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A EXPANSÃO DA IURD SOB A

LUZ DA MEMÓRIA E DA
IDEOLOGIA
Jackson Batista Oliveira
APRESENTAÇÃO DO OBJETO
 Fundação: 1977 por Edir Macedo e R.R. Soares
 Denominação: Neopentecostal

 Crescimento:
 Em 1989, com apenas 12 anos de existência, a IURD
já possuía 571 templos espalhados pelo Brasil e no
exterior (MARIANO, 2005, p. 65).
 No mesmo ano, seu líder adquiriu a TV Record pelo
valor de 45 milhões de dólares.
 Em 2013, Edir Macedo, é pasto mais rico do Brasil e
um dos mais ricos do mundo com um fortuna
estimada em 1,1 bilhões de dólares. (FORBES).
OBJETIVO DA EXPOSIÇÃO
 Apontar as contribuições que parte dos autores
discutidos ao longo da disciplina contribuíram
para o desenvolvimento da pesquisa sobre a
expansão da Igreja Universal no campo da
memória e da ideologia.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Não existe memória única sobre o passado, pois
sempre haverão memórias alternativas as “oficiais”.
 Dentro da IURD, a “memória oficial” afirma que quem é fiel
nos dízimos e ofertas será próspero. Isso é reforçado pelos
testemunhos do fiéis. Porém a memória dos fiéis e ex-fiéis
que seguiram não obtiveram resultados vai numa posição
contrária.
 O tempo histórico no campo da memória: o
presente contem e constitui a experiência passada e
as expectativas futuras. A experiência é um passado
presente, cujos acontecimentos tem sido incorporados
e podem ser recordados.
 As ações dos homens se dão no presente. O presente é
ao mesmo tempo suas experiências do passado e suas
expectativas para o futuro.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 “Existem duas maneiras de olhar para o passado. A
primeira é relembrar momentos vividos, agonizando-
se com as marcas de sofrimento e traumas jamais
apagados da memória, tornando-se escravo de
lembranças difíceis e dolorosas. Outra forma (...) é
absorver lições para o presente transformando-as em
aprendizados. (...) Nada a Perder não é uma simples
retrospectiva. Não sei viver de passado. Eu olho para
frente. Por isso, esta obra se projeta para o futuro,
como o objetivo de reunir e divulgar experiências
pessoais para alicerçar dos que seguem firmes na fé
cristã e alcançar os que se consideram perdidos
(MACEDO, 2012, p. 9-10).
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 As recordações do passado modificam-se com o tempo, pois
as experiências do presente podem modificar as
recordações do passado.
 O pentecostalismo clássico pregava o ascetismo e afastamento
das “coisas do mundo”. O neopentecostalismo prega a Teologia
da Prosperidade e um estilo de vida condizente com os valores
da sociedade capitalista. Ambos referenciam-se nas memórias
do mesmo livro sagrado, porém interpretações antagônicas.
 Memória e identidade:
 O núcleo de qualquer identidade, individual ou
grupal, está ligada a um sentido de permanência ao
longo do tempo e do espaço. Poder recordar e lembrar
algo do próprio passado é o que sustenta a identidade.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Memória e identidade:
 As memórias que são constantemente reproduzidas
na IURD através dos testemunhos dos fiéis é um
fator importante para a manutenção da ideia
identidade do grupo e da eficácia dos métodos
empregados pela Igreja para solucionar os problemas
dos fiéis.
 “Eu sou a Universal”: Mostra profissionais bem
sucedidos de diversas áreas diferentes. Estes
afirmam que, no passado, viveram dificuldade
terríveis, mas graças a IURD hoje são prósperos e
esperam prosperar ainda mais.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Caráter dialético da memória:
 A memória coletiva é um entrelaçamento das memórias
individuais.
 As memórias são simultaneamente individuais e sociais. Na

medida em que as palavras e a comunidade de discurso são


coletivas, a experiência também o é.
 Não se pode esperar uma relação linear ou direta entre o
individual e o coletivo. Não existe uma “memória única” A
realidade social é complexa, contraditória cheia de tensões e
conflitos. A memória não é uma exceção.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Caráter dialético da memória:
 Ou dá ou desce: Em 1995, foi divulgado um vídeo do
Edir Macedo ensinando técnicas de arrecadação de
dinheiro a seus pastores em um sítio da IURD. Ele diz:
“Ó pessoal, você vai ajudar agora na obra de Deus. Se
você quiser ajudar, amém. Se não quiser ajudar, Deus vai
me dar outra pessoa pra ajudar, amém? Entendeu como é
que é? Se quiser bem, se não quiser que se dane. Ou dá,
ou desce! (...) Você nunca pode ter vergonha, não pode ter
timidez. Peça! Peça! Peça! Quem quiser dar, dá. Quem
não quiser, não dá. E se tiver alguém que não dê, tem um
montão que vai dar.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Caráter dialético da memória:
 Em 2015, Macedo deu a seguinte explicação em uma
entrevista para o SBT:
 “Com Deus (...) ou você dá a sua vida e tá com ele por
toda a eternidade (...) ou você desce para o inferno. (...) Se
você dá, você recebe, se você não dá, você não recebe.
Jesus é quem falou isso, e de outra forma. Ele disse ‘dai e
ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida,
transbordante, generosamente vos darão. Porque da
mesma medida com que medes, vos medirão também’.
Quer dizer: toma lá, dá cá. (...) se você oferece o que não
presta (...), pode ter certeza que você vai receber
exatamente isso por toda a eternidade. Se você oferece a
sua vida, se a sua vida é a oferta que é elevada a Deus,
no altar, então você vai receber.”
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Caráter dialético da memória:
 Em 2011, ao noticiar uma série de acusações de lavagem
de dinheiro contra a IURD, a Globo reexibiu o vídeo do
“Ou dá, ou desce”, mas inserindo-o num contexto de
crimes cometidos pela Igreja e tentativa de extorsão dos
fiéis.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Esquecimento:
 É a presença da ausência, a representação de algo que
estava e já não está. É uma lembrança que foi apagada,
silenciada ou negada.
 Não há um único tipo de esquecimento, mas uma
multiplicidade de situações nas quais se manifestam
esquecimentos e silêncios com diversos usos e sentidos.
 Esquecimento como produto de uma vontade política de
esquecimento e silenciamento.
 Toda política de conservação e memória, ao selecionar os
vestígios que irá preservar, possui uma vontade implícita
de esquecimento.
 Silenciamento de dissidentes dentro de um mesmo grupos
social.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 Jelin
 Esquecimento:
 Na IURD, há um silenciamento dos testemunhos de pessoas
que doaram dinheiro e não atingiram a graça almejada. Ou
de pessoas que venderam todos os seus bens e caíram na
miséria.
 Os ex-pastores são execrados e os membros da Igreja são
orientados e não mais manter contatos com eles (JUSTINO,
1995, p. 28).
O CONCEITO DE MEMÓRIA
Jelin
A memória como construção social
narrativa
 Implica o estudo das propriedades de quem narra, da
instituição que lhe outorga ou nega poder e o autoriza
a pronunciar as palavras, já que a eficácia do
discurso performativo é proporcional a autoridade de
quem o enuncia. Implica também prestar atenção aos
processo de construção do reconhecimento legítimo,
outorgado socialmente pelo grupo ao qual se dirige. A
recepção de palavras e atos no é um processo passivo,
mas pelo contrário, um ato de reconhecimento para
quem realiza a transmissão.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
Jelin
A memória como construção social
narrativa
 Os fiéis da IURD, por legitimarem a autoridade dos
seus pastores, são mais propensos em acreditar em
seus discursos e a desacreditar nas falas exteriores
que atacam a Igreja. Ex: Quando surgem denúncias
contra a Igreja, os fiéis enxergam seus acusadores
como servos do demônio e desconsideram as
acusações.
O CONCEITO DE MEMÓRIA
 A memória sob a perspectiva do
Materialismo Histórico:
 “[...] indivíduos e coletivos produzem suas memórias
como fruto do universo material em que se inserem
historicamente”( ALMEIDA, 2014, p. 53).
 “Não é a consciência que determina a vida, mas sim a
vida que determina a consciência” (MARX e
ENGELS, 2002, p. 20).
 A memória deve ser contemplada à luz da história.
 O episódio do “ou dá, ou desce” não deve ser visto
apenas no campo da disputa de memórias, mas tem
que se ser historicizado. Investigado no tempo
histórico em que foi construído analisando os grupos
sociais e interesses envolvidos no processo.
O CONCEITO DE IDEOLOGIA
 “Ocultamento da realidade social”, um meio pelo qual
as classes dominantes “legitimam as condições sociais
de exploração e dominação, fazendo com que pareçam
verdadeiras e justas” (CHAUÍ, 2006, p. 25-26);
 A ideologia inverte a percepção que temos da
realidade fazendo com que as ideias apareçam como
coisas autônomas e criadoras das relações sociais de
produção.
 Em toda a ideologia, os homens e suas relações nos
aparecem de cabeça para baixo como em uma câmara
escura, esse fenômeno decorre de seu processo de vida
histórico, exatamente como a inversão dos objetos na
retina decorre de seu processo de vida diretamente
físico (MARX e ENGELS, 2002, p. 19).
O CONCEITO DE IDEOLOGIA
 Para a IURD, o que ocorre no mundo material é
produto direto da ação de deuses e demônios no
plano espiritual.
 As ações dos homens no mundo material não é
capaz de mudar a realidade. Está é mudada
apenas com a realização de “sacrifícios”.
O CONCEITO DE IDEOLOGIA
 Os pensamentos da classe dominante são
também, em todas as épocas, os pensamentos
dominantes; em outras palavras, a classe que é o
poder material dominante numa determinada
sociedade é também o poder espiritual
dominante. A classe que dispõe dos meios de
produção material dispõe também dos meios de
produção intelectual, de tal modo que o
pensamento daqueles aos quais são negados os
meios de produção intelectual está também
submetido à classe dominante (MARX E
ENGLES, 2007, p. 48).
O CONCEITO DE IDEOLOGIA
 A assimilação do pensamento da classe
dominante pelos fiéis da IURD faz com que estes
se identifiquem com a Teologia da Prosperidade.
 O que os proletários iurdianos almejam não
possuem uma perspectiva de classe, muito menos
ideal revolucionário, mas almejam a ascensão
social.
 Os problemas de suas vidas não são causados
pela exploração e domínio de classe, pois aqueles
que prosperam são os abençoados por Deus e os
que falham estão amaldiçoados ou tiveram pouca
fé.
INTERLIGAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E
IDEOLOGIA

 A memória possui uma relação simbiótica com a


ideologia.
 “As memórias são produção social e, como tal,
constructos político-ideológicos e, portanto, lócus de
conflitos e contradições” (ALMEIDA, 2014, p. 57).
 “Nesta lógica de raciocínio, memória é também
expressão ideológica a refletir as diferentes forças que
se digladiam na sociedade pelo domínio social no
presente se apossando do passado” (ALMEIDA, 2014,
p. 58).
 Existe um controle da transmissão da memória social
em que é se escolhe o que será lembrado e o que será
esquecido (MAGALHÃES e ALMEIDA, 2011, p.3).
INTERLIGAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E
IDEOLOGIA

 Corrente de Jericó no Templo de Salomão.


 Recorrem ao passado para justificar o presente.
 Explicam o presente através de memórias
ideologizadas.
 Reforçam a identidade da Igreja.
 Possui uma perspectiva futura de arrecadação de
fundos e angariação de novos fiéis.
 Os memórias bíblicas escolhidas para as
pregações são as que exaltam o sacrifício, vitórias
e riquezas. Passagens ascéticas são
sumariamente silenciadas. Isso fortalece a
Teologia da Prosperidade.
INTERLIGAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E
IDEOLOGIA

 Existem memórias contra-hegemônicas que


extrapolam o controle social. A memória coletiva
pode servir tanto para a manutenção quanto para
a superação das relações que mantém uma dada
sociedade (Ibdem, p. 3-4).
 Ex-membros da IURD que através de livros, vídeos,
entrevistas, denúncias, processos jurídicos etc.,
colocam em cheque as memória hegemônicas que
imperam dentro da Igreja.
INTERLIGAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E
IDEOLOGIA

 As memórias de manutenção do status quo não


são espontâneas, mas construídas para manter as
relações sociais de exploração. elas se
reproduzem nos mais variados espaços sociais:
escolas, igrejas, mídia, etc. (MAGALHÃES e
ALMEIDA, 2011, p. 7-8).
ENCAMINHAMENTOS
 Entendemos memória como fenômeno, plural,
dialético em diversas instâncias
individual/coletivo, memórias divergentes entre
os grupos.
 Não existe uma memória única em relação ao
fenômeno da IURD, mas ao mesmo tempo que as
memórias individuais modificam as memórias
coletivas, as memórias coletivas atuam sobre as
memórias individuais. Além disso, tanto as memórias
coletivas, quanto as individuais podem convergi ou
divergir entre si.
ENCAMINHAMENTOS
 As memórias possuem uma materialidade e são
frutos do processo histórico real que emana das
relações sociais de produção da vida material e
dos conflitos que envolve os agentes desse
processo.
 Ao atacar a credibilidade da Rede Globo evocando
memórias do envolvimento da emissora com a
Ditadura, a Universal o faz com o propósito de
invalidar as acusações contra a imagem da Igreja. Já
a Globo, faz os ataques para “sangrar” a instituição
da emissora concorrente.
ENCAMINHAMENTOS
 A memória está intimamente ligada a ideologia.
 A ideologia mascara a essência e a materialidade
da vida social e pode ser utilizada como
instrumento de legitimação do domínio de classe.
 A Teologia da Prosperidade busca memórias no
passado, tanto bíblicas como testemunhais, para
legitimar uma perspectiva ideologizada de
interpretação do mundo material.
ENCAMINHAMENTOS
 As memórias devem ser submetidas ao crivo da
história.
 Somente através da investigação histórica poderemos
compreender como se dá a produção das memórias e
das ideologias aproximando-nos da realidade
material que produz tais fenômenos.
REFERÊNCIAS
 ALMEIDA, J. R. M. A ditadura brasileira e a luta de classes no campo
da memória. In: Lutas Sociais, São Paulo, vol. 18 n. 32, p. 50-63,
jan./jun. 2014.
 MAGALHÃES, L D. R. e ALMEIDA, J. R. M. Relações simbióticas
entre memória, ideologia, história e educação. In: LOMBARDI, J. C;
CASIMIRO, A. P. B e MAGALHÃES, L. D. R (Orgs.). História,
memória e educação. Campinas – SP: Alínea, 2011.
 CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Editora Brasiliense,
2006.
 MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo:
Martins Fontes, 2007.
 MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo
pentecostalismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
 FORBES. Edir Macedo & Family. Disponível em:
<https://www.forbes.com/profile/edir-macedo/> Acesso em: 29/10/2017.
 JELIN, Elizabeth. Los Trabjos de la Memória. 2ª ed. Lima: IEP, 2012.
 MACEDO, Edir. Nada a Perder: Momentos de convicção que
mudaram a minha vida. São Paulo: Planeta, 2012.