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Nadando com Crocodilos:

A Cultura do Beber ao Extremo

Nadando com Crocodilos: A Cultura do Beber ao Extremo Redação de Marjana Martinic e Fiona Measham

Redação de Marjana Martinic e Fiona Measham

Resumo do Livro

Preocupação recente do público em vários países chamou muita atenção para o intenso e desenfreado consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens, marcado por uma série de implicações sociais e conseqüências para a saúde. Swimming with Crocodiles: The Culture of Extreme Drinking (Nadando com Crocodilos: A Cultura da Bebida em Excesso, Martinic & Measham, Redatoras) 1 posiciona esse assunto importante e ligado à política nos contextos sociais, históricos e culturais apropriados.

Como ponto central do livro há pesquisas empíricas feitas com grupos focais no Brasil, na China, Itália, Nigéria, Rússia, África do Sul e no Reino Unido (Escócia). Todos os grupos foram compostos por jovens maiores de 18 anos de idade. O livro revela muito sobre como esses jovens entendem e vêem o consumo do álcool, inclusive as conseqüências negativas causadas pelo consumo excessivo. Um dos participantes na África do Sul declarou:

Quando eu fico bêbado quero nadar…É algo estúpido porque no rio há crocodilos e hipopótamos, mas você se sente incrível quando está bêbado e por isso, bebe. Eu bebo. (Participante do Grupo de Pesquisa da África do Sul, Capítulo 5)

Então, por que se arriscar a nadar com crocodilos, por assim dizer? Ao analisar essa pergunta, uma nova expressão – beber ao extremo – é proposta para descrever os padrões de consumo irrestritos e sem limites de muitos jovens. Exploram-se os fatores que estimulam os jovens a beber, oferecendo uma nova abordagem para entender o consumo em excesso e tratá-lo através de possível prevenção, intervenção e de políticas públicas.

INTRODUZINDO A EXPRESSÃO BEBER AO EXTREMO

Embora o público em geral apresente significativo interesse quanto aos padrões prejudiciais do consumo de bebidas pelos jovens, a terminologia utilizada atualmente para descrever esses padrões não consegue capturar completamente os comportamentos e as motivações em jogo ou suas possíveis conseqüências. Certamente, isso inclui beber demais (ou em excesso) e normalmente o resultado é a embriaguez. No entanto, somente a presença do elevado consumo de álcool não é suficiente para definir esses comportamentos. Além disso, os termos existentes – como “binge” ou beber compulsivamente – prejudicam o discurso público sobre o assunto, devido às definições discrepantes acerca desses termos, à avaliação divergente e ao intenso foco da mídia.

A expressão beber ao extremo oferece um panorama mais abrangente sobre um padrão de consumo que tem muitas dimensões. Vai além de simplesmente beber em excesso; não pode ficar restrita a medidas de quantidade ou à freqüência ou somente à embriaguez e envolve uma série de contextos sociais e culturais nos quais tal comportamento é cada vez mais evidente. E o mais importante é que beber ao extremo leva em consideração as motivações que estão por trás do ato de beber e enfoca em grande parte as prováveis conseqüências daí advindas. Sob vários aspectos, beber ao extremo não foi separado, até agora, de outros comportamentos “extremos”, como os esportes radicais que também oferecem um desafio; sua busca é motivada pela expectativa de prazer e satisfação e eles apresentam, por natureza, riscos às pessoas que os praticam, às outras que os cercam ou à sociedade como um todo.

Para aplicar a expressão beber ao extremo, cinco definições precisam ser apresentadas:

Embriaguez: Beber demais ou em excesso e seus efeitos fisiológicos.

1 Este livro foi encomendado pelo “Centro Internacioanl de Políticas de Álcool (ICAP) e é o nono volume da coleção ICAP Book Serie sobre Álcool na Sociedade. ICAP é uma organização não-governamental cuja missão é promover o entendimento do papel do álcool na sociedade através do diálogo e parcerias que envolvem a indústria do álcool, a comunidade da saúde ública e outros interessados na política de álcool e ajudar a reduzir o abuso de álcool no mundo. ICAP é apoiado pelos maiores produtores de bebidas alcoólicas. Os pontos de vista expressos neste livro são dos autores individualmente e não representam necessariamente os do ICAP ou de suas companhias parceiras.

Motivação: A evidente intenção e a busca direcionada por certo grau de alteração da consciência ou perda de controle (mesmo que desenfreada ou sem limites).

Processo: Normalmente um processo social e positivo em que a busca pelo prazer e pela satisfação ultrapassa os limites ou os padrões do ato de beber socialmente, ou freqüentemente, em determinada cultura.

Conseqüências: Atenção para as conseqüências da bebida, tanto positivas como negativas.

Experiência com Álcool: Capacidade de “perda controlada do controle”, equilibrada pelo desenvolvimento do chamado “amadurecimento para o álcool”.

Deixando de lado o debate improdutivo sobre definições e avaliações referentes à atual terminologia, espera-se que a pesquisa possa enfocar novamente áreas importantes, relacionadas a motivações, processos e conseqüências negativas.

O QUE ESTIMULA BEBER AO EXTREMO? O conceito de beber ao extremo oferece uma nova forma de abordar comportamentos específicos e suas conseqüências, baseada em perspectivas históricas, culturais e antropológicas sobre bebida e embriaguez, que são fenômenos amplamente sociais, moldados por emergentes atitudes locais referentes ao álcool e a normas mais abrangentes da sociedade— inclusive o mutável papel da sociedade e o conceito de adolescência prolongada (Capítulo 2). Do ponto de vista antropológico, possíveis motivações para comportamentos extremos são moldadas pela “cultura dos jovens” e pelo significado de “ser jovem” (Capítulo 3). O consumo de bebidas alcoólicas por jovens pode ser considerado um rito de passagem do desenvolvimento – uma exploração das fronteiras; os jovens bebem arriscando-se em busca de efeitos físicos imediatos (por exemplo, ressacas, perda de consciência, coordenação motora e cognitiva prejudicadas e ferimentos) e resultados posteriores,de ordem social, como problemas em casa, na escola e no trabalho.

Por que se arriscar a tais conseqüências? Pesquisas sociológicas e psicológicas mostram que ocasiões em que se bebe em excesso normalmente não são acidentais, e, sim, planejadas com antecedência e geradas de diversas formas – por exemplo, ao beber rapidamente para embriagar-se ou ao “fazer um esquenta”, bebendo em casa para potencializar o efeito na noitada (Capítulo 4). Para alguns jovens adultos tal atividade é tão comum que eles têm dificuldade em explicar por que agem assim. Isto ocorre, porque há fatores evolucionários, culturais e sociais que interferem nas motivações dos jovens que bebem – desde beber para facilitar o relacionamento com os colegas e as paqueras, até beber para lidar com problemas ou para explorar novas liberdades da vida adulta.

Há outra motivação simples, mas poderosa, que estimula beber: beber para “se divertir”. Entre os aspectos dessa motivação, observa-se: promover a confiança, ser sociável, conhecer pessoas, sentir-se bem e "curtir" a embriaguez. Na verdade, os jovens não são os únicos que esperam uma experiência positiva quando bebem. Embora as conseqüências negativas sejam imediatamente reconhecidas por jovens que bebem demais, as conseqüências positivas parecem ser consideradas mais importantes e freqüentes; os resultados negativos são considerados tardios e não usuais e os efeitos negativos não são considerados “tão ruins”. Vários outros fatores parecem aumentar o risco de beber ao extremo e afetar suas conseqüências: a aceitação cultural da embriaguez, a socialização em grupos e várias atividades motivadoras que podem estimular beber em excesso.

POR QUE ARRISCAR NADAR COM CROCODILOS? PESQUISA

RESULTADOS DOS GRUPOS DE

Sete grupos focais do ICAP envolvidos em Beber ao Extremo oferecem um panorama mais amplo (Capítulo 5). Embora o Brasil, a China, a Itália, a Nigéria, a Rússia, a África do Sul e o Reino Unido (Escócia) tenham sido escolhidos em parte por seus variados padrões de consumo de bebida, os grupos em questão possuem semelhanças assustadoras em diferentes países quanto à forma como os jovens entendem o consumo do álcool, seu papel e os fatores que influenciam tal consumo. Em geral,

os principais motivos pelos quais os jovens bebem têm a ver com prazer, sociabilidade e descanso. Ao mesmo tempo, os participantes conhecem bem as conseqüências negativas do beber ao extremo.

Beber em Geral

Em todos os grupos focais, os participantes geralmente associaram beber com prazer e socialização –

o que normalmente acontece em encontros (por exemplo, festas, festivais, comemorações em família

e eventos esportivos), em locais públicos (por exemplo, bares, pubs ou restaurantes) e na presença de amigos, colegas e/ou familiares. Concordou-se amplamente que uma “boa experiência com a bebida” inclui sair com amigos, socializar-se, beber e “se divertir”, mas também evitar problemas e experiências negativas que impediriam o prazer.

Muitas discussões enfocaram a satisfação e o prazer que os jovens associam a beber. De acordo com um participante chinês, “Beber é uma forma de se comunicar, de estabelecer e manter relacionamentos. É uma ponte entre as pessoas.” Ao mesmo tempo, os participantes de todos os grupos em questão também mencionaram beber em excesso como uma forma de se automedicar em situações de muito estresse e sob circunstâncias negativas.

Em muitos casos a introdução ao álcool aconteceu através dos pais – geralmente precocemente – no contexto de comemorações familiares e em outras ocasiões. Ao mesmo tempo, a maioria considerou inadequado beber excessivamente entre adultos; os amigos e colegas desempenharam um papel importante na forma com que os jovens desenvolveram o gosto pela bebida.

As respostas variaram quanto ao tópico ocasiões “típicas” para beber, sendo que idade, sexo e estado

civil, bem como convivência e moradia, desempenharam um papel importante. Por exemplo, a maioria dos participantes que vivem com parceiros há longo tempo relatou, como experiência típica, tomar uma bebida alcoólica - ou mais - em casa com seu esposo (a) ou parceiro (a). Os jovens que ainda moram com os pais, por outro lado, são mais propensos a beber fora de casa, em pubs, bares e casas noturnas – e a beber ao extremo. Por fim, um dos principais fatores apontados como diretamente relacionados ao consumo de bebida alcoólica, foi o econômico. As pessoas tendem a beber (e a beber mais) em dias de pagamento e de folga ou quando descontos em bebidas são oferecidos.

Beber ao Extremo Para muitos participantes de vários países, beber ao extremo é costume “típico” entre os colegas. Porém, há diferenças óbvias quando se trata de beber em excesso deliberadamente. Para algumas pessoas, ficar embriagado é algo ocasional, não intencional; para outras, é o objetivo principal. O papel das normas da sociedade e da tolerância cultural é forte. Participantes russos falaram sobre ficarem bêbados “sem perceber”; na Itália, por outro lado, a embriaguez foi considerada como resultado indesejado de uma ocasião em que se bebeu. Tanto na Itália quanto no Brasil, os jovens disseram que o principal motivo para sair e beber não é beber em excesso, mas passar o tempo com os amigos. Ao mesmo tempo, também houve entrevistados da Nigéria, Rússia, Escócia e África do Sul que sentiram que as pessoas, às vezes, consomem bebidas alcoólicas deliberadamente para se embriagar.

Também foram identificados “fatores positivos” contra beber em excesso. Circunstâncias em que os

jovens declararam restringir a ingestão de álcool incluem estar junto de familiares ou outros adultos,

ser designado o motorista da vez, ter compromisso na manhã do dia seguinte, estar doente, não ter

dinheiro e querer manter o controle”. A capacidade de manter o controle foi tema recorrente nos grupos focais, fortemente ligado ao conceito de “maturidade alcoólica”. De acordo com os entrevistados, a capacidade de controlar o nível de consumo e as conseqüências da bebida é determinada pela idade e experiência e, por sua vez, define o que significa “ficar bêbado”.

A maioria dos participantes dos grupos focais acredita consumir bebidas alcoólicas com

responsabilidade, mesmo tendo bebido em excesso. Quando indagados sobre por que alguns jovens bebem para ficarem bêbados, os entrevistados mencionaram, com freqüência, a idade e a experiência,

o desejo de testar e melhorar a auto-estima, a dinâmica do grupo e expectativas de prazer. Alguns

participantes mencionaram beber em excesso como forma de administrar sentimentos de solidão, dificuldades nos relacionamentos ou problemas no trabalho.

Embora a busca por autoconfiança, prazer, sociabilidade e descanso tenham sido os principais motivos para beber e se embriagar, os participantes sabiam que uma série de “coisas ruins” poderia ocorrer se bebessem até se embriagarem. Os grupos focais listaram uma série de conseqüências negativas – desde atividades sexuais não planejadas até comportamentos violentos, acidentes no trânsito e agressão sexual. Embora alguns participantes tenham falado sobre mudar seu comportamento após uma experiência negativa por causa da bebida em excesso, a maioria concordou que as promessas de “nunca mais” foram freqüentemente esquecidas nas ocasiões em que estiveram em ambientes onde se bebeu muito.

COMO LIDAR COM O BEBER AO EXTREMO

Mudar a cultura do beber ao extremo, exige respostas não convencionais e apela para o envolvimento da capacidade de todas as pessoas-chave na área (Capítulo 6). Se mais governos e

organizações intergovernamentais admitirem essa realidade, será possível avançar para além das reações de um único setor e conseguir a colaboração, cooperação e participação de vários setores.

Uma Estrutura para a Ação Coletiva A necessidade de uma ação coletiva por parte dos setores público e privado tem sido reconhecida por órgãos internacionais como as Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde. Várias pessoas- chave devem participar de ações coletivas para combater a bebida em excesso, cada um deles desempenhando um papel específico. Os interessados incluem:

Governos, atuando em âmbito regional, nacional ou local;

Órgãos da justiça criminal em âmbito local e da comunidade;

A indústria de bebidas alcoólicas, inclusive os produtores e revendedores;

Profissionais de saúde pública, inclusive os envolvidos em pesquisa, prevenção e tratamento, e

• A “Sociedade civil,” definida como indivíduos e grupos que não fazem parte do governo nem do setor comercial (com fins lucrativos) — por exemplo, organizações comunitárias, sindicatos, grupos religiosos e fundações filantrópicas.

Há vários princípios que as partes interessadas devem levar em consideração ao agirem juntas para promover o consumo responsável do álcool e para reduzir os danos associados a problemas com bebida. Esses princípios podem ajudar a evitar a “assimetria entre os interessados” – possíveis obstáculos à participação causados por tensões, expectativas discrepantes e desacordos com relação à alocação de recursos. Tais princípios incluem desenvolver a confiança entre os interessados, a transparência na tomada de decisões e o respeito mútuo pela opinião e posicionamento de cada um.

Intervenções e Política Viável Dentro dessa perspectiva, é importante que a política e as abordagens de intervenção combatam diretamente a bebida em excesso. Embora existam várias medidas para combater o consumo do álcool em geral e para reduzir danos, poucas abordagens reconhecem ou são dirigidas especificamente ao beber em excesso.

Para que abordagens mais específicas sejam aplicadas com sucesso, é importante que sejam implementadas segundo uma estrutura normativa adequada (Capítulo 7). Tal estrutura delineia exigências importantes para a produção e venda de bebidas alcoólicas, inclusive no que diz respeito a impostos e preços, à autorização e acesso aos consumidores. Normalmente estão também incluídas disposições sobre onde e quando bebidas alcoólicas podem ser vendidas ou servidas. Outras exigências definem quem pode ser servido— por exemplo, é proibido atender pessoas que pareçam estar embriagadas ou ser menores de idade. A determinação e aplicação de limites quanto à idade mínima legal para o consumo e a compra de bebidas alcoólicas devem seguir tais exigências.

Não há acordo pleno sobre qual regulamento deveria ser cumprido ou que outras medidas deveriam ser aplicadas e por quem. Uma estrutura normativa eficiente também oferece meios para a aplicação adequada dos esforços, assistência médica e serviços sociais apropriados, além de informações aos consumidores. Embora se considere que as políticas geralmente surgem com o governo em âmbito nacional, sendo selecionadas para aplicação em âmbito local, pode valer a pena reconsiderar essa premissa. Políticas também podem ser elaboradas de maneira mais focada, adaptadas conforme a

cultura, as prioridades locais e as necessidades específicas. Isso permite que sejam realistas e mais viáveis de se implementar e, ao mesmo tempo, flexíveis o suficiente para atender à urgência das preocupações e prioridades. É importante lembrar que políticas não são implementadas em um vácuo

e que uma série de custos e conseqüências (inclusive algumas que não são óbvias) precisam ser considerados ao planejar várias medidas e avaliar seu relativo impacto.

Determinadas nessa estrutura de políticas mais abrangente, intervenções específicas podem dirigir-se especialmente a jovens e combater padrões problemáticos de consumo (Capítulo 8). Um vasto conjunto de abordagens foi desenvolvido e implementado para impactar tanto as pessoas quanto os ambientes que podem estimular o beber em excesso.

Com foco em três cenários principais onde os jovens podem ser encontrados – escolas, ambientes de trabalho e a comunidade em geral – várias abordagens têm sido particularmente úteis. Embora criticadas como ineficientes na mudança do comportamento a curto prazo, orientações sobre o consumo de álcool e ensino de habilidades necessárias para a vida diária oferecidos principalmente através de instituições educacionais, podem aumentar a conscientização sobre a bebida e seus possíveis resultados assim como ,serem componentes valiosos em iniciativas de prevenção de maior alcance. Com base na influência dos colegas, a difusão das normas sociais, implementada em escolas

e universidades, pode ajudar a eliminar impressões equivocadas entre os jovens sobre o quanto seus

colegas realmente bebem (ou não bebem), levando a verdadeiras reduções no consumo danoso de bebidas. Para os jovens com consumo problemático de álcool, mas que não são dependentes, intervenções breves – o emprego de uma série de estratégias para diminuir os danos, desde entrevistas motivacionais e feedback personalizado até recursos para beber com moderação – têm sido eficientes para mudar comportamentos. E modificar o ambiente físico e social nas escolas—por exemplo, oferecer alternativas mais seguras para substituir a bebida em excesso — pode complementar

programas destinados aos indivíduos.

Como muitos jovens — e muitas pessoas que bebem excessivamente—já fazem parte do mercado, a assistência e intervenções no local de trabalho podem ajudar a aumentar a conscientização acerca dos possíveis problemas. Nesse cenário, intervenções de colegas e treinamento em equipe (junto com as abordagens descritas acima) podem ser utilizados para ajudar a alterar os padrões de consumo. Por fim, intervenções mais amplas da comunidade podem incluir campanhas na mídia, programas de recepção responsável em bares, pubs e casas noturnas; esforços contra conseqüências específicas relacionadas ao álcool, como batidas no trânsito e desordem pública; programas para jovens marginalizados e iniciativas comunitárias completas que abordem vários aspectos do contexto referente à bebida.

De forma geral, programas abrangentes, interativos e com vários componentes têm maior probabilidade de gerar resultados positivos e prolongados. A realidade é que, para muitos jovens, o padrão de consumo em excesso guarda conotações sociais relevantes e possui um ritual implícito. Para engajar realmente essa parcela da população e reduzir os danos associados a seu comportamento, essa realidade não pode ser ignorada, com programas tentando modificar percepções, possibilitando a tomada de decisões e mudando as estruturas sociais e físicas, bem como a dinâmica que envolve os jovens em diferentes aspectos de suas vidas.

RESUMO Há evidências de que um padrão distinto no consumo de bebidas alcoólicas é, progressivamente, o motivo de preocupações em âmbito internacional, devido a sua relação com inúmeros problemas sociais e de saúde. Sua visibilidade, particularmente o alto envolvimento dos jovens, torna esse fato

não apenas um problema de segurança e ordem pública em muitos países, como também um assunto extremamente controverso e politizado. Para ir além da retórica inútil, uma nova condição e uma nova abordagem para tratar o comportamento referente à bebida e suas conseqüências estão em vigor. O termo bebida em excesso abrange todos os aspectos desse padrão de consumo, que, como outras atividades extremas, podem constituir uma busca planejada e proposital por diversão, prazer e satisfação, com variados níveis de riscos reais e perceptíveis.

Embora a bebida em excesso sempre tenha tido espaço no contexto histórico, social e cultural do ato de beber, seus crescentes índices atuais, sob certos aspectos e em certas culturas, representam uma mudança significativa nos padrões de consumo do mundo todo, ilustrando, em parte, o papel desempenhado pelos jovens em muitas sociedades. Políticas e intervenções precisam ser especificamente desenvolvidas para abordar essas várias questões. Ao aumentar a conscientização sobre as motivações, os significados e as conseqüências desse padrão de consumo, espera-se alcançar uma redução realista dos resultados negativos de se beber em excesso.

REFERÊNCIA Martinic, M., & Measham, F. (Redatoras). (2008). Swimming with crocodiles: The culture of extreme drinking [Nadando com crocodilos: A Cultura da Bebida em Excesso]. New York: Routledge.

SOBRE AS REDATORAS Marjana Martinic é Vice-Presidente de Saúde Pública no International Center for Alcohol Policies (ICAP) [Centro Internacional de Políticas Referentes ao Álcool]. Seu trabalho enfoca a relação entre a base de evidências científicas e o desenvolvimento de políticas internacionais sobre o álcool. A Dra. Martinic tem muitas publicações nas áreas da neurociência e políticas sobre o álcool.

Fiona Measham é Palestrante Sênior em Criminologia no Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Lancaster. A Dra. Measham é uma pesquisadora renomada em seu país com mais de 20 anos de experiência na área de consumo de drogas e álcool, sexo, formas permitidas de lazer e criminologia cultural.

CONTRIBUIÇÕES

Ademola Ajuwon, Universidade de Ibadan, Nigéria

Barton Alexander, Molson Coors Brewing Company, EUA

Afolabi Bamgboye, Universidade de Ibadan, Nigéria

Andrés Bascones Pérez-Fragero, Fundación Alcohol y Sociedad (Fundação Álcool e Sociedade), Espanha

Marie Choquet, Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale (Instituto Francês de Saúde e de Pesquisa Médica, INSERM), França

Vera Da Ros, Informação Responsável sobre Drogas e Afins (DINAMO), Brasil

Keith Evans, Drug and Alcohol Services (Serviços referentes ao Álcool e às Drogas), Austrália

Mônica Gorgulho, Informação Responsável sobre Drogas e Afins (DINAMO), Brasil

Jason Kilmer, Universidade Estadual Evergreen, EUA

Eugenia A. Koshkina, Centro Nacional de Pesquisa sobre Vícios, Rússia

Mary Larimer, Universidade de Washington, EUA

Christine Lee, Universidade de Washington, EUA

Barbara Leigh, Universidade de Washington, EUA

Mark Leverton, Diageo, Reino Unido

Chan Makan, (antigo Diretor), Associação da Indústria para o Consumo Responsável de Bebidas Alcoólicas (ARA), África do Sul

Victor Makanjuola, Universidade de Ibadan, Nigéria

Steve March, Alcohol Focus Scotland (AFS) [Enfoque no Álcool Escócia], Reino Unido

Marjana Martinic, International Center for Alcohol Policies (ICAP), EUA

Fiona Measham, Universidade de Lancaster, Reino Unido

Véronique Nahoum-Grappe, L’École des Hautes Études en Sciences Sociales (Escola Superior de Estudos em Ciências Sociais, EHESS) e Le Centre National de la Recherche Scientifique (Centro Nacional para a Pesquisa Científica, CNRS), França

Ian Newman, Universidade de Nebraska-Lincoln, EUA

Olabisi Odejide, Universidade de Ibadan, Nigéria

Olayinka Omigbodun, Universidade de Ibadan, Nigéria

Frederick Oshiname, Universidade de Ibadan, Nigéria

Daniya Tamendarova, International Center for Alcohol Policies (ICAP), EUA

Enrico Tempesta, Osservatorio Permanente sui Giovani e l’Alcool (Obsevatório Permanente dos Jovens e do Álcool), Itália

ÍNDICE

Capítulo 1: Bebida em excesso (por Marjana Martinic e Fiona Measham). Capítulo 2: História da embriaguez: Mudando atitudes para embriaguez e excesso (por Fiona Measham). Capítulo 3: Além das fronteiras: Os jovens e o sonho extremo (por Véronique Nahoum-Grappe, inclui Estudo de Caso: Jovens que Bebem na França por Marie Choquet). Capítulo 4: O que estimula beber em excesso? (por Barbara Leigh e Christine Lee, inclui Estudo de Caso: Beber entre jovens no Reino Unido por Fiona Measham). Capítulo 5: Resultados dos de Pesquisa (Brasil por Mônica Gorgulho e Vera Da Ros; China por Ian Newman; Itália por Enrico Tempesta; Nigéria por Olabisi Odejide, Olayinka Omigbodun, Ademola Ajuwon, Victor Makanjuola, Afolabi Bamgboy, e Frederick Oshiname; Rússia por Eugenia A. Koshkina; África do Sul por Chan Makan; Escócia, Reino Unido por Steve March). Capítulo 6: Os interessados e seus papéis (por Mark Leverton e Keith Evans). Capítulo 7: Bebida em excesso, jovens e política viável (por Marjana Martinic e Barton Alexander, inclui Estudo de Caso: Botellón na Espanha por Andrés Bascones Pérez-Fragero). Capítulo 8: Combatendo a bebida em excesso entre os jovens: Intervenções viáveis (por Mônica Gorgulho e Daniya Tamendarova, inclui Estudo de Caso: Estados Unidos: Bebida entre estudantes universitários por Jason Kilmer e Mary Larimer). Epílogo (por Marjana Martinic e Fiona Measham). Apêndice 1: Procedimentos referentes à bebida em excesso para os grupos de pesquisa. Apêndice 2: Perguntas instrutivas para os grupos de pesquisa. Índice Remissivo.

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