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Fisiopatologia e

Terapia Nutricional
na AIDS
PROFA. FERNANDA DE CARVALHO VIDIGAL
DEFINIÇÃO

 Vírus da imunodeficiência humana (HIV)  retrovírus


com genoma RNA da família Retroviridae (retrovírus)
e subfamília Lentivirinae.
 Necessita para multiplicar-se de uma enzima
denominada transcriptase reversa, responsável pela
transcrição do RNA viral para uma cópia de DNA,
que pode, então, integrar-se ao genoma do
hospedeiro.
DEFINIÇÃO

 Esse vírus infecta células do sistema imunológico


humano, principalmente as células T helper CD4,
componentes-chave do sistema imunológico
celular, destruindo ou prejudicando suas funções.
 Infecções com esse vírus resultam em um progressivo
esgotamento do sistema imunológico, levando-o à
imunodeficiência.
 O sistema imunológico fica debilitado e o indivíduo
tornar-se mais suscetível a infecções.
DEFINIÇÃO

 A infecção pelo HIV pode evoluir para quatro estágios no


decorrer do período:
 Estágio I ou soroconversão: ocorre em 2 a 4 semanas
após a infecção pelo vírus, acometendo 50 a 90% dos
pacientes;
 Estágio II: denominado fase assintomática, na qual
ocorre replicação ativa do vírus e destruição de células T
helper CD4, sem manifestações clínicas aparentes. Com
o decorrer do tempo, evolui para a infecção sintomática
na maioria dos indivíduos, quando o sistema imunológico
começa a ficar debilitado;
DEFINIÇÃO

 Estágio III: surgem doenças como candidíase oral e


linfoadenopatia e ocorre declínio da função
imunológica, quando o paciente fica susceptível às
infecções oportunistas (sarcoma de Kaposi, por
exemplo);
 Estágio IV: o paciente é definido como portador da
síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
 Vale salientar que uma pessoa infectada pelo HIV pode
levar 10 a 15 anos para desenvolver AIDS, e as drogas
antirretrovirais podem retardar ainda mais o processo.
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA

 Cerca de 34 milhões de pessoas estão infectadas com o HIV


no mundo.
 Brasil  segundo o boletim epidemiológico do Ministério da
Saúde (2017), de 1980 a junho de 2017  foram notificados no
Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 
um total de 882.810 casos de Aids:
 Região Sudeste (52,3%);
 Região Sul (20,1%);
 Região Nordeste (15,4%);
 Região Norte (6,1%);
 Região Centro-oeste (6,0%).
ALTERAÇÕES NUTRICIONAIS
EM HIV/AIDS
 Podem estar relacionadas:
 Baixa ingestão alimentar;
 Má absorção de nutrientes;
 Alterações metabólicas;
 Infecções oportunistas;
 Fatores psicossociais e neurológicos;
 Interações drogas-nutrientes.

Deficiências nutricionais  afetam


negativamente o estado nutricional deste
indivíduos.
ALTERAÇÕES NUTRICIONAIS
EM HIV/AIDS
 Atualmente  destacam-se duas condições preocupantes do
ponto de vista nutricional:

 Síndrome consumptiva;

 Síndrome lipodistrófica do HIV ou lipodistrofia.


SÍNDROME CONSUMPTIVA

 DESNUTRIÇÃO  importante fator prognóstico nos pacientes


em estágios avançados da Aids e uma das complicações mais
frequentes da infecção pelo HIV.

 Perda de peso  pode ocorrer em 95 a 100% dos pacientes,


sendo que mais da metade apresenta IMC abaixo dos valores
normais.
SÍNDROME CONSUMPTIVA

↓ massa muscular  ↑ morbidade

↑ citocinas e hormônios Perda ↑ níveis de RNA viral


inflamatórios (TNF-alfa, IGF- de peso
1*)

↓ contagem de linfócitos CD4


(relação inversa)
* Fator de crescimento semelhante à insulina
SÍNDROME CONSUMPTIVA

 Pode ser diagnosticada quando a perda ponderal é superior a


10% do peso habitual, associada a uma das sintomatologias
clínicas:
 Diarreia crônica e/ou;
 Febre e/ou;
 Astenia sem outra causa detectável que não a infecção pelo
HIV.
SÍNDROME CONSUMPTIVA

 Critérios atuais para diagnóstico (Polsky et al., 2001):


(para o diagnóstico deve apresentar pelo menos um dos critérios)

 Perda de peso não intencional de 10% em 12 meses;


 Perda de peso não intencional de 7,5% em período superior a 6
meses;
 5% de perda de massa celular corporal (MCC) em 6 meses;
 Homens: MCC < 35% do peso corporal total e IMC < 27 kg/m2;
 Mulheres: MCC < 23% do peso corporal total e IMC < 27 kg/m2;
 IMC < 20 kg/m2.
*MCC  contém todos os tecidos metabolicamente ativos.
SÍNDROME CONSUMPTIVA

 Etiologia multifatorial; envolve diversos fatores:


 ↓ ingestão alimentar;
 Comprometimento dos processos de digestão e absorção dos
nutrientes  em decorrência das alterações estruturais da mucosa
intestinal provocadas pelo vírus HIV;
 Hipermetabolismo;
 Catabolismo proteico acelerado;
 Doenças oportunistas associadas e efeitos adversos dos
medicamentos;
 Produção exacerbada de citocinas inflamatórias e a disfunção do
sistema endócrino  principais fatores.
SÍNDROME LIPODISTRÓFICA
DO HIV
 Em 1997, a lipodistrofia definida como redistribuição anormal
da gordura corporal foi descrita pelo FDA, sendo classificada
em 3 tipos:

 Lipoatrofia  diminuição da gordura nas regiões periféricas,


como braço, perna, nádegas e face, podendo salientar
músculos e veias;
 Lipo-hipertrofia  acúmulo de gordura abdominal, gibosidade
dorsal, ginecomastia e aumento de mamas em mulheres;
 Forma mista.
SÍNDROME LIPODISTRÓFICA
DO HIV
 Lipodistrofia  associada à diabetes e resistência à insulina.
 Prevalência de diabetes  4 vezes mais comum em homens
em terapia de antirretroviral quando comparados àqueles não
infectados.
 Cerca de 50 a 80% dos indivíduos com Aids  desenvolvem
lipodistrofia relacionada ao uso dos antirretrovirais, sendo
considerada um efeito adverso da terapia antirretroviral
altamente ativa (HAART).
INTERAÇÃO ENTRE
FÁRMACOS E NUTRIENTES
Tabela 1 – Efeitos colaterais com implicações nutricionais por grupos de
medicamentos.

Tipo de medicamento Efeitos colaterais

Antibióticos Xerostomia, algia oral, náuseas, vômitos,


diarreia, obstipação, alteração do paladar,
aftas, dor abdominal, perda de apetite,
disfagia.
Antifúngicos Xerostomia, náuseas, vômitos, diarreia,
alteração do paladar, dor abdominal, perda de
apetite, gosto metálico, perda de peso, cólicas,
aumento da sede, dor estomacal, fadiga.
INTERAÇÃO ENTRE
FÁRMACOS E NUTRIENTES
Tabela 1 – Efeitos colaterais com implicações nutricionais por grupos de
medicamentos (continuação).

Tipo de medicamento Efeitos colaterais

Antivirais Náuseas, vômitos, diarreia, gosto metálico.

Antirretrovirais Ganho de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal,


diarreia, alterações do paladar, aumento ou
diminuição do apetite, obstipação, fadiga, esteatose
hepática, acidose lática, lipodistrofia, aumento da
pressão arterial, dislipidemia.
Antioneoplásicos Perda de apetite, dor na boca e garganta, náuseas,
vômitos, perda de peso, dor e cólicas abdominais,
obstipação, edema em gengivas, irritação estomacal,
alteração do paladar, disfagia, sede.
TERAPIA NUTRICIONAL EM
HIV/AIDS
 Objetivos:
 Detectar, prevenir e reduzir a ocorrência de problemas
nutricionais;
 Auxiliar na preservação da massa corporal magra, prevenir a
perda ponderal e recuperar o estado nutricional;
 Fornecer aporte adequado de nutrientes, a fim de evitar
deficiências ou excessos, de acordo com as condições clínicas
do paciente;
 Contribuir para a eficácia da terapia medicamentosa;
 Auxiliar no alívio dos sintomas e nas complicações
relacionadas ao HIV e às infecções oportunistas;
TERAPIA NUTRICIONAL EM
HIV/AIDS
 Objetivos:
 Colaborar para o manejo dos transtornos associados à terapia
medicamentosa;
 Promover educação nutricional em todas as fases da doença;
 Contribuir para melhorar a qualidade de vida.
TGO, TGP
Fator injúria: 1 a 1,75

 Mesmo em pacientes assintomáticos  dieta hipercalórica.


RECOMENDAÇÕES DE
ENERGIA
Tabela 2 – Recomendações de energia para adultos com HIV/AIDS.

Estágio Energia
Estágio A – assintomático, peso 30 a 35 Kcal/kg peso atual/dia
estável
Estágio B – sintomático com 35 a 40 Kcal/kg peso atual/dia
complicações do HIV, necessidade
de ganho de peso
Estágio C – infecção oportunista e/ou 40 a 50 Kcal/kg peso atual/dia
Aids (CD4 < 200)
Estágio C – com desnutrição grave Iniciar com 20 Kcal/kg de peso atual/dia,
aumentando gradualmente para evitar a
síndrome de realimentação
Obesidade 20 a 25 Kcal/kg de peso ajustado/dia
RECOMENDAÇÕES
PROTEICAS
Tabela 2 – Recomendações proteicas para adultos com HIV/AIDS.

Estágio Proteínas
Estágio A – assintomático, peso 1,1 a 1,5 g/kg de peso atual
estável
Estágio B – sintomático com 1,5 a 2 g/kg de peso atual
complicações do HIV, necessidade
de ganho de peso
Estágio C – infecção oportunista e/ou 2 a 2,5 g/kg de peso atual
Aids (CD4 < 200)
Estágio C – com desnutrição grave Aumentar a oferta gradativamente,
conforme a evolução das calorias
Obesidade Utilizar o peso ajustado para cálculo das
necessidades proteicas
ACONSELHAMENTO
NUTRICIONAL
 Durante o processo de educação nutricional os pacientes
devem ser orientados sobre:
 A importância e os princípios de uma alimentação saudável;
 A segurança higiênica e sanitária da água e dos alimentos;
 O manejo de sintomas clínicos e efeitos colaterais das
medicações (anorexia, náuseas vômitos, xerostomia, etc);
 O manejo nutricional de comorbidades: dislipidemias,
diabetes, osteoporose, etc;
 A interação drogas-nutrientes e o uso de suplementos;
 A importância de hábitos de vida saudáveis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

 A terapia nutricional para pacientes com HIV/Aids deve ter


como diretrizes:
 Fornecer avaliação nutricional completa e precoce de todos
os pacientes, atentando à avaliação da perda de peso e de
massa magra e à redistribuição de gordura característica da
síndrome lipodistrófica do HIV;
 Auxiliar na prevenção e no tratamento das alterações
metabólicas associadas à terapia antirretroviral;
 Minimizar sintomas gastrintestinais associados à infecção pelo
HIV, infecções oportunistas e terapia antirretroviral, com o
objetivo de otimizar a ingestão oral, evitando deficiências
nutricionais;
CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Fornecer terapia nutricional adequada às diversas condições


clínicas que possam acometer esses pacientes, de modo a
evitar a desnutrição;
 Fornecer aconselhamento nutricional adequado, de modo a
contribuir para maior sobrevida com melhor qualidade de vida
para esses pacientes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

OMS  preconiza que a intervenção nutricional faça parte


de todos os programas de controle e tratamento de
pessoas vivendo com HIV/ AIDS  como estratégia
complementar para melhorar a adesão e a efetividade da
terapia antirretroviral  além de contribuir com a melhoria
das anormalidades metabólicas e da qualidade de vida
desses pacientes.