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Princípios Contratuais

• Conceito. A expressão princípio exprime a noção de


mandamento nuclear do sistema. No âmbito contratual, os
princípios constituem os preceitos básicos da organização
dos contratos. Os princípios são os postulados fundamentais
que inspiram a elaboração das normas jurídicas. Estas são
editadas em consonância com os princípios.
• Esses princípios, às vezes, encontram-se contidos numa
norma. Tal ocorre, por exemplo, com os da probidade e boa-
fé, previstos no art. 422 do CC. A norma que contém um
princípio é denominada NORMA DIRETIVA, exercendo
importante papel na hermenêutica, pois na dúvida acerca
da adoção de uma ou outra interpretação, o hermeneuta
deve adotar a exegese que mais atenda ao princípio contido
na sobredita norma.
• Acrescente-se, contudo, que diversos princípios encontram-
se implícitos, guardando valores fundamentais da ordem
jurídica.
• Distinção entre Princípio e Norma. O princípio
lança sua força sobre todo ordenamento jurídico,
atuando numa área muito mais ampla do que a
norma, pois esta se limita a regular situações
específicas.
• Os princípios são as premissas éticas que inspiram
a elaboração das normas jurídicas. São mais do
que normas, pois sua função primordial é servir
como critério de interpretação destas, devendo
ser observados pelo legislador, quando elabora as
leis; pelos juízes, quando as aplica; e pelo cidadão,
quando realiza o negócio jurídico.
• Classificação.
• No sistema contratual, destacam-se os seguintes
princípios:
– Autonomia da vontade;
– Supremacia da ordem pública;
– Função social dos contratos;
– Boa-fé;
– Consensualismo;
– Obrigatoriedade;
– Relatividade.
• Princípio da Autonomia da Vontade. De acordo com esse
princípio, as partes são livres para estipular as cláusulas
contratuais e o tipo de contrato. A autonomia da vontade
compreende:
• - a liberdade de escolher o tipo de contrato;
• - a liberdade de escolher a pessoa com quem se irá contratar;
• - a liberdade de contratar ou não contratar;
• - a liberdade de escolher o conteúdo do contrato. Assim, os
contratantes são livres para estipular o que lhes convenha,
inclusive dispondo diversamente da lei. De fato, as normas
contratuais, em regra, são supletivas ou subsidiárias, pois podem
ser alteradas por vontade das partes. No silêncio do contrato,
porém, essas normas do Código Civil são de aplicação
obrigatória.
• O princípio da autonomia da vontade, porém, não é absoluto,
pois a liberdade dos contratantes encontra-se limitada pelo
princípio da supremacia da ordem pública e pelos dois princípios
do contrato que traçam as diretrizes da noção de socialidade.
Esses dois princípios são: o princípio da função social do contrato
e o princípio da boa-fé objetiva.
• Princípio da Supremacia da Ordem Pública.
• O princípio da supremacia da ordem pública é o que
limita a liberdade de contratar, vedando as
convenções contrárias às normas cogentes e aos bons
costumes.

• As normas cogentes ou coativas são as que não


podem ser modificadas pela vontade das partes.
Podem ser:
– Imperativas: são as que ordenam algum ato. Tal ocorre, por
exemplo, com a lei que obriga o comerciante a vender
mercadoria a quem quiser comprá-la.
– Proibitivas: vedam algum ato. Tal ocorre, por exemplo, com
a lei que proíbe o anatocismo (juros compostos). Outro
exemplo é a vedação da cláusula leonina nos contratos de
sociedade.
• Assim, o chamado dirigismo contratual consiste na
intervenção do Estado no conteúdo dos contratos para
evitar o desequilíbrio entre as partes e o abuso do poder
econômico. Essa intervenção se dá por meio da edição de
leis de ordem pública, editadas pela União, pois os Estados-
membros não podem legislar sobre contratos (art. 22, I da
CF).
• Nos dizeres de Maria Helena Diniz, ‘o Estado intervém no
contrato, não só mediante a aplicação de normas de ordem
pública, mas também com a adoção de revisão judicial dos
contratos, alterando-os, estabelecendo-lhes condições de
execução, ou mesmo exonerando a parte lesada, conforme
as circunstâncias, fundando-se em princípios de boa-fé e de
supremacia do interesse coletivo, no amparo do fraco contra
o forte, hipótese e que a vontade estatal substitui a vontade
dos contratantes, valendo a sentença como se fosse
declaração volitiva do interessado’.
• Princípio da Função Social do Contrato.
• Dispõe o art. 421 CC que “a liberdade de contratar será
exercida e razão e nos limites da função social do contrato”.
O combate ao individualismo, que já era feito pelo princípio
da supremacia da ordem pública, com o advento do Código
de 2002 passou a ser reforçado pela função social do
contrato, limitando ainda mais a autonomia da vontade,
sem, porém, suprimi-la.
• A lei não define o que vem a ser função social do contrato,
de modo que não poderá ser interpretada de forma diversa,
propiciando a declaração de nulidade de cláusulas ou de
todo o contrato. Decerto o legislador inspirou-se no art. 5º,
XXIII da CF, que limita o direito de propriedade ao
atendimento de sua função social. Sendo o contrato um
meio natural de promover a circulação de riquezas, urge que
os interesses individuais das partes sejam compatibilizados
com os interesses sociais, sempre que estes se apresentem.
• Assim, o princípio da função social do contrato
consiste na prevalência do interesse coletivo sobre os
interesses individuais dos contratantes.
• O contrato como salienta Nelson Nery Júnior ‘tem que
ser entendido não apenas como as pretensões
individuais dos contratantes, mas como verdadeiro
instrumento de convívio social e de preservação dos
interesses da coletividade, onde encontra sua razão de
ser e de onde se extrai a sua força, pois o contrato
pressupõe a ordem estatal para lhe dar eficácia’.
• O ilustre civilista ainda esclarece que ‘o contrato
estará conformado à sua função social quando as
partes se pautarem pelos valores da solidariedade
(art. 3º, I da CF) e da justiça social (art. 170, caput da
CF), da livre iniciativa, for respeitada a dignidade da
pessoa humana (art. 1º, III da CF), não se ferirem
valores ambientais, etc’.
• Haverá desatendimento da função social quando:
– A prestação de uma das partes for exagerada ou
desproporcional, extrapolando a álea normal do contrato;
– Quando houver vantagem exagerada para uma das partes;
– Quando se quebrar a base objetiva ou subjetiva do contrato e
etc.
• Assim o contrato só cumprirá a sua função social quando for
simultaneamente útil e justo. A utilidade e a justiça social
devem ser analisadas sobretudo em face dos interesses
metaindividuais, do interesse individual relativo à dignidade
da pessoa humana e de outros preceitos constitucionais.
• Finalmente, alguns autores sustentam que a
desconformidade do contrato com sua função social pode
ser corrigida pela via de revisão judicial do contrato. Outros,
ao revés, preconizam que não é cabível essa revisão judicial,
pois violaria o princípio da autonomia da vontade, de modo
que o juiz, em vez de alterar a cláusula contratual, deverá
simplesmente anulá-la, e, em casos extremos, decretar a
nulidade do próprio contrato.
• Princípio da Boa-fé.
• A boa-fé pode ser dividida em:
• Objetiva também chamada de concepção ética da
boa-fé;
• Subjetiva também denominada concepção psicológica
da boa-fé.
• Desde logo, cumpre ressaltar que a boa-fé subjetiva
exerce função preponderante na interpretação dos
contratos, ao passo que a boa-fé objetiva atua mais
como fonte integrativa, isto é, criando direitos e
obrigações não previstos expressamente.
• Acrescente-se que tanto a boa-fé objetiva quanto a
subjetiva exercem função social sobre o contrato.
• O princípio da boa-fé objetiva é o que impõe aos contratantes a
obrigação de agir corretamente, nos padrões do homem comum,
segundo usos e costumes do lugar. É, pois, fonte de direito e
obrigações, assim como a lei, porquanto ordena aos contratantes
que ajam com probidade, honestidade e lealdade. Portanto,
como ensina Nelson Nery Júnior, reputa-se celebrado o contrato
com todos esses atributos que decorrem da boa-fé objetiva.
• A jornada STJ 24 preceitua: “Em virtude do princípio da boa-fé,
positivado no art. 422 do Código Civil, a violação dos deveres
anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente
de culpa”.
• O art. 422 CC dispõe que “os contratantes são obrigados a
guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução,
os princípios da probidade e boa fé”.
• Observe-se que o legislador acrescentou à boa fé o atributo da
probidade, que consiste no comportamento moral das partes.
Desses dois princípios, boa fé e probidade, decorrem as
expectativas de atitudes dos contratantes, no sentido de eles
cooperarem reciprocamente pelo cumprimento dos deveres
anexos, cuja análise deve ser conforme o padrão do homem
médio e uso e costumes locais.
• O princípio da boa fé subjetiva fundamenta-se numa crença
ou ignorância. De acordo com esse princípio, nas
declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem (art.
112 do CC).
• Assim a boa fé subjetiva atua como fonte de interpretação
da declaração de vontade. Aliás, o art. 113 do CC dispõe que
“ os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a
boa fé e os usos do lugar de sua celebração”.
• A boa fé é a crença de estar agindo corretamente. Esta é
presumida de modo que a alegação de má fé deve ser
comprovada pelo contratante que arguí-la.
• A boa fé exerce tripla função, a saber: interpretativa,
integrativa e de controle.
• A função interpretativa que é típica da boa fé subjetiva
consiste em revelar a vontade dos contratantes segundo os
preceitos de lealdade e confiança.
• A função integrativa, ao revés, consiste na
explicitação dos direitos e deveres anexos, isto é,
não previstos expressamente no contrato. Assim, a
despeito da omissão do contrato, compete ao
vendedor colaborar com a retificação no Registro
de Imóveis fornecendo os documentos necessários
por exemplo.
• A função do controle contratual consiste na
delimitação dos direitos que uma parte pode
exercer contra a outra, é baseada na boa fé
subjetiva e na boa fé objetiva. Assim, as
obrigações assumidas nos contratos devem ser
seguidas, desde que prevaleça o equilíbrio
contratual.
• Princípio do Consensualismo.

• De acordo com o princípio do consensualismo, o


acordo de vontades é suficiente para gerar a formação
válida do contrato. Mas esse princípio comporta duas
exceções. A primeira é referente aos contratos
solenes, isto é, que exigem a forma escrita. Nesse
caso, enquanto o ajuste não for reduzido a escrito, o
contrato não estará concluído validamente. A segunda
exceção é atinente aos contratos reais, isto é, aqueles
que só se formam com a entrega da coisa. Dentre
esses contratos, tem-se como exemplo: mútuo,
comodato, penhor, depósito, doações de coisas
móveis de pequeno valor.
• Princípio da Força Vinculante dos Contratos ou “Pacta sunt
Servanda” ou Princípio da Obrigatoriedade.

• De acordo com o princípio da obrigatoriedade, o contrato deve


ser fielmente cumprido pelos contratantes, sendo, pois, lei entre
as partes. Desse princípio decorre a intangibilidade do conteúdo
do contrato, que não pode ser alterado unilateralmente por uma
das partes.
• A revisão judicial do contrato, em regra, não é admitida, devendo
o magistrado limitar-se a anular as cláusulas abusivas, em vez de
alterar o seu conteúdo. Excepcionalmente, porém, o magistrado
pode modificar o conteúdo contratual para fazer preservar os
princípios da função social e da boa fé objetiva, outrossim, para
aplicar a chamada teoria da imprevisão (arts. 478 a 480 do CC),
cujo estudo será desenvolvido mais a frente. Adiante-se que a
teoria da imprevisão prevê a revisão como forma de devolver o
equilíbrio contratual.
• Por último, tem-se os casos de caso fortuito e força maior, casos
que justificam a exceção também ao princípio da
obrigatoriedade.
• Princípio da Relatividade.
• De acordo com o princípio da relatividade, o contrato só
produz efeitos entre as partes. Não beneficia nem prejudica
terceiros. Assim, em regra, não se pode, por meio de um
contrato, criar direitos e obrigações para terceiros.
• Todavia, o princípio da relatividade comporta as seguintes
exceções:
– As estipulações em favor de terceiros (arts. 436 a 438 do CC);
– A responsabilidade de os herdeiros cumprirem os contratos do
de cujus, até as forças da herança (art. 1792, CC);
– O poder de o consumidor acionar judicialmente o fabricante,
produtor, construtor ou importador, mesmo não tendo
contratado diretamente com eles, na hipótese de reparação de
danos causados por defeitos ou informações insuficientes do
produto (art. 12 do CDC). A compra e venda do Código Civil,
porém, é irremediável em relação a essas pessoas, de modo que
o comprador não pode acioná-las judicialmente.