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CONTRATO ADMINISTRATIVO,

VIGÊNCIA, ALTERAÇÃO,
REVISÃO ECONÔMICA E
SANÇÕES ADMINISTRATIVAS

Ronny Charles Lopes de Torres


INTRODUÇÃO
Paradigmas e contratos da Administração Pública

Espécies de “Contratos da Administração”

Contratos administrativos e desafios em sua


execução
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Características

Formalismo

Publicidade

Natureza de contrato de adesão

Mutabilidade 4

Cláusulas de privilégio (exorbitantes)


Definindo competências:
gestor do contrato ou fiscal do contrato?
Fiscal Gestor
Definindo competências: gestor do
contrato ou fiscal do contrato?

fornecedor Fiscal

Gestor
Definindo competências: gestor do contrato
ou fiscal do contrato?
IN 05/2017
Art. 39. As atividades de gestão e fiscalização da execução contratual são o
conjunto de ações que tem por objetivo aferir o cumprimento dos resultados
previstos pela Administração para os serviços contratados, verificar a
regularidade das obrigações previdenciárias, fiscais e trabalhistas, bem como
prestar apoio à instrução processual e o encaminhamento da documentação
pertinente ao setor de contratos para a formalização dos procedimentos
relativos a repactuação, alteração, reequilíbrio, prorrogação, pagamento,
eventual aplicação de sanções, extinção dos contratos, dentre outras, com
vista a assegurar o cumprimento das cláusulas avençadas e a solução de
problemas relativos ao objeto.
Art. 40. O conjunto de atividades de que trata o artigo anterior compete ao
gestor da execução dos contratos, auxiliado pela fiscalização técnica,
administrativa, setorial e pelo público usuário, conforme o caso (...
É possível recusar o cargo de gestor ou
fiscal do contrato?

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DA INDICAÇÃO E DESIGNAÇÃO DO GESTOR
E FISCAIS DO CONTRATO
IN 05/2017
Art. 43. O encargo de gestor ou fiscal não pode ser recusado
pelo servidor, por não se tratar de ordem ilegal, devendo
expor ao superior hierárquico as deficiências e limitações
técnicas que possam impedir o diligente cumprimento do
exercício de suas atribuições, se for o caso.
Parágrafo único. Ocorrendo a situação de que trata o caput,
observado o § 2º do art. 42, a Administração deverá
providenciar a qualificação do servidor para o desempenho
das atribuições, conforme a natureza e complexidade do
objeto, ou designar outro servidor com a qualificação
requerida.
TIPOS DE FISCALIZAÇÃO
Fiscalização
Técnica

Fiscalização
Público Usuário Gestor Fiscalização
administrativa

Fiscalização
Setorial
Fiscalização • acompanhamento com o objetivo de avaliar a execução do objeto nos
moldes contratados e, se for o caso, aferir se a quantidade, qualidade,
Técnica tempo e modo da prestação dos serviços.

Fiscalização • acompanhamento dos aspectos administrativos da execução dos serviços


nos contratos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra quanto
às obrigações previdenciárias, fiscais e trabalhistas, e providências para
Administrativa adimplemento.

Fiscalização • acompanhamento da execução do contrato nos aspectos técnicos ou


administrativos, quando a prestação dos serviços ocorrer
concomitantemente em setores distintos ou em unidades
Setorial desconcentradas de um mesmo órgão ou entidade.

Fiscalização pelo • acompanhamento por pesquisa de satisfação junto ao usuário.


Público Usuário
GESTÃO, FISCALIZAÇÃO E
SEGREGAÇÃO DE FUNÇÕES
Segregação de funções
As boas práticas administrativas impõem que as atividades
de fiscalização e de supervisão de contrato devem ser
realizadas por agentes administrativos distintos (princípio
da segregação das funções), o que favorece o controle e a
segurança do procedimento de liquidação de despesa.
(Acórdão 2296/2014-Plenário, relator Ministro Benjamin
Zymler, 3.9.2014).
GESTOR DO CONTRATO E
CLÁUSULAS EXORBITANTES
Alteração
unilateral

Ocupação CLÁUSULAS Rescisão


temporária EXORBITANTES unilateral

Sanções
Quais as diferenças fundamentais entre um
contrato de serviço continuado COM e SEM
dedicação exclusiva de mão de obra?
COM dedicação
exclusiva SEM dedicação
exclusiva
É possível retenção de pagamento
por ausência de regularidade fiscal?
Regularidade fiscal e retenção
• EMENTA: ADMINISTRATIVO. CONTRATO. ECT. PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS DE TRANSPORTE. DESCUMPRIMENTO DA
OBRIGAÇÃO DE MANTER A REGULARIDADE FISCAL.
RETENÇÃO DO PAGAMENTO DAS FATURAS.
IMPOSSIBILIDADE. 1 (...) o descumprimento de cláusula
contratual pode até ensejar, eventualmente, a rescisão do
contrato (art. 78 da Lei de Licitações), mas não autoriza a
recorrente a suspender o pagamento das faturas e, ao
mesmo tempo, exigir da empresa contratada a prestação
dos serviços. (...) (STJ - REsp 633432 / MG – Rel. Ministro
LUIZ FUX (1122) DJ 20.06.2005 p. 141 RNDJ vol. 69 p. 94)
É possível retenção de pagamento em razão
de inadimplemento das obrigações
trabalhistas?
Regularidade trabalhista e retenção
É lícita a previsão contratual de retenção pela Administração de
pagamentos devidos à contratada em valores correspondentes às
obrigações trabalhistas e previdenciárias inadimplidas, incluindo
salários, demais verbas trabalhistas e FGTS, relativas aos empregados
dedicados à execução do contrato (TCU. Acórdão 3301/2015-Plenário).

Podendo a Administração arcar com as obrigações trabalhistas tidas


como não cumpridas (quando incorre em culpa in vigilando), é legítimo
que ela adote “medidas acauteladoras do erário, retendo o pagamento
de verbas devidas a particular que, a priori, teria dado causa ao
sangramento de dinheiro público” (STJ - REsp 1241862/RS, SEGUNDA
TURMA, DJe 03/08/2011)
Vigência e Alterações contratuais
DA VIGÊNCIA E DA
PRORROGAÇÃO
Contrato de
Contrato de
prestação
escopo
continuada
RENOVAÇÃO PRORROGAÇÃO
Pode o fornecedor recusar a renovação
contratual?

28
É possível negociar, quando da
renovação contratual?

29
Com o fim do prazo, sem renovação, quais os
efeitos em um contrato de serviço contínuo?

30
Quais os efeitos da não prorrogação em
um contrato de escopo?

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Contrato de escopo
Nos contratos por escopo, inexistindo motivos
para sua rescisão ou anulação, a extinção do
ajuste somente se opera com a conclusão do
objeto e o seu recebimento pela Administração,
diferentemente dos ajustes por tempo
determinado, nos quais o prazo constitui
elemento essencial e imprescindível para a
consecução ou a eficácia do objeto avençado
(Acórdão 1674/2014-Plenário)
Pode ocorrer a prorrogação
automática?

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PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA
LEI Nº 8.666/93
Art. 79 (...)
§ 5o Ocorrendo impedimento, paralisação ou
sustação do contrato, o cronograma de execução
será prorrogado automaticamente por igual
tempo.
PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA
Em regra a prorrogação do contrato administrativo deve
ser efetuada antes do término do prazo de vigência,
mediante termo aditivo, para que não se opere a
extinção do ajuste. Entretanto, excepcionalmente e para
evitar prejuízo ao interesse público, nos contratos de
escopo, diante da inércia do agente em formalizar
tempestivamente o devido aditamento, é possível
considerar os períodos de paralisação das obras por
iniciativa da Administração contratante como períodos de
suspensão da contagem do prazo de vigência do ajuste.
(Acórdão 127/2016 Plenário)
É possível firmar contratos com
vigência indeterminada?

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VIGÊNCIA INDETERMINADA

"A ADMINISTRAÇÃO PODE ESTABELECER A VIGÊNCIA POR PRAZO


INDETERMINADO NOS CONTRATOS EM QUE SEJA USUÁRIA DE
SERVIÇOS PÚBLICOS ESSENCIAIS DE ENERGIA ELÉTRICA, ÁGUA E
ESGOTO, SERVIÇOS POSTAIS MONOPOLIZADOS PELA ECT (EMPRESA
BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS) E AJUSTES FIRMADOS
COM A IMPRENSA NACIONAL, DESDE QUE NO PROCESSO DA
CONTRATAÇÃO ESTEJAM EXPLICITADOS OS MOTIVOS QUE
JUSTIFICAM A ADOÇÃO DO PRAZO INDETERMINADO E
COMPROVADAS, A CADA EXERCÍCIO FINANCEIRO, A ESTIMATIVA DE
CONSUMO E A EXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE RECURSOS
ORÇAMENTÁRIOS.” (Orientação Normativa AGU nº 36, de 13 de
dezembro de 2011)
ALTERAÇÕES
CONTRATUAIS
• a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos;
• b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
Unilaterais

• a) substituição da garantia de execução;


• b) modificação do regime de execução ou do modo de fornecimento,;
• c) modificação da forma de pagamento, por circunstâncias supervenientes, mantido;
• d) para restabelecer a relação pactuada inicialmente, para manutenção do equilíbrio econômico-
financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
Por acordo consequências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de
força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e
das partes extracontratual.
Qual a diferença da alteração quantitativa
para a alteração qualitativa?
Qualitativa Quantitativa
Quais os limites para a modificação
unilateral do contrato administrativo?

42
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos:
(...)
§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os
acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25%
(vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular
de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinqüenta por
cento) para os seus acréscimos.
§ 2o Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no
parágrafo anterior, salvo:
I - (VETADO)
II - as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes.
Legalidade Necessidade
Em que situações a alteração qualitativa pode
extrapolar os limites da Lei nº 8.666/93?

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LIMITES E ALTERAÇÕES QUALITATIVAS
Nas hipóteses excepcionalíssimas de alterações consensuais qualitativas de contratos de obras e
serviços, é facultado à Administração ultrapassar os limites preestabelecidos no art. 65, §§ 1º e 2º,
da Lei 8.666/1993, observados os princípios da finalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade,
além dos direitos patrimoniais do contratante privado, desde que satisfeitos cumulativamente os
seguintes pressupostos: a) não acarretar para a Administração encargos contratuais superiores aos
oriundos de uma eventual rescisão contratual por razões de interesse público, acrescidos aos custos
da elaboração de um novo procedimento licitatório; b) não possibilitar a inexecução contratual, à
vista do nível de capacidade técnica e econômico-financeira do contratado; c) decorrer de fatos
supervenientes que impliquem dificuldades não previstas ou imprevisíveis por ocasião da contratação
inicial; d) não ocasionar a transfiguração do objeto originalmente contratado em outro de natureza e
propósito diversos; e) ser necessárias à completa execução do objeto original do contrato, à
otimização do cronograma de execução e à antecipação dos benefícios sociais e econômicos
decorrentes; f) demonstrar-se - na motivação do ato que autorizar o aditamento contratual - que as
consequências da outra alternativa (a rescisão contratual, seguida de nova licitação e contratação)
importam sacrifício insuportável ao interesse público primário (interesse coletivo) a ser atendido pela
obra ou serviço, ou sejam gravíssimas a esse interesse, inclusive quanto à sua urgência e emergência
(Acórdão 1826/2016 Plenário).
É possível compensar subpreço na planilha
contratual original com sobrepreços,
mediante termo aditivo?
QUALITATIVAS E COMPENSAÇÃO
Os preços dos serviços novos acrescidos por termo aditivo,
embora derivem de prévio acordo entre as partes (art. 65, § 3º
da Lei 8.666/93), devem ser parametrizados pelos preços
referenciais da Administração vigentes à época da licitação
(sistemas oficiais de custos e taxa de BDI do orçamento base), e
não pelos preços em vigor à época do aditamento, observando-
se ainda a manutenção do mesmo percentual de desconto entre
o valor global do contrato original e o obtido a partir dos preços
referenciais à época da licitação. (Acórdão 467/2015-Plenário)
QUALITATIVAS E COMPENSAÇÃO
É incabível a compensação de eventual
subpreço na planilha contratual original com
sobrepreços verificados em termos aditivos,
uma vez que isso implica a redução da
vantajosidade inicial da avença e, portanto, a
alteração do equilíbrio econômico-financeiro
em desfavor da Administração. (Acórdão
349/2014-Plenário)
Eventuais supressões influenciam no
cômputo do limite para aditamento
contratual ?
ACRÉSCIMOS

LIMITE

SUPRESSÕES
QUANTITATIVAS E COMPENSAÇÃO
• Os limites de aditamento estabelecidos no art. 65,
inciso II, § 1º, da Lei 8.666/93 devem ser
verificados separadamente, tanto nos acréscimos
quanto nas supressões de itens e quantitativos, e
não pelo cômputo final que tais alterações
(acréscimos menos decréscimos) possam provocar
na equação financeira do contrato. (Acórdão
2059/2013-Plenário)
REVISÃO ECONÔMICA
(reajuste, repactuação e reequilíbrio)
PARADIGMAS CONSTITUCIONAIS
• Art. 37.
• XXI – “ressalvados os casos especificados na legislação,
as obras, serviços, compras e alienações serão
contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes,
com cláusulas que estabeleçam obrigações de
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta,
nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências
de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações”.
EQUILÍBRIO
ECONÔMICO

Álea
Álea ordinária
extraordinária

Reajuste Reequilíbrio
Repactuação
estrito 55 econômico
REVISÃO ECONÔMICA NUANCES

• Fundamento
• a) Reajuste estrito econômico
• Fato gerador
• b) Repactuação • Anualidade
• Previsão editalícia
• c) Reequilíbrio • Instrumento
econômico • Forma de cálculo
• Revisões subsequentes
QUESTÕES PRÁTICAS
Sem previsão no edital, é possível reconhecer
o direito ao reequilíbrio econômico? E ao
reajuste?
É possível a concessão de reajuste em
contrato com vigência inferior a um ano?
Orçamento Contrato

Proposta Fato
gerador
É possível a concessão de repactuação
e reajuste no mesmo contrato?
Repactuação

Reajuste

Reequilíbrio
econômico

CONTRATO
Como se dá a contagem da
anualidade na repactuação?

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Orçamento Contrato

Proposta Fato
gerador
Como se dá a contagem da anualidade em contratos
de serviço com diversas categorias profissionais?
CONTRATO Categoria 2 Materiais

Categoria 1 Categoria 3
O aumento voluntário, dado pelo empregador, gera
direito à repactuação?

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Pode ser concedido reajuste ou repactuação, em
contratos que, sem previsão no edital, suplantem a
anualidade, por culpa da Administração?

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REAJUSTE SEM PREVISÃO CONTRATUAL
• (...)Conquanto o mencionado Contrato tenha sido estipulado para
viger durante 360 (trezentos e sessenta) dias, houve a celebração
de Termo Aditivo prorrogando esse prazo por mais quatro meses.
Restando atendido, pois, o interregno estabelecido na legislação
(vigência por mais de um ano), há de se reconhecer o direito ao
reajuste, mesmo considerando não haver previsão editalícia ou
contratual fixando os critérios a serem observados para tanto. É
que a ausência de previsão nesse sentido deve-se ao prazo
inicialmente estipulado para o término do contrato, qual seja, 360
(trezentos e sessenta) dias, lapso este inferior aquele constante do
mencionado art. 2º, parágrafo 1º, da Lei nº 10.192/01, dispositivo
legal que não tem aplicação à hipótese69
em tela (TRF5. PROCESSO:
08041620420134058300, AC/PE, DESEMBARGADOR FEDERAL
PAULO MACHADO CORDEIRO, 3ª Turma, JULGAMENTO:
22/09/2015)
O que fazer quando o salário mínimo nacional é
aumentado para valor superior ao piso salarial da
categoria?
É possível indicar valor de salários
superiores ao piso salarial da categoria?

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Valor salarial superior ao piso
REPRESENTAÇÃO. DISPENSA DE LICITAÇÃO. SELEÇÃO DA EMPRESA A SER CONTRATADA
MEDIANTE PROCEDIMENTO CONCORRENCIAL. FIXAÇÃO DE SALÁRIOS MÍNIMOS A SEREM
PRATICADOS NA CONTRATAÇÃO. FALTA NO DEVER LEGAL DE COMUNICAR AOS
INTERESSADOS O RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. FALTA
AO DEVER DE COMUNICAR DIRETAMENTE À EMPRESA INTERESSADA A DESCLASSIFICAÇÃO
DE SUA PROPOSTA. REPRESENTAÇÃO PARCIALMENTE PROCEDENTE. DETERMINAÇÕES AO
ÓRGÃO PUBLICO. COMUNICAÇÃO E ARQUIVAMENTO.
1. Na realização de licitações visando à contratação de serviços de TI mediante alocação
de postos de trabalho ou por outra modalidade assemelhada à simples terceirização de
pessoal, a administração pública deverá observar, em regra, a proibição de não fixar, no
edital, valores mínimos para os salários do pessoal, conforme estabelecido no art. 40,
inciso X, da Lei 8.666/1993, facultando-se ao gestor, excepcionalmente, na hipótese de não
estar sujeito ao art. 6º, II, da IN SLTI/MPOG 4/2008, estabelecer, em face de comprovado
risco de aviltamento salarial, limitante inferior para o custo da mão de obra, justificando-
se o parâmetro mínimo escolhido no processo administrativo pertinente, assim como a
estrutura remuneratória que serviu de base à elaboração do orçamento básico da
licitação, que deverá mostrar-se compatível com a qualidade esperada dos serviços
pretendidos. (...) (Acórdão 332/2010 – Plenário).
IN 05/2017
Art. 5º É vedado à Administração ou aos seus servidores
praticar atos de ingerência na administração da
contratada, a exemplo de:
(...)
VI - definir o valor da remuneração dos trabalhadores da
empresa contratada para prestar os serviços, salvo nos
casos específicos em que se necessitam de profissionais
com habilitação/experiência superior à daqueles que, no
mercado, são remunerados pelo piso salarial da
categoria, desde que justificadamente; e
A divergência entre os salários estipulados na
proposta de preços e os efetivamente pagos aos
profissionais configura irregularidade?

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Salário pago inferior ao planilhado
...o pagamento de salários inferiores aos da proposta
somente configuraria descumprimento contratual caso
houvesse cláusula expressa no edital e no contrato
exigindo a identidade entre esses valores, sendo a regra
geral a de que as quantias constantes da proposta
correspondem aos preços dos serviços, e não aos custos
da contratada. Assim, uma vez que não há cláusula dessa
natureza nos contratos de engenharia consultiva em
comento, não se pode falar em violação ao contrato na
realização desses pagamentos. (Acórdão 2438/2013-
Plenário. Revisor. Min. José Múcio Monteiro).
Pode ser concedida repactuação, de ofício?
Há preclusão ao direito de repactuação?

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Como se dá a preclusão lógica na renovação
de contratos de serviços com dedicação
exclusiva de mão de obra?

77
Preclusão lógica
Ocorre preclusão lógica do direito à repactuação de
preços decorrente de majorações salariais da
categoria profissional quando a contratada firma
termo aditivo de prorrogação contratual sem suscitar
os novos valores pactuados no acordo coletivo,
ratificando os preços até então acordados. Acórdão
1601/2014-Plenário
IN 05/2017
Art. 57. As repactuações serão precedidas de solicitação da
contratada, acompanhada de demonstração analítica da alteração
dos custos, por meio de apresentação da planilha de custos e
formação de preços ou do novo Acordo, Convenção ou Dissídio
Coletivo de Trabalho que fundamenta a repactuação, conforme for
a variação de custos objeto da repactuação.
(...)
§ 7º As repactuações a que o contratado fizer jus e que não forem
solicitadas durante a vigência do contrato serão objeto de
preclusão com a assinatura da prorrogação contratual ou com o
encerramento do contrato.
Cabe preclusão lógica parcial?

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Quais os fatos geradores do
reequilíbrio econômico?
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas,
nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
II - por acordo das partes:
(...)
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do
contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou
fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato,
na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de conseqüências
incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força
maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e
extracontratual.
1. modificação superveniente, pela Administração, do projeto a ser executado pelo
contratado;

2. elevação da carga tributária incidente especificamente sobre o objeto contratual;

3. situação de fato preexistente ou não, de impossível conhecimento ou previsão,


que onera a contratação;

4. fato imprevisível da natureza que atrasa ou torna mais custosa a prestação


contratual;

5. hipótese de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, que não tenham sido
previstas no contrato como de responsabilidade de um dos contratantes.
TCU
• “Observe o disposto na Lei 8.666/1993, evitando o aditamento de
contratos com base em evento não previsto na referida Lei (art. 65),
lembrando que as alterações contratuais podem ocorrer, dentre
outros motivos, para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro
inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis,
ou previsíveis, porém de consequências incalculáveis, retardadores
ou impeditivos da execução do ajustado, e que qualquer
superveniência de fatos, tributários e/ou legais, de comprovada
repercussão nos preços contratados, poderá implicar na revisão dos
contratos, para mais ou para menos, consoante inciso II, alínea “d”,
c/c § 5º, do art. 65 da mencionada Lei.” (TCU – Acórdão 297/2005 –
Plenário.)
Cabe reequilíbrio econômico em razão de
variação da taxa cambial?
Reequilíbrio econômico e taxa cambial
A variação da taxa cambial, para mais ou para menos, não pode ser
considerada suficiente para, isoladamente, fundamentar a necessidade
de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Para que a variação
do câmbio seja considerada um fato apto a ocasionar uma recomposição
nos contratos, considerando se tratar de fato previsível, deve culminar
consequências incalculáveis (consequências cuja previsão não seja
possível pelo gestor médio quando da vinculação contratual), fugir à
normalidade, ou seja, à flutuação cambial típica do regime de câmbio
flutuante e, sobretudo, acarretar onerosidade excessiva no contrato a
ponto de ocasionar um rompimento na equação econômico-financeira,
nos termos previstos no art. 65, inciso II, alínea d, da Lei 8.666/1993.
(Acórdão 1431/2017 Plenário, Consulta, Relator Ministro Vital do Rêgo)
Reequilíbrio econômico e taxa cambial
Cabe ao gestor, ao aplicar o reequilíbrio econômico-financeiro por meio da
recomposição, fazer constar do processo análise que demonstre,
inequivocamente, os seus pressupostos, de acordo com a teoria da
imprevisão, juntamente com análise global dos custos da avença, incluindo
todos os insumos relevantes e não somente aqueles sobre os quais tenha
havido a incidência da elevação da moeda estrangeira, de forma que reste
comprovado que as alterações nos custos estejam acarretando o
retardamento ou a inexecução do ajustado na avença, além da comprovação
de que, para cada item de serviço ou insumo, a contratada contraiu a
correspondente obrigação em moeda estrangeira, no exterior, mas recebeu o
respectivo pagamento em moeda nacional, no Brasil, tendo sofrido, assim, o
efetivo impacto da imprevisível ou inevitável álea econômica pela referida
variação cambial. (Acórdão 1431/2017 Plenário)
Se, durante a execução do contrato, a microempresa
ultrapassa o limite de receita bruta, saindo da tributação
SIMPLES, há direito ao reequilíbrio econômico?

88
AGU
DIREITO ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO – EXCLUSÃO DO SIMPLES
NACIONAL – REPERCUSSÃO NO CUSTO TRIBUTÁRIO – REEQUILÍBRIO ECONÔMICO-
FINANCEIRO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
1. Embora a exclusão do referido tratamento tributário diferenciado eventualmente
ocasione aumento da carga tributária, não se trata de criação de novo tributo ou
encargo legal e sim saída de regime de tributação mais benéfico.
2. A exclusão do SIMPLES NACIONAL por ato voluntário ou decorrente da
ultrapassagem dos limites de enquadramento previstos na Lei Complementar nº
123/2006 não se amolda ao conceito de fatos imprevisíveis ou previsíveis de
consequências incalculáveis que retardem ou impeçam a execução do ajustado.
Trata-se de um aumento de custo inserto na álea econômica ordinária.
3. O reajuste e a repactuação são institutos destinados a recompor os preços em
função do aumento dos custos de contratação, oriundos das variações das condições
mercadológicas, mormente a prevenção da degradação monetária trazida pelos
índices inflacionários. Na situação ora examinada o aumento do custo contrato não
ocorreu por questões próprias de mercado e sim diante de condição peculiar do
contratado. (Parecer n. 89/2014/DECOR/CGU/AGU)
Se, com a matriz de risco, ocorrer determinado fato caracterizado
como álea extraordinária, mas indicado como de responsabilidade
do contratado, há direito ao reequilíbrio econômico?

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Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação
técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
II - por acordo das partes:
(...)
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os
encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração
da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio
econômico-financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos
imprevisíveis, ou previsíveis porém de conseqüências incalculáveis, retardadores
ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso
fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e
extracontratual.
Cabe preclusão lógica no reequilíbrio
econômico?
Preclusão lógica e reequilíbrio
econômico
A contratada, ao iniciar, tardiamente, a execução dos
serviços sem condicioná-la a revisão de preços,
implicitamente reconhece a adequação e a exequibilidade
dos valores propostos na licitação, o que configura renúncia
ao reequilíbrio econômico-financeiro das condições iniciais
contratadas, dando ensejo à preclusão lógica. Acórdão
4365/2014-Primeira Câmara
Cabe reajuste, repactuação ou reequilíbrio
econômico do preço registrado na Ata?

94
Negociação da Ata Revisão econômica

Natureza jurídica Natureza jurídica

Competência Competência

Instrumento Instrumento
PARECER n. 00001/2016/CPLC/CGU/AGU
EMENTA:
I - Administrativo. Licitação. Ata de registro de preços.
Reajustabilidade. Incidência dos institutos de manutenção do
equilíbrio econômico. Impossibilidade.
II - Distinção entre a manutenção do equilíbrio econômico e o
procedimento negocial previsto pelos os artigos 17 a 19 do Decreto
federal nº 7.892/2013. Distinção de natureza jurídica. Distinção de
efeitos. Distinção de competências.
III - O procedimento de negociação dos valores registrados na Ata,
previsto nos artigos 17 a 19 do Decreto federal nº 7.892/2013, não se
confunde com o reconhecimento do direito da parte contratante à
alteração do valor contratual, para manutenção do equilíbrio
econômico do contrato.
PARECER n. 00001/2016/CPLC/CGU/AGU
IV - O procedimento de negociação dos valores registrados na Ata,
previsto nos artigos 17 a 19 do Decreto federal nº 7.892/2013, afeta o
preço registrado na Ata e deve ser conduzido, a priori, pelo órgão
gerenciador.
V - Não cabe reajuste, repactuação ou reequilíbrio econômico (revisão
econômica) em relação à Ata de registro de preços, uma vez que
esses institutos estão relacionados à contratação (contrato
administrativo em sentido amplo).
VI - O fato gerador de manutenção do equilíbrio econômico (reajuste,
repactuação ou reequilíbrio econômico) deve ser reconhecido no
âmbito da relação contratual firmada, pela autoridade competente,
sem necessária interferência na Ata de registro de preços.
SANÇÕES
ADMINISTRATIVAS
Introdução
Contratos da Administração Pública e sanções
administrativas
Licitações e busca pela proposta mais vantajosa

A “Democratização” das licitações públicas

Desvios e regulação do sistema

Prerrogativa administrativa extraordinária

99
Sanções administrativas
A aplicação de sanção administrativa é uma faculdade ou uma
obrigatoriedade?
Sanções administrativas
A aplicação de sanção administrativa é uma faculdade ou uma
obrigatoriedade?

Trata-se de um Poder Administrativo, um dever-poder, uma


prerrogativa inerente ao Poder Disciplinar da Administração, que deve,
obrigatoriamente, ser exercida.
Apuração de irregularidades e
obrigatoriedade
“A apuração das condutas faltosas praticadas por licitantes não consiste
em faculdade do gestor público com tal atribuição, mas em dever legal.
A aplicação de penalidades não se restringe ao Poder Judiciário, mas,
nos termos das Leis 8.666/1993 e 10.520/2002, cabe também aos
entes públicos que exercem a função administrativa.” (TCU - Acórdão
2077/2017 – Plenário – Relator AUGUSTO SHERMAN)
Reflexões necessárias
“Dever-poder” do agente público
Caráter repressivo / pedagógico
Consequência de um processo
Necessidade de regulamentação

103
Não basta saber que deve
sancionar!
A questão é...

Como sancionar?
104
Sanções na Lei nº 8.666/93

105
Lei nº
8.666/93

Artigo 86 Artigo 87 Artigo 88


Lei nº 8.666/93
Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o
contratado à multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório
ou no contrato.
§ 1o A multa a que alude este artigo não impede que a Administração
rescinda unilateralmente o contrato e aplique as outras sanções previstas
nesta Lei.
§ 2o A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada
da garantia do respectivo contratado.
§ 3o Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da
perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será
descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou
ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente.
Lei nº 8.666/93
Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá,
garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até
que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a
penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a
Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção
aplicada com base no inciso anterior.
Lei nº 8.666/93
Art. 88. As sanções previstas nos incisos III e IV do artigo anterior
poderão também ser aplicadas às empresas ou aos profissionais que,
em razão dos contratos regidos por esta Lei:
I - tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios
dolosos, fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;
II - tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os objetivos da
licitação;
III - demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a
Administração em virtude de atos ilícitos praticados.
Lei nº 8.666/93

Modelo baseado no Decreto Lei


2.300/86

Ausência de tipicidade fechada

Foco nos ilícitos contratuais

110
SANÇÕES
NUANCES
Lei nº 8.666/93
• Advertência
• a)Efeito material

• Multa • b) Amplitude

• c) Prazo
• Suspensão
temporária • d) Sujeito passivo

• Declaração de • e) Competência
inidoneidade
Sanções administrativas
Existe uma regra que deve ser seguida para a aplicação das sanções?
Primeiro advertência, depois multa, etc..?
Sanções administrativas
Existe uma regra que deve ser seguida para a aplicação das sanções?
Primeiro advertência, depois multa, etc..?
Não. Embora o sancionamento deva respeitar a razoabilidade e a
proporcionalidade.
Qual a amplitude da sanção
“Suspensão de licitar”?
1ª 2ª
corrente corrente
STJ
É irrelevante a distinção entre os termos Administração Pública e Administração,
por isso que ambas as figuras (suspensão temporária de participar em licitação
(inc. III) e declaração de inidoneidade (inc. IV) acarretam ao licitante a não-
participação em licitações e contratações futuras. - A Administração Pública é una,
sendo descentralizadas as suas funções, para melhor atender ao bem comum. - A
limitação dos efeitos da “suspensão de participação de licitação” não pode ficar
restrita a um órgão do poder público, pois os efeitos do desvio de conduta que
inabilita o sujeito para contratar com a Administração se estendem a qualquer
órgão da Administração Pública. - Recurso especial não conhecido”. (STJ, RESP nº
151.567/RJ, Rel. Francisco Peçanha Martins, julgado em 25.02.2003.)

TCU
O edital da licitação, ao estabelecer vedações à participação no certame, deve ser
suficientemente claro no sentido de que a penalidade de suspensão para licitar e
contratar, prevista no art. 87, inciso III, da Lei 8.666/93, tem abrangência restrita ao
órgão ou entidade que aplicou a sanção. (Acórdão 2556/2013-Plenário, TC
022.990/2013-5, relator Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti,
18.9.2013.)
AGU
Ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. LICITAÇÕES. CONTRATOS.
SANÇÕES ADMINISTRATIVAS. SUSPENSÃO DE LICITAR E CONTRATAR.
DIVERGÊNCIA EXISTENTE. EFEITOS RESTRITOS. A suspensão
temporária de licitar e contratar, prevista no inciso III do artigo 87,
da Lei nº 8.666/93, possui efeito com amplitude subjetiva restrita,
afetando apenas o direito de licitar ou contratar em relação ao
órgão sancionador. (AGU. Parecer nº 02/2013/GT Portaria nº 11, de
10 de agosto de 2012, aprovado pelo Consultor-Geral da União)

117
Observação
Entendimento TCE-SP
Com relação ao inconformismo do representante no que tange ao item
1.7.b, esta Corte já promoveu reflexões acerca da abrangência dos
efeitos das sanções previstas no artigo 87, incisos III e IV, da Lei n.
8.666/93, e por considerar não haver manifesta ilegalidade, nossa
jurisprudência se firmou no sentido de deixar ao alvedrio do
Administrador optar pela interpretação que melhor satisfaça o
interesse público. (TC-000123/007/11, Conselheiro Robson Marinho,
julg. 09.02.2011)
Caso uma empresa tenha sido “Suspensa” pela
unidade da PRF, em Porto Alegre, poderá
participar de uma licitação da unidade da PRF,
localizada em São Paulo?
A ausência de precisão, no edital, sob os
limites da sanção suspensão de licitar,
pode prejudicar a licitação?

120
Ausência de precisão, no edital, e
sanção suspensão
As sanções de suspensão temporária de participação em
licitação e impedimento de contratar com a Administração,
previstas no art. 87, inciso III, da Lei 8.666/1993, alcançam
apenas o órgão ou a entidade que as aplicaram. A falta de
precisão em cláusula de edital de licitação, de tal modo que
deixe de explicitar tal limite, justifica a suspensão cautelar do
respectivo certame (Plenário. Comunicação de Cautelar, TC
006.675/2013-1, relator Ministro Raimundo Carreiro,
20.3.2013).
O edital da licitação, ao estabelecer vedações à participação no
certame, deve ser suficientemente claro no sentido de que a
penalidade de suspensão para licitar e contratar, prevista no
art. 87, inciso III, da Lei 8.666/93, tem abrangência restrita ao
órgão ou entidade que aplicou a sanção. (Acórdão nº
2.556/2013 - Plenário, Relator Min. Augusto Sherman
Cavalcanti, 18.9.2013.)
Qual a amplitude da sanção
“declaração de inidoneidade”?

122
Sanções administrativas
Pode ser delegada ao gestor do contrato a competência para aplicar a
sanção “declaração de inidoneidade”?
Quem detém competência para aplicar a sanção “declaração de
inidoneidade”, em relação a ilícitos praticados em contratos
firmados junto ao Tribunal de Justiça do Maranhão?

124
SANÇÕES NA LEI Nº 8666/93

* Artigo 88 e ampliação do sujeito passivo


Art. 88. As sanções previstas nos incisos III e IV do artigo anterior
poderão também ser aplicadas às empresas ou aos profissionais que,
em razão dos contratos regidos por esta Lei:
I - tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios
dolosos, fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;
II - tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os objetivos da
licitação;
III - demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a
Administração em virtude de atos ilícitos praticados.
Quais os sujeitos passivos para aplicação
das sanções previstas pelo artigo 88 da
Lei nº 8.666/93?

126
Sanções na Lei nº 10.520/2002

127
SANÇÕES NA LEI Nº 10.520/02
Art. 7º. Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua
proposta, não celebrar o contrato, deixar de entregar ou
apresentar documentação falsa exigida para o certame, ensejar o
retardamento da execução de seu objeto, não mantiver a proposta,
falhar ou fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo
inidôneo ou cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e
contratar com a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e,
será descredenciado no Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento
de fornecedores a que se refere o inciso XIV do art. 4º desta Lei,
pelo prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo das multas previstas
em edital e no contrato e das demais cominações legais.

128
Lei nº 10.520/2002

Modelo mais “gerencial”

Ampliação dos ilícitos


sancionáveis

Simplificação do repertório
sancionatório

129
SANÇÕES
NUANCES
Lei do Pregão

• a)Efeito material
• Multa
• b) Amplitude
• Impedimento de licitar e
contratar • c) Prazo

• d) Sujeito passivo
• Descredenciamento no SICAF ou
outro sistemas de • e) Competência
cadastramento de fornecedores
Sanções administrativas
Há aparente antinomia entre a sanção da Lei do Pregão e as
previstas pela Lei nº 8.666/93? Elas podem ser aplicadas
cumuladamente?
Sanções administrativas
Há aparente antinomia entre a sanção da Lei do Pregão e as
previstas pela Lei nº 8.666/93? Elas podem ser aplicadas
cumuladamente?

PROPOSTA DE RESPOSTA
Há, não sendo possível ao gestor, na modalidade pregão,
concretamente optar entre as sanções da Lei do Pregão ou da Lei Geral.
Sanções administrativas
238. As duas normas são leis ordinárias, logo, de mesma hierarquia. No entanto, as
normas do segundo diploma legal, por ser esse especial, tratam especificamente da
modalidade pregão e prevalecem em relação ao primeiro no que tange à
modalidade. (...)
240. Essa é a posição adotada por este Tribunal, a exemplo dos Acórdãos
1925/2006-TCU-Plenário (relatoria do Ministro Augusto Nardes) e 114/2007-TCU-
Plenário (relatoria do Ministro Benjamin Zymler). (...)
244. Portanto, verifica-se que a sanção disposta no art. 7º da Lei 10.520/2002 não
se confunde com aquelas previstas no art. 87 da Lei 8.666/1993, visto que são
penalidades distintas.(...)
246. Ante essas considerações, constata-se que não há lacuna na Lei 10.520/2002
em relação à imposição de sanção em certame realizado na modalidade pregão, de
modo que, acerca desse tópico, mostra-se impertinente a aplicação analógica ou
subsidiária da Lei 8.666/1993. (Trecho do voto:TCU, Acórdão Nº 3171/2011,
Plenário, Relator: Min. André Luís de Carvalho)
Qual a amplitude da sanção
“Impedimento de licitar”?
 A sanção prevista no art. 87, inciso III, da Lei 8.666/93
produz efeitos apenas em relação ao órgão ou entidade
sancionador, enquanto a prevista no art. 7º da Lei 10.520/02
produz efeitos no âmbito do ente federativo que a aplicar.
(Acórdão 2242/2013-Plenário. 21.8.2013.)
 A sanção de impedimento de licitar e contratar pautada no
art. 7º da Lei 10.520/02 (Lei do Pregão) produz efeitos não
apenas no âmbito do órgão/entidade aplicador da
penalidade, mas em toda a esfera do respectivo ente
federativo (União ou estado ou município ou Distrito
Federal). (Acórdão 2081/2014-Plenário, 6.8.2014.)
 Quanto à abrangência da sanção, o impedimento de
contratar e licitar com o ente federativo que promove o
pregão e fiscaliza o contrato (art. 7º da Lei 10.520/02) é pena
mais rígida do que a suspensão temporária de participação
em licitação e o impedimento de contratar com um órgão da
Administração (art. 87, inciso III, da Lei 8.666/93), e mais
branda do que a declaração de inidoneidade para licitar ou
contratar com toda a Administração Pública (art. 87, inciso
IV, da Lei 8.666/93). . Acórdão 2530/2015-Plenário, TC
016.312/2015-5, relator Ministro Bruno Dantas,
14.10.2015.
Há diferença entre os sujeitos passivos do
sancionamento previsto na Lei nº 8.666/93
e aquele previsto na Lei nº 10.520/2002 ?
Quem detém competência para aplicar as
sanções “Suspensão de licitar”, “Declaração
de inidoneidade” e “Impedimento de licitar”?
AGU
É competente para a aplicação das penalidades previstas
nas Leis n°s 10.520, de 2002, e 8.666, de 1993,
excepcionada a sanção de declaração de inidoneidade, a
autoridade responsável pela celebração do contrato ou
outra prevista em regimento (Orientação Normativa
AGU Nº 48/2014).
PROBLEMAS TÍPICOS DO PREGÃO
PROBLEMAS TÍPICOS DO PREGÃO

Preços inexequíveis

Classificado sem habilitação

Licitante coelho
As falhas no certame (não manutenção da
proposta) ou na execução contratual permitem
a aplicação de sanções? E o licitante “coelho”?
TCU
(....)Não há dúvida de que assiste razão à unidade técnica. A interpretação de
que as sanções previstas no art. 7º aplicam-se em qualquer fase do certame
é a que melhor se coaduna com a jurisprudência deste Tribunal. Ademais, a
leitura mais restritiva desse dispositivo não coibiria práticas perniciosas
frequentemente observadas nos pregões eletrônicos, tais como a
denominada “coelho” (...), assim descrita no relatório precedente:
“A ação dessas empresas consiste em apresentar proposta excessivamente
baixa em um processo licitatório para que outras empresas desistam de
competir, por acreditarem que o outro concorrente teria um preço que não
lhes permitiriam prosseguir na disputa. Na sequência, uma empresa que
esteja em conluio com o ‘coelho’ oferece o segundo melhor lance e, com a
desclassificação intencional da primeira, acaba sendo contratada por um
valor que possivelmente poderia ser superior àquele que seria obtido sem a
influência do ‘coelho’”. .....(Acórdão 754/2015-Plenário)
Acórdão 754/2015
Da desclassificação a pedido
40. Além do dever de diligência quanto à verificação
do atendimento dos requisitos do certame, o licitante
que decide se inscrever no certame, participa da fase de
lances e oferta o menor preço, sendo, por isso, declarado
vencedor pela Administração, ficando obrigado a honrar
sua proposta.
41. A desistência do certame, seja tácita (como
quando não apresenta documentação exigida) ou
explícita (como quando formaliza pedido de
desclassificação), é conduta que caracteriza a não
manutenção da proposta, e portanto, passível de punição
na forma do art. 7º da Lei 10.520/2002.
Pode-se aplicar sanções ao licitante que
não entrega a documentação de
habilitação exigida pelo edital?
Acórdão 754/2015
Da não entrega de documentação exigida para o certame
42. A não entrega de documentação exigida para o certame constitui ilegalidade
expressamente tipificada no art. 7º da Lei 10.520/2002: ‘Quem (...) deixar de
entregar ou apresentar documentação falsa exigida para o certame (...) ficará
impedido de licitar (...)’ (grifou-se).
43. Assim, aquele que não entrega documentação requerida pelo edital, seja por
dolo ou culpa, sem a devida justificativa, fica sujeito às sanções previstas no art. 7º
da Lei 10.520/2002.
(...)
46. Nesse passo, tem-se que o licitante que infringir as exigências de
participação no certame, deixando de apresentar documentação requerida, sem
um motivo escusável (elemento subjetivo objetivado na conduta externa), estará se
comportando de forma reprovável e, portanto, ficará sujeito a punição.
Acórdão 754/2015
Da declaração falsa quanto às condições de habilitação
48. Conforme dispõe o art. 21, § 2º, do Decreto 5.450/2005, o licitante deve declarar que
cumpre plenamente os requisitos de habilitação, e que sua proposta está em conformidade com
as exigências do instrumento convocatório, para poder participar do pregão eletrônico. O
sistema Comprasnet registra a realização desta declaração, a qual fica disponível no sítio do
sistema, juntamente com a ata e outros documentos do pregão.
49. Dessa forma, se posteriormente verifica-se que o participante não atendia a alguma
condição do edital, tais como ofertou produto em desacordo com o especificado, não possuía
algum dos documentos exigidos ou não atendia alguma condição de habilitação, deve-se, em
princípio, ter como falsa a declaração de que atendia às condições de participação.
50. Nessas condições, há que se considerar a possibilidade de que o licitante tenha se
comportado de modo inidôneo, ficando, por conseguinte, sujeito às penalidades previstas no art.
7º da Lei 10.520/2002.
(...0
53. É necessário, porém, fazer ressalva a situações excepcionais, nas quais a
desconformidade no atendimento dos requisitos do edital tenha decorrido de motivos
escusáveis, tais como causas fortuitas ou de força maior, ocorridas após a declaração.
APELAÇÃO CIVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO. PREGÃO. CONVOCAÇÃO.
DOCUMENTAÇÃO INCOMPLETA. SANÇÃO. CONTRATAÇÃO COM ADMINISTRAÇÃO
DIRETA. IMPEDIMENTO. SICAF. DESCREDENCIAMENTO. PARTICIPANTES. ISONOMIA.
1. A licitação, na modalidade pregão eletrônico, instituída pela Lei n.º 10.520/2002,
dispõe que quem, convocado dentro do prazo de validade da sua proposta, deixar de
entregar documentação requerida em edital, ficará impedido de licitar e contratar com
a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será descredenciado no SICAF (art.
7 da Lei do Pregão).
2. Ao participar de um procedimento licitatório, presume-se que os licitantes já se
encontram com a documentação exigida em consonância com o que dita o edital,
justamente para a hipótese de uma eventual desclassificação do anterior convocado, o
licitante possa se apresentar e servir a administração pública, conforme se propôs ao
se inscrever para o certame, sob pena de ferir a isonomia dos licitantes.
3. Recurso conhecido e desprovido.
(TJ/DF. Acórdão n.795241, 20140020091644AGI, Relator: GISLENE PINHEIRO, 5ª
Turma Cível, Data de Julgamento: 04/06/2014, Publicado no DJE: 12/06/2014. Pág.:
189)
Quem é responsável pela abertura do
processo sancionatório, em razão de
irregularidades praticadas na licitação?
Pode ser aplicada sanção ao contratado,
mesmo depois de extinto o contrato?
Desconsideração da personalidade
jurídica
Desconsideração da personalidade jurídica

 Autonomia da pessoa jurídica (regra geral)


 Necessidade de previsão legal
 Art. 50 do CC
 Em caso de abuso da personalidade jurídica (...) pode o Juiz decidir
(...) que os efeitos de (...) obrigações sejam estendidos aos (...)

administradores ou dos sócios da pessoa jurídica).

 Art. 88 da Lei nº 8.666/93


Desconsideração da personalidade jurídica

Lei 12.846/2013

Art. 14. A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre


que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular
a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei OU para provocar confusão
patrimonial, sendo estendidos todos os efeitos das sanções aplicadas à
pessoa jurídica aos seus administradores e sócios com poderes de
administração, observados o contraditório e a ampla defesa.
Como aplicar a desconsideração administrativa
da personalidade jurídica e quais os efeitos do
instituto?
STJ
ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. LICITAÇÃO. SANÇÃO DE
INIDONEIDADE PARA LICITAR. EXTENSÃO DE EFEITOS À SOCIEDADE COM O MESMO OBJETO SOCIAL,
MESMOS SÓCIOS E MESMO ENDEREÇO. FRAUDE À LEI E ABUSO DE FORMA. DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA
MORALIDADE ADMINISTRATIVA E DA INDISPONIBILIDADE DOS INTERESSES PÚBLICOS.
- A constituição de nova sociedade, com o mesmo objeto social, com os mesmos sócios e com o
mesmo endereço, em substituição a outra declarada inidônea para licitar com a Administração
Pública Estadual, com o objetivo de burlar à aplicação da sanção administrativa, constitui abuso de
forma e fraude à Lei de Licitações Lei n.º 8.666/93, de modo a possibilitar a aplicação da teoria da
desconsideração da personalidade jurídica para estenderem-se os efeitos da sanção administrativa à
nova sociedade constituída.
- A Administração Pública pode, em observância ao princípio da moralidade administrativa e da
indisponibilidade dos interesses públicos tutelados, desconsiderar a personalidade jurídica de
sociedade constituída com abuso de forma e fraude à lei, desde que facultado ao administrado o
contraditório e a ampla defesa em processo administrativo regular.
- Recurso a que se nega provimento. (STJ - RMS 15166 / BA – Relator: Ministro CASTRO MEIRA -
SEGUNDA TURMA - DJ 08.09.2003 p. 262)
TCU
O abuso da personalidade jurídica evidenciado a partir de fatos como (i) a
completa identidade dos sócios-proprietários de empresa sucedida e sucessora,
(ii) a atuação no mesmo ramo de atividades e (iii) a transferência integral do
acervo técnico e humano de empresa sucedida para a sucessora permitem a
desconsideração da personalidade jurídica desta última para estender a ela os
efeitos da declaração de inidoneidade aplicada à primeira, já que evidenciado o
propósito de dar continuidade às atividades da empresa inidônea, sob nova
denominação. (Acórdão 1831/2014-Plenário)
Em caso de fraude comprovada, é possível a responsabilização não só da empresa,
mas também dos sócios, de fato ou de direito, a partir da desconsideração da
personalidade jurídica da instituição empresarial. (Acórdão n.º 1327/2012-
Plenário)
A declaração de inidoneidade de determinada empresa só pode ser estendida a
outra de propriedade dos mesmos sócios quando restar demonstrada ter sido essa
última constituída com o propósito deliberado de burlar a referida sanção.
(Acórdão n.º 2958/2012-Plenário)
O que fazer quando se identifica que a empresa vencedora de
licitação possui identidade de sócios, com uma sancionada por
outro órgão? Só há irregularidade se a constituição for
posterior? Desconsidera-se a personalidade jurídica? Aplica-se
outra sanção?
TCU
...oriente todos os órgãos/entidades do Governo Federal, caso nova
sociedade empresária tenha sido constituída com o mesmo objeto e
por qualquer um dos sócios e/ou administradores de empresas
declaradas inidôneas, após a aplicação dessa sanção e no prazo de sua
vigência, nos termos do o art. 46 da Lei 8.443/92, a adotar as
providências necessárias à inibição de sua participação em licitações,
em processo administrativo específico, assegurado o contraditório e a
ampla defesa a todos os interessados (TCU, no Acórdão nº 495/2013 -
Plenário - recomendação à SLTI/MPOG que - item 9.5.3).
Desconsideração da personalidade jurídica
Parâmetros do Novo CPC

O incidente pode ser instaurado em qualquer fase processual

Ocorrerá a suspensão do processo (se inconcluso)

Citação dos sócios ou da(s) outra(s) pessoas jurídicas

Deve-se demonstrar os pressupostos para a desconsideração

É desnecessário incidente quando ela é feita inicialmente


Agradecimento
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