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A Mãe e o Yoga Integral

Cartas de Sri Aurobindo


A Mãe e o Yoga Integral

Cartas de Sri Aurobindo

Tradução: Carlos Henrique de Andrade

1ª Edição Eletrônica

Junho de 2012
Tradução do livro

The Mother and The Integral Yoga

Letters of Sri Aurobindo

© Sri Aurobindo Ashram Trust 2002

Pondicherry, India

Nota do Editor desta Edição Eletrônica

Esta versão eletrônica faz parte de um trabalho de coleta, editoração e


publicação na Internet da maior parte possível dos livros e textos de Sri
Aurobindo e da Mãe traduzidos para o português até a presente data.

O objetivo deste trabalho é o de divulgar e disponibilizar os ensinamentos


destes grandes mestres do Yoga à qualquer pessoa interessada, colocan-
do-os nas estantes virtuais da maior biblioteca que a humanidade já criou.

Temos também a esperança de que, desta forma, muitas pessoas que ain-
da não conhecem estes ensinamentos venham a descobri-los e talvez utili-
zá-los em suas vidas, assim contribuindo com a aceleração da evolução da
Consciência em nosso mundo.

Agradecemos especialmente aos tradutores destas obras pelo seu grande


trabalho e sua dedicação, e também a seus herdeiros e ao Sri Aurobindo
Ashram, por permitirem que estes textos sejam publicados e distribuídos
livremente no formato pdf.

Brasil, junho de 2012


Nota do Editor da Edição Impressa (Editora Shakti):

Esta compilação das cartas de Sri Aurobindo trata principalmente do papel


da Mãe Divina na prática do Yoga Integral. Sri Aurobindo explica quem é a
Mãe e como podemos nos abrir à sua ajuda. Ele escreveu a maioria das
cartas na década de 1930 aos discípulos que viviam em seu Ashram, em
Pondicherry.

Ao falar da “Mãe” nestas cartas, Sri Aurobindo está frequentemente se


referindo à sua colaboradora espiritual, a Mãe, a quem ele considerava
como uma encarnação da Mãe Divina. Quando o Ashram de Sri Aurobindo
foi criado em 1926, ele a encarregou dos discípulos que haviam se juntado
ao seu redor; ela foi a responsável pelo Ashram por quase cinquenta anos.

Os capítulos da compilação consistem inteiramente de cartas, exceto a


abertura de cada um deles que contém uma passagem de Savitri, o épico
de Sri Aurobindo. A introdução consiste de quatro passagens de seu
ensaio sobre os quatro Poderes da Mãe.
ÍNDICE

INTRODUÇÃO - QUEM É A MÃE? .............................................................. 10


OS TRÊS MODOS DE SER DA MÃE ....................................................... 11
A MÃE TRANSCENDENTE .................................................................... 11
A MÃE UNIVERSAL .............................................................................. 12
A MÃE INDIVIDUAL ............................................................................. 12
1. A MÃE ENCARNADA ........................................................................... 13
“A NOSSA MÃE” ................................................................................. 14
RECONHECENDO A MÃE COMO DIVINA ............................................. 16
A MÃE E SRI AUROBINDO ................................................................... 17
2. A LUZ DA MÃE .................................................................................... 21
A LUZ DA MÃE .................................................................................... 21
3. A PRESENÇA DA MÃE ......................................................................... 23
A PRESENÇA DA MÃE ......................................................................... 24
A PRESENÇA CONSTANTE ................................................................... 26
A OCULTAÇÃO DA PRESENÇA ............................................................. 26
“ELA ESTÁ, NA VERDADE, SEMPRE PRESENTE” ................................... 27
4. A FORÇA DA MÃE ............................................................................... 29
O QUE É A FORÇA DA MÃE? ............................................................... 30
O TRABALHO DA FORÇA ..................................................................... 30
SENTINDO A FORÇA ............................................................................ 31
ASSIMILAÇÃO DA FORÇA .................................................................... 32
PUXANDO A FORÇA DA MÃE .............................................................. 33
CONFIE NA FORÇA DA MÃE ................................................................ 33
5. ABRINDO-SE À MÃE ............................................................................ 35
O SEGREDO CENTRAL ......................................................................... 36
O QUE É ABERTURA? .......................................................................... 37
ABRA-SE À INFLUÊNCIA ...................................................................... 38
6. A AUTO-ENTREGA À MÃE ................................................................... 40
O QUE É A AUTO-ENTREGA ................................................................ 41
AUTO-ENTREGA E EGO ....................................................................... 42
AUTO-ENTREGA E ESFORÇO PESSOAL ................................................ 44
7. A VERDADEIRA RELAÇÃO COM A MÃE ............................................... 46
A RELAÇÃO PSÍQUICA ......................................................................... 47
AMOR E DEVOÇÃO À MÃE .................................................................. 48
O AMOR DA MÃE ............................................................................... 52
8. O TRABALHO PARA A MÃE ................................................................. 55
SADHANA ATRAVÉS DO TRABALHO .................................................... 55
A OFERENDA E A ASPIRAÇÃO NO TRABALHO ..................................... 58
A ATITUDE CORRETA NO TRABALHO .................................................. 59
FORÇA E CAPACIDADE NO TRABALHO ................................................ 61
TRABALHO E MEDITAÇÃO .................................................................. 63
9. O AUXÍLIO DA MÃE ............................................................................. 66
CAPACIDADE PESSOAL E PROGRESSO ................................................. 67
DESENCORAJAMENTO, DESÂNIMO, DEPRESSÃO ................................ 68
OBSTÁCULOS, ERROS E QUEDAS ........................................................ 69
CONSINTA EM MUDAR ....................................................................... 70
ABRA-SE E CHAME A MÃE .................................................................. 71
10. VOLTE-SE APENAS PARA A MÃE ......................................................... 74
APRENDA A VIVER INTERIORMENTE ................................................... 75
DEIXE TUDO NAS MÃOS DA MÃE ....................................................... 76
11. A MÃE, O SI E A ALMA ........................................................................ 78
A MÃE DIVINA .................................................................................... 79
A MÃE E O SI....................................................................................... 80
A MÃE E A ALMA ................................................................................ 82
12. TRADUÇÕES DE CARTAS EM BENGALI ................................................ 83
SADHANA ........................................................................................... 84
A CONSCIÊNCIA DA MÃE .................................................................... 84
A LUZ DA MÃE .................................................................................... 85
DEFEITOS E DIFICULDADES ................................................................. 86
O RELACIONAMENTO COM A MÃE ..................................................... 88
GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS ................................. 89
REFERÊNCIAS DOS TEXTOS NO LIVRO ....................................................... 95
ESBOÇO DA VIDA DA MÃE ........................................................................ 96
ESBOÇO DA VIDA DE SRI AUROBINDO ...................................................... 98
ENDEREÇOS PARA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES .................................. 100
9

A existência não mais parecia uma queda sem sentido,

A extinção já não era a única libertação.

A Palavra oculta foi descoberta, a chave há tanto buscada,

Foi revelado o sentido do nascimento de nosso espírito,

Condenado a um corpo e a uma mente imperfeitos,

Em meio à inconsciência das coisas materiais

E à indignidade da vida mortal.

Nos vastos espaços abertos um Coração foi sentido,

Um Amor ardente provindo de alvas fontes espirituais

Aboliu a tristeza das profundezas ignorantes;

O sofrimento se perdeu em Seu sorriso imortal.

Savitri III.2
10

INTRODUÇÃO - QUEM É A MÃE?

Ela se encontra à frente do nascimento, do labor e do destino,

Em sua lenta rotação, os ciclos se voltam para o Seu chamado,

Somente Suas mãos podem mudar o drangontino fundamento do Tempo.

A Ela pertence o mistério que a Noite esconde;

A alquímica energia do espírito dela procede;

Ela é a ponte dourada, o fogo maravilhoso.

O luminoso coração do Desconhecido é Ela,

Um poder de silêncio nas profundezas de Deus;

Ela é a Força, a Palavra inevitável,

O ímã de nossa dificultosa ascensão,

O Sol com que acendemos todos os nossos sóis,

A Luz que se inclina das não realizadas vastidões,

A alegria que nos chama desde o impossível,

O Poder de tudo o que ainda não se manifestou.

Toda a Natureza invoca em silêncio unicamente a Ela

Para curar com Seus pés a lancinante pulsação da vida,

Para romper os selos da obscurecida alma do homem

E atear Sua chama no cerrado coração das coisas.

Savitri, III.2
Os Três Modos de Ser da Mãe 11

Os Três Modos de Ser da Mãe

Aquela a quem adoramos como a Mãe, é a divina Força Consciente que domina
toda a existência: única, ela é ao mesmo tempo tão múltipla que é impossível seguir
seu movimento, mesmo para a mente mais veloz e a inteligência mais livre e mais
vasta. A Mãe é a Consciência e a Força do Supremo, e está muito acima de todas as
suas criações. Mas algo de seus caminhos pode ser visto e sentido através de suas
encarnações e através do temperamento e da ação mais palpáveis — porque mais
definidos e limitados — das formas das Deusas nas quais ela consente em se manifes-
tar às suas criaturas.

Há três modos de ser da Mãe dos quais você pode se tornar consciente quando
entra em relação de unicidade com a Força consciente que nos sustenta e sustenta o
universo. Transcendente, a suprema Shakti original, ela está acima dos mundos e liga
a criação ao mistério sempre não-manifestado do Supremo. Universal, a Mahashakti
cósmica, ela cria todos estes seres e contém, penetra, sustenta e conduz todos estes
milhões de processos e forças. Individual, ela encarna o poder desses dois modos
mais vastos de sua existência, torna-os vivos e próximos a nós, e media entre a per-
sonalidade humana e a Natureza divina.

A Mãe Transcendente

A Shakti única, original e transcendente, a Mãe está acima de todos os mundos e


conduz em sua consciência eterna o Divino Supremo. Sozinha, ela abriga o Poder
absoluto e a Presença inefável; contendo ou invocando as Verdades que devem ser
manifestadas, ela as faz descer do Mistério, no qual estavam ocultas, para a luz de
sua consciência infinita, dá-lhes uma forma de força em seu poder onipotente e sua
vida ilimitada, e um corpo no universo. O Supremo se acha eternamente manifestado
nela como o perene Sachchidananda, e se manifesta através dela nos mundos como
a consciência una e dual de Ishwara-Shakti e o princípio dual de Purusha-Prakriti,
corporificado por ela nos Mundos, nos Planos, nos Deuses e suas Energias e, graças a
ela, configurado como tudo o que existe nos mundos conhecidos e em outros desco-
nhecidos. Tudo é seu jogo com o Supremo; tudo é sua manifestação dos mistérios do
Eterno, dos milagres do Infinito. Tudo é ela, porque todos são parcela e porção da
Força Consciente divina. Nada pode existir aqui ou em qualquer outro lugar a não ser
o que ela decide e o Supremo sanciona; nada pode tomar forma exceto o que ela,
movida pelo Supremo, vê e forma após lançar em estado semente em sua Ananda
criadora.
12 Introdução - Quem é a Mãe?

A Mãe Universal

A Mahashakti, a Mãe universal, torna realidade tudo o que é transmitido do


Supremo por meio de sua consciência transcendente e penetra nos mundos que ela
criou; sua presença preenche-os e sustenta-os com o espírito divino, a força e o
deleite divinos e todo-sustentadores, sem os quais eles não poderiam existir. Aquilo
que chamamos Natureza ou Prakriti é somente seu aspecto executivo mais exterior;
ela conduz e organiza a harmonia de suas forças e processos, impulsiona as opera-
ções da Natureza e se move entre elas, secreta ou manifesta, em tudo o que pode ser
visto, experimentado ou posto em movimento de vida. Cada um dos mundos não é
mais que um jogo da Mahashakti daquele sistema de mundos ou universo, a qual
está presente ali como a Alma e a Personalidade cósmicas da Mãe transcendente.
Cada mundo é algo que ela contemplou em sua visão, acolheu em seu coração de
beleza e poder, e criou em sua Ananda.

A Mãe Individual

A Mãe não só governa tudo de cima, mas ela desce para dentro deste triplo uni-
verso inferior. Impessoalmente, todas as coisas aqui, mesmo os movimentos da Igno-
rância, são ela própria em poder velado e suas criações em substância reduzida, sua
Natureza-corpo e sua Natureza-força, e elas existem porque, movida pelo misterioso
decreto do Supremo para tornar realidade algo que estava presente nas possibilida-
des do Infinito, ela consentiu no grande sacrifício e trajou, como uma máscara, a
alma e as formas da Ignorância. Mas, pessoalmente, ela também concordou em
manifestar-se aqui, na Escuridão, a fim de poder conduzi-la à Luz; na Falsidade e no
Erro, a fim de poder convertê-los em Verdade; na Morte, para poder transformá-la
em Vida divina; na dor do mundo e sua obstinada tristeza e sofrimento a fim de
poder eliminá-los no êxtase transformador de sua sublime Ananda. Em seu profundo
e grande amor por seus filhos, ela consentiu em vestir o manto dessa obscuridade,
condescendeu em suportar os ataques e influências torturantes dos poderes da Escu-
ridão e da Falsidade, sujeitou-se a passar pelos portais do nascimento, que constitui
uma morte, tomou sobre si as angústias, tristezas e sofrimentos da criação, porque
parecia que somente assim esta poderia ser elevada em direção à Luz, à Alegria, à
Verdade e à Vida eterna. Este é o grande sacrifício, às vezes denominado o sacrifício
do Purusha, mas muito mais profundamente o holocausto da Prakriti, o sacrifício da
Mãe Divina.
13

1. A MÃE ENCARNADA

“Ó poderoso precursor, eu ouvi o teu apelo.

Um ser descerá e romperá a Lei de Ferro,

E com o solitário poder do espírito mudará o destino da Natureza.

Uma Mente ilimitada, que pode conter o mundo, virá,

Um doce e violento coração de ardentes serenidades,

Movido pelas paixões dos deuses.

Nela, todos os poderes e grandezas se unirão;

A Beleza caminhará divinamente sobre a terra,

O Deleite repousará na malha de nuvens de Seus cabelos,

E, em Seu corpo, como que em sua árvore de refúgio,

O Amor imortal baterá suas gloriosas asas.

A música de tudo o que é venturoso tecerá Seu encanto;

As harpas dos Perfeitos harmonizarão Sua voz,

Os rios do Céu serão o murmúrio de Seu riso,

Seus lábios serão os favos de mel de Deus,

Seus membros, os cântaros dourados de Seu êxtase,

Seus seios, as flores extáticas do Paraíso.

Em Seu silencioso coração Ela conduzirá a Sabedoria,

Com Ela, como a espada de um conquistador, estará o Poder,

E de Seus olhos a beatitude do Eterno contemplará.”

Savitri, III.4
14 A Mãe Encarnada

“A Nossa Mãe”

Você se refere à Mãe (a nossa Mãe) em seu livro “A Mãe”?

(Sri Aurobindo): Sim.

Não é ela a Mãe Divina “Individual” que incorporou “o poder desses dois poderes
mais vastos de sua existência” – Transcendente e Universal?

Sim.

Ela desceu à terra (entre nós), em meio às Trevas, à Falsidade, ao Erro e à Morte
por causa de seu grande e profundo amor por nós?

Sim.

Há muitos que sustentam a opinião de que ela era humana, mas agora incorpora
a Mãe Divina e suas “Preces”, dizem eles, explicam este ponto de vista. Porém, para
minha concepção mental, para meu sentimento psíquico, ela é a Mãe Divina que con-
sentiu em colocar sobre si um manto de obscuridade, sofrimento e ignorância a fim
de que possa conduzir-nos efetivamente – a nós seres humanos – para o Conhecimen-
to, a Felicidade e a Ananda, bem como ao Senhor Supremo.

O Divino Se reveste de uma aparência de humanidade, assume a natureza huma-


na externa, de modo a trilhar o caminho e mostrá-lo aos seres humanos, mas não
deixa de ser o Divino. É uma manifestação o que ocorre, a manifestação de uma cres-
cente consciência divina, não de uma consciência humana tornando-se divina. A Mãe
estava interiormente acima do nível humano mesmo em sua infância, portanto o
ponto de vista sustentado por “muitos” é errôneo.

17 de Agosto de 1938

Existe uma única Força divina que age no universo e no ser individual, a qual está
também além do indivíduo e do universo. A Mãe representa tudo isto, mas ela está
trabalhando aqui, no corpo, para trazer para a terra algo que ainda não foi expresso
neste mundo material, a fim de transformar a vida aqui – é desta maneira que você
deve considerá-la, como a Shakti Divina trabalhando aqui para este propósito. Ela é
isto no corpo, mas em sua consciência total ela está também identificada com todos
os outros aspectos do Divino.

1933
“A Nossa Mãe” 15

O que você diria sobre a utilidade da aproximação física da Mãe?

Há a utilidade da proximidade física da Mãe – a aproximação da mente e do vital


corporificados de seu Poder encarnado. Em sua ação universal a Mãe age de acordo
com a lei das coisas – em sua ação física encarnada se acha a oportunidade de uma
Graça constante – é para isto que a encarnação acontece.

12 de Agosto de 1933

Por que a Mãe atua, em sua ação universal, de acordo com a lei das coisas, mas
em seu corpo físico por meio da Graça constante?

O trabalho do Poder Cósmico é manter o cosmo e a lei universal. A transformação


superior procede do Transcendente, que se acha acima do universal, e é para colocar
esta Graça transcendente em ação que ocorre a encarnação da Mãe.

13 de Agosto de 1933

Estou certo em pensar que a Mãe, como um ser individual, encarna todos os
Poderes Divinos e manifesta cada vez mais a Graça no plano físico, e que sua encar-
nação é uma oportunidade para que toda a consciência física possa mudar e ser
transformada?

Sim. Sua encarnação é uma oportunidade para a consciência da Terra receber em


si o Supramental e passar pela primeira transformação necessária para que isto seja
possível. Mais tarde, haverá uma transformação ulterior por meio do Supramental,
mas a consciência da Terra não será de todo supramentalizada – haverá primeira-
mente uma nova raça representando a Supramente, assim como o homem represen-
ta a mente.

13 de Agosto de 1933

*
16 A Mãe Encarnada

Há alguma diferença entre a manifestação da Mãe e a descida do Supramental?

A Mãe veio para trazer o Supramental para baixo e é esta descida que torna pos-
sível aqui a plena manifestação da Mãe.

23 de Setembro de 1935

A atitude de que eu sou o Brahman não é necessária no Yoga Integral?

Ela não basta para transformar toda a natureza. Do contrário, a Mãe não precisa-
ria estar aqui. Isto poderia ser feito simplesmente pensando em si mesmo como o
Brahman. Não haveria nenhuma necessidade da presença da Mãe ou de sua Força.

27 de Dezembro de 1935

Reconhecendo a Mãe como Divina

Esta manhã eu percebi uma grande beleza na Mãe. Foi como se todo o seu corpo
estivesse brilhando com uma luz sobrenatural. De fato, senti como se uma Deusa
Suprema tivesse descido das alturas do céu. Por favor, explique-me isto.

Você apenas percebeu a Divindade nela, a qual está sempre presente.

20 de Julho de 1933

Muitas vezes eu percebo que antigos Sanskaras se elevam e perturbam minha fé


na Mãe e em sua divindade. Como é possível evitar isto?

Somente se você for capaz de ver a divindade da Mãe é que pode haver uma fir-
me convicção – é uma questão de consciência e visão internas.

5 de Junho de 1937

*
A Mãe e Sri Aurobindo 17

Como convencer a mente de que a Mãe é divina e que seus trabalhos não são
humanos?

Isto só pode ser feito abrindo o ser psíquico e deixando que ele governe a mente
e o vital – porque o psíquico sabe e pode ver o que a mente não pode.

Há pessoas que começam logo de início, outros levam tempo.

X reconheceu a Mãe como sendo divina à primeira vista e tem sido feliz desde
então; outros, que figuram entre os devotos da Mãe, levaram anos para descobrir ou
admitir isto, mas mesmo assim conseguiram. Há pessoas que tiveram apenas dificul-
dades e revoltas pelos primeiros cinco, seis, sete anos ou mais da Sadhana, e todavia
o ser psíquico acabou por despertar. O tempo levado é secundário: a única coisa
indispensável – cedo ou tarde, com facilidade ou dificuldade – é chegar lá.

A Mãe e Sri Aurobindo

A consciência da Mãe é a Consciência divina, e a Luz que dela procede é a Luz da


Verdade divina, a Força que ela manifesta é a Força da Verdade divina. Quem recebe,
aceita e vive na luz da Mãe, começará a ver a verdade em todos os planos, no mental,
no vital e no físico. Ele rejeitará tudo o que não é divino – o que não é divino é a fal-
sidade, a ignorância, o erro das forças das trevas; o não-divino é tudo o que é obscu-
ro e não quer aceitar a Verdade divina e sua luz e sua força. O não-divino, portanto, é
tudo o que não quer aceitar a luz e a força da Mãe. É por isso que estou sempre lhe
dizendo para manter-se em contato com a Mãe e com sua luz e sua força, porque só
assim você será capaz de sair dessa confusão e obscuridade, e receber a Verdade que
vem do alto....

Não há nenhuma diferença entre o caminho da Mãe e o meu; nós temos e sem-
pre tivemos o mesmo caminho, aquele que conduz à transformação supramental e à
realização divina; eles são idênticos não apenas no fim, mas desde o início. A tentati-
va de estabelecer uma divisão e uma oposição, colocando a Mãe de um lado e eu de
outro, oposto ou diferente, tem sido sempre um ardil das forças da Falsidade, quan-
do elas querem impedir que um Sadhak alcance a Verdade. Descarte todas essas fal-
sidades de sua mente.
18 A Mãe Encarnada

Saiba que a luz e a força da Mãe são a luz e a força da Verdade; permaneça sem-
pre em contato com a luz e a força da Mãe, só assim você poderá crescer na Verdade
divina.

10 de Setembro de 1931

A oposição entre a consciência da Mãe e minha consciência foi uma invenção dos
velhos tempos (devida principalmente a X, Y e outros daquela época), e surgiu num
momento em que a Mãe era plenamente reconhecida ou aceita por alguns daqueles
que aqui estavam no começo. Mesmo depois de a haverem reconhecido, eles persis-
tiram nessa oposição sem sentido e causaram um grande dano a si mesmos e a
outros. A consciência da Mãe e a minha são a mesma, a Consciência Divina única pre-
sente em ambos, porque isto é necessário para o jogo. Nada pode ser realizado sem
o conhecimento e a força da Mãe, sem sua consciência – se alguém realmente sentir
sua consciência, deverá perceber que eu estou presente por trás dela, e se a pessoa
me sentir, é a mesma coisa com a dela. Se uma separação como esta é feita (deixo de
lado as distorções que suas mentes impõem tão poderosamente a essas coisas),
como pode a Verdade se estabelecer? Do ponto de vista da Verdade não há nenhu-
ma separação.

13 de Novembro de 1934

Você acha que a Mãe não pode lhe ser de nenhuma ajuda.... Se você não pode se
beneficiar com a ajuda dela, você encontraria ainda menos beneficio com a minha.
Mas, em todo caso, não tenho nenhuma intenção de alterar o arranjo que fiz para
todos os discípulos sem exceção, para que eles recebam dela a luz e a força, e não
diretamente de mim, e sejam guiados por ela em seu progresso espiritual. Fiz o
arranjo não para qualquer propósito temporário, mas porque é o único caminho ver-
dadeiro e efetivo – com a condição de que o discípulo esteja aberto e receba (consi-
derando o que ela é e seu poder).

O que quer que alguém receba da Mãe, vem de mim também – não há nenhuma
diferença. Assim, também, se eu dou alguma coisa, é pela Força da Mãe que isto che-
ga ao Sadhak.

20 de Agosto de 1936
A Mãe e Sri Aurobindo 19

É a mesma coisa se escrevemos para Sri Aurobindo ou para a Mãe? Alguns dizem
que vocês dois são um só, de maneira que se escrevemos para Sri Aurobindo ou para
a Mãe, nós estamos abertos para a Mãe; está correto?

É verdade que somos um só, mas existe também uma relação, a qual torna
necessário que a pessoa esteja aberta à Mãe.

Pode acontecer que alguém que esteja aberto a Sri Aurobindo não esteja aberto à
Mãe? É verdade que quem está aberto à Mãe, está aberto a Sri Aurobindo?

A asserção relacionada à Mãe é verdadeira. Se alguém está aberto a Sri Aurobin-


do e não à Mãe, isto significa que ele não está realmente aberto a Sri Aurobindo. 1

A Mãe estava praticando Yoga antes de conhecer ou de se encontrar com Sri


Aurobindo; mas, as linhas de suas Sadhanas seguiram independentemente o mesmo
curso. Quando se encontraram, eles se ajudaram mutuamente no aperfeiçoamento
da Sadhana. O que se conhece como o Yoga de Sri Aurobindo é a criação conjunta de
Sri Aurobindo e da Mãe; eles agora estão completamente identificados – a Sadhana
no Ashram e toda organização são realizadas diretamente pela Mãe, Sri Aurobindo
está por trás a sustentá-la. Todos os que vêm para cá para praticar Yoga, devem se
entregar à Mãe, que sempre os auxilia e constrói sua vida espiritual.

A Mãe não é uma discípula de Sri Aurobindo. Ela possui a mesma realização e
experiência que eu.

A sadhana da Mãe começou quando ela era muito jovem. Quando tinha doze ou
treze anos, toda noite muitos mestres vinham a ela e ensinavam-na suas diversas dis-
ciplinas espirituais. Entre eles havia uma personagem asiática de pele escura. Ao nos
encontrarmos pela primeira vez, ela imediatamente me reconheceu como aquela
personagem asiática a quem ela via frequentemente há muito tempo. O fato de ela
vir aqui e trabalhar comigo pelo mesmo objetivo foi, por assim dizer, um desígnio
divino.

1 Neste trecho e nos dois seguintes, Sri Aurobindo refere-se a si mesmo na terceira pessoa.
20 A Mãe Encarnada

A Mãe era praticante do yoga budista e do yoga do Gita antes mesmo de vir para
a Índia. Seu yoga estava se movendo rumo a uma grandiosa síntese. Em consequên-
cia disso, era natural que ela viesse para cá. Ela ajudou e está ajudando a dar uma
forma concreta ao meu yoga. Isto não teria sido possível sem a sua cooperação.

Um dos dois grandes passos neste yoga é tomar refúgio na Mãe. 2

17 de Agosto de 1941

2 Quando perguntado sobre qual era o outro grande passo, Sri Aurobindo respondeu: “Aspiração do sadhak
pela vida divina.”
21

2. A LUZ DA MÃE

Ó Verbo Solar, tu elevarás a alma da terra para a Luz

E realizarás a descida de Deus para a vida dos homens;

A terra será minha oficina de trabalho e minha habitação,

O meu jardim de vida para plantar a divina semente.

Quando todo o teu trabalho no tempo humano estiver concluído,

A mente da terra será uma morada de luz,

A vida terrena, uma árvore crescendo em direção ao céu,

O corpo da terra, um tabernáculo de Deus.

Despertos da ignorância dos mortais,

Os homens serão iluminados pelo raio do Eterno

E pela glória de minha ascensão solar em seus pensamentos,

Eles sentirão a doçura de meu Amor em seus corações

E em seus atos o impulso de meu miraculoso Poder.

Savitri, XI.1

A Luz da Mãe

Luz é um termo geral. Luz não é conhecimento, mas a iluminação que vem de
cima e liberta o ser da obscuridade e das trevas.

Mas, essa Luz assume também diferentes formas tais como a luz branca da Mãe,
a luz azul clara de Sri Aurobindo, a luz dourada da Verdade, a luz psíquica (cor-de-
rosa e rosado), etc.

Quando falamos da Luz da Mãe ou de minha Luz num sentido especial, estamos
falando de uma ação oculta especial – estamos nos referindo a certas luzes que vêm
22 A Luz da Mãe

da Supramente. Nesta ação, a Luz da Mãe é a branca, a qual purifica, ilumina, que
traz para baixo a essência e o poder integrais da Verdade e torna a transformação
possível. Mas, de fato, toda luz que vem do alto, da Verdade divina mais elevada,
pertence à Mãe.

10 de Setembro de 1931

As luzes são os Poderes da Mãe – muitos em número. A luz branca é seu próprio
poder característico, o da Consciência Divina em sua essência.

15 de Julho de 1934

A luz branca é a luz da Mãe. Onde quer que ela desça ou penetre, ela traz paz,
pureza, silêncio e abertura para as forças superiores.

31 de Julho de 1934

A luz da Mãe é branca – especialmente a luz branca diamantina.

12 de Outubro de 1935

A experiência importante é esta do raio de luz branca no coração – pois é um raio


da luz da Mãe, a luz branca, e a iluminação do coração pela luz é algo de grande
poder nesta Sadhana.

28 de Julho de 1937

Ponha tudo diante da Mãe em seu coração, a fim de que sua Luz possa trabalhar
nisto para o melhor.
23

3. A PRESENÇA DA MÃE

Enquanto ele permanecia sobre a margem desnuda do ser,

E toda a paixão e busca de sua alma

Encaravam sua extinção em alguma Vastidão sem forma,

A Presença pela qual anelava subitamente aproximou-se.

Através do silêncio da Calma suprema,

Do âmago de uma maravilhosa Transcendência,

Um corpo de prodígio e translucidez –

Como se um doce e místico sumário de seu ser,

Evadindo-se numa Felicidade original,

Emergisse, engrandecido, da eternidade –

Ela veio, infinita e absoluta.

Um ser de sabedoria, poder e deleite,

Semelhante à mãe que toma seu filho nos braços,

Acolheu em Seu seio a Natureza, o mundo e a alma.

Abolindo a vacuidade desprovida de signos,

Rompendo o vazio e o silêncio sem voz,

Trespassando o ilimitado Incognoscível,

Na liberdade das profundezas imóveis

Um belo e venturoso esplendor se insinuou.

O Poder, a Luz, a Beatitude que nenhuma palavra pode expressar

Configurou-se na imagem de um surpreendente raio de luz


24 A Presença da Mãe

E erigiu uma passagem dourada para seu coração,

Tocando através dele todas as coisas desejáveis e sensíveis.

A doçura de um momento daquela que é Todo-Bela

Cancelou a vaidade do vórtice cósmico.

Uma Natureza que palpitava com um Coração divino

Se fez sentir no inconsciente universo;

Ela fazia do alento um ditoso mistério.

Um amor que carregava com alegria a cruz da dor,

Eudemonizou3 o sofrimento do mundo,

Tornou venturosa a fadiga do longo e interminável Tempo

E capturou o segredo da felicidade de Deus.

Afirmando na vida um êxtase oculto,

Ela fazia o espírito persistir em seu miraculoso curso;

Transmitindo às horas valores imortais,

Ela justificava o labor dos sóis.

Pois um ser ali havia, supremo por trás do Deus.

Savitri, III.2

A Presença da Mãe

O que se pretende com a palavra Presença é indicar o sentimento e a percepção


do Divino como um Ser, sentido como presente em nossa existência e em nossa
consciência, ou em relação com elas, sem necessidade de qualquer outra qualificação
ou descrição. Assim, da “Presença inefável” só se pode dizer que ela está ali e nada
mais pode ou precisa ser dito sobre ela, embora a pessoa saiba ao mesmo tempo que
tudo está contido ali, personalidade e não-personalidade, o Poder, a Luz, a Ananda e

3
Eudemonizar: conduzir à felicidade. Do conceito grego eudaimonia.
A Presença da Mãe 25

tudo o mais, e tudo isto procede desta indescritível Presença. A palavra pode às vezes
ser usada num sentido menos absoluto, mas este é sempre o significado fundamental
– a percepção essencial da Presença essencial sustentando tudo o mais.

Existe alguma diferença entre a presença da Mãe e a Consciência Divina?

A pessoa pode sentir a Consciência Divina impessoalmente como uma nova cons-
ciência apenas. A Presença da Mãe é algo mais – a pessoa sente Ela própria presente
no interior ou acima ou envolvendo-a ou tudo isto junto.

8 de Julho de 1935

Eu quis dizer que se pode sentir a Consciência divina como um estado espiritual
impessoal, um estado de paz, de luz, de alegria, de amplidão sem sentir nele a Pre-
sença Divina. A Presença Divina é sentida como a presença de alguém que é a fonte e
a essência viva desta luz, etc., um Ser portanto, e não meramente um estado espiri-
tual. A Presença da Mãe é ainda mais concreta, definida, pessoal – não é a de Alguém
desconhecido, de um Poder ou de um Ser, mas de alguém que é conhecido, intimo,
amado, a quem podemos oferecer todo o ser de uma maneira viva e concreta. A
imagem não é indispensável, embora ajude – a presença pode ser sentida interior-
mente sem ela.

Não existe nenhuma condição precedente necessária como esta, de que a pessoa
deve sentir primeiro a Presença para só então poder sentir que pertence à Mãe; mais
frequentemente é o aumento do sentimento que traz a Presença. Pois o sentimento
vem da consciência psíquica e é o crescimento da consciência psíquica que torna a
Presença constante finalmente possível. O sentimento provém do psíquico e é ver-
dadeiro para o ser interno – o fato de ainda não estar sendo realizado no todo não
faz dele uma imaginação; pelo contrário, quanto mais ele cresce, maior é a probabili-
dade de todo o ser realizar esta verdade; o bhava interior se apossa cada vez mais da
consciência externa e a remodela de modo a torná-lo uma verdade também ali. Este
é o princípio constante da ação na transformação Yóguica – o que é verdadeiro no
interior se exterioriza e toma posse da mente, do coração e da vontade, e através
deles prevalece sobre a ignorância dos membros externos, trazendo a verdade inte-
rior para eles também.

16 de Setembro de 1936
26 A Presença da Mãe

A Presença Constante

A presença constante da Mãe vem pela prática; a Graça Divina é essencial para o
sucesso na Sadhana, mas é a prática que prepara a descida da Graça.

Você deve aprender a ir para o interior, deixando de viver apenas nas coisas
externas, aquietar a mente e aspirar a tornar-se consciente dos trabalhos da Mãe em
você.

Como e quando é possível sentir a presença concreta da Mãe o tempo todo?

Em primeiro lugar, é uma questão de haver uma atividade constante do psíquico


e, em segundo, da conversão do físico e sua abertura para a experiência interior e
suprafísica. Além do vital e seus distúrbios, o físico é a principal dificuldade para se
estabelecer a continuidade da consciência e da experiência ióguica. Se o físico é intei-
ramente transformado – aberto e consciente – então a estabilidade e a continuidade
tornam-se fáceis.

16 de Outubro de 1933

Pode-se estar plenamente consciente da presença da Mãe mesmo no sono?

Isto pode acontecer, mas geralmente apenas quando o psíquico está em plena
atividade.

Se você sente a presença da Mãe a maior parte do dia, isto significa que o seu ser
psíquico está ativo e sente dessa maneira; pois sem a atividade do psíquico, isto não
seria possível. Portanto, o seu ser psíquico está presente e de modo algum distante.

14 de Março de 1935

A Ocultação da Presença

A presença da Mãe está sempre aí; mas, se você decide agir por conta própria –
de acordo com sua própria idéia, sua própria noção das coisas, sua própria vontade e
seu desejo pessoal em relação às coisas, então é muito provável que sua presença
“Ela Está, na Verdade, Sempre Presente” 27

seja velada; não é ela que se afasta de você, mas você que se afasta dela. Porém, sua
mente e seu vital não querem admitir isto, porque a preocupação deles é sempre jus-
tificar seus próprios movimentos. Se fosse permitido ao ser psíquico que predomi-
nasse plenamente, isto não teria acontecido; ele teria percebido a ocultação, mas
teria dito de imediato: “Deve ter havido algum engano em mim, um obscurecimento
elevou-se em mim,” e teria observado e descoberto a causa.

25 de Março de 1932

A Presença, cujo desvanecimento você lamenta, só pode ser sentida se o ser inte-
rior continuar consagrado e a natureza externa for posta em harmonia ou pelo
menos mantida sob o toque do espírito interno.

Mas, se você faz coisas que o seu ser interior não aprova, esta condição será
eventualmente obscurecida e, a cada vez, a possibilidade de você sentir a Presença
diminuirá. Você deve ter uma poderosa vontade de purificação e uma aspiração que
não esmorece nem cessa, se quiser que a graça da Mãe esteja presente e seja efeti-
va.

Nós acreditamos que a Mãe está realizando a Sadhana em todos nós, principal-
mente através do coração; mas, por que dificilmente sentimos isto? Deve haver
algum véu em nós.

É um véu que desaparece quando a ação da Mãe, assim como sua presença, é
conscientemente sentida o tempo todo.

7 de Janeiro de 1935

“Ela Está, na Verdade, Sempre Presente”

Comporte-se sempre como se a Mãe estivesse olhando para você; porque ela
está, na verdade, sempre presente.

Março de 1928

*
28 A Presença da Mãe

Qual o significado exato de sua afirmação: “Comporte-se sempre como se a Mãe


estivesse olhando para você; porque ela está, na verdade, sempre presente”?

É a emanação da Mãe que está com cada Sadhak o tempo todo.

16 de Julho de 1935

Viva sempre como se estivesse sob o próprio olhar do Supremo e da Mãe Divina.
Não faça nada, tente não pensar nem sentir nada que seja indigno da Presença Divi-
na.

16 de Abril de 1936
29

4. A FORÇA DA MÃE

Um Poder Materno envolvia o mundo;

Uma Consciência revelou sua maravilhosa fronte

Transcendendo tudo o que existe, nada negando:

Imperecível acima de nossas decaídas cabeças,

Ele sentiu uma Força arrebatadora e infalível.

A Verdade imorredoura surgiu, o Poder permanente

De tudo o que é criado aqui e depois destruído,

A Mãe de todas as divindades e de todos os poderes,

A qual, mediadora, liga a terra ao Supremo.

Savitri, III.2

Agora, outras reivindicações calaram nele o seu clamor:

Ele só anelava atrair Sua presença e Seu poder

Para seu coração, sua mente e sua forma vivente;

Ele só aspirava a invocar de modo permanente

Seu toque curativo de amor, verdade e alegria

Para a escuridão do sofrimento do mundo.

Sua alma estava liberta e a Ela somente oferecida.

Savitri, III.2
30 A Força da Mãe

O Que é a Força da Mãe?

Você fala frequentemente da “Força da Mãe”. O que é isto?

É a Força Divina que trabalha para remover a ignorância e transformar a natureza


na Natureza divina.

18 de Junho de 1933

Quando falo da força da Mãe, não me refiro à força da Prakriti, que carrega em si
as coisas da Ignorância, mas à Força superior do Divino, que vem do alto para trans-
formar a natureza.

Existe uma força que acompanha o crescimento da nova consciência e cresce ao


mesmo tempo com ela e a ajuda a mudar e a aperfeiçoar-se. Esta força é a Yoga-
Shakti. Ela se encontra aqui, enrolada e adormecida em todos os centros de nosso ser
interior (Chacras), e na base é aquilo que se chama nos Tantras de Kundalini Shakti.
Mas ela se acha acima de nós também, acima de nossa cabeça como a Força Divina,
não enrolada, envolta e adormecida, mas desperta, consciente, potente, estendida e
ampla; ela espera ali para se manifestar e é a esta Força que devemos nos abrir – ao
poder da Mãe. Na mente ela se manifesta como uma força mental divina ou universal
e pode realizar tudo o que a mente pessoal não pode; ela se torna então a força
mental Ióguica. Quando ela se manifesta e age no vital ou no físico da mesma manei-
ra, ela se torna perceptível ali como uma força-de-vida Ióguica ou uma força física
Ióguica. Ela pode despertar em todas essas formas, irrompendo para o exterior e
para o alto, estendendo-se na amplidão a partir de baixo; ou pode descer e tornar-se
um poder definido para as coisas; ela pode derramar-se sobre o corpo, trabalhando,
estabelecendo o seu reino, estendendo-se na amplidão desde o alto, ligar o mais
inferior em nós ao mais elevado acima de nós, libertar o indivíduo numa universali-
dade cósmica ou no absoluto e na transcendência.

O Trabalho da Força

O que você sente fluindo para baixo deve ser a Força da Mãe que está acima da
cabeça. Ela flui geralmente do alto da cabeça e trabalha primeiramente nos centros
mentais (da cabeça e do pescoço) e depois desce para o peito e para o coração e em
seguida através do movimento de todo o corpo.
Sentindo a Força 31

É o efeito desta atividade que você deve estar sentindo na cabeça até o nível dos
ombros. A Força que vem do alto é a que trabalha para transformar a consciência na
de um ser espiritual superior. Antes disso, a Força da Mãe trabalha no psíquico, no
mental, no vital e no próprio plano físico para sustentar, purificar e transformar psi-
quicamente a consciência.

Esse peso ou pressão na cabeça é sempre o sinal de que a Força da Mãe está em
contato com você e pressionando do alto para envolver o seu ser, entrar no adhara e
preenchê-lo; geralmente ela passa gradualmente através dos centros em seu cami-
nho para baixo. Às vezes, ela vem primeiramente como Paz, às vezes como Força, às
vezes como a consciência da Mãe e sua presença, às vezes como Ananda.

18 de Setembro de 1933

Para que a Força da Mãe trabalhe plenamente no corpo, o próprio corpo, e não
apenas a mente, deve ter fé e abrir-se.

9 de Outubro de 1933

É a descida da Força da Mãe desde o alto através da medula espinal; é um movi-


mento bem conhecido. Há duas ou três espécies de descida. Uma é tocando a base
dos centros que se apoiam na medula espinal. Outra é através da cabeça penetrando
o corpo, descendo de nível em nível até que o corpo todo esteja preenchido e abrin-
do todos os centros de consciência. Outro é a descida que envolve o adhara por fora.

1 de Fevereiro de 1934

Sentindo a Força

Com referência à Mãe, você disse uma vez: “Peça pela consciência de sua força”.
Isto significa que devo aspirar a conhecer sobre sua Força?

Sim, conhecer não apenas com a mente, mas senti-la e vê-la com a experiência
interior.

18 de Junho de 1933

*
32 A Força da Mãe

Suponha que eu esteja em dificuldade e chame a Força da Mãe, que está acima
de mim. Ora, como vou saber se ela desceu ou não?

Sentindo-a, ou pelo resultado.

26 de Junho de 1933

É sempre necessário que compreendamos o que a Força da Mãe está fazendo em


nós para o progresso de nosso Yoga?

Muitas pessoas progridem rapidamente sem entender o que a Força está fazendo
– elas simplesmente observam e descrevem, dizendo: “Eu deixo tudo para a Mãe”.
Eventualmente, o conhecimento e a compreensão surgem.

17 de Julho de 1933

Quando me sento em meditação diante da foto da Mãe ou do desenho de seus


pés, eu recebo a Força. Isto é apenas um sentimento subjetivo?

Não, não é apenas subjetivo. Por meditar perto deles você foi capaz de entrar em
contato através deles com a Mãe, e algo de Seu Poder e de Sua Presença estão ali.

14 de Julho de 1934

Assimilação da Força

Quanto à força da Mãe, quando alguém a recebe, a melhor coisa a fazer é ficar
quieto até que ela seja assimilada. Mais tarde não há problema, ela não é perdida
pelo movimento ou pelas relações externas.

Deixe que uma tranquila e resoluta vontade de progresso seja estabelecida em


você; aprenda o hábito de assimilação silenciosa, persistente e completa daquilo que
a Mãe coloca em você. Este é o modo correto de avançar.

Março de 1928
Puxando a Força da Mãe 33

Puxando a Força da Mãe

O que significa puxar? Quando queremos algo da Mãe com um desejo vital, isto é
puxar? Qual o efeito disso em nós?

Sim; este é um modo de puxar – seu efeito é cegar e confundir a consciência. Mas
há também um modo de puxar as coisas certas, que não é mau em si mesmo, e a
maioria das pessoas o utiliza – isto é, puxar a Luz, a Força, a Ananda. Todavia, isto
produz mais reações do que uma tranquila abertura ao Divino.

1 de Junho de 1933

Quando a pessoa está aberta e muito ansiosa, e tenta puxar para baixo a força, a
experiência, etc., ao invés de deixá-la descer calmamente, isto se chama puxar. Mui-
tas pessoas puxam as forças da Mãe, tentando tomar mais do que elas podem assimi-
lar com facilidade e perturbam o trabalho.

Abril de 1935

Confie na Força da Mãe

A perseverança que você obteve não é uma virtude pessoal, mas depende do
contato que puder manter com a Mãe – pois é a Força da Mãe que está por trás dela
e por trás de todo progresso que você puder efetuar. Aprenda a confiar nesta Força,
a abrir-se a ela mais completamente e a buscar o progresso espiritual, não propria-
mente por sua causa, mas por causa do Divino, então você avançará mais tranquila-
mente.

Você não deveria confiar em nada mais de forma exclusiva, por mais útil que
isto possa parecer, mas principalmente, em primeiro lugar e fundamentalmente na
Força da Mãe. O Sol e a Luz podem ser um auxílio, e serão, se forem a verdadeira Luz
e o verdadeiro Sol, mas não podem tomar o lugar da Força da Mãe.

*
34 A Força da Mãe

Tudo deve ser realizado pela atuação da força da Mãe, auxiliada por sua aspira-
ção, devoção e entrega.

30 de Outubro de 1934

Nada pode ser realizado exceto através da força da Mãe.


35

5. ABRINDO-SE À MÃE
Então, subitamente, um sagrado impulso elevou-se.

No inanimado silêncio do Vazio,

Em meio à solidão e à imensidade,

Um som emergiu, vibrante como os passos amados

Ouvidos nos espaços atentos da alma;

Um toque perturbou as fibras de seu ser com o deleite.

Uma influência aproximou-se do âmbito mortal,

Um Coração ilimitado estava próximo de seu ansioso coração,

Uma Forma mística envolveu sua imagem terrena.

Ao Seu contato, em tudo se rompia o selo do silêncio;

O espírito e o corpo vibravam identificados,

Enlaçados no abraço de uma inefável alegria;

A mente, os membros e a vida imergiram no êxtase.

Embriagadas como por uma chuva de néctar,

As extensões apaixonadas de sua natureza fluíram para Ela,

Rutilando com relâmpagos, insanas com o luminoso vinho.

Tudo era um mar ilimitado que se elevava para a lua.

Um fluxo divinizante possuiu-lhe as veias,

As células do corpo despertaram para a percepção do espírito,

Cada nervo tornou-se uma fibra ardente de alegria:

Os tecidos e a carne compartilhavam a beatitude.

Savitri, III.4
36 Abrindo-se à Mãe

O Segredo Central

Permanecendo psiquicamente aberto à Mãe, tudo o que for necessário para o


trabalho ou para a Sadhana se desenvolve progressivamente, este é um dos princi-
pais segredos, o segredo central da Sadhana.

13 de Fevereiro de 1933

Mantenha-se aberto à Mãe, lembre-se dela constantemente e deixe que sua For-
ça trabalhe em você, rejeitando todas as outras influências – esta é a regra do yoga.

Praticar Yoga implica a vontade de superar todos os apegos e voltar-se unicamen-


te para o Divino. A coisa principal no Yoga é confiar na Graça Divina a cada passo,
dirigir o pensamento continuamente para o Divino e oferecer-se até que o ser se abra
e a força da Mãe possa ser sentida trabalhando no adhara.

Na prática do yoga, aquilo que você visa alcançar só pode vir por meio da abertu-
ra do ser à força da Mãe e a persistente rejeição de todo egoísmo, exigência e desejo,
de todos os motivos exceto a aspiração à Verdade Divina. Se isto for feito correta-
mente, o Poder e a Luz Divina começarão a trabalhar e trarão paz e equanimidade,
força interior, uma devoção purificada e uma crescente consciência e autoconheci-
mento, os quais constituem a fundação necessária para o siddhi do yoga.

Se um Sadhak, mesmo depois de um longo tempo, não consegue abrir-se total-


mente para a Mãe, por causa dos obstáculos em sua natureza, isto significa que ele
não será aceito pela Mãe?

Não há nenhum sentido em tal pergunta. Aqueles que seguem o Yoga aqui são
aceitos pela Mãe – pois “aceito” significa “admitidos no Yoga, aceitos como discípu-
los”. Porém, o progresso no Yoga e o siddhi no Yoga dependem do grau em que ocor-
ra a abertura.

24 de Junho de 1933
O Que é Abertura? 37

Mas não é por meio de upadesha que esta Sadhana é dada ou conduzida. Só
aqueles que, pela aspiração e meditação na Mãe, são capazes de abrir-se e receber
Sua ação e Seu trabalho no interior, podem ser bem sucedidos neste Yoga.

21 de Junho de 1937

Você deve apenas aspirar, manter-se aberto à Mãe, rejeitar tudo que seja contrá-
rio à Sua vontade e deixá-la trabalhar em você – realizando também todo o seu tra-
balho para Ela e com a fé de que é através de Sua força que você pode realizá-lo. Se
permanecer aberto dessa maneira, o conhecimento e a realização virão a você no
devido tempo.

Há dois modos de praticar o Yoga: um através do conhecimento e dos próprios


esforços, o outro por meio da confiança na Mãe. Neste último caminho, a pessoa
deve oferecer sua mente, seu coração e tudo o mais para a Mãe, para que Sua Força
trabalhe neles, chamá-la em todas as dificuldades, ter fé e bhakti (devoção). A princí-
pio leva tempo, geralmente um longo tempo, para a consciência ser preparada dessa
maneira – e durante esse tempo muitas dificuldades podem surgir, mas se a pessoa
perseverar, chegará o momento em que tudo estará preparado e a Força da Mãe
abrirá a consciência totalmente para o Divino, então tudo que deve ser desenvolvido
se desenvolverá no interior, a experiência espiritual virá e com ela o conhecimento e
a união com o Divino.

O Que é Abertura?

Abertura é algo que acontece por si mesmo, pela sinceridade da vontade e da


aspiração. Significa ser capaz de receber as forças superiores que vêm da Mãe.

Qual o significado de abertura?

É a receptividade à presença da Mãe e Suas forças.

Qual o modo correto e perfeito de conseguir esta abertura?

Aspiração, quietude, a ampliação de si mesmo para receber, rejeição de tudo o


que tente fechá-lo para o Divino.
38 Abrindo-se à Mãe

Como saber se estou me abrindo à Mãe e não a outras forças?

Você deve ser vigilante e ver se não há nenhum movimento de perturbação, de


desejo e de ego.

Quais os sinais de uma verdadeira abertura à Mãe?

Isto é imediatamente evidente por si mesmo: quando você sente a paz divina, a
igualdade, a amplidão, a luz, a Ananda, o Conhecimento, a força, quando você se tor-
na consciente da proximidade ou da presença da Mãe, do trabalho de Sua Força, etc.,
etc. Se qualquer uma destas coisas é sentida, isto é a abertura – quanto mais for sen-
tido, mais completa é a abertura.

25 de Abril de 1933

É por meio da lembrança constante que o ser é preparado para a plena abertura.
Pela abertura do coração, a presença da Mãe começa a ser sentida e, pela abertura
ao Seu Poder acima, a Força da consciência superior desce para o corpo e trabalha
nele para transformar toda a natureza.

7 de Agosto de 1934

Abra-se à Influência

Neste Yoga tudo depende da pessoa poder se abrir à Influência ou não. Se há sin-
ceridade na aspiração e uma vontade paciente de alcançar a consciência mais eleva-
da, apesar de todos os obstáculos, então a abertura, de uma forma ou de outra, cer-
tamente virá. Mas isto pode levar um tempo longo ou curto, de acordo com a condi-
ção preparada ou não preparada da mente, do coração e do corpo; assim, se não se
tem a necessária paciência, o esforço pode ser abandonado devido à dificuldade do
começo. Não há método neste Yoga, a não ser concentrar-se de preferência no cora-
ção e invocar a presença e o poder da Mãe para assumir o ser e, pelas operações de
Sua força, transformar a consciência; você pode se concentrar também na cabeça ou
entre as sobrancelhas, mas para muitos esta é uma abertura muito difícil. Quando a
mente ficar quieta, a concentração se tornar poderosa e a aspiração intensa, então
haverá um começo de experiência. Quanto maior a fé, mais rápido certamente será o
resultado. De resto, você não deve depender apenas de seus próprios esforços, mas
conseguir estabelecer um contato com o Divino e uma receptividade ao Poder e à
Presença da Mãe.

30 de Novembro de 1934
Abra-se à Influência 39

Todo o princípio deste Yoga é abrir-se à Influência Divina. Ela está ali, acima de
você e, se puder tornar-se consciente dela, então deve chamá-la para que desça em
você. Ela desce na mente e no corpo como Paz, como uma Luz, uma Força que traba-
lha, como a Presença do Divino, com ou sem forma, como Ananda. Antes que a pes-
soa tenha esta consciência, ela deve ter fé e aspirar pela abertura. A aspiração, o
chamado, a oração são formas de uma mesma coisa e todos são efetivos; você pode
utilizar a forma que lhe vier espontaneamente ou que lhe seja mais fácil. O outro
meio é a concentração; você concentra sua consciência no coração (alguns o fazem
na cabeça ou acima dela) e meditam na Mãe no coração e invocam-na ali. Pode-se
fazer uma delas ou ambas em diferentes momentos – o que lhe vier naturalmente ou
o que se sentir movido a fazer no momento. Especialmente no início, uma grande
necessidade é fazer a mente ficar quieta, rejeitar no momento da meditação todos os
pensamentos e movimentos que são estranhos à sadhana. Na mente aquietada have-
rá uma progressiva preparação para a experiência. Mas você não deve ficar impa-
ciente se tudo não for realizado de imediato; leva tempo para trazer uma quietude
completa para a mente; você deve continuar até que a consciência esteja preparada.
40

6. A AUTO-ENTREGA À MÃE

Tudo o que ele realizara fora preparar o campo;

Seus pequenos começos demandavam um poderoso fim:

Pois tudo o que ele havia sido deve agora recriar nele

Sua alegria de encarnar, de entronizar

Em sua morada de vida Sua beleza e Sua grandeza.

Agora porém seu ser era vasto demais para o eu;

A aspiração de seu coração se tornara incomensurável:

Sua liberdade solitária não podia satisfazê-lo,

Ele pedia Sua luz, Sua felicidade para a terra e para os homens.

O poder e o amor humanos são, todavia, inúteis

Para romper o selo de ignorância e morte da terra;

O poder de sua natureza parecia agora a força de uma criança;

O Céu é elevado demais para que nossas mãos estendidas o alcancem.

Essa Luz não vem por meio do esforço ou do pensamento;

No silêncio da mente o Transcendente atua

E o coração aquietado ouve a Palavra não pronunciada.

Um vasto abandono era sua única força.

Um Poder que vive nas alturas deve agir,

Trazer para o fechado aposento da vida a atmosfera do Imortal

E inundar o finito com o Infinito.

Savitri, III.2
O Que é a Auto-Entrega 41

O Que é a Auto-Entrega

Entrega significa estar inteiramente nas mãos da Mãe, e não resistir de maneira
alguma por egoísmo ou de outro modo à Sua Luz, ao Seu Conhecimento, à Sua Von-
tade, ao trabalho de Sua Força, etc.

A entrega procede do interior, abrindo e doando a mente, o vital, o físico, tudo à


Mãe, a fim de que Ela os assuma como Seus próprios e os recrie em seu verdadeiro
ser, o qual é uma porção do Divino; todo o resto se segue como consequência disto.

Não há muito sentido espiritual em manter-se aberto à Mãe se você se recusa a


se entregar. Auto-doação ou entrega é exigida daqueles que praticam este Yoga,
porque sem uma auto-entrega progressiva do ser como esta é totalmente impossível
sequer aproximar-se da meta. Manter-se aberto significa invocar Sua Força para tra-
balhar em você, e se você não se entrega a ela, isto significa não permitir que a Força
trabalhe de modo algum em você ou então apenas com a condição de que ela traba-
lhe apenas do modo como você quer e não a seu próprio modo, que é a forma de
atuar da Verdade Divina. Uma sugestão dessa espécie geralmente é feita por algum
Poder adverso ou por algum elemento egoístico da mente ou do vital que deseja a
Graça ou a Força , mas somente a fim de usá-la para seus propósitos particulares, e
não quer viver para o propósito Divino – ele deseja tomar tudo o que possa do Divi-
no, mas não quer se entregar ao Divino. A alma, o ser verdadeiro, pelo contrário, vol-
ta-se para o Divino e não apenas quer mas se sente ansioso e feliz por se entregar.

Neste Yoga espera-se que a pessoa vá além de toda cultura mental idealista.
Ideias e ideais pertencem à mente e constituem meias verdades apenas; também a
mente, com muita frequência, fica satisfeita em ter simplesmente um ideal, com o
prazer de idealizar, enquanto a vida permanece sempre a mesma, não transformada,
ou apenas um pouco mudada e principalmente na aparência. O buscador espiritual
não se desvia da busca da realização para a mera idealização; sua meta constante
não é idealizar, mas realizar a Verdade Divina, seja além da vida ou nela igualmente –
e neste último caso é necessário transformar a mente e a vida, o que não pode ser
feito sem a entrega à ação da Força Divina, da Mãe.

Buscar pelo Impessoal é o caminho daqueles que querem retirar-se da vida, mas
geralmente eles o tentam por meio de seu próprio esforço, e não pela abertura de si
42 A Auto-Entrega à Mãe

mesmos a um Poder superior ou pelo caminho da auto-entrega; pois o Impessoal não


é algo que guia ou ajuda, mas algo a ser obtido e ele deixa que cada homem o obte-
nha de acordo com o modo e a capacidade de sua natureza. Por outro lado, por meio
da abertura e da entrega à Mãe, a pessoa pode realizar o Impessoal e também todos
os outros aspectos da Verdade.

A entrega deve ser necessariamente progressiva. Ninguém é capaz de fazer uma


entrega completa logo de início, portanto é perfeitamente natural que quando a pes-
soa olhe para dentro de si mesma, veja que ela não existe. Isto não é razão para que
o princípio da auto-entrega não seja aceito e conduzido persistentemente de estágio
a estágio, de campo a campo, e seja aplicado sucessivamente a todas as partes da
natureza.

Auto-Entrega e Ego

Há uma poderosa formação de individualidade do ego numa parte bastante fun-


damental de sua natureza que misturou a sua aspiração espiritual um ferrenho ele-
mento de orgulho e ambição espiritual. Essa formação jamais consentiu em ser dis-
solvida de modo a dar lugar a algo mais verdadeiro e divino. Portanto, quando a Mãe
colocou sua força sobre você, ou quando você próprio puxou a força para si, este
elemento em você sempre a impediu de realizar seu trabalho à sua própria maneira.
Ele próprio começou a construir de acordo com as ideias da mente ou algum desejo
do ego, tentando fazer sua própria criação, a seu “próprio modo”, por sua própria
força, sua própria Sadhana, sua própria Tapasya. Nunca houve aqui uma entrega ver-
dadeira, nenhum abandono de si mesmo livre e simplesmente nas mãos da Mãe
Divina. E, no entanto, este é o único meio de ser bem sucedido no Yoga supramental.
Ser um Yogue, um Sannyasi, um Tapaswi não é o objetivo aqui. O objetivo é a trans-
formação, e a transformação só pode ser realizada por uma força infinitamente
maior que a sua própria; ela só pode realizada se a pessoa for verdadeiramente como
uma criança nas mãos da Mãe Divina.

Todo aquele que estiver voltado para a Mãe está praticando o meu Yoga. É um
grande erro supor que se pode “praticar” o Purna Yoga – ou seja, conduzir e realizar
todos os aspectos do Yoga por meio do próprio esforço pessoal. Nenhum ser humano
pode fazê-lo. O que a pessoa deve fazer é colocar-se nas mãos da Mãe e abrir-se a ela
através do serviço, por meio de Bhakti, pela aspiração; então, a Mãe, com sua luz e
sua força, trabalha na pessoa, de modo que a Sadhana é realizada. É um engano
também ter a ambição de ser um grande Purna Yogue ou um ser supramental e per-
Auto-Entrega e Ego 43

guntar-se até que ponto eu caminhei em direção a isto. A atitude correta é ser devo-
tado e estar abandonado à Mãe, e querer ser o que ela quiser que você seja. O resto
cabe à Mãe decidir e realizar em você.

Abril de 1935

Que atitude ou condição deveríamos manter para a descida supramental?

Quanto à atitude ou condição, vocês não precisam se preocupar com isto. Uma fé
integral, uma abertura e um abandono totais à Mãe são as condições necessárias do
começo ao fim.

23 de Setembro de 1935

Em nossa Sadhana, experimentamos às vezes grandes descidas de Paz, Força,


Ananda, etc., das quais nosso pequeno ego humano se apodera indevidamente para
fazer-nos sentir que pertenceremos ao seleto grupo de Super-homens da Mãe. Isto
não é um erro?

Querer ser um Super-homem é um erro. Isto apenas infla o ego. A pessoa pode
aspirar para que o Divino realize a transformação supramental, mas isto também não
deveria ser feito até que o ser tenha se tornado psíquico e espiritualizado pela desci-
da da paz, da força, da luz e da pureza da Mãe.

22 de Fevereiro de 1936

Se houver uma recusa do novo nascimento psíquico, uma recusa de se tornar


uma criança renascida da Mãe, devido ao apego ao conhecimento intelectual ou a
ideias mentais ou a algum desejo vital, então a Sadhana fracassará.

A abertura direta do centro psíquico só é fácil quando o egocentrismo está muito


diminuído e também se houver uma poderosa bhakti pela Mãe. Humildade espiritual
e sentimento de submissão e dependência são necessários.

16 de Julho de 1936

*
44 A Auto-Entrega à Mãe

Trata-se de um sankalpa de auto-entrega. Porém a auto-entrega deve ser feita à


Mãe – nem mesmo à Força, mas à própria Mãe.

4 de Outubro de 1936

Se o psíquico se manifestar, ele não lhe pedirá que se entregue a ele, mas que se
entregue à Mãe.

Auto-Entrega e Esforço Pessoal

Naturalmente, a Mãe realiza a Sadhana em cada Sadhak – só que isto é condicio-


nado pelo zelo e pela receptividade deles.

4 de Janeiro de 1935

O que você diz sobre a Sadhana é verdadeiro. A Sadhana é necessária e a Força


Divina não pode fazer as coisas no vazio, mas deve conduzir cada um de acordo com
sua natureza até o ponto em que o Sadhak possa sentir a Mãe trabalhando no inte-
rior e realizando tudo por ele. Até então a aspiração, a autoconsagração, o consenti-
mento e o apoio do Sadhak aos trabalhos da Mãe, sua rejeição de tudo o que se opo-
nha, é algo extremamente necessário – indispensável.

25 de Setembro de 1936

O esforço que se exige do Sadhak é de aspiração, rejeição e auto-entrega. Se


essas três coisas forem realizadas, o resto virá por si mesmo pela graça da Mãe e pelo
trabalho de Sua força em você. Mas, dos três o mais importante é a entrega, da qual
a primeira forma necessária é a fé, a confiança e a paciência nas dificuldades. Não há
nenhuma determinação de que a fé e a confiança só podem permanecer se houver
aspiração. Pelo contrário, quando nem mesmo a aspiração está presente por causa
da pressão da inércia, a fé, a confiança e a paciência podem permanecer. Se a con-
fiança e a paciência se extinguem quando a aspiração está adormecida, isto significa
que o Sadhak está confiando apenas em seu próprio esforço – isto significaria: “Oh,
minha aspiração falhou, portanto não há nenhuma esperança para mim. Minha aspi-
ração desapareceu, portanto, o que a Mãe pode fazer?” Pelo contrário, o Sadhak
deveria sentir: “Não importa, minha aspiração retornará. Enquanto isto, eu sei que a
Mãe está comigo, mesmo quando não posso senti-la; ela me conduzirá até mesmo
Auto-Entrega e Esforço Pessoal 45

através do período mais sombrio.” Esta é a atitude plenamente correta que você
deve ter. Para aqueles que a têm, a depressão não pode fazer nada; mesmo que ela
surja, terá que recuar frustrada. Não se trata de entrega tamásica. A auto-entrega
tamásica é quando se diz: “Eu não farei nada; que a Mãe faça tudo. Aspiração, rejei-
ção, mesmo a entrega não são necessárias. Que ela realize tudo em mim.” Há uma
grande diferença entre as duas atitudes. Uma é a do preguiçoso que não quer fazer
nada, a outra é a do Sadhak que dá o melhor de si, mas quando se vê reduzido à ina-
tividade por um tempo e as coisas estão desfavoráveis, mantém sempre sua confian-
ça na força e na presença da Mãe por trás de tudo, e por meio dessa confiança frus-
tra a força de oposição e chama de volta a atividade da Sadhana.

26 de Outubro de 1936

Não é possível eliminar a ênfase sobre o esforço pessoal de imediato – e nem


sempre é desejável; pois o esforço pessoal é melhor do que a inércia tamásica.

O esforço pessoal deve ser transformado progressivamente num movimento da


Força Divina. Se você for consciente da Força Divina, então chame-a cada vez mais
para governar seu esforço, para assumi-lo, para transformá-lo em algo que não mais
lhe pertença, mas pertença à Mãe. Haverá uma espécie de transferência, uma toma-
da das forças em atividade no Adhar pessoal – uma transferência que não é repenti-
namente completa mas progressiva.

Contudo, a atitude psíquica é necessária: deve-se desenvolver a discriminação


que vê exatamente o que é a Força Divina, qual o elemento de esforço pessoal, e o
que se introduz como uma mistura a partir das forças cósmicas inferiores. E até que a
transferência esteja completa, o que sempre leva tempo, deve haver sempre, como
uma contribuição pessoal, um constante consentimento à verdadeira Força, uma
constante rejeição de qualquer mistura inferior.

Abandonar o esforço pessoal no presente momento não é o que se aconselha,


mas invocar cada vez mais o Poder Divino, e governar e guiar por meio dele o empe-
nho pessoal.
46

7. A VERDADEIRA RELAÇÃO COM A MÃE

O ser por eles amado excedia-os em amplitude;

Eles não podiam alcançar-Lhe a medida, mas recebiam Seu toque;

Respondendo como as flores respondem ao sol,

Eles se entregavam a Ela e nada mais pediam.

Um ser maior que eles, vasto demais para sua compreensão,

Ao qual suas mentes não podiam entender nem conhecer totalmente;

Suas vidas eram a réplica de Sua vida e moviam-se às Suas palavras:

Eles sentiam uma divindade e obedeciam a um chamado,

Seguiam Sua orientação e realizavam Seu trabalho no mundo;

Suas vidas e naturezas moviam-se compelidas pelo que Ela era e vivia,

Como se a verdade de seus próprios eus mais amplos

Se revestisse de um aspecto de divindade

Para exaltá-los a um nível que superava seu nível terreno.

Eles sentiam que um futuro maior vinha-lhes ao encontro;

Ela os conduzia pela mão e escolhia seus caminhos:

Eles eram movidos por Ela rumo a grandes e desconhecidas coisas,

A fé os unia e a alegria de sentir que pertenciam a Ela;

Em Seu ser eles viviam e com Seus olhos viam o mundo.

Savitri, IV.2
A Relação Psíquica 47

A Relação Psíquica

O que você escreve aqui é uma descrição exata do ser psíquico e sua relação com
a Mãe. Esta é a verdadeira relação. Se você quiser ser bem sucedido neste Yoga deve
estabelecer-se na relação psíquica e rejeitar o movimento vital egoístico. A vinda do
ser psíquico para a superfície e seu estabelecimento ali é o movimento decisivo no
Yoga. Foi isto que aconteceu quando você viu a Mãe da última vez, o psíquico veio
para a frente. Mas, você deve mantê-lo na frente. Você não será capaz de fazê-lo se
der ouvidos ao ego vital e seus clamores. É por meio da fé, da entrega e da alegria da
pura autodoação – a atitude psíquica – que a pessoa cresce em direção à Verdade e
se torna unida ao Divino.

26 de Fevereiro de 1933

Tudo que é necessário é que seu ser psíquico venha para a frente e o abra para o
contato interior direto, real e constante comigo e com a Mãe. Até agora sua alma
expressou-se através da mente e seus ideais e admirações, ou através do vital e suas
alegrias e aspirações superiores; mas isto não é suficiente para conquistar a dificul-
dade física e iluminar e transformar a Matéria. É a sua própria alma, o seu ser psíqui-
co que deve vir para a frente, despertar inteiramente e realizar a mudança funda-
mental. O ser psíquico não precisará do apoio das ideias intelectuais ou de sinais ou
auxílios externos. Só ele pode lhe proporcionar o sentimento direto do Divino, a pro-
ximidade constante, o apoio e o auxílio interior. Dessa maneira, você não sentirá a
Mãe distante ou terá qualquer outra dúvida sobre a realização; pois a mente pensa e
o vital anela, mas a alma sente e conhece o Divino.

A relação com o Divino, a relação com a Mãe deve ser uma relação de amor, de
fé, confiança, dependência, entrega; qualquer outra relação do tipo vital comum
produz reações contrárias à Sadhana – desejo, um abhimana egoístico, exigências,
revolta e todos os distúrbios da natureza humana rajásica e ignorante, da qual o
objetivo da Sadhana é escapar.

26 de Abril de 1933

*
48 A Verdadeira Relação com a Mãe

Estou me sentindo muito próximo da Mãe, como se não houvesse nenhuma dife-
rença. Mas, como isto pode ser possível, considerando o imenso abismo entre ela e eu
– estando ela na Supramente e eu na mente?

Mas a Mãe está presente em todos os planos e não apenas no Supramental. E ela
está especialmente próxima de todos na parte psíquica (o coração interior), de modo
que quando ele se abre, o sentimento de proximidade surge naturalmente.

11 de Dezembro de 1933

Sim, é um progresso muito animador. Se você mantiver a amplidão e a calma,


como estava fazendo, e também o amor pela Mãe no coração, então está tudo segu-
ro, pois isto significa a dupla fundação do Yoga: a descida da consciência superior
com sua paz, liberdade e serenidade do alto, e a abertura do psíquico, que mantém
todo o esforço ou todo o movimento espontâneo voltado para a verdadeira meta.

10 de outubro de 1934

Não sendo capaz de concentrar-me adequadamente, eu invoquei a Pureza do


alto. De imediato, todo o ser foi preenchido pela Paz e a Pureza e, sem qualquer difi-
culdade, senti a Presença da Mãe no coração. Uma aspiração intensa elevou-se do
coração, de baixo, na verdade, de todas as partes do ser. O coração foi preenchido
pela adoração à Mãe; havia devoção, uma genuína auto-entrega, um grande alívio
na união com a Mãe. Houve uma intensa aspiração por Pureza. Isto foi uma abertura
psíquica?

Sim, certamente, foi uma abertura psíquica, e no ponto enfatizado, o qual é mui-
to importante, a abertura para a Pureza superior. Esta é uma das coisas mais impor-
tantes para a abertura psíquica e para a relação interior com a Mãe.

14 de Julho de 1937

Amor e Devoção à Mãe

O amor que é dirigido ao Divino não deveria ser o sentimento vital comum que os
homens designam com este nome; pois isto não é amor, mas apenas desejo vital, um
instinto de apropriação, o impulso de possuir e monopolizar. Isto não é de modo
algum o Amor divino, e não se deveria permitir, por mínimo que fosse, que ele se
misturasse ao Yoga. O verdadeiro amor pelo Divino é uma autodoação, livre de exi-
Amor e Devoção à Mãe 49

gências, cheia de submissão e entrega; ele não pede por nada, não impõe nenhuma
condição, não faz nenhuma barganha, não permite nenhuma violência de ciúme, de
orgulho ou de ira – pois tais coisas não fazem parte de sua natureza. Em troca, a Mãe
Divina também se entrega, mas livremente – e isto se traduz numa autodoação inte-
rior – Sua presença em sua mente, em seu vital, em sua consciência física, Seu poder
recriando-o na natureza divina, tomando todos os movimentos de seu ser e levando-
os à perfeição e à realização, Seu amor envolvendo-o e conduzindo-o em seus braços
rumo a Deus. É isto que você deve aspirar sentir e possuir em todas as partes do ser,
até a mais material, e aqui não há nenhum limite de tempo ou de completude. Se a
pessoa realmente aspira por isto e o obtém, não deveria haver nenhum motivo para
qualquer outra exigência ou qualquer outro desejo desapontado. E se ela verdadei-
ramente aspirar por isto, infalivelmente ela o obterá, e cada vez mais, à medida que a
purificação prossiga e a natureza passe por sua necessária mudança.

Mantenha seu amor puro de toda exigência e desejo egoísta; você descobrirá que
está recebendo todo o amor que pode suportar e absorver em resposta.

1 de Agosto de 1931

Qual a diferença entre a devoção psíquica, a devoção mental e a devoção vital à


Mãe?

A psíquica é constituída de amor e autodoação desprovidos de desejo, a vital pela


vontade de ser possuído pela Mãe e servi-la, a mental, de fé e aceitação incondicio-
nal de tudo o que a Mãe é, diz e faz. Tais coisas, no entanto, são sinais externos – é
no caráter interno, claramente reconhecível, mas que não se pode expressar em
palavras, que elas diferem.

28 de Abril de 1933

Não é verdade que aqueles que têm fé na Mãe também têm amor a ela? Fé e
amor não andam juntos?

Nem sempre. Há muitas pessoas que possuem alguma fé sem amor, embora elas
possam ter um certo tipo de bhakti mental, e há muitas que possuem algum amor
mas nenhuma fé. Porém, se é o verdadeiro amor psíquico, então haverá também a
fé; e se houver uma fé absoluta, então o amor psíquico não tardará a despertar. O
que você diz é correto se se trata da fé da alma, do amor da alma – mas, em alguns
50 A Verdadeira Relação com a Mãe

há apenas um sentimento vital e isto traz, quando desapontado, revolta e rancor, e


eles vão embora.

8 de Maio de 1933

Que espécie de sentimento é este que tem satisfação e alegria apenas em ver a
Mãe?

É psíquico.

Que espécie de sentimento é o que tem satisfação e alegria apenas em se lembrar


da Mãe?

Psíquico.

Que tipo de sentimento é o que produz mágoa no coração ao ouvir qualquer coisa
contra a Mãe?

Psíquico.

Que tipo de sentimento é este em que a pessoa se sente próxima da presença da


Mãe no coração, mesmo que ela esteja fisicamente distante?

Psíquico.

Como saberei se estou em pleno estado de amor psíquico?

Pela ausência do ego, pela devoção pura, a submissão e a entrega ao Divino.

9 de Maio de 1933

Quando toda a natureza se acha ocupada em sentir, pensar e agir ao redor da


palavra “Mãe”, o psíquico estaria realizado?

Isto seria propriamente a condição psíquica.

Pode haver um contato consciente com a Mãe através do psíquico antes que este
venha inteiramente para a frente?

Sim, o psíquico está sempre presente.


Amor e Devoção à Mãe 51

Como conseguir um devoção pura e completa?

Obtenha a quietude primeiro – então, a partir da quietude aspire e abra-se calma


e sinceramente à Mãe.

15 de Novembro de 1933

Toda vez que o amor interior pela Mãe emerge, as lágrimas também se precipi-
tam.

São as lágrimas psíquicas de devoção, etc.

25 de Agosto de 1934

Nós todos queremos o amor da Mãe, mas eu me pergunto quantos de nós real-
mente amam a Mãe. A maioria de nós vive em suas próprias preferências e aversões,
alegrias e misérias, satisfações e desapontamentos, mas dificilmente há alguém que
possua um amor verdadeiro pela Mãe.

Isto não significa que não haja nenhum amor, mas que o amor está misturado e
encoberto pelo egoísmo, pelo desejo e pelos movimentos vitais. Pelo menos, esta é a
condição de muitos. Há alguns, naturalmente, que não têm nenhum amor ou
“amam” – se é que se pode chamar assim – apenas por causa do que obtêm, há um
ou dois que amam verdadeiramente, mas na maioria há uma centelha psíquica oculta
por muita fumaça. A fumaça deve ser eliminada de modo que a centelha possa ter
chance de tornar-se uma chama.

9 de Novembro de 1934

O meu psíquico sente-se às vezes triste e solitário por perceber que não pode
amar apropriadamente a Mãe.

Neste caso, não pode ser o psíquico. O psíquico nunca sente que não pode amar
o Divino.

*
52 A Verdadeira Relação com a Mãe

Concentrar-se apenas em estar junto ao coração da Mãe e querer somente per-


tencer a ela, viver para ela e não se importar com nenhuma outra experiência: o que
pensa desta atitude?

A atitude é boa para despertar o ser psíquico e o ser interior em geral. Mas, se a
experiência superior vier, ela não deve ser interrompida.

12 de Março de 1935

Mesmo as experiências mais elevadas ou mais profundas não parecem ter


nenhum valor se a pessoa não pode amar a Mãe com o verdadeiro coração.

É um engano pensar dessa forma. As experiências preparam as diferentes partes


do ser para amar da maneira correta, de modo que não é a alma apenas que ama.
Enquanto elas estiverem abertas à ignorância e ao ego, elas não podem receber e
reter o amor perfeitamente.

23 de Outubro de 1935

Conceda-me, Ó Mãe, um pouco que seja de devoção, um pouquinho apenas dela.


De outra forma, não sei o que me acontecerá, na verdade eu não sei como posso viver
aqui. E não quero abandonar o refúgio de Teus Pés de Lótus.

Não deixe que a ansiedade mental o atormente. Espere pelo trabalho da força da
Mãe, que abrirá o lótus do coração. Na luz que vem do alto, a devoção desabrochará
em você.

25 de Outubro de 1936

O Amor da Mãe

Você é uma das crianças da Mãe e o amor da Mãe por seus filhos não tem limites;
ela tolera pacientemente os defeitos de sua natureza. Tente ser um filho verdadeiro
da Mãe: isto se acha dentro de você, mas sua mente externa está ocupada com coi-
sas pequenas e fúteis, e muito frequentemente com uma preocupação exagerada e
violenta. Você deve ver a Mãe não apenas em sonho, mas deve aprender a vê-la e
senti-la com você e em seu interior o tempo todo. Então, você achará mais fácil con-
trolar-se e mudar – pois estando presente, ela será capaz de fazê-lo por você.

*
O Amor da Mãe 53

Não fique pensando se as pessoas concordam ou não com você, ou se você é


bom ou mau, mas pense nisto: “a Mãe me ama e eu pertenço à Mãe”. Se você basear
sua vida neste pensamento, tudo logo se tornará fácil.

30 de Abril de 1935

É por causa dos pensamentos sobre os outros e sobre sua própria “maldade” que
você se sente longe da Mãe. Ela está o tempo todo muito próxima de você e você
dela. Se você assumir a atitude que lhe descrevi e torná-la a base de sua vida: “a Mãe
me ama e eu pertenço a ela”, o véu logo desaparecerá, pois ele é constituído por tais
pensamentos e nada mais.

1 de Maio de 1935

Certamente, não é necessário que você se torne “bom” para que a Mãe possa
conceder-lhe seu amor. Seu amor está sempre presente e as imperfeições da nature-
za humana não contam em face deste amor. Tudo que você precisa fazer é tornar-se
consciente da presença constante deste amor. Pois isto é necessário para que o psí-
quico venha à frente – porque o psíquico sabe, ao passo que a mente, o vital e o físi-
co veem apenas as aparências superficiais e interpretam-nas erroneamente.

24 de Junho de 1936

Provavelmente, X está cometendo dois enganos: primeiro, esperando expressões


externas de amor da Mãe; segundo, buscando progresso em lugar de concentrar-se
na abertura e na entrega, sem nada exigir em troca. São dois erros que os Sadhaks
constantemente cometem. Se a pessoa se abre, se ela se entrega, então assim que a
natureza estiver preparada, o progresso virá por si mesmo; porém, a concentração
pessoal visando o progresso traz dificuldades, resistência e desapontamento, porque
a mente não está olhando as coisas do ponto de vista correto. A Mãe possui um cari-
nho especial por X, e todos os dias no Pranam, ela tenta colocar uma força sustenta-
dora sobre ele. Ele deve aprender a permanecer extremamente tranquilo na mente e
no vital, e consagrar-se para que possa tornar-se consciente e também receber. O
Amor Divino, ao contrário do humano, é profundo, vasto e silencioso; a pessoa deve
cultivar a quietude e a amplidão de modo a tornar-se consciente dele e responder a
ele. Ela deve ter como único objetivo entregar-se a fim de que possa tornar-se um
vaso e um instrumento – deixando à Sabedoria e ao Amor Divinos preenchê-la com o
54 A Verdadeira Relação com a Mãe

que for necessário. Que ela fixe em sua mente que não deve insistir que em determi-
nado tempo deve progredir, desenvolver-se, obter realizações – leve o tempo que
levar, ela deve estar preparada para esperar, perseverar e fazer de toda a sua vida
uma aspiração e uma abertura para uma única coisa, o Divino. Entregar-se é o segre-
do da Sadhana, e não exigir e adquirir alguma coisa. Quanto mais a pessoa se entre-
gar, mais o poder de receber crescerá. Mas, para isto, toda impaciência e revolta
devem ser eliminadas; todas as sugestões de não se obter, de não ser auxiliado, não
ser amado, de partir, de abandonar a vida ou o esforço espiritual, devem ser rejeita-
das.

1 de Setembro de 1936
55

8. O TRABALHO PARA A MÃE

Imperatriz adorada que todos rivalizavam por servir,

Ela fez de si mesma a serva diligente de todos,

Nem se poupou ao labor da vassoura, dos cântaros e dos poços,

Ou aos cuidados que exigem minúcia e doçura, a preparar o fogo

Para o altar e para a cozinha, nenhuma tarefa deixando aos outros,

Que sua força de mulher lhe permitisse realizar.

Em todos os seus atos uma estranha divindade brilhava:

Ela podia trazer ao movimento mais simples

Uma unidade com o reluzente manto de luz da terra,

Uma elevação dos atos comuns por meio do amor.

Savitri, VII.1

Sadhana através do Trabalho

A vida de samsara é em sua natureza um campo de inquietação – para atravessá-


la da maneira correta a pessoa deve oferecer sua vida e suas ações ao Divino, e orar
pela paz do Divino no interior. Quando a mente se torna quieta, a pessoa pode sentir
a Mãe Divina sustentando a vida e colocar tudo em Suas mãos.

16 de Abril de 1933

É perfeitamente possível para você praticar a Sadhana em casa e no meio de seu


trabalho – muitos o fazem. O que é necessário no início é lembrar-se da Mãe tanto
quanto possível, concentrar-se nela no coração por algum tempo todos os dias, se
56 O Trabalho para a Mãe

possível pensando nela como a Mãe Divina, aspirar por senti-la em seu interior, ofe-
recer a ela suas ações e orar para que ela o guie e sustente a partir do interior. Este é
um estágio preliminar que geralmente leva um longo tempo, mas se a pessoa atra-
vessá-lo com sinceridade e perseverança, a mentalidade começa pouco a pouco a
mudar e uma nova consciência se abre no Sadhak, o qual começa a tornar-se cada
vez mais consciente da presença da Mãe no interior, de seu trabalho na natureza e
na vida ou de alguma outra experiência espiritual que abra a porta para a realização.

Para a maioria das pessoas não é fácil sentir a presença da Mãe no trabalho – elas
sentem como se estivessem realizando o trabalho, a mente se torna ocupada e não
consegue a verdadeira passividade ou quietude.

Todos estão na Mãe, mas a pessoa deve tornar-se consciente disto, e não apenas
do trabalho.

1 de Abril de 1935

Não deveria haver apenas uma atitude geral, mas cada trabalho deve ser ofereci-
do à Mãe, de modo a manter a atitude viva o tempo todo. Não deveria haver
nenhuma meditação durante o trabalho, pois isto desviaria a atenção do trabalho,
mas deve haver a lembrança constante do Uno a quem você o oferece. Este é apenas
um primeiro processo; pois quando você puder ter constantemente o sentimento de
um ser calmo no interior, concentrado na percepção da Presença Divina, enquanto a
mente da superfície realiza o trabalho, ou quando for capaz de começar a sentir
sempre que é a força da Mãe que está realizando o trabalho e você é apenas um
canal ou instrumento, então no lugar da lembrança, terá começado a realização
automática e constante do Yoga, a união divina, nas obras.

O sentimento de que tudo o que fazemos procede do Divino, de que toda ação
pertence à Mãe é um estágio necessário na experiência, mas não podemos permane-
cer nele – devemos ir além. Aqueles que não querem transformar a natureza, mas
apenas ter a experiência da Verdade que está por trás dela, podem permanecer aí.
Sua ação está em conformidade com a Natureza universal e dessa forma, igualmente,
em conformidade com sua natureza individual, e toda a Natureza é uma força ema-
nada pela Mãe Divina para a ação do universo. Porém, sendo as coisas como são, tra-
Sadhana através do Trabalho 57

ta-se de uma ação da ignorância e do ego; ao passo que o que queremos é uma ação
da Verdade divina desvelada e não desfigurada pela ignorância e pelo ego.

Portanto, quando você sentir que todas as suas ações são realizadas pela força
(Shakti) da Mãe, esta é a verdadeira experiência. Mas, a vontade da Mãe é de que
tudo o que você faz deveria ser feito não por Sua força na Natureza como é agora,
mas diretamente por Sua própria força na Verdade de Sua natureza, a Natureza divi-
na mais elevada. Assim, estava correto também o que você pensou posteriormente,
de que a menos que haja essa transformação, a experiência de que tudo o que você
faz é realizado por Sua vontade não pode ser inteiramente verdadeira. Portanto, isto
não será permanente até então. Pois, se fosse permanente agora, isto poderia man-
tê-lo na ação inferior, como acontece com muitos, e impedir ou retardar a mudança.
O que você precisa ter agora, como experiência permanente, é a da Força da Mãe
trabalhando em você em todas as coisas para transformar esta consciência e esta
natureza ignorantes em Sua consciência e natureza divinas.

É a mesma coisa em relação à verdade do instrumento. É verdade que cada coisa


é um instrumento da Shakti cósmica, portanto, da Mãe. Mas, o objetivo da Sadhana é
que a pessoa se torne um instrumento consciente e perfeito, ao invés de ser um
inconsciente e, portanto, imperfeito. A pessoa só pode ser um instrumento conscien-
te e perfeito quando não está mais agindo em obediência ao impulso ignorante da
natureza inferior, mas se acha abandonada à Mãe e consciente de Sua Força superior
atuando em seu interior. Aqui, portanto, sua intuição foi perfeitamente verdadeira.

Mas, tudo isto não pode ser feito num só dia. Assim, mais uma vez você está cer-
to em não ser ansioso ou inquieto. A pessoa deve ser vigilante, mas não ansiosa ou
inquieta. A Força da Mãe atuará e trará o resultado em seu próprio tempo, desde que
a pessoa ofereça tudo a Ela, aspire e seja vigilante, chamando-a e lembrando-se dela
o tempo todo, rejeitando calmamente tudo o que se intrometa no caminho da ação
de Sua Força transformadora.

Seu segundo ponto de vista a esse respeito foi mais do ângulo correto de visão do
que o primeiro. Dizer: “Não sou eu que devo agir, portanto não devo me preocupar”,
é algo excessivo – a pessoa deve agir, assim como deve aspirar, oferecer-se, consentir
com a ação do trabalho da Mãe, rejeitar tudo o mais, entregar-se cada vez mais.
Todo o resto será realizado em seu tempo, não há necessidade de ansiedade, depres-
são ou impaciência.

13 de Julho de 1935

*
58 O Trabalho para a Mãe

O que você recebeu e preservou no trabalho, é na verdade a consciência básica e


verdadeira do Karmayoga – a calma consciência do alto a sustentar e a força superior
realizando o trabalho, com o sentimento de Bhakti que sente que é a Consciência da
Mãe presente e trabalhando. Agora você conhece por experiência qual o segredo do
Karmayoga.

15 de Setembro de 1936

A Oferenda e a Aspiração no Trabalho

Li no “Síntese do Yoga” e nas “Conversações” da Mãe que cada ato e movimento,


pensamento e palavra deve ser uma oferenda. Mesmo que este esforço seja estrita-
mente mental, sem a devoção do coração, como pode acontecer no início, ele certa-
mente levará à devoção, desde que o esforço seja sincero. Esta disciplina é perfeita-
mente possível em ações de uma natureza mais ou menos mecânica, como caminhar
ou comer, mas onde o trabalho envolve concentração mental, como na leitura ou ao
escrever, parece quase impossível. Se a consciência tem que se ocupar com a lem-
brança, a atenção ficará dividida e o trabalho não será feito adequadamente.

Isto se deve ao fato de as pessoas viverem na mente superficial e estarem identi-


ficadas com ela. Quando se vive mais interiormente, é apenas a consciência da super-
fície que fica ocupada, e a pessoa permanece por trás dela, em outra que é silenciosa
e autoconsagrada.

Esta consciência vem apenas por meio da aspiração ou podemos obtê-la seguindo
uma disciplina mental?

A pessoa começa com o esforço mental. Mais tarde é formada uma consciência
interior que não precisa estar sempre pensando na Mãe.

Há duas maneiras de fazer uma oferenda à Mãe: uma é oferecer uma ação aos
seus pés como se oferece uma flor; a outra é retirar nossa própria personalidade
totalmente e sentir como se ela estivesse realizando todas as ações que executamos.
A Atitude Correta no Trabalho 59

Na primeira, há uma dualidade entre o trabalhador e ela; mas na segunda, há uma


perfeita intimidade e união. Qual das duas formas é melhor para a Sadhana?

Não há nenhuma necessidade de perguntar qual é a melhor, desde que elas não
são mutuamente excludentes. É a mente que as considera opostas. O ser psíquico
pode oferecer a ação, enquanto a natureza é passiva à Força (omitindo o ego ou afas-
tando-o) e sente a Força da Mãe realizando a ação e sua Presença nela.

5 de Novembro de 1938

Quando a pessoa trabalha, ela aspira para que a Força da Mãe assuma sua ativi-
dade durante o trabalho. A que ela deve aspirar quando não está trabalhando?

Para que o Poder da Mãe atue e traga para baixo os estágios necessários da cons-
ciência superior. E também para que o sistema seja cada vez mais apto – calmo, des-
provido de ego, consagrado.

A Atitude Correta no Trabalho

Que trabalho é este se não é o trabalho da Mãe? Tudo o que você fizer, deve
fazê-lo como sendo o trabalho da Mãe. Todo trabalho realizado no Ashram pertence
à Mãe.

Todos estes trabalhos, meditação, a leitura das Conversações, estudar Inglês, etc.
são bons. Você pode fazer cada um deles dedicando-os à Mãe.

Meditação significa abrir-se à Mãe, concentrar-se na aspiração e chamar sua for-


ça para trabalhar em você e transformá-lo.

18 de Setembro de 1932

Você deve assumir a atitude correta não apenas em sua concentração interior,
mas em seus atos e movimentos externos. Se fizer isto e colocar tudo sob a orienta-
ção da Mãe, perceberá que as dificuldades começam a diminuir ou são superadas
muito mais facilmente e as coisas se tornam cada vez mais tranquilas.

Em seu trabalho e em seus atos você deve fazer a mesma coisa que faz em sua
concentração. Abra-se à Mãe, coloque-os sob sua orientação, chame pela paz, pelo
Poder sustentador, pela proteção e, de modo que eles possam atuar, rejeite todas as
influências erradas que possam atravessar-lhes o caminho criando movimentos errô-
neos, descuidados ou inconscientes.
60 O Trabalho para a Mãe

Siga este princípio e todo o seu ser se tornará um só, sob uma única regra, na paz,
no Poder e na Luz que protegem.

Você não precisa se preocupar com a impaciência de X. Lembre-se constante-


mente que é o trabalho da Mãe que você está realizando e que se o fizer tão bem
quanto possa, lembrando-se dela, a Graça da Mãe estará com você. Este é o espírito
correto para o trabalhador, e se você trabalhar com este espírito, uma calma consa-
gração virá.

1 de Março de 1933

Não se permita ficar ofendido ou desencorajado. Os seres humanos infelizmente


têm o hábito de serem rudes uns com os outros. Mas, se você realizar o seu trabalho
com toda sinceridade, a Mãe ficará satisfeita e todo o resto virá mais tarde.

15 de Outubro de 1933

Sim, esta é a coisa mais importante – superar o ego, a raiva, as antipatias pes-
soais, as suscetibilidades do amor-próprio, etc. O trabalho não é apenas pelo próprio
trabalho, mas um campo de Sadhana, destinado a eliminar a personalidade inferior e
suas reações, e conquistar uma completa auto-entrega ao Divino. Quanto ao trabalho
em si mesmo, ele deve ser feito de acordo com a organização realizada pela Mãe ou
sancionada por ela. Você deve se lembrar sempre de que o trabalho pertence a ela e
não a você pessoalmente.

23 de Março de 1935

Eu posso apenas repetir o que já escrevi, sempre que tais circunstâncias e senti-
mentos o acometem. Abandonar o trabalho não é a solução; é através do trabalho
que se pode detectar e progressivamente eliminar os sentimentos e movimentos que
são contrários ao ideal Yóguico, e que pertencem ao ego.

O trabalho deve ser realizado para a Mãe e não para si mesmo, é desta maneira
que se promove o crescimento do ser psíquico e se supera o ego. O teste é realizar o
trabalho dado pela Mãe sem abhimana, insistência ou escolha pessoal, sem visar o
Força e Capacidade no Trabalho 61

prestígio e ficar ofendido por qualquer coisa que afete o orgulho, o amor-próprio ou
a preferência pessoal.

Trata-se de um grande e elevado ideal que é posto diante do Sadhak através do


trabalho, e não é possível realizá-lo de imediato, mas é possível progredir constan-
temente em direção a ele, se a pessoa mantiver o objetivo sempre diante de si: ser
um instrumento desprovido de ego e perfeitamente temperado para o trabalho da
Mãe Divina.

28 de Setembro de 1935

Fico contente com sua resolução. Quanto maiores as dificuldades que se elevam
no trabalho, mais podemos nos beneficiar com elas aprofundando a igualdade, se o
fizermos no verdadeiro espírito. Você deve também manter-se aberto para receber a
ajuda para isto, pois o auxílio da Mãe virá constantemente para a transformação da
natureza.

29 de Setembro de 1935

Força e Capacidade no Trabalho

Não se deve fazer exigências; o que você recebe livremente da Mãe o auxilia;
aquilo que você exige ou tenta impor a ela, certamente estará privado de sua força.

A Mãe lida com cada pessoa de maneira diferente, de acordo com sua verdadeira
necessidade (não o que a pessoa imagina ser sua necessidade), seu progresso na
Sadhana e sua natureza.

Para você, o meio mais efetivo de obter a força de que precisa, seria realizar o
trabalho de forma consciente e meticulosa, não deixando que nada interfira com sua
perfeita execução. Se você fizesse isto, abrindo-se ao mesmo tempo à Mãe em seu
trabalho, receberia de maneira mais constante a graça e sentiria sua força realizando
o trabalho através de você; então, seria capaz de viver constantemente com a per-
cepção de sua presença. Se, pelo contrário, você permitir que suas fantasias ou dese-
jos interfiram em seu trabalho ou for descuidado e negligente, interromperá o fluxo
de sua graça e abrirá espaço para que o sofrimento, a inquietude e outras forças
estranhas entrem em você. Yoga através do trabalho é o caminho mais fácil e mais
efetivo para entrar no curso desta Sadhana.

8 de Março de 1930
62 O Trabalho para a Mãe

Apague a marca do ego do coração e deixe que o amor da Mãe tome seu lugar.
Elimine da mente toda insistência em suas ideias e julgamentos pessoais, então você
terá a sabedoria para compreendê-la. Não permita que haja nenhuma obstinação
egoística, nenhum impulso do ego na ação, amor à autoridade pessoal e apego à pre-
ferência pessoal, então a força da Mãe será capaz de agir claramente em seu ser, e
você obterá a inexaurível energia que pede e seu serviço será perfeito.

27 de Novembro de 1940

Mesmo o trabalho mais puramente físico e mecânico não pode ser feito adequa-
damente se a pessoa aceita a incapacidade, a inércia e a passividade. O remédio é
não se confinar a um trabalho mecânico, mas rejeitar e lançar fora a incapacidade, a
passividade, a inércia, e abrir-se à força da Mãe. Se a vaidade, a ambição e o amor-
próprio obstruírem seu caminho, rejeite-os de você. Você não eliminará essas coisas
simplesmente esperando que elas desapareçam. Se você simplesmente espera que
as coisas aconteçam, não há nenhuma razão em absoluto para que elas aconteçam.
Se a incapacidade e a fraqueza se opõem, ainda assim, à medida que a pessoa se abra
verdadeiramente e cada vez mais para a força da Mãe, a força e a capacidade neces-
sárias para o trabalho serão dadas e crescerão no adhara.

Na condição normal do corpo, se você o obriga a trabalhar em excesso, ele pode


fazê-lo com o apoio da força vital. Mas, assim que o trabalho esteja terminado, a for-
ça vital se retira e então o corpo sente a fadiga. Se isto for feito muito frequentemen-
te e por muito tempo, pode haver um colapso da saúde e da força pelo excesso de
esforço. Precisa-se de descanso para a recuperação.

Contudo, se a mente e o vital adquirem o hábito de se abrir à Força da Mãe,


então eles são sustentados pela Força e podem inclusive ser inteiramente preenchi-
dos por ela – a Força realiza o trabalho e o corpo não sente nenhuma tensão ou fadi-
ga, antes ou depois. Mas, mesmo assim, a menos que o próprio corpo esteja aberto e
possa absorver e manter a Força, é absolutamente necessário que haja um descanso
suficiente nos intervalos do trabalho. Do contrário, embora o corpo possa continuar
por muito tempo, no entanto, pode haver no fim o perigo de um colapso.

O corpo pode ser sustentado por um longo tempo quando há uma influência ple-
na, e a fé e o chamado são absolutamente sinceros na mente e no vital; porém, se a
mente ou o vital se acha perturbado por outras influências ou se abre a forças que
Trabalho e Meditação 63

não pertençam à Mãe, então se produzirá uma condição mesclada e por vezes haverá
força, por vezes fadiga, exaustão ou doença, ou uma mistura das duas ao mesmo
tempo.

Por fim, se não apenas a mente e o vital, mas o corpo também está aberto e pode
absorver a Força, ele pode fazer coisas extraordinárias em relação ao trabalho sem
sucumbir ao cansaço. Todavia, mesmo assim o descanso é necessário. É por isso que
insistimos com aqueles que têm o impulso para o trabalho, para que mantenham um
equilíbrio apropriado entre o repouso e o labor.

Uma completa liberdade da fadiga é possível, mas isto só ocorre quando há uma
completa transformação da lei do corpo com a plena descida de uma Força supra-
mental na natureza da terra.

Não tenha medo da energia vital em atividade. A energia vital é uma inestimável
dádiva de Deus, sem a qual nada pode ser feito – como a Mãe tem sempre insistido
desde o início; ela é concedida para que o trabalho de Deus possa ser realizado.
Estou muito contente que ela tenha retornado, e com ela a alegria e o otimismo. É
assim que deve ser.

Trabalho e Meditação

Recolher-se inteiramente no interior a fim de ter experiências e negligenciar o


trabalho, a consciência externa, é ser desequilibrado, unilateral na Sadhana – pois
nosso Yoga é integral; da mesma forma, lançar-se no exterior e viver apenas no ser
externo é ser desequilibrado e unilateral na Sadhana. A pessoa deve ter a mesma
consciência na experiência interior e na ação externa, e fazer com que ambas este-
jam preenchidas pela Mãe.

A Mãe não acha que seja bom abandonar todo trabalho e apenas ler e meditar. O
trabalho é parte do Yoga e proporciona a melhor oportunidade para invocar a Pre-
sença, a Luz e o Poder para o vital e suas atividades; ele amplia também o campo e a
oportunidade de auto-entrega.

Lembrar-se que o trabalho pertence à Mãe – e os resultados também – não é o


bastante. Você deve aprender a sentir as forças da Mãe por trás de você e abrir-se à
inspiração e à orientação. Lembrar-se constantemente por meio do esforço da mente
64 O Trabalho para a Mãe

é muito difícil; mas, se você se estabelecer na consciência na qual sinta continuamen-


te a força da Mãe em você ou sustentando-o, esta é a coisa verdadeira.

18 de Agosto de 1932

Quanto à sadhana, suponho que você queira dizer com isto algum tipo de exercí-
cio de concentração, etc. Pois o trabalho também é sadhana, se realizado com a ati-
tude e o espírito corretos. A sadhana de concentração interior consiste em:

1. Fixar a consciência no coração e concentrar-se ali na idéia, na imagem ou no


nome da Mãe Divina, o que for mais fácil para você.
2. Um gradual e progressivo aquietar da mente por meio desta concentração no
coração.
3. Uma aspiração pela presença da Mãe no coração e para que Ela governe a
mente, a vida e ação.

Mas, para aquietar a mente e obter experiência espiritual é necessário primeiro


purificar e preparar a natureza. Às vezes, isto leva muitos anos. Trabalho realizado
com a atitude correta é o meio mais fácil para isto – ou seja, trabalho realizado sem
desejo ou ego, rejeitando todos os movimentos de desejo, de exigência ou do ego,
quando surgirem, realizado como uma oferenda à Mãe Divina, lembrando-se dela e
orando para que Ela manifeste Sua força e assuma a ação, de modo que ali também,
e não apenas no silêncio interior, você possa sentir Sua presença e Sua atividade.

X diz que ele não pode sentir sua presença durante o trabalho da mesma maneira
que sente durante a meditação. Ele não compreende como o trabalho pode ajudá-lo.

Ele deve aprender a consagrar seu trabalho e sentir o poder da Mãe atuando
através do trabalho. Uma realização puramente subjetiva e sedentária é apenas meia
realização.

23 de Janeiro de 1934

*
Trabalho e Meditação 65

Durante a meditação, sinto uma espécie de unidade com a consciência da Mãe;


mas, nestes últimos dias não me é possível entrar em meditação profunda de modo
algum. Não é possível ter este sentimento de unidade sem meditar?

O mais importante é a mudança da consciência, da qual este sentimento de uni-


dade faz parte. Mergulhar profundamente em meditação é apenas um meio, e nem
sempre é necessário se as grandes experiências vêm facilmente sem isto.

8 de Abril de 1934

O trabalho realizado para a Mãe com a concentração correta nela, é também


uma Sadhana, tanto quanto a meditação e as experiências interiores.

Aqueles que trabalham para a Mãe com toda sinceridade, são preparados pelo
próprio trabalho para a consciência verdadeira, mesmo que não se sentem para
meditar ou sigam qualquer prática particular de Yoga. Não é necessário dizer-lhe
como meditar; o que quer que seja necessário virá por si mesmo, se em seu trabalho
e a todo momento você for sincero e mantiver-se aberto à Mãe.
66

9. O AUXÍLIO DA MÃE
Ritmos imortais regiam-Lhe os passos nascidos no tempo;

Seu olhar e Seu sorriso despertavam, mesmo nas coisas da terra,

Sentimentos celestiais, e Seu intenso deleite

Derramava sobre a vida dos homens uma grandiosa beleza.

Uma vasta autodoação constituía Seu ato natural;

Com a magnanimidade do oceano ou do firmamento,

Envolvia com Sua grandeza a todos que se aproximassem,

Transmitindo a percepção como de um mundo tornado maior;

Um doce e ameno sol era Sua generosa solicitude,

Sua intensa paixão um contrapeso para o céu azul.

Semelhante a uma alma que voasse, como pássaro caçado,

A fugir com asas cansadas de um mundo de tormentas,

E um lugar de descanso alcançasse, qual saudoso seio,

Neste porto de salvação de esplêndido e suave repouso

Podia-se sorver novamente a vida em torrentes de ígneo mel,

Reaver o perdido hábito da felicidade,

Sentir a gloriosa ambiência de Sua radiante natureza,

E ornar com Seu ardor e colorido as plumagens da alegria.

Abismo de compaixão, silencioso santuário,

Seu auxílio interior podia abrir uma porta no céu;

Nela o amor era mais amplo do que o universo,

Em Seu coração o mundo inteiro podia encontrar refúgio.


Capacidade Pessoal e Progresso 67

Capacidade Pessoal e Progresso

Uma vez que se tenha entrado no caminho do Yoga, só há uma coisa a fazer,
tomar a firme resolução de ir até o fim, aconteça o que acontecer, sejam quais forem
as dificuldades que se apresentem. Na verdade, ninguém obtém a realização no Yoga
por sua própria capacidade: é por meio da Força mais poderosa que se encontra aci-
ma de você que ela virá, é pelo chamado – persistente através de todas as vicissitu-
des – a esta Força, que a realização virá. Mesmo quando não puder aspirar ativamen-
te, mantenha-se voltado para a Mãe, para que o auxílio venha – esta é a única coisa a
se fazer sempre.

3 de Janeiro de 1934

Seja rápido ou lento o progresso, a atitude deveria ser sempre de plena fé e con-
fiança na Mãe; assim como você não pensa que o progresso foi resultado de seu pró-
prio esforço ou mérito, mas de sua tomada da atitude correta de confiança e do tra-
balho da Força da Mãe, assim você não deveria achar que qualquer lentidão ou difi-
culdade foi devido a seu próprio demérito, mas procure apenas manter esta atitude
de confiança e deixe que Força da Mãe trabalhe – lenta ou rapidamente, não impor-
ta.

14 de Novembro de 1935

Sempre houve uma excessiva confiança na ação de sua própria mente e de sua
vontade – é por isso que você não progride. Se você pudesse criar o hábito de uma
silenciosa confiança no poder da Mãe – não apenas chamá-lo para sustentar o seu
próprio esforço – o obstáculo diminuiria e eventualmente desapareceria.

Não é por sua própria força ou suas boas qualidades que uma pessoa pode alcan-
çar a transformação divina; existem apenas duas coisas importantes: a força da Mãe
em ação e a vontade do Sadhak de se abrir a ela e confiar em Seu trabalho. Mante-
nha sua vontade e sua confiança, e não se importe de modo algum com o resto – são
apenas dificuldades que todos enfrentam em sua Sadhana.

13 de Maio de 1936

*
68 O Auxílio da Mãe

O que se precisa é de perseverança – seguir em frente sem se desencorajar,


reconhecendo que é o processo da natureza e que a ação da força da Mãe está traba-
lhando até mesmo através da dificuldade e fará tudo o que for necessário. Nossa
incapacidade não importa – não há nenhum ser humano que não seja incapaz nas
partes de sua natureza – mas a Força Divina também está presente. Se a pessoa colo-
car sua confiança nela, a incapacidade será transformada em capacidade. Então, a
própria dificuldade e a luta se tornam um meio para alcançar a realização.

27 de Maio de 1936

Desencorajamento, Desânimo, Depressão

Não se permita ficar perturbado ou desencorajado por quaisquer dificuldades,


mas abra-se, calma e simplesmente, à força da Mãe e deixe que ela o transforme.

Esse tipo de sofrimento e desânimo são os piores obstáculos que a pessoa pode
elevar na Sadhana – você não deve admiti-los. O que você não puder fazer por si
mesmo, pode conseguir que seja realizado chamando a força da Mãe. Recebê-la e
deixá-la trabalhar em você é o verdadeiro meio de obter sucesso na Sadhana.

Não ficar perturbado, permanecer calmo e confiante é a atitude correta, mas é


necessário também receber a ajuda da Mãe e não se afastar por nenhum motivo de
Sua solicitude. Não se deve admitir ideias de incapacidade, inabilidade para respon-
der, dando muita ênfase aos defeitos e fracassos, nem permitir que a mente fique
sofrendo ou envergonhada por causa deles; pois tais ideias e sentimentos tornam-se
no fim coisas que enfraquecem. Se existirem dificuldades, faltas ou fracassos, a pes-
soa deve olhar para eles calmamente e invocar com tranquilidade e persistência o
auxílio Divino para que sejam removidos, sem se permitir ficar perturbada, aflita ou
desanimada. O Yoga não é um caminho fácil e a transformação total da natureza não
pode ser feita em um dia.

Tudo isto não tem nenhuma utilidade – lamentos, questionamentos, etc. desse
tipo devem ser postos de lado. Você deve seguir em frente calmamente, sem depres-
são ou distúrbio, recebendo as forças da Mãe, permitindo que elas trabalhem, rejei-
Obstáculos, Erros e Quedas 69

tando tudo o que possa impedi-las, mas sem se perturbar pela dificuldade ou pelos
defeitos em si mesmo, ou por qualquer demora ou lentidão neste trabalho.

25 de Outubro de 1933

Se a meditação produz dor de cabeça, você não deve meditar. É um engano pen-
sar que a meditação é indispensável para a Sadhana. Há um grande número de pes-
soas que não a praticam, mas que estão próximas da Mãe e progridem da mesma
forma que aquelas que fazem longas meditações.

A única coisa necessária é estar voltado para a Mãe e isto é tudo de que se neces-
sita. Não tenha medo ou fique triste, mas deixe que a Mãe realize tranquilamente o
seu trabalho em você e através de você, e tudo ficará bem.

16 de Março de 1935

Não há nenhum motivo para ficar desanimado. Três anos não é muito para a pre-
paração da natureza, e é geralmente através de flutuações que ela gradualmente se
aproxima do ponto onde um progresso contínuo se torna possível. Você deve aderir
firmemente à fé no trabalho da Mãe por trás de todas as aparências, então descobri-
rá que isto o conduzirá através de tudo.

31 de Agosto de 1935

Jamais permita que essas ideias surjam e o atormentem: “Eu não sou capaz”,
“Não estou fazendo o bastante”; são sugestões tamásicas e trazem depressão, e a
depressão abre caminho para os ataques das forças erradas. Sua atitude deveria ser:
“Farei o que for possível; a força da Mãe está presente, o Divino está presente para
providenciar que em seu devido tempo tudo será realizado.”

4 de Novembro de 1935

Obstáculos, Erros e Quedas

O auxílio da Mãe está sempre presente, mas você não está consciente dele, exce-
to quando o psíquico se encontra ativo e a consciência não está obscurecida. O sur-
gimento de sugestões não é uma prova de que a ajuda não está presente. Sugestões
vêm a todos, mesmo aos melhores Sadhaks ou aos Avataras – como vieram a Buddha
70 O Auxílio da Mãe

ou a Cristo. Os obstáculos existem, eles são parte da Natureza e devem ser supera-
dos. O que se deve conseguir é não aceitar as sugestões, não admiti-las como verda-
deiras ou como seus próprios pensamentos, considerá-las como são de fato e man-
ter-se separado. Os obstáculos devem ser considerados como algo de errado no
mecanismo da natureza humana que deve ser transformado – eles não devem ser
considerados como pecados ou atos errôneos que fazem com que a pessoa se deses-
pere consigo mesma ou com a Sadhana.

Todas as faltas e erros são redimidos pelo arrependimento. Confiança na Mãe,


auto-entrega à Mãe: se você incrementar tais coisas, elas produzirão a mudança na
natureza.

Não se preocupe com a pureza do corpo. O amor da Mãe purifica tanto o coração
como o corpo; se a aspiração da alma está presente, o corpo também é puro. O que
aconteceu no passado não tem a mínima importância.

A Mãe nunca pensa sobre dificuldades futuras, quedas ou perigos. Sua concen-
tração é sempre no amor e na luz, e não em dificuldades e quedas.

Consinta em Mudar

Aqueles que não são sinceros não podem se beneficiar do auxílio da Mãe, pois
eles mesmos o repelem. A menos que mudem, eles não podem esperar que haja a
descida da Luz e da Verdade supramentais no vital inferior e na natureza física; per-
manecem atolados na lama criada por eles próprios e não podem progredir.

Novembro de 1928

A ajuda da Mãe está sempre presente para aqueles que queiram recebê-la.
Porém, você deve ser consciente de sua natureza vital, e a natureza vital deve con-
sentir em mudar. De nada adianta simplesmente observar que ela está de má vonta-
de e quando contrariada gera depressão em você. A princípio, a natureza vital não
quer mudar nunca e toda vez que é contrariada ou chamada a mudar, ela cria essa
depressão por sua revolta ou recusa em consentir. Você deve insistir até que ela
reconheça a verdade e passe a querer ser transformada e aceitar o auxílio e a graça
Abra-se e Chame a Mãe 71

da Mãe. Se a mente for sincera e a aspiração psíquica completa e verdadeira, sempre


será possível fazer o vital mudar.

15 de Julho de 1932

É esta idéia de que você é incapaz, porque o vital consente com o movimento
errado, que constitui um obstáculo no caminho. Você deve colocar sua vontade inte-
rior e a luz da Mãe sobre o vital de maneira que ele venha a mudar, e não deixá-lo
fazer o que quiser. Se a pessoa se tornar “incapaz” e movida por qualquer parte do
ser instrumental, como a mudança é possível? A força da Mãe ou o psíquico podem
agir, mas com a condição de que haja o consentimento do ser. Se você permitir que o
vital aja como quiser, ele sempre irá atrás de seus velhos hábitos; deve-se fazer com
que ele sinta que deve mudar.

De agora em diante, ponha o aviso da Mãe na porta de seu ser vital: “Nenhuma
falsidade jamais voltará a entrar aqui”, e coloque uma sentinela ali para garantir que
ele seja cumprido.

18 de Maio de 1933

Abra-se e Chame a Mãe

Por mais poderoso que seja o ataque, e mesmo que ele o domine por algum tem-
po, no entanto, ele passará rapidamente se você tiver formado o hábito de se abrir à
Mãe. A paz retornará se você permanecer tranquilo e se mantiver aberto a ela e à
Força. Uma vez que algo da Verdade tenha se revelado dentro de você, mesmo que
seja amplamente obscurecido por algum tempo com os movimentos errados, isto
sempre voltará a brilhar como o sol no firmamento. Portanto, persevere com con-
fiança e nunca perca a coragem.

14 de Março de 1932

Você não deve ficar perturbado por causa dessas pequenas coisas. Quando esses
movimentos dos quais reclama surgirem, se você permanecer tranquilo, abrir-se à
Mãe e chamá-la, depois de algum tempo, perceberá que uma mudança começará o
72 O Auxílio da Mãe

ocorrer em você. A meditação não é suficiente para isto; pense na Mãe e ofereça-lhe
seu trabalho e sua ação; isto o ajudará melhor.

7 de Abril de 1932

Muitas pessoas passam por esta condição (é a natureza humana), mas há natu-
ralmente um modo de sair dela: tendo plena fé na Mãe para aquietar a mente inte-
rior (mesmo que a externa continue perturbada) e invocar para o adhara a Paz e a
Força da Mãe, as quais estão sempre ali, acima de você. Uma vez que elas estejam
presentes, conscientemente, manter-se aberto a elas e deixá-las continuar traba-
lhando com uma completa adesão, com o constante apoio de seu consentimento e
uma rejeição consciente de tudo o que seja contrário a isto, até que todo o ser inte-
rior esteja tranquilizado e preenchido com a Força, a Paz, a Alegria e a Presença da
Mãe – então a natureza externa será obrigada a seguir o mesmo caminho.

8 de Maio de 1933

Se você não pode exercer sua vontade, só há um meio: chamar a Força; mesmo o
chamado feito apenas com a mente ou com a palavra mental é melhor do que ser
extremamente passivo e ficar sujeito ao ataque – pois embora isto possa não produ-
zir efeito imediatamente, mesmo o chamado mental acaba por trazer a Força e abrir
a consciência novamente. Pois tudo depende disto. A obscuridade e o sofrimento
sempre podem estar presentes na consciência exteriorizada; quanto mais a consciên-
cia interiorizada predominar, mais essas coisas são repelidas e expulsas, e com a
consciência plenamente interiorizada, elas não podem permanecer – se vierem,
serão como toques externos, incapazes de se alojarem no ser.

21 de Agosto de 1933

Chamar constantemente a Mãe é a coisa mais importante, e com isto aspirar e


aderir à Luz quando ela vier, rejeitar e separar-se do desejo e de todo movimento
obscuro. Mas, se você não puder fazer estas outras coisas com êxito, então chame e
continue a chamar.

A força da Mãe está presente junto a você mesmo quando não puder senti-la;
permaneça tranquilo e persevere.

15 de setembro de 1934
Abra-se e Chame a Mãe 73

A experiência que você teve do poder do Nome e da proteção, é a de todos aque-


les que o usaram com a mesma fé e confiança. A proteção não pode faltar para aque-
les que a invocam com o coração. Não deixe que nenhuma circunstância externa aba-
le sua fé; pois nada proporciona uma força maior do que esta fé para seguir em fren-
te e alcançar a meta. Conhecimento e Tapasya, seja qual for a sua força, possuem um
poder sustentador menor – a fé é o mais poderoso apoio para a jornada.

A proteção e o vigilante amor da Mãe estão presentes acima de você. Confie


neles e deixe que o seu ser se abra cada vez mais a eles – então eles repelirão os ata-
ques e o sustentarão sempre.

8 de Outubro de 1936

Trata-se de uma obsessão do físico subconsciente trazendo de volta seus pensa-


mentos habituais: “Eu não posso chamar corretamente – não tenho nenhuma aspira-
ção verdadeira, etc.”; a depressão, a lembrança, etc. têm a mesma origem. Não há
nenhuma utilidade em admitir tais ideias. Se você não pode chamar a Mãe da manei-
ra que acha correta, chame-a de qualquer modo – se não puder chamá-la, pense nela
com a vontade de se livrar dessas coisas. Não se atormente pensando se tem ou não
uma aspiração verdadeira – o ser psíquico o quer e isto é suficiente. O resto cabe à
Graça Divina, na qual a pessoa deve confiar firmemente – nosso próprio mérito, vir-
tude ou capacidade não é aquilo que traz a realização.

4 de Janeiro de 1937
74

10. VOLTE-SE APENAS PARA A MÃE

Um dia, tudo aqui será a morada de Sua doçura,

Todos os contrários preparam Sua harmonia;

Para Ela nosso conhecimento se eleva, por Ela busca nossa paixão;

Em Seu miraculoso arrebatamento habitaremos,

Seu abraço transformará nossa dor em êxtase.

Através dela, nosso ser será um só com todos os seres.

Nela confirmada, porque nela transformada,

Nossa vida encontrará na plenitude de sua resposta,

Acima, as ilimitadas e silentes beatitudes,

Embaixo, a maravilha do abraço divino.

Tendo conhecido isto, como num relâmpago trovejante de Deus,

O encanto das coisas eternas preencheu-lhe os membros;

O assombro se abateu sobre seus arrebatados sentidos;

Seu espírito foi capturado por Sua intolerante Chama.

Uma vez que A contemplou, seu coração só a Ela conhece.

Apenas um anseio de infinita felicidade restou.

Todas as metas Nela se perderam, e Nela foram reencontradas;

Concentrada, sua base elevou-se como um afilado pináculo.

Savitri, III.2
Aprenda a Viver Interiormente 75

Aprenda a Viver Interiormente

Você deve aprender a viver em si mesmo com a Mãe, em contato com Sua cons-
ciência, e relacionar-se com os outros apenas com sua consciência externa.

9 de Abril de 1933

Você deve recolher-se mais firmemente no interior. Se você se dispersa constan-


temente e sai do círculo interno, você se moverá continuamente em meio às triviali-
dades da natureza externa comum e sob as influências às quais ela está aberta.
Aprenda a viver no interior, a agir sempre a partir do interior, de uma constante
comunhão com a Mãe. Pode ser difícil a princípio fazer isto sempre e de forma com-
pleta, mas pode ser feito se a pessoa persistir nisto, e é a este preço, aprendendo a
fazê-lo, que ela pode conquistar o Siddhi no Yoga.

5 de Junho de 1934

Quando não há nenhum apego a coisas externas por sua própria causa, quando
tudo se destina apenas à Mãe e a vida através do ser psíquico interior está centrada
nela, é que se cria a melhor condição para a realização espiritual.

11 de Novembro de 1935

O que você deve fazer é permanecer voltado apenas para a Mãe e, confiando
nela, seguir em frente tranquilamente com seu trabalho e sua Sadhana até que che-
gue o tempo em que os Sadhaks estejam suficientemente despertos e mudados para
sentir a necessidade de uma maior harmonia e união uns com os outros. Importe-se
apenas com sua própria mudança e progresso espiritual, e para isto confie plenamen-
te na força da Mãe e em sua graça, pois elas estão com você – não deixe que as coi-
sas ou as pessoas o perturbem – pois, comparadas com a verdade interior e a jornada
rumo à plena Luz da Consciência da Mãe, essas coisas não possuem nenhuma impor-
tância.

6 de Dezembro de 1935

*
76 Volte-se Apenas para a Mãe

Se é dessa maneira, deve ser provavelmente porque você está vivendo exterior-
mente, permitindo-se ficar perturbado com os contatos externos. A pessoa não pode
encontrar felicidade de natureza permanente a menos que ela viva no interior. O tra-
balho, a ação deve ser oferecida à Mãe, realizada para ela apenas, sem nenhum pen-
samento em si mesmo, em suas próprias ideias, preferências, sentimentos, simpatias
e antipatias. Se a pessoa tiver os olhos fixados nestas coisas, então a cada passo ela
provoca um atrito, seja na mente ou no vital, ou, se estes estiverem comparativa-
mente tranquilos, no corpo e nos nervos. Paz e alegria só podem tornar-se perma-
nentes se a pessoa viver interiormente com a Mãe.

2 de Janeiro de 1937

Lembre-se da Mãe e, embora fisicamente distante dela, tente senti-la junto a


você e agir de acordo com o que o seu ser interior lhe diga que seria Sua Vontade.
Então, você será perfeitamente capaz de sentir Sua presença e a minha, e carregar
nossa atmosfera ao seu redor como uma proteção, uma zona de quietude e luz
acompanhando-o por toda parte.

Deixe Tudo nas Mãos da Mãe

Permaneça firme e voltado numa única direção: para a Mãe.

Não fique pensando em suas dificuldades. Entregue-as para a Mãe e deixe que
sua Força as elimine de você.

22 de Março de 1935

Você deve apegar-se firmemente à fé no trabalho da Mãe por trás de todas as


aparências, e então descobrirá que isto o conduzirá através de tudo.

31 de Agosto de 1935

Nada é impossível se a natureza do ser psíquico estiver desperta e conduzindo-o,


tendo a consciência e a força da Mãe por trás dele e trabalhando em você.

19 de Outubro de 1935
Deixe Tudo nas Mãos da Mãe 77

Se a pessoa mantiver plena confiança na Mãe e permanecer psiquicamente aber-


ta, então a força da Mãe realizará tudo, e a pessoa deve apenas dar seu consenti-
mento, manter-se aberta e aspirar.

12 de Novembro de 1935

O caminho que você tomou agora – apegar-se à Mãe através de todas as circuns-
tâncias e não deixar nada afastá-lo disso – lhe trará a verdadeira solução das dificul-
dades. Pois parece que o ser psíquico iniciou sua atividade em você.

24 de Dezembro de 1935

A verdadeira atitude é deixar tudo para a Mãe, ter plena confiança nela e deixar
que ela o conduza pelo caminho em direção à meta.

2 de Março de 1936

Esteja certo de que a Mãe sempre estará com você para conduzi-lo no caminho.
As dificuldades vêm e vão, mas, se ela estiver com você, a vitória é certa.

18 de Julho de 1936
78

11. A MÃE, O SI E A ALMA

Como uma energia do Infinito Uno-Trino,

Numa incomensurável Realidade Ela habitava,

Um êxtase, um ser e uma força,

Uma plenitude com miríades de vínculos e movimentos,

Uma unidade virginal, uma luminosa esposa,

Abrigando um inumerável abraço

Para unir a todos no imenso deleite de Deus,

Sustentando a eternidade de cada espírito,

Conduzindo o fardo do amor universal,

Uma maravilhosa mãe de incontáveis almas.

Savitri, IV.2

A tudo Ela podia enfrentar com a poderosa paz do espírito.

Mas, conhecendo a árdua labuta da mente e da vida

Qual mãe que sente e participa da vida de seus filhos,

Ela projeta uma pequena porção de Si mesma,

Um ser não maior do que o polegar de um homem,

Em uma secreta região do coração,

Para fazer face à angústia e esquecer a felicidade,

Para partilhar o sofrimento, suportar as feridas da terra

E labutar em meio ao labor das estrelas.

Savitri, VII.5
A Mãe Divina 79

A Mãe Divina

A Mãe Divina é a Consciência e a Força do Divino – a qual é a Mãe de todas as


coisas.

A Mãe é a consciência e a força do Divino – ou, pode-se dizer, ela é o Divino em


sua consciência-força.

É um erro identificar a Mãe com a Prakriti inferior e seu mecanismo de forças. A


Prakriti aqui é apenas um mecanismo que foi manifestado para a atividade da Igno-
rância evolucionária. Assim como a mente, o vital ou o físico ignorantes não são em si
mesmos o Divino, embora procedam do Divino – assim o mecanismo da Prakriti não
é a Mãe Divina. Sem dúvida existe algo dela presente nesse mecanismo e por trás
dele, mantendo-o para o propósito evolucionário; porém, o que ela é em si mesma
não é uma Shakti de Avidya, mas a Consciência, o Poder e a Luz Divina, a Para-Prakriti
para a qual nos voltamos em busca da libertação e da realização divina.

O Gita não fala expressamente da Mãe Divina; ele fala sempre de entrega ao
Purushottama – ele a menciona apenas como a Para Prakriti que se torna o Jiva, ou
seja, que manifesta o Divino na multiplicidade e através da qual todos estes mundos
são criados pelo Supremo e Ele próprio desce como o Avatara. O Gita segue a tradi-
ção Vedântica, a qual se inclina inteiramente para o aspecto Ishwara do Divino e fala
pouco da Mãe Divina, porque seu objetivo é retirar-se da natureza do mundo e
alcançar a realização suprema além dela; a tradição Tântrica inclina-se para o aspecto
Shakti ou Ishwari e faz com que tudo dependa da Mãe Divina, porque seu objetivo é
possuir e dominar a natureza do mundo e alcançar a realização suprema através dela.
Este Yoga insiste em ambos os aspectos; a auto-entrega à Mãe Divina é essencial,
pois sem isto não pode haver a realização da meta do Yoga.

Em relação ao Purushottama, a Mãe Divina é a Consciência e o Poder divino e


supremo acima dos mundos, Adya Shakti; ela conduz o Supremo em si mesma e
manifesta o Divino nos mundos através do Akshara e do Kshara. Em relação ao
Akshara, ela é a mesma Para Shakti mantendo o Purusha imóvel em si mesma e tam-
bém ela própria imóvel nele por trás de toda a criação. Em relação ao Kshara, ela é a
Energia cósmica móvel manifestando todos os seres e forças.

*
80 A Mãe, o Si e a Alma

A experiência da Mãe como sendo o Supremo é uma experiência Tântrica – é um


aspecto da Verdade.

Não existem muitas Mães, existe uma Única em muitas formas. A transcendente
é apenas um aspecto da Mãe. Não sei o que quer dizer o aspecto encarnado da Mãe
transcendente. Há o aspecto encarnado da Mãe Única – o que ela manifesta através
dele depende dela.

7 de Julho de 1936

A Mãe e o Si

Você está buscando a realização do Si – mas o que é este Si se não o si da Mãe?


Não existe nenhum outro.

É o Divino que é o Senhor – o Si é inativo, ele é sempre uma testemunha silencio-


sa sustentando todas as coisas – este é o aspecto estático. Há também o aspecto
dinâmico, através do qual o Divino trabalha – por trás dele está a Mãe. Você não
deve perder isto de vista, de que é através da Mãe que todas as coisas são realizadas.

1 de Setembro de 1934

O Si possui dois aspectos, passivo e ativo. No primeiro ele é puro silêncio, ampli-
dão, calma, o Brahman inativo; no segundo, ele é o Espírito Cósmico, universal, não
individual. Podemos sentir nele união ou unidade com a Mãe. Intimidade é um sen-
timento do indivíduo, portanto do ser psíquico.

12 de Outubro de 1934

As experiências [do Si] foram corretas – mas elas proporcionam apenas um lado
da Verdade Divina, aquele que se alcança através da mente superior – o outro lado é
o que se realiza através do coração. Acima da mente superior estas duas verdades
tornam-se uma só. Se a pessoa realiza o Atman silencioso acima, não há nenhum
perigo, mas também não há nenhuma transformação, apenas Moksha, Nirvana. Se a
pessoa realiza o si cósmico, dinâmico e ativo, então ela realiza tudo como o Si, tudo
como eu mesmo, este Si como o Divino, etc. Tudo isto é verdadeiro; todavia, o perigo
A Mãe e o Si 81

é o ego se apossar deste “meu” nesta concepção de que “tudo é eu mesmo”. Pois
este “eu mesmo” não é meu eu pessoal, mas o si de todos, assim como o meu. O
meio de se livrar de tal perigo é lembrar-se de que este Divino é também a Mãe, que
o “eu” pessoal é uma criança da Mãe com a qual eu sou um, embora diferente, Seu
filho, Seu servo, Seu instrumento. Eu disse que você não precisa interromper a reali-
zação do Si como a consciência cósmica, mas deveria lembrar-se ao mesmo tempo de
que tudo isto é a Mãe.

13 de Outubro de 1934

É possível alcançar o conhecimento começando com a experiência de dissolução


no Uno, mas com a condição de que você não pare aí, considerando-a como a Verda-
de suprema, mas siga em frente para realizar o mesmo Uno como a Mãe Suprema, a
Consciência-Força do Eterno. Se, por outro lado, você se aproximar através da Mãe
Suprema, ela lhe concederá também a libertação no Uno silencioso, assim como a
realização do Uno dinâmico, e a partir disso é mais fácil alcançar a Verdade na qual
ambos são um só e inseparáveis. Ao mesmo tempo, uma ponte é construída sobre
abismo criado pela mente entre o Supremo e sua manifestação, deixando de existir
uma fissura na verdade, a qual torna tudo incompreensível.

O que as pessoas querem dizer com o svarupa sem forma da Mãe – elas geral-
mente se referem a Seu aspecto universal. É quando se tem a experiência dela como
uma Existência e um Poder universais espalhados por todo o universo, nos quais e
pelos quais todos vivem. Quando a pessoa sente esta Presença, ela começa a sentir
uma paz, uma luz e um poder universais, uma felicidade sem limites – este é Seu sva-
rupa. Podemos encontrá-lo mais facilmente elevando-nos em consciência acima da
cabeça, onde somos liberados desta consciência física limitada e nos sentimos tam-
bém como algo vasto, calmo, uno em nosso ser com todos os seres – livres da paixão
e da inquietude, em meio a uma paz eterna. Mas isto pode ser sentido através do
coração também – neste caso o coração se sente igualmente tão vasto como o mun-
do, puro e cheio de felicidade, preenchido pela presença da Mãe.

Há também a presença pessoal e individual da Mãe no coração, a qual traz ime-


diatamente amor e Bhakti, e o sentimento de uma íntima proximidade e unidade
pessoal.

9 de Junho de 1935
82 A Mãe, o Si e a Alma

A Mãe e a Alma

Chit Shakti ou Bhagavat Chetana é a Mãe – o Jivatma é uma porção dela, o psí-
quico ou a alma, uma centelha. O ego é um reflexo distorcido do psíquico ou do
Jivatma. Se é isto que você quer dizer, está correto.

É verdade que cada alma na terra é uma porção da Mãe Divina passando através
das experiências da ignorância a fim de alcançar a verdade de seu próprio ser e tor-
nar-se aqui o instrumento de uma Manifestação e de um trabalho Divinos.
83

12. TRADUÇÕES DE CARTAS EM BENGALI


No seio da Natureza a sabedoria da Mãe atua

Para verter o deleite no coração do labor e da necessidade

E compelir os errantes poderes da vida à perfeição,

Impor ao obscuro abismo a percepção celeste

E tornar a embotada matéria consciente de seu Deus.

Embora nossas decaídas mentes se esqueçam de se elevar,

Ainda que nosso estofo humano resista ou se rompa,

Ela mantém Sua vontade, que espera divinizar a argila;

O fracasso não pode impedi-la, a derrota fazê-la cair;

O Tempo não pode fatigá-la, o Vazio subjugá-la,

As eras não diminuíram Sua paixão;

Ela não admite nenhuma vitória da Morte ou do Destino.

Ela sempre conduz a alma a uma nova tentativa;

Sem cessar, Sua mágica infinitude

Força os elementos brutos e inertes a aspirar;

Como alguém que possui todo o infinito para prodigalizar,

Ela espalha a semente da força do Eterno

Numa forma semi-animada que se desagrega,

Planta o deleite do céu na lama apaixonada do coração,

Derrama as buscas da divindade numa simples estrutura animal

E oculta a imortalidade sob a máscara da morte.

Savitri, IV.1
84 Traduções de Cartas em Bengali

Sadhana

Sadhana significa sentir a Mãe próxima e no interior, sentir que a Mãe está
fazendo tudo e receber tudo da Mãe em si mesmo. Estando em tal condição, se a
pessoa dedicar sua atenção aos estudos, não pode haver nenhum mal.

A natureza humana, via de regra, não pode permanecer sempre no interior. Mas,
quando se pode sentir a Mãe em todas condições, no interior e no exterior, esta difi-
culdade deixa de existir. Tente obter tal condição.

Em primeiro lugar, você deve encontrar a Mãe no interior. Posteriormente,


quando o ser externo estiver plenamente controlado, você a sentirá constantemente
ali também.

Não se preocupe por causa disso. Nem sempre é fácil lembrar-se da presença da
Mãe. Quando todo o ser estiver preenchido pela presença da Mãe, então você se
lembrará dela automaticamente e não poderá esquecê-la de maneira alguma.

Sente-se, calmo e silencioso, lembre-se da Mãe e abra-se a ela. Esta é a regra


para a meditação.

Todos têm este tipo de dificuldade. Identificação com a Mãe a todo momento
não pode ser realizada facilmente. Isto é realizado por meio de uma perseverante
prática espiritual.

A pessoa deve praticar a espiritualidade de maneira silenciosa, calma e corajosa,


com a fé constante de que a vitória da Mãe se realizará.

A Consciência da Mãe

A primeira coisa a vir é a paz; a menos que todo o instrumento se torne pleno de
paz, é difícil para o conhecimento descer. Uma vez que a paz esteja estabelecida, a
A Luz da Mãe 85

vasta e infinita consciência da Mãe se manifesta; o ego é submergido nela e final-


mente desaparece sem deixar nenhum vestígio. Nesta infinitude, apenas a Mãe e sua
eterna porção permanecem.

Você deve viver acima, na vastidão que está experimentando, e nas profundezas
interiores, e deve viver nisto apenas; além do mais, você deve trazer esta vastidão
para todas as partes da natureza, mesmo da natureza inferior. Dessa forma, a trans-
formação da natureza inferior e externa pode ser permanentemente estabelecida.
Pois esta vastidão é a infinitude da consciência da Mãe.

Quando a estreita natureza inferior for liberada na vastidão da consciência da


Mãe, então ela será transformada até as próprias raízes.

Seja sempre calmo e deixe que a consciência superior da Mãe desça em você – só
isto transformará sua consciência externa.

A Luz da Mãe

Quando a consciência física se torna predominante, ela encobre tudo o mais e


tenta espalhar-se por todo o ser. Tal estado se produz porque quando a consciência
física se expressa em sua natureza característica, tudo parece ficar tomado pela inér-
cia e pela obscuridade, privado da luz do conhecimento e do impulso da força. Não
dê seu consentimento a essa condição – se ela ocorrer, chame a luz e a força da Mãe
para entrar em sua consciência física e torná-la luminosa e poderosa.

Para eliminar as dificuldades subconscientes, primeiro a pessoa deve reconhecê-


las, em seguida rejeitá-las, e finalmente trazer a luz da Mãe do interior ou do alto
para a consciência do corpo. Então, os movimentos ignorantes do subconsciente
serão expulsos e os movimentos da outra consciência serão estabelecidos. Porém,
não é fácil fazer isto; você deve fazê-lo pacientemente; requer-se uma paciência
resoluta. Confiança na Mãe é o único meio. Contudo, se a pessoa puder permanecer
no interior e manter a visão e a consciência interiores, não haverá muito sofrimento
e labor – mas, nem sempre é possível fazê-lo e é por isso que fé e paciência são espe-
cialmente necessárias.
86 Traduções de Cartas em Bengali

A Mãe já se encontra em seu interior. O trabalho da Shakti está prosseguindo por


trás do véu da natureza física. Por fim, com a Luz da Mãe, o véu se tornará transpa-
rente.

A transformação do físico só se torna possível quando o corpo é preenchido com


a luz da Mãe.

Defeitos e Dificuldades

Não há nenhum sadhak, mesmo sendo ele um filho do Divino, que não possua
numerosos pequenos defeitos em sua natureza. Tão logo se torne consciente deles,
deve rejeitá-los; você deve aspirar mais ardentemente pela Força da Mãe a fim de
que esses pequenos defeitos da natureza possam ser pouco a pouco erradicados;
mas, a fé, a auto-entrega e a confiança na Mãe devem sempre permanecer intactas.
Eliminar esses defeitos inteiramente é uma questão de tempo; você não deve ficar
perturbado por eles existirem.

Nesta sadhana, assim como você eliminou a inquietude, assim também a tristeza
não deve ser admitida. Você deve confiar na Mãe e avançar com um coração imper-
turbável e uma mente calma e alegre. Se você tem plena confiança na Mãe, onde há
lugar para tristeza? A Mãe não está distante, mas constantemente perto de você.
Você deve manter esta fé e este conhecimento.

A pessoa deve sempre manter uma fé absoluta na Mãe, de estar em Suas mãos,
de que tudo será realizado através de Seu poder. Então, o obstáculo não poderá criar
nenhum sofrimento ou desespero.

As dificuldades não têm grande importância. Elas não são nada, senão aquilo que
existe na natureza externa dos seres humanos. Gradualmente, elas serão eliminadas
pela Força da Mãe. Portanto, não há nenhum motivo para ansiedade ou depressão.

*
Defeitos e Dificuldades 87

Não se esqueça do que eu já disse muitas vezes. Pratique sua sadhana de maneira
calma e silenciosa, sem ficar agitado. Então, pouco a pouco tudo se arranjará. Lamen-
tar-se em altos brados não é bom. Chame a Mãe calmamente. Abra-se a Ela. Quanto
mais quieto o vital se tornar, mais firmemente a sadhana prosseguirá sem se desviar.

Lembre-se constantemente da Mãe. Chame-a. Então, as dificuldades desaparece-


rão. Não tenha medo, não fique perturbado pelas dificuldades. Invoque a Mãe persis-
tentemente.

Permaneça sereno e consciente. Chame a Mãe e a boa condição retornará. Reali-


zar uma auto-entrega total leva tempo. Entregue tudo o que ainda resta. Só assim –
repetindo isto constantemente – a entrega se tornará completa.

“Até onde cheguei, até onde deverei ir?” – Tais questões não são de muita valia.
Tendo a Mãe como piloto, navegue em frente. Ela o conduzirá a seu destinado porto.

Esta não é a atitude correta. Sua sadhana não foi arruinada; a Mãe não o aban-
donou; ela não se afastou nem está descontente com você – são imaginações do vital
e não deveriam ser admitidas de modo algum. Mantenha uma confiança simples e
tranquila na Mãe. Sem temer as dificuldades, chame a Força da Mãe. Tudo o que
você recebeu se encontra no interior; haverá certamente um novo progresso.

Quem vai embora? Aqueles que não possuem nenhuma sinceridade, nenhuma fé
e confiança na Mãe, aqueles que consideram sua própria imaginação como algo
superior à vontade da Mãe, estes podem partir. Mas, aquele que busca a Verdade,
que tem fé e confiança, que quer a Mãe, não tem nada a temer; mesmo que hajam
milhares de dificuldades, ele as vencerá; mesmo que ele possua numerosos defeitos
em sua natureza, ele os corrigirá; mesmo que ele caia, ele se erguerá de novo e
finalmente, um dia, ele alcançará a meta de sua sadhana.

De uma coisa você deve sempre se lembrar, de que se for em frente com plena
confiança na Mãe, então, quaisquer que sejam as circunstâncias e dificuldades, por
88 Traduções de Cartas em Bengali

mais longo que seja o tempo necessário, você certamente chegará à meta – nenhum
obstáculo, atraso ou condição adversa pode frustrar o sucesso final.

O Relacionamento com a Mãe

Deve-se manter relação com o mundo externo, mas tudo isto deve permanecer
na parte mais superficial. Você deve viver no interior, próximo da Mãe e observar
tudo a partir dali – é isto que se requer. É o primeiro passo do Karmayoga. Então,
conduzir a partir do interior todo trabalho externo com o auxílio da força da Mãe.
Este é o segundo passo. Se você puder fazer isto, então não terá nenhuma outra difi-
culdade.

É verdade que a Mãe está presente em todos e devemos ter uma relação com
Ela. Porém, não se trata de uma relação humana ou pessoal; é ser uno com Sua vasta
unidade.

Quando a consciência se torna vasta, universal, e vê a Mãe em todo o universo,


então o ego não perdura. Apenas o seu ser verdadeiro, que é um filho e uma porção
da Mãe, repousa em Seus braços.

Uma emanação ou uma parte do ser e da consciência da Mãe é projetada por Ela
para cada sadhak e permanece com ele, como Sua imagem e representante, para
auxiliá-lo. De fato, é a própria Mãe que se projeta nesta forma.

O caminho direto para a verdade está aberto no coração. Tudo o que é oferecido
se eleva para a Mãe e imerge em Sua Verdade e se torna inteiramente verdadeiro.

A Mãe é a meta, tudo se encontra nela; se Ela for alcançada, tudo é alcançado. Se
você habitar em Sua consciência, tudo o mais desabrochará por si mesmo.
89

GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS


Os termos filosóficos e psicológicos neste glossário são definidos quase
inteiramente nas palavras de Sri Aurobindo.

Abertura – a liberação da consciência, por meio da qual ela começa a


admitir em si mesma a atividade da Vida e do Poder Divinos.

Abhimana – amor-próprio, orgulho, especialmente orgulho ferido e res-


sentimento por nos sentirmos maltratados por quem amamos.

Adhar (adhara) – suporte, receptáculo; o sistema mental-vital-físico como


um receptáculo da consciência espiritual.

Adya Shakti – o poder original; a suprema e divina Consciência e Poder


acima dos mundos; a Mãe transcendente.

Akshara – o Akshara Purusha: o Ser Consciente imóvel e imutável.

Alma – a essência psíquica; a essência divina no indivíduo; uma centelha


divina que desce à manifestação para sustentar a evolução do indivíduo.
No curso da evolução, a alma cresce e se desenvolve na forma de uma
personalidade, o ser psíquico. O termo “alma” é frequentemente usado
como sinônimo de “ser psíquico”.

Ananda – felicidade, deleite; o princípio essencial de deleite.

Ashram – a morada ou moradas de um Guru ou Mestre de filosofia espiri-


tual onde ele recebe e abriga aqueles que vêm a ele para o ensinamento e
a prática; uma comunidade espiritual.

Atman – o Si; o Espírito; a natureza original e essencial de nossa existên-


cia; o ser espiritual acima da mente.

Avatar – a encarnação divina; aquele no qual a Consciência Divina se


manifestou para um grande trabalho no mundo; a palavra avatara signifi-
ca descida: é a descida do Divino abaixo da linha que separa o mundo ou
estado divino do humano.

Avidya – ignorância; a Ignorância; a Ignorância da unidade; a consciência


da Multiplicidade.
90 GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS

Bhagavat Chetana – a consciência divina.

Bhakti – amor ao Divino, devoção ao Divino.

Bhava – sentimento,

Brahman – a Realidade, o Eterno, o Infinito, o Absoluto, o Uno além do


qual não há nenhuma outra existência.

Chakras – centros do ser interior; centros de consciência que conectam o


ser interior com a personalidade externa.

Chit Shakti – Consciência-Força.

Consciência – a força auto-consciente da existência. A essência da cons-


ciência é o poder de ser consciente de si mesma e de seus objetos; mas
ela não é apenas um poder de percepção de si e das coisas, ela é ou possui
também uma energia dinâmica e criativa.

Divino, o – O Ser Supremo do qual tudo procede e no qual todos vivem.

Entrega – consagrar tudo em si mesmo ao Divino, oferecer tudo o que se é


e se possui.

Espírito – a Consciência acima da mente, o Atman ou Si universal que é


sempre uno com o Divino.

Essência Psíquica – a alma em sua essência; a essência divina no indiví-


duo. No curso da evolução do indivíduo, a essência psíquica se desenvolve
e toma forma como o ser psíquico.

Físico, o – a consciência física e o corpo físico.

Força, a – a Força Divina, a Energia una que é a única existente e que tor-
na a ação universal ou individual possível, pois esta Força é o próprio Divi-
no no corpo de Seu poder. No indivíduo ela é uma Força para purificação,
iluminação, transformação, para tudo o que deve ser realizado no yoga.

Força Consciente – a divina Força Consciente que constrói os mundos; a


Energia universal que é o Poder do Espírito Cósmico trabalhando a verda-
de cósmica e individual das coisas.
GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS 91

Gita – o Bhagavad Gita, a “canção do Bem-Aventurado Senhor”, constituí-


do dos ensinamentos espirituais de Sri Krishna transmitidos oralmente a
Arjuna no campo de batalha de Kurukshetra.

Graça, a – a Graça Divina, o auxílio de uma Força Divina transcendente


que é superior à força do Karma, a qual pode elevar o sadhak além das
presentes possibilidades de sua natureza.

Ignorância, a – Avidya, a ignorância da unidade; a consciência separativa e


a mente e a vida egoísticas que dela derivam; a consciência da divisão dos
Muitos, separados do conhecimento unificador da Realidade Única.

Ishwara – o Senhor, o Mestre; o Ser Divino.

Ishwara-Shakti – o Ser Divino e o Poder Divino ativos; o princípio dual do


Senhor (Ishwara) e seu Poder executivo (Shakti).

Ishwari – o Poder executivo do Ishwara.

Jiva – ver Jivatman

Jivatman (ou Jivatma) – o Si individual; o si ou espírito individualizado do


ser criado; o Espírito individualizado que sustenta o ser vivo em sua evolu-
ção de vida em vida.

Karmayoga – o yoga das obras (realizadas sem desejo).

Kshara – o Kshara Purusha: o Ser Consciente móvel, mutável.

Kundalini Shakti – o Poder do Yoga figurado como uma serpente que


normalmente se acha enrolada e adormecida no centro de consciência
mais inferior da coluna vertebral.

Mãe, a – a Mãe Divina, a consciência e a força do Divino; o Divino em sua


consciência-força. A Mãe é a Força Consciente divina que domina toda a
existência, sustentando a nós e ao universo.

Mahashakti – a grande Shakti, a Mãe universal.

Mantra – palavras ou sons estabelecidos que possuem um significado ou


poder espiritual; sílaba ou nome sagrado, fórmula mística.

Moksha – liberação, libertação espiritual.


92 GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS

Natureza – Prakriti, o aspecto externo ou executivo da Força Consciente


que forma e movimenta os mundos. A Natureza superior ou divina (Para
Prakriti) é livre de ignorância e de suas consequências; a Natureza inferior
(Prakriti) é um mecanismo de Força ativa manifestado para o trabalho da
Ignorância evolucionária.

Nirvana – extinção, não de todo o ser, mas do ser como nós o conhece-
mos, extinção do ego, do desejo, da ação e da mentalidade egoísticas.

Para Prakriti – a Natureza suprema.

Prakriti – a Natureza; a Força-Natureza; o aspecto externo ou executivo da


Força Consciente.

Presença, a – o sentimento e a percepção do Divino como um ser, sentido


como presente em nossa existência e em nossa consciência ou em relação
a elas.

Psíquico – da alma ou relacionado à alma (enquanto distinta da mente e


do vital). Usado no sentido da palavra grega “psyche”, significando “alma”,
o termo “psíquico” se refere a todos os movimentos e experiências da
alma, aqueles que se elevam ou tocam diretamente o ser psíquico.

Psíquico, o – o ser psíquico; a essência psíquica; a alma.

Ser Interior – a mente, o vital e o físico interiores, com o psíquico por trás,
como o mais profundo.

Ser Psíquico – a alma evolucionária do indivíduo, a porção divina nele que


se desenvolve de vida em vida, crescendo por meio de suas experiências
até que se torne um ser plenamente consciente. De seu lugar, por trás do
centro do coração, o ser psíquico sustenta a mente, a vida e o corpo, auxi-
liando o seu crescimento e desenvolvimento. O termo “alma” é usado fre-
quentemente como um sinônimo do ser psíquico, mas estritamente falan-
do existe uma diferença: a alma é a essência psíquica, o ser psíquico é a
personalidade da alma projetada e desenvolvida pela essência psíquica
para representá-la na evolução.

Purna Yoga – o Yoga integral (Purna) de Sri Aurobindo e da Mãe.

Purusha – Ser Consciente; o Ser essencial sustentando o jogo da Prakriti


(Natureza); a Pessoa verdadeira ou espiritual.
GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS 93

Purushottama – a Pessoa suprema e divina; o Ser Supremo que é superior


ao Ser mutável e ao Imutável.

Rajásico – da natureza de rajas, a qualidade da Natureza que energiza e


conduz a ação. Rajas é a qualidade de ação, paixão e luta impelida pela
natureza e pelo instinto.

Sachchidananda – o Ser Divino uno com um aspecto triplo de Existência


(Sat), Consciência (Chit) e Deleite (Ananda).

Sadhak – aquele que pratica uma disciplina espiritual; alguém que está
obtendo ou buscando obter a realização espiritual.

Sadhana – prática ou disciplina espiritual; a prática do Yoga.

Samsara – o mundo; a vida comum da Ignorância.

Sankalpa – resolução.

Sannyasi – aquele que renunciou ao mundo e à ação; um asceta.

Sanskara – impressão, noção estabelecida, reação habitual formada pelo


passado da pessoa.

Sáttwico – da natureza de sattwa, a qualidade da Natureza que ilumina e


esclarece. Sattwa é a qualidade de luz, harmonia, pureza e paz.

Shakti – Força, Poder; o Poder Divino; o Poder da Mãe Divina.

Si – o Atman, o Espírito universal, o Ser auto-existente, a Existência cons-


ciente essencial, o uno em tudo. O Si é o ser e não um ser; é a natureza
original e essencial de nossa existência.

Siddhi – perfeição, sucesso, realização dos objetivos do Yoga.

Supramente – o Supramental, a Consciência-da-Verdade, a consciência e a


força divina mais elevada operante no universo. Um princípio de consciên-
cia superior ao mental, ela existe, atua e trabalha na verdade e na unidade
fundamentais das coisas e não como a mente em suas aparências e divi-
sões fenomenais.

Supramental – relacionado à Supramente.

Svarupa – forma própria, forma verdadeira, forma ou imagem essencial.


94 GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SÂNSCRITO E OUTROS

Tamásico – de ou relacionado a tamas, a qualidade da Natureza que vela


ou obscurece; a qualidade de ignorância, inércia e obscuridade, de incapa-
cidade e inação.

Tantra – um sistema yóguico baseado no princípio de Consciência-Força


(concebida como a Mãe Divina) como sendo a Realidade Suprema; seu
método de disciplina é elevar a Natureza do homem ao poder manifesto
do Espírito.

Tantras – as escrituras do Tantra.

Tântrico – relacionado ao Tantra.

Tapaswi – alguém que pratica Tapasya.

Tapasya – esforço, energia, austeridade da vontade pessoal; concentração


da vontade e da energia para controlar a mente, o vital e o físico a fim de
transformá-los ou trazer para baixo a consciência superior ou para qual-
quer outro propósito yóguico ou superior.

Upadesha – instrução, ensinamento.

Vedanta – um sistema de filosofia e disciplina espiritual baseado nos Upa-


nishads que ensina o conhecimento mais elevado do Absoluto.

Vedântico – relacionado à Vedanta.

Vital – a natureza-de-vida constituída de desejos, sensações, sentimentos,


paixões, energias de ação, vontade de desejo, reações da alma-de-desejo
do homem e de todo o jogo de instintos possessivos e outros relaciona-
dos, de raiva, cobiça, luxúria, etc. que pertencem a este campo da nature-
za.

Yoga – ligação, união; união com o Divino e a busca consciente dessa


união. Em essência, o Yoga é a união da alma com o ser imortal, a cons-
ciência e a beatitude do Divino, efetuada através da natureza humana e
cujo resultado é o desenvolvimento rumo à natureza divina do ser.

Yoga Integral – uma união (yoga) em todas as partes de nosso ser com o
Divino e a consequente transmutação de todos os seus elementos agora
discordantes na harmonia de uma consciência e de uma existência divinas
mais elevadas. O Yoga de Sri Aurobindo e da Mãe é conhecido como Yoga
Integral.
REFERÊNCIAS DOS TEXTOS NO LIVRO 95

Yoga-Shakti – força yóguica, força espiritual.

Yogue – aquele que pratica Yoga, mas especialmente alguém que alcan-
çou a meta do Yoga e já se encontra estabelecido na realização espiritual.

REFERÊNCIAS DOS TEXTOS NO LIVRO


A compilação desse livro foi preparada pelo “Sri Aurobindo Ashram Archi-
ves and Research Library”. A maioria dos textos foi tirada dos escritos de
Sri Aurobindo dos volumes 25 e 26, “The Mother with Letters on the
Mother” and “On Himself.” publicados no “Sri Aurobindo Birth Centenary
Library.”
96

ESBOÇO DA VIDA DA MÃE


A Mãe (Mirra Alfassa) nasceu em Paris em 21 de fevereiro de 1878. Ela
recebeu sua educação inicial em casa e em uma escola particular. Mais
tarde, ela frequentou um estúdio de arte em Paris pertencente à Acade-
mie Julian. Uma artista consumada, algumas de suas obras foram expostas
no Salão de Paris. Ela também foi uma pianista talentosa e escritora.

Sobre o início de sua vida espiritual a Mãe escreveu: "Entre onze e tre-
ze uma série de experiências psíquicas e espirituais revelou-me não só a
existência de Deus, mas a possibilidade do homem de unir-se com Ele, de
realizá-Lo integralmente em uma vida divina." Em 1906 e 1907, a Mãe
estudou ocultismo em Tlemcen, na Argélia, com um adepto polonês, Max
Theon, e sua esposa. Retornando a Paris, fundou um grupo de buscadores
espirituais. Entre 1911 e 1913 ela deu muitas palestras a vários grupos em
Paris.

Em 1914 a Mãe viajou para Pondicherry, na Índia, para encontrar Sri


Aurobindo, patriota indiano, poeta, filósofo e místico. Após uma estadia
de 11 meses, ela voltou para a França por um ano e depois foi para o
Japão por quase quatro anos. Em abril de 1920 a Mãe retornou à Pondi-
cherry para retomar a sua colaboração com Sri Aurobindo. Com sua vinda,
o número de discípulos em torno de Sri Aurobindo aumentou gradual-
mente. Este agrupamento informal eventualmente tomou forma como o
Sri Aurobindo Ashram. Desde a sua criação em novembro de 1926, Sri
Aurobindo confiou o material completo e carga espiritual do ashram para
a Mãe. Sob sua orientação, que abrangeu um período de quase 50 anos, o
ashram cresceu e se tornou uma grande comunidade multifacetada.

Entre outras realizações da Mãe durante este período foram a criação


do Sri Aurobindo International Centre of Education em 1952 e a fundação
de Auroville em 1968. Esta vila em crescimento, localizada a oito quilôme-
tros ao norte de Pondicherry, é um experimento ousado na vida interna-
cional, com um elevado ideal espiritual.

A Mãe supervisionou pessoalmente as atividades diárias do ashram


até a idade de 84 anos. Em março de 1962, ela se retirou para seu quarto,
mas, de lá, continuou durante a próxima década a guiar o ashram e rece-
ber pessoas regularmente. Em 17 de Novembro de 1973, com a idade de
95 anos, a Mãe deixou seu corpo.
ESBOÇO DA VIDA DA MÃE 97

Sobre a relação entre a Mãe e ele, Sri Aurobindo escreveu: "A cons-
ciência da Mãe e a minha é a mesma", e novamente: "Não há diferença
entre o caminho da Mãe e o meu; temos e sempre tivemos o mesmo
caminho, o caminho que conduz à mudança supramental e à realização
divina .... ".

Em seu nonagésimo aniversário, a Mãe resumiu sua vida e seu traba-


lho da seguinte forma:

"As reminiscências serão curtas. Eu vim à Índia para encontrar Sri


Aurobindo, permaneci na Índia para viver com Sri Aurobindo. Quando ele
deixou o seu corpo, eu continuei a viver aqui, a fim de fazer o seu trabalho
que é, servindo à Verdade e iluminando a humanidade, acelerar o governo
do Amor do Divino sobre a terra."
98

ESBOÇO DA VIDA DE SRI AUROBINDO


Sri Aurobindo nasceu em Calcutá, Índia, a 15 de agosto de 1872. Aos
sete anos foi enviado por seu pai com seus dois irmãos mais velhos para
estudar na Inglaterra. Muito cedo começou a escrever poesias e durante
uma brilhante carreira acadêmica em St. Paul’s, Londres, e no King’s Colle-
ge, Cambridge, aprendeu e dominou completamente o inglês, o grego, o
latim e o francês. O alemão, o italiano e o espanhol também lhe eram
familiares. Estudou durante catorze anos na Inglaterra, onde adquiriu um
profundo conhecimento da cultura europeia antiga, medieval e moderna.

Em 1893, aos 21 anos, retornou à Índia, com uma completa educação


ocidental. Começou então a procurar pela sabedoria e verdade do Orien-
te. Aprendeu o sânscrito e várias línguas indianas, e assimilou o espírito da
civilização da Índia, em todos os seus aspectos. Passou treze anos em
Baroda, a serviço administrativo e educacional para o Estado. Foram anos
de aprendizado cultural e de atividades literárias, porém uma grande par-
te deste período passou-os em silenciosa atividade política.

Em 1906 foi para Bengala assumir abertamente o comando do movi-


mento revolucionário, que durante anos havia organizado em segredo. Ele
foi o primeiro a publicar nas páginas de seu jornal “Bande Mataram” o
ideal da completa independência da Índia. Três vezes processado por suas
atividades, todas as vezes foi liberado por falta de provas. Finalmente, o
governo britânico conseguiu prendê-lo e mantê-lo no cárcere durante um
ano, entre 1908 e 1909. Foi nesse período que Sri Aurobindo passou por
uma série decisiva de experiências espirituais que determinaram o curso
de seu trabalho futuro. Liberado e certo do sucesso do movimento liber-
tador da Índia, e respondendo a um chamado interior, Sri Aurobindo reti-
rou-se do campo político e em 1910 e viajou para Pondicherry, no sul da
Índia, para devotar-se totalmente à sua missão espiritual.

Depois de quatro anos de recolhimento, em 1914, ele começou a edi-


tar, em colaboração com sua discípula, Mirra Alfassa, que mais tarde se
tornou conhecida como A Mãe, um jornal filosófico chamado “Árya”. Os
mais importantes trabalhos seus – The Life Divine, The Synthesis of Yoga,
Essay on the Gita e The Ideal of Human Unity apareceram pela primeira
vez. Esses trabalhos incluiam muitos dos conhecimentos interiores adqui-
ridos em sua prática de Yoga. Tendo reunido todas as verdades essenciais
de experiências espirituais passadas, ele trabalhou por um método mais
ESBOÇO DA VIDA DE SRI AUROBINDO 99

completo de Yoga, que pudesse transformar a natureza humana e divini-


zar a vida neste mundo.

Sri Aurobindo anteviu a possibilidade de uma vida divina na Terra e


lutou por ela. Durante quarenta anos em Pondicherry permaneceu absor-
vido em seu trabalho espiritual, porém conservou-se a par de tudo o que
estava acontecendo na Índia e no mundo. Quando necessário interferia,
mas apenas com sua força espiritual e ação silenciosa.

Seu trabalho espiritual tornou-se conhecido como “O Yoga Integral de


Sri Aurobindo”, segundo o qual “Toda vida é Yoga”.

Sri Aurobindo deixou seu corpo em 1950, aos 78 anos de idade.


100

ENDEREÇOS PARA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES


Sobre a Mãe, Sri Aurobindo e o Yoga Integral desenvolvido por eles.

Para informações em português:

Site da CASA Sri Aurobindo


www.casasriaurobindo.com.br

Grupo no Facebook (Sri Aurobindo Brasil)


www.facebook.com/groups/162421040488460/

Sri Aurobindo no Wikipédia


http://pt.wikipedia.org/wiki/Sri_Aurobindo

Sobre Auroville:
www.auroville-international.org/avi-centres/brazil/informacoes-gerais-
sobre-auroville.html

Para informações em inglês:

Site do Sri Aurobindo Ashram na Índia


www.sriaurobindoashram.org

Página com livros da Mãe que podem ser baixados no formato pdf:
www.sriaurobindoashram.org/ashram/mother/writings.php

Página com livros de Sri Aurobindo que podem ser baixados no formato
pdf:
www.sriaurobindoashram.org/ashram/sriauro/writings.php

Site de Auroville
http://www.auroville.org/