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CURSO A DISTÂNCIA EM MANUTENÇÃO DE EDIFICAÇÕES - MÓDULO 02/ AULA 08

SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS (SPDA)

Engenheiro Fauzi Geraix Filho

1- DESCARGAS ATMOSFÉRICAS

1.1 Introdução a Descargas Atmosféricas

A formação de cargas nas nuvens, e consequentemente sua descarga na terra, é um fenômeno normal e natural que assola a Terra e afligi a humanidade, causando prejuízos e mortes. Há milhares de anos os raios são observados e estudados, mais ainda poucos progressos foram obtidos a respeito do fenômeno, existindo ainda muitas duvidas (KINDERMAN, 1997).

De acordo com KINDERMAN (1997) apesar de todos os esforços, não conseguimos evitar que um raio caia sobre determinado prédio. No entanto, todos os cuidados são no sentido de disciplina-lo na sua queda, obrigando-o a seguir um caminho pré-determinado para a terra, ou seja, a implementação dos pára-raios.

para a terra, ou seja, a implementação dos pára-raios. Figura 6-Foto de um raio. Fonte: (Click

Figura 6-Foto de um raio. Fonte: (Click Especial, Microservice).

1.2 Formação das Descargas Atmosféricas

KINDERMAN (1997) diz que a nuvem carregada induz no solo cargas positivas, que ocupam uma área correspondente ao tamanho da nuvem. Como a nuvem é arrastada pelo vento, a região de cargas positivas no solo acompanha o deslocamento da mesma, formando praticamente uma sombra de cargas positivas que segue a nuvem. Neste deslocamento, as cargas positivas induzidas vão escalando árvores, pessoas, pontes, edifícios, pára- raios, morros, etc., ou seja, o solo sob a nuvem fica com carga positiva entre a nuvem e a terra formando diferenças de potenciais. Nota-se que para a descarga se efetuar não é necessário que o campo elétrico seja superior à rigidez dielétrica de toda a camada de ar entre a nuvem e o solo, bastando para isso, um campo elétrico bem menor. Isto é explicado pelo fato do ar entre

a nuvem e a terra não ser homogêneo, pois contém grande quantidade de

impurezas, umidade e ar ionizado, que estão em constante agitação. Com isto,

o ar entre a nuvem e a terra fica muito “enfraquecido”, e um campo elétrico menor já é suficiente para que o raio consiga perfurar o ar e descarregar na terra, isso ocorre em frações de micro-segundos.

Segundo KINDERMAN (1997) na maioria dos raios ocorre entre nuvens, formando descargas paralelas à superfície do solo. Isto se dá durante uma

tempestade, onde nuvens se aproximam a uma distância tal que a rigidez do ar

é quebrada pelo alto gradiente de tensão, com a conseqüente formação do raio, ocorrendo à neutralização das nuvens.

1.3 Valores das Descargas Atmosféricas

A gama de variações dos valores dos raios é uma questão preocupante, exigindo maiores estudos. Veja uma tabela de valores medidos e registrados sobre as características dos raios.

Corrente

2000 a 2000.000 Ampéres.

Tensão

100 a 1.000.000 KV

Duração

70 a 200 us

Carga Elétrica da Nuvem

20 a 50 C

Potência liberada

1000 a 8.000 milhões de kWh

Energia

4 a 10 kWh

Tempo de Crista

1,2 us

Tempo de meia Cauda

50 us

Tabela 1-Valores do Raio. Fonte: (Descargas Atmosféricas Geraldo Kinderman).

1.4 Ação das Descargas em Estruturas

De um modo geral, é grande ainda o desconhecimento e o grau de incerteza do efeito, da ação e da proteção contra descargas atmosféricas. Por este motivo as normas e recomendações existentes são indefinidas em alguns pontos e imprecisas em outros, sendo necessários muitos estudos e uma grande evolução no conhecimento do assunto para que se disponha de uma melhor orientação quanto ao tratamento a ser dado na proteção contra descargas atmosféricas (KINDERMAN, 1997).

KINDERMAN (1997) Descreve que é interessante ressaltar que, desde a proposta de Benjamin Franklin de utilizar uma haste para proteção contra descargas atmosféricas, até hoje não se encontrou nada melhor. E isto ocorreu há mais de 200 anos. Hoje, a utilização de pára-raios de Franklin em estruturas elevadas, tem mostrado, na prática, que as laterais dos edifícios não estão bem protegidas e deve ser complementada com outro tipo de proteção. Os avanços atuais obtidos foram apenas na metodologia dos cálculos.

Figura 7-Danos a Estrutura. Fonte: (Click Especial, Microservice). 1.5 Legislação e Normas Técnicas A decisão

Figura 7-Danos a Estrutura. Fonte: (Click Especial, Microservice).

1.5 Legislação e Normas Técnicas

A decisão de proteger uma estrutura contra os raios pode ser uma exigência legal. No Brasil uma precaução do proprietário para evitar prejuízos ou ainda uma exigência das companhias de seguros, já que os raios são causas de danos físicos e incêndios.

As normas devem fornecer subsídios para os legisladores, proprietários e agentes de seguros decidirem quanto à necessidade de proteção. Se os códigos de obras de uma dada localidade não especificarem quais estruturas devem ser obrigatoriamente protegidos, deverá ser empregado o método da norma NBR-5419/2001[MOREIRA LEITE, 1999].

O objetivo da NBR-5419/2001 é fixar as condições exigíveis ao projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) de estruturas, bem como pessoas e instalações no seu aspecto físico dentro do volume protegido.

Figura 8-Norma NBR-5419/2005. Fonte: (www.abnt.org.br). 1.6 Nível de Proteção Contra Descarga Atmosférica Definiram-se

Figura 8-Norma NBR-5419/2005. Fonte: (www.abnt.org.br).

1.6 Nível de Proteção Contra Descarga Atmosférica

Definiram-se para as diversas estruturas, níveis de proteção a serem usados pelo projetista de proteção contra descargas atmosféricas. Apesar de não haver dados orientados de como escolher o nível de proteção adequado, existem quatro níveis que são apresentados na Tabela 2.

PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA

PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA

NÍVEL DE

PROTEÇÃO

IV

III

II

I

CARACTERISTICAS DA PROTEÇÃO

CARACTERISTICAS DA PROTEÇÃO

Nível Normal de Proteção.

Nível Moderado de Proteção.

Nível Médio de Proteção.

Nível Máximo de Proteção.

Tabela 2-Nível de Proteção. Fonte: (Proteção contra Descargas Atmosféricas, Moreira Leite).

Nível I: Destinado às estruturas nas qual uma falha do sistema de proteção pode causar danos às estruturas vizinhas ou ao meio ambiente. Ex.

depósitos de explosivos, fábricas ou depósitos de produtos tóxicos ou radioativos, indústrias com áreas classificadas e outros.

radioativos, indústrias com áreas classificadas e outros. Figura 9-Nível 1. Fonte: (Engenheiro Especialista). Nível

Figura 9-Nível 1. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Nível II: Destinados às estruturas cujos danos em caso de falha serão elevados ou haverá destruição de bens insubstituíveis ou de valor histórico, mas, em qualquer caso, se restringirão a própria estrutura e seu conteúdo; incluem-se também aqueles casos de estruturas com grande aglomeração de público, havendo, portanto risco de pânico. Ex: museus, sítios arqueológicos, ginásios esportivos, etc.

Ex: museus, sítios arqueológicos, ginásios esportivos, etc. Figura 10 - Nível 2. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Figura 10 - Nível 2. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Nível III: Destinado às estruturas de uso comum, como residências, escritórios, fábricas (excluídas aquelas com áreas classificadas) e outras.

(excluídas aquelas com áreas classificadas) e outras. Figura 11 - Nível 3. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Figura 11 - Nível 3. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Nível IV: Destinado às estruturas construídas de material não inflamável, com pouco acesso de pessoas, e com conteúdo não inflamável. Ex.: depósitos em concreto armado, alvenaria ou estrutura metálica de produtos agrícolas não inflamáveis.

ou estrutura metálica de produtos agrícolas não inflamáveis. Figura 12 - Nível 4. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Figura 12 - Nível 4. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Quanto maior o nível de proteção requerido, maior é a quantidade de elementos usados na instalação.

1.7

Atmosféricas

Eficiência

do

Sistema

de

Proteção

Contra

Descargas

Existem descargas atmosféricas de diferentes tipos e intensidades. Por este motivo, um sistema de proteção não pode ser dito seguro para todos os níveis de descarga atmosférica. Raios raros, de altíssima intensidade, podem danificar o sistema de proteção e também causar algum dano na estrutura da edificação. Estes podem ser danos físicos na estrutura do prédio e também nos equipamentos elétricos e eletrônicos no interior da edificação.

KINDERMAN (1997) diz que especialistas internacionais, após anos de análise, produziram uma estimativa estatística da eficiência do sistema de proteção contra descargas atmosférica, de acordo com o nível de proteção desejado. O grau de eficiência esta registrado na tabela 3.

PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS

NÍVEL DE PROTEÇÃO

EFICIÊNCIA DA PROTEÇÃO

I

98%

II

95%

III

90%

IV

80%

Tabela 3 - Eficiência da Proteção. Fonte: (Descargas Atmosféricas Geraldo Kinderman).

1.8 Índice Ceráunico

De acordo com KINDERMAN (1997), índice Ceráunico (IC) é um parâmetro que indica o número de dias de trovoadas por ano em uma determinada localidade.

KINDERMAN (1997) afirma que este dado é mais realista quando se tem registro de muitos anos. O Observador deverá registrar as trovoadas dentro de sua localidade. A distância estimada da ação do observador é de um círculo com raio de 20 km.

ÍNDICES CERÁUNICOS DE ÁLGUMAS CIDADES DO BRASIL

LOCALIDADE

MEDIA

LOCALIDADE

MEDIA

Florianópolis

54

Passo Fundo

74

Blumenau

70

Rio de Janeiro

24

Joinville

76

São Paulo

38

Xanxerê

88

Curitiba

53

Tubarão

68

Londrina

80

Porto Alegre

20

Jaú

106

Tabela 4 - Índice Ceráunico de Algumas Cidades do Brasil. Fonte: (Descargas Atmosféricas Geraldo Kinderman).

 

1.9 Densidade de Raios

Segundo [MOREIRA LEITE, 1999] para obter a densidade de raios (Ng) de uma região, a partir do seu índice Ceráunicos, a IEC recomenda a equação baseada em levantamentos feitos em várias partes do mundo:

Ng = 0,04 * Td 1, 25

Obs. Fórmula utilizada para Calcular o número provável de raios sobre uma determinada estrutura ou área por ano.

Figura 13 - Mapa Raios por KM 2 *ano. Fonte: (Descargas Atmosféricas Geraldo Kinderman). 1.10

Figura 13 - Mapa Raios por KM 2 *ano. Fonte: (Descargas Atmosféricas Geraldo Kinderman).

1.10 Parâmetros da Edificação

De acordo com [MOREIRA LEITE, 1999] se considerarmos, avista em uma planta em forma de torre de seção circular, ou paralelepipédica diríamos que a sua área de atração, área de captação ou área de exposição da estrutura poderia ser calculada por:

Torre onde: o r = ao raio, e h = altura, a área de atração será: Aa = Pi *

(r+h) 2 .

=

Comprimento, a área de atração será: Aa = (Compr*Larg)+2*(Alt*Larg)

+2(Alt*Compr)+PI*(Alt*Alt).

Paralelepipédica

onde:

Alt

=

Altura,

Larg

=

Largura,

e

Compr

Figura 14 - Estrutura em forma de Torre e Paralelepípeda. Fonte: (Click Especial, Microservice). 1.11
Figura 14 - Estrutura em forma de Torre e Paralelepípeda. Fonte: (Click Especial, Microservice). 1.11

Figura 14 - Estrutura em forma de Torre e Paralelepípeda. Fonte: (Click Especial, Microservice).

1.11 Probabilidade de Queda de Raio

MOREIRA LEITE (1999) diz que a partir da área de atração, calculada e da densidade de raios para a terra em uma determinada região, pode-se calcular a probabilidade de queda de raios sobre a estrutura. Isto pode ser feito pela expressão:

P = Aa*Ng*10 -6 .

Onde: Aa é a área de atração em m 2 e Ng é a densidade em [raios/km 2 / ano]. O coeficiente 10 -6 é introduzido para acertar as unidades.

1.12 Necessidade e Níveis de Proteção

A probabilidade de uma estrutura ser atingida por um raio, ou seja, de quantos em quantos anos é provável que, em média, caia um raio sobre ela é, pois facilmente calculáveis pela expressão acima. A partir desse número, levando-se em conta: o material de que é construída, a finalidade, a ocupação, os conteúdos, a existência de estruturas nas vizinhanças e o tipo de terreno, determinar o risco de haver algum dano a essa estrutura por ocasião da queda

de um raio na sua área de atração. Este é o método é utilizado na norma NBR- 5419-2001conforme [MOREIRA LEITE, 1999].

Sua vantagem é que fornece um número a partir do qual a proteção é obrigatória, tornando a avaliação um processo objetivo, fornecendo níveis de risco, deixando a avaliação da necessidade por conta do projetista ou do construtor. A NBR-5419-2001 leva em conta as várias situações relativas às estruturas e suas vizinhanças e estabelece para elas fatores de ponderação que, multiplicados pela probabilidade de queda de raio na sua área de atração que dará o risco de dano à estrutura resultando em dano pessoal.

Como a probabilidade de uma pessoa morrer por raio é de (1 morte para cada 2.000.000), o valor 10 -5 foi adotado como valor referencia para o risco desprezível, ou seja, a probabilidade sendo menor que esse número será equivalente ao risco que as pessoas têm de morrer pelo simples fato de estarem vivas. Foram introduzidos 5 fatores de ponderação A, B, C, D e (correspondentes a cada situação que pode influir no risco), que são traduzidos em números através de tabelas. O produto desses fatores pela Probabilidade P dará o valor de P0 o qual deverá ser confrontado com o valor de referencia adotado e tomada à decisão de se fazer ou não a proteção. A formação adotada pela NBR-5419-2001 permite adotar os valores de ponderação A, B, C, D, E, atribuindo o peso para cada um deles. [MOREIRA LEITE, 1999].

P0 = P*A*B*C*D*E

A proteção será desnecessária se P0<10 -5 , e necessária se P0>10 -3 .

Se o calculo conduzir a um valor intermediário, ou seja, 10 -3 >P0>10 -5 , o proprietário e o projetista deverão ter boas razões para deixar de prever um sistema de proteção contra descargas atmosféricas de acordo com as exigências da NBR-5419-2001.

TIPO DE OCUPAÇÃO:

FATOR A:

Casas

0,3

Casa com antenas externa.

0,7

Fábricas, laboratórios.

1

Escritórios, hotéis, apartamentos.

1,2

Museus, exposições, shopping centers, estádios.

1,3

Escolas, hospitais

1,7

Tabela 5 - Fator de Ponderação A, em função do tipo de ocupação. Fonte: (NBR-5419/2001).

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO:

FATOR B:

Metal revestido, cobertura não metálica.

0,2

Concreto, cobertura não metálica.

0,4

Metal ou concreto, cobertura metálica.

0,8

Alvenaria.

1

Madeira.

1,4

Alvenaria ou madeira com cobertura metálica.

1,7

Cobertura de palha.

2

Tabela 6 - Fator de Ponderação B, em função material da construção e da cobertura. Fonte: (NBR-5419/2001).

CONTEÚDO:

FATOR C:

Comum, sem valor.

0,3

Sensível a danos

0,8

Subestações, gás, radio /TV/telefônica.

1

Museu, monumentos, valores especiais.

1,3

Escolas, Hospitais

1,7

Tabela 7 - Fator de Ponderação C, em função do Conteúdo. Fonte: (NBR-5419/2001).

LOCALIZAÇÃO

FATOR D:

Rodeados por arvores ou estrutura.

0,4

Semi-isolada

1

Isolada

2

Tabela 8 - Fator de Ponderação D, em da localização. Fonte: (NBR-5419/2001).

TOPOGRAFIA;

FATOR E:

Planície.

0,3

Colina

1

Montanha, 300 a 900 metros.

1,3

Montanha, acima de 900 metros.

1,7

Tabela 9 - Fator de Ponderação E, em função da topografia. Fonte: (NBR-5419/2001)

1.13 Sistemas de Proteções Contra Descargas Atmosféricas

1.13.1 Introdução a sistemas de proteções

Como não se pode evitar que o raio caia sobre a estrutura, deve-se empregar técnicas de proteção que disciplinem o escoamento do raio para a terra, minimizando, ou mesmo evitando, seus efeitos danosos a estrutura, sendo que o objetivo da proteção é produzir uma blindagem na estrutura protegida, de modo a evitar que o raio cause danos diretos. Os efeitos indiretos não estão totalmente protegidos e cada caso deve ser examinado de modo a produzir a melhor proteção individual possível [KINDERMAN, 1997].

A diferença fundamental entre os métodos de proteção contra descarga atmosférica usados hoje é sem dúvida, a definição da área protegida. Com base neste fato será citado neste trabalho os principais métodos de proteção:

Método da Haste Vertical de Franklin.

Método da Malha ou Gaiola de Faraday.

Método do Captor Radioativo.

1.13.2 Componentes de um Sistema de Proteção

De acordo com [KINDERMAN, 1997] qualquer que seja o método de proteção escolhido, um sistema de proteção tem três sistemas de componentes, a saber:

Sistemas de Captores: tem a função de receber os raios, reduzindo ao mínimo a probabilidade da estrutura ser atingida diretamente por eles, e deve ter capacidade térmica e mecânica para suportar o calor gerado no ponto de impacto, bem como os esforços eletromecânicos resultantes. A corrosão pelos agentes atmosféricos também deve ser levada em conta no seu dimensionamento, de acordo com nível de poluição e o tipo do poluente da região.

Sistemas de Descidas: tem a função de conduzir a corrente do raio recebida pelos captores até o aterramento, reduzindo ao mínimo a probabilidade de descargas laterais e de campos eletromagnéticos perigosos no interior da estrutura; deve ter ainda capacidade térmica suficiente para suportar o aquecimento produzido pela passagem da corrente, resistência mecânica para suportar os esforços eletromecânicos e boa suportabilidade à corrosão.

Sistemas de Aterramento: tem a função de dispersar no solo a corrente recebida dos condutores de descida, reduzindo ao mínimo a probabilidade de tensões de toque e de passo perigosas; deve ter capacidade térmica suficiente para suportar o aquecimento produzido pela passagem da corrente e, principalmente, deve resistir à corrosão pelos agentes agressivos encontrados nos diferentes tipos de solos.

1.13.3 Método de Franklin

Este método foi proposto por Franklin e tem por base uma haste elevada. Esta haste, em forma de ponta, produz sob a nuvem carregada, uma alta concentração de cargas elétricas, juntamente com um campo elétrico intenso. Isto produz a ionização do ar, diminuindo a altura efetiva da nuvem carregada, o que proporciona o raio através do rompimento da rigidez dielétrica da camada de ar. Esta proteção consiste em posicionar uma ou mais hastes de modo que o prédio protegido fique dentro da zona espacial de proteção, o raio captado pela ponta da haste é transportado pelo cabo de descida e escoado na

terra pelo sistema de aterramento. Se a bitola do cabo de descida, conexões e aterramento não forem adequados, as tensões ao longo do sistema que constitui o pára-raios serão elevadas e a segurança estará comprometida.

Ao se instalar um sistema de proteção com pára-raios, deve-se ter sempre em mente o principio básico da proteção, isto é, “É preferível não ter pára-raios a ter um sistema mal dimensionado ou mal instalado”. [ENGENHEIRO ESPECIALISTA, 2004].

ou mal instalado” . [ENGENHEIRO ESPECIALISTA, 2004]. Figura 15 - Captor tipo Franklin. Fonte: (Engenheiro

Figura 15 - Captor tipo Franklin. Fonte: (Engenheiro Especialista).

KINDERMAN (1997) descreve que é interessante registrar as polemicas que ocorreram ao longo do tempo sobre a área ou volume efetivo de proteção proporcionado pela haste de Franklin. A região espacial de proteção é a zona protegida pelo pára-raios, isto é, se o raio cair nessa zona, ele preferirá o caminho através do pára-raios.

Muitos pesquisadores propuseram as seguintes zonas de proteção:

Gay-Lussac, em 1823, propôs um cilindro de altura h e raio 2h;

De Fonvill , em 1874, propôs um cone com vértice na ponta da haste, formando um ângulo de 63º com a vertical;

Comissão de Paris, em 1875, propôs um cone idêntico ao anterior formando 60º com a haste;

Chapman, em 1875, propôs um cone formando 45º com a haste;

Nelsens, em 1880, propôs um cone com 30º.

Recentemente, verificou-se que o ângulo do cone de proteção depende da altura e do grau de proteção pretendido. A tabela abaixo mostra o ângulo de proteção em função da altura (h) e do grau de proteção.

 

ÂNGULOS DE PROTECÃO

 

Grau de Proteção

Altura Máxima (h) da Ponta da Haste ao Solo (m)

<=20

20< h <= 30

30< h <= 45

45 < h <= 60

IV

55º

45º

35º

25º

III

45º

35º

25º

*

II

35º

25º

*

*

I

25º

*

*

*

 

Tabela 10 - Ângulos de Proteção. Fonte: (NBR-5419/2001).

 

A notação “*” na tabela acima significa que a proteção por Franklin não é suficiente. Isto porque se verificou que muitas estruturas altas, protegidas por Franklin, recebiam descargas pela lateral. Os ângulos de proteção devem ser em relação a vertical, como mostra a figura abaixo.

Área Protegida
Área Protegida

Figura 16 - Proteção tipo Franklin. Fonte: (Engenheiro Especialista).

1.13.4 Método da gaiola de Faraday

Segundo [KINDERMAN, 1997] a proteção por Franklin utiliza uma haste (captor) ou fio estendido horizontalmente como forma de captura do raio. Já o principio básico da proteção proposta por Michael Faraday (1791-1867) é usar os condutores de captura em forma de anel. Os condutores em anel formam malhas ou gaiolas, recebendo o nome da Gaiola de Faraday. A Gaiola de Faraday por ser uma proteção eficiente, e é largamente adotada. Para melhorar a sua eficiência, pode ser usada consorciada com a proteção tipo Franklin. É formada por várias quadrículas de condutores, ou seja, anéis que evitarão a penetração do raio no interior do prédio.

Faraday em sua experiência demonstrou que quando as correntes uniformemente distribuídas passam pela Gaiola, o campo magnético no interior da mesma é nulo, mas é muito pequeno. O raio ao cair na estrutura, não produz uma dissipação uniforme, por este motivo ocorrem induções internas

devido a variação do campo magnético existente no interior da gaiola. Sua proteção é possível, pois as correntes induzidas nas quadrilhas criam campos magnéticos de oposição, levando o raio para as bordas da malha, obrigando-se a fluir para o cabo de descida. Quanto mais malha for à gaiola, melhor a blindagem, portanto melhor a proteção [KINDERMAN, 1997].

a blindagem, portanto melhor a proteção [KINDERMAN, 1997]. Figura 17 - Prédio com captor tipo Gaiola

Figura 17 - Prédio com captor tipo Gaiola de Faraday. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Foi estabelecida a dimensão dos espaçamentos dos condutores para diferentes graus de proteção. Este estudo foi apresentado pela Norma NBR- 5419-2001. Nesta proposta, os retículos da Gaiola são quadrados, isto é, formam quadrículas. As distanciam máximas dos espaçamentos dos condutores da malha, em relação ao grau de proteção pretendido, estão na Tabela 10.

QUADRÍCULA DA GAIOLA DE FARADAY

QUADRÍCULA DA GAIOLA DE FARADAY

Grau de Proteção

I

II e III

IV

Dist. Máx. dos Espaçamentos

5x7, 5m

10x15m

20x20m

Tabela 11 - Espaçamentos dos Condutores. Fonte: (NBR-5419/2001).

1.13.5 Método do Captor Radioativo

De acordo com [KINDERMAN, 1997] sua ação ativa (dinâmica) é produzida pelos elementos radioativos que bombardeiam o ar, ionizando-o. Esta ação radioativa ocorre permanentemente durante toda a vida útil do pára- raios.

O pára-raios radioativo é semelhante ao pára-raios de Franklin. No seu captor são colocados os elementos (material) radioativos. O captor do pára- raios radioativo está na figura abaixo.

O captor do pára- raios radioativo está na figura abaixo. Figura 18 - Prédio com captor

Figura 18 - Prédio com captor tipo radioativo. Fonte: (Engenheiro Especialista).

De acordo com [KINDERMAN, 1997] foram levantados vários problemas relativos ao desempenho, uso, manuseio, vida útil, aplicação e instalação do pára-raios radioativo.

A polêmica se fundamenta nos seguintes fatos:

A zona espacial de proteção não é muito maior a do pára-raios tipo Franklin.

Risco na armazenagem.

Risco no manuseio durante a instalação.

Risco no uso indiscriminado de pára-raios nos prédios com alturas distintas;

Vida útil do elemento radioativo ( média de 450 anos ) dezenas de vezes maior que a vida útil do prédio e dos elementos que compõem o pára-raios.

Quando o pára-raios ficar velho e fora de uso, onde guardar a carcaça radioativa?

Devido aos problemas acima levantados o sistema é considerado ineficaz e seu uso foi proibido pela transição da resolução 04 de 19/04/1989, da Comissão Nacional de Energia Nuclear - DOU de 09/05/1989, é recomendada sua substituição por um sistema mais eficaz.

1.13.6 Cabo de descida

O cabo de descida tem a função de conduzir o raio desde o captor até o sistema de aterramento. O cabo de descida deve ser preferencialmente contínuo. Se não for possível usar emendas metalizadas [MOREIRA LEITE,

1999].

for possível usar emendas metalizadas [MOREIRA LEITE, 1999]. Figura 19 Cabo de Descida. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Figura 19 Cabo de Descida. Fonte: (Engenheiro Especialista).

Como o raio elétrico produz aquecimento no cabo de descida, os limites térmicos do cabo devem ser garantidos pelo dimensionamento adequado da sua bitola. A prática tem mostrado que estes limites são garantidos pelas bitolas mínimas indicas na tabela 11.

 

BITOLA MÍNIMA DO CABO DE DESCIDA

 

Material

Descidas (para estruturas de altura de até 20m).

Descidas (para estrutura de altura superior a 20 m).

Cobre

16

mm 2

35

mm 2

Alumínio

25

mm 2

70

mm 2

Aço

50

mm 2

50

mm 2

Tabela 12 Seção do Cabo de Descida. Fonte: (NBR-5419/2001).

Quando a corrente do raio flui pelo cabo de descida, é gerado ao seu redor um campo magnético variável que atrai e induz tensão nos materiais condutores vizinhos.

MOREIRA LEITE (1999) diz que para atenuar as corrente induzidas nos materiais condutores vizinhos, deve-se distribuir o cabo de descida. A distribuição divide os efeitos térmicos e também proporciona uma redução nos campos magnéticos internos a estrutura. Esta distribuição é feita de maneira uniforme ao longo do perímetro do prédio protegido, mantendo-se os afastamentos máximos indicados na tabela 12.

CABOS DE DESCIDA

NÍVEL DE PROTEÇÃO

ESPAÇAMENTO MÁXIMO

I

10M.

II

15M.

III

20M.

IV

25M.

Tabela 13 Espaçamentos Máximos Entre os Cabos de Descida. Fonte: (NBR-5419/2001).

É conveniente interligar todas as descidas por um condutor horizontal

junto ao solo a fim de formarem uma distribuição uniforme e simétrica, para prevenir a formação de potenciais distintos que consequentemente causam danos materiais.

1.13.7 Sistema de Aterramento

O sistema de aterramento é o elemento que está intimamente ligado ao

solo. Existem diversas configurações que podem ser usadas.

O material do sistema de aterramento, devido a água e sais minerais

próprios do solo, sofre efeito da corrosão. Sendo a conexão o ponto mais vulnerável, ela devera ser coberta com um material emborrachado. Caso esta providencia não seja adotada, forma-se na conexão, devido a corrosão, uma

película de óxido, que sendo isolante, coloca em risco todo o sistema de proteção. [MOREIRA LEITE, 1999].

Para assegurar a dispersão da corrente de descarga atmosférica na terra sem causar sobre tensões perigosas, o arranjo e as dimensões do subsistema de aterramento são mais importante que o próprio valor da resistência de aterramento. Entretanto, recomenda-se, uma resistência de aproximadamente 10 ohms, como forma de reduzir os gradientes de potencial no solo e a probabilidade de centelha mento perigoso [KINDERMAN, 1997].

probabilidade de centelha mento perigoso [KINDERMAN, 1997]. Figura 20 - Caixa de Aterramento. Fonte: (Engenheiro

Figura 20 - Caixa de Aterramento. Fonte: (Engenheiro Especialista).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MICHAEL ABIL RUSS GERAIX. Trabalho de conclusão do Curso de

Engenharia de Computação e desenvolvimento de software. Arapongas PR.

2004.

KINDERMANN,

Luzzatto, 1997.

G.

Descargas

Atmosféricas.

ed.

Porto

Alegre,

Sagra

MOREIRA L, D.; MOREIRA L,C . Proteção Contra Descargas Atmosféricas. 4º

ed. São Paulo, Oficia de Mydia, 1999.