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PROCESSO PENAL II

AULA Nº 8 – PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO -


CONTINUAÇÃO
PROCESSO PENAL II

Procedimento sumaríssimo

Aula Nº 7
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2.3- Transação penal

Caso concreto da semana 6:

Daniele Duarte, fazendeira de vultosas posses, em virtude de


uma viagem de longa data que fará para o exterior, resolve
deixar, no terreno de seu vizinho Sandro Santos, sem o
conhecimento deste, 2 (dois) cavalos da raça Mangalarga
para que o vizinho os cuidasse. Todavia, Sandro Santos
percebeu que os referidos animais acabaram danificando
toda sua coleção de orquídeas raras, gerando assim evidente
prejuízo econômico.

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Ante o exposto, Sandro comunicou o fato à autoridade policial


circunscricional e uma vez lavrado o termo respectivo, foi
encaminhado ao Juizado Criminal competente. Durante a
primeira audiência, e presentes ambas as partes, não foi
possível a conciliação entre as mesmas. Com base nos fatos
apresentados, responda, de forma justificada: No caso em
tela, é possível o oferecimento de transação penal?

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A transação penal é medida despenalizadora da maior


importância processual. O art. 76 da Lei 9099/95 dispõe que,
nos casos de ação pública incondicionada e de ação pública
condicionada à representação, cabe ao MP propor a
transação penal, se não for caso de arquivamento. Isso
significa que o promotor de justiça deve examinar o termo
circunstanciado para verificar a presença ou não da justa
causa (o mínimo suporte probatório sem o qual ninguém pode
ser acusado). Se não houver justa causa, o MP deve pedir o
arquivamento dos autos. Se houver justa causa, o MP deve
propor a transação penal, se o suposto autor do fato cumprir
os requisitos legais.

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Obs: O oferecimento da transação penal e o princípio da


obrigatoriedade.

A transação penal constitui, para a maioria, uma mitigação


(atenuação) do princípio da obrigatoriedade. É que o MP
conclui que existe justa causa e, ao invés de oferecer a
denúncia, propõe a transação penal, cujo objetivo é
justamente evitar o oferecimento da denúncia.

A minoria (Afrânio Silva Jardim) entende que a transação


penal é outro mecanismo através do qual se busca solucionar
o conflito de interesses, não através de uma sentença de
mérito, mas sim através de um “acordo” entre o MP e o
suposto autor do fato.
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Logo, se o objetivo da denúncia é o mesmo objetivo da


transação penal, é possível afirmar que a transação penal
não é uma mitigação ao princípio da obrigatoriedade. Ao
contrário, a transação penal representa a própria
materialização do cumprimento do princípio da
obrigatoriedade.

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Em que consiste a transação penal? Na aplicação imediata


de uma pena não privativa de liberdade, ou seja, pena
restritiva de direitos ou pena de multa. Cabe ao MP
especificar qual a pena a ser cumprida pelo autor do fato. No
caso de transação penal, o autor do fato não confessa a
prática do crime, nem assume a sua culpa no ocorrido. Ele
apenas concorda com a transação penal para ficar livre do
processo criminal. Isso significa que ele mantém a sua
primariedade, seus bons antecedentes, seu status de
inocente. Mas cumpre a pena não privativa de liberdade para
não responder ao processo criminal e não correr o risco de
ser sentenciado e condenado.

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O art. 76, § 2º, da Lei 9099/95, prevê os requisitos


indispensáveis à transação penal, os quais podem ser
classificados em objetivos (incisos I e II) e subjetivos (inciso
III).

O primeiro requisito objetivo (art. 76, § 2º, I, da Lei 9099/95)


exige que o autor do fato não tenha sido condenado pela
prática de crime à pena privativa de liberdade.

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O segundo requisito objetivo (art. 76, § 2º, II, da Lei 9099/95)


exige que o autor do fato não tenha sido beneficiado, nos
últimos cinco anos, pela transação penal. Tal prazo deve ser
contado da sentença que homologou a transação penal
anterior.

Os requisitos subjetivos (art. 76, § 2º, III, da Lei 9099/95)


exigem valoração individualizada de cada caso concreto. O
MP deve examinar os antecedentes, a conduta social, a
personalidade, os motivos e as circunstâncias. Depois de tal
exame, o MP deve analisar se a transação penal é cabível.

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Obs: E se houver discordância entre Ministério Público e juiz?

Se o MP propuser a transação penal e o juiz discordar, caberá


ao MP impetrar mandado de segurança, sustentando que tem
o direito líquido e certo de fazer a proposta, ou caberá ao
autor do fato impetrar habeas corpus, sustentando que tem o
direito à transação penal. Se o MP não propuser a transação
penal e o juiz entender que o caso permite a transação penal,
a maioria entende que o juiz deve aplicar, por analogia, o art.
28 do CPP, para que o Procurador-Geral de Justiça se
manifeste.

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Há ainda dois entendimentos minoritários quanto ao tema: o


primeiro deles é no sentido de que o próprio juiz proponha a
transação penal; o segundo deles é no sentido de que o juiz
deva rejeitar a denúncia oferecida pelo MP afirmando a falta
de justa causa.

Se os requisitos objetivos e subjetivos não autorizarem a


transação penal ou se a transação penal não for aceita, o rito
segue com as seguintes fases.

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2.4- Oferecimento da denúncia ou queixa-crime

O art. 77 da Lei 9099/95 afirma que, na audiência preliminar,


se o autor do fato faltar ou se não couber a transação penal,
caberá ao MP oferecer a denúncia oralmente.

Com o oferecimento da denúncia ou queixa, o suposto autor


do fato (agora promovido ao status de réu ou querelado) será
citado na própria audiência ou, se não estiver presente, será
citado por oficial de justiça.

No próprio ato citatório, o réu ou querelado fica notificado


para a audiência de instrução e julgamento, que consiste no
próximo momento processual.
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3- Audiência de instrução e julgamento

A audiência de instrução e julgamento é prevista nos arts. 79


e 81 da Lei 9099/95, sendo certo que se trata de ato
processual composto de alguns momentos, os quais devem
ser destacados para que sejam melhor compreendidos.

3.1- Renovação da proposta de composição dos danos


civis

O art. 79, da Lei 9099/95, afirma que, no dia designado para a


audiência de instrução e julgamento, “se não tiver havido
possibilidade de tentativa de conciliação”, a composição dos
danos civis será novamente tentada.
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3.2- Representação da vítima

Se não for celebrada a composição dos danos civis, a vítima


será de novo indagada quanto à sua pretensão de ver o réu
processado. Se ela desistir, será extinta a punibilidade, por
analogia ao art. 107, V, do CP. Se ela não desistir, seguem-se
as fases seguintes.

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3.3- Renovação da proposta de transação penal

Se não houver composição dos danos civis, o art. 79, da Lei


9099/95, autoriza que seja novamente tentada a transação
penal, “se não tiver possibilidade” na audiência preliminar.

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Obs: O princípio da indisponibilidade e o oferecimento da


transação penal em AIJ.

o princípio da indisponibilidade, previsto no art. 42 do CPP,


não permite que o MP desista da ação penal. Isso significa
que, havendo oferecimento da denúncia, o MP deve levar o
processo até a sentença de mérito, mesmo que, em
alegações finais, ele peça a absolvição do acusado. A
transação penal oferecida após a denúncia mitiga (atenua) o
princípio da indisponibilidade porque, de certa forma, ao
propô-la, o MP admite a possibilidade do processo ser extinto
sem o julgamento do mérito, caso o autor do fato aceite a
proposta e cumpra as condições fixadas.

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3.4- Defesa preliminar

A defesa tem oportunidade de manifestar-se antes do juiz


fazer o juízo de admissibilidade da acusação. Normalmente,
tal manifestação é feita oralmente, mas nada impede que o
defensor a traga por escrito.

Vale mencionar que nesta fase, aplica-se o in dubio pro


societate, ou seja, na dúvida, a denúncia é recebida para que
os fatos sejam apurados.

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3.5- Recebimento da denúncia ou queixa

Após a apresentação da defesa preliminar, cabe ao juiz fazer


o juízo de admissibilidade da acusação.

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3.6- Proposta de suspensão condicional do processo

Exercício suplementar da semana 6:

Sobre o procedimento dos Juizados Especiais Criminais,


considere as seguintes assertivas:

I. A transação penal poderá ser ofertada em relação aos


delitos cuja pena máxima não seja superior a 2 (dois) anos, e
a suspensão do processo nos delitos cuja pena mínima for
igual ou inferior a 1 (um) ano.

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II. Segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal


Federal, admite-se a suspensão condicional do processo por
crime continuado, se a soma da pena mínima da infração
mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a
um ano.

III. Embora se aplique o procedimento previsto na Lei no


9.099/95 aos crimes previstos no Estatuto do Idoso nas
hipóteses em que a pena máxima privativa de liberdade não
ultrapasse a 4 (quatro) anos, a transação penal e a
suspensão do processo não lhes são aplicáveis.

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Quais estão corretas?


a) I;
b) I e II;
c) III;
d) I e III;
e) II e III

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O art. 89 da Lei 9099/95 prevê a suspensão condicional do


processo ou sursis processual. As infrações que permitem a
aplicação do sursis processual são chamadas de infrações de
médio potencial ofensivo. São aquelas cuja pena mínima não
seja superior a um ano.

A suspensão condicional do processo, embora prevista na Lei


9099/95, não se aplica apenas aos crimes de competência do
juizado especial criminal. Qualquer crime cuja pena mínima
não ultrapasse um ano permite o sursis processual, mesmo
que o crime não seja da competência do juizado especial
criminal.

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Obs: A suspensão condicional do processo ou sursis


processual (art. 89 da Lei 9099/95) não se confunde com a
suspensão condicional da pena ou sursis penal (arts. 77 e
segs. do CP).

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O art. 89, da Lei 9099/95, exige que a pena mínima fixada


para o delito não ultrapasse um ano e que o réu não esteja
sendo processado, não tenha sido condenado por outro crime
e que os requisitos do art. 77 do CP estejam presentes.

Discute-se a constitucionalidade da parte em que se exige


que o réu não esteja sendo processado por outro crime. É
que, em razão do princípio da inocência, previsto no art. 5º,
LVII, da CF, a presunção da inocência só pode ser afastada
diante de uma condenação irrecorrível. Por isso, é possível
que o réu não seja beneficiado com o sursis processual e,
depois, no outro processo, ele seja inocentado.

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Entretanto, há quem afirme que o sursis processual é um


benefício legal e, por isso, o legislador pode fixar requisitos
para a sua concessão e, dentre eles, é possível exigir que o
réu não esteja respondendo por outro processo.

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Logo, para a concessão da suspensão condicional do


processo, são necessários os seguintes requisitos:
(a) a pena mínima prevista para o crime não pode ser
superior a um ano;
(b) o réu não pode estar respondendo por outro processo;
(c) o réu não pode ter sido condenado por outro crime;
d) os requisitos do art. 77 do CP sejam favoráveis à
concessão do benefício.

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O art. 89, §§ 1º e 2º, da Lei 9099/95, prevê as condições a


serem cumpridas pelo réu durante o período de prova.

Se o réu não cumprir as condições impostas, a suspensão


condicional do processo será revogada e o processo seguirá
normalmente até a prolação da sentença. Se o réu cumprir as
condições, o juiz declarará extinta a punibilidade, com base
no art. 89, § 5º, da Lei 9099/95.

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Obs: A suspensão condicional do processo e o princípio da


indisponibilidade.

A suspensão condicional do processo mitiga (atenua) o


princípio da indisponibilidade porque, de certa forma, ao
propô-la, o MP admite a possibilidade do processo ser extinto
sem o julgamento do mérito, caso o réu aceite a proposta e
cumpra as condições fixadas.

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3.7- Oitiva da vítima

Se for inviável o sursis processual, a instrução tem início com


a oitiva da vítima, a qual deve ser ouvida antes das
testemunhas.

3.8- Oitivas das testemunhas de acusação

Depois da oitiva da vítima, são ouvidas as testemunhas de


acusação. A maioria entende que a acusação pode ouvir até
cinco testemunhas, por analogia ao art. 538 do CPP. A
minoria afirma que a acusação pode ouvir até três
testemunhas, por analogia ao art. 34 da Lei 9099/95. Este
número de testemunhas deve ser multiplicado pelo número
de réus e pelo número de crimes imputados.
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3.9- Oitivas das testemunhas de defesa

Em seguida, são ouvidas as testemunhas de defesa, valendo,


quanto ao número de testemunhas, a controvérsia acima.

3.10- Interrogatório

Por fim, encerra-se a instrução com o interrogatório do réu,


aplicando-se os arts. 185 a 196 do CPP.

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3.11- Alegações finais

Finda a instrução, iniciam-se os debates. A acusação


manifesta-se oralmente em alegações finais e, depois, a
defesa, também oralmente, manifesta-se em alegações
finais.

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3.12- Sentença

O legislador previu a prolação de sentença oral. Quando o


processo não tem grande complexidade, o juiz geralmente
profere a sentença oralmente, consignando-a na assentada
da audiência. Mas, quando se exige certa cautela no exame
das provas, o juiz encerra a audiência e determina que os
autos sejam conclusos, a fim de que profira a sentença por
escrito. O art. 81, § 3º, da Lei 9099/95, dispensa o relatório na
sentença a ser proferida no juizado especial criminal.

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