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Violência e reação

Temos vivido tempos de


violência; na ficção e no cotidiano,
recrudesce a visibilidade da
violação da integridade física,
psicológica, social e econômica da
pessoa. Não precisamos acumular
dados, datas e números, para
convencer nenhum leitor do fato
posto. Acredito que estejamos unanimemente cientes de que é a situação
que se nos apresenta. Refiro-me ao Brasil, refiro-me à nossa volta, ao país
que tem a triste mania de achar que vai acontecer no futuro, mas em que
todos ficam a esperar que esse tempo chegue.

Já discutiram as causas sociais da violência: favelização, exclusão, e


outros componentes socioeconômicos bem conhecidos. Já discutiram a
ineficácia do complexo sistema processual-penal. Já fizeram passeatas,
discursos e manifestações a cada episódio
em que a barbárie excede o caso anterior:
chacinas, execuções, seqüestros. Fraudes
pantagruélicas enxugaram bancos,
seguradoras e empresas de todo tipo de
atividade, produzindo lesões difusas que
ninguém sente mas todos purgam.

©Públio Athayde – pathayde@hotmail.com http://orbasmeas.blogspot.com/


Não vou bater mais nessas teclas, já é bem conhecido o som que elas
produzem – e que se perde sem eco. A questão que ponho é que é hora de
reagir. Não estou postulando uma reação social, coletiva, uma mudança de
leis ou manifestação pacífica de abraço coletivo a algum prédio público.
Isso dá em nada. Comove, alimenta a pauta do jornal mais próximo que não
tenha nada melhor que publicar, depois cai no limbo à primeira ocorrência
mais efervescente.

O tipo de reação que postulo é a reação individual, exatamente


aquela que é condenada pelo senso comum, aquela que se implantou na
média da classe média, segundo a qual não se reage ao assalto, não se
intromete na vida alheia nem para salvá-la, não se deve ir à rua depois que
o Sol se põe. Essa postulação de passividade, não-reação, submissão ou
como quer que a chamemos tem sua lógica, pode até salvar vida. Pode, em
caso particular – mas não garante a sobrevivência em caso de assalto ou
outro tipo de agressão. Do ponto de vista geral, a somatória da
passividade de cada um é o estímulo à continuidade da agressão a
outrem. Se ninguém vai mesmo reagir, como tem acontecido, assalta-se
um aqui, outro ali, outro mais adiante – ninguém fará nada mesmo, todos
foram treinados para não reagir. E a polícia, treinadíssima para reagir mal,
atabalhoadamente, contra gregos e troianos – uma falange de interesse
próprio na guerrilha urbana, não pode e nunca poderá estar presente em
todos os pontos.

Quem está, ou deveria estar, em todos os pontos é o cidadão. O


cidadão é que deve se tornar apto a se defender e a praticar a defesa mútua.
Defesa recíproca é princípio fundante da sociedade. Às milícias é delegado

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o poder de polícia para exercer por nós o uso da força, mas a delegação não
exclui a autodefesa nem a substitui. Se estivermos preparados para
exercer a coerção contra terceiros que se aventurem à agressão, ao
roubo, essa será a forma eficaz de coibir a escalada da violência.

E devemos, no meu entender, estar aptos ao exercício da legitima


defesa no limite do risco real que a situação apresente. Entendo que seja
útil ter arma em casa. Mas não precisamos de um revólver para ir ao
cinema no shopping. Se alguém tentar entrar à força na casa da gente, o
fará antes que possamos recorrer ao serviço público de proteção, mas num
ambiente público, repleto de segurança, qualquer atentado é resguardado
pelos inúmeros recursos de segurança coletiva disponibilizados. Em nossa
casa, temos que resguardar a segurança privada. Fique claro: segurança
pública e segurança privada são distintas, embora interdependentes.

Para possuir e saber fazer bom uso de uma arma é preciso


treinamento, é preciso prática. Assim como para uma reação física a um
assalto em via pública é preciso alguma preparação, é preciso, sobretudo, o
correto julgamento da oportunidade e eficácia da reação. O que postulo é
que as pessoas se preparem para reagir.

Claro que existe a possibilidade de insucesso em qualquer reação


contra violência, por mais preparada que esteja a vítima. Mas a reação já
é, em si, a frustração do agressor. O que o agressor espera é a
passividade. Se hoje ínfima parcela das vítimas reage, e a polícia e as leis
não coíbem nem coibirão a violência – esse é o fato que nos circunda, fica
facílima para os meliantes a agressão, o assalto. Se parcelas significativas

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da população passarem a reagir, estou certo de que a redução da violência
se dará em proporção escalar à daqueles que se preparem para agir na
defesa de seus interesses próprios ou dos coletivos contra a passividade
postulada.

Sei que minha tese é contrária ao que se prega, ao que os


especialistas recomendam, conheço razoavelmente a discussão sobre o
tema. O que pergunto é qual tem sido o resultado da política desses
especialistas? Qual tem sido o efeito da passividade do cidadão diante das
múltiplas violações de sua integridade física e patrimonial? A passividade
atinge tal proporção que nem mais à polícia se recorre, nem para narrar os
fatos, pois todos sabem que recorrer aos órgãos de segurança pública é só
prolongar o episódio, sem nenhum efeito. Ninguém vai à polícia se for
furtado na esquina, pois a maior probabilidade é que nada seja feito. Na
remota hipótese de que a polícia pegue o meliante, na semana seguinte ele
estará, na mesma esquina, pronto a se vingar do desavisado que violou seu
direito de espoliar transeuntes naquele sítio. A passividade ultrapassou a
não-reação ao assalto, mas alcança o desprezo pelo recurso às autoridades,
pois ele seria até contraproducente. – É melhor não fazer nada. É assim que
se pensa. É assim que estamos sendo destreinados para não-agir. Estamos
sendo desprovidos dos recursos que existem à disposição para exercermos
as habilidades naturais de defesa de nossos interesses, bens, direitos e
tranqüilidade.

A reação que estou pregando é comportamental, é individual com


benefícios coletivos. É que cada um tome suas providências em benefício
de todos. Se cada vez for maior a probabilidade de encontrar um morador

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armado dentro de casa, menor será possibilidade de que o meliante se
aventure à invasão. Se for maior a possibilidade de ser detido na esquina, é
bem pouco provável que alguém assalte no meio do quarteirão.

Estamos em guerra, tal a escalada da violência. Vai haver vítimas de


ambos os lados. O que estou pretendendo é vencer a guerra, estar do
mesmo lado em que nasci, nesse conflito social, e ver o fim da
beligerância, ver a redução da insegurança pública. Vai haver vítimas,
inclusive algumas dentre aqueles que reagiram. Repito: a reação, em si, já
é a frustração do sucesso do meliante. Ele não quer a violência, ele quer
o lucro fácil. A violência é o meio para alcançar o lucro, mas mais que isso:
a hipótese da violência é a coerção de que o meliante dispõe para o sucesso
de seu objetivo. Se a hipótese da reação passar a ser tão vívida quanto
tem sido a da passividade, a expectativa de lucro fácil se reverte e a
redução da criminalidade só pode ser a conseqüência.

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