Anda di halaman 1dari 69

Antropologia Teológica

Ozeas C. Moura, ThD

UNASP 2018
Bibliografia Básica:
CAIRUS, A. E. “A Doutrina do Homem”. In: DEDEREN,
R. (ed.). Tratado de Teologia Adventista do Sétimo
Dia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011, cap. 6.*
LESSA, R. S.; DIAS GUARDA, M; SCHEFFEL, R. M. (eds.).
Nisto Cremos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira,
2003, caps.6, 7.
VELOSO, M. O Homem – Uma Pessoa Vivente. São
Paulo: IAE, 1984.
WOLFF, H. W. Antropologia do Antigo Testamento.
São Paulo: Loyola, 1975.
* Obra principal
Antropologia Teológica
Definição: Estudo do ser humano de um
ponto de visto bíblico.
- Tratada em conexão com a Cosmologia
(estudo do Universo criado), com a
Protologia (estudo do estado original das
coisas neste mundo), com a Hamartiologia
(estudo da situação do mundo após a
introdução do pecado) e com a Escatologia
(estudo das últimas coisas) (CAIRUS, A. E.,
op. cit., p. 231).
I. O estado original do ser humano
1. Informação bíblica
-Ao longo da Bíblia encontramos
informações sobre o ser humano e sua
origem. Mas os dois primeiros capítulos de
Gênesis o fazem de maneira específica.
-Primeira narrativa da criação: Gn 1:1 a 2:3:
descreve a cronologia de tudo o que foi
criado (o ser humano criado no sexto dia);
-Segunda narrativa: Gn 2:4-25: descreve a
formação do ser humano e seu lugar na
criação.
-Essas narrativas são complementares, e
não duas narrativas divergentes (Elohista X
Javista-Elohísta). A primeira apresenta o ser
humano em relação à criação; a segunda
fornece detalhes sobre a formação do ser
humano – do primeiro casal e a
incumbência dada a eles para “cultivar e
guardar” o Jardim do Éden (Gn 2:15).
2. A imagem de Deus no ser humano
Gn 1:26, 27: “Também disse Deus:
Façamos o homem à nossa imagem; […]
tenha ele domínio […] Criou Deus, pois, o
homem à sua imagem, à imagem de Deus
o criou; homem e mulher os criou”.
Como é que o ser humano é a “imagem de
Deus?” Especialmente no aspecto do
domínio (“tenha ele domínio” - Gn 1:26).
Poderia também se pensar nos aspectos
físico, intelectual, social-relacional e moral.
No aspecto moral, o ser humano foi criado
“reto”. Ou seja, sem nenhuma tendência
ao mal. Mas ele “se meteu em muitas
astúcias” ”(Ec 7:29). O ser humano, usando
seu livre-arbítrio (Gn 2:16, 17), escolheu
crer no diabo, pecou (chatha’ = errou o
alvo) e decaiu de seu estado puro e reto
(Gn 3), tornando-se pecador e sujeito à
morte (Gn 2:17; 3:19). Mas “em Cristo”, há
possibilidade de vida eterna (Rm 6:23).
3. O ser humano e a sexualidade
1. O ser humano é ser social-relacional (um
dos aspectos da imagem de Deus, cf. Jo
17:24) e necessita de companhia (Gn 2:18).
-A Bíblia coloca a função da sexualidade
heterossexual no contexto de
companheirismo, intimidade e
complementaridade, tendo a sexualidade,
basicamente, 3 objetivos: Procriação,
Prazer e Companheirismo (PPC). Só a
sexualidade hétero alcança esses objetivos.
2. A criação da mulher (Gn 2:18-24)
-Foi criada como “auxiliadora”(heb. ‘ēzer =
apoiadora, ajudadora, mas sem ideia de
inferioridade. Esse vocábulo entrou na
composição de várias palavras da Bíblia:
Eliezer (Meu Deus é auxílio), Ebenézer
(pedra de auxílio/ajuda) etc.
-Isso denota que a mulher foi criada para
ser uma parceira, companheira do homem.
Não uma escrava dele.
-Foi criada de uma costela de Adão
(Gn 2:21, 22).
-Não foi criada da cabeça de Adão (para
mandar nele), nem de um osso do pé (para
ser pisada por ele), mas foi tirada do lado
(igualdade), para ser amada e valorizada.
Ela é a parceira do homem.
-O primeiro casal era composto por um
“homem”(heb. zakar = macho) e uma
“mulher”(heb. neqēbhah = fêmea) (Gn
1:27), sendo o padrão para o casamento a
heterossexualidade e a monogamia.
- Pelo casamento, homem e mulher
formavam, os dois, “uma só carne” [bāśār
’echād](Gn 2:24). “Uma só” é tradução do
vocábulo ’echād, que indica aqui “unidade
composta”, mostrando que as
personalidades de Adão e Eva deviam estar
unidas, mas não fundidas. No casamento,
cada cônjuge deve continuar com sua
personalidade, fator de atração e
complementaridade.
-O homem deve “deixar pai e mãe e se
unir a sua mulher”(Gn 2:24). Ou seja, deve
dar prioridade ao cônjuge (e aos filhos, se
houver). No entanto, essa ordem divina
não implica em que se deva deixar de
cuidar dos pais. Apenas indica que
prioridade deve ser dada ao novo núcleo
familiar.
4.O ser humano como “alma vivente”
(heb. nepheš chayyāh, cf. Gn 2:7)
1. Monismo: o ser humano é uma unidade,
composta de “pó da terra” [‘āphār min-
ˉha’adāmāh]”, mais “fôlego de vida”
[nišemat chayyim] (Gn 2:7). Assim,
pó+fôlego de vida=alma vivente.
-O ser humano não tem uma alma; mas
é uma alma (vivente). Assim, quando a
Bíblia fala em “alma” (nepheš) e “espírito”
(ruach), geralmente está descrevendo as
“manifestações cognitivas, afetivas ou
volitivas da personalidade” (CAIRUS, A. E.,
op. cit., p. 239).
-Isso está em oposição à concepção
dualista, que separa o ser humano em
corpo (mortal, perecível) e a alma
(imortal). Às vezes, dividiam a natureza
humana em três (tricotomia): corpo (parte
física), alma (parte racional) e espírito
(princípio ativo que dá vida; seria a parte
imortal). Quase todos os povos antigos
criam na alma imortal (exs.: egípcios,
gregos etc.). Para Platão, o corpo é a prisão
da alma. Essa ideia de “alma imortal”
acabou, por causa da helenização, se
infiltrando no judaísmo e também no
cristianismo. Hoje, quase todas as
denominações cristãs creem na alma
imortal, com poucas exceções, como, por
exemplo, os adventistas do sétimo dia.
-Na Bíblia é dito que a alma (pessoa) pode
morrer: Sl 33:19; 56:13; Is 53:12; Ez 18:4,
20.
-A morte é o reverso da vida. O corpo vira
pó (Gn 3:19) e o fôlego de vida [nišemat
chayyim], às vezes, chamado de “espírito”
(ruach = vento, respiração, alento vital,
energia que faz viver), volta à fonte, que é
Deus (cf. Ec 12:7).
-Na morte, para onde vai a alma? A lugar
nenhum. Simplesmente deixa de existir.
-Nenhuma entidade pessoal ou consciente
sobrevive quando acontece a morte: Sl 6:5;
30:9; 88:10; 115:17; 146:4; Ec 9:5, 6; Is
38:18, 19.
-A morte só pode ser revertida pela
ressurreição: Jo 6:39; 1Co15:16-23; 1Ts
4:13-18.
II. O estado presente do homem
1. Informação bíblica
-Os dois primeiros capítulos do Gênesis
mostram o ideal de Deus para o
ser humano: morada no campo, em
contato com a natureza (Jardim do Éden,
cf. 2:8), alimentação vegetariana (1:29; 2:9,
16 – frutos, cereais e castanhas), um
trabalho (prazeroso) para se ocupar (2:15),
e possibilidade de vida eterna, enquanto
fossem fiéis a Deus (2:16, 17).
-Mas, essa felicidade não se manteve por
muito tempo: Adão e Eva foram tentados
pelo diabo (Ap 12:9), que utilizou uma
serpente como medium (3:1-7) e pecaram.
Resultados da queda do primeiro casal:
-separação entre o homem e Deus (Adão e
Eva tiveram medo e se esconderam de
Deus, cf. Gn 3:8-10);
-Separação entre o homem e seu
semelhante (Adão culpou a esposa pela
situação, cf. 3:11, 12);
-Separação entre o ser humano e a
natureza (3:14, 15);
-Perda da inocência (3:7), aparecimento do
medo (3:9, 10), da dor (3:16),
da fadiga (3:17), de ervas daninhas (3:18) e
da morte (3:19).
-Adão e Eva foram expulsos da paraíso,
mas antes ouviram de Deus a promessa do
Messias (3:15), que seria ferido por
Satanás (simbolizado pela serpente), o qual
teria a cabeça esmagada pelo Messias.
-Assim, o pecado tornou-se uma realidade
universal (Rm 5:12-20). Pelo Nascimento,
herdamos a natureza corrompida de Adão
(com tendências para o mal, cf. Ef 2:3;
Rm 7:14-25 – 8:2).
- A vitória sobre as más tendências só é
possível através de Cristo, pelo poder do
Espírito Santo (Rm 7:23 – 8:1-11).
- Assim, obedecer é um milagre da graça
(poder) de Deus (Rm 7:22-25).
2. Depravação humana e seus efeitos na
sociedade
- Pelo fato de descendermos de Adão,
herdamos a tendência para o mal (Ef 2:3;
Rm 7:18, 21). Assim, todos nos tornamos
pecadores (Rm 5:12).
-Essa inata inclinação para o mal somente
pode ser resistida pelo poder do Espírito
Santo (Rm 8:5-11), mas só será extirpada
na glorificação, por ocasião da segunda
vinda (Fp 3:20, 21; 1Co 15:50-55).
-Sofremos porque estamos alienados de
Deus (Gn 3:9, 10).
-Infligimos sofrimento aos outros seres
humanos, através de novos pecados (ex.:
Caim matou Abel, cf. Gn 4).
-Também infligimos sofrimento às outras
criaturas, que convivem conosco neste
planeta, além de nos relacionarmos com a
natureza de maneira irresponsável e
predatória, bem diferente do plano original
de Deus (Gn 2:8, 15). O resultado é a
poluição da terra, da água e do ar,
desequilíbrio ecológico, degradação e até
extinção de espécies.
-A natureza geme (personificação),
aguardando sua restauração (Rm 8:19-23).
-O pecado afetou a dimensão vertical,
entre Deus e o ser humano;
-Também afetou a dimensão horizontal,
entre homem e homem, e entre homem e
a natureza.
3. A morte: o último inimigo
3.1. A morte como salário do pecado
- Por ser justo, Deus tem que punir o mal
(Sl 45:7; Hc 1:13). Mas, essa retribuição
divina é guiada pela justiça sem vingança. A
Bíblia nos informa que Deus não tem
prazer na morte do perverso (Ez 33:11).
-Somente quando a persuasão e o amor de
Deus são rejeitados, é que entra em ação a
sua justiça. Mas antes da punição, Ele,
usando sua clemência, convida todos ao
arrrependimento (2Pe 3:9).
- A santidade de Deus e a pecaminosidade
do ser humano não podem coexistir
eternamente. A rebelião contra Deus
merece aniquilação completa. A pena de
morte é, pois, o justo salário do pecado
( Rm 6:23).
-Mas, os ímpios não sofrerão eternamente.
Eles serão reduzidos a cinzas (Ml 4:1-3).
Sua penalidade será eterna destruição
(2Ts1:9).
-Esse ensinamento bíblico está em
oposição ao tradicional ensino sobre o
sofrimento eterno, no inferno.
3.2. O cancelamento da morte
-Na cruz, Cristo venceu a morte, ao sair
vivo da sepultura (Mt 28:5-7).
-Sua ressurrreição é garantia (penhor) da
ressurreição dos justos (1Co 15:20-23, 26;
Rm 5:12).
-Assim, a sentença de morte
incondicionalmente herdada por todos,
desde Adão, será revertida pela
ressurreição, através de Cristo, na sua
segunda vinda (1Ts 4:13-18).
-Para o justo, a primeira morte não passará
de um sono (Jo 11:11-14). Ele estará livre
da segunda morte (Ap 20:6), da qual não
se volta.
-Os justos mortos serão ressuscitados na
segunda vinda de Cristo (1ª ressurreição
geral, cf. 1Ts 4:13-18).
-Já os ímpios serão ressuscitados após o
Milênio (“terceira” vinda de Cristo, cf. Ap
20:5a), para enfrentarem o juízo final (fase
retributiva), desaparecendo para sempre
(Ap 20:7-9; Ml 4:1, 3).
-Mesmo ainda vivendo nesse mundo de
pecado, o cristão já pode ter certeza da
vida eterna (1Jo 5:11, 12).
-Tendo passado pela experiência do pecado
e suas terríveis consequências, os salvos,
mesmo retendo seu livre arbítrio, não mais
desejarão pecar. O mal não brotará outra
vez no Universo (a exemplo dos assírios, cf.
Na 1:9).
-Nossa natureza pecaminosa não mais
existirá (Fp 3:20, 21).
-O pecado terá sido um parêntese ruim
entre a criação e a recriação. Mas essa
experiência triste fará com que os salvos e
todo o Universo fiquem vacinados contra o
pecado.
3.3. O valor da retribuição aniquiladora
-Quase toda a cristandade segue a doutrina
da dor eterna como a recompensa dos
ímpios. Essa crença é a consequência na
crença na imortalidade da alma. Pode-se
questionar essa crença pelas seguintes
razões:
1. Somente Deus é imortal (1Tm 6:15, 16);
2. Não existe alma imortal, pois esta morre
(Sl 33:19, 20; 56:13; Is 53:12; Ez 18:20);
3. Os ímpios serão reduzidos a cinzas (Ml
4:1, 3), serão consumidos (Ap 20:9) e
sofrerão eterna destruição (2Ts 1:9);
4. Separado de Deus, ninguém tem vida
(1Jo 5:12);
5. A justiça de Deus (Gn 18:25b) o impede
de punir o pecador com pena
desproporcional a seus crimes. Seria
injusto da parte de Deus punir
eternamente alguém que viveu em pecado
o período de uma vida humana (70, 80, 90
anos).
-A destruição definitiva dos ímpios deve ser
vista como um ato de amor por parte de
Deus, que é amor (1Jo 4:8). Viver para
sempre em um ambiente puro e santo
seria uma imensa tortura para o ímpio,
pois ele acostumou-se a um ambiente
totalmente diferente desse.
-O fogo que aniquilará os ímpios é dito
ser eterno. Mas o é somente em
consequências, como foi o caso da
destruição de Sodoma e Gomorra (Jd,
verso 7).
-A crença em uma punição eterna, em um
inferno cujo fogo queima eternamente os
ímpios, coloca Deus como um ser injusto e
sádico, além de anular as doutrinas da
segunda vinda de Cristo, da ressurreição e
do julgamento final.
III. O futuro estado do ser humano
-É tentador especular sobre o futuro
estado da humanidade. Quanto a isso,
deve-se prestar atenção a recomendação
de Dt 29:29: “As coisas encobertas
pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém
as reveladas nos pertencem, a nós e a
nossos filhos…”.
-Mesmo assim, a Bíblia nos permite
declarar alguns fatos sobre a vida futura. A
vida futura será real, num lugar,
ambientes e situações reais (Is 65:21-25).
(Isaías 65 é uma profecia que se aplicava
primeiramente ao antigo Israel, mas
escatologicamente se aplica à igreja, mas
não em todos os detalhes, como os
mencionados no verso 20).
-Foi a crença da imortalidade de alma, vista
como algo incorpóreo, desencarnado, que
levou os cristãos a imaginar a vida futura
como algo etéreo e imaterial.
-A Bíblia, porém, fala de dois lugares reais,
e situações reais, onde os salvos viverão –
um lugar temporário e outro permanente.
1. A habitação temporária dos salvos
-A Bíblia fala em um Céu, onde Deus e os
anjos habitam (1Rs 8:30, 39; Sl 11:4;
102:19; Mt 5:16, 6:9), do qual veio Cristo
para sua encarnação (Jo 3:13, 31; 6:38) e
para o qual ascendeu após sua ressurreição
(Lc 24:51; Hb 9:24). É do céu que Cristo vira
em sua segunda vinda, quando levará os
justos consigo (Jo 14:1-3; 1Ts 4:13-18).
Essa será a habitação temporária dos
salvos durante o Milênio, onde participarão
do julgamento (fase de revisão) dos ímpios
(Ap 20:1-4, cf. 1Co 6:2).
2. A habitação permanente dos salvos
-Após os mil anos no céu, a nova Jerusalém
descerá do céu (Ap 21:2) e esta Terra,
renovada por fogo (2Pe 3:7, 10-13) e livre
do diabo, seus anjos e dos ímpios (Ap 20:7-
10; 21:8; Mt 25:41), será a morada
definitiva dos salvos (Ap 21:1-5). Ali os
salvos habitarão com o próprio Deus (Ap
21:3), verão o seu rosto (1Jo 3:1, 2; Sl
11:7), beberão da água da vida (Ap 22:1),
comerão do fruto da árvore da vida (Ap
22:2), como Adão e Eva, antes de pecarem,
e estarão imunizados contra toda doença,
pela ingestão das folhas da árvore da vida.
Assim, terão vida eterna, mas ainda
condicional, visto que só Deus é
inerentemente imortal (1Tm 6:14-16). A
natureza voltará a ser como no início
(Is 65:25). Os salvos se envolverão em
atividades prazerosas, como construir e
plantar, desfrutando plenamente de todo o
trabalho de suas mãos (Is 65:21-24).
3. O corpo futuro
-Alguns dualistas do tempo de Paulo
haviam reduzido as esperanças cristãs do
destino final dos salvos a um estado
puramente incorpóreo (2Tm 2:18). Outros,
a exemplo dos saduceus, negavam a
ressurreição (1Co 15:12).
-Paulo, além de reafirmar o ensino sobre a
ressurreição dos mortos (1Co 15:20-23),
falou sobre a realidade corpórea dos
ressuscitados. Eles terão corpos reais, mas
sem a corrupção ocasionada pelo pecado
(1Co 15:42, 43) e adquirirão novamente a
condição de imortalidade (condicional)
(15:51-57). O corpo “espiritual”
(πνευματικόν), mencionado em 1Cr 15:44,
tem que ver com o corpo humano livre das
tendências más, fraquezas e mortalidade
ocasionadas pelo pecado, em oposição a
corpo “natural” (ψυχικόν = palavra,
quando contrastada com πνευματικόν, tem
a ideia de um princípio puramente natural.
No NT, a psychē é um princípio vital do ser
vivo, e indica, muitas vezes, a pessoa
inteira (Mt 2:20; Jo 10:11; At 2:41-43; Rm
2:9; 16:4; Fp 2:30). Corpo “natural” é o
que se enfraquece, adoece e morre. Os
salvos terão corpo “espiritual”, ou seja,
corpo imortal, livre das fraquezas
ocasionadas pelo pecado (cf. o mesmo
contraste, em 1Co 15:53, 54). O corpo dos
ressuscitados será semelhante ao de Cristo,
dotado de vida, mas também de carne e
osso, que o Salvador declarou possuir em
seu estado ressurreto (Lc 24:39).
IV. Impacto da doutrina bíblica do ser
humano sobre a vida cristã
1. O ser humano – Representante de
Deus:
O ser humano é a única criatura nessa
Terra que foi feita à “à imagem de Deus”. E
um dos aspectos dessa imagem é o
domínio sobre tudo o que existe nesse
planeta (Gn 1:26-28). Tal domínio deve ser
cuidadoso e responsável (Gn 2:15). O ser
humano deve ser o representante de Deus
no planeta Terra.
2. A importância da sexualidade humana:
-Deus criou um casal hétero, como padrão
para o relacionamento conjugal, que deve
ser harmonioso e complementar. Isso
mostra a importância da dimensão social
da humanidade (2:18).
-A mulher foi criada como
“auxiliadora”(heb. ‘ēzer = apoiadora,
ajudadora) (Gn 2:18), mas sem ideia de
inferioridade. Ela foi criada para ser uma
parceira, companheira do homem, não
uma escrava dele.
-O fato de tanto o homem quanto a mulher
terem sido feitos “à imagem de Deus” (Gn
1:27) mostra a igualdade entre os sexos.
-A sexualidade foi dada como algo
procriativo (Gn 1:28), prazeroso e
promotor de companheirismo (2:18, 24).
3. Nossa origem comum:
- À vista de Deus, todas as etnias são
portadoras da imagem de Deus, pois todas
provem de Adão e Eva, o primeiro casal
(Gn 1:28, cf. At 17:26). Assim, não há lugar
para o preconceito étnico.
4. Nossa tendência comum:
-Herdamos do primeiro casal a tendência
pecaminosas (Rm 7:14-25; Ef 2:3). Essas
tendências más nos levam à prática do
pecado, cuja punição é a morte (Rm 6:23).
5. Provisão de salvação para todos:
-O prometido Messias (Gn 3:15) viria para
vencer o diabo (1Jo 3:8) e assegurar vida
eterna novamente (1Jo 5:11, 12). Mas isso
só pode acontecer se o pecador desejar a
vida eterna e abrir a porta do coração a
Deus (Ap 3:20), pois Deus respeita o livre
arbítrio que ele concedeu ao ser humano
(Dt 30:15, 19).
6. A visão bíblica da pessoa humana é
unitária, e não dual
- Pó+fôlego de vida= alma vivente. O ser
humano é uma “alma vivente”, que se
manifesta em três níveis: físico, mental e
espiritual. Essa “alma vivente” pode morrer
(Ez 18:4, 20), pois só Deus é imortal (1Tm
6:14-16). O dualismo e a tricotomia não
são conceitos bíblicos.
7. A ressurreição é o reverso da morte:
-Só se volta à vida pela ressurreição
(Jo:5:28, 29; 1Ts 4:13-18).
8. A vida futura e eterna será real, e não
algo etéreo e imaterial:
-Os salvos plantarão, construirão e
desfrutarão de seu trabalho (Is 65:17-19,
21-24).
9. Haverá vida edênica novamente:
-Os animais serão mansos (Is 65:25);
-A morte não mais existirá (Is 25:8; Ap
-Este planeta será purificado por fogo (2Pe
3:10, 12, 13) e renovado, para ser a
morada eterna dos salvos (Ap 21:5). Deus
mudará sua capital para esse planeta Terra,
e os salvos poderão contemplar o seu rosto
(Ap 21:3; 22:3, 4).
-A Bíblia começa mostrando a perda do
direito de comer da árvore da vida (Gn
3:22-24) e termina com esse direito
novamente assegurado (Ap 22:2).
10. Nossa responsabilidade:
“A consciência do valor dado por Deus à
pessoa humana deve nos encher de alegria
e gratidão. Ao mesmo tempo, devemos ter
um senso de responsabilidade, não apenas
em nos preocupar conosco mesmos, mas
também em levar a sério o bem-estar de
nossos irmãos e irmãs, que também foram
criados à imagem de Deus” (CAIRUS, A. E.,
op. cit., p. 251).
V. Contexo histórico (In: CAIRUS, A. E., Op.
Cit., p. 252-255)
1. Monismo e Dualismo
-O dualismo se introduziu na cristandade
via pensamento grego.
“A concepção cristã do homem se formou dentro do horizonte do
pensamento hebraico e se desenvolveu de forma homogênea no
primitivo cristianismo. Mas a cristandade (conceito cultural, que não
deve ser confundido com cristianismo), fruto da helenização da
experiência primitiva, substituiu [a concepção cristã do homem] por
outra linguagem e outros instrumentos lógicos de interpretação e
expressão, degenerando assim em atenuado dualismo” (CAIRUS, A. E.,
op. cit., p. 252, citando Enrique Dussel, teólogo católico, em sua obra El
Dualismo en la Antropologia de la Cristiandad. Buenos Aires:
Guadalupe, 1974, p. 17).
-Orfismo: mesmo antes das escolas gregas
de filosofia clássica, o Orfismo (fundado
por Orfeu, poeta mítico trácio) já ensinava
que há no ser humano a presença de algo
divino e imortal (a alma), que preexiste e
sobrevive ao corpo
-Platão (4º séc. a.C.) ensinava que o corpo
(sōma) é a prisão (sēma = sepultura) da
alma (Gorgias 493). Para esse filósofo, “a
alma, que precedia a existência terrena,
era incriada e imortal, e migrava de um
corpo a outro depois da morte (Fédon, 75,
76).
-Aristóteles propôs um ponto de vista
alternativo: o corpo e a alma são dois
aspectos da mesma realidade básica:
matéria e forma do homem.
-O gnosticismo (movimento religioso, de caráter
sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de
nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, que
combinava misticismo e especulação filosófica) eo
neoplatonismo (conjunto de doutrinas e escolas de
inspiração platônica que se desenvolveram do
século III ao século VI, mais precisamente da fundação da
escola alexandrina por Amônio Sacas (232) até o fechamento
da escola de Atenas, imposto pelo edito de Justiniano, de
529),ao realçar a oposição corpo X alma,
negavam a doutrina bíblica da ressurreição.
-O primitivo cristianismo tinha grande
admiração pelo platonismo. Contudo,
alguns dos primeiros escritores cristãos
mantiveram a doutrina bíblica monística
(integralidade do ser humano), como, por
exemplo, Justino Mártir, que chamou de
ressurreição, mas criam que suas almas
seriam levadas ao Céu logo após a morte
(Diálogo com Trifo, 5, 6, 80).
-Os mártires, ao enfrentar a morte,
depositavam suas esperanças na
ressurreição, e não em um encontro
imediato com Deus (Clemente, 1 Coríntios,
24-26; Policarpo, Martírio, 14).
-Posteriormente, o neoplatonismo acabou
infuenciando os eruditos da igreja,
começando por Alexandria.
-Pouco a pouco os Pais da Igreja foram
aceitando a ideia de uma alma
independente do corpo. Embora não
aceitassem a preexistência da alma (como
no platonismo), mas individualmente
criada, tornava-se eterna daquele
momento em diante.
-Passaram a ter preconceito contra o
corpo, visto como sede das paixões
orgânicas e sexuais, e o ascetismo foi
adotado como modelo de piedade.
-Acreditavam que, depois de se separar do
corpo, por ocasião da morte, a alma
esperava, consciente ou não, até o dia da
ressurreição.
-Na Idade Média, passou-se a acreditar
que o estado intermediário entre a morte e
a ressurreição era um estado consciente. A
alma falecida comparecia a um julgamento
que antecipava os resultados do juízo final,
depois da ressurreição, deteminando se ela
desfrutaria da presença de Deus.
Tal demora poderia ser evitada se a pessoa
tinha levado vida ascética destinada a
alcançar o pleno perdão nesta vida.
-A doutrina do Purgatório foi também
desenvolvida no Ocidente, junto com a
venda de indulgências.
-Lutero (1483-1546) atacou a doutrina da
imortalidade da alma. Ele ensinava que as
almas dormem até a ressurreição.
-A Igreja Anglicana jamais abandonou a
doutrina do purgatório. Os demais
protestantes, sim.
- O sono da alma, defendido por Tyndale,
Milton, os primeiros batistas e muitos
outros, foi rejeitado pelo influente Calvino
(1504-1564).
-No séc. 20, muitos eruditos, contudo,
creram e ensinaram o monismo bíblico.
Entre eles, E. Brunner, R. Niebuhr e O.
Cullmann.
-Recentemente, evangélicos eminentes,
tais como J. W. Wenham, J. R. Stott e
Clark H. Pinnock, conturbados com a ideia
tradicional de um inferno de agonia e
tormento infinitos, também endossaram a
doutrina bíblica do sono da alma.
-Mas a doutrina bíblica do sono dos mortos
ainda precisa chegar ao grande público.
“Vinte anos [depois do clássico ensaio de Oscar Cullmann] [...]
muitas pessoas ainda colocam sua esperança na alma imortal,
mesmo quando um crescente coro de eruditos bíblicos e
teólogos está dizendo que essa é uma doutrina pagã” (Myers,
78, in: CAIRUS, A E., op. Cit, p. 253).
2. Os adventistas e a rejeição da
imortalidade da alma
-O argentino Francisco Ramos Mexia,
sabatista e primeiro “adventista” de
herança presbiteriana escocesa, escreveu,
por volta de 1816, à margem de seu livro
La Venida del Mesías en Gloria y Majestad,
III, 293, um comentário sobre Atos 2:34:
“[Por ocasião da morte], o homem, junto
com sua alma ou como se possa chamá-la,
se dissolve: ‘Ao pó tornarás’. Mas dela
[da morte] ele há de ressuscitar,
cavalheiros!”
-Entre os primeiros adventistas mileritas
estava o ex-ministro metodista George
Storrs. Em 1841, ele, ao ler um tratado de
Henry Grew, ficou convencido da
mortalidade do ser humano inteiro. No ano
seguinte, por influência de Carlos Fitch,
aceitou o ensino adventista da segunda
vinda de Cristo.
-Apesar da oposição de Guilherme Miller,
entre as 10 crenças fundamentais dos
mileritas, adotadas em 1845, na
Conferência de Albany, uma delas
declarava que os salvos não entram na
posse de sua herança quando morrem, e
sim por ocasião do segundo advento.
Embora os mileritas tenham-se ramificado
em diversas corporações, entre elas os
adventistas do sétimo dia, todas
mantiveram a crença na mortalidade de
todo o ser humano.
3. A universalidade do pecado
-Pelágio (5º séc. d.C.), ao enfatizar o
domínio-próprio, ensinava que o pecado
de Adão servia apenas de mal exemplo,
mas não afetava nossa capacidade de
escolha. Aos olhos de Deus, as crianças se
acham no mesmo estado de Adão antes da
queda (isso é diferente do que a Bíblia
ensina, cf. Rm 7:14-25).
-Agostinho (354-430), contemporâneo de
Pelágio, refutou as ideias desse último, mas
ensinou que nascemos todos com a culpa
de Adão (pecado original), e que há dupla
predestinação: alguns não são eleitos para
a salvação. Essas duas ideias não são
bíblicas: herdamos de Adão, não a sua
culpa, mas a tendência para o mal (Ef 2:3;
Rm 5:12; 6:19), e há possibilidade de
salvação para todos (Tt 2:11; 1Tm 2:4),
bastam que desejem isso.
-Lutero (1483-1546) enfatizou a falência da
vontade humana (contra Pelágio),
enquanto seu amigo Melachthon (1497-
1560) encontrou um lugar importante na
salvação para o livre-arbítrio, em
cooperação com a graça de Deus.
-Calvino (1509-1564) adotou a dupla
predestinação de Agostinho, apesar do
calvinista holandês Armínio (1560-1609)
advogar um convite único e universal para
a salvação. Essa visão sugere que a graça
não é irresistível (como Agostinho e
Calvino ensinaram) (cf. Gl 5:4; Hb 12:15).
Os Cinco Pontos do Arminianismo:
1.VONTADE LIVRE : O primeiro ponto do arminianismo sustenta que o homem é
dotado de vontade livre.
1.1. Os reformadores reconhecem que o homem foi dotado de vontade livre, mas
concordam com a tese de Lutero — defendida em sua obra “A Escravidão da Vontade”
—, de que o homem não está livre da escravidão a Satanás.
1.2. Armínio acreditava que a queda do homem não foi total, e sustentou que, no
homem, restou bem suficientemente capaz de habilitá-lo a querer aceitar Cristo como
Salvador.
2.ELEIÇÃO CONDICIONAL
2.1. Armínio ensinava também que a eleição estava baseada no pré-conhecimento de
Deus em relação àquele que deve crer.
2.2. Em outras palavras, o ato de fé, por parte do homem, é a condição para ele ser
eleito para a vida eterna, uma vez que Deus previu que ele exerceria livremente sua
vontade, num ato de volição positiva para com Cristo.
3.EXPIAÇÃO UNIVERSAL
3.1. Conquanto a convicção posterior de Armínio fosse a de que Deus ama a todos, de
que Cristo morreu por todos e de que o Pai não quer que ninguém se perca, ele e seus
seguidores sustentam que a redenção (usada casualmente como sinônimo de
expiação) é geral. Em outras palavras:
3.2. A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos os homens.
3.3. Contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo.
4.A GRAÇA PODE SER IMPEDIDA
4.1. O arminiano, em seguida, crê que uma vez que Deus quer que todos os homens
sejam salvos, ele envia seu Santo Espírito para atrair todos os homens a Cristo.
4.2. Contudo, desde que o homem goza de vontade livre absoluta, ele pode resistir à
vontade de Deus em relação a sua própria vida. (A ordem arminiana sustenta que,
primeiro, o homem exerce sua própria vontade e só depois nasce de novo.)
4.3. Ainda que o arminiano creia que Deus é onipotente, insiste em que a vontade de
Deus, em salvar a todos os homens, pode ser frustrada pela finita vontade do homem
como indivíduo.
5.O HOMEM PODE CAIR DA GRAÇA
5.1. O quinto ponto do arminianismo é a conseqüência lógica das precedentes
posições de seu sistema.
5.2. O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser
salvo. (In:
http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/cincopontos_arminianismo.htm).
-Semipelagianos: rejeitaram parcialmente
as ideias de Agostinho. Os semipelagianos
católicos rejeitaram a dupla predestinação;
os semipelagianos protestantes rejeitaram
a ideia do pecado original.
-Os Adventistas do Sétimo Dia aceitam
basicamente as ideias de Armínio (há um
convite único e universal para a salvação),
embora admita ênfases diferenciadas.