórios distribuídos aos clientes, artigos publicados em periódicos, livros, entre outros. Na análise deste período foram considerados aspectos político-econômicos e sua influência, ou não, no desenvolvimento e expansão das escolas da Fundação Bradesco.

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1. UM TRABALHO PIONEIRO

1.1 CIDADANIA CORPORATIVA: CONCEITOS, ORIGENS E EVOLUÇÃO.

CONCEITOS

O que é Cidadania Corporativa? – Cidadania corporativa, responsabilidade e responsabilidade sociais, são iniciativas significativas que estão sendo tomadas em várias organizações, em todos os setores e, em muitos casos, por muitas empresas de porte e tipo diferentes. Empresas como a McDonald’s, a C & A, Levi Strauss & Co., apenas para citar-se algumas, que estão direta e indiretamente envolvidas com a cidadania corporativa, foram, entre tantas outras, as precursoras do início das mudanças radicais no comportamento organizacionais, no âmbito mundial. Para MCINTOSH (2001), a cidadania corporativa diz respeito ao relacionamento entre empresas e sociedade. Isto é, tanto a comunidade local, que se encontra próximo à empresa e cujos seus membros interagem com os seus funcionários, quanto a comunidade mundial – a mais ampla – que a todos atinge por meio da propaganda, dos seus produtos, da sua cadeia de suprimentos e dos seus fornecedores. Segundo CANNON (1992) “Cidadania Corporativa é a relação entre negócios, governo e sociedade civil 4 . Freqüentemente esta relação é vista como a base da sociedade como um todo”. Para o mundo empresarial 5 a cidadania corporativa – também denominada de responsabilidade social – “é uma nova estratégia para aumentar seu lucro e potencializar seu desenvolvimento”. Para GRAJEW (2002), a cidadania corporativa – ou a responsabilidade social das empresas - não se trata de um novo conceito. Na verdade, “é um novo olhar, uma nova maneira de compreender as questões que envolvem todas as relações humanas, inclusive – e especialmente – no universo empresarial”.

4 Entenda-se por sociedade civil àquela parte da sociedade que é não-militar, não-governo e não-eclesiática e que se preocupa com os cidadãos e com a comunidade.

5 In Ashley (2002).

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Em 1953, nos primórdios da literatura sobre responsabilidade social dos executivos, Bowen (in: ASHLEY, 2002.) definiu responsabilidade social como sendo: a “obrigação do homem de negócios em adotar orientações, tomar decisões e seguir linhas de ações que sejam compatíveis com os fins e valores da sociedade”. Na realidade, os empresários, os dirigentes de empresas e executivos têm a oportunidade e podem interferir de forma positiva neste processo de mudança social. Através das suas atividades, no seu dia-a-dia, podem provocar mudanças excepcionalmente construtivas na sociedade.

ORIGENS

Nos anos 60, segundo GONÇALVES (1980) surgiram os primeiros ventos de mudança na mentalidade empresarial brasileira. A “Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas”, publicada em 1965 é um referencial histórico indiscutível. A expressão responsabilidade social aparece no texto supracitado:

“Já em 1965 aprovava-se a Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas, na qual se salienta a consciência de que as crises e tensões do mundo contemporâneo devem-se a que as instituições econômico-sociais vigentes se afastaram dos princípios cristãos e das exigências da justiça social e que os antagonismos de classe, os aberrantes desníveis econômicos, o enorme atraso de certas áreas do país decorrem, em parte, de não ter o setor empresarial tomado consciência plena de suas responsabilidades sociais”.

No entanto, apesar de constar no início dos anos sessenta, a idéia – responsabilidade social – começou a ser discutida na metade dos anos setenta para, a partir de então, difundir-se amplamente.

as empresas, além de

produzirem bens e serviços, devem possuir uma função social que se realiza em nome dos trabalhadores e do bem-estar da comunidade em geral”.

Segundo consta, um dos princípios dessa associação,

EVOLUÇÃO

Em 1980, um dos principais integrantes desta Associação (ADCE), Nelson Gomes Teixeira, destacava:

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“É necessário desenvolver a tomada de consciência dos empresários para que a gestão empresarial integral inclua necessária e obrigatoriamente a sua responsabilidade social”.

Anteriormente, no entanto, durante o 2º Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas promovido pela ADCE, a responsabilidade social das empresas e, também, dos empresários quanto às questões sociais foi destaque do “Plano de Trabalho 77/78”, da União Cristã de Dirigentes de Empresas – Uniapac. A Uniapac, na oportunidade, identificou o balanço social e a gestão de empresas como instrumentos que deveriam ser empregados pelos empresários e suas empresas no efetivo cumprimento da Responsabilidade Social. Como podemos observar, há muito que temas como responsabilidade social, cidadania corporativa, balanço social são tratados no Brasil. A bem da verdade, conforme FLORES e D’ARAÚJO (1999), “desde o início dos anos 60, a Consultec – formada por Jorge Oscar de Mello Flores, Roberto Campos, dentre outros técnicos do antigo BNDE – realizava o balanço social para algumas empresas nacionais e outras multinacionais a fim das mesmas avaliarem possíveis riscos para a implantação e expansão no país”. Evidentemente, em virtude do momento político em que se encontrava o nosso país, a conjuntura nacional não era propícia para essas mudanças. Principalmente, nas mentalidades e na ação. A idéia de responsabilidade social sofreu, como tantas outras, as restrições da censura impostas pela ditadura militar pós 1964. Enquanto, por um lado, a ditadura militar impedia certos aspectos do desenvolvimento da sociedade, tais como a ampla participação e a livre organização, por outro, existia também, os empresários mal acostumados, totalmente dependentes das benesses do Estado – desde os primórdios da indústria brasileira. Entretanto, o primeiro relatório, que trata da questão social, nos seus aspectos sociais e de recursos humanos, que se tornou obrigatório para todas as empresas que atuam no Brasil, foi criado pelo Decreto-lei n.º 76.900/75. Ou seja, a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. A mesma está em vigor desde então. Segundo SANTOS (s.d.) apesar de ser (a RAIS) mais antiga que o Balanço Social francês, as informações contidas no mesmo são precárias, tanto no aspecto quantitativo, quanto qualitativo. Com a abertura política ocorrida, no final dos anos 70 e, consolidada nos anos 80, no período da “redemocratização” ocorreu, também, a falência do modelo intervencionista estatal.

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Para DINIZ (1993), “Os anos 80 foram marcados pelo esgotamento do modelo de desenvolvimento instaurado no pós-guerra cujo desdobramento ao longo de quatro décadas – dos anos 40 aos anos 70 – se deu sob a égide de um Estado altamente intervencionista”. Neste período, surgiram e se consolidaram as Organizações Não Governamentais

– ONG’s, os sindicatos se fortaleceram e, também, a sociedade viveu grandes momentos

de participação, organização e efetiva atuação. Isto é, através das greves do ABC, da Constituição de 1988, das diretas já, além das conquistas sociais das mulheres, as lutas raciais e dos debates ambientalistas. Dessa forma, a sociedade atravessou um período de grandes transformações. Desde então, foi fundamental a participação das Organizações da Sociedade Civil e das Organizações Não Governamentais, como principais vetores do processo de formação e propagação das idéias da responsabilidade social das empresas, também denominadas de responsabilidade corporativa. Principalmente, a partir da metade dos anos 80. Nesse instante, muitas empresas começaram a participar, mais agressivamente, das atividades de cunho social. Assim, muitas sentiram a necessidade de divulgar suas atividades e realizações, dando uma maior visibilidade e publicidade às suas ações sociais

e ambientais. Com a natural evolução, surgiu o que hoje denomina-se de Balanço Social. Ou seja, surgiu um instrumento onde os empresários podem, de forma bem simples, medir, refletir, sentir como vai a sua empresa, no campo social. Nos anos 90, ocorreram a consolidação do Balanço Social e da Responsabilidade Social das Empresas. Mais e mais empresas, a partir de então voluntariamente, a cada ano, participam de atividades sociais e incentivam para que os seus funcionários façam parte dessas atividades. No entanto, sabe-se que – apesar de tudo que se fez até hoje – ainda há muito por fazer. Principalmente, ao considerar-se que persiste a mentalidade de alguns empresários que ainda acreditam na teoria defendida por FRIEDMAN (1970, in ASHLEY), quando argumenta que a direção corporativa – como o agente dos acionistas - não tem o direito de fazer nada que não atenda ao objetivo de maximização dos lucros, mantidos os limites da lei”.Para ele, existem instituições como, por exemplo, as igrejas, governo, sindicatos e organizações sem fins lucrativos, que existem para atuar nesta área da responsabilidade social (corporativa). Em outras palavras, para os seguidores de Friedman: “agir diferente é uma violação das obrigações morais, legais e institucionais da direção da corporação”. Sabe-se, que o desemprego sempre existiu: é um fato, mas, com a globalização e, sobretudo com a informatização e robotização dos vários segmentos industriais, este

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número tem aumentado significativamente. Segundo CARRIJO (2001), temos no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas que vivem no que se classifica como “estado de miséria” e 72% da população nas classes C e D. Com o aumento do número destes últimos, tem crescido a cada dia que passa a violência nas grandes metrópoles. Os assaltos, seqüestros relâmpagos, e outras formas de violência urbana, têm contribuído para afastar os consumidores em potencial das grandes lojas e magazines. Observa-se que esse comportamento não é nada bom para os negócios e, por outro lado, para os governos. Pois, com as quedas nas vendas, caem também os tributos, taxas e contribuições, arrecadados pelos governos e entidades – municipais estaduais, federal e internacional. Assim, as autoridades têm procurado, ao longo dos anos, por meio de suas políticas públicas amenizar e, quando possível, resolver problemas relacionados com o desemprego, educação, segurança, saúde, moradia, para citar os aspectos principais, a fim de diminuir o número dos excluídos, e também os índices da violência. Para KOTLER (2001), o maior desafio mercadológico dos anos à frente é a harmonização de três aspectos que, embora conflitantes, não são excludentes: obter lucros para a empresa, a satisfação do consumidor e a preservação do interesse público. Segundo MCINTOSH (2001) há três formas de uma empresa exercer a sua cidadania corporativa. A primeira, MINIMALISTA, onde ela atua de acordo com a legislação vigente na cidade onde se encontra instalada. A Segunda, DISCRICIONÁRIA, onde a participação da empresa se restringe, praticamente, às doações e contribuições filantrópicas. E, finalmente, a ESTRATÉGICA, onde àquelas empresas que vêm na Responsabilidade Social, a oportunidade de exercer sua Cidadania Corporativa como uma ESTRATÉGIA DE MARKETING. Segundo o autor, cidadania plena implica que a cidadania corporativa precisa se tornar uma PRIORIDADE ESTRATÉGICA.

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1.2 AMADOR AGUIAR, TRABALHO COM RESPONSABILIDADE SOCIAL.

Nestes 46 anos de existência, segundo LACHINI (2002), a Fundação Bradesco formou algo em torno de 470 mil alunos em todo o país. A mesma é considerada o maior investimento brasileiro na área social. 6 No ano de 2001, segundo relatório anual 7 do Grupo Bradesco foi aplicado nas escolas da Fundação Bradesco um total de R$ 112.087 milhões. Estando, desde então, previsto para o ano de 2002, o montante de R$ 119.755 milhões para o atendimento de mais de 103 mil alunos.

FIGURA 1 – Sr. Amador Aguiar – Fundador Emérito da Fundação Bradesco.

Amador Aguiar, nascido no dia 11 de fevereiro de 1904, era um dos 13 filhos do lavrador João Antônio Aguiar, que o tirara da escola para ajudá-lo na roça, tinha 12 anos de idade quando cursava a quarta série do primário. Aos 16 anos, revoltado com o comportamento do seu pai, que além de mulherengo, bebia demais, fugiu da fazenda de café, onde trabalhava com a enxada, em Sertãozinho, São Paulo. Numa noite, quando dormia ao relento num banco de praça, em Bebedouro, São Paulo, foi abordado de madrugada por um mendigo que lhe pediu um trocado. Naquele instante, Amador Aguiar

encontrou apenas uma moeda nos seus bolsos, e pensou: “parece mentira, mas existe gente que tem menos do que eu”. (Isto

É, edição 1.535).

que tem menos do que eu”. (Isto É, edição 1.535). 11/02/1904 – 24/01/1991 FONTE : Site

11/02/1904 – 24/01/1991 FONTE: Site do Bradesco

6 (Revista Bradesco, 2000, n.º 1) 7 Página 61.

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Em rumo a Bebedouro, Amador Aguiar encontrava-se sem saber o que fazer, quando, com fome, ao entrar num restaurante foi abordado pelo proprietário que, observando suas mãos calejadas, ofereceu-lhe comida. Ao invés de aceitar o convite respondeu: “Não, primeiro eu quero trabalhar e só depois vou aceitar o prato de comida”. Pouco tempo depois, em 1918, Aguiar conseguia um emprego numa tipografia na cidade paulista de Sertãozinho, aonde chegou a perder o dedo indicador da mão direita numa máquina de impressão. Aos 22 anos, em 1926, quando era office-boy do Banco Noroeste do Estado de São Paulo, na filial de Birigui, almejava ascender na vida e, quem sabe?, algum dia

exercer um cargo importante. Após dois anos, numa carreira meteórica, ele tornara-se gerente. A esse fato, Amador Aguiar tem referido-se como sua principal motivação para estudar os manuais dos bancos, à asma que o impedia de dormir à noite e, por isso, estudava tudo sobre as atividades bancárias. Superando, em razão disso, muitos funcionários. Na sua maioria, mais letrados do que ele próprio.

No ano de 1943, quando começou a concretizar o projeto de tornar-se um banqueiro, adquiriu a Casa Bancária Almeida, um banco do município de Marília, em São Paulo. Na ocasião, a nova instituição recebeu o nome de “Banco Brasileiro de Descontos”, o Bradesco.

Na inauguração, com o repentino falecimento do sócio escolhido para dirigir o novo empreendimento, Amador Aguiar assume a Superintendência. Dessa forma, além dos plenos poderes, também recebeu dez por cento das ações do banco que, naquela oportunidade, não valiam muito. Apenas para registrar, o Bradesco era tão insignificante na ocasião que o próprio Aguiar fazia uma piada com o nome da Instituição. Era o “Banco Brasileiro de DEZ contos”. No ano de 1946, Amador Aguiar transferia a sede do banco em Marília para a rua 15 de novembro, no centro de São Paulo. Em 1951, assumia a superintendência. Dois anos após, o banco estaria sendo instalado na cidade de Osasco, na grande São Paulo, onde se encontra desde então.

FIGURA 2 – Agência de Marília, São Paulo, nos anos 40.

onde se encontra desde então. FIGURA 2 – Agência de Marília, São Paulo, nos anos 40.

FONTE: Site do Bradesco.

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Quando, aos 39 anos de idade (Exame, edição 703), Amador Aguiar assumiu a direção do Bradesco iniciou um processo de democratização do atendimento bancário. Numa época, onde possuir um talão de cheques era considerado um luxo excêntrico, a primeira providência que tomou foi a de levar os gerentes a trabalharem na entrada das agências recepcionando os clientes. Dessa forma, diferenciando-se dos demais bancos, aproximou-se dos pequenos agricultores e de imigrantes japoneses considerados, na ocasião, a força de trabalho dominante. No ano de 1969, Amador Aguiar, em substituição ao Sr. José da Cunha Jr., genro do fundador do banco, Sr. José Galdino de Almeida, torna-se presidente do Bradesco. A principal característica do Bradesco tem sido o pioneirismo. Por ocasião, em 1946, quando transferiu a sede do banco para Osasco, foi o primeiro banco a separar a administração das agências. Segundo o presidente do Conselho de Administração, Sr. Lázaro Brandão, a intenção do Amador Aguiar era a de separar os altos executivos do banco dos problemas corriqueiros das agências a fim de que os mesmos pudessem se dedicar aos grandes negócios. Dentre outras características pioneiras, o Bradesco foi o primeiro banco brasileiro a aceitar o pagamento das contas de luz, o primeiro a receber as declarações do Imposto de Renda e, também o primeiro a usar computadores em larga escala. Essa visão de negócios que Amador Aguiar possuía foi responsável em transformar, já em 1959, o Bradesco no maior banco privado da América Latina. Posição esta que nunca mais perdeu. Na fachada do prédio do Bradesco, em Osasco, ainda se lê a frase que sempre inspirou Amador Aguiar: “Só o trabalho pode produzir riquezas”.

“Quando eu comecei isso, muitas vezes me perguntaram se no dia seguinte teria recursos para manter a Fundação”.

(ver Lacombe, 1998)

Amador Aguiar Fundador do Bradesco

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FIGURA 3– Construção do "Prédio Azul" na Cidade de Deus, em Osasco, São Paulo, 1958

No dia 5 de março de 1970, cria-se Top Clube Bradesco, estipulando-se apólices de seguros para cerca de 260 mil associados, destinando a sua renda líquida para manter a Fundação. Nessa oportunidade, são dadas ênfases e prioridades ao ensino profissionalizante, aos cursos de especialização rural e aos programas de capacitação voltados para as comunidades. No ensino fundamental as atenções

são voltadas para a criatividade das crianças, com técnicas de alfabetização dedicadas em trabalhos individuais e em grupos. Por outro lado, no ensino médio as atenções são direcionadas aos cursos profissionalizantes: Administração de Empresas, Contabilidade, Magistério, Eletrônica, Processamento de Dados e Técnicas Agropecuárias. Aos alunos são também disponibilizados cursos de capacitação, tais como: Artes Gráficas, Manutenção de Máquinas de Escritório, Economia Doméstica, Corte e Costura, Culinária, Horticultura, Datilografia e Tapeçaria. O Grupo Bradesco, através de suas atividades de Ação Social, ainda se expande continuamente para outros pontos, por exemplo, na Proteção Ambiental, através dos alunos da Fundação Bradesco, particularmente, os alunos das escolas-fazenda de Bodoquena, Mato Grosso do Sul, e de Canuanã, em Tocantins. No campo cultural, destacam-se as exposições que marcaram o ano de 2001 como, por exemplo, parte da coleção egípcia do Museu do Louvre, patrocinada pela Bradesco Seguros. Com a compra do BCN (Banco de Crédito Nacional S.A., adquirido em 1997 pelo Grupo Bradesco) e do BANEB, (Banco do Estado da Bahia) o Bradesco começou a atuar também nos esportes. Através do BCN, o Grupo Bradesco patrocina 2.600 meninas que treinam basquete e vôlei – a Prefeitura do Município de Osasco participa desta empreitada. Muitos atletas, que receberam apoio do Bradesco, conquistaram vários campeonatos de natação no ano de 2001. Inclusive, com a quebra de recordes. Conforme o Relatório de Atividades Sociais (2001), no ano de 2001, sob a égide da Lei Rouanet, da Lei do Audiovisual e, também, do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Bradesco destinou a importância de R$ 12.703.030,62 a projetos culturais e assistenciais. Estes projetos foram desenvolvidos em vários lugares do território brasileiro. Dentre tantos

Fonte: Site do Bradesco.

Estes projetos foram desenvolvidos em vários lugares do território brasileiro. Dentre tantos Fonte: Site do Bradesco.

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projetos culturais desenvolvidos e apoiados pela Organização Bradesco, destacam-se:

edição de livros em braile, inclusive, de livros falados, para cegos, por meio da Fundação Dorina Nowill; restauração da Catedral da Sé, em São Paulo; na área teatral, patrocinou vários espetáculos como, por exemplo: Quem tem medo de Virgínia Woolf, de Marco Nanini, Três Vezes Teatro, de Ney Latorraca, Os Lusíadas, de Ruth Escobar. Na música, patrocina há tempos a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Experimental de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e a Orquestra Filarmônica do Ceará. Através do Prêmio Carlos Gomes, procura incentivar músicos e cantores líricos de todo o país. Este prêmio, também sob o patrocínio do Grupo Bradesco, está em sua sexta edição. No Balanço Social do Grupo Bradesco, publicado pela primeira vez em conjunto com o seu Relatório Anual (de Atividades Sociais), no ano de 2001, verificamos que esta é uma Empresa que, com o seu elevado padrão ético e profissional, após mais de 50 anos de existência, possui hoje 65.713 funcionários – além dos 2.555 funcionários da Fundação Bradesco – 2,4 milhões de acionistas, 12 milhões de clientes, administradora de 110.116 bilhões de reais, além das 38 Escolas com mais de 100 mil alunos instaladas em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. E, o mais importante, tudo isso começou com um sonho, um sonho de um adolescente que saiu de casa aos 16 anos para trabalhar e, mesmo tendo apenas as quatro primeiras séries iniciais, acreditou, trabalhou, enfrentou desafios e, superando todos os obstáculos, surpreendeu a todos como a sua garra e coragem!. Amador Aguiar é o seu nome.

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1.3 A PRIMEIRA ESCOLA

“Criar em cada estado brasileiro, pelo menos uma escola para atender as pessoas carentes em cada parte do país”.

Amador Aguiar

FIGURA 4 – Foto da Inauguração da Primeira Unidade Escolar da Fundação Bradesco.

Criada, inicialmente com o nome de Fundação São Paulo de Piratininga, pelo seu grande idealizador - Amador Aguiar - em 22 de novembro de 1956, com o objetivo de atender os filhos de funcionários, comunidades de baixo poder aquisitivo e adultos por meio da Teleducação, formar, educar, e preparar para a vida profissional, crianças, jovens e adultos, a Fundação Bradesco, que foi o grande sonho do senhor Amador Aguiar, está atualmente presente em todos os 27 estados brasileiros, além do Distrito Federal 8 .

Quando a Fundação Bradesco, no dia 29 de junho de 1962, inaugurou a sua primeira escola (foto acima), na Cidade de Deus, em Osasco, São Paulo, contava apenas com 7 professores para atender, aproximadamente, 300 crianças. Hoje, após formar mais de 470 mil alunos, a Fundação Bradesco conta com 38 escolas e no seu quadro de professores possui cerca de 1500 com mestrado, atendendo mais de 100.000 alunos em todo o Brasil, com um orçamento estimado em R$ 115 milhões para este ano (LACHINNI,

2002).

estimado em R$ 115 milhões para este ano (LACHINNI, 2002). Fonte: Site do Bradesco 8 Em

Fonte: Site do Bradesco

8 Em fevereiro de 2003, foi inaugurada em Boa Vista a Escola da Fundação Bradesco no último estado brasileiro: Roraima. (site: Fundação Bradesco).

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Nas cidades onde estão localizadas, há uma intensa procura por vagas pela comunidade que, em precárias condições financeiras, encontra na Fundação Bradesco, além do ensino de qualidade, boas condições de infra-estrutura, fornecendo alimentação, assistência médica e odontológica, uniformes e todo material didático para os alunos através de suas 39 escolas. Uma das principais características do Grupo Bradesco é o seu espírito empreendedor. O que pode-se constatar através da sua trajetória ao longos desses anos. Numa época onde o gerente era uma pessoa inacessível, coube ao Bradesco colocá-lo à porta para recepcionar seus clientes. Quando a maioria dos bancos possuía carteiras de grandes clientes, o Bradesco – com sua visão de negócios – permitiu que pessoas simples (empregadas domésticas, por exemplo) pudessem abrir uma conta corrente. Dessa forma, diminuiu os possíveis impactos causados pelas grandes contas quando, em processo de

mudança para outras agências ou bancos, contribuem negativamente para a agência na qual estava filiada. O banco dia e noite também foi uma característica pioneira do Grupo Bradesco, permitindo aos seus clientes movimentar suas contas correntes após o encerramento do horário bancário e, também, nos fins de semanas e feriados. Salienta-se a criação da Fundação Bradesco, com suas escolas oferecendo ensino profissionalizante para atender as características de cada região. Particularmente, nas zonas rurais, com cursos de agropecuária e inseminação artificial. Além dos cursos técnicos em administração e eletrônica para àquelas pessoas que residem nas áreas mais industrializadas como Rio de Janeiro, São Paulo e em Manaus, com a sua Zona Franca. Ainda hoje verifica-se seu

FIGURA 5 – Foto da Visita do Exmo. Sr. Ministro da Educação e do Desporto Prof. Paulo Renato Souza (de terno claro), Sr. Lázaro de Mello Brandão (no centro) Unidade I, em Osasco São Paulo, no dia 18 de abril de 1997.

processo evolutivo pioneiro, as escolas da Fundação Bradesco além de oferecer as tradicionais aulas de informática aos seus alunos regulares e à comunidade em geral, forma agora novas turmas, desta vez, constituídas de pessoas portadoras de deficiência visual.

A Fundação tem atuado na área da pesquisa e ensino destinado a deficientes visuais e, também, na sintetização de voz que, brevemente, permitirá o uso do computador sem o teclado.

também, na sintetização de voz que, brevemente, permitirá o uso do computador sem o teclado. Fonte:

Fonte: Site do Bradesco.

17

Convicto que a principal diferença entre os marginalizados pela sociedade e àqueles que tiveram oportunidade para competir, estava no acesso à educação, Amador Aguiar criou, há 47 anos, a Fundação Bradesco, como uma retribuição social para melhor preparar os cidadãos brasileiros. Cursos em Ciências da Computação, artes gráficas, serviços elétricos, costura, primeiros socorros, tapeçaria, cuidado com crianças, dentre outros.

As escolas rurais de Bodoquena, em Mato Grosso do Sul, e Canuanã, no Tocantins, funcionam em regime de internato, fornecendo cursos na área de agropecuária.

O Grupo Bradesco, é uma das mais complexas e poderosas instituições financei- ras do país, com participação em diversos setores. É o banco com o maior número de agências. Realiza, diariamente, cerca de 6,5 milhões de transações. O mesmo está entre os três maiores bancos do mundo em operações pela internet. (LACHINNI, 2002).

FIGURA 6 Amador Aguiar assina o contrato de compra do primeiro Computador adquirido pelo Banco, em contrato fornecido com a IBM, em 1961, representando o marco inicial do uso de processamento de dados no Bradesco.

marco inicial do uso de processamento de dados no Bradesco . FONTE: Site da Fundação Bradesco

FONTE: Site da Fundação Bradesco

UM NOVO PERFIL – As escolas da Fundação Bradesco, além dos trabalhos desenvolvidos com os alunos, pais e demais pessoas das comunidades carentes onde atuam, procuram participar e desenvolver atividades de apoio à natureza. Em 2001 participou da campanha de reflorestamento da Mata Atlântica, em parceria com a ONG SOS Mata Atlântica. (Relatório Anual). Por outro lado, o Grupo Bradesco, através dos seus cartões de afinidade, repassa parte de sua anuidade à Fundação SOS Mata Atlântica. Nos últimos dois anos, repassou mais de 5.000.000 de reais. (Relatório Anual 2001). Os alunos da Fundação Bradesco, desde 1990, da escola de Parnavaí-RS, também têm atuado na área da Educação Ambiental. Além dos estudos realizados sobre a erosão e do uso inadequado do solo e dos seus recursos, estes alunos – com o apoio do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), têm atuado na recuperação ambiental. Cerca de 15.500 metros quadrados de mata ciliar foram restaurados com a participação de mais de 1.200 alunos. (Relatório Anual 2001).

18

Nos currículos das escolas da fundação Bradesco constam visitas a parques e reservas florestais. Nessas atividades os alunos adquirem mais respeito pela natureza e pelos seus recursos.

“Nós temos muito que aprender e absorver da experiência do Bradesco, não apenas no que se desenvolve na sala de aula, mas também na parte do ensino à distância e da informática. Olhar as experiências positivas do nosso país é tão importante quanto olhar as experiências que estão dando certo lá fora. Daí a necessidade de estreitarmos os laços com a Fundação Bradesco”.(Revista Bradesco, n.º4/97)

Paulo Renato Ministro da Educação

19

2. O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO EM MANAUS E SEUS REFLEXOS.

2.1 A CIDADE DE MANAUS

A cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, está localizada na maior bacia hidrográfica do mundo que cobre, segundo FILIZOLA et al. (in: RIVAS & FREITAS, 2002), uma superfície de 6.100.000 km 2 , abrigando a maior biodiversidade do mundo. A grande variedade de ambientes, inclusive aquáticos, habitados por uma diversidade de peixes que, segundo RIVAS (op. cit.), é superior à de qualquer lugar do mundo. Para compreender a importância do trabalho social desenvolvido nestes últimos anos pela escola da Fundação Bradesco, faz-se necessário conhecer como se encontrava

– sócio e economicamente – a cidade de Manaus e, sobretudo, o bairro do alvorada onde

a mesma se localiza. O Brasil atravessava um momento político muito importante. Eram as eleições diretas para prefeitos das capitais, após o período de ditadura militar. A inflação era uma das mais altas. A média anual de inflação registrada em 1985, quando da inauguração da escola em Manaus, era 238,74%. (Tabela 2.1). Manaus encontrava-se no processo de supercrescimento populacional em virtude dos empregos gerados com a instalação da sua Zona Franca. Considerando os dados obtidos por BENCHIMOL (2002), o censo de 1980 registrava o crescimento de 103% (Tabela 2.3) em relação ao último censo (1970). A cidade, que nos anos 70, representava 35% da população estadual, em 1980 – com o aumento do processo imigratório – atingia, aproximadamente, 50% da população de todo o estado do Amazonas. A renda per capita estadual do ICM, no valor de Cr$ 3.328 representava, à época, a maior arrecadação da região norte (BENCHIMOL, 1981). Em 1985, a prefeitura de Manaus arrecadava 55% a mais que o ano anterior, (CORRÊA, 1995). Naturalmente, com o crescente êxodo rural, surgiram problemas relacionados à moradia, segurança pública, saúde, educação, para citar os mais importantes. Um problema ressaltava: o das invasões, que, em muitos casos, eram incentivadas por políticos e candidatos a cargos no Poder Legislativo.

20

TABELA 2.1 - INFLAÇÃO ANUAL (EM %)

PERÍODO

INPC

IPCA

ICV-SP

IPC-SP

INFLAÇÃO

(IBGE)

(IBGE)

(DIEESE)

(FIPE)

MÉDIA

1

9 8 0

110,66 %

94,64 %

93,51 %

84,80 %

95,90%

1 9 8 1

91,19 %

92,88 %

87,46 %

80,90 %

88,11%

1 9 8 2

97,87 %

103,30 %

103,03 %

94,60%

99,70%

1

9 8 3

172,90 %

167,62 %

172,59 %

164,10 %

169,30%

1

9 8 4

203,27 %

208,63 %

204,02 %

178,60 %

198,63%

1 9 8 5

228,65 %

233,65 %

264,57 %

228,10 %

238,74%

1 9 8 6

57,85 %

72,54 %

96,49 %

68,10 %

73,75%

1 9 8 7

394,90 %

373,78 %

398,26 %

366,70 %

383,41%

1

9 8 8

993,29 %

981,17 %

921,24 %

891,70 %

946,85%

1 9 8 9

1.863,56 %

1.972,91 %

1.946,29 %

1.636,60 %

1.854,84%

1 9 9 0

1.585,18 %

1.620,97 %

1.849,68 %

1.639,08 %

1.673,73%

1

9 9 1

475,11 %

472,69 %

500,39 %

458,61 %

476,70%

1 9 9 2

1.149,06 %

1.119,10 %

1.127,53 %

1.129,55 %

1.131,31%

1 9 9 3

2.489,11 %

2.477,15 %

2.702,72 %

2.490,99 %

2.539,99%

1 9 9 4

929,32 %

916,43 %

1.082,94 %

941,25 %

967,49%

1

9 9 5

21,98 %

22,41 %

46,19 %

23,17 %

28,44%

1 9 9 6

9,12 %

9,56 %

13,18 %

10,04 %

10,48%

1 9 9 7

4,34 %

5,22 %

6,11 %

4,83 %

5,13%

1 9 9 8

2,49 %

1,65 %

0,47 %

-1,78 %

0,71%

1

9 9 9

8,43 %

8,94 %

9,57 %

8,64 %

8,90%

2

0 0 0

5,27 %

5,97 %

7,21 %

4,38 %

5,71%

Fonte: Revista Conjuntura Econômica – FGV (www.ai.com.br/pessoal/indices/INFLA2.HTM)

Estas invasões causaram danos irreparáveis ao meio ambiente, destruindo importantes áreas verdes, além de contribuir, algum tempo depois, para a poluição dos igarapés. Em outras palavras, era uma situação caótica. Segundo dados do IBGE (Tabela 2.2) com a intensificação das atividades da Zona Franca de Manaus e, sobretudo, como a implantação do modelo de substituição das importações, ocorreram enormes crescimentos populacionais, conforme atesta a tabela abaixo. Os números entre parênteses indicam o percentual populacional da cidade de Manaus em relação ao Estado do Amazonas. Por exemplo, no ano de 1970 a cidade de Manaus representava, aproximadamente, 32,62% da população do estado.

TABELA 2.2 - CRESCIMENTO POPULACIONAL MANAUS x AMAZONAS (período: 1970–1991)

DISCRIMINAÇÃO

 

POPULAÇÃO

 

TAXA DE CRESCIMENTO

 

1970

1980

1991

1996

1970/80

1980/91

Amazonas

955.235

1.403.089

2.102.775

2.390.102

4,12

3,50

 

311.622

633.392

1.011.500

1.158.265

7,35

4,34

Manaus

(32,62)

(45,14)

(48,10)

(48,46)

FONTE: IBGE (Censo Demográfico de 1991 e Contagem de 1996).

21

Pode-se observar que, a cidade de Manaus experimentou do ponto de vista do seu crescimento populacional, uma série de grandes saltos e entre 1970 e 1996 o número de habitantes cresceu 3,72 vezes. Por conseqüência, paralelamente ao seu supercrescimento populacional, a cidade de Manaus também cresceu em extensão de forma irracional e desordenada, ocorrendo a subutilização dos espaços urbanos, e predomínio de favelas principalmente nos bairros periféricos. A forma como ocorreu

este processo acelerado de crescimento da ocupação urbana de Manaus, contribuiu para a apropriação de grandes segmentos espaciais por agentes econômicos e por "grileiros" que diretamente se beneficiaram com a especulação fundiária decorrente das fortes pressões por moradia de todas as classes sociais e, em particular, das classes economicamente

menos favorecidas. Sobretudo, nos períodos das eleições quando ocorreram várias invasões de terras - tanto nas áreas metropolitanas, quanto nos espaços vazios da cidade.

Na tabela 2.3, pode-se observar três colunas de percentuais. Na primeira, verifica-se o crescimento da população da cidade de Manaus em relação ao censo anterior. Na terceira coluna, o crescimento da população do Estado do Amazonas em relação ao censo anterior e, finalmente, na segunda coluna, o crescimento populacional, entre a cidade de Manaus e o estado do Amazonas, comparado censo a censo. Manaus, em 2000, atingiu os 49% da população do Estado do Amazonas.

Dessa forma, a cidade de Manaus passou a se constituir num pólo de pobreza, contando com grandes segmentos populacionais sem emprego e sem acesso a bens e serviços essenciais. Neste contexto, chegava à Manaus, em 1985, a escola da Fundação Bradesco.

TABELA 2.3 – CENSOS: 1890 a 2000

CENSO

 

P O P U L A Ç Ã O

 

ANOS

% (1)

MANAUS

% (2)

AMAZONAS

% (3)

1890

100%

38.720

26%

147.915

100%

1900

30%

50.300

20%

249.756

69%

1920

51%

75.704

21%

363.166

45%

1940

41%

106.399

24%

438.008

21%

1950

31%

139.620

27%

514.099

17%

1960

24%

173.703

25%

708.459

38%

1970

79%

311.622

33%

955.235

35%

1980

103%

633.392

44%

1.430.089

50%

1991

60%

1.011.501

48%

2.103.243

47%

1996

14%

1.157.357

48%

2.389.279

14%

2000

21%

1.403.796

49%

2.840.889

19%

FONTE: BENCHIMOL, 2002. (construção própria).

TABELA 2.4 – RECEITA TOTAL

 

RECEITA TOTAL

ANOS

US$ 1.000,00

Ano anterior

1981

33.553

100%

1982

45.286

35%

1983

18.017

– 60%

1984

31.901

77%

1985

49.527

55%

1986

57.464

16%

1987

57.864

1%

1988

33.795

– 42%

1989

77.503

129%

1990

153.615

98%

1991

136.661

– 11%

1992

86.491

– 37%

1993

99.210

15%

1994

151.287

52%

FONTE: SEMEF/Prefeitura de Manaus.

22

Observa-se, na tabela 2.4, o percentual de 55% registrando o crescimento na Receita Total da prefeitura de Manaus, em relação ao ano de 1984.

GRÁFICO 1 – CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO (1890 – 2000)

3.000.000 Manaus Amazonas 2.500.000 2.000.000 1.500.000 1.000.000 500.000 - 1 2 3 4 5 6
3.000.000
Manaus
Amazonas
2.500.000
2.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
-
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
CENSO
1890
1900
1920
1940
1950
1960
1970
1980
1991
1996
2000
POPULAÇÃO

FONTE: BENCHIMOL, 2002. (construção própria).

Na figura acima (Gráfico 1), pode-se comparar o crescimento da população da cidade de Manaus em relação ao crescimento da população do Estado do Amazonas, no período 1890–2000. Observa-se que, a partir dos anos oitenta, a população de Manaus cresceu aceleradamente e, atualmente, Manaus possui praticamente a metade da população do estado. Se não houver políticas públicas para fixar o homem na zona rural, esta tendência de crescimento deverá persistir e, conseqüentemente, a capital do Amazonas poderá ter seus problemas de habitação, exclusão social, desemprego, alimentação e violência agravados.

23

2.2 A ESCOLA DE MANAUS.

A criação da Zona Franca, em sua primeira versão, pela Lei 3173 de 06 de junho de 1957, a partir do projeto do então deputado federal Francisco Pereira da Silva, teve como pressuposto básico a ocupação territorial, particularmente nas áreas de fronteiras, promovendo, dessa forma, o aproveitamento econômico capitalista da região.

Na sua primeira fase, compreendida de 1957 a 1967, a Zona Franca operava apenas na comercialização de produtos importados, co- mo uma área de livre comércio de importação. Dessa forma com a livre circulação das merca- dorias importadas atraí- das pela redução das alíquotas do Imposto de Importação e por outros incentivos, gerou um

intenso comércio na cidade de Manaus, contribuindo para elevar as receitas portuárias e, sobretudo, na criação de empregos. A segunda fase da ZFM iniciou-se, oficialmente, com o decreto-lei n.º 288, de 28 de janeiro de 1967, onde foram criados vários incentivos fiscais especiais para atrair indústrias dos mais diversos segmentos para Manaus. Naturalmente, como principal conseqüência da implantação da Zona Franca de Manaus, houve um intenso movimento migratório do interior para a capital do estado do Amazonas e, uma vez que a grande maioria destes migrantes, não tinha onde morar,

FIGURA 7 – VISTA AÉREA DA CONSTRUÇÃO DA ESCOLA DA FUNDAÇÃO BRADESCO EM MANAUS (1985)

DA CONSTRUÇÃO DA ESCOLA DA FUNDAÇÃO BRADESCO EM MANAUS (1985) FONTE : Arquivo da Fundação Bradesco

FONTE: Arquivo da Fundação Bradesco – Manaus (1985)

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começaram a se instalar em áreas inadequadas e nas periferias da cidade. Um desses locais - que mais tarde seria transformado no bairro do Alvorada 9 - bastante entrecortado por igarapés, foi o alvo da construção, por parte dos imigrantes, de várias casas de madeiras suspensas sobre essas áreas alagadas. A grande concentração dessas casas, conhecidas por palafitas 10 , deu origem ao antigo nome do bairro do Alvorada: a "Cidade das Palhas".

O Grupo Bradesco, tendo a sua frente o Sr. Amador Aguiar, escolheu o bairro do Alvorada para construir a sua 19ª escola, em virtude da concentração de inúmeras famílias de baixa renda. Ocupando uma área total de 34.431,71 m 2 , sendo 3.159,19 m 2 de área construída, a escola da Fundação Bradesco está localizada no bairro do Alvorada II, habitado predominantemente por pessoas de baixo poder aquisitivo. Oferecendo o que há de mais moderno em educação, desde a educação infantil, ensino fundamental e médio, até a educação para jovens e

adultos, a Fundação Bradesco - Manaus tem realizado, também, cursos de capacitação (também chamados de cursos rápidos) nas áreas de informática, datilografia, corte e costura, corte de cabelo, cestaria, doces e salgados natalinos, dentre outros. Por se tratar de uma escola voltada para atender pessoas predominantemente da classe menos favorecida, estes cursos têm, contribuídos para melhorar o orçamento doméstico e, conseqüentemente, a qualidade de vida desta população carente. No dia 13 de agosto de 1985, com a presença do Sr. Amador Aguiar e de várias personalidades e autoridades amazonenses – do Governador do Estado, Sr. Gilberto de Medeiros Raposo, do Senador da República, Sr. Amazonino Mendes, e do Prefeito de

FIGURA 8 Fundação Bradesco – Escola de Manaus.

de FIGURA 8 – Fundação Bradesco – Escola de Manaus. FONTE: Site da Fundação Bradesco FIGURA

FONTE: Site da Fundação Bradesco

FIGURA

9

Vista

parcial do mapa

urbanístico onde está instalada a Escola da

Fundação Bradesco, onde se verifica extensa rede hidrográfica.

Bradesco, onde se verifica extensa rede hidrográfica. FONTE: Site da Fundação Bradesco. 9 Sempre que citado

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

9 Sempre que citado o bairro do Alvorada, está-se referindo aos três. (Alvorada 1, 2 e 3)

25

Manaus, Sr. Carlos Eduardo Braga, etc. – foi inaugurada oficialmente a escola da Fundação Bradesco em Manaus. Ao longo dos seus 17 anos de vida, a Fundação Bradesco de Manaus tem oferecido aos seus alunos, além dos seus cursos, formação em valores éticos, morais e de cidadania. Por outro lado, através de intercâmbios com as empresas do Distrito Industrial, a Fundação Bradesco tem oferecido estudos e palestras para que os seus alunos desenvolvam um perfil adequado que lhes permitam ingressar no competitivo mercado de trabalho da Zona Franca.

Educação Profissional Básica.

Desde 1987, quando formou sua primeira turma de Assistente de Administração com 21 alunos, a Fundação Bradesco prepara seus alunos para atender às exigências do mercado de trabalho local. No quadro, ao lado, pode-se observar que, até a presente data, formou mais de 1.200 alunos, nas mais

distintas áreas. De 1987 até 2000 foram oferecidos cursos técnicos em eletrônica e administração. Mas, após o ano de 2000, todos alunos ao concluírem o ensino médio puderam realizar cursos – com duração média

de um ano – de Gestão em Recursos Humanos, atendendo ao novo perfil do mercado.

FIGURA 10: Foto do refeitório da Escola de Manaus no momento da merenda escolar – 1985.

da Escola de Manaus no momento da merenda escolar – 1985. FONTE: Arquivo da Escola Bradesco

FONTE: Arquivo da Escola Bradesco – Manaus

26

A Fundação Bradesco – Manaus disponibiliza, para todos os seus alunos e familiares, modernas instalações pedagógicas, laboratórios de informática, de ciências, gabinete odontológico, além de uma biblioteca que atende, além dos seus alunos regulares, estudantes de outras escolas da área além de quaisquer pessoas interessadas em alguma pesquisa. A seguir, pode-se observar, fotos das principais instalações físicas da Fundação Bradesco – Manaus.

FIGURA 11 – Foto da Secretaria da Escola.

– Manaus. FIGURA 11 – Foto da Secretaria da Escola. FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 12 – Foto do Laboratório de Ciências

Bradesco. FIGURA 12 – Foto do Laboratório de Ciências FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA 13

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 13 – Foto da Cozinha da Escola Bradesco – Manaus

FIGURA 13 – Foto da Cozinha da Escola Bradesco – Manaus FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 14 – Foto de uma Sala de Aula.

Bradesco. FIGURA 14 – Foto de uma Sala de Aula. FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 15 – Foto do Gabinete Odontológico.

Bradesco. FIGURA 15 – Foto do Gabinete Odontológico. FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA 16 –

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 16 – Foto do Parque Infantil.

FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA 16 – Foto do Parque Infantil. FONTE: Site da Fundação

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

27

FIGURA 17 – Foto das crianças brincando no Parque Infantil da Escola de Manaus.

crianças brincando no Parque Infantil da Escola de Manaus. FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA 18

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 18 – Foto do Laboratório de Informática da Escola de Manaus

Foto do Laboratório de Informática da Escola de Manaus FONTE: Site da Fundação Bradesco. FIGURA 19

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 19 – Foto de uma Sala de Aula de Jovens.

Bradesco. FIGURA 19 – Foto de uma Sala de Aula de Jovens. FONTE: Site da Fundação

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

FIGURA 20 – Momento Cultural. A dança dos Bois Bumbás na Escola de Manaus.

Cultural. A dança dos Bois Bumbás na Escola de Manaus. FONTE: Site da Fundação Bradesco. Divulgar

FONTE: Site da Fundação Bradesco.

Divulgar entre as crianças a cultura regional é uma das principais características das escolas da Fundação Bradesco em todo o país. A cidade de Manaus e todo o estado do Amazonas são riquíssimos em lendas, estórias e fatos marcantes. Os bois Bumbás “Caprichoso” e “Garantido”, o festival da cidade de Parintins, suas danças típicas estão no “sangue” do povo amazonense.

28

2.3 OS NÚMEROS DA FUNDAÇÃO BRADESCO – MANAUS.

Ao longo dos seus 17 anos de atuação, a Fundação Bradesco de Manaus tem oferecido aos seus alunos, além dos seus cursos, formação em valores éticos, morais e de cidadania. (Gráfico 2). Atualmente, conta com 47 funcionários para atender a demanda de 3.100 alunos regulares, mais os alunos do Telecurso, Cursos de Capacitação, Informática, Word Vision, dentre outros.

GRÁFICO 2 – PORCENTAGEM DE ALUNOS POR SEGMENTO.

FUNDAÇÃO BRADESCO – MANAUS

ENSINO MÉDIO E MÉDIO PROFISSIONALIZANTE 14% ENSINO EDUCAÇÃO PROFISSIONAL BÁSICA FUNDAMENTAL 48% 22% 14% 2%
ENSINO MÉDIO E
MÉDIO PROFISSIONALIZANTE
14%
ENSINO
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
BÁSICA
FUNDAMENTAL
48%
22%
14%
2%
EDUCAÇÃO INFANTIL
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

FONTE: Arquivos da Fundação Bradesco – Manaus.

29

Mesmo tendo formado por ano, em média 100 alunos, o total de atendidos todos os anos pela Escola da Fundação Bradesco tem aumentado consideravelmente. Para o ano de 2002 está previsto o atendimento de 3.098 alunos. E, naturalmente, oferecendo sempre uma educação de qualidade, com material didático e uniforme e, sobretudo, acompanhada da assistência médica e odontológica. No período, compreendido entre 1991 a 2001, a Fundação Bradesco – Escola de Manaus – apresenta uma média de aprovação de 95,2% e, conseqüentemente, apenas 4,8% de reprovação. No mesmo período, constata-se também uma evasão escolar média de 2,8%. Estes índices representam, não apenas a qualidade do trabalho desenvolvido ao longo desses 17 anos pela Fundação Bradesco, mas acima de tudo, a dedicação e o compromisso social onde todos, corpo docente, equipe pedagógica, direção e demais funcionários, formam uma grande equipe disposta a diminuir a exclusão social existente na cidade de Manaus. (Gráfico 3).

GRÁFICO 3 – PERFIL DO ALUNO DA FUNDAÇÃO BRADESCO – MANAUS.

PERFIL DO ALUNO DA FUNDAÇÃO BRADESCO - MANAUS FUNCIONÁRIOS E FILHOS DE FUNCIONÁRIOS 4% 96%
PERFIL DO ALUNO DA FUNDAÇÃO BRADESCO - MANAUS
FUNCIONÁRIOS E
FILHOS DE FUNCIONÁRIOS
4%
96%
ALUN OS D A COMUNIDADE

FONTE: Arquivos da Fundação Bradesco – Manaus.

A evasão escolar de 2,8% deixa de ser preocupante quando, segundo o diretor e professor Carlos Zacarias, registra apenas casos onde os alunos desejam seguir outros cursos – os quais não são oferecidos pela Fundação – ou, devido à transferência de seus pais para outras cidades ou estado.

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GRÁFICO 4 – TAXAS DE EVASÃO ESCOLAR DA FUNDAÇÃO BRADESCO. ESCOLA DE MANAUS – (Período:
GRÁFICO 4 – TAXAS DE EVASÃO ESCOLAR DA FUNDAÇÃO BRADESCO.
ESCOLA DE MANAUS – (Período: 1991 – 2001)
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
19911
19922
19933
19944
19955
19966
19977
19988
19999
200010
200111
Média12

FONTE: Arquivos da Fundação Bradesco – Escola de Manaus.

No gráfico acima (4) pode-se observar que no ano de 1991 o índice de evasão escolar foi superior aos 4,0%, nos anos seguintes este índice oscilou entre 3,0% (1992) até, aproximadamente, 2,0% (1998). A média do período (1991 a 2001) foi abaixo de 3,0%.

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CURSO DE INFORMÁTICA PARA A COMUNIDADE.

Quando a Fundação Bradesco iniciou em 1996 as aulas de informática – DOS, Word, Excel. Access, internet, etc. – até dezembro de 2002 formou 1.839 alunos. Em outras palavras, são 1839 pessoas qualificadas para o concorrido mercado de trabalho. (Gráfico 5).

GRÁFICO 5 –

ALUNOS ATENDIDOS NOS CURSOS DE INFORMÁTICA

DA FUNDAÇÃO

BRADESCO – ESCOLA DE MANAUS (Período 1996 – 2002).

500

450

400

350

300

250

200

150

100

50

0

1996 – 2002). 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 461 459
461 459 296 247 154 128 94 1996 1997 1998 1999 1 2000 2001 2002
461 459
296
247
154
128
94
1996
1997
1998
1999 1
2000
2001
2002

FONTE: Fundação Bradesco - Manaus (construção própria)

Todos os cursos de informática são oferecidos gratuitamente. Participam alunos da Escola e também pessoas da comunidade local. Os professores e demais funcionários da Fundação Bradesco em Manaus também são beneficiados por estes cursos.

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CURSOS DE CAPACITAÇÃO PARA A COMUNIDADE.

A principal finalidade destes cursos, também conhecidos por Cursos Rápidos, é fornecer alternativas práticas para auxiliar o orçamento doméstico das famílias carentes. Através destes cursos – corte de cabelo, corte e costura, artesanatos, serigrafia, bolos, doces e salgados, etc. – a escola da Fundação Bradesco em Manaus, no período de 1992 até 2002, contribuiu para capacitar 5.654 pessoas. Certamente é um fato de extrema importância para as famílias carentes da comunidade local. Principalmente, nestes últimos anos, quando há um grande número de desempregados em Manaus. (Gráfico 6).

GRÁFICO 6 –

TOTAL DE ALUNOS QUE CONCLUÍRAM OS CURSOS DE CAPACITAÇÃO NA ESCOLA DA FUNDAÇÃO BRADESCO - MANAUS (Período 1992 – 2002)

TOTAL

2002

2001

2000

1999

1998

1997

1996

1995

1994

1993

1992

5654 1133 1334 667 455 303 316 294 391 307 224 230
5654
1133
1334
667
455
303
316
294
391
307
224
230

0

1000

2000

3000

4000

5000

6000

FONTE: Fonte: Arquivo Arquivos da da Fundação Fundação Bradesco Bradesco – – Manaus. Escola (construção de Manaus (construção própria) própria)

No gráfico acima observa-se que o volume de cursos realizados no período de 1992 a 2000 foi relativamente pequeno se comparado com 2001 e 2002. Acredita-se que a principal causa foi à exigência crescente de qualificação pelo mercado de trabalho local. Desde então, o volume de pessoas que procuram a Escola da Fundação Bradesco em Manaus para realizar cursos de capacitação tem crescido bastante. A demanda tem aumentado a cada dia. Nos primeiros cursos oferecidos para o ano de 2003, mais de 700 pessoas da comunidade procuraram se inscrever.

33

Na tabela (2.5) abaixo, a primeira coluna apresenta os anos, a segunda o número de pessoas qualificadas nos cursos rápidos, a terceira coluna apresenta a variação percentual do ano posterior em relação ao ano anterior e, na última coluna, a variação percentual de cada ano em relação ao ano base (1992). Por exemplo, na terceira coluna observa-se que, entre 1992 e 1993 ocorreu uma queda de 3% em relação ao número de pessoas capacitadas nestes cursos e, entre o ano de 1999 e 2000, ocorreu um aumento de 47%. Por sua vez, na quarta coluna, verifica-se que entre o ano-base (1992) e o ano de 2001 e, um crescimento de 480% e, entre o ano-base e o ano de 2002 e, o crescimento de 393% no número de alunos capacitados.

TABELA 2.5 TOTAL DE ALUNOS QUE CONCLUÍRAM OS CURSOS DE CAPACITAÇÃO NA FUNDAÇÃO BRADESCO – MANAUS

   

VARIAÇÃO (%) EM RELAÇÃO AO

ANO

TOTAL ANUAL

ANO ANTERIOR

ANO BASE (1992)

1992

230

 

100%

100%

1993

224

 

3%

– 3%

1994

307

 

37%

33%

1995